Terça-feira, 12 de Julho de 2011
Sonetos Perversos de Joaquim Pessoa - Paco Bandeira

Música e voz de Paco Bandeira

 

in sonetos perversos

 

                                                                                                   

Havendo o vento, pouca coisa há.

 

Um dedo açucarado se derrete

 

mexendo a minha vida como o chá

 

Sobram notas de chuva de um trompete.

 

 

ao dizer, sei lá porquê, sei lá?:

 

" É isso, a história quase se repete"

 

(tenho um gato cor de rosa como o Xá

 

e alimento-o a damasco e sorvete).

 

 

Eu sempre fiz aquilo que não quis

 

mas sempre o que tive de fazer

 

me deixou constrangido e infeliz

 

 

 

Hoje mesmo, farei o que puder.

 

E só coloco as mãos nos quadris

 

para abrir mais os olhos ao morrer.



publicado por Luis Moreira às 22:00
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2011
Sonetos Perversos de Joaquim Pessoa - Amélia dos Olhos Doces

 

 

 

in Sonetos Perversos

 

Também eu tenho um hobby: é viver                                                        

 

minuto após minuto a minha vida,

 

se possível do lado em que souber

 

que vale mais a pena ser vivida.

 

 

Já deixei de sonhar com andorinhas

 

e com o deus à venda nos prospectos.

 

Recuso-me a entrar em capelinhas

 

pois faço à transperência os meus projectos.

 

 

Sei bem que os incapazes me detestam

 

e nem os preguiçosos aguentam

 

comigo a funcionar a todo o gás.

 

 

Contudo, cada um vale o que vale.

 

Porquê ambicionar ser imortal

 

se nunca saberei se fui capaz?

 



publicado por Luis Moreira às 22:00
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011
Poema de agradecimento à corja, por Joaquim Pessoa

 

 

 

 

 

 

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

 

 

 




publicado por João Machado às 10:00
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