Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

Ser lúcido, às vezes, é mau para a saúde – por Carlos Loures

Estar à frente do seu tempo, dizer verdades que não são consensuais, tentar iluminar cabeças que preferem a escuridão, ter ideias inteligentes que fazem perigar negócios que vivem da ignorância, é muito mau para a saúde. Em 17 de Fevereiro de 1600  no Campo de Fiori em Roma um homem de 52 anos morria numa fogueira, com uma tábua com pregos posta sobre a língua para que não pudesse falar.. Assassino? Ladrão? -  Não, um sábio – um teólogo, um filósofo. O seu crime? - Explicar o mundo de uma forma que a Igreja romana não aceitava. Chamava-se Giordano Bruno.  Também o conheciam sob o nome de Bruno de Nola ou simplesmente Nolano, por ter nascido em Nola (em 1548).    A Congregação da Sacra, Romana e Universal Inquisição do Santo Ofício executava-o pelo crime de heresia. Ou seja, não respeitou o “religiosamente correcto”.

 

Todos sabem quem foi Giordano Bruno e quem não souber faça o favor de recorrer a uma enciclopédia ou á net -  onde há muito lixo, mas também textos admiráveis e esclarecedores. Vou saltar pormenores biográficos. Com dezoito anos entrou na Ordem de São Domingos e estudou a fundo Aristóteles e São Tomás de Aquino. Obteve o grau de doutor.  Quem aprofunda de tal maneira uma estrutura teológica, não pode aceitar tautologias infantis como a da Santíssima Trindade. A maior parte dos teólogos contorna essas questões – Giordano pôs a nu a fragilidade do axioma. Acusado de heresia, em 1576 despiu o hábito branco e viajou pela Europa.

 

Por esses tempos, os escritos de Erasmo de Roterdão abriam horizontes, rasgavam amplas janelas   na densa muralha da filosofia escolástica. Um cosmos infinito era uma visão mais aceitável do que a teoria aristotélica e do que o heliocentrismo coperniciano.    Um ponto-chave de sua cosmologia era a tese de um universo infinito e povoado por uma infinidade de estrelas, sendo deus a alma universal desse mundo. Bruno postulou  a crença no extraordinário poder do homem, contrariando a visão que sobre a humanidade a igreja de Roma defendia – seres à inteira mercê de um deus todo poderoso - foi esta visão do universo e de deus que Bruno adoptou, influenciando filósofos como Espinoza e  pensadores como Leibniz.

    

Denunciado ao Santo Ofício, foi preso em Veneza em Maio de 1592.  Reafirmando nos interrogatórios as suas convicções, foi condenado a morrer na fogueira. No dia 8 de Fevereiro de 1600, forçado a ajoelhar-se para escutar a condenação, proferiu a célebre frase  Maiori forsan cum timore sententiam in me fertis quam ego accipiam – Talvez seja maior o vosso temor ao ditar esta sentença do que o meu ao escutá-la.

    

No dia 17 de Fevereiro  a sentença foi cumprida.                         

 

  

 

 

 

publicado por Carlos Loures às 13:22
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