Terça-feira, 21 de Junho de 2011
A25A - anúncio de debate público sobre a guerra na Líbia
Cara(o) associada(o)
 
A pedido do nosso consócio, Silas Cerqueira, informamos que - depois de ter participado numa conferência jurídica internacional em Tripoli (Líbia) - vai agora intervir num debate público sobre os bombardeamentos e a guerra na Líbia, que terá lugar na próxima quarta-feira, dia 22 de Junho, a partir das 18h30, no Centro de Trabalho "Vitória" (avenida da Liberdade, 170), em Lisboa.
Cordiais saudações
A Direcção

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publicado por Luis Moreira às 23:45
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Sábado, 19 de Março de 2011
Intervenção internacional na Líbia - Luis Moreira

A esperada intervenção militar na Líbia, eufemísticamente chamada de " proteção da zona aérea" já começou. Leia os principais jornais internacionais.

 

La Vanguardia - Espanha envia seis aviões de combate.

 

Le Monde - Sarkozy : os nossos aviões impedem os ataques aéreos de kadhafi

 

El País - escudos humanos

 

Estrolábio - os principais jornais e a televisão Aljazeera

 

 

 

 

 

 



publicado por Luis Moreira às 21:29
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Segunda-feira, 14 de Março de 2011
Líbia.Zona de exclusão aérea já tem plano.

Por Carlos Mesquita

 

 O governo americano apresenta amanhã o plano

 para os europeus se envolverem na guerra civil líbia.

 

Há duas semanas que se pondera a vontade e os inconvenientes de um envolvimento militar da NATO no conflito líbio. O governo dos Estados Unidos tem dado sinais de não se querer envolver em mais uma guerra, enquanto na Europa as ex-potências coloniais, França e Reino Unido, pressionam para passar por cima da legalidade de uma resolução do Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas.

 

Não vai haver uma zona de exclusão aérea autorizada pelo CS da ONU, dos 10 países membros não permanentes, Líbano, Brasil, Índia e África do Sul, já disseram ser contra, e a Alemanha pela voz de Angela Merkel diz-se céptica. Dos 5 permanentes, Rússia e China desaprovam, impedindo qualquer resolução explícita a favor do bloqueio. Seriam necessários 9 votos e desses a totalidade dos cinco países com assento permanente no Conselho de Segurança.

 

Para complicar a situação, não é incontestável que o bloqueio aéreo seja suficiente para impedir que as forças militares governamentais tomem conta de todo o território líbio.

Resolvida a revolta a oeste de Tripoli, o grosso dos efectivos e material militar pode ser empregue em Bengashi, decerto não numa batalha de guerra total, mas confinando a oposição armada a uma área sitiada. A diferença de poderio militar entre as forças leais a Kadhafi e os revoltosos ditaria o desfecho da contenda. É nesse quadro que EU/NATO discutem o seu possível envolvimento directo na guerra civil líbia.

 

Dos exemplos anteriores de zonas de exclusão aérea, quer as ilegais no Iraque, para proteger a minoria curda a norte e os xiitas a sul, quer na Bósnia Herzegovina, não impediram os ataques executados por Sadam ou pelos Sérvios. Os Ingleses parecem dispostos a agir sem mandato e Sarkozy vai mais longe, propondo “ataques aéreos cirúrgicos”. No fundo foi o que sucedeu no Iraque, onde a imposição da zona de exclusão aérea foi pretexto para bombardeamentos selectivos sobre objectivos militares iraquianos.

 

A zona de exclusão aérea sobre a Líbia não consegue consenso nem entre os rebeldes, havendo membros do “governo provisório” em Benghazi, que têm declarado à comunicação social ser a questão líbia um problema interno a resolver sem a presença de tropas estrangeiras, pois essa intervenção tiraria a legitimidade à revolta. No mesmo “governo” interino, há quem suplique às potências ocidentais ataques aéreos sobre as forças militares fiéis a Kadhafi, como o seu ex-ministro da Justiça, Mustafa Abdel-Jalil, que tem a cabeça a prémio.

 

A reticência dos Estados Unidos em se envolverem numa nova frente, sem nada terem solucionado no Iraque onde têm milhares de soldados, ou no Afeganistão onde estão há dez anos, é justificada. Mais uma vez, será a relação de forças militares e políticas internas dos EU, a definir o caminho. Declarações como as do Secretário da Defesa Robert Gates, (o chefe do Pentágono) ao Congresso, revelam cautelas. Para “deixar as coisas claras” disse aos congressistas, “uma zona de exclusão aérea tem de começar com um ataque à Líbia, para destruir as defesas anti-aéreas”, o que “seria um acto de guerra” e significava “uma grande operação num grande país”.

