Sexta-feira, 15 de Julho de 2011
JOÃO MACHADO DESPEDE-SE DO ESTROLABIO


 

 

Cesso hoje a minha colaboração no Estrolabio. Desejo as maiores felicidades a todos os que cá ficam, amigos, colaboradores e leitores. Foi uma experiência de um ano e alguns meses que me trouxe muitos ensinamentos, os quais, sem dúvida, me vão ser úteis em novos projectos.

 

 

Um grande abraço para vocês.



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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
Literatura Americana - III, por João Machado

 

 

 

 

 

 

O Movimento Realista e Novas Direcções

 

Assinala Foerster que em 1890 nos EUA houve mais greves do que em qualquer outro ano do século. A situação social e económica continuou agitadíssima nos anos seguintes, até 1896, ano em que foi eleito Presidente o republicano Mckinley. Entretanto,  em 1898 foi anexado o Hawai. Desencadeia-se a guerra com a Espanha, para “libertar” Cuba, e depois com as Filipinas. Os EUA entram na posse de uma série de territórios além-mar (como Porto Rico e as Filipinas), mantêm protectorados sobre Cuba, Panamá e Nicarágua, intervêm no Extremo Oriente. Foerster refere que o Washington Post diz na época que “O gosto do Império está na boca do povo do mesmo modo que o gosto de sangue está na selva”. Esta frase brutal é talvez exagerada nalguns aspectos, mas sem dúvida que ajuda a explicar muito da história americana até hoje.

 

Nesta altura são muitos os aspectos novos na Literatura Americana. Ela cresce enormemente e conhece uma série de correntes e de inovações. Aparece uma literatura de ideias, em avultam HenryGeorge(1839-1897), Thorstein Veblen (1857-1929), sociólogo reputado, William James (1842-1910), psicólogo e filósofo, defensor do pragmatismo, e Henry Adams (1938-1918), historiador. O debate social tem fortes repercussões na ficção. A novela Looking Backward (1888), de Edward Bellamy, vende mais de 500.000 exemplares. Upton Sinclair (1878-1968) escreve A Selva (1906), sobre a destruição de uma família imigrante pela exploração a que estão sujeitos. A corrente naturalista ganha força, destacando-se Stephen Crane (1871-1900), com Maggie: A Girl of the Streets (1893) e The Red Badge of Courage (1895), Frank Norris (1870-1902), seguidor de Zola, que escreveu sobre a epopeia do trigo e Jack London (1876-1916), o mais famoso a nível mundial, e com enorme influência em muitos escritores. Houve também Theodore Dreiser (1871-1945), cujas obras mais famosas terão sido Sister Carrie (1900) e An American Tragedy (1925). Persiste uma corrente que alguns classificam de tradicionalista, na medida em que a integram escritores que estudam a realidade a partir de velhos valores. Incluirá (de modo talvez discutível) Edith Wharton (1862-1837), Willa Cather (1873-1947) e Sinclair Lewis (1885-1941), cuja obra inclui Main Street (1920), que terá sido classificado como “o livro mais importante da década do pós-guerra”, Babbitt (1922) e Elmer Gantry (1927), e foi o primeiro americano a vencer o Prémio Nobel de Literatura, em 1930.

 

Outro aspecto marcante é o renascimento da poesia norte-americana. Ele foi marcado pelo primeiro número de Poetry: A magazine of Verse, que apareceu em Chicago em 1912, e foi editado por Harriet Monroe. Foerster refere o poema dedicado a Chicago, Hog Butcher for the World, de Carl Sandburg (que VerbArte hoje publicou às 7.00). E dá-nos uma lista parcial de 22 livros de poesia publicados de1912 a 1917, entre cujos autores aparecem Amy Lowell (1874-1925), Ezra Pound (1885-1972), Carl Sandburg (1878-1967), Robert Frost (1874-1963) e T. S. Eliot (1888-1965).

 

A literatura norte-americana é um mundo que não cabe num pequeno post como este. A dramaturgia, o romance policial, outras correntes e especialidades, a análise do que foi a geração perdida, são questões que aqui não podemos tratar por falta de tempo e de espaço. Vamos referir apenas que escritores como James T. Farrell (1904-1979), John Steinbeck (1902-1968), John dos Passos (1896-1970) e Erskine Caldwell (1903-1987) são quatro nomes importantes de uma literatura de protesto que surge como consequência das convulsões que dilaceram nos anos 20 e 30 do século passado os EUA e o mundo.

 

Não se pode terminar sem referir Scott Fitzgerald (1896-1940), Ernest Hemingway (1899-1961) e William Faulkner (1897-1962). Os contemporâneos ficarão, tal como os temas acima referidos para outro post.

 

Scott Fitzgerald – escreveu novelas e contos, estudou em Priceton e combateu na I Guerra Mundial. A sua obra é grande, mas o expoente será The Great Gatsby (1925), que aborda o problema sucesso fácil e a qualquer preço, a partir da história de um contrabandista de álcool que quer ser aceite pela sociedade de Long Island. Outros livros seus famosos foram This Side of Paradise (1920) e Tender is the Night (1934).

 

Hemingway – a sua prosa, com um estilo muito cuidado, foi a sua marca dominante. Foi muito influenciado por Mark Twain e Stephen Crane, principalmente. É difícil escolher entre The Sun Also Rises (1926), A Farewell to Arms (1929) ou For Whom the Bell Tolls (1940). Serão os máximos da sua obra … Mas depois de The Old Man and the Sea (1952)… Prémio Nobel em 1954. Tido como o símbolo máximo dos escritores geração perdida.

 

William Faulkner – intérprete e crítico do espírito do Sul norte-americano profundo, a sua obra mais famosa será The Sound and the Fury (1929), sobre a decadência de uma família, outrora rica e famosa. Curiosamente, começa o romance partindo do olhar de um débil mental. Faulkner foi poeta, contista e escreveu uma obra muito vasta, que só relativamente tarde começou a ser reconhecida. Prémio Nobel em 1949. 



publicado por João Machado às 19:00
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Terça-feira, 5 de Julho de 2011
A Literatura Americana – II, por João Machado

(Continuação)

 

 

O Aparecimento do Realismo

 

Sobretudo após o fim da Guerra Civil (1861-1865), os Estados-Unidos conhecem um processo de crescimento e desenvolvimento para o qual é difícil, senão impossível, encontrar um paralelo na história do mundo. O crescimento industrial gigantesco, o desenvolvimento económico em todos os sectores, o crescimento populacional exponencial alimentado pela imigração, e a marcha para oeste (onde os pioneiros vão desbravar algumas das terras mais férteis do mundo) são componentes desse princípio. Assiste-se a um crescimento desmesurado do capitalismo. A outra face da moeda são o agravamento das tensões sociais, da miséria e das depressões económicas. A especulação financeira invade a economia. Foerster refere o papel dos magnatas no processo, procurando mostrar o lado positivo e o negativo. Mas não deixa de apontar o caso de Jim Fisk, aventureiro, corretor da bolsa de Nova Iorque, assassinado por um rival. Não esquece os índios, que são perseguidos, subjugados e reduzidos à miséria, principalmente devido ao massacre dos búfalos, para facilitar a expansão do caminho de ferro e a introdução do gado.

