Quinta-feira, 14 de Julho de 2011
14 - Terreiro da Lusofonia - por Carlos Loures

Orlando da Costa (1929-2006) foi um poeta verdadeiramente  lusófono. Nascido em Moçambique numa família goesa e, como tal, criado em Margão, veio para Lisboa para a Universidade e, com três nacionalidades possíveis, optou pela portuguesa. E em boa hora, pois foi um português de eleição, um homem que lutou contra a ditadura e sempre se mostrou consequente com os seus princípios. Um grande português e um grande escritor. E poderia acrescentar - e um grande e saudoso amigo.

 

Orlando da Costa, nasceu em Lourenço Marques, actual Maputo, em 1929, numa família goesa. Foi criado em Margão, vindo para Lisboa, com apenas 18 anos, em cuja Faculdade de Letras se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas. Ficcionista, dramaturgo e poeta, publicou uma dezena de livros, dos quais se destacam os romances «O Signo da Ira» (1961), «Podem Chamar-me Eurídice» (1964), «Os Netos de Norton» (1994) e «O Último Olhar de Manú Miranda» (2000). O poema escolhido foi publicado na antologia «Poemabril» (1984) e foi musicado pelo maestro Fernando Lopes-Graça:

 

Canto Civil – 1
            Este é o meu canto civil
            canto cívico graduado
            desde um tempo antigo que vivi
            entre poemas de aço camuflados e algemas de silêncio
            Esse era o tempo do assalto às casernas
            mas já então eu escrevia o que devia:
            a cartilha da guerrilha do amor e da paz
            para ser ensinada à luz das lanternas
            nas escolas nas igrejas na parada dos quartéis
            Este é o meu canto civil
            canto cívico desfardado
            escrito a vinte e oito de Abril
            do ano passado à noite
            de punho cerrado com alegria e sem espanto
            canto para ser cantado de dia
            por todos por muitos por mim ou por ninguém:
      
            Soldado raso
            ao cimo da calçada
            em guarda
            de flor e farda
            a flor que te damos
            é pão da madrugada
            É pão amassado
            sem liberdade
            é gesto de guerra
            em nome da paz.
            É flor de canção
            em terra mar e ar
            rubra flor popular
            num só cano de espingarda
            Soldado raso
            em sentido na memória
            lembra-te de novo e sempre
            a flor que te damos
            é da terra é do povo
            é pão da madrugada.

 



publicado por Carlos Loures às 11:00
editado por João Machado em 10/07/2011 às 01:57
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Terça-feira, 12 de Julho de 2011
12 - Terreiro da lusofonia - por Carlos Loures

Malangatana Valente Ngwenya,

 

um dos maiores pintores do espaço Lusófono, nasceu em Matalana,

Marracuene, província de Maputo, Moçambique, em 6 de Junho de 1936 e faleceu no dia 5 de Janeiro de 2011 numa clínica de Matosinhos, Portugal. 

 

 

Exerceu profissões humildes, de pastor de gado a apanhador de bolas num clube de Lourenço Marques. Foi perseguido pela polícia políitica portuguesa e preso sob a acusação de pertencer à FRELIMO. A partir de 1960, dedicou-se em exclusivo à pintura. Tem quadros nas colecções dos principais museus do mundo. As suas cores fortes e belas enchem hoje o Terreiro da Lusofonia.



publicado por Carlos Loures às 11:00
editado por João Machado em 08/07/2011 às 23:36
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Sexta-feira, 1 de Julho de 2011
Terreiro da Lusofonia - 1 - por Carlos Loures

Um dos maiores pintores do mundo lusófono - Roberto Chichorro

 

É com o pintor moçambicano Roberto Chichorro que verdadeiramente inauguramos este Terreiro da Lusofonia, espaço dedicado particularmente à cultura de todo o universo lusófono.

 

Tratando-se de artistas consagrados evitaremos tecer considerações de carácter crítico sobre as suas obras. Pequenas notas biográficas e às vezes nem isso.


Mais ou menos assim:

Roberto Chichorro nasceu em 1941, no Maputo. Fez a sua

primeira exposição em 1967, mas só em 1980 se dedicou inteiramente

à arte. Em 1982 recebeu uma bolsa do governo espanhol,

tendo trabalhado em cerâmica no Taller Azul e em zincogravura

com Óscar Manezzi, em Madrid. Obras suas fazem parte de

colecções como a do Museu do Chiado em Lisboa e a do Museu de Arte Contemporânea de Luanda. Chichorro ilustrou vários livros, por exemplo, os do grande poeta José Craveirinha. Este é um quadro da série "Karingana-estórias de era uma vez”.

 


 



publicado por Carlos Loures às 11:00
editado por João Machado às 01:42
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Terça-feira, 21 de Junho de 2011
Teatro Camões - Moçambique em Lisboa

 




PROGRAMAÇÃO
TEATRO CAMÕES


MOÇAMBIQUE EM LISBOA · CINEMA + DANÇA · 22 a 25 de Junho de 2011




Documentário de Margarida Cardoso · 22 de Junho às 21:00



Coreografia de Rui Lopes Graça · Música original de João Lucas · 24 e 25 de Junho às 21:00






2011-06-21 © CNB-Companhia Nacional de bailado, todos os direitos reservados



publicado por João Machado às 15:30
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2011
Convite - "Escritores, Poetas e Contadores de Histórias de Portugal e Moçambique"

 



Exmos.(as) Senhores(as)

A Acrenarmo tem o prazer de convidar V. Exa(s). para estar presente no nosso evento: "Escritores, Poetas e Contadores de Histórias de Portugal e Moçambique", que terá início no próximo dia 15 de Maio pelas 10.00h até às 19.00h, na sua sede (Junto ao Castelo de Leiria).

O evento será composto por:

. Feira do Livro Temática de Moçambique
. Encontro de Escritores
. Palestra dinamizada por Fernanda Angius e Delmar Gonçalves
. Tertúlia Poética
. Tertúlia "Histórias de um Passado em Moçambique"


Agradecemos a colaboração na divulgação do evento.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Batista
Presidente da Direcção

Mais informações, consultar o nosso blog: <<http://www.acrenarmo.blogspot.com/>>


ACRENARMO-Associação Cultural e Recreativa dos Naturais e Ex-Residentes de Moçambique
Largo de São Pedro - 2400-035 LEIRIA
Tel. 244 835 788

acrenarmo@gmail.com
<<http://www.acrenarmo.blogspot.com/>>
<<http://www.facebook.com/acrenarmo>>
<<http://www.myspace.com/acrenarmo>>



 



publicado por Luis Moreira às 11:00
editado por Carlos Loures às 11:14
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Sábado, 12 de Março de 2011
O Peso do Vazio - Mia Couto

 

 

Mia Couto  O Peso do Vazio

 

 

 Durante anos, o sistema bancário esteve vendendo vazios. Durante esse tempo a arte esteve no empacotar esse vácuo. Esse cultivo da aparência em substituição da substância invadiu as nossas sociedades, no Norte e no Sul do planeta. Esse fascínio pelo brilho exterior estende-se a todos os domínios. Não interessa tanto quem sejas. Interessa o que vestes e como te vendes. Não interessa o que realmente sabes fazer. Interessa a arte de elaborar CVs, de acumular cursos e de te saberes colocar na montra. Não interessa o que pensas. Interessa como embrulhas o pensamento (ou a sua ausência) num bonito invólucro de palavras. Não interessa, no caso de seres governante, como governas e como produzes riqueza para a sociedade. Interessa a pompa e a circunstância. Em suma, o que pesa é o vazio.

Nas artes, o espectáculo tomou conta dessa generalizada ausência de conteúdo. Pouco importa a voz da cantora. Quem escuta a desafinação se ela rebola os quadris com sedução de gata? Quem disse que uma boa cantora tem que cantar? Numa nação em que pouco dinheiro pode salvar vidas, patrocínios chorudos foram aplicados em programas mediáticos de procura do rosto mais bonito, do corpo mais esbelto.

As próprias letras das canções e os respectivos vídeo-clipes são um culto da ostentação oca e bacoca. Meninos de fatos italianos, cheios de penteados (a mostrar que lhes pesa mais o cabelo que a cabeça) e com dourados a pender dos dedos, dos dedos e do pescoço (a mostrar que precisam apenas de mostrar), meninos que cantam pouco e se repetem até à exaustão, fazem o culto deste vazio triste em que o que brilha é falso e o que é verdadeiro é mentira. Que valores se veiculam? O carro de luxo (dado pelo papá), a vida fútil, a riqueza fácil. Ai, pátria amada quanto te amam de verdade? Ai, África odiada quanto desse ódio te foi dedicado pelos próprios africanos? Quanto teremos que dar razão ao grande escritor Chinua Achebe quando disse, na carta que escreveu a Agostinho Neto: “O riso sinistro dos reis idiotas de África que, da varanda dos seus palácios de ouro, contemplam a chacina dos seus próprios povos?”

Essa substituição do conteúdo pobre pela forma e pelo aparato pobre faz parte da nossa cultura de empreendedores instantâneos. Há que criar uma empresa? O melhor é que ela não produza nada. Produzir é uma grande chatice, custa tempo e dá muito trabalho. O que está a dar é o lobby, a compra e venda de influências, é ser empresário de sucesso sobretudo porque esse sucesso vem de ser filho de alguém. Para a empresa ser de “peso” há que se gastar tudo na fachada, no cartão de visita, na sala de recepção.

Toda esta longa introdução vem a propósito de um outro jogo de aparências. O acto de pensar foi dispensado pelo uso mecânico de uma linguagem de moda. Já falei de workshops como um espécie de idioma que preenche e legitima a proliferação de seminários, workshops e conferências que pululam de forma tão improdutiva pelo mundo inteiro. Existem termos de moda como “o desenvolvimento sustentável”. Um desses termos mágicos que dispensa qualquer tipo de raciocínio e que cauciona qualquer juízo moral ou proposta política é a expressão “comunidade local”.

Mas aqui surge uma outra operação: por artes inexplicáveis as chamadas “comunidades locais” são entendidas como agrupamentos puros, inocentes e portadores de valores sagrados. As comunidades rejeitam? Então, nada se faz. As comunidades queixam-se? É preciso compensá-las, de imediato, sem necessidade de produzir prova. As comunidades surgem como entidades fora deste mundo e olhadas como um bálsamo purificador por um certo paternalismo das chamadas potências desenvolvidas.

As comunidades estão acima de qualquer suspeita, são incorruptíveis e têm uma visão infalível sobre os destinos da humanidade. É assim que pensam uns tantos missionários dessa nova religião que se chama “desenvolvimento”. Uma tropa de associações cívicas, organizações não governamentais servem-se desse conceito santificado e santificante. Essa entidade pura não existe. Felizmente. O que há são entidades humanas, com os defeitos e as virtudes de todas as entidades compostas por pessoas reais.

O esforço de idealização promovido quer pelos profetas do desenvolvimento quer pelos defensores dos fracos não confere com a realidade que é mais complexa e mundana. O bom selvagem defendido por Rosseau nunca foi nem “bom”, nem “selvagem”. Foi simplesmente pessoa.



