Quinta-feira, 14 de Julho de 2011
15 - José Estaline (Иосиф Виссарионович Сталин)* - por Carlos Loures

(Conclusão)

 

Último acto

 

No dia seguinte ao do jantar em Kuntsevo, no Domingo,  dia 1 de Março de 1953, os seus convidados estranharam que Estaline, ao contrário do sempre fez, não lhes tivesse telefonado para comentar algum assunto ou para os convocar para alguma reunião. Foi  primeira vez em muitos anos que tal não aconteceu. Alarmada, a filha Svetlana, telefonou para a datcha. O oficial de serviço informou-a de que o pai ainda não se tinha levantado. À noite, o mesmo oficial, telefonou para Malenkov, Béria, Bulganine e Kruchtchev informando-os de que Estaline ainda não saíra do quarto, nem tocara a campainha para lhe levarem as refeições, com às vezes fazia. O homem temia que tivesse acontecido alguma coisa, mas não se atrevia a entrar. Imediatamente, dirigiram-se  os quatro a Kuntsevo. Vorochilov e Kaganovitch~foram também avisados. Chamam e, não havendo resposta, arrombam a porta: encontraram Estaline, completamnte vestido, caído sobre um tapete. Estava em coma.

 

Os médicos diagnosticaram hemorragia cerebral provocada pela arteriosclerose e por uma levada tensão arterial. Nos dias que se seguem, abriu por diversas vezes os olhos, mas não recuperou o conhecimento. Porém, no quarto dia teve um momento de lucidez. Uma enfermeira estava a dar-lhe de beber com uma colher, e Estaline apontou uma das muitas fotografias ampliadas que enchiam as paredes do quarto (as que tirou com Nadja num Verão feliz). Numa delas, uma menina alimenta um cordeiro com um biberão. É uma ironia. Em 5 de Março, a agonia recomeçou. Desfigurado, tentava respirar - foi uma terrível batalha contra a morte. Mas a luta iria terminar. Ergueu o braço esquerdo. Svetlana dirá depois que foi um último gesto de ameaça, como se tivesse querido amaldiçoar todos os presentes. Expira.

 

Às primeiras horas da manhã de sexta-feira, 6 de Março de 1953, subitamente, a Rádio Moscovo...

 

 

 

 

 



publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado em 12/07/2011 às 00:47
link do post | comentar

Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
14 - José Estaline (Иосиф Виссарионович Сталин)* - por Carlos Loures

(Continuação)

 

Ainda a guerra

 

No dia 6 de Junho de 1944, teve início o desembarque aliado na costa da Normandia. Em Dezembro, Estaline assinou com De Gaulle um pacto de ajuda franco-soviético. Sobre Estaline dirá De Gaulle nas suas Memórias de Guerra (1944): «Unificar os Eslavos, aniquilar os Germânicos, expandir-se pela Ásia: eis os sonhos da pátria, os objectivos do ditador. Eram duas condições as prévias para o conseguir: modernizar o país e transformá-lo numa grande potência, isto é, numa potência industrial, saindo vencedor no caso de uma guerra mundial. A primeira condição estava já cumprida, embora com custos muito elevados em sofrimentos e perda de vidas humanas. Quando o conheci, estava prestes a cumprir a segunda condição, no meio de um cenário de túmulos e ruínas. Para sorte dele, tinha um povo tão cheio de vida e tão paciente, quem nem a mais dura servidão conseguia paralisar; um país tão farto em riquezas do subsolo que nem o mais extremo esbanjamento conseguia esgotar; alguns aliados sem os quais não teria vencido o inimigo, nem eles o teriam feito sem a sua ajuda».

 

Entre  4 e 11 de Fevereiro, realiza-se a Conferência de Ialta, na qual Estaline propõe a divisão da Alemanha. Ainda segundo De Gaulle nas suas Memórias de Guerra, Churchill terá dito sobre a Rússia e sobre Estaline: «No que se refere à Rússia, é um animal desajeitado e faminto desde há tempos. Hoje não o podemos impedir de comer, principalmente se tivermos em conta que é uma das vítimas mais afectadas. O que é preciso é que não coma tudo. Eu esforço-me por conter Estaline que, apesar do seu apetite voraz, não é um homem destituído de realismo».

 

 

Nos últimos anos, Estaline transformou-se num velho ao qual começavam a faltar as forças. Encontrava-se totalmente isolado num oceano de adulação e intriga. Estava prisioneiro do seu terrível e imenso poder. Levava, portanto, uma existência solitária. A sua residência habitual era a datcha de Kuntsevo, perto de Moscovo. Apenas se sentia bem, passeando nos sombrios pinhais e na floresta de abetos prateados que rodeiam Kuntsevo. no Verão gostava de trabalhar no jardim. No Inverno sentava-se a uma secretária junto de uma janela  e ali resolvia os seus assuntos, recebendo membros do Governo, oficiais e funcionários. Ia já muito pouco ao seu gabinete no Kremlin. Às vezes convidava velhos camaradas para jantar. Eram refeições de trabalho em que se discutiam assuntos políticos e se tomavam importantes decisões. Foi assim naquele jantar, em 28 de Fevereiro de 1953. Nesse sábado, Malenkov, Béria, Bulganine e Kruchtchev foram jantar a Kuntsevo. Estaline esteve sempre de bom humor. Depois, parecendo fatigado, despediu-se dos convidados e subiu ao seu quarto.

 

(Continua)



publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado em 12/07/2011 às 00:42
link do post | comentar

Terça-feira, 12 de Julho de 2011
13-- José Estaline (Иосиф Виссарионович Сталин)* - por Carlos Loures

 

(Continuação)

 

 

A guerra no horizonte

 

 

 

Entre Julho e Agosto de 1939, travaram-se combates entre forças soviéticas e japonesas na fronteira da República Popular da Mongólia. Entretanto, Hitler mostrou-se favorável a debater com Estaline a assinatura de um Pacto de Não-Agressão. Von Ribbentrop e Molotov negocearam em Mosovo a sua assinatura. entre Setembro e Novembro as tropas soviéticas ocuparam o Leste da Polónia, a Estónia, Letónia e Lituânia. Entre Novembro e Dezembro, o exército soviético ataca a Finlândia, sofrendo umelevado número de baixas.

 

 

Sob os olhares atentos de Von Ribbentrop e de Esialine, Molotov assina,

em 1939, o Tratado germano-soviético.

 

Em Março de 1940, foi assinado um pacto de paz entre a Finlândia e a União Soviética, pondo termo à guerra entre os dois países. Hitler convidou Estaline a avistar-se com ele em Berlim. Em Julho, Churchill propôs a Estaline a criação de «condições harmoniosas e úteis para ambas as partes.» Os estados bálticos foram integrados na União Soviética.

