Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011
Artexto - Texto de José de Brito Guerreiro, quadro de Adão Cruz

 

 

 

 

 

 

 

 

EVA ONÍRICA E ADÃO VIRTUOSO PRESTIDIGITADOR

 

 

 

 

 

 

Eva sonhou com um cavalo. Adão presenteou-a com Pégaso.

 

Eva sonhou com mais cavalos. Adão ofereceu-lhe o Unicórnio.

 

Eva continuou a sonhar com cavalos. Então Adão tornou-se ele próprio no centauro Quíron, o mais sábio e o mais justo dos centauros, famoso pela sua cultura e ciência, versado em arte e medicina.

 

Logo Quíron e Eva amaram-se, saboreando voluptuosamente maçãs, sem serpente nem pecado.



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Domingo, 6 de Fevereiro de 2011
Artexto - textos de Silvio Castro, quadro de Adão Cruz. Comentário de Adão Cruz.

 

 

 

 

 

A Chave Secreta de Cores e Formas

 

 

Tudo se passa como se o labirinto não fosse senão o mais imediato convite ao convívio com o desconhecido que se deseja revelado.

 

Olhar para dentro do labirinto. E tudo se desenrola em encontros abstratos. Abstratos são os signos que volteiam na luz do labirinto. E essa luz se revela como tantas cores, infinitas cores, quentes e frias. Como não um, mas muitos arco-íris.

 

A abstração recolhe o olhar e o conduz aos mistérios do labirinto. Já agora os signos, que voltejavam numa desordem de alegria, se aproximam uns aos outros, alargando em um primeiro momento a abstração geral, para logo depois, em grandes movimentos estridentes, unirem-se com ela.

 

A abstração se faz figuração multiforme que abraça signos e cores, que se revela sempre mais e mais em movimentos côncavos e convexos, que por linhas retas e por curvas fascinantes abraça tempo e espaço, que se esclarece para sempre.

 

"Qual artista não desejaria morar ali onde o órgão central do tempo e do espaço - não importa se se chame cérebro ou coração - determina todas as funções? No seio da natureza, no fundo primitivo da criação, lá onde está a chave secreta de tudo?" (Paul Klee).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Caro amigo Sílvio Castro, lamento não ter podido, por estar ausente, fazer uma comentário á bonita descrição deste artexto. Fazê-lo no local próprio já não dá, por extemporâneo e atrasado. Deixo-o aqui em forma de post.

 

 

Para além do labirinto onde se abrem muitos arco-íris, e que eu bem entendo, este teu sentir abraça, melhor do que o quadro, tempos e espaços, movimentos serenos e estridentes, côncavos e convexos, linhas rectas e curvas que se enlaçam e fascinam. Talvez por ter despertado um sentimento idêntico ao teu, o quadro tenha sido seleccionado para capa de um livro de António Garcia Barreto sobre a guerra colonial, "À SOMBRA DAS ACÁCIAS VERMELHAS". Pena que este texto não tenha feito, na altura, a abertura do livro. Creio que o autor aprovaria. Um grande abraço.



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Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011
Artexto - texto de Adão Cruz, quadro de Adão Cruz

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

A descodificação, ainda que parcial, de uma obra de arte, se é que se pode chamar a esta pintura, um tanto grotesca, uma obra de arte, pode ser um fenómeno redutor que empobrece a obra, podendo mesmo anular a sua própria hermenêutica. Neste caso não será tanto assim, dado que se trata de um figurativismo bastante objectivo.

 

Não me lembro de qual o meu estado de espírito aquando da criação deste quadro, já antigo. Ao contemplá-lo hoje, perante o meu estado de espírito actual que não é nada famoso, eu entendê-lo-ia como uma espécie de tragédia espiritual mahleriana, eclodindo neste abraço militarista, entre a possessiva paixão de Mahler e a frustração, desespero e desânimo de Alma Schindler. Sem qualquer pretensiosismo, parece-me que ele contém alguns laivos de uma atmosfera emocional com perfeito cabimento nas interpretações mais dramáticas e pessimistas da sexta sinfonia.

 



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Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011
Artexto - texto do Carlos Loures, quadro de Adão Cruz


Monólogo de um soldado espartano na batalha das Termópilas

 

 

 

 

 

 

Da neblina da nossa ignorância, emergem deuses. Dizem que, a cada momento, os deuses disparam setas sobre o coração dos homens. Só a última seta é fatal. Nós, frágeis, mas serenos, recebemos as setas sobre o peito. Venha a seta fatal, pois de tantos ver morrer, já vi mil vezes a minha morte. Ó deuses, entre as setas que os persas nos enviam, mandai a vossa seta fatal! Quando a última seta atingir o último homem, todos os deuses morrerão – sem homens, não há deuses. Mandai as vossas setas, filhos de puta! Suicidai-vos!



