Terça-feira, 26 de Abril de 2011
Sempre Galiza! - Ernesto Guerra da Cal: 2011 centenário do nascimento

Queremos ser parte da homenagem a Ernesto Guerra da Cal - um galego com um coração que também batia por Portugal... e Brasil... e lusofonia, porque transbordava Galiza.

 

Visitem o sítio do centenário do nascimento de Ernesto Guerra da Gal da Academia Galega da Língua Portuguesa.

 

 

 

 

"Eu, sem pejo nenhum, afirmo aqui o meu orgulho de ter sido o primeiro escritor galego, desde o Ressurgimento, a levar a vias de facto essa tão repetidamente desejada aproximação da nossa língua escrita ao português [...] Em 1959 fui de facto “iniciador dessa reintegração” no meu poemário Lua de Alén-Mar, com o que abri fogo nessa batalha [...] Esse apelo não caiu em saco roto. Nele teve princípio a corrente “reintegracionista” contemporânea - na que hoje enfileira o melhor e mais capacitado da nossa mocidade. [...] os que neste momento detêm o poder autonómico - clientes e agentes do Estado Central [...] Esse é o bando da “Xunta de Galicia” [sic], que, de colaboração com algumas entidades “isolacionistas” esclerosadas, engenhou e “oficializou”, de maneira maleficamente subreptícia, umas aberrantes Normas cujo evidente propósito é condenar o galego ao languidescimento como dialecto - do espanhol [...] /eu tenho a convicção de que a única defesa do galego contra a política linguicida dos “espanholizantes” descansa na progressiva adopção do padrão luso-brasileiro que os “reintegracionistas” perfilham".

 

(Ernesto Guerra da Cal, "Antelóquio indispensável", in Futuro Imemorial. Manual de Velhice para Principiantes, Lisboa, 1985, pp. 9-11; recolhido em Vol II, 1986, de Temas de O Ensino, nos 6/10, “Linguística, sociolinguística e literatura galaico-luso-brasileira-africana de expressão portuguesa).

 

 

 

Lançado site comemorativo sobre o centenário do nascimento do professor Ernesto Guerra da Cal

 

A Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), com o apoio doutras entidades cívicas, comemora o 100 aniversário do nascimento do professor, investigador e poeta galego Ernesto Guerra da Cal (1911-1994) com o lugar web Centenário Guerra da Cal.

O lugar acolhe e solicita materiais sobre a sua vida, obra, época e legado intelectual. Para doar materiais, pode utilizar-se o contato na própria página web. O endereço web do site é:http://guerradacal.academiagalega.org.

 

 

 

 

Apresentação

Escrito por Carlos Durão 

    

Ernesto Guerra da Cal (Ferrol, 1911 – Lisboa, 1994) foi o primeiro poeta galego moderno que tratou temas universais, no espaço e no tempo, desde “dentro” e desde “fora”. Foi sem dúvida o poeta galego que mais eco teve dentro e fora da Galiza, como testemunha a abundandíssima bibliografia transnacional e transcontinental a que deu origem a sua obra. E foi, em fim, o professor galego de mais prestígio internacional, autor da por muitos conceitos monumental Língua e Estilo de Eça de Queiroz, e duma viçosa obra devotada à nossa comum cultura galego-portuguesa, para a que viveu e pela que padeceu até morrer no exílio, consequente com as suas ideias e firmes ideais, sem por isso se importar ser sempre proscrito na sua pátria, e até maldito pelos que nela detêm ainda o poder.


Fez os seus estudos universitários em Madrid, onde travou amizade com vultos do galeguismo cultural e político, bem como com outros da cultura espanhola em geral, entre estes o seu amigo F. García Lorca, com quem conviveu na Residencia de Estudiantes e com quem colaborou na gestação dos famosos Seis poemas galegos lorquianos. Ao estourar a chamada “guerra civil” no 1936, alistou-se como voluntário nas Milícias Galegas, combateu pela legalidade republicana na frente de Toledo, e passou à Seção do Exterior do Servicio de Información Militar, do Ministério da Guerra; enviado a Nova Iorque em missão oficial pouco antes da derrocada da frente do Ebro, teve de ficar ali ao rematar a guerra.


Completou os seus estudos universitários na Columbia University, e chegou a ser catedrático na New York University, onde realizou os trabalhos de pesquisa que culminaram no seu magnum opus, a Língua e Estilo de Eça de Queiroz, pelo que é justamente reconhecido e louvado internacionalmente, e condecorado em Portugal. Ocupa-se da parte galega do Dicionário das Literaturas Portuguesa, Galega e Brasileira. Pronuncia conferências, realiza seminários, colabora em trabalhos de investigação para universidades do Brasil e de Portugal, sempre reclamando, em todo o mundo lusófono, o reconhecimento da Galiza como pertencente a esse mundo, e em toda a parte dizendo, sem pejo, que ele era galego.


Nos anos 1959 e 1963 publica os seus seminais poemários Lua de Além-Mar (o primeiro livro em que um autor galego aposta pelo reintegracionismo linguístico após o chamado Rexurdimento) e Rio de Sonho e Tempo, na editora Galaxia, de Vigo.


Reformado da súa cátedra na universidade americana, Guerra da Cal retornou à Europa, primeiro a Estoril, e posteriormente a Londres. Nesses anos impulsou o movimento reintegracionista desde o exílio. Foi graças aos seus contatos com os seus colegas em universidades lusófonas, à sua acessibilidade para a mocidade reintegracionista, e com o seu respaldo académico, que a Galiza conseguiu um merecido posto de observadora nas negociações dos Acordos Ortográficos, em 1986, no Rio, e em 1990, em Lisboa.


Com a sua obra, poética e erudita, com o seu prestígio e impulso ao reintegracionismo, Guerra da Cal deixou um incalculável legado à sua pátria, a “Nação soberana/ sem estrangeiro senhor”, da que ele foi cantor. Por isso foi dela banido, por isso merece sobejamente a nossa sentida homenagem, e por isso descansa hoje entre “os bons e generosos”, que cantou o bardo Pondal.

 

 

 

 

 

Filho Pródigo

  

Abre-me a Porta

Pai!

      Abre-me a Porta!

 

      Porque venho cansado

e derrotado

desfeito

pobre

e nu

      e envergonhado

 

      Tudo esbanjei

Só trago

      encravados no peito

nele bem entranhados

      os pungentes punhais

de todos os Pecados Capitais

 

      Delapidei o rico Património

do teu Amor

      na subida

      arrogante e pressurosa

da Montanha da Vida

 

      E hoje conheço a Dor

Da descida agoniante

      trémula e vagarosa

pela encosta abrolhosa

      na que nos acompanha

      o impiedoso demônio

da consciência dorida

da fortuna malgasta

      dissipada

      e a existência perdida

 

      Abre-me a Porta

Pai!

      E acende a luz da Casa

que outrora foi a minha

     quando eu era inocente

                              criancinha

 

      Não me tardes

Senhor!

      Abre-me a tua Porta luminosa

depressa, por favor!

 

in Futuro Imemorial (Manual de Velhice para Principiantes), Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa, 1985

 

 

 

Morrinha de Rio e Lua lido por Celia Díaz

 


 

 

 

PÁTRIA


«Porque volvió, sin regresar, Ulises.»

MIGUEL ANGEL ASTURIAS

 

 

A Galiza

 

é para mim

 

um mito pessoal

 

maternal e nutrício

 

com longa teimosia elaborado

 

de louco amor filial

 

de degredado

 

(E de facto é também

 

—porquê não confessá-lo—

 

um execrável vício

 

sublimado)

 


A Galiza

 

foi sempre para mim

 

um refúgio mental

 

um jardim de lembranças

 

sossegado

 

um ninho de frouxel acolhedor

 

para onde fugir

 

do duro batalhar e do estridor

 

da Vida

 

e do acre ressaibo do Pecado

 

Subterfúgio subtil

 

e purificador

 

de interior evasão

 

para o descanso da alma

 

na calma

 

pastoril

 

da perfeição de Arcádia

 

da Terra Prometida

 

da imaginação

 


A Galiza

 

é o meu amor constante

 

tranquila e fiel esposa

 

e impetuosa amante

 

sempre

 

como Penélope a tecer

 

na espera

 

ansiosa e plácida

 

paciente e palpitante

 

do retorno final

 

do seu errante e navegante Ulisses

 

—outra quimera!

 


Amo-a

 

como o náufrago desesperado

 

ama a costa longínqua e ansiada

 

que nunca há-de avistar

 

Amo-a

 

com saudade antevista de emigrado

 

que à partida se sabe já

 

fadado

 

a ser ausente morrinhento*

 

de nunca mais voltar

 

Porque ninguém jamais regressa do desterro

 

à mesma terra que deixou

 

(O Espaço dissolve-se no Tempo:

 

os lugares

 

e as gentes que os habitam

 

mudam e morrem sempre

 

e nós também morremos

 

e mudamos

 

Posso eu acaso me reconhecer

 

naquele rapaz loiro

 

que chorando partiu

 

um dia crepuscular e montanhoso

 

de Quiroga

 

no Sil

 

há tantos anos

 

e tantos desenganos?)

 


Amo-a
Amei-a sempre

 

porque nunca deixei

 

de estar ligado a Ela

 

pelo umbigo

 

Porque Ela foi meu berço

 

e onde quer que eu morrer

 

Ela há-de ser

 

o meu íntimo

 

e último jazigo

 


Amo-te
enfim
Galiza

 

coitada, triste e bela Pátria minha

 

como Tu és

 

como o Senhor

 

num mal dia te fez

 

órfã de história e alienada de alma

 

vespertina submissa e maliciosa

 

rústica e pobrezinha

 


Amo-te
sobretudo

 

como eu te quereria

 

como eu em mim te crio

 

dia após dia

 

como um encantamento da minha infância

 

e da minha fantasia

 


Amo-te
como eu

 

tresnoitado poeta evangelista

 

te invento e mitifico

 

E, como com Jesus Cristo fez Mateus,

 

visto com ilusórios véus

 

a tua miseranda e cinzenta Paixão

 

e intento

 

com interna e intensa

 

distante devoção

 

pôr-te um ninho de Glória imaginária

 

num apócrifo Novo Testamento

 

ESTORIL 
      1984

 

——————
*De morrinha: saudade da terra natal.



publicado por Pedro Godinho às 11:00
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011
Sempre Galiza! – Galegos de Londres. Notas (3), por Carlos Durão
coordenação de Pedro Godinho

