Domingo, 24 de Abril de 2011

o meu Jornal dos 25 anos do 25 de Abril, por Pedro Godinho

Nos 25 anos do 25 de Abril, em 1999, escrevi, noutro arranjo gráfico, este jornaleco para os meus filhos, então com 10 e 8 anos:

o meu Jornal

25 de Abril de 1999

 

25 de Abril de 1974

  • Liberdade
  • Democracia
  • Fraternidade

3 D

1     Democratizar

2     Descolonizar
3     Desenvolver

 

 Viva o 25 de Abril - 25 anos

 

25 de Abril é quando uma pessoa o fizer

 

Bom dia filhos,

 

Volto a falar-vos sobre o 25 de Abril porque é uma data muito importante para mim.


Ainda hoje me emociono.


Os dias e meses que se seguiram ao 25 de Abril de 1974 foram de imensa energia e alegria.


Uma poeta descreveu-o de forma simples e sentida dizendo: “a poesia está na rua”.


Na rua as pessoas sorriam, os capitães e soldados tinham-lhes aberto a gaiola, e voavam embaladas pelo sonho e a vontade de fazer o que fazia falta.


Foram dias de acção, com a razão e o coração.


Com o tempo as pessoas foram voltando à sua vida do dia-a-dia, hoje muitas até parece terem esquecido o que se viveu. Eu não.


Eu não esqueço que antes do 25 de Abril se sufocava. Eu só tinha treze anos mas já percebia o medo, o terror, na cara das pessoas. Portugal era uma grande prisão.


Não deixem que as pessoas falem do 25 de Abril como se fosse uma coisa do passado e sem importância. Não foi. Foi, como diz o cantor, “o primeiro dia do resto da minha vida”.


E não deixem que digam que se exagera o que se passava antes do 25 de Abril. O regime era uma besta, cruel e insensível.


Como muitos outros, o vosso avô foi preso e perseguido porque tinha ideias diferentes e ousava falar e escrever a favor delas e contra os abusos do governo da ditadura, porque se portou como um homem livre num país sem liberdade. E lutou por ela toda a sua vida.


O 25 de Abril trouxe-lhe uma alegria tão grande que só por isso valeu a pena.


Em Portugal devíamos contar os anos como os de antes e os de depois do 25 de Abril de 1974.


Hoje é dia 25 de Abril do ano 25 d. 25A.

 

25 X 25

Este ano passam 25 anos sobre a revolução democrática do 25 de Abril de 1974.


Para vocês perceberem um pouco melhor a situação que então se vivia em Portugal, saibam, por exemplo, que:


- as pessoas tinham medo de dizer em voz alta, e livremente, o que pensavam


- os jornais não podiam publicar nada sem que o que escreviam fosse, antes, examinado pela censura que riscava com lápis azul aquilo de que não gostava, essas partes não podiam aparecer nos jornais


- a rádio e a televisão também estavam sujeitas à opinião dos mesmos homens do lápis azul


- os cinemas também não podiam escolher passar os filmes que queriam, tinham que ter autorização da censura


- existia uma polícia secreta que prendia, batia e até matava pessoas que não estivessem de acordo com o governo e o criticassem


- mandavam soldados combater, e morrer, em África, mas nem deixavam que se falasse das razões da guerra e dos que morriam ou ficavam feridos nela


- viver nesse tempo era como estar debaixo de água sem respirar; era como se só houvesse noite


- havia profissões que as mulheres não podiam ter, só por serem mulheres


- até a a coca-cola proibiam em Portugal


Eram uns velhos embirrentos e mesquinhos, queriam mandar em tudo e obrigar toda a gente a fazer o que eles queriam - eu acho que eles já estavam era podres.

 

Por isso, o 25 de Abril foi uma coisa boa e necessária. Fazia muita falta.

 

Foi tão importante e bonito, um começar de uma vida nova, que só podia mesmo ter acontecido na primavera.

 

Com o 25 de Abril as pessoas descobriram a liberdade.

 

Não devemos nunca esquecer a importância do 25 de Abril, mesmo vocês que não conheceram o que era viver em Portugal antes.

 

Vamos comemorar o 25 de Abril, sempre!



 

 

Há 25 anos, eu queria ser capitão.

publicado por Pedro Godinho às 11:00
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3 comentários:
De Luis Moreira a 24 de Abril de 2011
A seguir ao nascimento do meu filho o dia mais feliz da minha vida!
De ethel feldman a 24 de Abril de 2011
Belo texto, Pedro. deixa-me apanhar a tua boleia, não me leves a mal, mas tenho urgência em dar um recado ao meu pai.
Bom dia, Pai
Amanhã... lembras como foi em 1974? Tu a gritares sem voz:
- Rosa, Golpe de Estado!
Os teus olhos estavam cheios de água. Foi a primeira vez que te vi chorar.
E antes...
Lembras da Maria, que só se chamava Maria porque a dona da casa tinha o mesmo nome da empregada, e não ficava bem.
- Aqui és Maria... lá fora és o que és.
O corpo silenciado em todo o seu sentir. Lembras, pai?
Um branco é um branco - o preto, o que os donos da guerra queriam que fossem.
Lembras, não lembras, pai?
Os livros escondidos, por trás de outros. A moral e os bons costumes, e tu pai, a ensinares-me o contrário!
Na escola, meninas de um lado, rapazes longe! Ai o perigo da fome com a vontade de comer! A palha arde com o fogo...
Lembras, como foi o 25 de Abril em 1974?
O vizinho de portas abertas. Nunca o tinha visto antes. Abraços entre conhecidos e não conhecidos. O medo, pai. Aquele que sente que tudo pode acabar. Tão precioso foi o tempo da descoberta da liberdade.
Lembras, pai?
De Augusta Clara a 24 de Abril de 2011
Que texto maravilhoso, Pedro. E que o tenhas escrito para os teus filhos, quando eu me lembro bem de ti, ainda praticamente menino, tão empenhado nesses dias felizes que vivemos.

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