Segunda-feira, 27 de Junho de 2011
ANTOLOGIA DA MEMÓRIA POÉTICA DA GUERRA COLONIAL (Afrontamento, 2011) – por Manuel Simões

 

 

 

 

 

 

Um projecto com as dimensões desta Antologia (178 poetas, sem contar com o conhecido “Cancioneiro do Niassa”, 646 pp.) e que nasceu no âmbito das realizações do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, onde foi objecto de estudo nos últimos anos, teria que envolver uma ampla equipa com a supervisão de dois organizadores, Margarida Calafate Ribeiro e Roberto Vecchi. Tal projecto desenvolveu-se tendo em consideração quatro objectivos essenciais: recolha e análise crítica da poesia da guerra colonial; avaliação do impacto da guerra na poesia portuguesa contemporânea; organização de uma antologia da poesia sobre a guerra colonial; e contribuição para o debate e a memória pública da guerra, através de diversos colóquios, de que o último teve como tema “Os filhos da Guerra Colonial: pós-memória e representações” (14 e 15 de Junho de 2011). E, como afirmam os organizadores, a partir de três eixos: «(1) perceber a intersecção poética entre o individual e o colectivo nos aspectos vivenciais e traumáticos da Guerra Colonial; (2) reflectir sobre as relações entre poesia, memória e memória poética; (3) avaliar o impacto da poesia nas memórias públicas da Guerra Colonial e do fenómeno da memória da guerra na sociedade portuguesa e nas suas representações» (p.23).

 

Na transparente e documentada introdução à Antologia, os organizadores assumem por inteiro o “desafio científico” de seleccionar, a partir de uma floresta de textos poéticos, heterogéneos e que muitas vezes cumpriam uma função documental e pragmática, um corpus que obedecesse a um critério exigente saído de um debate crítico «sobre a poética, a memória, o esquecimento, as suas relações com a poesia e, em particular, a poética em tempo de guerra» (p.23). A memória, como se vê, constitui o núcleo dos critérios metodológicos, com a consciência de que, através da poesia, se pode construir uma memória poética de um facto histórico, o que pressupõe a hermenêutica da memória.

 

Tendo que seguir um critério de arrumação dos materiais, os organizadores conceberam uma divisão temática, distribuindo os poemas por blocos que obedecem aos temas “Partidas e Regressos”, “Quotidianos”, “Morte”, “Guerra à guerra”, “O dever da guerra”, “Pensar a guerra”, “Memória da guerra”, “Cancioneiros”, “Cancioneiro Popular” e “Ainda”, secção esta que inclui dois belíssimos poemas, o primeiro de Fernando Assis Pacheco e o segundo de Manuel Alegre, extraído de “Nambuangongo, Meu Amor: Os Poemas da Guerra” (2008):

 

            As nossas frases estão cheias de picadas

            de minas a explodir nos substantivos

            por dentro do silêncio há emboscadas

            não sabemos sequer se estamos vivos.

            Os helicópteros passam nas imagens

            a meio de uma vírgula morre alguém

            e os jipes destruídos estão nas margens

            do papel onde talvez para ninguém

            se vão escrevendo estas mensagens. (p.550)

 

 

Não é difícil, portanto, perceber a importância e o alcance desta Antologia, que constitui um marco fundamental para se poder “ler” criticamente a guerra colonial a partir de textos poéticos provenientes de vários quadrantes e de acordo com a visão dos autores referenciados, o que mostra como aquele evento controverso e desamado tocou profundamente a poesia portuguesa contemporânea. No seu não menos importante “posfácio”, os dois organizadores proporcionam ao leitor uma moldura crítica que só pode enriquecer a apreensão do texto na sua globalidade. E assim referem os momentos fundamentais: «Tempo um: Requiem por um império ou sombras da guerra entre nós – Poesia 61»; «Tempo dois: Requiem por um império ou a reinvenção retórica do império»; «Tempo três: Requiem pela guerra – Três vozes da Guerra Colonial»; «Tempo quatro: A dimensão performativa do canto na poesia da Guerra Colonial» (Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, José Mário Branco, Luís Cília e outros).

 

Esta monumental Antologia, limiar de um corpo de dimensões mais vastas a confluir num arquivo digital aberto (Arquivo Electrónico da Memória Poética da Guerra Colonial), encontrou nos dois organizadores os interlocutores qualificados, considerando os estudos anteriores sobre o tema, objecto de várias publicações de âmbito internacional: “Uma História de Regressos: Império, Guerra Colonial e Pós-Colonialismo” (Afrontamento, 2004) de Margarida Calafate Ribeiro; e “Excepção Atlântica. Pensar a Literatura da Guerra Colonial” (Afrontamento, 2010) de Roberto Vecchi, entre outras.



publicado por João Machado às 15:00
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2011
Dois livros sobre a Guerra Colonial

Depois das obras Memórias de um Guerreiro Colonial, de José Talhadas, e Estranha Noiva de Guerra, de Armor Pires Mota, a colecção Guerra Colonial fica enriquecida com dois novos títulos, em que os autores contam as suas experiências no conflito colonial de Angola.

 

São dois importantes contributos para a História, que chegam aos leitores no ano em que se assinala o cinquentenário do início da guerra colonial. -

 

 Angola – O Conflito na Frente Leste, de Benjamim Almeida

 

Em 1966, o MPLA iniciou a luta no Leste angolano, com vista à ocupação de uma vasta área e respectiva ligação à

frente norte através da chamada Rota Agostinho Neto. Falhou ambos os objectivos devido à forte oposição, não apenas das Forças Nacionais mas também da UNITA, graças à Operação Madeira. Esta operação marcou o relacionamento das autoridades militares com aquele movimento durante longo período. Nesta obra é realçada, com algum detalhe, a natureza dessas relações, suportada por documentos inéditos. Entre estes destaca-se alguma correspondência trocada entre o presidente da UNITA e o autor, bem como o relatório do encontro entre ambos, que teve lugar em 20 de Outubro de 1973. Sem qualquer atitude ficcional, este livro é o relato autobiográfico da odisseia de um capitão miliciano na guerra colonial.

 

 

 

 

 - A Última Estação do Império, de António Chaves

 

 

 

A 23 de Janeiro de 1964, um jovem de 20 anos apanha, na estação de S. Bento, o último comboio da noite, com destino a Santa Apolónia. Chama-se António Carneiro Chaves, é natural da aldeia de Negrões, concelho de Montalegre, e esta será a primeira etapa de uma viagem que o conduzirá, juntamente com um grupo de outros recém-incorporados, tal como ele, no serviço militar, até ao quartel de Mafra, onde irão fazer recruta. Numa escrita por vezes poética na descrição de paisagens e emoções, António Chaves narra cerca de quatro anos que considera de interregno na sua vida; percurso em que, extasiado com o esplendor e a magia do mundo africano, tenta entender a natureza e cultura dessas gentes, tão diferentes das que até ali conheceu. Líder com um claro sentido de estratégia e comando, nunca perde, no mais fundo do coração, a memória e a saudade da sua terra e dos seus. Procura, à luz de documentação histórica, as razões que poderão explicar os caminhos que desembocaram na guerra em que participou. O amálgama de reflexões e vivências narradas, situando esta obra entre o romance autobiográfico e o ensaio, levanta questões comuns a todos que ali aportaram, justificando a sua edição e o interesse na sua leitura.



publicado por Carlos Loures às 11:00
editado por João Machado em 20/06/2011 às 23:38
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Quarta-feira, 15 de Junho de 2011
Lançamento da Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial, em Lisboa. Dia 15 de Junho.

 

É com muita alegria que as Edições Afrontamento e os investigadores Margarida Calafate Ribeiro (Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra) e Roberto Vecchi (Universidade de Bolonha) o vêm convidar para participar na sessão de lançamento da Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial, com participação de Joaquim Furtado.

 

O lançamento realizar-se-á nas instalações do CES – Lisboa, Auditório do CIUL, no próximo dia 15 de Junho, pelas 19 horas e está integrado no Colóquio/Debate “Os Filhos da Guerra Colonial: pós-memória e representações” (14 e 15 de Junho).

