Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011
A Máquina do Tempo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Carlos Loures

Herbert George Wells, nasceu em 1866 em Bromley, Inglaterra, e morreu em 1946, em Londres. «The Time Machine», publicado em 1895, foi um dos seus primeiros romances e um dos seus maiores êxitos. Mas teve outros, como por exemplo «The Invisible Man» (1897). De 1898 é «The War of the Worlds», a famosa «Guerra dos Mundos» que, pela mão de Orson Welles, que a transformou em peça radiofónica, pôs em 1938, a América em pânico, pensando que os marcianos estavam a invadir a Terra (hei-de contar esta história). Ideia que o Mário-Henrique Leiria, o António José Forte e outros manos do Gelo aproveitaram para a sua «Operação Papagaio». 

Como muitos sabem, a história original conta como «o viajante no tempo» (the Time Traveller) inventa uma máquina capaz de se mover também na quarta dimensão. E lá vai ele parar, nem mais nem menos, do que ao ano 802 701 a um mundo estranho, uma espécie de Eden, mas com um inconveniente - os Elois, uma raça de gente boa e vegetariana, serve de alimento aos malvados Morlocks, carnívoros o mais possível (que se escondem em subterrâneos).  "A Máquina do Tempo", de H.G. Wells, converteu-se num dos arquétipos da chamada ficção distópica (o inverso de utópica), de que "1984", de George Orwell´constitui o principal exemplo.

Ora bem. H.G. Wells, se bem que jovem escritor estreante, era tudo menos inocente – a época vitoriana em que o livro é escrito era fértil em «elois», que trabalhavam literalmente como escravos a partir dos cinco anos de idade, para alimentar os «morlocks» que se pavoneavam por Londres e não só, porque a desenfreada exploração a que a Revolução Industrial deu lugar, foi o «caldo de civilização» em que Karl Marx, de colaboração com Engels, escreveu em 1848 o seu «Manifesto Comunista», tal era a densidade da injustiça social vivida na Europa. 

Mas Wells escusava de ter ido tão longe no tempo – andando pouco mais de um século para a frente, encontraria, sem se mover no espaço, morlocks e elois, ali mesmo em Londres. E ele bem o sabia. Se quisesse deslocar-se um pouco para Sul, sobretudo se viesse durante a primeira década do século XXI, encontraria por aqui exemplares bastante interessantes dessas duas espécies de humanóides. 

Elois, trabalhando, pagando impostos,  devorados por insaciáveis Morlocks espalhados pelo Governo, administração pública, sindicatos, conselhos de administração... 

Morlocks e Elois  nunca faltaram por aí.



publicado por João Machado às 16:00
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Segunda-feira, 12 de Julho de 2010
A URSS implodiu porquê?
Luís Moreira

António Vilarigues é um cronista do Público que sempre leio.Ele é comunista, eu sou social-democrata,o que não impede de estar muitas vezes de acordo com o que escreve.O mesmo acontece com a sua crónica de ontem.

Que a URSS esteve na vanguarda das conquistas dos trabalhadores, que muitas das políticas que levaram ao Estado - Providência, nasceram nos países comunistas. Que foi nessa dialéctica,entre a força do capitalismo e das respectivas classes dominantes e do medo que estas tinham da força dos trabalhadores, que nasceram as maiores conquistas do Estado-Providência.

Concordo e subscrevo que esse equilibrio mundial em muito contribuiu para que os liberalismos glutões e sem regras refreassem os seus apetites, e que ao seu desaparecimento corresponda a cavalgada sem freio do capitalismo que nos atirou para um mundo pior e mais injusto.

Mas então,cabe perguntar,porque ruíram esses países ? O autor não chega a essa pergunta que se impõe fazer no seu texto, porque a resposta seria muito dolorosa para um comunista convicto. Se o sistema tinha tão grandes méritos porque não teve o povo a defende-lo? Os povos a defenderem um sistema amigo, não seria o normal?

A minha resposta, que vale o que vale,(nasce de uma convicção e do que aconteceu) é que o ser humano,logo que tenha as suas necessidades básicas satisfeitas, exige o exercício da liberdade. Liberdade de expressão,liberdade de escolher os seus representantes,liberdade de escolher os caminhos da sua vida e da sua família.

A liberdade é parte integrante do ser humano!Nenhuma ditadura se aguenta muito tempo sem o suporte da repressão e aí começa o seu fim!

