Sexta-feira, 8 de Julho de 2011
Sempre Galiza! – wiki-faq AGAL (19) : Movimento reintegracionista - A comunidade reintegracionista

 

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

 

 

wiki-faq do reintegracionismo

( http://agal-gz.org/faq/ )

 



Movimento reintegracionista

A comunidade reintegracionista


A comunidade reintegracionista

A comunidade reintegracionista é umha parte pequena mas muito ativa da comunidade galecófona, polo qual é muito difícil enumerá-la na sua totalidade. Porém esperamos sermos bastante abrangentes.

Centros sociais

Os centros sociais som espaços físicos autogeridos situados nas principais cidades e vilas galegas que servem para acolher as atividades e propostas do movimento associativo vinculado a eles. Som lugar de reuniom, formaçom, convivência e lazer onde a vida decorre ao 100% em galego. Cada centro social tem as suas caraterísticas e particularidades, respondendo em cada caso às necessidades determinadas pola cidade em que estám situados. Há centros sociais independentistas, anarquistas, ocupados… mas em todos eles o reintegracionismo está presente em maior ou menor medida.

 

Bertamiráns       Boiro       Compostela
A Fouce   Aturujo       A Gentalha do Pichel       Henriqueta Outeiro    
             
Corunha   Estrada
    A Casa das Atochas   Atreu   Gomes Gaioso   Setestrelo
             
Ferrol    Ginzo     Lugo   Marim  
Artábria   Aguilhoar   Mádia Leva   Almuinha
             
Noia    Ourense    Ponte Areias    Pontevedra 
    Roi Soga de Lobeira           A Esmorga       Baiuca Vermelha   Reviravolta
             
    Vigo     
    Faísca   A Revolta    

Cultura

Associaçons culturais

Língua

Música

Editoras

Atraves Editora Editora Estaleiro
Editora Abrente
Editora A Fenda Edições da Galiza

Desporto

Activismo sociopolítico

Organizaçons políticas

Organizaçons juvenis

  • AMI Assembleia da Mocidade Independentista

Direitos Civis

Internacionalismo

Feminismo

Diversidade sexual

Ensino

Associaçons de maes e pais

Comunicaçom e opiniom

Meios de comunicaçom social

Blogues reintegracionistas



publicado por Pedro Godinho às 10:00
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Sexta-feira, 1 de Julho de 2011
Sempre Galiza! – wiki-faq AGAL (18) : Movimento reintegracionista - Que é a AGAL?

 

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

 

wiki-faq do reintegracionismo

( http://agal-gz.org/faq/ )

 



Movimento reintegracionista

Que é a AGAL?

A Associaçom Galega da Língua (AGAL) é umha entidade sem ánimo lucrativo constituída em 1981 na Galiza para defender:

  • Umha estratégia reintegracionista para a língua da Galiza (a visom e a vivência da mesma como umha variedade do sistema lingüístico galego-português.
  • A sua plena normalizaçom lingüística.

Em 1983, a sua Comissom Lingüística editou um estudo crítico das normas ortográficas e morfológicas do idioma galego. Em 1989, a segunda ediçom, corrigida e acrescentada, incluía a proposta normativa da Agal

 

Para levar a cabo a sua missom, tem utilizado diferentes formatos:
Portada do Sempre em Galiza, editado recentemente pola editora da AGAL. Mais informaçom clicando na imagem.
 

Que atividades tem feito a AGAL no passado?

A Comissom Linguística da Agal elaborou um estudo crítico das NOMIGA e posteriormente elaborou a sua própria proposta normativa (ortografia e morfologia gerais) para a nossa língua que em 2010 foi adatada seguindo diretrizes do Acordo ortográfico.

 

A Agal organizou entre 1984 e 1996 seis congressos da língua galego-portuguesa na Galiza bem como numerosos seminários, jornadas e simpósios.

 

Em 1985 nasce a Agália, revista de ciências sociais e humanidades que alcançou recentemente o número 100.

Até à apariçom do novo selo da associaçom, Através editora, fôrom publicados 50 livros em diferentes coleçons (Universália, Criaçom, Clássicos).

Em 2001 nasce o Portal Galego da Língua, sítio na rede da atualidade da língua na Galiza, e que para além de umha fecunda secçom informativa conta com vários sites formativos.

 

Que atividades realiza a AGAL na atualidade?

O atual conselho, eleito em junho de 2009, promove umha estratégia dupla:

Como se organiza a AGAL?

A direçom e a administraçom da Associaçom som exercidas polo Presidência, polo Conselho (= Junta Diretiva) e pola Assembleia Geral.

 

A Presidência é designada pola Assembleia Geral e o seu mandato durará quatro anos, renovável por outro de quatro anos. O Conselho está formado pola Presidência, a Vice-Presidência, a Secretária e a Tesouraria bem como um mínimo de três vocais.

 

Na estrutura organizativa da Associaçom também se integram, como órgaos de carácter ténico, a Comissom Lingüística, a Comissom de Informática e a Comissom de Publicaçons.

Qual é a atual diretiva da AGAL?

 Atual conselho da AGAL

O dia 6 de maio de 2009 decorrêrom as eleiçons para o conselho da AGAL havendo umha única candidatura encabeçada por Valentim R. Fagim com umha equipa formada por Miguel R. Penas (vice-presidência), Eugénio Outeiro (Secretaria), Manuel César Vila (Tesouraria), Gerardo Uz (Vogal), Jéssica Beiroa (Vogal)e Suso Sanmartim (Vogal). O programa da candidatura foi disponibilizado on-line. Ao existir umha única candidatura era preciso atingir 2/3 dos votos, quota que se atingiu.

Que sites tem a AGAL?

Os sites da Agal por ordem cronológica som:

 

2001: Portal Galego da Língua

 

2005: Dicionário e-estraviz

 

2005: Planeta NH (Desativado para o público geral o 2 de Abril de 2011)

 

2005 Blogues

 

2008 Foros (Fôrom desativados o 31 de Dezembro de 2010).

 

2010 Loja imperdível

 

2011 Wiki-faq da Agal e do reintegracionismo

Que relaçom tem a AGAL com outros coletivos galegos que promovem a mesma estratégia para a língua?

O reintegracionismo é um movimento multilinear em que caibam grande pluralidade de filosofias e práticas, desde culturais até sóciopolíticas. Nesse quadro amplo, a AGAL tem como missom a difusom do reintegracionismo e normalizaçom lingüística.

 

A AGAL mantém relaçons fluídas com todas as associaçons e entidades reintegracionistas sendo muitos dos seus promotores e promotoras, por sua vez, associados e associadas da Agal. Cada entidade reintegracionista tem diferentes ámbitos de atuaçom quer geograficamente: internacional, nacional e local, quer setorialmente: cultural, académico, partidário, comunicaçom…

Que relaçom tem a AGAL com outras entidades galegas?

A AGAL é a associaçom que aglutina as pessoas partidárias de construir o galego moderno tendo em conta o português. Conseqüentemente, promove que a nossa língua seja codificada seguindo a tradiçom gráfica galego-portuguesa. Porém, ainda que seja considerada a associaçom mais importante desta tendência cultural, a AGAL fai parte de um movimento muito mais amplo, conhecido como Reintegracionismo, que estende a sua influência a entidades sociais de todo o tipo, nom exclusivamente lingüístico-culturais.

 

Assim, desde organizaçons políticas, feministas e ambientalistas até coletivos musicais e desportivos integram umha ampla rede social que nom está dirigida por nengumha associaçom lingüística.

 

O Reintegracionismo é neste sentido multilinear, umha vez que nom se limita a umha proposta ortográfica, mas a umha conceçom do País que é assumida em diferentes graus por umha boa parte dos coletivos galegos de base nom dependentes das instituiçons. Com todos estes coletivos, a AGAL mantém umha relaçom mui íntima, de apoio e assessoramento lingüístico e para facilitar a troca cultural com outros países lusófonos.

 

Ainda, a AGAL pretende ser um ponto estável para o diálogo com outras entidades nom afins ao Reintegracionismo e até contrárias a ele, permitindo-lhes informarem-se quanto à nossa proposta cultural sempre que o desejarem. A intençom da AGAL é manter um relacionamento fluído com todas aquelas entidades galegas que tenhem como guia melhorar a qualidade de vida da cidadania galega. Neste sentido temos as nossas portas abertas a qualquer entidade e regularmente tentamos de abrir canais de contacto com o tecido social da Galiza.

Como associar-se à AGAL?

A forma mais ágil para se associar é através do nosso site Na ficha som requeridos umha série de dados pessoais e o tipo e quantia da quota. Outra hipótese é imprimir a folha de inscriçom e enviá-la para algum dos nossos apartados de correios.
 
 

Que é a revista AGALIA? Como a podo adquirir?

Capa do número 61 da Agalia

 

A revista Agália é umha publicaçom científica da Associaçom Galega da Língua que vê a luz trimestralmente desde a primavera de 1985.


Nas suas páginas aparecem trabalhos relativos às áreas mais diversas do conhecimento e a cultura: Filologia e Lingüística, Economia, Filosofia, História, Literatura, etc.

 
 
 
 
Entre os colaboradores que aparecem nos diversos números da revista figuram os mais variados nomes da cultura galega, como: Isaac Alonso Estraviz, Avilês de Taramancos, Xosé Manuel Beiras Torrado, Ricardo Carvalho Calero, Miguel Anjo Fernám-Velho, Pilar Garcia Negro, Joel R. Gômez, Ernesto Guerra da Cal, João Guisan Seixas, Cláudio Lôpez Garrido, Ramom Lôpez-Suevos, Manuel Lourenço, Jenaro Marinhas del Valle, X. Pisón, Maria Xosé Queizán, Carlos Quiroga, Francisco Salinas Portugal, Elvira Souto… e internacional, como: J. L. Álvarez Enparantza «Txillardegi», Lluis V. Aracil, Leodegário A. de Azevedo Filho, Joan Coromines, Eugenio Coseriu, Sílvio Elia, Pires Laranjeira ou Toni Mollà.


Pode-se adquirir na rede de livrarias da Galiza, na nossa loja on line ou tornar-se assinante através do nosso site

 

 



publicado por Pedro Godinho às 10:00
editado por João Machado às 01:31
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Sexta-feira, 24 de Junho de 2011
Sempre Galiza! – wiki-faq AGAL (17) : Movimento reintegracionista - Perspectiva histórica

 

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

 

 

wiki-faq do reintegracionismo

( http://agal-gz.org/faq/ )

 



Movimento reintegracionista

Perspectiva histórica


Quem foi o primeiro reintegracionista. Quando aparece o reintegracionismo?

O reintegracionismo tal e como hoje o entendemos nasce entre finais dos anos 70 e princípios dos 80, com a consolidaçom de umha prática ortográfica para o galego convergente com a do português.

