Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XXVI, por Raúl Iturra

(Continuação)

 

Este texto não precisa de comentários, excepto dizer que é retirado da realidade social, que segue as águas do moinho da procura da liberdade do homem. Mas, como já comentei, essa liberdade é a subordinação à lei que  nos governa e define cada passo que damos na nossa vida e dá nomes às pessoas conforme o seu comportamento. A capacidade de raciocinar, de pensar e decidir, é o que traz a liberdade ao ser humano. O problema é que liberdade… O texto, como todos os outros denominados sagrados que referi, remete a actividade humana para uma metáfora que não vive entre nós, que radica na mente do ser humano e que dita leis por meio de pessoas como Moisés, Elias, Jesus, hierarquias pontifícias, formas de acreditar e que, no fim dos finais, é parte da cultura ou formas de comportamento adequadas às conveniências da nossa individualidade. O que é adequado à nossa pessoa, é viver sem pecado, quer dizer, sermos capazes de fixar um último bem, uma auto-estima que, em metáfora, está definida como a procura de Deus, muito embora a divindade não esteja definida em parte nenhuma. É aí que Freud e os seus seguidores foram capazes de ver as dificuldades da vida, para além da metáfora e entrar dentro de cronologias e contextos genealógicos, orientados por uma libido erótica que leva à reprodução. Ideia que o texto que comento não refere, antes pelo contrário, retira da materialidade da vida o que a ilusão de sermos pais tinha colocado: factos históricos, com provas complementares para demonstrar a sua verdade.

 

 

 



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Terça-feira, 28 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XXV, por Raúl Iturra

(Continuação)

 

Encore tout jeunes, les enfants commencent à comprendre les traditions et coutumes tribales et à s'y conformer ; cela est particulièrement vrai des restrictions ayant un caractère tabou, des dispositions impératives des lois tribales ou des usages relatifs à la propriété[1].


La liberté et l'indépendance des enfants s'étendent également au domaine sexuel. En premier lieu, les enfants entendent beaucoup parler de choses se rapportant à la vie sexuelle de leurs aînés et assistent même souvent à certaines de ses manifestations. A la maison même, où les parents n'ont pas la possibilité de s'isoler, l'enfant a de multiples occasions d'acquérir des informations pratiques concernant l'acte sexuel. Aucune précaution spéciale n'est prise pour empêcher les enfants d'assister en témoins oculaires aux rapports sexuels des parents. On se contente tout au plus de gronder l'enfant et de lui dire de se couvrir la tête avec une natte. J'ai souvent entendu faire l'éloge d'un petit garçon ou d'une petite fille dans ces termes : « C'est un bon enfant : il ne raconte jamais ce qui se passe entre les parents.» On permet à de jeunes enfants d'assister à des conversations au cours desquelles on parle ouvertement de choses sexuelles, et ils comprennent parfaitement le sujet de la conversation. Ils savent eux-mêmes jurer et employer un langage obscène avec une maîtrise passable. Étant donnée la précocité de leur développement mental, on entend souvent de tout petits enfants lancer des plaisanteries graveleuses que les aînés accueillent avec un gros rire.»[2].


 

 



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Segunda-feira, 27 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XXIV, por Raúl Iturra

(Continuação)

 

A vida sexual das crianças é de grande liberdade e existe a possibilidade de relações amorosas entre elas, seja de plaisanterie, sedução, brincadeira, ou ainda, de juntar os corpos em fellatio, esfregar um com o outro, masturbação em grupo, ou a uma penetração possível – a criança de três, quatro ou mais anos, tem erecção, prazer e orgasmo, como diria Klein na sua teoria meta psicológica já citada[1], embora não tenha ejaculação, esfregam os corpos como vêem fazer aos adultos com quem moram. Para entender essa vida sexual parece-me necessário explicar dois factos: a classificação por idades entre os Kiriwina; como é que acontece entre nós, como está permitido termos relações sexuais antes do ritual do matrimónio, ou apenas no dia do matrimónio, e nunca durante a época do contrato de compromisso para o matrimónio ocidental?

 

Entre nós, os tempos têm mudado, especialmente entre 1895 e a actualidade. O que Freud diz de sexualidade infantil é diferente das análises de hoje.[2] Quer Freud, quer Ferenczi, apesar de se dizer que inventaram a sexualidade infantil a partir de um código de comportamento retirado da vida adulta, analisam no entanto o abuso da sexualidade infantil, como, aliás, se prova pelos factos de pedofilia, o encerramento de Instituições, as acusações a homens detentores de poder politico na sociedade, o tráfico de crianças entre países e famílias, a prostituição infantil, demonstrando largamente que os textos sobre abuso infantil destes autores não estavam nada longe do real e dos danos que causavam. Diz Freud que o desenvolvimento da sexualidade infantil leva, no limite, à “ansiedade de castração”. A comparação do que a criança vê entre os adultos e o seu próprio corpo e as possibilidades dentro da sua libido erótica, faz com que o mais novo tenha medo desse adulto que pode violar o seu corpo, fisicamente falando, como Richard relata a Klein. Não existe apenas desejo infantil, excitação ou necessidades genitais precoces, mas também comportamento infantil na procura de prazer com adultos, como sugar o pénis de um homem adulto até à ejaculação, acariciar uma vagina ou brincar com corpos de adolescentes, como eu próprio presenciei no meu trabalho de campo, para prazer de ambos. É o que o analista designa por sexualidade oral ou anal, entre nós não permitida, mas ritual entre outros grupos[3]. A sensação de angústia do adulto, tem o seu começo na idade infantil, nas brincadeiras de masturbação em grupo, com amigos ou com adultos, como acontece nos factos observados, especialmente de homens novos com crianças que procuram o seu corpo, viúvas a temer gravidezes não desejadas, sucção de pénis que ejacula e outras actividades eróticas da libido[4]. Actividades que acontecem especialmente em actividades rituais e festivas, na altura em que o adulto usa drogas que rebaixam as suas pulsões éticas e a criança confia nele por não conhecer essas diferenças entre a vida quotidiana e de trabalho ou em família, e a vida solitária, quando o adulto não resiste conter a sua pulsão erótica e penetra na criança, pelo ânus ou pela boca. Penetração que a criança aceita ao pensar que é emotivamente evidente e permitida, especialmente se o adulto é da sua confiança, conhecimento e proximidade emotiva sentimental, como parentesco, filiação e outras já referidas para outros grupos sociais, tentando ignorar o nosso, hoje em tribunal, enquanto muito adulto anda pelos campos das neuroses.