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editado por Luis Moreira em 30/01/2011 às 22:46
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Domingo, 30 de Janeiro de 2011
Artexto - texto de João Machado, quadro de Adão Cruz

 

 

 

 

 

As personagens que o Adão pinta são abstractas, mas apresentadas sempre em posições e expressões muito fortes, que denotam conflito e angústia. A angústia e o conflito que são a nossa vida diária. Estão em luta, que a vida é uma luta. E assim sentimos as personagens tão abstractas, mas tão perto de nós. O Adão envolve-as com cores fortes, quentes. É o calor que ele lhes quer transmitir, a essas personagens que vivem e sofrem. As cores são o sangue que corre entre o pintor e os personagens, contêm o fogo que anima os seres pensantes. O fogo que Prometeu foi tirar ao céu. Mas descansa Adão, que nós estamos cá, e lutaremos com os deuses ao teu lado.

 

O Adão lembra-se dos meninos da Guiné, dos doentes no hospital, de todos nós,  e pinta, pinta ... Quer levar-lhes  (trazer-nos) o calor que os possa manter vivos ... vivos para sempre! Neste quadro, três mulheres tocam uma música em honra de um homem que apenas está presente pelo chapéu. Será que, em vez de fiarem o seu destino, tocam uma melodia para melhor o conduzirem? Aonde? Cloto fiava, Láquesis separava os fios, e Átropos cortava-os. E estas? Como combinam entre elas o trabalho de composição da música com que conduzem o nosso destino?



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Sábado, 29 de Janeiro de 2011
Artexto - texto de Josep Anton Vidal, quadro de Adão Cruz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Què ens en queda, del món, si ens falta la mirada...?

 

Sense mirada, no existiria el món. Vull dir, allò que en diem món, espai, natura, temps... No hi ha paisatge fora de la mirada. La mirada copsa, compon, uneix, separa, integra i desintegra, aterra i construeix... Tot allò que és real s’engendra amb la mirada.

 

La mirada és la força creadora. Copsa fragments d'espai i temps i construeix el món –vull dir que el crea–, el paisatge concret de la vida dels homes... Incapaç de copsar globalment el tot indivisible, mai no calma la set de l’afany impossible, i en va copsant fragments, instants, com pinzellades, com taques de color... I així, a cops d’afany, de set, de neguit, d’obstinació tossuda, aferrant-se al que veu, es va inventant un tot –vull dir que el crea–, i un altre tot, i un altre tot encara...

 

Tot existeix pels ulls. No hi ha realitat fora de la mirada. No existeix el paisatge fora dels nostres ulls. Allò que és exterior, passat per la mirada, és paisatge interior, i parla de nosaltres. Paisatge síntesi. Fora i endins. Espai i temps. Llum i foscor.

 

El paisatge s’ajusta a la mirada, en pren les dimensions, i ens retorna una imatge formada amb els ulls clucs: cases, silenci; vida i absència; camí i frontera; claror i foscor... La immensitat del cel, l’espai transparent, roent de sol, es tanca entre muntanyes. La immensitat del blau, espai opac i fred, ens parla de l’abisme ocult sota les aigües.

 

Al mig, les parets blanques s’agombolen en un rengle desigual i compacte... Mudes, aclaparades entre la immensitat roent del sol i la immensitat freda de l’abisme... Les teulades, de sang.

 

Potser la vida s’amaga entre parets, sota teulada? Vides ocultes, i tanmateix presents, vora el camí/frontera que es dreça com un repte.

 

El camí, d’un cap a l’altre, des d’una immensitat desconeguda a una altra igualment ignorada.

 

En quin sentit s’ha de seguir el camí? Des de les pregoneses fredes del blau cap a les plenituds càlides del groc i del taronja? Del no res a la vida...? O des del foc original, que escalfa i dóna vida, cap a les pregoneses ignotes i fredes de l’abisme?

 

De la mort a la vida...? De la vida a la mort...?

 

Però, la vida, on és...?

 

El temps resta aturat en un instant precís... Hi ha un silenci expectant... Reverbera la llum, s’estremeixen les cases... Hi ha un respir contingut... Silenci dens, angoixant...