 

Nessa altura, para a consolidaçom dessa prática, tivo grande importáncia um grupo de sacerdotes galegos residentes em Itália que assinárom um texto conhecido como o Manifesto dos 13 de Roma. Porém, nesta primeira etapa da prática reintegracionista moderna também fôrom fundamentais figuras já falecidas como Carvalho Calero, Jenaro Marinhas del Valle, Paz Andrade, Rodrigues Lapa ou Guerra da Cal.

 

 

Nom obstante, a vontade do Reintegracionismo moderno de construir o galego tendo em conta o português perde-se na história do galeguismo. De facto, pode afirmar-se que essa vontade existe desde o momento mesmo que nasce um movimento cujo objetivo é usar e dignificar o galego, existindo inúmeras citaçons de galeguistas históricos que provam isto.

 

O reintegracionismo nom é umha tendência dos últimos anos?

O reintegracionismo é só relativamente moderno.

 

Como movimento organizado nasce em 1981, com a fundaçom da Associaçom Galega da Língua (AGAL) e populariza-se em 1983, com a publicaçom do Estudo Crítico das Normas Ortográficas e Morfológicas do Idioma Galego (ILG-RAG). Porém, como tendência perde-se na história do galeguismo.


Som numerosos os estudos de várias disciplinas humanísticas que demonstram que a filosofia reintegracionista, isto é, aquela que propugna que o português deve ter-se em conta para construir o galego moderno, acompanhou o programa galeguista desde o momento mesmo em que este nasceu.

 

Em geral, pode mesmo dizer-se que nos momentos da história em que o galeguismo/nacionalismo gozou de mais força, também a filosofia reintegracionista chegou a influenciar mais o programa cultural do mesmo. O momento culminante desta intimidade produziu-se com a Geraçom Nós.

 

O reintegracionismo nom é recuar na história?

É antigo e moderno ao mesmo tempo.

 

Nom se pode negar que, atrás do reintegracionismo, existe certa vontade de restaurar umha unidade ideal perdida há muitos séculos. Umha vez que a situaçom do galego é fraca na atualidade, o reintegracionismo pretende considerar toda a história da nossa língua e nom apenas recuar a aquela parte em que o galego já se encontrava em situaçom de minorizaçom. Dito de outro modo, o reintegracionismo encontra na Idade Média, o período em que o galego foi língua nacional de cultura, um modelo para a construçom do galego moderno tam válido como o do século XIX e XX.

 

Ora, o reintegracionismo é sobre todo um projeto de futuro. Usando como modelo as variantes da língua que nom ficárom subordinadas ao castelhano, e que se espalhárom amplamente polo mundo, propom um modelo de língua ao mesmo tempo alicerçado na tradiçom medieval e inserido na Lusofonia.De facto, se nom existisse a Lusofonia, talvez nom valesse a pena sermos reintegracionistas, porque a razom fundamental do nosso modelo de língua é que ele goza de grande saúde na atualidade.

 

Reintegracionistas históricos?

O reintegracionismo moderno assenta a sua prática no programa lingüístico-cultural do galeguismo, nomeadamente dos intelectuais mais conhecidos deste movimento: Manuel Murguia, Vicente Risco, Vilar Ponte, Castelao, Joám Vicente Biqueira.

 

Porém, quando a finais dos anos 70 se iniciou o debate que deu origem às duas práticas ortográficas atuais (a de tradiçom castelhana e a de tradiçom galego-portuguesa) só alguns daqueles membros do velho galeguismo continuavam com vida. Alguns, como Jenaro Marinhas del Valle, Carvalho Calero, Valentim Paz Adrade ou Guerra da Cal passárom a ser, para além de galeguistas históricos, reintegracionistas históricos, tendo defendido com paixom a prática reintegracionista.

 

Uns e outros deixárom inúmeras citaçons sobre esta questom.

 

 

 

Castelao reintegracionista?

Castelao nom se definia como reintegracionista porque este movimento, com esse nome, só nasceu nos fins do decénio de 1970. Porém, ele, como galeguista em geral e membro da Geraçom Nós em particular, era firmemente partidário de avançar em direçom à confluência normativa com o português. O seu livro Sempre em Galiza, pode considerar-se, de facto, umha das obras de referência do Reintegracionismo ao longo da história, com contínuas alusons à unidade da língua.

 

Porém, para Castelao, a unidade do galego-português devia ter conseqüências práticas, como expressou numha conhecida carta ao historiador espanhol Sánchez Albornoz:

 

Yo deseo que en Galicia se hable tan bien el gallego como el castellano y el castellano tan bien como el gallego. Deseo además que el gallego se acerque y confunda con el portugués, de modo que tuviésemos así dos idiomas extensos y útiles.


Escreviam em reintegrado os galeguistas de pré-guerra?

O reintegrado, entendido como hoje o entendemos, nom existia no pré-guerra.

 

Convém deter-se nisto, porque tem dado lugar a discursos que assentam em meias verdades. No pré-guerra nom havia reintegracionistas como tampouco havia isolacionistas. Quer dizer, ainda que houvesse autores que chegassem a utilizar umha ortografia mui próxima à lusista atual (Joám Vicente Biqueira é o mais conhecido) e pessoas mais empenhadas na convergência cultural e lingüística galego-portuguesa, nom se pode dizer que estas pessoas propugnassem umha linha de atuaçom diferente da do resto do galeguismo.

 

De facto, em geral, pode afirmar-se que no galeguismo havia um grande consenso em relaçom à necessidade de avançar na direçom proposta por estes 'precursores' do lusismo moderno. A razom pola qual nom se chegárom a dar passos ortográficos definitivos neste sentido foi que na altura o galego nom era ensinado nas escolas e nom se podia aspirar a escrever o galego seguindo critérios ortográficos diferentes aos conhecidos polo conjunto da populaçom: os do espanhol.

 

Com o fim do regime franquista e a chegada do galego ao ensino, os desejos do galeguismo de pré-guerra tornárom-se propostas práticas, mas umha grande parte dos novos galeguistas que medrárom ao abrigo do grupo Galaxia já renunciárom àquela aspiraçom da Geraçom Nós, e a convergência ortográfica frustrou-se.

 

Para saber mais



publicado por Pedro Godinho às 11:00
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Sexta-feira, 17 de Junho de 2011
Sempre Galiza! – wiki-faq AGAL (16) : Questões linguísticas – Normas

 

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

 

 

wiki-faq do reintegracionismo

( http://agal-gz.org/faq/ )

 



Normas

Que é a norma ILG-RAG?

Trata-se de umha normativa ortográfica e morfológica elaborada polo Instituto da Língua Galega (ILG), e aprovada pola Real Academia Galega (RAG) , que tem sido utilizada pola administraçom autonómica galega desde o ano 1982.

 

A norma ILG-RAG é a plasmaçom gráfica e morfológica do postulado que defende que o galego e o português som línguas diferentes por elaboraçom e devem possuir portanto códigos divergentes. Ainda que os seus defensores nom neguem a unidade estritamente lingüística dos falares a norte e a sul do Minho, consideram que desde o século XIX os utentes do galego escrito começárom um processo de elaboraçom do código afastado do português.

 

O resultado deste processo refletiria-se nas normas ILG-RAG. O texto das normas foi redigido polo ILG e assumido pola RAG depois de grandes controvérsias com o reintegracionismo, que defendia que o português devia ser tido em conta. De facto, a maior parte do texto das normas foi dedicado a justificar aquelas decisons mais polémicas em relaçom a este debate.

 

Com a chegada de Alianza Popular ao poder, através do conhecido Decreto Filgueira (em referência ao seu redator Filgueira Valverde), estas normas vinhérom a substituir as anteriores de Carvalho Calero aprovadas polo Junta pré-autonómica para o ensino e a Administraçom, acentuando-se a chamada “guerra normativa”.

 

 

Que é a norma AGAL?

A norma da AGAL é umha proposta para escrever as falas galegas utilizando a ortografia portuguesa.

 

Após a institucionalizaçom das normas ILG-RAG em 1982, a Comissom Lingüística da associaçom promotora elaborou nesse mesmo ano umha proposta que, sem convergir completamente com o português, pretendia dar um passo definitivo no sentido de integrar as falas galegas no ámbito da Lusofonia. O facto de ser umha proposta muito aberta, que dava opçom a escolher diferentes formas do galego falado e ainda a ser aplicada com diferentes ritmos (mesmo sem conhecimento do português), facilitou que fosse adotada por numerosos coletivos para além dos, até entom, estritamente lingüísticos.

 

Neste sentido, pode-se dizer que com ela nasce a prática reintegracionista contemporánea.

 

 

Em que se diferencia a norma AGAL das usadas no Brasil e em Portugal?

A norma da AGAL é a norma utilizada para representar a variedade galega da língua portuguesa. A nossa língua tem desenvolvido particularidades diferentes em cada um dos territórios em que é falada, e muitas dessas particularidades refletem-se em cada umha das normas escolhidas para a representar. Por isso, diferentes aspetos morfológicos, lexicais e mesmo ortográficos podem divergir de umha norma para outra.

 

Em termos gerais, as principais diferenças entre a norma da AGAL e as de outros territórios encontram-se na morfologia verbal, nas terminaçons -om e -ám face à maioritária na lusofonia -ão e no léxico. Eis mais alguns exemplos das diferenças mencionadas:

 

GALIZA

PORTUGAL E BRASIL

polo, pola

pelo, pela

umha

uma

figem, dixem, comim

fiz, disse, comi

fijo, pujo

fez, pôs

irmá, maçá

irmã, maçã

 

Quais som as diferenças entre os padrons lusitano e brasileiro?

Cada território em que a nossa língua é falada tem umhas particularidades e caraterísticas próprias que som refletidas principalmente na oralidade. Nom é esta umha afirmaçom que surpreenda ninguém, e muito menos pessoas que estám habituadas a ouvir e identificar o espanhol de Valhadolid, Sevilha, México ou Buenos Aires.

 

No caso do português, e com um mínimo contacto que tivermos com as suas variantes dialetais, acontecerá o mesmo. As principais diferenças entre a variedade portuguesa e brasileira som, na atualidade, a colocaçom do pronome (amo-te vs te amo), o pronome tu (ausente no Brasil) e, muito especialmente, lexicais.

 

Ora bem, quanto à escrita, as particularidades de cada variante vírom-se muito reduzidas após a aprovaçom do Acordo Ortográfico de 90, que unificou quase totalmente a grafia dos “grupos cultos” (objectivo > objetivo, accionar > acionar…), o uso do traço (infra-estrutura > infraestrutura) ou do trema, que desaparece na ortografia atual.

 

 

Quais som os países de língua oficial portuguesa e como escrevem?

Para além da Galiza, onde foi oficializada umha variante do português com ortografia espanhola, os países de língua oficial portuguesa som, na atualidade: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

 

Até a aprovaçom do AO de 90, em relaçom à escrita, havia dous grandes blocos: por um lado, o Brasil, e por outro, todos os demais países Lusófonos, que seguiam a prática gráfica de Portugal.