 

 

A literatura tinha de reflectir estas realidades tão gritantes. Em 1874, Mark Twain (Samuel Langhorne Clemens, 1835-1910), em conjunto com Charles Dudley Warner (1829-1900),  publica a sua primeira obra de ficção, The Gilded Age, uma sátira social inspirada num caso real. É de salientar que Foerster informa que a ficção ficou muito aquém da realidade, pois o caso real envolveria verbas muito maiores do que as contadas no livro. Mark Twain tornou-se um escritor de nível mundial, porque, para além do seu formidável talento e do seu sentido de humor, as suas obras mais conhecidas, The Adventures of Tom Sawyer e The Adventures of Huckleberry Finn, não só reproduzem os modos de falar e o estilo de vida da região do Mississípi de uma maneira muito realista, mas sobretudo transmitem valores reconhecidos universalmente, mas pouco compatíveis com os dominantes nos EUA em expansão.

 

Para além de Mark Twain, dois outros escritores estão na vanguarda desta transição do romantismo para o realismo. William Dean Howells (1837- 1920), natural do Ohio, teve desde novo uma experiência de vida que o despertou para as realidades à sua volta, mas  ao mesmo tempo recebeu uma educação clássica. Admirava Poe e Jane Austen. Os excessos do romantismo, contudo, fizeram com que se inclinasse para o realismo. De entre as suas obras destaca-se The Rise of Silas Lapham (1885), cujo personagem central é um empresário que se arruína devido à sua decisão de vender a sua fábrica de um modo ético.

 

Henry James (1843-1916), nasceu em Nova Iorque, e pertencia a uma família culta e abastada. O filósofo William James era seu irmão mais velho. Viveu muito tempo na Europa, tendo falecido em Londres. Osproblemas básicos que ressaltam das suas obras, logo desde o início da sua carreira, são a contradição entre as maneiras de ser e de proceder dos americanos e dos europeus, as realidades conflituais da arte e da vida e a confusão entre a psicologia e a ética na abordagem do bem e do mal. Deixou uma obra gigantesca. The Portrait of a Lady (1981) foi a sua primeira obra a ter grande êxito junto do público.

 

Outros autores se poderiam referir. Refira-se apenas Harriet Beecher Stowe (1811-1896), autora de Uncle Tom’s Cabin (1851), obra talvez de escasso valor literário, mas de poderoso conteúdo humano, e a quem Lincoln disse quando lhe foi apresentado, já se travava a Guerra Civil: “Como é que uma senhora tão pequena pode ter causado uma guerra tão grande?"

 

(Continua) 

 

 

 



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Segunda-feira, 4 de Julho de 2011
A Literatura Americana - I, por João Machado

 

 

 

 

 

 

A melhor maneira de conhecer um povo é estudando a sua cultura. E a sua literatura pode revelar-nos os aspectos mais diversos da sua vida, da sua história e das maneiras de ser das suas gentes. Estudando-a ao longo dos tempos, conseguimos chegar a uma ideia dos valores desse povo, das suas ambições, dos seus sofrimentos e do caminho que percorreu.

 

O Professor Norman Foerster no seu livro Image of America, de 1962, traduzido no Brasil por Lúcia Carvalho Alves, para a Editora Lidador, do Rio de Janeiro (colecção Mimesis), com o título A Literatura como Imagem, distingue cinco fases na história da literatura dos Estados Unidos.

 

A Época Puritana.

 

Em 1620 um grupo de puritanos, que fugiam das perseguições em Inglaterra, fundaram Plymouth, em Massachusetts. Depoisvieram vagas sucessivas de emigrantes. Deram à Nova Inglaterra uma carácter especial, que, em alguns aspectos, perdurou até hoje. William Bradford (1590 – 1657), que governou a colónia de Plymouth durante mais de trinta anos, escreveu a History of Plymouth Plantation, onde conta a história do seu grupo de peregrinos e as razões porque viajaram até à América. Foerster assinala que a colónia era governada pelo clero, cujos elementos eram pessoas conhecedoras de teologia, hebreu e grego. E os puritanos eram ingleses, fortemente marcados pela cultura inglesa, e desejosos de assim continuar, transmitindo aos seus filhos a cultura que lhes fora legada. Escreveram sobretudo biografias e autobiografias, sermões e outros textos muito enformados pelo espírito religioso. A maior figura desta época terá sido Jonathan Edwards (1703 -1758), pregador revivalista, defensor do calvinismo.

 

A Idade Neoclássica

 

Foerster chama a atenção para que o século XVIII já não foi dedicado à religião mas à ciência e à política. Nesta fase a ficção continuou num lugar secundário nas letras norte-americanas. Liam-se, é verdade, escritores ingleses como os romancistas Defoe, Fielding, Sterne, poetas como Alexander Pope, e também Jonathan Swift, o Dr. Johnson e outros. Mas os escritores locais mais lidos eram, sem dúvida Benjamin Franklin (1706 – 1790) e Thomas Jefferson (1743 – 1826), o presidente da comissão que redigiu a Declaração da Independência. Os escritos políticos eram numerosos, como o Common Sense e The American Crisis, de Thomas Paine (1737 – 1809). Deu-se grande ênfase ao estudo dos autores clássicos. Data de 1789 The Power of Sympathy, de William Hill Brown, a primeira novela americana, segundo nos informa Foerster. Em 1767 tinha sido representada em Filadélfia (o maior centro cultural do país na época) The Prince of Parthia, uma peça de Thomas Godfrey, a primeira a ser encenada por uma companhia profissional. Philip Morin Freneau (1752 – 1832) foi o principal poeta da época.

 

O Movimento Romântico

 

A América entrou numa fase de expansão rápida, sobretudo depois da guerra com a Inglaterra de 1812, e do fim das guerras napoleónicas. A população aumentou, a expansão para o oeste abriu novos horizontes. As diferenças regionais, em meados do século XIX, eram enormes. Houve como que uma recuperação do espírito religioso. Na Europa irrompeu o romantismo, curiosamente alimentado também pela epopeia americana. Em 1820, diz-nos Foerster, alguém perguntava: “Quem lê um livro americano?”. Esta pergunta, pouco tempo depois, deixou de ter razão de ser. Em Nova Iorqueapareceu a Escola Knickerbocker, uma associação de escritores, que está na origem do Movimento Romântico norte-americano. As suas figuras principais foram Washington Irving (1783–1859), James Fenimore Cooper (1789–1851) e William Cullen Bryant (1794-1878). Em Setembro de 1836, forma-se o grupo de Concord (uma vila perto de Boston), cujas figuras mais notáveis terão sido Ralph Waldo Emerson (1803-1882) e Henry David Thoreau (1817-1862). Edgar Allan Poe (1809-1849), poeta, contista, crítico literário, figura maior da literatura mundial, tem como tema dominante a procura da beleza que a tudo supera, e procura aliar-lhe o culto pelo exótico. Nathaniel Hawthorne (1804-1864) escreve The Scarlet Letter, sobre os efeitos do pecado e da sua ocultação. Herman Melville (1819-1891), ao contrário dos outros românticos norte-americanos, vira-se para temas mundiais e contemporâneos, e tem como obra máxima Moby Dick. Henry Wadsworth Longfellow (1807-1882) era o poeta mais lido na altura. James Russell Lowell (1819-1891) escreveu The Biglow Papers. Walt Whitman (1819-1892) é considerado como o maior poeta norte-americano do século XIX. E muitos outros nomes acompanham estes, passando a literatura norte-americana para a primeira linha mundial.

