Domingo, 3 de Julho de 2011
3- Terreiro da Lusofonia - por Manuel Simões

Hoje temos um poeta de São Tomé no nosso Terreiro. É um convidado de Manuel Simões, nosso colaborador que vos apresenta  Frederico Gustavo dos Anjos:

 

Poeta e ensaísta, nasceu em S. Tomé em 1954. Fez os estudos primários e liceais em S. Tomé e superiores na ex-RDA, em Leipzig, onde se licenciou em Estudos Alemães. Regressou a S. Tomé e Príncipe em 1984, trabalhou na então Direcção de Cultura até exercer o cargo de Coordenador Nacional da Comunicação Social e, depois, o de Secretário de Estado da Comunicação Social e Cultura, estes já na 2ª. República. Publicou alguns poemas e artigos no jornal Revolução (S. Tomé, 1975-1991) e, em 1984, publicou a novela Bandeira para um cadáver, tendo como sujeito a louca Perí, inspirada numa figura real, e em que a loucura funciona como veículo de contestação. E em 1985 editou um estudo sobre a literatura são-tomense, As descobertas da descoberta ou a dimensão de uma mensagem poética. Para além de poemas dispersos em colectâneas (destacam-se A voz do medo e Vem e vamos), publicou o volume Solilóquio (S. Tomé, 1986, ed. do autor), mais precisamente um longo poema de sessenta estrofes, poema em que a ilha é assumida como lugar centralizador da consciência sócio-histórica e como espaço privilegiado de conhecimento. Na sua globalidade, o poema recorre a símbolos que apontam para o tema da liberdade (vejam-se os lexemas “ave”, “voo”, “asas”, “rota”, “vento”, por exemplo), sem transcurar a sua procura, empreendida pelo sujeito poético. (Manuel Simões)

 

 

De Solilóquio:

Sou ave
livre
voo
do
bando
com quanto gosto
vou e venho
pode ser
como se diz
tomo rota
falsa
rumo ao céu

Tenho asas
não mais que duas
pode ser
como
se diz
não tenho jeito
vou só com o vento
quem alto voa
se
cai
ADEUS.

Trago ensanguentado
o meu bico
comprido
quem
perde?
o quê?
que mal fiz?
a quem?
se me quebram o
bico?

(estr. 1,2,3).



publicado por Carlos Loures às 11:00
editado por João Machado em 01/07/2011 às 23:59
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Sábado, 2 de Julho de 2011
Lançamento do livro Tempo com Espectador, de Manuel Simões. Foi ontem, na Livraria Bulhosa do Campo Grande.

 

Ontem, dia 1 de Julho, ao fim da tarde, Estrolabio assistiu ao lançamento do livro mais recente do nosso amigo e colaborador, Prof. Doutor Manuel G. Simões, Tempo com Espectador. A sessão decorreu na Livraria Bulhosa, ao Campo Grande, em Lisboa, pelas 18.30. Na mesa estiveram, para além do autor, o Prof. Roberto Vecchi, estudioso das nossas língua e literatura (com relevo para a literatura sobre a guerra colonial), já várias vezes referido no nosso blogue, e que fez a apresentação da obra, e o editor, Dr. Fernando Mão de Ferro, também nosso amigo e colaborador.

 

O Prof. Roberto Vecchi fez uma aprofundada apresentação do livro do seu antigo professor, salientado, por um lado, a diversidade dos temas incluídos nos 15 ensaios que contém, e que, temporalmente, vão desde o fim da Idade Média até ao tempo presente, e por outro lado, a unidade que esses mesmos temas nos apresentam. Prometeu-nos no final da sessão que nos forneceria uma cópia da sua intervenção, que aguardamos com ansiedade, e que incluiremos no nosso blogue, num post especial.

 

Recordamos que o Prof. Manuel Simões foi professor em Itália de língua e literatura portuguesa, durante mais de trinta anos. Também ensinou literatura brasileira. A sua enorme e diversificada experiência fez com que desenvolvesse um olhar original sobre o nosso país e a nossa cultura, bem patente nesta obra. 



publicado por João Machado às 15:30
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Quinta-feira, 30 de Junho de 2011
Lançamento do livro Tempo com Espectador, de Manuel Simões. Amanhã em Lisboa.