 

Auditório CIUL / Forum Picoas Plaza

Rua Viriato, 13

1050-227 Lisboa

Telef. 216012848

E-mail: ceslx@ces.uc.pt

 

Apresento os meus melhores cumprimentos,

--

Margarida Calafate Ribeiro

Centro de Estudos Sociais - Laboratorio Associado

Colegio de S. Jeronimo, ap. 3087

3001-401 Coimbra

T +351239855570  F +351239855589

margaridacr@ces.uc.pt

margaridascr@gmail.com

 

 



publicado por João Machado às 09:00
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Terça-feira, 14 de Junho de 2011
Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial

 

 



publicado por Carlos Loures às 09:30
editado por João Machado em 13/06/2011 às 23:43
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Domingo, 12 de Junho de 2011
Um palmar iluminado pelo sol, por Carlos Loures

 

 

 


 

Esta nossa conversa, ou, mais propriamente, este solilóquio, poderia muito bem começar assim – o fumo da alucinação e da loucura invade o gabinete de investigação – se preferirem que durante este breve solilóquio não utilizemos eufemismos, digamos, então, antes câmara de tortura. Pronto, agora já está melhor, mais objectivo. Take two – comecemos a narrativa de novo – O fumo da demência, dizia eu, entra em abundantes novelos brancos pelas frestas da porta da câmara de tortura. Sei perfeitamente que o fumo não existe, mas sinto-lhe, apesar disso, o sopro gélido e o odor pestífero. Os bichos, insectos, répteis e aracnídeos – venenosos e vorazmente carnívoros, tão repugnantes como também inexistentes – percorrem o soalho de madeira escura, passeiam-se lenta e provocatoriamente pelas paredes sujas...

 

Porém, para compensar o horror, realista de uma forma sórdida, do cenário desta produção barata, súbita e quase magicamente, deixo de ouvir a voz monótona do agente estagiário de turno, na sua lenga-lenga moralista, e encontro-me de novo na Guiné, num acampamento de circunstância nas margens do grande rio, a poucos quilómetros do nosso aquartelamento em Tite onde, em Janeiro desse ano, com um forte ataque da resistência, tinha começado a insurreição armada. Agora, a situação era diferente, para bastante pior, com diversos focos de resistência espalhados por todo o território e com os guerrilheiros (os turras da linguagem popular e o in no paleio militar) a trocar as armas artesanais por equipamento mais sofisticado do que o nosso).

 

Acendem-se-me na memória a floresta húmida, o caprichoso bailado dos raios solares entre os palmares, a vegetação espessa, o rio coleante como uma cascavel esverdeada, os gritos pungentes dos emplumados pássaros, os guinchos trocistas dos macacos e, às vezes, de súbito, sem explicação aparente, a eclosão de um silêncio tão sufocante como o calor e que sempre nos deixava a contas com o ruído do nosso sangue nos ouvidos, com o agitado pulsar dos nossos corações.

 

Um barco de borracha aproxima-se deixando uma esteira de espuma nas águas verdes do Geba. Um fuzo salta do barco e, dando vigorosas patadas na água, vem colocar na margem uma pilha com quatro grades de cervejas. Depois volta para o «Zebro», fazendo espadanar a água em seu redor, como um garoto traquina. Os outros fuzileiros riem. O furriel António que está a fazer a barba frente a um espelho pendurado numa árvore, corre para o acampamento com a cara branca de espuma de sabão. «São quatro grades, só quatro grades que aqueles nabos do caraças nos trazem! Só quatro grades!», grita para nós. O barco dos fuzos afasta-se já. O que terá dito um deles e que provoca uma gargalhada geral aos seus companheiros, quando o barco se perde num meandro do Geba e dele apenas vai permanecendo o ruído decrescente do motor e a esteira de espuma à tona das águas? Solitárias sobre a areia da margem, só as quatro grades de cervejas garantem que não fomos vítimas de uma miragem ou ilusão.

 

E o que me interessará agora a provável, mais do que certa, alarvice que o fuzileiro terá dito aos colegas, aqui, nesta sala em que bichos repugnantes e vorazes enxameiam as tábuas do chão, as paredes, o tecto, em que o rectângulo gradeado da janela se povoa de paisagens sempre diferentes e sempre sinistras, ao sabor da loucura que, minuto a minuto, pingo a pingo, como água vinda de uma torneira avariada, me invade o cérebro? Com qual destas realidades me deverei preocupar?

 

Ao dia sucede a noite, depois vem a hesitante claridade da madrugada anunciar a saída de um extenso túnel para noutro logo voltarmos a entrar. E assim sucessivamente, dia após dia, noite após noite. Um ciclo infernal de alternância entre sombra, escuridão, luz, sombra... E de vozes. Muitas vozes. Vozes insidiosas tentando infiltrar-se nas fendas que a brutal insónia vai rasgando no tecido da memória e da consciência. Aqui, neste quarto maldito, gabinete de investigação – como lhe chama o senhor sub-inspector – câmara de tortura, o que vocências quiserem, eu, o preso («o detido», emenda solícito o senhor agente estagiário, « o senhor só fica preso se for condenado em tribunal») tenho saudades da Guiné, onde as Kalashnikovs ladravam como hienas, as granadas de morteiro ribombavam como trovões lançados por um qualquer deus desmazelado e bêbedo e as minas transmutavam subitamente os corpos, numa alquimia tosca, em sórdido ketchup que se embrulhava em verdes panos de tenda e se enviava depois para a terra em caixas de pinho. Saudades da Guiné, onde a morte fazia, apesar de tudo, um jogo mais limpo e não enluvava as mãos em loucura como aqui, entre estas quatro paredes que dançam para lá das cortinas de fumo e fervilham de bichos asquerosamente trepadores.

 

Agora, em vez da névoa obsidiante do cacimbo, é este fumo branco, são os bichos e é a voz do agente de serviço, visivelmente o pide-bom do grupo, um dos torcionários que se revezam de quatro em quatro horas, cerzindo em torno da minha cabeça uma coroa de demência, feita de minutos, horas, dias: «O melhor que tinha a fazer era arrumar já o seu caso. Eu ia chamar o senhor sub-inspector, o senhor prestava as suas declaraçõezinhas, esclarecia-se tudo e o senhor ia dormir. Não vê que está a dar cabo de si? Olhe que os seus amigos, os seus camaradas, aqueles que está a querer proteger, não lhe vão agradecer nada o sacrifício que está a fazer por eles, aqui preso, isto é, detido, a passar por este interrogatório tão incómodo» …«Se lhe acontecer alguma coisa (Deus queira que não), não são eles que vão cuidar dos seus filhos»

 

O negro, um mandinga corpulento e de grande estatura apanhado em cima da sua bicicleta a percorrer a estrada com papéis «subversivos», está estendido num bailique e olha-nos com uma enorme serenidade, enquanto o sargento das informações o zurze com o cavalo-marinho – «Fala cabrão!», grita ao mesmo tempo que bate, possuído de uma raiva voluptuosa. As fibras do tecido da camisa vão aos poucos entrando na carne, vão confundindo-se com ela, criando um pastoso amálgama, uma pasta de pele, sangue e tecido. Um silvo de cansaço, frustração e ódio sai da boca do sargento a cada pancada que desfere. O homem, um professor primário de uma missão católica, quase não acusa no rosto a dor e não emite qualquer queixume, apenas um leve sopro sai dos seus lábios. Com os olhos muito abertos, dir-se-ia que com a curiosidade de um entomólogo, observa o círculo de soldados e o sargento que bate, bate sempre e grita, espumando pelos lábios. Olha-nos, um por um, sem ódio, parece não perceber o que nos leva a matar um ser humano, assim, daquela maneira. «Porquê?», pode ler-se a pergunta no seu olhar.

 

O agente de patilhas caracteriza-se, não por fazer perguntas ou dar conselhos como os outros. Está especializado na produção de diversos efeitos sonoros: bate com os pés no chão, passa com as unhas no vidro martelado da janela, lança assobios agudos. Dentro da minha cabeça, de preso ou detido, ou lá que raio eu sou aqui, que a sinto inchar como um enorme aeróstato, estes ruídos são ampliados e espalham-se depois por todo o sistema nervoso, como agulhas ou pedaços de vidro largados à solta na corrente sanguínea. O agente ri-se quando me vê estremecer.