À direita e à esquerda não há alternativa para mais e melhor democracia!


publicado por Luis Moreira às 11:00
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Domingo, 23 de Maio de 2010
Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República – 7
Carlos Leça da Veiga


Se na Constituição da Primeira República o assunto das alianças com o exterior não era versado, na da Segunda – a de agora – bom grado, por expresso, aponte aversão à inclusão do país em pactos político-militares inclusive avance com uma afirmação sobre a sua necessária desarticulação (Artigo 7º, ponto dois), apesar de tudo isso – é uma repetição intencional – Portugal, o governo português, com a integração na OTAN, não só prossegue numa prática política semelhante à do tempo do salazarismo como, para cúmulo, à semelhança dos erros da Primeira República, excede-se na subserviência ao exterior e facilita contingentes militares expedicionários tudo sob o pretexto ardiloso da defesa e da promoção da paz em estados independentes com cujos problemas internos e, em muitíssimo especial, com os de política externa nada há em comum, senão mesmo, até só haja inconvenientes demasiado sérios, por evento, politicamente irreparáveis.

É incompreensível haver-se consentido na imposição alienígena que obriga Portugal a caminhar para uma rarefacção dos relacionamentos bilaterais com quem, países, não temos qualquer litígio, tudo em favor de oferecer-se alguma ajuda à potência que no mundo, desde sempre, mais atenta contra a Paz.

Como se esta força comandada pelos EUAN – a OTAN – já não bastasse como instrumento de dominação política e militar a recair sobre Portugal, os estados continentais do centro da Europa – mais uma vez – sob pretextos de ordem vária, a económica para começar, acabaram por conseguir arregimentar um número crescente de Estados europeus cuja dominação, desde há muito, mantêm benquista, à custa da atribuição generosa de subsídios financeiros, uma particularidade muito do agrado do parasitismo dos vários possidentes dos mais variados estados.

Das Comunidades Europeias Económicas para a União Europeia, prosseguiu-se a marcha dum sonho político milenar protagonizado, sucessivamente, ao longo dos tempos, pelo ancestral Império de Roma, pela Igreja Romana, por Napoleão, pelo Kaiser germânico e, por último, pelo nazismo do III Reich. Depois do final da Segunda Grande Guerra, os estados francês e germânico, reconhecida a incapacidade de cada qual, só por si conseguir fazer vingar os seus eternos propósitos – os EUAN, não lho permitiriam – encontraram aquilo que têm imaginado ser uma boa solução para o ressurgimento duma sua nova preponderância internacional com a edificação da União Europeia – uma nova potência mundial – mantida sob o seu comando real, que não o aparente – até que um deles consiga diminuir o outro – e, afinal, o passo preliminar fundamental para a criação dum estado europeu suposto, por fantasia, ignorância e ambição imperialista, como a entidade capaz de ter força bastante para enfrentar o poderio tanto dos EUAN como, também, de cada um e de todos os estados economicamente “emergentes”, por desígnio o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul (BRICAS).


Na autenticidade das coisas tudo está a passar-se muito à semelhança de quanto, séculos atrás, em modalidades de rapina diferentes mas não menos condenáveis, foi feito a partir de Castela para inventar o estado espanhol, da Inglaterra para produzir o reino unido, da pequena França dos Francos (sempre à custa da espada, dizia De Gaulle) para o estado francês, da Prússia para o estado alemão, do Piemonte para o estado italiano e do modesto Grão-Ducado da Moscóvia, tal como era no século XV, para o apogeu, no décimo nono, da Rússia imperial, depois URSS ou, como agora, Federação Russa.

O pecado da dependência nacional portuguesa, no mais essencial, manda dever dizer-se que se uma ligação de submissão político-económica a qualquer ou a quaisquer estados – por exemplo, à União Europeia (UE) – só obscurece o futuro nacional, uma ligação de obediência político-militar – por exemplo, à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) – da mesma maneira, nada de bom augura.