 

El camí és l’únic crit.

 

Josep A. Vidal

 

 

Que nos queda, do mundo, sem o olhar ...?

 

Sem o olhar, o mundo não seria. Quer dizer, o que chamamos mundo, espaço, natureza, tempo ... Não há paisagem fora do olhar. O olhar percebe, junta, separa, integra e desintegra, derriba e constroi ... Tudo o que é real engendra-se com o olhar.

 

O olhar é a força criativa. Capta fragmentos de espaço e tempo e constroi o mundo - quero dizer que o cria -, o paisagem concreto da vida dos homens ... Incapaz de compreender globalmente o todo indivisível, nunca acalma a sede da vontade impossível, e va capturando fragmentos, instantes, como pinceladas, como manchas de cor ... E assim, a golpes de desejo, de sede, de ansiedade, d'obstinação teimosa, agarrando-se ao que vê, va inventando-se un todo - quero dizer que o cria -, e outro todo, e outro todo ainda ...

 

Tudo existe por os olhos. Não há nenhuma realidade fora do olhar. Não existe a paisagem fora de nossos olhos. O que está fora, passado polo olhar, é paisagem interior, e fala de nós. Paisagem síntese. Fora e dentro. Espaço e tempo. Luz e escuridão.

 

A paisagem ajusta-se ao olhar, adopta as mesmas dimensões, e devolve-nos uma imagem formada com os olhos fechados: casas, silêncio; vida e ausência; caminho e fronteira; luz e escuridão ... A imensidade do céu, o espaço transparente, ardente de sol, fecha-se entre montanhas. A imensidade do azul, espaço opaco e frio, fala-nos do abismo escondido sob as águas.

 

No meio, as paredes brancas apertam-se numa linha desigual e compacta ... Mudas, esmagadas entre a imensidade do sol avermelhado e ardente, e a fria imensidade do abismo ... Os telhados, de sangue.

 

Talvez a vida esconde-se entre as paredes, sob o teto? Vidas ocultas, e não obstante presentes, à beira do caminho/fronteira que se ergue como um desafio.

 

O caminho de um extremo ao outro, de uma imensidade desconhecida a outra igualmente ignorada.

 

En que sentido deve-se seguir o caminho? Das profundezas do azul frio para as plenitudes cálidas do amarelo e o laranja? Do nada para a vida ...? Ou des do fogo original, que aquece e dá vida, para às profundezas desconhecidas e frias do abismo?

 

Da morte para a vida ...? Da vida para a morte ...?

 

Mais, a vida, onde está?

 

O tempo está parado em um instante preciso ... Há um silêncio expectante ... Reverbera a luz, tremen as casas ... Há um respiro conteúdo ... Silêncio denso, angustiante ...

 

O caminho é o único grito.

 

Josep A. Vidal

 



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Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011
Artexto - texto de Carlos Mesquita, quadro de Adão Cruz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como se fosse um sonho lindo.

Aparição efémera, lampejo de imagem namorada, utopia.

Fantasia que devaneia e esmorece consumida, como ilusão

que já não se reconhece, nem lembra, nem fixa.

E que se vê partir. Como se viu chegar. Ténue como uma dança.

Quimera que descansará ao voar, desaparecer, dormir.



publicado por João Machado às 08:00
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Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011
Artexto - texto de Carla Romualdo, quadro de Adão Cruz

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

O mundo não é dos que ficam na margem, assistindo à partida dos outros. Que o diga eu, que amo os portos, que vagueio pelas margens e aceno um adeus aos viajantes que não conheço, que recebo quem chega com circunspecta alegria, esta minha alegria sem jeito, que nunca se acostumou a si mesma.

 

E se me perguntares que me traz aqui a cada dia, talvez te diga que espero essa nave que virá recolher-me numa manhã incerta e que nela embarcarei com resolução, ainda que me tremam as pernas como a uma criança, e que chego a pressentir que, ao soltarmos âncora, estenderei os braços e me fundirei com as suas velas flamejantes. E que mais do que no seu robusto corpo de madeira e aço, velejarei no reflexo inquieto que as águas for sulcando.

 

 



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editado por Luis Moreira em 25/01/2011 às 02:53
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011
Artexto - texto de Sílvio Castro, quadro de Adão Cruz


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Chave Secreta de Cores e Formas

 

 

Tudo se passa como se o labirinto não fosse senão o mais imediato convite ao convívio com o desconhecido que se deseja revelado.

