Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
Já não entendo este mundo - Adão Cruz, seguido de "As palavras de um soldado americano" (enviado por Carlos Leça da Veiga)

 

Adão Cruz  Já não entendo este mundo

 

(Adão Cruz)

 

 

 

Esta manhã, antes do alvorecer, subi numa colina para admirar o céu povoado,
E disse à minha alma: Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?
E minha alma disse: Não, uma vez alcançados esses mundos prosseguiremos no caminho.

 

                                            Walt Whitman

 

 

 

Não entendo este mundo moribundo este mundo escuro nascido no ventre da pátria de Whitman sem sol e sem luar já não entendo esta onda de sismos e cifrões esta dor de milhões de cabeças rolando como esferas para o fundo dos abismos.

 

Não entendo este mundo dilacerado e sem vida já não aguento este frio de quatro paredes este jogo perdido no vazio cemitério da história este profundo alarido este diabólico mistério de morte concebido esta vida sem sentido a que chama mercado e democracia a argentária escória da pátria de Whitman.

 

Não entendo este mundo de olhos vendados com barras de ferro este silêncio absorto e abstracto no assalto impune a soberanas nações pela bocarra da NATO pátria de Whitman este mundo de vidas e almas sem direitos nem justiça este mar de sangue escorrendo pelas garras dos algozes este rasgar de corações este martírio dolorosamente tatuado na pele dos inocentes por tanques e aviões.

 

Não entendo este mundo constantemente ameaçado por mísseis e canhões já não entendo tantas metástases do cancro da guerra este perigo sistémico diariamente arquitectado esta inelutável evolução para a desordem suprema e já não sou capaz de aguentar o peso desproporcionado da exponencialidade do crime chamado super-lucro brilhando na pátria de Whitman como a luz do inferno na ponta dos punhais.

 

Não entendo este mundo escorraçado para as bermas da fome por esta infame corrida central para o inglório podium da pátria de Whitman por entre as malhas da ganância enlouquecida neste imparável caminho do caos e da fatalidade esta ensanguentada bandeira erguida para o nada este constante apunhalar da liberdade.

 

Não entendo este mundo apodrecido já não entendo a secura do grande rio da esperança de Whitman já não acredito no sonho do poeta quando subiu a colina para admirar o céu povoado e o céu desabou quando foram abarcados esses mundos de conhecimento e prazer o céu desabou no místico obscurantismo da mente e da razão e a poesia morreu devorada pela globalização da morte e da destruição.

 

Não era isto Walt Whitman o que queriam dizer as tuas palavras e os teus poemas nem nunca os teus versos tiveram a forma de algemas.

 

 

 

 

Palavras de um soldado americano

 

(enviado por Carlos Leça da Veiga)

 

 

Este soldado não tem o coração de chumbo, mas de ouro! ...de amor e compaixão...

Assistam e passem adiante! Mereceu os aplausos de pé!! Contundentes e verdadeiras as palavras do soldado.

O soldado apareceu morto 2 dias depois do discurso. A autópsia revelou ter sido um ataque cardíaco. Depois de um discurso destes, é difícil acreditar em ataque cardíaco... a menos que tenha sido provocado!



publicado por Augusta Clara às 18:00
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Sábado, 25 de Junho de 2011
Poema de Adão Cruz para Fotografia de José Magalhães

 

 

 

MÃOS DE HOJE QUE FORAM DE SEMPRE

 

 

Na noite que já não é noite de madrugadas perpassa em doce silêncio por entre os dedos dormentes uma brisa dolente esquecendo as mãos na paz adormecida.

 

Por entre os frágeis dedos da quietude e do silêncio perpassa agora em suave melancolia o magro regato da secura da vida arrastando em seu leito rugoso a triste canção de um tempo sem cor nem movimento.

 

O lento gesto do abrir destas mãos de tantos anos vividas cai agora em pesado silêncio por entre as malhas da sombra no impiedoso vazio das mãos cheias de nada.

