Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

DEDICATÓRIAS - Poetas portugueses, italianos e de outras nacionalidades / 7, por Sílvio Castro

 

 

 

 

 


 


 

 

                        7.1- Poetas portugueses

 

                       Antes da minha para a Itália em novembro de 1962, viagem que permite logo depois meu primeiro contáto direto com Portugal, eu tivera alguns conhecimentos com poetas portugueses no Brasil, em particular no Rio de Janeiro. Dentre esses poetas, cumpre recordar dois nomes históricos da literatura portuguesa moderna, Adolfo Casais Monteiro e Jorge de Senna, ambos refugiados da opressão do regime salazarista. Jorge de Senna, depois de algum tempo de atividades entre Rio e São Paulo, se deslocou para os USA. O presencista Adolfo Casais Monteiro em continuidade de seu precioso trabalho se fixa principalmente no Rio de Janeiro. Ambos mantiveram por anos importantes funções culturais em entidades brasileiras. Os meus contactos com Jorge de Senna foram mais circunstanciais; aqueles com Adolfo Casais Monteiro tiveram mais consistência. Recordo dele o nosso encontro, com vivas discursões plenárias no I Congresso Brasileiro de Teoria e História Literária, Recife, 1960. Ali eu, jovem estudioso e professor de literatura com apenas 28 anos de idade, apresentei uma comunicação subordinada àqueles que já então eram meus princípios dominantes para a prática da crítica literária, isto é, uma consciência lógica e exata da análise, contra qualquer manifestação de impressionismo crítico. A minha comunicação no Congresso de Recife tinha o título: “Conceituação e nomenclatura em crítica literária“.

 

                      A partir da minha primeira viagem em Portugal, em 1963, passei a ter um maior e mais amplo contáto com os escritores portugueses, em particular com os poetas. Desses encontros agora tomo em mãos muitos do momentos passados em diálogo com poetas de todas as idades.

 

                        Começo a minha exposição a partir dos termos históricos que caracterizam os diversos autores. Da grande Sophia de Mello Breyner Andresen um seu volume de ´poemas me recorda o nosso que fugaz diálogo. Trata-se do volume Ilhas, Texto Editora, Porto, 1989: “Ao Sílvio, em lembrança    de um encontro que não    chegou a ser (adiado)  “assinatura não decifrável”,    Porto, verão 89“.

 

                        Outro nome histórico da minha coleção é o de Eugênio de Andrade, conhecido pessoalmente numa circunstância muito especial, a festa anual da poesia promovida pela UNESCO, na oportunidade em 2001, em Santiago de Compostela. Eugênio de Andrade ali representava, juntamente com os poetas Rosa Alice Branco e Casimiro de Brito, o Portugal; enquanto eu me encontrava em representação do Brasil. Então o grande poeta me dedicou o seu volume de poemas, Obscuro Domínio, 8ª.ed., Editora Fundação Eugênio de Andrade, Porto, 2000. O grande poeta me fez a seguinte dedicatória:

 

                                                                                  “A Silvio Castro,

 

afetuosamente,

 

Eugénio de Andrade

 

Santiago, 22.3.01“

 

 

No mesmo Encontro de Santiago me ficou o livro de aforismas poéticos do poeta e ensaísta, operador cultural, Casimiro de Brito, Da Frágil Sabedoria, edições quasi, Vila Nova de Famelicão, 2001;  com as palavras comunicativas: “Para Sílvio Castro  -  com toda a  amizade do   Casimiro“. Assim como, de Rosa Alice Branco, poeta e ensaísta, terceiro componente da delegação portuguesa no Encontro de 2001, me ficaram os seus livros de poemas A Mão Feliz - Poemas D(e)ícticos, com pref. de Óscar Lopes, Edit. Limiar, Lisboa, 1994,  com a seguinte dedicatória:

 

                                                                      “Março, Santiago de Compostela

2001

Para Sílvio Castro

Esta mão que é feliz

porque é livre para tocar

o outro

com toda a simpatia

Rosa Alice Branco“

 

e O Único Traço do Pincel, Edit. Limiar, Lisboa, 1997; com a seguinte dedicatória autógrafa: “Março, Santiago de Compostela, 2001      Para Sílvio Castro     esta procura de simplicidade     Rosa Alice Branco”.