 

 

 

 

Informação pormenorizada sobre esta obra em: http://www.edi-colibri.pt/Detalhes.aspx?ItemID=1478

 

 

Edições Colibri

Apartado 42.001

1601-801 Lisboa

www.edi-colibri.pt



publicado por João Machado às 09:30
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Terça-feira, 28 de Junho de 2011
Lançamento de livro de MANUEL SIMÕES

                                  C o n v i t e

 

As Edições Colibri e a Livraria Bulhosa têm a honra de convidar leitores e colaboradores do Estrolabio para a sessão de lançamento do livro


 

 

Tempo com Espectador - Ensaios de Literatura  Portuguesa

 

da autoria de Manuel G. Simões que será apresentado por Roberto Vecchi Professor na Universidade de Bolonha.

 

 

Dia 1 de Julho, às 18h30 Livraria Bulhosa Campo Grande 10-B – 1700-092 Lisboa

 

 


Manuel G. Simões nasceu em Jamprestes-Ferreira do Zêzere

em 1933. Poeta e ensaísta. Foi um dos fundadores da

colecção “Nova Realidade” (1966) e pertenceu à redacção da

revista “Vértice” (1.ª série) entre 1967 e 1969.

 

Viveu em Itália de 1971 a 2003, tendo sido inicialmente Leitor

de Português nas Universidades de Bari e de Veneza

e, sucessivamente, professor associado na Universidade

 “Ca’ Foscari” de Veneza, leccionando as disciplinas de

língua e literatura portuguesa e de literatura brasileira.

 

 

 

Pertence à redacção da revista “Rassegna Iberisti ca”(Veneza), de

que foi um dos fundadores em 1978, e ao conselho editorial de “Estudos Italianos em Portugal” (nova série), a partir de 2005.

 

“Tempo com Espectador” reúne uma série de ensaios sobre literatura portuguesa, que vão da Idade Média ao século XX, na perspectiva de quem observa o fenómeno literário inserido num contexto cultural e espacial externos, o que propiciou a análise do encontro entre duas ou mais literaturas.

 

Daí que frequentemente a exegese contemple o problema da intertextualidade e a abordagem de temas não muito frequentados pela crítica: o percurso do Iluminismo português; a errância e seus efeitos no tecido literário (de “Sôbolos rios” à contemporaneidade); ou a influência da Bíblia na poesia portuguesa finissecular, por exemplo.

 



publicado por Carlos Loures às 19:00
editado por Augusta Clara às 17:17
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Segunda-feira, 27 de Junho de 2011
ANTOLOGIA DA MEMÓRIA POÉTICA DA GUERRA COLONIAL (Afrontamento, 2011) – por Manuel Simões

 

 

 

 

 

 

Um projecto com as dimensões desta Antologia (178 poetas, sem contar com o conhecido “Cancioneiro do Niassa”, 646 pp.) e que nasceu no âmbito das realizações do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde foi objecto de estudo nos últimos anos, teria que envolver uma ampla equipa com a supervisão de dois organizadores, Margarida Calafate Ribeiro e Roberto Vecchi. Tal projecto desenvolveu-se tendo em consideração quatro objectivos essenciais: recolha e análise crítica da poesia da guerra colonial; avaliação do impacto da guerra na poesia portuguesa contemporânea; organização de uma antologia da poesia sobre a guerra colonial; e contribuição para o debate e a memória pública da guerra, através de diversos colóquios, de que o último teve como tema “Os filhos da Guerra Colonial: pós-memória e representações” (14 e 15 de Junho de 2011). E, como afirmam os organizadores, a partir de três eixos: «(1) perceber a intersecção poética entre o individual e o colectivo nos aspectos vivenciais e traumáticos da Guerra Colonial; (2) reflectir sobre as relações entre poesia, memória e memória poética; (3) avaliar o impacto da poesia nas memórias públicas da Guerra Colonial e do fenómeno da memória da guerra na sociedade portuguesa e nas suas representações» (p.23).

 

Na transparente e documentada introdução à Antologia, os organizadores assumem por inteiro o “desafio científico” de seleccionar, a partir de uma floresta de textos poéticos, heterogéneos e que muitas vezes cumpriam uma função documental e pragmática, um corpus que obedecesse a um critério exigente saído de um debate crítico «sobre a poética, a memória, o esquecimento, as suas relações com a poesia e, em particular, a poética em tempo de guerra» (p.23). A memória, como se vê, constitui o núcleo dos critérios metodológicos, com a consciência de que, através da poesia, se pode construir uma memória poética de um facto histórico, o que pressupõe a hermenêutica da memória.

