Quinta-feira, 14 de Julho de 2011
Portugal, a União Europeia e a Democracia nas malhas dos ratings - II

Júlio Marques Mota - continuação

 

1. O risco crescente de que Portugal vai solicitar um segundo plano oficial de apoio financeiro antes de voltar aos mercados financeiros, privados, e a possibilidade crescente de que a participação do sector privado credor venha a ser exigida como pré-condição.

 

2. A crescente preocupação de que Portugal não será capaz de alcançar completamente as metas da redução do défice e da estabilização da dívida que foram estabelecidas no seu contrato de empréstimo com a União Europeia (UE) e com o Fundo Monetário Internacional (FMI), devido às fortíssimas exigências que o país enfrenta para reduzir a despesa pública, para aumentar as receitas fiscais, alcançando o crescimento económico e apoiando o sistema bancário.

 

Uma verdade tão simples como esta é dada pela expressão que nos dá a dinâmica da dívida, bem conhecida dos estudantes em economia que estas matérias ainda estudam.

 

Na nossa última aula publicada pelo Estrolábio explicámos que a expressão de variação da dívida pública por unidade PIB é dada pela expressão db = dp+b(i - g), onde db é a evolução da dívida pública por unidade PIB, b a ratio da dívida pública relativamente ao PIB, dp o défice público primário por unidade de PIB, que também pode ser visto como sendo a diferença entre o que os contribuintes pagam ao Estado e o que dele recebem, mais geralmente definido como a posição orçamental por unidade do PIB, sem o serviço da dívida, i a taxa de juro da dívida pública e g a taxa de crescimento nominal do PIB.

 

Seja então i a taxa de financiamento definida pela taxa dos Bunds, os títulos alemães a que se adiciona a taxa dos CDS sobre os títulos portugueses. A cotação no dia 7 de Julho passado:

 

 

Dia anterior

Fecho

Ontem

Fecho

Esta manhã

França

0.372

0.426

0.432

Itália

1.993

2.217

2.205

Espanha

2.486

2.690

2.698

Portugal

9.177

11.362

11.429

Grécia

13.530

13.796

14.43

Irlanda

8.760

9.776

10.148

Bélgica

1.094

1.202

1.213

Bund
  Yields

3.245

2.933

2.945

 

E a taxa dos títulos da dívida pública de Portugal a 10 anos a considerar é então de 3,245%+9,177%, ou seja, 12,442%.

 

Neste caso, considerando as estimativas da Troika, para 2011, para a taxa de crescimento do PIB que é de (-2,2%) e para o valor da dívida pública relativa ao PIB de 2010 que é de 93%, a expressão de variação da dívida pública por unidade PIB acima exposta dá-nos db = dp+93% [12,442% - (-2,2%)] = dp+93% (14,642%) = dp+13,62%. Para que a ratio da dívida pública não crescesse em 2011, se db fosse igual a zero, então dp teria que ser (- 13,62%), ou seja, a estabilidade do peso da dívida pública teria que exigir um excedente primário na ordem dos 13,6% e isto significa pura e simplesmente que então, neste caso, o povo português  deverá ser  obrigado a pagar muito mais de impostos do que o que  recebe através das despesas feitas pelo governo e, a mais, no montante de 13,6%, ou seja, por cada euro de despesa pelo governo prestada  (ou, se calhar, por cada escudo novo, desculpem-me, enganei-me) terá que se lhe entregar  1 euro e 13,6 cêntimos.

 

Mas a pressão da União Europeia numa espécie de alinhamento total com os mercados e de desalinhamento não menos integral com as sociedades dos Estados-membros pretende forçar a que se respeitem os critérios de Maastricht de 1991, no que refere à dívida pública. Adicionalmente, numa invenção de Durão Barroso e de outros do mesmo quilate, “reforçou-se a governação económica”, pretendendo-se com isto compatibilizar as políticas macroeconómicas dos Estados-membros, criando-se a regra de resolução do endividamento excessivo que significa o seguinte: sendo a ratio do endividamento de referência 60%, vinda de Maastricht, então a redução anual da ratio da dívida pública deve corresponder a 1/20 da diferença entre o endividamento actual e o endividamento de referência, ou seja, espera-se com esta regra que num prazo de 20 anos, os valores de referência sejam atingidos.


No caso português, considere-se então uma ratio da dívida pública de 93%. Neste caso, a diferença para o valor de referência é de 33%, o que a dividir por 20 dá 1,65%. No nosso caso db deve então descer 1,65% anualmente. Retomemos a expressão anterior: db = dp+13,62%. Assim, com esta regra, o excedente primário teria que ser de 15,27%, que nem num período de expansão seria economicamente exigível. A situação de pressão a que a equipa de Durão Barroso está a submeter as economias dos Estados-membros em dificuldades leva ao desaparecimento da regra de Maastricht quanto ao défice público possível de 3%, que perante isto afinal até parece que não era assim tão restritiva. Ironia, triste e amarga ironia que Bruxelas a todos nós “oferece” mas que niguém lhe agradece.

 

Agora, esta equipa de altos quadros, que mais parecem estar a ser os agentes dos mercados financeiros do que os representantes dos povos, democraticamente encarregados de gerir colectivamente a situação de crise presente em conjugação com os governos nacionais e os seus respectivos povos e encarregados também de descortinar as linhas de coordenação entre os Estados-membros e o Resto do Mundo para impedir que a Europa não seja colocada num beco quase sem saída para onde os mercados financeiros estão a querer empurrar esta Europa, está exactamente a empurrar a Europa para a actual situação que não queremos. Em vez desse comportamento que não desejamos, em vez disso, em vez de opositores aos mercados em tempo de crise, as instituições europeias e os governos nacionais da zona euro tornaram-se seus colaboradores, em vez dos seus reguladores, e eis que nessa sequência, nessa inversão de funções, é agora a Comissão Europeia e as restantes instituições que destes e por estes mercados se tornaram regulados.

 

Se em tempo de crise a regra de 3% do défice público é já em si mesma altamente restritiva eis que a nova regra por Durão Barroso criada torna a situação ainda mais restritiva, deixando os Estados prisioneiros da situação criada e impedindo-os de responder com políticas de expansão à crise, mesmo que esta não tenha sido gerada por eles directamente, enquanto esta, esta sim, está em franca expansão.

 

 



publicado por siuljeronimo às 20:00
editado por Luis Moreira em 13/07/2011 às 23:43
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Eurointelligence Daily Briefing

enviado por Julio Marques Mota

Sarkozy wants a summit, but Merkel does not want to go

  • There were unconfirmed reports about an EU summit yesterday, as requested by several leaders, including Nicolas Sarkozy;
  • Angela Merkel is much less keen on the idea but circumstances might force a decision soon;
  • another extraordinary day on the markets yesterday, as Italian 10-year yields push through 6% at one point;
  • Willem Buiter says Italian re-rating is game changer, as this becomes a systemic crisis;
  • German Bild tabloid agrees, for the sake of Italy;
  • Zapatero calls on Germany in particular to make greater efforts at crisis resolution;
  • at yesterday’s Ecofin consensus emerged that some form of selective default is unavoidable for Greece, which would be part of the second loan package;
  • on the table is the proposal for Greece to buy back its bond at 50% discount for roughly €70bn with EFSF money;
  • The second loan package for Greece would then need to be bigger than €115bn ;Wolfgang Münchau says situation extremely grave as leaders need to do a lot more than agree a Greek package to get out of this crisis;
  • as politicians call for a private sector participation, Moody’s has downgraded Ireland to junk, citing policy signals as among the reasons;
  • Ewald Nowotny says rating agencies add no analytic value or understanding, and express only view, which are damaging to the eurozone;
  • Giulio Tremonti seeks Italian parliament to approve his  austerity package by Sunday revamped to include privatisation and liberalisation plans;
  • some IMF directors have expressed concern that Italy’s budget savings are mostly backloaded, and thus not sufficiently credible;
  • EU finance ministers promissed support for banks that fail the stress tests;
  • First leaks of test results to be presented on Friday find that six Spanish bank and one Austrian and a Greek bank failed the stress test;
  • IMF warns Germany of low growth trend;
  • the French Greens, meanwhile, elected the Norwegian born Eva Joly as their candidate for the French presidential elections.

_________________________________________

Reuters reports that there will be an emergency EU summit this weekend, following another day of awful news for the eurozone. Italian 10-year yields shot through 6% at one point, before settling at 5.7% in the afternoon, on the news that Giulio Tremonti headed back for talks with Italy’s opposition, amid signs that the Italian parliament may be passing Mr Tremonti’s budget with a few days.

Yesterday’s highly volatile trading underlines the markets’ acute nervousness in the eurozone’s third largest economy. Moody’s downgrade Irish debt to junk status, citing concerns over a selective default of Greece.

 



publicado por Luis Moreira às 10:00
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
Portugal, a União Europeia e a Democracia nas malhas dos ratings - por Júlio Mota


11 de Julho de 2011

Li o presente texto da Moody’s de que vos ofereço, em anexo, uma tradução “livre”, texto este e análise esta que devem ser vista de acordo com o estatuto das agências de rating. Estas, de acordo com a lei americana, produzem opiniões e não avisos que envolvam a sua responsabilidade e em boa verdade não podem ser tomadas como responsáveis pela utilização que os agentes fazem das informações por elas fornecidas. As agências estão assim ao mesmo nível de protecção do que aquele que é concedido aos jornalistas, como difusores de opinião. É pois a opinião publicitada a propósito da dívida soberana portuguesa, e é apenas essa opinião, que passo a analisar, em suma é o seu conteúdo económico e nunca a notação atribuída pela Moody’s. Debruço-me também sobre a revolta dos recém-revoltados contra apenas a notação que esta atribuiu quando esta notação, esta sim, é parte integrante do modelo económico que aqueles com unhas e dentes estão dispostos a defender, nem que para isso a Democracia tenham que vender.

 

Por esta razão, pasmo com o silêncio que é feito sobre esta questão, porque a recusa deve assentar primeiro no modelo que a crise gerou e no qual as agências são pilares fundamentais e depois nas regras que o modelo sustenta. Pasmo com o barulho à volta deste texto, pasmo com o silêncio sobre tudo o que não foi dito sobre este texto, pasmo sobre o que fundamenta a existência legal deste texto, pasmo sobre a discussão à volta dos ratings, quando não se discute o modelo económico neoliberal que os exige e da forma como os exige, pasmo quando não se discute o papel das agências de rating na estrutura ou arquitectura da economia financeirizada, pasmo quando se silencia que nesta lógica é a própria Democracia que foi colocada ao desbarato, ao sabor das subjectividades de analistas, não só dos agentes da Moody’s, da Fitch, da Sandard & Poor’s (S&P), mas também da multitude dos agentes investidores e dos seus programas informáticos, e não só agora mas antes quando os mercados decidiram atacar a Europa, a zona euro e dispondo de uma força que a força dos tratados não previa, não contemplava, antes pelo contrário, até ajudava.             

 

Nisso contavam, e até acertaram com a incompetência dos nossos dirigentes, sejam eles nacionais, sejam eles os altos quadros da Comissão Europeia, de Durão Barroso e dos seus comissários. Pasmo ainda quando, perante a situação de crise presente, os indignados (a não confundir com o movimento Os Indignados, de Espanha) que agora protestam da forma como o fazem contra a Moody’s não protestam contra nenhum dos princípios que travam os Estados nacionais de enfrentarem a crise, pasmo quando nenhum deles questiona o que foram e sobretudo o que são os critérios ditos de Maastricht, em que a regra dos 3% assumida como ciência não passa do produto da taxa de crescimento nominal da altura, 5%, pelo valor médio da dívida pública de então, 60%. Pasmo quando ninguém contesta a política suicida da União Europeia quer quanto à política comercial, em que apenas tem a política que os outros desenham, quer quanto à política cambial em que também aqui apenas tem a que os outros determinam, sejam eles chineses seja eles os americanos. Pasmo quando ninguém desses indignados se insurgiu contra a obrigação de mudar estatutos e legislação para que os bancos centrais nacionais fossem independentes, sem nenhuma prova que um sistema assim criado seria mais eficiente que um modelo em que o Banco Central Europeu ficasse dependente ou em articulação com a Comissão Europeia, com o Conselho e com o Parlamento.

 

Pasmo ainda com o silêncio havido e mantido com a imposição de os colaterais soberanos recebidos no Banco Central Europeu ficarem dependentes dos ratings privados e, last but not least, pasmo também que paralelamente a uma moeda única, a uma taxa de câmbio única, a défices públicos nacionais com limite comum, os 3% do PIB ou no limite zero, não se tenha criado também um mecanismo comum de financiamento dos défices públicos, de financiamento da dívida pública, possivelmente tornando desnecessária uma agência de rating mesmo que europeia ou sob a égide do FMI. Mas a tudo isto os nossos neoliberais respondem com silêncio.  

 

Um dos exemplos mais vergonhosos desta incompetência tem a ver com os CDS, famosas armas de destruição maciça de que aqui muito temos falado. Não se trata de contestar quem quer pagar pela segurança dos títulos que tem, trata-se de contestar quem compra a segurança dos títulos que vai atacar. Logo que declarada a crise deveriam ser proibidos os naked credit default swaps, ou seja, as apostas contra os títulos de divida de soberana dos diversos Estados-membros, apostas de quem não tem esses mesmos títulos (isto é a própria definição de naked CDS) para os depreciar e com isso muito dinheiro ganhar. Mas isto era ir contra os mercados. E então agora que ninguém sabe os valores em jogo, adivinha-se que possam ser explosivos, eis os Estados nacionais, eis as instituições europeias a solicitar aos bancos que, por favor, aceitem a reestruturação da dívida pública, mas que esta seja informal, logo não declarada, logo legalmente não contestada, eis pois os nossos políticos do alto da sua incompetência a solicitarem que esta reestruturação seja voluntária, logo não imposta, logo não exequível de se accionarem os CDS!
Voluntária e informal, eis as palavras-chave que hoje martelam a mente dos nossos políticos e à escala de toda a Europa, eis as palavras-chave que transformam a possibilidade de sonhos dos nossos políticos em verdadeiros pesadelos porque aqueles aos mercados foram vendidos e por eles tragicamente agora se declaram vencidos.

 

Mas se a subserviência dos nossos políticos aos mercados é agora a força de lei e desde há bastante tempo, uma arrogância de maior dimensão ainda estão estes a manifestar face às manifestações que por todo o lado se desencadeiam, tendo-se ido em Espanha, por exemplo, ao ponto de um governo socialista chamado ter introduzido agentes provocadores no meio da juventude que protestava contra o trágico futuro que nas costas da Democracia lhes estavam a fabricar.

 

E tudo isto se passa no mais absoluto silêncio e a questão agora colocada é apenas a dos ratings que foram atribuídos e não a existência de ratings sobre a dívida soberana em si mesma no quadro da União Europeia.

 

E tudo isto se passa no mais absoluto silêncio, quando se devia estar perante uma frontal oposição às políticas e aos políticos que à situação de crise nos conduziram e que agora se mostram também eles indignados com a reavaliação da Moody’s.

 

E tudo isto se passa no mais absoluto silêncio, quando se devia contestar por todos os meios ao nosso alcance a política suicida que a União

Europeia está a tomar, a impor, e que os Estados-membros respeitam passivamente como sendo A resposta à crise. Nenhum Estado-membro desta Europa que as suas instituições estão a condenar ficou melhor com a sua intervenção e logicamente assim é porque logicamente é impossível sair da crise nestas condições, é impossível sair da crise com as políticas de austeridade. Uma verdade que agora o texto da Moody’s reconhece explicitamente, dizendo-nos pura e simplesmente que o rei está nu, já nem sequer tapado com um lençol já está. Diz-nos então a Moody’s a título de resumo das justificações da decisão tomada:

 

continua amanhã às 20 h



publicado por Luis Moreira às 20:00
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Terça-feira, 12 de Julho de 2011
“O Após Zapatero” já começou - por Sylvia Desazars de Montgailhard

enviado por Julio Marques Mota

O movimento “de indignados”, tal como a ajuda  do Partido popular nas  eleições municipais de 22 de Maio, são os sinais anunciadores  de uma confusão dos socialistas espanhóis nas legislativas  de 2012 ?

Desde há  perto de um mês que  a imprensa internacional cobre os acontecimentos relativos  aos “Indignados”. Este movimento, nascido de maneira espontânea por ocasião de uma manifestação  de jovens   na  Puerta del Solo em Madrid,  a 15 de Maio, espalhou-se  por outros lugares, na Espanha, na Europa e, mais recentemente, na Turquia. Do que é que se queixam  “Os  Indignados”?  Do desemprego que  atinge o conjunto da Espanha e em particular a faixa etária dos jovens ainda de forma mais dura ; da corrupção da classe política, seja direita como a de esquerda; pelo facto de a democracia, tal como foi restabelecida há trinta e cinco anos sob forma de monarquia parlamentar quase federal, não corresponde às suas expectativas.