 

 

 



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Domingo, 26 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XXIII, por Raúl Iturra

(Continuação)

 

Bronislaw Malinowski, Polaco – Austríaco, refunda a Antropologia Britânica, interessa-se pelas formas de troca de povos sem mercado e, antes ainda, pelas formas de organizar a reprodução em grupos sociais não europeus, ao escrever a sua tese doutoral em Antropologia em Londres, em 1913, sobre The Family Among the Australian Aborigines[1], certo de que era uma família monogâmica, nuclear e regida pela lei que governava a Melanésia, a da Coroa Britânica. Em procura de prova certa, compara – o método que cria – estuda um outro, denominado The Natives of Mailu, de 1915[2]; em ambos os livros fala de pais e filhos, rituais de iniciação e, especialmente, a autoridade pater famílias, no seu ver, aí existente. Era a época em que existia a ideia do mundo estar a mudar, assim como as formas diferentes ou semelhantes do acasalamento para a reprodução humana – conceito criado e usado por Malinowski pela primeira vez, e, infelizmente, usado sem citação até hoje. O mundo começou a mudar, o Rei da nova Alemanha, declara a guerra, Malinowski é um inimigo e é transferido para fazer trabalho de campo na Austrália. A sua surpresa é grande ao reparar que a família Australiana -  na época em que nenhuma família escapava à análise feita por Durkheim,  Freud ou pelos alemães como Thurnwald no Estreito de Torres, Boas no Canadá, os Ingleses Haddon e Seligman, mais tarde Gregory Bateson entre os Iatmul da Nova Zelândia, Reo Fortune entre os Dobu Kiriwina, Raymond Firth com os seus parentes maori da Nova Zelândia, Ruth Bennedict entre os Japoneses e entre os índio Pueblo do México, Margareth Mead primeiro entre os Dobu e posteriormente entre os Mundugumor e Arapesh da Polinésia, todo o mundo corre para ver como é que era e como vai deixar de ser – encontra-se de uma forma muito diferente daquilo que se tinha falado. O seu primeiro objectivo, foi tentar entender se era possível funcionar de forma económica sem mercado, ideia retirada do seu Mestre Marcel Maus e do mestre do seu Mestre, Émile Durkheim, que mais tarde tiveram que reconhecer que não existia grupo social sem troca, como refiro no meu livro de 2002 e no de a Mais-valia na Reciprocidade - publicado em 2008 -, esse conceito Freudiano de 1906 que refere a troca de amamentar e de carinho entre a criança e a sua mãe, até à idade dos seis meses, que Melanie Klein analisou, como o afirmo anteriormente. Um conceito emotivo e romântico, que Malinowski retira dos textos de Freud de 1906 e de 1913 e aplica às relações de mercado como um dar para receber e devolver, como a mãe que dá o leite, o bebé recebe e em troca, dá carinho e ternura.[3]  Análise que Malinowski e a sua escola iam fornecer, apesar de ter estudado de forma importante as troca que o Kula permite: objectos, pessoas, aliança para a defesa, ataque em caso de guerra, carinho, acasalamentos, emotividade, ou uma forma especial de carisma, denominada mana. Um mana que existe entre os que mais sabem, sejam homens ou mulheres, adultos ou crianças, jovens ou pessoas de mais idade. Esta troca leva Malinowski a duas grandes descobertas: a primeira e que caracteriza a Antropologia Britânica, é que o estudo dos seres humanos não é feito como o fizeram os seus mestres anteriores, que nunca foram ao terreno, era necessário partilhar o dia-a-dia das pessoas e entrar pela vida dos Massim da forma que eles permitiam: aberta, amiga, fraterna, sem segredos (nem os íntimos). O Diário de Malinowski assim o diz[4], nunca pensou que os seus relatos seriam tornado públicos quase 50 anos após a sua morte.

 

A análise do Kula entre os Massim, permite a Malinowski estudar as famílias e a sua forma de serem geridas. Entre nós, o acasalamento tem sido monogâmico, seriado ou não, com adultério ou sem ele, com pedofilia ritual ou emotiva. Entre os Massim, o autor começa por colocar um problema, depois de ter abandonado o estudo da economia – um comércio, como diz na página 204 do texto que uso. O problema aparece já no Prefácio do seu texto de 1926[5]: “Le problème central de la psychanalyse est celui de l'influence que la vie de famille exer­ce sur l'esprit humain. Elle nous montre comment les passions, les chocs et les conflits que l'enfant éprouve et subit dans ses rapports avec son père, sa mère, ses frères et sœurs, aboutissent à la formation de certaines attitudes menta­les ou de certains sentiments perma­nents à leur égard, attitudes et senti­ments qui, tantôt subsistant dans la mémoire, tantôt englobés dans l'inconscient, influent sur toute la vie ultérieure de l'individu, dans ses rapports avec la société. J'emploie le mot « sentiment » dans le sens technique que lui attache M. A. F. Shand, avec toutes les implications importantes qu'il comporte dans sa théorie des émo­tions et des instincts » Começa logo por debruçar-se sobre o primeiro problema, o famoso problema de Édipo e acrescenta : « C'est ainsi que le sociologue estime que le problème du complexe n'est pas purement psy­cho­logique, mais qu'il comporte aussi deux chapitres sociologiques: une introduction faisant ressortir la nature sociologique des influences familiales, et un épilogue contenant l'analyse des conséquences que ce complexe comporte pour la société”[6].

 

 

 



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Sábado, 25 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XXII, por Raúl Iturra

(Continuação)

 

É fascinante aplicar o saber de Freud, Klein e Bion ao entendimento de um ser humano que, nos seus curtos anos, é considerado um pecador. As análises revelam a possibilidade, a realidade diria eu, de seres que, desde a sua existência dentro do líquido amniótico pensam, sentem, têm emoções, choram, decidem. Aprendem a optar, a ter autonomia. Sobre esta temática, a melhor análise é o texto Inveja e Gratidão de Klein, base das ideias de disciplina religiosa de Bion no seu Attention and Interpretation, debate que define o comportamento como ideias partilhadas, em harmonia ou em desencontro, por muitos, uma religião como o autor denomina, sem entrar pela teologia, pelo Direito canónico ou a catequese, procura como John Locke[1] no Tratado sobre a Tolerância baseado nas suas observações de crianças e sobre teologia, que era o seu domínio[2], com recurso ao estudo de crianças em clínica.

 

