Quarta-feira, 22 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XIX, por Raúl Iturra

(Continuação)

 

O interessante é saber porque é que ao falar de resiliência, o autor fala dos “vilões pequenos patos”. Penso que a ideia não é difícil. Primeiro, vilões por serem capazes de se desenvolver a partir do “agarrar-se” a uma feliz memória pessoal ou da sua cultura. Pequenos patos, porque são capazes de nadar apesar de essa corrente ser tão forte dentro da sua cultura ou processo de interacção social. Hoje em dia tem vindo a público, factos de abuso de menores que, já faz tempo acontecem, mas apenas hoje se defende e se fala, do colo que a sociedade dá aos mais novos por se terem envolvido adultos que organizam o poder de uma nação. É evidente que nem todas as culturas têm este problema, bem ao contrário: muito embora o incesto seja um tabu universal, a pedofilia é definida de forma diferente nas diversas culturas, algumas até a praticam como parte do crescimento dos mais novos. Mas, este conceito é para outro capítulo. O que me interessa ver neste capítulo, é a prevenção que os sabidos homens da religião têm organizado para defender les petits canards de actividades que ou não são rituais, ou, se são rituais, saiam da estrutura organizada, como processo criminoso para novos e velhos, como tenho referido noutros textos. O capital, a nossa relação social, deixa-nos com a ilusão de sermos pais para passar a guardiães dos nossos pequenos e de vigiar os adultos que andam por perto.

 

De facto um pequeno parágrafo do capítulo II do Catecismo Católico Romano de 1992, como o de Lutero de 1529, vai directo ao ponto do que hoje em dia, apenas, denominamos traumatismo. É esse traumatismo e como ele é causado, o que diz respeito ao final desta primeira parte deste tão difícil texto, mas tão necessário pela sua actualidade e incompreensão cultural.

 

Esse pequeno parágrafo parece referir o segundo conceito deste número, a culpa, tal como acontece com o Catecismo de Lutero[1], com o Alcorão[2] e o Torah[3] ou Dez Mandamentos e os Comentários Rabínicos de los Diez Mandamientos, textos que orientam o comportamento do povo judeu. Todos eles referem o mesmo tipo de comportamento, em referência à culpa, denominada pecado. Penso que devia começar pela última frase do parágrafo referido.

 

O parágrafo referido acaba com uma frase que diz: “Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei” (Epístola de Paulo de Tarso aos Romanos, 13, 8-10)[4]. O que está a querer dizer Paulo de Tarso aos Romanos ao falar de que é obrigação de todo cidadão cumprir a lei, e que cumprir a lei é caridade? Primeiro, está a referir-se à subordinação de todo ser humano aos poderes políticos: “Todos hábeis de estar sometidos a las autoridades superiores, que no hay autoridad sino por Dios, y las que hay, por Dios han sido ordenadas”[5]. Como cidadão romano, está a escrever aos seus compatriotas sobre um tema que era desconhecido, como hoje em dia acontece muito, a caridade. Este conceito, extremamente usado nos textos que fundamentam a nossa cultura, tem um significado não definido, mas muito adjectivado, na época em que se procura a igualdade entre os seres humanos. Não podemos esquecer que no começo deste texto, referimos a hierarquia entre os romanos: cidadãos, submetidos ou sujeitos à autoridade do Pater Familias, escravos, povos colonizados, é dizer, pessoas com manu, etc. A palavra caridade, ao longo do tempo, faz parte da cultura ou costumes dos povos que hoje em dia conhecemos e podemos procurar uma definição ética: Caridade. [...] S.f. 1. (Ética) No vocabulário cristão, o amor que move a vontade à busca efectiva do bem de outrem [...]. 2. Benevolência, complacência, compaixão. 3. Beneficência, benefício, esmola, definição retirada de um texto do ano 2000[6]. Das três alternativas o texto comentado está, a meu ver, a usar o primeiro sentido. Muito embora ao longo dos textos denominados sagrados e que são ensinados às crianças desde muito cedo na sua vida – desde o Século III da nossa era até o dia de hoje, todo ser humano mais novo aprende primeiro as formas de interacção, que na nossa legislação actual denominamos bem comum ou garantia dos bens materiais em igualdade para todos, o princípio representado no artigo 9º da Constituição da República Portuguesa[7]e ao longo do texto constitucional, especialmente no Título III, sobre Direitos e deveres económicos, sociais e culturais, artigos58 a 79.

 

 

 



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Domingo, 19 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XVI, por Raúl Iturra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=HqyrPzfW0IA

Mozart Serenatta Noturna k.239 Marcia (1-3)

 

 

 


                  VI

 

 

Sexta Lição

 

A ILUSÃO DE SERMOS PAIS

 

 

1. Sermos pais.

 

Não estou certo si devo reconhecer que não sei se este deve ser o primeiro ponto da matéria a tratar. Ser autor da vida biológica, emotiva e intelectual de uma nova geração. Preciso reconhecer que o conceito de paternidade, me tem sido impingido pela cultura na qual vivo, a romana ocidental. Bem como, gosto dizer que paternidade, a meu ver, inclui os dois géneros, como hoje em dia se define. Definição criada na luta dos finais do Século XX e estes anos do Século XXI, começada com a luta denominada Sufragista de finais do Século XIX. Épocas, todas elas, para definir uma igualdade entre seres humanos de genitais diferentes: falo e vagina, mamas que oferecem leite e amamentam, bem como mamas estéreis para criar. Talvez, ambas, para exibir de forma erótica e seduzir uma ou outra pessoa – do mesmo sexo ou de sexo diferente.

