Domingo, 22 de Maio de 2011
50 Belcanto - Coro do Teatro alla Scala - por Carla Romualdo e Carlos Loures

Va Pensiero, o famoso “coro dos escravos hebreus” da ópera Nabucco, de Giuseppe Verdi, está de tal forma enraizado na cultura popular que dificilmente se encontrará quem não o conheça e não o tenha trauteado em algum momento, ainda que possa desconhecer o seu autor e o contexto no qual nasceu.


Nabucco foi a terceira ópera de Verdi e diz a lenda que poderia nunca ter existido. Enquanto  este compunha a sua segunda ópera, Un Giorno di Regno, a mulher de Verdi faleceu. O compositor conseguiu terminar a obra com grande sacrifício, mas esta acabaria por revelar-se um enorme fracasso. Desesperado, Verdi decidiu abandonar a composição, e só a custo Bartolomeo Merelli, empresário do Teatro alla Scala, de Milão, conseguiu convencê-lo a compor uma nova obra, Nabucco, a partir de um libreto de Temistocle Solera. Diz a lenda que foram os versos de Va pensiero, inspirados no Salmo 137, que ajudaram Verdi a recuperar a fé na sua música e que o animaram a escrever Nabucco, a qual, ao contrário da sua predecessora, foi um enorme êxito desde a sua estreia.

 

A acção de Nabucco acompanha a luta dos hebreus, derrotados frente ao rei Nabucodonosor, da Babilónia (que destruiu Jerusalém e o seu Templo), e condenados a um período de cativeiro e exílio.


Escrita e estreada durante a ocupação de Itália (os austríacos controlavam o norte, os Bourbons governavam Napóles, e a Igreja controlava Roma e o Estados papais),  Nabucco  estabelecia uma analogia clara entre o desejo de liberdade do povo hebreu e o sentimento patriótico dos italianos. A obra tornou-se rapidamente um instrumento político, aproveitado pelo Risorgimento, o movimento político que aspirava à unificação do Estado italiano.


Com versos como “Oh mia patria si bella e perduta!” (Oh, minha pátria, tão bela e perdida!), Va pensiero  ganhou rapidamente a dimensão de um hino.  Hoje, perdido já esse contexto de época, continua a ser a bela expressão musical de uma aspiração que tem movido grandes conjuntos ao longo da história da Humanidade: a da liberdade e autodeterminação.


Com o Coro e Orquestra do Teatro alla Scala  de Milão, dirigidos pelo maestro Riccardo Muti, encerramos a primeira série do “Bel Canto”, a rubrica na qual, ao longo dos últimos meses, procurámos apresentar-vos alguns dos melhores cantores de sempre. Retomaremos esta rubrica futuramente e nessa segunda série comprometemo-nos a trazer os grandes nomes do canto lírico que ainda não passaram por esta rubrica e sem a qual ela ficará incompleta. Esperamos que tenham gostado e que regressem connosco para a segunda série.

 


 



publicado por CRomualdo às 22:00
editado por Carlos Loures em 20/05/2011 às 14:26
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Sábado, 21 de Maio de 2011
49 Belcanto - Alfredo Kraus - por Carla Romualdo e Carlos Loures

Alfredo Kraus, um dos grandes tenores do século XX, nasceu em Las Palmas de Gran Canaria,  em 1927, e morreu em Madrid, em 1999. Influenciado pelo seu irmão, Francisco Kraus, barítono, começou cedo os seus estudos musicais e estreou-se em palco como intérprete de zarzuela, esse género lírico-dramático espanhol, em que alternam partes instrumentais, vocais e dança, e que deve ao seu nome ao Palacio de la Zarzuela, onde se encenaram as primeiras representações do género.

 

 

A estreia operática dá-se em 1956, no Cairo, no papel do Duque, do Rigoletto. Dois anos depois, Kraus interpretou o Alfredo, de La Traviata, em Lisboa, no Teatro Nacional S. Carlos, contracenando com Maria Callas.


Grande intérprete do bel canto, Kraus celebrizou-se ao longo da sua carreira em papéis como o de Werther, da ópera homónima de Massenet,  o Fausto, de Gounod, Arturo, de I Puritani, de Bellini, ou o Nemorini, de L’Elisir d’ Amore, de Donizetti.