 

 Segundo Hillary Clinton, dia 15 de Março os EU entregariam à NATO o plano visando uma zona de exclusão aérea, ressalvando que a decisão deve ser tomada pela ONU e não pelos Estados Unidos. O governo americano apresenta amanhã o plano, para os europeus se envolverem na guerra civil líbia. Haver ou não mandato da ONU não foi no passado impeditivo de uma coligação de países agirem fora da lei internacional. Se essa for a opção, não se livram, outra vez, da acusação de estarem a intervir por causa do petróleo. Uma cruzada neo-colonial, numa região em ebulição, terá consequências imprevisíveis no mundo árabe, e no sistema de abastecimento energético mundial.

 

Giovanni Mirabassi Trio - Last Minutes



publicado por Carlos Mesquita às 22:00
editado por Carlos Loures às 17:45
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Sábado, 12 de Março de 2011
O Próximo Oriente faz perigar a nossa Democracia - por Raúl Iturra

 

 

 

 

Lamento profundamente estarmos perante uma guerra. Mas para saber o como e o porquê é melhor, como costumava dizer o guerrilheiro chileno Manuel Rodríguez na luta pela independência do Chile da coroa espanhola, era melhor conhecer as manhas e as tropelias para assim o vencer com as suas próprias tácticas. Foi assim que ganhou a guerra, junto com Bernardo O’Higgins, o primeiro Presidente do Chile, denominado como Director Supremo, e o General José de San Martín, o primeiro Presidente da primeira República que se libertara da coroa espanhola, lá, longe, num canto do mundo, como o Chile, países que tinham como limítrofe o Continente Antárctico, parte do qual era destas duas novas Repúblicas. O primeiro, eleito Deputado do Congresso formado pelo Director Supremo, foi assassinado por ordem do Director Supremo, o qual, por sua vez, foi desterrado e se asilara na República por ele libertada, Peru, onde faleceu, enquanto San Martin fora exilado paraParis, onde tive o prazer de conhecer a sua descendência. O’Higgins retornou ao Chile, já morto, com as honras devidas a um chefe de Estado. Estas são as veleidades da História, sendo esta a mão perigosa: libertar um povo, traz os ciúmes dos que lutaram mas que nenhum cargo de alta patente, alcançaram.

Porque esta comparação? É a nossa maneira de explicar, comparando comportamentos de países diferentes…

Antes, Moammar El-Gadhafi, fosse o menino mimado que foi na sua infância, que o assassino que é hoje. Época de criança em que todos os seus caprichos eram cumpridos, por pertencer a uma família patrícia de Tripoli, cidade fundada pelos romanos no século II antes da nossa era. Gaddafi, pertencente a uma tradicional família líbia, teria nascido numa tenda no deserto líbio, próximo à cidade de Surt ou Sirte (norte). Teve contacto com beduínos comerciantes que viajavam pela região de Surt, com quem adquiriu e formou suas precoces posições políticas.

Ainda pré púbere, a criança Gaddafi, foi enviado para uma rígida escola, onde passou anos longe de seus pais. Lá destacou-se em matemática, literatura e geografia, para o nosso mal. Digo para o nosso mal, porque em todo o que empreendia, tinha excelentes resultados. Como essa ditadura de 40 anos, que subjuga todas as tribos que compunham a Repúblicada Líbia. Os grupos tribais, foram inicialmentedominados por cartagineses, beduínos, turcos, o império romano e o bizantino. Bref , foi sempre um território perseguido, que no Século XVIII, teve o seu primeiro rei: o reinado da dinastia Karamanli, que dominou Tripoli durante 120 anos, contribuiu para assentar mais solidamente as regiões de Fezã, Cirenaica e Tripolitânia, e conquistou maior autonomia, sendo apenas nominalmente pertencente ao Império Otomano, a região servia de base para corsários, o que motivou intervenção norte-americana, a primeira Guerra Berbere ocorreu entre 1801 e 1805.

 

 



publicado por Luis Moreira às 14:00
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Quinta-feira, 3 de Março de 2011
Líbia: O que os media escondem, por Miguel Urbano Rodrigues

Reproduz-se, com a devida vénia ao Miguel Urbano Rodrigues, ao Diário, e ao Resistir.