Não é o caso de Bion nem o de Freud ou o de Klein, entre outros. Sim, usam os elementos da teoria cultural, cuja lógica da cultura é a religião, mas a definição é diferente. Enquanto os Locke, o William of Ockam, os Henry Bergson, passando pelos economistas Marie Jean Antoine Nicolas de Caritat, Marquis de Condorcet, François Quesnay, Adam Smith, James Mill, Alfred Marshall, Lord John Maynard Keynes, até o Socialista David Ricardo em 1823, procuram um saber do real com base numa religião orientada pela divindade, pelo totem que colabora com o lucro e ajuda a guardar a mais-valia retirada ao operariado dos seus povos, como analiso no meu livro A Dádiva, essa grande mentira social. A mais-valia na reciprocidade, Afrontamento, Porto, 2003. Bem longe do caso, claro está, de Émile Durkheim e Marcel Mauss, fundadores do Marxismo-leninismo francês e colaboradores da Revolução Soviética. Freud, por seu lado, define religião como foi dito e, no entanto, baseia-se na mesma para entender a mente e a procura da felicidade na interacção social que Bion define em 1970 como “um pensamento de modelos de seres humanos, criaturas de intencionalidade que transcende as necessidades físicas imediatas e permite actos pessoais de compensação como a meta emocional e cognitiva que procura o ser humano, para acrescentar que usa a notação 0 para indicar a realidade última, representada por termos como realidade última, verdade absoluta, a deidade, o infinito, a coisa – em – si”[3]. Esta deidade não é ritual nem faz milagres, é apenas um conceito que indica que entre todos os seres humanos, há uma procura de saber para fazer – contrário a Aquino em 1275, ou Averröes, dois Séculos antes entre os Muçulmanos, que já tinham tudo definido pela cultura revelada e o denominado Direito natural, estes intelectuais estabelecem um diálogo com uma mente em branco, e denominam divindade a procura do fazer a seguir ao entendimento dos factos. Não é em vão que Freud, num dos seus textos – revisto por ele em francês – Psychopatologie de la vie quotidienne[4], analise a masculinidade de Moisés e a sua capacidade de ditar e de obrigar a cumprir as leis. Ou o comentário de Melanie Klein de ser indiferente a religião e filosofia, mas nada oposta a análises que permitem um posicionamento esquizoide, como já referi.

 

 

 



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Sexta-feira, 24 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XXI, por Raúl Iturra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=NZnugRzs0xU

Antonio Mascagni Cavalleria Rusticana

 

 

 


 

Sétima Lição

O PEQUENO PECADOR...

 

 

Olhos felizes, sorrisos brilhantes. Silêncio no beijo. Respeito na carícia. Uma mão doce a percorrer o corpo. Suavidade, ternura, sedução. Silêncio: uma criança está a ser projectada. O imaginário de dois, transferido a um entre momentos de sedução, brinca e pensa: como é que será, os teus olhos, a minha boca, o teu andar? A felicidade prometida no Jardim do Éden, a felicidade que nasce nesse primeiro encontro? Quando um corpo chama o nosso, faz sentir a nossa pele rizada, a querer correr dentro da outra uma e outra, e outra vez, com doçura, com respeito, com a alma a brilhar[1]. A paixão. O amor. O presente dos novos, o futuro dos velhos. A lembrança dessa outra pessoa que nos faz sentir a alma quente e terna, a cabeça perdida, ideias que iluminam e aquecem a tarde de um Domingo de Inverno. O Jardim de Éden. O paraíso antes, durante e depois do tema que nos leva a estas ideias: a glória de sermos pais... um dia, em breve. Já: « À partir du moment où on est deux (couple), on est déjà trois, même si l’enfant n’est pas encore pensé consciemment. Il y a toujours dans le désir d’avoir un enfant un besoin personnel à assouvir»[2]. A paixão da afectividade faz-nos sentir a urgência de nos projectarmos e eternizarmos dentro de um outro ser humano, porque o nosso amor é tão grande, que dois não são suficientes para poderem guardá-lo. Eis o motivo desta frase e de todo o texto que citei no início da lição quarta.

 

A afectividade apaixonada, conceito pouco usado entre os analistas que procuram uma outra parte do texto citado, para podermos começar no Jardim do Éden, desencadeou o motivo do título desta lição. A realidade contextualiza o amor, trava a paixão e faz andar pela vida como se o cuidado de olhar nos olhos do outro pudesse perder-se ao entrar um terceiro na relação a dois. Um terceiro desejado pelo par, parte de si próprios, plenitude dos laços de ternura com espaço afectivo para o cobiçar para nós e guardá-lo dos outros, sentimentos mútuos de paixão materializados num novo ser, que passa a ser querido, mas dentro de uma grandiosidade que apenas García Márquez é capaz de descrever para um sentimento amoroso. Como o amor que descreve à Mama Grande, sem romance, sem a primeira sedução que muda para outras hierarquias: “Poco antes de las once, la muchedumbre delirante que se asfixiaba al sol, contenida por una elite imperturbable de guerreros uniformados de dormanes guarnecidos y espumosos morriones, lanzó un poderoso rugido de júbilo. Dignos, solemnes en sus sacovelas y chisteras, el presidente de la república y sus ministros; las comisiones del parlamento, la corte suprema de justicia, el consejo de estado, los partidos tradicionales y el clero, y los representantes de la banca, el comercio y la industria, hicieron su aparición por la esquina de la telegrafia. Calvo y rechoncho, el anciano y enfermo presidente de la república desfiló frente a los ojos atónitos de las muchedumbres que lo habian investido sin conocerlo y que solo ahora podian dar un testimonio verídico de su existencia. Entre los arzobispos extenuados por la gravedad de su ministerio y los militares de robusto tórax acorazado de insignias, el primer magistrado transpiraba el hálito inconfundible del poder…la mama Grande estaba entonces demasiado embebida en su eternidad de formaldehido para darse cuenta de la magnitud de su grandeza…estaban asistiendo al nacimiento de una nueva grandeza. Ahora podía el Sumo Pontífice subir al cielo en cuerpo y alma…”[3].

 

 

 



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Quinta-feira, 23 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XX, por Raúl Iturra

(Continuação)

 

De facto, as crianças vivem dentro de um sistema de comportamento, que faz que sejam culpabilizadas por acontecimentos fora do seu entendimento e da sua decisão. Não seria necessário lembrar a análise de Dolto, não fosse o caso de Françoise Dolto ter lutado por crianças que a nossa constituição não parece reconhecer. Comparar o artigo sobre a família e o comentário de Dolto, é perceber rapidamente que a interacção entre adultos que legislam e crianças que obedecem, acaba por ser um inferno para contextualizar os mais novos. Pode-se reparar que a nossa sociedade vive a dicotomia anti-tética de obrigar os mais novos a serem pessoas sabidas, dentro de grupos sociais para os quais as leituras são de revistas como Maria, Caras, Jornal a Bola e outras; ou a televisão e as telenovelas das quais os pequenos podem retirar um imaginário distante do que o adulto vê e comenta com os seus pares, sem explicar a paixão ou o erotismo ou a brincadeira de finanças que leva vários a tribunal. Até os fogos de Verão são uma notícia de sensação e não de entendimento ecológico para aprender a tomar conta da flora e da fauna, como instituições preocupadas e com poucos recursos, ou partidos políticos, são capazes de defender. Esta criança vive de tal maneira dentro de uma mais-valia retirada da carta Fundamental, que acaba por não entender o seguinte artigo, ou as ideias que estão dentro:

 

Artigo 82.º

(Sectores de propriedade dos meios de produção)

1. É garantida a coexistência de três sectores de propriedade dos meios de produção.

2. O sector público é constituído pelos meios de produção cujas propriedade e gestão pertencem ao Estado ou a outras entidades públicas.

3. O sector privado é constituído pelos meios de produção cuja propriedade ou gestão pertence a pessoas singulares ou colectivas privadas, sem prejuízo do disposto no número seguinte.