 

(Continua)



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Quinta-feira, 16 de Junho de 2011
A Comunicação Social e a Democracia – III - O Vida Ribatejana suspendeu a publicação, por João Machado

Este texto já tinha aparecido no nosso blogue há vários meses. Apresentamo-lo novamente para chamar a atenção para o problema da comunicação social regional e local, tão condicionada no nosso país. Entretanto, em Vila Franca de Xira apareceu o quinzenário Voz Ribatejana, que tenta substituir o Vida Ribatejana.

 

 

 

 

 

Há alguns dias alguém me avisou de que o Vida Ribatejana já não aparecerá na próxima semana. Na segunda-feira confirmei o facto junto de várias pessoas. A empresa proprietária, a CCS -  Cultura e Comunicação Social, Lda., pediu a declaração do estado de insolvência.

 

O Vida Ribatejana é (espero que continue a sê-lo) um semanário de Vila Franca de Xira. Fundado em 1917, por Fausto Nunes Dias, é sem dúvida o jornal mais conhecido do Ribatejo. Ainda não há muito tempo, reportando-nos à imprensa local, era um dos jornais mais lidos no Distrito de Lisboa. Ultimamente já não era (não sei se alguma vez o foi) o de maior tiragem (da ficha técnica constam 10000 exemplares), ou o mais lido, por várias razões, a começar pela financeira. Foi perdendo muita publicidade, o que possivelmente precipitou a situação actual. Outro problema que agravou a situação do jornal foi a redução da comparticipação do Estado no porte pago.

 

Do que não há dúvida é que o Vida Ribatejana prestava um serviço muito relevante à comunidade, a começar pela cidade de Vila Franca de Xira, e também ao concelho e às zonas vizinhas. Não se limitava às notícias puramente locais; por vezes tratava temas de interesse nacional.

 

Uma cidade como Vila Franca de Xira, de tamanho médio (cerca de 20000 habitantes), que continua a ser um centro administrativo importante e um centro de atracção para as zonas vizinhas, requer a existência de órgãos de comunicação social, incluindo, claro, jornais. O encerramento do Vida Ribatejana é um golpe importante para a cidade e para a região. O processo de insolvência terminará provavelmente pela venda em hasta pública dos títulos possuídos pela CCS, o Vida Ribatejana e o Notícias de Alverca. A continuação pelo menos do primeiro é essencial.

 

Remato reproduzindo alguns dos títulos principais do último número, o 4612, de 29 de Setembro.

 

  • Lucros das empresas do concelho de Vila Franca caíram 60 milhões de euros em 2009.

 

  • Feira (de Outubro) arranca na sexta e vai renovar-se em 2011.Vila Franca investe 2 milhões no novo Pavilhão do Cevadeiro.

 

  • SAC (Serviço de Atendimento Complementar) da Póvoa de Santa Iria deve reabrir já em Outubro.

 

  • Imposto sobre imóveis para 2011. Câmara mantém taxas mas a CDU queria ligeira descida.

 

  • Alhandra – Água com muito sal inviabiliza captação junto às piscinas.

 

  • Salvador Marques (teatro centenário de Alhandra) com biblioteca e sala de teatro já tem programa funcional.

 

  • Câmara de Benavente protesta, Naer desmente aproximação de zonas habitadas. Temperatura elevadas e mudança das pistas do novo aeroporto “ameaçam” Santo Estêvão.

 

  • Plataforma logística inaugurada na quarta-feira. Fiege investe 11 milhões em Azambuja.

 

O Vida Ribatejana nº 4612 incluiu também um interessante artigo de opinião do economista Eugénio Rosa, ligado à CGTP, intitulado Preço de energia em Portugal é muito superior à média da União Europeia. E também continha um caderno de desporto, outro sobre a Feira de Outubro de 2010, e outro sobre touros. E ainda um roteiro sobre lazer e uma secção Olho Vivo, humorístico e de crítica. Era obviamente um jornal muito informativo.

 

Espero que recomece em breve.

 



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Quarta-feira, 15 de Junho de 2011
A Comunicação Social e a Democracia – II - Le Monde está à venda, por João Machado

 

 

 


 

 

No New York Times do dia 14 do corrente mês de Junho saiu uma notícia informando que Nicolas Sarkozy, Presidente da República Francesa, convocou para o Palácio do Eliseu Éric Fottorino, editor de Le Monde, para lhe exprimir a sua preocupação por um grupo de três personalidades próximas do Partido Socialista de França se proporem comprar o jornal. Noutra notícia, saída no Finantial Times de 11 de Junho, refere-se que Fottorino terá dito que Sarkozy ameaçou reter apoios estatais ao jornal se se consumasse aquela entrada no capital do jornal de três adversários políticos seus.

 

A precária situação financeira do prestigioso Le Monde obrigou os actuais  proprietários a procurar novos investidores, na medida em que já em Julho próximo terão dificuldade em fazer pagamentos. Para além do grupo das três personalidades de esquerda muito moderada (um apoiou a anterior candidata do partido Socialista às presidenciais Ségolène Royal, outro Dominique Strauss-Kahn, actual líder do FMI, e o terceiro navega nas mesmas águas), perfila-se a France Telecom em conjunto com o Nouvel Observateur como outro candidato. O grupo espanhol Prisa (que já detém acções de Le Monde) também parece ter manifestado interesse, assim como suíços e italianos. A intervenção de Sarkozy poderá ter tido um peso considerável na decisão final, que deverá estar pronta no próximo dia 28 de Junho.

 

Para Le Monde é hora de grande incerteza. Os seus mais de 200 jornalistas e a sociedade de leitores têm tido um grande peso na sua orientação e na defesa da sua independência editorial. Dominam parte significativa do capital e os jornalistas detêm poderes estatutários que lhes permitem influenciar a escolha das chefias. Obviamente que estes poderes vão estar em causa neste processo, apesar das promessas de várias quadrantes no sentido da manutenção da independência editorial, pedra angular do óptimo trabalho desenvolvido pelo jornal desde 1944, quando foi fundado por Hubert Beuve-Méry, a pedido do General De Gaulle.

 

Nicolas Sarkozy parece deter uma influência crescente na comunicação social francesa, contando com amigos seus à frente de vários jornais influentes, como o Figaro. O Finantial Times, na notícia acima citada, diz ter conseguido uma alteração legislativa que lhe permite nomear o director da televisão pública. A intervenção do poder na comunicação social em França não é propriamente um fenómeno novo, mas não será exagero interrogarmo-nos se, neste caso de Le Monde, não estaremos perante uma tentativa de aproveitar a sua precária situação financeira para domesticar um jornal incómodo, não só para Sarkozy, mas para os poderes em geral.

 

Não posso concluir sem fazer uma rápida conclusão com o caso TVI/PT em Portugal. É claro que é preciso desde logo fazer o reparo de que há uma grande diferença entre a qualidade jornalística de Le Monde e a da TVI. Contudo parece estabelecido que também neste caso ocorreu uma tentativa de calar uma voz contrária, apesar dos veementes desmentidos. Põe-se aqui uma grande questão: até quando os jornalistas e a comunicação social em geral conseguirão suportar estas investidas?  É um erro pensar que estas provêem apenas de alguns políticos mal formados ou pouco avisados. 