Como é manifesto, sob pretextos dum reforço do equilíbrio ou da harmonização do desenvolvimento sustentável do espaço europeu (dito doutro modo e como deve ser, dos interesses políticos e económicos franco-germânicos) em boa verdade, nessa União Europeia nada mais é pretendido fazer que não seja colocar Portugal – à semelhança de quanto acontece com outros estados – como um seu comprador líquido e sistemático mas, também, sujeitar Portugal a ter de facilitar-lhe domínio da sua especialíssima posição estratégica de estado marítimo, por exacto, aquela que advém da fachada atlântica portuguesa e do seu imenso espaço marítimo, uma particularidade ímpar, extremamente valiosa, capaz de proporcionar, indevidamente, aos continentais do centro europeu um retorno estratégico muito promitente, porém, completamente indevido. Com esta ajuda suplementar tão preciosa – mas não só – a União Europeia (quem nela manda) pode abalançar-se, com uma muito maior facilidade, a tentar conseguir o reforço da sua posição estratégica face aos EUAN e à Rússia como, também, à construção da sua sonhada oposição – e da sua tradicional sobranceria euro centrista – face aos poderios reais de ordem vária, assentes e em crescendo, como é um seu direito inteiramente legítimo, nos outros vários Continentes. Portugal que não tem animosidade para com quaisquer desses Estados, com cujos interesses estratégicos os Estados do centro europeu entendem – mas mal – dever competir, senão mesmo conflituar, terá de concluir pela existência duma vontade determinada, por parte dos hegemónicos da União Europeia, de quererem ver Portugal envolvido em atritos completamente alheios ao pulsar do seu percurso histórico e dos seus interesses estratégicos mais verdadeiros.

Se da União Europeia, ao contrário do propalado, o futuro, na continuidade duma crise económica sem fim possível, nada de bom trará, da OTAN só pode dizer-se ser obrigatório eliminá-la porquanto já basta de envolvimento em agressões contrárias ao direito internacional e à Paz mundial. Para poder dar-se o maior crédito ao que deve dizer-se da OTAN terá de chamar-se à colação as afirmações peremptórias do Professor Doutor Vitorino Magalhães Godinho, que em Novembro de 2007, declarou ao «Jornal de Negócios», “É costume em política adoptar palavras adocicadas para evitar interpretações pouco convenientes, mas eu acho que é preciso dizer que a NATO tem de desaparecer ……..” .

A OTAN, esta herança do salazarismo de má memória, para Portugal, desde o 25 de Abril, já não tem razão para perdurar e se isso ainda acontece é por, de facto, não haver uma Democracia digna desse nome que, entre outras deficiências, aceita a submissão a outros estados. O regime constitucional português, para infelicidade nacional, caminha sob a aceitação, pelos sucessivos governos portugueses, dum envolvimento em procedimentos de política internacional só classificáveis como delituosos e, sobretudo, como um erro estratégico irrecuperável. Com efeito, mercê de tal erro, Portugal está obrigado a demonstrar-se contra a evolução política e económica mundial cuja força decisória está centrada, cada vez mais, fora da Europa; é um erro que, no futuro, terá de pagar-se.

É preciso saber aceitar, como a História está a mostrar, que chegou a vez de outros Estados não europeus ascenderem, no plano internacional, a um protagonismo privilegiado e, como assim, nas circunstâncias actuais, compete aos europeus, com tacto político e dignidade, terem o bom senso e a coragem meritória de abandonarem a proverbial pesporrência comportamental do seu eurocentrismo inconsequente, já completamente desacreditado, senão deslocado e saberem administrar uma retirada para novas posições compatíveis com quanto de admirável, único no concerto das civilizações, ao longo dos séculos, foi conquistado pelos e para os seus patrimónios filosóficos, humanísticos, artísticos, científicos, técnicos, sociais e políticos que, estes sim – isso é inquestionável – não podem perder-se por serem ímpares e irrecusáveis, tanto na sua própria grandeza como no seu vastíssimo contributo civilizacional para toda a Humanidade.

Na realidade, à Europa, de sobremaneira à ocidental, ficam a dever-se as tais “maravilhas completamente diferentes das pirâmides egípcias, dos aquedutos romanos e das catedrais góticas” como assim Karl Marx, deixou expresso no seu «Manifesto Comunista» a quando da exaltação dos constantes sucessos económicos da burguesia europeia.

Portugal tem obrigação de lutar pela defesa intransigente dessas riquezas patrimoniais, quanto mais não seja, por não poder esquecer-se, nem deixar que outros esqueçam, a sua contribuição preciosíssima para o inicio da era Moderna em que foi determinante o mérito inovador e altamente diferenciado da ciência náutica dos portugueses que, afinal, pelo seu saber, inovação científica e determinação política, terem podido consubstanciar o autentico pioneirismo da globalização com que, de facto – isso é irrecusável – deram ao mundo, novos mundos.


(Continua)


publicado por Carlos Loures às 21:00
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Quarta-feira, 12 de Maio de 2010
A religiosidade de Marx,as ideias de Lutero, e os comentários de Ratzinger-2
Raúl Iturra

Poucos sabem, talvez, como a Reforma mudou a atitude dos cristãos em relação ao dinheiro.

