Quinta-feira, 30 de Junho de 2011
Lançamento do livro Tempo com Espectador, de Manuel Simões. Amanhã em Lisboa.

 

 

 

 

Informação pormenorizada sobre esta obra em: http://www.edi-colibri.pt/Detalhes.aspx?ItemID=1478

 

 

Edições Colibri

Apartado 42.001

1601-801 Lisboa

www.edi-colibri.pt



publicado por João Machado às 09:30
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
Lançamento do livro Histórias vindas a conto, de Filomena Marona Beja

 



publicado por João Machado às 09:00
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Terça-feira, 28 de Junho de 2011
Lançamento de livro de MANUEL SIMÕES

                                  C o n v i t e

 

As Edições Colibri e a Livraria Bulhosa têm a honra de convidar leitores e colaboradores do Estrolabio para a sessão de lançamento do livro


 

 

Tempo com Espectador - Ensaios de Literatura  Portuguesa

 

da autoria de Manuel G. Simões que será apresentado por Roberto Vecchi Professor na Universidade de Bolonha.

 

 

Dia 1 de Julho, às 18h30 Livraria Bulhosa Campo Grande 10-B – 1700-092 Lisboa

 

 


Manuel G. Simões nasceu em Jamprestes-Ferreira do Zêzere

em 1933. Poeta e ensaísta. Foi um dos fundadores da

colecção “Nova Realidade” (1966) e pertenceu à redacção da

revista “Vértice” (1.ª série) entre 1967 e 1969.

 

Viveu em Itália de 1971 a 2003, tendo sido inicialmente Leitor

de Português nas Universidades de Bari e de Veneza

e, sucessivamente, professor associado na Universidade

 “Ca’ Foscari” de Veneza, leccionando as disciplinas de

língua e literatura portuguesa e de literatura brasileira.

 

 

 

Pertence à redacção da revista “Rassegna Iberisti ca”(Veneza), de

que foi um dos fundadores em 1978, e ao conselho editorial de “Estudos Italianos em Portugal” (nova série), a partir de 2005.

 

“Tempo com Espectador” reúne uma série de ensaios sobre literatura portuguesa, que vão da Idade Média ao século XX, na perspectiva de quem observa o fenómeno literário inserido num contexto cultural e espacial externos, o que propiciou a análise do encontro entre duas ou mais literaturas.

 

Daí que frequentemente a exegese contemple o problema da intertextualidade e a abordagem de temas não muito frequentados pela crítica: o percurso do Iluminismo português; a errância e seus efeitos no tecido literário (de “Sôbolos rios” à contemporaneidade); ou a influência da Bíblia na poesia portuguesa finissecular, por exemplo.

 



publicado por Carlos Loures às 19:00
editado por Augusta Clara às 17:17
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Terça-feira, 21 de Junho de 2011
Lançamento do Livro do sócio Afonso Cruz, hoje, em Lisboa

 

 

DIVULGAÇÃO

ASSOCIATIVA

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Afonso Cruz

 

Afonso Cruz nasceu em 1971 na Figueira da Foz e é escritor, ilustrador, músico e cineasta. É autor dos livros A Carne de Deus, Enciclopédia da Estória Universal (Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2010), Os Livros Que Devoraram o Meu Pai (Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2009), A Contradição Humana (Prémio Autores 2011 SPA/RTP; selecção Chiste Revens 2011; Menção Especial do Prémio Nacional de Ilustração 2011) e A Boneca de Kokoschka.

 

 

 

 

 

 

 

______________________________________________________

4 Site | www.apescritores.pt | * info@apescritores.pt    

( Tel | (+ 351) 21 39718 99

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                   1200-832 Lisboa, Portugal

 

 



publicado por João Machado às 09:00
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Sexta-feira, 10 de Junho de 2011
A eterna questão do livro – 17 - por Carlos Loures

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

(Conclusão)

 

Em dezasseis pequenos textos percorri o universo do livro de uma forma pouco ortodoxa, em ziguezagues, dando saltos… Se tivesse de dizer tudo num único texto, sair-me-ia qualquer coisa assim:

 

O sector do livro vive aquilo a que se pode chamar uma crise permanente. Os editores, sobretudo os pequenos e os médios, encontram sempre inimigos exteriores (não disse que os inventam…) a iliteracia, a falta de poder de compra, a inexistência de hábitos de leitura… A todos estes constrangimentos herdados do passado, junta-se uma nova ameaça - o livro electrónico. Mas antes de analisarmos essa ameaça, detenhamo-nos na observação da estrutura tradicional do negócio.

 

Na minha opinião parte substancial dos males da edição, está no seu interior, na falta de especialização das editoras médias e pequenas, na tentação generalista, na ausência de concentração em linhas editoriais específicas e da busca de nichos de mercado. Muitos pequenos editores persistem em abarcar todo o leque do conhecimento. Divertem-se, mas arruínam-se.. . Já lá iremos. Para além do aparecimento dos novos suportes de escrita, há uma nova realidade (sócio-económica, tecnológica…) que afectará toda a comunidade editorial – do escritor ao leitor. Comecemos pelo autor.

 

Pouco há a dizer, pois não é função destes textos (mesmo que eu disso fosse capaz) ensinar os autores a escrever – digo só que devem ter consciência de que escrevem para um público e que devem tentar agradar ao «seu» público. O autor desconhecido ou pouco conhecido que fica passivamente à espera de ser descoberto, escrevendo aquilo de que gosta, sem se preocupar com os eventuais leitores, corre o risco de morrer sem nada ter publicado. Peter Mayer, um dos gurus a cuja ajuda recorri, prevê que no futuro a auto edição irá crescer. Cada vez haverá mais autores que terão de recorrer a esse meio para poder publicar os seus livros. Entre nós, começa a ser comum tal meio.