 

O prisioneiro mandinga fita-nos com o seu ar sempre impassível de quem transpôs já a sempre ténue fronteira entre a vida e a morte, aquela linha a partir da qual a dor, a tristeza ou a alegria já não nos conseguem atingir. Depois o cavalo-marinho, com pancadas mais espaçadas, começa também a destruir-lhe o rosto, a única maneira de pôr fim à sua insultuosa serenidade. A mistura de sangue, osso e tecidos, espirra abundantemente para o meu camuflado, tal como para cima dos outros. Devo ter empalidecido. Sinto o estômago às voltas. Um cabo de barbas, um cacimbado ou, como também chamam aos velhos, «um apanhado pelo clima», pergunta-me com a irónica solicitude de um veterano: «O meu alferes está a sentir-se mal?».

 

Há um outro agente, um tipo franzino que, quando chega para iniciar o seu turno, começa por abrir a gaveta da secretária e olha demoradamente o seu interior com o sorriso de quem confere e aprecia uma vasta panóplia de instrumentos de tortura. Depois fecha a gaveta e fita-me com um ar pensativo e ausente. Há um outro que conta muitas histórias e dá grandes murros na mesa quando me deixo adormecer. Há o mau, o terrível. Ameaça espancar, promete inomináveis tormentos. Pontapeia a porta e as paredes, numa velada promessa. Há ainda o senhor sub-inspector que me vem visitar todas as manhãs e que se finge sempre muito surpreendido por eu ainda ali estar, por «não ter ainda resolvido o seu caso». E há o médico que me vem ver quando desmaio e que sai sempre a abanar a cabeça com um ar de quem está muito preocupado.

 

Um circo completo.

 

Ao fim da tarde, quando os ruídos no edifício da sede da polícia vão diminuindo e as sombras vão aos poucos tingindo as paredes, sinto sempre uma tristeza pungente invadir o território nebuloso que é agora o meu corpo. Estou, como Jonas no estômago da baleia, dentro de uma fera estúpida que me vai digerindo e devorando com os seus dentes ávidos. Tal como o cavalo-marinho do sargento fez ao corpo do mandinga, provocando-lhe estremeções convulsivos, pulsões de morte. Tal como ao mandinga, só o sereno desprezo pela fera imbecil me pode agora salvar.

 

E, ao fechar os olhos por momentos, consigo mais uma vez evadir-me dali e na escuridão crescente acendem-se-me por detrás das cansadas pálpebras as folhas verdes de um palmar, iluminadas pelos reflexos do sol.

 

Fim de conversa.

 

 

(Excerto de A Vida é Un Desporto Violento)



publicado por João Machado às 15:00
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Quarta-feira, 8 de Junho de 2011
Excepção Atlântica. Pensar a Literatura da Guerra Colonial, de Roberto Vecchi (Porto, Ed. Afrontamento, 2010). Por Manuel Simões

 

 


 

 

 

 

O Autor tem-se ocupado, desde meados da década de 90, dos temas e problemas relacionados com a literatura da guerra colonial e do seu impacto no imaginário português, a ponto de se poder dizer que é hoje um dos grandes especialistas de uma matéria que remete para “um passado que ainda foge à fundação de uma memória compartilhada”. De facto, data de 1995 a publicação de dois importantes ensaios (“Literatura da guerra colonial: a melancolia como género” e “A guerra colonial entre género e tema: ‘Jornada de África’ de Manuel Alegre”), que constituíram o ponto de partida para esta abordagem global que é parte de uma investigação persistente de alguns anos sobre a guerra colonial e, de modo mais específico, sobre a literatura que procurou representá-la.

 

Ao longo de um preâmbulo e de oito capítulos de grande maturidade reflexiva, até do ponto de vista teórico, o Autor conduz o seu discurso no sentido de observar a literatura da guerra colonial como um modo, entre outros possíveis, para tentar um discurso crítico sobre Portugal, sobre o império colonial (ponto ainda fracturante da história portuguesa contemporânea), sobre o trauma, “sobre a relação entre a violência e a excepção para que sempre remete”.

 

Tal discurso assenta numa reflexão profunda sobre as questões subjacentes e implícitas à representação de mecanismos perversos que conduziram todo um percurso, de que destaco, por razões de espaço: “Usos e genealogia: os corpos despedaçados e a história”; “a melancolia como género”; “Restos, rastos, indícios e fantasmas. Tragédia e trágico” (capítulo 1); saudade, luto, melancolia na literatura da guerra colonial (capítulo 2); e, de modo particular, todo o capítulo 5, como se pode avaliar pela súmula que antecede o capítulo: “Memória e história […] (Quase) lutos, cicatrizes, epitáfios. Enterrar os mortos: as Antígonas trágico-modernas da guerra colonial. A condição póstuma do Autor: tal Império, qual conflito? Quem são as vítimas invisíveis de uma não guerra sem nome? Astúcias e incoincidências do autor póstumo na literatura da guerra colonial. Traumas transbordantes e políticas póstumas do trágico: ‘Enterrar os mortos e cuidar dos vivos’. Culpa e crueldade nas representações da guerra colonial”.

 

Na sua globalidade, o volume constitui um desafio que o Autor faz a si próprio e aos leitores no sentido duma leitura abrangente e iluminante, sob muitos aspectos, dos vários textos ficcionais que se produziram sobre a guerra colonial. Concordo plenamente com Margarida Calafate Ribeiro, prefaciadora do volume, quando afirma que este livro nos leva a reflectir “sobre Portugal de uma forma teoricamente provocante, absolutamente inovadora e distinta do que até agora tem vindo a ser feito”.

 

Roberto Vecchi é professor de Literatura Portuguesa e Brasileira, e de História das Culturas de Língua Portuguesa na Universidade de Bolonha. Para além dos dois ensaios já citados, de certo modo fundadores do que viria a ser a investigação futura, é autor de vários ensaios sobre o mesmo tema, publicados em Portugal, em Itália e no Brasil. Desses estudos destaco: “Mares coloniais, mares da memória. Algumas considerações sobre a literatura da guerra colonial” (1994); “Percursos. Fragmentos de uma ‘recherche’ da África perdida” (1996); “Barbárie e representação: o silêncio da testemunha” (2001): “Experiência e representação: dois paradigmas para um cânone literário da guerra colonial” (2001); “Restos de experiência, rastos de memória: algumas características da guerra colonial” (2001); “Das relíquias às ruínas. Fantasmas imperiais nas criptas literárias da guerra colonial” (2003); e “Império português e biopolítica: uma modernidade precoce?” (2007).

 

(Este livro foi apresentado na Livraria Barata no dia 25 de Outubro de 2010).



publicado por João Machado às 15:00
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Sábado, 26 de Março de 2011
Inscrição para ciclo de jantares-debates sobre "A Guerra Colonial - Presenças e Regressos"

De: Associação Portuguesa de Escritores [mailto:info@apescritores.pt]
Enviada: segunda-feira, 21 de Março de 2011 11:30
Para: Undisclosed-Recipient:;
Assunto: Ciclo "A Guerra Colonial - Presenças e Regressos"

 

 

Prezados Consócios

 

 

Estão abertas as inscrições para o ciclo de jantares-debates sobre "A Guerra Colonial - Presenças e Regressos", que se realiza em Março, Abril e Maio.

 

A primeira sessão é no próximo dia 29 de Março, pelas 19h30, na Associação 25 de Abril, no Restaurante Respublica.

 

O programa e a ficha de inscrição estãodisponíveis no nosso site: www.apescritores.pt

 

Ao dispor.