 

(Este texto já tinha saído no nosso blogue em Junho de 2010. Dado o assunto que aborda, VerbArte achou valer a pena publicá-lo novamente)



publicado por João Machado às 15:00
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Terça-feira, 14 de Junho de 2011
A Comunicação Social e a Democracia - por João Machado

 

 

 

 

 

 

 

É comum ouvirmos dizer que hoje em dia existe liberdade de expressão. Contudo essa afirmação não resiste a uma observação mais aprofundada. A maior parte dos cidadãos dificilmente consegue transmitir qualquer opinião mais significativa através da chamada comunicação social, mesmo quando disso sente necessidade. Muitas forças políticas e sociais também encontram muitos obstáculos para conseguirem fazer chegar ao público uma mensagem mais elaborada. Quando tentam fazê-lo vêem frequentemente deturpadas as imagens e ideias que pretendem dar a conhecer.

 

Também se ouve com frequência gabar a sociedade em que vivemos e o nosso sistema político por permitirem o convívio de diferentes ideias e de modos de vida. Novamente, temos que constatar que esta segunda afirmação não contém muito de verdade. Existem, é verdade, diferentes maneiras de ser e de pensar, mas os valores dominantes colocam-nas numa escala pré-determinada, que influencia decisivamente a opinião da maioria.

 

A comunicação social é controlada pelo Estado e pelos grandes grupos económicos. Os pequenos jornais, as rádios locais têm públicos restritos e debatem-se com cruéis limitações que dificilmente ultrapassam, apesar do enorme valor de muitos dos seus responsáveis.

 

O escritor e activista britânico George Monbiot escreveu a semana passada, na coluna que mantém no Guardian, que a mentira mais perniciosa em política é que a imprensa é uma força democratizante. Alguns afirmarão que constituirá uma incongruência escrever esta frase num jornal de grande tiragem. Pessoalmente, penso que Monbiot dificilmente conseguiria publicar a sua coluna noutro jornal que não o Guardian, e nunca na maioria dos países do mundo. Mas também penso que culpar a imprensa e a comunicação social em geral pelas limitações à democracia é um pouco como matar o mensageiro que nos traz uma má notícia (o problema muitas vezes é que nem consegue transmiti-la). O problema está obviamente nas pressões e limitações que incidem sobre toda a comunicação social. No chamado mundo ocidental são sobretudo (não só) de carácter económico. As indignas manipulações que se constatam são um reflexo deste facto. Foi outro britânico, Lord Acton, que disse abertamente aquilo que todos instintivamente sabemos, que o poder corrompe. Não é preciso contar o Citizen Kane para concluirmos que o poder da comunicação social não é excepção.

 

O movimento dos blogues tem constituído uma maneira de contornar aquelas pressões e limitações. Em muitos lados do mundo é uma maneira razoavelmente eficaz de fazer conhecer factos e ideias, em alternativa à comunicação social tradicional. O seu alcance depende obviamente de muitos factores, como por exemplo a disseminação da internet. Mas o fundamental é contribuir para contrariar o crescimento do pensamento único, cada vez mais forte nas últimas décadas, à sombra de pretensas políticas realistas, de apregoados apaziguamentos ideológicos, que apenas servem para camuflar pretensões de afirmação e de eternização do poder que nada têm de democráticos, nem têm a ver com as liberdades ou os direitos fundamentais.

 



publicado por Augusta Clara às 15:00
editado por João Machado às 17:10
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Sexta-feira, 10 de Junho de 2011
O Livro. Um artigo no Babelia. El e-book en busca de su primavera.

 

 

 

 

 

 

João Machado

 

 

O Carlos Loures escreveu para o nosso blogue Estrolabio uma série de posts com muito interesse, sobre o livro, a sua história, a sua problemática, e as perspectivas futuras, A Eterna Questão do Livro. Este assunto merece uma larga discussão. O livro, apesar da concorrência de outros meios de comunicação, como a televisão e o cinema, continua a ser o veículo mais importante de difusão de cultura. Apenas os jornais lhe farão, em alguns aspectos, uma concorrência séria. A situação tem muitas explicações, sem dúvida, que vão desde a portabilidade do livro, até à dependência que temos do sentido da visão. Será que a internet trará alterações decisivas a este estado de coisas? Proponho  que o nosso blogue lance uma discussão alargada sobre este tema, primeiro entre os nossos colabores e leitores, a seguir com a participação de especialistas e pessoas interessadas.

 

Como aperitivo para a nossa conversa, vou referir-lhes que no Babelia de sábado passado, dia 4 de Junho, na pág.2, a coluna que habitualmente ali aparece tem o título El e-book en busca de su primavera e vem assinada por Milagros del Corral, que foi directora da Biblioteca Nacional de Espanha, e agora preside ao Comité Científico de Unesco Focus 2011: Book Tomorrow. Este Comité ter-se-á reunido em Monza, na Itália, há poucos dias, de 6 a 8 de Junho, numa reunião com o tema O livro amanhã: o futuro da palavra escrita. Talvez o nosso Sílvio Castro tenha tido algum eco desta reunião. Desde já aqui lhe peço que, se lhe for possível, nos informe sobre o assunto.

 

No seu El e-book en busca de su primavera, Milagros del Corral. Ela compara a irrupção do e-book com o aparecimento da imprensa nos meados do século XV e considera que isso ocasionará o aparecimento de uma indústria nova com as suas regras próprias. E que as funcionalidades digitais permitirão um alargamento sem precedentes dos hábitos de leitura de um público jovem que “nasceu digital”. Diz ainda a autora que nos EUA o e-book em 2010 representou 10% do total do mercado, e 8,3% da facturação, prevendo-se que 2015 alcance 22,5% do mercado. A Amazon já vende mais e-books que livros impressos.

 

A situação em Espanha é completamente diferente por uma série de factores. Falta de rentabilidade, pirataria, fiscalidade desfavorável, em conjunto com o receio de que a novidade desestabilize a cadeia tradicional do livro impresso. Milagros del Corral destaca o papel preponderante do leitor, que hoje em dia frequenta cada vez mais as redes disponíveis. E pergunta: para quando um grande portal de venda de e-books  em espanhol?

 

Procurei resumir o artigo de Milagros del Corral. Compete-nos sem dúvida pôr a questão: como estão estes problemas em Postugal? E nos países lusófonos?



publicado por João Machado às 15:00
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2011
Eleições - a opinião de João Machado

O rescaldo das eleições de 5 de Junho de 2011

 

Conhecidos os resultados eleitorais, verifica-se a esperada vitória da direita. Não se sabe se vai haver coligação, pessoalmente vaticino que sim. Há que agradar às instâncias internacionais, que têm insistido na necessidade de uma maioria absoluta, ao Presidente da República, que é um senhor com uma visão aritmética da política, e aquietar o buliçoso líder do CDS/PP, que aprecia muito os bancos do poder. Veremos. E há sempre a hipótese, remota é verdade, de uma coligação PSD/PS. Se Sócrates não continuar á frente do PS, talvez seja mais fácil. De qualquer modo, a gente já viu cada uma …

 

A taxa de abstenção foi muito elevada. Mesmo levando em conta o estado lamentável dos cadernos eleitorais, foi excessiva. Obviamente que se deve a causas diversas. É em qualquer caso muito mau sinal. Uma pergunta para os que não vão votar por acharem que as forças políticas existentes não correspondem ao seu pensamento. Porque não tentam criar forças políticas que melhor representem o seu pensamento? Não é assim tão difícil. E a democracia não resume ao parlamento, é verdade. Nem às autarquias. É muito para além disso. Mas não participar nas eleições também não ajuda.