 

Em Abril de 1941, a URSS conclui um tratado de amizade com a Jugoslávia e outro de neutralidade com o Japão. Em 2 de Junho, as tropas alemãs invadiram o território soviético. Em Julho foi constituído o Comité de defesa do Estado do qual Estaline foi nomeado comandante-supremo. Em Setembro, a União Soviética aderiu à Carta Atlântica. Em Dezembro, Estaline ordenou a primeira contr-ofensiva soviética. Em Maio de 1942, foi assinado entre a URSS e a Grã-Bretanha um tratado bilateral de defesa contra a Alemanha e, em Junho, outro convénio com os Estados Unidos sobre a ajuda mútua na guerra contra a agressão alemã. Em Agosto, tem lugar a Conferência de Moscovo, em que participam Estaline, Churchill e Harriman.

 

Em 1943, terminóu  o cerco a Estalinegrado com a capitulação do Sexto Exército alemão sob o comando do marechal von Paulus. Em Março, Estaline é nomeado Comissário da Defesa e promovido ao posto de marechal. Entre 28 de Novembro e 1 de Dezembro desse ano de 1943, Estaline, Roosevelt e Churchill encontram-se na Conferência de Teerão. Decisões muito importantes são tomadas.

 

  

 

 

(Continuação)

 



publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado em 09/07/2011 às 23:49
link do post | comentar

Segunda-feira, 11 de Julho de 2011
12 - José Estaline (Иосиф Виссарионович Сталин)* - por Carlos Loures

(Continuação)

 

O terror

 

Em 1925 Trotsky demitiu-se de todos os seus cargos. Estaline aliou-se a Bukarine e a Tomsky contra a facção trotquista que, com razão, se reivindicava como herdeira da herança leninista. Porém, Estaline refazia a verdade e combatia os adversários com determinação e vigor -no seu texto Fundamentos do Leninismo denunciou publicamente a oposição criada por Zinoniev e, sobretudo, por Trotsky. Perante o plenário do Comité executivo do Komintern, combateu-a colocando-a sob o estigma da traição, como um germe de um novo partido que iria sabotar a unidade existente no seio do PCUS. Sem dar tempo aos adversários para respirar, denunciou logo depois a plataforma constituída pela oposição. Trotsky e Zinoniev foram expulsos do Partido e em Janeiro de 1928 Trotsky foi deportado para Alma-Alta.

 

 

Leon Trotsky

 

No entanto, até ao extermínio total dos opositores, Estaline não iria parar. Em Dezembro abriu a caça ao grupo de Bukarine. E, Novembro de 1929, Bukarine, Rykov e Trotsky reconhecem publicamente as suas "opiniões erradas. Trotsky foi expulso da União Soviética.

 

Por esta altura, Yacob, um filho de que Estaline nunca gostou, fez uma tentative frustrada de suicídio. O pai terá comentado: "Ora! Bem podia  ter disparado com melhor pontaria!".

 

Em Outubro de 1932, Estaline exigiu a condenação e a execução de um opositor - Ryutin.

 

Em Novembro desse ano, durante o banquete comemorativo do 15º aniversário da Revolução, perante dignitários do Partido, Estaline dirigiu-se com tal rudeza a Nadja que ela, envergonhada, humilhada e deprimida, saiu da sala. Nessa noite, pôs fim à vida com um tiro de revólver. Na análise que Estaline fez a este suicídio, fixou bem patente a sua peculiar (e patológica) maneira de encarar a realidade - nunca estabeleceu uma relação de causa-efeito entre o enxovalho a que submeteu Nadja. Considerava-a a sua "amiga mais íntima e leal" - o que significava que teria de aceitar todas as ofensas como manifestações de interesse - afirmou-o: aquele suicídio afigurava-se-lhe uma traição. Ninguém podia abandonar a cena sem sua autorização. E, agastado, nem sequer foi ao funeral da esposa. Contudo, durante muito tempo iria falar obsessivamente de Nadja, acusando-a sempre de o ter abandonado.

 

Em Abril de 1933, começou uma das mais violentas purgas do período estalinista - a depuração levada a cabo nas altas instãncias do Partido e dos sindicatos. Em Dezembro, Serguei Kirov foi assassinado e desencadeiam-se as purgas de Leninegrado e de Moscovo. Em 1935 desenrolou-se o processo contra Zinoniev, Kamenev e mais 17 "cumplices". Em 1936, nova vaga na depuração, baseada no controlo e "renovação" dos documentos do Partido . Em Agosto, o terror prosseguiu com o "primeiro processo de Moscovo": Zinoniev, Kamenev e os "cúmplices" foram condenados á morte e executados. Tomsky suicidou-se. Em 1937 foi aberto o segundo processo de Moscovo - os alvos eram agora Pyatakov, Radek e outros. Em Fevereiro Ordjonikidze suicidou-se. Em Junho foi a vez de altos cargos do Exército. Grande número de marechais e generais foram fuzilados. Discordar de Estaline era considerado alta-traição. Só um cérebro tinha direito a funcionar entre os mais de 200 milhões de soviéticos- o de José Estaline.

 

Em 1938 foi assinado o famoso Acordo de Munique. Procurando não entrar em rota de colisão com Hitler, as potências europeias, incluindo a União Soviética, abandonam a Checoslováquia à sua sorte, permitindo a sua invasão pelas tropas nazis. Em Março teve início o terceiro processo de Moscovo - os ex-aliados de Estaline, Bukarine e Rykov, entre outros, foram executados sob a acusação de pertencerem ao «bloco direitista e trotsquista». Trotsky viria a ser assassinado  em 1940, no seu exílio no México. A primeira fase da limpeza estava concluída. A velha geração de revolucionários, a incómoda intelligentsia,estavam liquidada. No Partido, nos sindicatos, nas forças armadas, os «percevejos» tinham sido eliminados. Tinham ficado os elementos «absolutamente leais e necessários».

 

 

(Continua)

 

 

 

 



publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado em 09/07/2011 às 00:41
link do post | comentar

Domingo, 10 de Julho de 2011
11 - José Estaline (Иосиф Виссарионович Сталин)* - por Carlos Loures

 

 

(Continuação)

 

A "guerra" com Trotsky

 

Em paralelo com a guerra civil, Estaline travava a sua primeira grande guerra no interior do partido - duas maneiras diferentes de conceber a luta pelo socialismo e também uma quesília pessoal - quem iria ser o herdeiro, o sucessor de Lenine? Em Janeiro de 1921, Estaline opôs-se ao projecto de Trotsky de tansferir a metodologia, a estrutura, a disciplina militar para os sindicatos  e para a classe operária. Ganhou este primeiro round e, no X Congresso dos Sovietes, foi eleito secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética.