 

 

 



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Quarta-feira, 22 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XIX, por Raúl Iturra

(Continuação)

 

O interessante é saber porque é que ao falar de resiliência, o autor fala dos “vilões pequenos patos”. Penso que a ideia não é difícil. Primeiro, vilões por serem capazes de se desenvolver a partir do “agarrar-se” a uma feliz memória pessoal ou da sua cultura. Pequenos patos, porque são capazes de nadar apesar de essa corrente ser tão forte dentro da sua cultura ou processo de interacção social. Hoje em dia tem vindo a público, factos de abuso de menores que, já faz tempo acontecem, mas apenas hoje se defende e se fala, do colo que a sociedade dá aos mais novos por se terem envolvido adultos que organizam o poder de uma nação. É evidente que nem todas as culturas têm este problema, bem ao contrário: muito embora o incesto seja um tabu universal, a pedofilia é definida de forma diferente nas diversas culturas, algumas até a praticam como parte do crescimento dos mais novos. Mas, este conceito é para outro capítulo. O que me interessa ver neste capítulo, é a prevenção que os sabidos homens da religião têm organizado para defender les petits canards de actividades que ou não são rituais, ou, se são rituais, saiam da estrutura organizada, como processo criminoso para novos e velhos, como tenho referido noutros textos. O capital, a nossa relação social, deixa-nos com a ilusão de sermos pais para passar a guardiães dos nossos pequenos e de vigiar os adultos que andam por perto.

 

De facto um pequeno parágrafo do capítulo II do Catecismo Católico Romano de 1992, como o de Lutero de 1529, vai directo ao ponto do que hoje em dia, apenas, denominamos traumatismo. É esse traumatismo e como ele é causado, o que diz respeito ao final desta primeira parte deste tão difícil texto, mas tão necessário pela sua actualidade e incompreensão cultural.

 

Esse pequeno parágrafo parece referir o segundo conceito deste número, a culpa, tal como acontece com o Catecismo de Lutero[1], com o Alcorão[2] e o Torah[3] ou Dez Mandamentos e os Comentários Rabínicos de los Diez Mandamientos, textos que orientam o comportamento do povo judeu. Todos eles referem o mesmo tipo de comportamento, em referência à culpa, denominada pecado. Penso que devia começar pela última frase do parágrafo referido.

 

O parágrafo referido acaba com uma frase que diz: “Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei” (Epístola de Paulo de Tarso aos Romanos, 13, 8-10)[4]. O que está a querer dizer Paulo de Tarso aos Romanos ao falar de que é obrigação de todo cidadão cumprir a lei, e que cumprir a lei é caridade? Primeiro, está a referir-se à subordinação de todo ser humano aos poderes políticos: “Todos hábeis de estar sometidos a las autoridades superiores, que no hay autoridad sino por Dios, y las que hay, por Dios han sido ordenadas”[5]. Como cidadão romano, está a escrever aos seus compatriotas sobre um tema que era desconhecido, como hoje em dia acontece muito, a caridade. Este conceito, extremamente usado nos textos que fundamentam a nossa cultura, tem um significado não definido, mas muito adjectivado, na época em que se procura a igualdade entre os seres humanos. Não podemos esquecer que no começo deste texto, referimos a hierarquia entre os romanos: cidadãos, submetidos ou sujeitos à autoridade do Pater Familias, escravos, povos colonizados, é dizer, pessoas com manu, etc. A palavra caridade, ao longo do tempo, faz parte da cultura ou costumes dos povos que hoje em dia conhecemos e podemos procurar uma definição ética: Caridade. [...] S.f. 1. (Ética) No vocabulário cristão, o amor que move a vontade à busca efectiva do bem de outrem [...]. 2. Benevolência, complacência, compaixão. 3. Beneficência, benefício, esmola, definição retirada de um texto do ano 2000[6]. Das três alternativas o texto comentado está, a meu ver, a usar o primeiro sentido. Muito embora ao longo dos textos denominados sagrados e que são ensinados às crianças desde muito cedo na sua vida – desde o Século III da nossa era até o dia de hoje, todo ser humano mais novo aprende primeiro as formas de interacção, que na nossa legislação actual denominamos bem comum ou garantia dos bens materiais em igualdade para todos, o princípio representado no artigo 9º da Constituição da República Portuguesa[7]e ao longo do texto constitucional, especialmente no Título III, sobre Direitos e deveres económicos, sociais e culturais, artigos58 a 79.

 

 

 



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Terça-feira, 21 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XVIII, por Raúl Iturra

(Continuação)

 

Parece-me evidente que o conceito de protecção contra o qual luta o de resiliência, é difícil de aplicar em épocas remotas à nossa era. O conjunto de autores que estão a defender o desenvolvimento de um ser humano que tem sofrido um trauma, entre os quais os invocados como Cyrulnik e Sá, estão a referir-se a épocas posteriores à criação do conceito de laissez-faire, laisez-passer, de François Quesnay[1] e o seu discípulo Adam Smith[2] e usado desde esse tempo pelos economistas liberais que invoco nos meus textos citados em nota de rodapé. O que interessa deste parágrafo, é demonstrar como o desenvolvimento da tecnologia ou dos instrumentos de trabalho, desenvolve não apenas o grupo social que os possui, como a cada indivíduo que os apropria, bem como aos lucros que os bens no mercado, oferecem ao proprietário, análise não considerada pelos autores psicólogos invocados. Análise que faz Karl Marx num texto recentemente divulgado[3], ao debater com Adam Smith sobre a teoria do valor e do desenvolvimento do grupo social e não apenas do indivíduo. Para Smith, como para Quesnay e seus seguidores, o desenvolvimento não está na ilusão do carinho ou da emotividade – apesar de ter escrito um texto sobre a temática dos sentimentos, em 1759[4]. Este feroz ataque que adianto, é por estar a pensar em duas épocas diferentes da mesma sociedade: a época quando culturalmente se pensava por outros, a época em que pensar por si próprio não era adequada ao tipo de mais valia possível. Na época de Justiniano, Hipona e até Aquino no Século XIII, as formas de optar eram em representação de outros, enquanto desde o Século XVIII, já com um Gracchus Babeuf[5] a agir em prol da igualdade, a lista de representados acaba por começar a perder-se, a deixar de existir e a relação entre os seres humanos parece começar a ser uma forma de existir, não apenas de optar, mas de atingir uma liberdade passível de ser transmitida a seres humanos mais novos, é dizer, as crianças das quais tenho vindo a falar. Seres humanos que começam apenas agora a serem sujeitos de importância para investigadores, eruditos, para a lei e para a interacção social. A criançada parece não existir antes da época de ser precisa para um certo tipo de produção. E a sua capacidade para gerir é apenas pensada para a vida adulta. Justiniano, na sua codificação da lei romana, fala no Livro 3 dos mais novos como sujeitos de tutória ou pelos pais ou por um curador nomeado pelo grupo do Senado encarregue dos assuntos de Adopção. Tal e qual as mulheres que, enquanto são pessoas maiores de idade e não casadas, podem livremente usufruir dos seus recursos, trabalhar, optar. Mas, o matrimónio romano, como o nosso até 1956, levava a mulher a ser sujeita do marido o Pater Famílias. Na época romana, há o matrimónio com manus o sine manus, formas de poder escapar à tutela e curadoria do Pater Familias caso houvesse convenções matrimoniais prévias a separar os bens de cada um dos nubentes na base de um contrato nupcial de separação de bens, ou seja, na base de um inventário que regista o que pertence a cada um. A mulher romana sine manus, ficava liberta da curadoria do Pater Famílias, como no caso do mundo latino, ao celebrar um matrimónio com separação de bens – inventário já não necessário com as reformas do Código Civil mais recentes.