Galegos de Londres. Notas (3)
por Carlos Durão

(conclusão)
Nos anos 70 a TGWU (Transport & General Workers Union) tinha uma seção que sindicava os trabalhadores estrangeiros da hostelaria, entre eles os galegos e os portugueses; eles não precisavam do inglês para se comunicarem entre si; uma das consequências lógicas, para alguns de nós, era que falavam a mesma língua; mas isto era anátema para certo nacionalismo galego.
[Talvez não seja este o lugar mais apropriado para tratar este assunto pelo miúdo, mas cumpre deixar constância, porque é pertinente para a história daqueles anos e porque pode explicar alguns erros de perspetiva: muitas diferenças com alguns diretivos das formações políticas galegas “de esquerda” tiveram a sua origem na conceção da nossa língua: galego-espanhola por um lado, ou galego-portuguesa por outro; também na crítica, quando havia que fazê-la, à União Soviética: a questão do "moldávio", entre outras, era inevitável para mim, movendo-me no mundo das línguas nos organismos internacionais. “Desviacionismo burguês”, “enfermidade infantil do nacionalismo”, “imperialismo linguístico”, “irredentismo”, eram algumas das acusações lançadas na altura contra os reintegracionistas por certo nacionalismo galego, dando-se o feito curioso de os diretivos de certo partido fazerem uma “tradución” (sic) dalgum dos primeiros documentos reintegracionistas (já no 1977!) a eles enviados. O “lério da ortografia” (exatamente como para R. Piñeiro!) era espantalho escandaloso para eles: não de fiar, até subversivo.  E estava, ainda, a questão de fundo da “nación” (digamos o “nación-alismo”), da obviedade de a nossa nacionalidade ser incompleta, pelo sul e pelo leste: não Galicia mas Galiza, etc. , o que era ainda mais heterodoxo. Não se faziam questão da norma "galega" deliberadamente ligada ao espanhol, tratando-se de criar um novo "idioma" totalmente independente do português (uma espécie de crioulo) submetido e confinado dentro das fronteiras do Estado Espanhol (a este respeito, os partidos catalães iam com anos-luz de dianteira, e inteligência, na consideração da unidade da língua comum aos países catalães). Tinham também essas pessoas certa ingenuidade a respeito da complexidade incontornável da vida real: no fundo era a incapacidade de ver além duma retórica “proletária” e uma prática machista.]
Em fim, fui co-fundador, acionista e correspondente em Londres do primeiro semanário ANT (o A Nosa Terra reiniciado no 1977, cuja marca fora registada em Madri por J.L. Fontenla R.); ajudei I. Padim Cortegoso com a sua tese sobre a emigração, quando ele estava na cadeia; e fui co-fundador das Irmandades da Fala e encarregado da sua delegação em Londres (também sócio da AGAL desde o começo).
Depois da catástrofe do navio Prestige nas costas galegas, constituiu-se o Grupo Galegos de Londres (utilizando conscientemente o título dum romance meu), que desenvolveu atividades arredor das movimentações anti-poluição, manifestando-se diante do edifício da Organização Marítima Internacional para protestar pela inoperância das suas medidas contra a contaminação e pela cumplicidade e hipocrisia das autoridades espanholas, e lendo uma proclama da plataforma Nunca Mais (com César Varela e Rafa Porro, do CGL), que depois entregamos no local da OMI; teve também intervenções no Foro Social Europeu.
Também facilitei logística para a organização ecologista ADEGA, e organizei nos anos 80 as protestas contra os vertimentos de resíduos radiativos ingleses na Fossa Atlântica (na minha casa pararam Bautista Álvarez e Modesto Solla, a pedido de Francisco Rodríguez); noutra ocasião veio um autocarro cheio de ecologistas galegos (com Carlos Vales), que não cabiam na minha casa e tiveram que acampar no jardim: a alguns deles tive eu que tirá-los depois da cadeia, com a intervenção do cônsul espanhol. (Na minha casa hospedaram-se também, em épocas diferentes, R. Piñeiro, Á. Cunqueiro, J.L. Fontenla e Ma do Carmo Henríquez Salido.)
Nos anos 90 coube-me a grande honra de ligar aqui com Ernesto Guerra da Cal para atividades luso-reintegracionistas, entre elas a participação galega nas negociações dos Acordos Ortográficos, que ele conseguiu para nós utilizando os seus contatos luso-brasileiros. A minha relação com ele, já anterior, foi assídua quando ele morou em Londres; seria prolixo narrar aqui a vasta panorâmica dos temas tratados no nosso relacionamento; citarei só a referência ao seu tio-avô Inocêncio (que “foi assassinado pelos franquistas em Vigo”), e ao livro que ele estava a preparar sobre aspetos inéditos dos “Seis poemas galegos” do seu amigo Lorca (desde a madrilena Residencia de Estudiantes), quando o surpreendeu a morte; mencionarei ainda que a sua biblioteca (vastíssima em temas queirosianos e da cultura galego-portuguesa em geral) foi afinal doada à Hispanic Society of New York, por desídia das instituições “oficiais” galegas (algo similar aconteceu com a administração do Arquivo Sonoro da Galiza, a quem eu infrutuosamente propusera que gravassem a voz daquele galego universal.)
Num simpósio na Universidade de Londres coincidi com os já conhecidos Carlos Casares, Xavier Carro e Salvador García-Bodaño, como, independentemente, com Celso Emilio Ferreiro, Augusto Assía e o correspondente da Agência EFE Ramón L. Acuña S. E num simpósio na Universidade de Oxford conheci o artífice principal do “galego de seu”, Constantino García (quem não gostou nadinha de ser abertamente contradito numa universidade na que ele não tinha valimento nenhum.)
Embora não entrem estritamente nesta categoria de “galegos de Londres”, quero lembrar aqui Paco del Riego (dentro da minha relação com as pessoas da editora Galáxia e a revista Grial), como também X.L. Franco Grande (para cujo Diccionario galego-castelán enviei material lexicográfico), e finalmente os irmãos Facal, Pepe Devesa e algum outro do velho Grupo Brais Pinto, dos meus tempos de Madri.
Carlos Durão
Londres
14 de março de 2010





publicado por Pedro Godinho às 09:00
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011
Sempre Galiza! – Galegos de Londres. Notas (2), por Carlos Durão

coordenação de Pedro Godinho

 

 

Galegos de Londres. Notas (2)

por Carlos Durão

 

(continuação)


Mais adiante os centros da emigração agruparam-se na FAEERU (“Federación de Asociaciones de Emigrantes Españoles en el Reino Unido”). Proliferavam então as plataformas e “plata-juntas”, e veio também por aqui o “camarada” Santiago Carrillo, que era tão ignorante das questões galegas que chegou a pronunciar “Castelado” (porque pensava que “Castelão” era uma corrução espanhola dessa suposta forma!).  Também o Marcelino Camacho deu aqui o seu mítim, e travou relação conosco.


Anos depois, o jornalista galego (e colaborador do Centro Galego) Emilio López Méndez dirigia Cuenta Atrás (“revista de cultura y temas de emigración”), onde tinha cabida algum texto galego (como também na revista Emigrante, igualmente bilingue, da que eu fui co-fundador). Outro contato era o basco exilado Alberto Elosegi (que assinava os seus escritos como "Paul de Garat"): era irmão daquele rapaz, Joseba Elosegi, que se lançara envolto em chamas diante de Franco no frontão de Anoeta em 1970.


Ao mencionado Grupo de Trabalho Galego de Londres pertenciam a escritora Ma Teresa Barro, o tradutor e escritor Fernando Pérez-Barreiro Nolla, o ceramista Xavier Toubes, o pintor e professor Manuel Fernández-Gasalla, e eu próprio.  Publicava um Boletim quasi-bimestral, que enviava aos mestres rurais para se familiarizarem com a primeira Lei do Ensino, de 1970, pela possibilidade que abria de ensinar galego na escola.  A sua seção de correspondência estava aberta fundamentalmente aos mestres, mas também a qualquer vulto interessado nestas questões, como foi o caso do escritor galego Ben-Cho-Shey, o prof. brasileiro/português Agostinho da Silva ou o prof. português M. Rodrigues Lapa, que enviavam contributos.  O Boletim incluía um suplemento com material escolar imediatamente utilizável.  Nos suplementos dos nos. 7 e 8 (fevereiro e abril do 72), o Boletim levava textos portugueses, com algumas instruções para facilitar a sua leitura.  No no. 9 (Natal) fazia-se um primeiro intento de adaptar textos de Castelão à ortografia comum.  Os componentes do GTGL publicaram um Plano Pedagógico Galego.


Andando o tempo, aquela agrupação cindiu-se amistosamente num novo GTGL (3a etapa, na que não estava eu, mas nele entrara o jornalista Ricardo Palmás Casal), e mais um Seminário de Estudos Galegos de Londres (no que sim estava eu), em colaboração com a Comissão Cultural do Centro Galego de Londres e o Greater London Council (que custeava as despesas do local). Na primeira etapa, foi útil a colaboração dos italianos de Lotta Continua na impressão do Boletim.


O CGL celebrava o Dia das Letras Galegas, o Dia da Pátria Galega (daquela Dia de Galicia), romarias, juntanças, bailes; embora não fosse precisamente a favor de eventos culturais/políticos (a sua Diretiva preferia convidar o então embaixador, Fraga Iribarne), ali conseguimos levar em diferentes épocas conferenciantes como X.A. Montero, J.L. Fontenla R., Santiago Álvarez, I.A. Estraviz, Camilo Nogueira, David Mackenzie. Fora Presidente durante anos Manuel Díaz, do PCG. Publicou alguma revista (Galicia en Londres) e mais uma edição inglesa de A Virxe do Cristal, de Curros, dirigida por Bieito Batán. Na Comissão Cultural do Centro Galego de Londres desenvolvi eu trabalhos ao longo dos anos, não sempre fáceis, e traduzi para galego os Estatutos do Centro, que antes estavam em espanhol.


Mantinha eu também contatos com Amnesty International, à que apresentei um relatório (no 70) a respeito da situação da língua na Galiza, e sobre a prisão de X.L. Méndez Ferrín, por ter ele escrito um romance sobre a guerrilha galega. AI enviou um advogado à Galiza para assessorar no caso. E ainda li eu uma nota sobre Ferrín pelos microfones da BBC.


Quanto ao Consello de Galiza, tivemos um breve contato com a sua delegação em Paris (Xavier Alvajar, das Irmandades Galegas, que mandaram alguma documentação, as Atas da Constituição, textos de Castelão, etc., e deram-nos um contato em Londres), mas era já a época da “transición”, e o centro de gravidade da política de oposição retornou ao “interior”; antes, como bem indicara Castelão, procurávamos seguir o seu conselho aos antifascistas galegos exilados: que não devia haver partidos políticos no exílio, porque não havia então possibilidade de eleições. Ainda tivéramos outros contatos, estes culturais, com o Consello da Cultura Galega, do Centro Galego de Buenos Aires.


Em deslocamentos à Suíça tive contatos com companheiros da Sociedade A Nosa Galiza, de Genebra (M. Suárez López; também com o cantante exilado Xerardo Moscoso, e com Xosé García). Posteriormente fui, para palestras de tema reintegracionista, à Bélgica, à Holanda (Universidade de Groninga, em colaboração com Domingos Prieto e o Lar Galego de Roterdão), e à Alemanha (Universidade Ludwig Maximilian, em colaboração com Carlos Oliveira e a Penha Galega de Munique).


Em certa altura desenvolveu atividades diversas uma denominada “célula de simpatizantes” da UPG em Londres, entre eles A. González Bouzas, X. Matalobos, J. Carvalho (militante) e eu: facilitava logística, publicações, e alguns fundos; posteriormente aquele apoio transferiu-se ao BNG, com César Varela (militante); e Ana Miranda vinha desde Bruxelas (quando era secretária do eurodeputado Camilo Nogueira) para nos informar. Igualmente tivemos juntanças, informais, com Manuel Beiras e Camilo Nogueira. Mas nunca deixamos de atender corretamente alguns representantes da Xunta de Galicia, ainda tendo políticas diametralmente opostas a respeito da língua (e não só). Outro tanto com representantes da Casa de España e do Colegio Español em Londres.

 

(conclui dia 25)

 

 



publicado por Pedro Godinho às 09:00
editado por Luis Moreira às 01:07
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Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011
Sempre Galiza! – Galegos de Londres. Notas, por Carlos Durão

coordenação de Pedro Godinho

 

Os textos de Carlos Durão são preciosos para quem se interessa pela história e problemática galega. Depois da publicação do ensaio “Síntese do reintegracionismo contemporâneo” (http://estrolabio.blogs.sapo.pt/901682.html) iniciamos hoje a publicação das suas “notas” londrinas que nos transmitem como aí o exílio e emigração galegos acompanhavam as movimentações no ‘interior’ dos Estados português e espanhol.