Que reclamam os Indignados? Uma mudança da lei eleitoral que permita aos partidos mais pequenos  fazer  ouvir a sua voz, e reclamam  trabalho a fim de poderem ter  uma autonomia financeira em vez permanecerem dependentes dos seus pais até para além dos  trinta  anos , ao mesmo tempo que, devido ao rompimento da bolha imobiliária, mais de um milhão de alojamentos não encontram nenhum comprador. São todos eles de esquerda? São muito de esquerda? São todos os jovens? Responder-se-á prudentemente: possivelmente  sim. Não são os todos os casos, pelo menos na sua grande maioria, nem partidários nem anti-sistema  e as diferentes tentativas de recuperação do seu movimento pelo governo ou pela oposição comunista falharam.
O movimento vai durar ? Autogerido de maneira eficaz, com as suas tendas, com o seu material de electricidade, as suas cantinas, os seus jardins-escolas, as suas bibliotecas, não deixam de  criar menos problemas de salubridade pública e de  provocar  a irritação dos comerciantes. Apesar das injunções da Junta eleitoral que proibia qualquer agrupamento durante o dia de reflexão que precede as eleições locais e regionais de 22 de Maio, os responsáveis da ordem pública tomaram a cuidadosa decisão de não tentar desalojar  “ Os indignados”. Perante a perda  progressiva de capacidade de  mobilização, tomaram na quarta-feira dia 8 de Junho a decisão de levantar o campo no Domingo 12 de Junho. Só um núcleo de irredutíveis  anunciou que permaneceria. Alguns começaram a manifestarem-se , no final da  tarde, em  frente do Congresso dos Deputados, em  Madrid.

 

O que  a maior parte de “ Os  indignados” não fez, foi  ir votar. Ora,  20 milhões de espanhóis voltaram  às urnas, a 22 de Maio, e infligiram uma derrota significativa ao PSOE, o Partido socialista operário espanhol. Estes resultados eleitorais, que representam uma dupla afronta para José-Luís  Rodriguez Zapatero, na sua qualidade de presidente do governo e secretário geral do PSOE, tiveram direito a  pequenos artigos nos meios de comunicação social fora da Espanha.

 

Estas eleições  marcam um  momento decisivo  muito importante   na vida política espanhola, onde as eleições locais têm tradicionalmente uma grande importância: as eleições municipais, por razões nomeadamente históricas, e as regionais, devido aos largos poderes atribuídos às comunidades autónomas pela Constituição de 1978 e pelos diferentes estatutos de autonomia. Assim, aquando das municipais de 12 de Abril de 1931, os republicanos tinham ganho muitas das  capitais de província, e o rei Afonso  XIII, avô de Juan Carlos, tomou  a decisão de deixar o seu país.

 

Este vazio do poder   provocou  a instauração da Segunda República, proclamada a 14 de Abril, que durou até aos  horrores da guerra civil (1936-1939) e extinguiu-se com a vitória do general Franco, no poder até 1975. Percebe-se pois  que os resultados das  municipais sejam  sempre acompanhados com muita atenção pela inteira e sejam  sempre analisados  minuciosamente  .

 

No dia  22 de Maio, as eleições municipais   realizaram-se em todo o  território; em contrapartida, as regionais desenrolavam-se apenas em treze das dezassete comunidades autónomas, as quatro regiões ditas  “históricas”, nomeadamente a Andaluzia, a Catalunha, a Galiza e o País Basco, que têm inclusive o seu próprio calendário eleitoral.

 

Assim, por exemplo, se um eleitor fosse  votar em Barcelona ou em Málaga, ele fazia-o para as municipais. Em contrapartida, um eleitor em Madrid ou em Valência podia ao mesmo tempo votar para  o seu conselho municipal e para  o seu Parlamento regional.

 

Os resultados não deixam margem para dúvidas relativamente ao PSOE, a dez meses apenas das legislativas  previstas o mais tardar para Março de 2012: uma diferença de 10 pontos de percentagem e mais de 2 milhões de votos  em prol do seu principal adversário, o Partido popular (PP) ; a perda de bastiões socialistas como Barcelona (em prol dos nacionalistas catalães de CiU) ou Sevilha (em prol do PP); o deslocar para a  direita de várias regiões, entre as quais  Castela -la Mancha,  ganha depois de cerrada  luta pela secretária geral “popular”, Maria Dolores de Cospedal; esmagadora derrota, com uma de maré “popular” na  Andaluzia, a pátria de Felipe Gonzalez, tradicionalmente situada  à  esquerda; a confirmação das maiorias absolutas “ populares” , em Madrid de  Esperanza Aguirre, presidente de região, e de Alberto Ruiz-Gallardon, presidente da câmara municipal; a penetração da coligação de esquerda revolucionária nacionalista abertzale Bildu, considerada como  o braço político da  ETA, no País Basco.

 

Mais do que  uma vitória do  PP, que ganhou somente  500.000 votos, trata-se de uma derrota  do PSOE, que perde mais de 1,5 milhão de votos.

 

Num país onde poucos  são os  eleitores  que passam de um grande partido para um outro grande  partido, por outras palavras do PSOE para o PP  ou vice-versa, estes votos  foram captados por partidos nacionais como UPyD (União Progreso yDemocracia, partido jacobino  de centro esquerdo ganho por Rosa Diez, socialista dissidente), e IU (Izquierda unida, coalição marxista), ou  por partidos regionais como o PNV (Partido nacionalista basco, nacionalista basco de centro direita) ou  por CiU (Convergencia I Unio, coligação catalã  de centro direita).

 

A Espanha entrou, portanto,  na era pós-Zapatero. Os movimentos em curso e as eleições fazem apenas confirmar esta realidade. Tudo isto exprime, diferentemente mas sem  equívoco possível,  a grande vaga  da sociedade espanhola provocada pela grave situação que atravessa, bem como a falta de confiança quer no que diz respeito ao conjunto da classe política, quer no que diz respeito ao governo. “ Os Indignados”  estão  muito  longe de  terem  o monopólio da indignação.

 

A  algumas semanas das eleições, os barões socialistas tinham exigido e tinham obtido de Zapatero que anunciasse  publicamente que não se candidataria a  uma terceira legislatura. Esperavam assim evitar a hemorragia dos votos  anunciada por todas as sondagens, preferindo apresentarem-se sem candidato à sucessão de Zapatero, do que se apresentarem   com ele. Em vão.

 

Imediatamente depois das eleições, alguns tenores socialistas, como  Patxi Lopez, lehendakari, presidente  do governo basco procedente de uma coligação  atípica a nível regional do PSOE e do PP, aceleraram  o processo de nomeação de um candidato socialista às eleições. A escolha levou-os  ao  Vice-Presidente do governo e ministro do interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, em desfavor  da  jovem ministro da defesa, Carme Chacon, que fez “ uma grande caixa ” em toda a imprensa internacional quando passou as tropas  em revista, grávida  de sete meses, aquando da sua entrada ao governo.

 

Ambos  apareciam desde há alguns meses como os  possíveis herdeiros. É provável que a grande experiência de um homem especialista em questões  do terrorismo pesou na balança, no momento em que Bildu efectua um avanço espectacular e se torna   a segunda força política no País Basco, atrás do PNV, com 25% dos votos. As fugas de WikiLeaks, abundantemente retransmitidas pelo diário El Pais, mostram  a que   ponto os Americanos consideram Pérez Rubalcaba como um formidável animal político. Um simulacro de primárias abriu-se 1 Junho e encerrar-se-á a 15 de Junho.

 

Excepto qualquer surpresa improvável, Rubalcaba será por conseguinte o candidato socialista às próximas eleições legislativas. A questão que se levanta   é a de saber  se Zapatero, que continua ser o primeiro ministro e a ser o  secretário geral do PSOE, poderá  permanecer   no comando,  do seu governo e do seu partido, ou se dever convocar um congresso extraordinário do PSOE e/ou  convocar  eleições parlamentares antecipadas.        

 

A Espanha, economicamente KO, está a ser  dirigida por um homem politicamente KO. Pode a Espanha  permitir que assim seja?

 

Se a probabilidade de evitar uma vitória do PP  nas  eleições gerais parece agora  ténue, o PSOE vai  procurar  diminuir a distância que separa  os dois partidos maioritários nas últimas eleições  e que aumentou, de acordo com as  últimas sondagens, de 13 para 15 pontos em percentagem. A questão  não é pois  tanto saber se o PP vai  ganhar as eleições, mas se obterá ou não a maioria absoluta. Ora “o Partido Popular”  é  caracterizado por uma ausência de programa.

 

A sua campanha eleitoral e, de maneira mais geral, a sua estratégia política assentam  sobre a crítica das medidas governamentais. Espera-se sempre da parte dele  propostas precisas. Duvida-se  que venham a impor  medidas de austeridade à maneira de  James Cameron, mas sem outra precisão. Este silêncio, que lhes serviu até agora , poderá voltar-se contra eles. Ouvem-se já  vozes no partido contra o  mutismo de  Mariano Rajoy, o seu presidente. Os mais  pragmáticos  assinalam que a margem é tão estreita para uma Espanha encosta de tal modo à parede  como ela  está  que o governo, qualquer que seja a sua cor  política, poderá apenas aplicar as medidas que lhe forem  ditadas pelo Fundo Monetário  Internacional (FMI), pela  Comissão Europeia e pelo  Banco Central Europeu (BCE). Neste caso, para quê  então  tanta discussão!

 

Uma outra notícia passou despercebida na imprensa internacional: o rei Juan Carlos não navegará este verão, como era seu  hábito  fazê-lo nas suas férias de Verão, para Palma de Maiorca . Não terá mais a seu cargo a direcção do leme dos eu barco . Às perguntas que lhe  faziam  os  jornalistas sobre a sua saúde, respondeu com garra : “ estou  muito mal. Vocês gostariam de me ver morto  e dão-me diariamente um murro no  estômago  na imprensa. »

 

A Espanha estará ela  a perder o seu timoneiro , o monarca que soube restaurar a democracia no seu país e é o chefe de Estado muito pouco contestado desde o dia 22 de Novembro de 1975? Deve a Espanha preparar-se para o após Juan Carlos?

 

Sylvia Desazars de Montgailhard



publicado por Luis Moreira às 20:00
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2011
A Europa em contra-relógio Martin Wolf-Financial Times, Le Monde

enviado por Júlio Marques Mota

 

Albert Einstein terá  um dia declarado que a loucura consistia em  fazer e refazer a mesma coisa e com isso esperar  obter resultados diferentes.

 

Na base deste  critério, o acordo que está quase concluído com a Grécia parece insensato. A sua única justificação é que se tem  necessidade de  ganhar tempo. É uma má estratégia. É necessário tomar medidas mais radicais.

 

A questão que é necessário colocar-se a respeito da Grécia não é tanto saber se vai  assumir uma situação de incumprimento mas sim de saber se esta situação quando se der será  suficiente para  voltar a dar uma saúde razoável à economia grega. Duvido fortemente. O país parece demasiado pouco competitivo para que isto lhe sirva como resposta. A situação de incumprimento  é uma condição necessária mas não suficiente para um regresso à boa saúde económica.

 

Os  resultados  na Grécia e  no âmbito do programa concluído em Maio de 2010 com o Fundo Monetário Internacional (FMI) é extraordinariamente  impressionante. Mas não teve êxito em tornar país de novo  solvente.

 

O “spread” (desvio de taxas) entre as obrigações gregas e as alemãs com a maturidade de dez  anos passou de 460 pontos base  (4,6 pontos de percentagem), depois do programa ter sido  anunciado, para  1.460 pontos de base, ou seja, 14,6%.

A mesma coisa para a Irlanda e para Portugal

 

A mesma coisa, ou quase , se passou  com  a Irlanda e Portugal. Mais perigoso  ainda, mesmo os spreads espanhóis atingiram 270 pontos base. A Grécia, a Irlanda e Portugal não têm nenhuma possibilidade de poder, num futuro próximo, conseguir contrair empréstimos  nos mercados a  taxas suportáveis.

 

O que  há de  particularmente deprimente  no caso da Grécia é que este alargar dos  spreads se verificou  apesar de desempenhos satisfatórios.

 

O programa original partia da hipótese que o produto interno bruto (PIB) grego cairia 4 % em 2010, seguidamente de 2,6% em 2011.

 

De acordo com o balanço publicado em Março, os números reais revelaram-se apenas ligeiramente superiores, ou seja respectivamente 4,5% e 3%.

 

O défice público estava previsto à partida à 8,1% do PIB para 2010 e 7,6% para 2011. De acordo com este mesmo balanço de Março de 2011, o défice atingiu apenas 9,6% em 2010 e 7,5% em 2011.

 

INSUFICIENTE POR QUATRO RAZÕES

 

Mesmo no que diz respeito ao défice das contas correntes, os 10,5% registados em  2010 e os 8,2% previstos para 2011 no balanço de Março passado são dificilmente piores que as previsões iniciais, respectivamente de 8,4% e 7,1%. Infelizmente, está  muito  longe de  ser suficiente, por quatro razões.

 

Em primeiro lugar, o perfil da dívida, que era já de loucos , ainda  se  agravou: o programa inicial previa que o rácio da dívida bruta em relação ao PIB atingiria um  PICO de 149% do PIB em 2012. Ora, de acordo com o balanço de Março passado, já terá  atingido 159%.

 

Além disso, a economia grega parece extraordinariamente não competitiva. O indicador mais impressionante é a combinação de um défice ainda enorme das contas - correntes e uma profunda recessão. Este défice externo já não pode continuar a ser  financiado pelo  mercado.

 

Em terceiro lugar, constata-se que as perspectivas relativas ao défice das contas - correntes degradam-se claramente: à partida, o FMI previa que o défice se estabeleceria  em  2,8% do PIB em 2014; no seu balanço de Março de 2011, fixa-o agora em  5,5% do PIB.

 

Em quarto lugar, e  por último, sem um forte aumento das exportações, será impossível à Grécia renovar  com um crescimento sustentado. Ora tal aumento exigirá uma forte redução dos custos nominais.
Ainda que isto seja possível, o que eu duvido, desta hipótese  resultaria então um novo aumento do rácio da dívida em relação ao PIB.

 

O cepticismo do mercado quanto à capacidade da Grécia voltar a ser  solvente é justificado. Este assenta  sobre a tomada em consideração de dois factos: a dívida maciça e a falta de competitividade.

 

O facto de que o povo grego não queira suportar as consequências dolorosas torna completamente inconcebível o que era já pouco provável.

 

Neste caso, o que é  que justifica que se seja fortemente teimoso  em atribuir novos empréstimos se, ao fazê-lo,  se faz deslocar  uma parte crescente das dívidas do governo grego sobre as contas  do sector público? Vejo quatro argumentos.

AJUDA-SE OS SEUS PRÓPRIOS BANCOS

 

O primeiro é que esta estratégia esconde  a situação dos credores  privados. É muito menos embaraçoso declarar que se ajuda  a Grécia enquanto que realmente se está a ajudar  os seus próprios bancos. Se os credores  privados dispuserem de suficientemente tempo, poderão vender os seus empréstimos ao sector público ou registá-los como perdas e lucros  sem injecções de capitais por parte dos Estados.

 

O segundo argumento é que a estratégia de estar a retardar  permite a outros países de se colocarem eles-próprios em  ordem  antes de uma declaração de incumprimento  grego e, talvez, de uma saída em catástrofe da zona  euro. Se estes acontecimentos se produzissem  agora, teme-se,    assistir a um desfazer  maciço da dívida soberana e a uma corrida sobre os bancos nos países frágeis, com efeitos devastadores.

 

O terceiro argumento é o de que é possível que a Grécia se livre ainda. Atribuir o máximo de apoio ao país torna pelo menos essa hipótese praticável.

 

O quarto argumento é que o FMI considera que a Grécia registará um défice orçamental primário (sem o pagamento dos encargos, os juros,  da dívida) de 0,9% do PIB este ano. Assim  a transferência líquida  de recursos far-se-á com vantagem para o sector público grego. Tanto quanto for assim, e é por agora assim, uma situação de  incumprimento não tem nenhum sentido.

 

Em termos aproximados, estes argumentos são convincentes de acordo com uma ordem crescente.

