Quinta-feira, 24 de Março de 2011

Cavaco deu posse a um governo minoritário... por Luis Moreira

Uma cultura de compromisso é absolutamente fundamental para que a cada momento o país possa estar à altura das exigências , principalmente em tempos de crise. Por essa Europa fora o habitual é os governos serem constituídos por mais que um partido, coligações resultantes de laboriosas conversações políticas onde todos cedem a favor do interesse nacional.

 

Não é o que se passa em Portugal. Mais um originalidade que nos custa caro, mesmo perante o querer do eleitorado que, ao mandatar não maioritariamente qualquer um dos partidos, está a apontar o caminho da co-governação, da governação em coligação, os nossos políticos não são democraticamente humildes para seguir o resultado das eleições.

 

Cavaco Silva, na presente crise tem uma enorme culpa ao nada fazer para que os partidos tivessem, honestamente, procurado encontrar consensos alargados para uma crise que se anunciava há muito e que já muitos apontavam como inevitável. A resposta à crise foi uma permanente "fuga para a frente" engordando o estado e esmagando a sociedade civil afinal, a única das forças que já dá sinais firmes de retoma.

 

Perante uma inevitável contenção na despesa respondeu-se com investimentos de duvidosa eficácia; perante uma cavalgada incontrolável da dívida externa respondeu-se com aumento de impostos e cortes sociais aos mais desfavorecidos; perante a falta de fundos agravaram-se as condições das parcerias público-privadas; perante um estado cada vez mais fraco as empresas do regime "sugaram" o tudo o que era possível .

 

Por mais PECs que se aprovassem os juros da dívida não deixavam de crescer, é como as hienas que cercam o animal que pressentem moribundo.

 

A crise nunca é a que nos é transmitida pelas câmaras das televisões, do ar solene dos Passos Perdidos ou do silêncio sepulcral que estroina dos lados de Belém. A crise está nas famílias que têm que tirar os filhos da escola, por isso o que se está a passar com a demissão do governo não tem qualquer influência, a curto prazo, na vida das pessoas. Que se encontre uma solução alargada e responsável sobre os grandes problemas nacionais é o mínimo exigível por quem foi eleito. E, aí sim, compreenderíamos que às vezes é necessário dar dois passos atrás para a seguir se dar um em frente.

 

Nos anos 80 dirigi uma empresa de móveis de escritório que tinha negócios com empresas congéneres italianas. Nessa altura os governos em Itália duravam meses numa permanente instabilidade. Perguntei ao meu acompanhante como é que conseguiam viver com uma classe política tão irresponsável, a resposta veio rápida: " Eles (políticos) não chateiam e nós pagamos" que é uma forma de dizer "deixam-nos trabalhar".

 

Isto remete também para a dimensão do estado e para a responsabilidade da sociedade civil. O país não pode estar dependente, umbilicalmente dependente, da classe política! Há muito que esta evidência corrói o país e a própria democracia!

publicado por Luis Moreira às 13:00
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