 

Superficialmente, o AO implicou umha aproximaçom à prática ortográfica do Brasil, o mais potente país de língua portuguesa nos dias de hoje.

 

 

Nom será melhor que a gente fale galego e depois já vemos o da norma?

Felizmente, antes de haver normas as pessoas já falavam. No momento de instaurar qualquer norma para qualquer área, o ideal é que a escolha seja feita atendendo a critérios de eficácia. No caso da norma para o idioma galego nom foi assim, e foi um jogo de forças políticas o que decidiu o atual código utilizado na administraçom pública e por todas as entidades dependentes dela, caso do mundo cultural.

 

Neste contexto atual, nom parece mui eficaz negar mutuamente a legitimidade das duas estratégias e sim o seria aproveitar ao máximo ambas. Trataria-se de caminhar em direçom a um binormativismo que permita somar esforços e a satisfaçom de os valedores/as de cada estratégia.

 

 

O reintegracionismo é só umha maneira de fazer o galego mais diferente do espanhol?

O reintegracionismo defende um modelo lingüístico que vincule as nossas falas aos outros ‘galegos’ do mundo.

 

Isto tem várias conseqüências: umha delas, talvez a mais visível, é a mudança dos hábitos ortográficos que até agora nos vinculam ao espanhol:

 

ESPANHOL:

Las luces brillaban en el horizonte sin apagarse ni por un segundo.

GALEGO ILG-RAG:

As luces brillaban no horizonte sen apagarse nin por un segundo.

PORTUGUÊS E GALEGO REINTEGRADO:

As luzes brilhavam no horizonte sem se apagarem nem por um segundo.

 

Portanto, é inegável que o reintegracionismo torna o aspeto do galego mais diferente do espanhol, mas nom é verdade que seja essa a intençom do nosso movimento. O nosso desejo é, sobre qualquer outra intençom, confluir com a tradiçom gráfica das outras variedades do galego no mundo. Se fosse doutro modo, poderíamos simplesmente ter optado por umha ortografia diferente:

  • As luses briljavan n'horiçonte sin s'apagharen nen por un seghundo.
  • ασ λυζεσ βρηλάβαμ νο οριζομτε σεμ σε απαγαρεμ νεμ πορ υμ σεγυμδο.
  • Ас лузэс брильабам норизомтэ сэм сэ апагарэм нэм пор ум сэгумдо.


publicado por Pedro Godinho às 11:00
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Sexta-feira, 10 de Junho de 2011
Sempre Galiza! – wiki-faq AGAL (15) : Questões linguísticas – Normas

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

 

 

wiki-faq do reintegracionismo

( http://agal-gz.org/faq/ )

 



Normas

 

Que é a Reforma de 2003?

É o nome popular que recebe a reforma das Normas Ortográficas e Morfolóxicas do Idioma Galego (ILG-RAG) de 2003. Em termos sociais, significou a anulaçom da dissidência normativa que promoviam as agrupaçons culturais e sociopolíticas vinculadas ao Bloco Nacionalista Galego.


No mundo lusista, a reforma é considerada insuficiente. De facto, para além de admitir a prioridade de formas já antes consideradas válidas (terminaçom -bel, todos os, comer o caldo, contraçom ao…), a reforma de 2003 trouxo poucos avanços. O mais significativo, sem dúvida, é a obrigatoriedade da terminaçom -zo, -za em palavras como espazo e presenza. Porém, num malabarismo difícil de compreender, o topónimo Galiza foi retirado dessa lista, o qual frustrou as expetativas das bases do próprio mundo político que impulsionou a reforma, onde o vocábulo Galiza tem grande simbolismo. Posteriormente, alguns académicos admitírom que a razom para tal era política.


A partir de 2003, já só o reintegracionismo difere da posiçom institucional quanto à filiaçom da língua, mas, em contrapartida, goza de umha notável projeçom social, marginal até há pouco.

 


Que é o Acordo de Rio?

O chamado Acordo de Rio [de Janeiro], do ano 1986, foi a tentativa de unificaçom ortográfica entre os países de língua oficial portuguesa imediatamente anterior ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO de 90). Nele, como posteriormente no AO de 90, participou umha delegaçom de observadores galega.


No texto do mesmo operavam-se profundas modificaçons, nomeadamente no que di respeito à acentuaçom, e isso provocou que fosse amplamente rejeitado nalguns países, designadamente em Portugal. Foi esta rejeiçom o que provocou que se avançasse para um outro acordo: o já referido de Lisboa de 1990.

 


Que é o AO de 90?

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO de 90) é um tratado internacional em que participárom todos os países lusófonos, incluída umha delegaçom de observadores da Galiza, cujo objetivo é a simplificaçom da ortografia do português.


Ainda que com resistências, já está a ser aplicado em todos os países participantes, incluída a Galiza, onde tanto os utentes da norma da AGAL como do padrom lusitano, já começárom a implementar as modificaçons propostas no AO.


Estas afetam, por exemplo, a acentuaçom, o traço e as maiúsculas. Porém, a alteraçom mais visível é sem dúvida a supressom dos chamados grupos cultos <cc>, <ct> e <cp> nas palavras em que estes nom eram articulados nas pronúncias cultas (ou tradicionais no caso galego) de nengum dos países lusófonos: projeto (por projecto), atividade (por actividade), etc.


Espera-se que ao longo da década de 2010 as alteraçons do novo acordo já estejam a ser usadas por todos os meios de comunicaçom e centros de ensino lusófonos.

 


Que opções temos para escrever na Galiza com ortografia galego-portuguesa?

Na prática, existem duas variantes de 'galego reintegrado', em grande medida complementares. Para além da norma da AGAL, há quem defenda no reintegracionismo a adoçom do padrom lusitano, sem o passo intermédio que representaria aquela norma.


Porém, entre os utentes do padrom lusitano, há quem use diretamente o português de Portugal (agora AO) e quem respeite um bom número de traços morfológicos galegos (polo, fijo…). Deste modo, a principal discrepáncia entre as pessoas partidárias da norma da AGAL e do padrom lusitano seria o uso do til de nasalidade, que os defensores do português padrom consideram símbolo da nossa língua no mundo: ção/-çom.


Hoje em dia, no conjunto do movimento reintegracionista, o uso de ambas as normas tornou-se complementar, tendo quase desaparecido os acesos debates do passado entre as duas posturas. 




publicado por Pedro Godinho às 11:00
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Sexta-feira, 3 de Junho de 2011
Sempre Galiza! – wiki-faq AGAL (14) : Questões linguísticas – Normas

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

 

 

wiki-faq do reintegracionismo

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Normas

Que é a "Guerra Normativa"?

A “guerra normativa” é a denominaçom popular que recebe o debate sobre a relaçom entre o galego e o português. Este debate foi especialmente intenso nos ámbitos filológicos e políticos nacionalistas nos anos 70 e 80 e chegou ao seu clímax a partir da institucionalizaçom das normas ILG-RAG em 1982, quando a maior parte do professorado de galego, em 1986, assinou um manifesto pola concórdia normativa.

 

Se bem que antes de 1982 fossem várias as propostas normativas de tendência reintegracionista (como as de Martinho Montero, Valentim Paz Adrade ou as oficiais entre 1980 e 1982 de Carvalho Calero), foi a partir deste ano que se popularizárom várias codificaçons propositadamente alternativas às normas ILG-RAG: as normas da AGAL, em forma de Estudo Crítico em 1982 e de Prontuário em 1985, as da AS-PG e as diferentes variantes dos chamados mínimos reintegracionistas.


As primeiras concitárom grande apoio no mundo científico e as últimas fôrom as usadas pola prática maioria das organizaçons do movimento galeguista até 2003. Nesse ano, por pressons de setores universitários ligados ao BNG, a RAG aceitou certas modificaçons do texto normativo em direçom à convergência com o português. Pretendia-se assim acabar com a guerra normativa, mas para entom o “reintegracionismo” já tinha forte presença nas ruas e na recém-popularizada Internet.

 

Todas as línguas tenhem conflitos normativos?

Sim, ainda que a sua natureza nem sempre é a mesma.

 

A maioria das línguas e variedades tenhem umha única norma nacional. É o caso da nossa língua em Portugal ou no Brasil ou o castelhano em Castela ou México. Nestes casos os debates sobre a norma tenhem a ver essencialmente com modernizá-la. Em geral, as escritas som conservadoras a respeito da falas, o que vai criando umha distáncia entre elas. Por isso surgem vozes reclamando reformas de maior ou menor profundidade. Sirva como exemplo a norma de Bello.

 

Ora, existem contextos onde podem existir duas normativas para a mesma língua. O caso galego é um deles, onde a par do galego ILG-RAG existe o galego-português. Existem ainda outros casos como som o grego, o norueguês ou o valenciano. No grego existiu até há pouco o Catarévussa (criado no séc. XIX para servir de enlace com o grego clásico) e o demótico (baseado na língua popular e único oficial desde 1976). No norueguês existe o bokmal (com palavras do dinamarquês) e o nynorsk (isento de danicismos). No valenciano existe as normes de Castelló que é um catalám de Valência e as normes del Puig que promove umha língua separada do catalám e umha presença maior de castelhanismos.

 

A oficializaçom do binormativismo seguindo a via norueguesa podia ser umha via na Galiza para aglutinar os falantes e os movimentos sociais em volta da nossa língua, aproveitando o melhor de cada umha das estratégias.



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Sexta-feira, 27 de Maio de 2011
Sempre Galiza! – wiki-faq AGAL (13) : Questões linguísticas – Normas

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

 

 

wiki-faq do reintegracionismo

( http://agal-gz.org/faq/ )

 



Normas

 

Que é umha norma ou padrom de língua?

Existem muitas teorias lingüísticas sobre o conceito de norma em geral e norma padrom em particular. No entanto, no que ao debate galego di respeito, o relevante é que a norma padrom, quer oral quer escrita e seja qual for o registo, é aquela que se sobrepom às outras variedades lingüísticas, usando-se em ámbitos mais amplos do que as outras. 

 

 

Quanto à oralidade, no caso das línguas estatais, esta costuma coincidir com a variante da capital do Estado (Paris, Madrid, Lisboa…) ou grandes centros económicos (São Paulo, Munique, Berlim), que tenhem mais força para divulgar a sua própria variedade nos meios mais influentes (p. ex. os de comunicaçom). Ponhamos um exemplo do espanhol: se a capital do Estado estivesse em Sevilha e nom em Madrid, provavelmente a palavra muchacho seria hoje pronunciada muxaxo na maioria dos meios de comunicaçom e nas escolas. Neste caso, dizemos que a pronúncia do espanhol do norte (muchacho) é a padrom e a do sul, umha pronúncia regional (muxaxo).