 

Complexo. É-me difícil falar da relação paternidade – filiação, por terem mudado dentro da nossa cultura as referências ao acasalamento. Mudança feita em curto espaço de tempo, em Portugal e em toda a Europa. Aliás, alguns países europeus definem a paternidade de forma diferente do nosso: os denominados países nórdicos como a Noruega, a Dinamarca, a Holanda, para casos determinados a Grã-Bretanha, ou o Estado Catalão do Reino da Espanha, definem o acasalamento como a união entre duas pessoas capazes de organizar uma descendência, adoptiva ou descendente consanguíneo de um dos membros do casal.

 

Porque sermos pais permite, hoje em dia, uma outra actividade, já universalizada, o denominado divórcio, ou dissolução do contrato entre um homem e uma mulher que a nossa lei refere como “nubentes” ou pessoas comprometidas para casar[1]. Nubente é um conceito do primeiro Código Civil Português e foi ficando no que eu gosto denominar, a alergia ao saber comum que os eruditos têm do povo. Porque de facto, o conceito nubente, mencionado já nos Evangelhos cristãos, foi adoptado pelo Direito Canónico e pela lei civil e significa ser livre[2] para contrair compromisso de casamento, como manda o Artigo 1591 do Código Civil Português. Por outras palavras, as ideias religiosas desde a antiguidade da nossa era prescreviam liberdade para se ser pai. E a Concordata assinada em 1945 entre os estados Vaticano e Português e ratificada por convénio em 1995, dentro da lei positiva está presente no Código Civil Português, nomeadamente no seu Livro IV, Título II, Capítulo I, “Modalidades de Casamento”, entre as quais se legisla o Matrimónio Católico[3].

 

Sermos pais acaba por ser uma definição escrita de costumes adquiridos ao longo do tempo. Até ao ponto de existir um conjunto de regras que definem o comportamento de vai e vem das emoções, do carinho, do cuidado, do olhar, do sentimento gratuito e recíproco que tinha na minha cabeça no minuto de pensar essa frase, já para mim, conceito. Sermos pais. Como diz Eduardo Sá no seu texto de 2003, ao falar de resiliência, conceito de Boris Cyrulnik[4], a ser definido mais à frente: “...o bebé nasce na cabeça dos pais...”[5]. Esta frase, retirada do contexto mencionado em nota de rodapé, diz respeito à minha procura emotiva da criança e por observar que o adulto entende que esse ser é resultado do amor, do desejo que nasce dos olhos, desse mirar sem pestanejar, profundo, calmo, seco, terno, da profundeza do amor que nasce da entrega de um ao outro – distante dos comentários da praça pública, esse fazer amor por erotismo. O erotismo permite sermos pais? É a frase que cunhei para um texto meu, como subtítulo[6]. Ou ainda, o poema de paternidade sabida por se ser pai, não por ser erudito, cuja quarta versão revista fala de forma tão determinada acerca da necessidade dos filhos para os pais crescer[7]. Aí é preciso distinguir entre a paternidade e o ser humano adulto que os Código Civil, o de Direito Canónico, o Catecismo de Wojtila, definem. Na página 39, o capítulo praticamente abre com a ideia definida pelo autor: “Talvez a primeira função de uma pessoa seja ser mãe”[8]. O meu comentário é quase autobiográfico: na altura da minha primeira paternidade -maternidade, tinha “proibido “ em casa o cor-de-rosa, estava certo de o meu primeiro descendente ser um rapaz e os pequenos, por costume, vestiam de branco ou azul faz já trinta anos...Quando vi sair o bebé da sala de partos, a pequena que adoro, não precisei esperar ver os genitais, era tal e qual a mãe da sua mãe, a minha sogra...e assim ficou linda até ao dia de hoje, como a sua mãe. Donde, sermos pais, é o conceito de ternura para com esse ser pequeno, de pés descalços, indefeso se não for pelos cuidados de ser amamentado pela mãe na companhia silenciosa e de mãos dadas, do pai. Essa ternura que nasceu na cabeça, das brincadeiras românticas da intimidade a dois, de se passar a ser um à espera do outro e continuar a ser esse um, até ao suspiro final que descansa a atenção de saber que de dois, há um no minuto da concepção ou no minuto de alimentar o desejo da paixão que permite solidificar o casal – com ou sem matrimónio – salvar-se dos conceitos de Édipo impingidos entre nós desde 1906, de não sofrer por sentimentos nunca acordados do incesto, como Françoise Héritier, Boris Cyrulnik e outros, nos lembram em 1994[9]. Esse incesto universal como conceito, mas de diferente “textura”, estrutura e processo, de exógama clãnica e não consanguínea, como entre nós. Como Bronislaw Malinowski[10] nos lembra e que vamos analisar a seu tempo.

(Continua)

[1] O Código civil Português define a relação entre nubentes, de formas diferentes: ARTIGO 1577º

(Noção de casamento)

Casamento é o contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente, ique pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida, nos termos das disposições deste Código.           (Redacção do Dec.- Lei 496/77, de 25-11) http://homepage.esoterica.pt/~anabelar/CodigoCivilPortugues.html#_Hlk446308267

[2] Estado livre. Este requisito é para demonstrar que os noivos não têm vínculo anterior que impeça o matrimónio Atestado de óbito do cônjuge anterior, quando se trata de nubente viúvo;

- Certidão de baptismo para fim matrimonial. Certidão de baptismo para fim matrimonial, de cada um dos noivos. O documento tem validade de 6 meses. Quando não se encontrar o termo do baptismo, providencia-se uma certidão negativa. Neste caso, pede-se o testemunho sob juramento de pessoas de confiança que conheçam o(a) nubente. Não havendo esse testemunho, o(a) nubente deverá ser baptizado(a) sob condição.

- Comprovante de residência na Paróquia (geralmente contas mensais em nome do noivo ou da noiva, ou de seus respectivos pais). Porém, caso os noivos peçam transferência de Paróquia para celebração do casamento, esta não poderá ser negada.

- Certidão do Curso de noivo ou Preparação Doutrinal, que é curso de apenas alguns dias. O documento tem validade de 6 meses.