 

Foi-se embora a madrugada das manhãs perdidas no tempo em que o sol sorria entre os sonhos e as mãos cantavam a força da vida com ondas do mar por entre os dedos frementes.

 

No penoso abrir e fechar de mãos deste plangente gesto do fim do dia feito canção de tão gélido silêncio apenas a saudade se aninha em negro fundo para morrer sozinha.

 

 

                                                                                              Adão Cruz

 

(poema inédito escrito especialmente para esta fotografia)

 



publicado por atributosestrolabio às 18:00
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Segunda-feira, 20 de Junho de 2011
Fotografia de José Magalhães com poema de Adão Cruz

NÃO HÁ POETA

 

 

Não há poeta para a réstia de sol de um rosto engelhado de
luz não há poeta para o poema da eternidade num só momento.

 

Não há poeta para a singeleza do pensamento feito suspiro de
terra seca num beijo de primeira chuva na melodia do sol-pôr dormindo num
estuário de rugas cavadas de longas madrugadas.

 

Não há poeta para a liberdade de criar sem algemas a
majestade de um só verso feito sorriso de cristal não há poeta para tão serena
harmonia da assilabada amargura do peso do tempo.

 

Não há poeta para a nudez da vida perdida para lá de um
rosto apagado de ilusões não há poeta para uma réstia de sol pousada nos olhos
do silêncio entre a vida e a morte.

 

Adão Cruz

 

 

Atenção - às 22:00 horas chegará mais uma fotografia do José Magalhães, desta vez com um poema do António Sales



publicado por Carlos Loures às 21:30
editado por João Machado às 22:00
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Domingo, 19 de Junho de 2011
Mãos - um poema de Sophia para o Adão que faz anos hoje

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

(para ti com um beijo)

 

(Rodin)

 

 

 

MÃOS

 

Côncavas de ter

Longas de desejo

Frescas de abandono

Consumidas de espanto

Inquietas de tocar e não prender

 

 

(in Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética I, Caminho)

. .


publicado por Augusta Clara às 19:00
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Sexta-feira, 20 de Maio de 2011
Rente ao cair da folha - exposição em Espinho do Adão Cruz

 

Encerra dia 14 de Junho
 
Horário de abertura: Dias úteis e sábados
11 às 13   e   15 às 20 horas
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por João Machado às 08:30
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
A mulher que amanha o peixe - Adão Cruz

 

Adão Cruz  A mulher que amanha o peixe

 

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

 

Sempre que a vejo no supermercado onde vou reconheço que não é por acaso.

 

Muito bonita a mulher que amanha o peixe (não sei se amanha se amanhece!).

 

Rosto combatido dorido olhar sofrido e manso não sei o que faz desta mulher um poema se os olhos negros e fundos se o desenho rasgado da face se um gesto brusco da natureza revoltada de cansaço.

 

Um vale profundo entre o cá e o lá banca de peixe mar imenso mar morto do outro lado um peixe vivo no céu tocando o mar estripando com mãos invisíveis entre lágrimas e sangues as entranhas da vida nas elegâncias difíceis dos plásticos cobertos de escamas.

 

Passos molhados encharcados pesados cheirando a algas ondas de tempestade no lindo rosto marcadas pela ânsia de voar.

 

Com tantos apetrechos de borracha botas altas luvas e avental não sou capaz de adivinhar o corpo que tem por baixo nem quero que tal aconteça.

 

A mulher é segredo a mulher é sonho de si mesma no olhar dos outros sonho de ventre liso crescente de imensidão fonte de pão e de leite eternidade e sorriso dança de movimento para além das formas e da imaginação.

 

Trepadeira de vida e de morte olhos que se abrem no céu e repousam no mar mãos de todas as direcções ainda que vestidas de plástico amanhando o peixe.

 

Não sei se é casada ou mãe se é tudo ou nada no reduto escasso do dia-a-dia nem me interessa.