 

Tendo que seguir um critério de arrumação dos materiais, os organizadores conceberam uma divisão temática, distribuindo os poemas por blocos que obedecem aos temas “Partidas e Regressos”, “Quotidianos”, “Morte”, “Guerra à guerra”, “O dever da guerra”, “Pensar a guerra”, “Memória da guerra”, “Cancioneiros”, “Cancioneiro Popular” e “Ainda”, secção esta que inclui dois belíssimos poemas, o primeiro de Fernando Assis Pacheco e o segundo de Manuel Alegre, extraído de “Nambuangongo, Meu Amor: Os Poemas da Guerra” (2008):

 

            As nossas frases estão cheias de picadas

            de minas a explodir nos substantivos

            por dentro do silêncio há emboscadas

            não sabemos sequer se estamos vivos.

            Os helicópteros passam nas imagens

            a meio de uma vírgula morre alguém

            e os jipes destruídos estão nas margens

            do papel onde talvez para ninguém

            se vão escrevendo estas mensagens. (p.550)

 

 

Não é difícil, portanto, perceber a importância e o alcance desta Antologia, que constitui um marco fundamental para se poder “ler” criticamente a guerra colonial a partir de textos poéticos provenientes de vários quadrantes e de acordo com a visão dos autores referenciados, o que mostra como aquele evento controverso e desamado tocou profundamente a poesia portuguesa contemporânea. No seu não menos importante “posfácio”, os dois organizadores proporcionam ao leitor uma moldura crítica que só pode enriquecer a apreensão do texto na sua globalidade. E assim referem os momentos fundamentais: «Tempo um: Requiem por um império ou sombras da guerra entre nós – Poesia 61»; «Tempo dois: Requiem por um império ou a reinvenção retórica do império»; «Tempo três: Requiem pela guerra – Três vozes da Guerra Colonial»; «Tempo quatro: A dimensão performativa do canto na poesia da Guerra Colonial» (Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, José Mário Branco, Luís Cília e outros).

 

Esta monumental Antologia, limiar de um corpo de dimensões mais vastas a confluir num arquivo digital aberto (Arquivo Electrónico da Memória Poética da Guerra Colonial), encontrou nos dois organizadores os interlocutores qualificados, considerando os estudos anteriores sobre o tema, objecto de várias publicações de âmbito internacional: “Uma História de Regressos: Império, Guerra Colonial e Pós-Colonialismo” (Afrontamento, 2004) de Margarida Calafate Ribeiro; e “Excepção Atlântica. Pensar a Literatura da Guerra Colonial” (Afrontamento, 2010) de Roberto Vecchi, entre outras.



publicado por João Machado às 15:00
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Segunda-feira, 20 de Junho de 2011
Fotografia de José Magalhães com poema de Manuel Simões

 

 

ENTARDECER

 

    
1

O entardecer desorganiza

o nosso mundo,

exalta o canto

doloroso das aves

 

como apelo que flutua

no verde das árvores

de súbito acolhendo

os estranhos, espúrios

frutos da noite.

     
2

Já não tarda o entardecer:

as aves pressentem o lento

progredir das sombras, o vento

ausente que as sufoca, o único

irrepetível surpreender

das trevas.

 

Manuel Simões

 

(De "Micromundos",Lisboa, Colibri, 2005).

 

 

À meia-noite chegará o última das seis fotos desta exposição com  um belo poema de Sílvio Castro

 



publicado por Carlos Loures às 23:30
editado por João Machado às 22:06
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Quarta-feira, 8 de Junho de 2011
Excepção Atlântica. Pensar a Literatura da Guerra Colonial, de Roberto Vecchi (Porto, Ed. Afrontamento, 2010). Por Manuel Simões

 

 


 

 

 

 

O Autor tem-se ocupado, desde meados da década de 90, dos temas e problemas relacionados com a literatura da guerra colonial e do seu impacto no imaginário português, a ponto de se poder dizer que é hoje um dos grandes especialistas de uma matéria que remete para “um passado que ainda foge à fundação de uma memória compartilhada”. De facto, data de 1995 a publicação de dois importantes ensaios (“Literatura da guerra colonial: a melancolia como género” e “A guerra colonial entre género e tema: ‘Jornada de África’ de Manuel Alegre”), que constituíram o ponto de partida para esta abordagem global que é parte de uma investigação persistente de alguns anos sobre a guerra colonial e, de modo mais específico, sobre a literatura que procurou representá-la.

