Sábado, 12 de Março de 2011

Eleições antecipadas inevitáveis - por Luis Moreira

Um discurso arrasador onde o Presidente da República avisa que o estado do país é muito pior  que o que nos é apresentado. O Orçamento de 2011 tão laboriosamente negociado com a oposição não aguenta 3 meses, já aí está outro PEC, e não me venham dizer que é incompetência.

 

O governo faz tudo o que lhe é indicado pela UE numa tentativa de controlar os estragos mas nem os juros deixam de crescer (atingiram 8%,) nem os mercados acreditam no governo e na sua capacidade de sair da situação.

 

Sócrates já nem sequer comunica as medidas que toma aos parceiros sociais, nem aos partidos da oposição e, muito menos ao presidente a quem vai atirar-se como "gato a bofe", esticando a corda o mais possível para obrigar a que o tirem de uma situação para a qual não tem soluções.

 

Os buracos e o "lixo" debaixo do tapete estão a aparecer a um ritmo frenético, as medidas de hoje representam 0,8% do PIB exactamente o buraco que os especialistas do BCE que cá estiveram anunciaram em Bruxelas e que Teixeira dos Santos diz desconhecer.

 

A tentativa de incluir o buraco BPN nas contas de 2008 não colhe junto das autoridades financeiras europeias e vai ter que entrar no exercício de 2011. Dito de outra forma as medidas de austeridade ainda não acabaram, vêm aí mais.

 

A economia está em recessão o que explica menor cobrança de impostos e estas medidas vão contribuir para o afundar ainda mais da economia.

 

Há uma distorção completa do programa de governo apresentado aos Portugueses e a sua prática e a proposta política apresentada por Sócrates nas recentes  reuniões do partido mostram que a realidade e a ficção são irmãs unidas pelo cordão umbilical do apego ao poder a qualquer preço.

 

É uma vertigem que vai mergulhar o país no empobrecimento, e na injustiça social, um governo que já não fala nas reformas prometidas e que apoiavam o orçamento, de melhor justiça, emagrecimento das diaposidades do estado, na racionalização dos institutos, fundações, empresas públicas e autárquicas, nos investimentos públicos duvidosos...

 

Tudo se resume a ir ao bolso dos que trabalham e que menos têm!

 

E o que diz a isto o PSD? ( do corta-fitas)

 

O «vasto conjunto de novas medidas de austeridade» e o método de ocultação escolhido traduzem uma «política de facto consumado» por parte deste governo, e evidenciam a sua «total falta de cultura democrática». O governo Sócrates evidencia, por estas subidas de impostos e mexidas nas pensões, na saúde, na educação, a sua «incapacidade» e «despudor ao transferir para os Portugueses o custo dos seus sucessivos erros». Todas essas medidas resultam de uma «obstinada inacção» e «são uma incompreensível insistência no erro».


«O governo está a denunciar o acordo que viabilizou o OE de 2011», a crise financeira e económica exigirá medidas duras ainda por vários anos, mas «este não é o caminho», e ele «não contará com o apoio do PSD». «Se o governo quer seguir por tal caminho, fa-lo-á sózinho, ou com outros, mas não contará com o PSD».


«O governo dispôs e continua a dispôr das ferramentas» para tirar o país da crise em que o lançou;

«O país precisa que o OE2011 seja cumprido» e o PSD mantém a palavra e apoia o OE, mas mais não.


O PSD não apresenta uma moção de censura, mas repõe a bola das culpas no campo do governo - diz que apoiará o cumprimento do OE2011, a que se comprometeu, mas que, sobre novas ocultações e austeridades, «o PSD tomou a sua decisão, cabe agora ao governo fazer a sua escolha.»

 

Os dados estão lançados!

publicado por Luis Moreira às 13:00
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9 comentários:
De Pedro Godinho a 12 de Março de 2011
O homem, afinal, era virgem.
Tem de nascer duas vezes quem quiser ser mais puro que ele.
O sr. Silva nunca foi dirigente partidário, deputado, ministro, primeiro, presidente.
Nunca,mas nunca por nunca, fez parte dos decisores e dos mandantes.
Foram sempre coincidências dum veículo novo a precisar de rodagem.
E, sobretudo, vade retro, nunca,mas nunca por nunca, nomeou ou fez nomear alguém por razões de filiação partidária ou pelas suas simpatias políticas, não, claro que foram sempre pautadas por critérios de mérito.
Como muitos deles vieram a confirmar e todos sabemos, engenho não lhes faltou.
O homem merece tanta confiança quanto a sua virgindade.
É o outro lado do espelho socratista.