 

Nestas mesmas línguas estatais, a escrita costuma assentar numha tradiçom literária estável que foi assentando determinados usos e descartando outros. Porém, nas línguas nom estatais, como a galega, onde essa tradiçom literária estável nom existe e os grandes centros políticos e económicos nom se expressavam em galego, as escolhas normativas que configuram a norma padrom som elaboradas, o que facilita serem percebidas como artificiais e pouco naturais.

 

O problema é o modelo a seguir para a sua elaboraçom: o do português ou o do castelhano. Eis o debate.

 

Que maneiras há de escrever o galego na Galiza?

Ao longo dos anos 70, 80 e 90, as propostas normativas para o galego multiplicárom-se tanto que chegou a produzir-se certa confusom entre os utentes do galego quanto à maneira de o escrever. Porém, e ainda que muitas vezes nom fosse reconhecido, atrás de todas aquelas propostas havia unicamente duas filosofias normalizadoras e por isso essa situaçom chegou ao século XXI significativamente simplificada.

 

Hoje em dia pode dizer-se que há duas formas de escrever o galego: a que utiliza a ortografia castelhana e a que emprega a ortografia portuguesa.

 

Existem, entre quem utiliza a ortografia castelhana, pessoas mais recetivas às influências do mundo lingüístico português e, em sentido contrário, também existem, entre os partidários da ortografia portuguesa, pessoas que usam umha morfologia mais galega e outras que a usam mais portuguesa. É o que se chamam diferentes ritmos de aplicaçom dos diferentes programas lingüísticos que estám a concorrer.

 

Porém, é inegável que só existem duas práticas estáveis de escrita: a chamada reintegracionista ou lusista e a autonomista ou isolacionista. O programa cultural de ambas é significativamente diferente. O reintegracionismo luita porque ambas as possibilidades de galego sejam reconhecidas para que o melhor de cada um dessas propostas poda contribuir para o fortalecimento da nossa comunidade lingüística. 



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Sexta-feira, 20 de Maio de 2011
Sempre Galiza! – wiki-faq AGAL (12) : Questões linguísticas – Teoria – Para saber mais

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

 

 

wiki-faq do reintegracionismo

( http://agal-gz.org/faq/ )

 



Teoria

Para saber mais

 

A questom sobre o modelo culto da língua galega tem gerado um bom número de estudos, alguns dos quais som acessíveis na rede. Sem pretendermos ser exaustivos, coletamos aqui um feixe de ligações interessantes para quem quiger aprofundar neste tema.



publicado por Pedro Godinho às 11:00
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2011
Sempre Galiza! – wiki-faq AGAL (11) : Questões linguísticas – Teoria – Reintegracionismo e sociedade

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

 

 

wiki-faq do reintegracionismo

( http://agal-gz.org/faq/ )

 



Teoria

Reintegracionismo e sociedade

 

O reintegracionismo sempre estivo vinculado a opçons independentistas radicais...

O reintegracionismo pode ser defendido seja qual for o ponto de vista ideológico de partida, porque promove umha política cultural e lingüística aberta para o galego, e a defesa de umha língua apenas tem umha paternidade: o povo que a usa.

 

Ora bem, nom se pode negar que a maioria das pessoas mais preocupadas polo futuro do idioma, as que mais refletem sobre ele, se encontram no nacionalismo, como em épocas passadas se encontrárom no provincialismo ou no galeguismo. O independentismo político foi um dos setores desse nacionalismo amplo que decidiu pôr em prática a ortografia reintegrada, e nesse sentido merece o aplauso do movimento normalizador.

 

Mas o reintegracionismo é defendido por pessoas de todas as ideologias, havendo também, em sentido contrário, independentistas radicalmente contrários a ele.

 

 

Será a Shakira muito radical por falar galego?

 

 


 

O ‘povo’ jamais aceitaria o reintegracionismo...

O povo nunca foi consultado e portanto é um pouco arriscado dar umha resposta ou outra a esta afirmaçom tam repetida em círculos contrários ao reintegracionismo. O problema é que, além de nom ser consultado, o ‘povo’ tampouco dispom de informaçom suficiente sobre esta problemática. Se alguém considera que o povo nom está à altura deste debate, entom tem razom, o povo jamais aceitará o reintegracionismo. Mas nós nom pensamos que seja assim.

 

O povo galego é o suficiente maduro para entender que umha língua, para ter sentido no mundo, há de ser o mais útil possível. Por isso saberám compreender as posturas do reintegracionismo, independentemente de concordarem com elas ou nom.

 

 

Nom vos aclarades, quantos reintegracionismos há?

Todos os reintegracionistas queremos retomar o contacto com as outras variedades do galego no mundo, defendendo um modelo ortográfico comum. Aí assenta a coesom geral do nosso movimento.

 

Os nossos hábitos de escrita, porém, mostram alguma flexibilidade no grau de convergência com as outras variedades do português.

 

Teredes reparado que alguns reintegracionistas utilizam as terminaçons em -çom e outros o til de nasalidade -ção ou que alguns usam a morfologia verbal comum com o resto da lusofonia (eu fiz, eu posso) enquanto outros usam formas galegas (eu figem, eu podo).

 

Essa diversidade de usos é necessária em qualquer processo de mudança ortográfica, nomeadamente quando umha língua é minorada no seu próprio país. As soluçons que propomos devem ser testadas no uso, numha retroalimentaçom contínua entre os codificadores e a sociedade.

 

Mesmo em línguas, como o alemám, bem assentes nos estados em que som oficiais, iremos encontrar divergências de uso que nom ponhem em causa a unidade geral da língua. Assim, a Suíça e Liechtenstein utilizam “ss” em muitas palavras que os alemáns escrevem com ß : die Straße → die Strasse.

 

A vantagem do reintegracionismo é que essas diferenças nom som caprichosas nem caóticas, mas prendem-se com a necessidade de naturalizar a ortografia do português para os falares galegos.

 

Sabemos de onde parte e aonde deve chegar a ponte que vamos construir – só falta escolher o melhor lugar para erigir os pilares que a sustentam. 



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Terça-feira, 10 de Maio de 2011
Sempre Galiza! – wiki-faq AGAL (10) : Questões linguísticas – Teoria – Reintegracionismo e sociedade

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

 

 

wiki-faq do reintegracionismo

( http://agal-gz.org/faq/ )

 



Teoria

Reintegracionismo e sociedade

 

Quais som as diferenças entre reintegracionismo e lusismo?

Reintegracionismo e Lusismo som duas denominaçons dadas na Galiza ao mesmo movimento social.

 

Alguns detratores do movimento utilizam “lusista” de maneira depreciativa e preconceituosa, sugerindo que queremos negar a galeguidade e virar portugueses, o que de nengumha maneira se corresponde com a realidade.

 

 

Se o reintegracionismo for aplicado, que acontecerá no ensino?

Contra o que muita gente pensa, o reintegracionismo está longe de ser umha utopia difícil de aplicar. De facto, tem-se implementado noutros países, como a Flandres ou a Moldávia, sem grandes sobressaltos.

 

No caso da Galiza, o reintegracionismo nom pretende impor-se sobre as outras posturas ou filosofias sobre a língua. Dito de outro modo: a normalizaçom das teses reintegracionistas nom teria porque implicar a derrota das isolacionistas. Basta refletir um bocado sobre o assunto para dar-se conta disto. A língua é património de todas as pessoas que a usam e seria ilógico que umha maneira de entendê-la pretendesse destruir a outra. Infelizmente, é o que acontece na atualidade e cremos que isso está a debilitar enormemente as forças do galego.

 

No ensino, o mais lógico seria que, ao lado do galego que atualmente é ensinado, as pessoas pudessem conhecer outras variantes da nossa língua no mundo, quer através da própria cadeira de galego, quer através de outra que entendesse o galego e o português de maneira inclusiva. Desta maneira, as pessoas poderiam escolher livremente aquela opçom que achassem mais conveniente para si mesmas ou para a própria língua, em liberdade e sem excluir as outras opçons.

 

A curto prazo, achamos mui positiva a difusom generalizada do “português língua estrangeira” no ensino secundário, apesar de nom ter em conta o galego. Esta opçom poderá nom só ser benéfica para o reintegracionismo, mas em geral para todas as pessoas que defendem o galego – com independência da ortografia em que escreverem –, e para a sociedade galega no seu conjunto.

 

Paradoxalmente, um dos principais reptos do reintegracionismo na atualidade será superar o receio de muito professorado de galego. Estas pessoas devem ver no reintegracionismo umha oportunidade mui benéfica para as suas carreiras profissionais, e nunca um problema, pois verám como os horizontes da disciplina que ministram poderám alargar-se consideravemente.

 

 

Qual é a situaçom do ensino do português na Galiza?

O ensino do português na Galiza padece umha situaçom bastante precária, nomeadamente nas escolas secundárias.

 

Segundo dados fornecidos pola DPG (Docentes de Português na Galiza), há entre três mil e quatro mil estudantes de português na Galiza, incluindo as três universidades, as escolas oficiais de idiomas, o ensino primário e o ensino secundário públicos.

 

Os liceus do secundário som fulcrais para a difusom do ensino de português na Galiza.

 

Os alunos de mais de 25 estabelecimentos de ensino secundário estám a receber aulas de português, graças ao empreendorismo voluntário de alguns docentes de galego. Nom há, porém, docentes de português contratados como tais pela Junta da Galiza – ao contrário do que acontece com o francês e o alemám na própria Galiza, ou com o português em Castela e Leom e na Extremadura espanhola.

 

Estuda-se português nas escolas oficiais de idiomas da Corunha, Ferrol, Santiago de Compostela, Ourense, Vila-Garcia, Ponte Vedra, Vigo e Lugo. Nom é possível fazê-lo nas EOI de Viveiro, Ribadeu e Monforte, que sim oferecem outras línguas como italiano ou alemám. Tampouco há português nas secçons (Cangas do Morraço, Noia, etc.) das escolas mais importantes – com a exceçom de Tui.

 

Por conseguinte, nom há ensino do português para adultos em amplas zonas do país, como a Marinha Luguesa, Bergantinhos-Costa da Morte, Barbança, interior da província de Ponte Vedra, sul e oriente da Província de Lugo, e centro, oriente e sul da província de Ourense, incluindo a Raia Seca.

 

O português também é estudado nas três universidades galegas: na Universidade de Santiago de Compostela, existe o “Grau em Língua portuguesa e literaturas lusófonas”; na Universidade da Corunha, o “Grau em galego e português: estudos linguísticos e literários”; e na universidade de Vigo, o Grau de Línguas Estrangeiras da Faculdade de Traduçom.

 

Os Centros de Línguas Modernas das três universidades também disponibilizam cursos de português.