 

O tradutor é um co-autor e nem sempre o seu papel é devidamente salientado. Para enfatizar a importância da tradução referi o  erro de que fala Roger Martin du Gard, em O Drama de Jean Barois: a virgindade de Maria teve origem no erro de um tradutor, um monge, que ao traduzir o Novo Testamento do grego para o latim, confundiu a palavra jovem com virgem. O que deu lugar ao culto mariano… A tradução é um trabalho mal pago o que, quanto a mim, não desculpa que se façam as traduções que por aí aparecem. Os editores deviam ser mais exigentes e, claro, pagar melhor.

 

Outro aspecto da edição é o do marketing. Uma das vantagens dos grandes grupos editoriais é o da parte que na estrutura do preço final consagram à publicidade. E, antes disso, o investimento que fazem em estudos de mercado. O pequeno editor confia no instinto – acha que um dado livro vai ser um êxito, mas, em marketing, não se acha, testa-se!», é um axioma do Professor Jorge Manuel Martins.  Porém, Peter Mayer  (o homem que dirigiu a Penguin) veio surpreendentemente reabilitar o papel do feeling do editor. Dicotomia de que extraí uma síntese – o instinto do editor, o mesmo que no médico se designa por vocação, tem de ser apoiado por meios científicos de avaliação e por uma especialização do editor – do mesmo modo que a existência de médicos com vocação, mas sem preparação académica, faria disparar os números da necrologia, editores «com jeito, mas sem mestre» enchem armazéns de livros que não deviam ter sido editados ou que foram mal comercializados.

 

As plataformas logísticas de distribuição e os canais de venda serão também afectados pela nova lógica que se vai instalando no mundo da edição. As livrarias, que são muitas vezes os principais centros de cultura, sobretudo em pequenos centros urbanos, ver-se-ão substituídas pela venda através da net. Todo o sistema da indústria livreira, de montante a jusante, do autor ao leitor, terá de se ajustar à nova realidade da produção, do mercado e do consumo.

 

Mas, neste período de transição, onde se situa a principal culpa das disfunções do sector? A principal falha reside na pouca importância que os governantes atribuem ao livro. Para falar só nos últimos cinquenta anos, nem o Estado Novo, nem os governos democráticos souberam criar uma política do livro. Essa política do livro passaria fundamentalmente por duas medidas – incentivar nos jovens o gosto pela leitura e apoiar financeiramente a edição de livros que, prevendo-se de baixa viabilidade comercial, fosse por uma comissão específica considerada de valor cultural. A compra institucional de 500 exemplares de cada edição aprovada por essa comissão, viabilizaria a edição A distribuição pela rede pública de bibliotecas absorveria facilmente estes exemplares. Não se entende por que motivo a arte da escrita, a mais barata de todas, é negativamente discriminada relativamente às outras. O livro, já disse, não é prioridade das famílias portuguesas – se há crise), o livro é dos primeiros bens de consumo a ser sacrificados. Não admira que os cidadãos comuns assim reajam. O desprezo pelo livro começa em quem dirige o País.

 

Analisado o caminho entre autor e leitor, falemos da ameaça do livro electrónico. Em Portugal não há números – apenas a informação de que esse mercado está a crescer rapidamente. Por iniciativa da Federação de Grémios de Editores, associada a uma fundação privada, em Espanha foram divulgados os resultados de um inquérito realizado em Março. Participaram 280 editoras de todas as dimensões e uma em cada quatro empresas prevê para 2012 comercializar mais de metade dos seus catálogos em versão digital. A banda desenhada é o género que mais irá enveredar por este tipo de suporte, seguindo-se Divulgação geral, Direito e ciências económicas, Ciências humanas e sociais, livro técnico-científico e universitário, e Literatura. Estas versões destinam-se a ser lidas em computadores, e-readers, telemóveis.  Prevê-se que os telemóveis sejam os mais utilizados nesta função já em 2011. Um dos impedimentos a uma maior difusão do livro electrónico, é o pagamento de direitos a autores e editores. Problema que afecta  ainda mais os compositores e as editoras discográficas. A Google fez, em 2009, propostas de um acordo aos editores europeus relativamente a essa questão. 

 

Não me admiraria que, no futuro, o ensino deixasse de obrigar a acumular conhecimento, passando a habilitar à gestão e utilização do conhecimento armazenado e disponível. Usando as novas ferramentas de comunicação, um grupo de professores da África do Sul inovou a produção de livros didácticos, numa experiência seguida por diversos centros de tecnologia do mundo. Espalhados pelo país, escrevem colectivamente numa página da internet, livros sobre as matérias curriculares. Cada professor adapta o conteúdo à realidade local pelo que o mesmo livro pode ter centenas de versões. Como nem todas as escolas têm acesso à internet (onde os conteúdos estão disponíveis gratuitamente), publicam os textos nas editoras tradicionais sem cobrar direitos. o livro chega às escolas bastante mais barato. "Em pouco tempo, o papel será dispensável", disse o físico Mark Horner, um dos coordenadores do projecto baptizado de Siyavula.

 

Mas este futuro que se abre para o livro electrónico, tendo influência no mercado do livro impresso, não o extinguirá. Peter Mayer que tem esperança em que as pessoas continuem a ler se lhes derem bons conteúdos e prevê que  o livro de qualidade, cuidadosamente impresso e encadernado, voltará a suscitar interesse. Continuará a haver quem queira ter livros nas estantes de sua casa. Inclusivamente, livros que tenha lido na net. A invenção de Gutenberg com quinhentos anos – os caracteres negros sobre o papel branco – ainda é a melhor maneira de ler. Por seu turno, Umberto Eco afirma que a presumível morte do suporte papel da escrita é uma obsessão de jornalistas que lhe fazem a pergunta há 15 anos - «Para mim, o livro é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objecto que, uma vez inventado, não muda. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído.» E  tal como Mayer conclui que «O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação.».