- Recibo do pagamento da taxa de 672,00 reais (*), que pode ser paga 50% na reserva da data da cerimónia e 50% até quinze dias antes do casamento.

http://www.cobra.pages.nom.br/bm-casamentoreligdoc.html

[3] Ver artigos 1587 a 1590 do mencionado Código, versão de 2001 ou recente modificação. Website nota (2) 1

[4] Cyrulnik, Boris, 1991 : La naissance du sens, Hachette, Paris; 1993: Les nourritures affectives, Odile Jacob, Paris; 2001: Les vilaines petites canards, Odile Jacob, Paris. Há versão portuguesa, Piaget, 2003, como Resiliência. Essa inaudita capacidade de construção humana, Lisboa. Website   http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Boris+Cyrulnik&btnG=Pesquisa+Google&meta=

[5] Sá, Eduardo, 2003: Tudo o que o amor não é, Oficina do Livro, Lisboa, página 26. Recomendo ver páginas 24 a 27, para contextualizar a ideia, frase estruturada por mim. Website  http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Eduardo+S%C3%A1&btnG=Pesquisar&meta

[6] Iturra, Raúl, 2000: O saber sexual das crianças. Desejo-te, porque te amo, Afrontamento, Porto. Website  http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Ra%C3%BAl+Iturra&btnG=Pesquisar&meta=

[7] Sá, Eduardo, 2003, 4ª Edição revisada, Junho de 2003: Psicologia dos pais e do brincar, Fim de Século, Lisboa. Website nota 5

[8] Sá, op. cit, parágrafo 2. Website nota 5

[9] Héritier, Françoise; Cyrulnik, Boris; Naouri, Aldo; Vrignaud, Dominique; Xanthakou, Marguerita: 1994: De l’inceste, Odile Jacob, Paris. Website  http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Fran%C3%A7oise+Heritier&btnG=Pesquisar&meta=

[10] Malinowski, Bronislaw, 1921: Sex and repression in primitive societies, Routledge and Kegan Paul Londres. Há versão francesa de 1930 de Les Classiques des Sciences Sociales http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Bronislaw+Malinowski+Sex+and+repression&btnG=Pesquisar&meta=.

http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/index.html

e portuguesa, Vozes, 1973,  http://www.submarino.com.br/produto/1/119541/?franq=143007



publicado por João Machado às 14:00
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
Acrescentado do meu livro de 2008: A ilusão de sermos pais, - II - , por Raúl Iturra

(continuação)

 

2. Amor de colo.

 

Amar, amo, e tomo conta dos meus adultos porque nasce da minha alma, da mesma forma que aprendi a tomar conta dos meus descendentes, ainda que á distância. O direito tirou-nos a alegria de amar, as penas de prisão estão ao pé de nós se não cumprirmos o que a lei manda e que, em Portugal, o Catecismo apoia. Textos normalmente ignorados pelos estudiosos de seres humanos e, especialmente, de crianças. Debate esse que tenho tido com uma imensidão de eruditos e pessoas da rua, para sermos capazes de nos governar e assim proteger melhor os mais novos: é dizer, ensinar melhor os mais novos dentro da racionalidade da sociedade em que vivemos. Racionalidade nascida do cálculo económico que permite a existência de recursos e reprodução biológica e afectiva. Se falei de dar colono início do parágrafo, foi para definir o conceito introduzido por Cyrulnik especialmente no texto de 2003 [51]: quanto mais pais somos, mais damos ideias aos mais novos, mais liberdade para aprenderem a proteger-se na interacção social. O livro abre com perguntas endereçadas aos mais novos, através dos seus adultos que entendem. Uma das questões chamou a minha atenção: “que violência traumatizante é essa que dilacera a bolha protectora de uma pessoa?“, para se responder com a frase de abertura do texto, na mesma página:  “Só se pode falar de resiliência se tiver existido um traumatismo seguido da retomada de um tipo de desenvolvimento, uma fenda reparada”[52].

 

É esta ideia que me permite saltar para a lei. Os processos emotivos espontâneos devem ser como a lei manda. Essa letra conhecida pelos que sabem regulamentar o comportamento da população e que a populaça ignora: donde, resiliência do povo ou da maior parte dos habitantes de um país. Se pensamos na paternidade, que definiria como o melhor papel de educador, ela é definida assim: ARTIGO 1871º

 

(Presunção)

 

1. A paternidade presume-se:

 

a) Quando o filho houver sido reputado e tratado como tal pelo pretenso pai, é reputado como filho também pelo público;

b) Quando exista carta ou outro escrito no qual o pretenso pai declare inequivocamente a sua paternidade;

c) Quando, durante o período legal da concepção, tenha existido comunhão duradoura de vida em condições análogas ás dos cônjuges ou concubinato duradouro entre a mãe e o pretenso pai;

d) Quando o pretenso pai tenha seduzido a mãe, no período legal da concepção, se esta era virgem e menor no momento em que foi seduzida, ou se o consentimento dela foi obtido por meio de promessa de casamento, abuso de confiança ou abuso de autoridade.

 

 

 



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Quarta-feira, 16 de Março de 2011
Arran de "Geração da crise ou Geração parva?" de Júlio Marques Mota (per Josep A. Vidal)

Tal vegada no hauria d'intervenir en el debat suscitat per l'article "Geração da crise ou Geração parva?" de Júlio Marques Mota, que ha generat algun comentari igualment interessant, i dic que potser no hauria d'intervenir-hi perquè tant el text com els comentaris tenen referències específiques a la conjuntura portuguesa, que no conec prou bé. Però, malgrat tot, en el contingut del l'article reconec perfectament el problema que hi exposa l'autor, perquè el veig i el visc diàriament en el meu entorn, al meu país, i el reconec també en altres realitats i altres contextos.