 

 

 

 

 



publicado por João Machado às 09:00
editado por Luis Moreira às 01:33
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Quinta-feira, 24 de Março de 2011
Guerra Colonial - Presenças e Regressos - ciclo de conferências

 

 

 

 

 

A GUERRA COLONIAL

 – PRESENÇAS E REGRESSOS –

 

COORDENAÇÃO DE LUÍS MACHADO

                                            

 

 

 

 

 

 

Dia 29 de Março

GEOGRAFIAS DA GUERRA

(Restaurante Respublica - Associação 25 de Abril) – 19H30

Fernando Rosas, José-Augusto França, Martins Guerreiro, Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Lourenço

 

Dia 19 de Abril

A LITERATURA PORTUGUESA DA GUERRA COLONIAL

(Restaurante Via Graça) – 19H30

Carlos Vale Ferraz, João de Melo, José Correia Tavares, Luís Rosa, Manuel Alegre e Vergílio Alberto Vieira

 

 

Dia 24 de Maio

CANTAR A RESISTÊNCIA E ESCREVER A LIBERDADE

(Café Martinho da Arcada) – 19H30

Francisco Fanhais, José Manuel de Vasconcelos, José Mário Branco, Manuel Freire, Maria Manuela Cruzeiro, Mário Vieira de Carvalho, Michel, Ruben de Carvalho e Vitorino

 

                                

 

 

Moderadores: José Manuel Mendes, José Manuel de Vasconcelos e Luís Machado

 

 

 

ORGANIZAÇÃO: ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ESCRITORES

 

 

 

 

APOIOS: ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL, FUNDAÇÃO PORTUGAL-AFRICA E ANTENA1

 

 

 

 

 



publicado por João Machado às 09:00
editado por Luis Moreira em 21/03/2011 às 23:12
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Terça-feira, 22 de Março de 2011
A Guerra Colonial - Presenças e Regressos - Associação Portuguesa de Escritores

 

 

 

                                              

 

 



publicado por Luis Moreira às 16:00
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Segunda-feira, 21 de Março de 2011
Ciclo sobre a guerra colonial organizado pela APE

 

 

 

 

 

A GUERRA COLONIAL

 – PRESENÇAS E REGRESSOS –

 

COORDENAÇÃO DE LUÍS MACHADO

                                            

 

 

 

 

 

 

Dia 29 de Março

GEOGRAFIAS DA GUERRA

(Restaurante Respublica - Associação 25 de Abril) – 19H30

Fernando Rosas, José-Augusto França, Martins Guerreiro, Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Lourenço

 

Dia 19 de Abril

A LITERATURA PORTUGUESA DA GUERRA COLONIAL

(Restaurante Via Graça) – 19H30

Carlos Vale Ferraz, João de Melo, José Correia Tavares, Luís Rosa, Manuel Alegre e Vergílio Alberto Vieira

 

 

Dia 24 de Maio

CANTAR A RESISTÊNCIA E ESCREVER A LIBERDADE

(Café Martinho da Arcada) – 19H30

Francisco Fanhais, José Manuel de Vasconcelos, José Mário Branco, Manuel Freire, Maria Manuela Cruzeiro, Mário Vieira de Carvalho, Michel, Ruben de Carvalho e Vitorino

 

                                

 

 

Moderadores: José Manuel Mendes, José Manuel de Vasconcelos e Luís Machado

 

 

 

ORGANIZAÇÃO: ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ESCRITORES

 

 

 

 

APOIOS: ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL, FUNDAÇÃO PORTUGAL-AFRICA E ANTENA1

 

 

 

 

 



publicado por João Machado às 09:00
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Terça-feira, 15 de Março de 2011
Faz hoje cinquenta anos – por Carlos Loures

 

O meu primeiro emprego foi na R.T.P. Como já aqui contei a propósito de uma subscrição que com outros colegas fizemos na empresa a favor da compra da rotativa para o jornal República, havia na sede da empresa, que funcionava na Rua de São Domingos à Lapa num palacete pertença da actriz Mariana Rey Monteiro, um pequeno grupo de activistas anti-regime  que até a gente de direita, legionários e informadores da PIDE incluídos, sabia quem eram. Éramos, no entanto, tipos profissionalmente cumpridores, de quem os directores gostavam e estávamos protegidos pela aura romântica que rodeava os transgressores da ordem estabelecida. Em todo o caso, os relatórios eram feitos. Quando, quatro anos depois fui preso, a PIDE estava ao corrente das minhas movimentações na RTP. Estávamos em 1961.

 

1961 foi um annus horribilis para o regime. Ora vamos recordar alguns dos principais acontecimentos -  21 de Janeiro - Assalto ao paquete "Santa Maria" por um comando luso-galego chefiado por Henrique Galvão. 4 de Fevereiro - assalto à cadeia de Luanda e a uma esquadra da polícia por militantes do MPLA, causando alguns mortos. 23 de Fevereiro - O Conselho de Segurança da ONU emitiu a primeira resolução condenatória da política colonialista de Salazar. 15 de Março - em Angola, a UPA, enraizada principalmente entre os Bakongo, mas com aderentes também entre os Ambundu e os Ovimbundu, iniciou a sua luta armada na região do norte, nomeadamente no concelho do Uíge estendendo-se mais tarde para o sul, até à actual província do Bengo. Foram barbaramente massacrados colonos brancos e trabalhadores negros, provocando cerca de oito mil mortos. Talvez mesmo dez mil.

 

 

13 de Abril - teve lugar o golpe palaciano de Botelho Moniz e o contragolpe de Salazar  - que, apoiadopelo general Kaúlza de Arriaga, demitiu os conspiradores (que ingenuamente lhe deram um prazo para se demitir) . 10 de Novembro foi desviado um avião da TAP, da carreira Casablanca - Lisboa, por um comando chefiado por Palma Inácio, que lançou milhares de panfletos revolucionários sobre Lisboa e Margem Sul. 10 de Dezembro -  Do presídio de Caxias, evadiu-se um grupo de presos políticos, fugindo num Chrysler Imperial blindado. O carro fora oferecido a Salazar e estava a ser reparado na oficina da prisão.  17/19 de Dezembro - a União Indiana invadiu militarmente o Estado Português da Índia, anexando-o. 19 de Dezembro - José Dias Coelho - escultor e antifascista foi assassinado pela PIDE nua rua de Alcântara. 31 de Dezembro – assalto ao quartel de Beja por oposicionistas armados, tendo morrido o Sub - secretário de Estado do Exército - Jaime Filipe da Fonseca.

 

Num país onde parecia nada acontecer, o ano de 1961 desmentiu essa pasmaceira. E não referi acontecimentos internacionais desfavoráveis ao regime. Mas voltarei a este ano, pois os cinquentenários vão ser mais do que muitos, Dias depois de 15 de Março. os repórteres de imagem da RTP enviaram filmes sobre os massacres no Norte de Angola. Salazar vendo-os, não autorizou que as imagens mais chocantes passassem na televisão. A administração da empresa organizou então uma sessão destinada apenas ao pessoal masculino.

 

Num fim de tarde no salão principal assistimos às imagens horrorosas que mais tarde, depois de Abril de 1974, foram reveladas. O pequeno grupo de oposicionistas, que defendia abertamente a independência das colónias, estava sob os olhares dos colegas, como se fôssemos nós e não a gente de Holden Roberto quem praticou aquelas atrocidades. Os colegas olhavam-nos com um tal ar de censura que estávamos incomodados. Quando as luzes se acenderam, havia lágrimas em alguns olhos e rostos irados. O mais velho de nós, um homem franzino e de baixa estatura,  muito corajoso, disse então qualquer coisa como - «É horrível. Ninguém pode estar de acordo com uma coisa destas. Mas quase 500 anos de evangelização e de «civilização» deviam ter criado pessoas diferentes, seres humanos incapazes de cometer crimes destes contra outros seres humanos». Todos nós, os «insurras» assentimos. Houve uma descompressão. Como comentámos depois entre nós,  tanto ódio acumulado era em si mesmo uma trágica condenação do colonialismo. As imagens de corpos decapitados, de crianças de colo esventradas. de mulheres mortas, sendo evidente a violação, de pénis espetados em paus... Nem nos piores pesadelos se vêem imagens tão dolorosas de evocar.

 

Foi em 15 de Março de 1961 - faz hoje 50 anos.

 

 



publicado por Carlos Loures às 12:00
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Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011
Cronologia da Guerra Colonial - 1964 - por José Brandão

1964

 

JANEIRO

?

- Fogem de Bissau dirigentes do PAIGC, que as autoridades militares portuguesas consideravam recuperados.
- O ministro Franco Nogueira encarrega Jorge Jardim de procurar estabelecer relações com Pequim, mas Salazar acaba por voltar atrás com a iniciativa.
- Ofensiva do PAIGC na Guiné, ilha do Como, criando a primeira zona libertada no território.

- A PIDE analisa a evolução da situação militar em Angola. Segundo esta polícia: Os ataques realizados, em princípios de 1964, nas regiões do Ambriz, Ambrizete, Musserra e Quingombe revelavam que o inimigo dispunha de «excelente informação» do que se passava nessas regiões. E revelava, ainda, uma «razoável preparação técnica e táctica nos aspectos operacionais de manejo das armas utilizadas, dada a precisão de tiro com que atingiu objectivos visados e bem definidos».

O distrito de Malange estaria ameaçado a norte, pela UPA, e a sul pela UNITA. Contudo, o único movimento que preocupava seriamente a polícia era o MPLA, que tinha a intenção de estabelecer uma ligação entre a I e a III Regiões Militares, através de Malange, que, juntamente com a Lunda, formavam a sua IV Região Militar.