 

Outros âmbitos de difusom som as escolas primárias, os cursos para profissionais – organizados por sindicatos, empresas, centros de formaçom e outras entidades – e as atividades didáticas ocasionalmente organizadas por centros sociais. 



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Terça-feira, 3 de Maio de 2011
Sempre Galiza! – wiki-faq AGAL (9) : Questões linguísticas – Teoria – Reintegracionismo e sociedade

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

 

 

wiki-faq do reintegracionismo

( http://agal-gz.org/faq/ )

 



Teoria

Reintegracionismo e sociedade

 

 

Por que às vezes soa tam pouco natural a vossa forma de falar?

Porque é menos freqüente. Também é certo que para muitos galego-falantes tampouco soava, nem soa, mui natural o galego Ilg-Rag mas a sua presença social ajuda a naturalizá-lo.

 

Um paleofalante médio de mais de cinqüenta anos poderá sentir pouco natural:

  1. A pronúncia e a entoaçom dos neofalantes que, na sua passagem do castelhano para o galego, arrastam a pronúncia na que fôrom educados.
  2. A morfossintaxe, com o uso de formas castelhanizadas (estos, minho, quenes) ou umha colocaçom dos pronomes seguindo o modelo castelhano (eu o vim chegar)
  3. Léxico. Uso de certas palavras em lugar das dominantes socialmente e tomadas do castelhano: galego (por gallego), cadeira (silla), cartaz (cartel), natureza (naturaleza) ou lámpada (bombilla).

Um falante reintegracionista a respeito de um falante do galego Ilg-Rag destaca-se sobretudo polo ponto 3) já que nom se impõe os limites que coloca a estratégia autonomista nesta área. Qualquer castelhanismo desnecessário é substituído por umha palavra genuína do nosso sistema lingüístico: obrigado/a (gracias), portagem (peaje), candeeiro (Lámpara), Aniversário (cumpleaños) ou sexta-feira (viernes).

 

 

Entom a minha avó nom sabe falar galego?

Sabe, com certeza, e é depositária de muitas formas que nom chegárom até o seus filhos e filhas e, sobretudo, aos seus netos e netas. Neste sentido está a haver umha perda de riqueza e o reintegracionismo quer incidir aí.

 

Por razons sociais, a cada nova geraçom de galegos a qualidade da língua decresce. Entendemos por qualidade o seu caráter genuíno e nom misturado com o castelhano. Neste sentido, os nossos avós da idade média usavam um galego genuíno já que daquela o castelhano ainda nom penetrara com firmeza na sociedade galega.

 

A introduçom do galego no ensino, nos média ou na literatura feita na Galiza provocou que as gerações mais novas conhecessem formas que estavam em desuso e alguns deles que as utilizassem. Dá-se assim um paradoxo. As gerações mais velhas usam castelhanismos que as mais novas usam em menor medida mas, ao mesmo tempo as gerações mais novas desconhecem formas genuínas que se perdêrom na transmissom intergeneracional.

 

No terreno da pronúncia, por sua vez, à medida que a idade do falante aumenta, a qualidade da fonética melhora. Enfim, umha conversa com os nossos avós será sempre um enorme reforço do nosso registo de língua.

 

 

Queredes que o castelhano desapareça da Galiza?

O que preocupa a maioria dos reintegracionistas é o futuro do galego e nom o do castelhano. Seja como for, no ano 2100, quando a imensa maioria das pessoas que estamos a ler estes textos nom existamos mais, o castelhano muito provavelmente continuará a ocupar um lugar destacável na sociedade galega. O mesmo nom se pode afirmar da nossa língua.

 

A questom portanto seria como poder garantir que a sociedade galega poda desfrutar, na maior intensidade possível, da língua própria da Galiza. A soluçom podemos encontrá-la espelhando-nos em Porto Rico, Quebeque ou Flandres e passa por:

  1. Privilegiar umha versom extensa da nossa língua (Galiza, Portugal, Brasil…)
  2. Privilegiar a língua própria do ponto de vista legislativo como acontece com o castelhano em Porto Rico ou o francês no Quebeque.

Para uma digressom histórica das relaçons entre o espanhol e o inglês em Porto Rico veja-se The singularly strange story of English in Puerto Rico

 

 

O reintegracionismo destruiria a riqueza dialetal do galego?

Em todas as línguas do mundo, desde o momento em que existe um estándar de língua e este é implementado na administraçom, no ensino, nos média… a língua tende a unificar-se. Pode-se mesmo afirmar que umha mostra de que a língua está a funcionar como tal é a reduçom de variedades e a expansom das formas promovidas polo estándar.

 

Atualmente existem na Galiza várias formas para denominar a doninha, o vidoeiro ou o morango mas essa variabilidade nom torna a nossa língua melhor. Essa variabilidade até é pouco funcional em termos comunicativos entre pessoas de diferentes espaços geográficos. Em Portugal ou em Castela, onde as línguas nacionais estám bem assentes, o cidadao médio conhece apenas umha forma para estas realidades, aquela que emana das instituiçons.

 

 

O reintegracionismo divide e facilita a supremacia do castelhano

Umha divisom está formada por um dividendo e um divisor como em 8:2 = 4, onde 8 é o dividendo e 2 é o divisor. Isto levanta umha questom no caso galego, quem é o divisor? Se revisamos a história do galeguismo, assistimos a umha linha hegemónica em que o português era um referente de reintegraçom e que se traduziu num processo de descastelhanizaçom da língua reintroduzindo palavras e termos gramaticais que se perderam ou caíram em desuso.

 

Quando após a morte do ditador Franco aparece a hipótese de introduzir a língua na administraçom e no ensino, a pré-xunta encomenda a elaboraçom de umha norma. Era o ano 1980 e a comissom estará dirigida polo professor Carvalho Calero. Sobre a mesa havia duas propostas prévias, a elaborada pola ASPG e a elaborada polo Instituto da Língua Galega, cada umha delas com filosofias diferentes. Na comissom havia pessoas representativas de ambas as tendências.

 

Estas normas estavam chamadas a ser o quilómetro zero de umha estratégia luso-brasileira para a nossa língua. Infelizmente, no ano 1983, o decreto Filgueira Valverde num governo de Alianza Popular, promoveu umhas outras normas com um espírito diferente. Foram elaboradas polo Instituto da Língua Galega sobre a base do galego popular e a estrangeirizaçom do português. Som as conhecidas como Nomiga.

 

E até hoje. 

 

 

 

Lei de Berto:

“A medida que unha discusión online en galego sobre calquera tema avanza, a probabilidade de que se mencione o reintegracionismo/isolacionismo achégase a 1″ 



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Sexta-feira, 29 de Abril de 2011
Sempre Galiza! - wiki-faq AGAL (8) : Questões linguísticas – Teoria – Léxico e gramática

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

 

 

wiki-faq do reintegracionismo

( http://agal-gz.org/faq/ )

 



Teoria

Léxico e gramática

 

Desapareceriam as palavras galegas se triunfassem as vossas posturas?


As palavras galegas levam séculos a desaparecer substituídas polas castelhanas. Desaparecem sobretudo aquelas palavras que, por serem mui diferentes das castelhanas, dificultam a comunicaçom com falantes de castelhano ou falantes de galego mui castelhanizados. Palavras como porto, pequeno, castelo ou terra som parecidas às correspondentes castelhanas e nom criam obstáculos à comunicaçom. As que nom tenhem essa “sorte” caem em desuso e mesmo recebem a alcunha de estrangeiras (lusismos) ou invenções: segunda-feira, bochecha, polvo, acanhado, alfaiate ou armadilha. Como escreveu, na revista Nós, a linguísta alemá Margot Sponer:

 

Cantas veces por empregar eu as verdadeiras formas galegas tomáronme por portuguesa!1)

 

A estratégia reintegracionista promove a revitalizaçom do léxico perdido ou moribundo como é o caso paradigmático dos dias da semana bem como preencher as nossas lacunas lexicais, nom com o castelhano, mas com as outras variedades do nosso sistema lingüístico. É o caso das realidades modernas, aquelas aparecidas desde que acabou a idade média.

 

Para saber mais ver este dicionário de pretensos lusismos.

 

Para aprofundar sobre a natureza do léxico na Galiza recomendamos:

 

Quando existem palavras galegas, porque usades as portuguesas?


Essa oposiçom entre palavras galegas e portuguesas é menos comum do que podas pensar. Acontece que é relativamente fácil delimitar o que é umha palavra castelhana e umha inglesa. Podes experimentar aqui.

 

Ora, para delimitar entre as palavras que usamos habitualmente na Galiza quais som castelhanas e quais nom o som nom chega com um olhar superficial. A similitude entre a nossa língua e a castelhana é bastante grande e, se a isso unimos o interiorizada que temos a segunda delas, torna-se difícil a olhos nus discernir o castelhanismo.

 

Assim sendo, o que acontece a maioria das vezes é usarmos palavras da nossa língua para denominar realidades que outras pessoas denominam com palavras castelhanas: roçadora (para desbrozadora), maçarico (soplete), debulhadora (para cosechadora), colapso (pájara), cadeirom (sillón), mola (muelle) ou cartom (tarjeta).

 

Seja como for, quando existem palavras galegas de escasso uso no resto da lusofonia, fazemos uso delas como podes testar com aginha, avondar ou argalhar.

 

 

Queredes que as pessoas falem com ‘lusismos’?


Os galego-falantes já falam com lusismos o dia todo, essencialmente porque falam a mesma língua que os portugueses e as portuguesas.

 

Importante seria desvendar o que é um lusismo. Socialmente tende a usar-se esta denominaçom para toda palavra galega sentida como pouco natural, inventada ou trazida de Portugal: Galiza, polvo, estrada, prato, até ou geonlho seriam lusismo. Em geral, aplica-se a palavras galegas que caíram em desuso. Assim sendo, qualquer palavra galega tem a hipótese de se tornar um lusismo. Pode acontecer que algum dia o sejam palavras como onte, sorte ou “se quadra” dada o uso extenso que hoje temos de aier, suerte ou ao melhor/quiçá.

 

Desde o galego autonomista tacha-se de lusismo muitas palavras que na verdade som formas genuínas para designar realidades que na Galiza costumamos nomear com a forma castelhana. Isto é mais evidente no caso das realidades modernas, como o léxico de roupa (cachecol para o castelhano bufanda), transportes (carro/coche), construçom (betom/hormigón), eletrónica (cabo/cable), judicial (sentenciar/fallar) ou desportos (cesto/canasta).

 

Desenho de Suso Sanmartin na revista De troula

 

 

Por que usades palavras que já nom se usam ou nunca se usárom?


Porque para nós o galego é 1) umha língua, 2) oficial em vários países.

 

O facto de ser umha língua implica que quando tem palavras genuínas para nomear realidades nom tem muito sentido promover as que som próprias de outra língua, precisamente a que está a substituir a nossa. Fazer isto implicaria que nom possuímos umha língua mas umha variante do castelhano.