 

Transcorridas duas semanas das primeiras manifestações em Benghazi e Tripoli, a campanha de desinformação sobre a Líbia semeia a confusão no mundo. 


Antes de mais uma certeza: as analogias com os acontecimentos da Tunísia e do Egipto são descabidas. Essas rebeliões contribuíram, obviamente, para despoletar os protestos nas ruas do país vizinho de ambos, mas o processo líbio apresenta características peculiares, inseparáveis da estratégia conspirativa do imperialismo e daquilo que se pode definir como a metamorfose do líder.

Muamar Kadhafi, ao contrário de Ben Ali e de Hosni Mubarak, assumiu uma posição anti-imperialista quando tomou o poder em 1969. Aboliu uma monarquia fantoche e praticou durante décadas uma politica de independência iniciada com a nacionalização do petróleo. As suas excentricidades e o fanatismo religioso não impediram uma estratégia que promoveu o desenvolvimento económico e reduziu desigualdades sociais chocantes. A Líbia aliou-se a países e movimentos que combatiam o imperialismo e o sionismo. Kadhafi fundou universidades e industrias, uma agricultura florescente surgiu das areias do deserto, centenas de milhares de cidadãos tiveram pela primeira vez direito a alojamentos dignos.

O bombardeamento de Tripoli e Benghazi em l986 pela USAF demonstrou que Reagan, na Casa Branca identificava no líder líbio um inimigo a abater. Ao país foram aplicadas sanções pesadas.

A partir da II Guerra do Golfo, Kadhafi deu uma guinada de 180 graus. Submeteu-se a exigências do FMI, privatizou dezenas de empresas e abriu o país às grandes petrolíferas internacionais. A corrupção e o nepotismo criaram raízes na Líbia.

Washington passou a ver em Kadhafi um dirigente dialogante. Foi recebido na Europa com honras especiais; assinou contratos fabulosos com os governos de Sarkozy, Berlusconi e Brown. Mas quando o aumento de preços nas grandes cidades líbias provocou uma vaga de descontentamento, o imperialismo aproveitou a oportunidade. Concluiu que chegara o momento de se livrar de Kadhafi, um líder sempre incómodo.

As rebeliões da Tunísia e do Egipto, os protestos no Bahrein e no Iémen criaram condições muito favoráveis às primeiras manifestações na Líbia.

 

Não foi por acaso que Benghasi surgiu como o pólo da rebelião. É na Cirenaica que operam as principais transnacionais petrolíferas; ali se localizam os terminais dos oleodutos e dos gasodutos.

A brutal repressão desencadeada por Kadhafi após os primeiros protestos populares contribuiu para que estes se ampliassem, sobretudo em Benghazi. Sabe-se hoje que nessas manifestações desempenhou um papel importante a chamada Frente Nacional para a Salvação da Líbia, organização financiada pela CIA. É esclarecedor que naquela cidade tenham surgido rapidamente nas ruas a antiga bandeira da monarquia e retratos do falecido rei Idris, o chefe tribal Senussi coroado pela Inglaterra após a expulsão dos italianos. Apareceu até um "príncipe" Senussi a dar entrevistas.

A solidariedade dos grandes media dos EUA e da União Europeia com a rebelião do povo da Líbia é, porem, obviamente hipócrita. O Wall Street Journal, porta-voz da grande Finança mundial, não hesitou em sugerir em editorial (23 de Fevereiro) que "os EUA e a Europa deveriam ajudar os líbios a derrubar o regime de Kadhafi".

Obama, na expectativa, manteve silêncio sobre a Líbia durante seis dias; no sétimo condenou a violência, pediu sanções. Seguiu-se a reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU e o esperado pacote de sanções.

Alguns dirigentes progressistas latino americanos admitiram como iminente uma intervenção militar da NATO. Tal iniciativa, perigosa e estúpida, produziria efeito negativo no mundo árabe, reforçando o sentimento anti-imperialista latente nas massas. E seria militarmente desnecessária porque o regime líbio aparentemente agoniza.

Kadhafi, ao promover uma repressão violenta, recorrendo inclusive a mercenários tchadianos (estrangeiros que nem sequer falam árabe), contribuiu para ampliar a campanha dos grandes media internacionais que projecta como heróis os organizadores da rebelião enquanto ele é apresentado como um assassino e um paranóico.

Os últimos discursos do líder líbio, irresponsáveis e agressivos, foram alias habilmente utilizados pelos media para o desacreditar e estimular a renúncia de ministros e diplomatas, distanciando Kadhafi cada vez mais do povo que durante décadas o respeitou e admirou.