[as “notas” já foram também publicadas pela revista Novas da Galiza, nº 89, abril 2010; no PGL, (http://www.pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=2285:galegos-de-londres-notas&catid=27:novas-da-galiza&Itemid=83); em Galiza livre (http://galizalivre.org/?q=colaboracom/galegos-de-londres-notas) e em http://lacomunidad.elpais.com/monchofidalgo/posts]

 

 

Galegos de Londres. Notas

 

por Carlos Durão

 

 

Tentarei sintetizar algo da atividade cultural e política dos que talvez poderíamos denominar “galegos de Londres” (com algum excurso ao continente), nos derradeiros decénios, e sempre do meu ponto de vista e lembranças, necessariamente limitados.


É sabido que a emissora de rádio britânica BBC tivera um programa galego (assim chamado: Galician Programme) nos anos 40 e 50 do século passado, nomeadamente entre 1947 (14 de abril!) e 1956, dentro do programa espanhol, que era dirigido por George Hills, filho de espanhola (havia também os correspondentes programas em catalão e em euskara); quem se encarregava do programa galego era Alexandro Raimúndez (sob o pseudónimo de Xavier Fernández); Plácido R. Castro foi ali o colaborador principal, mas também, desde a Galiza, F. Fernández del Riego e, com menos participação nos programas, Augusto Assía, R. Carvalho Calero, Celso E. Ferreiro, Ramón Piñeiro, Manuel Maria, Ben-Cho-Shey, Ánxel Fole, R. Otero Pedraio, R. Vilar Ponte, F. López Cuevillas, F. Bouza-Brey, X.Ma e Emilio Álvarez Blázquez, L. Carré Alvarellos, Rafael Dieste, Álvaro Cunqueiro e outros.


O conteúdo daqueles programas “regionais” era mormente cultural, mas a sua projeção política era clara: eram os anos em que existia o governo no exílio, presidido por José Giral (no que estava Castelão), e em que a ONU decretara o isolamento do regime de Franco, com a retirada dos embaixadores, etapa que só remata quando o "Estado Español" (que assim se auto-denominava) ingressa na ONU, apoiado pelo voto americano, Estados do N e do S (muitos destes regimes autoritários).


Não foram essas as únicas emissões galegas no estrangeiro naquela época: em Buenos Aires tinha então Luís Seoane um programa de rádio (Galicia emigrante) e, de Nova Iorque, chegava a voz galega de E. Guerra da Cal (na Voice of America).


Também eu trabalhei nesse departamento da BBC, mas nos anos 60 (chamava-se então Spanish and Portuguese Section), quando já não estavam ali os galegos Alexandro Raimúndez e Plácido Castro, mas sim Ramón Lugrís e Fernando Pérez-Barreiro; entre os colaboradores da Galiza estava na altura V. Paz Andrade; por parte portuguesa colaborava António de Figueiredo. (Outro exilado galego [de nascimento] que colaborava nas emissões em espanhol era Salvador de Madariaga, que fora ministro e diplomata da República.)


Como mostras da atividade cultural e política galega daqueles anos assinalarei o Centro Galego de Londres, o Grupo de Trabalho Galego e as colaborações mais ou menos formais dalguns de nós com “o interior” e com agrupações do resto do Estado Espanhol, que estavam muito ativas na emigração e o exílio europeus e americanos, naquela etapa anterior à denominada “transición”.


Existia, p.ex., um Centro Ibérico (também denominado Centre Ibèric/Erditoki Iberikoaren). Ali travamos relação muitos oponentes dos regimes franquista e salazarista com outros exilados: anarquistas espanhóis da CNT (p.ex. José García Pradas, derradeiro redator-chefe do diário CNT); catalães, exilados já desde a ditadura de Primo de Rivera (p.ex. Jordi Vilanova, que estava a negociar o retorno de Tarradellas); antifascistas portugueses (p.ex. o mencionado António de Figueiredo, que fora secretário de Humberto Delgado: ele lembrava que galegos e portugueses colaboraram no sequestro do navio português Santa Maria por Galvão); os portugueses tinham também o seu Centro, que se chamava Liga Portuguesa do Ensino, onde nós, os galegos, éramos sempre bem-vindos.


Representando ARDE (“Acción Republicana Democrática Española”) lembro que estava Luis Portillo Pérez, que foi o derradeiro cônsul da República no Reino Unido (e pai do ex ministro conservador inglês Michael Portillo); entre os catalães, além do mencionado Vilanova, acho que também estava Carles Busquet, com quem coincidíamos igualmente nas chamadas Cenas de la República a cada 14 de abril (ele estivera nos serviços secretos da Generalitat, e passara a colaborar com os correspondentes serviços britânicos na 2a guerra mundial: dava-nos informação sobre a participação de antifascistas galegos em operações inglesas, como o desembarco em Narvik, ou soviéticas, como do general galego Líster, ou dos galegos que lutaram na Divisão Leclerc, que libertou Paris, ou os que foram ter ao campo de concentração de Mauthausen; também do Consello de Galiza, com o que posteriormente tivemos contatos). Com outro exilado espanhol, Rafael M. Nadal (amigo de Lorca, como Guerra da Cal), tive eu na altura contatos político-culturais.


Era a época das grandes manifestações, contra a guerra do Vietname; a favor de Bernadette Devlin (p. ex. em relação com o Bloody Sunday na Irlanda do Norte); o maio do 68 (mormente francês); as ocupações de casas vazias; a grande manifestação do 73 contra a visita de Marcelo Caetano (meio milhão de pessoas), momento álgido da luta antifascista portuguesa, na que havia uma forte presença de galegos, com bandeiras de estrelas, e onde se confundia “o português” e “o galego” nos cartazes.


(continua dia 21)

 

 

 



publicado por Pedro Godinho às 09:00
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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011
Sempre Galiza! – Síntese do reintegracionismo contemporâneo, por Carlos Durão : ligações
coordenação de Pedro Godinho

Dia após dia, desde 8 de Novembro e até 11 de Dezembro de 2010 - com a excepção de 26 de Novembro, dia que o Estrolabio dedicou ao Porto -, publicámos no Sempre Galiza! o importante trabalho de Carlos Durão, Síntese do reintegracionismo contemporâneo.

Para facilitar a sua consulta e leitura, e corresponder às várias solicitações nesse sentido, listamos hoje, sequencialmente, as ligações para os 33 episódios em que publicámos o ensaio do professor Carlos Durão.

Síntese do reintegracionismo contemporâneo
por Carlos Durão

« Nota prévia: O presente trabalho foi concebido com o alvo eminentemente prático de orientar as pessoas que se acheguem sem preconceitos à problemática do idioma galego. Não é um ensaio histórico: só “contemporâneo”; e não é um estudo em profundidade: só uma “síntese”; tem, sim, uma parte de história recente, mas sobretudo quer refletir os testemunhos de um grande conjunto de pessoas que, em muitos casos independentemente umas das outras, chegaram a conclusões parecidas e convergentes: por isso elas não figuram no texto em ordem histórica nem alfabética. E, pelas mesmas razões, conclui com um mínimo de bibliografia e endereços de organizações reintegracionistas. Uma versão abreviada foi publicada no 1º Boletim da AGLP, 2008.

Introdução
O alvo do REINTEGRACIONISMO é reintegrar as falas galegas do norte da raia galego-portuguesa (e leste da Comunidade Autónoma da Galiza, nas comarcas limítrofes do chamado galego oriental) no seio da língua inicialmente galaico-portuguesa e hoje internacionalmente conhecida como portuguesa: em fim reconstituir a unidade da língua nada na velha Galécia.
Embora fosse por fins dos anos 70 e princípios dos 80 do século XX quando se começou a espalhar o emprego dos termos REINTEGRACIONISMO e REINTEGRACIONISTA na cultura galega, o conceito é facilmente identificável desde muitos anos antes na obra de autores diversos que à primeira vista não pareceriam estar associados a este movimento. »

Aqui fica a lista das ligações
(a divisão do ensaio de Carlos Durão foi da responsabilidade do Estrolabio com vista à sua publicação no blogue):

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (1)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (2)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (3)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (4)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (5)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (6)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (7)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (8)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (9)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (10)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (11)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (12)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (13)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (14)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (15)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (16)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (17)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (18)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (19)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (20)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (21)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (22)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (23)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (24)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (25)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (26)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (27)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (28)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (29)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (30)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (31)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (32)
Síntese do reintegracionismo contemporâneo (33)

Notícias

Há um novo portal galego a visitar:
http://anossalingua.forum-livre.com/


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Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010
Os dez mais - Evento - Quatro momentos-chave do galego-português
Carlos Loures

Da forma atrabiliária que já denunciei, fui ziguezagueando pelos temas que dizem respeito ao idioma galego-português. Não esquecendo que o objectivo destes textos é o de determinar o momento chave de uma dada literatura. Em jeito de quem apanha pedaços dispersos, eu diria que houve três momentos chave na história do galego-português. Refiro-me à língua falada desde a Alta Idade Média nos territórios da antiga província romana da Gallaecia, uma variante neolatina ou, como diz com maior rigor científico Carvalho Calero, uma forma primitiva do romance hispânico ocidental. Forma que veio a resultar no galego-português (ou galaico-português).

Muito basicamente, descrevi, com a ajuda do Professor Villares, o momento da separação das duas partes irmãs, em que começou a deriva histórica e consequentemente a linguística. Deste período medieval há, quanto a mim, um primeiro evento assinalável - quando, no século XII, a poesia lírica produzida e escrita em galego-português, ultrapassando as suas fronteiras geográficas, chegava a Leão e Castela – as «Cantigas de Santa Maria», do rei Afonso X, o Sábio, foram escritas em galego-português.


Depois da separação política enquanto a agressão aculturante do castelhano começava o seu trabalho, a Sul do Minho a língua comum construía-se, enriquecia-se - Fernão Lopes, Gil Vicente, Sá de Miranda, Camões, para referir só alguns nomes, tiveram na criação da língua e na sua fixação em monumentos literários. E neste segundo ciclo da língua, há um segundo momento crucial quando Portugal, virando costas à Europa, se aventurou mar fora. Foi mercê dessa decisão e da política de navegações sonhada por D. Henrique e levada a cabo por D. João II, que começou a grandeza da língua, hoje falada por 240 milhões de pessoas em nove nações, sendo que a projecção demográfica para 2050 prevê que 350 milhões a falem.

Porém, ao longo de seis séculos de domínio estrangeiro, o galego fora invadido por castelhanismos, inquinado foneticamente e não só. Na Galiza o idioma parecia perdido. Mas não – no século XIX, com o Rexurdimento de Rosalía, Murguia, Pondal e tantos outros, a língua e a cultura galegas começaram a recuperar a sua identidade usurpada. Este renascer do amor pelo idioma, quando o galego estava já remetido à condição de dialecto rural do castelhano é, na minha opinião, o terceiro momento-chave na história da cultura galega.