 

Resumindo: a evolução do livro electrónico é um dado adquirido. Afinal telégrafo, telefone,  rádio, cinema, televisão, fazem parte de uma genealogia que teve início quando nas cavernas se começou a contar histórias e houve quem as traduzisse em graciosos desenhos, A arte rupestre é uma forma de escrita e de tornar eternas os fugazes clarões de inspiração que são a maior riqueza da Humanidade. O livro electrónico dará lugar a qualquer outra coisa que não podemos prever o que seja. O livro de papel manter-se-á por muitos mais anos até que uma das tais invenções consolidadas de que nos fala Umberto Eco o possa substituir,

 


publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado em 11/06/2011 às 14:35
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O Livro. Um artigo no Babelia. El e-book en busca de su primavera.

 

 

 

 

 

 

João Machado

 

 

O Carlos Loures escreveu para o nosso blogue Estrolabio uma série de posts com muito interesse, sobre o livro, a sua história, a sua problemática, e as perspectivas futuras, A Eterna Questão do Livro. Este assunto merece uma larga discussão. O livro, apesar da concorrência de outros meios de comunicação, como a televisão e o cinema, continua a ser o veículo mais importante de difusão de cultura. Apenas os jornais lhe farão, em alguns aspectos, uma concorrência séria. A situação tem muitas explicações, sem dúvida, que vão desde a portabilidade do livro, até à dependência que temos do sentido da visão. Será que a internet trará alterações decisivas a este estado de coisas? Proponho  que o nosso blogue lance uma discussão alargada sobre este tema, primeiro entre os nossos colabores e leitores, a seguir com a participação de especialistas e pessoas interessadas.

 

Como aperitivo para a nossa conversa, vou referir-lhes que no Babelia de sábado passado, dia 4 de Junho, na pág.2, a coluna que habitualmente ali aparece tem o título El e-book en busca de su primavera e vem assinada por Milagros del Corral, que foi directora da Biblioteca Nacional de Espanha, e agora preside ao Comité Científico de Unesco Focus 2011: Book Tomorrow. Este Comité ter-se-á reunido em Monza, na Itália, há poucos dias, de 6 a 8 de Junho, numa reunião com o tema O livro amanhã: o futuro da palavra escrita. Talvez o nosso Sílvio Castro tenha tido algum eco desta reunião. Desde já aqui lhe peço que, se lhe for possível, nos informe sobre o assunto.

 

No seu El e-book en busca de su primavera, Milagros del Corral. Ela compara a irrupção do e-book com o aparecimento da imprensa nos meados do século XV e considera que isso ocasionará o aparecimento de uma indústria nova com as suas regras próprias. E que as funcionalidades digitais permitirão um alargamento sem precedentes dos hábitos de leitura de um público jovem que “nasceu digital”. Diz ainda a autora que nos EUA o e-book em 2010 representou 10% do total do mercado, e 8,3% da facturação, prevendo-se que 2015 alcance 22,5% do mercado. A Amazon já vende mais e-books que livros impressos.

 

A situação em Espanha é completamente diferente por uma série de factores. Falta de rentabilidade, pirataria, fiscalidade desfavorável, em conjunto com o receio de que a novidade desestabilize a cadeia tradicional do livro impresso. Milagros del Corral destaca o papel preponderante do leitor, que hoje em dia frequenta cada vez mais as redes disponíveis. E pergunta: para quando um grande portal de venda de e-books  em espanhol?

 

Procurei resumir o artigo de Milagros del Corral. Compete-nos sem dúvida pôr a questão: como estão estes problemas em Postugal? E nos países lusófonos?



publicado por João Machado às 15:00
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Quinta-feira, 9 de Junho de 2011
A eterna questão do livro -16 - por Carlos Loures

 

 

 

 

 

 

 

 

(Continuação)

 

Nestas notas, procurei reflectir sobre a situação do livro impresso perante a ameaça do livro electrónico que eclode como uma super nova no universo da comunicação. O brilho crescente desse suporte de escrita fez temer os bibliófilos, ratos de biblioteca, todos os que mantêm com o livro impresso uma relação afectiva e que o encaram  como um mestre a quem tudo devem. Quando se anuncia a morte do livro impresso e a inevitabilidade do triunfo do livro digital , podemos ler a opinião de Umberto Eco, segundo a qual o livro é uma daquelas invenções consolidadas que, como a roda, como a colher, como o machado, nunca serão substituídas.

 

Um exemplo nosso: em 1489 foi impresso em Chaves o Tratado de Confissom, o primeiro ou um dos primeiros, incunábulos em 

português. É um manual destinado aos membros do clero, aconselhando-os na missão de ministrar o sacramento da confissão e da penitência. Aborda questões, que cinco séculos decorridos, são ainda delicadas e polémicas – o adultério, a violação ou estupro, a pedofilia, o incesto, o aborto, a homossexualidade. Descoberto em 1965 pelo Professor José Vitorino de Pina Martins (1920), foi publicado em 1973 em edição diplomática, com um estudo introdutório do investigador. Se quisermos ler o Tratado de Confissom, isso
depende do nosso saber paleográfico e não de qualquer dispositivo de leitura.  Se quisermos ler um livro gravado em disquete de há dez anos atrás, teremos problemas. Para que o livro electrónico substitua o livro impresso é indispensável que se produza um istema standard estabilizado, que não seja destronado quase todos os anos por modelos «mais recentes». Parece-me que essa etapa ainda está distante.