Exemplo de longevidade na carreira, graças a uma notável técnica e a uma cuidadosa gestão do repertório, Alfredo Kraus cantou regularmente até aos setenta anos. Reconhecido pela sua integridade, profissionalismo, e respeito pelos colegas e pelo seu ofício, Kraus tornou-se um dos mais celebrados tenores do século XX, conquistando a admiração de várias gerações de amantes da ópera.  Em 1991 recebeu o prémio Príncipe das Astúrias, em conjunto com outros compatriotas famosas do canto lírico, como Placido Domingo e Monserrat Caballé.


Na sua longa carreira, Kraus nunca deixou de interpretar a zarzuela, género que apreciava particularmente. Uma das árias mais conhecidas do seu repertório de zarzuela, é La Dolorosa, de José Serrano, um dos mais famosos autores deste género, com mais de 50 títulos. Estreada em Valência, em 1930, La Dolorosa descreve os costumes aragoneses de inícios do século XX.  Numa excelente interpretação de Alfredo Kraus, vamos ouvir La Roca Fría del Calvario, ária de Rafael, o protagonista, um pintor atormentado por um desgosto amoroso, que se refugia num convento aragonês. 

 





publicado por CRomualdo às 22:00
editado por Carlos Loures em 20/05/2011 às 14:24
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Sexta-feira, 20 de Maio de 2011
48 Belcanto - Frederica von Stade - por Carla Romualdo e Carlos Loures

Frederica von Stade, mezzo-soprano norte-americana (nasceu na Nova Jérsia, em 1945), teve um início de carreira auspicioso, conseguindo, em 1970, um contrato com o Metropolitan de Nova Iorque durante as audições com jovens cantores líricos. Estreia-se em 1971 com um dos seus mais memoráveis papéis, o de Cherubino em As Bodas de Fígaro, de Mozart, a par com outra estreante (no papel de Condessa): Kiri Te Kanawa.

 

 

 

 

Grande especialista de bel canto, interpretou brilhantemente La Cenerentola e Il Barbiere de Siviglia, de Rossini, assim como La Sonnambula, de Bellini, mas tem sido igualmente uma notável intérprete do repertório francês, com destaque para as obras de Berlioz, Debussy e Ravel.

 

Vários compositores contemporâneos escreveram papéis especificamente para ela, como foi o caso da personagem “Tina”, de Dallas Opera, do compositor americano Dominick Argento, o mesmo tendo acontecido em The Aspern Papers, do mesmo autor, Dangerous Liaisons, de Conrad Susa, e Dead Man Walking, de Jake Heggie. Com o compositor Richard Danielpour, von Stade desenvolveu Elegies, porventura um dos trabalhos com maior significado pessoal, já que o compositor teve como base as cartas que o pai de Frederica, Charles von Stade, escreveu à família durante a sua participação na II Guerra Mundial. O soldado morreria dois meses antes do nascimento da filha.

 

Recebeu já múltiplas distinções no seu país, assim como a Ordem das Artes e Letras do governo francês.


 

Das Bodas de Fígaro (Le nozze di Figaro), de W. A. Mozart, ópera buffa composta em 1786, Frederica Von Stade canta uma das mais famosas passagens desta obra, Voi Che Sapete, ária do pajem Cherubino. 

 

 


 

 

 



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Quinta-feira, 19 de Maio de 2011
47 Belcanto - Peter Pears - por Carla Romualdo e Carlos Loures

A carreira de Sir Peter Pears (Inglaterra, 1910-1986), o reputado tenor britânico, começou em 1936, quando integrava os BBC Singers, o grupo coral da BBC que se mantém em actividade desde 1924. Foi aí que conheceu o compositor Benjamin Britten, de quem seria companheiro até ao fim da vida, e cuja influência marcará a sua carreira.

 

 

 

 

Ambos deixaram Inglaterra de partida para os EUA em 1939, nas vésperas da eclosão da II Guerra Mundial, e é nos EUA que Britten começa a compor Seven Sonnets of Michelangelo, ciclo de canções criadas para Pears. Regressaram a Inglaterra em 1942, e Pears prossegue a sua carreira interpretando várias obras compostas por Britten, com destaque para a ópera Peter Grimes, que viria a ser uma das mais famosas e populares óperas britânicas do século XX.


