Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

Economia Global, Capitalismo de Estado e Neoliberalismo - 4

Júlio Marques Mota (Continuação)

 

Foxconn: "A fábrica de material electrónico do mundo"

 

A subsidiária Foxconn é um produto da empresa-mãe, a Hon Hai, especialista em produção em massa de material electrónico desde a década de 80 quando o mercado de computadores pessoais ganhou visibilidade.(43) Em 1988, o presidente e fundador Terry Gou investiu na produção a baixo custo na China continental, mantendo as estruturas de investigação e desenvolvimento (I&D) nas suas instalações de Taiwan.(44) Desde o início dos anos 90, a empresa instalou mais de 40 fábricas e centros de I & D na Ásia (Índia, Vietname, Tailândia, Malásia, Singapura, Japão, Coreia do Sul e Austrália), Rússia, Europa (República Checa, Eslováquia, Hungria, Dinamarca, Holanda, Finlândia, Reino Unido e Turquia), e na America.(45) O grupo dispõe de tecnologia que oferece aos seus clientes "a melhor rapidez, qualidade, serviços de engenharia, eficiência e valor acrescentado ", chamando ao conjunto “as cinco competências fundamentais”. (46) Mas o que é que tem feito pelos 450 mil trabalhadores em grande parte trabalhadores migrantes que produzem os produtos nas suas duas fábricas de Shenzhen ou noutros lugares? Os resultados sugerem um crescimento continuado e altos lucros gerados possivelmente pelos trabalhadores chineses, a maioria dos quais continuam a trabalhar ao nível dos salários mínimos decorrentes da determinação dos governos locais tendo visto muito pouco ou mesmo nenhum ganho decorrente do crescimento da empresa.

 

Em 2001, a Hon Hai tornou-se a maior empresa do sector privado de Taiwan, em termos de volume de vendas, gerando uma receita de 4,4 mil milhões de dólares.(47) A Business Week, em 2002, considerava Terry Gou "o rei do outsourcing" (48), quando Foxconn Electronics ainda estava muito atrás dos líderes de produtos electrónicos como Solectron (18,7 mil milhões de USD) (49) e de Flextronics (12,1 mil milhões de USD) (50). Desde 2003, que a empresa sediada em Taiwan é o maior exportador da China. (51) Em 2008, as receitas de Foxconn atingiram os 61,8 mil milhões de dólares, (52) do quais 55,6 mil milhões de dólares foram de exportações e representaram cerca de 3,9 por cento de todas as exportações da China.(53) Apesar da forte contracção da procura americana e europeia em produtos electrónicos de consumo durante a recente crise económica, a receita gerada em 2009 pela Foxconn foi de 59,3 mil milhões de dólares americanos com apenas uma ligeira queda nas vendas de 4,1 por cento face ao ano anterior (ver gráfico 1)(54).

 

Gráfico 1. Rendimento da Foxconn, 1996-2009

Fonte: Foxconn corporate and environment report (2008); Fortune Global 500 (2010).

 

Na sequência de uma recuperação económica global, a empresa Foxconn tem vindo a crescer rapidamente. No final dos primeiros seis  meses de 2010, as vendas da empresa aumentaram 48 por cento relativamente a um ano antes para cerca de 37,43 mil milhões de dólares e o lucro líquido aumentou de 22 por cento 1,08 mil milhões de dólares. (55) A Foxconn, apesar da má publicidade no país e no estrangeiro que se seguiu à sequência dos 13 suicídios de trabalhadores até Maio e apesar da pressão para aumentar os salários em Shenzhen e aos apelos mundiais para um boicote aos produtos Foxconn, incluindo o iPhone da Apple, durante o mês de Junho, (56) registou um aumento das suas exportações. No mercado da indústria transformadora de material electrónico, o volume de receitas da Foxconn é quase três vezes maior ao do seu rival mais próximo, Flextronics, fabricante em Singapura.

