Terça-feira, 10 de Maio de 2011

DEDICATÓRIAS – Prosadores brasileiros: ensaístas, críticos, historiadores etc, etc. - 4, por Sílvio Castro

 

 

 

 



 

                                                                                      

 

PARTE  II – Ensaístas, críticos e historiadores literários, historiadores gerais

 

 

                       O início da exposição de dedicatórias nesta Parte II eu a quero fazer focalizando os volumes de minha coleção correspondentes a escritores membros da Academia Brasileira, naturalmente incluindo neste rol aqueles acadêmicos já falecidos, como é o caso de Afrânio Coutinho, já largamente tratado na Parte I.

 

                   A Academia Brasileira de Letras é a sede mais significativa da vida literária brasileira, contando entre os seus componentes intelectuais que representam condignamente a mais alta inteligência nacional. Por isso mesmo, desde a sua fundação, a ABL passou a ser o mais importante instituição cultural do Brasil, ao mesmo tempo que representante natural de todas as outras.

 

                   Assim como já ficou demonstrado com a análise das dedicatórias que Afrânio Coutinho me endereçou, desde a minha juventude tive um grande contato com a ABL e com os seus membros. Desta experiência que se mantém sempre aberta e in progress já pude dar um primeiro testemunho com o meu volume A Academia Brasileira de Letras e Eu (Notas sobre um relacionamento), Rio de Janeiro, 2000.

 

  Começo a minha exposição apresentando os volumes autografados dos acadêmicos atuais e dos quais possuo um ou mais volumes de seus ensaios. Eles são: Eduardo Portella, Tarcísio Padilha, Marcos Vinicios Villaça, Arnaldo Niskier, Ivan Junqueira, Carlos Nejar, Alberto da Costa e Silva.

 

                

Começo com o ensaísta, teórico da literatura e professor universitário Eduardo Portella, e isso também como uma homenagem à nossa Geração. Entre mim e Portella existiu e decorreu uma atividade cultural sempre em paralelo, sendo as nossas respectivas atividades de ensaístas e críticos literários exemplos de toda a atividade que a Geração de 56 soube e continua sabendo realizar. Este paralelismo também se encontra em muitas de nossas atividades públicas, a começar pela carreira universitária. E assim foi desde os anos 50 nas páginas dos jornais e revistas do Brasil, bem como em casos muito especiais, como aquele do “Instituto Brasileiro para as relações com a África e a Ásia”, criado pela Presidência Jânio Quadros, e do qual Eduardo Portella foi o primeiro Diretor-Geral e eu, o primeiro Diretor do Setor de Documentação. De Portella tenho em mãos os dois primeiros volumes de sua crítica literária, respectivamente Dimensões I, 2ª. ed., revista (pref. de Gilberto Freyre), Livraria AGIR Editora, Rio de Janeiro, 1959; no qual leio a seguinte dedicatória:

 

                                                                  “Para Sílvio Castro, com

com um abraço amigo do

 

Eduardo Portella

 

Rio, 60“

 

    O outro volume é correspondente a: Dimensões II, Livraria AGIR Editora, Rio de Janeiro, 1959:

 

                                                                  “Para Sílvio Castro

a admiração e a ami-

zade de

 

Eduardo Portella

 

Rio, 60“

 

Sobre esses dois magníficos exemplos da melhor crítica literária brasileira escrevi uma resenha analítica (Cf. S. Castro, “Dimensões I e II“, in Anuário da Literatura Brasileira, Rio de Janeiro, 1960).

 

O grupo que passo a focalizar em seguida são acadêmicos que exerceram em diversos momentos a presidência da ABL. Naturalmente deve-se recordar o primeiro presidente mulher da Academia, Nelida Piñon, da qual já tratamos na seção referente aos ficcionistas, bem como a presidência de Josué Montello, autor já recordado por nós na mesma seção dos ficcionistas. Os presidentes também críticos e historiadores, dos quais tenho volumes dedicados, são: Tarcísio Padilha, Marcos Vinícios Villaça, Arnaldo Niskier, Carlos Nejar, Ivan Junqueira e Alberto da Costa e Silva.

 

                      Tarcísio Padilha, ensaísta, filósofo, professor universitário, é um dos mais representativos nomes da cultura católica brasileira. Neste sentido ele é o maior sucessor direto de Alceu Amoroso Lima. Com o grande Mestre e amigo Padilha tive desde cedo uma larga relação, pois fui um seu aluno de História da Filosofia, no Curso de Filosofia da atual Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Tarcísio Padilha era o mais jovem docente do Curso, com poucos anos a mais do que seu aluno sempre atento e interessado à aprendizagem da disciplina histórica por excelência. Sendo um profundo pensador, Tarcísio Padilha é igualmente um literato. Disso ele dá provas com os capítulos do seu volume, modelar discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, Literatura e Filosofia (acompanhado pelo discurso de recepção pelo Acadêmico Arnaldo Niskier), pref. de Rachel de Queiroz, Rio de Janeiro, 1997. No volume recebo a seguinte dedicatória:

 

                                                                  “Ao prezado ex-aluno e

devotado cultor das letras

Silvio de Castro, o

testemunho do meu

apreço e estima.