 

Que se pode fazer evidenciam-no palavras como Deus, século, ata/até, povo ou dúvida, todas elas substituídas polas formas correspondentes castelhanos mas às quais hoje ninguém nega o estatuto de galegas.

 

O facto de ser umha língua que excede os limites do estado espanhol implica que para aquelas palavras que entrárom nas línguas na idade moderna e na contemporânea, temos umha soluçom genuína em Portugal ou no Brasil.

 

Que se pode fazer evidenciam-no palavras como autoestrada, para-lamas, quadro de pessoal, altofalante ou plataforma, que som promovidas desde a oficilidade em lugar das correspondentes castelhanas2).

 

Em resumo, o que promovemos para Galiza é o mesmo que outras entidades promovem para Valência ou para o espanhol dos estados Unidos.

 

 

1) “Algunhas notas dos meus estudos sobre filoloxía galega”, NÓS, no 37, 1927

2) autopista, guardabarros, plantilla, altavoz e andén

 

 



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Terça-feira, 26 de Abril de 2011
Sempre Galiza! - Ernesto Guerra da Cal: 2011 centenário do nascimento

Queremos ser parte da homenagem a Ernesto Guerra da Cal - um galego com um coração que também batia por Portugal... e Brasil... e lusofonia, porque transbordava Galiza.

 

Visitem o sítio do centenário do nascimento de Ernesto Guerra da Gal da Academia Galega da Língua Portuguesa.

 

 

 

 

"Eu, sem pejo nenhum, afirmo aqui o meu orgulho de ter sido o primeiro escritor galego, desde o Ressurgimento, a levar a vias de facto essa tão repetidamente desejada aproximação da nossa língua escrita ao português [...] Em 1959 fui de facto “iniciador dessa reintegração” no meu poemário Lua de Alén-Mar, com o que abri fogo nessa batalha [...] Esse apelo não caiu em saco roto. Nele teve princípio a corrente “reintegracionista” contemporânea - na que hoje enfileira o melhor e mais capacitado da nossa mocidade. [...] os que neste momento detêm o poder autonómico - clientes e agentes do Estado Central [...] Esse é o bando da “Xunta de Galicia” [sic], que, de colaboração com algumas entidades “isolacionistas” esclerosadas, engenhou e “oficializou”, de maneira maleficamente subreptícia, umas aberrantes Normas cujo evidente propósito é condenar o galego ao languidescimento como dialecto - do espanhol [...] /eu tenho a convicção de que a única defesa do galego contra a política linguicida dos “espanholizantes” descansa na progressiva adopção do padrão luso-brasileiro que os “reintegracionistas” perfilham".

 

(Ernesto Guerra da Cal, "Antelóquio indispensável", in Futuro Imemorial. Manual de Velhice para Principiantes, Lisboa, 1985, pp. 9-11; recolhido em Vol II, 1986, de Temas de O Ensino, nos 6/10, “Linguística, sociolinguística e literatura galaico-luso-brasileira-africana de expressão portuguesa).

 

 

 

Lançado site comemorativo sobre o centenário do nascimento do professor Ernesto Guerra da Cal

 

A Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), com o apoio doutras entidades cívicas, comemora o 100 aniversário do nascimento do professor, investigador e poeta galego Ernesto Guerra da Cal (1911-1994) com o lugar web Centenário Guerra da Cal.

O lugar acolhe e solicita materiais sobre a sua vida, obra, época e legado intelectual. Para doar materiais, pode utilizar-se o contato na própria página web. O endereço web do site é:http://guerradacal.academiagalega.org.

 

 

 

 

Apresentação

Escrito por Carlos Durão 

    

Ernesto Guerra da Cal (Ferrol, 1911 – Lisboa, 1994) foi o primeiro poeta galego moderno que tratou temas universais, no espaço e no tempo, desde “dentro” e desde “fora”. Foi sem dúvida o poeta galego que mais eco teve dentro e fora da Galiza, como testemunha a abundandíssima bibliografia transnacional e transcontinental a que deu origem a sua obra. E foi, em fim, o professor galego de mais prestígio internacional, autor da por muitos conceitos monumental Língua e Estilo de Eça de Queiroz, e duma viçosa obra devotada à nossa comum cultura galego-portuguesa, para a que viveu e pela que padeceu até morrer no exílio, consequente com as suas ideias e firmes ideais, sem por isso se importar ser sempre proscrito na sua pátria, e até maldito pelos que nela detêm ainda o poder.


Fez os seus estudos universitários em Madrid, onde travou amizade com vultos do galeguismo cultural e político, bem como com outros da cultura espanhola em geral, entre estes o seu amigo F. García Lorca, com quem conviveu na Residencia de Estudiantes e com quem colaborou na gestação dos famosos Seis poemas galegos lorquianos. Ao estourar a chamada “guerra civil” no 1936, alistou-se como voluntário nas Milícias Galegas, combateu pela legalidade republicana na frente de Toledo, e passou à Seção do Exterior do Servicio de Información Militar, do Ministério da Guerra; enviado a Nova Iorque em missão oficial pouco antes da derrocada da frente do Ebro, teve de ficar ali ao rematar a guerra.


Completou os seus estudos universitários na Columbia University, e chegou a ser catedrático na New York University, onde realizou os trabalhos de pesquisa que culminaram no seu magnum opus, a Língua e Estilo de Eça de Queiroz, pelo que é justamente reconhecido e louvado internacionalmente, e condecorado em Portugal. Ocupa-se da parte galega do Dicionário das Literaturas Portuguesa, Galega e Brasileira. Pronuncia conferências, realiza seminários, colabora em trabalhos de investigação para universidades do Brasil e de Portugal, sempre reclamando, em todo o mundo lusófono, o reconhecimento da Galiza como pertencente a esse mundo, e em toda a parte dizendo, sem pejo, que ele era galego.


Nos anos 1959 e 1963 publica os seus seminais poemários Lua de Além-Mar (o primeiro livro em que um autor galego aposta pelo reintegracionismo linguístico após o chamado Rexurdimento) e Rio de Sonho e Tempo, na editora Galaxia, de Vigo.


Reformado da súa cátedra na universidade americana, Guerra da Cal retornou à Europa, primeiro a Estoril, e posteriormente a Londres. Nesses anos impulsou o movimento reintegracionista desde o exílio. Foi graças aos seus contatos com os seus colegas em universidades lusófonas, à sua acessibilidade para a mocidade reintegracionista, e com o seu respaldo académico, que a Galiza conseguiu um merecido posto de observadora nas negociações dos Acordos Ortográficos, em 1986, no Rio, e em 1990, em Lisboa.


Com a sua obra, poética e erudita, com o seu prestígio e impulso ao reintegracionismo, Guerra da Cal deixou um incalculável legado à sua pátria, a “Nação soberana/ sem estrangeiro senhor”, da que ele foi cantor. Por isso foi dela banido, por isso merece sobejamente a nossa sentida homenagem, e por isso descansa hoje entre “os bons e generosos”, que cantou o bardo Pondal.

 

 

 

 

 

Filho Pródigo

  

Abre-me a Porta

Pai!

      Abre-me a Porta!

 

      Porque venho cansado

e derrotado

desfeito

pobre

e nu

      e envergonhado

 

      Tudo esbanjei

Só trago

      encravados no peito

nele bem entranhados

      os pungentes punhais

de todos os Pecados Capitais

 

      Delapidei o rico Património

do teu Amor

      na subida

      arrogante e pressurosa

da Montanha da Vida

 

      E hoje conheço a Dor

Da descida agoniante

      trémula e vagarosa

pela encosta abrolhosa

      na que nos acompanha

      o impiedoso demônio

da consciência dorida

da fortuna malgasta

      dissipada

      e a existência perdida

 

      Abre-me a Porta

Pai!

      E acende a luz da Casa

que outrora foi a minha

     quando eu era inocente

                              criancinha

 

      Não me tardes

Senhor!

      Abre-me a tua Porta luminosa

depressa, por favor!

 

in Futuro Imemorial (Manual de Velhice para Principiantes), Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa, 1985

 

 

 

Morrinha de Rio e Lua lido por Celia Díaz

 


 

 

 

PÁTRIA


«Porque volvió, sin regresar, Ulises.»

MIGUEL ANGEL ASTURIAS

 

 

A Galiza

 

é para mim

 

um mito pessoal

 

maternal e nutrício

 

com longa teimosia elaborado

 

de louco amor filial

 

de degredado

 

(E de facto é também

 

—porquê não confessá-lo—

 

um execrável vício

 

sublimado)

 


A Galiza

 

foi sempre para mim

 

um refúgio mental

 

um jardim de lembranças

 

sossegado

 

um ninho de frouxel acolhedor

 

para onde fugir

 

do duro batalhar e do estridor

 

da Vida

 

e do acre ressaibo do Pecado

 

Subterfúgio subtil

 

e purificador

 

de interior evasão

 

para o descanso da alma

 

na calma

 

pastoril

 

da perfeição de Arcádia

 

da Terra Prometida

 

da imaginação

 


A Galiza

 

é o meu amor constante

 

tranquila e fiel esposa

 

e impetuosa amante

 

sempre

 

como Penélope a tecer

 

na espera

 

ansiosa e plácida

 

paciente e palpitante

 

do retorno final

 

do seu errante e navegante Ulisses

 

—outra quimera!

 


Amo-a

 

como o náufrago desesperado

 

ama a costa longínqua e ansiada

 

que nunca há-de avistar

 

Amo-a

 

com saudade antevista de emigrado

 

que à partida se sabe já

 

fadado

 

a ser ausente morrinhento*

 

de nunca mais voltar

 

Porque ninguém jamais regressa do desterro

 

à mesma terra que deixou

 

(O Espaço dissolve-se no Tempo:

 

os lugares

 

e as gentes que os habitam

 

mudam e morrem sempre

 

e nós também morremos

 

e mudamos

 

Posso eu acaso me reconhecer

 

naquele rapaz loiro

 

que chorando partiu

 

um dia crepuscular e montanhoso

 

de Quiroga

 

no Sil

 

há tantos anos

 

e tantos desenganos?)