 

Aquesta coincidència malgrat la diversitat vol dir que, al marge de les peculiaritats socioeconòmiques, polítiques i culturals de cada país, estem parlant d'un problema que afecta molts paÍsos de la mateixa àrea si no és que afecta tot el món occidental. Explicar-lo en termes de retret o de culpa és una crida a les consciències individuals i a les responsabilitats col·lectives, però aboca en el tema una càrrega tan gran de subjectivitat que no afavoreix l'anàlisi objectiva de la realitat. És cert que hi ha mancances generacionals,  que s'han comès errades per ignorància, per manca de perspectiva, per inconsciència... Parlo de mancances comeses per les generacions que han tingut a les mans la responsabilitat d'educar els joves d'avui. Però, és possible que s'equivoquin tant, tantes persones alhora i a tants llocs i tan diversos?

 

Si passa així, és que hi ha factors de tipus solciològic que depassen l'àmbit personal i el condicionen.

 

Les generacions adultes han abdicat d'"educar"? Han fomentat l'hedonisme, l'egocentrisme, la indiferència..., en contra de l'estímul, el treball, la superació, la responsabilitat i altres grans paraules que les generacions adultes vam rebre com la màxima expressió dels valors, que calia seguir cegament? Probablement no es pot contestar amb un sí ni amb un no, perquè  tant una resposta com l'altra requeririen moltes matisacions. Però, entretenir-se en això és perdedor i, potser, massa simple.


En els anys de l'existència de les generacions pretesament "responsables" dels efectes que comentem s'han  viscuts canvis profunds, en molts àmbits i d'un abast tan gran, que no podem afirmar sense un excés de temeritat, que hagi estat possible assimilar-los. Malgrat els canvis, els models educatius d'abans -els més profunds-  han perdurat i s'han mantingut  sovint aliens a la profunditat  i la significació dels canvis. Avui, el sistema educatiu -o els sistemes, perquè en parlo en un sentit global- estan aclaparats per la magnitud enorme de dinàmiques molt poderoses que no controlem i que no sabemcom es poden integrar en els processos educatius. I no ho sabem perquè ni hem pogut analitzar-ho prou, ni hem pogut elaborar alternatives eficaces, ni hem pogut experimentar de manera adient i integrar els resultats de l'experimentació en un sistema amb capacitat de futur o, si més no, de respondre coherentment a les necessitats educatives de les generacions actuals.

 

En educació, avui, tot és necessàriament nou. Naturalment, podem proclamar que, en una situació de desconcert, cal agafar-se, com a un ferro roent, a aquelles coses que al llarg dels anys han provat la seva solidesa i la seva eficàcia didàctica i educativa; però amb això no n'hi ha prou, perquè la solució no és aquesta i perquè el problema és real i, per tant, persistent. El desconcert, gairebé l'estupor dels educadors és tan gran com l'arrogància o la gosadia dels qui pensen que tenen la solució i proclamen tornades al passat o aventures fantàstiques a partir de lectures insuficients de la realitat.

 

Cal assumir que ens queden molts anys de treball i d'investigació educativa per anar generant, introduint i afinant procediments i didàctiques i estils de comunicació i de mediació de la realitat que serveixin a una redefinició de les necessitats i les prioritats educatives. I, en parlar d'educació, no em refereixo exclusivament a l'escola, malgrat que sigui l'entorn més específicament educatiu i el més professionalitzat, aquell en què es produeix de manera específica l'acompliment de les finalitats de formació, capacitació i integració social i cultural. Em refereixo també a l'entorn familiar o pròxim de cada persona, i a l'entorn social més ampli...

 

El fracàs educatiu -o el desconcert educatiu i la manca de resultats satisfactoris i la manca de connexió entre educació i imón laboral, entre altres aspectes- no és exclusivament escolar: és també un fracàs social, és un fracàs de l'entorn familiar o l'entorn humà de proximitat com a mediadors de coneixements, experiències, conceptes, principis i valors. El fracàs està instal·lat en el nucli mateix de la transmissió cultural. Utilitzo la paraula "fracàs" en el seu sentit més "físic", com a col·lapse, com a falla, com a trencament profund en la transmissió cultural.


El repartiment de culpes en aquest moment neix de la immediatesa dels problemes, de l'angoixa i la tensió que genera en les persones una situació que no satisfà ningú i que ens porta a una involució social -paradoxalment, a contra corrent del progrés científic, tecnològic i cultural-, perquè l'anomenat fracàs educatiu perpetua i augmenta les desigualtats entre les persones i les seves possibilitats de molts de participar dels béns socials.


Ens calen anàlisi, reflexió, compromís i gosadia. Els experts educatius han de tocar de peus a terra, i els educadors, en el sentit ampli que ja he comentat abans, han d'assumir el risc d'educar en un món en canvi. És a dir, el risc d'educar-se per a educar, de canviar, ells mateixo encara que això els comporti la pèrdua de les seguretats i l'assumpció de nous riscos. Perquè situar-se un mateix en una dinàmica personal de canvi i de formació és la premissa bàsica per recuperar la capacitat d'educar.

 

Ningú no té la fórmula, o potser no n'hi ha cap, de fórmula; però hi ha camins més dreturers i ferms que d'altres. I els educadors han de saber elegir-ne els més adients, i seguir-los. Amb humilitat, sense arrogància. Potser recordant aquells versos del gran poeta Antonio Machado:

 

¿Tu verdad? No, la verdad.

Y ven conmigo a buscarla.

La tuya, guárdatela.