Olhar para dentro do labirinto. E tudo se desenrola em encontros abstratos. Abstratos são os signos que volteiam na luz do labirinto. E essa luz se revela como tantas cores, infinitas cores, quentes e frias. Como não um, mas muitos arco-íris.

A abstração recolhe o olhar e o conduz aos mistérios do labirinto. Já agora os signos, que voltejavam numa desordem de alegria, se aproximam uns aos outros, alargando em um primeiro momento a abstração geral, para logo depois, em grandes movimentos estridentes, unirem-se com ela.

A abstração se faz figuração multiforme que abraça signos e cores, que se revela sempre mais e mais em movimentos côncavos e convexos, que por linhas retas e por curvas fascinantes abraça tempo e espaço, que se esclarece para sempre.

"Qual artista não desejaria morar ali onde o órgão central do tempo e do espaço - não importa se se chame cérebro ou coração - determina todas as funções? No seio da natureza, no fundo primitivo da criação, lá onde

está a chave secreta de tudo?" (Paul Klee)



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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011
Artexto - texto de Ethel Feldman, quadro de Adão Cruz

 


 

 

 

 

 

 


 

 



Carta a Cleo

 

Urca, 1 de Janeiro de 1991


Envio foto do quadro como prometi. Note como o azul tí­mido se escapa. Amplie a imagem e sinta. Feche os olhos devagar antes de voltar a olhar. Agora Cleo, respire por mim que o vermelho ganhou corpo no meu corpo. Nele me desfaço. Se uma lágrima se escapar nesse sentir que adivinho, deixe que ela ganhe o seu rosto sem medo, abra a boca e sinta como é salgada. Assim, devagar Cleo , liberte-a por dentro, como o amarelo fez com o vermelho nesse quadro que me respira. Deixe que o tempo ganhe tempo. O roxo Cleo, é a distância que nos impediu de amar.

Amanhã parto em viagem. Se pelo caminho encontrar uma árvore encarnada vou abraçá-la até que a saudade ganhe outra cor.



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Domingo, 23 de Janeiro de 2011
Artexto - A encruzilhada - texto de Luis Moreira e quadro de Adão Cruz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Luis Moreira

 

Enquanto houve um só caminho trouxeste-me até aqui, já passei as almas avisadas que se ficaram nas casas e que não quiseram chegar onde estou. Perante uma escolha que não quero fazer, pior, não sei fazer. Á minha frente vejo outras casas onde se acolhe quem, imprudente, fez uma escolha. Não têm caminho.

 

Para mim ficou a escolha, sem indicação, sem estrela cadente a indicar-me o caminho, os cometas já não rasgam este céu e os anjos não se fazem anunciar. Entregue a mim próprio , hesito, embora tenha quase a certeza que qualquer dos caminhos me leva atrás daquele monte. Que vou encontrar atrás daquele monte?

 

Interessa-me o caminho, o fim é o mesmo, "não vou por aí", mas por qual devo ir? Serão assim tão diferentes que mereça a angústia? E se fizer eu o caminho, caminhando? O que os separa não está na minha mão, o que vou encontrar não adivinho, sei que o fim é o mesmo, mas o caminho é diferente, porque o escolho ou porque não o posso modificar?

 

E se escolher um e ao primeiro cão que me salte às canelas, recúo e vou pelo outro? E, se neste, pelo medo escolhido, me saltam dois cães? Ou um cão em tudo igual ao primeiro? Se passo, este já o tornei diferente, sigo em frente até à primeira curva onde já não poderei recuar. E,  logo a seguir à curva, terei horizontes, já estarei atrás do monte?

 

É o caminho ou é o sentido que procuro? Há caminhos prontos a serem percorridos ou há sentidos prontos a serem inventados?

 




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editado por João Machado em 28/01/2011 às 14:29
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Sábado, 22 de Janeiro de 2011
Artexto - texto de Pedro Godinho, quadro de Adão Cruz

 

 

 

 

 

 

 

 

Um homem e o seu papagaio de papel

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De que serve a um homem ter um papagaio de papel (uma joeira, se madeirense, uma pipa, se brasileiro)?

Para a guerra não creio - que o papagaio não mata -, apesar de noutro milénio ter servido para a sinalização militar, jogando com as cores e os movimentos.

Para o negócio parece pouco fadado, apesar de nos morros das favelas servir para os traficantes anunciarem aos clientes que a loja está aberta e abastecida.

Para a ciência é aparelho de medição atmosférica. Serviu também para estudar a electricidade e inventar o pára-raios, se o homem se chamar Franklin.