O primeiro argumento foi utilizado para justificar a política da recusa que precipitou a América Latina na sua “década perdida” dos anos 80. O argumento parecia imoral à época e ainda o  parece  hoje . As perdas devem ser reconhecidas e os bancos devem ser recapitalizados.
O segundo argumento parte da hipótese que a posição grega continua a ser misteriosa. É no entanto evidente que a  desobrigação  em relação a outras jurisdições  frágeis está já a ser feito.

O terceiro argumento não é ridículo, mas uma  tal saída feliz parece improvável tendo em conta a situação na qual se encontra  a Grécia.

 

O último argumento é justo. Mas vale para uma curta suspensão, não para uma batalha prolongada.

 

No caso grego, a saída parece inevitável. Não vejo qual a  vantagem que haveria em que  a Grécia declarasse a situação de incumprimento no que diz respeito ao seu sector público ao fim  de anos longos de grandes esforços em vez de o fazer   face  ao seu sector privado nos próximos  meses.

 

O melhor seria agir de maneira preventiva. Um dos aspectos desta prevenção consistiria em  consolidar os outros membros e sistemas financeiros frágeis da zona euro. Num caso pelo menos, o da Irlanda, isso  deverá sem dúvida passar por uma reestruturação da dívida. Mas isso  exigirá  também que se  progrida  para um sistema financeiro único para o conjunto da zona euro, com um apoio orçamental correspondente.

 

Mas a principal exigência do momento é a de reconhecer a desagradável realidade.
.

Chegou a hora de obrigatoriamente reconhecer a dura realidade a que a Grécia está a ser sujeita e de agir imediatamente sobre as consequências que terá para os seus parceiros.

 

Martin Wolf, Grèce : l'Europe joue la montre,  LE MONDE ECONOMIE | 27 de Junho de 2011



publicado por Luis Moreira às 20:00
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Eurointelligence Daily Briefing

enviado por Julio Marques Mota

White flag over Frankfurt

  • European Central Bank suspends minimum credit rating threshold for collateral eligibility for Portugal;
  • decision effectively implies that the ECB will do whatever it takes to maintain liquidity in Greece as well;
  • governing council said it judges the Portuguese government’s policies to be sufficient;
  • but Trichet yesterday firmly ruled out a medium-term Irish financing facility;
  • ECB also raises interest rates to 1.5% as expected;
  • decision came under fierce criticism from Ireland’s opposition leader, who called it foolish;
  • no further increases in interest rates expected for now;
  • Jan Kees de Jager says EU should force a Greek default;
  • Trichet hardens the ECB’s line against a private-sector participation;
  • bankers are hopelessly stuck in their debate on modifying the French rollover proposal;
  • Jean-Claude Juncker says rating agencies have anti-European bias, and should not downgrade countries that were currently undertaking reforms;
  • in the latest escalation of Belgium’s political crisis, NV-A rejects di Rupo’s coalition offer;
  • Giulio Tremonti warns of a breakdown of civil society in Italy;
  • Anshu Jain, meanwhile, looks to be the favourite to succeed Joseph Ackermann at Deutsche Bank.

________________________

The European Central Bank suspended the minimum credit rating threshold for collateral eligibility in the case of Portugal. The ECB’s governing council said it supported the Portuguese adjustment programme, and judged that progress to far had been appropriate. Given the Portuguese government’s commitment to implement the programme in full, the governing council decided to suspend the rules “also from a risk management perspective”. Market participants immediately interpreted the news as signifying that the ECB will continue to supply liquidity irrespective of what the rating agencies do – and this will almost certainly apply to Greece as well.

 

Trichet also ruled out that the ECB will agree a medium-term Irish finance facility. Mr Trichet said this was not a possibility.

 

Oh, and the ECB also raised the refinance rate to 1.5%, as expected. Jean-Claude Trichet did not signal any further rate rises. Micheál Martin, leader of Ireland’s Fianna Fáil, called the decision foolish, and said the ECB was now actively contributing to the crisis. Mr Trichet said the governing council had not decided on a series of further interest rate increases, which suggests that this is the last rise for now. The recent economic data, and sentiment indicators, suggest that economic growth was heading down again.

 

 

Dutch finance minister advocates Greek default

Jan Kees de Jager, the Dutch finance minister who recently advocated that more Scandinavians should join the ECB’s governing council, has now had another brilliant idea. He wants to throw caution to the wind, and force participation of private bondholders, irrespective of what the rating agencies say. This is what he told Financieele Dagblad (hat tip FT): “I think we have to accept that a voluntary contribution is unrealistic... If a mandatory contribution from the banks leads to a short-term and isolated rating event, that is not so bad, because Greece cannot go to the credit markets anyway now or in the near future.”

 

Despite the decision to relax collateral requirements for Portugal, Mr Trichet hardened the ECB’s line on defaults during his press conference. He said one should not presume that private sector involvement was normal.

 

(We should not be surprised that rating agencies start to lower ratings of eurozone member states pre-emptively, if European finance ministers talk so loosely about default. Of course, a default rating would not affect Greece’ access to capital markets right now, but as we have seen in the last few days, fear of a default spreads like wildfire.)

 

 

No progress on a new bank rollover proposal

Reuters has all the details of the latest futile attempt by bankers to agree a new rollover package. Finance chiefs, meeting under the auspices of the IFC, failed to make any progress at a meeting yesterday. It was the latest in a series of meetings in recent weeks, but there was little sign of a deal, according to Reuters, which said that Thursday's meeting broke up after four hours with no conclusion. The article quoted an Italian source as saying that the meeting discussed issues beyond the French rollover plan.

 

 

Europe’s confusion over ratings agencies

Europe’s muddled thinking on rating agencies was well reflected by a statement of Jean-Claude Juncker, who like so many other politicians was convoluting two issues when he  said yesterday, first, it was wrong for a rating agency to downgrade countries that were in the process to undertake reforms, and, second, that Europe needs its own agency.

 

(It looks like he does not understand how rating agencies work. If Europe had its own independent credit rating agency, chances are that it would probably come to very similar conclusions as S&P, Moody’s and Fitch if it operated under a similar business model. Or does Juncker want the eurogroup to control the rating agency directly? In that case, the eurogroup or the ECB might as well produce their own ratings. But this is precisely what they have avoided in the past for political reasons. The European position on rating agencies has always been duplicitous. Also, the purpose of ratings is to signal a default probability to investors, not to reward government reform efforts. The rating agencies have simply lost confidence in the political process. So have other observers, like us.)

 

 

N-VA rejected di Rupo’s government bid

The Flemish separatist N-VA rejected the note from Elio Di Rupo, saying that it does not form a basis for successful negotiations and that the Flemish will have to foot the bill. It is not clear what happens next. All French-speaking parties and a number of Dutch-speaking parties had already agreed on the note as the basis to restart coalition talks. In theory they could press ahead with discussions, but they are reluctant to do so without the N-VA. De Morgen writes that the tenor of most comments in Flemish newspapers today is that new elections are now inevitable, though De Standaard notes that there is not a sufficient majority to dissolve parliament for this. The Belgian king Albert II had ruled out new elections so far. Consternation on the Flemish side, despair on the francophone side. Le Soir titles “ceci n’est plus un pays” (this is no longer one country).

 

 

Italy on the verge of a nervous breakdown

The crisis has hit Italy full force. Speaking at a meeting of the country’s agricultural industry association, Giulio Tremonti pained the future of Italy in dramatic terms: either the country manages to balance the budget, or the country’s civic society ceases to function. "If we don't get the budget into balance, there will be a disaster," he said. Yesterday the yield spread to German bunds reached its highest level since the start of the euro, with Italian 10 year yields reaching 5.2%. The country’s recent economic data have been disappointing, which has heightened alarm about the sustainability of the country’s debt, which now stands at 120% of GDP.

 

 

Anshu Jain likely to succeed Ackermann at Deutsche Bank

After Axel Weber’s decided to work for UBS, Deutsche Bank came under pressure to settle the succession of Josef Ackermann. According to Frankfurter Allgemeine Zeitung it will be Anshu Jain, the Indian born investment banker who is heading the bank’s London investment bank operations. But given the huge political role of Deutsche in Germany (it was Ackermann who effectively designed the bailouts for HRE during the financial crisis) und his nonexistent German language capabilities Jain will have a co-head. The most likely candidate is Jürgen Fitchen, currently responsible for the bank’s business in Germany. There had been speculation that Ackermann will become president of the supervisory board, as Spiegel Online reported, but FAZ reports that those speculations were premature.

 

 

Spreads, Forex, and ZC Swaps.

Those bad numbers are sticky. Italian, Spanish and Portuguese spreads unchanged, euro down.

 

 

Previous Day Close

Yesterday’s Close

This morning

France

0.426

0.393

0.392

Italy

2.190

2.194

2.194

Spain

2.690

2.661

2.653

Portugal

11.362

11.304

11.306

Greece

13.796

14.020

14.45

Ireland

9.776

9.941

10.381

Belgium

1.202

1.158

1.158

Bund Yields

3.245

2.97

2.97

 

 

Euro bilateral exchange rates:  

 

€at last Briefing

This morning

Dollar

+1.4320

+1.4338

Yen

+115.85

+116.51

Pound

+0.8965

+0.8989

Swiss Franc

+1.2023

+1.2112

 

 

Zero Coupon Inflation Swaps

 

previous close

last close

1 yr

1.77

1.96

2 yr

1.86

2.03

5 yr

2.06

2.06

10 yr

2.22

2.37

 



publicado por Luis Moreira às 18:00
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Domingo, 10 de Julho de 2011
Isto não deveria ser sobre a austeridade - por Ariana Huffington

Enviado por Julio Marques Mota


Dado que foram os gregos que inventaram a democracia, é justo que lhes seja agora dada a oportunidade de a  reinventar. Ah, sim, eu sei que os gregos têm uma reputação de criação de mitos e de  dramas - mas, como eu descobri durante a minha viagem à Grécia na semana passada, esses são realmente os seus apoios.

Até  ter ido à Grécia  e testemunhado o que aí está a acontecer , também estava convencida de que os grandes problemas reais eram aqueles que os meios de comunicação estavam obsessivamente a cobrir: os efeitos de uma potencial situação de um  incumprimento  soberano sobre o euro e as grandes preocupações sobre a crise se espalhar  para os outros países europeus.

 

Mas é aqui que está o maior problema: pode um movimento verdadeiramente democrático romper o ciclo da elites corruptas e das poderosas forças institucionais anti-democráticas que têm vindo a caracterizar não só a política da Grécia, mas a maioria das democracias ocidentais, incluindo a nossa própria democracia, a americana? A Grécia é apenas um exemplo extremo de um  vir claramente à luz do dia esta  sísmica mudança  social que é também um desafio às democracias em todo o mundo.

O que está a acontecer na Grécia, pode muito bem dizer-nos se a democracia se irá  recuperar da crise de legitimidade exacerbada  pela crise financeira ou se ela   vai ainda piorar  - minada pelas enormes  forças que em primeiro lugar nos trouxeram esta  crise.

É muito cedo para se dizer se as forças da democracia irão  prevalecer, mas saí extremamente comovida e sensibilizada com a coragem, a paixão, o empenho e a dedicação que testemunhei durante uma viagem em que três diferentes perspectivas são convergentes.

Em primeiro lugar, havia a Praça.

Os acontecimentos na praça Tahrir Square no Cairo  foram as  grandes notícias  durante semanas no início deste ano, mas pelo que nos estão a mostrar  na América, não saberíamos  que há uma cena muito semelhante está a verificar  em Atenas. Não são apenas  uma questão de semelhança de espaço físico , não são apenas  os dados demográficos dos participantes  e a forma   como que se estão a organizar, de modo  similar a Tahrir Square, mas são também as exigências que estão a  ser feitas. Em Atenas, o lugar do momento que atrai  milhares de pessoas por dia é Syntagma Square, situada  mesmo em frente ao parlamento grego.

O movimento tornou-se um acampamento permanente em Syntagma, com um número crescente de pessoas que se instalam na praça, prometendo não a deixar até que as suas exigências sejam  satisfeitas. É claro, os jovens estão aí bem representados - nenhuma surpresa quando o desemprego entre os jovens gregos se situa à altura de  40 por cento -, mas fiquei impressionada  com o vasto leque de participantes. Jovens, velhos, activistas, pensionistas, desempregados, trabalhadores por conta própria, todos eles estão lá, todos os dias e todas as noites. Como seria de esperar, vários partidos políticos e grupos organizados - alguns apelando  à violência - estão a tentar  cooptar a praça. De facto, na terça-feira, uma manifestação de 20.000 manifestantes que começou pacificamente desintegrou-se  quando um grupo na sua maioria constituído por  jovens começou a atirar pedras contra a polícia.

Como foi recentemente o caso em todo o mundo, os protestos estão a ser  alimentados pelos meios de comunicação social. Dado que os gregos sempre foram o máximo em  expansividade, em ligações  e intimidades, não é nenhuma surpresa que os media  sociais  se combinem bem maneira de ser dos gregos  para criar uma vaga  perfeita de empenho,  expressão e de  democracia. De acordo com Hellas MRB, de 2008 a 2010, o número de gregos a usarem  redes sociais cresceu cerca de  350 por cento. Actualmente, quase 92 por cento têm pelo menos uma conta nos  media  sociais, tornando muito mais fácil a coordenação dos  protestos através da página  de  Facebook - "Indignados  em Syntagma" (nome tirado do protesto espanhol, "Os indignados") - em  que mais do que 152 mil pessoas carregam na tecla “liked”.

Embora os media  sociais estejam a ser utilizados ​​para se conectar a praça ao o resto do país e ajudar  as pessoas, uma vez na praça, as pessoas estão a utilizara uma muito boa  interacção de uns para os outros para se conectarem  e se organizarem. Como Costas Douzinas, professor de Direito na Universidade de Birkbeck Institute de Londres, escreveu no The Guardian, "os paralelos com a ágora ateniense clássica, que se reuniu a algumas centenas de metros de distância, são mesmo  impressionantes."
A maneira  como funciona, explica Renee Maltezou da Reuters, é a seguinte:

Todas as noites, a "assembléia do povo" reúne e decide, por votação de mão  no ar,   o que será discutido. Um "comité de coordenação" voluntário e rotativo dá então um pedaço de papel com um número de ordem a  quem deseja  falar. Os oradores falam  durante dois minutos seguindo a ordem indicada no papel entregue . As pessoas , em seguida, votam, com os  resultados a serem rapidamente colocados num site. Como observa Douzinas, "nenhum problema está além da proposta e da discussão "  e nos participantes incluem-se  não apenas os estudantes, activistas e pensionistas, mas os economistas, professores e filósofos. Quando não há debate  nem votação , eles formam equipes para lidar com os primeiros socorros, para a recolha do lixo e nas comunicações - até há mesmo  uma equipa encarregada de serenar  eventuais ânimos e  para resolver uma ou outra disputa que possa surgir. .

Onde quer que eu fosse, fiquei sempre espantada  com o nível de empenho e dedicação  - não são apenas aqueles que estão fisicamente na praça que estão envolvidos.  O sentimento com que eu fiquei é de que toda a gente estava empenhada, jovens, taxistas, lojistas, vendedores, alguém que esteja sentado ao seu lado ou à sua frente ao jantar - todos eles estão a falar da mesma coisa.

"A experiência de ficar diariamente em pé e enfrentar  em oposição o  Parlamento mudou a política da Grécia para o bem e fez com que as  elites ficassem pela primeira vez preocupadas,", escreve Douzinas.  "A exigência que lhes é comum é que as elites políticas  corruptas  que têm governado o país desde há  cerca de 30 anos e o levaram agora até à beira do colapso devem  ir embora."

O que acontece na Grécia não é  muito  diferente do que tem vindo   a acontecer na América: um poucos ganham , mas quando as galinhas voltam para o poleiro,  os custos não são  distribuídos  de modo  igual - e de repente tudo o que aconteceu é culpa de todos nós.

Então, sim, há muita raiva e  muito ressentimento na praça - muito de tudo isto bem  justificado - mas há também uma incrível onda de esperança, e, considerando-se  que  as coisas estão muito  difíceis para milhões de pessoas na Grécia, há também aqui uma incrível ausência  de cinismo. Tudo isto  não é apenas um protesto "anti" - há também gente do  "pro" nisto."O que eu gosto desta praça é ver que as pessoas discutem  as coisas, que se exprimem sem medo", disse Stavroula Koloverou, estudante com  18 anos  "Queremos que o sistema   mude  e queremos também que todos os políticos tradicionais se vão embora. Queremos que as pessoas jovens que sofrem com este sistema ainda possam tem sonhos para assumir."