As críticas a Pears estiveram longe da unanimidade, mas se havia quem lhe apontasse um timbre não particularmente bonito, e algumas limitações técnicas, muitos lhe reconheceram o fraseado elegante, a inteligência musical e a grande agilidade vocal. É sobretudo reconhecido como um notável intérprete de lieder e, em particular, de Schubert.


Exemplo do artista ignorado e incompreendido pelos contemporâneos mas cujo génio é reconhecido após a sua morte, Franz Schubert, um dos grandes compositores oitocentistas, escreveu Die schöne Müllerin (A Bela Moleira), ciclo de canções com poemas de Wilhelm Müller, em 1825, durante um período de doença. Desse ciclo vamos ouvir Das Wandern, interpretada por Peter Pears com o compositor Benjamin Britten ao piano.  

 



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editado por Carlos Loures em 18/05/2011 às 22:12
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Terça-feira, 17 de Maio de 2011
45 Belcanto - Placido Domingo - por Carla Romualdo e Carlos Loures

Do grande tenor e maestro Placido Domingo já por aqui falámos, mas  hoje recordamos a importância da música espanhola, alguma dela praticamente desconhecida internacionalmente, no repertório deste tenor. Com efeito, ao longo da sua já longa carreira Domingo tem contribuído para a divulgação de inúmeros compositores espanhóis.

 


 

 

É o caso de Pablo Sorozábal, compositor e maestro basco (1897-1988), conhecido em particular pela suas obras sinfónicas e líricas, nomeadamente zarzuelas e operetas. A morte de Sorozabal, aos 91 anos, marcou, de certa forma, o fim da zarzuela, ou não fosse o compositor   e maestro o último dos grandes compositores deste género musical.


A sua obra mais famosa, La Tabernera del Puerto, uma zarzuela conhecida igualmente como Romance Marinheiro, com libreto de Federico Romero e Guillermo Fernández-Shaw, e que teve a sua estreia em 1936, em Barcelona, cerca de três meses antes do início da Guerra Civil. Por esse motivo, após a estreia em Barcelona, La Tabernera  só voltaria a ser encenada em 1940, já em Madrid, após o final da guerra.


“No puede ser”, romance do II Acto, faz parte do repertório habitual de Placido Domingo e a sua interpretação é particularmente  apreciada pelos amantes da zarzuela. 

 

 

 

 



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editado por Luis Moreira às 13:26
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
44 – Janet Baker - por Carla Romualdo e Carlos Loures

Dame Janet Baker (nascida em Inglaterra, em 1933) é uma mezzo-soprano reconhecida pela sua grande intensidade dramática e pelo seu rico e expressivo timbre vocal, que lhe permitiram alcançar interpretações memoráveis, em particular do repertório barroco, mas também de compositores contemporâneos como Benjamin Britten. 

 

 

Baker estreou-se em palco em O Segredo, de Smetana, tendo logo em seguida interpretado uma sucessão de óperas de Handel. Nos anos seguintes, foi consolidando um repertório iminentemente barroco – Purcell, Cavalli, Monteverdi, a par de outro mais contemporâneo, sendo nesse campo de destacar as suas interpretações de Britten, Strauss, Gluck e Berlioz.

 

 Revelou-se igualmente uma notável interprete de lieder e oratórios, tendo gravado as primeiras versões do oratório de Natal de Vaughan Williams, Hodie, da cantata Phaedra, escrita para ela por Benjamin Britten, e do ciclo de canções From the Diary of Virginia Woolf, de Dominick Argento.


Retirou-se dos palcos em 1982, com Orfeo ed Euridice, de Gluck, e escreveu um livro de memórias, Full Circle.


Um dos seus papéis mais memoráveis foi o de Dido, em Dido and Aeneas, de Henry Purcell, uma das primeiras óperas inglesas, e uma referência do repertório barroco. Inspirada no Livro IV da Eneida, de Virgílio, conta a história de amor entre Dido, rainha de Cartago, e Eneias, herói de Tróia, e o despero daquela após ser abandonada por Eneias.


A passagem mais célebre desta ópera, e uma das mais belas árias do repertório operático, é When I’m laid in Earth, também conhecida como o Lamento de Dido, ária final da ópera e despedida de Dido, que morre após a partida de Eneias. Janet Baker interpreta a seguir esta ária numa famosa encenação gravada em Glyndebourne, em 1966, com a direcção do maestro Charles Mackerras.