 


Amo-a
Amei-a sempre

 

porque nunca deixei

 

de estar ligado a Ela

 

pelo umbigo

 

Porque Ela foi meu berço

 

e onde quer que eu morrer

 

Ela há-de ser

 

o meu íntimo

 

e último jazigo

 


Amo-te
enfim
Galiza

 

coitada, triste e bela Pátria minha

 

como Tu és

 

como o Senhor

 

num mal dia te fez

 

órfã de história e alienada de alma

 

vespertina submissa e maliciosa

 

rústica e pobrezinha

 


Amo-te
sobretudo

 

como eu te quereria

 

como eu em mim te crio

 

dia após dia

 

como um encantamento da minha infância

 

e da minha fantasia

 


Amo-te
como eu

 

tresnoitado poeta evangelista

 

te invento e mitifico

 

E, como com Jesus Cristo fez Mateus,

 

visto com ilusórios véus

 

a tua miseranda e cinzenta Paixão

 

e intento

 

com interna e intensa

 

distante devoção

 

pôr-te um ninho de Glória imaginária

 

num apócrifo Novo Testamento

 

ESTORIL 
      1984

 

——————
*De morrinha: saudade da terra natal.



publicado por Pedro Godinho às 11:00
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2011
Sempre Galiza! - wiki-faq AGAL (7) : Questões linguísticas – Teoria – Ortografia

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

 

 

wiki-faq do reintegracionismo

( http://agal-gz.org/faq/ )

 



Teoria

Ortografia

 

Porque dizedes que a ortografia ILG-RAG é espanhola?


Sendo a atual ortografia do castelhano muito mais antiga, a ortografia ILG-RAG coincide com ela na maioria dos usos, e quando nom coincide está muito influída. O caso mais emblemático é o Ñ. Por outro lado, os seus valedores nom negam este facto.


Na Península ibérica existem três grandes tradições ortográficas nascidas na Idade Média e que fôrom três formas diferentes de adaptar a ortografia latina às novas línguas que estavam a surgir derivadas do latim. Estas novas línguas continham fonemas que nom existiam na língua original e os escrivaos das cortes de Lisboa, Toledo e Aragom resolvêrom de forma ora diferente, ora similar. Quase todas as ortografias peninsulares som versões destes primeiros modelos.

 

O galego elaborado polo Instituto da Língua Galega e avalizado pola Real Academia Galega e aquele que usa a administraçom pública galega está baseado na ortografia castelhana com algumhas leves modificações: eliminaçom da letra Y (Tui) e eliminaçom do G perante E,I e do J sendo usado em seu lugar a letra X (Xanela, Xente, Xineta, Xogar, Xuntar).

 

O seu antecedente é o galego utilizado durante o séc. XIX por pessoas que foram alfabetizadas em castelhano e era a única ortografia que dominavam. Tecnicamente, como demonstra esta wiki-faq, o uso da ortografia espanhola é apenas umha opçom.

 

Para aprofundar sobre a ortografia na Idade Média: http://www.romaniaminor.net/ianua/sup/sup02.pdf

 

 

A ortografia oficial é a que melhor se adapta à nossa forma de falar


Todas as ortografias recolhem doses de etimologismo e de foneticismo. Se o critério fosse a facilidade o resultado era manifestamente melhorável. Podia-se aplicar a cada fonema umha letra: kasa, zertamê, êskóla, gêRa (guerra), aber, kêixô, uískê.

 

Ora, o certo é que o que estava sobre a mesa era adotar a ortografia do castelhano com leves adatações. Por outras palavras, usar a mesma ortografia da língua que está a substituir a nossa e obviar a possibilidade de aproximar-se à ortografia que usam outras variedades da nossa língua que tivérom êxito social (Portugal e Brasil).

 

A ortografia galego-portuguesa é objetivamente mais difícil e no entanto tem várias vantagens estratégicas:

  1. Marca a soberania a respeito do castelhano tornando a nossa língua num ente tam diferente do castelhano como o poda ser do francês ou do italiano.
  2. Tem umha comunicabilidade maior, permitindo a fluência comunicativa com 230 milhões de pessoas e as suas culturas e produtos.
  3. Permitiria exportar em maior medida as nossas produçons e importar produtos na nossa língua que permitiriam tornar o castelhano mais prescindível.

Enfim, o mais fácil nem sempre é o melhor.

 

 

Porque havemos de escrever assim, se aqui nunca se usou nh, lh ou ç?


Na Galiza usárom-se todas essas letras. Basta ver qualquer texto medieval para verificar que a ortografia usada é substancialmente a mesma que hoje usam em Portugal ou no Brasil, com as lógicas diferenças de cinco séculos de distáncia temporal.

 

Os hábitos ortográficos que temos na atualidade som lógicos, porque quando começamos a escrever galego de novo, só conhecíamos a ortografia da língua em que fôramos alfabetizados. Os primeiros autores e autoras do século XIX nem sequer conheciam a existência de um legado literário comum à Galiza e Portugal.

 

Mas nom se trata de olhar para atrás. O que devemos perguntar-nos é se seria benéfico mudarmos esses hábitos para comunicar mais eficazmente com o mundo, e também para que mais mundo comunique connosco.

 

 

A ortografia nom é assim tam importante


Se assim fosse, o galego só teria umha ortografia (seja esta a castelhana ou a portuguesa).

 

Tecnicamente costuma dizer-se que a ortografia é umha convençom, um acordo, e que o facto de usar um ou outro sistema ortográfico é circunstancial. Os factos reafirmam esta perceçom na medida em que som numerosos os casos de:

  1. a) Reformas ortográficas.
  2. b) Mudanças identitárias de ortografia.

O certo é que tanto num caso como no outro está longe de ser umha questom pacífica. No que di respeito às reformas ortográficas, os casos português, alemám ou castelhano dam fé disto. Eliminar umhas letras ou acrescentar outras pode tornar-se num conflito de dimensom importante.

 

O caso galego entraria num outro grupo de reformas onde a mudança de ortografia atinge a natureza da língua, isto é:

  • quem a fala?
  • com que outras línguas ou variedades se relaciona?

O caso do azeri, do moldávio ou do valenciano evidenciam que a ortografia é, com certeza, importante. É umha forma de situar-se no mundo, integrar-se num ou noutro sistema lingüístico e cultural.

 

 

A ortografia reintegrada é oficial?


Nom. Realmente nom há nengumha norma oficial, nem sequer para o castelhano, mas a ideia de as normas ILG/RAG serem oficiais está bastante estendida socialmente.

 

Posto o assunto nestes termos, nós consideramos que, realmente, a norma reintegrada é oficial em muitos países através do português, e isso dá-lhe muito valor, porque abre às pessoas que a usam na Galiza (cada vez mais) umhas possibilidades comunicativas que a norma considerada oficial nom tem. O que nós pretendemos é que, reivindicando-a através do uso, acabe por ser reconhecida como outra possibilidade de galego. Assim, democraticamente, os galegos, particularmente, e o povo galego, em geral, poderiam optar com liberdade pola opçom mais conveniente.

 

Em termos legais, umha “disposiçom adicional” à Lei 3/1983, de Normalizaçom Lingüística, di o seguinte ao respeito: “Nas cuestións relativas á normativa, actualización e uso correcto da lingua galega, estimarase como criterio de autoridade o establecido pola Real Academia Galega. Esta normativa será revisada en función do proceso de normalización do uso do galego”.

 

Como assinala o professor António Gil Hernández, o facto de estimar como autoridade o critério na RAG nom significa que o critério de autoridade da RAG seja o ÚNICO aceitável.

 

Umha discriminaçom dos cidadaos com base na ortografia estaria, aliás, a violar os artigos 10.2 e 14 da Constituiçom Espanhola, bem como o artigo 5.4. do Estatuto de Autonomia da Galiza.

 

 

É possível ser reintegracionista em galego ILG-RAG?


É. É possível ser reintegracionista, apesar de se escrever em ILG-RAG.

 

Ainda que o reintegracionismo, tal e como o conhecemos hoje, nasceu outorgando um papel central à ortografia, na atualidade envolve outras questons, como a integraçom sociológica e cultural da Galiza no espaço dos países lusófonos. Muitas pessoas concordam com o papel estratégico dessas relaçons internacionais para o galego, embora nom vejam a urgência ou a idoneidade de começar pola ortografia.

 

Há também aqueles que resolvem escrever em normativa ILG-RAG simplesmente porque as circunstáncias som demasiado adversas para as outras opçons – nomeadamente no ámbito profissional –, mas que mudariam de ortografia se o reintegracionismo fosse a normalidade social e institucional.

 

O reintegracionismo que já anda a remar numha canoa nom nega o reintegracionismo que outros alviscam no horizonte.



publicado por Pedro Godinho às 11:00
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2011
Sempre Galiza! - wiki-faq AGAL (6) : Questões linguísticas – Teoria – Identidade e categorias

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho

 

 

wiki-faq do reintegracionismo

( http://agal-gz.org/faq/ )

 



Teoria

Identidade e categorias

 

Galego e português, umha ou duas línguas?

 

É opinável. Trata-se de umha questom social, nom filológica, e quando entramos no terreno do humano, entramos no terreno da opiniom.

 

De um ponto de vista histórico, no noroeste da península (Galiza e norte de Portugal) nasceu umha língua que avançou para sul até o Algarve e daí espalhou-se polos oceanos. Ocorreu que as três principais variedades seguírom destinos diferentes. A galega, em contraste com a de Portugal ou o Brasil, nom se transformou na língua social e nacional dos galegos, ocupando esse lugar o castelhano.

 

De um ponto de vista social, as variedades de Portugal e do Brasil nom som assumidas e utilizadas pola maioria dos galegos e das galegas como pertencentes ao nosso património lingüístico, em parte pola escassa vitalidade social da variedade galega, em parte polo ideário espalhado polo galego ilg-rag. Desse mesmo ponto de vista social, a variedade galega é sentida e vivida como dependente a respeito da língua castelhana.

Estamos no lugar em que estamos. Ora, queremos ficar aqui ou queremos avançar? Essa é a pergunta que nos temos que fazer.

 

É o galego um dialeto do português?

 

Para nós, galego e português som duas expressons da mesma língua. Chamá-la de umha forma ou outra é umha questom de nomenclatura.

 

Quando umha língua tem certa extensom geográfica ou está presente em vários estados, costumam existir diferentes variantes com traços peculiares. A nossa língua, que na Galiza é chamada de galego e que recebe internacionalmente o nome de português, tem diferentes variantes, e cada umha delas realiza-se de umha forma diferente. De facto, nom falam da mesma forma umha pessoa da Costa da Morte, de Lisboa, da Madeira, de Salvador de Bahia ou de Luanda. Cada umha delas usa diferentes variantes da nossa língua com o seu sabor peculiar. Todas elas som variantes da mesma língua, ou seja, dialetos. Por outras palavras, o galego é o português da Galiza da mesma forma que o português é o galego de Portugal.

 

Para aprofundar sobre as variantes galego-portuguesas da Europa: http://cvc.instituto-camoes.pt/hlp/biblioteca/novaproposta.pdf

 

Eu nom entendo o português. Como vai ser a mesma língua?

 

Se ouvires os seguintes áudios, poderás comprovar como a questom da intercompreensom é um tanto relativa.

