Sexta-feira, 22 de Abril de 2011

DEDICATÓRIAS - Livros dedicatos por prosadores brasileiros/2, por Sílvio Castro

 

 

 

 

 

 



PARTE II – Romancistas, novelistas, contistas

 

O aparecimento de Nelida Piñon foi uma revolução para o moderno romance brasileiro, bem como para a mais diretamente questão da escritura literária feminina. Depois da reveladora presença de Clarice Lispector, que contribuira em maneira essencial para a renovação do gênero narrativa, agora a autora de A Casa da Paixão chegava com novas e substanciais contribuições. Sempre acompanhei a carreira literária de Nelida, os seus constantes livros e a sua brilhante atividade como intelectual da modernidade. Assim, dei a mais merecida ênfase ao evento que viu Nelida Piñon feita o primeiro presidente-mulher da Academia Brasileira de Letras, duplicando assim o anterior evento histórico que vira eleita a primeira escritora, Rachel de Queirós (cf. S. Castro, “Nelida Piñon, a primeira“, JL-Jornal de Letras, Lisboa, 29-01-19970). Na parte da análise-crítica, possivelmente, foi meu o primeiro artigo-crítico sobre o seu romance de estréia, num texto publicado no suplemento literário do Jornal do Comércio, do Rio, o mesmo da coluna fixa de crítica literária de Eduardo Portella, isto no domingo de 20-03-1961. Desse Guia-Mapa de Gabriel Arcanjo, capa de Eddie Moyna, Edições G. R. D., Rio de Janeiro, 1961, tenho a seguinte dedicatória da autora-amiga querida:

 

“Ao meu querido Silvio,

amizade muito querida de forma dupla.

Da

Nelida

Rio, 13/fev./61“

 

Depois susseguiram-se os muitos romances e livros de contos. Desses tenho em mãos os volumes:Madeira feita cruz, capa de Ivan Carneiro, Edições G. R. D., Rio de Janeiro, 1963, no qual leio, “Ao meu querido Silvio,     a amizade e o carinho     de sempre     Nelida    Rio 1965“; Do romance Fundador, um dos marcos maiores de sua obra, a dedicatória me diz:

 

“Silvio querido,

êste  FUNDADOR – resumo

de minha alma – para você    sempre tão próximo

de mim,

da sua

Nelida“

 

Do magnífico volume de contos, Tempo das Frutas, capa de Luís Jasmin, José Álvaro editor, Rio de Janeiro, 1966, conservo a seguinte dedicatória sempre amiga: “Ao Silvio querido,    a amizade e o cari-    nho de sempre   de sua   Nelida    17-9-66“.

 

De outro marcante romance da brilhante carreira literária de Nelida Piñon, Tebas do meu coração, capa de Bea Feitler, José Olympio Editor, Rio de Janeiro, 1974, tenho a seguinte dedicatória:

 

“Ao meu querido Sílvio,

o carinho e a ami-

zade muito antiga

da sua

Nelida Piñon

Rio, 4 - 07 - 74“

 

Em A Doce canção de Caetana, Editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1987, está a dedicatória:  “Ao querido Silvio    Castro, sempre amigo,   aqui seguem este Caetana   e seus funâmbulos e   o abraço saudoso de    Nelida Piñon    Rio, 25-8-95“

 

                  Muito frequente é o caso de romancistas igualmente poetas, realizando-se desta maneira o alargamento de um processo de exaltação da força da linguagem que esses escritores dão aos seus correspondentes processos de linguagem. Comigo tenho agora quatro exemplos de poetas que alargam as próprias expressões na prosa criadora: Antônio Olinto, Carlos Nejar, Walmir Ayala e Domício Proença Filho. Já encontramos todos os quatro na anterior etapa dos poetas; agora os veremos em outras vestes.