 

 

 

 




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editado por Carlos Loures em 15/05/2011 às 10:45
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Domingo, 15 de Maio de 2011
43 - BelCanto - Mario Lanza - por Carla Romualdo e Carlos Loures

Do tenor Mario Lanza (EUA, 1921 – Itália, 1959) quase se poderia dispensar a apresentação, tal foi a notoriedade que alcançou, apesar da sua curta vida. Nascido em Filadélfia, em 1921, filho de pais italianos, iniciou os seus estudos de canto aos 15 anos. Estreou-se em Nova Orleães, como o Pinkerton da Madama Butterfly, de Puccini, mas bastou-lhe uma actuação no “Hollywood Bowl”, a famosa sala de espectáculos, para chamar a atenção do patrão da MGM, Louis B. Mayer,  que lhe ofereceu de imediato um contrato de sete anos com os seus estúdios. 

 

 

 

O primeiro filme que protagonizou, That Midnight Kiss,  foi um sucesso e lançou como grande sucesso musical a ária “Celeste Aida” da Aida, de Verdi, que hoje escolhemos para evocar Mario Lanza. Outros êxitos cinematográficos se lhe seguiram, entre eles The Great Caruso, biografia de Enrico Caruso, o grande ídolo de Lanza. A pesada máquina de Hollywood acabaria por não lhe permitir desenvolver a sua carreira nos palcos, onde acabaria por realizar poucas actuações.


Mario Lanza era conhecido pelo seu carácter impetuoso, uma força da natureza, com uma voz possante e a uma enorme versatilidade, que lhe permitia interpretar géneros diversos: árias operáticas, canções napolitanas, canções do cancioneiro popular americano, música sacra, etc.  Mas foi também um homem susceptível às tentações de Hollywood, e a sua debilitada saúde ressentiu-se da adição ao álcool. Diz-se que a sua morte prematura, aos 38 anos, por problemas cardíacos, poderá ter sido apressada por uma dieta radical à qual havia aderido e que fazia furor entre as estrelas de Hollywood.  


Apesar de tão curta carreira, Lanza é ainda hoje recordado como um dos maiores tenores de sempre, e muitos dos grandes tenores das gerações seguintes – Domingo, Pavarotti, Carreras - apontaram-no como grande fonte de inspiração.


Do primeiro acto de Aida, de Giuseppe Verdi, aqui fica “Celeste Aida”, a famosa ária de Radamés, aqui interpretada por Mario Lanza, no filme The Great Caruso”. 

 

 


 




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editado por Carlos Loures em 13/05/2011 às 20:23
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Sábado, 14 de Maio de 2011
42 - BelCanto - Anna Moffo - por Carla Romualdo e Carlos Loures a

Anna Moffo (1932-2006) foi uma soprano ítalo-americana (nasceu na Pensilvânia, filha de pais italianos), uma das maiores sopranos de coloratura da sua época, com um belo timbre e grande capacidade dramática, para além de uma belíssima presença física (chegou a ser considerada uma das mais belas mulheres de Itália).


 

 

Graças a uma bolsa de estudos, pôde estudar em Itália, e aí se estreou em palco, em 1955, como Norina, em Don Pasquale, de Donizetti. Foi-lhe, então, oferecido o papel de Cio-Cio-San numa produção televisiva da Madama Butterfly, emitida pela RAI, que a tornou famosa por toda a Itália. Seguiram-se convites para actuações em várias salas, na Europa e nos Estados Unidos, e o repertório de Moffo foi-se ampliando: Verdi, Mozart, Puccini, Bizet.


Infelizmente, Moffo não conseguiu manter o seu timbre durante muito tempo e na década de 1970, após pouco mais de década e meia de carreira, a soprano perdeu a voz. Nos anos seguintes conseguiu retomar a interpretação mas nunca mais foi capaz de recuperar o fulgor inicial.  


À semelhança de outras óperas do mesmo período, Lakmé, escrita em 1882 pelo compositor francês de Léo Delibes, recria um ambiente oriental, tão em moda no século XIX. A acção desenrola-se na Índia britânica e narra a história de amor infeliz entre um oficial britânico e a filha de um sacerdote Brâmane, a bela Lakmé. L’Air des clochettes, também conhecida como á “ária dos sinos”, é uma das passagens mais populares desta ópera. 