(in O País, 12 de Fevereiro de 2011)


 



publicado por Augusta Clara às 19:00
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011
Malangatana - por Manuel Augusto Araújo

continuação...
É o ano de 1961. Mondlane recusa qualquer colaboração com a administração colonial e entra directamente na luta pela libertação de Moçambique, unificando os incipientes movimentos independentistas. É um dos fundadores e será o primeiro presidente da FRELIMO, que inicia a luta armada em 1964. Mondlane será assassinado em 1969, vítima de um atentado perpetrado pela PIDE.
Nesse mesmo ano, Malangatana Valente Ngwenya (Valente porque a potência colonial obrigava à inclusão de um nome português no registo dos autóctones) faz a sua primeira exposição nos salões da Associação dos Organismos Económicos. O êxito é notável. A recepção crítica e as vendas surpreendem confessadamente Augusto Cabral, quem lhe tinha dado os primeiros pincéis, as primeiras tintas.
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O mundo colonial virado do avesso

Malangatana tinha rebentado uma tempestade tropical. O empregado que servia à mesa onde só se sentavam brancos, tinha dado um enorme e sonoro arroto que estilhaçou todas as regras de etiqueta importadas de uma metrópole distante. O paternalismo colonialista dos brandos costumes inquietou-se com o sucesso do negro apanha bolas num clube reservado a brancos. Havia que o domesticar, integrando-o, se possível. Havia ainda um outro não menor incómodo. Um jovem pintor, sem qualquer formação académica, tinha a terceira classe e frequentara esporadicamente uns cursos no Núcleo de Arte, entrava como um ciclone nos meios artísticos afirmando as suas raízes africanas, a sua cultura africana, fora de todos os padrões ocidentalizados na altura dominados pelas correntes abstraccionistas, favorecidas ideologicamente contra os realismos. Era o mundo colonial e eurocêntrico virado do avesso.
O sucesso em Moçambique ecoa por África dos países recém-independentes. Em 1962 a revista Black Orpheus, editada na Nigéria, país que tinha conquistado a independência dois anos antes, dedica-lhe um extenso artigo profusamente ilustrado. Malangatana tinha alcançado o sucesso a uma velocidade vertiginosa. Vertiginosa era também a circulação das suas obras por terras africanas.
Perante a realidade incontornável da fulgurância da sua obra, foi convidado a participar na Bienal de S. Paulo, integrando a representação portuguesa. Recusa esse convite tal como ordena, como forma de protesto contra a prisão de Nelson Mandela, que os seus quadros sejam retirados de uma exposição de artistas moçambicanos que percorria a África do Sul. São sinais evidentes da sua africanidade, de orgulho na sua identidade moçambicana, de outra Moçambique que não a da sonsamente violenta província ultramarina. O crocodilo (Ngwenya) tinha devorado o valente.
Em 1964, ano em que a guerra de libertação se inicia no Norte de Moçambique, Malangatana, acusado de colaborar com a FRELIMO, é preso pela polícia política portuguesa. Durante dezoito meses conhece dureza do regime colonial. Não se deixar abater. É um embondeiro de raízes fundas.

Um cidadão do mundo

Sai da prisão, volta aos pincéis, às tintas. As suas florestas continuam a invadir e a fixar-se nos suportes por onde espalha o seu enorme talento. Em 1971, a Fundação Gulbenkian atribui-lhe uma bolsa para estudar gravura e cerâmica em Lisboa. No ano seguinte fará a sua primeira exposição individual na capital do esfarrapado império, na Sociedade Nacional de Belas-Artes e depois na Bucholz. Já era considerado um dos grandes artistas de uma África a viver a excitação da emergência de novos países, desenhando um novo mapa em que o seu país não figurava.
Finalmente em 1974, Moçambique torna-se independente e Malangatana é, naturalmente, o grande artista nacional.
A sua profunda inteligência, a sua estatura humana não se deixaram enredar por esse reconhecimento. Envolve-se directamente na política e continua a pintar, a desenhar, a gravar, a fazer escultura. Continua principalmente a reinventar a sua obra, agora também em grandes murais e outra obra pública, sempre com os pés bem mergulhados na sua terra africana. Continua a viver a vida, a cantar, a dançar, a comer e a beber com o grande prazer e alegria de um cidadão do mundo enquanto se desmultiplica em inúmeras iniciativas políticas, de dinamização das artes no seu país e de protecção das crianças. Foi deputado da FRELIMO, participou em acções de alfabetização e de mobilização ideológica. Foi um dos organizadores do Museu Nacional de Arte de Moçambique e da actual Escola de Artes Visuais. Criou núcleos de artesãos das zonas verdes de Moçambique e deu nova vida ao Núcleo de Arte, uma associação de artistas plásticos. Em prol das crianças a sua actividade foi sempre intensa da Associação dos Amigos da Criança, de que foi director, à Associação do Centro Cultural de Matalana, a sua terra natal, que desenvolve vasta actividade social e cívica. No meio de tanta actividade nunca deixou de pintar, desenhar, gravar, esculpir.
Malangatana foi um artista único e um homem com três metros de altura

















publicado por Luis Moreira às 13:00
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011
Cronologia da Guerra Colonial- 1964 - 4 - por José Brandão

 

JULHO

?

- Guiné, o PAIGC utiliza a metralhadora pesada Bren (apreendida em 1963) e a metralhadora Borsig.

- Conferência de alto nível de 34 chefes de Estado africanos no Cairo, em cuja ordem do dia se salienta a apreciação do relatório do Comité de Libertação de Africa e o exame da situação nas colónias portuguesas.

- Interferência do presidente do Congo-Brazzaville na Conferência do Cairo, pondo em causa a decisão tomada pela OUA em favor do GRAE de Holden Roberto, que leva à criação de uma subcomissão para averiguações.

- Os movimentos de libertação adaptam a sua propaganda à realidade e visam atingir os militares portugueses, convencendo-os de que a guerra em África lhes é imposta, devendo os seus esforços voltarem-se contra o Governo português.

- Declarações do assistente do secretário de Estado americano para os Assuntos Africanos sobre o desejo de ver Portugal reconhecer publicamente o princípio da autodeterminação, devendo-se encorajar ambas as partes às cedências necessárias a um acordo.

2

- Morre em combate em Angola um furriel da CCav 624.

- Morrem em combate na Guiné 2 militares do PelRec 42 e um do BCaç 507.

3

Início do 1° Curso de Comandos da Guiné no aquartelamento em Brá.

5

Independência da Niassalândia que toma o nome de Malawi, presidido por Hastings Banda.

6

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 404.

- D. L. n.° 45 796. Cria a Embaixada de Portugal em Zomba, no Malawi.

8

Morrem em combate na Guiné 3 fuzileiros especiais.

9

- Partem para Angola o BArt 701 e a 1ª CCmds.

- Ampliado o período de escolaridade obrigatória (de 4 para 6 anos).

10

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 553.

- Regulamento Policial. É proibido o trânsito ou permanência de pessoas descalças em todos os lugares públicos da área do distrito de Lisboa (Ficam excluídas desta proibição as áreas das praias marítimas ou fluviais e das piscinas).

12

Morrem em combate em Angola o capitão Carlos Duarte Prudente, 2 furriéis e 1 cabo da CCav 487.

15

Partem para a Guiné o BCaç 697 e o BEng 447.

17

- Morre em combate em Angola 1 militar pára-quedista do BCP 21.

- O cônsul de Portugal na Rodésia dá garantias de apoio a Ian Smith para o caso de uma declaração da independência unilateral pela minoria branca.

18

- Demissão de Jonas Savimbi do GRAE e da FNLA.

- Parte para a Guiné o BCav 705.

21

- O capitão António Afonso Vigário e uma praça da CCaç 546 morrem em combate em Angola.

- Morre em combate na Guiné um fuzileiro especial do DFE 8.

22

Morrem em combate em Angola um furriel da CCav 680 e uma praça da 7ªCCaç/RINL.

23

Américo Tomás inicia uma visita a Moçambique.

29

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 675.

31

- Proibido o livro Raízes da Expansão Portuguesa, de António Borges Coelho, «por se tratar de um escrito dissolvente e isento de seriedade», na opinião da Censura.

- Acidente em Angola causa 10 mortos nas forças portuguesas. Sete são militares do PelAAA 960.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 47 mortos. Em acções de combate morreram 20 militares.

 

AGOSTO

?

- O MPLA desenvolve uma intensa campanha política a partir do Congo-Brazza, tentando aproveitar a crise da FNLA.

- A FNLA procura atenuar os efeitos da crise interna motivada pelo abandono de alguns dos seus dirigentes.

1

- Os funcionários públicos em Angola passam a frequentar, com carácter obrigatório, exercícios de defesa civil.

- O Congo-Leopoldville toma a designação de República Democrática do Congo (RDC).

- Entrada dos primeiros guerrilheiros da FRELIMO em Moçambique, com três grupos de comandos, vindos da base de Mtwara, na Tanzânia.

5

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 673.

- Rebeldes congoleses tomam Stanleyville.

6

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 468.

7

Proibição do livro Falsos Preconceitos, de Nita Clímaco, por falar de homossexuais.

15

- Morrem em combate em Angola 2 militares do BArt 525.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da 4ª CCaç.

16

Morre em combate na Guiné 1 militar da 4ª CCaç.

17

Morrem em combate na Guiné 4 militares. Três da 4ª CCaç e um da CArt 643.

21

Primeira acção violenta na região de Cabo Delgado, Moçambique, na rampa de Esposende (Sagal) e na primeira ponte no sentido Mueda-Mocimboa da Praia, tendo sido atacada uma viatura civil com dois tiros de canhangulo.

24

Morte do padre Daniel, da missão de Nangololo, no Norte de Moçambique, em consequência de um ataque mal esclarecido. Havia um “imposto de palhota”, cobrado para o administrador do posto da região, que motivava muitos protestos e descontentamentos entre os negros. Os poucos missionários cristãos instalados na região dos macondes tentavam sensibilizar a administração de posto para corrigirem algumas situações mais injustas no relacionamento com os indígenas; por isso mesmo, causou grande espanto o ataque desferido à missão de Nangololo, onde foi morto o missionário Daniel, ainda antes da Frelimo ter iniciado a guerrilha contra os portugueses. Antecipando-se à Frelimo, um grupo dissidente, terá sido o autor do assalto à missão.

27

Morrem em combate na Guiné 5 militares da CArt 565.

31

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 32 mortos. Em acções de combate morreram 15 militares.

 

SETEMBRO

?

- Na Guiné, o PAIGC utiliza o seguinte armamento: metralhadora 7.62 Guryumov m/944 com reparo, carabina Mosin-Nagant, pistola-metralhadora PPSH (chinesa), espingarda Mauser 7.9, pistola-metralhadora Thompson 11.4 e minas A/C TM 46.
- É criado na Guiné o Centro de Instrução de Comandos, sendo seu comandante o major de Infantaria Correia Dinis.

1

Início do Curso da 1ª. Companhia de Comandos na Região Militar de Angola, recrutada entre os Pelotões de Infantaria de reforço da RMA. Terminaram o Curso em 03 de Fevereiro de 1965.

5

Morrem em combate em Angola 5 militares da CCav 680 e um da CCaç 466.

6

- Morrem em combate em Angola o tenente-coronel Alberto Ferreira Freitas da Costa e o capitão Carlos Alberto Ferreira do BArt 400.

- Morre num acidente em Angola o alferes da Força Aérea Frederico Gonçalves.

8

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 609.

13

Morre em combate em Angola 1 militar da CArt 529.

14

Morte do guarda auxiliar da PSP Martins, por um grupo armado, na zona de Mueda, em Moçambique.

17

O governador da Guiné, Arnaldo Schultz, declara que «a paz começou a voltar à província».

21

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 554.

22

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 448.

24

- Primeira acção da FRELIMO no Niassa, com ataque ao posto administrativo do Cobué.
- Colocação por parte da FRELIMO de abatises e abertura de pequenas valas nos itinerários Miteda-Nangololo-Muatide-Muidumbe-Estrada das Oliveiras.
- Destruição pela FRELIMO das pontes de Quinhevo (junto a Mocímboa da Praia), Esposende (Sagal), rio Mueda, Nangade e Manchoma.
- A FRELIMO corta a linha telefónica nas imediações das pontes do Quinhevo e de Esposende.

25

- A França anuncia a entrega a Portugal de oito navios de guerra, como contrapartida pela cedência da base das Flores.
- Ataque da guerrilha à lancha Castor, da Marinha Portuguesa, no lago Niassa (Moçambique).

- Início oficial da luta armada em Moçambique, conduzida pela FRELIMO, com um ataque a Chai, situado entre Macomia e o rio Messalo (Cabo Delgado). Estava aberta mais uma frente de guerra para dificultar mais a vida dos jovens portugueses. A FRELIMO contava então com cerca de 250 guerrilheiros devidamente armados.