 

Ao longo de um preâmbulo e de oito capítulos de grande maturidade reflexiva, até do ponto de vista teórico, o Autor conduz o seu discurso no sentido de observar a literatura da guerra colonial como um modo, entre outros possíveis, para tentar um discurso crítico sobre Portugal, sobre o império colonial (ponto ainda fracturante da história portuguesa contemporânea), sobre o trauma, “sobre a relação entre a violência e a excepção para que sempre remete”.

 

Tal discurso assenta numa reflexão profunda sobre as questões subjacentes e implícitas à representação de mecanismos perversos que conduziram todo um percurso, de que destaco, por razões de espaço: “Usos e genealogia: os corpos despedaçados e a história”; “a melancolia como género”; “Restos, rastos, indícios e fantasmas. Tragédia e trágico” (capítulo 1); saudade, luto, melancolia na literatura da guerra colonial (capítulo 2); e, de modo particular, todo o capítulo 5, como se pode avaliar pela súmula que antecede o capítulo: “Memória e história […] (Quase) lutos, cicatrizes, epitáfios. Enterrar os mortos: as Antígonas trágico-modernas da guerra colonial. A condição póstuma do Autor: tal Império, qual conflito? Quem são as vítimas invisíveis de uma não guerra sem nome? Astúcias e incoincidências do autor póstumo na literatura da guerra colonial. Traumas transbordantes e políticas póstumas do trágico: ‘Enterrar os mortos e cuidar dos vivos’. Culpa e crueldade nas representações da guerra colonial”.

 

Na sua globalidade, o volume constitui um desafio que o Autor faz a si próprio e aos leitores no sentido duma leitura abrangente e iluminante, sob muitos aspectos, dos vários textos ficcionais que se produziram sobre a guerra colonial. Concordo plenamente com Margarida Calafate Ribeiro, prefaciadora do volume, quando afirma que este livro nos leva a reflectir “sobre Portugal de uma forma teoricamente provocante, absolutamente inovadora e distinta do que até agora tem vindo a ser feito”.

 

Roberto Vecchi é professor de Literatura Portuguesa e Brasileira, e de História das Culturas de Língua Portuguesa na Universidade de Bolonha. Para além dos dois ensaios já citados, de certo modo fundadores do que viria a ser a investigação futura, é autor de vários ensaios sobre o mesmo tema, publicados em Portugal, em Itália e no Brasil. Desses estudos destaco: “Mares coloniais, mares da memória. Algumas considerações sobre a literatura da guerra colonial” (1994); “Percursos. Fragmentos de uma ‘recherche’ da África perdida” (1996); “Barbárie e representação: o silêncio da testemunha” (2001): “Experiência e representação: dois paradigmas para um cânone literário da guerra colonial” (2001); “Restos de experiência, rastos de memória: algumas características da guerra colonial” (2001); “Das relíquias às ruínas. Fantasmas imperiais nas criptas literárias da guerra colonial” (2003); e “Império português e biopolítica: uma modernidade precoce?” (2007).

 

(Este livro foi apresentado na Livraria Barata no dia 25 de Outubro de 2010).



publicado por João Machado às 15:00
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Segunda-feira, 23 de Maio de 2011
A desvitalização da vida, por Manuel Simões

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1

 

Conhecem só as letras mortas,

os lugares-comuns, a voz solta

 

sem peso, sem ardor latente

de transgressão da fala.

 

Não pressentem o engano, a fácil

imagem, falsa e doce

 

ilusão que investe, prepotente,

a indefesa credulidade que se cala.

 

2

 

Ai dos fracos de espírito, adoradores

do consumo como ideologia.

 

Deles será a terra prometida

crescendo à sombra dos telefilmes,

 

dos centros comerciais onde a vida

não se mede com inteligência.

 

Deles será o paraíso às avessas,

a desumana ordem que tudo banaliza,

 

Ai dos fracos de espírito, privados

cruelmente do poder da consciência.

 

(Do seu livro Errâncias, Lisboa, 1998)



publicado por João Machado às 10:00
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
O Secreto Rumor do Mar, por Manuel Simões.