 

 

por diversas vezes referi o receio que houve na de transição entre a «Idade Velha» e a «Idade Nova», entre a Idade Média e o Renascimento, de que o livro impresso viesse usurpar o papel até então desempenhado por outros suportes na difusão da palavra divina – a arquitectura e sobretudo a escultura. Temia-se também que a importância dos sacerdotes fosse afectada, as homilias dominicais substituídas pela leitura directa dos textos sagrados . A Igreja de Roma nunca acarinhou a difusão da Bíblia – as escrituras deviam chegar aos fiéis filtradas pela interpretação dos padres. A aposta da Reforma foi outra e o reformismo espalhou-se como fogo em seara seca – cada bíblia impressa e distribuída era como um sacerdote, um missionário – a palavra de Deus levada directamente do produtor ao consumidor. Um avanço tão grande, ou maior, do que aquele que a Internet veio trazer relativamente a anteriores sistemas de informação. Porém, os «papistas», como vemos pelo Tratado de Confisson, embora temendo o invento de Gutenberg, não desdenharam de o usar na formação dos seus quadros.

 

Não se devem deslumbrar os adeptos das novas tecnologias,  nem atemorizar os que amam os livros, receando a sua morte. O próprio nome – livro - derivado do latim «liber» contém uma lição a reter, pois significa o entrecasco da árvore. Não remete para a funcionalidade de um instrumento, mas para um material. Em diversas civilizações (entre os maias, por exemplo) o entrecasco da árvore foi utilizado como suporte de escrita, embora não existam dados que permitam assegurar que na Grécia ou em Roma essa utilização tenha existido.

 

 Mais que o liber, foi o «codex», o lenho da árvore, que forneceu material para registos escritos. As tabuinhas de madeira, enceradas ou não, foram utilizadas por um período que vai da Antiguidade até finais da Idade Média. O papiro, um novo suporte, entrou no mundo grego por volta do século VII a.C. O pergaminho, técnica de tratamento dado à pele curtida de animais atribuída à cidade de Pérgamo, terá surgido no século III a.C. e foi utilizado durante bastante mais de um milénio, até que se generalizou o uso do papel.

 

Contudo, o aparecimento de um suporte não significa o desaparecimento imediato do outro. Tradição e inovação coexistem até que a inovação se transforma, por seu turno, em tradição. Como vemos, os suportes vão sendo alterados por razões pragmáticas - porque um novo suporte supera as limitações do anterior. E alteram-se em função das exigências que a sociedade vai colocando. A tabuinha correspondia a uma cultura de oralidade, era um simples auxiliar da memória, pois era na memória dos rapsodos que se arquivava o conhecimento.

 

A Internet está a transformar-nos em ciborgues – muito do nosso saber não precisa de ser memorizado, pois em segundos podemos recuperar informação sobre qualquer tema. O computador converteu-se numa indispensável prótese do cérebro. Não me admiraria que, no futuro, o ensino deixasse de obrigar a acumular conhecimento, passando a habilitar à gestão e utilização do conhecimento armazenado e disponível. Nada é eterno, como sabemos. Parece-me, no entanto, ainda não ter nascido um suporte de escrita que o possa substituir integralmente.

 

(Continua)

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado às 03:47
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Quarta-feira, 8 de Junho de 2011
A eterna questão do livro -15 - por Carlos Loures

 

 

 

 

 

 

(Continuação)

 

Sobre o confronto entre o livro impresso e o livro electrónico, fulcro desta série de reflexões, transcrevo palavras (a que já aludi) de José Afonso  Furtado em O Que é o Livro: «Uma das imagens recorrentes em diversas obras que se dedicam a problemas de História ou da Sociologia do Livro e da Leitura é uma passagem clássica do romance Nôtre-Dame de Paris,de Victor Hugo. Nela, o arcediago abre a janela da sua cela, contempla por algum tempo a Nôtre-Dame, estende a mão para o livro impresso aberto na sua mesa e, lançando um olhar triste para a igreja, profere a conhecida frase: ceci tuera cela.». Embora recorrente, utilizo a imagem mais uma vez por facilitar a compreensão do que quero expor. Como Victor Hugo explica depois, a frase do arcediago Claude Frollo (o protector de Quasímodo), reflecte o receio do sacerdócio, naquele final do século XV, perante o “prelo luminoso de Gutenberg”, o confronto entre a palavra escrita e a palavra falada. Num posterior capítulo do romance, explicita essa previsão de que «o livro matará o edifício». Defende que a invenção da imprensa é o maior acontecimento da história da humanidade e que a «bíblia de chumbo» irá substituir a «bíblia de pedra». McLuhan lembra que a arquitectura gótica, a escultura, a iluminura ou a glosa medievais eram suportes da arte da memória e eixos da cultura da escrita. Temia-se a imprensa pusesse tudo isso em causa e em risco de extinção.

 

Nesse fim do século XV receava-se que a imprensa pusesse em risco a forma mais popular de comunicar com as massas – a arquitectura gótica, através das quais multidões de gentes iletradas, que faziam das catedrais o seu local de encontro e de passeio dominical (tal como hoje as famílias vão ao centro comercial) «liam», nos elementos escultóricos de pórticos, túmulos, capelas e retábulos, passagens das Sagradas Escrituras. Hoje teme-se que as novas tecnologias da informação ponham o livro em risco de extinção.

