Quinta-feira, 24 de Março de 2011

Crise da zona Euro - 1 - por Henri Sterdyniak

Enviado por Júlio Marques Mota

Traduzido por António Gomes Marques

 

Crise da zona euro

 

O jogo dos mercados financeiros e a cegueira das instituições europeias conduzem à catástrofe. É urgente mudar de Europa.
Henri Sterdyniak
sterdyniak@sciences-po.fr.
Dezembro de 2010
www.atterres.org.

 

Depois da crise financeira, depois da crise económica, a zona euro conhece desde há nove meses até agora uma crise específica: os mercados financeiros especulam contra as dívidas de certos países da zona. Estes mercados imaginam uma cenário catástrofe de desaparecimento da zona e exigem fortes prémios de risco para deterem os títulos das dívidas públicas dos países que consideram à beira da falência. Os mercados jogam assim sobre as falhas da organização da zona euro onde os Estados deixam de estar seguros de se poderem financiar. A Europa foi incapaz de reagir: o Banco Central Europeu (BCE) e os Estados-Membros não levaram a efeito e com a energia necessária as políticas requeridas para evitar uma maior diferenciação nas condições de financiamento entre os países; os Estados-Membros deram apenas prova de uma solidariedade tímida e condicional que confortou os mercados no seu sentimento de fragilidade da zona; a Comissão e os Estados Membros obrigaram os países ameaçados a levar a efeito políticas insustentáveis de redução rápida dos seus défices públicos.

A crise pode ter três saídas. Seja a continuação da política actual que provoca um crescimento duravelmente fraco na Europa, particularmente nos países do Sul; os mercados não são tranquilizados; o cenário de rompimento da zona não é afastado. Seja os países do Sul deixam a zona euro, o que provocaria um novo choque financeiro na Europa e seria o toque de finados para as ambições da construção europeia. Com efeito, a única estratégia duradoura é a da mudança do funcionamento da zona pela fixação de uma solidariedade financeira sem falhas, a luta contra a especulação financeira com a colocação de novos circuitos de financiamento, e com a criação de uma estratégia macroeconómica coordenada.

Os jogos dos mercados financeiros

A fase actual do capitalismo, o capitalismo financeiro, caracteriza-se pelo desenvolvimento prodigioso dos mercados financeiros onde massas enormes de capitais estão perpetuamente à procura de colocações mais rentáveis, mais líquidas e o menos arriscadas possíveis, enquanto os fundos especulativos (hedge funds) e os especuladores (traders) tiram partido da volatilidade dos mercados para organizar operações fortemente rentáveis.

Mas como encontrar a contrapartida: emprestadores sem risco e créditos a serem pagos a taxas de juro importantes? É necessário obrigatoriamente um montante enorme de dívidas face a um montante enorme de activos financeiros. Os prestamistas, os mutuantes, querem investir somas importantes, mas preocupam-se seguidamente com o facto de que os emprestadores, os mutuários, estarem demasiado endividados; procuram rentabilidades elevadas, mas estas fragilizam os emprestadores; é a maldição do devedor, do mutuário.
Os países, as empresas ou as famílias que beneficiam de contributos importantes de fundos externos estão fragilizados, dado que se tornam fortemente endividados e dependentes dos mercados de capitais: é a maldição do mutuário, do devedor.

O sistema financeiro internacional está assim constantemente à procura de tomadores de fundos: outrora eram os países do terceiro mundo; depois certos países da Ásia; ainda há pouco eram os Estados Unidos e as famílias anglo-saxónicas. Em 2010, os mercados financeiros tiveram necessidade de emprestar maciçamente a agentes fiáveis. Como as famílias e as empresas se procuram desendividar tendo em conta a incerteza económica, são os Estados que devem então endividar-se, mas ao mesmo tempo, as suas posições estão fragilizadas. Os mercados querem mutuários, mas acusam-nos de estarem endividados.

Numa economia onde a massa dos capitais financeiros é importante, o endividamento é automaticamente elevado. Um grande número de agentes estão endividados e certos estão-no mais do que os outros. Há por conseguinte permanentemente dúvidas sobre a solvabilidade dos devedores. Os mercados têm um comportamento de rebanho de carneiros,; as suas antecipações são auto-realizadoras, e os operadores sabem-no. Estes estão vigilantes, mas a sua vigilância acentua os riscos de crise. É suficiente que haja um rumor a colocar em dúvida a solvabilidade de um país para que alguns gestores de fundos se sintam obrigados a vender os títulos que detêm sobre este país; esta atitude faz subir as taxas de juro suportadas por este país, o que pode induzir uma agência de notação a baixar a sua notação, o que induz outros gestores a cobrirem-se, o que provoca um novo aumento das taxas, etc. A globalização financeira obriga a economia mundial a viver permanentemente sob a ameaça de crises da dívida.

A crise de 2007-2008 mostrou que acontecimentos inimagináveis podiam produzir-se; de modo que os mercados estão mais nervosos, mais rápidos a encarar cenários extremos, o que acentua a sua instabilidade. Os mercados recordam-se que fizeram explodir o Sistema Monetário Europeu (SME) em 1992 e que obrigaram a Argentina a sair do currency board (isto é, do seu compromisso inscrito na Constituição de manter o valor da sua moeda face ao dólar). Porque é que não terão eles agora sucesso em  fazer desaparecer a zona euro.


Os Estados são assim submetidos a duas exigências contraditórias: apoiar a actividade económica, nesta incluindo o apoio aos bancos em risco de falência, e assegurar a sua própria situação financeira.
Na economia globalizada, as políticas económicas devem ser consagradas a acalmar os mercados, enquanto que estes não têm nenhuma visão pertinente do equilíbrio e da evolução macroeconómica, como se testemunha com as fortes flutuações dos mercados financeiros (Bolsa ou taxa de câmbio). Assim,é absurdo pedir uma baixa forte dos défices públicos numa situação onde a procura global é fraca e as taxas de juro de curto prazo vizinhas de zero.

 

Os detentores de capitais querem deter activos financeiros importantes. Antes da crise, este desejo de ter activos tinha sido satisfeito graças ao desenvolvimento de bolhas financeiras e imobiliárias. Depois do rebentamento destas bolhas, o défice da procura deve ser satisfeito através dos défices públicos e através das baixas taxas de juro. Se os mercados financeiros recusam esta lógica, fazendo aumentar as taxas de juro de longo prazo, sob pretexto de prémio de risco  quando o Estado apoia a actividade, se difunde a tese de que os défices de hoje são os impostos de amanhã, de que é necessário, por isso memso, poupar mais em período de défice público, se os países que se endividaram para apoiar a actividade (e para apoiar igualmente o sector financeiro) devem rapidamente reduzir o seu nível de endividamento, a política económica torna-se impotente e a economia mundial completamente n

ão governável.

publicado por Luis Moreira às 20:00
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