 

T. M. Padilha

 

6.9.99“

 

O ensaísta, ficcionista, especialista da literatura infanto-juvenil, pedagogo, Arnaldo Niskier, demonstra com rara eficácia a sua riqueza de recursos literários com o volume que agora tenho em mãos. Trata-se, ao mesmo tempo, de um livro de memórias, de um sensível ensaio sobre a existência humana, de uma novela. Todos esses gêneros podem ser identificados e fluídos neste livro de muitas qualidades: Arnaldo Niskier, Recordações de Isabela, capa de Isio Ghelman, Editora Mondrian, Rio de Janeiro, 2003; num volume do qual recebo a seguinte dedicatória amiga:

 

                                                                  “Ao amigo Sílvio Castro,

com a expectativa de sua

crítica. O grande abraço

do

 

Arnaldo Niskier

 

22/12/03“

 

                    Marcos Vinícios Vilaça, ensaísta, historiador e cientista social, representa com rara coerência a natureza da melhor intelectualidade do Nordeste brasileiro. Zona historicamente referencial, o Nordeste sempre se apresentou como o berço dos problemas brasileiros e dos empenhos usados por muito de seus filhos para superar esses mesmos problemas, em busca da desejada modernidade para o País. Dentre os trabalhos que compõem a sua obra, misto de capacidade de pesquisa e de um estilo literário brilhante, o livro que tenho agora em mãos, Coronel. Coroneis, realizado conjuntamente com Roberto Cavalcanti de Albuquerque, traduz com eficácia todas as qualidades próprias do melhor ensaísmo nordestino. No volume de Marcos Vinícios Vilaça e Roberto Cavalcanti de Albuquerque. Coronel.Coronéis (Apogeu e declínio do coronelismo no Nordeste), 4ª. ed., revista e ampliada, capa de Raul Fernande, Edit. Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2003, leio a seguinte dedicatória:

 

                                                                  “Ao Silvio Castro

o apreço de

um amigo

 

Marcos Vinícios Vilaça“

 

                  Em seguida tratarei dos volumes dos acadêmicos que, tendo sido Presidentes da ABL, são ensaístas e igualmente poetas da Geração de 56, justamente a minha Geração. E o faço começando por Alberto da Costa e Silva, continuo com Carlos Nejar e concluo com Ivan Junqueira. São todos eles grandes nomes do Grupo de 56, muito justamente presentes no rol do Setor dos poetas que abriram o presente trabalho.

 

  Alberto da Costa e Silva, poeta, ensaísta, diplomata de carreira brilhante, tem amplos trabalhos no campo do ensaio. Possivelmente o mais saliente deles é o seu livro de estudos sobre a África, mundo do qual é um grande conhecedor. Do poeta e ensaísta tenho em mãos o volume de seu discurso de posse na Academia, juntamente com o discurso da recepção que lhe fez Marcos Vinícios Vilaça. No volume dos dois belos textos, Posse de Alberto da Costa e Silva – Recepção de Marcos Vinícios Vilaça, Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, 2001, o poeta e ensaísta me fez a seguinte dedicatória:

 

                                                                  “Ao Sílvio Castro,

lembrança amiga do

 

Alberto da Costa e Silva

Rio, 15.8.2001“

 

                     Do poeta, romancista e ensaísta Carlos Nejar, exuberantemente criador em todos esses gêneros literários, tenho agora em mãos um dos seus trabalhos mais significativos, o ensaio A chama é um fogo úmido (Reflexões sobre a poesia contemporânea), Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, 1994, no qual leio a seguinte dedicatória: “Para o Escritor     e Poeta Prof. Sílvio     Castro, afetuosamente,   o    Carlos Nejar    Paiol da Aurora     4/9/95“.

 

 Da mesma fonte generosa, tenho comigo um outro volume: Poesia e Filosofia – discursos de João Ricardo Modesto e Carlos Nejar, capa de Vaner Alaimo, com bico-de-pena de Iberê Camargo, Escritura Editora, São Paulo, 2004, com a seguinte dedicatória do poeta e amigo gaúcho:

 

                                                                  “Para o Poeta/Irmão

Sílvio Castro e

Rosa –

com a lembrança

afetuosa do

 

Carlos Nejar

 

Paiol, 4/4/2004“

 

