Quarta-feira, 4 de Maio de 2011

Dívida: quem pagará? Pierre-Cyrille Hautcoeur Le Monde

O Norte da Europa a viver à custa do Sul da Europa, esta é a política da União Europeia, esta é a política conduzida pelo Durão Barroso. Certo ?

 

Errado? Leiam o texto que se segue.

 

Júlio Marques Mota
Coimbra, 3 de Maio  de 2011.

Dívida: quem pagará?
Pierre-Cyrille Hautcoeur

 

Le Monde

 

Portugal, a Grécia, a Irlanda e a Espanha multiplicam os planos de austeridade e prometem pagar as suas dívidas, mesmo se para isso devam  “reestruturar a sua economia”, ou seja devam  reduzir a protecção social, reduzir os salários e aumentar o desemprego.

 

Estas purgas não são, no entanto, suficientes para  tranquilizar os credores: as taxas de juro pagas sobre as dívidas públicas dos países ditos “periféricos” aumentam  constantemente e atingem níveis insustentáveis. A dívida grega a  10 anos rende cerca  de  14%, a irlandesa quase 10%, a portuguesa 9%, contra cerca de  3,5%  “no centro” da Europa.

 

Para além da subida das taxas, a queda na oferta de crédito provoca falências em série  e agrava a recessão . Se esta não for compensada por políticas expansionistas noutros lugares  na zona euro, então a recessão vai-se  estender-se de forma duradoira por  toda a Europa.

 

Com efeito, a principal lição da história das zonas de câmbios fixos  como a zona euro - uma história conhecida menos desde Keynes - mostra-nos  que forçar os países em défice a reequilibrar a sua posição sem que os países credores relancem a sua procura interna nunca tem êxito - a queda do rendimento agrava as taxas de endividamento  mesmo quando a dívida nominal recua - mas generaliza a depressão económica.

 

Hostil a qualquer inflação

 

Perante as tensões sobre o sistema financeiro e a grave recessão destes  últimos anos, a zona euro utilizou a política monetária com uma relativa moderação (em relação aos Estados Unidos). O Banco Central Europeu (BCE) é independente mas está, sobre este ponto, próximo da hostilidade alemã  a toda e qualquer  ideia de inflação.

 

Tranquilizada quanto à  política monetária - que outros desejariam utilizar para reduzir as dívidas sem dor -  Alemanha deveria praticar uma política orçamental expansionista, da qual beneficiaria a sua população, reduzindo a taxa de IVA ou aumento os salários.

 

Esta atitude  apoiaria a retoma e reduziria o peso da dívida que pesa sobre as outras economias da zona euro.

 

Com efeito, as suas políticas orçamentais, postas a contribuir  aquando da recessão, hoje estão ameaçadas pelo risco de incumprimento.

 

Se as opiniões públicas do centro da Europa não querem pagar para os reformados da periferia, os da periferia ameaçam deixar de  pagar os juros das  obrigações detidas pelos reformados do Norte.

 

Emprestar dinheiro público aos Estados periféricos - a solução utilizada até agora - revela-se insatisfatória: o sobre-endividamento aumentou, daí ainda mais austeridade, mais recessão,  enquanto a socialização das perdas  incita à irresponsabilidade.

 

É tempos de dar a palavra os anunciantes de falências. Desde há vinte anos, os governos reduzem os direitos sociais em toda a Europa - um movimento que reforça os efeitos da crise para além do que pode ser considerado suportável.

 

Tornou-se  razoável de reduzir os direitos financeiros  que se tem vindo sucessivamente a reforçar e que estão, com o aumento das taxas de juro sobre as dívidas públicas da periferia, em concorrência directa com os direitos sociais.

 

A Europa tem a chance de ter  sistemas de reforma por distribuição que asseguram um mínimo de rendimento aos mais idosos. Este facto  permite reduzir os rendimentos do capital sem estar a arriscar a ruína dos accionistas, que tinham feito  a cama do nazismo entre as duas guerras.

 

Pierre-Cyrille Hautcoeur, Dette: qui paiera ?, Le Monde, 27 de Abril de 2011.

publicado por Luis Moreira às 23:00
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