Domingo, 10 de Abril de 2011
Consulta sobre a independência da Catalunha - Barcelona decide

 

“Está de acordo em que a Nação Catalã seja um Estado de Direito independente, democrático e social, integrado na União Europeia?”


Esta é a pergunta à qual os habitantes de Barcelona foram convidados a responder.


Barcelona Decideix é uma iniciativa de cidadania – convocada, organizada e financiada por cidadãos catalães – com vista à organização na cidade de Barcelona dum referendo sobre a independência da Catalunha, no dia 10 de Abril de 2011, culminando uma série de consultas similares organizadas em diferentes municípios e iniciadas com o referendo à população de Arenys de Munt, em Setembro de 2009.


Na consulta de Arenys de Munts votaram cerca de 40% dos habitantes com direito a participar, dos quais mais de 96% a favor da independência da Catalunha. Embora não vinculativo, o referendo foi importante. Por um lado, porque a lei espanhola não reconhece o direito à autodeterminação da Catalunha e, por outro lado, porque foi a primeira vez que milhares de catalães puderam depositar em urna o seu voto e assim exprimirem livremente a sua opinião sobre a independência do seu país.


Após o referendo de Arenys de Munts, constituiram-se em muitas outras localidades plataformas cívicas com vista à organização de consultas similares.

 

Desde então, realizaram-se referendos em mais de 500 municípios, envolvendo mais de 3 milhões de cidadãos e uma participação de 20% (cerca de 620 mil eleitores).  A favor da independência votaram 93% (mais de 570 mil votos), contra 5% e em branco 2%.

 

Estes referendos, completamente organizados por voluntários, embora juridicamente não vinculativos, pretendem constituir um primeiro passo na pretensão de realização dum referendo nacional para toda a Catalunha e que conte com o apoio oficial do Parlamento catalão.


Como capital da Catalunha, pela sua dimensão e projecção, Barcelona terá uma importância significativa neste processo. E vota a 10 de Abril de 2011. Barcelona decide.

 

Barcelona Decideix é um movimento de cidadãos e associações cívicas, democrático e apartidário, constituído com vista à organização da consulta de 10 de Abril e que se compromete em realizar o referendo de forma rigorosa, neutral e com respeito por todas as opções. (ver diptíco em catalão , em castelhano , em inglês)

 

Barcelona Decideix


Podem votar todos os residentes de Barcelona, maiores de 16 anos. A votação tem lugar a 10 de Abril, mas para facilitar a participação foi possível o voto antecipado.


Votem “Sim”, votem “Não” ou votem em Branco, Barcelona Decideix apela à participação de todos.

 

Don't Vote (No votis) - Catalan with English subs from Belisarius on Vimeo.

 

 

O Parlamento da Catalunha aprova moção a favor da consulta popular


Em 23 de Março de 2011, o Parlamento catalão aprovou uma moção que, apresentada pelo grupo Solidariedade Catalã para a Independência (SI) e que obteve os votos favoráveis de Convergência e União (CiU), da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e da Iniciativa pela Catalunha-Verdes (ICV-EuiA),

 

considera “o direito de autodeterminação dos povos como um direito irrenunciável do povo catalão”, o Parlamento “como sede de soberania do povo da Catalunha” e defende o direito da sociedade catalã a expressar-se livremente através de consultas aos cidadãos a quem agradece a participação.



publicado por Pedro Godinho às 00:01
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Sexta-feira, 11 de Março de 2011
Letras catalãs - apresentação do nº 2 da revista Capicua

         

 

 

 

A Associação Cultural CatalunyApresenta e a Casa da Achada/Centro Mário Dionísio têm o prazer de o(a) convidar para o lançamento da revista Capicua nº2, uma ponte entre as letras catalãs e portuguesas, que decorrerá na sexta-feira, 11 de Março de 2011, pelas 18h30 horas na Casa da Achada/Centro Mário Dionísio, em Lisboa.  

 

A sessão contará com intervenções da poeta, crítica literária e ensaísta Ana Marques Gastão, do crítico literário Ricardo Marques e do tradutor Àlex Tarradellas. Será projectado um pequeno filme sobre Manuel de Pedrolo e seguir-se-ão leituras em catalão e em português que ficarão a cargo dos membros da CatalunyApresenta. No final da sessão faremos um brinde à literatura com champanhe da Catalunha (Cava Berdié).

 

Casa da Achada/Centro Mário Dionísio

Rua da Achada, 11, R/C, Lisboa

 

Mais informações em

www.catalunyapresenta.org
catalunyapresenta.blogspot.com
facebook/Catalunyapresenta 

 

 

 

 



publicado por Pedro Godinho às 15:30
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Domingo, 6 de Março de 2011
Uma entrevista com Fèlix Cucurull – por Carlos Loures

Uma entrevista com Fèlix Cucurull – por Carlos Loures

 

 

Num suplemento de O Templário, um jornal de Tomar, suplemento criado por um grupo de jovens entre os quais além de mim, se contava o nosso Manuel Simões, e a que chamámos significativamente Labareda, publiquei uma série de entrevistas – uma delas com o maestro Fernando Lopes Graça, natural de Tomar, a qual foi transcrita em numerosos jornais e revistas. Antes dessa, uma outra que também teve bastante repercussão foi a que fiz a Fèlix Cucurull em Dezembro de 1963. Como já aqui tenho dito, na primeira metade dos anos 60, travei amizade com o escritor catalão Fèlix Cucurull que estava em Portugal com uma bolsa da Gulbenkian para fazer um estudo sobre o "homem português e o trabalho".

 

Não vou reproduzir aqui a entrevista e apenas referirei um aspecto – aquele em que Fèlix Cucurull analisava o estado da Cultura e do Ensino nos dois países -  Portugal e Catalunha. E dizia:

 

«Nota-se, antes de mais nada, que a língua catalã, veículo normal de expressão entre os catalães, actualmente não está autorizada nas escolas. Isto, pedagogicamente, causa graves dificuldades. No resto, acho que tanto no meu país como em Portugal, o sistema de Ensino é bastante defeituoso; mas, pelo que estou a observar enquanto percorro as terras portuguesas, aqui o Ensino oficial conta actualmente com maior número de instalações. E se o nível médio de cultura das massas populares é, neste momento, ligeiramente mais alto na Catalunha, deve-se ao esforço individual – um esforço que custa muitos sacrifícios – e de entidades não oficiais. Contudo, noto uma inquietude entre a juventude portuguesa que, muito cedo, pode levar a um total nivelamento entre as massas dos dois países.»

 

Cucurull referia-se a um fenómeno que aqui relatei num texto a que chamei «serões da província» - as reuniões sociais dos oposicionistas, onde se ouvia música, se bebia, e trocava impressões sobre os livros que saíam e, muitas vezes, eram proibidos. Sobre os movimentos estudantis, sobre as prisões, sobre a Guerra Colonial… Nestas reuniões circulavam muitos boatos, mas era a forma que tínhamos de contrapor à omnipresente propaganda do Estado, a nossa propaganda.

 

Com Cucurull, tinha feito uma espécie de digressão por todo o País, apresentando-o a amigos nesses tais serões. E o Fèlix dizia-me da surpresa que lhe causava este fenómeno, esta forma de resistência. Há um livro do nosso Hélder Costa que salienta, com humor e argúcia, o quanto nos divertíamos nessa época - «O Saudoso Tempo do Fascismo» - aliás, cedeu ao Estrolabio os direitos de reprodução, pelo que não adiantarei mais nada sobre esta obra que em breve todos os que ainda a não conhecem poderão ler aqui.

 

 

Panfletos eram trocados, dava-se dinheiro para diversas causas. Era uma forma de resistir e de contrariar a «informação» que nos era imposta. Informação de que os múltiplos suplementos literários que existiam por todo o país (uma espécie de blogues) veiculavam  na medida do possível, tentando - e conseguindo, por vezes - ludibriar a Censura.Nesta entrevista, Fèlix Cucurull, aludia a esse fenómeno - «os suplementos literários portugueses, acho que em geral, superam as secções literárias da minha terra, no facto de dar uma mais completa informação e as suas secções de crítica costumam estar a cargo de penas muito solventes».

 

 

 



publicado por Carlos Loures às 12:00
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Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011
El Parlament de Catalunya haurà de debatre la proposició de Llei de Proclamació de la Independència

Aquest espai està dedicat a tots els amics d'Estrolabio i, de manera molt especial, als qui segueixen el nostre bloc des de les terres de parla catalana. Aquí parlarem de cultura lusòfona i de cultura catalana, i de les qüestions i els problemes que ens afecten als uns i els altres.

 

 

Recentment la mesa del Parlament de Catalunya ha admès a tràmit la proposició de Llei de declaració d'independència de Catalunya, presentada per Solidaritat Catalana per la Independència.

 

Malgrat que els grups majoritaris a la cambra estan en contra de la proposta o bé no hi votaran a favor, i, per tant, la proposició de Llei no s'aprovarà, per primera vegada la posibilitat de declaración unilateral d'independència haurà de ser debatuda per la cambra legislativa catalana. Naturalmente, hi haurà maniobres per impedir que s'arribi a aquest debat, i les forces nacionalistes espanyoles blasmaran la iniciativa, probablement, fins a l'insult. Però en si mateix, aquest fet és rellevant i té un valor històric perquè marca un punt d'inflexió en l'enfrontament i la situació d'incompatibilitat a què ens ha portat la manca de visió política de l'Estat espanyol i de les seves conviccions federalistes o de respecte democràtic a la diversitat.

 

Per això, oferim aquí als lectors d'Estrolabio un extracte de la Proposició de Llei de Declaració d'Independència de Catalunya.

 

Josep A. Vidal


 

Proposició de Llei de declaració d'independència de Catalunya

 

 

ANTECEDENTS


Estableix l’article 1.2 de la Carta de l’Organització de les Nacions Unides, que els propòsits de les Nacions Unides són “Fomentar entre les nacions relacions d’amistat basades en el respecte en el principi de la igualtat de drets i el de la lliure determinació dels pobles”. A l’article 55 diu: “Amb el propòsit de crear les condicions d’estabilitat i benestar necessàries per les relacions pacífiques i amistoses entre les nacions, basades en el respecte al principi de la igualtat de drets i el de la lliure determinació dels pobles, l’organització promourà:


a) Nivells de vida més elevats, treball permanent per a tothom i condicions de progrés i desenvolupament econòmic i social;


b) La solució de problemes internacionals de caràcter econòmic, social i sanitari, i d’altres problemes relacionats; i la cooperació internacional en l’ordre cultural i educatiu; i


c) El respecte universal als drets humans i les llibertats fonamentals de tothom, sense distinció per motius de raça, sexe, idioma o religió, i l’efectivitat de tals drets i llibertats

 

De manera reiterada, el Parlament de Catalunya ha aprovat resolucions sobre el dret d’autodeterminació de Catalunya, exercint així competència en aquesta matèria, que ha assumit com a pròpia. [...]

 

Finalment, cal tenir present la Sentència del Tribunal Penal Internacional referent a Kosovo, on per primera vegada es reconeix que la Declaració Unilateral d’Independència s’ajusta a la legalitat internacional.

 

 

EXPOSICIÓ DE MOTIUS

 

 

La pertinença de Catalunya a l’Estat espanyol ha portat la Nació catalana a una profunda crisi moral, cultural, econòmica, institucional i d’identitat.

 

L’agressió que ha significat la sentència del Tribunal Constitucional espanyol sobre l’Estatut ha confirmat que l’autonomisme condemna el país a l’extinció i que la relació amb Espanya no és fruit d’un pacte entre iguals sinó d’una situació de dominació. Després de més de trenta anys de règim constitucional espanyol, una majoria de la societat catalana ja expressa inequívocament la seva voluntat de superar el sistema autonòmic i constituir un Estat català al si de la Unió Europea.

 

La independència de Catalunya és l’única alternativa viable per a la continuïtat del projecte nacional català i per garantir el benestar dels catalans i les catalanes, davant d’una Espanya pètria decidida, com sempre, a uniformitzar les nacions no espanyoles i assimilar-les, i en la qual qualsevol temptativa federal, de recuperació estatutària, o de concert econòmic, tenint en compte la impossibilitat de reformar la Constitució, representa una fantasia irrealitzable, una aventura irresponsable perquè depèn de la voluntat dels espanyols. Només la independència és assolible, perquè només la independència depèn exclusivament de la voluntat majoritària del poble català.

 

La sentència del Tribunal Constitucional culmina la reducció de Catalunya a una comunitat autònoma de règim comú. El procés va començar amb el Cop d'Estat del 23 de febrer de 1981 i ha frustrat les esperances posades en el restabliment de la Generalitat abolida el 1714 i el retorn del seu President a l’exili des de 1939.

 

La modificació unilateral de l'Estatut aprovat pel poble català en referèndum fa impossible restablir-lo amb cap altra llei, ni cap altra mesura. Només queda la submissió a l’acte de força espanyol i resignar-se a ser una mera regió espanyola, o acollir-se a la legalitat internacional per proclamar la independència.

 

La reducció de Catalunya al règim autonòmic general s'ha aplicat, sobretot, en el finançament de la Generalitat i la manca de despesa pública estatal a Catalunya. Aquest fet ha provocat un dèficit crònic insostenible a la balança fiscal entre Catalunya i l'Estat Espanyol, més del 10% del PIB anual, uns 22.000 milions d’euros (3.000 euros per català i any que se’n van a Espanya i no tornen a Catalunya).

 

A causa d’aquest dèficit la crisi catalana és la més greu dels països industrials d’Europa. A 30 de juny de 2010 hi havia 676.000 aturats al nostre país, un 17,71% de la població activa. La mitjana d'atur dels països de la zona euro era del 10%; el País Basc, que no pateix l’espoli gràcies al Concert Econòmic, tenia una taxa del 10,4%. Sense espoli fiscal, a Catalunya hi hauria 280.000 aturats menys.

 

Catalunya no sortirà de la crisi econòmica fins que no esdevingui un Estat de la Unió Europea. [...]

 

Des de 1978 ha continuat la minorització de la llengua i la cultura catalana perquè Espanya no reconeix la territorialitat de la llengua i cultura catalana.

 

La Constitució espanyola tracta els catalans com a minoria lingüística dins el seu propi país. Només la immersió lingüística a les escoles aplicava el principi de la territorialitat, però aquesta mesura ja ha estat invalidada per les sentències del Tribunal Suprem espanyol que ordenen la reintroducció de la llengua castellana en tot l’ensenyament.

 

La llengua i la cultura catalana es troben en una situació límit que no garanteix la seva supervivència. Només un Estat propi pot invertir la tendència a la minorització a què ens aboca la dependència.

 

Tot altre projecte que no sigui la proclamació unilateral de la independència és inviable i generarà impotència i frustració. Només la proclamació d’independència és viable perquè significa construir una nova legalitat amb el vot de 68 diputats catalans i ha estat avalada per la Cort Internacional de Justícia de l’ONU.

 

El poble català ja ha reaccionat front als poders espanyols que busquen enterrar la seva voluntat d’existir, i ja s’ha pronunciat en les consultes populars sobre la independència amb més de 500 comissions locals, més de 50.000 voluntaris i més de mig milió de vots per la independència, i amb l’espectacular manifestació de 10 de juliol de 2010 en la qual més d’un milió de ciutadans es rebel·laven contra la decisió del Tribunal Constitucional tot reclamant la independència.

 

 

PROPOSICIÓ DE LLEI


 

Article 1.

 

Catalunya és una Nació.

 

Article 2.

 

El poble de Catalunya és l’únic titular de la sobirania nacional.

 

Article 3.

 

El Parlament de Catalunya és el representant democràticament elegit del poble de Catalunya.

 

Article 4.

 

El poble de Catalunya no renuncia ni ha renunciat mai al dret a l’autodeterminació, a determinar lliurement el seu futur com a poble en pau, democràcia i solidaritat.

 

Article 5.

 

El Parlament de Catalunya es ratifica en la voluntat d’emprar tots els instruments jurídics vigents i polítics necessaris per tal que el poble de Catalunya pugui exercir el dret a determinar lliurement el seu futur.

 

Article 6.

 

La sobirania nacional del poble de Catalunya és el fonament del futur Estat sobirà i independent de la Nació catalana.

 

Article 7.

 

La decisió de declarar la independència li correspon al poble de Catalunya com a titular de la sobirania nacional, i al Parlament de Catalunya com a representant seu democràticament elegit.

 

Article 8.

 

Per mitjà d’aquesta Llei es faculta al Govern de la Generalitat a negociar el reconeixement internacional de la declaració d’independència.

 

Article 9.