 

Ainda tenho sonhos - é uma prova do carácter grego quando muito do que agora  estão a viver  é verdadeiramente  um pesadelo." Eles não representam o povo grego, eles são o povo", disse Peter Bratsis, professor de teoria política na Universidade do Reino Unido de Salford. "Tudo isto está  fora do controle dos partidos políticos e isso é algo bem diferente."

 

A segunda perspectiva que eu tenho desta  minha viagem aconteceu durante o jantar com o primeiro-ministro grego, George Papandreou. Mesmo para aqueles que não seguem a política grega, provavelmente, reconhecem  o seu nome. Isso porque, como Tony Barber do Financial Times explica, Papandreou é um membro da " politikos kosmos ", a" casta semi-hereditária dos  entranhados  na política que tem governado e mal governado  a Grécia durante tanto tempo quanto a gente se possa lembrar . " Não foi só o seu  pai Andreas primeiro-ministro por dois mandatos, foi o seu avô que ocupou o cargo por três mandatos.

E a tarefa de confrontar o filho / neto é bem  digna dos grandes dramaturgos gregos. Como Barber  escreve , Papandreou deve agora salvar  o seu país através do  "desmantelamento do sistema de patrocínio verdadeiramente glutão e do parasitismo bem presente na Administração Pública  que  o seu pai  Andreas construíu."  Até agora tem sido uma estrada feita de pedra  bem dura  . Assumir o cargo no meio da crise, em 2009, a posse de Papandreou foi um acto de equilíbrio precário  a  tentar satisfazer as exigências draconianas da UE ao lidar com a agitação crescente e com a miséria económica do  seu povo. Conheci-o uma  semana antes, ele tinha acabado de sobreviver  a um voto de confiança.

 

Nós encontramo-nos  para jantar no Kastelorizo, um restaurante em Kifissia, um subúrbio de Atenas, onde o primeiro-ministro vive e onde, como aconteceu, foi onde eu nasci. Estávamos  juntos com a sua  esposa, Ada, que conheceu  há mais de 20 anos atrás, quando ele estava em campanha em Patras, no Peloponeso, onde ela nasceu.Comêmos  peixe fresco seguido de fruta fresca, falamos sobre os profundos problemas do país, mas também sobre todas as suas incríveis possibilidades. O ditado "a crise é uma coisa terrível a gastar" nunca foi tão   verdadeiro como agora na  Grécia. A decadência  levou tanto tanto  tempo a minar a sociedade  que só uma  grande crise poderia ter à  exigência generalizada de reformas. .

E embora muitos dos manifestantes acampados em Syntagma estejam claramente a  direccionar   as  suas frustrações em direcção à sua responsabilidade, o primeiro-ministro falou sobre elas com compreensão e com uma clara consciência não apenas da sua força e autenticidade, mas também do seu potencial. Poderá ele poder    aproveitar a sua energia, o seu  idealismo, a sua ingenuidade,  a sua  paixão?

"O que eles dizem está  correcto, temos que mudar", disse-me ele . "A corrupção está em toda parte - e mesmo quando mudamos as nossas leis não se pode erradicar a corrupção do dia   para a noite."  Ele está , foi que o me disse, a  tentar tornar  o governo mais transparente, colocando tudo o que  manda para aprovação no Parlamento  on-line antes mesmo que  chegue e seja  votada pelo parlamento. Ele também publicita as propostas de emprego disponíveis.  "Publicamos 87 aberturas de concursos", disse-me, "e recebeu 28.000 candidaturas  o que criou os seus próprios problemas na forma como se lidou com esta avalanche."

Mas o grande problema é que, como ele me disse, "A Grécia precisa de uma nova narrativa." Se ele pode  dar-lhe esta narrativa, não é certo,  mas este é claramente um homem que se irrita   com a imagem que os media estão a dar do seu povo . "Há tanta coisa boa que está a ser  feita, há tanta criatividade e  tanta inovação, que não estão a receber toda a atenção que merecem ", disse ele, "enquanto toda a gente está apenas a olhar para o que está disfuncional. "

Ele começou a falar-me de uma  mulher que começou com uma pequena propriedade a criar caracóis  em Milatos e que agora exporta caracóis para todo o redor do mundo. Ele também me falou de  um agricultor que plantou  olivais  em  Kritsa em Creta, cuja marca é  Lambda  e que agora é vendida  no Harrods. "Somos superabundantes em recursos", disse-me ele. A questão que ele está agora a enfrentar  é a de saber se qualquer  político remotamente associado à velha guarda - por mais bem-intencionado - pode ser aquele que se vai aproveitar  destes recursos e tirar partido daquilo que foi suscitado.  Sim, a Grécia é corrupta, e os problemas existem  e a todos os níveis. É um lugar onde viver com e pelas  regras passou a ser vistos como apenas como um comportamento de otário, criando-se  um sistema de clientelismo, em que cada um se fixa  a um indivíduo poderoso ou a uma máquina política para ganhar bem e  isto é   visto  como a única coisa inteligente a fazer.

Mas agora as pessoas andam a correr, literalmente, para retomar uma vida civicamente digna . As pessoas  querem começar de novo e refazer o que é bem público. As pessoas  querem novamente viver uma democracia real. E os meus contactos do dia a dia com os gregos  durante a minha visita permanecem na minha memória como expressão do incrível talento, das  capacidades  e dos recursos que estão a ser desperdiçados.

 

No entanto, a atenção  dos meios de comunicação social  fixa-se  no desagradável  e  circunscrito  debate   sobre a  austeridade. Em vez de um debate sobre a maneira de aproveitar os recursos humanos e naturais em que a  Grécia é rica, tudo o que se ouve é sobre a dimensão da redução dos serviços devem  ser reduzidos.  Bem, os gregos, esses não sabem ser mesquinhos.  São  muito  expansivos, e se há pessoas que  podem, com a sua humanidade, forçar a abertura neste debate perigosamente limitado, são os gregos. Porque este não é apenas uma  debate político - é um debate sobre o que vão ser as grandes linhas  daquilo a que chamamos democracia para o próximo século. As forças do status quo querem-nos  fazer acreditar que  a austeridade é a resposta - que é a resposta na Grécia, a resposta em Espanha, a resposta no Reino Unido e a resposta nos  EUA.  Mas também é claro que não são  só os gregos que querem algo mais da vida cívica do que estão realmente a receber actualmente.

Na verdade, a austeridade não é a resposta, mesmo no debate puramente económico. Como o mostra Michael Burke do Guardian, o problema que a  Grécia está a enfrentar  não é devido a ter gasto muito  . "As receitas fiscais em queda são o verdadeiro problema", escreve ele  da mesma forma  ", como os próprios cortes nas despesas têm   colocado a  economia numa   espeiral descendente. " Isto faz  também explodir um outro  mito grego (de  tipo recente ) prevalecente na Europa neste momento - que os gregos são preguiçosos, e que é daí  que  lhes advêm  os seus problemas de hoje. Como ele nos sublinha,  os gregos são  os segundos na Europa com mais horas por semana trabalhadas e são os primeiros na Europa em número de horas trabalhadas em fim-de-semana .

O que me leva à terceira perspectiva da minha viagem - inspirado pela Special Olympics. Tive o privilégio de participar no dia de abertura dos Jogos Mundiais de Verão como convidado do director da  Coca-Cola, Muhtar Kent, que faz parte do Conselho da Special Olympics. Se alguma vez  tiver a chance de ir a um evento da Special Olympics, faça-o, e vai ver como a sua vida ficará  muito mais rica por isso. Fiquei especialmente impressionada  com as palavras de Sua Santidade, Bartolomeu I, o chefe da Igreja Ortodoxa Oriental. Numa  pequena reunião que manteve com alguns dos atletas, ele chamou os jogos "um convite extraordinário para a cura."

 

E ao assistir às cerimónias de abertura, ficou para mim claro que ele não estava apenas a falar para  os atletas. A participação no triunfo do espírito humano em superar a adversidade é realmente uma cura. E o é que está a acontecer  na Grécia agora, parafraseando o Patriarca, é um convite extraordinário para se voltar a ganhar força de vontade, empenho . É um momento para  explorar o que há de melhor  em  nós, para cada um se  ligar  com aqueles que, como o estudante na Praça Syntagma, dizem  "ainda tenho sonhos", e, juntos, superarem os enormes desafios que se tem pela frente.

Como Tim Shriver, que dirige as Olimpíadas Especiais, colocou  ao acender a tocha olímpica no Kallimarmaro, um  estádio de  45.000 lugares, que foi sede dos  primeiros  Jogos Olímpicos modernos em 1896: "Apesar de todas as dificuldades e de todos os desafios que este país está a enfrentar, a Grécia não deixou de apoiar-nos, e os atletas da Special Olympics não deixarão de apoiar a Grécia. " Ele, então, apelou para  uma "revolução com dignidade, onde não haja  mais nós e eles" - um sentimento que claramente tem uma mais ampla ressonância dado tudo o que está a acontecer  na Grécia, como quando fez a sua declaração um dia antes sobre o Parthenon: "Há aqui um vento muito forte e frio, mas nós vamos vencer."

 

Espero com todo o meu coração que a Grécia, também. E não apenas porque é onde eu nasci e cresci, mas porque a luta dos gregos - a luta para recuperar a democracia - é a nossa própria luta também.

 

Ariana Huffington,  This Should Not Be About Austerity, 30 de Junho de 2011.



publicado por Luis Moreira às 20:00
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2011
Eurointelligence Daily Briefing - 7/7/2011

enviado por Julio Marques Mota

The crisis is back again in full force

  • A bad day for the eurozone’s periphery, as bond markets react to Moody’s latest downgrade of Portugal;
  • Portugal’s PM complains about a “punch into the stomach”, as credit default swaps reached an all-time record of 914 points;
  • EU government and the European Commission have threatened the rating agencies with reprisals;
  • Michel Barnier was mooting the idea of a rating ban for countries subject to a European programme;
  • the Paris meeting to improve the conditions of the French rollover plan descended into chaos;
  • Wolfgang Schäuble relaunches his controversial bond swap plan given the no-compromise position of the ratings agencies;
  • the Institute for International Finance proposes a bond buyback programme;
  • George Papandreou sets up a cross-party committee to calm down political tensions;
  • Christine Lagarde, in her first appearance as the IMF’s MD, hints at lower interest rates for Ireland;
  • she also calls on the Greeks to follow Portugal’s example of a cross-party consensus in favour of reform;
  • Schäuble seeks to increase privatisation revenues;
  • Guido Bohsem attacks Schäuble for his failure to repair the German budget;
  • Jean-Claude Trichet is today expected to announce his last interest rate increase;
  • Wolfgang Proissl says ECB is engaged in a poker match to regain its credibility, but with uncertain outcome;
  • the case against DSK continues after all;
  • the affair is overshadowing Martine Aubry’s presidential bid;
  • Manuel Valls says the Socialist party’s election manifesto was unrealistic;
  • the Greek government, meanwhile, has invited Germany’s president Christian Wulff to address the Greek parliament.

Eurointelligence Syndicated Column

EIP 1.0 – high time to address macroeconomic imbalances!

By: Guntram Wolff

This column argues that the euro zone has no time to waste for structural reforms given the risk of default of Greece. The new excessive imbalance procedure (EIP) could play a crucial role in fostering such structural reforms. If needed, the Commission should start the EIP procedure as early as September should countries such as Spain not deliver on their reform commitments.

 

_______________________________

Moody’s downgrade of Portugal was a crucial moment in this crisis. Peripheral bond spreads shoot up yesterday, approaching previous records during this crisis, as default fear has once again gripped the markets. Germany’s decision to relaunch its idea of an essentially involuntary bond swaps for Greek sovereign debt holders did not help improve market sentiment either.

 

Moody’s downgrade also incited indignant reactions from Portugal.  Prime minister Passos Coehlo called it a “punch into the stomach”, the chairman of Santander Portugal Nuno Amado “inappropriate”, and president Cavaco Silva saw“ not the slighted justification” for this downgrade. Interest rates for all maturities increased, reaching record levels especially at the three year horizon. Credit default swaps, the insurance against a government default, surged to 914 points, the highest value ever.

 

The political response to Moody’s downgrade and to S&P decision to kill the French debt rollover proposal) was furious. After S&P correctly concluded that a coerced default should be rated like a coerced default, EU governments and the European Commission reacted angrily, and threatened the rating agencies with a loss of their oligopoly in Europe. Michael Barnier went as far as to call for a ban a rating on countries subject to a European bailout programme, while calling on them to “respect EU rules”. (not clear to us which rule had been broken) Reuters reports that Portuguese bankers want the EU to set up its own rating agency, presumably to give policy-compliant ratings. Schäuble said yesterday that the Portuguese downgrade was unjustified because Portugal was way ahead in the implementation of the troika’s recommendations. Speaking – as he does these days - in his unofficial capacity as Portugal’s EU spokesman, Jose Manuel Barroso also wondered yesterday that “it seems strange that there is not a single rating agency coming from Europe. It shows there may be some bias in the markets when it comes to the evaluation of specific issues of Europe."

 

(The rating agencies have not broken any rules, nor are they anti-European. They have been calling the French rollover scam for what it is. As for Moody’s rating for Portugal, we find it completely coherent that the agencies are taking the cacophonous EU policy process into account when issuing a rating. It is perfectly rational for Moody’s to say that Portugal will eventually need a second loan programme, and that, given German and Finnish politics, you cannot take this for granted. Schäuble’s comment that Portugal was ahead in implementing the measures misjudges what the rating agencies do: they provide an opinion on default probability. We would consider a Ba2 rating as still relatively generous, considering the country’s net external debt. )

 

 

Paris meeting descends into cacophony and chaos

Wolfgang Schäuble yesterday put the old German bond swap plan back on the table, under which existing debt would be swapped for longer-dating debt. He was essentially arguing that if the rating agencies say No to everything, we might as well do it properly, and get as much money out of the Greek bondholders as we can. The FT has a very good report on this, and on the parallel process in Paris, where bankers had been discussing changes to the French rollover plan, which is now essentially dead. The meeting in Paris descended into chaos, with everybody reiterating long-held opinions. The FT quotes one participant as saying that the revival of the Schäuble plan was indicative of the fact that the people involved in this process had insufficient technical understanding. The article also makes the point that the Institute for International Finance advocates the idea of a voluntary bond buyback, with EU/IMF money, which in their estimate could raise some €40-50bn. Another round of talks – with a small group of participants – is scheduled for today in Rome, according to the article.

 

 

Papandreou sets up cross party parliament committee to calm down tensions

George Papandreou announced on Wednesday the formation of a cross-party parliamentary committee with the aim of rebuilding trust in the country’s institutions and countering cases of extreme behaviour by politicians, protesters and the police, Kathimerini reports. The premier voiced alarm about the increasing number of attacks by voters on politicians, which has caused a row between ruling PASOK and the Coalition of the Radical Left (SYRIZA). The committee is also to scrutinise police conduct, as the police were criticized last week for being overzealous.

 

 

Lagarde hints at fairer interest rate deal for Ireland

Christine Lagarde has hinted that Ireland could get a fairer deal with her in the driving seat, the Irish Independent reports. In her maiden address as a new head of the IMF she said ““There is no one category of country that deserves special treatment and another one that will receive harsh treatment." An EU/IMF team is currently in Dublin assessing Ireland’s progress under the programme.

 

 

Lagarde asks Greece to imitate Portugal’s political consensus on reform

In this first press conference as the IMF’s new MD, Lagarde also asked Greece to look at Portugal’s cross party consensus for a tough reform program and to be inspired by this, according to Frankfurter Allgemeine Zeitung. Lagarde further announced that the IMF’s executive board will meet on Friday to decide the disbursement of its next loan tranche to Greece.

 

 

Schäuble wants to increase privatization revenues

Presenting his budget in the cabinet meeting Wolfgang Schäuble said he wants to increase privatization revenues to €5.1bn, according to Financial Times Deutschland. Potential candidates for a sell-off are Telekom, in which the government still has a 34% stake, Deutsche Post with a public stake of 3.5% via the public KfW bank or the public real estate company TLG. In a separate article the paper reports Schäuble grudgingly agreed to limited tax cuts.

 

 

Guido Bohsem attacks Schäuble for his failure to repair the German budget

Writing in Süddeutsche Zeitung Guido Bohsem attacks Wolfgang Schäuble for his failure to use the exceptionally high tax receipts to seriously reduce the debt level and to put the budget back on a sustainable level. Bohsem warns that the planned tax cuts and additional expenditure for reform of the army and the exit of nuclear energy mean very tough future cuts in the budget since Germany will have to respect the tight limit’s of its constitutional debt break.