Diria que estamos a viver um quarto momento-chave. Os filólogos portugueses e galegos (Manuel Rodrigues Lapa, Ricardo Carvalho Calero e muitos outros) criaram condições para que se pensasse na reintegração do galego na família da lusofonia. Do ponto de vista da ciência linguística não parece existir dúvida de que português e galego nasceram de uma mesma matriz. Podemos chamar por isso galego-português ao idioma que, sob duas formas dialectais, falamos lá e aqui. Reintegrar o galego no português ou o português no galego (chamo de novo a atenção para o excelente trabalho de Carlos Durão – “Síntese do reintegracionismo contemporâneo” – trabalho de grande envergadura, é uma das mais claras exposições sobre este tema que me tem sido dado ler). Mas que fique bem claro que quando se fala de reintegrar, não se fala de Portugal anexar politicamente a Galiza, mas sim do regresso do seu idioma à família a que nunca deixou de pertencer.


publicado por Carlos Loures às 02:00
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Sábado, 11 de Dezembro de 2010
Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (33), por Carlos Durão
coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (33)
  por Carlos Durão

(continuação)

Alguns textos literários reintegracionistas

"Contemporâneos":

Iolanda Aldrei, A palavra no ar, Cadernos do Povo/Poesia, Ponte Vedra-Braga, 1990
Artur Alonso Novelhe, Umha meixela depois a outra, AGAL, 2005
Júlio Béjar et alii, Fogo cruzado, AGAL, 1989
Kike Benlloch, Longe, tão perto, AGAL, 2004
Ângelo Brea, Livro do caminho, Cadernos do Povo/Poesia, Ponte Vedra-Braga, 1989
- id., O país dos nevoeiros, Eds. Espiral Maior, Corunha, 2005
Amado L. Caeiro, Baralha de sonhos, Cadernos do Povo/Poesia, 1985
Carvalho Calero, Cantigas de amigo e outros poemas, AGAL, 1986
- id., Scórpio, 1987, Prémio da crítica espanhola
J.A. Corral Iglésias, Palavra e Memória, AGAL, 1997
-id., Acarom da brêtema, AGAL, 1999
-id., Detrás da palavra, AGAL, 2004
Henrique da Costa, Mar para todo o sempre
Isaac Díaz Pardo, Tentando construir uma esfinge de pedra, Eds. do Castro, Sada, 2007
Carlos Durão, O silencio, nós (novela escrita com a ortografia do Acordo de 1986), CP, PV-B, 1988
- id., "Focagens/Fogagens", Coleção de poesia 5+2=8 Etc aos 4 ventos, Ponte Vedra-Braga, 1991
- id., "Paralaxes", Coleção de poesia 5+2=8 Etc aos 4 ventos, Ponte Vedra-Braga, 1994
J. L. Fontenla Rodrigues, Poemas de Paris e outros poemas, CP/Poesia, Irmandades da Fala, 1985
António Gil Hernández, Luzes e espírito, Cadernos do Povo/Poesia, Ponte Vedra-Braga, 1990
Joel R. Gomes, Quando o Sol Arde na Noite, AGAL, 1990
-  id., A desforra, Ed. Cadernos da Escola dramática Galega, Crunha, 1991
-  id., Teatro à medida e pronto para si, AGAL, 1998
Ernesto Guerra da Cal, Lua de Além-Mar e Rio de Sonho e Tempo, AGAL, 1991
- id., Caracol ao Pôr-do-Sol, AGAL, 2001 (2ª ed.)
João Guisan Seixas, Origem certa do farol de Alexandria, AGAL, 1989
Mário Herrero Valeiro, A vida extrema, Arcosonline, 2005
Manuel Maria, Versos do lume e o vaga-lume, Galiza Editora, Ourense, 1983
- id., A luz ressuscitada, AGAL, 1984
- id., Oráculos para cavalinhos-do-demo, Caixa Ourense, 1986
Jenaro Marinhas, A Vida Escura, AGAL, 1987
- id., Ramo cativo, Sotelo Blanco Ed, 1990
- id., Caderno de Notas, Prensa & Criación, ANT, 2008
Paulo Meraio, 18 Etopeias-Retratos com paisagem, Arcosonline, 2007
Raquel Miragaia, Diário comboio, AGAL/Laiovento, Santiago, 2002
- id., Em tránsito, Difusora das Letras, Ourense, 2007
Alberte Momán, Erótica, Arcosonline, 2005 (2ª ed. Lulu.com, 2008)
J.M. Montero Santalha, Oxalá voltassem tempos idos, Laiovento, 1994 (prémio Carvalho Calero)
Xavier Olariaga: O berro, Toxosoutos, Noia, 1999
João Padrão, Teatro (Ítaca), Cadernos do Povo/Teatro, Ponte Vedra-Braga, 1989
- id., Sememas, Cadernos do Povo/Poesia, Ponte Vedra-Braga, 1990
- id., Poesia (chrónos kai kairós), Cadernos do Povo/Poesia, Ponte Vedra-Braga, 1992
- id., Poemas para Cynara, Cadernos do Povo, Ponte Vedra-Braga, 2000
- id., Sem título, Cadernos do Povo, Ponte Vedra-Braga, 2005
Carlos Quiroga, O Regresso a Arder, AGAL, 2005
- id., Inxalá, Ames, Laiovento, 2006. Ed. portuguesa: Matosinhos-Lisboa, QuidNovi, 2008
José-Ramom Rodrigues Fernandes, Seguindo o caminho do vento, CP/Romance, I. Fala, 1985
- id., Contos de fada em dó maior, CP/Ficção, PV-Braga, 1987
- id., Luzia ou o canto das sereias, CP/Romance, PVBraga, 1989
- id., O sereno (Um guerrilheiro em Estalinegrado), 2ª ed., Renovação/Narrativa, Ourense (Galiza), 1990
- id., Contos do outono, Renovação/Narrativa, Madrid, 1996
Luís Roïz & João Padrão, Poemas lusófonos, CPPVB, 1997
Concha Rousia, As sete fontes, Arcosonline, 2005 (http://www.arcosonline.com/)
Paula San Vicente, Gatos a Lápis sem Ponta, Editora Caminho, 1998
- id., As idades dela, in vol. coletivo Contos da baiuca, Espiral Maior, 2006 (prémio Manuel Murguia)
- id., Fios-de-contas, Laiovento, 2007 (prémio Carvalho Calero)
Crisanto Veiguela, A Vida Sempre e Sobretodo, Arte Tripharia. Madrid, 2001


Revistas de criação:

"Mátria da palavra (antologia de poetas galego-lusófonos)", C. do P., Ponte Vedra-Braga, 1990
"Antologia de poesia lusófona", Cadernos do Povo, Ponte Vedra-Braga, 1994


"Históricos":

Eduardo Pondal, Queixumes dos pinheiros e outros poemas (ed. de Ângelo Brea), CPPVB, N. 35-38, 1996
João Vicente Biqueira (1886-1924), Obra selecta (poesia e ensaio) [ed. ao cuidado de A. Gil Hernández], Cadernos do Povo, Ponte Vedra-Braga, No. 43-46, 1998
Rosália de Castro, Cantares galegos (coordenação de Ângelo Brea), N. 47-50, CPPVB, 1999
- id., Antologia poética. Cancioneiro rosaliano, selecção e organização, adaptações do galego, versões do espanhol, do catalão e do inglês, apresentação e notas de Ernesto Guerra da Cal, Colecção Poesia e Verdade, Guimarães Editores, 1985 [Lisboa]
- id., 1837-1885: Folhas Novas/Rosalía de Castro: ediçom crítica de E. Souto Presedo; prólogo de   F. Salinas Portugal [Corunha?]: AGAL [1985], Col. Clássicos
- id., Cantares Galegos, ed. da AGLP, preparada por Higino Martins Esteves, 2010
Armando Cotarelo Valhedor, Trebón, ed. de Ramom Reimunde, AGAL, 1984
Marcial Valladares, Ayes de mi país, ed. de J.L. do Pico Orjais e I. Rei Sanmartim, Dos Acordes, Baiona, 2010

Anteriormente: “Nos picoutos de Antoim” (Carré Alvarelhos), “Seitura” (Bouça Brei), e revista Quatro ventos nos anos 50 em Braga

(fim)


publicado por estrolabio às 10:00
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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010
Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (32), por Carlos Durão
coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (32)
  por Carlos Durão

(continuação)

Algumas publicações periódicas reintegracionistas

O tempo e o modo (Revista Nacionalista Galega de Política, Economia e Ciências Sociais, Galiza Editora, Ourense, 1o e único no em julho de 1982), revista da Irmandade Galega-Lôstrego (Madrid, 1982), Areia (órgão de Mulheres Nacionalistas Galegas, começou-se a publicar no 1987, substituída por Deliberadamente), Folhas de Cibrão (de universitários compostelanos, 2 nos, 1989/1990), Povo Unido (da Assembleia do Povo Unido, 1990/91), Spesial Zombis (banda desenhada publicada por Frente Comixário desde 1992), A Treu (das Juntas Galegas pola Amnistia, desde 1993), Gaiola Aberta (desde 1993, promovida por profissionais da saúde mental, Compostela), Informaçom Obreira (independentista, desde 1995), O Enchufe (do Colectivo A Corrente, da Faculdade de Biologia compostelana, desde 1996), Mal-Dizer (editada desde 1999 pelo Sindicato de Estudantes Independentistas da USC), O Pedroso (Compostela, de Nós-UP, como também Voz Própria: http://www.nosgaliza.org/principal.php?pag=lernot&id=1387), Outras Vozes (editada em Compostela pelos Comités de Solidariedade com América Latina), Oito e Médio (Noia), A Peneira, Luzes de Galiza, Cadernos da Escola Dramática Galega, A Bategada, Hermes, Vozes Livres, Galiza Livre (http://www.galizalivre.org/), Galiza Ceive (http://www.hi5.com/friend/group/1748843--GALIZA%2BCEIVE--front-html), Sopirrait (http://www.udc.es/dep/lx/cac/sopirrait/), Galiza Solidária (publicada por Comissão Reunificação Nacional da Galiza e Portugal: http://galizaunidaportugal.blogspot.com/2007_02_01_archive.html), Boletim da AGLP (no 1, setembro 2008; com Anexo no 1, abril 2009; saíram tb os nos 2 e 3).

Alguns coletivos reintegracionistas

AMI (Assembleia da Mocidade Independentista, http://www.ami-gz.org/), Aguilhoar, Centro Social da Límia (http://agal-gz.org/blogues/index.php/aguilhoar/), Gentalha do Pichel, Compostela (http://agal-gz.org/blogues/index.php/gent/), Cogarro (Coordenadora Galega de Roteiros, http://www.cogarro.info/), organização Primeira Linha do MLNG (http://www.primeiralinha.org/), A Esmorga, Centro Social, Ourense (http://agal-gz.org/blogues/index.php/aesmorga/), Centro Social Gomes Gaioso, Crunha (http://www.agal-gz.org/blogues/index.php/csggaioso), Baiuca Vermelha, Ponte Areias (http://www.nosgaliza.org/principal.php?pag=cs&id=1), associação Aturujo, Boiro (http://www.agal-gz.org/blogues/index.php/aturujo), Local Social Faísca, Vigo (http://www.faisca-gz.blogspot.com/), Centro Social A Fouce, Amaía (http://afoucedeouro.blogspot.com/), Centro Social Henriqueta Outeiro, Compostela (http://agal-gz.org/blogues/index.php/henriqueta/), Local Social Revira, Ponte Vedra (http://agal-gz.org/blogues/index.php/revira/), Centro Social Revolta, Vigo (http://agal-gz.org/blogues/index.php/revolta/), Sociedade Cultural Madia Leva, Lugo (http://www.agal-gz.org/blogues/index.php/madialeva), Centro Social Roi Soga de Lobeira, Noia (http://roisogadelobeira.blogspot.com/), Casa Encantada, Compostela (http://www.causaencantada.org/), Sociedade Cultural do Condado (http://www.scdcondado.org/), Ceivar (http://www.ceivar.org/principal.php?), Grupo Galabra, Assembleia Reintegracionista "Ene Agá", de Ponte Vedra (www.usuarios.lycos.es/lingua/eneaga.html), Agrupaçom Cultural O Facho, (http://agal-gz.org/blogues//?blog=55) Fundaçom Meendinho (http://agal-gz.org/blogues/index.php/meendinho/); blog Outra Esquerda: http://outraesquerda.blogspot.com/.