 

O novo governo vai aplicar os acordos com a troika. A esquerda terá de o contrariar, como é sua obrigação. Problema: onde se vai colocar o PS? Com Sócrates à cabeça? Sem ele? Será diferente sem ele?



publicado por João Machado às 01:30
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Quinta-feira, 2 de Junho de 2011
O Momento Político - por João Machado

Este é um texto sobre o processo eleitoral, o que se deseja que dele resulte para o país, e como se vê o futuro de todos.

 

Estamos a três dias das eleições legislativas. Os portugueses estão profundamente traumatizados com a situação em que o país se encontra. Vão votar sob o peso de pesados condicionalismos, nomeadamente os derivados da  situação económica e financeira, que lhes são apresentados como sendo sem saída, obrigando-os a pagar pesados encargos a entidades supranacionais, em relação às quais não dispõem de qualquer poder, nem sequer o das eleger numas quaisquer eleições.

 

Para a generalidade dos portugueses, habituados secularmente à submissão ao rei, à igreja, aos ricos e poderosos, a situação parece sem dúvida sem saída. O que há á fazer é escolher quem vai negociar com essas entidades, de preferência alguém que esteja bem visto por elas. Pode ser que assim se consiga alguma indulgência. Mais uns fundos, mais uns empréstimos. Ir ao fundo das questões nunca, porque quem está acima pode sentir-se melindrado e ameaçar com mais medidas restritivas.

 

Não estou a dramatizar ou a querer chocar quem tiver a paciência de me ler. Perdoar-me-ão, mas este é o estado de espírito de muitos portugueses. Há os que entram em fuga psicológica e não vão votar, nem querem ouvir falar das eleições. Não os condeno. Simplesmente penso que a sua atitude é de quem está farto desta tragicomédia, desistiu,  e deixa andar o destino. Entretanto, há outros, sem dúvida o maior contingente, que vai votar  para escolher o mais sedutor, o que melhor consegue assumir o ar de bem comportado, mais convincente, para levar a Merkel, o Trichet, o Sarkozy, o FMI, etc. Obviamente que não vão escolher ninguém que defenda que tem de se bater o pé a quem nos quer subjugar, ou que diga que a subida que a subida das taxas de juro não se deve assim tanto aos nossos pecados, mas muito mais à ganância de alguns senhores.

 

A verdade é que no domingo o grosso do pessoal vai votar nos bem comportados, e que Portugal vai estar cada vez mais mergulhado numa depressão profunda.

 

Pouco interessa que vá para lá o Sócrates (sem dúvida um tipo muito mau) ou o Passos Coelho (não deve ser melhor) e que o Paulo Portas esteja no governo pela certa. O problema é que os portugueses (perdoem a imagem tauromáquica) não aceitam que têm de agarrar o destino pelos cornos, e torcê-lo bem torcido. Que não é matando-se a trabalhar ou deixando-se morrer de fome que vão conseguir endireitar o país. Nem emigrando em massa (ia a dizer fugindo em massa).

 

É claro que tem de se produzir mais e melhor. Mas para se conseguir esse grande objectivo é preciso antes do mais romper com a santa aliança que controla a vida económica do país, formada pela banca, pelos grupos económicos, com relevo entre estes, durante os últimos cinquenta anos, pelos empresários ligados á construção civil e pela massa trabalhadora, com salários baixos, mas a quem foi concedido o “privilégio” (entre aspas, mas que aspas) do crédito barato e acessível. Os frutos dessa santa aliança estão à vista. Em 1969 estimava-se que em Portugal seria preciso construir  quinhentos mil fogos. Hoje em dia fala-se em centenas de milhar acabados e prontos para a venda, mas que não encontram comprador. A taxa de natalidade caiu abruptamente, e a população envelhece a olhos vistos. A emigração voltou a aumentar. Importa-se 80 % do que se consome.

 

Os grupos económicos, muito centrados na construção civil e afins, procuram agora virar-se para a saúde, a educação e a área social (veja-se o caso dos lares, residências, apoio domiciliário, e outras valências destinadas aos idosos. Claro que aos idosos que podem pagar). No que respeita à indústria e à agricultura, só se interessam pelos produtos que se destinam à exportação. Estas exportações estão sempre afectados pelo valor alto do euro, em relação ao dólar, ao iene, yuan, e outras moedas. Este valor alto dificulta as exportações, e favorece as importações, contribuindo de certo modo para desencorajar a nossa indústria. A este respeito, veja-se o caso dos produtos chineses.

 

Sobre estes assuntos o programa da troika nada diz. O que só demonstra que não vai resolver os nossos problemas. Vai contribuir para um endividamento ainda maior, e agravar a dependência ao exterior. É óbvio que não estamos em tempo de autarcia, e que a abertura ao exterior não é, em si, necessariamente, um mal.


Mas há que produzir mais e melhor, não só para exportar, mas também para fazer face, numa escala muito maior, ás nossas necessidades. O problema do crédito exigiria um grande reforço da Caixa Geral de Depósitos, que nunca poderia ser privatizada, ao contrário do que, insensatamente, preconiza Passos  Coelho (nem Ricardo Salgado apoia tal disparate).

 

Não vou propor que votem neste ou naquele partido. Mas a realidade é esta. Sair da Europa, ou mesmo só do euro, nesta altura, parece muito difícil. Mas as directrizes que visam sobretudo defender os bancos e os mercados financeiros têm de ser contrariadas.

 

Sejam pela clareza e pela frontalidade. Votem bem. Um abraço.  



publicado por Carlos Loures às 23:00
editado por João Machado às 23:19
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Domingo, 29 de Maio de 2011
A arte na vida moderna. Um desafio. Por João Machado

 

 

 

 

 

 

Debate-se muito o papel da arte na vida da sociedade. Será excessivo para uns, insuficiente para outros. Parece ser geralmente aceite que a arte surge a partir das questões da adaptação do homem à vida e ao ambiente que o envolve. As atitudes e realizações que hoje integra terão constituído, para o homem chamado primitivo, formas daquilo que designamos por magia.

 

Ernst Fischer em A Necessidade da Arte chamou a atenção para a importância de, hoje em dia, o produtor e o consumidor de arte tenderem a estar cada vez mais distantes. Assinala que o desenvolvimento do capitalismo fez com o mundo antigo se dissolvesse num turbilhão de microcosmos, dissolvendo as relações existentes entre o produtor e o consumidor, e arremessando todos os produtos para um mercado anónimo para serem vendidos e comprados. Recorda ainda a característica básica do capitalismo: torna tudoem mercadoria. E que, pela sua essência, não constitui uma força social declaradamente inclinada para a arte ou que promova a arte (capitalism is not essentially a social force that is well-disposed to art or that promotes art; tradução inglesa de Anna Rostock, ed. Penguin Books, pág. 51).