29

Ataque da FRELIMO a Mueda, incluindo a base aérea, ataque que foi repetido no dia seguinte.

30

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 23 mortos. Em acções de combate morreram 12 militares.

 

OUTUBRO

?

Reacção pelo fogo a um reconhecimento efectuado por tropas portuguesas e realização de uma emboscada por parte de FRELIMO, o que acontece pela primeira vez.

1

Morre em combate em Moçambique 1 militar do BCaç PA.

5

Início da II Conferência Plenária dos Países Não Alinhados no Cairo, com a presença de Holden Roberto, em cujo comunicado se apela ao apoio material, financeiro e militar aos combatentes da liberdade dos territórios sob domínio português.

7

Partem para Angola os BCaç 717, 721 e 725.

8

Parte para a Guiné o BArt 733.

10

Ataque a uma viatura dos Caminhos de Ferro de Moçambique na estrada Mueda-Muidumbr, que causou a morte do condutor.

11

Acção violenta da FRELIMO próximo da estrada para o rio Messalo, onde são queimadas duas cantinas.

13

- A FRELIMO, na estrada Mueda-Nacatar, assalta e incendeia uma cantina.
- Portugal e a África do Sul assinam oito acordos de cooperação, um dos quais relativo à utilização do rio Cunene.

15

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 533.

16

A China faz explodir a sua primeira bomba atómica.

17

- Arrombamento e assalto da loja de Ibarimo Ucuba, na povoação de Namulumba (Moçambique).

- D. L. n.° 45970. Torna aplicáveis aos indivíduos mutilados, estropiados ou por qualquer forma incapacitados ao serviço da Pátria, as disposições do D. L. n.° 44356 de Maio de 1962, que determina que seja gratuita ou beneficie de redução a admissão e instrução ou internamento de todos os estabelecimentos de Ensino do Estado dos filhos dos mesmos indivíduos.

- D. L. n.° 45974. Determina que a organização de voluntários, criada em cada uma das Províncias Ultramarinas pelo D.L. n.° 44217 de 3 de Março de 1962, assuma nos escalões correspondentes, conjuntamente com as que no referido diploma lhe são atribuídas, as responsabilidades de preparação, organização e execução da defesa civil previstas no D. n.° 43571 de 29 de Março de 1961, passando a usar a designação de Organização Provincial de Voluntários e Defesa Civil (OPVDC).

- Oliveira Salazar concede uma entrevista a Roland Faure, que é publicada no L’Aurore.

- Realiza-se a III Conferência da FPLN, em Argel. Humberto Delgado, que não assiste à conferência, retira-se da Frente, consumando-se a cisão.

20

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 567.

21

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 567.

- O governo classifica a anunciada visita do Papa a Bombaim como uma «injúria» a Portugal.

- Parte para Moçambique o BCaç 729.

22

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 448.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 677.

24

- Morre em combate em Angola 1 militar CCaç 472.

- Independência da Rodésia do Norte, que toma o nome de Zâmbia, sob a liderança de Kenneth Kaunda.

25

Morrem em combate na Guiné 2 militares do Destacamento de Fuzileiros Especiais 7.

28

Grupo de 224 homens do PAIGC, atacou durante a noite o quartel de Cabedú. O ataque demorou cerca de uma hora.

29

Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 495.

31

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 40 mortos. Em acções de combate morreram 10 militares.

 

NOVEMBRO

?

- Ataque a um posto de sentinela em Mutarara, primeira acção da FRELIMO na zona de Tete.

2

Morre em combate em Angola 1 militar pára-quedista do BCP 21.

3

Morre em combate na Guiné 1 militar fuzileiro especial do DFE 9.

4

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 556.

5

- Morre em combate em Angola um furriel da CCaç 475.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 732.

- Num referendo na Rodésia do Sul, 90% da população vota a favor da independência.

7

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 485.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 566.

10

Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 566.

11

- Morre em combate em Angola 1 militar da CArt 1453.

- Em Moçambique dois militares são dados como desaparecidos.

16

- Primeiras baixas sofridas pelas tropas portuguesas no Norte de Moçambique, na região de Xilama, Cabo Delgado.

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç 613.

- Apresentação ao Comité de Libertação da OUA, de um relatório da subcomissão de análise do problema angolano, cujas conclusões apontam para a revisão das decisões anteriores e a atribuição de uma ajuda concreta ao MPLA.

18

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 724.

- Morre em combate na Guiné um furriel do BCaç 619.

20

- Chegada a Moçambique do Destacamento de Fuzileiros Especiais nº 1 (DFE 1), que se instala em Porto Amélia (Pemba).

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 774.

21

Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 482.

22

O Diário de Moçambique, da Beira, é suspenso por publicar «uma versão falsa de confrontos militares no Norte de Moçambique».

23

Morre em combate na Guiné um furriel da CArt 495.

24

- Pára-quedistas belgas, o Exército congolês e mercenários brancos reconquistam a cidade de Stanleyville, no Catanga.

- Morrem em combate em Angola 3 militares da CCaç 472.

- Morrem em combate na Guiné 2 militares do PelRec 963.

25

O Comité de Libertação da OUA reconhece o MPLA como único representante do povo angolano.

27

Aprovado o Estatuto da PSP de Angola.

28

- Um Unimog com 10 elementos de um grupo de Cmds, accionou uma mina A/C na estrada de Madina do Boé para Contabane. O grupo de comandos seguia em duas viaturas. A primeira passou, a segunda pisou a mina. Do rebentamento e do incêndio que se seguiu morreram nove dos dez elementos que seguiam na viatura. Sem comunicações rádio, elementos da primeira viatura seguiram para Madina, em busca de apoio, enquanto os restantes assistiram à morte, um a um dos elementos gravemente feridos.

- Em Guileje, um numeroso grupo da guerrilha do PAIGC atacou violentamente o aquartelamento e a povoação, causando mortos e feridos entre a população e militares destruindo as instalações

- Morrem em combate na Guiné 9 militares. Cinco pertencem ao BCaç 599.

29

Morre em combate na Guiné um furriel da CCaç 726.

30

- Nomeação do brigadeiro Emílio Moura dos Santos para o cargo de segundo-comandante da RMM – Região Militar de Moçambique.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 61 mortos. Em acções de combate morreram 30 militares.

 

DEZEMBRO

?

- Início da constituição das milícias, na Guiné.
- Na Guiné, o PAIGC utiliza o seguinte armamento: metralhadora ligeira Degtyarev (russa), espingarda automática Kalashnikov 7.62 (russa), espingarda automática Simonov (russa), morteiro 60 e pistola Ceska.
- Despenha-se em Teixeira Pinto (Guiné), uma avioneta Auster D.5/160 Husky, de que resulta a morte de 1 sargento e 1 cabo (este tinha feito as gravações das mensagens de Natal).
- Assalto da FRELIMO ao posto administrativo de Olivença, no Niassa.
- Acção da FRELIMO no Charre (Tete).

1

Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 496.

2

- Morre em combate em Angola um furriel do BCaç 451.

- O Conselho de Segurança da ONU decide ouvir em audiências os movimentos de libertação de Angola, Guiné e Moçambique.

5

Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 625.

6

Morre em combate em Angola 1 militar da CArt 700.

8

- Morre em combate na Guiné 1 militar do BCaç 599.

- Ataque da FRELIMO ao posto de Muidumbe, durante cerca de vinte minutos, com armas automáticas e lança-granadas-foguete.

9

Morre em combate em Angola um alferes pára-quedista do BCP 21.

12

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 702.

- Em Moçambique morre na queda de um avião T-6, quando realizava um bombardeamento em Mueda, o major da Força Aérea João António Santos Gomes.

15

Início do I Congresso do PAIGC, realizado no interior da Guiné.

18

Morre num acidente em Angola o tenente-coronel Alberto Costa do BCaç 717.

20

- Morre em combate na Guiné 1 militar da 4ª CCaç.

- Vaga de prisões em Lourenço Marques, contando-se entre os presos José Craveirinha, Rui Nogar, Luís Bernardo Honwana e Malangatana Valente.

21

A Assembleia-Geral da ONU reconhece a legitimidade da luta que os povos sob dominação portuguesa travam para alcançar a sua liberdade e independência.

25

Morrem em combate em Angola 2 militares do BCaç 3.

28

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 675.

- Morre em combate em Moçambique 1 militar da CCaç 403.

29

Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 732.

31

- O ministro Franco Nogueira declara que Portugal «estará certamente entre os primeiros» a abandonar a ONU.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 39 mortos. Em acções de combate morreram 13 militares.
-Os efectivos militares portugueses ascendem a 52 493 homens em Angola, 15 193 na Guiné e 18 049 em Moçambique. As tropas portuguesas sofrem 409 mortos nos três teatros de guerra sendo 200 em combate. As despesas militares constituem 42,2 por cento do total das despesas públicas.



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Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011
Cronologia da Guerra Colonial - 1964 - por José Brandão

1964

 

JANEIRO

?

- Fogem de Bissau dirigentes do PAIGC, que as autoridades militares portuguesas consideravam recuperados.
- O ministro Franco Nogueira encarrega Jorge Jardim de procurar estabelecer relações com Pequim, mas Salazar acaba por voltar atrás com a iniciativa.
- Ofensiva do PAIGC na Guiné, ilha do Como, criando a primeira zona libertada no território.

- A PIDE analisa a evolução da situação militar em Angola. Segundo esta polícia: Os ataques realizados, em princípios de 1964, nas regiões do Ambriz, Ambrizete, Musserra e Quingombe revelavam que o inimigo dispunha de «excelente informação» do que se passava nessas regiões. E revelava, ainda, uma «razoável preparação técnica e táctica nos aspectos operacionais de manejo das armas utilizadas, dada a precisão de tiro com que atingiu objectivos visados e bem definidos».

O distrito de Malange estaria ameaçado a norte, pela UPA, e a sul pela UNITA. Contudo, o único movimento que preocupava seriamente a polícia era o MPLA, que tinha a intenção de estabelecer uma ligação entre a I e a III Regiões Militares, através de Malange, que, juntamente com a Lunda, formavam a sua IV Região Militar.

1

- Morre em combate em Angola um furriel da CCaç 502.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 508.

3

- O MPLA realiza a Conferência dos Quadros e dos Militantes Activos.
- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 413.

4

- Morrem em combate em Angola um alferes da CCaç 539 e um soldado do CmdAgr 9.

- O governo publica legislação autorizando os militares portugueses em serviço nas colónias a votarem em eleições legislativas.

5

- Ataque do PAIGC ao quartel de Mansabá atingindo todo o perímetro da unidade militar portuguesa.

- Morrem em combate em Angola 6 militares da CCaç 539 entre os quais o capitão Isidoro de Azevedo Coelho.

6

Morrem em combate em Angola 3 militares. Um do BEng 234, um da CCaç 539 e um do PelMort 32.

7

Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 564.

8

Parte para a Guiné o BCaç 619.

9

Morre em combate em Angola 1 militar do CmdAgr 9.

10

Morre em combate em Angola 1 militar do CmdAgr 9.

11

- Morre em combate na Guiné um furriel da CCaç 425.

- Aprovação, pela Assembleia Nacional, de uma moção de apoio à «política de defesa intransigente do solo pátrio», com referência ao Ultramar.

12

Rebelião no Zanzibar onde é proclamada a república; o sultão parte para o exílio.

14

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 434.

- Início da operação “Tridente”, em que forças portuguesas, comandadas por Fernando Cavaleiro, desembarcam na ilha do Como, no Sul da Guiné, operação que se prolonga por 75 dias.

15

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 531.

16

- Partem para Angola o BCaç 646 e o BCav 627.

- Morre em combate em Angola um furriel da CCaç 474.

20

- Realiza-se a 2ª Conferência das Forças Antifascistas Portuguesas promovida pela FPLN.

- Morrem em combate na Guiné 2 fuzileiros especiais do DFE 8 e um furriel da CCav 567.