 

Bastam-me os olhos infinitos a boca seca de beijos a dor-desenho dos lábios a doçura-criança que não cresceu por falta de uso tempo e espaço.

 

O corpo desta mulher está na face oculta e sedenta na ânsia fervente do impulso na mais íntima agitação do mundo e da dimensão que pode caber numa banca de peixe.

 

Difícil acertar ideias e olhares quando só olhares fazem ideias...enfeita-se a beleza desta forma estranha criando beleza no amanhar do peixe.

 

Cruel seria descobri-la a dançar pesadamente etérea e volátil nos salões de púrpura da mulher vulgar entre rendas e espumas que não são espuma do mar.

 

Como sempre tenho de dizer até amanhã sou forçado a serenar as ondas a desnavegar meu barco.

 

Muito obrigado.

 

Não tem de quê.

 

Você é das mulheres mais lindas que já vi.

 

Muito amável um exagero...faça o senhor o resto das compras e depois passe por cá.

 

Buscar o peixe...ou voltar a vê-la?

 

Sei lá! 



publicado por Augusta Clara às 19:00
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Domingo, 15 de Maio de 2011
Nudez total - Adão Cruz

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

 

Adão Cruz  Nudez total

 

 

Penso que é difícil pintar a nudez total.

 

Óleos águas fortes e aguarelas de nada servem.

 

Entre a paixão e a fruição vive o jogo imaginário uma espécie de sonho que não tarda em acordar.

 

Entram em luta o rosto e a máscara a arte e a vida a verdade e a mentira a realidade e a ilusão.

 

Para criar a nudez total não vejo pintor que tenha mão.

 

 



publicado por Augusta Clara às 19:00
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
Rente ao cair da folha - exposição em Espinho do Adão Cruz

 

 

A Galeria Zeller tem a honra de convidar V.Exª e família para a inauguração da exposição individual de pintura do artista
plástico  ADÃO CRUZ  no dia14 de Maio, pelas 18 horas. Será servido um Porto de honra.

 



publicado por João Machado às 09:00
editado por Luis Moreira em 04/05/2011 às 02:18
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
Afinal... - Adão Cruz

Adão Cruz  Afinal...

 

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

Afinal, parece que o Hitler tinha razão.

Invadir, assaltar, matar, roubar e marimbar-se para a soberania dos povos parece ter sido um comportamento correcto.

A França invade a Líbia, assalta e rouba as riquezas da nação, marimba-se para a soberania de um Estado, expulsa catorze diplomatas considerados “persona non grata” dizendo que o regime é ilegal e tenta aniquilar a Resistência do povo líbio.

Afinal o Hitler fez o mesmo e, visto isso, procedeu como devia ser.

Afinal a Resistência francesa não tinha sentido, era ilegal e utópica e não merecia vencer.

Afinal…andei enganado quase setenta anos.

Afinal o Hitler tinha razão.

 



publicado por Augusta Clara às 19:00
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Terça-feira, 3 de Maio de 2011
Exposição de Adão Cruz na Galeria Zeller em 14 de Maio



publicado por Carlos Loures às 16:30
editado por Luis Moreira em 02/05/2011 às 23:36
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2011
A minha forma de pensar - Adão Cruz

 

 

Adão Cruz  A minha forma de pensar

 

 

Fui anteontem à Biblioteca Almeida Garrett ver uma bela exposição do meu amigo e grande pintor Emerenciano. Em mesa redonda foi abordada e comentada a obra do pintor. Por ali passaram estereótipos e formas de ver as coisas que estão um pouco na antítese da minha maneira de pensar. Intervim com alguns comentários mas fiquei com a impressão de que as pessoas não entenderam bem o que eu queria dizer ou então eu não fui capaz de os fazer com a devida clareza. E o que eu queria dizer era o seguinte:

 