(continua)


publicado por estrolabio às 10:00
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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010
Evento – Quatro momentos–chave do galego-português
 Carlos Loures


Da forma atrabiliária que já denunciei, fui ziguezagueando pelos temas que dizem respeito ao idioma galego-português. Não esquecendo que o objectivo destes textos é o de determinar o momento chave de uma dada literatura. Em jeito de quem apanha pedaços dispersos, eu diria que houve três momentos chave na história do galego-português. Refiro-me à língua falada desde a Alta Idade Média nos territórios da antiga província romana da Gallaecia, uma variante neolatina ou, como diz com maior rigor científico Carvalho Calero, uma forma primitiva do romance hispânico ocidental. Forma que veio a resultar no galego-português (ou galaico-português).

Muito basicamente, descrevi, com a ajuda do Professor Villares, o momento da separação das duas partes irmãs, em que começou a deriva histórica e consequentemente a linguística. Deste período medieval há, quanto a mim, um  primeiro evento assinalável -  quando, no século XII, a poesia lírica produzida e escrita em galego-português, ultrapassando as suas fronteiras geográficas, chegava a Leão e Castela – as «Cantigas de Santa Maria», do rei Afonso X, o Sábio, foram escritas em galego-português.

Depois da separação política enquanto a agressão aculturante do castelhano começava o seu trabalho, a Sul do Minho a língua comum construía-se, enriquecia-se - Fernão Lopes, Gil Vicente, Sá de Miranda, Camões, para referir só alguns nomes, tiveram na criação da língua e na sua fixação em monumentos literários. E neste segundo ciclo da língua,  há um segundo momento crucial  quando Portugal, virando costas à Europa,  se aventurou mar fora. Foi mercê dessa decisão e da política de navegações sonhada por D. Henrique e levada a cabo por D. João II, que começou a grandeza da língua, hoje falada por 240 milhões de pessoas em nove nações, sendo que a projecção demográfica para 2050 prevê que 350 milhões a falem.

Porém, ao longo de seis séculos de domínio estrangeiro, o galego fora  invadido por castelhanismos, inquinado foneticamente e não só.  Na Galiza o idioma parecia perdido. Mas não – no século XIX, com o Rexurdimento de Rosalía, Murguia, Pondal e tantos outros, a língua e a cultura galegas começaram a recuperar a sua identidade usurpada. Este renascer do amor pelo idioma, quando o galego estava já remetido à condição de dialecto rural do castelhano é, na minha opinião, o terceiro momento-chave na história da cultura galega.

Diria que estamos a viver um quarto momento-chave. Os filólogos portugueses e galegos (Manuel Rodrigues Lapa, Ricardo Carvalho Calero e muitos outros)   criaram condições para que se pensasse na reintegração do galego na família da lusofonia. Do ponto de vista da ciência linguística não parece existir dúvida de que português e galego nasceram de uma mesma matriz. Podemos chamar por isso galego-português ao idioma que, sob duas formas dialectais, falamos lá e aqui. Reintegrar o galego no português ou o português no galego (chamo de novo a atenção para o excelente trabalho de Carlos Durão – “Síntese do reintegracionismo contemporâneo” – trabalho de grande envergadura, é uma das mais claras exposições sobre este tema que me tem sido dado ler). Mas que fique bem claro que quando se fala de reintegrar, não se fala de Portugal anexar politicamente a Galiza, mas sim do regresso do seu idioma à família a que nunca deixou de pertencer.


publicado por Carlos Loures às 12:00
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Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (31), por Carlos Durão
coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (31)
  por Carlos Durão

(continuação)

2003: Comunicado conjunto de diversas entidades culturais, «A reforma ortográfica e a língua na Galiza», em defesa da unidade da língua. - 2004: «Proposta de reforma do Estatuto de Autonomia da Galiza», de modo a garantir os direitos linguísticos dos cidadãos (http://www.proposta2004.tk//).

2004: Representação conjunta da Galiza (com o MDL e AGAL) no Foro Social Europeu de Londres, em que se expôs a situação da língua na Galiza. Comunicado conjunto de AAG-P, MDL e AGAL para o Foro Social Europeu, o terceiro, em Londres, março de 2004, com participação do grupo “Galegos de Londres” (galegosdelondres@yahoogroups.com), que se organizara como grupo de trabalho para colaborar em ações de protesto depois do afundimento do navio Prestige.

2005: «Petição ao Parlamento Europeu» (http://www.peticao-pe.tk) em defesa da unidade da língua, assinado por AAG-P e MDL, 4 de novembro, em que se solicita «Que as instituições europeias se abstenham de promover a segregação linguística das minorias nacionais, e seja reafirmada a unidade da língua portuguesa, nacional ou oficial na Galiza, Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor Lorosae». Em 1 de janeiro de 2006 a RTP emitiu, durante o «Jornal da Tarde», uma reportagem de 8 minutos sobre esta campanha -em que trabalham as entidades promotoras, AAG-P e MDL. (O vídeo é acessível na excelente página da internet do professor Celso Álvarez Cáccamo:

A Petição ao Parlamento Europeu, campanha que continua activa, já tem dado o seu primeiro fruto: a Comissão admitiu a petição e, sem pronunciar-se sobre o fundo da questão, transmitiu-a à Comissão de Cultura, que a deve ter em conta para a elaboração das suas políticas. O primeiro parágrafo desta petição diz o seguinte:1. A língua da Galiza, ou galego, sob o nome de português, já é língua oficial do Parlamento Europeu, e os cidadãos espanhóis lusófonos que se reconheçam como tais podem usá-la nas instituições europeias. Um claro exemplo é o representado pelos ex-deputados galegos que, durante as anteriores legislaturas, decidiram usar, oralmente e por escrito, a língua da Galiza nas suas intervenções: os Sres. José Posada e Camilo Nogueira (ver: http://www.empresas.mundo-r.com/31088W0001/language.htm), que falaram e escreveram habitualmente o português com sotaque e léxico da Galiza, foram traduzidos para as outras línguas pelos funcionários que no Parlamento Europeu realizam traduções da língua portuguesa. Em consequência, os representantes europeus dos estados espanhol e português têm a obriga, por respeito aos seus respetivos cidadãos, de chegar a um acordo sobre os usos do português nas instituições europeias”.

2006: V Colóquio Anual da Lusofonia, outubro; sob o título «Do Reino da Galiza até aos nossos dias: a língua portuguesa na Galiza». Os Colóquios Anuais da Lusofonia são organizados por Chrys Christello na cidade de Bragança.

2007: cria-se em 1 de dezembro a Associação Cultural Pró-Academia Galega da Língua Portuguesa: Presidente da Pró-AGLP: Ângelo Cristóvão; Vice-Presidenta: Concha Rousia; Tesoureira: Isabel Rei; Secretário: António Gil; Vogais: Martinho Montero (2006), Luís Gonçales Blasco (Foz), Ernesto Vázquez Souza, Francisco Paradelo, Rudesindo Soutelo, Luís F. Figueiroa. Na Rede http://www.aglp.net/.

2008: Representantes da AGAL, da pró-AGLP, da AAG-P e do MDL participam em 7 de abril numa Conferência Internacional na Assembleia da República portuguesa. A Conferência Internacional/Audição Parlamentar sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi organizada pela Comissão de Ética, Sociedade e Cultura da Assembleia da República e contou com representantes de diversas instituições, entre as quais uma delegação galega. Intervieram o presidente da AGAL, Alexandre Banhos (que apresentou uma posição conjunta das Entidades Lusófonas Galegas assinada pela AGAL, a AAG-P, a Pró-AGLP, a ASPG-P e o MDL), e o presidente da Pró-AGLP, Ângelo Cristóvão (com um comunicado a respeito da posição galega e o papel da futura Academia Galega da Língua Portuguesa; na Rede: http://aglp.net/index.php?option=com_content&task=blogsection&id=0&Itemid=31&limit=6&limitstart=30).

A Academia Galega da Língua Portuguesa foi constituída em 20 de setembro de 2008; foi eleito presidente o professor Dr José-Martinho Montero Santalha; realizou-se a Sessão Inaugural no Centro Galego de Arte Contemporânea, o dia 6 de outubro, em Santiago de Compostela. Tem como objetivos promover o estudo da Língua da Galiza para que o processo da sua normalização e naturalização seja congruente com os usos que vigoram no conjunto da Lusofonia, e integrar o pensamento galego no âmbito da Lusofonia através do relacionamento com outras instituições semelhantes, galegas e lusófonas. Publica um Boletim, com Anexos (o 1o: “Galiza: Língua e Sociedade”, abril 2009; 2o novembro, 3o abril 2010), um DVD, uma coleção de Clássicos Galegos (o primeiro: “Cantares Galegos”, de Rosália de Castro), um Léxico da Galiza (incluído no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Porto Editora), assinou protocolos (p.ex. para a inclusão da variedade galega no FLiP8 da Priberam: http://www.flip.pt/FLiPOnline/Vocabulário/tabid/577/Default.aspx), etc. (vide sessão inaugural em: http://www.youtube.com/watch?v=Yf74yWreQNs).
2009: Em 17 de março reuniu-se com a Academia das Ciências de Lisboa, na Sala de Reuniões Internacionais da ACL, onde também tiveram lugar as reuniões conducentes ao Acordo Ortográfico de 1990, nas quais participara uma Delegação de Observadores da Galiza. Na reunião trataram-se temas de interesse conjunto, como a aplicação do Acordo Ortográfico e a elaboração do Vocabulário Ortográfico Comum. A Delegação da AGLP apresentou o projeto do Léxico da Galiza, elaborado para ser integrado nesse Vocabulário (http://aglp.net/index.php?option=com_content&task=blogsection&id=0&Itemid=31&limit=6&limitstart=18, e vide supra).
Numa sessão interacadémica, realizada em 14 de abril no Salão Nobre da Academia das Ciências de Lisboa, foi apresentado o Léxico da Galiza elaborado pela Comissão de Lexicologia e Lexicografia da AGLP, e a 5ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, elaborado pela Academia Brasileira de Letras sob a coordenação do Prof. Evanildo C. Bechara (vide supra).
Participou no 4º Encontro Açoriano da Lusofonia do 31 março a 4 abril. Fez apresentações do livro “Galiza: Língua e Sociedade” em diversas cidades, dentro e fora da Galiza, inclusive em Bruxelas, onde estabeleceu contato com a representação galega no Parlamento Europeu (4-6 julho 2009: http://aglp.net/index.php?option=com_content&task=blogsection&id=0&Itemid=31&limit=6&limitstart=12).
No Seminário de Lexicologia da AGLP em Santiago (5 outubro 2009) foi anunciada por Evanildo Bechara a inclusão do Léxico galego (800 palavras) no Vocabulário da Academia Brasileira, depois da apresentação do Vocabulário da Porto Editora, por Malaca Casteleiro. Também foi assinado o Protocolo de Colaboração e Apoio Mútuo entre a AGLP e a Universidade Aberta (Lisboa), testemunhado por Adriano Moreira e Evanildo Bechara. Em 21 outubro 2009 a AGLP esteve presente no lançamento do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Porto Editora (Porto, agosto 2009, vide supra), sob a direção de Malaca Casteleiro, no Auditório do Padrão dos Descobrimentos. Fernando Cristóvão fez uma apresentação comprometida, com a língua, o Acordo Ortográfico, Malaca Casteleiro, e especialmente com a Galiza. Chegou a ler um parágrafo do texto distribuído pela Delegação da Galiza, na Assembleia da República, em 7 abril 2008 (http://aglp.net/index.php?option=com_content&task=blogsection&id=0&Itemid=31&limit=6&limitstart=0).
O mais recente Léxico da Galiza, elaborado pela CLL da AGLP, foi plenamente incorporado pela Porto Editora no seu Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, 2009, como tb na Rede (vide supra). A AGLP assinou protocolos de colaboração com diversas entidades lusófonas; iniciou, com a do Brasil, a inauguração das suas delegações no estrangeiro (tb Argentina e Reino Unido).
Em julho de 2009 foi lançado um Manifesto pela hegemonia social do galego (http://www.peticao.com.pt/hegemonia-social-do-galego) que atingiu 1674 assinaturas.
(continua)


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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010
Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (30), por Carlos Durão
coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (30)
  por Carlos Durão

(continuação)

Derradeiros anos

1987: constitui-se em Buenos Aires a Associaçom Civil “Amigos do Idioma Galego” (AIG), que edita o boletim ADIGAL (desde 1996, hoje http://www.adigal.org.ar/antec.htm).

