Domingo, 10 de Abril de 2011

Sidney Lumet (1924-2011) - por Carlos Loures

 

No espaço de pouco mais do que duas semanas o mundo do cinema perdeu duas figuras cimeiras – em 23 de Março, Elisabeth Taylor e ontem Sidney Lumet, o realizador de filmes como Doze Homens em Fúria (Twelve Angry Men, 1957), um verdadeiro filme de culto, com uma interpretação inesquecível de Henry Fonda. Serpico,1973, Dog Day Afternoon (Um Dia de Cão, 1975), Network (Escândalo na TV, 1976) The Verdict (O Veredicto, 1982), e muitos outros – 70 filmes. O seu último trabalho foi Before the Devil Knows You're Dead» (Antes que o Diabo Saiba que Morreste,2007 ), com Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke e Marisa Tomei nos principais papéis.

 

Ontem de manhã foi encontrado morto na sua casa de Manhattan. Homem lúcido e de uma grande cultura, fazia parte daquela estirpe de norte-americanos que, amando o seu país (talvez mesmo por isso) nunca poupou críticas severas ao american way of life, denunciando as incoerências do sistema judicial e a corrupção na polícia – temas recorrentes na sua filmografia - «Há histórias muito boas a contar sobre o lado escuro do ser humano. E, caso se criem os motivos que justifiquem as acções das personagens, teremos um bom filme».

 

A sua escola foi feita no teatro. Após uma carreira como encenador, trabalhando no teatro e na televisão. Em 1957 realizou Doze Homens em Fúria, uma peça de Reginald Rose (1920 -2002) que logo o creditou como um realizador de vanguarda, um dos cineastas mais relevantes da segunda metade do século XX.

 

O New York Times publicou ontem um texto de Sidney Lumet onde, sobre o trabalho de realização, dizia «ainda que o objectivo de todos os filmes seja o entretenimento, o filme que vai um passo para além dessa meta, obriga o espectador a examinar um ou outro aspecto da sua própria consciência, estimula o pensamento e faz nascer a criatividade,»

 

Numa entrevista recente, declarava não ter nem telemóvel nem computador: «As pessoas passam dez horas diante do computador e o pior é que pensam que estão a comunicar». E acrescentou « escrevo à mão. E não quero que me imponham que esteja sempre disponível. Se me procuram, podem ligar-me pelo telefone e deixar uma mensagem gravada. Quanto à Internet, acho que me resta pouco tempo de vida e prefiro investi-lo aprendendo mais sobre as pessoas do que sobre as coisas».

 

 

publicado por Carlos Loures às 12:00
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