22

Kenneth Kaunda torna-se o primeiro-ministro da Rodésia do Norte.

24

Morrem em combate na Guiné 3 militares. Dois são da CCav 487 e um da CCav 567.

25

- Parte para Moçambique o BCaç 608.

- Morre de doença em Angola o tenente-coronel José Lopes Falcão do BArt 525.

27

Morre em combate na Guiné um alferes da CArt 494.

29

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 557.

31

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 37 mortos. Em acções de combate morreram 29 militares.

 

FEVEREIRO

?

- Em Quitafine, no Sul da Guiné, realizou-se uma reunião de quadros do PAIGC, e foram referenciados pelas forças portuguesas morteiros de 82 mm na Ilha do Como.
- Os oficiais Honório Chantre, cabo-verdiano, e Nuno Manuel Rodrigues, açoriano, desertam do Exército português e fogem para o Congo.

1

- Em Morés, na Guiné, atingidos a tiro um avião T-6 e um helicóptero que procedia à evacuação de feridos em combates.

- Morrem em combate na Guiné 2 militares da CCaç 413.

- Melhoria da actividade do ELNA em Angola, com armamento de maior potência, maior dispersão de acções de guerrilha e melhor preparação do pessoal.

2

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 531.

3

A China Popular afasta-se ideologicamente da União Soviética.

4

Morre em combate na Guiné um furriel do BCaç 507.

5

Início do Curso de Comandos, em Quibala Norte, ministrado a 7 grupos, sendo 1 de Oficiais e Sargentos destinados à instrução pelo Cl 25, oficializado por despacho de 30 de Outubro de 1963 do General Comandante da Região Militar de Angola.

7

Durante a operação “Tridente” realizada na mata de Cachide as tropas Pára-quedistas sofreram o seu primeiro morto no teatro de operações da Guiné: soldado pára-quedista Daniel Rosa Neto.

8

Proibida a antologia poética editada pela Casa dos Estudantes do Império, Poetas de S. Tomé e Príncipe, por serem «poesias reveladoras de rebeldia e oposição à soberania nacional…».

10

Partem para Angola o BArt 635 e o BCav 631.

12

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 508.

13

- Morre em combate em Angola um furriel da CCaç 470.

- O PAIGC inicia o seu 1º Congresso, em Cassacá, no Sul da Guiné.

14

Morrem em combate em Angola 2 militares da CCaç 426 e 480.

15

O arquipélago do Como, constituído pelas ilhas de Caiar, Como e Catunco foi alvo de uma acção militar das tropas portuguesas, a operação “Tridente”.

Cerca de mil homens, entre forças do Exército, Marinha e Força Aérea desembarcaram em 15 de Janeiro, acção que se prolongou por cerca de 71 dias. Comandou a operação o tenente-coronel Fernando Cavaleiro (3 CCaç do BCav 490, inicialmente três destacamentos de Fuzileiros, dos quais ficaram dois até ao final, os comandados pelos 1º Tenentes Alpoim Galvão e Ribeiro Pacheco,  a CCaç 557, 1 PelCaç, 1 Pel Páras, 1 Pel obuses 8,8 com duas bocas de fogo e um grupo de comandos, o primeiro da Guiné, comandado pelo Alferes Maurício Saraiva).

Pela dimensão das forças envolvidas e pelos meios utilizados, a operação “Tridente” foi, talvez a maior operação militar efectuada no território.

17

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 483.

- Início do 1°. Curso de Comandos em Moçambique, na Namaacha. Foram formados 2 grupos de Comandos.

22

Morre em combate em Angola um alferes da CCaç 415.

23

Morre em combate na Guiné 1 militar pára-quedista do BCP 12.

27

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 412.

28

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 459.

- Morrem em combate na Guiné 2 militares da CCaç 556.

29

- Morrem em combate em Angola 5 militares da CCaç 415.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 32 mortos. Em acções de combate morreram 21 militares.

 

MARÇO

1

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 468.

3

Violentos combates pela reconquista da ilha do Como, na posse do PAIGC.

4

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 594.

- Parte para a Guiné o BArt 645.

- Publicação em Ordem de Serviço do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné do Louvor ao Grupo de Comandos que participou na Operação “Tridente” oficializando, assim a sua existência. Foi considerado, mais tarde, como data da criação dos “Comandos” no Comando Territorial Independente da Guiné (CTIG).

5

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 416.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 413.

- A Alemanha anuncia a concessão de facilidades a Portugal para a recuperação de soldados mutilados nas guerras coloniais.

8

Dirigentes do PAIGC e da FPLN reúnem-se em Argel.

11

A Africa do Sul retira-se da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

14

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 478.

15

Morrem em combate na Guiné 2 militares do BCaç 507 e da CCaç 412.

17

- Morre em combate em Angola um furriel da CCaç 464.

- O secretário-geral da ONU, U Thant, apresenta ao Conselho de Segurança um relatório sobre a presença em Angola de mercenários e ex-gendarmes catangueses.

21

Um comunicado da PIDE acusa «Delgado e o seu grupo» de auxiliarem os «grupos terroristas africanos» na luta contra a Mãe-Pátria.

24

- Morre em combate em Angola 1 militar do Sec 903.

- Fim da operação “Tridente”, na Guiné, que se desenvolveu na região de Como, envolvendo as ilhas de Como, Caiar e Catunco. A operação durou 71 dias e causou às forças portuguesas 9 mortos, 47 feridos e cerca de 200 militares evacuados por doença.

- Morrem em combate na Guiné 3 militares da CArt 640.

25

Morrem em combate na Guiné 2 militares. Um da CArt 640 e um da CCaç 616.

27

Morre em combate em Angola 1 militar da CArt 634.

31

- Em reunião do Comité Central do PCP, Álvaro Cunhal apresenta o documento “Rumo à Vitória” (As tarefas do Partido na Revolução Democrática e Nacional), que é aprovado.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 25 mortos. Em acções de combate morreram 15 militares.

 

ABRIL

?

- Utilização, pelo PAIGC, da mina A/P POMZ-2 e do morteiro 82.

- Nos inícios do mês foi decidido enviar uma força militar para a mata de Cassaca. Como preparação, na véspera, os dois obuses de Catió despejaram granadas durante cerca de 30 minutos sobre a mata. A seguir, o PV25 largou as suas bombas e, ao nascer do sol, dois F-86 metralharam a mata. Após a retirada destes, entraram na grande mata do Cachil as forças terrestres apoiadas por uma parelha de T-6. Ao tentarem atravessar uma clareira para a mata sofreram cerca de uma dezena de feridos e foram obrigadas a recuar pela guerrilha bem instalada.

- Agostinho Neto, em entrevista à Rádio Moscovo, defende a realização de um congresso de todas as organizações nacionalistas angolanas, para resolução dos diferendos e constituição de uma frente comum contra Portugal.

- Conferência Internacional dos Sindicatos Livres em Adis Abeba, em que está presente o vice-presidente do GRAE, Kouneika, sendo aprovada uma resolução que condena a política colonial portuguesa.

- Crónica do New Statesman sobre a situação em Angola, afirmando que os «problemas que Angola defronta são profundos e a longo prazo. Os portugueses, isolados da realidade, descuidados da situação, estão a aplicar a sua solução com a ponta das espingardas».

- Em Sófia, na Bulgária, sete quadros do MPLA iniciam um curso de seis meses. A estes sete elementos juntar-se-ão outros quatro, que já tinham estado em Praga, na Checoslováquia.

1

- Parte para Moçambique o BArt 639.

- Morre em combate em Angola um pára-quedista do BCP 21.

4

Morre em combate em Angola um fuzileiro especial do DFE 4.

6

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 622.

7

Portugal e a França assinam um acordo para a instalação de uma base francesa de rastreio de mísseis na Ilha das Flores, Açores.

12

Morre em combate em Angola um alferes da Força Aérea.

13

- Ian Smith torna-se primeiro-ministro da Rodésia do Sul.
- O Directório da Acção Democrata-Social (Azevedo Gomes, Cunha Leal, Raul Rego) pedia para o «problema ultramarino», solução política não militar que passasse pela autodeterminação democrática.

14

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 501.

15

- Morrem em combate em Angola 5 militares da CCaç 535.

- Declaração do estado de emergência no Norte do Zambeze, em Moçambique, para onde são enviados 2500 militares portugueses.

- Início da greve dos pescadores do Algarve que se prolongará por doze dias.

22

- É constituída em Genebra a Acção Socialista Portuguesa (ASP), contando-se Mário Soares entre os fundadores.
- Por cisão do PCP é constituído o Comité Marxista-leninista Português (CMLP), liderado por Francisco Martins Rodrigues.

25

Morrem em combate em Angola 2 militares do BCav 631.

27

União do Tanganhica e do Zanzibar que passam a chamar-se Tanzânia com Julius Nyerere à frente do Estado.

29

Imposição, pelo Brigadeiro Fernando Louro de Sousa, Comandante-Chefe da Guiné, de "crachats" de "Comandos" aos Oficiais, Sargentos e Praças do Grupo de Comandos que actuou na Operação "Tridente" e ao Director de Instrução de Comandos da Guiné.

30

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 26 mortos. Em acções de combate morreram 12 militares.

 

MAIO

?

- O PAIGC procura criar condições favoráveis ao seu reconhecimento pela OUA como único partido nacionalista da Guiné através de uma intensa actividade diplomática e de propaganda.

- Luta no interior do GRAE entre Holden Roberto e uma facção chefia da por Jonas Savimbi, ministro dos Negócios Estrangeiros.

- O estudante José Luís Saldanha Sanches é ferido em confrontos com agentes da PIDE e levado sob prisão para o Hospital de São José. Mário Soares é o advogado que se oferece para defender Sanches.

1

- Dia Internacional do Trabalho realizado na ilha de Zanzibar, com centenas de convidados da África e da Europa, para celebrar a união de Zanzibar e Tanganhica, estando presentes delegados dos grupos de libertação de Angola e de Moçambique.

- Em Lisboa, junto ao Palácio Foz, a PIDE terá disparado sobre manifestantes e morto David Almeida Reis.

3

O brigadeiro Louro de Sousa, comandante do CTIG (abandonou as funções no mesmo mês), recebeu, em Bissau, uma delegação estrangeira que pretendia obter informações oficiais das autoridades portuguesas sobre o uso de napalm na operação “Tridente” (Ilha do Como).

5

Morre em combate na Guiné 1 militar do PelRec 947.

7

Regulamentada a concessão da medalha comemorativa das expedições das Forças Armadas portuguesas a todos os militares ou equiparados e elementos das forças militarizadas, da Metrópole ou do Ultramar, que tenham pertencido ou venham a pertencer às forças de terra, mar e ar em actuação nas províncias ultramarinas de Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Macau e Timor.

8

O brigadeiro Arnaldo Shultz torna-se Governador e Comandante-Chefe na Guiné.

9

- Partem para Angola o BCav 682 e o BCaç 670.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 640.

10

Transferência do Centro de Instrução N° 25 (Cl 25) da Quibala Norte para Belo Horizonte, nos arredores de Luanda, passando a funcionar com carácter permanente.

12

Morrem em combate em Angola 5 militares da CCaç 552.

14

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 552.

- Directiva Inicial de Acção Psicológica.

15

Morrem em combate em Angola 2 militares da CArt 632.

16

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 622.

- Devido a acidente morrem em Moçambique um tenente, um sargento e um furriel.

24

Morre em combate em Angola 1 militar pára-quedista do BCP 21.

25

O governo renova o convite a U Thant da ONU para visitar Angola e Moçambique.

27

D. L. n.° 45733. Estabelece normas de reclassificação dos sargentos e dá nova estruturação ao actual quadro de amanuenses do Exército, que passa a designar-se “quadro de sargentos do serviço geral do Exército”.

29

Aprovado o Estatuto do Corpo de PSP da Guiné.

31

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 556.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 24 mortos. Em acções de combate morreram 13 militares.

 

JUNHO

?

- Reconhecimento oficial do GRAE pela Comissão dos Nove da OUA, reunida em Dar-es-Salam.

