Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

A nossa encantadora Natureza 21 – Grifo (Gyps fulvus) -. por Andreia Dias

A postura dos grifos, recorda-me as beatas, por vezes apelidadas de “ratas-de-sacristia”, que na missa, por detrás da mantilha, observam a Zeca da Fonte, que dizem ter 2 amantes e invejam o lindo casaco violeta, que ela veste propositadamente ao domingo… Distraidamente, esquecem-se dos ensinamentos da homilia…

Parecem-me umas más comadres, sempre à zaragata, por um troço de víscera. Mas não deixam de ser altivos e de impor o respeito que o seu porte ostenta.

 

 

O grifo é um abutre, e é das maiores aves que existem em Portugal. Em voo, tem uma silhueta particular e de fácil identificação. Parece corcunda…de pescoço encolhido, asas enormes, cauda curta, arredondada e aberta. É fácil observá-lo a pairar e a voar em círculos, bem alto, à procura de cadáveres. Como se entrassem à vez, num carrossel de onde nunca mais saissem… entram e apanham uma corrente térmica ascendente. É um espectáculo vê-los a subir, subir… até quase tocarem as estrelas… e sem praticamente mexerem as asas, onde os “dedos” são bem visíveis.

 

Habitualmente vive em grupos (é gregário) e estabelece grandes colónias (até 200 casais). Pode confundir-se com o abutre-preto, que por vezes se associa aos grupos.

 

Alimenta-se quase exclusivamente de carne morta. Nos últimos anos, tem-se assistido ao registo de observações de abutres a alimentarem-se de presas vivas. Na realidade, isso só acontece se a presa estiver doente ou debilitada e são raros os casos.

 

São uns verdadeiros desengonçados a caminhar… as suas patas são bastante débeis, uma vez que não são usadas para apreender as presas, como as outras aves de rapina.

 

Os ninhos, construídos com paus e ervas, situam-se em plataformas ou fendas rochosas. Põem apenas 1 ovo (branco) por época reprodutiva. A cria realiza o primeiro voo entre os 110 – 115 dias.

 

Medem entre 95-110cm de altura e 225-290 cm de envergadura e pesam entre 6,5 a 11 kg.

 

O número de grifos tem vindo a crescer desde a década de 1980. No entanto, a crise das vacas loucas, levou a que normas da União Europeia proibissem o abandono de gado morto no campo. Deste modo, o alimento disponível para as aves necrófagas diminuiu. É indiscutível o importante papel sanitário que os abutres desempenham no ambiente.

 

Em Portugal, os grifos estão presente ao longo de todo o ano e podem ser observados, principalmente nas zonas fronteiriças. Os melhores locais para observação, situam-se nos Parques Naturais do Douro Internacional e Tejo Internacional (que possuem colónias reprodutoras) e em alguns pontos da Beira Baixa e Baixo Alentejo.

A principal ameaça a esta espécie (e outras aves necrófagas), é o uso ilegal de venenos.

 

Os venenos são (ainda) utilizados para a eliminação de animais considerados nocivos. Os predadores das espécies cinegéticas, são o principal alvo a atingir. As raposas, os lobos-ibéricos, os saca-rabos, cães e gatos assilvestrados, aves de rapina e abutres, morrem todos os anos envenenados. Por vezes, o veneno é também usado em consequência de conflitos entre pessoas. O seu uso com este fim, está completamente proibido pelas leis nacionais e europeias e é uma prática completamente irresponsável com consequências graves para a Saúde Pública e para o meio ambiente.

 

Os iscos envenenados podem destinar-se a uma única espécie, mas como não são selectivos, uma enormidade de animais morrem em consequência. O caso de envenenamento secundário é constante, ou seja, um animal morre envenenado, é comido por outro e morrem uma série deles por “efeito dominó”. Nesta cadeia de envenenamento, já assistí ao desespero de caçadores perante a morte de cães de estima… o envenenamento constitui uma importante causa na diminuição e mesmo extinção de populações de animais.

 

À semelhança de Espanha, existe em Portugal o “Programa Antídoto” (www.antidoto-portugal.org) que procura combater o uso ilegal de venenos.

 

Curiosidades: Os adultos e os jovens, podem distinguir-se pelo colar ou gola de penas que é branca nos adultos e castanha-clara nos jovens.

 

 

publicado por Carlos Loures às 19:00
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4 comentários:
De Luis Moreira a 17 de Fevereiro de 2011
São estas "belezas" que planam sobre o Tejo em Vila Velha de Ródão? Sempre "à cata" de comida sem fazer nenhum.É bem verdade que devem saber a vida de toda a gente, a ver se estão no sítio certo, quando a coisa der para o torto..bonito texto Andreia, tens muitos seguidores aqui pelo estrolabio...
De adão ctuz a 17 de Fevereiro de 2011
Cada texto teu é um voo de liberdade pelos campos fora, e uma espécie de absolvição em relação ao pecado de não termos coragem de fugir desta prisão das ruas urbanas. Um beijinho
De augusta clara a 17 de Fevereiro de 2011
Aves de grande porte, aquelas de que eu mais gosto. Quem me der transformar numa e partir ao sabor dos ventos. E tu cada vez escreves melhor.
De Andreia Dias a 18 de Fevereiro de 2011
Muito obrigada aos três...
Luís, Vila Velha de Ródão é um excelente local para se ver estas criaturas... e outras bem interessantes também!

Um beijinho!

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