 

En el termini de tres mesos a partir de l’aprovació de la present Llei es constituirà l’Assemblea de Representants de la Nació Catalana, que treballarà perquè sigui declarada la independència al conjunt dels Països Catalans.

 

Article 10.

 

La declaració d’independència serà efectiva:

 

- Quan sigui aprovada la present Llei procedimental de declaració d’independència.

 

- Quan sigui negociada amb la comunitat internacional la forma i el moment de la declaració d’independència.

 

- Quan sigui declarada per una majoria absoluta de diputats en sessió solemne del Parlament de Catalunya convocada a tal efecte.

 

Disposició transitòria

 

La declaració d’independència es farà en la present legislatura quan es compleixi allò que disposa l’article 10 de la present Llei.

 

 

Palau del Parlament, 2 de febrer de 2011

 

Alfons López i Tena

Representant del Subgrup de Solidaritat Catalana per la Independència



publicado por Josep Anton Vidal às 10:00
editado por Luis Moreira em 13/02/2011 às 23:53
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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011
Una Mentalitat Hipercentralista por Josep A. Vidal

 

Aquest espai, dedicat a tots els amics d'Estrolabio i, de manera molt especial, als que segueixen el nostre bloc des de les terres de parla catalana. Aquí parlarem de cultura lusòfona i de cultura catalana, i de les qüestions i els problemes que ens afecten als uns i als altres.

 

 

Sí, no tinc més remei que tornar una altra vegada a allò que ja he comentat en articles anteriors. De fet, el discurs del nacionalisme espanyol i del context sociopolític que l'alimenta, és de tal manera que podria haver triat algun article publicat fa dècades i serviria igual amb algun retoc conjuntural.

 

Breument: a l'empara de la crisi econòmica i de la necessitat de reajustar els pressupostos a la baixa i amb sensibles retalls, a Espanya s'ha encetat una via crítica envers les despeses que comporta l'Administració d'un Estat descentralitzat. I és lògic que aquesta revisió crítica es faci, com s'hauria de fer també -atès el context de crisi- als països amb una concepció centralista o amb una organització federal.

 

Però, a Espanya, que té una administració força descentralitzada, organitzada en Comunitats Autònomes, hi perviu una mentalitat hipercentralista, que s'autoreconeix en una simbologia -una fantasmagoria, hauríem de dir- castellana i que participa encara de la mateixa mitologia que es va gestar al llarg del XIX i que va servir de fonament al discurs nacionalista espanyol del franquisme. Això fa que en el que hauria de ser una revisió crítica dels pressupostos i dels costos de l'Administració estatal, l'Estat quedi al marge de l'anàlisi i que, de manera fàcil i acrítica, tots els mals s'atribueixin a la descentralització i a l'Estat de les Autonomies.

 

Per les mateixes raons adduïdes i d'altres de naturalesa clarament patològica, un cop el mal ha estat atribuït a les autonomies, el debat polític necessita personalitzar l'enemic, donar-li rostre i nom, perquè l'existència d'un enemic individualitzat fa innecessari qualsevol altra anàlisi. I, com de costum, l'enemic a vèncer torna a ser Catalunya.

 

Mentre el govern espanyol prepara les seves estratègies per recuperar, amb el pretext de la crisi, parcel·les de poder que havien estat traspassades a les Comunitats Autònomes, el Partido Popular posa la mirada una vegada més en Catalunya i atia el foc de l'anticatalanisme, exacerbant l'exaltació del nacionalisme espanyol i presentant-se com a redemptor de tots els mals.

 

En aquest context, els populars, que confien cegament en recuperar el govern de l'Estat en les pròximes eleccions i que fins i tot somien amb la majoria absoluta, han donat tribuna una vegada més a l'ex president José María Aznar. I aquest, convertit en adalid i portantveu de la caverna espanyolista, ha bramat que cal tornar al 1978 (al moment immediatament anterior a la Constitució espanyola) i redissenyar el camí. És a dir, tornar al postfranquisme original i evitar de cometre novament l'error de la descentralització de l'Estat: el PP ha brandat -ja clarament i de manera desvergonyida- la bandera i la torxa de l'Espanya única.

 

Sembla mentida que una persona de la migradesa intel·lectual que exhibeixen les argumentacions de José María Aznar pugui servir com a bandera d'un partit que aspira a governar un país modern. Però al capdavall José María Aznar no s'allunya gaire de la talla d'altres personatges que mouen els fils de la política europea des del govern d'altres països. Hi ha una patologia europea que ens hauria de preocupar fermament.

 

Des de l'obscurantisme del nacionalisme espanyol excloent, Aznar i els altres dirigents del Partido Popular han desqualificat, amb to d'ironia, l'ús de les llengües de l'Estat –el català, el gallec i l'euskera- al Senat espanyol, que, per primera vegada després de més de trenta anys de democràcia, ha acceptat de trencar l'exclusivitat del castellà. I s'han permès fer-ho amb virulència, menysteniment i irionia. No hi fa res que els parlamentaris del PP a Catalunya es permetin d'utilitzar el castellà al Parlament català sense haver de demanar permís a ningú; no els cal cap coherència: protesten i diuen exabruptes irracionals quan s'utilitzen el català, l'euskera i el gallec al Senat. I dic "exabruptes irracionals" perquè no vull ser groller. Perquè han dit animalades polítiques i disbarats culturals de tanta alçada, que qualsevol ciutadà d'un país democràtic hauria de sentir vergonya d'estar representat per polítics d'aquest nivell i d'aquest perfil. Si més no, en un país que, en lloc de practicar l'autoodi, hagués après a estimar-se ell mateix, a reconèixer en la pluralitat, i fos capaç de transmetre aquest mateix sentiment a les noves generacions.

 

Naturalment, no tot han estat exabruptes. També hi ha hagut intents de disfressar l'animadversió amb "arguments" polítics i de racionalitat. Així, el president del PP i candidat a la presidència del Govern, Mariano Rajoy, ha blasmat la despesa que suposa haver d'utilitzar un servei de traducció simultània al Senat espanyol en un temps de crisi. Es veu que utilitzar de tant en tant aquest servei genera a l'Estat una despesa insuportable. El mateix José María Aznar, amb el seu estil histriònic i fatxenda habitual, ha reblat el clau dient que Espanya no està per a bromes ni per a bajanades com la d'haver d'utilitzar auriculars (ell ha emprat el mot "pinganillos") al Senat.

 

Naturalment, el fet que José María Aznar –segons han informat els mitjans de comunicació recentment cobri 80.000 euros anuals i vitalicis –com els cobra també Felipe González– pel fet d'haver estat president del Govern i per dedicar-se a posar l'Estat espanyol en ridícul allà on va, i que alhora cobri 600.000 euros d'una potent empresa editorial per tres llibres que fan vergonya de llegir, o que cobri 30.000 euros per cada conferència per exposar idees arnades i perillosament demagògiques, i que a més hagi estat contractat per ENDESA com a assessor –és a dir, per no fer res– amb un sou de 200.000 euros anuals, a part d'ostentar altres assessories i beneficis –Felipe Gonzáles en cobra 126 000 com a assessor de Gas Natural–, això sí que deuen ser diners ben gastats i una exhibició d'austeritat i prudència econòmica en un context de crisi! De segur que els ciutadans li agraeixen serveis tan útils i tan desinteressats!

 

Però, és clar, gastar 60.000 euros l'any perquè les llengües oficials de l'Estat espanyol comparteixin un 0,00001 de l'espai que el castellà controla en exclusiva i amb prepotència excloent és una despesa que l'Estat no es pot permetre.

 

La campanya centralitzadora s'ha començat, i serà l'eix vertebral de bona part del discurs polític dels pròxims mesos o dels pròxims anys.

 

I encara bo, si fos un discurs polític, perquè l'intercanvi democràtic d'idees i d'argumentacions no ha de molestar ningú. Però, no ens enganyem, serà tota una altra cosa. El desvergonyiment centralista del PP i de l'espanyolisme cavernari ja ho han anunciat.

 

I el pregoner que han triat és el pitjor presagi.

 

Josep A. Vidal



publicado por Josep Anton Vidal às 09:00
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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011
Joan Maragall i l'iberisme. L'"Himne ibèric" (1906)

 

 

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El professor de literatura catalana de la Universitat Autònoma de Barcelona,  Víctor Martínez-Gil, en un article titulat "Portugal i el Minotaure en una possible 'imagologia' catalana" (http://iberistas.com/foro/l-iberisme-en-la-cultura-catalana-t2316.html) fa un repàs a la trajectòria de l'iberisme a Catalunya, tot fent atenció especialment a les relacions seculars entre Catalunya i Portugal. "Les relacions entre Catalunya i Portugal –diu Martínez-Gil– són fruit de l'existència d'un marc hispànic comú que ha determinat tant els seus contactes efectius com el paper que cada societat juga en l'imaginari de l'altra. A diferència de Castella, però, Catalunya i Portugal han entès tradicionalment la Península com un àmbit cultural i polític dins del qual conviuen corones, regnes, nacions i cultures diferents. El sentiment de 'connexió espiritual hispànica', com el qualifica Ferran Soldevila, ha estat significatiu per a tots dos països, però no pas motiu de dissolució, ni exigència absoluta de lligams, ni fre als diferents desplegaments culturals, polítics, territorials i econòmics de cada poble."

 

 

 



publicado por Josep Anton Vidal às 10:00
editado por Luis Moreira às 12:00
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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010
Quatre Barres - Direcció de Josep Anton Vidal
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La Constitució espanyola


La Constitució</personname> espanyola compleix ja trenta-dos anys. Potser són pocs anys per a un text legal cridat a esdevenir el marc de totes les lleis, però són molts anys, massa anys si tenim en compte els canvis en profunditat que s'han produït en aquest període en la societat espanyola i al món en general. Per això, la Constitució espanyola s'ha convertit, en aquests trenta-dos anys, en una mòmia venerable.
Val a dir que hauria resistit més bé el pas dels anys si hagués nascut amb una mica més de vitalitat, però va néixer lleugerament anèmica.
La dictadura va deixar el país en una situació difícil. Segons les paraules del dictador, tot quedava "lligat i ben lligat". El guió del postfranquisme havia estat dissenyat abans de la mort del dictador: la consolidació del Movimiento –la macroorganització del règim franquista per al control del país–, la instauració monàrquica, la successió... També hi havia dissenyats, en el mateix període de la dictadura, altres guions paral·lels o alternatius: el del monarca, que sabia que si no s'encetava un procés democratitzador no hi havia futur per al seu regnat; el de l'oposició i de les forces antifranquistes; el de les nacions sotmeses a l'Estat espanyol, especialment els Països Catalans i el País Basc..., i encara d'altres. Però, el poder no havia canviat de mans, i el franquisme estava instal·lat en la vida social, en tots els estadis de l'Administració, en l'Exèrcit, en les grans estructures del capital...
La reivindicació democràtica va esclatar amb força. Repassar l'hemeroteca de l'època és reviure o descobrir una societat agitada i convulsa, que sabia que es jugava el futur en cada moviment, una societat amb l'ai al cor, valenta i atemorida alhora, que no acabava de creure's que fos possible la sortida del túnel, que la vida en democràcia no podia durar gaire, que els tentacles del règim podien tornar a escanyar. Hi ha prou fets luctuosos en aquella etapa com per creure que els temors i la incertesa no eren infundats.
En aquell clima es va pactar la Constitució espanyola. I per això va néixer esguerrada i impotent per a un desenvolupament democràtic que assumís les reivindacions plantejades per les diferents forces democràtiques, les aspiracions dels diferents territoris i la voluntat del poble espanyol de recuperar les regnes de la història després de sortir del túnel de la dictadura. Però, la situació va imposar cauteles, grans prudències... Calia apaivagar els ànims en un context socioeconòmic complicat, amb l'entrada en la Comunitat Europea com a objectiu... La Constitució espanyola va prendre forma en l'ambigüitat, en fórmules que podien significar una cosa o una altra segons la perspectiva des de la qual es llegís. Totes les forces polítiques sabien que calia tancar el text constitucional, com fos, i que tancant-lo amb l'ambigüitat amb què es tancava, caldria en el futur tornar a discutir-ho tot indefinidament.
Els qui aleshores no van fer costat a la Constitució, perquè consideraven que enterrava l'herència del franquisme, avui –ells o els seus hereus– han esdevingut els defensors de la Constitució a capa i espasa. Qualsevol suggeriment de revisió del text constitucional és considerat gairebé un sacrilegi. S'ha escampat, sobretot entre els partits nacionalistes espanyols, els partits espanyolistes de dretes i d'esquerres, un constitucionalisme ultraconservador que fa inviable qualsevol iniciativa que no s'adigui amb la Constitució i que abomina de qualsevol possibilitat o proposta de reforma constitcional.
Així, la Constitució espanyola ha envellit molt de pressa i és avui, amb els seus trenta-dos anys, una venerable anciana que necessita molt més que un lifting, molt més que tots els avenços de la cirurgia estètica, per poder mirar el futur amb l'eficàcia que li demana la complexitat real de l'Estat, és a dir, establint un marc de llibertats i una projecció de l'Estat en què càpiguen tots els ciutadans sense diferències, exclusions ni privilegis. Una Constitució deslliurada finalment de l'herència i les servituds que van condicionar el seu naixement ara fa trenta-dos anys.

La Constitución española, agotada

La Constitución española cumple ya treinta y dos años. Quizás son pocos para un texto legal llamado a convertirse en el marco de todas las leyes, pero son muchos años, demasiados años si tenemos en cuenta los cambios en profundidad que se han producido en este periodo en la sociedad española y en el mundo en general. Por ello, la Constitución española se ha convertido, en estos treinta y dos años, en una momia venerable.
Cabe decir que habría resistido mejor el paso de los años si hubiera nacido con algo más de vitalidad, pero nació ligeramente anémica.
La dictadura dejó al país en una situación difícil. Según las palabras del dictador, todo quedaba "atado y bien atado". El guión del posfranquismo había sido diseñado antes de la muerte del dictador: la consolidación del Movimiento -la macroorganización del régimen franquista para el control del país-, la instauración monárquica, la sucesión... También había diseñados, en el mismo período de la dictadura, otros guiones paralelos o alternativos: el del monarca, que sabía que si no se iniciaba un proceso democratizador no había futuro para su reinado; el de la oposición y de las fuerzas antifranquistas; el de las naciones sometidas o sin encaje eficaz en el Estado español, especialmente los Cataluña y el País Vasco ... Pero, el poder no había cambiado de manos, y el franquismo estaba instalado en la vida social, en todos los estamentos de la Administración, en el Ejército, en las grandes estructuras del capital ...
La reivindicación democrática estalló con fuerza. Repasar la hemeroteca de la época es revivir o descubrir una sociedad agitada y convulsa, que sabía que se jugaba el futuro en cada movimiento, una sociedad con el alma en vilo, valiente y atemorizada a la vez, que no acababa de creerse que fuera posible la salida del túnel, que creía que la vida en democracia era frágil y no podía durar mucho, que los tentáculos del régimen podían volver a estrangularla. Bastantes hechos luctuosos hay en aquella etapa como para creer que los temores y la incertidumbre eran infundados.
En aquel clima se pactó la Constitución española. Y por eso nació lisiada e impotente para un desarrollo democrático que asumiera las reivindicaciones planteadas por las diferentes fuerzas políticas democráticas, las aspiraciones de los diferentes territorios y la voluntad del pueblo español de recuperar las riendas de la historia después de salir del túnel de la dictadura . Pero la situación impuso cautelas, grandes prudencias ... Había que apaciguar los ánimos en un contexto socioeconómico complicado, con la entrada en la Comunidad Europea como objetivo... La Constitución española tomó forma en la ambigüedad, en fórmulas que podían significar una cosa u otra según la perspectiva desde la que se leyera. Todas las fuerzas políticas sabían que había que cerrar el texto constitucional como fuera, y que cerrándolo con la ambigüedad con que se cerraba, en el futuro habría que volver a discutirlo todo, una vez y otra, indefinidamente.
Quienes entonces no apoyaron la Constitución, porque consideraban que enterraba la herencia del franquismo, hoy –ellos mismos aún o sus herederos– se han convertido en los defensores a ultranza de la Constitución. Cualquier sugerencia de revisión del texto constitucional es considerado casi un sacrilegio. Se ha extendido, sobre todo entre los partidos nacionalistas españoles, en los partidos españolistas de derechas y de izquierdas, un constitucionalismo ultraconservador que hace inviable cualquier iniciativa que no se ajuste a la Constitución y que abomina de cualquier posibilidad o propuesta de reforma constitcional.
Así, la Constitución española ha envejecido muy rápido y es hoy, con sus treinta y dos años, una venerable anciana que necesita mucho más que un lifting, mucho más que todos los avances de la cirugía estética, para poder mirar el futuro con la eficacia que le pide la complejidad real del Estado, es decir, estableciendo un marco de libertades y una proyección del Estado en el que quepan todos los ciudadanos sin diferencias, exclusiones ni privilegios. Una Constitución liberada finalmente de la herencia y las servidumbres que condicionaron su nacimiento hace treinta y dos años.