 

Será que estou a entrar mais pela relação económica que pelas relações emotivas? Mas, não será que essas relações emotivas estão regulamentadas pela economia, fazem parte da relação, dos sentimentos, como queria avançar ao analisar o excesso de cuidados que a lei manda ter seja na relação paterna – filial, quer entre cônjuges, ou entre pais e filhos. Para o que é preciso entrar na análise das normas abrangentes, simbólicas, não consideradas pelos analistas do comportamento. Normas a existir dentro de nós e que criam a ilusão de sermos pais, enquanto a realidade sublimada em terapia leva-nos a pensar que o terra – a – terra não existe na vida social. Ou, por outras palavras, como fazer para que, com economia, com lei acumulada no tempo, com idades separadas perante a responsabilidade, com tabus e proibições acabemos, no entanto, por amar sem obstáculos? Serão ideias sentidas para se aprenderem durante o transcorrer da vida, aprendidas, aceites, explicadas ou retiradas das formas do entendimento dos mais novos, por o mais velho ser possuidor do real e o mais novo, um ser humano sem conceitos, ou com uma epistemologia em formação, sendo assim o mais velho, o eterno pater – familias, que obriga a amar na relação progenitores – descendentes? Não resisto à tentação de entrar pela análise dos textos denominados sagrados que obrigam a um determinado tipo de comportamento e criam uma culpa, o pecado, para iludir a relação adulta criança.

  

 

 



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Segunda-feira, 20 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XVII, por Raúl Iturra

(Continuação)

 

Será que todos estes factos da relação adultos/criança são culturalmente entendidos? Será que, a relação paterna/materna é a de todo o adulto com toda a criança? A minha observação dos factos diz, não. As minhas conclusões de facto dizem sim, ou que, pelo menos, é preciso trabalhar forte e duro para criarmos grupos sociais, com ou sem recursos abundantes, não só por causa da afectividade simpática e serena, bem como pela necessidade de transferir essa outra parte que todo o adulto sabe: optar, decidir, distinguir. Estes três conceitos, retirados por mim das minhas análises económicas que fazem parte do real, são para expandir à Dante, à Erasmus, à Philippe Buonarroti, à Bento Espinoza, à Tomás de Aquino – o introdutor de Aristóteles via Averröes entre nós a capacidade de filosofar e pensar com arte, sermos pais.

 

Sim, é verdade que a denomino ilusão de sermos pais. Por dois motivos: porque os mais novos em breve serão os adultos do grupo social e mudando na hierarquia por meio de vários processos rituais, formam a sua casa, o seu lar, tomam distância: anseio de autonomia. Essa altura das nossas vidas quando, mais uma vez, ficamos pais sem filhos por perto: na nossa afectividade e, eventualmente, no cumprimento ou no pedido de conselho. Ideia a estudar mais à frente da forma simples com que sempre tenho analisado o facto que me parecia o mais importante: toda sociedade está dividida em duas culturas, a dos pequenos e a dos adultos[1]. Ideia que começara a defender em 1998 no meu texto sobre o imaginário infantil[2]. Mas, o facto de entrar com mais cuidado nas ideias de Émile Durkheim, Marcel Mauss e de Georges Devereux, fez-me reparar que toda sociedade tem adultos e crianças, mas apenas uma cultura. Esta ideia apareceu ao lembrar os meus primeiros estudos e fui ao código e à lei. É o segundo assunto, que passo a estudar.

 

A cultura tem formas de comportamento denominadas costumeiras. No entanto, elas estão codificadas e poucos conhecem essa prescrição. Estamos, no entanto, na altura de a incorporar no nosso quotidiano.

 

2. Amor de colo.

  

Amar, amo, e tomo conta dos meus adultos porque nasce da minha alma, da mesma forma que aprendi a tomar conta dos meus descendentes, ainda que à distância. O direito tirou-nos a alegria de amar, as penas de prisão estão ao pé de nós se não cumprirmos o que a lei manda e que, em Portugal, o Catecismo apoia. Textos normalmente ignorados pelos estudiosos de seres humanos e, especialmente, de crianças. Debate esse que tenho tido com uma imensidão de eruditos e pessoas da rua, para sermos capazes de nos governar e assim proteger melhor os mais novos: é dizer, ensinar melhor os mais novos dentro da racionalidade da sociedade em que vivemos. Racionalidade nascida do cálculo económico que permite a existência de recursos e reprodução biológica e afectiva. Se falei de dar colo no início do parágrafo, foi para definir o conceito introduzido por Cyrulnik especialmente no texto de 2003[3]: quanto mais pais somos, mais damos ideias aos mais novos, mais liberdade para aprenderem a proteger-se na interacção social. O livro abre com perguntas endereçadas aos mais novos, através dos seus adultos que entendem. Uma das questões chamou a minha atenção: “que violência traumatizante é essa que dilacera a bolha protectora de uma pessoa?”, para se responder com a frase de abertura do texto, na mesma página:  “Só se pode falar de resiliência se tiver existido um traumatismo seguido da retomada de um tipo de desenvolvimento, uma fenda reparada”[4].

 

 

 



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Domingo, 19 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XVI, por Raúl Iturra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=HqyrPzfW0IA

Mozart Serenatta Noturna k.239 Marcia (1-3)

 

 

 


                  VI

 

 

Sexta Lição

 

A ILUSÃO DE SERMOS PAIS

 

 

1. Sermos pais.

 

Não estou certo si devo reconhecer que não sei se este deve ser o primeiro ponto da matéria a tratar. Ser autor da vida biológica, emotiva e intelectual de uma nova geração. Preciso reconhecer que o conceito de paternidade, me tem sido impingido pela cultura na qual vivo, a romana ocidental. Bem como, gosto dizer que paternidade, a meu ver, inclui os dois géneros, como hoje em dia se define. Definição criada na luta dos finais do Século XX e estes anos do Século XXI, começada com a luta denominada Sufragista de finais do Século XIX. Épocas, todas elas, para definir uma igualdade entre seres humanos de genitais diferentes: falo e vagina, mamas que oferecem leite e amamentam, bem como mamas estéreis para criar. Talvez, ambas, para exibir de forma erótica e seduzir uma ou outra pessoa – do mesmo sexo ou de sexo diferente.