 

                        Dentre os poetas portugueses contemporâneos ocupa uma posição de destaque o também professor universitário de literatura, Manuel Simões, autor de poemas que já me levaram a um longo ensaio analítico de seus específicos valores. De Manuel Simões tenho comigo dois volumes, com as sempre gentis e amigas dedicatórias: Canto Mediterrâneo, Edit. Peregrinação, Cacilhas, 1987: “Ao Sílvio, este    CANTO MEDITERRÂNEO   com o abraço amigo do    Manuel      Veneza, Abril de 1987”. O segundo volume è Micromundos, Edições Colibri, Lisboa, 2005:

 

                                                                                  “Para o Sílvio,

Companheiro e Amigo,

com a estima de sempre e

o afectuoso abraço do

 

Manuel

 

Solstício de Verão, 2005“

 

                        Ana Hatherley é um dos grandes nomes da poesia experimental portuguesa de nossos dias. Porém, sendo um poeta experimental, em particular com os seus poemas visivos ou concretos, ela é igualmente capaz de exprimir toda a riqueza da linguagem própria da melhor tradição lírica de Portugal. Como está no livro de poemas que tenho em mãos: Itinerários, edições quasi, V.N. Famalicão, 2003, que me traz as seguintes palavras da autora:

 

                                                                       “Para Sílvio Castro

Recordando o nosso (re)encontro

Em Veneza, estes Itinerários

onde recordo tanto o Brasil

que eu conheci primeiro durante

os anos 60 do século passado e tanto

amei!

 

Ana Hatherly

 

Lisboa, 2005“

 

                        Outro significativo poeta experimental presente nos quadros modernos da poesia portuguesa é Alberto Pimenta. Dele tenho um livro de poemas que me chegou não diretamente por suas mãos, mas a mim oferecido com dedicatória pela organizadora da edição italiana dos poemas do poeta português, a ensaísta e professor universitário de literatura portuguesa na Universidade de Viterbo, recentemente falecida, Carmen Radulet. De Alberto Pimenta é o volume de poesia, edição italia,  In modo di – verso, Edizione Ripostes, Salerno, 1983.

 

                        Armando Silva Carvalho é um dos mais ativos criadores de poesia do Portugal contemporâneo. Dele tenho o parafrástico volume de poemas, Sentimento dum Acidental, ed. Contexto, Lisboa, 1981, volume que traz a seguinte dedicatória: “A Silvio Castro,   glosa de   Cesário   do    Armando Silva Carvalho”.

 

                        Dois estudiosos e poetas enriquecem a minha coleção de dedicatórias: Eugénio Lisboa e Amadeu Torres, o também Castro Gil. De Eugénio Lisboa tenho diante de mim o seu volume de poemas, Matéria Intensa, 2ª. edição, revista e aumentada, Instituto Camões, Lisboa, 1999:

 

                                                                       “A Sílvio Castro,

neste encontro romano,

com a camaradagem e amizade

do

Eugénio  Lisboa

Roma, 1999“

 

Do grande latinista e estudioso de Damião de Góis, Amadeu Torres é o volume de poemas clássicos (com versões em inglês), Viana do Castelo e outros Poemas, Edição do Centro de Estudos Regionais, Viana do Castelo, 2001; que me traz a seguinte dedicatória:

 

                                                                       “Ao Prof. Doutor Sílvio Castro,

ao Poeta, ao Prof-Literato

ao grande Amigo,

para que, ao voltar a Braga,

me lembre para irmos em passeio

a Viana, minha linda terra.

 

Amadeu Torres

Braga,

20- 03 - 03“.