Nestes dias é imprevisível o amanhã da Líbia, o terceiro produtor de petróleo da África, um país cujas riquezas são já amplamente controladas pelo imperialismo.

Vila Nova de Gaia, 28/Fevereiro/2011

O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=1993

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .



publicado por João Machado às 16:00
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Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011
Líbia. O risco de desmembramento. Guerra civil - por Carlos Mesquita

 

 

Não há actualmente informação independente sobre o que se passa na Líbia, mas sobram noticias. É difícil distinguir a contra informação, tendente a conquistar a opinião pública para os interesses em jogo, da realidade.

 

Desde o início da conflitualidade na Líbia, notícias veiculadas por fontes e rumores transformados em notícias, são desmentidas em seguida pelos factos; como o caso do ministro britânico William Hague, que há uma semana viu “informações de que Kadhafi ia a caminho da Venezuela”, ou bombardeamentos aéreos de manifestantes em Tripoli e fogo de armas pesadas, que os portugueses que de lá vieram desmentiram.

Juntando o que se tem dito e comparando com o que vai sendo confirmado, conclui-se que o mundo está sujeito a mais uma campanha de intoxicação, a lembrar as armas de destruição maciça, que Colin Powel, Durão Barroso, e companhia, “viram”.

 

A maneira de filtrar algumas das aldrabices, é conhecer um mínimo da história da Líbia e seus povos, da organização política e militar, e de Kadhafi.

 

Em breves notas, deixando a história anterior de outras ocupações; em1914 aLíbia estava ocupada pelos italianos, durante a Primeira Guerra os líbios reconquistaram a maior parte do território, vindo novamente a perdê-lo para a Itália após a guerra, sendo integrada no reino de Vittorio Emanuel III de Itália em 1939. Vittorio tinha conduzido Mussolini ao governo, que entra na Segunda Guerra em1940. ALíbia é palco dos confrontos entre o Afrika korps do marechal alemão Rommel e os ingleses. Após a derrota das forças do Eixo, a Líbia passou a ser governada pelos ingleses na Tripolitânia (oeste) e na Cirenaica (leste) ficando a parte sudoeste de Fezzan na posse dos franceses. Aos governos militares dos aliados, e após aprovação da independência pelas Nações Unidas em 1 de Janeiro de 1952, sucedeu o líder religioso Idris al-Sanusi, emir da Cirenaica, coroado rei da Líbia

 

A monarquia despótica de Idris concedeu bases militares aos americanos que com os ingleses dominavam económica e militarmente o país. A líbia vivia do aluguer das bases militares, era pobre e antiquada. Com a descoberta de petróleo em 1961 abriram-se conflitos que haveriam de dar origem ao golpe que derrubou a monarquia.

 

Em 1969 os “oficiais livres” fazem um golpe de Estado, sem derramamento de sangue, contra o rei Idris. Kadhafi, “Guia da Revolução” e presidente do Conselho da Revolução lidera o novo regime.

 

Kadhafi, de origens beduínas e nascido no deserto líbio na região de Sirt, recebeu treino militar no Reino Unido, tendo iniciado o golpe de Estadoem Benghazi. Admiradorde Nasser que governava o Egipto, é com esse modelo e com o exemplo da soberania sobre o petróleo, que já como chefe de Estado, em 1970 expulsa os militares estrangeiros, nacionaliza a banca e o petróleo.

 

Com o dinheiro dos recursos petrolíferos as condições de vida dos líbios transformam-se radicalmente. A Líbia possui as maiores reservas de África e do petróleo de melhor qualidade, Kadhafi lança-se na construção das infra-estruturas modernas necessárias a um país com as dificuldades de ser na maior parte estéril e desabitado, atrasado e sem mão-de-obra.

 

Etnicamente a Líbia é na maioria Árabe, chegados cerca do século VIII, havendo também os Berberes (pré-muçulmanos), Tuaregues e Tibbu, nómadas para quem as fronteiras são uma abstracção. Os últimos 40 anos, a modernidade Líbia, representa um salto civilizacional extraordinário, do camelo e tenda às costas, para a vida urbana e o conforto. Mas a Líbia é um território tribal, sempre foi e continuará a ser, a obediência primeira é para com a tribo, o que convém reter para a compreensão da revolta actual. Kadhafi, sendo um nacionalista árabe, representa(va) também o factor agregador entre as tribos.