A arte e a poesia são irmãs gémeas, mas a poesia é a irmã gémea por excelência. E isto porque a poesia, ou melhor dizendo, o sentimento poético percorre transversalmente qualquer forma de expressão artística, e qualquer forma de expressão artística só será obra de arte se contiver dentro de si o sentimento poético. A poesia é um sentimento como outro qualquer, como, por exemplo, o sentimento do amor. O facto de vermos alguém de braço dado ou alguém numa cena aparentemente amorosa, não é garantia de que entre eles haja amor, pois este sentimento pode não existir ou existir em grau que vai do frágil e superficial ao mais profundo. Com o sentimento poético acontece provavelmente o mesmo. Não é por termos à frente dos olhos uma obra aparentemente bem feita ou um poema aparentemente bem escrito que podemos dizer que ali está a poesia. Pode não estar e muitas vezes não está. Custa-me dizer isto, mas cada vez mais gosto muito de poucas coisas. O que por aí se passa em relação à poesia é, quanto a mim, muito triste, porque fazer poesia, descobrir o sentimento poético não é encastelar versos uns em cima dos outros ou escrever frases labirínticas que ninguém entende, e, com isso tudo, encher as prateleiras das livrarias. O sentimento poético aproxima-se muito do místico sem nunca lá chegar, felizmente. É um sentimento quase indefinível, é um estado de hipersensibilidade, um desejo de ser-se de outra maneira, uma necessidade de sair do não autêntico, um quase sentir a verdade total e o amor universal.

 

Passando à pintura que é a expressão artística que neste momento nos ocupa, podemos dizer que a montante da obra está o artista. Este deita mão de todos os elementos que tem para criar a obra. Desde as suas capacidades inatas, os seus conhecimentos adquiridos, as suas habilidades e experiências, a sua “Arte”, a sua filosofia, a sua visão do mundo e das coisas, até aos elementos físicos como as tintas e os pincéis. Mas o elemento principal, o que está acima de todos os outros é o sentimento poético. Não é um elemento que o artista possa chapar na obra como faz com uma pincelada, ele tem de existir dentro do artista, ele está na essência e na vivência do artista, e como faz parte da alma do artista nasce na obra de forma consciente, subconsciente ou mesmo inconsciente. Sem sentimento poético dificilmente uma obra será uma obra de arte, e muito provavelmente não passará de um entretenimento superficial dos sentidos.

 

A jusante do artista está a obra, como um todo, indivisível e indissociável. E para que a obra adquira grandeza, todos os processos formais devem ser ofuscados pelo seu próprio efeito. Por isso, desnudar esses processos formais, tentar dissecar, escalpelizar, descodificar, fatiar uma obra pode ser muito nefasto, pode ser um fenómeno redutor que empobrece a obra, pode massificar e estereotipar o pensamento, pode tapar os olhos do espectador e pode anular toda a hermenêutica, isto é, a capacidade de gerar forças interpretativas. Que se faça em termos académicos e investigacionais, vá que não vá. Em termos de fruição da obra é profundamente negativo. O próprio título pode ser a primeira fatia. Quase como num bolo de aniversário. Quando entra a faca lá vai o encanto contido na expressão inicial dos convivas: “Que lindo bolo!”.

 

A este respeito, um amigo meu dizia-me ontem, uma obra de arte é como um filme sem legendas. Num filme sem legendas, se o espectador não conhece a língua, imagina histórias muito diferentes daquela que o filme pretende contar. Claro que, embora nem sempre, a intenção e a finalidade de um filme é mesmo contar aquela história e não outra. Na obra de arte pode não haver histórias, e se as há, elas deverão ser tantas quantos os olhos que a contemplam.

 



publicado por Augusta Clara às 19:00
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ADÃO CRUZ EXPÕE NA GALERIA ZELLER, EM ESPINHO



publicado por Carlos Loures às 16:00
editado por Augusta Clara às 11:29
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Sábado, 23 de Abril de 2011
Os meus dez livros do século XX, por Adão Cruz

Como já disse ao Carlos Loures, vejo-me grego para cumprir as minhas obrigações com o Estrolabio, até porque ainda trabalho, e a minha profissão exige muito. Por isso lhe disse que, se calhar, não ajudaria na tarefa dos dez livros.