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Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010
Quatre Barres - Direcció de Josep Anton Vidal
Aquest espai, dedicat a tots els amics d'Estrolabio i, de manera molt especial, als que segueixen el nostre bloc des de les terres de parla catalana. Aquí parlarem de cultura lusòfona i de cultura catalana, i de les qüestions i els problemes que ens afecten als uns i als altres.

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Eleccions parlamentàries a Catalunya

Josep Anton Vidal

Per llegir els resultats de les eleccions parlamentàries celebrades a Catalunya el passat diumenge dia 28 de novembre, cal tenir en compte alguns antecedents que, probablement, molts lectors portuguesos només coneixeran d’una manera vaga.

Des de la constitució de Catalunya com a Comunitat Autònoma, segons l’organització administrativa instituïda per la Constitució espanyola del postfranquisme, i fins al 2003, el govern de Catalunya va estar a les mans d’una federació de dos partits, Convergència de Catalunya i Unió Democràtica, que van concórrer a les successives convocatòries electorals amb el nom de Convergència i Unió (CiU). Malgrat que l’electorat ha assimilat la sigla que uneix els dos partits com a expressió d’un partit únic, els dos socis de la federació han procurat mantenir la seva identitat separada, sense arribar, però, a posar en perill una relació que els ha procurat el govern durant tants anys. El perfil de CiU es pot resumir dient que representen una opció de dretes democràtiques, amb una decantació més liberal per part de Convergència i més identificada amb la Democràcia Cristiana europea per part d’Unió; una opció nacionalista catalana, que ha procurat l’encaix en l’Estat espanyol, amb una més gran empatia de Convergència amb les opcions independentistes –sense que aquesta idea hagi estat mai recolzada per una majoria suficient de les seves bases i, per tant, sense que s’hagi convertit mai en un punt programàtic del Partit– i més clarament afí a les postures integracionistes per part d’Unió –que no acceptaria, però, haver de pagar el preu de la pèrdua identitària per aquesta integració en l’Estat espanyol–; i, finalment, i sense la pretensió de reduir a aquests tres trets el perfil de la formació, cal dir que presenten un programa polític de modernització del país des de postulats neoliberals i europeistes, i que defensen una acció política basada en el tactisme, el possibilisme i el pacte. L’un i l’altre consideren la llengua i la cultura com a trets identitaris irrenunciables.

Fins l’any 2003, el líder de CiU va ser Jordi Pujol, el fundador de Convergència de Catalunya.

L’any 2003, però, CiU va rebre el càstig d’una part del seu electorat per la connivència amb el govern del Partido Popular, que havia aconseguit instaurar en la presidència José María Aznar i la constitució del seu govern amb els vots de CiU. La guerra d’Iraq i la pèsima gestió dels esdeveniments més penosos de la gestió del Partido Popular, entre els quals cal comptar la catàstrofe del petrolier Prestige, la pèsima gestió de les infraestructures ferroviàries i energètiques, havien generat a Catalunya un desig de canvi que, a Catalunya, va coincidir amb la sensació que amb 23 anys de govern d’un mateix Partit i d’una mateixa persona ja n’hi havia prou. L’anunci de Jordi Pujol que, en cas que CiU hagués de formar govern novament ell no en seria el candidat, va influir en la campanya. Malgrat tot, CiU va ser la força més votada i el nou líder de la formació, Artur Mas, es va sentir, probablement, segur d’obtenir la presidència. Però, aquesta possibilitat es va esfondrar en a penes una nit, quan les tres forces d’esquerres que havien obtingut representació parlamentària –el Partit Socialista de Catalunya (PSC-PSOE), Esquerra Republicana (ERC) i Iniciativa i Unió (IU)– van decidir sumar els seus vots –cosa que els donava la majoria parlamentària–, pactar un programa de govern i fer president el líder socialista Pasqual Maragall.

CiU va viure l’experiència traumàtica de veure com, malgrat haver estat la força més votada, perdia la majoria parlamentària i es veia apartada del govern. I va iniciar així una travessia del desert com a força principal d’oposició parlamentària. A les properes eleccions, convocades anticipadament per Pasqual Maragall quan els tres partits que formaven el seu govern es van dividir en relació amb l’aprovació d’un nou Estatut d’Autonomia, l’any 2006, CiU va tornar a ser la força més votada. I novament la coalició tripartita, integrada per les mateixes forces, va fer-se amb la majoria parlamentària sumant els vots respectius, pactant un programa de govern i fent president el líder socialista, un català procedent de la immigració, l’andalús José Montilla, que havia estat alcalde de la ciutat de Cornellà de Llobretat, en la perifèria industrial de Barcelona, i ministre d’Indústria i Energia en el primer govern de José Luis Rodríguez Zapatero.

Després de 23 anys de govern de CiU, que van ser els primers de la naixent democràcia espanyola, la constitució d’un govern tripartit significava una novetat que no va ser fàcilment entesa per la població. Els partitis coaligats tenien l’obligació de complir el programa pactat, que recollia una part dels programes respectius, però que no satisfeia al cent per cent el programa de cap dels tres. Fins i tot, havien d’assumir que, en algun punt, l’acció de govern anés en contra dels punts que havien defensat durant la campanya electoral com a part del programa individual de cadascun, amb el descontentament consegüent del propi electorat. Això els duia sovint a marcar diferències com a partit respecte de les polítiques que estava aplicant el Govern de la Generalitat del qual formaven part. Es van generar així situacions difícils d’assimilar per la població i fàcilment criticables, com el fet que el Conseller (l’equivalent a un ministre) d’Interior, de qui depèn l’ordre públic i la policia que controla i vigila els aldarulls i les manifestacions, participés en manifestacions de protesta en les quals van arribar a exhibir-se gestos amenaçadors amb pistoles (de joguina, segons fonts del seu departament); o que un dels responsables de l’ordre públic participés estigués manifestant-se a Girona durant una vaga general, mentre a Barcelona es produïen avalots importants, el saqueig dels comerços al centre de la ciutat, i càrregues policials)... Aquesta ambigüitat de ser govern i oposició al govern, tot alhora, en una situació socioeconòmica de crisi prolongada, amb un creixement imparable de l’atur i una munió de problemes afegits, va generar en la població la sensació de desgovern, de vaixell a la deriva en un mar embravit i el convenciment, entre la població, que calia un govern fort, que ja n’hi havia prou de governs tripartits. I l’electorat va cercar en les files de l’oposició la seguretat i l’autoritat política que consideraven necessària per al país. I CiU, que havia estat sempre la força més votada, era ara el centre de totes les mirades.

El Partit Socialista de Catalunya, liderat per José Montilla, va voler aprofitar la descomposició del govern tripartit portant a la població la sensació que, deslliurat del pes dels dos partits que l’havien ajudat a construir la majoria, podria fer una política més ferma, més conforme al propi ideari, i capaç de treure el país de la crisi. Ara bé, la idea no va quallar, per la confluència de factors diversos: el descrèdit de la política que el PSOE està fent a Espanya, la pèsima gestió que el govern de Zapatero ha fet de la crisi, la desafecció dels catalans envers els partits espanyols, especialment després de la sentència del Tribunal Suprem contra l’Estatut de Catalunya. I, sobretot, la convicció, molt estesa entre l’electorat, que els tres partits que durant set anys havien format govern, i entre els quals hi havia també el PSC-PSOE, mereixien un càstig a les urnes.

Les eleccions celebrades el cap de setmana passat no han sorprès ningú, sinó és els qui pronosticaven una gran abstenció adduint l’argument del cansament de la població per la política. No ha estat així, i la participació ha estat superior a totes les expectatives, fins i tot les més optimistes. CiU s’ha fet amb la majoria parlamentària, a set punts de la majoria absoluta, i els tres partits que havien participat en els dos governs anteriors (PSC-PSOE, ERC i IU) han rebut el càstig dels electors, que han retirat la confiança especialment als dos primers, que reculen espectacularment, i han estat més indulgents amb IU.

L’altre tret significatiu dels resultats és l’entrada en el parlament d’un partit independentista, Solidaritat Catalana per la Independència, que ha conseguit quatre escons. Les forces polítiques de la dreta espanyolista i anticatalanista, que compten amb una base electoral força estable, mantenen la seva representació, amb un lleuger augment del PP, malgrat que, per la davallada dels altres grups, aconsegueixen una major importància relativa, que els situa com a tercera força parlamentària.

Per acabar aquest comentari, tres apunts: les decepcions electorals, l’ensurt de la jornada electoral i el ridícul més gran de la campanya. En el capítol de decepcions electorals, deixant de banda el fracàs estrepitós del PSC i d’ERC, el fet que Reagrupament, un dels partits independentistes que buscaven d’aconseguir de fer-se un lloc al Parlament, no ha conseguit representació. Pel que fa a l’ensurt, quan, amb el 50% dels vots escrutats es va difondre la notícia que obtindria tres escons Plataforma per Catalunya (PxC), un partit obertament xenòfob i feixista, la campanya del qual ha estat subvencionada per l’ultradreta austríaca i que ha basat exclusivament el seu programa en l’expulsió i l’exclusió dels immigrants. Finalment no va aconseguir representació parlamentària, gràcies, en part, al fet que el PP, que ha fet també campanya contra la immigració, ha conquerit una part dels votants potencials de PxC.

I finalment, el ridícul més gran de la campanya l’ha protagonitzat Ciutadans (C’s), un partit espanyolista que ha sembrat el secessionisme lingüístic, l’enfrontament entre els catalans en funció de la llengua, l’antagonisme català/castellà i ha mirat d’encendre un problema lingüístic fins ara inexistent a Catalunya. Els defensors de la llengua espanyola, que es proclamen també igualment defensors del català i del bilingüisme, que propugnen, a més, el trilingüisme proposant paritat entre castellà, català i anglès a l’escola, han editat un fullet de propanganda amb el seu programa polític en què barregen català i castellà i que està ple de faltes d’ortografia tant en una llengua com en l’altra. Naturalment, hi abunden molt més les faltes en català, que és la llengua que surt més mal parada de la ignorància lingüística d’aquest grup. L’error més gran consistia en el fet que el canvi d’una N per una M va fer que allà on havia de dir “contra els qui voleN (3a persona: ells) la independència” digués “contra els qui voleM (1a persona: nosaltres) la independència”. L’errada era tan perversa quant a l’ideari de Ciutadans, atès que els proclamava com a independentistes, quan el que volien era proclamar-se antiindependentistes, que van haver de repetir la impressió i la distribució del fullet. Però, com que són tan i tan intel•ligents i estan tan segurs dels seus recursos lingüístics, no van corregir cap de les faltes ortogràfiques, sintàctiques i lèxiques catalanes i castellanes que hi havia en el primer fullet i les van reproduït totes, amb l’excepció d’aquella més perversa que hem assenyalat, en la segona edició. Només això és suficient per desemmascarar la incoherència programàtica, política i de conviccions de C’s i la falsedat de l’exquisit respecte per les llengües de què presumeixen en totes les seves intervencions.


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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010
Quatre Barres - Direcció de Josep Anton Vidal
Aquest espai, dedicat a tots els amics d'Estrolabio i, de manera molt especial, als que segueixen el nostre bloc des de les terres de parla catalana. Aquí parlarem de cultura lusòfona i de cultura catalana, i de les qüestions i els problemes que ens afecten als uns i als altres.



Países Catalães


Hoje, o nosso espaço “Quatre Barres” é dedicado aos leitores de língua galego-portuguesa. A expressão «Países Catalães» não será compreensível para todos – então a Catalunha não é o único país onde se fala o idioma catalão?

– Não, não é.

Segundo dados de 2004, o catalão é falado por aproximadamente dez milhões de pessoas divididas por diversos territórios – os Países Catalães.

Apesar da unidade histórica, cultural e linguística que os une, cada um desses territórios possui uma realidade geopolítica específica.

A Catalunha (em catalão, Catalunya), é uma nação integrada no Estado espanhol, com capital em Barcelona. A língua catalã é aqui falada nas formas dialectais oriental e ocidental.


A Catalunha do Norte (Catalunya del Nord), integrada no Estado francês, com capital em Perpinhão. O idioma catalão é falado sob a forma dialectal setentrional, ou rosselhonesa. Oportunamente, e também em atenção aos leitores lusófonos, publicaremos uma resenha da história da Catalunha e explicaremos por que motivo esta secção se chama “Quatre Barres”.

Os Países Catalães (em catalão, Països Catalans) são um conjunto de territórios de língua e cultura catalã situados no lado ocidental do mar Mediterrâneo. A saber:

A Catalunha, acima referida. O País Valenciano (País Valencià), que alguns preferem designar pela  denominação da actual comunidade autónoma (Comunitat Valenciana), com capital em Valência e onde a língua catalã, que é chamada oficialmente valencià no territorio desta comunidade, é falada na forma dialectal ocidental. As Ilhas Baleares (Illes Balears), com capital em Palma de Maiorca, onde o catalão é falado nas difenrentes formas dialectais insulares. A Faixa de Poente (Franja de Ponent), cuja cidade mais importante é Fraga, onde a variante oriental da língua catalã é falada sob  a forma dialectal norte-ocidental. Andorra (Andorra), com capital em Andorra-a-Velha, único estado independente onde o catalão é língua oficial. Algueiro (l'Alguer), na Sardenha, integrada no Estado italiano, onde o idioma é falado numa forma dialectal própria. El Carxe, onde a língua catalã é falada no dialecto meridional, ou valenciano.

Numa próxima ocasião falaremos da língua, da história e da cultura da Catalunha e dos Países Catalães.


Países Catalanes



Avui, el nostre espai "Quatre Barres" està dedicat als lector de llengua galaicoportuguesa. L'expressió "Països Catalans" resultarà potser extranya per a molts, però el fet és que Catalunya no és l'únic país on es parla la llengua catalana. No, no ho és.

Segons dades del 2004, el català el parlen aproximadament deu milions de personas que habiten diferents territoris – els Països Catalans. Malgrat la unitat històrica, cultura i lingüística que els uneix, cadascun d'aquests territoris posseeix un realitat geopolítica específica.

Catalunya és una nació integrada en l'Estat espanyol, amb capital a Barcelona. La llengua catalana s'hi parla en les variants dialectals oriental i occidental. La Catalunya Nord, integrada en l'Estat francès, té la capital a Perpinyà. S'hi parla el català septentrional o rossellonès. Oportunament, i també en atenció als lectors lusòfons, publicarem una ressenya de la història de Catalunya i explicarem el motiu pel qual aquesta secció porta el nom de "Quatre Barres".

Els Països Catalans són un conjunt de territoris de llengua i cultura catalana situats al costat occidental del mar Mediterrani:

Catalunya, a la qual ens hem referit més amunt. El País Valencià, que alguns prefereixen anomenar amb la denominació de la actual comunitat autònoma (Comunitat Valenciana), amb capital a València, en el qual la llengua catalana, que hi rep oficialment el nom de valencià al territori d'aquesta comunitat, s'hi parla en la forma dialectal occidental. Les illes Balears, amb capital a Palma o Ciutat de Mallorca, on el català es parla en las diferents formes dialectals insulars. La Franja de Ponent, que té Fraga com a ciutat més important, on es parla la varietat occidental de la llengua catalana, en la subvarietat nord-occidental. Andorra, amb capital a Andorra la Vella, és l'únic Estat independent en què la llengua oficial és el català. A la ciutat de l'Alguer, a l'illa de Sardenya, integrada en l'Estat italià, s'hi parla una forma dialectal pròpia. A la comarca del Carxe, a la comunitat autònoma de Múrcia, s'hi parla el català occidental, en el subdialecte meridional o valencià.

Pròximament parlarem de la llengua, la història i la cultura de Catalunya i dels Països Catalans.


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Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010
Quatre Barres . direcció de Josep Anton Vidal
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Fèlix Cucurull foi uma daquelas vozes incómodas que, ao longo de todo o consulado franquista, nunca deixou de defender a cultura catalã  e de a tentar proteger da agressiva aculturação a que a ditadura submeteu as nacionalidades integradas no espaço geográfico do estado espanhol.