1

- Morre em combate em Angola um furriel da CCaç 502.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 508.

3

- O MPLA realiza a Conferência dos Quadros e dos Militantes Activos.
- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 413.

4

- Morrem em combate em Angola um alferes da CCaç 539 e um soldado do CmdAgr 9.

- O governo publica legislação autorizando os militares portugueses em serviço nas colónias a votarem em eleições legislativas.

5

- Ataque do PAIGC ao quartel de Mansabá atingindo todo o perímetro da unidade militar portuguesa.

- Morrem em combate em Angola 6 militares da CCaç 539 entre os quais o capitão Isidoro de Azevedo Coelho.

6

Morrem em combate em Angola 3 militares. Um do BEng 234, um da CCaç 539 e um do PelMort 32.

7

Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 564.

8

Parte para a Guiné o BCaç 619.

9

Morre em combate em Angola 1 militar do CmdAgr 9.

10

Morre em combate em Angola 1 militar do CmdAgr 9.

11

- Morre em combate na Guiné um furriel da CCaç 425.

- Aprovação, pela Assembleia Nacional, de uma moção de apoio à «política de defesa intransigente do solo pátrio», com referência ao Ultramar.

12

Rebelião no Zanzibar onde é proclamada a república; o sultão parte para o exílio.

14

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 434.

- Início da operação “Tridente”, em que forças portuguesas, comandadas por Fernando Cavaleiro, desembarcam na ilha do Como, no Sul da Guiné, operação que se prolonga por 75 dias.

15

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 531.

16

- Partem para Angola o BCaç 646 e o BCav 627.

- Morre em combate em Angola um furriel da CCaç 474.

20

- Realiza-se a 2ª Conferência das Forças Antifascistas Portuguesas promovida pela FPLN.

- Morrem em combate na Guiné 2 fuzileiros especiais do DFE 8 e um furriel da CCav 567.

22

Kenneth Kaunda torna-se o primeiro-ministro da Rodésia do Norte.

24

Morrem em combate na Guiné 3 militares. Dois são da CCav 487 e um da CCav 567.

25

- Parte para Moçambique o BCaç 608.

- Morre de doença em Angola o tenente-coronel José Lopes Falcão do BArt 525.

27

Morre em combate na Guiné um alferes da CArt 494.

29

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 557.

31

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 37 mortos. Em acções de combate morreram 29 militares.

 

FEVEREIRO

?

- Em Quitafine, no Sul da Guiné, realizou-se uma reunião de quadros do PAIGC, e foram referenciados pelas forças portuguesas morteiros de 82 mm na Ilha do Como.
- Os oficiais Honório Chantre, cabo-verdiano, e Nuno Manuel Rodrigues, açoriano, desertam do Exército português e fogem para o Congo.

1

- Em Morés, na Guiné, atingidos a tiro um avião T-6 e um helicóptero que procedia à evacuação de feridos em combates.

- Morrem em combate na Guiné 2 militares da CCaç 413.

- Melhoria da actividade do ELNA em Angola, com armamento de maior potência, maior dispersão de acções de guerrilha e melhor preparação do pessoal.

2

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 531.

3

A China Popular afasta-se ideologicamente da União Soviética.

4

Morre em combate na Guiné um furriel do BCaç 507.

5

Início do Curso de Comandos, em Quibala Norte, ministrado a 7 grupos, sendo 1 de Oficiais e Sargentos destinados à instrução pelo Cl 25, oficializado por despacho de 30 de Outubro de 1963 do General Comandante da Região Militar de Angola.

7

Durante a operação “Tridente” realizada na mata de Cachide as tropas Pára-quedistas sofreram o seu primeiro morto no teatro de operações da Guiné: soldado pára-quedista Daniel Rosa Neto.

8

Proibida a antologia poética editada pela Casa dos Estudantes do Império, Poetas de S. Tomé e Príncipe, por serem «poesias reveladoras de rebeldia e oposição à soberania nacional…».

10

Partem para Angola o BArt 635 e o BCav 631.

12

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 508.

13

- Morre em combate em Angola um furriel da CCaç 470.

- O PAIGC inicia o seu 1º Congresso, em Cassacá, no Sul da Guiné.

14

Morrem em combate em Angola 2 militares da CCaç 426 e 480.

15

O arquipélago do Como, constituído pelas ilhas de Caiar, Como e Catunco foi alvo de uma acção militar das tropas portuguesas, a operação “Tridente”.

Cerca de mil homens, entre forças do Exército, Marinha e Força Aérea desembarcaram em 15 de Janeiro, acção que se prolongou por cerca de 71 dias. Comandou a operação o tenente-coronel Fernando Cavaleiro (3 CCaç do BCav 490, inicialmente três destacamentos de Fuzileiros, dos quais ficaram dois até ao final, os comandados pelos 1º Tenentes Alpoim Galvão e Ribeiro Pacheco,  a CCaç 557, 1 PelCaç, 1 Pel Páras, 1 Pel obuses 8,8 com duas bocas de fogo e um grupo de comandos, o primeiro da Guiné, comandado pelo Alferes Maurício Saraiva).

Pela dimensão das forças envolvidas e pelos meios utilizados, a operação “Tridente” foi, talvez a maior operação militar efectuada no território.

17

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 483.

- Início do 1°. Curso de Comandos em Moçambique, na Namaacha. Foram formados 2 grupos de Comandos.

22

Morre em combate em Angola um alferes da CCaç 415.

23

Morre em combate na Guiné 1 militar pára-quedista do BCP 12.

27

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 412.

28

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 459.

- Morrem em combate na Guiné 2 militares da CCaç 556.

29

- Morrem em combate em Angola 5 militares da CCaç 415.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 32 mortos. Em acções de combate morreram 21 militares.

 

MARÇO

1

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 468.

3

Violentos combates pela reconquista da ilha do Como, na posse do PAIGC.

4

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 594.

- Parte para a Guiné o BArt 645.

- Publicação em Ordem de Serviço do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné do Louvor ao Grupo de Comandos que participou na Operação “Tridente” oficializando, assim a sua existência. Foi considerado, mais tarde, como data da criação dos “Comandos” no Comando Territorial Independente da Guiné (CTIG).

5

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 416.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 413.

- A Alemanha anuncia a concessão de facilidades a Portugal para a recuperação de soldados mutilados nas guerras coloniais.

8

Dirigentes do PAIGC e da FPLN reúnem-se em Argel.

11

A Africa do Sul retira-se da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

14

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 478.

15

Morrem em combate na Guiné 2 militares do BCaç 507 e da CCaç 412.

17

- Morre em combate em Angola um furriel da CCaç 464.

- O secretário-geral da ONU, U Thant, apresenta ao Conselho de Segurança um relatório sobre a presença em Angola de mercenários e ex-gendarmes catangueses.

21

Um comunicado da PIDE acusa «Delgado e o seu grupo» de auxiliarem os «grupos terroristas africanos» na luta contra a Mãe-Pátria.

24

- Morre em combate em Angola 1 militar do Sec 903.

- Fim da operação “Tridente”, na Guiné, que se desenvolveu na região de Como, envolvendo as ilhas de Como, Caiar e Catunco. A operação durou 71 dias e causou às forças portuguesas 9 mortos, 47 feridos e cerca de 200 militares evacuados por doença.

- Morrem em combate na Guiné 3 militares da CArt 640.

25

Morrem em combate na Guiné 2 militares. Um da CArt 640 e um da CCaç 616.

27

Morre em combate em Angola 1 militar da CArt 634.

31

- Em reunião do Comité Central do PCP, Álvaro Cunhal apresenta o documento “Rumo à Vitória” (As tarefas do Partido na Revolução Democrática e Nacional), que é aprovado.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 25 mortos. Em acções de combate morreram 15 militares.

 

ABRIL

?

- Utilização, pelo PAIGC, da mina A/P POMZ-2 e do morteiro 82.

- Nos inícios do mês foi decidido enviar uma força militar para a mata de Cassaca. Como preparação, na véspera, os dois obuses de Catió despejaram granadas durante cerca de 30 minutos sobre a mata. A seguir, o PV25 largou as suas bombas e, ao nascer do sol, dois F-86 metralharam a mata. Após a retirada destes, entraram na grande mata do Cachil as forças terrestres apoiadas por uma parelha de T-6. Ao tentarem atravessar uma clareira para a mata sofreram cerca de uma dezena de feridos e foram obrigadas a recuar pela guerrilha bem instalada.