 

Foxconn produtos e serviços

 

 

Os executivos da Foxconn fazem um forte e agressivo controle de gastos relacionados com os custos em trabalho e com a redução do tempo de entrega dos produtos para o mercado. A Foxconn lança no mercado uma vasta gama de produtos desde a gama baixa até aos produtos de tecnologia sofisticada, para as principais marcas mundiais. Esta também oferece serviços de  engenharia de projecto e de ferramentas mecânicas.
O grupo tecnológico expandiu a sua gama "3C -computadores, comunicações e consumo final" (57) - computadores (desktop, laptop e computadores portáteis), equipamento de comunicações (telefones portáteis e smartphones), e produtos de consumo (players de música digital, câmeras digitais e consolas de jogos) para incluir mais três "C's": carros (produtos electrónicos para automóveis), canais ou interfaces (para produtos electrónicos e de computador, como placas-mãe), (58) e conteúdo (e-book leitores, uma plataforma de software e hardware para ecrãs de e-books).(59) A diversidade reforça a competitividade dos produtos da Foxconn no mercado. A empresa está a avançar para o topo de gama (high-end) nas áreas de nanotecnologia, transferência de calor, ligações sem fios, ciências de materiais e de processos de tecnologias "verdes". (60) O gigante na electrónica tem acumulado mais de 25.000 patentes a nível mundial. (61)

 

A Foxconn encurta a sua cadeia de fornecimento com a produção das suas componentes internamente. O seu porta-voz, Arthur Huang (62) explicou a estratégia de redução de custos da empresa:

 

“Nós, tanto encomendamos a produção de componentes a outros fabricantes como podemos conceber e produzir internamente as nossas próprias componentes. Temos até mesmo contratos com outros fabricantes que estão localizados perto das nossas fábricas.”

 

A integração de negócios é fundamental para a expansão e desenvolvimento da Foxconn. Na integração vertical, ela sintetiza duas características especialidades para oferecer aos clientes as vantagens de custo-benefício:(63)

 

Existem duas categorias de fabricantes de tecnologia da informação e comunicação na cadeia de abastecimento global (TIC). A primeira concentra-se no projecto e montagem de componentes electrónicas, tais como placas de circuito, armazenamento de dados ou ecrãs. A segunda categoria concentra-se em fabricar os elementos estruturais dos produtos electrónicos (as caixas para os produtos electrónicos). A Foxconn tem integrado estas duas características anteriormente separadas para criar um novo modelo de negócios mais eficientes

 

A Foxconn bate assim os seus concorrentes no preço, na rapidez de entrega e na qualidade dos seus produtos acabados.

 

Os clientes da Foxconn

 

A Foxconn possui uma grande equipa de engenheiros e gestores de marketing para responder à sua base de clientes no mundo inteiro. A empresa foi classificada em 112 º lugar na lista anual da Fortune Global 500 em 2010, maior do que algumas das empresas para as quais produz, tais como Microsoft, Nokia, Dell, Apple, Cisco Systems, Intel ou Motorola (ver tabela 3)(64). Tomando como base o volume de vendas a HP continua a ser a maior empresa do segmento de computadores pessoais, servidores e impressoras.

 

 

Tabela 3. Rendimentos de clientes seleccionados da Foxconn e o seu ranking na Fortune Global 500, 2010

 

 

 Fonte: Global 500 (annual ranking of the world’s largest corporations), 2010

 

O crescimento dos lucros da Foxconn, porém, não é comparável ao das grandes marcas como Apple e Microsoft. Com base na capitalização de mercado, em Maio de 2010 Apple (237 mil milhões de dólares americanos) ultrapassou a Microsoft (que obteve 221 mil milhões dólares) aparece como o número um mundial na indústria das novas tecnologias.(65) A empresa Apple tornou-se assim a nível das tecnologia da informação mundial como a mais importante empresa do mundo.(66) No conjunto dos diversos tipos de empresas, a Apple quanto a capitalização de mercado está em segundo lugar, apenas ultrapassada pela empresa gigante do petróleo Exxon Mobil (que está em 315 mil milhões de dólares americanos). Até ao final do ano fiscal de 2010, a Apple, em volume de vendas, tem como projecção crescer 46 por cento, para 62,6 mil milhões de dólares(67) movendo-se rapidamente para o top 100 das empresas globais segundo a classificação pela revista Fortune.

 

A Foxconn depende e em muito das encomendas feitas pelas empresas de tecnologia de ponta (e cada vez mais das marcas de automóvel). Beneficiando de fortes encomendas durante a recuperação económica, a Foxconn produziu mais de 6 milhões de notebooks no primeiro semestre de 2010(68). As vendas de Foxconn, de notebooks para a HP poderá alcançar 10 a 12 milhões de unidades até ao final deste ano, e o total de remessas para a HP está projectada aumentar para 20 milhões de unidades em 2011. (69) Em Julho de 2010, a Foxconn já ultrapassou a Quanta Computer ao tornar-se o terceiro maior fornecedor de notebooks para a Dell (apenas atrás da Wistron e da Compal Electronics). Foxconn irá produzir 4 a 5 milhões de notebooks para a Dell em 2011(70).