 

 

 

 





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editado por Carlos Loures em 10/05/2011 às 14:44
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2011
41 - Thomas Hampson e Marcello Giordani - por Carla Romualdo e Carlos Loures

Thomas Hampson (EUA, 1955), barítono, e Marcello Giordani (Itália, 1963), tenor, são dois intérpretes destacados de uma nova geração de cantores líricos que tem alicerçado a sua carreira numa escolha criteriosa de papéis e em actuações bem-sucedidas nas grandes salas mundiais. 

 

Thomas Hampson

             Thomas Hampson

 

Hampson interpretou Mozart, Wagner, Rossini, Tchaikovsky, Verdi, Puccini, mas é também um destacado intérprete de lieder (Wolf, Strauss, Schubert), amplamente reconhecido pela sua gravação, com o maestro Leonard Bernstein, das Kindertotenlieder e das Lieder eines Fahrenden Gesellen, de Gustav Mahler. 

 

      Marcello Giordani

 

Marcello Giordani conseguiu ultrapassar os problemas vocais que sofreu no início da sua carreira e a partir de meados da década de 1990 relançou a sua carreira, com um repertório operático que inclui Verdi, Puccini, Bellini, Mozart,  Gounod, Massenet, Bizet, Rossini, etc.


Curiosamente, Hampson e Giordani criaram ambos fundações destinadas a apoiar novos talentos no canto lírico.


Ambos interpretam, no vídeo que hoje escolhemos, o final de Guillaume Tell, ópera de Giochino Rossini estreada em 1829, com libreto de Etienne de Jouy, inspirado na pela Wilhelm Tell, de Schiller, e que se baseia na lenda do lendário herói suíço que se opôs à tirania do império Habsburgo, da Áustria. 


 

 

 

 




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editado por Luis Moreira às 21:53
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Sábado, 30 de Abril de 2011
30 Belcanto - Teresa Stratas - por Carla Romualdo e Carlos Loures

Teresa Stratas, soprano nascida no Canadá, em 1938, e de origem grega, estreou-se em Toronto, aos 20 anos, no papel de Mimi, de La Bohème.


Dotada de uma grande intensidade dramática, e de um magnetismo pessoal que a fez receber o epíteto de “Baby Callas”, Stratas construiu uma carreira assente numa versatilidade surpreendente. Para além do repertório habitual de soprano (Mozart, Puccini, Verdi), estreou The Last Savage, de Menotti, The Ghosts of Versailles, de Corigliano, e foi a estrela da primeira apresentação integral da Lulu, de Alban Berg.

 


No final da década de 1970, conheceu Lotte Lenya, a viúva do compositor alemão Kurt Weil (Dessau, 1900 – Nova Iorque, 1950), que lhe cedeu as partituras de várias canções inéditas do marido. Lenya haveria de dizer que Stratas cantava as canções de Weil como se estas tivessem sido escritas para ela.


Já nos anos 80, Stratas viajou para Calcutá, onde trabalhou com a Madre Teresa no orfanato e no hospital de Kalighat, experiência que haveria de repetir num hospital da Roménia, na década seguinte.  


Composta por Weil em 1934, Youkali: Tango Habanera começou por ser um instrumental para Marie Galante, um musical escrito em parceria com o  francês Jacques Deval. Em 1946, Roger Farnay escreveu a letra e a canção tornou-se uma das mais conhecidas do ciclo de canções de cabaret de Weil.

 

 

 

 



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Sexta-feira, 29 de Abril de 2011
29 Belcanto - Placido Domingo - por Carla Romualdo e Carlos Loures

O maestro e tenor Placido Domingo  (nascido em Madrid, em 1941) é, porventura, o mais famoso e prestigiado intérprete operático vivo.  A sua carreira começou muito cedo,  no México, para onde os seus pais (ambos interpretes de zarzuelas) se mudaram quando Domingo era ainda criança, tendo tido a sua estreia em palco aos 16 anos. Cantou, nesses primeiros anos, nas produções em que participavam os seus pais e acabaria por ingressar na Ópera Nacional do México em 1959.


 

 

Desde então, Placido Domingo interpretou 119 papéis diferentes, mais do que qualquer outro tenor desde sempre. Um repertório que abarca Mozart, Verdi, Puccini, Bizet, Wagner, Berlioz, Leoncavallo, Menotti, Ginastera, entre outros. Cantou em todas as grandes salas de ópera por todo o mundo, gravou mais de 90 óperas integrais, participou em filmes, bateu o recorde de Caruso ao estrear 18 vezes no Metropolitan (Caruso ficara-se pelas 17).