 

Complexo. É-me difícil falar da relação paternidade – filiação, por terem mudado dentro da nossa cultura as referências ao acasalamento. Mudança feita em curto espaço de tempo, em Portugal e em toda a Europa. Aliás, alguns países europeus definem a paternidade de forma diferente do nosso: os denominados países nórdicos como a Noruega, a Dinamarca, a Holanda, para casos determinados a Grã-Bretanha, ou o Estado Catalão do Reino da Espanha, definem o acasalamento como a união entre duas pessoas capazes de organizar uma descendência, adoptiva ou descendente consanguíneo de um dos membros do casal.

 

Porque sermos pais permite, hoje em dia, uma outra actividade, já universalizada, o denominado divórcio, ou dissolução do contrato entre um homem e uma mulher que a nossa lei refere como “nubentes” ou pessoas comprometidas para casar[1]. Nubente é um conceito do primeiro Código Civil Português e foi ficando no que eu gosto denominar, a alergia ao saber comum que os eruditos têm do povo. Porque de facto, o conceito nubente, mencionado já nos Evangelhos cristãos, foi adoptado pelo Direito Canónico e pela lei civil e significa ser livre[2] para contrair compromisso de casamento, como manda o Artigo 1591 do Código Civil Português. Por outras palavras, as ideias religiosas desde a antiguidade da nossa era prescreviam liberdade para se ser pai. E a Concordata assinada em 1945 entre os estados Vaticano e Português e ratificada por convénio em 1995, dentro da lei positiva está presente no Código Civil Português, nomeadamente no seu Livro IV, Título II, Capítulo I, “Modalidades de Casamento”, entre as quais se legisla o Matrimónio Católico[3].

 

Sermos pais acaba por ser uma definição escrita de costumes adquiridos ao longo do tempo. Até ao ponto de existir um conjunto de regras que definem o comportamento de vai e vem das emoções, do carinho, do cuidado, do olhar, do sentimento gratuito e recíproco que tinha na minha cabeça no minuto de pensar essa frase, já para mim, conceito. Sermos pais. Como diz Eduardo Sá no seu texto de 2003, ao falar de resiliência, conceito de Boris Cyrulnik[4], a ser definido mais à frente: “...o bebé nasce na cabeça dos pais...”[5]. Esta frase, retirada do contexto mencionado em nota de rodapé, diz respeito à minha procura emotiva da criança e por observar que o adulto entende que esse ser é resultado do amor, do desejo que nasce dos olhos, desse mirar sem pestanejar, profundo, calmo, seco, terno, da profundeza do amor que nasce da entrega de um ao outro – distante dos comentários da praça pública, esse fazer amor por erotismo. O erotismo permite sermos pais? É a frase que cunhei para um texto meu, como subtítulo[6]. Ou ainda, o poema de paternidade sabida por se ser pai, não por ser erudito, cuja quarta versão revista fala de forma tão determinada acerca da necessidade dos filhos para os pais crescer[7]. Aí é preciso distinguir entre a paternidade e o ser humano adulto que os Código Civil, o de Direito Canónico, o Catecismo de Wojtila, definem. Na página 39, o capítulo praticamente abre com a ideia definida pelo autor: “Talvez a primeira função de uma pessoa seja ser mãe”[8]. O meu comentário é quase autobiográfico: na altura da minha primeira paternidade -maternidade, tinha “proibido “ em casa o cor-de-rosa, estava certo de o meu primeiro descendente ser um rapaz e os pequenos, por costume, vestiam de branco ou azul faz já trinta anos...Quando vi sair o bebé da sala de partos, a pequena que adoro, não precisei esperar ver os genitais, era tal e qual a mãe da sua mãe, a minha sogra...e assim ficou linda até ao dia de hoje, como a sua mãe. Donde, sermos pais, é o conceito de ternura para com esse ser pequeno, de pés descalços, indefeso se não for pelos cuidados de ser amamentado pela mãe na companhia silenciosa e de mãos dadas, do pai. Essa ternura que nasceu na cabeça, das brincadeiras românticas da intimidade a dois, de se passar a ser um à espera do outro e continuar a ser esse um, até ao suspiro final que descansa a atenção de saber que de dois, há um no minuto da concepção ou no minuto de alimentar o desejo da paixão que permite solidificar o casal – com ou sem matrimónio – salvar-se dos conceitos de Édipo impingidos entre nós desde 1906, de não sofrer por sentimentos nunca acordados do incesto, como Françoise Héritier, Boris Cyrulnik e outros, nos lembram em 1994[9]. Esse incesto universal como conceito, mas de diferente “textura”, estrutura e processo, de exógama clãnica e não consanguínea, como entre nós. Como Bronislaw Malinowski[10] nos lembra e que vamos analisar a seu tempo.

(Continua)

[1] O Código civil Português define a relação entre nubentes, de formas diferentes: ARTIGO 1577º

(Noção de casamento)

Casamento é o contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente, ique pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida, nos termos das disposições deste Código.           (Redacção do Dec.- Lei 496/77, de 25-11) http://homepage.esoterica.pt/~anabelar/CodigoCivilPortugues.html#_Hlk446308267

[2] Estado livre. Este requisito é para demonstrar que os noivos não têm vínculo anterior que impeça o matrimónio Atestado de óbito do cônjuge anterior, quando se trata de nubente viúvo;

- Certidão de baptismo para fim matrimonial. Certidão de baptismo para fim matrimonial, de cada um dos noivos. O documento tem validade de 6 meses. Quando não se encontrar o termo do baptismo, providencia-se uma certidão negativa. Neste caso, pede-se o testemunho sob juramento de pessoas de confiança que conheçam o(a) nubente. Não havendo esse testemunho, o(a) nubente deverá ser baptizado(a) sob condição.

- Comprovante de residência na Paróquia (geralmente contas mensais em nome do noivo ou da noiva, ou de seus respectivos pais). Porém, caso os noivos peçam transferência de Paróquia para celebração do casamento, esta não poderá ser negada.

- Certidão do Curso de noivo ou Preparação Doutrinal, que é curso de apenas alguns dias. O documento tem validade de 6 meses.