 

A maior tribo (Warfalla) reúne uma sexta parte da população e quer derrubar Kadhafi, enquanto a segunda mais importante – Magriha – compõe algum do sector público administrativo e divide com a tribo de Kadhafi (Gadaffa) boa parte dos postos superiores do exército. As tribos são mais de cem, mas a contabilidade de apoios ou revoltosos não se faz nominalmente. O exército convencional tem servido para empregar os filhos dos notáveis das várias tribos como oficiais, é mal treinado e mal equipado, é um meio de equilibrar as aspirações tribais e não o poder militar. As dissidências de alguns não perturbam o regime, e corresponde à obediência tribal. O poder militar está na segurança interna e nas “Milícias do Povo” os comités revolucionários cujas brigadas especiais não respondem ao exército, e têm-se mantido leais a Kadhafi e ao seu círculo mais próximo, o “Povo da Tenda”.

 

Na Líbia, em três décadas a população quintuplicou, mais de metade têm menos de 15 anos, e pouco mais de um milhão em seis são população activa, metade da população da Líbia é emigrante, mesmo assim uma taxa baixa se comparada com os países do Golfo. A maior parte da classe trabalhadora é estrangeira.

 

As regiões líbias não têm uma história de identidade comum, entre a Cirenaica e a Tripolitânia há deserto, do comprimento de Portugal, e da costa a Fezzan uma caravana demorava meses a chegar, sempre houve uma separação física.

 

A organização política de base, preconizada por Kadhafi, é de democracia directa (no papel), mas como no caso Bolchevique,em que Lenine retirou o poder aos sovietes porque o Partido era o guia da Revolução Socialista, também na Grande Jamahyria Popular Socialista da Líbia, a democracia directa não chega à superstrutura do poder, ele é exercido pelo círculo restrito de Kadhafi.

 

A falência do pan-arabismo secularista fez Kadhafi voltar-se para África, os investimentos alimentavam o sistema de alianças tribais e parece que Kadhafi descuidou a zona mais islamizada, a Cirenaica, com queixas antigas sobre a distribuição dos lucros do petróleo. As cisões podem corresponder a essa alteração das relações de força, e à repressão violenta das manifestações em Benghazi, pelo cunhado de Kadhafi, Abdullah Senussi, da linha dura da segurança interna; seria a isso que se referiu o filho de Kadhafi, Saif, como erros cometidos. Saif, um moderado do regime, pediu diálogo, mas os dissidentes pela voz do coronel Rasheed Rajab já disse que estão a preparar-se para atacar Tripoli. A guerra civil ameaça subir em escalada, ninguém sabe como vai acabar.

 

Com ou sem Kadhafi o desmembramento da Líbia parece inevitável, a divisão geográfica e o tecido social e cultural tribalista, não é o melhor molde para criar instituições de um Estado centralizado, uma vez separado politicamente dificilmente se reunificará. E se há tribos justamente descontentes com a divisão da riqueza até agora feita, quando estiverem divididas organicamente manda o mais forte, daí não virá mais justiça na partilha. Sem as regiões da Líbia unificadas teria sido impossível a obra extraordinária (faraónica) dos rios artificiais que bombeiam água do fundo do deserto do Sara e a levam aos campos e cidades por muitos milhares de quilómetros.

 

 

Os Estados Unidos, cujas companhias petrolíferas não estão presentes na exploração do petróleo e gás líbio, já prometeu toda a ajuda aos dissidentes, inclusive, como disse Hillary Clinton, auxílio político. Também a Al-Qaeda terá estabelecido um “emirato islâmico” em Derna, no leste do país, como afirmou Khaled Kaim aos embaixadores da União Europeia. Será que alguém pensa que as coisas estão a compor-se?

 



publicado por Carlos Loures às 20:00
editado por Luis Moreira em 07/03/2011 às 13:07
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Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011
É preciso intervir militarmente na Líbia?

 

 

 

Les blogs du Diplo - Nouvelles d'Orient

Faut-il intervenir militairement en Libye ?

 

par Alain Gresh

Depuis la chute du régime Ben Ali en Tunisie, une vague de soulèvements submerge le monde arabe, portée par les images de la chaîne Al-Jazira, qui permet à l'opinion de suivre en direct les événements. Du Maroc à Bahreïn, de l'Algérie à l'Irak, les citoyens, le plus souvent désarmés, descendent dans la rue pour demander des réformes politiques et une plus grande justice sociale. Dans la plupart des cas, les autorités hésitent à faire un emploi indiscriminé de la force. En Libye, en revanche, les manifestants se sont heurtés à la répression la plus terrible (Le Monde diplomatique publie dans son prochain numéro, en kiosques le 2 mars, un dossier de huit pages sur « le réveil arabe »).