 

 

Jean-Claude Trichet’s last interest rate hike

Les Echos  expects Jean-Claude Trichet to announce his “last interest rate hike” at today’s meeting of the ECB’s governing council before retiring by the end of October. Markets, economists and ECB watchers are unanimous that the ECB will raise its interest rate by 25bp from 1.25% to 1.50%. Bundesbank president Jens Weidmann, who yesterday participated in the German government’s discussion on the 2012 budget, told the cabinet that inflation in Germany was to ease in the second half of 2011, Financial Times Deutschland writes. Lower inflation in the largest eurozone economy would strengthen the thesis that the ECB will be less in a hurry to hike rates further. Meanwhile FTD polled bank economists who in their majority support the view of the Bank of International Settlement that persistently low interest rates in advanced economies were co-responsible for the build-up of speculative bubbles in emerging economies like China, India and Brazil 

 

 

Wolfgang Proissl sees the ECB engaged in big poker match to safeguard its credibility

Writing in Financial Times Deutschland Wolfgang Proissl explains that the ECB is engaged in a crucial poker match with the eurozone governments. The central bank’s refusal to accept Greek government bonds should they be downgraded to a default level is intended to force the governments to put up enough money and to design institutional solutions so that the rescue program for Greece will be perceived as credible. The ECB’s aim is to get back some of the credibility it has lost in the past 18 months as a result of its SMP program and its loosening of collateral requirements for Greece and Ireland. But if worst comes to worse, the ECB’s tough stance will turn out to be a bluff because the central bank will continue to be flexible and help saving the euro.

 

 

Greek government invites German president to address parliament

The Greek government officially invited German president Christian Wulff to address the Greek parliament, mass circulation daily Bild reports. This political gesture is intended to ease tensions that have arisen between the two countries in the context of the bailouts of Greece. Speaking to Bild the new Greek foreign minister Stavros Lambrinidis asked Greeks and Germans to stop pointing fingers at each other, to shake hands instead and to cooperate.

 

 

DSK investigation overshadows Aubry’s presidential bid

The meeting between DSK’s lawyers and representatives of the New York disctrict attourneys did not lead to dropping the charges against the former French presidential hopeful, Le Figaro reports. The DA’s office yesterday published a communiqué saying that the proceedings continued. Le Monde has a story saying that despite the doubts about the victim’s credibility, her first medical examination shortly after the alleged rape seemed to support the rape charges. Meanwhile the lawsuit in the US and the potential rape charges in France totally overshadow the attempts of the Socialist’s party chairwoman Martine Aubry to start her campaign for the Socialists primary elections in October, Le Figaro writes in a separate piece.

 

 

Valls questions Socialist’s key electoral promises

Manuel Valls, another Socialist presidential election hopeful, questioned the key promises in the party’s bid for the presidential elections, Les Echos writes. About the pledge to create 300.000 jobs for young people he said: “Obviously I don’t believe it”. On the promise to go back on the retirement age from 62 to 60 years, he commented: “There will be no return to 60 years.” The Socialist’s promises prompted the influential public thinker Alain Minc and others to predict France’s loss of its AAA rating should a socialist win the presidential elections in 2012.

 

 

Spreads, Forex, and ZC Swaps.

Back in full crisis mode. Portuguese, Irish, Italian and Spanish spreads shoot up after Portugal’s downgrade. Euro down.

 

 

Previous Day Close

Yesterday’s Close

This morning

France

0.372

0.426

0.432

Italy

1.993

2.217

2.205

Spain

2.486

2.690

2.698

Portugal

9.177

11.362

11.429

Greece

13.530

13.796

14.43

Ireland

8.760

9.776

10.148

Belgium

1.094

1.202

1.213

Bund Yields

3.245

2.933

2.945

 

 

Euro bilateral exchange rates:  

 

€at last Briefing

This morning

Dollar

+1.4452

+1.4320

Yen

+116.81

+115.85

Pound

+0.8986

+0.8965

Swiss Franc

+1.2133

+1.2023

 

 

Zero Coupon Inflation Swaps

 

previous close

last close

1 yr

1.83

1.77

2 yr

1.85

1.86

5 yr

2.02

2.06

10 yr

2.21

2.22



publicado por Luis Moreira às 16:00
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
Uma segunda nota aos leitores e visitantes de Estrolabio por Juio Marques Mota 2

Uma segunda nota aos leitores e visitantes de Estrolabio

O Expresso chamou-me a atenção para um debate que terá havido em que alguém se terá reclamado de Professor Doutor Catedrático de modo a distinguir-se do seu aparente opositor, que seria apenas Professor Doutor. O senhor de Professor Catedrático a reclamar-se dá pelo nome de António Nogueira Leite e o segundo foi o ex-ministro Manuel Pinho, o tal dos dois esticadinhos a quem uma empresa portuguesa pagou, bem pago, para dar umas aulas na Universidade de Columbia, onde terá recebido o nosso primeiro-ministro de então, José Sócrates. Uns  para os outros estão, portanto.

 

Simplesmente num outro dia dei por mim a olhar para um debate na televisão e fixei a minha atenção porque nele participava alguém que desde longa data muito estimo, o engenheiro João Cravinho. E foi bom de novo ouvir o senhor Professor Doutor de Catedrático reclamado a falar da crise.

 

O tempo passa, a situação económica e social em cada país pela crise atingida degrada-se e os relatórios mundiais que nos falam com números sobre a acumulação de riqueza dizem que o volume de riqueza em activos já ultrapassou os valores de 2007. Os ricos estão mais ricos, os pobres estão mais pobres. A equação é simples. É o que nos diz o relatório da Merrill Lynch e Capgemini, é o que nos diz o relatório de Boston Consulting Group, ambos de 2011. É o que nos dizem os relatórios de qualquer grupo produtor de bens de grande luxo, quando referem que a crise por lá não passou.

 

Nesse debate que nos propunha o senhor Professor Doutor de Catedrático reclamado? Que se passasse por cima do que aconteceu, que se deixasse de andar à procura de culpados, que olhássemos para o futuro. Seria mais ou menos isto que eu ouvi e lembro-me bem da resposta do meu amigo João Cravinho que lhe respondeu que assim o senhor nunca saberá as causas da crise e portanto nunca estará em condições de evitar uma próxima crise, possivelmente bem perto, terá inclusive João Cravinho avisado.

 

Por proposta do Carlos Loures foi-me pedido uma peça para no nosso blogue falarmos sobre o 4 de Julho, sobre a independência dos Estados Unidos, para falarmos da liberdade ou da falta dela. Aceitei e decidi-me virar para vários documentos fundamentais sobre a crise económica e financeira. O povo português, espoliado por um governo de subservientes do grande capital, conjunto liderado então por José Sócrates, substituído agora por um outro com gente mais nova que crê ainda mais na necessidade de o povo português continuar a espoliar, sabe pouco sobre a crise. Eu próprio que por estas águas ando pouco ou mesmo nada sei.                                                                                                                                  

Estarei um pouco como Donald Rumsfeld a propósito do que sabemos que sabemos, (known, known), a propósito do que sabemos que não sabemos (know, unknown) e do que nem sequer sabemos que não sabemos, (unknown, unknown). Da crise todos sabemos pouco, os que dela e com ela se preocupam, pelos dados que temos, mas sabemos as incógnitas que não sabemos, aquelas cujos dados nos escondem e que queremos conhecer para a crise poder entender e aos principais responsáveis responsabilidades vir a querer, e sabemos também que há as incógnitas que nem sequer sabemos que não sabemos, que estão talvez fora do nosso quadro mental para perceber a realidade e portanto desse quadro excluídas.               

 

Se alguma analogia haveria aqui diríamos que nós estamos nos dois primeiros conjuntos enquanto o senhor Professor Doutor de Catedrático reclamado no terceiro caso poderá então ser colocado. Quisemos então aguçar o apetite aos nossos leitores, aos nossos visitantes do Estrolabio, propondo-lhes a leitura de longos excertos de um relatório produzido por uma Comissão nomeada pelo Presidente Obama com o objectivo de investigar os mecanismos da crise. A esta comissão chamou o New York Times de Comissão Pecora II, por homenagem a Ferdinand Pecora, o homem que levou à descoberta dos mecanismos e dos meios utilizados que levaram à crise de 29-33 do século passado e que por essa via levou à construção de um conjunto de leis que durante décadas de uma nova crise deste tipo nos defenderam. Passo a citar:

 

1. Na primeira metade do século 20, nós criámos uma série de protecções — o Federal Reserve como um emprestador de última instância, o seguro federal para os depósitos, amplos regulamentos para fornecer uma protecção contra as situações de pânico que tinham regularmente flagelado o sistema bancário da América no século XIX. No entanto, nos últimos 30 anos ou mais permitiu-se o crescimento de um sistema bancário sombra, opaco e assente no enorme volume de dívida de curto prazo, que rivalizava com a dimensão do sistema bancário tradicional. As componentes chave do mercado, por exemplo, os multi millhões de milhões de crédito do mercado repo, as múltiplas entidades fora do balanço, bem como a utilização de produtos derivados OTC (negociados fora da bolsa) estavam assim fora da vista, escondidos, sem as protecções que tinham sido criadas para evitar os colapsos financeiros. Nós tínhamos um sistema financeiro do século XXI com as salvaguardas do século XIX.

2. O sistema financeiro que analisámos tem pouca semelhança com o sistema financeiro da geração dos nossos pais. As mudanças nas últimas, só três últimas, décadas têm sido notáveis. Os mercados financeiros tornaram-se cada vez mais globalizados. A tecnologia transformou a eficiência, a velocidade e a complexidade dos instrumentos financeiros e das transacções. O acesso e a redução do custo de financiamento atingem níveis nunca antes alcançados. E o próprio sector financeiro tornou-se uma força muito mais dominante na nossa economia.

3. A maior tragédia seria aceitar o refrão de que ninguém poderia ter visto a crise aparecer e, assim, que nada contra ela poderia ter sido feito. Se aceitarmos essa ideia, a crise vai acontecer novamente.

 

Este relatório não deve ser visto como o fim da análise a ser feita pelo nosso país sobre esta crise. Há ainda muito a aprender, muito a investigar e muito a corrigir.

 

Esta é a nossa responsabilidade colectiva. Cabe-nos a nós fazer escolhas diferentes se queremos resultados diferentes.

Senhor Professor Doutor de Catedrático reclamado, a minha posição e a da Comissão Pecora II são completamente diferentes da sua, mas da minha que é no plano formal semelhante à da Comissão Pecora, esta, na sua visão das coisas para nada deve contar, porque a Catedrático nunca hei-de chegar. O que importa aqui é que os neoliberais da direita pura e dura chegam ao poder a substituir um outro conjunto de neoliberais, neoliberais ditos de esquerda, pela direita assim são considerados, que às mesmas ordens estiveram dispostos a reinar.                                                    

 

Os escândalos em Portugal também houve, a solidez bancária é mais do que duvidosa, o dinheiro público foi aí injectado, pela Troika novos valores aí serão colocados e da banca publicamente nada se sabe. Nenhuma justificação pública foi dada pelo primeiro-ministro de então quanto aos dinheiros injectados no BPN, nem sobre a estranha blindagem e protecção da Sociedade Lusa de Negócios, nenhuma explicação oficial sobre o BPP, nenhuma também a ser dada quanto ao BCP, em suma, nenhuma explicação para onde é que os milhares de milhões foram e quem é que os levou, esse dinheiro que agora se considera que se esfumou, que rasto não deixou e, por isso, melhor é passar por cima e pagarmos nós todos o buraco financeiro que por este país se deixou. .                                                                                                                                                  

 

Com a presença de um gestor de competência reconhecida à frente do BPN com o é o Dr. Francisco Bandeira, meu amigo de longa data, seria de esperar que a questão viesse em relatórios publicamente esclarecida como tem vindo a acontecer no país do Presidente Obama. Dos Estados Unidos sabemos já o que se passou com Madoff, pelo trabalho, entre outros de Irving Picard, sabemos o que se passou com o Goldman Sachs, o relatório Carl Levin, sabemos o que se passou com Lehman Brothers, o relatório Anton R. Valukas, sobre a AIG, o relatório do Office of the Special Inspector General for the Troubled Asset Relief Program ("SIGTARP") feito sob a direcção de Neil Barofsky, sabemos tanta coisa.

 

E de Portugal, e do trabalho de homens como Francisco Bandeira no BPN ? Nada, a não ser uma ida ao Parlamento. Muito pouco para os milhares de milhões que dolorosamente o futuro do nosso país irá no presente pagar. E tudo isto com o silêncio de Sócrates, de Teixeira dos Santos e de todos os outros, de socialistas considerados ou por estes apadrinhados. Temo agora e por isso esta nova dedicatória, que com a Direita no poder e com posições como as do senhor Professor Doutor de Catedrático reclamado se queira fazer um silêncio tumular sobre o que já deveria ser do conhecimento do público, deste público que tudo terá de pagar, e para nunca se poder perguntar, para onde foi então o nosso dinheiro parar, esse que agora nos querem objectivamente roubar.                                                                                                                                            

 

Porque essa sua posição eu temo, considero minha função onde me é possível, neste caso no blogue Estrolabio, explicar o que até hoje sei do que se entende ter sido a crise e faço minhas as palavras finais da Comissão Pecora II aqui citadas. Na Europa, os Estados nacionais transformaram-se em verdadeiros ladrões legalizados, aos pobres a roubar para aos ricos ir dar, enquanto na América o partido republicano, liderado por Paul Ryan, está numa luta de morte contra a democracia, contra o Presidente Obama, contra o Vice-Presidente  Joe Biden, e tenta a todo o custo, com os mesmos argumentos que aqui na Europa, a dívida, o défice, fazer do Orçamento a máquina de tirar aos pobres para dar aos ricos, uma espécie de Robin dos Bosques ao contrário, como muito bem nos avisa Jared Bernstein, ex-principal conselheiro de Joe Biden, uma luta a decidir-se até ao final da terceira semana deste mês.

 

Quanto ao silêncio que a direita irá tentar colocar em todo este processo da crise em Portugal, seguindo nesse silêncio o silêncio já anteriormente criado por José Sócrates e pelo nosso presidente da República em exercício, espero que o povo português passe da situação de resignado à de Indignado, porque não tenho dúvidas que o conhecimento da situação levará a que todos nós, como em Espanha, como na Grécia e noutros países que se lhes seguirão, passaremos do estado de Resignação ao estado de Indignação. A lógica do silêncio que o senhor Professor Doutor de Catedrático reclamado defende passa por aqui e contra essa lógica está a lógica da verdade que do nosso lado exigimos e disso nos reclamamos, tomando como referência apenas um documento oficial, o relatório Pecora II.


Coimbra, 4 de Julho de 2011
Júlio Marques Mota



publicado por Luis Moreira às 20:00
editado por João Machado em 04/07/2011 às 23:28
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Terça-feira, 5 de Julho de 2011
Conclusões da Comissão de Inquérito sobre a Crise Financeira ( 2,3,4) A Comissão Pecora II

enviado por Julio Marques Mota

 

Conclusões da Comissão de Inquérito sobre a Crise Financeira ( 2,3,4)
A Comissão Pecora II
Conclusão nº2

 

• Concluímos que as grandes falhas comuns na regulação e na supervisão financeira foram  devastadoras  para a estabilidade dos mercados  financeiros  da nação.

 

As sentinelas não estavam nos seus postos, em grande parte devido à fé amplamente aceite  na natureza de autocorrecção dos mercados e da capacidade das instituições  financeiras serem elas próprias polícias delas próprias.  Mais de 30 anos de desregulamentação e de confiança na auto-regulação por parte das instituições financeiras, defendida pelo ex-presidente do Federal Reserve Alan Greenspan e outros, apoiados pelas administrações sucessivas e pelo Congresso Americano  e activamente puxados  pela poderosa indústria  financeira  por seu lado,  fez saltar  todas as salvaguardas, que poderiam ter ajudado a evitar a catástrofe. Esta abordagem tinha aberto brechas na fiscalização de áreas críticas com milhões de milhões de dólares em risco, tais como o sistema bancário paralelo e os mercados over-the-counter, os produtos OTC,  sobre produtos derivados. Além disso, o governo permitiu que as empresas financeiras  pudessem   escolher os seus reguladores preferidos   no que se tornou uma corrida para a mais baixa supervisão possível.
 

