Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

Vais ser pobre toda a vida, decidiu o estado!

Uma das questões mais bizarras cá no burgo é o facto de andarmos sempre a gritar pelos direitos, a descer a avenida, mas quando se trata dos direitos dos cidadãos, das famílias, os mesmos que exigem tudo e mais alguma coisa, as corporações de interesses, são os primeiros a negá-los.

 

Eu quero que o meu filho vá para uma boa escola. Não pode, tem que ir para a escola lá do bairro que é muito má, mas é a que tem, se quiser ir para uma boa escola , pague, como faz o seu vizinho rico do 5º andar. Mas eu não sou rico, então está resolvido, o seu filho vai permanecer no escalão social em que nasceu e o filho do vizinho vai viver no escalão social onde nasceu. Não há oportunidades iguais para todos.

 

Eu quero ser tratado num bom hospital mas tenho que ir para o hospital que me coube por má sorte, manhoso, já lá estive, infelizmente, muito mau. Pois é , muito mau mas se quiser outro pague um seguro e vá à CUF, vai ver que enquanto o limite do crédito pagar os tratamentos vocâ vai ser um rei, quando acabar vai para o tal que é muito mau.

 

E, se eu precisar de apoio social ou a minha família? Vá lá ao bairro, é mau mas é melhor que nada. Mas o meu vizinho conseguiu meter os pais numa boa associação, eu não posso? Não, o seu vizinho que é rico tem uma casa na linha e  lá os lares são óptimos, deu o endereço de lá, você é que não, só se for para o"Domus" dos Mellos, 100 mil euros à cabeça e 2 mil euros/mês. Não tem? Vai para o mauzinho do bairro.

 

É, assim, que os estatistas que se dizem de esquerda (tão conservadores como os da extrema direita) vêm a igualdade de oportunidades. Vão enterrando os mais pobres, ainda em vida. Então, e se eu avançar com um bom lar, onde trato bem as pessoas, todos nos conhecemos, está ali mesmo à porta, o utente paga o mesmo ou menos que nos lares do governo? Poder, pode, mas já sabe o seu lar é para ricos, o pobre não pode escolher.

 

É, fácil, perceber que esta filosofia leva a que os maus hospitais, os maus lares, as más escolas não têm razão nenhuma para melhorarem. Serão sempre maus e estarão sempre cheios de pobres que não lhes podem fugir.

 

" Não se trata de financiar colégios privados ou escolas públicas, mas sim do direito à educação" diz Passos Coelho. Trata-se de quê?

 

" De saber se as pessoas que precisam de aceder a serviços de educação, têm ou não têm um bom serviço. Se é prestado por instituições do estado, escolas públicas, excelente. Se as pessoas preferem uma escola privada, que não sai mais cara e é igualmente boa, ou melhor que a escola pública, que o façam. Não se trata de financiar colégios privados ou escolas públicas, mas sim do direito à educação e é isto que tem que ser avaliado: na educação, na saúde, no apoio social. Conclusão: temos de mudar a filosofia com que olhamos a sociedade" diz Passos Coelho.

 

Há alguém mais conservador que os que apoiam a existência de más escolas, maus hospitais e maus lares? Que contribuem para que os pobres frequentem más escolas, maus hospitais e vejam os pais em maus lares? Não há! Negam aos pobres o direito de escolha, o direito de ter as mesmas oportunidades dos ricos, o direito de ascender socialmente que, note-se, se consegue frequentando boas escolas, furtando-se ao pobre e mau ambiente em que nasceram. E, as empresas públicas que pagam muito acima de todas as outras empresas? Estão cheias de filhos de família!

 

O Estado decidiu, está decidido, vais ser pobre para toda a vida! E há quem concorde ! De esquerda!

publicado por Luis Moreira às 13:02
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4 comentários:
De Julio Rodrigues a 10 de Fevereiro de 2011
Não se percebe nada, que complicação!
De Luis Moreira a 10 de Fevereiro de 2011
Júlio, se não percebe o problema deve ser seu. É muito claro o que está no texto. Os pobres devem ter as mesmas oportunidades dos ricos.
De Carlos Mesquita a 10 de Fevereiro de 2011
O Julio não percebeu a história dos pobres? Olhe Julio; no colégio Santa Isabel em Coimbra - apenas 5 dos 422 alunos são carenciados. É a pobreza de espirito (santo).

Também gostei desse Serviço Nacional de Saúde tipo CUFAS, e do Coelho que finalmente saiu da cartola, e logo para dar a cada idoso 100 mil euros e mais 2.000 por mês para o Lar. Razão tem o Louçã em adiantar-se ao Jerónimo anunciando o milagreiro; vai ser uma Sagrada Família ainda mais eleborada que a do Gaudi.
De Luis Moreira a 11 de Fevereiro de 2011
Essas coisas nada têm a ver com o principio. Se a prática está distorcida deve ser corrigida. A mim interessa-me o principio da livre escolha.

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