 

Em Janeiro de de 1923, Lenine que havia sofrido já um primeiro ataque de apoplexia, acrescentou algumas notas ao seu testamento político. Os médicos proibiram-no de estar presente no XII Congresso. Nessas notas recomendava a destituição de Estaline, preocupado com a previsível divisão no interior do partido: «O camarada Estaline, ao transformar-se em secretário-geral, concentrou nas suas mãos um poder enorme e não tenho a certeza de que consiga utilizar sempre esse poder com a prudência suficiente...». E dizia noutra nota: «Estaline é demasiado grosseiro e este defeito, perfeitamente tolerável entre nós e nas nossas relações como comunistas, é inaceitável no lugar de secretário-geral. Assim, proponho aos camaradas que encontrem maneira de afastar Estaline do seu cargo e de nomear outro homem que seja em todos os sentidos o oposto de Estaline; isto é, mais tolerante, mais leal, mais educado e mais respeitoso para com os camaradas...». A causa próxima para esta nota terá sido a maneira brusca como Estaline, alguns dias antes, terá repreendido publicamente Krupskaia, esposa de Lenine. Lenine enviara um memorando a Estaline exigindo-lhe que apresente desculpas também públicas a Krupskaia - o que Estaline se apressou a fazer.

 

 

 

 

Assim, quando em 21 de Janeiro de 1924, Lenine morreu, as relações entre ambos eram praticamente de ruptura. No dia 24, Estaline jurou cumprir as determinações do «testamento» político de Lenine, mas desconhecia o seu conteúdo. Quando, perante o plenário do Comité Central o documento foi lido, Estaline, surpreendido, anunciou a sua demissão. Mas os delegados pediram-lhe que permanecesse no seu posto. As recomendções de Lenine foram sendo esquecidas e em Dezembro desse ano, depois de ter rebatido a concepção de Trotsky da "Revolução permanente", defendeu a tese da possibilidade da vitória do socialismo num só país. Foi aprovada  a nova constituição que cria a URSS, o tal texto que Louis Aragon, com exceso de fervor revolucionário, considerou obra literariamente superior à de Shakespeare, Rimbaud...

 

(Continua)

 



publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado às 22:40
link do post | comentar

Sábado, 9 de Julho de 2011
10 - José Estaline (Иосиф Виссарионович Сталин)* - por Carlos Loures

 

 

 

(Continuação)

 

A Revolução

 

Em 25 de Outubro (8 de Novembro) foi criado o primeiro governo soviético. Estaline foi eleito Comissário do Povo para as Nacionalidades. Em 29 de Novembro, Lenine e Estaline assinaram a Declaração dos Direitos dos Povos da Rússia. Já em 1918, no III Congresso dos Sovietes, Estaline apresentou uma proposta para a organização sob a forma federal das repúblicas russas. Em Maio casou com Nadja Alliluyeva. Participou activamente na redacção da Constituição soviética - o tal texto que Louis Aragon, com excesso de fervor revolucionário, considerou obra literariamente superior à de Shakespeare, Rimbaud... Documento que seria aprovado em Julho.

 

No Verão, eclodiu a guerra civil. Estaline assumiu a responsabilidade de garantir o aprovisionamento de víveres no Sul da Rússia. A experiência da guerra teria um profundo impacto em Estaline, pois ampliou-lhe o conhecimento sobre si mesmo, sobre as suas qualidades e também sobre as suas limitações. Pela primeira vez, enfrentava uma situação em que tinha de tomar decisões no terreno e já não defendê-las nas intermináveis reuniões políticas. As suas responsabilidades são muito elevadas. Descobriu que as enfrentava com frieza e objectividade e que quanto maiores eram mais o estimulavam.

 

O conflito ia envolvendo crescentes graus de brutalidade e de violência - séculos de civilização esfumavam-se. Prevalecia a condição animal - matava-se pela posse de um pão. Este regresso á barbárie, enraízou em Estaline uma inumanidade que iria  caracterizar o seu exercício do poder. Perante a grandeza dos objectivos que se queria atingir, as vidas humanas assumiam aos seus olhos um reduzido valor.

 

Entretanto, uma outra guerra começava para Estaline - a luta com Trotsky. Amanhã falaremos dessa questão. Hoje, deixo-vos com imagens de um filme de Serguei Eisenstein - Outubro. È um filme reaalizado em 1927 - a trilha sonora deste filme mudo é preenchida por andamentos da  Sinfonia nº 7  de Dmitri Chostakovitch.

 

 

(Continuação)


publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado em 08/07/2011 às 18:04
link do post | comentar

9 - UMA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA E PRESIDENCIAL: CHILE – por Raúl Iturra

 

El Partido Agrario Laborista (PAL) fue un partido político chileno fundado en 1945 y disuelto en 1958.

Fue el resultado de la fusión del Partido Agrario, la Alianza Popular Libertadora, el Movimiento Nacionalista de Chile y la Unión Nacionalista.[1] En el manifiesto de su fundación establece como finalidad de su quehacer "lograr el orden público en el país, sobre la base funcional en la que el trabajo no sólo tuviera obligaciones sino también derechos cívicos indiscutibles".

 

En el año 1951 proclama la candidatura presidencial de Carlos Ibáñez del Campo, conformando luego de su triunfo en los comicios la base, junto al Partido Socialista Popular, de su primer gabinete. En 1954 comienza a declinar su influencia y se produce su primera crisis en su interior que trae la división en dos partidos que utilizan el mismo nombre. Legalmente, la denominación de Partido Agrario Laborista la mantiene el sector que se ha declarado contrario al gobierno de Ibáñez, encabezado por el senador Julio von Mühlenbrock.

 

En las elecciones presidenciales de 1958 se producen nuevas divisiones: el sector oficial apoya la candidatura de Eduardo Frei Montalva, en tanto los militantes de Cautín y Biobío y disidentes que formaban el Partido Agrario Laborista Recuperacionista se incorporan a la candidatura de Jorge Alessandri. En octubre de dicho año se produce la disolución del PAL al fusionarse junto con el Partido Nacional en el Partido Nacional Popular (PANAPO).

 

En 1961 estalla el quiebre definitivo el PANAPO, ingresando un grupo a la Democracia Cristiana, otro se fusionaba con el Partido Democrático Nacional (PADENA), que integraba el Frente de Acción Popular (FRAP) y finalmente, un tercer grupo que procura mantener la unidad original sin éxito.

 

En las elecciones parlamentarias de 1965, un grupo trato de rearmar el PAL bajo la denominación de Partido Democracia Agrario Laborista dejando de tener existencia legal al no conseguir representación en ninguna de las Cámaras.