1988: constitui-se a Associaçom Reintegracionista de Ordes (ARO), que publica ARO (entre 1988 e 1992) e o boletim O Mês (desde 1991); depois Associaçom Cultural Foucelhas, http://agal-gz.org/blogues/index.php/foucelhas/2010/01/31/a-associacom-reintegracionista-de-ordes-no-periodico-gralha.

1989: constitui-se o Clube Reintegracionista do Salnês (CRÊS).

Constitui-se em Madrid Renovação. Embaixada Galega da Cultura, que publica o boletim Renovação (hoje em http://www.agal-gz.org/modules.php?name=Downloads&d_op=viewdownload&cid=11) e edita obra de criação.

1990: cria-se a Sociedade Cultural Marcial Valadares, da Estrada, que publica Quarto Crescente (desde 1993), colabora com outros grupos reintegracionistas numa Coordenadora Reintegracionista, e com eles realiza o desdobrável Porque somos reintegracionistas?.

Constitui-se em Ourense o Grupo Reintegracionista Autónomo Meendinho, que publica o boletim cultural gratuito Gralha (1993/97, hoje em http://www.archive.org/details/gralha), depois (1998) transformado em Já!, e distribui autocolantes para os automóveis galegos com o código GZ (http://agal-gz.org/blogues/index.php/meendinho/).

Constitui-se em Compostela a Assembleia Reintegracionista Bonaval, que edita o boletim de língua Constantinopla (http://compostela.agal-gz.org, no 0, outono de 1993), destinado aos alunos de Filologia em Compostela, e colabora com o Instituto de Estudos Luso-Galaicos da AAG-P na brochura O livro vermelho do Reintegracionismo.

Cria-se em Vigo a Associaçom Reintegracionista V Irmandade.

Cria-se na Terra de Trasancos a Associaçom Reintegracionista Artábria, que publica Língua Nacional (desde 1995) e no 1998 passa a ser Fundaçom Artábria e edita um Boletim (http://www.artabria.net/).

Editam-se as publicações Povo Unido, da Assembleia do Povo Unido, A Treu, das Juntas Galegas pola Amnistia, Canha! (Crunha, desde 1994) da Assembleia da Mocidade Independentista, que no 1997 edita Terra Livre; e Abrente, vozeiro de Primeira Linha MLN (desde 1997, hoje em http://www.primeiralinha.org/: a não confundir com a agrupação cultural Abrente, de Riba d’Ávia).

Cria-se em Ourense o grupo A Gente da Barreira (que publica Eirozinho dos Cavaleiros desde 1994), e em Barcelona a Associaçom Cultural Aloia, que editam, com outros coletivos, uma História da Galiza em Banda Desenhada.

1994: o Grupo Meendinho publica o boletim Gralha (até ao 1997).

1996: constitui-se o Movimento de Defesa da Língua MDL (http://www.mdl-galiza.org), que publica Língua Nacional. Boletim de informaçom lingüística, e, no 1998, Em Movimento. Boletim do Movimento de Defesa da Língua.

Constitui-se a Assembleia Reintegracionista NH, que organiza uma Festa da Língua, alternativa do Dia das Letras Galegas, na Praça da Lenha de Ponte Vedra.

2000: a USC e o parlamento galego homenageiam Carvalho Calero com a publicação de Estudos dedicados a Ricardo Carvalho Calero, reunidos e editados por José Luis Rodríguez (2000).

Criam-se na Internet o Portal Galego da Língua (http://www.agal-gz.org/, depois http://www.pglingua.org/), o Fórum do PGL (http://www.agal-gz.org/foros/, depois http://www.pglingua.org/foros/), as listas Agal (http://br.groups.yahoo.com/group/agal/), Galiza (http://br.groups.yahoo.com/group/galiza/), Amizade (http://br.groups.yahoo.com/group/amizadegp/), Assembleia da Língua (http://br.groups.yahoo.com/group/assembleia-da-lingua/), AGLP (http://br.groups.yahoo.com/group/Academia-Galega-da-Lingua-Portuguesa/), dicionário eletrónico Estraviz (http://www.agal-gz.org/estraviz/), portal Lusografia (http://www.lusografia.org/), do MDL (http://www.mdl-galiza.org), blogues, etc., que tornam mais visível este movimento cívico além fronteiras.

Cria-se em Lugo a Associaçom Cultural Alto Minho (http://www.altominho.org/).

2001: Manifesto 15D pelo que se constitui a Assembleia da Língua. “Em 23 de Fevereiro de 2002 ficou constituída em Compostela a Assembleia da Língua, uma plataforma aberta de acção cultural e social em favor da língua.  A Assembleia da Língua é promovida por um numeroso grupo de pessoas e colectivos (entre eles, o Movimento Defesa da Língua, a Associaçom Galega da Língua e a Fundaçom Artábria) após o impulso do Manifesto unitário reintegracionista do 15 de Dezembro de 2001 (http://br.groups.yahoo.com/group/manifesto15D), com o intuito de coordenar esforços de pessoas e colectivos para activar socialmente uma ampla concepção galego-portuguesa da língua e da cultura” (Comunicado da Coordenadora, de 4 de março de 2002, assinado por Aurora Tasende Pombo, Celso Álvarez Cáccamo, Francesco Traficante Peláez, Irene Veiga Durão, José Ramom Pichel, Mário J. Herrero Valeiro, Maurício Castro, Suso Sanmartim e Vítor Meirinho).  Coletivos que assinaram o Manifesto 15D: A Gente da Barreira, A. C. Roaz, Agir, Arma-danças, Assembleia Nacional Antimilitarista (ANÁ), Assembleia Reintegracionista NH, Assembleia da Mocidade Independentista (AMI), Associaçom Cultural Alto Minho, Associaçom Cultural O Pedroso, Associaçom Cultural Reintegracionista Aquém Douro, Associaçom Galega da Língua (AGAL), Colectivo Rádio Rahim-sound system- Embaixada Galega Da Cultura, Fundaçom Artábria, Movimento de Defesa da Língua (MDL), Mulheres Nacionalistas Galegas, Nós-U.P., Primeira Linha, Sociedade Cultural Marcial Valadares, V Irmandade.

2002: começa a publicar-se a revista Novas da Galiza (com O Pasquim, http://www.novasgz.com/).

(continua)


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Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010
Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (29), por Carlos Durão
coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (29)
  por Carlos Durão

(continuação)

Isabel Rei: “O português NÃO É UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA./ Reintegracionismo é aquele movimento (teoria e praxe) social que procura informar, conduzir e tornar evidente para os galegos que a sua língua é o português galego” (2006); “O motivo principal deste sucesso é ter usado o nome comum da língua para denominar as falas galegas: PORTUGUÊS” (2009).

Concha Rousia: “Se, ao definir-nos, delimitar com palavras o que somos e o que não, deixamos fora parte do que somos, como quando seguimos o discurso dominante que afirma que galego e português são duas línguas distintas, estamos a impossibilitar o câmbio” (2008); “de sempre na
Galiza há uma corrente que luta pela integração do galego no português, a dia de hoje os linguistas não poderiam defender outra cousa que não seja que galego e português são a mesma língua, com duas histórias muito diversas, mas apenas uma língua” (2009); “Com a AGLP consegue-se uma separação total do discurso unitário e dominante; não só se afirma que o "galego" não é diferente do "português", contradizendo a premissa central do discurso da RAG, como também se afirma que se deve chamar "português" (2009, 2: 77).

J. Malaca Casteleiro: “[...] na base deste projeto está a ideia, defendida por tantos, que o galego é uma variante linguística de uma língua comum que poderia ser língua galego-portuguesa, mas que as vicissitudes da história levaram a que fosse apenas língua portuguesa [...]/ Queria [...] prestar uma homenagem aos ilustres filólogos e linguistas que ao longo dos tempos defenderam sempre que o galego era uma variante linguística de uma língua comum, da língua portuguesa [...]/ e tantos outros que se bateram pela defesa da reintegração do galego como variante da língua portuguesa, com todo o respeito pelas opiniões contrárias. /Mas, do ponto de vista do sistema fonológico, do sistema morfológico, não encontramos argumentos linguísticos, em minha perspetiva e de tantos outros, que justifiquem que se trate de uma língua diferente. Com certeza que há diferenças em relação ao sistema semântico ou lexical, mas não é o léxico que define o parentesco das línguas. [...] integrar o galego como variante da língua portuguesa ao lado das outras variantes [...] contribuirá para reatar os fios da história do galego-português, fios que se quebraram em fins do século XV e que era urgente reatar e revalorizar” (2008); emprega o sintagma “norma galega do português” (2009: 8).

Carlos Reis: “A expressão «sabores da língua» é muito interessante, porque é aquele domínio da língua em que salvaguarda o que há diferente, sem ser uma ruptura, entre uma forma de falar português do Brasil, Portugal, Galiza... que não ponha em causa a ruptura da língua./ A utilização de metáforas como «sabores da língua portuguesa» é muito importante para sabermos que a unidade da língua não é afectada por estas oscilações, são mais de natureza lexical, terminológica do que de natureza ortográfica. ” [...] “para o dizer de uma forma muito clara, acho que a AGLP, no meu ver, deve bater-se pela ideia de que o português é uma língua que existe naturalmente na Galiza, ou seja que o galego não é uma língua em divergência com o português” (2008).

Camilo Nogueira: Penso que o galego e o português são a mesma língua e que nunca deixaram de o ser./ Defendo em consequência a convergência plena do galego no galego-português intercontinental./ Mas não denomino ao galego como português e creio muito errada e perigosa a ideia de submeter ao galego a um tratamento semelhante ao sofrido polo português de Braga, Porto, Tras os Montes ou as Beiras desde o poder do Estado português [...]/ Desde estas posições, sendo inequivocamente partidário da convergência ortográfica do galego com o galego-português comum, tal como o pratiquei durante cinco anos no Parlamento Europeu, creio que do que se trata é de convencer e não de vencer aos que defendendo o galego pensam de forma diferente” (2009). E ainda: “Nós podemos afirmar que a lingua que falan [os brasileiros] é a mesma que a galega. Malia as diferenzas e os matices, tan galego é o portugués do Brasil como castelán o español de México” (2009).