Os seus livros, muitos deles publicados em Portugal, foram sempre escritos em catalão. Em todo o caso, Cucurull nunca se eximiu de falar castelhano sempre que isso facilitava o contacto e  a aproximação, porque a sua luta não era contra a cultura castelhana - era contra a repressão exercida pelo governo fascista de Franco. E a partir dos anos 60, vindo com frequência a Portugal, mercê de uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, aprendeu português. Falava e escrevia na nossa língua e era, sobretudo, um excelente tradutor de português para catalão. A ele se deve a divulgação na Catalunha de grandes escritores portugueses.

Em 1975 foi lançado em Portugal o seu ensaio Dois Povos Ibéricos (Portugal e Catalunha), que em 1966 fora vencedor do prestigiado e prestigioso Prémio Josep Yxart. Da edição portuguesa (Assírio & Alvim, Cadernos Peninsulares, Lisboa, 1975) seleccionámos este texto complementar do ensaio. A tradução, revista pelo autor, foi de Carlos Loures. As notas finais são de Josep Anton Vidal.

«Os Lusíadas» em Catalão
Fèlix Cucurull
Toda a gente sabe como é arriscada a tentativa de traduzir poesia. Trata-se de um dos empreendimentos literários em que mais difícil se torna obter resultados satisfatórios. Por isso, tantas vezes se tem erguido a voz da prudência pedindo que os poetas apenas sejam traduzidos em prosa. Desta maneira, a traição fica atenuada pela renúncia expressa à fidelidade, Reduzir o verso a prosa é quase o mesmo que reproduzir uma pintura a preto e branco. Porém, os que têm razão talvez sejam os mais cautos, os mais escrupulosos; aqueles que afirmam que não se deveria sequer tentar traduzir a poesia. Mas, na impossibilidade de aprender todas as línguas, é preciso escolher entre a limitação dos nossos conhecimentos poéticos e o perigo de que nos seja dado gato por lebre. E, habituados a que nos dêem gato, é caso para se ficar deslumbrado quando, excepcionalmente, se encontra uma tradução à altura do texto original.
Na versão catalã de Os Lusíadas (Editorial Alpha, Barcelona, 1964), Guillem Colom e Miquel Dolç obtiveram uma perfeita equivalência entre os versos portugueses e os que eles criaram. E digo criaram, porque esta tradução é tão perfeita que não temo afirmar que Os Lusíadas foram, de certo modo, criados novamente.
Logo no início do Canto Primeiro nos surpreende encontrar na versão de Dolç e Colom o mesmo sentido e a mesma cadência do texto português. Tenhamos  em conta que, por outro lado, não recorreram à facilidade do verso livre. Os versos da tradução catalã são rimados, de acordo com os portugueses:
As armas e os Barões assinalados
Que, da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana (…)

em catalão ficou:

Les armes i els barons mês distingits
que, de l’extrema riba lusitana,
per uns mars de ningú mai no fendits,
passaren més enllà de Taprobana (...)
Os Lusíadas existem de novo. Agora noutra língua. Existem novamente, penso eu, tal como se Camões os teria escrito se se tivesse valido da língua catalã.
Vejamos, por exemplo, como fica resolvida poeticamente a estrofe em que se encontra o verso, tantas vezes citado, da «austera, apagada e vil tristeza»:
No cantis, Musa, més, que destrempada
tinc ja la lira amb enronquit accent,
i no del cant, sinó veient que errada,
canta una sorda i endurida gent.
El favor del qual més l’enginy s’agrada,
no el dóna, no, la pàtria, adherent
al gust d’ambició i a la rudesa
d’una austera, apagada i vil tristesa.

Foi Miquel Dolç quem redigiu o prefácio e as 1248 notas incluídas neste volume de Els lusíades. E, de facto, foi Miquel Dolç quem sustentou o principal peso na tradução. Tradução que já prevíamos excelente, dado o facto de os dois escritores que a realizaram serem notáveis poetas, ambos bem treinados no delicado labor de traduzir. É preciso lembrar que Guillem Colom (1) traduziu Mistral para Catalão. E que Miquel Dolç, catedrático de latim na Universidade de Valença (2), é um destacado humanista, autor das impecáveis versões catalãs de Marcial, Ovídio, Pérsio Flaco, Virgílio, Tácito, Estácio, Tertuliano, etc., publicadas pela Fundação Bernat Metge. Mas, se Miquel Dolç foi sempre um tradutor prestigioso, temos de confessar que o que conseguiu agora com Guillem Colom, em Els lusíades, ultrapassa o que se possa imaginar como possível na arriscada e muitas vezes desafortunada missão de traduzir poesia.


(1) Guillem Colom i Ferrà (1890-1979). Poeta i dramaturg mallorquí. Fou autor de reculls poètics, d'un extens poema èpic, “El comte Mal” (1950), i d'obres dramàtiques. A més de Camões i Mistral, va traduir Èsquil i Horaci, entre d'altres). Les seves memòries, amb el títol  Entre el caliu i la cendra (1890-1965), es van publicar l'any 1972.
(2) Miquel Dolç i Dolç (1912-1994). Intel·lectual mallorquí. Fou catedràtic de filologia llatina  Sevilla i València entre 1955 i 1968. Des del 1968 fou degà de la Universidad Autónoma de Madrid. Va publicar poesia i assaig, especialment estudis històrics i literaris. Va traduir al català  l'Eneida de Virgili i obres de Marcial, Tàcit, Tertul·lià i Ovidi, entre d'altres. Fou membre de l'Institut d'Estudis Catalans (1961) i de l'Acadèmia de Bones Lletres de Barcelona (1970).
Os clássicos, em tempos de crise


Josep A. Vidal


Nos momentos em que tudo se parece conjugar para levar o desânimo ao coração dos catalães, surgem iniciativas admiráveis que levantam o moral até mesmo dos mais propensos ao fatalismo. Somos um povo impulsivo, arrebatado. O Partido Popular e outras forças espanholistas remetem para os tribunais as leis que protegem o Catalão e que estimulam o seu uso e cria todo o tipo de obstáculos para evitar que este país possa viver em liberdade; nós, entretanto, sem deixarmos de proferir as inevitáveis lamentações que o caso requer, pomos em marcha uma iniciativa editorial que não encontra paralelo no âmbito cultural do nosso meio.


Não parecerá ao leitor um facto extraordinário que na Catalunha se tenha posto à venda nos quiosques, em edições fac-similares, uma selecção de cinquenta títulos de autores gregos e latinos, com o texto original e a tradução catalã, escolhidos entre os mais de 360 que constituem a colecção clássica da Fundação Bernat Metge? Porém, mais extraordinário ainda, é que a operação tenha sido considerada um êxito. De acordo com fontes da própria Fundação, houve 3000 compradores do primeiro número da colecção. Da “Odisseia”, de Homero, venderam-se 15 000 exemplares!


Esta experiência encorajou novas iniciativas editoriais e fez que num momento de crise e de incerteza no sector editorial – que coincide com um momento crítico da nossa história, surjam iniciativas para relançar a edição dos clássicos literários de todos os tempos. Por um lado, a Editorial Alpha, ligada, tal como a Fundação Bernat Metge, ao Institut Cambó, iniciou este mês de Novembro a colecção "Clássicos de todos os tempos", e fê-lo com “Os Lusíadas (Els lusíades) de Camões, obra cimeira da literatura europeia, numa tradução catalã de uma requintada qualidade: a que Miquel Dolç e Guillem Colom levaram a cabo em 1964, provavelmente a melhor que alguma vez se realizou da obra de Camões. A fidelidade ao original, quer na forma, quer no conteúdo, não perde nem uma gota da inspiração, da elevação poética, da intensidade lírica e épica, bem como na capacidade de comunicar e emocionar, contidas no original.


A qualidade e a excelência não se improvisam nem surgem do nada; são o resultado de uma longa e sólida trajectória intelectual que credibiliza os autores da tradução, membros activos de uma extraordinária geração humanista que, apesar de ter sofrido o trauma da guerra e a derrota do país, foi capaz de realizar uma obra de uma grande solidez antes de 1936, foi capaz de dinamizar as comunidades catalãs no exílio depois de 1939, encorajou e liderou a recuperação nos territórios catalães no pós-guerra e colocou as bases sobre as quais hoje podemos construir a nossa cultura, aguantar a nossa língua e a nossa literatura firmemente apesar de todos os esforços dissolventes, todas as políticas de ataque e de destruição.


A Editorial Alpha propõe-se editar anualmente quatro títulos, e, conhecendo a extraordinária qualidade do seu catálogo e a excelência das traduções, este projecto desperta grandes expectativas.