 

Lembro-me bem, prometia pão, teto e abrigo aos trabalhadores. Por causa de não saber discursar, convidava outras pessoas, como o pró nazi da Argentina, Juan Domingo Perón, o único que aceitara o convite. Normalmente, os antigos Presidentes dos partidos que governavam, tinham como eles ao antigo Presidente, como Aguirre Cerda, doente e todo, com Antonio Rios, ou um membro de prestígio do Senado ou escritor conhecido, como fez Neruda com Recabarren, fundador do partido comunista do Chile. Com Ibáñez, ninguém queria ir…. Não tinha carisma nem era um homem lido para retirar dos livros, formas de falar. Maria de ka Cruz, foi a primeira mulher em concorrer ao Senado do Chile e quando falava, era impossível que cala-se antes de duas horas. Tinha tanto para dizer! Especialmente sobre o trato dado às mulheres no Chile.

 

Parece-me que isto era todo o que queria acrescentar ao capítulo VI. A democracia chilena teve paz e serenidade desde a época de Arturo Alessandri. A seguir o segundo mandato da Ibáñez, o país volta trás, aos tempos da oligarquia a governar. 

 

Em 1960 é eleito Presidente Jorge Alessandri Rodríguez, Engenheiro, filho de Arturo Alessandri Palma. Todas as ambições do pai de trabalhar para o povo, retrocedem, a oligarquia reaparece, acaba a classe média os seus mandatos.

 

A seguir, a falange chilena passa a ser a Democracia Cristã, com Eduardo Frei Montalva como Presidente entre 1965-1970, com o seu lema da Reforma Agrária e casa para todos.

 

O natural candidato seria Radomiro Tomiç, mas um terramoto acontece no Chile. As forças de esquerda juntam-se numa colisão denominada A Unidade Popular e, a quarta vez de concorrer para a presidência do Chile, Salvador Allende, socialista ganha. O seu antecessor não queria entregar o poder, mas Radomiro Tomiç decide ir ao balcão onde discursava o ganhador, Salvador Allende, o congratula, reconhece publicamente a sua derrota e junta-se as forças vencedoras. Radomiro Tomic Romero (Calama, 7 de mayo de 1914 - Santiago, 3 de enero de 1992) fue un político chileno, candidato a la Presidencia de la República en la elección de 1970. Titulado de abogado de la Pontificia Universidad Católica de Chile. Inició su actividad política en los círculos socialcristianos de la UC. Fue uno de los cofundadores de la Falange Nacional (futura Democracia cristiana). Fue presidente del partido (1946-1947 y 1952-1953).

 

O vencedor foi Salvador Allende, que faz uma distribuição geral da riqueza por meio de reformas e requisições, até o dia que as forças armadas aliam-se contra o Presidente e o matam.

 

Este capítulo tem sido retirado de textos e da minha memória, porque vivi todo o narrado, tínhamos por amigos desde Arturo Alessandri Palma, até o candidato derrotado, como narro na minha autobiografia Para sempre tricinco. Allende e eu, editado em Lisboa em 2010.

 

Sempre fui um cientista, mas a política era como a mel para as abelhas. Si Ayylvin era amigo do engenheiro, eu sou do seu filho José. Se o engenheiro era amigo de Tomiç, eu o era do seu filho Esteban. Debatia com eles os programas de governo, o que devia ser feito e o que não. Meu amor à ciência, levou-me a estudar a Grã-Bretanha, país do qual voltei porque Allende era candidato a Presidência. Três anos depois tornei a Grã-Bretanha e ainda ando por este parâmetros, sem deus nem lei. Com as lembranças do meu Presidente

 

A sua Excelência o Presidente do Chile, Salvador Allende.

 

Salvador Allende Gossens (Valparaíso, 26 de Junho de 1908Santiago do Chile, 11 de Setembro de 1973) foi um médico e político marxista chileno. Fundador do Partido Socialista, governou seu país de 1970 a 1973, quando foi deposto por um golpe de estado liderado por seu chefe das Forças Armadas, Augusto Pinochet.

 

Allende foi o primeiro presidente de república e o primeiro chefe de estado socialista marxista eleito democraticamente na América Latina. Seus pilares ideológicos foram o socialismo, o marxismo e a maçonaria. A partir destas convicções, foi muito respeitoso com todas as ideias políticas democráticas e com todas as confissões religiosas.[1] Allende foi um revolucionário atípico: acreditava na via eleitoral da democracia representativa, e considerava ser possível instaurar o socialismo dentro do sistema político então vigente em seu país.



publicado por João Machado às 14:00
link do post | comentar

Sexta-feira, 8 de Julho de 2011
9-- José Estaline (Иосиф Виссарионович Сталин)* - por Carlos Loures

 

(continuação)

 

1917

 

O tempo de exílio chegou finalmente ao fim. Estaline regressou à capital, uma Sampetesburgo onde reinava a confusão e o caos. Na Sibéria estivera longe da realidade da guerra. Mergulhava agora abruptamente nessa realidade. Os desastres na frente de combate aceleravam a degradação do regime imperial.

 

Após a calma forçada do exílio, Estaline voltava à sua actividade febril. Comparece perante a junta médica de recrutamento do Exército que o declarou inapto para o serviço militar devido à deformidade no braço. Assumiu a direcção da Pravda.

 

Em 15 de Março, o czar Nicolau II abdicou e a crise política agudizou-se.  Foi neste conturbado período que reencontrou a jovem Nadja, filha do seu amigo Sergei Alliluya. Nadja nascera em Baku e fora criada no Cáucaso, educada desde o berço no espírito revolucionário. Estaline conhecia-a desde criança, mas viera, após o tempo de exílio, encontrar uma formosa adolescente. Para Nadja, casar com um homem que se habituara a admirar desde a infância foi a concretização de um sonho e pareceu-lhe a forma mais elevada de servir a Revolução. Tinham vinte e dois anos de diferença, mas entre ambos gerou-se uma profunda afeição. Porém, os anos difíceis que se seguiram, como ácido maligno, corroeram esse sentimento levando Nadja ao suicídio.

 

Como se disse, estávamos em 1917. Estaline foi reeleito como membro do Comité Central do Partido Bolchevique. No I Congresso dos Sovietes, foi nomeado membro do Comité Executivo Central. Em Outubro, numa reunião decisiva do Comité Central, Estaline esteve entre os que votaram a favor de uma proposta de Lenine - convocar o levantamento armado.

 

No dia 25 de Outubro de 1917 (pelo calendário juliano; pelo calendário gregoriano seguido na maioria dos países, era o dia 7 de Novembro) eclodiu a Grande Revolução.

