Sábado, 7 de Maio de 2011

Manuel Simões apresenta "Poesia, de Umberto Saba" no Instituto Italiano

 

 

 

 

Poesia, de Umberto Saba Uma antologia poética bilingue com selecção e tradução de José Manuel de Vasconcelos apresentação de Manuel G. Simões e leitura de poemas por Jorge Vaz de Carvalho

 

 

 

 

 

Umberto Saba ( Trieste, 9 de Março de 1883 — Gorizia, 25 de Agosto de 1957) poeta e romancista italiano.

 

Apresentamos três poemas seus - um na língua original e dois traduzidos:

 

 

Il Poeta

Il poeta a le sua giornate
contate,
come tutti gli uomini; ma quanto
quanto variate!

L’ore del giorno e le quattro stagioni,
un po’ meno di sole o più di vento,
sono lo savgo e l’accompagnamento
sempre diverso per le sue passioni
sempre le stesse; ed il tempo che fa
quando si leva, è il grande avvenimento
del giorno, la sua gioia appena desto.
Sovra ogni aspetto lo rallegra questo
d’avverse luci, le belle giornata
movimentate
come la folla in una lunga istoria,
dove azzurro e tempesta poco dura,
e si alternano messi di sventura
e di vittoria.
Con un rosso di sera fa ritorno,
e com le nubi cangia di colore
la sua felicita,
se non cangia il suo cuore.

Il poeta há le sue giornate
Contate,
Come tutti gli uomini; ma quanto,
Quanto beate!


(in Trieste e una dona)

 

 

 

ULISSES

Na minha juventude naveguei
ao longo das costas da Dalmácia. Ilhéus
à flor das ondas emergiam, onde raro
uma ave buscava a sua presa,
cobertos de algas, escorregadios, ao sol
belos como esmeraldas. Quando a noite
e a maré alta os ocultavam, as velas
sob o vento o largo demandavam,
para fugir da cilada. Hoje o meu reino
é essa terra de ninguém. No porto
acendem-se as luzes para outros; a mim para o alto mar
me leva ainda o não domado espírito,
e da vida o doloroso amor.

 

 

MELRO

 

 

Existia aquele mundo ao qual em sonhos
regresso ainda; que em sonhos me abala?
Claro que existia. E uma boa parte dele eram
minha mãe e um melro.

 

A ela mal a vejo. Mais o negro ressalta
e o amarelo de quem ledo me saudava
com seu canto (era isto o que pensava)
a mim que o ouvia da rua. Minha mãe
sentava-se, estafada, na cozinha. Cortava
só para ele (era isto o que pensava)
e para o meu jantar a carne. Nada
que visse ou que ouvisse tanto o excitava.

 

Entre uma criança engaiolada e um insectívoro,
que os pequenos vermes arrancava à sua mão,
naquela casa, nesse mundo de então,
havia um amor. Havia também um equívoco.

 

 



(Umberto Saba, in Poesia, selecção, tradução, introdução e notas de José Manuel de Vasconcelos, Assírio & Alvim).

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 10:00
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