 

 

Josep A. Vidal



publicado por Josep Anton Vidal às 11:00
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Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011
Mis Camélias – por Raúl Iturra – 34

MEMÓRIAS DE PADRES INTERESADOS - ENSAIO DE ETNOPSICOLOGIA DE LA INFANCIA

 

Notas 121 a 140

[121] Para saber del Torah, puede visitar la enciclopedia en línea:  http://en.wikipedia.org/wiki/Torah

[122] Para saber sobre el Talmud, puede leer:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Talmud

[123] Jacques Lacan está referido en la enciclopedia en línea wikipedia, que dice: "Formado em Medicina, passou da neurologia á Psiquiatria, tendo sido aluno de Gatian de Clérambault. Teve contato com a psicanálise através do surrealismo e, a partir de 1951, afirmando que os pós-freudianos haviam se desviado do sentido da obra freudiana, propõe um retorno a Freud. Para isso, utiliza-se da lingüística de Saussure (e posteriormente de Jakobson e Benveniste) e da antropologia estrutural de Lévi-Strauss, tornando-se importante figura do Estruturalismo. Posteriormente encaminha-se para a Lógica e para a Topologia. Seu ensino é primordialmente oral, dando-se através de seminários e conferências. Em 1966 foi publicada uma coletânea de 34 artigos e conferências, os écrits (Escritos). A partir de 1973 inicia-se a publicação de seus 26 seminários, sob o título Le Séminaire (O Seminário). La enciclopédia libre dice también, que: Sua primeira intervenção na Psicanálise é para situar o Eu como instância de desconhecimento, de ilusão, de alienação, sede do narcisismo. é o momento do Estádio do Espelho. O Eu é situado no registro do Imaginário, juntamente com fenômenos como amor, ódio, agressividade. é o lugar das identificações e das relações duais. Distingue-se do Sujeito do Inconsciente, instância simbólica. Lacan reafirma, então, a divisão do sujeito, pois o Inconsciente seria autônomo com relação ao Eu. E é no registro do Inconsciente que deveríamos situar a ação da Psicanálise.

 

Esse registro é o do Simbólico, é o campo da linguagem, do significante. Lévi-Strauss afirmava que "os símbolos são mais reais que aquilo que simbolizam, o significante precede e determina o significado", no que é seguido por Lacan. Marca-se aqui a autonomia da função simbólica. Este é o Grande Outro que antecede o sujeito, que só se constitui através deste - "o inconsciente é o discurso do Outro", "o desejo é o desejo do Outro".

O campo de ação da psicanálise situa-se então na fala, onde o inconsciente se manifesta, através de atos falhos, esquecimentos, chistes e do relato dos sonhos, enfim, naqueles fenômenos que Lacan nomeia como "formações do inconsciente". A isto se refere o aforismo lacaniano "o inconsciente é estruturado como uma linguagem".

O Simbólico é o registro em que se marca a ligação do Desejo com a Lei e a Falta, através do Complexo de Castração, operador do Complexo de édipo. Para Lacan, "a lei e o desejo recalcado são uma só e a mesma coisa". Lacan pensa a lei a partir de Lévi-Strauss, ou seja, da interdição do incesto que possibilita a circulação do maior dos bens simbólicos, as mulheres. O desejo é uma falta-a-ser metaforizada na interdição edipiana, a falta possibilitando a deriva do desejo, desejo enquanto metonímia. Lacan articula neste processo dois grandes conceitos, o Nome-do-Pai e o Falo. Para operar com este campo, cria seus Matemas. Información retirada de:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Lacan

[124] Dolto, Françoise, 1996: Les évangiles et la foi au risque de la psychanalyse, o La Vie de désir, en formato de papel, publicado por Gallimard. En línea y apenas para vender, com pouco comentário,ver: http://www.google.pt/search?hl=pt-   PT&q=Fran%C3%A7oise+Dolto+Les+%C3%89vangiles+et+la+foi+au+risque+de+la+psychanalyse&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=

[125] A historia oficial de Pablo de Tarso se puede leer en:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo

[126] La frase no es apenas propaganda, es parte del diálogo de la película, que se puede encontrar en las varias entradas Internet de:  http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Brokeback+Mountain,+film+Ang+Lee&spell=1

[127] El Código del Trabajo en Portugal, fue promulgado en la fecha que indico a seguir:

 

Lei n.º 99/2003 de 27 de Agosto.

 



publicado por Carlos Loures às 15:00
editado por Luis Moreira às 03:09
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Domingo, 23 de Janeiro de 2011
Mis Camélias – 7 – por Raúl Iturra

MEMÓRIAS DE PADRES INTERESADOS - ENSAIO DE ETNOPSICOLOGIA DE LA INFANCIA

(Continuação)

 

Estas historias me hacen recordar, más una vez, lo que dice Alice Miller: Children should not be the scapegoats of adults' painful experiences.[32] Es decir, los niños no pueden ser responsabilizados de los sufrimientos de sus padres adultos. Hay también una frase en Castellano, que refiere mejor lo que quiero decir: los niños no pueden ser culpabilizados por nuestras tristezas. Fue lo que todos nosotros hicimos, por una parte, ocultar los males causados por la pérdida de la Patria amada, por la pérdida de nuestra tentativa de ser socialistas en un Chile donde  pudiéramos ser todos iguales. Era lo que los Vio, los Tapia y nosotros, tentamos hacer, lo que era bien difícil. Como el caso de nuestro padre: nadie de su familia fue al matrimonio, su mejor acto de vida, porque no había cumplido las normas de su clan Vasco. La otra alternativa que también usamos, fue de dos tipos: había los que se iban a países latinos, como los Vio, que rápidamente se fueron a Venezuela e hicieran allá lo que en la vía chilena al socialismo, no había sido posible; o, lo que hicimos nosotros, incorporar a nuestras hijas en las manifestaciones de ayuda a los chilenos en el país. Todos los fines de semana, con o sin nieve, abríamos una mesa en el Mercado de Cambridge, donde nuestras hijas, con nosotros y otros chilenos, vendían artículos de los denominados prisioneros de guerra de Chile, los que estaban en prisión por un crimen definido por la dictadura: Traición a la Patria... Un crimen nuevo, legislado apenas para tiempos de guerra de Chile con países fronterizos. Las niñas adoraban vender, recibir el dinero y dar el vuelto y aprendieron con nosotros las ideas de cómo explicar lo que había acontecido en Chile de Allende y lo que era el Chile de la dictadura. Era un amor ver a Eugenia, en su espléndido inglés, explicar a las personas lo que ella entendía del Chile bajo dictadura. Además, pasaron a ser las mascotas del ballet de danzas chilenas, organizado por la bailarina, mujer del Embajador de Allende en Londres, Álvaro Bunster, la linda señora Raquel Parot de Bunster. En ese bailado de danzas chilenas, causábamos sensación: mi papel era hacer el discurso inicial del Chile de Allende, y después las danzas, en las que mi mujer y todos los hombres y mujeres adultos chilenos en Cambridge, participaban, excepto los que habían preferido retirarse de esas actividades y ser parte de los británicos.