 

(Continua)



publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado às 01:39
link do post | comentar

Quinta-feira, 7 de Julho de 2011
8-- José Estaline (Иосиф Виссарионович Сталин)* - por Carlos Loures

(Continuação)

 

O derradeiro exílio -II

 

Quando chegou à colónia de exilados de Monastrikroe, esperava-o uma surpresa: para aqueles prisioneiros, mergulhados na cinzenta rotina de dias sempre iguais, a chegada de um membro do Comité Central era um acontecimento muito importante. mesmo excitante. Os exilados, com sacrifício, tinham-lhe arranjado boas provisões de comida poupadas das suas pobres refeições. Em vez da camarata, para ele conseguiram arranjar um quarto individual onde o camarada dirigente pudesse ler, escrever e tomar as importantes decisões. Porém o Koba entusiasta estava a dar lugar a um Estaline mais reflexivo, mais calculista. E amargurado. Não correspondeu às expectativas dos companheiros de exílio. Quando mais o cercavam de atenções e tentavam quebrar o seu isolamento e solidão, mais ele se fechava em si mesmo. Não mostrava interesse de falar com os outros. Uma desilusão.

 

Segundo sua filha Svetlana contou, "amava a Sibéria e sempre teve saudades do seu tempo de exílio, como se só tivesse caçado, pescado e passeado pela taiga". Não foi por desprezo que não correspondeu às atenções dos companheiros exilados. Por um lado, as relações afectivas não constituám uma parte dominante do seu carácter; na sua hierarquia de valores, os objectivos políticos estavam primeiro do que tudo; depois, precisava de solidão para reflectir sobre o futuro. Pressentia que estava sobre o limiar de uma nova época - na sua vida, na história da Rússia e na história do mundo. O futuro vinha aí...

 

Em Agosto de 1914, a Alemanha declarou guerra à Rússia. O povo uniu-se numa onda de fervor patriótico, diminuindo as tensões sociais e políticas. O apoio popular aos bolcheviques diminuiu e a Okrana, a polícia política do czar, aproveitou para desencadear uma vaga de prisões entre os activistas, privando o Partido de órgãos de liderança e provocando-lhe disfunções na estrutura funcional, com a cadeia clandestina de contactos quebrada em vário pontos.

No exílio, afastado dos terríveis acontecimentos da guerra, mas recebendo as notícias dos sucessivos desastres na frente de combate e da agitação social que volta a flagelar as cidades, Estaline sentia-se profundamente amargurado por estar longe do centro da acção, numa altura em que a sua presença era tão necessária.

 

A sua vida em Yenisei-Turjansk foi entrando na normalidade. Aos poucos foi fazendo amizades - com uma característica - com as pessoas que, como ele, provinham de famílias humildes, é afável e educado. Com os intelectuais que, perante a sua cultura autodidáctica e cheia de lacunas, o tratavam com paternalismo é agressivo, duro, intransigente. Menos culto, mas com uma intuição aguda e crítica, depressa se apercebia das fragilidades e pontos fortes de cada um: feita essa análise, atacava a fundo, humilhando, espezinhando, usando as debilidades e não hesitando em fazer valer a sua posição de membro do Comité Central. Um bom treino para o exercício do poder.

 

E chegamos ao ano de 1917.

 

 (Continua)

 

</div>


publicado por Carlos Loures às 21:00
link do post | comentar

Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
7-- José Estaline (Иосиф Виссарионович Сталин)* - por Carlos Loures

 

 

(Continuação)

 

O derradeiro exílio-I

 

Em Janeiro de 1912 realizou-se em Praga a conferência em que se deu a cisão total e definitiva no seio do Partido Social-Democrata, nascendo desta cisão o Partido Bolchevique. Koba foi proposto para o comité central. De regresso, reatou o seu trabalho clandestino em Baku, Tiflis e Sampetesburgo. Foi novamente preso e desterrado para a região de Narym. Voltou a evadir-se, passando uma temporada em Sampetesburgo para tomar parte na campanha das eleições para a quarta Duma.

 

No primeiro número do jornal Pravda, participou escrevendo o editorial. Deslocou-se depois a Cracóvia para se encontrar com Lenine. Em 1913 colocou pela primeira vez  o nome de Estaline num artigo. Publicou a obra O Marxismo e a Questão Nacionalista. Em Julho  foi deportado para a região de Turujansk.

 

 

 

Enquanto esperava  que o seu destino fosse decidido, Estaline sentia-se abatido, amargurado, mas decidido a continuar. As autoridades entretendo decidiram - iria ficar confinado num extremo da Sibéria. Foi com este sentimento de impotência que chegou à colónia de exilados de Monastrikroe, onde uma surpresa o aguardava.

 

(Continua)

 

 



publicado por Carlos Loures às 21:00
link do post | comentar

Terça-feira, 5 de Julho de 2011
6 - José Estaline (Иосиф Виссарионович Сталин)* - por Carlos Loures

 

 

(Continuação)

 

Koba o agitador

 

Estávamos ainda em 1905.  Em Abril realizou-se em Londres o III - Congresso do Partido Social Democrata, que foi convocado pelos bolcheviques (ala maioritária). Embora os mencheviques (minoria) o tivessem denunciado como ilegal, o congresso fez-se, constituindo um passo em frente na decisão de Lenine de formar um partido revolucionário.Koba aderiu à facção bolchevique. Em Dezembro, munido de um passaporte falso, viajou para Tammefors, na Finlândia para assistir a uma conferência do partido na qual ficou decidido o levantamento armado e o boicote às eleições da Duma (parlamento), Foi uma viagem decisiva na qual, Estaline encontrou pela primeira vez Lenine. Quase vinte anos mais tarde dirá sobre este encontro: «Eu ansiava por ver a  “águia real” do nosso partido, o grande homem; e grande não apenas na política, mas também fisicamente, porque na minha imaginação, eu via Lenine como um majestoso e imponente gigante. Qual não foi, pois a minha decepção quando se me deparou um homem normal, de estatura inferior à média e em nada, literalmente em nada, diferente dos outros homens (…) Só mais tarde compreendi que a simplicidade e a modéstia de Lenine, a sua luta por passar despercebido, era uma das características mais destacadas como novo líder das novas massas, das massas simples e representativas da humanidade na sua essência.»

 

Estaline e Lenine no VIII Congresso

 

 

 

Em 1906, participou em Estocolmo no IV Congresso do partido. Escreveu artigos sobre o anarquismo, a questão agrária, a luta de classes e a revolução. Em 1907, assistiu ao V Congresso em Londres. Após um espectacular  assalto a um banco no centro de Tiflis, viu-se forçado a refugiar-se em Baku, onde iria desenvolver a sua actividade clandestina. Estava com quase trinta anos.

 

Pensa-se que terá sido em 1908 que nasceu o seu filho Yakob. Em Março desse ano foi preso e encarcerado na prisão de Bailov. Em Dezembro foi desterrado para Vologda e depois, em Janeiro de 1909, para a cidade de Solvychegodsk. Porém, conseguiu evadir-se, refugiando-se primeiro em Baku e depois em Tiflis.