No entanto, nós não aceitamos a visão que os reguladores não tinham o poder para estarem a  proteger o sistema financeiro.  Eles tinham poder sobre muitas áreas e  optaram por não o usarem. Retenhamos aqui três : a Comissão de Valores Mobiliários poderia ter exigido mais capital e poderia ter parado com as práticas de risco nos  grandes bancos de investimento.  Mas isto não  aconteceu. O Federal Reserve Bank of New York e outros reguladores poderiam ter apertado o cerco  contra os excessos do Citigroup na corrida para a crise. Mas estes não o fizeram. Os decisores políticos e os reguladores poderia ter parado o comboio  em muito boa marcha da titularização de hipotecas. Mas eles não o fizeram.                 

 

Caso a caso, um a seguir a outro, os reguladores continuaram a classificar as instituições que supervisionou como estão a são e salvo, mesmo em face de problemas de montagens , muitas vezes  baixando-lhes a notação  exactamente apenas um  pouco antes do seu colapso. E onde  os reguladores não tinham autoridade, eles poderiam tê-la procurado. Muito frequentemente   estes reguladores não tinham sequer a  vontade política em terem um ambiente político e ideológico que os  constrangesse,  bem como não tinham a capacidade de, de  forma crítica,  desafiarem as  instituições e todo o sistema que lhes era confiado para supervisionar.

As mudanças no sistema de regulamentação ocorreram  em muitos casos, das mesma forma que   os mercados financeiros também evoluíram. Mas como o relatório nos  vai mostrar, a indústria financeira desempenhou um papel fundamental no enfraquecimento dos constrangimentos regula tórios sobre as instituições, sobre os  mercados e sobre os  produtos. Não foi nenhuma surpresa para a Comissão de que um sector com tanta riqueza e poder tenha  exercido pressão sobre os decisores políticos e sobre os reguladores. De 1999 a 2008, o sector financeiro gastou $ 2,7 mil milhões em despesas relacionadas com o  lobby federal; os indivíduos e os  comités de acção política no sector obtiveram  mais de   um milhar de milhões de dólares nas  contribuições de campanha. O que  nos incomodou  foi a  medida em que a nação foi privada da força necessária e independência da supervisão necessária para salvaguardar a estabilidade financeira.


Conclusão nº 3

• Concluímos que houve falhas dramáticas de governança nas empresas  e na gestão de risco em muitas instituições financeiras sistemicamente importantes  e que estas falhas foram uma causa chave desta crise.


Havia uma visão de que os instintos de auto preservação dentro  das grandes empresas financeiras  iriam  protegê-las da hipótese  fatal de riscos sem a necessidade de uma mão firme na regulação em que, as empresas argumentaram, iriam sufocar a inovação. Muitas dessas instituições actuaram   de forma imprudente, assumindo um risco muito grande, com muito pouco capital  e com demasiada dependência no financiamento de curto prazo.                                                                                                                                                                                          

 

Em muitos aspectos, isso reflectiu uma mudança fundamental nestas instituições, particularmente nos grandes bancos de investimento e nas sociedades gestoras de participações financeiras  que se concentraram em  actividades cada vez mais de maior risco mas em  que se geravam  grandes lucros.  Estes comportamentos  levaram  a assumir exposições enormes ao risco  em adquirir e apoiar os devedores  subprimes  e criando, embalando, reembalando   e vendendo  milhões de milhões  de dólares em activos ligados a hipotecas, incluindo produtos financeiros sintéticos. Como Ícaro, nunca temeram voar  cada vez mais perto do sol.

Muitas dessas instituições cresceram  agressivamente através  de aquisições mal executados e através também de  estratégias de integração que faziam  com que a  gestão eficaz seja ainda mais desafiadora.  O CEO do Citigroup disse à Comissão que uma posição de 40 mil milhões de dólares  em títulos hipotecários altamente cotados poderia  "não ter, de forma alguma,  chamado  a minha atenção", e  o co-director do banco de investimento Citigroup disse que gastou "uma pequena fracção de 1%" de seu tempo sobre esses valores. Neste exemplo, serem demasiado grandes para poderem  falir significava muito grande para poder ser gerida.

As instituições financeiras  e agências de rating de crédito  passaram a usar   modelos matemáticos como estimadores fiáveis ​​de riscos, substituindo o julgamento em demasiados casos. Muitas vezes, a gestão  de risco tornou-se a justificação de risco.

Os sistemas de compensação projectados num ambiente de dinheiro barato, a concorrência intensa, e  regulação muita ligeira  muitas vezes recompensaram  e bem  os  negócios assentes em perspectivas de curto ou muito curto prazo,  os ganho de  curto prazo sem a devida consideração pelas  consequências  a  longo prazo. Muitas vezes, estes  sistemas encorajaram as  grandes apostas, onde os ganhos  quando a aposta era ganha eram grandes e se a aposta era perdida, os prejuízos eram diminutos.  Esta foi a situação das grandes instituições para com  os corretores de hipoteca a venderam nas ruas.

 

O nosso estudo revelou casos impressionantes de falhas de governança e de irresponsabilidade. Serão explicados e verão , entre outras coisas, sobre a ignorância da alta administração   da AIG  em face dos termos e da exposição aos riscos da empresa sobre 79 milhares de  milhões  de  produtos derivados sobre  activos ligados a hipotecas; iremos ver que a procura pela parte da administração de  Fannie Mae em conseguir a  maior quota de mercado possível, os maiores lucros e bónus possíveis, a  levaram a uma situação de exposição crescente a empréstimos e a títulos de risco quando  o mercado de habitação estava no auge; iremos ver a custosa surpresa  quando a direcção de  Merrill Lynch percebeu que a empresa tinha  cerca de  55 mil milhões em títulos  "super-sénior" e supostamente "super-seguros" colateralizados sobre hipotecas  sobre  valores mobiliários, que resultaram em milhares de milhões de dólares de perdas.

Conclusão nº 4

• Concluímos que houve uma combinação de endividamento excessivo, de investimentos de risco, e de  falta de transparência que em conjunto colocaram  o sistema financeiro  em rota de colisão com a crise.

 

Claramente, esta vulnerabilidade está relacionada com as  falhas de governança  ao nível das empresas e da  regulação, mas é significativamente suficiente  por si só para justificar aqui a nossa atenção.

 

Nos anos que antecederam a crise, muitas instituições financeiras, bem como muitas famílias, endividaram-se ao máximo, deixando-os assim vulneráveis ​​a problemas financeiros ou mesmo sujeitos a irem para a ruína se o valor dos  seus investimentos caísse  ainda que  modestamente. Por exemplo, a partir de 2007, os cinco grandes bancos de  investimento Bear Stearns, Goldman Sachs, Lehman Brothers, Merrill Lynch e Morgan Stanley, estavam a trabalhar com  capital próprio extraordinariamente baixo .                                                                                                             

 

Por uma das formas como esta   relação é calculada,  os seus rácios de alavancagem foram tão elevadas como 40-1, ou seja, para cada 40 dólares em activos, havia apenas US $ 1 em capital para cobrir as perdas. Uma descida mesmo inferior a  3% nos valores dos activos poderia acabar com uma empresa. Para piorar ainda mais a situação, grande parte do  seu endividamento era de curto prazo, no mercado overnight, ou seja, os seus  empréstimos tinham diariamente que ser renovados . Por exemplo, no final de 2007, o Bear Stearns tinha  11,1 mil milhões  de dólares em capital e 386,6 mil milhões de dólares em responsabilidades,  tinha em  empréstimos cerca de  70 mil milhões no  mercado overnight. Isto era  equivalente a uma pequena empresa com $ 50,000 de património que fosse contrair um  empréstimos  de US $ 1,6 milhões, com   296.750 dólares de empréstimo overnight, mobilizáveis diariamente. Não se pode realmente perguntar "O que é que eles estavam a pensar?"  Quando até parece que havia muitos deles que estavam a pensar  da mesma forma.

E a alavancagem foi muitas vezes escondida através de  posições sobre produtos derivados , em itens fora do balanço, e através de "vitrina" de relatórios financeiros disponíveis para o público investidor.

Os reis de alavancagem foram Fannie Mae e Freddie Mac, as duas empresas monstras , empresas patrocinadas pelo Governo  (GSEs). Por exemplo, até ao final de 2007, Fannie e Freddie o ratio de  alavancagem combinada, incluindo empréstimos que possuíam e garantias , situou-se em 75-1.

 

Mas as empresas financeiras não estavam sozinhos nesta  farra dos  empréstimos: de 2001 a 2007, a dívida nacional hipotecária quase duplicou, e a quantidade de dívida hipotecária por família subiu  mais de 63% a partir de 91.500 dólares para 149.500 dólares, e isto quando  os salários tinham basicamente estagnado .Quando a crise imobiliária apareceu , as empresas financeiras e as famílias altamente endividadas foram duramente atingidas.

 

A pesada dívida assumida por algumas instituições financeiras foi agravada pelos  activos de risco que eles estavam a adquirir  com essa dívida. Como o  mercado de hipotecas e do imobiliário estava agitado  tornava os empréstimos mais arriscados e de maior risco, muitas instituições financeiras carregavam  nos encargos e remunerações destes . Até ao final de 2007, o Lehman tinha acumulado  111 mil milhões de dólares em habitações comerciais e residenciais como activos imobiliários e em  títulos, o que representava  quase o dobro dos seus valores  sobre que tinha trabalhado  apenas dois anos antes  e representava mais de quatro vezes o seu património total.                                                                      

 

E, de  novo,  o risco não estava a ser  assumido  apenas pelas grandes  firmas financeiras , mas também pelas famílias. Aproximadamente  um em cada 10 mutuários em 2005 e 2006 contraiu    empréstimos com "a opção ARM", (aquisição de casa a taxa de juro variável)  o que significava que poderia escolher  efectuar  pagamentos mensais tão baixos quanto subia o valor das  suas casas hipotecadas.

 

Dentro do sistema financeiro , os perigos desta dívida foram ainda ampliados porque a transparência não era nem  necessária nem  desejada. Dívida enormíssima,  de empréstimos de curto prazo, combinada com as obrigações  não visíveis para os outros agentes no mercado, aumentou assim as possibilidades de o sistema poder  rapidamente se desfazer. Na primeira metade do século 20, nós criámos uma série de protecções - o Federal Reserve como um emprestador de última instância, o seguro federal para os  depósito, amplos regulamentos para fornecer um protecção contra as situações de  pânico que tinham  regularmente flagelado o sistema bancário da América  no século XIX.                                                               

 

No entanto, nos últimos 30 anos ou mais, permitiu-se  o crescimento de um sistema bancário sombra opaco e assente no enorme volume   de dívida de curto prazo, que rivalizava com a dimensão  do sistema bancário tradicional. As componentes  chave do mercado, por exemplo, os multi millhões de milhões de crédito do mercado repo, as múltiplas entidades fora do balanço  bem como a utilização de  produtos derivados OTC ( negociados fora da bolsa )    estavam assim fora  da vista, escondidos, sem as protecções que tinha sido criadas  para evitar os colapsos financeiros. Nós tínhamos um sistema financeiro  do século XXI  com as salvaguardas do século XIX.

Quando o mercado imobiliário e de hipotecas se afundou , a falta de transparência, os extraordinários  volumes de  dívida, os empréstimos de curto prazo, e todos os activos de risco ficaram assim expostos . O resultado foi o pânico. Tivemos como colheita o que semeámos.



publicado por Luis Moreira às 20:00
editado por João Machado em 04/07/2011 às 22:10
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Segunda-feira, 4 de Julho de 2011
Crise dos subprimes, um negócio criminoso? - Jean-François Gayraud

enviado por Júlio Marques Mota

 

Crise dos subprimes, um negócio criminoso?

O banco Goldman Sachs recebeu  recentemente uma citação para comparecer perante o procurador  de Nova Iorque devido ao  papel ambíguo durante a crise dos subprimes. Será que se perfila, enfim, um inquérito penal ?

 

Desde o início desta crise, a finança americana assemelha-se com efeito a uma gigantesca “ cena de crimes ". Contudo, as fraudes maciças que deram origem ao desencadear da maior crise financeira desde há um século aguardam ainda  os seus  seus procuradores, os seus polícias e os seus juizes. A explicação de um fenómeno macroeconómico pelo crime pode parecer irrisória, anedótica  ou até mesmo ingénua.

 

A opinião publicada - a das elites que têm acesso aos meios de comunicação social - apressa-se como sempre a diabolizar  uma perspectiva tão  incómoda, agitando cómodos   espantalhos : teoria a conspiração, a teroia de bodes expiatórios,  efeito de diversão, populismo.

 

Todos querem impôr uma  amável visão  das causas da crise através de explicações fatalistas (a teoria dos ciclos), mágicas (uma catástrofe) ou  estimulantes (disfuncionamentos dos mercados). No entanto, poucas crises financeiras na história comportaram uma dimensão criminosa tão evidente, uma tal massa crítica de fraudes.

 

Estes especialistas da negação são frequentemente aqueles que, durante as décadas de euforia (1980-2000), estavam cegos pela  anomia crescente dos mercados financeiros. Ontem foram  incapazes de antecipar a crise, hoje apressam-se  a dissimular os seus aspectos mais chocantes , o que  siginifica  dos dois lados do Atlântico a falência quase generalizada dos peritos universitários  e mediáticos.

 

Ora esta cegueira  só pode preocupar  aqueles que ainda são  dotados de  memória histórica, mesmo por muito pouco que esta  seja.  Com efeito, nos anos 1980, a América já tinha sofrido uma primeira grande crise financeira de  forte “odor criminoso” com a falência das caixas de poupança. Por falta de ter sabido  tirar as verdadeiras lições desta primeira tragédia da desregulação dogmática dos bancos, a América condenava-se a  uma recaída dolorosa.

 

A cegueira  generalizada e a desregulação depredadora encontra a sua origem na ideia que os mercados são omniscientes e auto-reguladores. Por outras palavras, que  a sua “mão invisível” é quase infalível. Inchada e arrogante com este pressuposto , o lobby financeiro de Wall Street pode-se  ligar  - se comprar ? -  aos eleitos  sempre disponíveis  se não estiverem mesmo convencidos, a míopes professores e às vezes ávidos de avaliações remuneradas, a analistas simpatizantes, friendly , e a jornalistas enredados na  complexidade da matéria e pela pertença da maior parte dos meios de comunicação social aos grandes grupos de capitalistas.

Nos factos, esta crise foi o teatro de fraudes ao mesmo tempo maciças (sistemáticas) e integradas nos mecanismos financeiros (sistémicos).

 

Fraudes que puderam eclodir  apenas pela graça de uma desregulação dogmática dos mercados financeiros, pensada e depois  realizada desde os anos 1980, tanto pelos  republicanos como pelos  democratas. Sendo  portadora de incitações  e de oportunidades criminosas inéditas, a desregulação teve de facto este efeito criminoso; o que explica porque  é que estes comportamenos ilícitos  têm podido espontanea  e mecanicamente  eclodir  ao longo da complexa  e opaca cadeia financeira americana, à  maneira dos enxames de abelhas e das matilhas.

 

Estas fraudes foram determinantes em  três níveis: a montante com os empréstimos ditos “depredadores” ou “mentirosos”, difundidos no interior da franja mais vulnerável da sociedade americana (pobres, minorias étnicas, pessoas idosas e deficientes). Estes empréstimos serão mesmo qualificados pelos profissionais da indústria financeira como sendo “ empréstimos de  neutrões”, subentendendo-se: estes empréstimos são armas que irão destruir as famílias e  deixar as casas  intactas. Tanto cinismo linguístico reduz a  nada as tentativas de defesa a posteriori sobre o tema da ignorância ou da incompetência.

 

A jusante, as fraudes  têm a ver com  os produtos titularizados que foram  vendidos pelos grandes bancos de investimento de Wall Street. Aí, estes bancos entregam-se a múltiplos comportamentos engaanosos: engano sobre o nível de risco, trucagem dos balanços, manipulação dos cotaações  em baixa, etc.

 

No meio do processo, as  três grandes agências de notação - das quais uma francesa - agem em reguladores de facto, num pântano “de conflitos de interesses”, um eufemismo que hoje já não engana ninguém . Estas agências são juizes e partes interessadas dado que notam produtos financeiros que elas mesmas contribuíram para estruturar.

 

Ora esta crise vem “de cima”, os defraudadores pertencem geralmente às elites da sociedade americana. Estamos pois longe de uma  criminalidade organizada clássica, estamos aqui perante uma criminalidade de “ colarinhos brancos ", integrados ao sistema e dispondo de todos os instrumentos para podererm fazer desaparecer até a  ideia mesmo dos seus crimes. Esta crise financeira largamente criminosa coloca de novo à luz do dia  o novo equilíbrio dos poderes nos Estados Unidos entre o poder  político (Washington) e o poder financeiro  (Wall Street): depois do “ complexo militaro-industrial” denunciado pelo presidente Eisenhower (1961), “um complexo politico-financeiro” ter-se-á ele imposto nos Estados Unidos?