 

 

 

 

 

 

 1

 

Não perceberás neste canto

 

de espera anunciada

 

senão a pedra áspera

 

do espanto

 

nem te chegará o som

 

da palavra reveladora

 

do que quer que seja

 

mas tão-só a humilde

 

sombra que projecta

 

a palavra e a devolve

 

à aguda aspereza do mundo.

 

 

2

 

Talvez te aflore, densa,

 

a memória da árvore

 

da qual se olhava o mundo,

 

donde se olhava tudo

 

e tudo era como nada:

 

jogo não inocente, luz

 

entre os ramos

 

por onde se filtrava o ar.

 

Soprava um leve vento,

 

o secreto rumor do mar.

 

 

 

(in A Sophia. Homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen, Lisboa, Caminho, 2007)



publicado por João Machado às 10:00
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2011
O mito do Preste João e o imaginário português, por Manuel Simões

  

 

 

 

 

 

  

O mito do Preste João conheceu uma difusão extraordinária na Europa medieval, ligado à convicção de que existia um reino fabuloso que tinha como imperador o Preste, reino que foi conhecendo várias localizações, desde a área tártara, Índia (nestoriana) e Abissínia. A partir de 1165 foi posta a circular uma carta do mítico rei, dirigida a “Emanueli, Romeon gubernatori” (imperador bizantino), documento fictício destinado a estimular a imaginação fantasiosa do Ocidente medieval: confirmava o poder e a riqueza do chefe (também espiritual) de um território que atravessava as três Índias e o deserto de Babilónia até atingir a torre de Babel, razão que determinou o interesse em localizar um rei tão potente, ainda por cima cristão, nas terras do Oriente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por João Machado às 15:00
editado por Luis Moreira às 19:17
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2011
NOVA REPARTIÇÃO COLONIAL DO MUNDO por Mauro Santayana -

NOVA REPARTIÇÃO COLONIAL DO MUNDO


- por Mauro Santayana -


A Europa e os Estados Unidos, com sua ação contra a Líbia, buscam voltar ao século 19, e promover nova repartição colonial do mundo. Na realidade, não houve independência efetiva das antigas colônias. Mediante os artifícios do comércio internacional, e, sobretudo, da circulação de capitais, a dependência econômica e política dos paises periféricos permanece. Nos últimos vinte anos, com a globalização neoliberal, o domínio dos paises centrais se tornou ainda maior. Razão teve Disraeli, o controvertido homem de estado britânico, ao dizer que as colônias não deixam de ser colônias pelo simples fato de se declararem independentes.


Esse domínio indireto por si só não lhes basta: querem retornar ao estatuto colonial escancarado. Ao perceberem os sinais de insurreição geral dos povos contra a opressão de seus prepostos, tomam a iniciativa da repressão preventiva. A doutrina da preemptive war de Bush continua vigendo, e é agora aplicada pela França e pela Grã Bretanha, sob solerte delegação de Washington. Os norte-americanos bem intencionados, que votaram em Obama, descobrem que não podem mudar o sistema mediante o processo eleitoral. Como o grande presidente republicano – e o mais importante militar do século passado – Eisenhower denunciara e previra, quem domina o sistema é o “complexo industrial-militar”, hoje com o mando repartido entre o Pentágono e Wall Street.


O presidente Obama se assemelha, a cada dia mais, aos Bush. Embora seu objetivo final seja o mesmo, ele cuida de falar macio na América Latina, enquanto açula seus aliados contra a Líbia, no movimento da reconquista imperial do Norte da África. Tal como Tony Blair, no caso do Iraque, Cameron se dispõe ao dirt job. Conforme o semanário alemão Focus, comandos britânicos já operavam na Líbia semanas antes da oficialização da aliança.