 

Na defesa do livro impresso não entra o antagonismo contra as novas tecnologias. As muitas modificações por que o negócio irá passar têm de ser assimiladas de montante a jusante. Penso que se trata de um falso receio e de um falso problema. As novas tecnologias só podem ser aliadas do livro, nunca adversárias. Concorrentes, sim, inimigas, não. Embora o cenário mude – já mudou - e os editores tenham de se adaptar à mudança. Peter Mayer defendeu, como vimos, a prevalência do feeling editorial. Mas o instinto, a que também podemos chamar vocação, existe em todas as profissões. Um professor sem vocação, por melhor que tenha sido o seu percurso académico, será sempre um mau professor. O mesmo se passa com os médicos ou com os agricultores. Mas um analfabeto, por maior que seja a sua vocação, não pode ensinar. Médico autodidactas, por mais cheios de vocação que estivessem, aumentariam exponencialmente a taxa de mortalidade. O editor «sem mestre, mas com jeito», como diria o José Fanha, devia ser colocado na galeria das recordações.

 

A formação especializada aliada ao feeling, ao instinto, à vocação, produzirá melhores editores. A formação específica é indispensável. Em Oxford, em Bolonha ou na Complutense, há cursos na área das Ciências da Edição. Devem existir muitos mais por esse mundo fora. Em Portugal, desde há quase duas décadas existe um curso de especialização (pós-graduação)  em Técnicas Editoriais na Faculdade de Letras de Lisboa. Posteriormente foram criados cursos similares  na Católica e na Nova.

 

Tudo começa no escritor. Mas o problema do sector editorial não tem a ver com falta de originais. Por isso não dediquei muito tempo a este primeiro segmento, principal profissão do livro. O que no escritor tem de mudar relativamente ao novo quadro que se está a criar, é a atitude e a expectativa. O escritor tem de encarar o seu trabalho como um empreendimento, não ficando passivamente à espera de ser descoberto. A auto-edição é uma via interessante e a edição em e-book também. Mayer disse que as chancelas editoriais irão sendo menos – o escritor terá a sua própria marca. Se aquilo que escreve interessar aos editores eles aparecerão fazendo-lhe propostas. Aceitará ou não.

 

(Continua)

 



publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado às 13:52
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Terça-feira, 7 de Junho de 2011
A eterna questão do livro - 14 - por Carlos Loures
 

(Continuação)

 

Estamos quase a chegar ao fim desta ziguezagueante viagem através do universo do livro e dos seus problemas.

 

Foquei com especial atenção a ameaça do livro electrónico ao futuro do livro impresso. Como puderam ver, as opiniões dividem-se – hoje será o depoimento de Umberto Eco, o ensaísta e escritor italiano, co-autor, com o escritor e actor francês Jean-Claude Carrière(1931), de N'espérez pas vous débarrasser des livres - Não Contem Com o Fim do Livro. Numa entrevista concedida há meses atrás  a  um jornal brasileiro a propósito do lançamento da edição em português, disse coisas interessantes. Como de costume, não transcreverei aqui a entrevista que, aliás, pode ser consultada na net. Farei uma resenha do que, na entrevista, me pareceu mais importante. Porém, Eco não é um observador isento desta questão. O seu amor e apego ao livro impresso são conhecidos - a sua biblioteca tem com cerca de 50 mil volumes. E foi esse amor pelo livro que o levou a aceitar o desafio que o escritor, actor e guionista francês lhe lançou – o de debaterem a perenidade do livro, com vista à publicação de… um livro

 

 O jornalista pergunta-lhe qual diferença existe entre os conteúdos disponíveis na net e numa grande biblioteca: «A diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar - muito embora Jorge Luis Borges, no seu livro Ficções, tenha criado um personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de seleccionar o que interessa - é possível encontrar lá tanto a Bíblia como Mein Kampf, de Hitler. Esse é o problema básico da internet: depende da capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites fiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele capaz de escolher o site correcto? É trágico, um problema para o futuro, pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos.»

 

E quando lhe é perguntado se pode existir contracultura na internet, responde «Sim, com certeza, e ela pode manifestar-se tanto de forma revolucionária como conservadora. Veja o que acontece na China, onde a internet é um meio pelo qual é possível se manifestar e reagir contra a censura política. Enquanto aqui as pessoas gastam horas a conversar, na China é a única forma de se manter contacto com o  mundo».  

 

O entrevistador lembra-lhe que num dado trecho de Não Contem Com o Fim do Livro,  Eco e Jean-Claude Carrière discutem a função e preservação da memória - que, como se fosse um músculo, precisa ser exercitada para não atrofiar. «De facto, é importantíssimo esse tipo de exercício, pois estamos perdendo a memória histórica. A minha geração sabia tudo sobre o passado. Eu posso detalhar sobre o que se passava em Itália 20 anos antes do meu nascimento. Se você perguntar hoje a um aluno, ele certamente não saberá nada sobre como era o país duas décadas antes de seu nascimento, pois basta clicar no computador para ter essa informação. Lembro-me de que, na escola, era obrigado a decorar dez versos por dia. Naquele tempo, eu achava uma inutilidade, mas hoje reconheço a sua importância. A cultura alfabética cedeu espaço às fontes visuais, para os computadores que exigem leitura em alta velocidade. Assim, ao mesmo tempo que aprimora uma habilidade, a evolução põe em risco outra, como a memória».