- Condenação da administração colonial portuguesa durante o 48º Encontro da OIT em Genebra.

- Comentário da BBC sobre a política portuguesa: «Os portugueses não podem pregar aos quatro ventos que estão a difundir os ideais do cristianismo e a cultura ocidental, se continuam a recusar aos africanos a independência, direito humano fundamental».

1

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 487.

- Reestruturação da FRELIMO, com distinção dos aparelhos político-administrativo e político-militar, sendo criadas quatro regiões, que se subdividem em comandos regionais.

3

- Morrem em combate em Angola 2 militares do BCaç 503.

- U Thant, secretário-geral da ONU, não aceita o convite de Portugal para visitar Angola e Moçambique, «uma vez que, nas presentes circunstâncias, tal visita não servirá objectivo útil».

4

U Thant declina o convite de Lisboa.

6

Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 642.

7

Morre em combate em Angola um furriel do BCaç 503.

8

Morre em combate em Angola 1 militar do BCaç 3.

9

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 465.

12

Nelson Mandela é condenado a prisão perpétua na África do Sul.

14

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 610.

26

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 622.

27

Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 642.

28

- Morre em combate em Angola 1 militar da CArt 632.

- Inicia-se o julgamento dos implicados na «Revolta de Beja» de 1962. A lista completa dos incriminados incluía 86 nomes, mas só 78 compareceram a julgamento que constou de 38 audiências de 57 sessões. Intervieram 36 advogados defensores: Mário Soares, Jorge Sampaio, Salgado Zenha, Francisco Sousa Tavares e Luís Francisco Rebelo, entre outros. Foram citadas duas testemunhas de acusação e cerca de 500 de defesa. A Censura proibiu os jornalistas de inserirem desenvolvidos relatos sobre as audiências, não permitindo especialmente a reprodução dos protestos dos advogados defensores nem os depoimentos de Varela Gomes e de outros réus. E interditou também quaisquer fotografias.

30

- D. L. n.° 45783. Actualiza as disposições do D. n.° 12393 de 27 de Setembro de 1926 que mandou aplicar ao Ultramar, com as excepções contidas no mesmo diploma, o Código de Justiça Militar.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 23 mortos. Em acções de combate morreram 11 militares.



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Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011
Cronologia da Guerra Colonial- 1963 (4) - por José Brandão

 

OUTUBRO

?

- Utilização pelos nacionalistas de Angola do seguinte armamento: granadas de morteiro 60, LG anticarro AC-P27 (checo). LG RPG2 (russo), canhão sem recuo 57 (chinês) e canhão sem recuo 75 (chinês).
- Anúncio, em Leopoldville, do recomeço da ofensiva no interior de Angola por parte do Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA), da FNLA.

- Religiosos angolanos endereçam uma exposição ao Núncio Apostólico em Lisboa, na qual afirmam que para

o governo português «o pretexto da evangelização criou o direito de colonização, não apenas em princípio, mas até na sua peculiar modalidade de impor uma Pátria, quer queiram ou não os colonizados.

3

- Morrem em combate em Angola 2 militares. Um soldado pára-quedista do BCP 21 e um da CArt 431.

- Posse, em Bissau, do novo secretário-geral da província da Guiné, James Pinto Bull.

4

Conferência de imprensa do Quartel-General de Luanda para comunicação da situação militar em Angola.

8

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 475.

10

- Ataque ao caminho-de-ferro de Malange,em Angola.

- Partem para Moçambique os BCaç 596, 598 e o BCvav 571.

12

Partem para a Guiné os BCaç 599 e 600.

13

- A Acção Democrato-Social propõe ao governo uma «consulta livre e sincera sobre a política ultramarina».
- Humberto Delgado trava conversações, no Rio de Janeiro, com representantes da UPA/FNLA.

14

Morre num acidente na Guiné o capitão da Força Aérea João Cardoso Rebelo Valente.

15

- Morrem em combate em Angola 4 militares da CCaç 478. Dois furriéis e duas praças.

- D. L. n°45 308. Considera puníveis como em tempo de guerra os crimes previstos na legislação penal militar praticados nas Províncias Ultramarinas enquanto nelas decorram operações militares ou de polícia destinadas a combater determinadas perturbações ou ameaças (contra a ordem, segurança e a tranquilidade públicas; a integridade do território nacional) e ainda as infracções praticadas pelos militares que sejam mandados prestar serviço em Forças Armadas das mesmas províncias e pelos que sejam mobilizados ou convocados para esse fim.

16

- Partem para Angola os BCaç 511 e 532.

- Início de conversações entre Portugal e alguns países africanos, sob a égide da ONU, que incidiram, sem acordo, no sentido e no alcance do conceito de autodeterminação.

17

Decisão do Governo português de considerar os crimes previstos na legislação militar, como cometidos em tempo de guerra.

19

Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 485.

20

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 413.

22

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 353.

31

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 27 mortos. Em acções de combate morreram 10 militares.

 

NOVEMBRO

?

Reorganização do MPLA, com ligação ao Corpo Voluntário Angolano de Auxílio aos Refugiados (CVAAR) e da União Nacional dos Trabalhadores Angolanos (UNTA).

2

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 489.

- Encerramento da sede do MPLA em Leopoldville e proibição da actividade do movimento no Congo.

3

Morre em combate na Guiné 1 militar da 1ª CCaç.

5

Morrem em combate na Guiné 2 militares da CCaç 510.

6

Morre em combate em Angola um furriel da CCaç 531.

7

Franco Nogueira é recebido por John Kennedy.

8

- Um tenente-coronel e dois capitães morrem em acidente em Angola.

- Debate na Comissão de Curadorias da ONU, sendo pedido ao Conselho de Segurança que se ocupe com urgência da situação nos territórios portugueses.

9

Franco Nogueira declara em Washington que Portugal não tem intenção de acatar as resoluções da Nações Unidas.

10

Partem para Angola os BCaç 540 e 595.

12

Directiva do Comando Militar de Angola para remodelação do dispositivo, que tornava a Companhia a unidade elementar de guarnição.

13

Morre em combate em Angola um alferes da CCaç 468.

17

Morre em combate em Angola 1 militar CCaç 474.

22

John Kennedy é assassinado em Dallas, no Texas.

23

Partem para Moçambique o BCaç 558 e o BArt 562.

24

Lee Oswald, acusado de assassínio de Kennedy, é baleado mortalmente por Jack Ruby.

28

- Morre em combate em Angola 1 militar da Cart 393.

- Morrem em combate na Guiné 2 militares. Um furriel do PelMort 912 e um soldado da CCav 567.

30

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 28 mortos. Em acções de combate morreram 10 militares.

 

DEZEMBRO

?

- Primeiras actividades operacionais na Zona Militar Leste, em Angola.

- Ocorrem greves dos trabalhadores agrícolas de Silves e Couço, dos empregados dos telefones, de trabalhadores da Companhia de Gás e Electricidade, de trabalhadores dos estaleiros navais, em Lisboa, etc..

- Constitui-se a Frente dos Estudantes Nacionalistas (depois Centro dos Estudantes Nacionalistas), organização de extrema-direita, que procura preencher o espaço deixado pelo Jovem Portugal.

1

Morrem em combate em Angola 2 furriéis. Um do BCP 21 e um da CCaç 480.

2

Morrem em combate em Angola 2 soldados. Um da CCaç 281 e um da CCaç 539.

3

- Morrem em combate em Angola 2 soldados. Um da CCaç 459 e um da CCaç 470.

- Resolução da Assembleia-Geral da ONU, a solicitar ao Conselho de Segurança a adopção das medidas necessárias à execução das suas resoluções relativas aos territórios sob administração portuguesa.

5

Partem para Angola os BCaç 547 e 554.

6

Declaração pública dos Estados africanos participantes nas conversações com Portugal, em que se lamenta o facto de não ter modificado minimamente os princípios fundamentais da sua política, tornando impossível qualquer conversação séria.

9

- Convite do Governo português ao secretário-geral da ONU, U Thant, para visitar Angola e Moçambique.

- Um capitão e duas praças da Força Aérea morrem num acidente em Angola.

11

Resolução do Conselho de Segurança da ONU, a confirmar o conceito de autodeterminação da Declaração Anticolonialista e a deplorar a inobservância da resolução de 31 de Julho de 1963.

13

- Morre em combate em Angola 1 militar pára-quedista do BCP 21.

- Henrique Galvão discursa, durante cerca de duas horas, na ONU, convocado por esta Organização, sobre a “questão ultramarina portuguesa”. Na primeira convocação, em 1962, Henrique Galvão não conseguiu obter os documentos necessários para produzir o seu depoimento (passaporte brasileiro e visto norte-americano).

15

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 479.

18

Morre em combate em Angola 1 militar do GRA.

25

Morrem em combate em Angola 3 militares da CArt 430.

28

- Devido a acidente morre em Angola o capitão António Figueiredo Costa Gomes.

- Governo regulamenta o regime alimentar dos trabalhadores africanos.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 567.

31

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 32 mortos. Em acções de combate morreram 13 militares.

- Os efectivos das tropas portuguesas ascendem a 47 400 homens em Angola, 9650 na Guiné e 14 246 em Moçambique, tendo morrido 283 militares em Angola e na Guiné sendo 132 em combate.
A percentagem das despesas com as Forças Armadas constitui 42,6 por cento das despesas públicas.



publicado por estrolabio às 18:00
editado por Carlos Loures em 16/01/2011 às 22:43
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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011
Cronologia da Guerra Colonial - 1963 (2) - por José Brandão

 

ABRIL

?

- Tentativa, por parte do MPLA, de reactivar a acção da ATCAR, Associação dos Quiocos do Congo, Angola e Rodésia.
- Silvino da Luz deserta do Exército português e junta-se ao PAIGC.

- Atribuição a vários militares, do Prémio Governador-Geral, instituído pela TAP, pelas acções valorosas em defesa de Angola.

1

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 368.

3

Anúncio, por Franco Nogueira, da intenção de negociar um pacto de não agressão com os países limítrofes de Angola e outros países africanos.

5

Morrem em combate em Angola 4 militares da CCav 297.

9

Comunicado oficial do Governo do Senegal sobre o bombardeamento efectuado por quatro aviões portugueses a uma aldeia fronteiriça, sendo o assunto comunicado ao Conselho de Segurança da ONU.

10

Partem para Angola os BCaç 379 e 443.

11

Publicação da Encíclica Pacem in Terris do Papa João XXIII com referência explícita à independência de todos os povos.

16

Morre em combate em Angola um sargento da CCaç 165.

17

Envolvido numa tentativa pioneira de revolta militar, Manuel Alegre foi preso pela Polícia Militar e entregue à PIDE, que o sujeitou, dias e noites a fio, a duro e prolongado interrogatório. Permaneceu detido durante 6 meses na prisão de S. Paulo, em Luanda, onde conhece escritores angolanos como Luandino Vieira, António Jacinto e António Cardoso.

20

Reunião Internacional da Juventude em Argel, com a presença de representantes de Angola.

22

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 274.

23

Morrem em combate em Angola 3 militares do BCaç 317. Um alferes, um sargento e uma praça.

24

- D. L. n.° 44995. Determina que podem continuar no serviço activo os militares dos quadros permanentes das Forças Armadas mutilados em consequência de ferimentos ou acidentes produzidos em serviço de campanha ou de manutenção da ordem pública ou em serviço directamente relacionado.

- Henrique Galvão publica o artigo “O caso do Santa Maria: dois anos depois”, em que analisa as circunstâncias do assalto ao navio e aspectos da actividade da Oposição portuguesa, nomeadamente o rompimento com Humberto Delgado, a quem atribui a responsabilidade da ruptura.

- A revista International Affairs publica um artigo de Oliveira Salazar: “Realities and trends of portuguese policies”.

25

Partem para Angola o BCav 437, o BArt 436 e o BCaç 380.

29

Inicia-se em Portugal o I Curso de Instrutores e Monitores de Operações Especiais (tipo “Ranger”).