O movimento pela re-colonização, por parte das antigas metrópoles, se desenvolve pari-passu com a globalização. E obedece ao discurso hipócrita de que, fora dos padrões católicos e protestantes da civilização ocidental, todos os povos são bárbaros e incapazes de autogoverno. A realidade é bem outra: a fim de manter o nível de conforto e de consumo dos países centrais, é necessário usar todos os recursos naturais e humanos da periferia. O espaço asiático de saqueio, no entanto, se estreita com o aumento da população e de consumo conforme os padrões ocidentais – e o crescimento da China. Mas há ainda o gás e o petróleo do Cáspio, pelos quais os americanos buscam controlar o Afeganistão e ameaçam o Irã. Manter os mananciais petrolíferos do Oriente Médio e do Norte da África é, em sua visão, essencial – apesar de seu discurso hipócrita sobre o meio-ambiente. A mesma hipocrisia se revela na declaração de que não querem atingir Kadafi: seu complexo residencial foi atacado pelos mísseis de Obama, da mesma forma que Reagan o fez, em 1986, matando uma filha do dirigente líbio.


Ao mesmo tempo, é-lhes conveniente assegurar o suprimento de minerais e de alimentos, da América Latina e da África Negra. Ameaçados pela penetração dos chineses no continente africano, eles estão dispostos a jogar tudo, para a restauração de seu antigo domínio. E não faltam os sócios menores, os sub-empreiteiros do colonialismo, como os espanhóis e os italianos. Os espanhóis, nessa nostalgia de Carlos V e Felipe II, se unem a Obama, a Cameron e a Sarkozy. Não há diferença entre Zapatero e Aznar: os dois são o mesmo, no esforço pela Reconquista da América do Sul. Os italianos são menos insistentes: sabem que com a queda de Kadafi, a Líbia não lhes será devolvida.


Os neocolonialistas tentam aproveitar-se de uma rebelião sem idéias, embora justa, contra a corrupção e o poder ditatorial nos países árabes. Mas seu êxito não é certo.

 

 


A nova repartição colonial do mundo (2)


por Mauro Santayana

 



publicado por Luis Moreira às 23:00
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2011
Um novo livro de Manuel Simões - TEMPO COM ESPECTADOR - Ensaios de LIteratura Portuguesa

Lançado pelas Edições Colibri, é amanhã apresentado na Feira do Livro o novo livro do nosso colaborador

Manuel Simões -Tempo com Espectador - Ensaios de Literatura. A obra reúne uma série de ensaios que vão da Idade Média ao século XX, na perspectiva de quem observa o fenómeno literário inserido num contexto cultural e espacial externos, o que propiciou a análise do encontro entre duas ou mais literaturas. Daí que frequentemente a exegese contemple o problema da intertextualidade e a abordagem de temas não muito frequentados pela crítica: o percurso do Iluminismo português; a errância e seus efeitos no tecido literário (de "Sôbolos rios" à contemporaneidade); ou a influência da Bíblia na poesia portuguesa finissecular, por exemplo.

 

A obra, abrindo com uma Nota prévia do autor, aborda os seguintes temas:

O panegírico de Portugal nas “Cartas de Itália” de Lopo d’Almeida; A crítica

 e o “tipo” do judeu em Gil Vicente; Sôbolos rios: a poesia da diáspora;
Subsídios para o estudo da poesia de Violante do Céu: a poesia profana
O Padre António Vieira e o Brasil;Matias Aires: Subsídios para a História do Iluminismo em PortugalPercursos do Iluminismo em Portugal: Matias Aires e o “Problema de Arquitectura Civil”; A função intertextual de Carlos Fradique MendesAs metamorfoses de Don Juan na poesia portuguesa da “Geração de 70”; As metamorfoses do «eu» em “Ode Marítima” de Fernando PessoaNacionalismo e evasão: “O Quinto Império” de Fernando Pessoa
Marinetti, Pessoa e o FuturismoOs mitos futuristas e a “Ode Triunfal” de Álvaro de CamposA errância na literatura portuguesa do séc. XX ; Memória de uma errância na ficção de José Rodrigues MiguéisFormas da cultura popular e irradiação semântica em “Levantado do Chão”; A Bíblia na poesia portuguesa contemporânea“Hiroxima” e “Vietname”: memória poética e consciência ética“Poemabril”: memória e desencanto da “Revolução dos cravos”

 

 

 

 

Manuel G. Simões nasceu em Jamprestes-Ferreira do Zêzere em 1933.

 

 

 


Poeta e ensaísta. Foi um dos fundadores da colecção "Nova Realidade" (1966) e pertenceu à redacção da revista "Vértice" (1ª. série) entre 1967 e 1969.

 


Viveu em Itália de 1971 a 2003, tendo sido inicialmente Leitor de Português nas Universidades de Bari e de Veneza e, sucessivamente, professor associado na Universidade "Ca' Foscari" de Veneza, leccionando as disciplinas de língua e literatura portuguesa e de literatura brasileira.