Pode servir para um homem falar com o vento, através da força que põe na corda, e dizer-lhe olá, ou para, pequeno deus, pintar o céu, em cores e formas.

Muito pode um homem com o seu papagaio de papel! Pode descobrir a imaginação, a que tinha quando era criança ou uma outra, nova.

Logo, serve para um quadro… e para se divagar sobre ele - cores e forma



publicado por João Machado às 08:00
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011
Artexto - texto de Clara Castilho, quadro de Adão Cruz

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

Sinto-me confusa, sinto-me vazia.

Preciso perceber o que aconteceu. Foi pelo que fiz? Foi pelo que não fiz?

Foi pelo que me fizeram? Foi pelo que não fizeram?

A imagem de laços vem-me ao espírito com grande intensidade. Quero perceber porquê, ela permanece. Laços, entrelaçar, dar nós, prender…

Precisarei de me ligar a algo, a alguém, a uma ideia, a uma orientação, a uma perspectiva de futuro?

Relembro outros laços: os de filiação, de fraternidade, de aliança .…

O vazio foi-se. Com laços podemos pensar, sentir, criar.

Com eles posso buscar o alívio, posso desfazer e recompor, posso construir uma escada que me leve a outro lugar.



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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011
Artexto - texto de José Magalhães, quadro de Adão Cruz

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O MENINO E O PAPAGAIO

 

Rodava sem parar fazendo desenhos lindos e estranhos, comandado pelas mãos pouco sábias do menino, e sentia-se feliz quando, olhando para baixo lhe notava o sorriso no rosto concentrado, de vez em quando dava-lhe um safanão como que para lhe lembrar que era ele que mandava, mas a culpa não lhe pertencia e não era assim que ele queria, era do vento que por vezes soprava forte, e quando assim era, as mãos do menino sofriam com a sediela a aperta-las cada vez mais e o sorriso transformava-se num misto de perseverança e ainda de mais concentração até que amainado o vento o voo era simples e o sorriso voltava mostrando a felicidade que lhe enchia a alma, que era a primeira vez que comandava sozinho depois das lições domingueiras do pai, que orgulho ele iria ter quando lhe mostrasse como era capaz e que lindas figuras conseguia fazer, e o papagaio voador olhava-o e ajudava-o fazendo mais uma pirueta e pensando em como é bom conseguir fazer sorrir uma criança.



publicado por João Machado às 08:00
editado por Luis Moreira em 19/01/2011 às 18:53
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011
Artexto - texto de António Mão de Ferro, quadro de Adão Cruz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Quem é que falou de amor e uma cabana? Bem a cabana de que fala a canção é junto à praia. A casa do quadro deve ser mais quente. Talvez o calor não se suporte e os corpos se entrelacem ao ar livre. Observando melhor,  confesso a mim mesmo: o ser humano agarra-se a pormenores que o atraem. Daí a parcialidade com que analisa as coisas. Ainda só referi uma parte do excelente quadro do Adão Cruz. Vou deixar de ser parcial e concentrar-me noutros aspectos da pintura, o telhado vermelho, a harmonia da cor, a calma que inspira, as janelas.

 

Mas agora reparei, não distingo a porta!  Será por não a encontrarem que os corpos fazem amor ali.  Ou será que o que se vê no quadro  é  a árvore  a sonhar em ser ela a fazê-lo?!

 



publicado por João Machado às 08:00
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EDITORIAL
AUTORES
Adão Cruz

Adriano Pacheco

Alexandra Pinheiro

Andreia Dias

António Gomes Marques

António Marques

António Mão de Ferro

António Sales

Augusta Clara

Carla Romualdo

Carlos Antunes

Carlos Durão

Carlos Godinho

Carlos Leça da Veiga

Carlos Loures

Carlos Luna

Carlos Mesquita

Clara Castilho

Ethel Feldman

Eva Cruz

Fernando Correia da Silva

Fernando Moreira de Sá

Fernando Pereira Marques

Hélder Costa

João Machado

José Brandão

José de Brito Guerreiro

José Magalhães

Josep Anton Vidal

Júlio Marques Mota

Luís Moreira

Luís Rocha

Manuel Simões

Manuela Degerine

Marcos Cruz

Maria Inês Aguiar

Paulo Melo Lopes

Paulo Rato

Pedro Godinho

Raúl Iturra

Rui de Oliveira

Sílvio Castro

Vasco de Castro

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