30

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 405.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 23 mortos. Em acções de combate morreram 11 militares.

 

MAIO

?

- Entrevista de Mário de Andrade, do MPLA, ao jornal Le Monde, em que afirma ser indispensável e decisivo o isolamento total de Portugal.
- François Mendy, presidente da Frente de Luta pela Independência da Guiné (FLING), preconiza uma conferência para o reagrupamento de todos os movimentos nacionalistas das colónias portuguesas.
- Tentativa de desmantelamento por parte das autoridades portuguesas de uma organização da FRELIMO no Norte de Moçambique.
- Reunião do Comité Executivo da União Internacional dos Estudantes (UIE) em Argel, em que é apresentado um relatório sobre a situação em Angola.

1

Nas manifestações do 1. º de Maio é morto Agostinho Fineza, tipógrafo, militante comunista, e são feridos outros manifestantes.

7

O PCP sofre novo revés: são presos importantes dirigentes, nomeadamente Blanqui Teixeira, Guilherme de Carvalho, José Carlos e Jorge Araújo.

9

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 191.

14

Início de uma reunião entre Salazar e Franco em Mérida.

21

É fundado um grupo político denominado Frente Unida Anti-Imperialista Popular Africana de Moçambique.

22

Colisão de dois aviões no Sul da Guiné, tendo um dos pilotos morrido e o outro, o sargento Lobato, capturado pelo PAIGC e levado para Conacri.

25

Fundação da Organização de Unidade Africana (OUA) pelos chefes de 30 Estados independentes de África reunidos em Adis Abeba.

28

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 414.

- A NATO anuncia a instalação em Portugal da base de comando da sua Zona Ibérica.

29

Franco Nogueira é recebido em Washington por John Kennedy e Dean Rusk.

31

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 12 mortos. Em acções de combate morreram 2 militares.

 

JUNHO

?

- Corte de relações diplomáticas da República Árabe Unida com Portugal devido à política colonial portuguesa.
- Assalto à sede do MPLA, em Leopoldville, pela polícia congolesa, que prende Agostinho Neto e Lúcio Lara.

1

D. L. n.° 45 058. Promulga a organização e funcionamento da Junta de Saúde do Ultramar e da Junta de Recurso.

3

Morre o Papa João XXIII.

6

D. n.° 45 063. Insere disposições destinadas a facilitar a acção das missões católicas na celebração do casamento canónico dos vizinhos das regedorias (no Ultramar).

7

O secretário americano para os Assuntos Africanos afirma na Câmara dos Representantes que os interesses estratégicos dos EUA exigem a continuação da cooperação com Portugal.

10

- Fundação, pelo MPLA, da Frente Democrática de Libertação de Angola (FDLA).
- Primeira cerimónia do Dia da Raça realizada no Terreiro do Paço, em Lisboa, de homenagem às Forças Armadas.

14

Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 394.

16

Morre em combate na Guiné um furriel do BCaç 356.

18

- O PAIGC utiliza pela primeira vez metralhadoras num ataque a uma posição portuguesa.

- Morrem em combate em Angola 1 alferes e 3 praças do BCaç 184.

19

Cerimónia de encerramento do 1º Curso de Polícia Aérea, na BA 3, com 450 instruendos finalistas em parada.

24

- O Boletim da FAPLE inclui um longo artigo de Henrique Galvão com o título “Emergências do problema político português”.

- Lei n.° 2 119. Promulga as alterações à Lei Orgânica do Ultramar Português.

27

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 406.

29

Morrem em combate em Angola 1 sargento da CCaç 327 e uma praça da CCav 394.

30

- Passagem das acções do PAIGC para norte do rio Geba.

- Paulo VI é nomeado Papa.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 14 mortos. Em acções de combate morreram 9 militares.



publicado por estrolabio às 18:00
editado por Carlos Loures em 13/01/2011 às 22:33
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011
Cronologia da Guerra Colonial - 1963 (1) - por José Brandão


1963

 

JANEIRO

?

Termina a secessão da província do Catanga, liderada por Moisés Tschombé e apoiada pelo Governo português.

5

Governo regulamenta as condições de trabalho suplementar dos trabalhadores indígenas.

9

O MPLA anuncia a abertura de uma frente de guerrilha em Cabinda.

17

D. n.° 44857. Permite a isenção de direitos e mais imposições a cobrar no despacho aduaneiro, com excepção do imposto do selo, na importação de aparelhos radioemissores e receptores, quando se destinem a propriedades agrícolas ou industriais que necessitem de tais meios de comunicação.

18

Debate pelo Governo português de um projecto de Lei Orgânica do Ultramar.

19

Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 395.

21

Morrem em combate em Angola 2 militares da CCaç 322.

23

- Início da luta armada na Guiné nas frentes de sul e de leste, com um ataque ao quartel de Tite pelo PAIGC, a partir de bases na Guiné-Conacri.

- Primeiras baixas na Guiné: soldados Fernando Cristiano Vilares Pereira da CCaç 153 e Veríssimo Godinho Ramos do BCaç 237.

25

Morre em combate em Angola 1 militar do BCav 399.

26

- D. L. n.° 44 864 Fixa os vencimentos dos militares do Exército, da Armada e da Força Aérea em serviço nas Forças Armadas das Províncias Ultramarinas.

- Inicia-se a publicação de O Tempo e o Modo, revista de pensamento e crítica, cujo proprietário e director é António Alçada Baptista. O primeiro número inclui três artigos de fundo da autoria de Alçada Baptista, Mário Soares e Jorge Sampaio.

- Henrique Galvão publica em Tribuna de Portugal o artigo “Por que Salazar não renuncia?”.

- Morrem em combate em Angola 2 militares. Um soldado da CCaç 195 e um fuzileiro do DFE 3.

27

Morrem em combate na Guiné 2 militares da CCaç 152. Um furriel e uma praça.

29

Morrem em combate em Angola 7 militares. Quatro são da CCaç 390, um da CCaç 327 e um da CCaç 1732.

31

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 21 mortos. Em acções de combate morreram 16 militares.

 

FEVEREIRO

?

- Expulsão dos portugueses residentes na Serra Leoa e proibição de importação de mercadorias portuguesas, por causa da política colonial de Portugal.

- Organização, pelo Comité Político da FLN da Argélia, do Dia de Angola, como apoio à independência.

3

Criação do Centro de Instrução 25 (CI 25) para instrução de Comandos, na Quibala Norte, Angola.

4

- Início da III Conferência de Solidariedade Afro-Asiática na Tanganica, presidida por Julius Nyerere, em que foi pedido o boicote económico e diplomático contra Portugal.

- Considera com direito ao uso da medalha comemorativa das campanhas das Forças Armadas portuguesas todos os militares ou equiparados, da metrópole ou do Ultramar, que, a partir de 15 de Março de 1961, tenham pertencido às forças de terra, mar e ar em actuação no Norte da província de Angola na zona definida pelo respectivo comando.

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 170.

- Chegada do Destacamento de Fuzileiros Especiais 4 (DFE 4) a Angola, instalando-se em Santo António do Zaire,

6

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 274.

9

Governo estabelece salários base e salários complementares para os diversos escalões de trabalhadores africanos (1.ª, 2. ª e 3. ª classes).

13

Despacho ministerial. Estabelece preceitos a observar no funcionamento dos diferentes cursos realizados na Academia Militar, para que possa ser antecipada temporariamente a sua conclusão.

15

Morre em combate em Angola um alferes da CCav 295.

18

- Despacho ministerial. Determina que os serviços de centralização e coordenação de informação das Províncias Ultramarinas sirvam simultaneamente os governadores-gerais e os comandantes-chefes das Forças Armadas.

- Henrique Galvão escreve, na Tribuna de Portugal, dois artigos: “Actividades anti portuguesas” e “Somos cem”.

21

Encontro de Salazar com dois enviados do presidente Youlou, do Congo-Brazzaville, que se propõe mediar uma solução para o problema angolano.

22

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 189.

28

- Morre em combate em Angola 1 militar pára-quedista do BCP 21.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 11 mortos. Em acções de combate morreram 5 militares.

 

MARÇO

?

Reuniões da Comissão de Descolonização da ONU, atribuindo prioridade aos territórios sob administração portuguesa.

1

- Morre em combate na Guiné 1 militar do PelCaç 871.

- O governo publica um conjunto de decretos com vista à formação de um mercado único português.

5

Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 297.

6

Morre em combate em Angola 1 militar do GACNL.

7

Morre em combate em Angola 1 militar do do BCaç 317.

9

O PAIGC anuncia a captura e posterior fuzilamento de um capitão português acusado da «chacina de civis».

10

Declaração de Amílcar Cabral em Paris sobre a disponibilidade de o PAIGC suspender a luta, se Portugal quisesse solucionar pacificamente o problema colonial.

12

- Partem para Angola os BCaç 441 e 442.

- Deserção do tenente-piloto aviador português Jacinto Veloso, que aterrou com o seu avião na Tanzânia.

13

Contestação do Governo português à competência da Comissão de Descolonização da ONU para decidir sobre os territórios ultramarinos de Portugal.

14

Morre em combate na Guiné o capitão António Machado Carmo da CCav 252.

15

- Aníbal São José Lopes assume a direcção da PIDE em Angola.

- Comemoração pela UPA, em Leopoldville, do segundo aniversário do início das hostilidades em Angola.

19

Captura, por guerrilheiros do PAIGC, dos navios Mirandela e Arouca perto de Cacine, que mais tarde utilizou para transporte de pessoal e material na Guiné-Conacri.

21

- Morre em combate na Guiné 1 militar do PelMort 17.

- Demissão de dez oficiais superiores, em consequência do inquérito sobre os acontecimentos da Índia.

26

Morre em combate na Guiné 1 militar do PelCaç 860.

28

Morrem em combate em Angola 2 militares da CCaç 375.

31

- Morre em combate em Angola 1 militar pára-quedista do BCP 21.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 26 mortos. Em acções de combate morreram 10 militares.



publicado por estrolabio às 18:00
editado por Luis Moreira às 18:09
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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011
Cronologia da Guerra Colonial - 1962 (4) - por José Brandão

 

OUTUBRO

?

- É enviada para Moçambique a Companhia de Fuzileiros Navais nº 2 que fica baseada em Lourenço Marques, enquanto um pelotão era destacado para Metangula, no Niassa.

- Franco Nogueira é recebido por John Kennedy.

1

Morre em combate 1 militar da CCaç 187.

5

Morre em combate 1 militar da CCaç 128.

7

Início da operação “Quero Saber”, em Angola, que se prolongou até dia 24, realizada por Pelotão de Reconhecimento de Infantaria.

9

- Dec. 44620. Cria em Lisboa o instituto de Estudos Sociais, destinado à investigação e ensino dos princípios informadores da política social no domínio do trabalho, da organização corporativa e da previdência.

- Portaria 19425. Cria no Instituto Superior de Estudos Ultramarinos o Centro de Estudos Missionários, com o fim de, em colaboração com a Junta de Investigações do Ultramar, estimular e promover o estudo dos fenómenos missionários.

10

A revista alemã Der Spiegel publica um artigo sobre a NATO em que critica o Exército alemão (os escritórios da redacção são ocupados pela Polícia a 16 de Outubro). Três redactores do jornal foram acusados de alta traição.

16

- O ministro da Presidência, Correia de Oliveira, trava conversações em Bona sobre o estatuto de Portugal face à CEE.

- Cessar-fogo no Congo.

17

Morrem em combate 2 militares da CCaç 368.

20

Num Despacho, Salazar declara que “os Serviços de Censura dependem exclusivamente da Presidência do Conselho e não recebem ordens de qualquer outro departamento de Estado.”

22

- John Kennedy denuncia na televisão a instalação de bases de mísseis soviéticos em Cuba.

- Morrem em combate 3 militares do BCav 350. Um alferes e dois soldados.

23

Morrem em combate 5 militares da 5ª CCaç.

24

Os EUA iniciam o bloqueio a Cuba.