 

Durante este período, escreveu artigos sobre a crise que o Partido atravessava, criticando duramente a direcção bolchevique instalada no exílio. Declarou-se a favor de uma mudança estratégica – o Partido enveredar pela luta legal no interior do país. Em 1910 actuava em Baku como representante do Comité Central. Foi novamente preso, sendo deportado para Solvychegodsk. Em 1911 viajou clandestinamente para Sampetesburgo, sendo preso e desterrado. Desta vez para Vologda.

 

Foram tempos difíceis.

 

(Continua)

 

 



publicado por Carlos Loures às 21:00
editado por João Machado em 04/07/2011 às 22:25
link do post | comentar

5 - UMA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA E PRESIDENCIAL: CHILE – por Raúl Iturra

 

Alessandri teve a sua primeira presidência entre 1920 e 1925, em permanente conflito com o Congresso. Procurava um poder presidencial mais forte, reformulando a Constituição. A de 1925, a Constituição Alessandri, ampliou o poder presidencial, permitindo vetar leis, devolve-las ao Congresso e só podia promulgar se o Congresso reenviava o projecto de lei ao Presidente, quem via-se obrigado a promulgar o que não queria. Os Presidentes governavam dentro de um sistema semi-parlamentar. Como referi antes, não era do agrado de Alessandri, estava atado entre a possibilidade da insistência do Parlamento para promulgar leis não convenientes à Nação e o seu direito a veto condicionado.                                            

 

Cansado deste sistema, não acabou o seu período e se auto exilou na Embaixada dos Estados Unidos, sítio desde o qual foi convidado a retomar a Presidência. Mas, com uma condição que ele impôs, a de mudar a Constituição, incrementando os poderes presidenciais. La Constitución de 1925 promulgada pelo presidente Arturo Alessandri Palma foi a abertura da participação política popular e deu cabo da base legal do sistema que o Congresso controlava as actividades legislativas do Presidente da República. A Constituição fez incompatível o cargo de ministro com o de parlamentário, criava a aprovação automática do projecto do Executivo na redacção da  Lei do Orçamento, que inclui ingressos e gastos do Estado. O Congresso tinha um prazo, até o 31 de Dezembro para a debater.                                                                                                                  

 

Se não a aprovava, imperava a proposta do Presidente da República. O regime semiparlamentar que tinha matado a Balmaceda, acabava. Não era necessário ser parlamentário para ser ministro, nem era preciso redigir apenas uma lei de orçamento, que atava as mãos do Presidente e do Congresso. No sistema anterior, o Executivo apresentava um projecto para debate pelos parlamentários, que podiam apresentar emendas, aprovar ou reprovar completamente a lei pela que o Estado orientava as suas actividades.

 

Como aconteceu com Balmaceda: apresentou um projecto de orçamento, não foi aprovado e mandara que o do ano anterior tornava a imperar. Era a forma de controlar os actos do Executivo, conforme as conveniências dos parlamentários. Aliás, para ser Ministro, era preciso ser eleito deputado ou Senador, mas uma acha na fogueira das diferenças de poderes entre o Executivo e o Legislativa, ambos poderes podiam governar da mesma maneira. Presidente era um prisioneiro do Congresso…era como governavam os reis e os Primeiros-ministros de outros países. Atrevo-me a dizer que o democrático Chile ainda era uma espécie de Monarquia, no qual o Presidente era uma figura decorativa.

 

 

 



publicado por João Machado às 14:00
editado por Luis Moreira às 15:52
link do post | comentar

Segunda-feira, 4 de Julho de 2011
4- UMA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA E PRESIDENCIAL: CHILE – por Raúl Iturra

 

2. Democracia. O Leão de Tarapacá.

 

 O conceito democracia[1]foi criado na Grécia Clássica, com o significado de sermos todos iguais, excepto os nada possuíam como bens imóveis, Esses eram escravos até o dia de poder comprar a sua liberdade por meio de adquirir bens com o seu trabalho e pagar o devido a quem tinha sido o seu patrão. A escravidão existia desde aépoca do Império Romano de Rómulo e Remo, narrado por mim em capítulos anteriores. Os romanos no tomavam prisioneiros nem matavam aos derrotados: faziam deles trabalhadores grátis. Ideia que tem existido sempre nas sociedades compostas de pobres e ricos. Como era o caso do Chile.

 

A República do Chile tinha sido s empre governada sido sempre governada pela oligarquia terratenente. Os ricos do Chile, eram os que governavam ou como Presidentes da República, ou como deputados ou senadores o Presidentes de Municípios. Por outras palavras, eram os que mais sabiam de leis, do Direito que organizava as nossas vidas e da gestão dos bens, bem como a relação entre pessoas e bens ou contratos.

 

O Governo era para o povo e apenas podiam votar os que sabiam ler e escrever e tinham algumas entradas em dinheiro. Os pobres o proletariado, por outras palavras e as mulheres, não tinham esse direito. O Governo era para as denominadas pessoas de bem. O denominado Roto Chileno, o Zé Povinho português era para trabalhar, não para sufragar, conforme estava escrito ma Constituição que vigorou mais tempo no Chile. Apenas varões alfabetizados e com mais de 21 anos, tinham direito a voto. Mas um terramoto social aconteceu no Chile.

Em 1920 se apresenta como candidato presidencial o advogado filho de imigrantes de italianos, Arturo Alessandri Palma. Foi eleito mas derrubado e exilado após um golpe de palácio, pelas forças armadas oligárquicas, colocado após seis meses de exílio, pelos tenentes jovens do exército.  

 

Colocou uma condição: redigir uma nova Constituição, aprovada pelo Congresso bicameral, o terceiro que se tinha organizado no mundo ocidental: Grã-Bretanha, Noruega e Chile. O do Chile, era da criação de Bernardo O´Higgins em 1818, imitação do da Grã-Bretanha, onde tinha estado a estudar por ordem paterna.

 

A sua ideia não era apenas a do Congresso, mas também definia quem podia votar e quem não. Decretou que o sufrágio era censitário[1] apenas os que tivessem fortuna, que fosse varão e que soubesse ler e escrever, como está definido na nota de rodapé.

 

 

  


[1] Democracia ("demo+kratos") é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), directa ou indirectamente, por meio de representantes eleitos — forma mais usual. Uma democracia pode existir num sistema presidencialista ou parlamentarista, republicano ou monárquico.

 

[2] sufragio censitario: en el que votaban solo hombres que cumpliesen una serie de requisitos de nivel de instrucción, de renta y de clase social; El sufragio censitario o sufragio restringido consiste en la dotación del derecho a voto sólo a la parte de la población que está inscrita en un censo electoral.El censo electoral puede tener ciertas restricciones -además de un mínimo de edad para votar-, el sexo (limitación del sufragio femenino), a veces económicas (como la posesión de un determinado nivel de rentas u oficio) o relacionados con el nivel de instrucción (leer y escribir), social (pertenencia a determinado grupo social), la nacionalidad, la filiación e incluso el estado civil (casado).  se puede dar el caso de que reuniendo determinadas características se disponga de derecho a más de un voto.