- Recibo do pagamento da taxa de 672,00 reais (*), que pode ser paga 50% na reserva da data da cerimónia e 50% até quinze dias antes do casamento.

http://www.cobra.pages.nom.br/bm-casamentoreligdoc.html

[3] Ver artigos 1587 a 1590 do mencionado Código, versão de 2001 ou recente modificação. Website nota (2) 1

[4] Cyrulnik, Boris, 1991 : La naissance du sens, Hachette, Paris; 1993: Les nourritures affectives, Odile Jacob, Paris; 2001: Les vilaines petites canards, Odile Jacob, Paris. Há versão portuguesa, Piaget, 2003, como Resiliência. Essa inaudita capacidade de construção humana, Lisboa. Website   http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Boris+Cyrulnik&btnG=Pesquisa+Google&meta=

[5] Sá, Eduardo, 2003: Tudo o que o amor não é, Oficina do Livro, Lisboa, página 26. Recomendo ver páginas 24 a 27, para contextualizar a ideia, frase estruturada por mim. Website  http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Eduardo+S%C3%A1&btnG=Pesquisar&meta

[6] Iturra, Raúl, 2000: O saber sexual das crianças. Desejo-te, porque te amo, Afrontamento, Porto. Website  http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Ra%C3%BAl+Iturra&btnG=Pesquisar&meta=

[7] Sá, Eduardo, 2003, 4ª Edição revisada, Junho de 2003: Psicologia dos pais e do brincar, Fim de Século, Lisboa. Website nota 5

[8] Sá, op. cit, parágrafo 2. Website nota 5

[9] Héritier, Françoise; Cyrulnik, Boris; Naouri, Aldo; Vrignaud, Dominique; Xanthakou, Marguerita: 1994: De l’inceste, Odile Jacob, Paris. Website  http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Fran%C3%A7oise+Heritier&btnG=Pesquisar&meta=

[10] Malinowski, Bronislaw, 1921: Sex and repression in primitive societies, Routledge and Kegan Paul Londres. Há versão francesa de 1930 de Les Classiques des Sciences Sociales http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&ie=UTF-8&q=Bronislaw+Malinowski+Sex+and+repression&btnG=Pesquisar&meta=.

http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/index.html

e portuguesa, Vozes, 1973,  http://www.submarino.com.br/produto/1/119541/?franq=143007



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Sábado, 18 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XVI, por Raúl Iturra

O comentário de Vitz é suficientemente explícito e provado, para apoiar a minha tese da análise terapêutica e procurar a unidade que Durkheim definia entre o grupo social. Era impossível que um intelectual, sem conhecer a teoria religiosa, pudesse criar uma análise sobre o tabu a partir, apenas, da teoria dos australianos. O que procura Freud é elucidar a mente ocidental e a das crianças, enquanto analisa comportamentos à luz do seu próprio saber da sua própria cultura. Os textos que trabalham esta temática estão fundamentados em formas bíblicas e patrísticas de Pater Famílias, como mostrei na lição Segunda. É possível advertir que a maior parte das análises terapêuticas estão baseadas em temas bíblicos que governam a nossa vida. Como o autor faz ao construir uma tábua analítica das definições Freudianas e das dos Evangelhos, como faz Françoise Dolto na sua obra, já referida.

 

Table 5-1. Jesus as the Anti-Oedipus: A Summary of the Ways in Which

The Life of Jesus is the Negation of the Life of Freud’s Oedipal Man

 

http://www.paulvitz.com/FreudsXtnUncon/169.html

Oedipal Man: The old man

(from Freud)

Jesus: The new man

(from Gospels)


 

1. 

The son hates the father.

1. 

The Son loves the Father.

2. 

The son shows radical disobedience to the father.

2. 

The Son shows radical obedience to the Father.

3. 

The son wants sexual possession of the mother (or all women of the group)

3. 

The Son renounces sexual possession of all women.

4. 

Radical disobedience results in death of the father, in fantasy or supposedly in fact in the ancient past.

4. 

Radical obedience results in death of the Son

5. 

Death of the father is caused by the son or by a band of brothers (sons) who hate the father.

5. 

Death of the Son is caused by a band of brothers who hate the Son.

6. 

Death of the father is followed by failed resurrection in the form of a created father-totem, by emotions of guilt and remorse, and by permanent separation and estrangement of father and son.

6. 

Death of the Son is followed by resurrection of the Son, by the emotions of joy and happiness, and by the complete reunion and identity of Father and Son.

7. 

Death of the father leads to the son’s identification with the father, now incorporated as superego, or to the band of brothers’ identification with the father-totem.

7. 

Resurrection leads to the sons’ identification with the Son, who is the center of morality and of ideals (a new Superego); the new band of brothers identifies with the “totem” Son.

8. 

The old sons identify with the father in a totemic meal in which the father is eaten

8. 

The new sons (or band of Christians) identify with the Son in a “totemic” meal in which the Son is eaten.

9. 

The new band, feeling guilt partly from their sexual motives, renounces the women and creates the rule of outmarriage (exogamy). Thus, the women take the name of some other group’s father.

9. 

The new band of sons and daughters takes the name of the Son (Christians);  women are not excluded from the “tribe” but were the same name.

10. 

In short: Hatred and disobedience leading to death of the father bring original sin.

10. 

In short: Love and obedience leading to death of the Son bring redemption.

 

 

 



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Sexta-feira, 17 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XV, por Raúl Iturra

(Continuação)

 

A essência do recalcamento consiste em afastar uma determinada coisa do consciente, mantendo-a à distância (1915, livro 11, p. 60 na ed. bras.). A repressão afasta da consciência um evento, ideia ou percepção potencialmente provocadores de ansiedade e impede, dessa forma, qualquer manipulação possível desse material. Entretanto, o material reprimido continua fazendo parte da psique, apesar de inconsciente, e que continua causando problemas.

 

Segundo Freud, a repressão nunca é realizada apenas uma vez e definitivamente: exige um continuado consumo de energia psíquica e neuronal, para manter o material nocivo, reprimido. Para ele os sintomas histéricos com frequência têm sua origem em alguma antiga repressão. Algumas doenças psicossomáticas, tais como asma, artrite e úlcera, também poderiam estar relacionadas com a repressão. Também é possível que o cansaço excessivo, as fobias e a impotência ou a frigidez derivem de sentimentos reprimidos[1].

 

A libido é-me mais importante de analisar, por causa da confusão que causa no saber cultural do conceito. É definido e usado no livro de Moisés e Monoteísmo, da forma seguinte: “Segundo Freud, no ser humano, cada um dos instintos gerais teria uma fonte de energia separadamente. Libido (palavra latina para "desejo" ou "anseio") seria a energia aproveitável para os instintos de vida. "Sua produção, aumento ou diminuição, distribuição e deslocamento devem propiciar-nos possibilidades de explicar os fenómenos psicossexuais observados" (1905a, livro 2, p. 113 na ed. bras.). Outra característica importante da Libido é sua mobilidade, ou a facilidade com que pode passar de uma área de atenção para outra.


A energia do instinto de agressão ou de morte não tem um nome especial, como tem o instinto da vida (Libido). Ela supostamente apresenta as mesmas propriedades gerais que a Libido, embora Freud não tenha elucidado este aspecto.[2]

 

 

 



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Quinta-feira, 16 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XIV, por Raúl Iturra

 

 

 

 

 

 

Tomas I Van Emden, consanguineo de May.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=HqyrPzfW0IA

Mozart Serenatta Noturna k.239 Marcia (1-3)

 

 

 

 V

 

 

 


5. QUINTA LIÇÃO.              

 

 

 

                                                                                                

 A LÓGICA DA CULTURA.