 

«Escrevi muito sobre informação cultural, algo que vem marcando a actual cultura americana que parece questionar a validade de  se conhecer o passado. Veja um exemplo: se você ler a história sobre as guerras da Rússia contra o Afeganistão no século 19, vai descobrir que já era difícil combater uma civilização que conhece todos os segredos de se esconder nas montanhas. Bem, o presidente George Bush, o pai, provavelmente não leu nenhuma obra dessa natureza antes de iniciar a guerra nos anos 1990. Da mesma forma que Hitler devia desconhecer os relatos de Napoleão sobre a impossibilidade de se viajar para Moscovo por terra, vindo da Europa Ocidental, antes da chegada do inverno. Por outro lado, o também presidente americano Roosevelt, durante a 2.ª Guerra, encomendou um detalhado estudo sobre o comportamento dos japoneses para Ruth Benedict, que escreveu um brilhante livro de antropologia cultural, O Crisântemo e a Espada. De uma certa forma, esse livro ajudou os americanos a evitar erros imperdoáveis de conduta com os japoneses, antes e depois da guerra. Conhecer o passado é importante para traçar o futuro».

 

(Continua)

 

 

 



publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado em 06/06/2011 às 22:14
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Lançamento do livro Aqui entre nós, de Júlio Machado Vaz - Lisboa


 

DIVULGAÇÃO

ASSOCIATIVA

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CONVITE do sócio Júlio Machado Vaz

 

 

 

 

 

 

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publicado por João Machado às 09:00
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2011
A eterna questão do livro -13 - por Carlos Loures

 

 

 

 

 

 

(Continuação)

 

Termino hoje a transcrição de algumas opiniões do editor Peter Mayer sobre a revolução que a introdução de novas tecnologias promete ou ameaça provocar no universo da edição. Note-se que a transcrição não é literal. Digamos que estes textos são baseados na entrevista que concedeu a Juan Cruz, do El Pais. Falou sobre o papel do marketing, muito importante nos nossos dias, mas que, segundo vaticina, em 2020 ou 2030 será insignificante. Em 1995, o papel logístico das distribuidoras era imprescindível. Em 2020 já não o será, pois a distribuição far-se-á de outra maneira.

 

Referindo-se à maneira como a evolução tecnológica Irá afectar a indústria do livro, vaticinou que a literatura de informação será a mais atingida. O preço do livro aumentará muito. De há trinta anos a esta parte, mercê da co-edição, os custos de produção baixaram muito – imagine-se uma obra sobre pintura, com reproduções a cores em todas as páginas e suponha-se que é editada simultaneamente para os Estados Unidos, América Latina e Europa. Para uma cobertura desses mercados fazem-se versões em inglês, castelhano, português, francês e alemão – cinco versões em que as impressões a cor são feitas em simultâneo e só o negro do texto é impresso em separado

 

para cada idioma. Milhões de exemplares que permitem preços unitários baixíssimos.

 

Estabelecendo comparação entre o mundo editorial com os do cinema e da música no que se refere à pirataria, acha que no livro essa actividade não é tão preocupante como no cinema. Na música, a pirataria é desenfreada – a maioria dos jovens pensa que não sendo a música um objecto físico que é grátis. Não tem sequer a noção de estar a cometer uma fraude.

 

Mudará muita coisa, diz Mayer, o que não mudará é o mistério que está por detrás do êxito de um livro. Juan Cruz, refere que Gaston Gallimard, o fundador da editora francesa, afirmou que, após quarenta anos experiência, não sabia dizer o que leva um livro a ter êxito. Existe uma componente de sorte... mas sorte tem-se uma vez ou outra, o instinto de saber escolher o que vai ter êxito é indispensável.

 

E voltamos à questão do instinto do editor - Gallimard disse também que o êxito na selecção de livros é o atrevimento na escolha e o saber esperar. Será verdade, mas uma editora pertencente a um grande grupo não pode esperar. É um privilégio das pequenas editoras.

 

É no entanto provável que o livro de qualidade, cuidadosamente impresso e encadernado, volte a suscitar interesse.

 

Estamos quase no fim deste percurso pelo mundo da edição - o próximo artigo será baseado numa entrevista dada por Umberto Eco.

 

(Continua)

 

 



publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado às 01:46
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Felizmente Houve a LUAR - de José Hipólito dos Santos - Lançamento no Porto

 

 

 



publicado por Carlos Loures às 09:00
editado por João Machado em 03/06/2011 às 01:12
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Sábado, 4 de Junho de 2011
A eterna questão do livro – 12 - por Carlos Loures

 

 

 

 

 

(Continuação)

 

Quando aqui falei dos editores, referi-me sobretudo aos pequenos editores que se guiam pelo seu instinto, e não têm meios de testar o feeling  pelo

 

qual orientam a produção. Hoje volto aos editores, mas dando a palavra a um grande editor internacional – Peter Mayer, presidente da Overlook Press e ex-presidente da Penguin. Entrevistado por Juan Cruz, do El País, fez, entre muitas outras, uma afirmação desconcertante: «Editar é uma questão de instinto». Na Penguin, onde esteve entre 1978 e 1996, foi a alma desta editora.

 

Prestes a atingir os 75 anos, está agora à frente da Overlook, uma pequena empresa que foi de seu pai e que ele transformou numa editora altamente competitiva. Não vou transcrever a entrevista, mas apenas referir algumas das curiosas opiniões  de Peter Mayer.*

 

Sobre o futuro da edição, opina que não se deu suficiente atenção a pessoas como Marshall McLuhan. Pensámos todos que ao dizer que o meio é a mensagem, fora apenas engenhoso. As transformações da nossa época, nomeadamente a evolução tecnológica, produziu mudanças na cultura em geral o que afecta o universo do livro. O mundo está interligado de forma inimaginável.