Além disso, a Editorial Barcino, chancela editorial da Fundació Lluís Carulla, anunciou a reedição dos clássicos catalães, Ausiàs March, Ramon Muntaner, Bernat Metge, Jordi de Sant Jordi ... E põe em marcha a plataforma "Amigos dos clássicos"
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<div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/_lgs4qjqN_tc/TNkftCDJKhI/AAAAAAAABoA/GcPpAtYPoNA/s1600/Imagem1.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"><img border="0" px="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_lgs4qjqN_tc/TNkftCDJKhI/AAAAAAAABoA/GcPpAtYPoNA/s1600/Imagem1.jpg" /></a></div><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"></div><span style="color: orange;"></span><span style="color: blue;">_____________________</span> <br /><span style="color: blue;"><br /></span><br /><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"></div><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://www.eugyart.com/fot/Salichs/F%C3%A8lix%20Cucurull%20Tey(Oli%20sobre%20tela%2055x46).jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"><img border="0" height="320" ox="true" src="http://www.eugyart.com/fot/Salichs/F%C3%A8lix%20Cucurull%20Tey(Oli%20sobre%20tela%2055x46).jpg" width="240" /></a></div><strong>Fèlix Cucurull</strong> foi uma daquelas vozes incómodas que, ao longo de todo o consulado franquista, nunca deixou de defender a cultura catalã  e de a tentar proteger da agressiva aculturação a que a ditadura submeteu as nacionalidades integradas no espaço geográfico do estado espanhol. <br /><br />Os seus livros, muitos deles publicados em Portugal, foram sempre escritos em catalão. Em todo o caso, Cucurull nunca se eximiu de falar castelhano sempre que isso facilitava o contacto e  a aproximação, porque a sua luta não era contra a cultura castelhana - era contra a repressão exercida pelo governo fascista de Franco. E a partir dos anos 60, vindo com frequência a Portugal, mercê de uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, aprendeu português. Falava e escrevia na nossa língua e era, sobretudo, um excelente tradutor de português para catalão. A ele se deve a divulgação na Catalunha de grandes escritores portugueses.<br /><br />Em 1975 foi lançado em Portugal o seu ensaio <strong>Dois Povos Ibéricos <em>(Portugal e Catalunha), </em></strong>que em 1966 fora vencedor do prestigiado e prestigioso Prémio Josep Yxart. Da edição portuguesa (Assírio &amp; Alvim, Cadernos Peninsulares, Lisboa, 1975) seleccionámos este texto complementar do ensaio. A tradução, revista pelo autor, foi de Carlos Loures. As notas finais são de Josep Anton Vidal.<br /><em><a name='more'></a><br /><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><b style="mso-bidi-font-weight: normal;"><span style="color: #b45f06; font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 16pt; line-height: 115%;">«Os Lusíadas» em Catalão</span></b></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"><b style="mso-bidi-font-weight: normal;"><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%;">Fèlix Cucurull</span></b></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;">Toda a gente sabe como é arriscada a tentativa</span><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 16pt; line-height: 150%;"> </span><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;">de traduzir poesia. Trata-se de um dos empreendimentos literários em que mais difícil se torna obter resultados satisfatórios. Por isso, tantas vezes se tem erguido a voz da prudência pedindo que os poetas apenas sejam traduzidos em prosa. Desta maneira, a traição fica atenuada pela renúncia expressa à fidelidade, Reduzir o verso a prosa é quase o mesmo que reproduzir uma pintura a preto e branco. Porém, os que têm razão talvez sejam os mais cautos, os mais escrupulosos; aqueles que afirmam que não se deveria sequer tentar traduzir a poesia. Mas, na impossibilidade de aprender todas as línguas, é preciso escolher entre a limitação dos nossos conhecimentos poéticos e o perigo de que nos seja dado gato por lebre. E, habituados a que nos dêem gato, é caso para se ficar deslumbrado quando, excepcionalmente, se encontra uma tradução à altura do texto original.</span></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;">Na versão catalã de <i style="mso-bidi-font-style: normal;">Os Lusíadas </i>(Editorial Alpha, Barcelona, 1964), Guillem Colom e Miquel Dolç obtiveram uma perfeita equivalência entre os versos portugueses e os que eles criaram. E digo <i style="mso-bidi-font-style: normal;">criaram,</i> porque esta tradução é tão perfeita que não temo afirmar que <i style="mso-bidi-font-style: normal;">Os Lusíadas </i>foram, de certo modo, criados novamente.</span></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;">Logo no início do Canto Primeiro nos surpreende encontrar na versão de Dolç e Colom o mesmo sentido e a mesma cadência do texto português. Tenhamos<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>em conta que, por outro lado, não recorreram à facilidade do verso livre. Os versos da tradução catalã são rimados, de acordo com os portugueses:</span></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;;">As armas e os Barões assinalados</span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;;">Que, da Ocidental praia Lusitana,</span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;;">Por mares nunca de antes navegados</span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;;">Passaram ainda além da Taprobana (…)</span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><br /></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 12pt;">em catalão ficou:</span></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><br /></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;;">Les armes i els barons mês </span></i><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="CA" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: CA;">distingits</span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="CA" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: CA;">que, de l’extrema riba lusitana,</span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="CA" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: CA;">per uns mars de ningú mai no fendits,</span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="CA" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: CA;">passaren més enllà de Taprobana (...)</span></i></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;">Os Lusíadas </span></i><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;">existem de novo. Agora noutra língua. Existem novamente, penso eu, tal como se Camões os teria escrito se se tivesse valido da língua catalã.</span></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%;">Vejamos, por exemplo, como fica resolvida poeticamente a estrofe em que se encontra o verso, tantas vezes citado, da «austera, apagada e vil tristeza»:</span></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;;">No cantis, Musa, més, que </span></i><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="CA" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: CA;">destrempada</span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="FR" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: FR;">tinc ja la lira amb </span></i><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="CA" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: CA;">enronquit</span></i><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="FR" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: FR;"> accent</span></i><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="CA" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: CA;">,</span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="CA" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: CA;">i no del cant, sinó veient que errada,</span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="CA" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: CA;">canta una sorda i endurida gent.</span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="CA" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: CA;">El favor del qual més l’enginy s’agrada,</span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="CA" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: CA;">no el dóna, no, la pàtria, adherent</span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="CA" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: CA;">al gust d’ambició i a la rudesa</span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span lang="CA" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: CA;">d’una austera, apagada i vil tristesa. </span></i></div><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt; mso-line-height-alt: 5.0pt; text-align: justify;"><br /></div><div style="border-bottom: black 1.5pt solid; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; mso-element: para-border-div; padding-bottom: 1pt; padding-left: 0cm; padding-right: 0cm; padding-top: 0cm;"><div class="MsoNormal" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; mso-border-bottom-alt: solid black 1.5pt; mso-padding-alt: 0cm 0cm 1.0pt 0cm; padding-bottom: 0cm; padding-left: 0cm; padding-right: 0cm; padding-top: 0cm; text-align: justify;"><span lang="CA" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 12pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: CA;">Foi Miquel Dolç quem redigiu o prefácio e as 1248 notas<i style="mso-bidi-font-style: normal;"> </i>incluídas neste volume de <i style="mso-bidi-font-style: normal;">Els lusíades.</i> E, de facto, foi Miquel Dolç quem sustentou o principal peso na tradução. Tradução que já prevíamos excelente, dado o facto de os dois escritores que a realizaram serem notáveis poetas, ambos bem treinados no delicado labor de traduzir. É preciso lembrar que Guillem Colom (1) traduziu Mistral para Catalão. E que Miquel Dolç, catedrático de latim na Universidade de Valença (2), é um destacado humanista, autor das impecáveis versões catalãs de Marcial, Ovídio, Pérsio Flaco, Virgílio, Tácito, Estácio, Tertuliano, etc., publicadas pela Fundação Bernat Metge. Mas, se Miquel Dolç foi sempre um tradutor prestigioso, temos de confessar que o que conseguiu agora com Guillem Colom, em <i style="mso-bidi-font-style: normal;">Els lusíades, </i>ultrapassa o que se possa imaginar como possível na arriscada e muitas vezes desafortunada missão de traduzir poesia.</span></div></div><div class="ListParagraph" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"><br /></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"><br /></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"><i style="mso-bidi-font-style: normal;"><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 10pt; line-height: 150%;">(</span></i><span style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 10pt; line-height: 150%;">1) Guillem Colom i Ferrà (1890-1979)</span><span style="font-family: Calibri;">. Poeta i dramaturg mallorquí. <span lang="FR" style="mso-ansi-language: FR;">Fou autor de reculls poètics, d'un extens poema èpic, “<i>El comte Mal</i>” (1950), i d'obres dramàtiques. A més de Cam</span></span><span lang="FR" style="font-family: &quot;Tahoma&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: FR;">õ</span><span lang="FR" style="mso-ansi-language: FR;"><span style="font-family: Calibri;">es i Mistral, va traduir Èsquil i Horaci, entre d'altres). Les seves memòries, amb el títol<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>Entre el caliu i la cendra (1890-1965), es van publicar l'any 1972.</span></span></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"><span lang="FR" style="font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; font-size: 10pt; line-height: 150%; mso-ansi-language: FR;">(2) </span><span style="font-family: Calibri;"><span lang="FR" style="mso-ansi-language: FR;">Miquel Dolç i Dolç (1912-1994). Intel·lectual mallorquí. Fou catedràtic de filologia llatina<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>Sevilla i València entre 1955 i 1968. Des del 1968 fou degà de la Universidad Autónoma de Madrid. </span>Va publicar poesia i assaig, especialment estudis històrics i literaris. Va traduir al català<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>l'<i>Eneida</i> de Virgili i obres de Marcial, Tàcit, Tertul·lià i Ovidi, entre d'altres. Fou membre de l'Institut d'Estudis Catalans (1961) i de l'Acadèmia de Bones Lletres de Barcelona (1970). </span></div><div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin: 0cm 0cm 10pt; text-align: justify;"></div><span style="color: #b45f06; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"><strong>Os clássicos, em tempos de crise</strong></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /><strong><span style="color: #b45f06; font-size: large;"></span></strong></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><strong>Josep A. Vidal</strong></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /><strong></strong></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">Nos momentos em que tudo se parece conjugar para levar o desânimo ao coração dos catalães, surgem iniciativas admiráveis que levantam o moral até mesmo dos mais propensos ao fatalismo. Somos um povo impulsivo, arrebatado. O Partido Popular e outras forças espanholistas remetem para os tribunais as leis que protegem o Catalão e que estimulam o seu uso e cria todo o tipo de obstáculos para evitar que este país possa viver em liberdade; nós, entretanto, sem deixarmos de proferir as inevitáveis lamentações que o caso requer, pomos em marcha uma iniciativa editorial que não encontra paralelo no âmbito cultural do nosso meio.</span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">Não parecerá ao leitor um facto extraordinário que na Catalunha se tenha posto à venda nos quiosques, em edições fac-similares, uma selecção de cinquenta títulos de autores gregos e latinos, com o texto original e a tradução catalã, escolhidos entre os mais de 360 que constituem a colecção clássica da Fundação Bernat Metge? Porém, mais extraordinário ainda, é que a operação tenha sido considerada um êxito. De acordo com fontes da própria Fundação, houve 3000 compradores do primeiro número da colecção. Da “Odisseia”, de Homero, venderam-se 15 000 exemplares!</span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">Esta experiência encorajou novas iniciativas editoriais e fez que num momento de crise e de incerteza no sector editorial – que coincide com um momento crítico da nossa história, surjam iniciativas para relançar a edição dos clássicos literários de todos os tempos. Por um lado, a Editorial Alpha, ligada, tal como a Fundação Bernat Metge, ao Institut Cambó, iniciou este mês de Novembro a colecção "Clássicos de todos os tempos", e fê-lo com “Os Lusíadas (Els lusíades) de Camões, obra cimeira da literatura europeia, numa tradução catalã de uma requintada qualidade: a que Miquel Dolç e Guillem Colom levaram a cabo em 1964, provavelmente a melhor que alguma vez se realizou da obra de Camões. A fidelidade ao original, quer na forma, quer no conteúdo, não perde nem uma gota da inspiração, da elevação poética, da intensidade lírica e épica, bem como na capacidade de comunicar e emocionar, contidas no original.</span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">A qualidade e a excelência não se improvisam nem surgem do nada; são o resultado de uma longa e sólida trajectória intelectual que credibiliza os autores da tradução, membros activos de uma extraordinária geração humanista que, apesar de ter sofrido o trauma da guerra e a derrota do país, foi capaz de realizar uma obra de uma grande solidez antes de 1936, foi capaz de dinamizar as comunidades catalãs no exílio depois de 1939, encorajou e liderou a recuperação nos territórios catalães no pós-guerra e colocou as bases sobre as quais hoje podemos construir a nossa cultura, aguantar a nossa língua e a nossa literatura firmemente apesar de todos os esforços dissolventes, todas as políticas de ataque e de destruição. </span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">A Editorial Alpha propõe-se editar anualmente quatro títulos, e, conhecendo a extraordinária qualidade do seu catálogo e a excelência das traduções, este projecto desperta grandes expectativas.</span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">Além disso, a Editorial Barcino, chancela editorial da Fundació Lluís Carulla, anunciou a reedição dos clássicos catalães, Ausiàs March, Ramon Muntaner, Bernat Metge, Jordi de Sant Jordi ... E põe em marcha a plataforma "Amigos dos clássicos" <amicsdelsclassics.cat>para interagir com los leitores e estimular a aproximação da juventude aos clássicos de la literatura escrita em catalão.</span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">Mariano Rajoy, o líder estatal do Partido Popular, teve o desembaraço – e a falta de cultura para tal necessária – de dizer que o uso do Catalão pelo papa na sua visita pastoral a Barcelona para a consagração da Sagrada Família (de Gaudí) foi a melhor coisa que aconteceu ao Catalão em mil anos ... Este senhor – ao qual não vou censurar a sua exibição de ignorância sempre que fala da Catalunha e do Catalão, porque também sou ignorante de muitas coisas e não devo escarnecer da ignorância seja de quem for –, não sabe, provavelmente, que nos arquivos vaticanos dos pontificados de Calisto III e de Alexandre VI, os papas da família Bórgia, abundam os documentos em Catalão, e que os papas Bórgia se exprimiam então nesta língua que, como valencianos, era a sua, empregando-a no seu meio pessoal e alternando-a com o italiano e, muito raramente, e em circunstâncias muito particulares, com o castelhano.</span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">Porém nem esse uso do Catalão pelos papas da segunda metade do século XV, nem o uso que o papa actual dele fez são, nem de longe, nem de perto, o melhor que aconteceu ao Catalão, seja em mil anos ou sequer no último ano. O melhor que aconteceu e acontece com a nossa língua é contar com uma plêiade extraordinária de autores desde o século XIII e com um grande número de intelectuais, humanistas e linguistas de um extraordinário nível, que fizeram, a partir da falta de recursos de um país sem Estado e dividido, uma obra comparável ás melhores de outras culturas do espaço europeu. Figuras como Miquel Dolç, ou Guillem Colom que assina juntamente com Dolç a tradução da obra de Camões, ou como Carles Riba, para apenas referir três nomes clássicos relacionados com as iniciativas que comentámos, constituem um luxo e um privilégio para qualquer país, e especialmente para um país nas circunstâncias do nosso. E é isso que, inclusivamente nos momentos difíceis, nos permite dar os sinais de vitalidade como estes de que aqui nos ocupámos.</span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="color: #b45f06; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"><strong>Els clàssics, en temps de crisi</strong></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /><span style="color: #b45f06; font-size: large;"></span></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">En els moments en què tot sembla conjurar-se per dur el desànim al cor dels catalans, sorgeixen iniciatives admirables, que aixequen la moral fins dels més propensos al fatalisme. Som un poble rampellut, arrauxat. El Partido Popular i altres forces espanyolistes porten als tribunals les lleis que protegeixen el català i n'estimulen l'ús i posen pals a les rodes per evitar que aquest país pugui viure en llibertat, i, alhora que proferim les inevitables lamentacions que fan al cas, posem en marxa una iniciativa editorial que no té parió en els àmbits culturals del nostre entorn.</span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">No li sembla al lector un fet extraordinari que a Catalunya s'hagi posat a la venda en quioscos, en edicions facsímil, una selecció de cinquanta títols d'autors grecs i llatins, amb el text original i la traducció catalana, triats entre els més de 360 que formen la col•lecció clàssica de la Fundació Bernat Metge? Però, el més extraordinari és que l'operació es pugui considerar un èxit! Segons fons de la mateixa Fndació, prop de 3000 compradors; del primer número de la col•lecció, L'Odissea d'Homer, se'n van vendre 15000 exemplars!</span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">Aquella experiència ha encoratjat noves iniciatives editorials i ha fet que, en un moment de crisi i incertesa del sector editorial –que coincideix amb un moment crític en la nostra història–, sorgeixin iniciatives editorials per rellançar l'edició del clàssics literaris de tots els temps. D'una banda, l'Editorial Alpha, vinculada, com la Fundació Bernat Metge, a l'Institut Cambó, ha iniciat aquest mes de novembre la col•lecció "Clàssics de tots els temps", i ho ha fet amb Els lusíades de Camões, obra cabdal de la literatura europea, en una traducció catalana d'una qualitat exquisida: la que en van fer Miquel Dolç i Guillem Colom l'any 1964, probablement la millor que mai s'ha fet de l'obra de Camões. La fidelitat a l'original, tant en la forma com en el contingut, no resta ni una engruna d'inspiració, d'alçada poètica, d'intensitat lírica i èpica i de capacitat de comunicar i d'emocionar de l'original.</span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">La qualitat i l'excel•lència no s'improvisen ni sorgeixen del no res; són el resultat d'una llarga i sòlida trajectòria intel•lectual que acredita els autors de la traducció, que formaren part d'una generació humanista extraordinària, que, malgrat que va haver de patir el trauma de la guerra i la desfeta del país, va ser capaç de fer una obra d'una gran solidesa abans del 1936, va ser capaç de dinamitzar les comunitats catalanes a l'exili després del 1939, va encoratjar i liderar la represa als territoris catalans en la postguerra i va posar les bases damunt les quals avui podem construir la nostra cultura i aguantar la nostra llengua i la nostra literatura fermament malgrat totes les voluntats disgregadores i les polítiques d'atac i destrucció.</span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">L'Editorial Alpha es proposa editar quatre títols cada any, i coneixent l'extraordinària qualitat del seu catàleg i l'excel•lència de les traduccions, aquest projecte desperta grans expectatives.</span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">Alhora, l'Editorial Barcino, segell editorial de la Fundació Lluís Carulla, ha anunciat la reedició dels clàssics catalans, Ausiàs March, Ramon Muntaner, Bernat Metge, Jordi de Sant Jordi... I posa en marxa la plataforma "Amics dels clàssics" <amicsdelsclassics.cat>per interactuar amb els lectors i estimular l'apropament del jovent als clàssics de la literatura escrita en català.</span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">Mariano Rajoy, el líder estatal del Partido Popular, va tenir l'acudit –i la manca de cultura necessària– per dir que l'ús del català pel papa en la seva visita pastoral a Barcelona per a la consagració de la Sagrada Família era el millor que li havia passat al català en mil anys... Aquest senyor –al qual no li retreuré la seva exhibició d'ignorància cada vegada que parla de Catalunya i del català, perquè jo sóc ignorant també de moltes coses i no puc fer escarni de la ignorància de ningú– no sap, probablement, que als arxius vaticans dels pontificats de Calixt III i d'Alexandre VI, els papes Borja, hi abunden els documents en català, i que els papes Borja s'expressaven aleshores en aquesta llengua, que, com a valencians, era la seva, i l'empraven en el seu entorn personal tot alternant-la amb l'italià i, molt rarament i en situacions molt condicionades, el castellà. </span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">Però ni aquell ús del català pels papes de la segona meitat del XV ni l'ús que n'ha fet el papa actual són, ni de bon tros, el millor que li ha passat al català ni en mil anys, ni el darrer any. El millor que li ha passat i li passa a la nostra llengua és comptar amb una plèiade extraordinària d'autors d'ençà del segle XIII i un munt d'intel•lectuals, humanistes i lingüistes d'un nivell extraordinari, que han fet, des de la migradesa dels recursos d'un país sense Estat i dividit, una obra comparable a les millors d'altres cultures de l'àmbit europeu. Figures com Miquel Dolç, o Guillem Colom que signa amb Dolç la traducció de l'obra de Camões, o com Carles Riba, per esmentar només tres noms clàssics vinculats a les iniciatives que comentem, són un luxe i un privilegi per a qualsevol país, i especialment per a un país en les circumstàncies del nostre. I és això el que, fins i tot en els moments difícils, ens permet mostres de vitalitat com les que hem comentat. </span><br /><span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span><br /><br /><div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><strong><span style="font-size: large;"><span style="color: #b45f06;"><span style="color: black; font-family: &quot;Arial&quot;, &quot;sans-serif&quot;; mso-fareast-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;"><span style="color: orange;">Aquest espai està dedidat a tots els amics d'Estrolabio i, de manera molt especial, als qui segueixen el nostre bloc des de les terres de parla catalana. </span><span style="color: #b45f06;">Aquí parlarem de cultura lusòfona i de cultura catalana, i de les qüestions i els problemes que ens afecte als uns i als altres.</span></span><span style="color: orange; font-family: &quot;Times New Roman&quot;, &quot;serif&quot;; mso-fareast-font-family: &quot;Times New Roman&quot;;"></span></span></span></strong></div></em><div class="blogger-post-footer">www.estrolabio.net</div>


publicado por Carlos Loures às 09:00
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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010
Recepção ao papa - Yo no te espero! Jo no t'espero! Eu nom te espero!



 Adão Cruz

Acordei hoje de manhã com uma grande sensação de paz. No entanto, atravessavam-me a cabeça três traves mestras. Duas delas de madeira sã, firme, sem bicho. Outra de madeira podre, carunchosa.

A primeira era uma reflexão muito agradável e confiante sobre a leitura da véspera, o maravilhoso livro de António Damásio “O livro da consciência”. Li e reli tudo o que ele escreveu. E comparando com tudo o que ele escreveu, este livro parece-me um passo gigante no sentido da firmeza, da confiança e da projecção do ser humano no caminho do conhecimento e da verdade. Quando ele diz que o “eu” que tornou possível a razão e a observação científica, e a razão e a ciência, por seu lado, têm vindo a corrigir as intuições enganadoras a que o eu, por si só, nos pode levar,
é um pensamento magistral. Nada há como a razão, a principal riqueza do ser humano.

A maravilhosa explicação que ele dá acerca dos diagramas de conexão e a forma de entender aquilo que o cérebro faz, a partir das conexões já influenciadas no útero por factores ambientais, as experiências individuais em ambientes únicos, aprimorando todos os nossos primeiros padrões de conexões, tornando-os mais fortes ou mais fracos, alargando ou estreitando a rede neuronal, sempre sob a influência da nossa actividade, da aprendizagem e da criação de memórias que nos permitem esculpir, moldar e refazer os padrões do nosso cérebro individual, é um dado de incomensurável importância para o desenvolvimento mental da humanidade.
Voltaremos mais tarde a passar as mãos pela macieza e brilho desta trave mestra que atravessa a nossa cabeça.

A segunda trave mestra que me perfurou a pinha ao acordar nesta manhã de paz, e deixou cair sobre mim aquele pó cinzento da decomposição, foi a visita do papa a Espanha. Uma trave de madeira podre e carunchosa. Este homem a quem eu chamo abutre, sem ofensa aos abutres da minha querida amiga Andreia Dias, anda, com efeito, por esse mundo fora, à procura dos restos secos e mumificados de uma humanidade que há dois mil anos procura desenvolver padrões mentais para se situar no tempo e no espaço. A sua inglória missão é reacender, impunemente, o obscurantismo e a estupidificação medievais e cavernícolas, base essencial do colossal negócio da igreja católica.

Pobre homem! Pobre homem que nem sabe que mais de metade da humanidade é obrigada a ser ateia por força da razão e do conhecimento, e como ateia se está borrifando para as suas anedóticas intervenções místicas. Pobre homem que nem na protecção divina confia, encurralando-se numa ridícula gaiola blindada. Pobre homem, que às vezes me dá pena, mas outras não dá, porque é suficientemente inteligente para saber o que quer, e o que quer resume-se à economia e às finanças do Vaticano. Já Paulo II, armado em anjinho, e isso está mais que demonstrado, sabia muito bem as linhas com que se cosia, e sabia muito bem como actuar, legal e ilegalmente, no que respeita à finalidade principal da igreja: DINHEIRO!

Vir a Espanha e à Catalunha pedir, não sei a quem, para “devolver Deus à Europa” e pedir à Europa que “se abra a Deus” trabalhando em prol da dignidade humana – talvez como faz a igreja na sua intercontinental actividade pedófila! -   é de rir e é brincar com os neurónios das pessoas, que segundo a evolução e as neurociências, estão numa fase de desenvolvimento irreversível, perfeitamente incompatível com a esclerosada   mentalidade vaticana.