 

                        A ligação física entre Portugal e Brasil por parte de poetas portugueses, assim como acontece com muitos dos brasileiros, é fenômeno comum. Este tipo de ligação pode ser passageira ou definitiva. No primeiro caso se encontra o poeta Albano Martins que publicou no Brasil uma sua  Antologia Poética, Unimarco Editora, São Paulo, 2000, num dos volumes da qual está a seguinte dedicatória:

 

                                                           “Para o Sílvio Castro,

esta

 

ANTOLOGIA  POÉTICA

 

comemorativa dos meus

50 anos de vida literária

(são agora 56...), com

com um apertado abraço do

seu novo amigo e devoto

leitor

Albano Martins

20. Nov°. 2006“

 

                        Cabe a uma voz feminina fechar este precioso rol de dedicatórias que me reservaram os poetas portugueses, precisamente aquela voz de Maria Lúcia Garcia Marques, com o seu livro de poemas Reversos, com ilustr. de Salvador Martins, Sericron, s. ref. da sede, 1ª. impressão: 1990; que me produz as seguintes palavras em dedicatória:  “Com  grata estima em recordação dos preciosos dias passados em Pádua e Veneza da  MLúcia G. Marques“.

 

 

7.2  Poetas italianos

 

                        Começo este belo elenco de poetas italianos e de seus volumes a mim dedicados, com um poeta de particular importância nacional, bem como de significativa participação com o período inicial de minha vida em Veneza: Emilio Isgrò. Antes do poeta, conheci o jornalista Isgrò. Em 1963, quando entro na vida cultural veneziana com grande curiosidade e vontade de participar ativamente, ele era um dos redatores principais do quotidiano de Veneza, Il Gazzettino, de longa tradição na história da imprensa italiana. Deste contacto logo nasceu uma boa amizade literária alimentada com o grande interesse que Isgrò, poeta que então se lançava à pratica de uma poesia experimental, nutria pelo Concretismo brasileiro. Por isso, depois dos trabalhos noturnos na redação do jornal, nos encontrávamos a passear pelas ruas venezianas, sempre propícias a alimentar as grandes conversações perambulantes. Desta maneira, e por meses, passei para o poeta italiano os meus conhecimentos teóricos sobre a vanguarda poética brasileira, lições que contribuiram para tansformá-lo logo depois num dos principais líderes da “poesia visiva” italiana, movimento experimental fortemente ligado ao Concretismo brasileiro. Em várias oportunidades, Emilio Isgrò demonstrou sua estima pela minha poesia. A ele devo igualmente o contáto com o editor Rebbelato, de Pádua, que publica em 1967 o meu volume bilingue de poemas, português-italiano, Tempo Veneziano. Em um dos números do Gazzettino do mesmo ano, Isgrò publicou um artigo crítico sobre este meu livrto. Do poeta sicialiano, depois radicado e ativo em Milão, me ficou o volume de poemas L’età della ginnastica – 1953 - 1962, Mondadori, Milão, 1966, que traz a seguinte dedicatória:

                                                                       “A Silvio Castro

con la stima

e l’amicizia

del

suo

 

Emilio  Isgrò“

 

                    O meu colega, italianista da Universidade de Pádua, Silvio Ramat, além de grande estudioso, é magnífico poeta. Dele tenho, dedicado, o volume de poemas, Colori per un anno, ilustrs. de Lucio Saffaro Ed. do Centro Stampa di Palazzo Maldura, Pádua, 1984, com as seguintes palavras: “a Silvio Castro    con l’augurio    del suo    Silvio Ramat     1984/85“.

 

                            Maria Vittoria Rincicotti, que também se assina Vittoria Dauni, é um poeta que por longos anos, interrompidos somente pela seu falecimento, ocupou parte de minhas atividades literárias e de crítico de arte. Casada com o pintor Luigi Rincicotti, ao qual a minha faceta de crítico de arte dedicou uma atenção muito especial, ela participou daquele processo de amizade e grande estima que me ligara desde o meu primeiro ano italiano ao pintor marquejano, depois veneziano de adoção. Professora de italiano nos liceus de Veneza, Vittoria Rincicotti possuia particulares dotes poéticos, traduzidos perfeitamente nos poemas que compõem os dois volumes que dela me ficaram. De Vittoria Dauni tenho o volume Nella vita un’ora, Rebbelato editore, Pádua, s.d., com a dedicatória: “Al poeta Silvio Castro    con    riconoscenza e cordialità    Vittoria o Dauni“. De Maria Vittoria Rincicotti tenho o seu belo volume de poesia ligada à longa tradição lírica italiana, Il tempo del merlo, capa com quadro de Luigi Rincicotti, Ed. Biblioteca Cominiana, Treviso, 1989:

 

                                                                       “A Silvio ed Annarosa, com

il desiderio e l’augurio,

di essere insieme, ancora,

“nella casa quieta”

in bei conversari, dove

“la parola “  viva……

 

Vittoria Rincicotti“

 

                        Do grupo de poetas de Treviso faz parte igualmente Mario Sutor, do qual tenho em mãos o volume de poemas Memoria urbana (1970-1980), capa com pintura de Luigi Rincicotti, Arcari editore, Treviso, 1984, com a dedicatória: “All’amico Silvio    con grande stima    Mario Sutor    11.2.1984“.

 

                            Maurizia Rossella, poeta, romancista e jornalista literário, é uma das mais vivazes vozes da literatura italiana contemporânea. Muito ligada ao Brasil e à literatura brasileira, ao ponto de tomar o ambiente do país como matéria para a sua criatividade de ficcionista. Dela tenho dois volumes de poemas: Occhi de rosa, 1980-1994, Nuovo Rinascimento Editori, Veneza, 1995, no qual me dirige as seguintes palavras:

                                                                      

“Per Silvio Castro

‘                                                 amico per me

e scelto un maestro

in poesia

Maurizia“

 

E Sottomarini felici, com uma nota de Silvio Ramat, Book Editore, Pádua, 1998, com a dedicatória:

 

                                                                      “Al carissimo Silvio

                                                                       con la gioia

                                                                       trovata e ritrovata

                                                                       anche in Brasile

 

                                                                                              Maurizia

 

                                                                                                          Padova, 5 marzo98”

 

                        Vittorio Placella, poeta napolitano, tradutor de poesia, em particular do português e para o português, médico de profissão, me presenteou com o seu volume de poemas Scambiar la rosa (com autotraduções para o português),Colonnese Editore, Nápoles, 1991, me dedica com as palavras: “ 27.11.91      Para Sílvio Castro, do lusitano    e brasileiro, con amizade.....Vittorio Placella”.

 

                           Gilberto Cavicchioli, Luciano Troisi e Severino Bacchin são os autores de livros de poemas que fecham este presente grupo de poetas italianos contemporâneos que me dedicaram os seus livros. O emiliano de Mântua, Gilberto Cavicchioli me está presente com o seu livro (em dialeto e em italiano) na bandera culur dal sangue, edizioni citem, Mântua, 1978, e a seguinte dedicatória: “A Silvio    dopo una gran    tavolata di Po      Gilberto”.

 

     O friulano de Monfalcone (Gorizia), autor de volumes de poesia e de ensaios, tradutor e docente universitário, Luciano Troisi, me dedica o seu volume de poemas, Persistenza del cavallino,edição L’arzanà, Turim, 1984, com as palavras que seguem: “a Silvio Castro    con l’affetto    e la stima    di    Luciano Troisi     14 – VI –84”.

 

      O veneziano Severino Bacchin, muito justamente, completa este rol de presentes de poetas italianos para o crítico veneziano de adoção com o seu livro de poemas Terza guancia (poesia gráfica ou visiva/visual), edição Centro Internazionale della Grafica, Veneza, 2007, no qual ele me diz:

 

                                                                                  “Al maestro

                                                                                  S. Castro

                                                                                  con la mia stima

 

                                                                                  Venezia, 15.04.2007

                                                                                                          Severino Bacchin”.

 

                             Também a um volume de poesias traduzidas para o italiano cabe o direito de entrar neste específico grupo de autores; nos referimos à antologia de poesias de Carlos Drumnond de Andrade, Un Chiaro Enigma, organizada e traduzida pela lusitanista Fernanda Torielo, professora de Literaturas Portuguesa e Brasileira da Universidade de Bari, na edição da Lusitania – Libri, Bari, 1990, na qual encontro a seguinte dedicatória: “A Silvio con    amicizia  Fernanda“.

 

 

publicado por João Machado às 10:00

editado por Luis Moreira às 10:22
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