 

Porque é que até agora, nenhum  banqueiro foi condenado por crime , as únicas sanções têm-se resolvido com em compensações negociadas ao nível do direito civil. Além disso, o plano de salvamento federal realizou-se únicamente para a benefício de Wall Street. O que pensar, afinal, de um sistema que recompensa tão abertamente a predação? Porque a impunidade continua aser  um potente estímulo para a recidiva, quer se seja  seja ladrão de bancos ou banqueiro ladrão (“bankster”).

 

Exageros, dir-se-á ?  Os sépticos  deveriam ler os dois relatórios do  Congresso dos Estados Unidos  que foram publicados desde o início d eJaneiro de  2011 : FCIC (fcic.law.stanford.edu/report) ; Carl Levin (hsgac.senate.gov/public/_files/Financial _Crisis/FinancialCrisisReport.pdf). As  quase  1 300 páginas  não deixam nenhuma dúvida  : a fraude aí está de maneira indiscutívela ser o fio conductor  desta crise.

 

Jean-François Gayraud, chargé de mission au Conseil supérieur de la formation et de la recherche stratégiques, commissaire divisionnaire, La crise des subprimes, une affaire criminelle ? , Le Monde,  13.06.11,



publicado por Luis Moreira às 20:00
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Conclusões da Comissão de Inquérito sobre a Crise Financeira - por Julio Marques Mota

Homenagem ao povo americano

Enquanto o governo português , como um qualquer  um outro da União Europeia continua o  seu  jogo de mentiras para esconder que a crise é da sua inteira responsabilidade colectivamente, acrescente-se ,  e o caso da reestruturação voluntária e informal, da dívida soberana  é disso um perfeito exemplo, enquanto  desta forma ficam por punir os responsáveis da crise  criada,  e   prova é que continuam a ir aos nossos bolsos para  o nosso pão ao  bancos estar a entregar, enquanto desta forma nos continuam a vida a estragar e aos bolsos legalmente a ir roubar, enquanto não são capazes de nos dar uma prova científica que a política actualmente seguida é a via capaz de empregos para os nossos jovens no futuro lhes serem capazes de dar ,  enquanto tudo, saudamos o dia da independência americana de uma forma muito especial:                                     

 

Acima fomos relembrando um famoso jantar que a História da Americana tem vindo a moldar,  publicando um artigo sobre a crise  vista como um roubo generalizado a que os nossos governos democraticamente eleitos tem vindo a sancionar, como uma espécie  de  Robin dos Bosques ao contrário, e sobretudo a este dia  nos  associamos com o iniciarmos hoje a publicação de longos excertos da Conclusões da Comissão de Inquérito sobre a Crise Financeira, comissão a que podemos chamar de Comissão Pecora II, na linha  de artigos publicados pelo  New York Times.

 

Daqui relembramos duas pequenas frases do texto abaixo:

 

- Parafraseando Shakespeare, a culpa não está nas estrelas, mas sim em nós.
- Este relatório esforça-se por  expor os factos, por identificar as responsabilidades, por desvendar  mitos  e para nos ajudar a entender como é que a crise poderia ter sido evitada. É uma tentativa de registar a história, não de a reescrever, nem de permitir que esta seja reescrita.
- Que mais se poderia esperar nesta auto-estrada  onde não havia limites nem de velocidade e onde nem havia as  linhas de demarcação estavam nitidamente pintadas

E é tudo, por este dia 4 de Julho, dia da Independência da nação  americana.

Coimbra, 2 de Julho de 2011  
Júlio Marques Mota

Documento 1.

 

Documento 2. A história  de um jantar.

 

3. Em separado. Texto pequeno.

Conclusões da Comissão de Inquérito sobre a Crise Financeira

A Comissão de Inquérito  sobre a Crise Financeira foi criada  para examinar a crise financeira   e económica que assola o nosso país e para explicar as suas causas ao  povo americano. Estamos conscientes da importância da nossa função , dado o prejuízo económico que a América sofreu na sequência   da maior  crise financeira  desde a Grande Depressão.

A nossa tarefa foi primeiro  determinar o que aconteceu e como aconteceu para que pudéssemos compreender porque é que  isso aconteceu. Aqui apresentamos as nossas conclusões. Nós encorajamos o povo americano a juntar-se  a nós para  fazer as suas próprias avaliações com base nos factos, nas evidências reunidas com o nosso trabalho. Se não aprendermos  com a história, é então pouco provável que se recupere  totalmente desta crise. Alguns em Wall Street e em Washington, com uma participação e uma responsabilidade  no status quo podem ser tentados a apagar da memória os acontecimentos desta crise, ou a sugerirem  que ninguém a poderia ter previsto ou impedido. Este relatório esforça-se por  expor os factos, por identificar as responsabilidades, por desvendar mitos  e para nos ajudar a entender como é que a crise poderia ter sido evitada. É uma tentativa de registar a história, não para a reescrever, nem permitir que esta seja reescrita.

Para ajudar os nossos concidadãos a entender melhor esta crise e as  suas causas, também apresentamos algumas   conclusões especiais v no final dos  capítulos das Partes III, IV e V deste relatório.

O tema deste relatório é  de grandes  consequências  para esta nação. Os acontecimentos  profundos de 2007 e 2008 não foram nem solavancos na estrada, nem uma descida  acentuada  nos ciclos financeiros e de  negócios que temos vindo a compreender num sistema económico assente no  mercado livre. Esta foi uma  fundamental  disfunção - uma grande turbulência financeira, se assim quisermos entender,  que causou enormes estragos nas comunidades e nas terras de todo o nosso  país.

Quando este  relatório for  para a impressão, haverá mais de 26 milhões de americanos que estão sem trabalho, que não podem encontrar  trabalho a tempo inteiro  ou que podem mesmo  ter desistido de procurar trabalho. Cerca de quatro milhões de famílias perderam as suas casas devido à execução das hipotecas   e outros quatro milhões e meio estão agora sujeitos eles também  aos  processo de execução hipotecária ou estão seriamente  com os seus pagamentos em atraso nas suas  hipotecas . Quase US $ 11 milhões de milhões  de  riqueza das famílias desapareceu, evaporou-se, as poupanças dos reformados  e as economias de toda uma vida que assim foram varridas. Empresas, grandes e pequenas, têm sentido os efeitos  de uma profunda recessão. Há muita raiva sobre tudo o que aconteceu, e justificadamente  é assim. Muitas pessoas que respeitaram todas as regras encontram-se agora sem  trabalho e cheios de incerteza  sobre as suas perspectivas     relativamente  ao seu futuro.  

 

Os danos colaterais desta crise têm sido as pessoas reais e as comunidades reais. Os impactos desta crise são susceptíveis de serem sentidos por toda uma geração. E a nação não encontra  facilmente nenhum caminho para renovar a sua capacidade  económica.

Como tantos americanos, começámos o nosso trabalho  com os nossos próprios pontos de vista e com algum conhecimento preliminar sobre como o mais forte sistema financeiro mundial chegou à beira do colapso. Mesmo na altura em que fomos nomeados para este painel independente, muito já havia sido escrito e dito sobre a crise. No entanto, todos nós temos sido profundamente afectados pelo  que aprendemos no decorrer  da nossa investigação. Nós ficámos  várias vezes fascinados, espantados  e até mesmo chocados com o que vimos, com o que ouvimos, com o que   lemos

 

. O nosso trabalho foi para nós  uma jornada de revelação.

 

Muita atenção tem sido   dada ao longo dos últimos dois anos às  decisões do governo federal em  prestar forte assistência financeira para estabilizar o sistema financeiro e resgatar as grandes instituições financeiras que foram consideradas sistemicamente muito importantes para as deixar falir. Essas decisões e as emoções profundas em torno delas  serão debatidas ao longo de  muito tempo, no futuro. Mas a nossa missão era a de perguntar e responder a esta questão  central: como é que isto  aconteceu  de tal modo que, em 2008, a nossa nação foi obrigada  a escolher entre duas alternativas, ou o violento  e doloroso  risco  do colapso total do nosso sistema financeiro e da economia ou então  injectar  milhões de milhões de dólares dos contribuintes para o sistema financeiro e para uma série de empresas, com milhões de americanos ainda a perderam  os seus empregos, as suas economias, e as suas casas?

Neste relatório, detalhamos   os eventos da crise. Mas um resumo de síntese, como estamos agora a publicar, no início do relatório é extremamente útil. Enquanto as vulnerabilidades que criaram  o potencial para a crise  foram feitas ao longo de anos , foi o colapso da bolha imobiliária, alimentada por baixas taxas de juros, pelo crédito fácil e disponível, pela  regulação escassa  e oelas hipotecas tóxicas,  que foi   a faísca que fez disparar  uma série de eventos,  que conduziram  a uma crise de grandes proporções no Outono de 2008. Milhões de milhões de dólares em hipotecas de grande risco tornaram-se parte integrante de todo o nosso sistema financeiro , com as referidas hipotecas a serem  empacotadas, reembaladas e ligadas a activos que  eram, por sua vez,  vendidos  a investidores em todo o mundo. Quando a bolha estourou, centenas de milhares de milhões de dólares em perdas em hipotecas e nos  activos que a estas estavam ligados abalaram  os mercados, bem como instituições financeiras  que tinha exposições significativas sobre  essas hipotecas e que tinha contraído emprestado  de forma maciça na base destes activos. Isso aconteceu não apenas nos Estados Unidos mas em todo o mundo. As perdas foram ampliadas através dos  derivados, tais como títulos sintéticos.

A crise alcançou proporções sísmicas em Setembro de 2008 com a falência do Lehman Brothers e com o colapso iminente da empresa  gigante dos seguros americana, a  AIG . O pânico espalhou-se devido a uma falta  de transparência nas contas  das principais  instituições financeiras, juntamente com um emaranhado de interconexões entre as instituições consideradas "demasiado grandes para  as poder deixar falir", fez com que o mercado de crédito se  redimensionasse  e disso se aproveitasse . No campo comercial sofre-se de  uma estaagnação forte .O mercado de acções afundou-se. A economia mergulhou numa profunda recessão.

 O sistema financeiro  que analisámos  tem pouca semelhança com o sistema financeiros da geração dos nossos pais. As mudanças nas últimas só três últimas  décadas têm sido notáveis. Os mercados financeiros  tornaram-se cada vez mais globalizados. A tecnologia transformou a eficiência, a velocidade e a complexidade dos instrumentos financeiros e das transacções. Existe um maior acesso e um menor custo de financiamento do que nunca. E o próprio sector financeiro tornou-se uma força muito mais dominante na  nossa economia.

De 1978 a 2007, o montante da dívida trabalhada  pelo sector financeiro passou de 3  milhões de milhões de  dólares para US $ 36 milhões de milhões , mais do que dobrando relativamente  ao produto interno bruto. A própria natureza de muitas empresas de Wall Street mudou - de parcerias público-privadas relativamente seguras  para  empresas de capital negociadas em bolsa , assumindo cada vez mais, maiores e mais diversificados  tipos  de risco. Em 2005, os 10 maiores bancos comerciais dos EUA detinham   55%  dos activos do sector, mais do dobro do nível realizado em 1990. Na véspera da crise em 2006, os lucros do sector financeiro  constituíam   cerca de  27% de todos os lucros empresariais  nos Estados Unidos, contra 15%  em 1980.  Compreender esta transformação tem sido fundamental para a análise da Comissão.

Agora, passamos a apresentar os  nossos principais resultados  e conclusões   e tudo o que afirmamos é baseado  em factos contidos neste relatório: são publicados  com a esperança de que estas lições possam  ser aprendidas para ajudar a evitar uma catástrofe futura.

• Concluímos que esta crise  financeira  era evitável.

 

A crise foi o resultado da acção humana e da  inacção, não é o resultado da Mãe Natureza ou dos modelos de computador  que estariam errados. Os capitães das finanças e os administradores públicos  do nosso sistema financeiro ignoraram  os avisos e falharam em questionar, entender e gerir  os riscos que estavam a evoluir dentro de um sistema essencial para o bem-estar do povo  americano.  Os seus comportamentos foram um grande erro , não um tropeção.   Enquanto o ciclo de negócios não pode ser modificado , uma crise desta magnitude não necessitaria de se  ter ocorrido. Parafraseando Shakespeare, a culpa não está nas estrelas, mas sim em nós.

Apesar do ponto de vista expresso por  muita gente em  Wall Street e em Washington de que a crise não poderia ter sido prevista nem  evitada,  havia claros sinais de alerta. A tragédia foi  a de que estes sinais  foram ignorados ou foram minimizados.  Houve uma explosão na concessão de empréstimos subprime de grande risco e na sua titularização ,  houve um aumento insustentável nos preços da habitação, houve vários relatórios e testemunhos  de monumentais práticas generalizadas de empréstimo predadores, houve o aumento dramático na dívida hipotecária sobre  habitações  e houve  um crescimento exponencial nas  actividades financeiras  das empresas comerciais, houve um aumento de produtos financeiros de derivados que não são não regulamentados, e houve a utilização intensiva do mercado "repo",  mercados de empréstimos a curto prazo com colaterais,  entre muitas outras bandeiras vermelhas, bandeiras de alarme.  No entanto, houve uma permissividade generalizada; a acção que foi tomada para conter as ameaças em tempo útil  foi praticamente de pouco ou nenhum significado .

O principal exemplo é a falha fundamental do Federal Reserve, o banco central americano,  para conter a vaga  de hipotecas tóxicas, em que poderia ter  criado  um  conjunto de regras definindo o  que seria uma prudente concessão de empréstimos hipotecários. A Reserva Federal era  a única entidade habilitada a fazê-lo mas isso não  foi feito . O registo de nossa análise está   cheio de  sinais  de outras falhas: as instituições   financeiras  fizeram, compraram  e venderam  títulos hipotecários que nunca analisaram,  que nunca se incomodaram em analisar,  ou sabiam que não prestavam; as empresas dependiam de dezenas de milhares de milhões de dólares de empréstimos que  diariamente tinham que ser renovados, colateralizados  por títulos assentes por seu lado, em créditos hipotecários de alto risco  e as grandes empresas e  os investidores cegamente  confiaram e contavam com as agências de rating de crédito como sendo os árbitros de risco. Que mais se poderia esperar nesta auto-estrada  onde não havia limites nem de velocidade e onde nem havia as  linhas de demarcação estavam nitidamente pintadas?  



publicado por Luis Moreira às 18:00
editado por João Machado em 03/07/2011 às 19:34
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Domingo, 3 de Julho de 2011
“Não é uma crise, é uma fraude” Um texto de Attac - 2

2.    Não é uma crise é uma fraude


“Não é uma crise, é uma fraude”
Um texto de Attac

“Não é uma crise, é uma fraude”, dizem indigndos  os espanhóis. Esta quarta-feira, o Parlamento grego acaba de adoptar um novo plano de austeridade, símbolo da inverosímel  fraude que se está  actualmente  a realizar na Europa.


Apesar da ineficácia mais que  provada das medidas de austeridade para melhorar a situação das finanças gregas, o Parlamento é obrigado  a aprovar um novo programa de austeridade , com reduções de salários e uma reforma fiscal que vai fortemente atingir  a classes média  e as pessoas de menores rendimentos;


Apesar da injustiça profunda destas medidas que visam fazer com que o povo grego pague  sem estar a pôr em causa as políticas fiscais desastrosas  que foram efectuadas pelos precedentes  governos,  os desequilíbrios inerentes  ao bom funcionamento da zona euro   ou ainda os enormes lucros   realizados pelos bancos e outros especuladores  à conta das finanças  públicas gregas;


Apesar da resistência do povo grego, que se levantou dignamente  e ocupa desde há quase três semanas a  principal praça de  Atenas - onde se  situa  o Parlamento - para contestar, de maneira pacífica e democrática, estas escolhas impostas apesar da sua falta de bom senso ;

Apesar de tudo isto , os deputados gregos escolheram submeterem-se à chantagem da União Europeia e do FMI, que aceitam em troca deste plano de austeridade que se atribua “uma ajuda” de cerca de cem  mil milhões de euros à Grécia - sem a qual o governo  se reencontrar-ia incapaz de financiar o seu funcionamento (incluidos os serviços públicos, hospitais, etc.). Este pretenso plano de  “ salvamento” é feito mais para  os bancos franceses e alemães do que para a Grécia: “O CAC 40 acentua os seus lucros, confiando na Grécia” pode ler sobre o sítio do jornal  Point.fr.