De Luis Moreira a 12 de Março de 2011
Não se pode continuar a atirar as culpas para o passado. Este PM só pensa na sua carreira política não pensa no país. Esgotou-se, deve sair.
De Pedro Godinho a 13 de Março de 2011
O futuro está à nossa frente, mas não existe sem o, e desligado do, passado.
Nas pessoas passa-se o mesmo.
Há mais momentos de continuidade que de revolução.
De Luis Moreira a 13 de Março de 2011
Se fosse assim, Cavaco ainda lá estaria. Sócrates é um equívoco, os resultados estão aí.Já não fala com os orgãos da república eleitos pelos portugueses, recebe ordens directamente da Merkel, por muito menos Sampaio apeou um governo com maioria.Rua à incompetência!
De Paulo Rato a 13 de Março de 2011
Eleições antecipadas para quê? Para tirar de lá o esterco que a dupla Merkel-Sarkozy acalcanha e substituí-lo por esterco idêntico, que a mesma dupla calcará? Claro que mudam as moscas que vão ocupar as esterco-manjedouras mais apetecíveis (para moscas...), mas o "centrão" nunca se esquece de alimentar convenientemente o moscame pretensamente "opositor", durante estas fases de excruciante afastamento do esterco-silo central.
A única coisa que me preocupa, com a eventual mudança de substância fecal, é o já anunciado enésimo ataque ao serviço público de rádio e televisão, em mais uma tentativa de dar ao grande democrata Balsemão e outros militantes, simpatizantes e contribuintes da "alternativa de governo" o que sempre ambicionaram nesta "área de negócio". Se algum jornalista inteligente (que ainda os há, embora poucos) perguntar ao Coelho do PSD o que subjaz a este anseio, ele não saberá falar doutra coisa senão de "custos", que é a resposta mais imbecil que se pode dar a uma pergunta destas (então, feche-se ou venda-se tudo - incluindo o país... deite-se fora o que funciona mal - incluindo o país! -, em vez de agir para que funcione melhor...)
De resto, tudo será igual e cheirará ao mesmo: merda, estupidez, servilismo e corrupção.
A primeira coisa que o leporídeo "descobrirá", mal se empoleire nas traseiras de S. Bento, é que a situação está muuuito pior cóquelpensava! Pelo que, mui contrariado, quiçá lacrimejante, terá de re-re-re-... rever o "Péque" e ver-se-á "obrigado" a ir escavar ainda mais fundo no bolso do Zé Povo, incluindo no dos saloios que nele hajam botado o voto, na vã esperança de uma qualquer melhoria. Escusado será dizer que, numa medida indispensável "pra desinvolver a incónomia", contribuições e impostos de "investidores", "empreendedores", especuladores e bancaiadores serão reduzidos, ser-lhes-ão perdoados uns atrasos e esquecimentos, naturais em gente tão boa como ocupada, e ao Código do Trabalho chegará enfim a Grande Medida, digna da "ideia zuche" dos grandes coisos norte-coreanos: o despedimento sem causa nenhuma! Finalmente, o trabalhador terá total liberdade p'ra redemoinhar de explorado a desempregado!
Quanto ao Cavaco, não tem estatura política ou ética para arrasar seja o que for: além de andar a esconder manhosamente o que pensava - exactamente o que agora bolçou em plena AR -, para não perder votinhos na campanhazinha, o resto já o Pedro Godinho disse acima, resumida mas bastantemente.
Só relembro, a propósito da minha "preocupação maior", que quem deu cabo da RTP foi exactamente este sujeito, quando acabou com as taxas - mais uma vez, num gesto puramente eleitoralista - e nunca entregou à empresa os subsídios do Estado, que anunciara como inevitáveis substitutos das tais taxas. Safa! O que vale é qu'ele nem é político... só anda a fazer "rodagens".
O Governo e o Sócrates merecem ser arrasados, mas por alguém com credibilidade e ética. Ou pela "rua", que só tem o seu protesto para mostrar. Cavaco, pelo que se vê, nunca encontrou daquelas mercadorias (ou "commodities"?), nem em segunda mão.
Quanto à "crise", está para durar o que os especuladores e apaniguados quiserem... Enquanto as maiores fortunas do País continuarem a crescer, apesar da crise... "tudo vai o melhor possível no melhor dos mundos possíveis", como proclamava o voltairiano "Docteur Pangloss".
De Luis Moreira a 13 de Março de 2011
A democracia tem sempre saídas. Juntem-se, substituam quem não presta por outros melhores dentro do próprio partido, façam parcerias, programas comuns, numa palavra deixem de colocar suas excelências à frente e pensem no país. Quero lá saber de são vermelhos ou amarelos, quero que tenham a noção do bem comum. A democracia tem sempre soluções. Precisar de um PEC 2 meses depois de aprovarem o orçamento diz tudo quanto à competência destes homenzinhos. Rua!
De Paulo Rato a 14 de Março de 2011
"Juntem-se, substituam quem não presta por outros melhores dentro do próprio partido, façam parcerias, programas comuns, numa palavra deixem de colocar suas excelências à frente e pensem no país"!?
Ó Luís, deste em humorista, andas a sonhar alto ou encontraste pelos Orientes alguma pedra mágica capaz de transformar tratantes em pessoas de bem?
Abraço
De Carlos Loures a 14 de Março de 2011
Desta vez, estamos de acordo, Paulo - alguma vez tinha que ser! - Aquilo a que o Luís chama democracia e que ele acha que tem sempre saídas é, sem ofensa para os palhaços, uma palhaçada atroz. O Pedro Passos Coelho é um profissional da aldrabice, como o Sócrates, mas mais estúpido e ignorante. Substituir um pelo outro é descer mais um degrau na direcção do caos - como dizes, após ter sido eleito, virá com o seu ar de imbecil lamentar o estado em que o País ficou e anunciar mais sacrifícios. Eleger um governo do PSD (em eleições antecipadas) é uma saída pela direita baixa, como se diz no teatro.
Quanto ao actual Governo, os estrolábicos do PS que me desculpem, é inacreditável como permitem que em nome do socialismo se mantenha esta aberração. Bem sei que existe uma corrente de esquerda - não seria de se deixarem de discursos (muito correctos) em encontros almoçantes e denunciarem publicamente a traição ao socialismo que está a ser cometida também em vosso nome?
De Luis Moreira a 14 de Março de 2011
Não é obrigatório que a alternativa seja à direita. Há gente mil vezes melhor no PS que PCP e BE não se importam de apertar a mão. Agora estar todo um país dependente de um trafulha que não tem nada para dar ao páis, é inaceitável. Os partidos têm que colocar o interesse do país como prioridade. Engulam as ambições pessoais, cedam o que é preciso ceder e avancem com uma política de interesse nacional e que comece por ser de verdade e de respeito pelos portugueses.

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