Carlos Durão: “é o mesmo idioma, con variantes fonéticas e léxicas” (1972, 8: 4); e também: "galego e/ou português" (1978, 41: 12); “português da Galiza” (1987, 2-4: 129); “Falares galegos, língua portuguesa” (2003); “cos manuscritos [medievais] na man pódese probar case calquer cousa: tanto que o galego e o portugués son a mesma lingua, como que non, tanto que ‘lh’ e ‘nh’ son vernáculos como que non, etc.” (1979, 64: 243); “Em consonância com o chamado Estatuto das Autonomias decretado pelo poder central, à nossa língua foi-lhe assinada a categoria de autónoma, com os mesmos ou parecidos “teitos” e mais “competências” que esse poder permite à administração civil. E do mesmo jeito que o objetivo final  das autonomias (segundo têm declarado repetidamente os seus apologistas) é reforçar a “unidade superior” do Reino, assim a opção espanholista na língua da Galiza tem por fim achegar paulatinamente o galego ao castelhano, para finalmente absorvê-lo no “grande espanhol” do futuro (tal era a tese do sábio Unamuno); [...] Dizem que há que construir o galego a base dos seus dialetos. Bem está, mas já de entrada esquecem interessadamente os dialetos de além-Minho, justamente aqueles únicos dialetos do galego que não estão contaminados pelo castelhano” (1981.1982.1985, 4/5: 85-66); “A única conclusão que cabe tirar desta malfadada ortografia é que é uma escrita para colonizados. Está pensada desde o espanhol e para o espanhol, por administradores do Estado instalados no castelhano, a língua do poder. E com a ortografia espanhola introduz-se o vocabulário, sintaxe e fonética espanhóis” (1982, 5: 89); “A língua é indivisível [...] A lusofonia é a consumação da nossa tradição” (1989, 13-18: 312); “Concebemos a língua comum como uma federação de falas. Noutras palavras, a língua internacional portuguesa, língua de cultura e civilização, está constituída pola livre união das diversas realizações idiomáticas nacionais” (1985.1986, 6-10: 84); emprega os sintagmas “desocultação galécia” (2007) e “para-reintegracionista” (2010).

Miguel de Unamuno: “Hay otro hecho, y es el de que la lengua oficial de España sea la castellana, que está lleno de significación viva. Porque del latín brotó en España más de un romance, pero uno entre ellos, el castellano, se ha hecho lengua nacional e internacional además, y camina a ser verdadera lengua española, la lengua del pueblo español que va formándose sobre el núcleo castellano [...]/ Pero si Castilla ha hecho la nación española, ésta ha ido españolizándose cada vez más, fundiendo más cada día la riqueza de su variedad de contenido interior, absorbiendo el espíritu castellano en otro superior a él, más complejo, el español. No tienen otro sentido hondo los pruritos de regionalismo más vivaces cada día, pruritos que siente Castilla misma: son síntomas del proceso de españolización de España, son pródromos de la honda labor de unificación. Y toda unificación procede al compás de la diferenciación interna y al compás de la sumisión del conjunto todo a una unidad superior a él.” (“La casta histórica Castilla”, 1895, in “En torno al casticismo”, Editorial Espasa-Calpe, Colección Austral, Madrid, 1943, pp. 43-44; itálicas do autor).

(continua)


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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010
Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (28), por Carlos Durão
coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (28)
  por Carlos Durão

(continuação)

Mário Herrero Valeiro: “Na Galiza vivemos num paradoxo: existe uma língua que ninguém está obrigado a conhecer, mas que deve ser escrita de uma forma determinada, com as letras doutra língua que é de obrigado conhecimento, mas que ninguém obriga a escrever de uma forma determinada. Paradoxos da democracia" (2006, 85/86: 268); “O português da Galiza está ameaçado de morte, condenado ao extermínio, mas as elites políticas da terra firme ao Sul parecem preferir a companhia, economicamente rendável, dos exterminadores, internos ou externos” (1993, 29-34: 145); “Reintegracionismo. Defende que não existem critérios linguístico-estruturais suficientes que permitam falar de uma língua galega independente do português” (2009, I: 118).

Isaac Díaz Pardo: “O problema da língua está sujeito ao domínio ou entrega dos nossos recursos, o que nos obrigará a falar no idioma de quem tenha a propriedade deles. E este sim que é o verdadeiro problema para a nossa língua porque os que têm estabelecidos os seus poderes aqui e agora som sipaios, som entregadores a troços da Galiza ao domínio forâneo” (2008: 95).
Celso Álvarez Cáccamo: “É evidente que na Galiza actual as únicas tentativas de quebrar o mercado linguístico espanhol são as que provêm do luso-reintegracionismo [...] A opção luso-reintegracionista implica, não um questionamento do funcionamento básico da língua como padrão de troco e mecanismo de selecção social no capitalismo, mas uma ré-territorialização (a ampliação desse mercado), que subleva perigosamente a linha dos estados-nação (o Reino de Espanha e a República de Portugal) [...] As posições luso-reintegracionistas e isolacionistas estão ancoradas estrutural e diferencialmente no processo (económico-social) de produção de saber” (2003, 73/74: 11-13); "O galego e o português sempre foram a mesma língua, desde as suas origens no território da Gallæcia até a sua diversidade actual por vários continentes" (2002). "A reivindicação do nome "galego" para o galego-português da Galiza não deve obscurecer o facto de este galego ser essencialmente português, a par do brasileiro, o moçambicano, o lisboeta ou outras variedades, correspondam estas a países inteiros, regiões, grupos sociais, etc." (2003); “a ditongação do [õ] + [N] em [ãw] não é alheia tampouco, intrinsecamente, à tendência fonética interna dos dialetos galegos, pois é fruto tanto da analogia quanto da nasalação. Poderia chegar a dar-se também na Galiza sistematicamente? Por que não? Tudo dependeria de (a) uma pronúncia habitual e uma ortofonia que mantenha a nasalação do "o" (frente à alveolarização castelhanizante do segmento "m" final, que reduz a nasalação, [teson] em lugar de [tesõN], onde N = nasal velar); e (b) o grau de exposição, a travês dos meios de comunicação, a modelos ortofónicos que ditongam” (2008).

Miguel Cupeiro Frade: “Se os portugueses escrevem cantaram ou cantam, como o pronunciamos
nós, por que não podemos escrever cantarão ou estão, como o pronunciam eles?/ O uso
complementar de -m e til não corresponde melhor aos falares portugueses, nem sequer ao padrão
oral português, do que aos falares galegos. Pelo contrário, é altamente satisfatório para todos./ Isso
mesmo acontece, aliás, com o conjunto da ortografia portuguesa atual. Ela é largamente fonética,
mas não completamente, baseando-se na nossa tradição medieval e procurando supradialetalismo.
Estas circunstâncias é que explicam que essa ortografia, globalmente, responda tão bem às
pronúncias galegas, mesmo quando há leves diferenças fonéticas” (2009, I: 270).

Alexandre Banhos: “A nossa língua, o português, que assim é conhecida internacionalmente”
(2008, 65).

Ernesto Vázquez Souza: “Tenho claro que o grande erro do reintegracionismo, a remora destas últimas duas décadas, é não ter sido roturista com o estadual/institucional... / Ter pretendido debater ideias e consensuar estratégias sentando-se a debater sem ter poder... absurdo. Primeiro é que tinha de ter poder./ Mas em realidade esta é a remora do nacionalismo ou do galeguismo.../ Todos como idiotas temos caído na trampa tendida pelo pinheirismo de sacrificar as nossas trajetórias, vidas intelectuais pelo bem da nação, da língua ou do galeguismo, calado, tolerado e suportado atitudes, gentes, felonias, misérias... por causa de crermos que existia um conjunto e que havia que chegar a um consenso... / Depois de 30 anos de fracassos, purgas constantes, sacrifícios, voluntarismo, esforços tremendos por parte das pessoas sem recompensa... não há nada. [...] há gentes divididas e desanimadas... ocupando pequenas e ridículas parcelas de poder intelectual subalterno./ Mas foi um erro consensuar... não é verdade que mereça a pena tratar de se sentar a debater para chegar a acordos... a nós vai-nos muito melhor, sem dobres linguagens, sem falsas tolerâncias, sem concórdias que só servem para que outros explorem o nosso trabalho, ideias e iniciativas.../ E vai-nos melhor, porque nós TRABALHAMOS. E trabalhamos bem, estruturando com ideia de futuro e projetos, medindo os poucos recursos e tempo, querendo e considerando as críticas” (http://www.pglingua.org/foros/viewtopic.php?f=1&t=2031&p=30170#p30170, 31 outubro 2010)

Vítor Meirinho Guede: “Mostrando-se ser a língua dos galegos e dos portugueses a mesma” (2003, 73/74: 124).

Fernando Venâncio: “«Galego» e «Português» são dois nomes para uma mesma língua. /os galegos exprimem-se, também eles, numa ‘norma’ própria, a ‘norma’ galega do nosso comum idioma./Seria de todo impossível chamar às três normas ‘normas de português’? Impossível não seria. Mas, a ser isso possível, seria incomparavelmente preferível chamar-lhes ‘normas de galego’. Não digo que devesse. Digo só que era, das duas alternativas, a mais óbvia, a mais defensável. É que foi na Galiza que o nosso idioma se formou e ganhou as feições que, hoje ainda, o distinguem de qualquer outro” (2007): «Tambén não se insistirá na questão, entre todas magna, de serem galego e português um ou dois idiomas. Para o autor deste trabalho, eles são variantes dum só e mesmo idioma. Ou, reduzindo a questão ao essencial: todas as estruturas que distinguem galego e português das outras línguas românicas, têm-nas eles em comum. No presente estudo, ‘galego’ e ‘português’ designarão, pois, duas normas, diferentes e marcadíssimas.» (2007, 3: 27); “For now, what is my opinion on this issue? Well, I state that Galician and Portuguese are the same language. I base this opinion on structural grounds. Indeed, all important phonological, lexical, morphological and syntactic features of Galician and Portuguese – that is, the features in which they differ from any other Latin language – are common to both” (2006); “Considero que galego e português são, ainda e sempre, o mesmo idioma. Mas considero, igualmente, que essa identidade, sendo verdadeira, não é óbvia. Por isso trabalho em conseguir demonstrá-la (2008); «Na Galiza a minha língua chama-se galego» (2006, 172).

(continua)


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Domingo, 5 de Dezembro de 2010
Evento – Português e Galego – o fim da deriva?
Carlos Loures

As sínteses têm a sua utilidade, mas são perigosas. O querer dizer em poucas palavras o que só pode ser dito em muitas, implica o risco de haver más interpretações e, por vezes, obriga depois a explicações suplementares. Gasta-se então o espaço e o tempo inicialmente economizados, Espero que estas notas que, sobre o galego-português e as literaturas que lhe são subjacentes, comecei a publicar, recapitulando o que tenho vindo a dizer em textos anteriores, fiquem minimamente claras. Isto, apesar da compactação a que são sujeitos temas delicados e complexos. Feita a advertência, vamos então a mais uma súmula do que tem sido dito.