E aqui entra a terceira trave mestra, de madeira firme e brilhante, que hoje, ao acordar, suavemente e deliciosamente me atravessou a cabeça. A gente da Catalunha, empunhando cartazes de toda a espécie, clamando alto e bom som: “Jo no t'espero!”. Jo no t'espero!”.

E não o esperam porque é um papa falso, hipócrita, um papa que sempre calou e se calou, nos momentos em que devia falar, um papa embalado no luxo por um poder político imbecil que se enrosca na igreja para melhor obter a absolvição e as gordas prebendas que o riquíssimo estado do Vaticano espalha pelos off-shores do planeta em nome de Deus. O Vaticano pode ser considerado o maior banco do mundo, de onde emerge o maior apoio a banqueiros, especuladores e parasitas da humanidade. Antigamente dizia-se: “quem dá aos pobres empresta a deus”. Hoje o slogan é outro: “Quem dá aos ricos empresta a deus”. E a igreja, o Vaticano e Bento 16 sabem disso muito bem!

Viva o povo da Catalunha! Viva a resistência à falsidade, ao obscurantismo e à crendice! Viva a inteligência humana! Viva o homem na magistral essência da sua razão! Viva um povo que tem os neurónios activos, e procura preservar com toda a dignidade a frescura da sua higiene mental.


publicado por Carlos Loures às 10:30
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A morte de Joan Solà (2)
Josep Anton Vidal
Neste ponto do artigo que o leitor está a ler, há um espaço em branco… Apaguei dois parágrafos onde falava desses dois partidos que, pretendendo-se eles mesmos agora bons catalães e bons espanhóis e, portanto serem exemplos de concórdia, lideram a iniciativa política contra a Catalunha. E fi-lo por respeito a mim mesmo. É tão descarado o exercício da mentira demagógica e tão grave o efeito da acção desses partidos políticos que pretendem abrir fracturas profundas na convivência dos cidadãos da Catalunha sob a desculpa da defesa dos direitos e liberdades, que não sou capaz de falar nisso sem que a argumentação racional dê lugar ao impropério e à reacção intempestiva. Por isso apaguei o que tinha escrito. Nem sequer é preciso dizer que estes partidos foram concebidos para servir um nacionalismo espanhol excluente e monopolizador, e que têm na vanguarda das suas formações demagogos de palavra fácil e hábeis, mas de ideias curtas. Se não tivessem a inteligência obnubilada, não seriam capazes de defender tanta incoerência entre o que dizem e a realidade catalã.

Se a sua acção destrutiva obteve algum nível de eficácia não terá sido pela sua inteligente leitura da realidade política catalã, mas sim porque seguiram padrões de conquista que se foram consolidando ao longo de trezentos anos. E pensando eles actuar por iniciativa pessoal, mais não são do que engrenagens executantes de uma hostilidade secular que, além de se exercer contra a Catalunha, impediu o progresso de Espanha como país moderno e com capacidade de futuro. Tenho a convicção de que o mais pertinaz inimigo da Espanha real se tem situado no nacionalismo espanhol, agressivo e excluente, cuja mais fanática expressão cristalizou no franquismo e encontrou nos dias de hoje acolhimento entre as fileiras do Partido Popular.

Com efeito, as pessoas mais qualificadas, mais dotadas para a análise, as mais cultas e de apreciável estatura intelectual e política que passaram pelas fileiras do Partido Popular e que podiam ter construído uma direita moderna e democrática, tais como Manuel Milián Mestre, Josep Piqué (apesar de ter também sofrido ataques de obnubilação mental quando teve de defender as teses do PP) ou Josep Curto – no que diz respeito às terras catalãs – ou Miguel Herrero e Rodríguez de Miñón, estiveram, de uma ou outra maneira, afastados de cargos directivos e condenados pelo seu partido ao ostracismo político.

Na realidade, com os recursos perante o Tribunal Constitucional, com o incremento da xenofobia e da hostilidade contra os imigrantes, com a prática exibicionista do nacionalismo espanhol, estes partidos apelam, num contexto pré-eleitoral, aos sentimentos de uma parte da população para configurar um voto anticatalanista, sabendo como sabem que não podem pretender desenhar um espaço do centro na Catalunha e encorajados pela expectativa de uma vitória eleitoral do Partido Popular em Espanha na próxima legislatura.

Por seu turno, os partidos "catalanistas" – CiU (que o leitor português poderia identificar como uma aliança entre o nacionalismo tradicional e conservador e a democracia cristã) e Esquerra Republicana – estão igualmente dominados pelo tacticismo pré-eleitoral. CiU, que, apesar de ter sido a força mais votada nos dois escrutínios anteriores, teve de aceitar que uma aliança de esquerda lhe tivesse arrebatado a maioria parlamentar e o Governo em duas eleições consecutivas, tem, segundo as sondagens, possibilitade de conseguir uma maioria absoluta e tenta apresentar a sua face mais atraente ao conjunto do eleitorado, fazendo da catalanidade uma bandeira de integração. A Esquerra Republicana guinda-se até a posições independentistas, comprometendo-se na convocatòria de um referendo sobre a independência com o objectivo de recuperar a confiança dos seus eleitores, que têm vindo a desertar da fidelidade ao partido desiludidos com a acção do governo de Esquerra nas duas últimas legislaturas e, sobretudo, pela imagem prepotente e arrogante dos líderes republicanos, que emeou a divisão no interior do Partido e não souberam estar à altura da oportunidade histórica que o eleitorado depositou nas suas mãos.

Apanhando a boleia destes partidos catalanistas, há dois novos partidos que se declaram independentistas: o Reagrupament, liderado por um dos políticos que abandonaram a Esquerra Republicana, e a Solidaritat Catalana, liderado pelo que até há pouco tempo era presidente do Futbol Club Barcelona e que aglutinou gente oriunda da Esquerra Republicana, do Partido Socialista, do CiU e de diversas plataformas cívicas pela independência. Estes dois partidos independentistas, que optam pela primeira vez por ter representação parlamentar, não conseguiram chegar a um acordo de colaboração e os seus líderes demonstraram sintomas de personalismo, até consumar e consolidar o fraccionamento da opção política independentista com o consequente enfraquecimento dessa opção.

Finalmente, o partido socialista PSC-PSOE, entra na campanha confrontado com uma crise interna de carácter identitário agravada pela incomprensão, e mesmo pela hostilidade, de grandes sectores do PSOE para com a realidade nacional, cultural, linguística e política da Catalunha. El PSC (Partit Socialista de Catalunya) viu-se forçado a demonstrar que não é um partido de obediência espanhola, sem contudo se poder afirmar como partido catalanista ou catalão, dado o risco que isso implicaria de uma divisão do seu eleitorado, até mesmo porque uma grande parte do seu suporte parlamentar procede de votantes do PSOE (a versão espanhola do partido socialista), sem os quais o PSC (a versão catalã) veria substancialmente reduzidas as suas forças. Essa circunstância força-o a defender como possível a integração constitucional da Catalunha no Estado espanhol, a harmonização e a concórdia de uma Catalunha espanhola, mas com as essências da história, a tradição, a realidade e o futuro da nação catalã. Porém, vê-se obrigado a fazê-lo num momento como o actual, em que as expressões de hostilidade, as agressões, as mutilações de direitos e a regressão do debate politico a estádios pré-constitucionais irá ser tão evidente, que difícilmente poderão articular um discurso de centro sem que a uma parte dos seus potenciais votantes lhes pareça demasiado branda a defesa dos direitos da Catalunha – e até em conivência com os atacantes – e a uma outra parte do eleitorado, exacerbados os sentimentos patrióticos espanholistas por um contexto de confrontação, lhes pareça demasiada indulgência para com o catalanismo.

No que toca ao ICV (Iniciativa per Catalunya Verds), um outro partido com reivindicações de obediência nacional, que fez parte do Governo da Generalitat nos dois últimos períodos parlamentares e que protagonizou alguns episódios de discutível coerência política, queimou os seus líderes e esforça-se agora por potenciar os novos, alinhando o seu ideário no que se refere à cidadania através do reforço das ideias fundacionais do movimento. Contudo, o resultado, desta reaproximação aos velhos princípios do comunismo, da esquerda do progresso e do ecologismo, corre o risco de parecer um discurso autojustificativo, por vezes ideológico, por vezes utópico, por vezes volátil e, frequentemente, com uma derivação dogmática, que se produz em paralelo com as necessidades da acção política da Catalunha e, portanto, sem que com ela coincida, apesar de abordar temas concretos, específicos e conjunturais ligados ao momento e ao território.

Os partidos estão, portanto, firmememente aferrados à luta eleitoral. E a patologia de que padecem torna-se cada vez mais evidente, de tal modo que mesmo aqueles acabados de nascer já trazem congenitamente o virus da partidocracia. Os grandes problemas da Catalunha exigem um espírito de união e de coesão da sociedade catalã que os partidos políticos não podem recusar, mas que também não entendem ser conveniente assumir, porque os seus interesses partidários escolhem neste momento outras prioridades e seguem outras estratégias. Portanto, em defesa da Catalunha todos o são nas palavras, mas nenhum deles se atreve a empregar a energia nem a exercer o sacrifício e a renúncia aos particularismos que o momento histórico lhes exige e que o povo da Catalunha soube exprimir de maneira tão contundente na reacção contra a sentença do Tribunal Constitucional no passado mês de Julho, ou como já antes o haviam exprimido os meios de comunicação catalães com a redacção de um comunicado conjunto em defesa da identidade e das liberdades da Catalunha.

Este panorama do momento político e o contexto em que ele se inscreve, ajudam a compreender por que motivo no acto de despedida ao Dr. Joan Solà – a quem em 2009 foi outorgado o Prémio de Honra das Letras Catalãs, o galardão máximo que se atribui na Catalunha em reconhecimento pelo mérito e pelo percurso intelectual – não se houve qualquer representação institucional. No comité de despedida, reiterando uma ideia expressa pelo próprio Joan Solà, um seu sobrinho disse referindo-se aos políiticos: "Nós estamos fartos. Sentimo-nos desolados e desamparados. (...) Os políticos puseram-nos de parte. (...) Este governo não é digno de ser nosso anfitrião” E o "nós" utilizado nestas palavras referia-se, no sentido mais lato, ao povo catalão.

"O nosso Estado – dissera o professor Joan Solà aludindo ao Estado espanhol e aos catalães – é um Estado contra nós." Tomando esta afirmação como referência, nós, os catalães, devemo-nos interrogar até que ponto cada um dos partidos que lutam por obter representação no Parlamento é um partido a favor da Catalunha.

Por agora, inimigo da pugna eleitoral, a perspectiva não se apresenta promissora. Saberão os partidos colocar a Catalunha acima dos seus interesses e estratégias conjunturais, ditados pelo virus patológico da partidocracia? Saberão os políticos que neles militam ultrapassar as ambições da meritocracia e comprometer-se com o povo que os sustenta?

O tempo no-lo dirá. De momento, porém, muita sorte temos de pessoas que, como Joan Solà ou Joan Triadú que agora nos deixaram, tenham desempenhado tão bem os seus deveres. E temos sorte em termos ficado com os seus ensinamentos, com o seus estímulos e com o seu exemplo.

Catalunya està de dol (2)


En aquest punt de l'article que el lector està llegint hi ha un buit... He esborrat dos paràgrafs en què parlava d'aquests dos partits que, pretenent-se ells mateixos alhora bons catalans i bons espanyols i, per tant, exemples de concòrdia, lideren la iniciativa política contra Catalunya. I ho he fet per respecte a mi mateix. És tan descarat l'exercici de la mentida demagògica i tan greu l'efecte de l'acció d'aquests partits polítics que pretenen obrir fractures profundes en la convivència dels ciutadans de Catalunya amb l'excusa de la defensa dels drets i de les llibertats, que no sóc capaç de parlar-ne sense que l'argumentació racional sigui substituïda per l'improperi i la visceralitat. Per això he esborrat el que havia escrit. N'hi ha prou de dir que aquests partits han estat construïts al servei d'un nacionalisme espanyol excloent i abassegador, i que posen al capdavant de les seves formacions demagogs de paraula fàcil i hàbils, però d'idees curtes. Si no tinguessin la intel•ligència encegada, no serien capaços de sostenir tanta incoherència entre el que diuen i la realitat catalana.

Si la seva acció destructiva aconsegueix algun nivell d'eficàcia no és pas per la seva intel•ligent lectura de la realitat política catalana, sinó perquè segueixen uns patrons de conquesta que s'han anat consolidant al llarg de tres-cents anys. I ells, pensant-se que actuen per iniciativa i idea personal, no són més que els engranatges executors d'una hostilitat secular que, a més d'anar contra Catalunya, ha impedit el progrés i la definició d'Espanya com un país modern i amb capacitat de futur. Estic convençut que l'enemic més pertinaç de l'Espanya real ha estat el nacionalisme espanyol, agressiu i excloent, l'expressió més fanàtica del qual va quallar en el franquisme i ha trobat avui acolliment en les files del Partido Popular.

De fet, les persones més qualificades, més dotades per a l'anàlisi, les més cultes i d'autèntica talla intel•lectual i política que han passat per les files del Partido Popular i que podíem haver construït una dreta moderna i democràtica, com Manuel Milián Mestre, Josep Piqué (malgrat que va patir també d'episodis d'obnubilació mental quan va haver de defensar les tesis del PP) o Josep Curto, pel que fa a les terres catalanes, o Miguel Herrero y Rodríguez de Miñón, han estat, d'una manera o altra, bandejats dels càrrecs directius i condemants pel seu partit a l'ostracisme polític.

En realitat, amb els recursos davant el Tribunal Constitucional, amb l'atiament de la xenofòbia i l'hostilitat contra els immigrants, amb la pràctica exhibicionista del nacionalisme espanyol, aquests partits apel•len, en un context preelectoral, al sentiments d'una part de la població per configurar un vot anticatalanista, sabent com saben que no poden pretendre dibuixar un espai de centre a Catalunya i encoratjats per l'expectativa d'una victoria electoral del Partido Popular a Espanya en la pròxima legislatura.

Al seu torn, els partits "catalanistes" –CiU (que el lector portuguès podria identificar com una coalició entre el nacionalisme tradicional i conservador i la democràcia cristiana) i Esquerra Republicana– estan dominats també pel tacticisme preelectoral. CiU, que, malgrat haver estat la força més votada en les dues convocatòries anteriores, va haver de suportar que un acord entre les forces d'esquerres li arrabassés dues vegades la majoria parlamentària i el Govern, i que, segons les enquestes, té possibilitats d'aconseguir la majoria absoluta, intenta presentar la seva cara més atraient al conjunt de la ciutadania, fent de la catalanitat una bandera d'integració. Esquerra Republicana s'autoimpulsa cap a les posicions independentistes, comprometent-se en la convocatòria d'un referèndum sobre la independència amb la finalitat de recuperar la confiança dels seus votants, que han anat desertant de la fidelitat al Partit decebuts per l'acció de govern d'Esquerra en les dues últimes legislatures i, sobretot, per la imatge prepotent i superbiosa dels líders republicans, que han provocat el trencament del Partit i no han estat a l'alçada de l'oportunitat històrica que l'electorat els va posar a les mans.

Al costat d'aquests partits catalanistes, hi ha dos nous partits que es declaren independentistes: Reagrupament, liderat per un dels polítics que han abandonat Esquerra Republicana, i Solidaritat Catalana, liderat pel que fins fa poc ha estat president del Futbol Club Barcelona i que ha aglutinat gent procedent d'Esquerra Republicana, del Partit Socialista, de CiU i de diverses plataformes cíviques per la independència. Aquests dos partits independentistes, que opten per primera vegada a tenir representació parlamentària, no han aconseguit un acord de col•laboració i els seus líders han mostrat trets de personalisme que els han dut a consumar i consolidar el fraccionament de l'independentisme amb el consegüent afebliment d'aquesta opció.