26

Kruchtchev propõe a retirada dos mísseis soviéticos de Cuba contra a retirada dos mísseis americanos da Turquia; Kennedy rejeita esta proposta.

28

Referendo francês a favor da eleição directa do presidente da República.

30

A Assembleia-Geral da ONU rejeita a proposta da URSS de admissão da China Popular.

31

- A Assembleia-Geral da ONU pede à Inglaterra que suspenda a entrada em vigor da nova Constituição da Rodésia do Sul (apesar disso a Constituição entra em vigor a 1 de Novembro).

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 18 mortos. Em acções de combate morreram 12 militares.

 

NOVEMBRO

2

- O presidente Kennedy anuncia que a URSS iniciou o desmantelamento das bases de mísseis em Cuba.

- Julius Nyerere é eleito presidente do Tanganhica.

5

- Port. N.° 19480. Cria na Junta de investigações do Ultramar a Missão Organizadora do Museu do Ultramar, com o fim de recolher, estudar e catalogar todo o material e documentação que deva ser reunido no Museu do Ultramar.

- F. J. Strauss é demitido do cargo de ministro da Defesa da Alemanha Ocidental devido ao caso da revista Der Spiegel.

7

D. n.° 44672. Aprova o Plano Rodoviário do Arquipélago de Cabo Verde.

9

Morre em combate 1 militar da CCav 122.

12

D. n.° 44680. Cria as estações Loran NATO de Sagres, de Porto Santo, de Santa Maria e das Flores e define as condições da sua manutenção e funcionamento.

15

- Carta de Viriato da Cruz aos elementos do MPLA, manifestando-se contra Agostinho Neto.

- Cinco militares da CCav 351 morrem num acidente.

16

Morre em combate 1 militar da CCaç 327.

17

Morrem em combate 5 militares da CCaç 189.

20

A URSS aceita retirar os bombardeiros Ilyushin de Cuba e os EUA anunciam o fim do bloqueio a este país.

22

Morre em combate 1 militar da CCav 351.

23

Depoimento de Eduardo Mondlane, em nome da FRELIMO, perante o Comité Especial da ONU para os territórios administrados por Portugal.

24

Port.° n.° 19521. Determina que o Instituto Superior de Estudos Ultramarinos passe a designar-se Instituto de Ciências Sociais e Política Ultramarina.

26

Morre em combate 1 militar da CCaç 189.

30

- U Thant é eleito secretário-geral das Nações Unidas.

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 23 mortos. Em acções de combate morreram 9 militares.

 

DEZEMBRO

?

Declarações de David Mabunda, secretário-geral da FRELIMO, no Cairo, segundo as quais seria inevitável nova guerra, como em Angola, se Portugal não tomasse medidas imediatas para garantir a autodeterminação de Moçambique.

1

Início do I Congresso do MPLA em Leopoldville, com Agostinho Neto na presidência e Mário de Andrade na vice-presidência.

3

Parte para Angola o BCaç 381.

4

- Remodelação ministerial, com a entrada de Manuel Gomes de Araújo para ministro da Defesa, de Luz Cunha para ministro do Exército, de Peixoto Correia para o Ultramar e de Francisco Chagas para secretário de Estado da Aeronáutica.
- Salazar tem um discurso sobre “Defesa de Angola, Defesa da Europa”.

5

- Morrem em combate 3 militares. Um sargento do BCav 350 e dois cabos do BEng 234.

- Partem para Angola o BArt 400 e o BCav 399.

6

Morrem em combate 4 militares da CCaç 368. Um alferes e três soldados.

12

Aprovação de uma moção na ONU recomendando um programa especial de assistência técnica para educação e treino de dirigentes nacionalistas dos territórios sob administração portuguesa.

13

Apresentação de Amílcar Cabral na Comissão de Curadorias da ONU como representante do PAIGC.

14

Resolução da Assembleia-Geral da ONU sobre Angola, condenando a atitude de Portugal, pedindo o reconhecimento imediato do direito dos povos não autónomos à autodeterminação e independência e a cessação imediata de todos os actos de repressão.

17

- Início da Operação “Roda-Viva” na região de Quibaco. Morre em combate um furriel da CCaç 327.

18

- Operação “Roda-Viva”. Morrem em combate mais 4 militares da CCaç 327.

- Resolução da Assembleia-Geral da ONU, reafirmando o inalienável direito do povo de Angola à autodeterminação e independência, condenando a guerra colonial conduzida por Portugal e requerendo ao Conselho de Segurança as medidas adequadas.

19

Início da Conferência das Forças Antifascistas Portuguesas, que funda a Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN).

24

- Uma coluna de reabastecimentos da CArt 106 foi emboscada na estrada Quitexe-Aldeia Viçosa, a 2 Km do Quitexe. Ficou ferido o comandante da coluna, um alferes miliciano.

- Morre em combate 1 militar do BCaç 3.

28

Depoimento de Holden Roberto, líder da UPA, perante a comissão especial da ONU.

29

Morre em combate um furriel da CCaç 390.

31

- Em 1962 embarcaram para Angola treze Companhias de Caçadores Especiais, cinco para Moçambique e uma para a Guiné.

- Morre em combate 1 militar da CCaç 326.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 31 mortos. Em acções de combate morreram 15 militares.

- Os efectivos das tropas portuguesas no final do ano são 44 925 militares em Angola, 5070 na Guiné e 11 852 em Moçambique, tendo sofrido durante o ano 232 mortos em Angola sendo 126 em combate.
As despesas com as Forças Armadas representaram 42,7 por cento das despesas públicas.



publicado por estrolabio às 18:00
editado por Carlos Loures às 16:47
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Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011
O Ultimato foi há 121 anos - por Carlos Loures

 

Um dos acontecimentos que mais contribuiu para o desgaste e descrédito da instituição monárquica foi a questão do Ultimato que, em 11 de Janeiro de 1890, faz hoje 121 anos, o governo britânico (que designava o documento por «Memorando») entregou ao governo português exigindo a retirada das forças militares existentes no território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola, a maior parte nos actuais Zimbabué e Zâmbia), a pretexto de um incidente ocorrido entre portugueses e Macololos. A zona era reclamada por Portugal, que a havia incluído no famoso Mapa Cor-de-Rosa (que vemos acima), editado pela Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1881, reivindicando, a partir da Conferência de Berlim de 1884/5, uma faixa de território que ia de Angola a Moçambique. Vejamos o mapa em versão simplificada.


Lembremos que a Sociedade de Geografia de Lisboa fora criada no ano de 1875 com o objectivo de «promover e auxiliar o estudo e progresso das ciências geográficas e correlativas». Surgira no contexto do movimento europeu de exploração e colonização, focando a sua actividade na exploração do continente africano.

E , já agora, uma pequena bravata de bibliófilo – em 1990, quando do centenário do Ultimato, procurei nos alfarrabistas o livro editado pela Sociedade de Geografia. Acabei por encontrar um em relativo bom estado e que adquiri, salvo erro, por quatro mil escudos. Há pouco tempo, numa reunião com o presidente da Sociedade, soube que a instituição não tem na sua biblioteca nenhum exemplar – apenas possui em arquivo uma série de fichas com páginas coladas de um exemplar do pequeno livro de 20 páginas e um mapa – o tal. É uma das jóias da minha colecção. Lembram-se do «Louco dos Livros» caricaturado por Sebastian Brant? Mas voltemos ao tema.

Estas pretensões portuguesas entravam em rota de colisão com o projecto britânico de construir uma linha de caminho-de-ferro ligando o Cairo à Cidade do Cabo, projecto megalómano que nunca se realizaria. Portanto, o governo da rainha Vitória não podia contemporizar com as pretensões de Portugal. Dizia o documento britânico:

«O Governo de Sua Majestade Britânica não pode dar como satisfatórias ou suficientes as garantias dadas pelo Governo Português… O que o Governo de Sua Majestade deseja e no que mais insiste é no seguinte: que se enviem ao Governador de Moçambique instruções telegráficas imediatas para que todas e quaisquer forças militares portuguesas no Chire e no País dos Macocolos e Machonas se retirem. O Governo de Sua Majestade entende que, sem isto, são ilusórias todas as garantias dadas pelo Governo Português.

Mr. Petre ver-se-á obrigado, tendo em consideração, as suas instruções, a deixar imediatamente Lisboa com todos os membros da sua legação se uma resposta satisfatória à precedente intimação não for por ele recebida esta tarde; e o navio de Sua Majestade «Encnentress» está em Vigo aguardando as suas ordens. Legação Britânica, 11 de Janeiro de 1890.» Linguagem clara, sem eufemismos, um ultimato – uma intimação, como se diz no texto .

Na própria noite de 11 reuniu-se o Conselho de Estado, sob a presidência de D. Carlos. Manifestaram-se diversas posições. Serpa Pimentel opôs-se a uma rendição incondicional. Mas prevaleceu a posição da aceitação das imposições inglesas, talvez a mais sensata, face à reduzida capacidade bélica das nossas forças armadas, mas a menos popular. O comunicado oficial tornado público pelo ministro Barros Gomes, depois de algumas considerações, terminava cedendo e informando que seriam expedidas para o Governo-Geral de Moçambique «as ordens exigidas pela Grã-Bretanha».

O País explodiu em ira. As manifestações de patriotismo e de apelo à guerra sucederam-se. Foi neste clima de exaltação nacionalista que Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça compuseram o actual hino nacional. O governo caiu e no dia14 foi empossado um novo ministério presidido por António de Serpa Pimentel, o conselheiro que defendera a resistência à imposição britânica. Os republicanos não desperdiçaram a ocasião e aproveitaram o clima quase insurreccional que se estabeleceu. Em 23 de Março, António José de Almeida, estudante em Coimbra e futuro presidente da República, foi preso por ter publicado um artigo com o título «Bragança, o último», ofensivo para com o rei. Em 11 de Abril foi publicado o Finis Patriae de Guerra Junqueiro, ridicularizando também a figura real.

Formalizando a cedência, em 20 de Agosto foi assinado o Tratado de Londres entre os dois «aliados», definindo os limites territoriais de Angola e Moçambique. Publicado no Diário do Governo de 30 de Agosto e apresentado ao parlamento nesse dia, desencadeou nova onda de protestos e, mais uma vez, a queda do governo. Na sequência deste humilhante episódio, foi criada em Lisboa a Liga Liberal, movimento de protesto contra o Tratado de Londres presidido por Augusto Fuschini com a participação de João Crisóstomo, que promoveu uma reunião, no Teatro de São Luiz, em que participaram cerca de 400 oficiais envergando os seus uniformes. Após 28 dias de crise política foi nomeado a 14 de Outubro um governo extra-partidário, presidido por João Crisóstomo, apoiado pela Liga Liberal. A calma foi regressando aos poucos.

Estes acontecimentos desencadeados pelo ultimato britânico de 11 de Janeiro de 1890 condicionaram irreversivelmente a evolução política portuguesa, desencadeando uma cadeia de acontecimentos que desembocou no Regicídio e, depois, no fim da Monarquia Constitucional. Houve, como se calcula, muita demagogia, mas não há dúvida que se verificou um acréscimo da consciência colectiva portuguesa. De sentimento patriótico e de orgulho nacional, digamos.

O livro «O Ultimatum Inglês – Política externa e política interna no Portugal de 1890», de Nuno Severiano Teixeira (Publicações Alfa, Lisboa, 1990), constitui uma excelente e objectiva descrição dos factos anteriores e posteriores à apresentação deste ultimato que tanto influenciou o que ocorreu no País nas décadas seguintes. Iniciou-se um profundo movimento de descontentamento social, implicando directamente a família reinante, vista como demasiado próxima dos interesses britânicos, na decadência nacional patente no ultimato. Os republicanos capitalizaram este descontentamento, iniciando um crescimento e alargamento da sua base social de apoio que levou à implantação da república em 5 de Outubro de 1910.