 

Porém, esta ligação faz-se mais à informação do que à imaginação e isso entristece-o.  Mergulhados num espesso caldo de informação estamos menos concentrados. O trabalho do editor, embora a função seja a mesma, está a mudar. O público depende menos do editor, tem tanto acesso á informação como ele. A intermediação do editor está a ser democraticamente eliminada. A tecnologia avança a uma tal velocidade que impossibilita a edição de alguns livros. Quando o livro chega ao mercado a informação já está obsoleta. Os jovens de hoje se querem saber o que se passou no Egipto não consultam os jornais, mas a Internet. A ficção e o teatro acabam por ser os géneros menos afectado. A Guerra e paz tem hoje a mesma relevância que tinha há um século.

 

A cultura da livraria terá que mudar – a tendência á para que haja menos livrarias e esta diminuição afectará os centros de  cultura nas nossas cidades.  Cadeias de livrarias como Barnes & Noble, o que mais vendem agora são máquinas para ler livros electrónicos. Os custos de impressão e de publicação aumentaram e o preço terá que subir. Como os livros serão mais caros, as pessoas serão levadas a optar pelos e-books.

 

Sobre os escritores, Mayer opina que enquanto houver livros tal como os conhecemos, os escritores famosos continuarão a vender livros impressos e e-books. A maioria dos escritores, sobretudo os ficcionistas, continuará a escrever, aconteça o que acontecer na indústria editorial. São escritores. Precisam de escrever. Talvez se torne mais difícil ainda viver da escrita. Herman Meville, continuou a escrever apesar de os seus livros não se venderem. E criou  Moby Dick e Billy Budd porque tinha de escrever. Do ponto de vista de um escritor sério, a literatura continuará viva. No entanto, actualmente o editor corre riscos excessivos protegendo e apoiando o escritor. Daí o crescimento da auto-edição.

 

Sobre o papel dos blogues no marketing editorial, diz «Não creio que os blogues tenham muita  credibilidade, acredito mais no boca a boca, e isso cada vez terá mais importância. As redes sociais multiplicar-se-ão e este será o tipo de marketing que se fará».  Continuamos amanhã com Peter Mayer.

 

(Continuação)

 

*Lembram-se da iniciativa lançada pelo Sílvio Castro que levou alguns da nós a dizer quais os dez livros que mais nos impressionaram ao longo da vida?. Peter Mayer deu-nos a sua lista. foram-lhe pedidos dez, mas ele fez uma lista de quinze: O Castelo, de Franz Kafka,  A  Montanha Mágica, de Thomas Mann, Don Quijote de la Mancha, de Miguel Cervantes, Call It Sleep, de Henry Roth, Middlemarch, de George Eliot; O Grande Gatsby de Fitzgerald; Cem Anos de Solidão, de García Márquez; Os quatro romances de Thomas Wolfe; : É isso um homem? de Primo Levi; O Som e a Fúria, de William Faulkner; Em Busca do Tempo Perdido de Proust; Huckleberry Finn de Mark Twain; Guerra e Paz de Tolstoi; Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski, e Herzog, de Saul Bellow. Sei que é uma lista longa e que é tudo ficção. Quando pensei nos livros que tiveram algum significado para mim, recordei um ou dois romances e a partir daí só me veio à cabeça ficção. Fui sobretudo um leitor de ficção até ter feito 35 anos. E as memórias da juventude são as mais poderosas do que as que se produzem na meia idade e na minha actual maturidade”.


 



publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado em 03/06/2011 às 23:14
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Sexta-feira, 3 de Junho de 2011
A eterna questão do livro – 11 - por Carlos Loures

 

 

 

 

 

(Continuação) 

 

Mais do que ter razão nas minhas convicções sobre esta eterna questão, gostaria que chegássemos a algumas conclusões consensuais Por isso, nesta série, vou dar a palavra a outras opiniões. O meu texto de hoje é inteiramente baseado em palavras de Gilberto Dimenstein prestigiado escritor e jornalista brasileiro, publicadas na  Folha de S.Paulo, em 10 de Abril passado. - O livro de papel já morreu? - Com esta pergunta, começava um texto do qual faço uma adaptação sintetizada.    Quem quiser ler o texto original e pormenores dos projectos referidos, poderá encontrá-los em www.catracalivre.com.br. Eis, embora por palavras um pouco diferentes, o que diz Dimenstein:

 

A proliferação dos e-books, deu lugar a um mercado paralelo legal e clandestino de distribuição de arquivos. Usando as novas ferramentas de comunicação, um grupo de professores da África do Sul inovou a produção de livros didácticos, numa experiência seguida por diversos centros de tecnologia do mundo. Espalhados pelo país, escrevem colectivamente numa página da internet, livros sobre as matérias curriculares. Cada professor adapta o conteúdo à realidade local pelo que o mesmo livro pode ter centenas de versões.

 

Num recente encontro de especialistas em inovações tecnológicas e educação dos EUA, este projecto foi discutido, pois leva a uma reflexão sobre o futuro da produção e distribuição do conhecimento em geral e dos livros e escritores em particular. O fim do livro de papel é tido como uma questão de tempo. As livrarias vão desaparecer? Para quem frequenta livrarias e gosta de sentir o papel, é uma pergunta incómoda.

 

Acontece com os escritores o mesmo que com os músicos, quando surgiu o Napster, programa de partilha de arquivos em rede P2P que motivou a primeira grande luta jurídica entre a indústria fonográfica e as redes de partilha de música na net. Partilhando, sobretudo, arquivos de música no formato MP3, o Napster permitia o download de um arquivo directamente do computador de um ou mais utentes de maneira descentralizada, uma vez que cada computador ligado à sua rede desempenhava as funções de servidor  e as de cliente.