 

                   Antônio Olinto sempre se fizera conhecer e estimar pelos seus livros de poemas, assim como com aqueles de crítica literária. Porém, em 1969, surge um novo, inédito Antônio Olinto. Neste ano, quando publica o seu famoso romance A Casa da Água, nascia para a moderna literatura brasileira um novo grande romancista. Este primeiro romance teve logo várias edições e foi traduzido em diversas línguas, renovando em forma insólita a temática “África“ na prosa-de-ficção de língua portuguesa. Outros romances escreveu em seguida Olinto. Desses tenho em mãos: Copacabana, Editora Lisa, São Paulo, 1975:   “ Para Sylvio   e   Anna Rosa,   neste encontro londrino,    com o abraço amigo do    Antonio Olinto     Londres, 19 ‘ 6 ‘1981”;

 

O Rei de Keto, desenho de capa e ilustrações de Caribé, Edit. Nórdica, Rio de Janeiro, 1980:  “Para   Silvio e Anna Rosa,   este rei que inventei;  e curti ao longo de    uma vivência africana,   com o abraço do     Antonio Olinto     Londres, 12 – 6 - 85“; Sangue na Floresta, Nórdica, Rio de Janeiro, 1992: “Para   Silvio e  Anna Rosa,    este meu romance da paixão pela Amazônia -   com a amizade   constante do   Antonio Olinto, Rio -   5-9-1999“.

 

Concluindo quanto aos volumes de Antônio Olinto que conservo com dedicatória, a edição inglesa de A Casa da Água, inicialmente publicada em 1970: Antônio Olinto,  The Water House, trad. de Dorothy Heapy, Panafrica Library, Londres, 1982; com a seguinte dedicatória:

 

“Para

Silvio e Anna Rosa,

aí vai o menino do

sonho novo –

com meu abraço

Antonio Olinto

Londres – 18-3-82”

 

Os romances de Carlos Nejar projetam no plano surreal a grande liberdade de falas que exercita nos seus poemas. Ainda que inteiramente coerente com a natureza da prosa, agora as suas páginas e as suas estórias atingem o real através de uma como transfiguração do mesmo real. De Nejar tenho em mãos, com dedicatórias autógrafas os volumes: Um certo Jaques Netan, capa: bico de pena de Iberê Camargo, com arte final da capa de Silvia Heleno Colombero, edição Grupo Aché, Guarulhos (SP), 1991; com a seguinte dedicatória:

 

“Para o estimado amigo

e admirável escritor

Prof. Sílvio Castro

este primeiro romance,

na forma original

(depois teve a edição

um pouco mais ampliada

da Record, 1991) – com a

lembrança fraterna do

Carlos Nejar

“Paiol da Aurora” –

Guaraparí, 22/8/99“

 

O Túnel Perfeito, capa de Ana Luísa Escorel, ed. Relume Dumará, Rio de Janeiro, 1994: “Para o escritor e Amigo    Sílvio Castro – com a homenagem fraterna  do  Carlos Nejar, “Paio da Aurora” – 22.8.99”; Carlos Nejar, Carta aos loucos, Record, Rio de Janeiro, 1998; em que me diz:  “Para os amigos, Prof.a     Ana Rosa e ao escritor Sílvio     Castro – com   admiração fiel -   o abraço do Carlos  Nejar.   “Paiol da Aurora” – 22/8/99“

 

                   Walmir Ayala conserva na sua prosa-de-ficção a linha da constante romântica que caracteriza a sua produção lírica. Nascem assim as estórias mais reais numa linguagem de constante encantamento. Dele tenho em mãos dois volumes com dedicatórias: À Beira do Corpo, 2ª. ed., capa de Jane Maia, Editora Nórdica, Rio de Janeiro, 1979:  “Para Sílvio Castro    lembrança do    Walmir Ayala     Rio 11-9-80” Walmir Ayala, A Nova Terra, Record, Rio de Janeiro, 1980; com a dedicatória que segue: “Ao Silvio Castro    com amizade do  Walmir    Rio   21.3.80”

 

                   Domício Proença Filho, como romancista, alcançou grande sucesso e projeção, não somente nacional, com um seu romance parafrástico do D. Casmurro, de Machado de Assis. A versatilidade da escritura de Domício encontra igualmente amplo campo de expressão no seu livro, Breves estórias de Vera Cruz das Almas, Fractal Editora, Rio de Janeiro, 1991, do qual tenho um exemplar que me traz a seguinte dedicatória: “Ao Sílvio,   com o abraço    carregado da amizade do   Domício    Rio, 02/02/92“.

publicado por João Machado às 21:00
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