Nos seus estudos, Karl Heinrich analisou e aderiu às ideias de Martinho Lutero. Pastor de almas que introduzira as boas-novas: o valor da pessoa era totalmente independente do seu sucesso, que era avaliado em termos de renúncia do mundo ou em quantidade de bens adquiridos. Com isso, passou a travar uma dupla batalha, contra o ascetismo monástico e o emergente capitalismo. Na verdade, os dois – salvação por obras e esforço humano – são os lados da mesma moeda. Ideias aprendidas por Marx na sua catequese luterana e que ficaram impingidas no seu espírito e mente cultural.

Os pobres ganhavam mérito pela sua pobreza e humildade e os ricos ganhavam--o ao contribuir generosamente para os necessitados. Os gananciosos usavam mal as coisas materiais no seu desejo de adquirir posses e bens; os ascetas relacionavam-se mal com o mundo no seu esforço de abandoná-lo. O resultado final, em ambos os casos, era a insegurança pessoal, já que se colocava confiança na realização pessoal e não em Deus. Essa divindade que o luterano Marx analisava nos textos de debate com outros filósofos, para a qual define um papel social, em 1848, no Manifesto Comunista, como Lutero tinha feito ao estudar a Bíblia - torná-la protestante ao reescrevê-la nos seus princípios teológicos.

Os princípios capitalistas, como o facto de ganhar dinheiro usando o próprio dinheiro, eram incipientes no tempo de Lutero, mas ganharam força e influência na época de Marx. Lutero abominava os capitalistas calculistas: percebia que a sua prática divorciava o dinheiro de finalidades humanitárias e criava uma economia de aquisição. Pregava continuamente contra a crescente economia de créditos e empréstimos e identificava os avarentos e agiotas como os maiores inimigos da humanidade, depois do próprio Diabo.
A fim de aumentar a sua renda, dizia Lutero, o agiota deseja que o mundo inteiro se arruíne e que assim haja fome, sede, miséria e necessidade; dessa forma, todos dependerão dele e serão seus escravos, como se ele fosse Deus. Semelhante às críticas de Marx nos seus textos sobre o Valor de 1862 e 1863, intitulados Teorias da Mais-Valia e no de 1865: Valor, Preço e Lucro.

Essa cobiça por lucros dizia Lutero, antes de Marx, tinha diversas e engenhosas expressões: vendas a prazo, empréstimos, manipulação do mercado (por reter ou despejar mercadorias), criação de cartéis e monopólios, falsificação de falências, comércio de futuros e falsificação de bens. Essas formas de disfarçar a prática de juros abusivos (usura) afectavam todos, principalmente os pobres. Por isso, Lutero exortava os pastores para condenarem a usura colocando-a na mesma classe do roubo e do homicídio e não aceitassem agiotas na comunhão, a menos que se arrependessem. Marx analisou estes conceitos para a sua utopia de Sociedade Comunista que, sem saber, Lutero tinha já adiantado nos seus textos pastorais.

É importante observar que a preocupação de Lutero não era apenas em relação ao uso individual do dinheiro, mas principalmente quanto ao sério dano social inerente na idolatria das “leis” do mercado. A ideia de um “mercado impessoal” e de “leis autónomas da economia” eram-lhe repugnantes, pois entendia-as como idólatras e socialmente destrutivas. Para Marx esse mercantilismo traduz-se numa mais-valia, ideia que, naturalmente, não foi usada por Lutero por se tratar de um conceito definido por Marx, séculos mais tarde. Na obra O Capital, datada de 1862, Marx considera que a sociedade inteira será ameaçada pelo poder financeiro de um pequeno número de grandes centros económicos. A emergente economia mundial começava a engolir as economias locais e urbanas e logo, uma força económica imune a outras leis ou princípios, destruía o etos (natureza moral e princípios governantes) da comunidade local .

Como anteriormente referi, no renascimento mudaram as formas de pensar, mas mudaram também as formas de trabalho, que passarei a analisar. Com o advento da Idade Moderna começou a acabar o servilismo, e, em consequência, o feudalismo. Embora, em trabalhos anteriores (especialmente nos 1988 e 1989), tenha já definido estes conceitos, parece-me, neste contexto, ser útil explicar o conceito do modo de produção feudal para entendermos o aparecimento do capitalismo, como fez Marx e o modo de produção denominado capitalista , conceito muito usado mas nunca definido (motivo que me leva a uma digressão de notas de rodapé). Aparece na época do declínio do modo de produção feudal, quando os servos da gleba não recebiam dinheiro pelo trabalho que faziam: semear, plantar, tomar conta do gado e servir na casa do senhor feudal (feudatário ou dependente), súbdito feudais que, sem receber salário, entregavam como renda a maior parte do produto ao proprietário da terra, que, por sua vez, nos tempos da Monarquia Absoluta , entregavam uma parte ao Rei.
Hobsbawm, no início (Prefácio) do seu livro A era do Capital (p. 11), diz com todo o ímpeto: Na década de 1860 foi introduzida uma palavra no vocabulário político e económico do mundo: a palavra capital. Pareceu-nos portanto oportuno intitular o presente volume A Era do Capital, título que recorda o da principal obra do crítico mais penetrante do capitalismo, Das Kapital, de Karl Marx (1867) .
É assim que podemos já procurar a origem da análise sobre o conceito capital, que Marx criou e que muitos de nós continuamos a estudar, para tentar entender as relações sociais na estrutura sócio económica de qualquer agrupamento cultural, denominado também sociedade.