 

Pertence à redacção da revista "Rassegna Iberistica" (Veneza), de que foi um dos fundadores em 1978, e ao conselho editorial de "Estudos Italianos em Portugal" (nova série), a partir de 2005.

 

 

 Amanhã, dia 29 de Abril, estará entre as 18 e as 20 horas no stand A47, das Edições Colibri, onde autografará exemplares desde seu novo livro.



publicado por Carlos Loures às 16:30
editado por Luis Moreira às 19:27
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2011
A Poesia Amarga, por Manuel Simões

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia, te escrevo

despojada

inquieta desde a raiz

que te demarca e domina.

 

Despojada te quisera

tal uma faca de pedra

dissecando a geografia.

 

Poesia, te escrevo

tão amarga

como aquela alegoria

que te contorna o sentido.

 

Tão amarga te quisera

ardorosamente inscrita

com rigor de geometria.

 

(In Crónica Segunda, Poemas)



publicado por João Machado às 10:00
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Terça-feira, 26 de Abril de 2011
as três crises americanas que vão provocar a Enorme Ruptura do sistema econômico, financeiro e monetário mundial - por GEAB [*]

Enviado por Manuel Simões

 

Outono de 2011: Orçamento/Títulos do Tesouro/Dólar, as três crises americanas que vão provocar a Enorme Ruptura do sistema econômico, financeiro e monetário mundial.

 

por GEAB [*]

 

Em 15 de Setembro de 2010, o GEAB nº 47 intitulava: “Primavera de 2011:Welcome to the United States of Austerity / Rumo ao enorme pânico do sistema econômico e financeiro mundial”. No entanto, no fim do Verão de 2010, a maior parte dos peritos considerava, por um lado, que o debate sobre o déficit orçamental dos EUA permaneceria um simples objecto de discussões teóricas no seio da Beltway [1] ; por outro, que era impensável imaginar os Estados Unidos a lançarem-se numa política de austeridade uma vez que bastaria ao Fed continuar a imprimir dólares.                        

 

Ora, como todos podem constatar desde há várias semanas, a Primavera de 2011 trouxe a austeridade aos Estados Unidos [2], a primeira desde a Segunda Guerra Mundial, e o estabelecimento de um sistema global fundado na aptidão do motor americano a gerar sempre mais riqueza (real nos anos 1950-1970, depois cada vez mais virtual a partir desta data).

 

Nesta fase, o LEAP/E2020 está pois em condições de confirmar que a próxima etapa da crise será realmente a "Enorme ruptura do sistema econômico, financeiro e monetário mundial"; e que esta ruptura acontecerá no Outono de 2011 [3]. As consequências monetárias, financeiras, econômicas e geopolíticas desta “Enorme ruptura” serão de uma amplitude histórica e farão a crise do Outono de 2008 parecer aquilo que ela realmente foi: um simples detonador.

 

A crise no Japão [4], as decisões chinesas e a crise das dívidas na Europa certamente desempenharão um papel nesta ruptura histórica. Em contrapartida, consideramos que a questão das dívidas públicas dos países periféricos daEurolândia não é mais o fator de risco dominante na Europa, mas que é o Reino Unido que se encontra na posição do “doente da Europa” [5]. A zona Euro pôs em ação e continua a melhorar todos os dispositivos necessários para tratar destes problemas [6].                                                                                                                           

 

A gestão dos problemas grego, português, irlandês, etc. será feita, portanto, de maneira organizada. Investidores privados deverão arcar com descontos (como antecipado pelo LEAP/E2020 antes do Verão de 2010)[7], mas isso não pertence à categoria dos riscos sistêmicos, o que desagrada oFinancial Times, Wall Street Journal e peritos da Wall Street e da City que tentam a cada três meses refazer o “golpe” da crise da zona Euro do princípio de 2010 [8].