Sou republicano e anti-monárquico, mas reconheço que se a questão do ultimato tivesse ocorrido depois da proclamação da República, a solução não poderia ter sido muito diferente. Afinal de contas, a Grã-Bretanha era a superpotência da época e entrar em guerra com os ingleses teria sido desastroso. Poder-se-ia ter cortado relações diplomáticas, mostrando ao mundo que éramos vencidos, mas não convencidos. Será que um governo republicano teria feito isso? Afinal, para além da sua força militar, a Grã-Bretanha era o nosso principal parceiro comercial, dependendo muito a nossa economia do que exportávamos para o Reino Unido. Não me parece que se pudesse ter feito algo de substancialmente diferente.

De uma coisa não há dúvida – o Ultimato de 11 de Janeiro de 1890 constituiu um importante marco na caminhada para a proclamação da República. Aqui fica, na forma simplificada, um vídeo com o fragmento de «A Portuguesa» que a República adoptou como hino nacional. A versão original e completa, que se compreende perfeitamente dentro do contexto em que os autores criaram o hino, dizia:
I



publicado por Carlos Loures às 12:00
editado por João Machado em 17/02/2011 às 19:48
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Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011
Cronologia da Guerra Colonial- 1962 (2) - por José Brandão

 

ABRIL

?

Em Abril, através do Decreto-Lei nº44 278, os “crimes de imprensa” passam a ser julgados nos tribunais plenários.

5

- Formação do GRAE (Governo Revolucionário de Angola no Exílio) pela FNLA, em Leopoldeville.

- Através de nota oficiosa, o Ministério da Educação Nacional proíbe de novo as comemorações do Dia do Estudante.

- Marcelo Caetano pede a exoneração do cargo de Reitor da Universidade Clássica de Lisboa, no que é acompanhado por alguns directores de Faculdades da Universidade Clássica.

6

- Os estudantes de Lisboa decretam de novo o luto académico, o mesmo acontecendo em Coimbra.

- Toma posse o novo director da PIDE: Fernando Eduardo da Silva Pais.

7

- É criada a 1ª Companhia de Fuzileiros. As Companhias de Fuzileiros (CF) com um efectivo de 140 homens, podiam destacar parte da sua força, e dispunham de certos meios logísticos como secretaria, serviço de saúde, de rancho, tendo o restante apoio sido prestado pelos Comandos Territoriais da Armada ou de outros a que foram atribuídos. Competia essencialmente às CF’s assegurar a defesa de instalações navais em terra e embarcações mercantes nos portos e no meio aquático, desempenhar o serviço de polícia naval, policiar cursos de águas costeiras ou interiores e participar em acções de desembarque e particularmente em acções de cobertura de reembarques.

- Concentração de estudantes no Estádio Universitário, seguida de manifestação até ao Campo de Santana. A Polícia de Choque intervém.

9

O Senado da Universidade de Coimbra instaura processos disciplinares à Direcção da Associação Académica de Coimbra, devido à aprovação de uma moção em Assembleia Magna, pedindo a demissão do Reitor.

8

Manifestação em Aljustrel contra a prisão de 15 pessoas acusadas de actos subversivos. A GNR mata António Adângio e Francisco Madeira, ferindo outras pessoas.

10

É suspenso o luto académico. O ministro de Estado Correia de Oliveira recebe uma delegação de dirigentes estudantis.

12

- Remodelação ministerial, com Gomes de Araújo a substituir Salazar na Defesa Nacional, Joaquim da Luz Cunha a substituir Mário Silva no Exército e Peixoto Correia a substituir Adriano Moreira no Ultramar.

- Dada a inutilidade das diligências efectuadas pelos dirigentes estudantis, o plenário realizado no Estádio Universitário decide retomar o luto académico.

13

Em nota oficiosa, o Ministério da Educação Nacional anuncia que “(…) pelos meios legais vão ser suspensas as direcções das Associações de Estudantes legalmente constituídas e interditas as actividades de todas as organizações de estudantes que actuam à margem da lei”.

17

Continuação da agitação estudantil em diversas universidades portuguesas.

20

Operação “Santo Huberto” , em duas fases, intervindo três Companhias de Caçadores e os Pára-quedistas, realizada nas matas da região de Pete e com intervenção da Força Aérea. Foram evacuados sete militares de helicóptero.

25

Morrem em combate 8 militares da CCav 253. Um alferes, dois furriéis e cinco praças.

27

Aprovação do Código do Trabalho Rural para o Ultramar.

28

Parte para Angola o BCaç 357.

29

Em Angola, no itinerário Quipedro-Luanda, entre Quixico e Nambuangongo, em consequência de um ataque IN, é atingido um alferes dum pelotão de reconhecimento de Infantaria.

30

- O jornal brasileiro O Estado de São Paulo publica dois artigos de Henrique Galvão, intitulados “Conceitos de Direita e Esquerda” e “O nosso anticomunismo”.

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 19 mortos. Em acções de combate morreram 8 militares.

 

MAIO

1

Repressão de manifestações de rua em Lisboa com palavras de ordem contra a guerra colonial. Estêvão Giro, militante comunista, é morto a tiro e há numerosos feridos. Também no Porto, Almada, Barreiro, Alcácer do Sal, ocorrem manifestações. No Ribatejo e no Alto Alentejo há paralisações de trabalho.

2

Morre em combate 1 militar do BCaç 261.

4

Entrevista de Salazar à revista Life.

8

Milhares de pessoas voltam a manifestar-se nas ruas de Lisboa, contra o regime, comemorando a derrota do nazismo.

9

No plenário que decorre no Estádio Universitário é decretado o luto académico total, com ausência a aulas, provas de frequência e exames finais.

10

- A crise académica estende-se a Coimbra.

- A sede da AAC (Associação Académica de Coimbra) é encerrada após o assalto por uma força policial.

11

- Devido a acidente morre em Angola o tenente Joaquim Fazendas Barreiros do BCaç 96.

- A Polícia de Choque toma posições na Cidade Universitária e força a saída dos estudantes do edifício da Cantina. Os estudantes são presos e levados em carros da polícia para a Parede, Caxias e Governo Civil de Lisboa.

12

O Ministério da Educação Nacional decide o adiamento do jogo de futebol entre a AAC e o Beira-Mar, na perspectiva da falta de comparência da equipa coimbrã.

13

Morre em combate 1 militar do COP 3.

14

D. L. n.° 44 348. Autoriza o Grémio Nacional dos Editores e Livreiros a alargar o seu âmbito territorial às Províncias Ultramarinas, nos termos da legislação vigente na metrópole.

19

- O Governo cria um fundo especial para pagamento de «serviços extra» ao pessoal da PIDE em Moçambique.

- A Polícia de Choque reprime violentamente uma manifestação de estudantes universitários em Coimbra, assalta de novo a sede da AAC e prende um número elevado de estudantes.

- É divulgado um documento de apoio aos dirigentes associativos suspensos. António Ramos Rosa, Augusto Abelaira, Augusto Costa Dias, Baptista-Bastos, Egipto Gonçalves, Fernando Namora, Francisco Sousa Tavares, Ilse Losa, João Gaspar Simões, José Cardoso Pires, Carlos de Oliveira, José Saramago, José Régio, Luísa Dacosta, Luís Francisco Rebelo, Luís Stau Monteiro, Maria Teresa Horta, Mário Sacramento, Orlando da Costa, Raul Rego, Sofia de Melo Breyner, Urbano Tavares Rodrigues, são alguns dos subscritores.

21

D. L. n. º 44 356. Determina que seja gratuita ou beneficie de redução a admissão e instrução ou internamento em todos os estabelecimentos de Ensino do Estado dos filhos dos indivíduos falecidos, mutilados, estropiados ou por qualquer forma incapacitados ao serviço da Pátria.

22

Chegada a Lisboa dos primeiros prisioneiros portugueses da Índia, a bordo do navio Vera Cruz.

23

- Morrem em combate 2 militares da CCaç 129.

- É definido o Plano "Centauro Grande", da Região Militar de Angola, o qual referencia o Conceito Estratégico Operacional terrestre a adoptar.

26

Promovida pelas Associações de Estudantes realiza-se uma homenagem ao Prof. Lindley Cintra e a todos os docentes que desde o início do processo apoiaram os estudantes.

27

Morre em combate 1 militar da CCaç 323.

28

- Nas comemorações do 28 de Maio Salazar fala sobre a "Unidade das Forças Armadas e a Consciência Nacional".

- É preso Eurico de Figueiredo, presidente da CPA (Comissão Pró-Associação) de Medicina. No dia 24 fora preso José Bernardino, dirigente da Associação de Estudantes do IST (Instituto Superior Técnico).

31

- A Sul do Tejo, os trabalhadores rurais lutam pelo horário de oito horas diárias, reivindicação que se alarga a agitação social mais intensa: greves, recontros com forças da ordem, prisões, espancamentos.

- Morre em combate um sargento da CCaç 111.

- Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 17 mortos. Em acções de combate morreram 6 militares.

 

JUNHO

?

- Apresentação, por Amílcar Cabral, perante a Comissão da ONU para os territórios administrados por Portugal, de um relatório intitulado «O Nosso Povo, o Governo Português e a ONU».
- Chega a Luanda a Companhia de Fuzileiros Navais nº 1.

- Agostinho Neto é eleito presidente do MPLA, durante a 1ª Conferência Nacional do Movimento, em Leopoldville.

1

- Morre em combate 1 militar da CCav 295.

4

- A Polícia volta a invadir a Cidade Universitária, reprimindo os estudantes. Lindley Cintra, docente da Faculdade de Letras, é agredido até perder a consciência.

- Morre em combate 1 militar da CCaç 318.

5

Morre em combate 1 militar da CCaç 318.

6

- Primeira mina utilizada pelos movimentos de libertação contra as forças portuguesas, era antipessoal, e foi implantada na estrada Zala-Vila Pimpa, no Norte de Angola.

- Chegada do Destacamento de Fuzileiros Especiais 2 à Guiné, por via aérea.

9

Oliveira Salazar concede uma entrevista à publicação norte-americana US News and World Report.

10

Morre em combate 1 militar da CCav 297.

12

- Primeira mina anticarro contra as forças portuguesas, na pista da povoação do Bembe, em Angola.

- Morre em combate 1 militar do PelMort 14.

20

Morrem em combate 5 militares da CCaç 285.

23

- Em Angola, na região de Quixico, o IN ataca a CCaç 159, de que resulta a morte de um alferes.

- Um caça-bombardeiro F-84 Thunderjet da Força Aérea despenha-se em acção no Vale do Loge, em Angola.

25

- Fundação da FRELIMO, pela fusão de três movimentos de libertação (UDENAMO, MANU e UNAMI). Eduardo Mondlane é eleito presidente. Mondlane terminara os estudos superiores nos Estados Unidos da América, onde se doutorou na Universidade de Harvard. Exerceu a função de professor universitário, nas áreas de História e Antropologia, e trabalhou para as Nações Unidas, o que lhe proporcionou o regresso a África.

- Morre em combate 1 militar da CCaç 269.

- Criação do Centro de Instrução em Zemba, Angola, (CI 21) para formar as primeiras unidades de comandos.

27

- O secretário de Estado norte-americano, Dean Rusk, visita Lisboa para conversações com o Governo.

- Manifestação de estudantes no Campo de Santana, que a Polícia dispersa. Os estudantes reivindicam a libertação de Eurico de Figueiredo, que será libertado em inícios de Julho.

29

- Um despacho ministerial exclui, por 30 meses, de todas as Escolas de Lisboa, vinte e um dos oitenta e seis grevistas da fome.

- Em Coimbra, 34 estudantes, 5 dos quais membros da direcção da AAC, são alvo de penas que vão desde 6 meses e expulsão da Universidade até 2 anos de exclusão da frequência das aulas em todas as escolas do País.

- Tribuna de Portugal insere o documento de Henrique Galvão “O Problema ultramarino: colonialismo e anticomunismo”.

30

Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 15 mortos. Em acções de combate morreram 12 militares.



publicado por estrolabio às 18:00
editado por Carlos Loures às 09:29
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