 

Mascotas nuestras hijas, digo, porque Eugenia en sus 8 años, sabía danzar la cueca[33]. No resisto poner en el texto la definición de la Cueca"CUECA": Danza popular de Chile, considerada un patrimonio nacional.

 

El origen de esta danza tiene varias explicaciones y una de las difundidas es la forma   simplificada de  que  sus movimientos imitan el enamorar entre un gallo e una gallina, siendo la mujer la que adquiere una conducta defensiva.

 

Existen varios tipos de "CUECA" separados por región (geográfica): Cueca Nortina (Norte),  Cueca Chora (Centro), Cueca Huasa (Centro), Cueca Campesina (Centro), Cueca Sureña o Chilota (Sur).

 

Las diferencias están en las vestimentas usadas, en la personalidad y en las actitudes de los bailarines, durante la danza. La cueca huasa es la más difundida en Chile y fuera del País. Esta cueca representa la región central do Chile, el  huaso[34] y la huasa representan a los os "dueños" de la hacienda, danzan con ropas de montar a caballo, ropas extremamente elegantes y caras, que solo personas con dinero, pueden costear. La cueca campesina es danzada también en el centro de Chile y representa a los "empleados rurales" de la hacienda, con ropas más simples, pero con más picardía en la danza, de forma seductora él, de forma inocente, ella, en cuanto bailan.[35].

 

Nuestras hijas eran las mascotas, decía yo, antes de desagregar el texto para hablar de nuestra danza nacional, porque una pequeña Camila de tres años, vestida de huasa, era una simpatía: dos pequeñas trenzas en su cabello dorado, un poco de color, o rouge, como se dice en Chile al lápiz de labio, que la hacía ver muy bonita y sonrosada. Bueno, sonrosada ya era, no precisaba de poner colores en su cara, como hacían todas las señoras. Era, su cara, naturalmente color de rosa, que teñía su color blanco y la hacía parecer como una pequeña alemana. Esos colores me llevaron a darle el apodo de "salchichera", es decir, ¡como si fuera una salchicha de Alemania! Todo el mundo la celebraba y la besaba y ella no gustaba. Nuestra hija Camila era muy esquiva a los cariños, excepto a los de sus papás. Tenía un alto concepto de sí, de autoestima, lo que a veces llevaba a sentir en nosotros, de que era nuestra hija preferida. Problema grave para los niños, por el orgullo que sienten y la rivalidad que aparece entre sus hermanos. Voy a recurrir otra vez a mi analista preferida, Alice Miller, dentro del texto, para que los padres de hijos "preferidos" puedan ver el daño que pueden causar entre sus hijos, especialmente, entre los "pensados" preferidos. Dice Alice Miller: "Tener un hijo no es un acontecimiento más en esta vida. Aunque dediquemos poco tiempo a reflexionar sobre la magnitud que adquiere el ser madre o padre en una persona, este es un enriquecedor espacio para tomar conciencia de su importancia y la responsabilidad que implica en nuestra existencia.

Los seres humanos trascendemos en la vida a través de nuestras obras y nuestra descendencia. Ambas "son" más allá de nosotros mismos, aunque muchas veces confundimos este concepto con un cierto deseo de proyección, pretendiendo que "sean" el vivo ejemplo de nuestros propios sueños.

Y aquí comenzamos a tomar conciencia del rol de la familia, la escuela y el contexto social en la formación de nuestros niños. Es vital reconocer que no nacemos sabiendo ser padres, que no existen escuelas que nos enseñen, ni recetas mágicas y como si fuera poco, tomamos como "natural" las formas que nos enseñaron a ser hijos. Muchas veces pretendemos que sean como nosotros, sin siquiera percibir que son seres únicos, especiales por si mismos, que nacieron en un tiempo-espacio absolutamente diferente al nuestro y que además, nos exigen a diario respuestas que jamás hubiéramos creído posibles pasaran por la cabecita de un nene de preescolar!

¿Qué les pasa a los chicos? ¿Cómo los educar? ¿Qué hacemos? ¿Quién nos enseña? ¡Auxilio! Pensamos asombrados, al ver a nuestros chicos tan distintos a nosotros y quedamos rememorando una infancia que es parte de nuestro pasado, donde los paradigmas eran totalmente diferentes y de un salto tendremos que adaptarnos a un mundo globalizado, ciencia y tecnología denotan transformaciones veloces y radicales transformaciones sociales.

¿Cómo pretender estar exentos de esta realidad? Imposible, ¿verdad? Por ende, solo nos compete aceptar lo que vivimos (hasta como un desafío, ¿por qué no?) Y comenzar un camino de formación, reflexión, y aprendizaje continuo ¡por que nunca dejamos de aprender!

 

COMENZAR POR EL PRINCIPIO: AUTOESTIMA


Auto: Se refiere al yo, a mí mismo, a mi persona.
Estima: Se refiere a la energía con que impregnamos el mundo de los afectos.
Autoestima: Se refiere a la energía afectiva con que me vinculo conmigo mismo.
La Autoestima que podemos tener acerca de nosotros puede ser positiva o negativa, de aceptación o rechazo. Es, podríamos decir, la base sobre la cual se desarrollarán nuestras experiencias de vida. Factor determinante en el crecimiento y procesos de enseñanza-aprendizaje.