  1. Português padrom de Portugal
  2. Castro Laboreiro no norte de Portugal
  3. Lóvios no sul da Galiza
  4. Maçaricos na Costa da Morte
  5. Avanha perto de Santiago
  6. Galego urbano
  7. Castelhano padrom de Espanha

As gravaçons permitem observar um contínuo que vai desde o padrom lusitano até o castelhano padrom (de Espanha) usados nos meios de comunicaçom atuais, passando por diferentes variedades de galego-português. Facilmente se observa que o galego-português rural da Galiza (3,4,5) está mais próximo de algumhas variedades do galego-português rural de Portugal (2) que de certas variedades do galego urbano (6). No entanto, provavelmente, boa parte dos urbanitas galegos tenhem menos dificuldade para entender este galego castelhanizado do que a língua de muitas das nossas aldeias.

 

Na realidade a intercompreensom no primeiro contacto nom serve de base para afirmar que duas variedades sejam ou nom a mesma língua. Sirvam estes exemplos.

 

Se por português entendemos as outras variantes da nossa língua, nomeadamente a de Portugal e do Brasil, a dificuldade da compreensom deriva de dous factos:

  1. O grau de castelhanizaçom da nossa variedade e das nossas falas particulares. Muitas vezes usamos palavras castelhanas onde eles usam palavras genuínas.
  2. O grau de contacto escrito e oral. Toda variedade diferente da própria tem um sabor e umha música peculiar. Familiarizar-se com ela exige doses de contato.

De média, um cidadao/á da Galiza tem um contacto sensivelmente maior com os diferentes sabores do castelhano do que com variantes da língua da Galiza. Para além de esperar por medidas institucionais, é bem melhor alterar isto individualmente, quer através do contacto pessoal quer através dos produtos emanados das sociedades em questom: textos, música, audiovisual, internet…

 

Para escrever reintegrado é preciso muito esforço, é quase como aprender umha língua diferente...

 

O esforço relativo tem a ver com que o código ortográfico em que fomos educados maioritariamente é o do castelhano. Devemos perguntar-no se vale a pena fazer o esforço de aprender outro código e a resposta é positiva porque o reintegracionismo é mui rentável, individual e socialmente.

Umha das vantagens do galego llg-Rag a respeito do galego-português é que é mais fácil. A natureza da sua maior facilidade assenta em dous factos:

  1. Está muito mais próximo do castelhano.
  2. A quase totalidade dos galegos e das galegas fomos alfabetizados em castelhano.

O galego reintegrado ou português da Galiza, ao ter umha dose de castelhano mínima e grandes doses de formas genuínas, requer umha aprendizagem, a mesma aprendizagem que exige aprendermos umha língua diferente do castelhano com a diferença da familiaridade, ao tratar-se da língua própria da Galiza.

 

É interessante notar que o ponto de partida nom é o mesmo para todas as pessoas. Aquelas com um galego mais genuíno e/ou com contacto com falantes de outros países e habituadas a utilizar os seus produtos terám a maior parte do caminho feito.

 

Um dos nossos objetivos como sociedade é que seja o sistema educativo o que ensine a galegas e galegos a língua portuguesa e o nosso governo o que promova os relacionamentos humanos e culturais com os outros países que falam a nossa língua. Por enquanto, um pouco de estudo nom fai mal a ninguém e hoje existem formas entretidas de aprender

Livros para aprender:

      

 

 

Umha naçom, umha língua?

 

Se revisamos o mapa linguístico do mundo, logo nos aperceberemos de que a equaçom 1 língua = 1 naçom é umha exceçom. Sirvam alguns exemplos mais ou menos conhecidos para certificar esta afirmaçom:

  • O português é língua oficial e/ou nacional em 10 estados (Brasil, Portugal, Angola…)
  • O castelhano é língua oficial e/ou nacional em 21 estados. (México, Argentina, Espanha…)
  • O árabe é língua oficial e/ou nacional em 29 estados. (Iraque, Sudám, Marrocos…)
  • O alemám é língua oficial e/ou nacional em 10 estados. (Alemanha, Áustria, Suíça…)
  • O francês é língua oficial e/ou nacional em 23 estados. (França, Canadá, Madagáscar…)
  • O inglês é língua oficial e/ou nacional em 53 países. (EUA, Austrália, África do Sul…)

Por outras palavras, países imensos como o Brasil ou os Estados Unidos da América compartilham língua nacional com países de dimensões bem mais reduzidas como Portugal ou Inglaterra. Portanto, ter o monopólio de umha língua nom é sinónimo de mais ou menos naçom.

 

A questom realmente é outra: qual a melhor estratégia para criar umha língua nacional da Galiza tomando como base os falares galegos? Se temos em conta que:

  1. O referente de oposiçom é o castelhano, que é a língua que está a substituir a nossa.
  2. O português é uma variante da nossa língua que tivo êxito tornando-se língua nacional de vários países.

O mais eficaz parece ser criarmos um modelo de língua o mais genuíno possível (a respeito do castelhano) tomando como base o português de Portugal e do Brasil.

 

Se o galego e o português som a mesma língua, que nome lhe damos?

 

Na Galiza a nossa língua recebe o nome de galego e internacionalmente o nome de português. A questom seria, devemos na Galiza utilizar unicamente a denominaçom de galego ou alternar esta com o de português ou português da Galiza?

 

Som numerosas as línguas que som oficiais em vários países e na maioria dos casos existe umha única denominaçom: inglês, francês, árabe ou suaíli.

 

As exceçons existentes, para além do caso particular do castelhano/espanhol, evidenciam um nexo comum que se vê nos casos do catalá/valenciano, romeno/moldavo, servo/croata ou ocitano/provençal. O que une estes casos e ainda outros é o facto de a unidade da língua estar em questom. Nos casos concretos do catalá/valenciano e romeno/moldavo, evidenciou-se ainda algo mais: umha estratégia do estado em que estava inserida a variedade mais fraca (Espanha e URSS respetivamente) promovendo a sua separaçom a respeito das variedades mais fortes.

 

Em conclusom, se o que se trata é de afirmar a unidade da nossa língua e elevar o seu estatuto, seria eficaz começar a utilizar a denominaçom de português e português da Galiza ao lado da de galego.

 

As instituiçons linguísticas da Galiza afirmam que o galego e o português som duas línguas diferentes, estám enganadas?

 

A ideia de o galego e o português serem línguas diferentes nom assenta numha base científica. A razom de ser dessa afirmaçom tem umha origem política, isto é, tem a ver com a ideia de língua, e portanto o projeto de País, que se defenda. A saúde do galego nunca foi umha prioridade dos nossos governos.

 

Estes, por agora, tenhem-se conformado com umha língua subordinada ao espanhol, e um dos principais indícios dessa subordinaçom é a consideraçom do galego como umha língua minoritária, limitada às fronteiras do Estado. De facto, a opiniom dessas instituiçons lingüísticas podia ter sido outra, se nos anos 80 tivessem triunfado as ideias do galeguismo anterior a 1936. Para este galeguismo, o galego nom era umha língua minoritária: tinha muitas outras variantes espalhadas polo mundo com as quais devia relacionar-se, para fortalecer-se sem renunciar a nengumha das suas peculiaridades.

 

As pessoas teriam que ir a Portugal aprender o galego?

 

O galego é a língua da Galiza e o melhor lugar para a aprender é a própria Galiza. Ainda existem núcleos mui fortes de galego-falantes que preservam a língua na sua forma mais genuína e devemos aproveitá-los e usá-los como modelo para construir o galego moderno.

 

No entanto, devemos ter em conta que a nossa língua na Galiza está a sofrer um avançado processo de substituiçom lingüística enquanto em Portugal ou no Brasil nom acontece tal. Por isso, o conhecimento em profundidade das particularidades e variantes lingüísticas de outros países de língua portuguesa e o seu uso podem também ser de muita utilidade para fortalecer as nossas falas. Igualmente, toda interaçom com os produtos culturais e, de todo o tipo, que emanam das sociedades portuguesa, brasileira…vai vir em beneficio de um galego mais genuíno e menos castelhanizado.

 

Sendo umha língua minoritária, o galego é tam importante como qualquer língua falada por centos de milhons de falantes...

 

Todas as línguas do mundo deveriam merecer exatamente o mesmo respeito; as pessoas reintegracionistas, em geral, caraterizam-se por estarem especialmente sensibilizadas com o porvir do galego, e normalmente estám intensamente implicadas na defesa das línguas em situaçom minorizada.

 

O que acontece é que nós nom pensamos que o galego seja umha língua pequena, nem minoritária, e portanto parece-nos ilógico isolar-se do mundo quando nom existe nisso nengumha vantagem. Já que temos a sorte de contar com umha língua que, apesar de minorizada na Galiza, conseguiu desenvolver-se plenamente noutros estados, aproveitemos os recursos que daí se derivam: aproveitemos a possibilidade de viver em galego muito mais.

 

Queredes substituir o colonialismo madrileno polo lisboeta?

 

O reintegracionista médio é contra todo tipo de colonialismos.

 

Na Galiza está a desenvolver-se um processo de substituiçom lingüística em que a nossa língua (A) está sendo suplantada por umha outra (B), que é a oficial em todo o Reino de Espanha. A estratégia reintegracionista nom pode substituir A por B, como está a fazer o castelhano, porque a língua de Portugal e do Brasil é a mesma que a da Galiza com os seus sabores particulares, seriam portanto (Á).

 

O que se trata é de construir um formato de língua nas coordenadas do nosso sistema lingüístico e nom nas coordenadas de umha outra língua que, por acaso, está a substituir a nossa. O que se trata é de preencher as nossas carências internamente com Á e nom externamente com B.

 

Seja como for, os galegos e as galegas nunca falaremos como os naturais de Lisboa. O que nom está tam claro é se acabaremos sendo monolingues como em Madrid.

 

Na Galiza e em Portugal nom falamos igual

 

Ainda bem, se assim fosse seria um caso difícil de explicar e talvez tivéssemos que indagar nas ciências ocultas.

 

Quando umha língua se estende por um território, as formas de falá-la mudam de um espaço para outro. No Brasil e em Portugal fala-se a mesma língua bem como no México e na Argentina, e, ao mesmo tempo, nom “falam igual”. De facto, o português de Portugal é de difícil compreensom para o brasileiro médio, o que nom sucede à inversa. Isto ocorre em todas as línguas com um mínimo de extensom.

 

As diferenças dialetais entre diferentes variedades afetam fonética, gramática, léxico e pragmática e som consubstanciais a qualquer língua com umha extensom mínima.

O que fai que duas variedades sejam ou nom a mesma língua nom é facto de serem iguais nem sequer parecidas como constatam o caso do alemám, o chinês ou o árabe por umha parte ou o servo-croata pola outra. Nos primeiros casos existem variantes que nom compreensíveis entre si e no caso do servo-croata, polo contrário, existe compreensibilidade mas estám-se a gestar várias línguas.

 

Ser a mesma língua é umha questom política, nom filológica, é social, nom formal

 



publicado por Pedro Godinho às 11:00
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sugestão: revista arqa #84/85
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