 

O estrolabio Carlos Loures, num escrito de 7 de Dezembro de 2010, A poesia? Para que serve a poesia? fez uma análise do pensamento de Fisher, e conclui pela necessidade da poesia (muito bem, a meu ver). Transcrevo, com a devida vénia, um parágrafo deste escrito:

 

Dirão, «mas então uma das funções da arte não é precisamente a de entreter, a de distrair? Antes da escrita, quem contava histórias nas cavernas ou as pintava na rocha, não correspondia, nesse esforço de recrear, aos artistas actuais? Sim, uma dos objectivos da arte será essa. Mas há um outro, mais importante – que é a de chamar a atenção para os problemas do ser humano e da humanidade – «abrir portas fechadas». Criar de acordo com o que o mercado pede é, como disse Fischer, «passar por portas abertas»: «A função da arte não é a de passar por portas abertas, mas é a de abrir as portas fechadas.

 

Hoje em dia, na nossa vida moderna, temos de suportar várias das consequências do crescimento económico desordenado (que muitas vezes acaba em depressão, como se está a assistir neste últimos anos), impulsionado pela força do capitalismo, e pela acumulação desregrada que a este preside. Um dos motores para abrir as portas fechadas é sem dúvida alargar a aceitação da arte em campos que lhe têm precisamente, fechado as portas. Vou referir um: o do urbanismo. Assiste-se hoje em dia (fala-se tanto disto, mas em vão!) ao crescimento desregrado das cidades, aumentando inconsideradamente os seus perímetros, invadindo terrenos (que digo? territórios!) que têm declaradamente outras aptidões, interferindo com o ambiente e os próprios ciclos vitais da natureza, gerando modos de vida desumanos, com formas de exploração hediondas. Para se pôr um travão a isso, há que levar a cabo uma multidão de medidas (alguns chamar-lhe-iam reformas), como por exemplo recuperar os centros históricos das cidades. O estrolabio José de Brito Guerreiro também já aqui dedicou algumas linhas a esta matéria, muito recentemente, em 15 de Maio último.

 

Basta percorrermos algumas cidades europeias (não serão todas claro) para constatarmos as grandes diferenças que existem, em relação às portuguesas, a começar por Lisboa e Porto. Também há diferenças entre as cidades portuguesas. Arrisco a opinião de um amador: julgo que Braga está melhor neste capítulo, assim como outras capitais de distrito. Mas deixo aqui o desafio, aos estrolabios e não só, que fazer neste campo? Vamos falar sobre os estrangulamentos que persistem. 



publicado por João Machado às 15:00
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Terça-feira, 17 de Maio de 2011
"Dear Lady, Tapping At Your Door...", por Robert Louis Stevenson. Tradução de João Machado.

 

 

 

 

 

Robert Louis Stevenson (1850-1894) é dos autores mais lidos em todo o mundo. Treasure Island e The Strange Case  of Dr. Jekyll and Mr. Hyde são dos livros mais lidos em todo o mundo. O autor também é, hoje em dia, geralmente apreciado pelo seu excelente inglês. Uma faceta talvez menos conhecida é a de poeta. Aqui vos trazemos um exemplo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Dear Lady, Tapping At Your Door..."

Dear Lady, tapping at your door, 
     Some little verses stand, 
And beg on this auspicious day 
     To come and kiss your hand.
 
Their syllables all counted right 
     Their rhymes each in its place, 
Like birthday children, at the door 
     They wait to see your face.
 
Rise, lady, rise and let them in; 
     Fresh from the fairy shore, 
They bring you things you wish to have, 
     Each in its pinafore.
 
For they have been to Wishing-land 
     This morning in the dew, 
And all your dearest wishes bring -- 
     All granted -- home to you.
 
What these may be, they would not tell, 
     And could not if they would; 
They take the packets sealed to you 
     As trusty servants should.
 
But there was one that looked like love, 
     And one that smelt like health, 
And one that had a jingling sound -- 
     I fancy it might be wealth.
 
Ah, well, they are but wishes still; 
     But, lady dear, for you 
I know that all you wish is kind, 
     I pray it all come true.
 
 
“Querida Senhora, a bater à sua porta...”
 
Querida Senhora, a bater à sua porta,
Estão uns versinhos a aguardar,
Que neste dia auspicioso lhe pedem
Para entrar e a sua mão beijar.
 
Com as sílabas bem contadas
Todas as rimas bem colocadas,
Tal crianças num aniversário, logo a chegar,
Pretendem o seu rosto avistar.
 
Erga-se, senhora, e deixe-os entrar;
Directamente do reino das fadas,
Trazem coisas que deseja desfrutar,
Todas elas bem embrulhadas.
 
Note que estiveram no País dos Desejos
Hoje mesmo, com o orvalho da madrugada,
E trazem os vossos melhores desejos –
Todos concedidos – e postos na sua casa. 
 
O que quer que sejam, não são revelados,
Não poderiam, mesmo que quisessem;
Levam-lhe os embrulhos bem selados
Tais como fiéis criados o fizessem.
 
Mas havia um que parecia amar,
E outro cheirava mesmo a saúde,
E mais um com um som a rimar –
Fez-me sonhar com um tesouro.
 
Pois bem, cada verso para já é apenas um desejo;
Mas, querida senhora, como eu bem sei
Que tudo a que aspira é benfazejo,
Que todos se tornem realidade.


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Domingo, 24 de Abril de 2011
Esta coisa das preferências nas leituras …, por João Machado

É um problema mais complicado do que talvez pareça a muita gente. Sem dúvida que gostos não se discutem (vocês não digam nada a ninguém, mas eu cá não concordo nada com esta afirmação). Mas o facto é que isto das leituras pesa muito, e de que maneira.

 

O nosso Estrolabio anda com vontade de entrar no assunto. Temos aquela rubrica Os Dez Livros mais lidos do Século XX, a qual, se bem me lembro (nada de comparações com o Nemésio; formidável o Mau Tempo no Canal), até à data, teve escassas participações. Mas as participações que houve foram de alto gabarito. Talvez por isso alguns tenham hesitado em dar o seu contributo. No meu caso, também não contribuí até à data, por várias razões que vou tentar explicar.

 

Quando começo a pensar no assunto fico atrapalhado. Ocorrem-me ideias diversas. Para começar, assalta-me uma data de nomes, uns atrás dos outros, e fico na dúvida. A alguns tinha que os ler outra vez. Recordo-me de Dostoievsky, que li quase todo há quarenta e tal anos, e encho o peito, e ver se consigo ir lê-lo outra vez. Reli há uns meses parte do Crime e Castigo e fiquei novamente de boca aberta. Será que ainda estou assim jovem?