- Agostinho Neto, em entrevista à Rádio Moscovo, defende a realização de um congresso de todas as organizações nacionalistas angolanas, para resolução dos diferendos e constituição de uma frente comum contra Portugal.

- Conferência Internacional dos Sindicatos Livres em Adis Abeba, em que está presente o vice-presidente do GRAE, Kouneika, sendo aprovada uma resolução que condena a política colonial portuguesa.

- Crónica do New Statesman sobre a situação em Angola, afirmando que os «problemas que Angola defronta são profundos e a longo prazo. Os portugueses, isolados da realidade, descuidados da situação, estão a aplicar a sua solução com a ponta das espingardas».

- Em Sófia, na Bulgária, sete quadros do MPLA iniciam um curso de seis meses. A estes sete elementos juntar-se-ão outros quatro, que já tinham estado em Praga, na Checoslováquia.

1

- Parte para Moçambique o BArt 639.

- Morre em combate em Angola um pára-quedista do BCP 21.

4

Morre em combate em Angola um fuzileiro especial do DFE 4.

6

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 622.

7

Portugal e a França assinam um acordo para a instalação de uma base francesa de rastreio de mísseis na Ilha das Flores, Açores.

12

Morre em combate em Angola um alferes da Força Aérea.

13

- Ian Smith torna-se primeiro-ministro da Rodésia do Sul.
- O Directório da Acção Democrata-Social (Azevedo Gomes, Cunha Leal, Raul Rego) pedia para o «problema ultramarino», solução política não militar que passasse pela autodeterminação democrática.

14

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 501.

15

- Morrem em combate em Angola 5 militares da CCaç 535.

- Declaração do estado de emergência no Norte do Zambeze, em Moçambique, para onde são enviados 2500 militares portugueses.

- Início da greve dos pescadores do Algarve que se prolongará por doze dias.

22

- É constituída em Genebra a Acção Socialista Portuguesa (ASP), contando-se Mário Soares entre os fundadores.
- Por cisão do PCP é constituído o Comité Marxista-leninista Português (CMLP), liderado por Francisco Martins Rodrigues.

25

Morrem em combate em Angola 2 militares do BCav 631.

27

União do Tanganhica e do Zanzibar que passam a chamar-se Tanzânia com Julius Nyerere à frente do Estado.

29

Imposição, pelo Brigadeiro Fernando Louro de Sousa, Comandante-Chefe da Guiné, de "crachats" de "Comandos" aos Oficiais, Sargentos e Praças do Grupo de Comandos que actuou na Operação "Tridente" e ao Director de Instrução de Comandos da Guiné.

30

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 26 mortos. Em acções de combate morreram 12 militares.

 

MAIO

?

- O PAIGC procura criar condições favoráveis ao seu reconhecimento pela OUA como único partido nacionalista da Guiné através de uma intensa actividade diplomática e de propaganda.

- Luta no interior do GRAE entre Holden Roberto e uma facção chefia da por Jonas Savimbi, ministro dos Negócios Estrangeiros.

- O estudante José Luís Saldanha Sanches é ferido em confrontos com agentes da PIDE e levado sob prisão para o Hospital de São José. Mário Soares é o advogado que se oferece para defender Sanches.

1

- Dia Internacional do Trabalho realizado na ilha de Zanzibar, com centenas de convidados da África e da Europa, para celebrar a união de Zanzibar e Tanganhica, estando presentes delegados dos grupos de libertação de Angola e de Moçambique.

- Em Lisboa, junto ao Palácio Foz, a PIDE terá disparado sobre manifestantes e morto David Almeida Reis.

3

O brigadeiro Louro de Sousa, comandante do CTIG (abandonou as funções no mesmo mês), recebeu, em Bissau, uma delegação estrangeira que pretendia obter informações oficiais das autoridades portuguesas sobre o uso de napalm na operação “Tridente” (Ilha do Como).

5

Morre em combate na Guiné 1 militar do PelRec 947.

7

Regulamentada a concessão da medalha comemorativa das expedições das Forças Armadas portuguesas a todos os militares ou equiparados e elementos das forças militarizadas, da Metrópole ou do Ultramar, que tenham pertencido ou venham a pertencer às forças de terra, mar e ar em actuação nas províncias ultramarinas de Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Macau e Timor.

8

O brigadeiro Arnaldo Shultz torna-se Governador e Comandante-Chefe na Guiné.

9

- Partem para Angola o BCav 682 e o BCaç 670.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 640.

10

Transferência do Centro de Instrução N° 25 (Cl 25) da Quibala Norte para Belo Horizonte, nos arredores de Luanda, passando a funcionar com carácter permanente.

12

Morrem em combate em Angola 5 militares da CCaç 552.

14

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 552.

- Directiva Inicial de Acção Psicológica.

15

Morrem em combate em Angola 2 militares da CArt 632.

16

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 622.

- Devido a acidente morrem em Moçambique um tenente, um sargento e um furriel.

24

Morre em combate em Angola 1 militar pára-quedista do BCP 21.

25

O governo renova o convite a U Thant da ONU para visitar Angola e Moçambique.

27

D. L. n.° 45733. Estabelece normas de reclassificação dos sargentos e dá nova estruturação ao actual quadro de amanuenses do Exército, que passa a designar-se “quadro de sargentos do serviço geral do Exército”.

29

Aprovado o Estatuto do Corpo de PSP da Guiné.

31

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 556.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 24 mortos. Em acções de combate morreram 13 militares.

 

JUNHO

?

- Reconhecimento oficial do GRAE pela Comissão dos Nove da OUA, reunida em Dar-es-Salam.

- Condenação da administração colonial portuguesa durante o 48º Encontro da OIT em Genebra.

- Comentário da BBC sobre a política portuguesa: «Os portugueses não podem pregar aos quatro ventos que estão a difundir os ideais do cristianismo e a cultura ocidental, se continuam a recusar aos africanos a independência, direito humano fundamental».

1

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 487.

- Reestruturação da FRELIMO, com distinção dos aparelhos político-administrativo e político-militar, sendo criadas quatro regiões, que se subdividem em comandos regionais.

3

- Morrem em combate em Angola 2 militares do BCaç 503.

- U Thant, secretário-geral da ONU, não aceita o convite de Portugal para visitar Angola e Moçambique, «uma vez que, nas presentes circunstâncias, tal visita não servirá objectivo útil».

4

U Thant declina o convite de Lisboa.

6

Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 642.

7

Morre em combate em Angola um furriel do BCaç 503.

8

Morre em combate em Angola 1 militar do BCaç 3.

9

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 465.

12

Nelson Mandela é condenado a prisão perpétua na África do Sul.

14

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 610.

26

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 622.

27

Morre em combate na Guiné 1 militar da CArt 642.

28

- Morre em combate em Angola 1 militar da CArt 632.

- Inicia-se o julgamento dos implicados na «Revolta de Beja» de 1962. A lista completa dos incriminados incluía 86 nomes, mas só 78 compareceram a julgamento que constou de 38 audiências de 57 sessões. Intervieram 36 advogados defensores: Mário Soares, Jorge Sampaio, Salgado Zenha, Francisco Sousa Tavares e Luís Francisco Rebelo, entre outros. Foram citadas duas testemunhas de acusação e cerca de 500 de defesa. A Censura proibiu os jornalistas de inserirem desenvolvidos relatos sobre as audiências, não permitindo especialmente a reprodução dos protestos dos advogados defensores nem os depoimentos de Varela Gomes e de outros réus. E interditou também quaisquer fotografias.