Representa realmente uma vasta operação de socialização das  perdas: um estudo do jornal Les Echos  mostra que “graças” a estes planos, “a parte da dívida grega nas  mãos dos contribuintes estrangeiros passará de 26% para 64% em 2014. Tudo isto significa  que a exposição de cada família  da zona euro vai passar de 535 euros actualmente para   cerca de 1.450 euros”. Ora todos os economistas  estão de acordo em afirmar  que a Grécia não poderá reembolsar a integralidade das suas dívidas.

Opondo-se de forma  selvagem a  qualquer reestruturação, Sarkozy joga uma corrida contra-relógio a favor dos bancos franceses; Quando a Grécia  não for capaz de  pagar  , serão as finanças públicas dos outros países europeus  que estarão na primeira linha… E os povos europeus pagarão a factura através de novas medidas de  austeridade.

“Privatizar os lucros, socializar  as perdas”, esta lógica parece mais do que nunca de uma extrema  actualidade: com a nova governança económica, promovida pelos governos europeus e pela Comissão e votada pelo Parlamento Europeu , as finanças públicas serão postas sob tutela, e à imagem da Grécia, será a austeridade permanente para os povos que garantirá os benefícios dos bancos.

É essencial que os povos europeus se  mobilizem  para levar ao completo malogro esta “estratégia do choque” à escala europeia. À imagem do povo grego, é necessário não somente  se “indignar”, mas mostrar-se “determinado” a pôr um fim  ao diktat dos bancos e dos mercados financeiros, começando por impôr uma auditoria democrática das dívidas públicas. Em  França nomeadamente, as mobilizações devem redobrar de intensidade: o que se decide  na Grécia hoje  é a capacidade dos povos na Europa de sairem  da armadilha na qual  nos coloca  a finança que está  em causa.

Na quinta-feira 30 de Junho, no dia seguinte  ao da mobilização sem precedentes do povo grego, e enquanto que os movimentos sociais e  os sindicatos britânicos organizam uma greve geral contra os cortes maciços nos orçamentos públicos, Attac apela a que as pessoas se reunam  as  18h em  frente da embaixada da Grécia para um apoio às mobilizações que se desenrolam na Europa, na Grécia, no Reino Unido, na Espanha, para afirmar que os seus combates são  mais do que nunca os nossos combates também.

3. Goldman Sachs assume oficialmente a direcção  do BCE

Attac, França,

 

Paris, 29 de Junho de 2011
Goldman Sachs assume oficialmente a direcção  do BCE

 

Mario Draghi, antigo Presidente de Goldman Sachs para a Europa, assume  hoje a presidência do Banco Central Europeu. Era Presidente da Goldman Sdachs  na altura  em que o banco de negócios americano , nos anos 2000, ajudava a Grécia a maquilhar  as suas contas públicas. O seu papel vai ser agora o de  preservar os interesses dos bancos na actual crise europeia.

Podiamo-nos  até agora interrogar  sobre as razões que levavam o BCE e Jean-Claude Trichet a opôrem-se de maneira mesmo violenta - incluindo face à chanceler  alemã - a toda e qualquer ideia de reestruturação da dívida grega.

 

Esta atitude parecia incompreensível dado que todos os analistas, incluindo os economistas dos bancos, estavam de acordo em considerarem que a Grécia não poderá assegurar o serviço da sua dívida nas actuais condições contratuais. Um reescalonamento, ou mesmo uma anulação parcial parece ser inevitável de acordo com a opinião  geral. Querer atrasar  esta solução  faz apenas agravar os estragos económicos e sociais provocados pelos planos de uma austeridade brutal e impopulares  impostos aos Gregos.

A nomeação de  Draghi clarifica por conseguinte as coisas. O BCE defende não o interesse dos cidadãos e de contribuintes europeus, mas sim o interesse dos bancos. Um estudo britânico citado ontem por Les Echos tem o mérito de quantificar claramente o processo em curso. Este estudo indica que graças “aos planos de salvamento” da Grécia e ao “ mecanismo europeu de estabilidade” instaurado pelo BCE, pelo FMI e pela União Europeia, “ a parte de dívida grega nas  mãos dos contribuintes estrangeiros passará de 26% para 64% em 2014. Isto significa  que a exposição de cada lar da zona euro vai passar de 535 euros actualmente para  1.450 euros”.

“O salvamento” da Grécia é pois de facto  uma gigantesca operação de socialização  das perdas do sistema bancário. Trata-se de transferir o essencial da dívida grega - mas também espanhola e irlandesa - das mãos dos banqueiros para a mão dos contribuintes. Será em seguida  possível fazer assumir os custos  da inevitável reestruturação destas dívidas pelos orçamentos públicos europeus.

Como o afirmam os  Indignados  espanhóis, “não é uma crise, é uma fraude! ». O Parlamento Europeu votou  ontem “o pacote da governança” que reforma o pacto de estabilidade, reforçando os constrangimentos sobre os orçamentos nacionais e as sanções contra os países em infracção. O Conselho Europeu reunido hoje e amanhã vai  terminar o seu  trabalho. E não é a próxima nomeação de Christine Lagarde à frente  do FMI que reduzirá a influência dos bancos sobre as instituições financeiras internacionais, bem pelo  contrário.
Felizmente as resistências sociais e de cidadãos  vão em  crescendo em toda a Europa. Governar para os povos ou para a finança? A resposta é hoje clara: vai ser necessário que os povos europeus se dêem as mãos para construirem  juntos uma  outra Europa.















publicado por Luis Moreira às 20:00
editado por João Machado em 02/07/2011 às 22:20
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Sábado, 2 de Julho de 2011
Sobre a grande fraude 1. Crise da dívida: os credores privados ganham vantagem por Izabelle Coulet

Sobre a grande fraude



1.    Crise da dívida: os credores privados ganham vantagem


Abandono do estatuto “prioritário” do Mecanismo Europeu de Estabilidade, aumento das capacidades de empréstimos da UE, compromisso voluntário dos credores para com a Grécia… o horizonte parece esclarecer-se para os investidores privados.

Isabelle COUET

 
Quem,  investidor privado ou  contribuinte será o que mais vai pagar na  crise da dívida europeia? Recentemente, os acontecimentos parecem dar vantagem ao sector privado, ou seja,  essencialmente aos bancos. O presidente do Eurogrupo surpreendeu os operadores de mercado, segunda-feira, declarando que o futuro Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) -  o veículo de financiamento que nascerá em 2013 - não terá nenhum  estatuto prioritário (“divisão entre credores séniores e juniores”) no caso da Grécia, de Portugal e da Irlanda. Em suma,  se um destes países viesse a entrar em incumprimento , o mecanismo, que lhe emprestou os fundos  não será çprioritariamente  reembolsado mas será colocado em situação de  igualdade com os detentores privados  de empréstimos ao Estado.

 

Trata-se de uma viragem  importante em relação a Março passado. O ministro das Finanças irlandês não deixou de se  congratular. Com efeito, a retirada desta cláusula deverá  tornar mais atractivas junto dos investidores as futuras emissões de dívida irlandesa, anunciadas para o fim  de 2012. “Esta decisão, combinada com o aumento dos meios do Fundo de Estabilidade (FEEF) é um passo para uma união fiscal”,análisa  a equipa de Deutsche Bank.

 

Reforçando as capacidades de intervenção dos veículos de financiamento europeus (440 mil milhões de euros para o FEEF e de 500 mil milhões para o MEE a partir de 2013), aumenta-se além disso a exposição potencial dos contribuintes europeus aos países periféricos. A equipa de ING sublinha que o FEEF, se devesse desembolsar a totalidade dos 440 mil milhões de euros para apoiar os Estados, seria  obrigado a  levantar ele mesmo 780 mil milhões de euros, tendo em conta o seu sistema “de sobregarantias”. “Para se ter  uma ideia, o valor da dívida obrigacionista da Alemanha situa-se actualmente em redor de 840 mil milhões de euros; o FEEF pode por conseguinte tornar-se  um dos principais emissores europeus se se vai até aos seus limites”,sublinha  Padhraic Garvey, de ING.

 

A gestão da crise grega parece também orientar-se para uma saída mais favorável para os credores privados. Se esta se  confirma, “a iniciativa de Viena” sobre uma base voluntária é solução mais satisfatória para os investidores: os que aceitarão reinvestirão simplesmente os montantes de dívida quando chegada à maturidade em novas obrigações gregas. Apesar deste compromisso do sector privado, é provável que o montante  de dívida  nas  mãos dos investidores vai, nos próximos anos,  diminuir em proveito dos empréstimos da União Europeia, tanto quanto a UE e o FMI está em vias de fixar  um segundo plano de salvamento da Grécia. O círculo de reflexão britânico Open Europe calculou que, através deeste novo plano de ajuda, a parte de dívida grega nas  mãos dos contribuintes estrangeiros (via  UE,  Banco Central Europeu e o FMI) passará de 26% para 64% em 2014. « Isto significa  afirmar  que a exposição de cada lar da zona euro vai passar de 535 euros hoje à 1.450 euros ”, dizem-nos.

 

O debate vai ganhar nova  amplitude

 

Berlim, que não deixou de querer  fazer participar o sector privado de maneira substancial , que vai deixar fazer? Apesar das críticas de vários partidos, a chanceler  apresentava ontem um espírito de solidariedade. “ Devemos ajudar a Grécia a tornar-se  mais competitiva  e a reduzir a sua dívida”, declarou Angela Merkel, apelando ao mesmo chamando a Atenas para continuar a fazer esforços. O argumento desenvolvido pelos detractores de uma implicação dos credores privados pode de resto ser entendido pelos Alemães: de acordo com estes, não se deve  fragilizar os bancos. Em síntese,   tudo isto  correria o risco de custar caro aos contribuintes.

 

Em  todo o caso, o debate tem tempo de ganhar uma outra dimensão. De acordo com a Reuters, o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, anunciou que a ratificação do Mecanismo de Estabilidade seria  apenas feita no final do ano

 

ISABELLE COUET



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Sexta-feira, 1 de Julho de 2011
O quebra-cabeças grego semeia a confusão no mercado opaco dos CDS, estes seguros contra o risco de incumprimento por Marie de Verges e Marc Roche

enviado por Julio Marques Mota

 

Introdução

 

Na sequência do  texto anterior onde um dos maiores críticos mundiais dos instrumentos financeiros  chamados CDS.  Satyajit Das,  nos fala da incompetência  das autoridades europeias, aqui temos uma demonstração mais do clara, claríssima, dessa mesma incompetência, com um texto simples sobre CDS.  A crise sob os seus aspectos financeiros rebenta com a falência do Lehman Brothers , é aí diremos que a bolha especulativa explode mas curiosamente a União Europeia foi incapaz, por incompetência, por maldade,  de regular fosse o que fosse dos instrumentos que à crise nos levaram.                                                                                                                                                                                         

 

Os CDS, um dos elementos chaves desse processo, armas de  destruição maciça como os classificou Warren Buffet, e que à falência o primeiro segurador mundial levaram, a AIG,  assim continuaram a ser fortemente utilizados contra a dívida soberana na Europa , a descoberto e a não descoberto e agora…toda a gente tem medo do que eles possam revelar  pelo que a palavra Default é  proibida nas Instâncias Europeias para que não se vislumbre   a incompetência de quem aos destinos da Europa preside e que dá pelo nome de Durão Barroso, futuro doutorado Honnoris causa de uma Universidade low-cost portuguesa.                                                                                                                                                   

 

E tudo isto a fazer lembrar uma tragédia, a de Default da dívida russa onde se inventaram estratagemas e onde se gastaram milhões   para se questionar se um não pagamento era um não pagamento! Afinal, a definição jurídica do  que  pode ser um acontecimento de crédito! Daí que só se possa falar na Europa  em reestruturação voluntária e informal, para que assim não haja nenhuma declaração passível de activar os CDS! É esta a transparência a que os nossos dirigentes nos estão a habituar!

 

Como se diz no texto de Satyajit Das, um terrível acontecimento é um drama , dois acidentes são uma negligência e esta, dizemos nós,  pode ser ou não ser criminosa.A Europa está agora ela ao nível dos comportamentos que derivavam das bebedeiras de Boris Eltsine, apetece-me perguntar?

 

Um texto pois sobre CDS aqui vos deixo à vossa atenção.

 

Coimbra, 29 de Junho de 2011

 

Júlio Marques Mota

 

O quebra-cabeças grego semeia a confusão no mercado opaco dos CDS, estes seguros contra o risco de incumprimento

 

Acusados de ser a arma favorita dos especuladores , os CDS  impuseram-se  como um dos símbolos da crise grega: os CDS, ou Crédito Default Swaps, estes são  produtos financeiros complexos que permitem proteger-se contra o risco de falência de um Estado. Agindo como contratos de seguro que garantem ao credor que será reembolsado ainda que o seu devedor entre em falência , os CDS são hoje uma carga de complicações para os  meios financeiros.

 

Na altura  em que os líderes europeus se encontram  em Bruxelas, na quinta-feira 23 e Sexta-feira 24 de Junho, para tentar salvar in extremis  a Grécia da falência, uma pergunta se coloca : as instituições financeiras que venderam os CDS vão ter que  pagar? “Sempre se pode  jogar com as palavras , mas a realidade, é que a Grécia não pode reembolsar as suas dívidas ", diz de modo decido um banqueiro da praça .

 

Em teoria, tudo leva a crer  que  o país não  escapará a ser sujeito a “uma reestruturação”, assimilada pelas agências de notação a uma situação de incumprimento. O que, tecnicamente, deveria provocar a liquidação dos CDS . Na prática, o problema  é claramente mais complicado. Como o notam  os peritos, há incumprimento e incumprimento. Como se deve então  interpretar uma participação voluntária dos credores privados no salvamento da Grécia? A resposta não é  nada clara.

 

Para os líderes da zona euro, é necessário custe o que custar evitar que o mercado conclua que se -se  deu, como se diz em gíria financeira, um “acontecimento de crédito ",     que levaria de imediato a que se fizesse  o pagamento dos famosos CDS. Tal procedimento encarnaria concretamente a falência de Atenas. “E ninguém tem realmente desejo que se  recompense quem andou a jogar  contra a Grécia ", acrescenta Jean-François Robin, estratega no banco Natixis. Destinados na  origem a proteger um investidor contra uma situação de incumprimento , os CDS tornaram-se para certos agentes  um meio eficaz para ganhar muito dinheiro.

 

O princípio? Quanto mais elevado é  o risco de falência, mais o seguro é caro. A acreditar nas autoridades europeias, os especuladores teriam  comprado maciçamente estes produtos para aumentar os receios, as apreensões. Actualmente, custa 2 milhões de euros por ano a um investidor se este  deseja segurar uma carteira de 10 milhões de euros de dívida grega. Do nunca visto!

 

Os responsáveis da zona euro temem também que um desencadeamento dos CDS seja o veículo de um contágio da crise ao sector privado. Sobre este mercado escuro, impossível de saber precisamente quem são os compradores, os vendedores, e o montante dos seus compromissos.
Renovação de volatilidade

 

“Ninguém no mundo sabe quem detém os CDS, quem deveria pagar e o quê  no caso de um acontecimento de crédito na Grécia  ", alertou, na quarta-feira, a  chanceler  alemã, Angela Merkel. Aquando da crise financeira de 2008, estes contratos tinham desempenhado um papel determinante  na falência do ex-número um mundial dos seguros, o americano AIG, grande  emissor de CDS.

 

Mas certos actores do sector preocupam-se com o andar dos  acontecimentos. “ Os CDS são utilizados como uma protecção ", sublinha Gary Jenkins, responsável do mercado das obrigações  junto do corrector londrino Evolução Securities. Qual será a sua credibilidade se os bancos decidirem não pagar, apesar da incapacidade manifesta da Grécia em honrar as suas dívidas? Jenkins avisa  contra um aumento  de volatilidade nos mercados: “Os investidores em dívida soberana incapazes de se proteger  poderiam exigir garantias suplementares, o que aumentaria o custo de empréstimo de certos Estados. “

 

No  momento, a organização ISDA (Internacional Swaps and Derivatives  Association), a organização profissional que supervisiona este mercado, parece ir no sentido das capitais europeias. Em meados de Junho, considerou que uma participação voluntária dos credores não constituiria um “acontecimento de crédito  ". Mas, em última circunstância , a decisão de pagar ou não caberá ao seu  Determination Committee, uma discreta comissão composta de uma dezena de bancos.

 

Marie de Verges e Marc Roche, Le casse-tête grec sème la confusion sur le marché opaque des CDS, ces assurances contre le risque de défaut, Le Monde

 




publicado por Luis Moreira às 20:00
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