 

Em contrapartida, o Reino Unido fracassou completamente na sua tentativa de “amputação orçamentária preventiva” [9]. Com efeito, sob a pressão da rua e nomeadamente dos mais de 400 mil britânicos que enchiam as ruas de Londres em 26/02/2011 [10], David Cameron viu-se obrigado a rever em baixa seu objetivo de redução das despesas de saúde (um ponto chave das suas reformas)[11]. Paralelamente, a aventura militar líbia obriga igualmente a rever seus objetivos de cortes orçamentais no Ministério da Defesa.                                                                                   

 

 

 



publicado por Luis Moreira às 16:00
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2011
Evento da Literatura Brasileira - A propósito da polémica entre Sílvio Castro e Carlos Loures

Este post do Manuel Simões já tinha saído no Estrolabio, a 6 de Dezembro de 2010. Reproduzimo-lo hoje, dia do descobrimento do Brasil, pelo seu interesse, ao abordar uma questão tão importante, a propósito de uma polémica que decorreu na altura entre o Sílvio Castro e o Carlos Loures, aqui no nosso blogue.

 

 

 

 

 

 

 

Manuel Simões

 

Por circunstâncias várias, um escritor pode pertencer a duas literaturas, sendo, por vezes, até difícil determinar a qual está mais directamente ligado. O método para essa determinação costuma ter em conta três factores: a nacionalidade, a língua que veiculou a escrita e o tema privilegiado no acto de criação literária. É por isso que Gil Vicente e Francisco Manuel de Melo, por exemplo, constam dos manuaiis de literatura espanhola, porque ambos escreveram em castelhano, mas confesso que a primeira vez que constatei esse facto, tido como incontroverso, a minha perplexidade foi espontânea, como se a literatura espanhola se quisesse “apoderar” de dois autores portugueses. Não já pela língua, como é óbvio, mas pelos temas e aspectos culturais específicos, o Padre António Vieira (Lisboa, 1608-Bahia, 1697) é simultaneamente um escritor português e brasileiro: percebe-se nos escritos do jesuíta uma afinidade com as coisas e os seres brasileiros ao ponto de ele próprio se considerar “mazombo”, isto é, filho do Brasil mas de pais europeus (neste caso, portugueses).

 

Ora é por estas razões que não me repugna aceitar, seguindo até a historiografia literária, a “Carta” de Pero Vaz de Caminha não só como o acto de nascimento do Brasil – não obstante lhe tenha chamado “Terra de Vera Cruz “ – mas como o primeiro documento e monumento da literatura brasileira, porque nela confluem todos os temas que os escritores brasileiros usarão como traços distintivos: o mito do bom selvagem, a literatura indianista que se lhe seguiu, a feminilidade inocente e sedutora, mais tarde largamente recuperada e ressemantizada por muitos poetas e prosadores.

 

Isto não invalida a aceitação de que o primeiro e verdadeiro literato do Brasil colónia  tenha sido o Padre José de Anchieta, nascido em Tenerife (Canárias), chegado ao Brasil em 1553, co-fundador de S. Paulo, gramático da língua tupi, poeta lírico e dramaturgo segundo o modelo de Gil Vicente, através de autos que utilizou com a finalidade de converter os índios ao cristianismo.

 

Julgo por isso radical a argumentação de Carlos Loures, segundo a qual “antes de haver estado brasileiro não existe literatura brasileira”. E lembro os casos, entre outros, de Ambrósio Fernandes Leitão, funcionário da Coroa no Brasil, com os seus “Diálogos das Grandezas do Brasil”, de Cláudio Manuel da Costa ou de Gregório de Matos, mestiço, filho de pai português e de mãe bahiana. Tomás António Gonzaga (1744-1810), que viveu entre Portugal e o Brasil, pertence, por direito, quanto a mim, às duas literaturas. E algumas vezes se fez a ponte entre as duas culturas, como no caso do mulato Domingos Caldas Barbosa (1740-1800) que difunde em Lisboa as ternas “modinhas”, talvez ligadas  às origens do fado.

Carlos Loures tem razão quando se refere aos casos de Angola, Moçambique ou Cabo Verde. Devo lembrar, todavia, que por muitos anos, mesmo depois da independência, as literaturas destes países foram designadas genericamente por “Literaturas africanas de expressão portuguesa”, “Literaturas africanas de língua oficial portuguesa” ou até “Literaturas africanas lusófonas”, não ousando a crítica conceder-lhes a “carta de alforria”. Manuel Ferreira, a quem devemos os fundamentos destas literaturas, ainda em 1986 lhes atribuía o título genérico, dividindo internamente o seu trabalho pelos vários países mas sem conceder autonomia às novas literaturas.



publicado por João Machado às 15:00
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