Entre os séculos IX e XV, a língua falada nos territórios da antiga província romana da Galécia, posteriormente dividida em condados e depois em duas nações, era uma variante neolatina (ou novilatina) – o galego-português (ou galaico-português). A poesia lírica produzida nesta região era escrita neste idioma que não só era utilizado pelos naturais, como, ultrapassando as suas fronteiras, chegava como língua de cultura a Leão e Castela – as “Cantigas de Santa Maria”, obra do rei Afonso X, o Sábio, foram escritas em galego-português.

No século XII ocorreu a independência de Portugal relativamente à coroa leonesa. Dispenso a referência aos episódios que levaram Afonso Henriques a liderar o vitorioso movimento independentista. Todos os conhecemos. A Galiza gozava também de alguma independência relativamente à gula castelhana que se ia agudizando. Porém, no século XIV, a intervenção galega a favor de Pedro I de Castela contra Henrique Trastâmara, provocou, após a vitória deste último, o exílio de numerosos galegos em Portugal. Posteriormente, ao tomar posição por Joana, a Beltraneja contra Isabel I de Castela, a Galiza viu as suas instituições nacionais desmanteladas e a sua aristocracia novamente perseguida. De perda em perda, assinale-se que em 1601 o país era representado nas Cortes de Castela pela cidade leonesa de Zamora. Em suma - a Galiza deixara de existir. Porém, no século XIX verificou-se um renascer do sentimento patriótico do povo galego. Foi nessa «revolução» político-literária que se inseriu a obra de Rosalía de Castro (que, dada a sua importância, abordarei em nota separada) e de outros insignes escritores – talvez seja mesmo mais correcto afirmar que o galeguismo é um produto do esforço desses intelectuais.

Na realidade, entre o século XV e os anos de Oitocentos, o idioma, nomeadamente a sua fonética, fora sendo invadido por castelhanismos. Foram os chamados «Anos Escuros». Com Rosalía e os seus Cantares Galegos o farol do amor e do orgulho pátrios reacendeu-se – foi o «Rexurdimento», o Renascimento da busca de uma identidade nacional. Após a Guerra Civil, o franquismo vitorioso (embora Franco fosse galego) suprimiu todas as veleidades – a língua do Estado passou a ser o «espanhol» (deixou de se dizer «castelhano». O galego, passou à categoria de dialecto rural. Em democracia, os galegos podem voltar a abordar esta questão, ainda que a política centralista de Madrid, após a morte de Franco em 1975, tenha querido conservar intacta a herança que recebeu do velho bandido fascista, e reprima por todas as formas ao seu dispor o despertar do crescente sentido identitário que se verifica na Catalunha, no País Basco e na Galiza.

Constrangimentos políticos aparte, um problema que se coloca é se português e galego são duas línguas diferentes ou duas formas dialectais da mesma língua? Entre muitos outros, os reputados filólogos portugueses Lindley Cintra e Manuel Rodrigues Lapa, bem como o galego Ricardo Carvalho Calero, são desta última opinião. Na Galiza, as pessoas dividem-se entre «reintegracionistas», que preconizam a reintegração do galego no português-padrão e outra corrente que defende uma via autónoma, ligada à fala popular e distanciada do português de Portugal. Para não falar dos que aceitam como idioma o galego castelhanizado, o “castrapo”, mixórdia linguística que consagra o galego como dialecto da língua castelhana. Há quem pretenda aplicar o Acordo Ortográfico que vai entrar em vigor nos oito países membros da CPLP. Aliás, às reuniões deste organismo internacional têm assistido, com o estatuto de observadoras, delegações galegas. Sobre o reintegracionismo, recomendo a leitura do excelente ensaio de Carlos Durão que, há cerca de três semanas o Estrolabio tem vindo a publicar diariamente,

Não nos compete tomar a decisão que só os Galegos podem e devem assumir. Aos muitos naturais desta nação irmã que pretendem terminar a deriva encetada há oito séculos no seio do idioma galego-português, só nos cumpre abrir os braços e acolhê-los.


publicado por Carlos Loures às 12:00
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Sempre Galiza! - Síntese do reintegracionismo contemporâneo (27), por Carlos Durão
coordenação de Pedro Godinho

Síntese do reintegracionismo contemporâneo (27)
  por Carlos Durão

(continuação)

Júlio César Barreto Rocha: “O que desejo relevar é o fato de que a língua portuguesa, como já se sabe de longuíssima data, não é propriamente portuguesa; ou seja, a língua falada em Portugal, queira-se ou não, veio de fora de suas fronteiras de hoje, e é anterior aos Cancioneiros galego-portugueses, anterior ao Estado português: nasceu numa terra que constitui o que ontem era a Gallaecia e ainda hoje é a Galiza, uma Comunidade Autônoma. Logo, o idioma aqui gerado e desenvolvido deve ser chamado de "galego". [...] Durante quase um milênio foi muito interessante para Portugal ignorar a existência da Galiza, pois isto mantinha o mito de que a língua dita portuguesa fora gerada e era originária exclusivamente de seu território, de seus habitantes, que englobavam os primeiros lusitanos. O ocultamento deste fato histórico se deve fundamentalmente a dois grupos de fatores. Por um lado, os "séculos obscuros" e o esmagamento político da Galiza, aliados à modéstia galega, e à natural soberbia da Pátria de Camões --que com os chamados "grandes descobrimentos" conduziu os estudiosos ao erro de encobrir outros fatos importantes do passado, submetendo a História à Sociolingüística. E, por outro lado, deveu-se esta situação à difícil convivência entre os impérios espanhol e português, que tinham no território da Galiza o ponto nevrálgico de seu relacionamento. Dois impérios globais em confronto necessitaram desta mentira secular. [...] Cabe destacar também que quando se fala no período de "formação da língua portuguesa", fala-se na verdade da língua galega formada, mas que, como qualquer língua, está em constante deriva, evoluindo em alguns traços, incorporando as necessidades lingüísticas dos falantes. Ressaltar o português em oposição ao galego-português antigo é, em grande parte, cumprir uma determinação política imposta pela antiga disputa territorial. A língua, em sua essência, permaneceu indomada, embora esmagada a modalidade escrita do tronco principal galego; fato jamais negado pelos estudiosos de todas as pátrias [...] A presença das vogais mais escandidas no galego atual, que possui menos força ao Sul, em Portugal (cujos falantes obscurecem as ocorrências destes sons, como em "m'nino" ou em "p'ssoa"), permanece mais integral no território brasileiro, cuja população, em sua quase absoluta totalidade, encontra parâmetro distintivo do falante português justamente nesta vocalização mais "perfeita" nossa, por assim dizer, igualando-se ao falante galego --que inegavelmente mantém também mais acesa esta "característica celta". A língua falada na Galiza, que é a real Pátria da Língua, que instituiu o sistema vocálico e a musicalidade do galego, faz-se presente no Brasil. Portugal, deixando-se influenciar pela fala moçárabe (como querem alguns), de certa maneira "capou" a musicalidade galega [...] Portanto, ainda no território da Galiza integral se formaram variantes futuramente tidas como distinções "portuguesas". Podemos dizer, então, que, quando falamos de "português", trata-se da "variante portuguesa" (ou meridional) da "língua galega", porquanto esta já existia antes de a grande e brava nação lusa se constituir em Reino independente; logo, o idioma que se fez mais ao Norte, e deslocou-se posteriormente para o Sul é ineludivelmente o galego./ A língua portuguesa de hoje não é mais que uma variante sulista da língua galega de antanho; um co-dialeto, é certo, mas que também poderíamos chamar de galego-português infra-Douro, o qual, mesmo no território de Portugal, possui distinção com a variante de entre Minho e Douro [...] Afinal, o que conhecemos hoje como "língua portuguesa" é assim considerado não apenas porque o povo galego foi esmagado politicamente pelo centralismo espanhol, mas complementariamente e sobretudo porque o povo português conquistou espaço na comunidade planetária, tanto literária como politicamente [...] Seja como for, a simples discussão, a crua polêmica acerca do nome da língua comum, não é um exercício vão: é benéfica por si só: leva à consciência de existir um fio de unificação lingüístico-cultural, que vem de longe; que procede dos celtas e se reúne com os índios tupis na América, por exemplo, ou com os bantos, na África.[...] Dizer galego, dizer português, dizer "portugalego" ou brasileiro é questão de somenos, mas de necessária discussão entre nós.[...]/ Os portugueses não deixam de ser velhos amigos do povo brasileiro. No entanto, cabe resgatar os amigos galegos, que são amigos ainda mais originários (e não trazem consigo o travo da opressão imperialista), pelo fato de serem os geradores da língua nossa, hoje pertencente a muitos povos do mundo por igual --não importando que rótulo tenha, pelas razões maiores de Estado que advenham da dinâmica dos interesses dos Países e de seus cidadãos.” (1999, 58: 281-283-285-287-290) “Nós, que pronunciamos ou ouvimos pronunciar em algumas zonas do Brasil, normalmente, o artigo indefinido feminino à maneira galega, não entendemos a princípio o porquê de existir grafia diferenciada: “unha” (da normativa admitida oficialmente) ou “umha” (opção presente nesse Estudo Crítico...). Uns e outros grafam de forma diferencialista, acreditamos, para exibir distinção nacional...” (2000, I: 829).

J. Henrique P. Rodrigues: “podemos considerar a norma Agal como um dos grandes alcances intelectuais da história cultural galega e podemos valorizar o seu percurso como brilhante [...] Na actualidade, e sempre aceitando a existência de um continuum nos usos gráficos,[...] podemos afimar que, basicamente, são (sic) usadas duas normas reintegracionistas: uma norma que poderíamos denominar “reintegracionista avançada” e outra que poderíamos denominar “reintegracionista clássica”. A fronteira simbólica entre essas duas estaria marcada polo uso do til na formação dos plurais (nações) frente à forma tradicional em <-ns> (naçons), prévia ao ditame presente no relatório da Comissom Lingüística [...] Trata-se, fundamentalmente, de marcar os limites a respeito do luso-brasileiro para evitar transmitir (e muito mais provavelmente padecer) a sensação de entreguismo provocado pola exogeneidade da escrita. [...] O feito de existirem outros grupos sociais (integracionistas) a adoptarem formas de galego-português lusitano com função identitário-endogrupal impediu ao reintegracionismo, em boa medida, continuar a aproximação gráfica ao luso-brasileiro que demandava uma (sic) boa estratégia aproximativa.” (2001, 65/66: 19-20-26-47); “restituição do galego como língua de cultura [...] O aproveitamento nas escolas e por parte da população galega do corpus literário existente, gerado em diversas normativas e/ou caracterizado por uma extrema heterogeneidade, implicará num futuro, sem dúvida, a necessidade de realizar-se traduções de tipo intralingual padronizador, e para isso será preciso definir previamente de um ponto de vista teórico como deve ser realizada tal actividade” (2004, 77/78: 75-79).

Roberto López-Iglésias Samartim: “integrar nom é substituir. Os dous podem ser processos graduais mas o primeiro implica ao menos a possibilidade de existência dum modelo normativo autónomo para a língua da Galiza [...] enquanto que o segundo significa a adopçom dum padrom igual ao oficial em Portugal como norma estándar da língua da Galiza” (2005, 83/4: 37).

Ramom Reimunde: “essa normativa avançada é a reintegracionista (curiosamente a mais tradicional e antiga tamém). [...] Desta maneira, aliás, os nossos melhores autores e livros poderám ser conhecidos e comprendidos noutras zonas da área linguística galego-luso-ásio-afro-brasileira, saindo fora dos estreitos limites geográficos da naçom galega [...]” (1984: 62-63).

(continua)


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