 

Para lidar com esse mercado em expansão, Foxconn utiliza uma enorme força de trabalho em todo o mundo, incluindo cerca de 900.000 trabalhadores somente na China. Espera-se que a empresa vá ainda crescer mais de 40 por cento e passe a utilizar cerca de 1,3 milhões de trabalhadores chineses(71), muitos deles jovens migrantes rurais e estudantes estagiários, em 2011.

 

A produção de Foxconn na China

 

A Foxconn aproveitou-se das vantagens das políticas macroeconómicas da China ao expandir os seus investimentos. A empresa tecnológica tem instalações fabris em quatro regiões geográficas estratégicas em todo o país: o Delta do Rio Pérola (Shenzhen, Dongguan, Foshan, Zhongshan e), o Delta do Rio Yangtze (Xangai, Kunshan, Hangzhou, Ningbo, Nanjing, Huaian, Jiashan, e Changshu), a área do Golfo de Bohai no Norte da China (Pequim, Langfang, Qinhuangdao, Tianjin, Taiyuan, Yantai, Yingkou e Shenyang) e as cidades da zona central e ocidental (Chongqing, Chengdu, Zhengzhou, Wuhan, Jincheng e Nanning) (72) O acesso da Foxconn aos recursos e aos talentos nas principais cidades chinesas é fundamental para o seu crescimento.

 

Embora o governo chinês tenha congelado o salário mínimo ao longo de 2009, em resposta à crise económica, desde o início de 2010 uma série de cidades e províncias aumentaram o salário mínimo de 10 a 30 por cento.(73) Na China, em suma, não há salário mínimo nacional, mas um leque de salários mínimos ao nível das províncias e das cidades. É interessante notar que Pequim e Tianjin mantêm o salário mínimo bem abaixo daqueles que são estabelecidos para Shenzhen e Xangai, enquanto as cidades do interior como Chengdu, Chongqing ou Zhengzhou procuram atrair os investimentos com salários mínimos que são ainda muito menores. A falta de trabalhadores migrantes (ou yonggong mingong huang huang) no Delta do Rio Pérola e Yangtze River Delta tem estimulado à existência de salários mais altos para atrair migrantes dada a concorrência para obter trabalhadores. Em contrapartida, os investidores, como a Foxconn, consideram as cidades do interior cada vez mais atractivas porque oferecem terras mais baratas e com melhores infra-estruturas, com salários e com custos de segurança social mais baixos do que as regiões a leste e a sul do litoral e estas foram as zonas que inicialmente asseguraram o crescimento económico assente nas exportações.

 

              Tabela 4. Salário mínimo legal por cidades chinesas, em Agosto de 2010

 

 

Fonte: Ministério dos Recursos Humanos e Segurança Social da China, 2010

 

 

Diante do escândalo do suicídio de trabalhadores e das campanhas contra a exploração intensiva do trabalho a visar a Foxconn quer internamente quer externamente, a Foxconn aumentou os salários dos trabalhadores de Shenzhen para 1.200 yuans (176 dólares) por mês com início a 1 de Junho de 2010.(74) Quando comparado com o padrão do salário mínimo estabelecido em Shenzhen (em vigor desde 1 de Julho de 2010), a Foxconn ajustou a base de pagamento em cerca de apenas 9 por cento acima do mínimo legal.(75) Ainda assim, este insuficiente aumento de remuneração para os seus 450.000 empregados, metade dos efectivos da empresa que totalizou 900 mil pessoas no país, tornou os directores e accionistas das empresas Foxconn sensíveis ao custo para acelerar o ritmo de deslocalização das fábricas. Ao mesmo tempo, ao enfrentarem um crescente clamor quer dos consumidores quer do público em geral, a Foxconn anunciou um segundo aumento a pagar a trabalhadores "qualificados" até 2.000 yuans (293 dólares EUA) por mês, a partir de 1 de Outubro.(76) Os seus directores, no entanto, recusaram revelar os detalhes da revisão a fazer daqui a três meses, que poderá permitir que alguns trabalhadores venham a ganhar salários mais altos. Ao mesmo tempo, ainda não há nenhuma indicação de como é que muitos dos trabalhadores de produção poderão eventualmente beneficiar da nova política salarial.(77) Enquanto isso, em Junho, após o primeiro aumento de salário, a Foxconn parou de contratar nas suas maiores unidades, nos seus principais campus de Shenzhen.(78) Nos próximos cinco anos, de acordo com fontes da empresa, o número de trabalhadores nas suas instalações de Foxconn em Shenzhen serão reduzidos em mais de 30 por cento, para cerca de 300.000 pessoas. (79) Os trabalhadores de Foxconn em Shenzhen estão agora a ser transferidos para outros campus.