Les informations provenant de Libye sont contradictoires, l´artielles, quelquefois non confirmées. La brutalité du régime ne fait aucun doute, et le nombre de morts est important : des centaines selon les organisations non gouvernementales, probablement plus compte tenu de la violence utilisée par les milices du régime. Si l'est du pays, avec les villes de Benghazi et de Tobrouk, est tombé aux mains des insurgés, ce qui a permis l'entrée dans le pays de journalistes étrangers, la partie ouest, et notamment Tripoli, restent inaccessibles. Kadhafi a apparemment repris en main la situation dans la capitale, et il semble avoir gardé la confiance des tribus de la région (« Gaddafi tightens grip on Libyan capital as rebels swiftly advance west », par Leila Fadel et Sudarsan Raghavan, The Washington Post, 24 février). Il vient d'annoncer que Tripoli serait ouverte dès demain à tous les journalistes. Par ailleurs, il s'appuie sur des mercenaires de pays d'Afrique subsaharienne, ce qui risque de développer le racisme anti-Noirs dans le pays.

Le caractère erratique et dictatorial du colonel Mouammar Kadhafi a été confirmé par son discours illuminé prononcé le 22 février 2011 (lire une traduction en anglais ici). Le leader libyen y a rappelé les conquêtes de son règne - en particulier l'obtention du retrait des bases britannique et américaine et la nationalisation du pétrole - qui lui avaient acquis, au début, une popularité incontestable et une condamnation occidentale aussi massive. Mais il a aussi, dans son discours, multiplié les propos menaçants et incohérents, affirmant qu'il ne pouvait pas démissionner car il n'occupait aucun poste officiel, qu'il se battrait jusqu'à la dernière goutte de sang, que le pays allait vers la guerre civile, etc.

Les indignations justifiées contrastent avec le silence qui prévalait quand le régime, au début des années 2000, alors que s'esquissait la réconciliation avec l'Occident, écrasait sans pitié les islamistes. La détention et la torture de militants islamistes en Libye (comme en Egypte ou en Tunisie) n'indignaient pas les bonnes âmes.

Quoi qu'il en soit, les appels à des interventions militaires se multiplient.

Marc Lynch, sur son blog de Foreign Policy, est très clair, comme l'indique le titre de son envoi : « Intervening in the Libyan tragedy » (21 février 2011) :

« La comparaison doit se faire avec la Bosnie ou le Kosovo, ou encore avec le Rwanda : un massacre se déroule en direct à la télévision et le monde est incité à agir. Il est temps pour les Etats-Unis, l'OTAN, l'Organisation des Nations unies et la Ligue arabe d'agir avec force pour essayer d'empêcher la situation déjà sanglante de dégénérer en quelque chose de bien pire. »

On a un peu de mal à comprendre ces comparaisons. Au Rwanda, on avait affaire à un génocide qui a fait des centaines de milliers de morts. Quant au Kosovo, il est douteux que l'intervention militaire ait été un succès (...)

   


publicado por Luis Moreira às 17:00
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Al jazeera - O que se passa na Líbia, Bahrain, Yémen, Iran, Marrocos...2

Siga a Aljazeera, as notícias das revoltas dos povos em fúria, fartos de ditadores, de viverem na miséria, de conversa da treta                              

 

                                                                                                                            

 

                     

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publicado por Luis Moreira às 02:02
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Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011
Ex - Líbia de -Muammar Gaddafi? Tropas juntam-se ao povo nas ruas.

Veja o que se passa na Líbia de Kadhafi .Há indicações que tropas se terão juntado aos populares que invectivam o governo nas ruas.

 

"Security forces have shot dead scores of protesters in Libya's second largest city, where residents said a military unit had joined their cause.

 

While Libyan leader Muammar Gaddafi attempts on Sunday to put down protests against his four-decade rule centred on the eastern city of Benghazi, eyewitness reports are coming in of "disturbances" in the capital Tripoli as well.

 

There were reports of clashes between anti-government protesters and Gaddafi supporters around the Green Square.

"We are in Tripoli, there are chants [directed at Gaddafi]: 'Where are you? Where are you? Come out if you're a man," a protester told Al Jazeera on phone."


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publicado por Luis Moreira às 01:00
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