Finalment, el partit socialista PSC-PSOE, entra en campanya enfrontat a una crisi interna de caràcter identitari agreujada per la incomprensió, i fins per l'hostilitat, de grans sectors del PSOE envers la realitat nacional, cultural, lingüística i política de Catalunya. El PSC (Partit Socialista de Catalunya) es veu obligat a demostrar que no és un partit d'obediència espanyola, però sense poder afirmar-se com a partit catalanista o català pel risc que suposaria la fracció del seu electorat, atès que gran part del seu suport parlamentari procedeix de votants del PSOE (la versió espanyola del partit socialista) sense els quals el PSC (la versió catalana) es trobaria minvada de forces. Això el força a defensar com a possible la integració constitucional de Catalunya en l'Estat espanyol, l'harmonització i la concòrdia d'una Catalunya espanyola amb les essències de la història, la tradició, la realitat i el futur de la nació catalana. Però ha de fer-ho en un moment com l'actual, en què les expressions d'hostilitat, les agressions, les mutilacions de drets i la regressió del debat polític a estadis preconstitucionals és tan evident, que difícilment poden articular un discurs de centre sense que a una part dels seus possibles votants els sembli massa tou en la defensa dels drets de Catalunya –i fins i tot el vegin en connivència amb els atacants– i a una altra part dels votants, exacerbats els sentiments patriòtics espanyolistes per un context de confrontació, els sembli massa indulgent amb el catalanisme.

I pel que fa a ICV (Iniciativa per Catalunya Verds), un altre partit amb vinculacions d'obediència nacional, que ha format part del Govern de la Generalitat en els dos darrers períodes parlamentaris i que ha protagonitzat alguns episodis la coherència política dels quals ha estat molt discutida, ha cremat els seus líders i s'esforça a potenciar-ne els nous i a refer el seu ideari davant la ciutadania per mitjà del reforçament de les idees primigènies de la formació. El resultat, però, d'aquesta recerca en les velles essències del comunisme, de l'esquerra de progrés i de l'ecologisme, corre el risc d'aparèixer com un discurs d'autojustificació, a voltes ideològic, a voltes utòpic, a voltes volàtil i, sovint, amb una derivació dogmàtica, que es produeix en paral•lel a les necessitats de l'acció política a Catalunya i, per tant, sense coincidir-hi en el fons, malgrat que toqui temes concrets, específics i conjunturals vinculats al moment i al territori.

Els partits estan, per tant, abocats de ple a la lluita electoral. I la patologia que pateixen esdevé cada vegada més evident, tant que fins i tot els partits acabats de néixer ja porten congènitament el virus de la partitocràcia. Els grans problemes de Catalunya reclamen un esperit d'unió i de cohesió de la societat catalana que els partits polítics no poden refusar però que tampoc no consideren convenient assumir, perquè els seus interessos de partit tenen en aquest moment altres prioritats i segueixen unes altres estratègies. Per tant, en la defensa de Catalunya tots hi són de paraula, però cap d'ells no s'atreveix a emprar l'energia ni a exercir el sacrifici i la renúncia als particularismes que el moment històric els reclama i que el poble de Catalunya va saber expressar de manera tan contundent en la reacció contra la sentencia del Tribunal Constitucional el passat mes de juliol, o com ho havien expressat abans els mitjans de comunicació catalans amb la redacció d'un editorial conjunt en favor de la defensa de la identitat i les llibertats de Catalunya.

Aquest panorama del moment polític i el context en què s'inscriu ajuden a comprendre per què en l'acte de comiat al Dr. Joan Solà –que el 2009 va ser guardonat amb el Premi d'Honor de les Lletres Catalanes, el màxim guardó de reconeixement al mèrit intel•lectual i a la trajectòria cívica que s'atorga a Catalunya– no hi hagués, en compliment de la voluntat del mateix Joan Solà, cap representació oficial de les institucions polítiques del país. En el parlament de comiat, reiterant una idea expressada pel mateix Joan Solà, el seu nebot va dir referint-se als polítics: "N'estem farts. Ens sentim desolats i desemparats. (...) Els polítics ens han deixat de banda. (...) Aquest govern no és digne de fer-te d'amfitrió." I el "nosaltres" utilitzat en aquestes paraules es refereix, en el sentit més ampli, al poble català.

"El nostre Estat –havia dit el professor Joan Solà referint-se a l'Estat espanyol i als catalans– és un Estat contra nosaltres." Prenent com a referència aquesta afirmació, els catalans ens hem de preguntar en quina mesura cadascun dels partits polítics que pugnen per tenir representació al Parlament de Catalunya és un partit a favor de Catalunya.

Ara per ara, enmig de la pugna electoral, la perspectiva no es gens afalagadora. Sabran els partits posar Catalunya per damunt dels interessos i les estratègies conjunturals que els dicta el virus patològic de la partitocràcia? Sabran els polítics que hi militen superar les ambicions de la meritocràcia i comprometre's amb el poble que els fa costat?

El temps ens ho dirà. De moment, però, sort en tenim de persones que, com Joan Solà o Joan Triadú, que ara ens han deixat, fan tanta i tan bona feina. I sort en tenim del seu mestratge, del seu estímul i del seu exemple.


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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010
A Catalunha está de luto - A morte de Joan Solà (1)

Josep Anton Vidal

A Catalunha está de luto pela morte de uma das suas mais eminentes figuras, o linguista Joan Solà. A sua morte ocorreu poucos dias após a de um outro grande vulto da cultura catalã, o pedagogo e crítico literário Joan Triadú. Para um país como a Catalunha e para um âmbito linguístico e cultural como é o dos Países Catalães, tão carentes de capacidades governativas e de acção política reais e não subsidiárias e, por outro lado, tão ricas em inimigos e em ameaças, estas perdas seriam ainda difíceis de suportar senão fosse a abundância de discípulos que o magistério de Triadú e de Solà nos deixaram, tão extraordinário e tão importante quer para o presente, quer para o futuro do nosso país e da nossa cultura.

Porque em ambos os casos, a obra científica, no campo da linguística e da língua catalã e no âmbito da literatura, é acompanhada, a partir de pressupostos ideológicos diferentes, de um compromisso igualmente firme e efectivo com a história, com a sociedade, com a identidade e a vontade de existência deste país, que ambos queriam ver na plenitude das liberdade no concerto das nações.

No passado dia 21, apenas uma semana antes da sua morte, Joan Solà publicava o seu último artigo na imprensa diária, onde colaborou durante 36 anos –com mais de um milhar de artigos publicados–, e, consciente da precaridade da sua saúde, punha em título «Adeus e obrigado»: “Mais de mil artigos publicados na imprensa diária sobre questões linguísticas pode parecer uma coisa inacreditável para alguém que ignore tudo sobre o nosso país. Mas para quem conheça um pouco da Catalunha, saberá como é importante a língua para a nossa noção de identidade, até que ponto é para nós essência, estímulo de luta, vindicação do futuro que queremos. E saberá como isso nos torna apaixonados pela diversidade linguística, solidários com as outras línguas e, de maneira muito especial, com aquelas que vivem numa situação precária, ameaçadas, perseguidas.

Neste seu artigo de despedida, Joan Solà, dizia estas palavras sobre as quais convido os leitores a meditar e a partilhar “Hoje, fruto deste exercício de anos, estou completamente convencido de duas coisas: primeira, que se um idioma não nos serve para criar comunicação e beleza, para que nos serve então?, não tem futuro; a segunda é da íntima e inextricável ligação entre povo, indivíduo e língua: uma língua não pode ser digna e manter-se viva se aquele que a fala não vive com dignidade e confiança e se o povo que a tem não é livre, mas subjugado, como nós, por um Estado que sempre nos foi hostil.”

A nossa dignidade como pessoas inscreve-se, portanto neste esquema os pontos essenciais do qual são povo, língua e liberdade. A antítese do que defendem aqueles que, obrigados a ser politicamente correctos, pretendem compatibilizar a história real com a história política, o que resulta sempre em história-ficcionada, e não se privam de afirmar, sem qualquer espécie de pudor, que o nosso país, a Catalunha, é um país bilingue. Não há países bilingues - sim, é verdade que há estados onde se fala mais de um idioma e o Estado espanhol é um deles e isso significa que nestes casos o Estado não tem uma língua, nem pode exprimir-se apenas através de uma língua, mas sim que, para ser justo, está obrigado utilizar a língua que os cidadãos falam nos diferentes territórios que o integram.

A Catalunha não é bilingue, ainda que aqui vivam muitas pessoas procedentes de outros territórios do Estado espanhol. Ainda que muitos cidadãos catalães, por origem ou tradição familiar, falem castelhano ou outra língua diferente do catalão. Esta realidade sociológica não altera a identidade linguística do país de acolhimento. Numa Catalunha independente, os idiomas oficiais seriam o catalão e o occitano, pois é esta a língua a que pertence o dualecto aranês, que se fala no Vale d'Aran, que é um território catalão. Do mesmo modo, e por razões semelhantes, num País Valenciano independente, as línguas oficiais seriam o catalão (ainda que com o nome de valenciano) e o castelhano, porque esta tem sido historicamente, e ainda o é, a língua predominante em algumas zonas orientais e meridionais do território valenciano.

Pela mesma razão, o Estado espanhol na sua actual estrutura, não pode ser monolingue. Está obrigado a ser plurilingue e a exprimir-se em todos os idiomas que são falados nos diferentes territórios que administra. O facto de utilizar – como o fazem também o Estado francês e tantos outros exemplos igualmente lamentáveis – o argumento da língua oficial falada em todo o território como cobertura, já não para o exercício do monolinguismo, mas sim para a perseguição, mau trato e destruição da diversidade linguística, constitui um atentado contra os direitos fundamentais dos povos e dos indivíduos. Porque, pela mesma razão pela qual a Catalunha não tem o castelhano como língua própria, o Estado espanhol não pode utilizar o castelhano como língua exclusiva nem obrigar nenhum cidadão de terrórios de fala não castelhana a utilizar o idioma castelhano nas suas relações com a Administração, ainda que todos os cidadãos do Estado sejam obrigados, através do sistema educativo, a conhecê-lo. Se o Estado espanhol é a Administração ao serviço dos cidadãos, nenhum cidadão espanhol teria de mudar de idioma para se dirigir à sua Administração, nem nas suas relações com os Tribunais nem em qualquer outra circunstância.

Qualquer situação em que um cidadão seja forçado a adoptar o idioma da Administração é uma situação colonizadora. E agora vejamo-lo ao invés: num Estado democrático, a Administração deve dirigir-se ao cidadão na língua deste cidadão, desde que esta seja a língua de um dos territórios do Estado. Naturalmente, o Estado espanhol não tem nenhuma obrigação de atender um cidadão espanhol em alemão ou em inglês, ainda que, seja porque razão for, esse cidadão tenha um desses idiomas como próprio. Neste caso hipotético, o cidadão de fala inglesa, alemã ou árabe, teria de dirigir.se ao Estado numa das línguas do Estado. No entanto, nem os bascos, nem os catalães de qualquer dos territórios de língua catalã, nem os galegos teriam de mudar de idioma para se dirigirem às instituições do Estado. Porque é o Estado democrático que tem obrigação de ser plurilingue, sendo uma perversão da hierarquia democrática e um sintoma de colonialisno e de despotismo transferir essa obrigação para os cidadãos e para os territórios, não a exigindo ao Estado e aos organismos da Administração.

No contexto eleitoral que estamos a viver na Catalunha, onde se realizarão eleições legislativas no próximo dia 28 de Novembro, os partidos políticos espanholistas voltam a acender a fogueira inquisitorial contra o uso do catalão pelas instituições governamentais da Catalunha, contra a unidade da língua, contra os meios de comunicação, contra a educação e contra o uso social do catalão. A escandalosamente injusta sentença do Tribunal Constitucional contra a Catalunha, sancionada pelo Estado Espanhol com uma não disimulada satisfação – e aceite pelos políiticos catalães com uma submissão que as reiteradas manifestações de desacordo “politicamente correctas” não conseguem ocultar – deram força aos partidos espanholistas para remeter ao Tribunal Constitucional todas as leis que, no sentido da normalização linguística da Catalunha, ao longo dos últimos anos foram sendo aprovadas. Todas as leis e a actos governativos que garantiram a concórdia e uma convivência linguística sólida e exemplar na Catalunha estão a ser dinamitadas sem a menor vergonha ou decência política ou inteletual pelos partidos espanholistas, principalmente o “Partido Popular” e “Ciudadanos – Partido de la Ciudadanía”. Num exercício que não me atrevo a qualificar como maquiavélico, pois isso seria reconhecer-lhes inteligência, estes partidos praticam a mais desvergonhada perversão da linguagem, apropriando-se de conceitos como os de liberdade, democracia ou progresso, que de modo algum lhes pertencem e que são desmentidos pela sua prática política.



Catalunya està de dol

Catalunya està de dol per la mort d'un dels seus homes eminents, el lingüista Joan Solà. La seva mort s'ha produït pocs dies després de la d'un altre dels pals de paller de la cultura catalana, el pedagog i crític literari Joan Triadú. Per a un país com Catalunya i per a un àmbit lingüístic i cultural com el dels Països Catalans, tan mancats de capacitats de govern i d'acció política reals i no subsidiàries i tan sobrats d'enemics i d'amenaces, aquestes pèrdues serien difícils de suportar sinó fos perquè el nombre de deixebles que ens ha llegat el mestratge de Triadú i de Solà és tan extraordinari i tan important per al present i el futur del nostre país i de la nostra cultura.

Perquè en tots dos casos, l'obra científica, en l'àmbit de la lingüística i de la llengua catalana i en l'àmbit de la literatura, ha anat acompanyada, des de pressupòsits ideològics diferents, d'un compromís igualment ferm i efectiu amb la història, la societat, la identitat i la voluntat d'existència d'aquest país, que ells volien en plenitud de llibertats en el conjunt de les nacions.

El passat dia 21, a penes una setmana abans de la seva mort, Joan Solà publicava el seu darrer article a la premsa diària, on ha estat col•laborant durant 36 anys, amb més d'un miler d'articles publicats, i, conscient de la precarietat de la seva salut, el titulava "Adéu-siau i gràcies". Més de mil articles publicats en premsa diària sobre qüestions lingüístiques pot semblar una cosa increïble per a algú que ho ignori tot del nostre país. Però, el qui conegui una mica Catalunya sabrà com és d'important la llengua en la nostra noció d'identitat, fins a quin punt és per a nosaltres essència, estímul de lluita, vindicació del futur que volem. I sabrà com això ens fa enamorats de la diversitat lingüística, solidaris amb les altres llengües i, de manera molt especial, amb aquelles que viuen en una situació precària, amenaçades, perseguides.

En el seu article de comiat Joan Solà deia aquestes paraules que convido els lectors a meditar i compartir: "Avui, fruit d'aquest exercici d'anys, estic completament convençut de dues coses: primera, que si una llengua no ens serveix per crear comunicació i bellesa, de què ens serveix?, no té futur; i segona, del lligam inextricable entre poble, individu i llengua: una llengua no pot ser digna i mantenir-se si qui la parla no viu amb dignitat i confiança i si el poble que la té com a patrimoni no és lliure sinó que viu subjugat, com nosaltres, durant segles a un Estat que sempre ens ha sigut hostil."

La nostra dignitat com a persones s'inscriu, per tant, en aquest esquema els punts essencials del qual són poble, llengua i llibertat. L'antítesi del que defensen els qui, obligats a ser políticament correctes, volen contemporitzar la història real amb la història política, que és sempre història-ficció, i no s'estan d'afirmar sense cap mena de pudor que el nostre país, Catalunya, és un país bilingüe. Cap país no és bilingüe. Sí que és cert que hi ha estats on es parla més d'una llengua, i l'Estat espanyol n'és un, i que això significa que en aquests casos l'Estat no té una llengua, ni es pot expressar només en una llengua, sinó que, en justícia, està obligat a emprar la llengua que parlen els ciutadans dels diferents territoris que l'integren. Catalunya no és bilingüe, encara que hi visquin moltes persones procedents d'altres territoris de l'Estat espanyol, encara que molts ciutadans catalans, per origen o per tradició familiar, parlin castellà o una altra llengua diferent del català. Aquesta realitat sociològica no transforma la identitat lingüística del país d'acollida. En una Catalunya independent, els idiomes oficials serien el català i l'occità, perquè és aquesta la llengua a la qual pertany el dialecte aranès, que es parla a la Val d'Aran, que és un territori català. De la mateixa manera i per raons semblants, en un País Valencià independent, les llengües oficials serien el català (potser amb el nom de valencià) i el castellà, perquè aquesta ha estat històricament i és encara la llengua de algunes zones orientals i meridionals del territori valencià.