 

Após muita luta por causa da troca clandestina de arquivos,  foi criado um novo modelo de negócios. Mas cada vez se ganha menos dinheiro vendendo CDs aliás, quase ninguém já vende CDs. Os mais jovens já não usam relógios de pulso, nem e-mail. A onda de aplicativos vai tornando obsoleta a própria internet do www. Os músicos podem compensar a perda de rendimento fazendo shows. Os escritores, o que devem fazer? Palestras remuneradas?

 

Podemos não gostar quando uma mudança tecnológica nos afecta, mas aproveitamos todas as vantagens que ela nos traz – por exemplo, falar pelo Skype sem pagar a ligação telefónica. O desafio atinge as escolas – os conteúdos das matérias já podem ser encontrados na internet, por vezes com recursos mais interessantes e apelativos do que os dados nas salas de aula. O Media Lab, do MIT, desenvolveu uma plataforma (Scratch) em que as próprias crianças fazem seus jogos e intercambiam essas criações pelo mundo. O MIT desenvolveu conteúdos gratuitos só para o ensino médio. Como a transmissão do conhecimento não para de crescer, os modelos de negócio são recriados, gerando perdedores e ganhadores. Alguém poderia imaginar que jornais pagariam parte dos salários dos jornalistas com base no número de cliques nas páginas ou matérias na internet? Estudos mostram que, após a onda provocada pelo Napster, não diminuiu a produção musical pelo mundo e a produção de aplicativos foi estimulada.

 

Os desafios da sustentabilidade são enormes, mas as oportunidades são maiores ainda. Em Harvard ganha força um ambicioso projecto para criar a maior biblioteca digital do mundo, acessível a todos. A pretensão é nada menos do que seleccionar todo o conhecimento já
produzido pela humanidade. Uma das inspirações é a Europeana, na qual se encontra 15 milhões de versões digitais de livros e obras de arte. Além de Harvard, vão aderindo ao projecto as maiores universidades americanas com seus monumentais acervos de livros, além da biblioteca do Congresso americano. A Apple, Microsoft e Google participam nos encontros. Os livros de papel, os CDs e até as escolas tradicionais podem morrer. Mas o conhecimento está cada vez acessível.

 

Foi a opinião de Gilberto Dimenstein, um credenciado jornalista brasileiro. Deixo-vos com um vídeo sobre o projecto Siyavula.

 

(Continua)



publicado por Carlos Loures às 21:00
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Quinta-feira, 2 de Junho de 2011
A eterna questão do livro – 10 - por Carlos Loures

 

 

 

 

 

(Continuação)

 

Sabendo-se que o mercado português, embora com um poder de compra inferior, segue a algum tempo de distância o de Espanha, parece-me curioso referir nesta série alguns resultados do  inquérito sobre o livro digital que se fez no estado vizinho por iniciativa da Federação de Grémios de Editores, associada a uma fundação privada. O inquérito foi publicado no passado mês de Março e nele participaram 280 editoras de todas as dimensões.

 

Neste significativo universo, uma das conclusões apuradas é a que uma em cada quatro empresas prevê para 2012 comercializar mais de metade dos seus catálogos em versão digital. A banda desenhada é o género que mais irá enveredar por este tipo de suporte. Divulgação geral, Direito e ciências económicas, Ciências humanas e sociais, livro técnico-científico e universitário, e  Literatura, são outros géneros que optarão por versões digitais. Estas versões destinam-se a dispositivos de leitura como os computadores, os e-readers, mas também e crescentemente, ao telemóveis e aos tablets. Os telemóveis são, segundo as previsões, os que mais vão ser utilizados nesta função já em 2011.

 

No que se refere aos canais de comercialização, os preferidos pelas editoras são as plataformas comerciais genéricas e a venda directa a partir da web da editora. 50% dos inquiridos manterá a comercialização das obras digitais através das livrarias. Note-se que o livro em formato digital será de 30 a 50% mais barato do que o impresso.

 

Não podemos ignorar esta evolução da edição digital.

 

Há umas semanas atrás, a Ethel enviou-me o link para um vídeo do YouTube onde se falava de uma nova forma de apresentar livros de bolso. O grafismo do livro em formato normal mantém-se, mas distribuído por duas páginas orientadas horizontalmente. Vejam

 

 

 

 

 

É um conceito original holandês – dwarsligge – inspirado nos e-readers. Em Espanha estão a fazer-se tiragens de 120 mil exemplares. O livro tradicional busca formas de sobreviver. E não tenho dúvidas de que sobreviverá. A relação afectiva que tenho amplamente referido entre muitos leitores e o livro impresso, levá-los-á, por vezes, a comprar as duas edições. Lendo o formato digital e pondo na estante o volume impresso da mesma obra.

 

Nos Estados Unidos, quando surgiu, em meados do século passado, a moda das edições de bolso, muitos leitores compravam estas edições e liam-nas, arrancando as páginas à medida que as liam e deitando-as no lixo. Se gostavam da obra, compravam depois a edição normal e lá a alinhavam na estante. Mas vejamos os librinos:

 

 

Em suma, o livro electrónico vai vingar. Segundo me parece sem destronar o livro impresso. O e-book desaparecerá em breve, ultrapassado por outra novidade, e o livro impresso continuará a existir. Serão evoluções paralelas. Mas o negócio do livro vai sofrer alterações. Toda uma cadeia, que começa na plantação de florestas destinadas ao fabrico de pasta de papel e acaba na livraria, vai ser
afectada.

 

Esta série de artigos sobre o livro e a problemática que o envolve, chegará em breve ao seu termo. Proporei que se lhe siga um debate sobre as questões relacionadas com o livro e com a leitura.

 

(Continua)

 



publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado em 01/06/2011 às 10:35
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