Porque designo estrutura socioeconómica? Porque é o trabalho que rende dinheiro que passa a ser lucro e sustenta a vida social e a sua hierarquia. Toda a estrutura social está orientada por uma hierarquia de pessoas: os que obedecem e os que orientam, os eleitos e os eleitores, as pessoas consagradas para exercer um ministério religioso e os seus seguidores, e, como gosto sempre de acrescentar, os que pertencem à cultura dos doutores e os do povo. Estas ideias são denominadas método funcionalista , por cada pessoa ter um papel para realizar, uma função adscrita e adquirida, entregue pela vida cultural do grupo. Diferente das ideias do estruturalismo, definidas também na nota de rodapé do funcionalismo. A diferença é que o funcionalismo descreve, enquanto o estruturalismo compara e é dessa comparação que decide o que é útil e o que não parece ser verdade.

Nenhuns destes métodos eram satisfatórios para Karl Marx. Aliás, eram métodos que ainda não existiam dentro da cronologia do tempo, era impossível, por isso, usá-los. Não havia a ideia de método comparativo, apenas a cartesiana de ver para acreditar. Na procura de entender a realidade, usou ideias políticas, a partir das quais elaborou um método, retirado dos seus estudos com Hegel, o dialéctico. Ao usar a economia como base da análise das relações sociais, conjugando-a com o método referido, cria o método materialista dialéctico. Recorrendo à teoria económica socialista de David Ricardo, usada para entender a definição do valor do trabalho, aprendendo com Quesnay o mercantilismo e com Smith, a inclinação do ser humano para o trabalho e discordando dos três autores, cria a sua própria teoria, que levaria anos a formular, a do capital, que passaremos a analisar.

Mas antes, quero novamente reiterar, que não defendo que Marx tenha sido um homem religioso, mas sim um profundo conhecedor sobre ideias de fé e confissão (não nos esqueçamos que foi catequizado nas ideias de Lutero sobre economia e religião), ideias que soube usar para a criação da sua própria teoria do materialismo histórico.

Voltemos então à teoria sobre o Capital e ao texto redigido por Jenny Marx, que começa com a análise das condições históricas da revolução europeia: Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo. Todas as potências da velha Europa unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo: o papa e o czar, Metternich e Guizot , os radicais da França e os policiais da Alemanha. Que partido de oposição não foi acusado de comunista por seus adversários no poder? Que partido de oposição, por sua vez, não lançou a seus adversários de direita ou de esquerda a pecha infamante de comunista?

Duas conclusões decorrem desses factos:
1a. O comunismo já é reconhecido como força por todas as potências da Europa;
2.a. É tempo de os comunistas exporem, à face ao mundo inteiro, seu modo de ver, seus fins e suas tendências, opondo um manifesto do próprio partido à lenda do espectro do comunismo” . Marx e Engels estão conscientes que o seu objectivo é um facto que aterroriza a burguesia e os proprietários do capital. O Manifesto é um documento histórico que argumenta sobre a substituição de antigas religiões por novas formas de fé, do nascimento do proletariado (com o fim do feudalismo) e do predomínio de outro grupo, a burguesia, em tempos, revolucionário. Burguesia que se rebelou contra a aristocracia ou proprietários feudais de terras que rendiam, sem serem trabalhadas por eles. A base era o contrato de enfiteuse. Operavam sobre os terrenos trabalhadores rurais ou foreiros, ou pessoas sujeitas ao proprietário das terras, que deviam pagar foro ou pensão anual que o enfiteuta paga ao senhorio directo. Enfiteuta ou pessoa que tem o domínio útil do prédio por enfiteuse ou convenção pela qual o dono de um prédio transfere para outrem o seu domínio útil em troca de um foro.


publicado por Carlos Loures às 14:00
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