30

- D. L. n.° 45783. Actualiza as disposições do D. n.° 12393 de 27 de Setembro de 1926 que mandou aplicar ao Ultramar, com as excepções contidas no mesmo diploma, o Código de Justiça Militar.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 23 mortos. Em acções de combate morreram 11 militares.



publicado por estrolabio às 18:00
editado por Carlos Loures em 17/01/2011 às 21:12
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Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011
Pequenas memórias da Guerra da Guiné (12) – por Adão Cruz

Havia, com alguma frequência, uma voo militar entre Bissau e Lisboa, a fim de transportar os feridos e doentes mais graves que careciam de cuidados especiais. Estes voos levavam sempre um médico a acompanhar os pacientes. Esta missão redundava, por norma, numas férias de quinze dias a três semanas, na metrópole. Por isso eram sete cães a um osso. E os bafejados eram sempre os mesmos. Os sortudos que se encontravam em Bissau e os que conseguiam mais facilmente mexer os cordelinhos das influências. Logo que cheguei do mato, soube que iria haver um desses voos. Imediatamente fui falar com o major do Serviço de Saúde, o tal que fora a Bigene fazer a inspecção, e sem papas na língua atirei:

 

- Meu major, soube que vai haver um voo com doentes para Lisboa. Estive sempre no mato, mais de ano e meio. Aguardo neste momento o meu regresso a Portugal, faltando cerca de duas semanas. Não tenho, nesta altura, qualquer incumbência nem actividade. Por razões óbvias, penso que seria um acto de justiça nomearem-me para acompanhar este voo.

 

- Nem é tarde nem é cedo. É mesmo você quem vai.

 

O avião era um velho Skymaster, quadrimotor. Sem bancos ou cadeiras. Apenas dois bancos laterais, de couro, corridos, de uma ponta a outra do avião. Tínhamos pela frente uma viagem de catorze horas, com muitos doentes, alguns em macas. À entrada, umas gajas do movimento nacional feminino, todas sorridentes, ofereciam umas latas de leite e maços de cigarros todos furados do bicho. Lembro-me que ia quase teso e nem um tostão me entregaram para o que desse e viesse. Tinha uma farda toda esfarrapada e tive que pedir uns galões emprestados.

 

Já a noite ia alta quando o avião fez escala nas Canárias, no aeroporto militar espanhol. Depois de abastecido levantámos voo, e quando já estávamos a uma hora de Lisboa, o piloto chama-me e diz:

 

- Dr., não podemos aterrar em Lisboa por causa do nevoeiro. As hipóteses que temos são Madrid, Casablanca ou voltar para trás para as Canárias. O que é que diz?

 

- Boa pergunta, eu não percebo nada disto nem sou eu que mando nesta guerra, mas ir para Madrid ou Casablanca com este espectáculo é impensável.

 

Não sei as ordens que obtiveram ou se obtiveram algumas ordens, o que é certo é que o avião deu meia volta e voltou para as Canárias. Era já de madrugada quando aterrámos numa pista absolutamente deserta. Estava um frio de rachar, dentro e fora do avião. Os doentes tiritavam por todos os lados. Algum tempo depois vislumbra-se a chegada de um jeep e dele sai um rapaz da minha idade que se apresentou como António, o médico da base. Era traumatologista e deixou-me a impressão de que era muito bom tipo. A primeira coisa que me disse, com certo ar de lástima, quando viu a minha lastimável figura, foi a seguinte:”vocês ainda não acabaram com a merda dessa guerra?”

Senti-me pequeno.

 

 

 



publicado por estrolabio às 19:00
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Cronologia da Guerra Colonial- 1963 (4) - por José Brandão

 

OUTUBRO

?

- Utilização pelos nacionalistas de Angola do seguinte armamento: granadas de morteiro 60, LG anticarro AC-P27 (checo). LG RPG2 (russo), canhão sem recuo 57 (chinês) e canhão sem recuo 75 (chinês).
- Anúncio, em Leopoldville, do recomeço da ofensiva no interior de Angola por parte do Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA), da FNLA.

- Religiosos angolanos endereçam uma exposição ao Núncio Apostólico em Lisboa, na qual afirmam que para

o governo português «o pretexto da evangelização criou o direito de colonização, não apenas em princípio, mas até na sua peculiar modalidade de impor uma Pátria, quer queiram ou não os colonizados.

3

- Morrem em combate em Angola 2 militares. Um soldado pára-quedista do BCP 21 e um da CArt 431.

- Posse, em Bissau, do novo secretário-geral da província da Guiné, James Pinto Bull.

4

Conferência de imprensa do Quartel-General de Luanda para comunicação da situação militar em Angola.

8

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 475.

10

- Ataque ao caminho-de-ferro de Malange,em Angola.

- Partem para Moçambique os BCaç 596, 598 e o BCvav 571.

12

Partem para a Guiné os BCaç 599 e 600.

13

- A Acção Democrato-Social propõe ao governo uma «consulta livre e sincera sobre a política ultramarina».
- Humberto Delgado trava conversações, no Rio de Janeiro, com representantes da UPA/FNLA.

14

Morre num acidente na Guiné o capitão da Força Aérea João Cardoso Rebelo Valente.

15

- Morrem em combate em Angola 4 militares da CCaç 478. Dois furriéis e duas praças.

- D. L. n°45 308. Considera puníveis como em tempo de guerra os crimes previstos na legislação penal militar praticados nas Províncias Ultramarinas enquanto nelas decorram operações militares ou de polícia destinadas a combater determinadas perturbações ou ameaças (contra a ordem, segurança e a tranquilidade públicas; a integridade do território nacional) e ainda as infracções praticadas pelos militares que sejam mandados prestar serviço em Forças Armadas das mesmas províncias e pelos que sejam mobilizados ou convocados para esse fim.

16

- Partem para Angola os BCaç 511 e 532.

- Início de conversações entre Portugal e alguns países africanos, sob a égide da ONU, que incidiram, sem acordo, no sentido e no alcance do conceito de autodeterminação.

17

Decisão do Governo português de considerar os crimes previstos na legislação militar, como cometidos em tempo de guerra.

19

Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 485.

20

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 413.

22

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 353.

31

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 27 mortos. Em acções de combate morreram 10 militares.

 

NOVEMBRO

?

Reorganização do MPLA, com ligação ao Corpo Voluntário Angolano de Auxílio aos Refugiados (CVAAR) e da União Nacional dos Trabalhadores Angolanos (UNTA).

2

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 489.

- Encerramento da sede do MPLA em Leopoldville e proibição da actividade do movimento no Congo.

3

Morre em combate na Guiné 1 militar da 1ª CCaç.

5

Morrem em combate na Guiné 2 militares da CCaç 510.

6

Morre em combate em Angola um furriel da CCaç 531.

7

Franco Nogueira é recebido por John Kennedy.

8

- Um tenente-coronel e dois capitães morrem em acidente em Angola.

- Debate na Comissão de Curadorias da ONU, sendo pedido ao Conselho de Segurança que se ocupe com urgência da situação nos territórios portugueses.

9

Franco Nogueira declara em Washington que Portugal não tem intenção de acatar as resoluções da Nações Unidas.

10

Partem para Angola os BCaç 540 e 595.

12

Directiva do Comando Militar de Angola para remodelação do dispositivo, que tornava a Companhia a unidade elementar de guarnição.

13

Morre em combate em Angola um alferes da CCaç 468.

17

Morre em combate em Angola 1 militar CCaç 474.

22

John Kennedy é assassinado em Dallas, no Texas.

23

Partem para Moçambique o BCaç 558 e o BArt 562.

24

Lee Oswald, acusado de assassínio de Kennedy, é baleado mortalmente por Jack Ruby.

28

- Morre em combate em Angola 1 militar da Cart 393.

- Morrem em combate na Guiné 2 militares. Um furriel do PelMort 912 e um soldado da CCav 567.

30

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 28 mortos. Em acções de combate morreram 10 militares.

 

DEZEMBRO

?

- Primeiras actividades operacionais na Zona Militar Leste, em Angola.

- Ocorrem greves dos trabalhadores agrícolas de Silves e Couço, dos empregados dos telefones, de trabalhadores da Companhia de Gás e Electricidade, de trabalhadores dos estaleiros navais, em Lisboa, etc..

- Constitui-se a Frente dos Estudantes Nacionalistas (depois Centro dos Estudantes Nacionalistas), organização de extrema-direita, que procura preencher o espaço deixado pelo Jovem Portugal.

1

Morrem em combate em Angola 2 furriéis. Um do BCP 21 e um da CCaç 480.

2

Morrem em combate em Angola 2 soldados. Um da CCaç 281 e um da CCaç 539.

3

- Morrem em combate em Angola 2 soldados. Um da CCaç 459 e um da CCaç 470.

- Resolução da Assembleia-Geral da ONU, a solicitar ao Conselho de Segurança a adopção das medidas necessárias à execução das suas resoluções relativas aos territórios sob administração portuguesa.

5

Partem para Angola os BCaç 547 e 554.