 

As suas interpretações de grande intensidade dramática, a sua musicalidade, a voz poderosa, a versatilidade das suas interpretações são reconhecidas em todo o mundo. A sua participação como um dos "Três Tenores" (o trio que constituiu com Luciano Pavarotti e José Carreras) aproximaram-no de um público mais amplo, desconhecedor do mundo operático mas que foi capaz de resconhecer as qualidades vocais de Domingo.  

 

Nas últimas duas décadas realizou vários concertos de beneficência, que recolheram milhões de dólares para causas como a ajuda às vítimas do terramoto de 1985 no México ou para a luta contra a Sida. É igualmente reconhecido pelo seu apoio aos jovens intérpretes, nomeadamente através da criação de "Operalia", uma competição mundial fundada em 1993, e que anualmente premeia jovens cantores de ópera. 

 

Em 1992, Domingo protagonizou uma gravação cinematográfica de Tosca, célebre obra de Puccini, estreada em 1900. Esta versão teve a particularidade de ter sido gravada em Roma, nos cenários descritos no libreto. Com direcção de orquestra do maestro Zubin Mehta, eis uma das mais famosas árias de Puccini, E lucevan le stelle, lamento trágico do pintor Cavaradossi enquanto aguarda a execução. 

 

 


 



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Quinta-feira, 28 de Abril de 2011
28 Belcanto - Barbara Hendricks - por Carla Romualdo e Carlos Loures

Nascida em 1948, nos EUA, Barbara Hendricks é uma das mais famosas sopranos da actualidade, reconhecida pelo seu timbre cálido e límpido, e pela grande versatilidade das suas interpretações.


 


 

Graduada em Matemática e Química, Hendricks acabaria por decidir dedicar-se em definitivo à música, tendo então sido admitida na selectiva Julliard School, em Nova Iorque, onde foi aluna da mezzo-soprano Jennie Tourel e onde participou em master classes da diva Maria Callas.

 

 

A sua carreira tem sido marcada por uma cuidadosa, mas amplíssima, escolha de repertório, que inclui ópera, lieder, música de câmara e até o jazz. Ao longo da sua carreira, tem interpretado obras de autores tão diversos quanto Mozart, Puccini, Bizet, Debussy, Stravinsky, Gounod, Mahler, Penderecki ou Sandström.

 

 

 

 

Barbara Hendricks tem igualmente dedicado grande parte do seu tempo a causas humanitárias. Para além de ser a mais antiga Embaixadora da Boa-Vontade em funções do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Hendricks criou, em 1998, a Fundação Barbara Hendricks para a Paz e Reconciliação, destinada a promover a reconciliação entre os povos em regiões anteriormente afectadas por conflitos. 

 

A viver na Europa desde 1977, Hendricks obteve a nacionalidade sueca e vive actualmente na Suíça. 

 

Entre as suas interpretações mais célebres e apreciadas, está a ária de Roméo et Juliette, de Charles Gounod, Ah! Je veux vivre" (também conhecida como a valsa de Julieta), uma da mais populares do repertório operático.


  

 

 

 



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Quarta-feira, 27 de Abril de 2011
27 - Belcanto - Mario del Monaco - por Carla Romualdo e Carlos Loures

   

Mario Del Monaco (Florença, 1915 - Mestre, 1982) é um dos mais célebres tenores italianos do século XX, para muitos um dos melhores de sempre.

 

 

Incentivado pelo seu pai, grande amante da ópera, começou cedo a estudar música. Após alguns anos de desacerto, com papéis inadequados para a sua voz, estreia-se durante a II Guerra Mundial nos palcos italianos, em Milão, com Madama Butterfly. 

 

A sua voz poderosa e presença carismática, o profissionalismo que o fazia preparar meticulosamente cada actuação, a capacidade interpretativa, a facilidade de interacção com o público tornaram-no, ao longo das décadas de 1950, 60 e 70 uma das referências máximas do canto lírico. 


Extraordinário intérprete de Puccini, Verdi, Bellini e Giordano, del Monaco decidiu retirar-se em definitivo dos palcos em 1976, com I Pagliacci. 