Per la mateixa raó, l'Estat espanyol, en la seva estructura actual, no pot ser monolingüe. Està obligat a ser plurilingüe i a expressar-se en totes les llengües que es parlen als diferents territoris que administra. El fet d'utilitzar –com fan també l'Estat francès i tants altres exemples igualment lamentables– l'argument de la llengua oficial parlada a tot el territori com a tapadora no només per a l'exercici del monolingüisme sinó per a la persecució, maltractament i destrucció de la diversitat lingüística és un atemptat contra els drets fonamentals dels pobles i dels individus. Perquè, per la mateixa raó que Catalunya no té el castellà com a llengua pròpia, l'Estat espanyol no pot emprar el castellà com a llengua exclusiva ni obligar cap ciutadà de territoris de parla no castellana a emprar-lo en les seves relacions amb l'Administració, encara que tots els ciutadans del Estat estiguin obligats, a través del sistema educatiu, a conèixer-lo. Si l'Estat espanyol és l'Administració al servei dels ciutadans, cap ciutadà espanyol no hauria d'haver de canviar de llengua per adreçar-se a l'Administració, ni en les seves relacions amb els Tribunals ni en cap circumstància.

Tota situació en la qual un ciutadà ha d'adoptar la llengua de l'Administració és una situació colonitzadora. I ara llegim-ho a l'inrevés: en un Estat democràtic, l'Administració ha d'adreçar-se al ciutadà en la llengua pròpia d'aquest ciutadà, sempre i quan sigui la llengua d'un dels territoris de l'Estat. Naturalment, l'Estat espanyol no té cap obligació d'atendre un ciutadà espanyol en alemany o en anglès, encara que, per les raons que fos, aquest ciutadà tingués una d'aquestes llengües com a pròpia. En aquest cas hipotètic, el ciutadà de parla anglesa o alemanya o àrab, potser es veuria en la necessitat d'adreçar-se a l'Estat en una de les llengües de l'Estat. Però, ni els bascos, ni els catalans de qualsevol dels territoris de parla catalana, ni els gallecs no haurien de cambiar de llengua per adreçar-se a les institucions de l'Estat. Perquè és l'Estat el que té l'obligació del plurilingüisme, i és una perversió de la jerarquia democràtica i un tret de colonialisme i despotisme traslladar aquesta obligació als ciutadans i als territoris i no exigir-la a l'Estat i als organismes de l'Administració.

En el context electoral que estem vivint a Catalunya, on se celebraran eleccions parlamentàries el dia 28 de novembre, els partits polítics espanyolistes tornen a encendre la foguera inquisitorial contra l'ús del català per les institucions de govern de Catalunya, contra la unitat de la llengua, contra els mitjans de comunicació, contra l'educació i contra l'ús social del català. L'escandalosament injusta sentència del Tribunal Constitucional contra Catalunya, sancionada per l'Estat espanyol amb una satisfacció no dissimulada, i acceptada pels polítics catalans amb una submissió que les reiterades manifestacions de discrepància "políticament correctes" no poden dissimular, ha donat força als partits espanyolistes per remetre al Tribunal Constitucional totes les lleis que al llarg dels darrers anys s'han anat aprovant per a la normalització lingüística a Catalunya. Totes les lleis i les accions de govern que han garantit la concòrdia i una convivència lingüística sòlida i exemplar a Catalunya estan sent dinamitades sense cap mena de vergonya ni de decència política ni intel•lectual pels partits espanyolistes, principalment el "Partido Popular" i "Ciudadanos – Partido de la Ciudadanía". En un exercici que no m'atreveixo a titllar de maquiavèlic perquè això seria atorgar-li el reconeixement de la intel•ligència, aquests dos partits practiquen la més desvergonyida perversió del llenguatge, apropiant-se de conceptes com llibertat, democràcia o progrés, que no els pertanyen en absolut i que són desmentits per la seva praxi política.

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 09:00
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Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010
Quatre Barres - poemes de Eugénio de Andrade
Aquest espai, dedicat a tots els amics d'Estrolabio i, de manera molt especial, als que segueixen el nostre bloc des de les terres de parla catalana. Aquí parlarem de cultura lusòfona i de cultura catalana, i de les qüestions i els problemes que ens afecte als uns i als altres. Avui us proporcionem poemes del gran poeta portugués Eugénio de Andrade (1923-2005). La versió catalana és de Josep Anton Vidal.


Despertar


És un ocell, és una rosa,
és la mar que em desvetlla?
Ocell o rosa o mar,
tot és enardiment, tot és amor.
Desvetllar-se és ser rosa en la rosa,
cant en l'ocell, aigua en la mar.

Coração do dia, 1958

El silenci

Quan la tendresa
sembla cansada de tendreses,

i el son, la barca més incerta,
encara triga,

quan els blaus assalten
els teus ulls

i procuren
als meus navegació segura,

és quan et dic els mots
desemparats i erms,
fascinats pel silenci.

Obscuro dominio, 1971.

Dones de negre

Fa molt temps que són velles, vestides
de negre fins a l'ànima.
Vora el mur
troben defensa contra un sol de pedra;
a la vora del foc,
es posen a recer del fred del món.
Encara tenen nom? Ningú
pregunta, no respon ningú.
La llengua, també pedra.


Rente ao dizer, 1992


Frèsies


Pren sentit una pàtria
quan la boca
que ens besa és la que en parla,
la que en les seves síl•labes ens porta
el blat, i les cigales,
la tremolor
de l'ànima, del cos, de l'aire,
o la claror que ens entra dins la casa
amb les frèsies
i fa que el cor, amic, sigui tan lleu.

Rente ao dizer, 1992


publicado por Carlos Loures às 09:00
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010
El 6 de octubre de 1934 en Cataluña
Josep A. Vidal

Durante a penas medio día, entre las 20 horas del día 6 de octubre de 1934 y las 7 horas de la mañana siguiente, Cataluña estuvo constituída en Estado. Los hechos y su contexto, narrados brevemente, son éstos.

La Segunda República Española, que, tras su proclamación en 1931, inició un período reformista con el objetivo de modernizar y democratizar el país, provocó inmediatamente la reacción de las fuerzas conservadoras y de derechas, que se opusieron a todos y cada uno de los ejes fundamentales de la reforma política: el proceso de laicización del Estado mediante la separación de los poderes político y eclesiástico, la descentralización política mediante una serie de procesos autonomistas y la aprobación del Estatuto de Cataluña en 1932, la reforma agraria, la reforma militar, el sufragio femenino... La conspiración contra la República empezó de inmediato. Los partidos políticos de derechas buscaron la connivencia con el fascismo europeo; los movimientos obreros –también en la oposición por considerar que las reformas de la nueva República no daban satisfacción cumplida a sus aspiraciones– radicalizaron las acciones revolucionarias y anarquistas.

Las elecciones parlamentarias de noviembre de 1933 fueron ganadas en España por la coalición de derechas formada por los radicales de Alejandro Lerroux –un demagogo españolista cuya trayectoria política va desde la práctica de la demagogia anarquista y obrerista y el anticlericalismo a principios de siglo hasta las posiciones conservadoras e igualmente demagógicas, patrioteristas y españolistas que exhibió durante el período republicano– y la CEDA (Confederación Española de Derechas Autónomas) de José María Gil Robles –monárquico, procedente de los sectores católicos conservadores y afín a los postulados del fascismo europeo–, que, habiendo obtenido un número insuficiente de parlamentarios, dio su apoyo a la formación de gobierno por Lerroux. El triunfo de las derechas inaugura el llamado Bienio Negro, cuya nefasta trayectoria política no se verá frenada hasta febrero de 1936 por la victoria de la coalición de izquierdas del Frente Popular.

En Cataluña, donde el gobierno de izquierdas presidido por Lluís Companys está llevando a cabo el despliegue del Estatut en vigor desde diciembre de 1932, el Parlamento aprueba, en marzo de 1934, la Llei de contractes de conreu, una modesta reforma agraria que favorecía o regulaba el acceso de los campesinos a la propiedad de la tierra. Aunque esta ley, en realidad, blindaba la defensa de la propiedad privada ante probables pretensiones colectivistas o socializadoras de las explotaciones agrarias, los grandes propietarios –integrados en el Institut Agrari Català de Sant Isidre– la consideraron un ataque frontal a sus prerrogativas y privilegios y la impugnaron ante el Tribunal de Garantías Constitucionales de la República Española, que la revocó, desautorizando así al la cámara legislativa catalana. En Cataluña, las posturas se radicalizaron y las reivindicaciones campesinas, obreras y nacionales confluyeron en una causa, en cierto modo, común.

La resolución del Tribunal contra la ley aprobada por el Parlamento catalán alegando la incompetencia de la institución catalana para aprobarla, era un ataque a las aspiraciones nacionales catalanas, que veía nuevamente obstaculizado el desarrollo del margen de autonomía que le concedía un Estatuto ya de por sí muy desnaturalizado. Por esta razón, las aspiraciones nacionalistas e independentistas se radicalizan también. No obstante se inician negociaciones entre el gobierno catalán y el gobierno de la República, cuyo consejo de ministros estaba entonces presidido por el valenciano Ricardo Samper, para intentar la recuperación de la ley sancionada. Pero las negociaciones encaminadas a resolver el conflicto entre ambas instituciones chocaron con la oposición de la CEDA, que veía en ellas una muestra de debilidad del gobierno español.

El 1 de octubre, Samper cede definitivamente a las presiones de la CEDA y presenta su dimisión. Esto supone una remodelación del gabinete de gobierno de la República y la cesión de varias carteras ministeriales a miembros de la CEDA.

Los sectores conservadores, derechistas y profascistas de la sociedad española alimentaban, desde antes de 1933, la esperanza de que Gil Roble, el líder cedista, se pusiera declaradamente al frente de un movimiento antirrepublicano y diera un golpe de Estado de signo totalitario. Por eso, la entrada de la CEDA en el gobierno de la República suscitó una reacción revolucionaria inmediata entre las fuerzas de izquierda y las organizaciones obreras y nacionalistas. Este estallido a la defensiva se tradujo en la llamada a la huelga general, que obtuvo respuesta en todo el territorio nacional. Sin embargo, en dos puntos de la geografía española el movimiento de defensa ante la involución que el gobierno de la CEDA hacía temer tomó un cariz singular: Asturias y Cataluña.

En Asturias, donde la minería era la fuerza obrera principal y donde el socialismo tenía una larga y arraigada ascendencia sobre el movimiento obrero, la huelga desencadenó un movimiento insurreccional que cristalizó en la proclamación de la República de Obreros y Campesinos de Asturias, de carácter socialista. Los obreros, que en guardia por el triunfo de las derechas en 1933 habían hecho previsiones de una acción revolucionaria, y organizados en comités revolucionarios, se apoderaron de los puestos de la Guardia Civil, de las fábricas de armas y de la dinamita de las minas, y constituyeron el llamado “Ejército Rojo”, que se puso en pie de guerra.

La reacción del gobierno de la República Española fue inmediata, iniciando una violenta represión que, tras dos semanas de lucha, puso fin a la sedición. El asalto sin cuartel de las fuerzas gubernamentales, formadas por tropas de la Legión y el cuerpo de Regulares llegadas de Marruecos bajo el mando de los generales Manuel Goded y Francisco Franco, se saldó con más un número de muertos que, dejando al margen el baile de cifras entre los historiadores, se cuenta por varios centenares muertos, probablemente cerca de 2000, y una represión implacable de las organizaciones obreras.

El episodio de Asturias fue, en opinión de muchos, el prólogo o el primer capítulo de la Guerra que estallaría apenas dos años más tarde, el 18 de Julio de 1936, a raíz del golpe de Estado contra la legalidad republicana. Y lo fue tanto por la participación del ejército de África, como por la presencia de sus generales, que liderarían más tarde la sedición, como por el hecho de haber servido de trampolín al general Franco en su carrera militar, que al cabo de pocos meses de estos hechos fue nombrado Jefe del Estado Mayor, como por la brutalidad empleada en el asalt y la represión del movimiento revolucionario.

En Cataluña, el acceso de la CEDA al gobierno hizo suponer no sólo el fracaso de las negociaciones para salvar la Llei de contractes de conreu y la reforma agrària a ella vinculada, sino también la culminación de la campaña que contra el Estatuto de Autonomía y contra la autonomía misma de Cataluña había llevado a cabo sistemáticamente desde el primer momento la formación liderada por Gil Robles. Las expectativas eran funestas: en una España gobernada por la CEDA la autonomía de Cataluña tenía los días contados.

Por eso, el 6 de octubre, cuatro días después de la constitución del nuevo gobierno y apenas dos días después del estallido insurreccional de Asturias, el presidente de Cataluña, Lluís Companys, decidió anticiparse a los malos augurios y proclamó el Estat Català de la República Federal Española, una opción que ya había considerado desde meses atrás, cuando empezó a hacer algunas previsiones y planes que, llegado el momento de la verdad, resultaron totalmente inconsistentes.

También en el caso de Cataluña la reacción del gobierno de la República de Alejandro Lerroux fue inmediata: la declaración del estado de guerra en Cataluña, la toma de posiciones por parte del ejército –bajo las órdenes del general Batet, capitán general de Cataluña, que no aceptó las órdenes del Presidente de la Generalitat–, el asedio a las instituciones de gobierno y la represión. El presidente Lluís Companys, con los miembros del gobierno de Cataluña, fue detenido y encarcelado, primero en un buque de la Armada, el "Uruguay", de donde fue luego trasladado al penal del Puerto de Santa María (Cádiz) para cumplir los 30 años de prisión a que fue condenado. El Estatuto de Cataluña quedó sin efecto y se instauró en Cataluña un régimen de excepción en manos de los radicales lerrouxistas y la CEDA con la aquiescencia de la Lliga, el partido conservador que amparaba los intereses de la burguesía y de los terratenientes; se incautaron tierras a los campesinos, fueron represaliados los dirigentes agrarios y del movimiento obrero; se clausuraron publicaciones, se disolvieron ayuntamientos, se impuso el castellano como lengua de la Administración en Cataluña, se tomó el edificio del Parlamento catalán y fue dedicado a funciones militares... Al mismo tiempo, el gobierno de la República iniciaba un programa de demolición sistemática de todos los progresos conseguidos –que no eran muchos– en el período 1931-1933.

En febrero de 1936, no obstante, caído el gobierno de derechas después de un sinfín de escándalos financieros y de corrupción, triunfó en las elecciones la coalición de izquierdas Frente Popular. Este triunfo supuso el restablecimiento del Estatuto de Cataluña y, en virtud de una amnistía, la recuperación de las instituciones de gobierno catalanas y la liberación de Lluís Companys y los políticos catalanes prisioneros. A su regreso a Barcelona, en un discurso ardoroso y patriótico, Companys hizo una afirmación que la historia ha conservado: "Tornarem a lluitar, tornarem a sofrir, tornarem a vèncer" (volveremos a luchar, volveremos a sufrir, volveremos a vencer).

La vuelta a la situación anterior al régimen de excepción significó la entrada en vigor de la Llei de Contractes de Conreu. Esta vez la Lliga Catalana aceptó, aunque, como es de suponer, sin ningún entusiasmo, la puesta en práctica de una ley que, no obstante, volvería a ser abolida en 1939, tras el triunfo de las fuerzas franquistas y la llamada España Nacional, una España surgida de un golpe de Estado contra la legalidad republicana.

Después de febrero del 36, mientras Alejandro Lerroux se instalaba en Portugal, donde permaneció hasta 1947 y desde donde dio tácitamente su beneplácito al franquismo. José María Gil Robles, aún en España, alentaba y animaba el levantamiento militar que finalmente se produjo el 18 de Julio de aquel año. Estallada la guerra, el dirigente de la CEDA pasó a Francia, desde donde fue a dar también en Portugal y ahí fue miembro del Consejo Privado de Don Juan de Borbón, Conde de Barcelona y padre del actual rey de España, Juan Carlos I; en los primeros años de la década de 1950, regresó a España, donde, desde posiciones democristianas y monárquicas, mantuvo una cierta oposición al régimen franquista; en 1977 participó, sin éxito, en las primeras elecciones de la recién estrenada democracia del posfranquismo.

Lluís Companys siguió al frente del gobierno de Cataluña durante la guerra, hasta que en 1939 pasó a Francia siguiendo el camino del exilio. Allí fue detenido por agentes de la Gestapo y entregado a España, donde fue torturado, encarcelado, sometido a un consejo de guerra, condenado a muerte y fusilado en uno de los baluartes del castillo de Montjuïc, en Barcelona.

Murió descalzo. Dicen que quería sentir bajo las plantas de sus pies la tierra catalana... Dice también alguno de sus biógrafos que, después de los interrogatorios y las torturas, le resultaba imposible calzar zapatos... Dicen también que gritó “Per Catalunya!” antes de caer abatido por las balas...

Era el 15 de octubre de 1940.

Hoy, a punto de cumplirse los 70 años de aquel hecho infame, a punto de cumplirse 25 años de democracia en España, todas las iniciativas y reclamaciones llevadas a cabo ante las instituciones democráticas españolas para conseguir la anulación del Consejo de Guerra a Lluís Companys han fracasado.



publicado por Carlos Loures às 09:00
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