 

El sufragio censitario fue la norma para calificar tanto a electores como a elegibles en las primeras revoluciones liberales (estadounidense, francesa, etc.) y durante el siglo XIX. En Sudamérica el sufragio censitario existió en la mayoría de los países hasta la década de 1910 cuando se estableció como único requisito el leer y escribir, con lo cual se duplicó el cuerpo de electores. El sufragio censitario se contrapone al sufragio universal, que no establece condiciones salvo mayoría de edad y ciudadanía (aunque hasta el siglo XX estaba limitado al sufragio masculino). No caso do Chile, o sufrágio passou a ser universal apenas em 1925, foi uma das condições  de Arturo Alessandri Palma para retomar o governo do Chile, após exílio de seis meses Religioso, calvinista, é ao mesmo tempo uma figura representativa do iluminismo. Correspondeu-se com membros da sociedade lunar e foi eleito membro da Royal Society. Em 1771, Franklin tornou-se o primeiro Postmaster General (ministro dos correios) dos Estados Unidos. O seu trabalho com O´Híggins e San Martin, foi inicia-los na maçonaria, que ajudaria imenso nas ideias e materialmente também, para que os seus discípulos passarem a ser libertadores dos seus Estados, sob a dominação da coroa da Espanha. Foi, de facto, a maçonaria, quem ajudara à libertação dos países subjugados e invadidos por quem não correspondia. 

 

(Continua)

 



publicado por Carlos Loures às 14:00
editado por João Machado em 03/07/2011 às 19:38
link do post | comentar

Quinta-feira, 30 de Junho de 2011
A poesia e a organização do trabalho, por Carlos Loures

 

Este texto foi incluído no Estrolabio, pela primeira vez, em 29 de Agosto de 2010. Pelo seu especial interesse e por ter relação com algumas matérias que temos abordado voltamos hoje a publicá-lo.

 

 

Prosseguindo neste debate em que, com o Adão Cruz, tenho vindo a dar achegas para a compreensão da poesia enquanto fenómeno social, trago hoje um testemunho de um filósofo e antropólogo britânico, George Derwent Thomson (1903-1987). Num estudo que publicou em 1945 e que a que deu o título de «Marxism and Poetry» (com uma edição portuguesa, da Teorema, em 1977 – «Marxismo e Poesia»), aborda o tema de uma óptica onde se integram a sociologia, a antropologia e a linguística. Baseia-se, principalmente, em estudos de campo e na recolha de testemunhos de sociedades primitivas, já que a poesia produzida por esse tipo de sociedades não pode ser estudada em espécimes escritos; a sua natureza oral antecede em muitos milhares de anos a escrita e o conceito de literatura. Como Thomson diz, a poesia representa um tipo especial de palavra – se queremos estudar a sua origem, temos de a procurar na origem da palavra e isto, em última análise, significa estudar a origem do homem, pois a palavra constitui um dos traços distintivos mais importantes do homem.

 

O aparecimento do homem não está cabalmente explicado e localizado no tempo. Há, porém um ponto em que os investigadores estão de acordo – o homem diferencia-se dos outros primatas através de duas características principais: pelo uso sistemático de utensílios especializados e pela palavra. De uma forma mais geral, os primatas diferem dos vertebrados inferiores por serem capazes de permanecer de pé e de usar as extremidades anteriores como mãos. Ter-se-ão desenvolvido e evolucionado a partir de condições particulares do meio e que determinaram um progressivo aperfeiçoamento da região do cérebro que comanda os órgãos motores. Animais florestais, a vida nas árvores, exigiu-lhes agilidade, rigorosa coordenação da vista e do tacto (visão binocular e um delicado controlo muscular). Desenvolvidas as mãos, elas colocaram ao cérebro uma gama de novos problemas, recebendo em troca um mundo de novas possibilidades. Desde a origem, portanto, existiu sempre uma total ligação entre a mão e o cérebro.

 

O homem difere dos outros primatas evoluídos, por conseguir não só colocar-se de pé, mas andar erecto, usando só os membros inferiores. Há quem defenda que esta aptidão se desenvolveu em consequência de um despovoamento arborícola que o forçou a instalar-se no solo. Seja isto verdade ou não, o importante é ele ter operado uma completa divisão, uma especialização, entre as funções das mãos e as dos pés. Os dedos grandes dos pés perderam a preensabilidade; os dedos das mãos atingiram um elevado grau de destreza, desconhecida entre os demais primatas superiores – gorilas e chimpanzés, por exemplo, podem manipular troncos e pedras e usá-las como armas ou ferramentas, mas só as mãos humanas conseguem transformar esses materiais em utensílios especializados.

 

Esta terá sido uma etapa decisiva, pois marcou o início de um novo sistema de vida – o homem, equipado com utensilagem, lançou-se na produção dos seus meios de subsistência, em vez de pura e simplesmente deles se apropriar – cavou a terra, plantou-a, regou-a, colheu, moeu os grãos, fez o pão. De utente passivo da natureza, passou a controlá-la e, nessa luta por dominá-la, apercebeu-se de que ela se regia por leis próprias, independentes da sua vontade. Apreendendo o sentido dessas leis naturais, deixou de ser escravo da natureza, passou a ser seu amo.

 

Necessitando de encontrar uma explicação para o universo, concebia-o como coisa que pudesse ser transformada por actos arbitrários da vontade – terá surgido a magia como técnica ilusória compensadora da falência da técnica real; ou digamos antes que é a técnica real apresentada sob um aspecto subjectivo. O acto mágico é a tentativa que os homens fazem para impor a sua vontade ao meio, imitando o processo natural que querem desencadear – se querem chuva, executam uma dança em que imitam o movimento das nuvens adensando-se, o ruído do trovão, o raio que cai… Nos estádios iniciais, o trabalho de produção era colectivo. As mãos da comunidade trabalhavam em conjunto e, o emprego de utensílios, motivou um novo meio de comunicação. A gama de gritos animais é limitada. No homem, porém, esses gritos tornaram-se articulados, foram elaborados e sistematizados como meios de coordenação dos movimentos do grupo. Por isso, quando inventou os utensílios, o homem inventou a palavra. Mais uma vez se verifica a íntima ligação entre a mão e o cérebro.