6

Declaração pública dos Estados africanos participantes nas conversações com Portugal, em que se lamenta o facto de não ter modificado minimamente os princípios fundamentais da sua política, tornando impossível qualquer conversação séria.

9

- Convite do Governo português ao secretário-geral da ONU, U Thant, para visitar Angola e Moçambique.

- Um capitão e duas praças da Força Aérea morrem num acidente em Angola.

11

Resolução do Conselho de Segurança da ONU, a confirmar o conceito de autodeterminação da Declaração Anticolonialista e a deplorar a inobservância da resolução de 31 de Julho de 1963.

13

- Morre em combate em Angola 1 militar pára-quedista do BCP 21.

- Henrique Galvão discursa, durante cerca de duas horas, na ONU, convocado por esta Organização, sobre a “questão ultramarina portuguesa”. Na primeira convocação, em 1962, Henrique Galvão não conseguiu obter os documentos necessários para produzir o seu depoimento (passaporte brasileiro e visto norte-americano).

15

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 479.

18

Morre em combate em Angola 1 militar do GRA.

25

Morrem em combate em Angola 3 militares da CArt 430.

28

- Devido a acidente morre em Angola o capitão António Figueiredo Costa Gomes.

- Governo regulamenta o regime alimentar dos trabalhadores africanos.

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCav 567.

31

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 32 mortos. Em acções de combate morreram 13 militares.

- Os efectivos das tropas portuguesas ascendem a 47 400 homens em Angola, 9650 na Guiné e 14 246 em Moçambique, tendo morrido 283 militares em Angola e na Guiné sendo 132 em combate.
A percentagem das despesas com as Forças Armadas constitui 42,6 por cento das despesas públicas.



publicado por estrolabio às 18:00
editado por Carlos Loures em 16/01/2011 às 22:43
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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011
Cronologia da Guerra Colonial - 1963 (2) - por José Brandão

 

ABRIL

?

- Tentativa, por parte do MPLA, de reactivar a acção da ATCAR, Associação dos Quiocos do Congo, Angola e Rodésia.
- Silvino da Luz deserta do Exército português e junta-se ao PAIGC.

- Atribuição a vários militares, do Prémio Governador-Geral, instituído pela TAP, pelas acções valorosas em defesa de Angola.

1

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 368.

3

Anúncio, por Franco Nogueira, da intenção de negociar um pacto de não agressão com os países limítrofes de Angola e outros países africanos.

5

Morrem em combate em Angola 4 militares da CCav 297.

9

Comunicado oficial do Governo do Senegal sobre o bombardeamento efectuado por quatro aviões portugueses a uma aldeia fronteiriça, sendo o assunto comunicado ao Conselho de Segurança da ONU.

10

Partem para Angola os BCaç 379 e 443.

11

Publicação da Encíclica Pacem in Terris do Papa João XXIII com referência explícita à independência de todos os povos.

16

Morre em combate em Angola um sargento da CCaç 165.

17

Envolvido numa tentativa pioneira de revolta militar, Manuel Alegre foi preso pela Polícia Militar e entregue à PIDE, que o sujeitou, dias e noites a fio, a duro e prolongado interrogatório. Permaneceu detido durante 6 meses na prisão de S. Paulo, em Luanda, onde conhece escritores angolanos como Luandino Vieira, António Jacinto e António Cardoso.

20

Reunião Internacional da Juventude em Argel, com a presença de representantes de Angola.

22

Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 274.

23

Morrem em combate em Angola 3 militares do BCaç 317. Um alferes, um sargento e uma praça.

24

- D. L. n.° 44995. Determina que podem continuar no serviço activo os militares dos quadros permanentes das Forças Armadas mutilados em consequência de ferimentos ou acidentes produzidos em serviço de campanha ou de manutenção da ordem pública ou em serviço directamente relacionado.

- Henrique Galvão publica o artigo “O caso do Santa Maria: dois anos depois”, em que analisa as circunstâncias do assalto ao navio e aspectos da actividade da Oposição portuguesa, nomeadamente o rompimento com Humberto Delgado, a quem atribui a responsabilidade da ruptura.

- A revista International Affairs publica um artigo de Oliveira Salazar: “Realities and trends of portuguese policies”.

25

Partem para Angola o BCav 437, o BArt 436 e o BCaç 380.

29

Inicia-se em Portugal o I Curso de Instrutores e Monitores de Operações Especiais (tipo “Ranger”).

30

- Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 405.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 23 mortos. Em acções de combate morreram 11 militares.

 

MAIO

?

- Entrevista de Mário de Andrade, do MPLA, ao jornal Le Monde, em que afirma ser indispensável e decisivo o isolamento total de Portugal.
- François Mendy, presidente da Frente de Luta pela Independência da Guiné (FLING), preconiza uma conferência para o reagrupamento de todos os movimentos nacionalistas das colónias portuguesas.
- Tentativa de desmantelamento por parte das autoridades portuguesas de uma organização da FRELIMO no Norte de Moçambique.
- Reunião do Comité Executivo da União Internacional dos Estudantes (UIE) em Argel, em que é apresentado um relatório sobre a situação em Angola.

1

Nas manifestações do 1. º de Maio é morto Agostinho Fineza, tipógrafo, militante comunista, e são feridos outros manifestantes.

7

O PCP sofre novo revés: são presos importantes dirigentes, nomeadamente Blanqui Teixeira, Guilherme de Carvalho, José Carlos e Jorge Araújo.

9

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 191.

14

Início de uma reunião entre Salazar e Franco em Mérida.

21

É fundado um grupo político denominado Frente Unida Anti-Imperialista Popular Africana de Moçambique.

22

Colisão de dois aviões no Sul da Guiné, tendo um dos pilotos morrido e o outro, o sargento Lobato, capturado pelo PAIGC e levado para Conacri.

25

Fundação da Organização de Unidade Africana (OUA) pelos chefes de 30 Estados independentes de África reunidos em Adis Abeba.

28

- Morre em combate na Guiné 1 militar da CCaç 414.

- A NATO anuncia a instalação em Portugal da base de comando da sua Zona Ibérica.

29

Franco Nogueira é recebido em Washington por John Kennedy e Dean Rusk.

31

Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 12 mortos. Em acções de combate morreram 2 militares.

 

JUNHO

?

- Corte de relações diplomáticas da República Árabe Unida com Portugal devido à política colonial portuguesa.
- Assalto à sede do MPLA, em Leopoldville, pela polícia congolesa, que prende Agostinho Neto e Lúcio Lara.

1

D. L. n.° 45 058. Promulga a organização e funcionamento da Junta de Saúde do Ultramar e da Junta de Recurso.

3

Morre o Papa João XXIII.

6

D. n.° 45 063. Insere disposições destinadas a facilitar a acção das missões católicas na celebração do casamento canónico dos vizinhos das regedorias (no Ultramar).

7

O secretário americano para os Assuntos Africanos afirma na Câmara dos Representantes que os interesses estratégicos dos EUA exigem a continuação da cooperação com Portugal.

10

- Fundação, pelo MPLA, da Frente Democrática de Libertação de Angola (FDLA).
- Primeira cerimónia do Dia da Raça realizada no Terreiro do Paço, em Lisboa, de homenagem às Forças Armadas.

14

Morre em combate em Angola 1 militar da CCav 394.

16

Morre em combate na Guiné um furriel do BCaç 356.

18

- O PAIGC utiliza pela primeira vez metralhadoras num ataque a uma posição portuguesa.

- Morrem em combate em Angola 1 alferes e 3 praças do BCaç 184.

19

Cerimónia de encerramento do 1º Curso de Polícia Aérea, na BA 3, com 450 instruendos finalistas em parada.

24

- O Boletim da FAPLE inclui um longo artigo de Henrique Galvão com o título “Emergências do problema político português”.

- Lei n.° 2 119. Promulga as alterações à Lei Orgânica do Ultramar Português.

27

Morre em combate em Angola 1 militar da CCaç 406.

29

Morrem em combate em Angola 1 sargento da CCaç 327 e uma praça da CCav 394.

30

- Passagem das acções do PAIGC para norte do rio Geba.

- Paulo VI é nomeado Papa.

- Durante este mês as baixas nas forças portuguesas totalizaram 14 mortos. Em acções de combate morreram 9 militares.



publicado por estrolabio às 18:00
editado por Carlos Loures em 13/01/2011 às 22:33
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