 

Mas li o Germinal do Zola, há mais de cinquenta anos. Lembro-me tão bem … e eu era tão novo. Deve ser um dos tais livros da minha vida. Problema: estes que acabo de referir foram todos escritos no século XIX. Portanto não contam para a nossa estrolábica rubrica. Por vezes organizo-me e ponho-me a pensar no Camus. A Peste é para a lista, sim, senhor. E porque não O Estrangeiro, ou O Exílio e o Reino? Começam novamente as dúvidas. O Saramago, pronto, só ponho O Ano da Morte de Ricardo Reis. Mas se calhar estou a ser injusto com O Evangelho segundo Jesus Cristo, não é? E O Memorial do Convento? O Sartre tem que entrar (eh pá, vocês desculpem, mas A Idade da Razão, quem não a leu faz favor de ir ler. Eu sei que o Sartre era snob (isso dizem, mas não têm razão, uns tipos que refiro mais abaixo), mas caramba, aquilo vai até ao tutano. Bom, mas já que falamos em snobismo, O Ulisses, não é? Levei quase um ano a lê-lo (em inglês, meninos, com o dicionário ao lado, que muitas vezes não me servia de nada), mas garanto-vos que gostei. Vocês não acreditam, mas eu gostei. Bolas (não era esta a palavra que disse alto, mas lembrei-me da Augusta Clara, da Ethel, da Clara, etc. Claro que estou a ver se as provoco). E para continuarmos com o snobismo, o Raymond Chandler tem que entrar. Desta vez ponho só o Farewell, my Lovely, e deixo de fora The Big SleepThe High Window e o resto. Ficam de fora também os títulos em português, porque não me lembro. É o snob. E na passada, não esqueçam o Manuel Vasquez Montalban. Galíndez, de leitura obrigatória. A Autobiografia do General FrancoOs Mares do Sul. Que inveja que eu tenho! Já agora não posso deixar de vos lembrar A Balada do Mar Salgado, do Hugh Pratt (era melhor dizer do Corto Maltese, não acham?).

  

É pouco patriótico deixar os portugueses de fora. Eu não concordo com o patriotismo (é só conversa, que eu sofro á brava com os desaires da inditosa pátria, no futebol e no resto), mas realmente o Manuel da Fonseca e o seu Cerro Maior têm de lá estar. Este gajo põe-me tão parvo quando o leio … E acrescentem o Branquinho da Fonseca e O Barão, tão curioso. Mas deixei-me voltar aos russos e lembrar-lhes um tipo fabuloso, o Mikhail Bulgakov. Li O Mestre e Margarida em Janeiro de 1971, estava de cama, horrivelmente doente. Uma visita do diabo a Moscovo, sim, já depois da revolução … Fartei-me de rir. Se não leram, leiam, que se divertem. E o Soljenitsyne, e Um Dia na Vida de Ivan Denisovich. O homem era reaça, ao que dizem, mas genial, sem dúvida.

 

Bom, acho que já aí têm dez livros escritos no século XX. Contem-nos, faz favor, um por autor, e digam-me se não falhei. Mas vou dizer-vos outra coisa que me perturba. As edições  com grandes tiragens (exceptuando, claro, o Saramago) são de tipos melhores ou piores, mas de nível geralmente para o baixo. Tenho aqui um ponto fraco: realmente não os leio. Qualquer interlocutor daqueles muito inteligentes (acham eles), com uma voz forte e um ar dominador, arruma-me logo com esse argumento na cabeça. Posso tentar responder que vejo frequentemente o José Rodrigues dos Santos, com o seu ar juvenil, na televisão, e que fico a pensar onde é que ele vai buscar o tempo para escrever, que a Margarida Rebelo Pinto deve ser uma moça vistosa, e tem uma coluna no Sol, que já tentei ler, mas obviamente, não chega. Defendo-me ainda dizendo que já li e traduzi romances cor de rosa para ganhar uns cobres, que li o Irving Wallace, que o achei menos mau, mas escrevia (não sei se ainda é vivo), que até arrancava uns argumentos interessantes, mas enchia muito papel, mas tudo isto é pouco. Só os magoei um pouco (estavam a pedi-las) quando lhes disse (quase que confessei) que li Verónica tem de morrer, do Paulo Coelho, que achei abominável, e não percebo como se consegue aguentar escritos semelhantes. Um mais vivaço ainda me tentou vir com o Joyce, mas calou-se quando lhe disse que O Retrato do Artista enquanto Jovem, reproduzia as sensações e as amarguras suportadas pelo narrador, em situações vividas, que ele nos procurava transmitir na sua escrita. Não deu para mais.

 

O facto é que esta questão não é nova. Saber isso, pessoalmente, ajuda-me. Para não vos maçar mais, vou transcrever-vos O Mais Belo Livro, do André Brun, que ele publicou em 1914, na sua coluna de A Capital, incluído na série Praxedes, mulher e filhos. Verão assim que há quase cem anos, já se sentia este problema. Ora leiam:

 

O MAIS BELO LIVRO

 

O jornal A República abriu um inquérito entre os intelectuais no sentido de indagar qual será o mais belo livro português dos últimos trinta anos. Pela minha parte, lamento que a consulta seja feita apenas aos que fazem profissão de serem inteligentes. Desde que me constou que o inquérito estava em marcha, andava ansioso por saber qual a opinião do meu amigo Praxedes. Interessa-me bem mais do que a dos intelectuais, isto sem desprimor para nenhum, pois a todos respeito em geral e ao Sr. João Bonança em particular.

 

Praxedes amigo estava jungido à canga da repartição quando o fui entrevistar.

 

- O melhor livro dos últimos trinta anos? Oh, meu amigo!... Para mim, não há como Os Milhões da Viscondessa. Não leu? Veio em folhetins no Século. Sim senhor. Bela obra! A minha mulher gostou mais da Virgem parricida, que veio no Notícias; mas, aqui para nós, aquilo é uma estúpida que não entende nada de literatura. Tenho lido muitos folhetins. Aqui na repartição, leio quase todos, mas como aquele nenhum. Imagine você… Começa numa taberna de apaches, em Paris. Há uma rapariga que vende flores, e se apaixona por um conde, que é casado com uma filha de um duque, que, nos seus tempos de criança, teve um bastardo de um oficial, filho de um guarda-caça …

- O duque é que teve a criança?

- Não, a filha. A pequena cresce. Toca realejo e pede  esmola. Um dos apaches apaixona-se por ela. Um belo dia aparece morto o usurário …

- Qual usurário?

- O “Lagarto”.

- Qual “Lagarto”?

- É alcunha do homem.

- Ah!

- Surge um jornalista, que é polícia e tem um cão…

- Que morde no gato, que papa o rato, que rói o cebo, que unta a corda… Conheço essa história.

- Com você não se pode falar a sério. Ria-se à vontade, meu amigo; mas bem pode a Genoveva puxar para a Virgem parricida, a mim ninguém me arranca dos Milhões da Viscondessa.

- Mas, meu caro Praxedes, isso é literatura francesa de fancaria, de décima terceira classe, ad usum das porteiras da capital do mundo. Eu perguntava-lhe qual é o livro português de que você mais gosta.

- Ah! Livros portugueses… Nunca li nenhum…

 

Espero que tenham gostado. E perdoem ter actualizado a ortografia. O André Brun era genial. E o bocado acima foi escrito no século XX.



publicado por João Machado às 01:00
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Sábado, 23 de Abril de 2011
O LIVRO, por João Machado

Se entendermos a cultura como todo o conhecimento sistematizado, referente aos vários aspectos da vida do indivíduo e da sociedade, que se transmite entre as pessoas, grupos e nações, e de geração em geração, sem dúvida que o livro é o maior veículo cultural. Pequeno (umas vezes mais, outras vezes menos), quase sempre portátil, fabricado em material que permite o seu manuseamento, desde a antiguidade que se conhecem exemplos do seu fabrico em série, como é o caso dos livros dos mortos egípcios, que tinham por objectivo guiar os mortos no além, com orações e exorcismos, e que os sacerdotes fabricavam e negociavam.