 

 

 

 

A questão está em entender o amor, já definido ao começo, e ver as bases religiosas que desenvolvem a psicanálise, como prometi referir. Toda criança procura que o seu pai seja quem comande, não perca a omnipotência. O totem faz parte dessa autoridade. Aí é bem tempo de definir o conceito de omnipotência e de totem, e o melhor, mais uma vez, é o estudante de Wundt, Freud, que diz baseado no seu professor: “In the first place, the totem is the common ancestor of the clan; at the same time it is their guardian spirit and helper, which sends them oracles and, if dangerous to others, recognises and spares its own children”[1]. Mas, um totem é também a forma de organizar as relações individuais das pessoas, definir o conceito polinésio de proibição ou tapu ou tabu, pelo que Wundt, Frazer, Durkheim e Freud, salientam uma segunda parte: “It is as a rule an animal (whether edible and harmless or dangerous and feared) and more rarely a plant or a natural phenomenon (such as rain or water), which stands in a peculiar relation to the whole clan”.[2] No entanto, Freud salienta, no Capítulo 4 da sua obra, que denomina “The return of totemism in chilhood” o agir da infância perante a ideia totémica, essa história à qual vou retornar, a de Jesus e Moisés, porque é importante para entender as diferentes formas de ver o real entre adulto e criança. Vejamos. Para um adulto, o totem organiza a interacção; para uma criança, diz Freud ao analisar o caso do pequeno europeu Hans e do pequeno australiano Arpád, que os dois amam aos seus pais e sentem o orgulho de serem pessoas com uma certa reputação pelo lugar que ocupam na hierarquia[3] e as felonias causadas na base dessesfactos relacionados com as hierarquias que usufruem, de modo que aprendem – e esse é outro papel do totem, o transferir o saber e as regras de comportamento em sociedade – o respeito aos artefactos e comportamentos associados aos ancestrais, especialmente as duas proibições principais: nunca matar o totem – directamente ou relações em relações analógicas, e aprender as relações de exogamia, analisadas em outra lição deste texto.

 

 

 



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Quarta-feira, 15 de Junho de 2011
LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - XIII, por Raúl Iturra

 

 

 

 

(Continuação) 

 

 

  O comentário de Vitz é suficientemente explícito e provado, para apoiar a minha tese da análise terapêutica e procurar a unidade que Durkheim definia entre o grupo social. Era impossível que um intelectual, sem conhecer a teoria religiosa, pudesse criar uma análise sobre o tabu a partir, apenas, da teoria dos australianos. O que procura Freud é elucidar a mente ocidental e a das crianças, enquanto analisa comportamentos à luz do seu próprio saber da sua própria cultura. Os textos que trabalham esta temática estão fundamentados em formas bíblicas e patrísticas de Pater famílias, como mostrei no Capítulo 2.É possível advertir que a maior parte das análises terapêuticas estão baseadas em temas bíblicos que governam a nossa vida. Como o autor faz ao construir uma tábua analítica das definições Freudianas e das dos Evangelhos, como faz Françoise Dolto na sua obra, já referida.

 

Table 5-1. Jesus as the Anti-Oedipus: A Summary of the Ways in Which

 

The Life of Jesus is the Negation of the Life of Freud’s Oedipal Man

 

http://www.paulvitz.com/FreudsXtnUncon/169.html

 

Oedipal Man: The old man

(from Freud)

 

Jesus: The new man

 

(from Gospels)


 

1. 

The son hates the father.

2. 

The son shows radical disobedience to the father.

3. 

The son wants sexual possession of the mother (or all women of the group)

4. 

Radical disobedience results in death of the father, in fantasy or supposedly in fact in the ancient past.

 

1. The Son loves the Father.

2. The Son shows radical obedience to the Father.

3. The Son renounces sexual possession of all women.

4. Radical obedience results in death of the Son

 

 

 

 

 

 

 

5. 

Death of the father is caused by the son or by a band of brothers (sons) who hate the father.

5. 

Death of the Son is caused by a band of brothers who hate the Son.

6. 

Death of the father is followed by failed resurrection in the form of a created father-totem, by emotions of guilt and remorse, and by permanent separation and estrangement of father and son.

6. 

Death of the Son is followed by resurrection of the Son, by the emotions of joy and happiness, and by the complete reunion and identity of Father and Son.

7. 

Death of the father leads to the son’s identification with the father, now incorporated as superego, or to the band of brothers’ identification with the father-totem.

7. 

Resurrection leads to the sons’ identification with the Son, who is the center of morality and of ideals (a new Superego); the new band of brothers identifies with the “totem” Son.

8. 

The old sons identify with the father in a totemic meal in which the father is eaten

8. 

The new sons (or band of Christians) identify with the Son in a “totemic” meal in which the Son is eaten.

9. 

The new band, feeling guilt partly from their sexual motives, renounces the women and creates the rule of outmarriage (exogamy). Thus, the women take the name of some other group’s father.

9. 

The new band of sons and daughters takes the name of the Son (Christians); the women are not excluded from the “tribe,” but take the same name.

10. 

In short: Hatred and disobedience leading to death of the father bring original sin.

10. 

In short: Love and obedience leading to death of the Son bring redemption.

 

 

 

Se lembrarmos páginas anteriores, vamos recordar o debate Freudiano-Kleiniano, com um Bion no meio a opinar de forma sabida e muito real sobre a dinâmica da mente. O debate mencionado é de especialistas esotéricos na ciência da felicidade ou da sua procura e qual seria o motivo da dinâmica de procura da libido definida por mim em páginas anteriores. É um debate de culpa, a definir a crueldade dos mais novos que ainda não entendem a circulação do mundo, apenas as ordens e normas entregues pelos adultos que, por sua vez, usam os seus textos sagrados, definidos à Durkheim: seres humanos a viverem em grupos de objectivo comum, como se fosse uma Igreja. E, no entanto, até Melanie Klein tem um olhar clínico cristão na definição da sua hipótese principal sobre a teoria das pulsoes e a angústia da morte, como dinâmica do comportamento, exposta no texto mencionado sobre Inveja e Gratidão de 1957: "Her later theories on constitutional envy, the primary importance of the mother, and reparation bear close parallels to the doctrines of original sin, the Immaculate Conception, and Christian atonement"[1]. De facto, analisa a relação do bebé, com o seio materno e a mãe, como gratificante, criadora da vida e isolada de qualquer outra relação. “O bebé não deseja apenas alimento, deseja ver-se livre de ansiedades persecutórias e impulsos destrutivos. O sentimento é da mãe ser omnipotente...Um dos principais derivados da capacidade de amar é o sentimento de gratidão.....gratidão ligada à generosidade...à bondade...ao desejo de retribuir com amor...”[2]. Análise retirada não apenas dos autores clínicos citados, como Abraham, Freud, Winnicot, mas principalmente de Chaucer e o seu texto Canterbury Tales, Milton, a Bíblia Luterana, entre outros[3]. A mãe, o seio e o bebé, são uma análise sem outro interveniente que cause inveja...e no texto não há. O Cristianismo Kleiniano é usado para entender o crescimento dos bebés isolados dos pais: apenas o alimento e o carinho reciprocado a quem o dá.

 

 



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António Marques

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