 

Quando vemos uma criança a tentar manejar pela primeira vez um pequeno martelo, podemos imaginar o grande esforço mental que as tentativas iniciais para usar um utensílio devem ter custado ao homem. Tal como as crianças na orquestra do infantário, o grupo trabalhava em comum e cada movimento da mão ou do pé, cada golpe sobre uma pedra ou sobre uma vara era ritmado por um recitativo mais ou menos inarticulado que todos cantavam em uníssono. Sem esse acompanhamento vocal o trabalho não poderia ser executado. A palavra terá, pois, surgido como elemento essencial da produção colectiva.

 

À medida que a habilidade foi evoluindo, o acompanhamento vocal ritmador foi deixando de constituir uma necessidade psíquica. Os elementos do grupo foram sendo capazes de trabalhar individualmente. Mas o aparelho colectivo sobreviveu sob a forma de uma repetição executada antes do início da tarefa concreta – uma dança através da qual os trabalhadores reproduziam os movimentos colectivos que anteriormente eram indissociáveis da tarefa propriamente dita. É aquilo a que os antropólogos chamam «dança mimética» e que ainda hoje se pratica entre as tribos primitivas.

 

Entretanto, a palavra desenvolveu-se – de acompanhamento directo do emprego de utensílios, na origem, transformou-se em linguagem tal como hoje a conhecemos – um meio de comunicação, consciente e articulado, entre os indivíduos. Sobreviveu na dança mimética e, enquanto parte falada, manteve a função mágica. Assim, em todas as línguas, encontramos dois modos de conceber a palavra – a «palavra corrente», o meio de comunicação quotidiano entre os homens, e a «palavra poética», material mais expressivo e mais apropriado aos actos colectivos do rito fantástico, rítmico e mágico.

 

 

 

 

Tentei aqui sintetizar, reproduzindo o sentido, o raciocínio de Thomson. Se o seu raciocínio é correcto, isso significa que a linguagem poética é essencialmente mais primitiva do que a palavra corrente, na medida em que preserva em elevado grau as qualidades de ritmo, de melodia, de fantasia, inerentes à palavra enquanto tal. Sendo apenas uma hipótese, apoia-se no que se conhece das sociedades primitivas – verificamos que a diferenciação entre a palavra poética e a palavra corrente é relativamente incompleta. Thomson estabelece, pois, uma estreita ligação entre colectividade, trabalho e poesia. É uma tese que vem colidir com os que querem que a poesia se situe num plano isolado (e superior) da realidade objectiva; esta teoria vincula a palavra poética, desde a sua mais remota origem, às tarefas concretas do quotidiano, nomeadamente ao trabalho.

_______________________________



publicado por João Machado às 15:00
link do post | comentar | ver comentários (2)

Quinta-feira, 23 de Junho de 2011
Domingo à tarde - por Carla Romualdo

 

 

 

 

 

  

Quando ela bate a porta e se afasta com passos trémulos sobre o empedrado, indiferente já aos olhares das vizinhas, ou às risadas atrevidas dos adolescentes a jogar futebol na rua, ela sabe que deixa entre os seus – os vizinhos – a certeza de que ela vai, todos os sábados e domingos, para um encontro amoroso.

 

Poderá ser que a imaginem numa história clandestina, dividindo o seu amante com outra mulher, a legítima, e por isso volte sempre sozinha a casa. O que não sabem, e talvez nunca venham a sabê-lo, é que ela passa as suas tardes no Vasco da Gama, sentada à mesa com uma bica que rende para a tarde inteira, e que os homens passam, e olham-na, e por vezes é preciso que passem muitas vezes até se atreverem a abordá-la, e que às vezes ela segue-os e outras vezes não, e isso depende da expressão que lhes vê na cara, se estão demasiado ávidos ou até parecem um pouco despectivos, se têm gestos rudes, que denotam um violento em potência, ou se parecem mansos, e às vezes depende tão-só de gostar ou não de cada um, porque em cada um põe mais, muito mais do que uma simples transacção, em cada um pousa, ainda que por instantes, a esperança de encontrar uma ilusão que lhe dure mais do que a tarde de domingo.


E por isso, Ana Maria senta-se a cada fim-de-semana, nua mesma mesa da praça da alimentação do Vasco da Gama, com os olhos carregados de rímel, calças justas ou saia curta, e um decote exageradíssimo, um decote que lhe deixa as mamas quase a descoberto, bordeadas pela renda negra do soutien de luxo, que ela só usa aos sábados e domingos, e se olharem para ela não verão mais do que uns olhos negros, muito negros, e talvez já nem desçam o olhar para o decote, porque quem sabe verão nesses olhos negros a ilusão que em alguém dia se cumprirá, nem que seja só por uns instantes. 



publicado por CRomualdo às 21:00
link do post | comentar | ver comentários (2)


EDITORIAL
AUTORES
Adão Cruz

Adriano Pacheco

Alexandra Pinheiro

Andreia Dias

António Gomes Marques

António Marques

António Mão de Ferro

António Sales

Augusta Clara

Carla Romualdo

Carlos Antunes

Carlos Durão

Carlos Godinho

Carlos Leça da Veiga

Carlos Loures

Carlos Luna

Carlos Mesquita

Clara Castilho

Ethel Feldman

Eva Cruz

Fernando Correia da Silva

Fernando Moreira de Sá

Fernando Pereira Marques

Hélder Costa

João Machado

José Brandão

José de Brito Guerreiro

José Magalhães

Josep Anton Vidal

Júlio Marques Mota

Luís Moreira

Luís Rocha

Manuel Simões

Manuela Degerine

Marcos Cruz

Maria Inês Aguiar

Paulo Melo Lopes

Paulo Rato

Pedro Godinho

Raúl Iturra

Rui de Oliveira

Sílvio Castro

Vasco de Castro

Contacte-nos
estrolabio(at)gmail.com
últ. comentários
No dia 08/01/1974, faleceu o furriel Zeca Rachide,...
Cheguei aqui pelo link no blogue O Cantinho da Jan...
Apply now for all kinds of loans and get it urgent...
Sou do Bat. Caç. 4613/72 que foi para Angola em fi...
Aí meu Deus eu tenho um pavor a esses bichos! Un d...
ei pessoal do bat cav 1927 e ex combatentes boa pa...
Eu fiz uma descoberta que eu gostaria de compartil...
I recebeu um empréstimo em um notável credores, ho...
Eu fiz uma descoberta que eu gostaria de compartil...
Eu fiz uma descoberta que eu gostaria de compartil...
pesquisar neste blog
 
posts recentes

15 - José Estaline (Иосиф...

14 - José Estaline (Иосиф...

13-- José Estaline (Иосиф...

12 - José Estaline (Иоси...

11 - José Estaline (Иоси...

10 - José Estaline (Иосиф...

9 - UMA REPÚBLICA DEMOCRÁ...

9-- José Estaline (Иосиф ...

8-- José Estaline (Иосиф ...

7-- José Estaline (Иосиф ...

arquivos

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

tags

todas as tags


sugestão: revista arqa #84/85
links