 

Umas das menos populares obras de Puccini (nunca atingiu a notoriedade de La Bohème ou Madama Butterfly, por exemplo), La Fanciulla del West (A Rapariga do Oeste) é uma ópera em três actos, estreada no Metropolitan de Nova Iorque, em 1910. Uma adaptação do livro The Girl of the Golden West, de David Belasco, a sua acção decorre no velho Oeste americano, entre cowboys, garimpeiros e lutas de saloon. Do terceiro acto, Mario del Monaco canta Per Lei Soltanto... Ch'ella Mi Creda.

 

 


 



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Terça-feira, 26 de Abril de 2011
26 - Belcanto - Ruthie Henshall - por Carla Romualdo e Carlos Loures

Num registo mais ligeiro do aquele que tem preenchido este espaço, hoje fazemos uma incursão pelo musical, uma forma teatral que conjuga a música e a dança com os diálogos.

 

Ruthie Henshall é uma actriz, cantora e dançarina inglesa que se tem celebrizado no teatro musical. Estreou-se em 1986, aos 19 anos, no West End, a zona onde se concentram as salas de teatro em Londres e que habitualmente se utiliza para designar as melhores salas de espectáculo de teatro comercial na capital inglesa.

 

 

A sua carreira tem sido marcada por sucessivos êxitos nos palcos ingleses, protagonizando alguns dos mais famosos títulos do teatro musical – Chicago, Miss Saigon, Godspell, Les Misérables – a par de algumas incursões igualmente bem sucedidas pela Broadway. Brevemente irá protagonizar, no West End, uma nova encenação do musical Evita, de Andrew Lloyd Webber.

 

I dreamed a dream é uma das canções de Les Miserábles, famoso musical de Claude-Michel Schönberg, com letras em inglês de Herbert Kretzmer, baseadas no libreto francês original, de Alain Boulil. Canção lamento da personagem Fantine, evocação de um passado esperançoso num momento em que todas as esperanças se perderam, I dreamed a dream é hoje a canção emblemática de Les Miserábles, tendo conhecido já diferentes versões, entre elas a de Aretha Franklin.


Recentemente, voltou a ser ouvida com frequência quando foi escolhida por Susan Boyle, a concorrente de um concurso britânico de talentos que se transformou num fenómeno de popularidade mundial, graças ao Youtube.

 

Na  versão que escolhemos, Ruthie Henshall interpreta I dreamed a dream numa gravação efectuada em Londres, em 1995.

 

 

 

 



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Sexta-feira, 22 de Abril de 2011
25 Belcanto -Jon Vickers - por Carla Romualdo e Carlos Loures

 Jon Vickers, nasceu em Prince Albert, Saskatchewan, no Canadá, no dia 29 de Outubro de 1926. Tenor lírico, em 1950 ganhou uma bolsa para estudar ópera no Conservatório Real de Música em Toronto e em 1957 Vickers passou a cantor residente do Royal Opera House de Londres. Em 1960 ingressou na companhia do Metropolitan Opera, de Nova Iorque onde cantou durante 20 temporadas, com 225 actuações em 16 papéis diferentes. Cantou também no La Scala de Milão e em numerosos palcos da Europa e da América. Retirou.se em 1988.

 

 

Bernard Shaw, grande escritor, também conhecido pela fina ironia das suas blagues, dizia que os entrechos operáticos se resumem ao amor de um soprano por um tenor, romance que um barítono destrói. Embora com excepções, o padrão repete-se e Otello não lhe escapa - a soprano Desdémona e o tenor Otello amam-se. Mas o tortuoso barítono Iago leva esse amor à destruição e mesmo ao assassínio. Baseado na imortal peça de William de Shakespeare, a ópera em quatro actos, com música de Verdi e libreto de Arrigo Boito, foi estreada em 5 de Fevereiro de 1887 no Scala de Milão. Em 12 de Maio de 1889, estreou-se no São Carlos de Lisboa. Em 1891 seria de novo apresentada em Lisboa, com o grande Francesco Tamagno, tal como na estreia absoluta em Milão.

 

Vamos ouvir Jon Vickers (com  Teresa Zylis-Gara) em Gia nella note densa - ária do III acto de Otello, de Giuseppe Verdi:

 

 

 

  



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EDITORIAL
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