 

A Foxconn está activamente a transferir a produção para as cidades do interior e para o norte para economizar em custos e para explorar novas oportunidades de negócios. China Newsweek (Zhongguo Xinwen Zhoukan) (80) publicou uma reportagem que na capa intitulava " A luta para manter a Foxconn" (Zheng Fushikang Qiang) na sua edição de Julho 2010, no auge de uma nova ronda de esforços coordenados dos governos locais para atrair a Foxconn. Muitas cidades do interior e do norte já concorriam agressivamente pela oportunidade de ser sede de uma base da Foxconn, proporcionando-lhe baixos salários e subsídios que reduzam os custos de deslocalização.

 

Já no início de 2009, a Foxconn e outros fabricantes de material electrónico (81) obtiveram do governo um pacote de estímulos fiscais para a criação de novas instalações no município de Chongqing, a maior cidade e de mais rápido crescimento da China ocidental.

 

Chongqing lançou o seu plano de estímulo Warm Winter [na sequência da crise financeira global de 2008], gastando grandes somas, inclusive com programas de crédito para permitir que muitos dos seus 3,5 milhões de trabalhadores desempregados pudessem iniciar os seus próprios negócios, fornecendo empréstimos e garantias de crédito às pequenas empresas, organizando o lançamento de início de parques industriais para novas empresas, fornecendo subsídios directos para 1.500 empresas.(82)

 

No quadro promocional de investimentos e do emprego, as autoridades de Chongqing concederam a Foxconn uma redução na taxa de imposição fiscal de 15%, 10% mais baixa que a taxa de base, a taxa de referência. (83) Além disso, o governo local irá prolongar a pista do aeroporto em 400 metros para responder a necessidades crescentes de transporte e de logística. (84) Em Junho de 2010, Foxconn assinou um acordo com 119 escolas profissionais de Chongqing para organizar estágios de estudantes e de emprego na sua empresa local.(85) A empresa Foxconn planeia recrutar cerca de 100 mil pessoas na cidade, cujo salário mínimo é uma fracção do salário de Xangai e de Shenzhen.

 

Foxconn vai continuar a aumentar o investimento na parte ocidental da China, especialmente em Chengdu, capital da província de Sichuan. Em Junho de 2009, as autoridades municipais e provinciais de Sichuan Chengdu lideraram uma delegação à sede da Foxconn, em Taiwan para assinar um memorando de cooperação. Em 2010, a Foxconn registou-se para criar as empresas Futaihua Precision Electronics (Chengdu) e Hongfujin Precision Electronics (Chengdu), centradas na produção de computadores em forma de tablete e de montagem de set-top box digitais. (86) As autoridades locais prometeram atrair outras indústrias a deslocalizarem-se e a virem para o Oeste "Go West" para impulsionar o seu crescimento económico.

 

Em 2 de Agosto de 2010, a Foxconn começou a produção em Zhengzhou, capital da província de Henan, no centro da China. Um funcionário do governo local disse publicamente, "Nós oferecemos muitas vantagens à Foxconn para se localizar aqui, como a abertura de uma via rápida para a importação das suas instalações e dos materiais de construção." (87) A Foxconn alugou uma fábrica renovada e dormitórios ao governo local para os seus 100.000 empregados. As autoridades concederam-lhe terreno para construir uma fábrica de raiz com uma capacidade final de 300 mil trabalhadores, onde a primeira fase de construção irá abranger 133 hectares. (88) A Secretaria de Estado da Educação de Henan, as escolas profissionais, as faculdades e as universidades "mobilizaram" os estudantes para participar em programas de estágio na Foxconn, o que teria sido uma exigência para completar a sua formação profissional.(89) Quer os estudantes trabalhadores temporários quer os outros trabalhadores são responsáveis por produzir os iPhones da Apple, e em que atingirá uma produção diária de 200.000 unidades no total da capacidade.(90)

 

É óbvio que a Foxconn visa consolidar as suas linhas de produção na China para construir uma rede com custos fortemente competitivos. Os incentivos que o governo local ofereceu à Foxconn ao longo destes mais de 20 anos contribuíram fortemente para o seu sucesso económico. A partir do Outono de 2010, a empresa planeia abrir lojas de vendas ao público para vender aparelhos electrónicos de consumo domésticos. (91) Esta iniciativa é destinada a sua diversificação a partir do seu modelo de actividade até aí assente na dinâmica das exportações.

 

publicado por siuljeronimo às 20:00

editado por Luis Moreira às 00:08
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