                   Um dos mais expressivos poetas da Geração de 56 é Ivan Junqueira, igualmente ensaísta e organizador de edições. Os ensaios de Ivan Junqueira têm uma tonalidade de grande profundidade, num misto muito feliz entre erudição e capacidade crítica. Esses dois princípios estão presentes no trabalho que tenho em mãos nesse momento: Manuel Bandeira, Testamento de Pasárgada, 2ª. ed., revista; il. da capa de Tomás Santa Rosa Junior, Organização e estudos de Ivan Junqueira, Editora Nova Fronteira-Academia Brasileira de Letras, Rio de Janeiro, 2003. O volume me traz a seguinte dedicatória do poeta-ensaísta:

 

                                                        “Para Sylvio Castro, com o carinho

                                                        e a admiração do seu

 

                                                                           Ivan Junqueira

 

                                                                                     Rio, 19.8.2003”

 

                  Estou por concluir este grupo dos ensaístas igualmente membros da Academia Brasileira de Letras com dois escritores já falecidos: Antônio Olinto e José Honório Rodrigues. Antônio Olinto recobriu um grande espaço das atividades literárias brasileiras da segunda metade do século XX, apenas passado. Inicialmente seu nome pontificava quase tão somente no jornalismo literário; logo depois, ao lado dessa atividade apareceram duas novas faces de Olinto, o ensaísta-crítico e o poeta. O ensaísta e o crítico prosseguiram sempre; o poeta teve determinado momento de grande predominância na obra do autor, mas logo depois cedeu esse espaço àquela outra face que seria a definitiva: a do ficcionista. No romance, Antônio Olinto se fez uma das personalidades literárias brasileiras contemporâneas mais salientes. De todas essas facetas de Olinto já tratamos exuberantemente nas páginas anteriores do presente estudo. Agora nos toca cuidar do ensaísta e do crítico. Assim, leio imediatamente dois volumes de Olinto que recobrem essa sua terceira face diante dos leitores dessas minhas páginas. O primeiro desses volumes é um dos mais representativos do crítico mineiro de origem e carioca de adoção: Cadernos de crítica, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1959; no qual ele me diz:  “Ao Silvio Castro,    com o abraço do    Antonio Olinto    Rio   2.12.59”.

 

O segundo desses volumes é um dos melhores livros da prosa crítica do romancista Antônio Olinto,   A invenção da verdade  (Crítica de Poesia), capa de Jane Maia, com gravura de Valério Adami, Nórdica-INL, Rio de Janeiro-Brasília, 1983; no qual o autor me comunica:

 

                                                                  “Para Silvio

e Anna Rosa,

                                                                  que também confiam no

                                                                  poder da poesia,

                                                                  com a amizade do

 

                                                                           Antonio Olinto

 

                                                                                     Londres,  25.5.83”.

 

                   As presentes anotações se concluem setorialmente com um grande nome da historiografia brasileira, José Honório Rodrigues. Dele tenho em mãos um livro que trata de uma das temáticas sempre presentes no interesse dos intelectuais brasileiros, a África. Já recordamos acima a contribuição para a temática dada por Alberto da Costa e Silva. Sempre marcamos como o mundo africano foi de absoluta importância para os maiores romances de Antônio Olinto. De conhecimento geral é a presença do tema em romances de Jorge Amado, de Adonias Filho e de Josué Montello. Os trabalhos desse escritores sobre a África me levaram a realizar o meu ensaio “A África no romance brasileiro contemporâneo: Josué Montello, Adonias Filho, Jorge Amado, Antônio Olinto” (Cf. In Actas do Congresso Internacional de Literaturas Africanas, Univ. de Coimbra, Coimbra, 2005).

Sobre a África ficam sempre em primeiro plano as magníficas lições de José Honório Rodrigues que compõem o volume Brasil e África: outro horizonte, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1961; no qual o Mestre me endereça a seguinte dedicatória:

 

                                                                  “Para Silvio de Castro,

                                                                  muito cordialmente

 

                                                                           José Honório

 

                                                                                     7/12/61”

 

publicado por João Machado às 21:00
link | favorito

.Páginas

Página inicial
Editorial

.Carta aberta de Júlio Marques Mota aos líderes parlamentares

Carta aberta

.Dia de Lisboa - 24 horas inteiramente dedicadas à cidade de Lisboa

Dia de Lisboa

.Contacte-nos

estrolabio(at)gmail.com

.últ. comentários

Transcrevi este artigo n'A Viagem dos Argonautas, ...
Sou natural duma aldeia muito perto de sta Maria d...
tudo treta...nem cristovao,nem europeu nenhum desc...
Boa tarde Marcos CruzQuantos números foram editado...
Conheci hackers profissionais além da imaginação h...
Conheci hackers profissionais além da imaginação h...
Esses grupos de CYBER GURUS ajudaram minha família...
Esses grupos de CYBER GURUS ajudaram minha família...
Eles são um conjunto sofisticado e irrestrito de h...
Esse grupo de gurus cibernéticos ajudou minha famí...

.Livros


sugestão: revista arqa #84/85

.arquivos

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

.links