 

 

Asimismo, algunos autores la definen como la percepción valorativa de mi ser, de mi manera de ser, de quien soy yo, del conjunto de rasgos corporales, mentales y espirituales que configuran mi personalidad.

La autoestima se aprende, fluctúa y la podemos mejorar. Desde muy pequeños empezamos a formarnos un concepto de como nos ven nuestros padres, maestros, compañeros y las experiencias que vamos adquiriendo. Se moldeando la emoción y el sentimiento hacia nuestra propia persona y los referentes más importantes generalmente suelen ser nuestros seres más cercanos y queridos, aquellos que nos devuelven una apreciación sobre quienes somos" [36].

La verdad sea dicha, no nacemos con el "instinto" de la paternidad. Es necesario aprender y ese aprendizaje es duro y, a veces, poco apropiado. Como puede parecer evidente a cualquier lector, los hijos preferidos pueden enaltecer su auto estima en detrimento de ellos propios, por lo que tuvimos que ser muy advertidos y cuidadosos para tener dos hijas preferidas, conforme su edad.

 

 



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Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011
Mis Camelias – 2 – por Raúl Iturra

(Continuação)

 

MEMÓRIAS DE PADRES INTERESADOS (ENSAIO DE ETNOPSICOLOGIA DE LA INFANCIA)

 

 

El sentimiento de culpa acabó cuando el bebé, tirado por fórceps, nació a las 5 de la mañana del 26 de Junio. Oí la voz del médico decir: bueno, es un cuarto para las cinco, es mejor fijar la hora en números redondos, vamos escribir a las cinco de la mañana. Y así fue fijada la hora del nacimiento. Una hora que debemos saber exactamente. Mi mujer dice que fue a las seis de la mañana, yo porfío haber oído al médico decir a las cinco. Gloria insiste que sabe más porque ella estaba ahí. Mi respuesta es siempre la misma: estabas, pero estabas anestesiada. ¡La discusión ha durado cuarenta años!

 

Siempre he pensado que a las mujeres que dan a luz, hay que permitir un gran margen de verdad sobre la historia que narran: esa es la hora de ella, bueno, no hay nada más que decir. O, talvez, que al volver de la anestesia, me preguntaba, una y otra vez: Raúl, ¿qué fue, niño o niña? Y yo, en mi ternura, le decía la verdad: fue niña, ella sonreía e volvía a adormecer por causa del cloroformo. Volvía, media hora después a preguntar. ¿Raúl, fue niño o niña? Santamente y con cariño y besos: fue una niña, mi amor. A la tercera vez-siempre hay una tercera vez, como el gallo que cantó a San Pedro después de negar que era amigo de Jesús, por temor a las represalias, tres veces negó ser amigo de Jesús... y el gallo cantó, como había sido predicho por el Señor Cristo. En la maternidad, no quería armar Cristos, de forma que cuándo mi mujer preguntó que si era mujer, podía o no ponerle aros. En mi desencanto de ser niña y no niño, busqué una tabla de salvación y dije que si, si era en la nariz o en los labios... Es decir que no, replicó mi mujer. Las dos enfermeras que teníamos saltaron y dijeron: ¡Don Raúl! Su mujer tuvo a su hija, sufrió mucho, tuvo que ser rasgada y Ud., como machista que parece ser, ¡dice que no a los aros! ¡Mímela, dele el gusto! ¿Qué iba a hacer yo frente a tanto mujerío en defensa de la mía? Mi machismo cayó, con agrado de mi parte y dije, lo que quiera, m"hijita. E hice bien.Llamé por teléfono a mi padre y a mi cuñada, llegaron a las 8 de la mañana los dos, mi padre con aros de brillantes para nuestra hija, mi cuñada con aros de oro. Tuve que tragarme el sapo que sentía en la garganta, ni que fuera un concilio de piedra enfrente de mí. Hay costumbres y costumbres. La mía, estaba  perder.

 

Maldito avión, ya ni luz hay ahí afuera y nunca más llega... Pensando mejor, ¿será el avión que no llega lo que me da rabia, o los recuerdos del nacimiento de nuestra hija y mi machismo  desgarrado? Más tarde iba a escribir un ensayo para mi periódico, cuyo título es: "Mujer a crecer, machismo a temer". Descargas, talvez, del pasado ya vivido, pero nunca olvidado, talvez en mi conciencia, pero archivado en mi memoria. La rabia debe ser del avión y de las memorias, todo junto. Cuando la ansiedad nos gana... inventamos cualquier subterfugio para organizar las culpas y quedar de ánimo leve.

Las horas pasaban, la luz de día estaba sólo en mi alma, fuera del aeropuerto estaba a declinar. Los recuerdos son que pasamos una tarde calma, con una suegra a llorar porque había sido, con mucho dolor, madre de dos hijas y no gustaba de ver sufrir a su más regalona, la hija más joven y casada, la hija en quien había puesto todas sus esperanzas maternales. Mi madre jugaba el juego del pavo: ella nunca había tenido dolores, que su hija  segunda era muy rápida, su hermana Ana Luisa despachaba en media hora a los hijos, a los cinco hijos que había tenido y otras hierbas de olor nauseabundo. Mi padre, nervioso -era costumbre en esos tiempos que toda la familia más próxima estuviera con la parturienta-, comenzó a fumar. Pensé: esta es mi ocasión de despacharlos a todos. Con mucha amabilidad les dije: Papá, acá no se fuma, mamá, acá no se habla tanto, además, mi suegra está a sufrir, llévenla a casa y busquen consuelo entre Uds., porque tenemos mucho trabajo enfrente de nosotros. Y los acompañé dulce, pero firmemente, a la puerta de la Clínica.