 

A definição de livro que se encontra nos dicionários quase sempre dá relevo prioritariamente ao seu aspecto material. O Dicionário Aurélio, em primeiro lugar, define livro como uma “reunião de folhas ou cadernos, soltos, cosidos ou por qualquer outra forma presos por um dos lados, e enfeixados ou montados em capa flexível ou rígida”. José Pedro Machado, no Grande Dicionário, não se afasta muito: “Porção de cadernos ou de várias folhas de papel, pergaminho, impressas ou escritas à mão, cosidas juntamente e que formam um volume”. Para o Concise Oxford Dictionary, o primeiro significado de book é “Portable written or printed treatise filling a number of sheets fastened together (forming roll, or usually with sheets sewn or pasted hingewise & enclosed in cover). Para o Bordas, livre = “assemblage d’un grand nombre de feuilles où est imprimée une œuvre écrite et qui sont réunies sous une couverture commune.” Há evidente semelhança entre as quatro definições. Contudo, talvez sejam demasiado estritas.

 

Eric de Grolier, na sua Histoire du Livre (PUF – Presses Universitaires de France, Paris, 1954), depois de afirmar que as origens do livro se confundem com as da linguagem, por um lado, e com as da arte, por outro, recorda que nas sociedades que desconheciam qualquer forma de escrita, a transmissão de pensamento era unicamente por via oral. Em sentido estrito, não tinham livros. E a seguir chama a atenção para o facto de que a Ilíada e a Odisseia eram cantadas pelos aedos muitos anos antes de terem sido passadas a escrito. Parece-lhe arbitrário considerar que não existiam como livros antes da operação material da sua transcrição, a qual fixou os textos respectivos, mas também as deformou.

 

O livro como tal parece datar do início do primeiro milénio antes de Cristo. Evoluiu ao longo do tempo em função do tipo de suporte utilizado, cujo aperfeiçoamento facilitou os seus fabrico e difusão, Da pedra, madeira, tecido, passou-se ao papiro (que já existiria no Egipto desde o III milénio A.C.), ao pergaminho (século III A. C.) e finalmente ao papel (apareceu na China, no século II da nossa era). No Dicionário Etimológico, de José Pedro Machado, lê-se que o termo livro, provem do latim libru-. Liber  era um termo utilizado para designar a casca das árvores. E Robert Escarpit, em A Revolução do Livro, logo ao início, recorda que o inglês book e o alemão buch têm a mesma raiz indo-europeia que o francês bois. Estes exemplos servem para dar uma ideia sobre a difusão que o livro tinha em épocas tecnologicamente menos evoluídas.

 

Actualmente estamos perante nova revolução, a do livro electrónico. Ainda é cedo para se poder avaliar os seus efeitos. A seguir vamos apresentar dois trabalhos, um dos Carlos Loures, outro da Carla Romualdo, já anteriormente saídos no Estrolabio, que dão contributos, cada um a seu modo, sobre a situação actual do livro e as perspectivas futuras. E depois, neste Dia Mundial do Livro, reproduzimos respostas de vários dos nossos colaboradores ao desafio de se pronunciarem sobre os 10 livros do século XX que levariam para uma ilha deserta. O que nos vai obrigar a estender o Dia Mundial para o dia seguinte. O que realmente não é mau.

 



publicado por João Machado às 09:00
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Terça-feira, 29 de Março de 2011
Um breve regresso a Madrid, por João Machado

 

 

 

 

 

 

 

 

Chegámos ontem a Madrid, num voo da Easyjet. Pude mais uma vez constatar o que é estar numa cidade minimamente organizada. Saímos facilmente de Barajas, apanhámos um autocarro e, em pouco mais de meia hora, chegámos ao hotel, na Atocha.  Pagámos dois euros cada bilhete.

 

 A cidade pareceu-nos novamente magnífica. É verdade que estamos talvez na melhor parte, onde há museus, monumentos, jardins, muitos transportes. Voltei a ficar impressionado com a vastidão das praças e a largueza (prefiro a largura, termo muito geométrico) das avenidas. Mas ainda não vai ser desta vez que vou percorrer Madrid mais demoradamente, mas insisto: que diferença para as cidades portuguesas! Não é só uma questão de dimensão. O urbanismo é sem dúvida uma ciência, que recebe contributos de outras ciências e das mais variadas artes, e as suas técnicas hoje em dia são decisivas para se alcançar um nível de vida decente numa cidade. Estamos sem dúvida noutro país, embora mesmo ao lado.

 

A vida aqui sempre bastante animada. Vi um pouco de televisão, cujos programas não parecem, de uma maneira geral, muito melhores que os nossos. Também dizem que os nossos canais de televisão vêm buscar aqui muita inspiração. Nunca acompanhei o problema de perto, mas não me custa acreditar.

 

Há algumas notícias interessantes. Ontem, domingo, houve uma manifestação enorme contra a despenalização do aborto. Embora sabendo o peso que a Igreja Católica tem em Espanha, não consigo deixar de ficar espantado. Há que ver que aqui as pessoas aderem mais a causas, mesmo a causas como esta. Mas custa-me que tanta gente não aceite que as pessoas, nomeadamente as mulheres grávidas devem ter liberdade de decisão num problema tão marcante para a vida de cada um, e, mais importante ainda, que as vidas de todos estão profundamente limitadas, que é fácil cometer erros, e que todos merecemos oportunidades.

 

Aqui no hotel distribuem jornais. Consegui ficar com um exemplar de La Vanguardia de ontem, domingo. Muito interessante, como muita informação e artigos de fundo. É um jornal de Barcelona. Aqui em Espanha estão a preparar as eleições autárquicas e regionais (vão incluir as autonomias), que vão serem Maio. Parece que o PP queria  que fossem eleições gerais. Mas isso não acontecerá. O Zapatero reuniu-se com os grandes empresários, e estes acham que a legislatura é para ser levada até ao fim. Comentários para quê?

 

Mas o melhor do La Vanguardia de ontem, 27 de Março, é um artigo de opinião de Gabriel Magalhães, dedicado, imaginem, a Portugal. Intitula-se Radiactividad Moral. Comece assim: Em Portugal temos um problema muito sério: há no país demasiadas coisas que não verdade. Fala muito de José Sócrates e do PEC IV. Diz alto aquilo que todos nós sabemos, mas de que pouco falamos. Remata dizendo: O país vive naquele cepticismo infinitamente triste que surge nas sociedades quando se conformam com a falta de honradez.

 

Gabriel Magalhães é português. Se bem percebo, vive na Catalunha. A distância muitas vezes melhora a visão das coisas, e também solta a língua. Parece também não confiar muito na oposição portuguesa. Permitam-me aqui um desabafo: temos que arranjar maneira de confiar uns nos outros aqui em Portugal, ou então o melhor é fechar a porta. Vou levar o jornal comigo e traduzir o artigo para o Estrolabio.

 



publicado por Carlos Loures às 10:00
editado por Luis Moreira em 28/03/2011 às 10:29
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