Segunda-feira, 7 de Março de 2011

Líbia. Impasse na guerra civil. Iminente intervenção militar estrangeira? por Carlos Mesquita

 

Por Carlos Mesquita

 

A pressão mediática de demonização do regime líbio é poderosa mas tem influência limitada sobre Kadhafi, nem será essa a intenção, pois o ocidente sabe que ele viveu muitos anos como pária. A campanha destina-se a alinhavar a tentação da invasão militar.

 

No artigo aqui publicado de Miguel Urbano Rodrigues, ele dizia ser militarmente desnecessária uma intervenção militar da NATO porque o regime líbio aparentemente agoniza, o busílis é o aparentemente. Pelas notícias trabalhadas que bombardeiam o ocidente aparenta isso um dia, para a realidade parecer no dia seguinte o inverso como é próprio das guerras civis. Vender a pele antes de matar o urso é uma tentação, como a da intervenção militar externa.

 

Ao contrário do sucedido na Tunísia e no Egipto onde revoltas populares derrubaram os símbolos do poder (por enquanto só isso), na Líbia não bastou a revolta nem as deserções com armas e o armamento de civis, para afastar as figuras do regime, não resultou. As forças revoltosas não têm capacidade militar operacional para derrotar Kadhafi de imediato, a anunciada ofensiva sobre Tripoli parou para pensar pois há um poder bélico intacto e poderoso a opor-se-lhes, e que ainda não actuou em força.

 

A intervenção militar estrangeira na Líbia é uma opção em estudo no Pentágono e na NATO, e se não podem invadir já o país como gostariam, devido às repercussões no mundo árabe e não só, podem rearmar e treinar os rebeldes com o apoio dos conselheiros militares habituais. Mas há quem queira iniciar a intervenção militar com a imposição de uma zona de exclusão aérea.

 

A guerra civil está num impasse, se era incerto um período pós-Kadhafi devido às tensões entre os grupos rivais da oposição, é certo, que não é para já o fim do regime na totalidade do território.

O leste líbio, cujas contradições étnico politicas, propicia um espaço de actuação dos serviços secretos ocidentais, e a instalação da Al-Qaeda, está a servir para desestabilizar o oeste líbio sob o domínio governamental.

 

Hordas de civis armados sem qualquer enquadramento ou experiência militar são lançados a partir de Benghasi. Têm sido úteis à oposição para manter a guerra civil num grau de relativa baixa intensidade. O poder militar governamental, sob uma campanha mediática internacional de estar a matar o povo, tudo fará para poupar os civis voluntariosos que foram convencidos de que derrubar Kadhafi era fácil e rápido.

Notícias de conquistas e reconquistas de posições e cidades, falsas ou verdadeiras vão ser o dia a dia enquanto o tempo passa e o impasse perdura – falta saber a que parte convém essa indefinição.

 

Pode ser que Kadhafi tenha meios para intensificar a guerra, projectando-a com a força aérea ao longo da estrada que vai até Benghasi e liga toda a zona costeira de maior interesse estratégico. Mas para além das tácticas militares, devido à cobertura mediática no terreno, a estratégia política mandará ter contenção. Uma situação sem solução a curto/médio prazo pode abrir condições para negociações, o que ainda é cedo para começar a desenhar-se.

 

Para as forças rebeldes, a instabilidade política de Kadhafi, isolado internacionalmente, sob a ameaça de uma intervenção estrangeira, devia ser tempo de se organizarem, armarem, e quando preparados ir à conquista da Tripolitânia, mas partem quase do zero. Nestas condições, uma ofensiva contra as tropas governamentais, o mais certo é ser um desastre.

 

Uns e outros, no breve prazo apenas procuram consolidar posições a oeste e a este da Líbia, numa divisão que para ser alterada causará um número enorme de vitimas.

Por outro lado, armar os grupos opositores a Kadhafi é tarefa fácil mas com resultados arriscados, a exemplo do Afeganistão. As armas ficam longe de qualquer controle, entregues a conjuntos com interesses distintos, incluindo forças islâmicas para quem o ocidente é o maior inimigo, como a Al-Qaeda.

 

Para a comunidade internacional, (leia-se; aquela que quer o derrube de Kadhafi a qualquer custo) a situação não é mais favorável. Sabem que as sanções no curto prazo são pouco mais que inúteis, que as ameaças não demovem o regime, e que não dispõem de um mandato legal da ONU para intervirem directamente no conflito. Após a guerra do Golfo isso não obstou a que Blair e Busch com o apoio francês tenham imposto duas zonas de exclusão aérea no Iraque.

 

Dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, a Rússia já disse não a qualquer intervenção militar ou criação de zonas de exclusão aérea, que é a mesma coisa. Dos membros da NATO, a Turquia fez o mesmo.

 

Enquanto Obama mandou preparar “todo o leque de opções” o ministro francês da Defesa Alain Juppé e o britânico dos Negócios Estrangeiros William Hague (o tal que “viu” Kadhafi a caminho da Venezuela) defendem a intervenção militar. São a mesma coligação que sem aprovação da ONU impôs as zonas de exclusão aérea no Iraque, antes da invasão em 2003.

 

Será que a história se vai repetir?

publicado por Luis Moreira às 13:00
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2 comentários:
De CM a 7 de Março de 2011
Notícia TSF:
- França e Reino Unido estarão já a desenhar aquilo que é o projecto de resolução das Nações Unidas que determina a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia.
- Provavelmente é um assunto para tratar na próxima reunião de ministros da Defesa da NATO, prevista para Bruxelas nas próximas 5ª e 6ª feiras.
De Luis Moreira a 7 de Março de 2011
Tudo indica que a história se vai repetir. E com Kadaffi a ganhar posições ...

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