 

Corrí de vuelta a la habitación que tenía sala y cuarto, y dije, ¡por fin estamos solos!, Como debe ser. Mi mujer, testaruda dijo que su madre por lo menos podía haberse quedado y no estar sola en nuestra casa, con la servidumbre. Yo dije: ¡va! Y levanté los hombros. El hijo es nuestro y tenemos que acompañarnos para acostumbrarnos a criarlo, aun convencido que iba a ser hombre. El baile siguió en Adagio Cantabile. La dilatación también. Gloria y yo luchamos, juntos,  quince horas. El Dr. Del Valle, nuestro ginecólogo,  la llevó al quirófano. Pedí entrar. En esos tiempos no era permitido, dijo nuestro médico, se puede desmayar al ver la sangre de su mujer. ¿Qué hago con dos enfermos en la sala de operaciones?. Paseé y paseé, hasta oír la voz de "vamos fijar la hora redonda de las cinco de la mañana", salió una enfermera a correr con un bulto en una frazada, mandé parar y dije: "Lo que lleva ahí es mi bebé y quiero conocerlo", ella paró, abrí con cuidado la frazada, vi la cara y dije: "Ah, es igual a mi suegra", la enfermera me preguntó: ¿Y no quiere saber si es niño o niña? Respondí, para qué, si es igual a mi suegra, es niña. La enfermera se rió y dijo: ¡caramba, cuánto sabe! Corrió con nuestra hija para un sitio más caliente. Fumé. Trabé amistad en la espera con un oficial de la Armada, cuya mujer estaba a la espera del segundo hijo de ellos. Estaba sólo como yo. Nunca más nos vimos. Eran las horas de las confidencias entre hombres que van a ser papás y están sin familia. ¡El primer bebé, una hija!. En esos minutos estaba feliz de todas maneras, feliz de tener un hijo, no me importaba si era mujer o hombre, feliz de haber pasado por los dolores, feliz de haberme recuperado de los dolores de parto que, ya me había advertido el chofer del papá, los hombres sufrimos cuando nuestras mujeres están embarazadas.

 

 

 



publicado por Carlos Loures às 15:00
editado por Luis Moreira às 17:04
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Sábado, 25 de Setembro de 2010
To my grand children: a letter form opa daddy or grand-pa
Raúl Iturra


My Dearest Tomas, Maira Rose, Ben and May Malen.

You are so many, and every year another one turns up. Your parents are like rabbits! I don’t know if you understand what I mean by rabbits. Your parents will tell you more. But, this I can say: when I was a boy like Tomas, our parents bought a male and females rabbit, for us. We were so happy! We even baptized them naming the female rabbit Panchita and the male, Lautaro. The ceremony was performed in a family reunion. Ours parents wanted to laugh; however, when they realized that it was a very formal ritual, they respected us and behaved properly, being serious and proper. As I was the eldest son, I performed the role of being a priest, with a disguise made with carpets and veils taken away from my sisters. Two months later, they disappeared and, as we were very little children, looked around in all the yards that we had in our house of Santiago and even in the kitchen-garden that our Nanny used to cultivate for us to eat and, as she used to say: we have to save cash for Don Raúl, -our Father´s name an engineer- does not have to work that much. In fact, our father was always away, we were so many people in the house; our Mother did not work, despite having a degree in Mathematics and another one in Literature, that she had acquired at the Vatican Catholic University of Valparaíso, where she met our father, they fell for each other and, after graduation, they married, and had children: all of us…At the time, Ladies did not work; despite your great grandmother wanted to work to contribute with the expenses of our household. Our Father used to say: I am the master of the house; I do not want people to believe that we are poor, as we are not, because you work. Sometimes the money was scarce, but your great grandfather knew very well what to do. We used to have a farm of 80 acres in the South of the Country, which was run by her mother, the source of all problems that have to be committed.

Back to Panchita and Lautaro: they had disappeared because they were making babies. In half a year, we had more than 30 new rabbits, which used to eat the kitchen garden of Griselda, our Nanny – there were others, but they do not make part of this story. Griselda was furious and soon enough begun to kill rabbits and we, to eat them up.

The first time, was a tragedy: we, children, did not eat with our parents, we had as special place with a lower table for us to have ours meals. One day, our lunch was a stew made with rabbit. As soon as we saw the shape of the meat, that another Nanny had tried to disguise, we soon reappeared what it was: Panchita! We made a big drama; we cried, left the table and went to the back yard to cry, all of us in mourning, with a solidarity which we had never had before. Father arrived, tells us off and said: they are animals to be eaten, till realizing that our sadness was a real one, seat up on his knees and tried as much as possible to deviate our feelings into another ideas. Your great grandfather was a good Father and knew very well how to calm us down. And she won, with stories of the horses that we had in our farm, El Pino, and how we would be able to ride the coming summer, as well as how we would build our little house in a bend of the road. And so we did.

As for the rabbit, they were all sold to a neighbor whom improved his life by selling rabbits...

Some of you are very little, my Tomas will understand and, I’m more than sure shall explain this long story to his sister, Maira Rose. May Malen, we will have to wait, she is so little, but her parents will explain the story when the time comes. As for Ben, he has gone into eternity, hence, he knows of all these facts.

Tomas, Maira Rose your team of football Ajax and the special one of Maira Rose, Club Sport of Utrecht, knows how to match a good number of goals. Mine, Sporting Club Benfica, is behaving on the field much better than before: we are about to win an International Cup…

I wait for either a letter from you, or a long conversation via Skype on Sunday Morning. Same as I wait for Mays parents, Camila and Felix to buy earphones and talk with May Malen, your little cousin.

Say hi to Mama Paula and Father Cristan. Looking forward to Sunday, embraces you

Opa Daddy

Parede, 24th of September 24, 2010

Portugal





publicado por Carlos Loures às 15:00
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