 

Mas a chegada da Carla Romualdo estimulou-me e eles aí vão. Não por qualquer razão ao calhas. Apenas pelo facto de serem alguns dos livros que mais mexeram comigo e mais me fizeram tremer.

 

 

 

 

                                                   


 

                                                  

 

 

 

 

O Juiz, de Hall Caine

 

24 horas na vida de uma mulher,

 de Stefan Zweig

 

Les damnés de la terre,

de Frantz Fanon

 

O Homem neuronal,

de Jean Pierre Changeux

 

O sentimento de si,

de António Damásio

 

 

O Espectáculo da Vida, de Richard Dawkins

 

 

 

 

 

 

 

                                     

Vozes anoitecidas,

de Mia Couto

 

 

A santa Aliança,

de Eric Frattini

 

 

Ensaio sobre a cegueira,

de José Saramago

______________________



publicado por João Machado às 20:00
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2011
Fé e Razão - Adão Cruz

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

Adão Cruz  Fé e Razão

 

 

O coração bate em média 60 vezes por minuto, 3.600 vezes por hora, 86.400 vezes por dia, 31.536.000 por ano e cerca de dois biliões e meio de vezes numa vida de 80 anos. O coração tem movimento automático, ele gera o seu próprio movimento, ele é a sede do seu próprio automatismo. Não precisa de ninguém a dar-lhe corda, não precisa de ninguém a empurrá-lo, não precisa de bateria. Mesmo fora do peito, isolado, ele continua a bater, se o alimentarem. É um interessantíssimo fenómeno que a ciência, após décadas e décadas de profundo estudo, explica de forma muito clara e transparente.

 

Se perguntarem a qualquer papa, cardeal, bispo ou padre, seja qual for a religião que professe, não sabem explicar, nem há espírito santo que os ensine. Mas também não são obrigados a saber. O que me admira é que não sabendo as coisas reais ainda que complexas, se arvoram nos únicos sábios de coisas transcendentais e sobrenaturais,  e deitando mão da sua ”sabedoria” são capazes de arranjar mil e uma explicações para tudo, como arranjam para explicar muitos outros fenómenos da vida. O exemplo mais marcante, neste momento, é a Evolução. A evolução das espécies é hoje um facto científico situado ao mais alto nível dos factos científicos. E a igreja sabe-o. Então que será da criação e de todos os criacionismos que para aí proliferam? A ICAR está à rasca para descalçar a bota, mas lá vai tentando descalçá-la. Que há deus que a evolução não contradiz a criação. Bravo! Não se vê como não contradiz, mas eles lá sabem. Já devem ter muitas cabeças a pensar no assunto, não para procurarem ou ajudarem a procurar a verdade, mas para arranjarem formas de continuar a mentira e a falsificação.

 

(publicado na Revista Ordem dos Médicos, ano 27 Nº. 117, Março 2011)

 

 

 

 



publicado por Augusta Clara às 19:00
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2011
O Sonho - Adão Cruz

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

Adão Cruz  O Sonho

 

 

O sonho acesso do silêncio ao dilatado vento da palavra o direito da sombra na luz de todas as cores.

 

O sonho doce caminho dos lábios perfumados de alheias maçãs a voz que há-de voar quando se calarem as asas.

 

O sonho canção intemporal que dá razão à loucura a sede de todas as fontes a água de toda a secura.

 

O sonho vento leve e sensual tocado de algas e maresia adormecido o pensamento na doce cama da fantasia.

 

O sonho uma flor a sorrir no outro lado do rio onde as quebras do silêncio dão voz ao melro vadio.

 

O sonho os barcos que chegam tarde carregados de vinho amargo a esperança de todo o tempo sem outro tempo de esperar.

 

O sonho mar derramado na areia fina beijando o corpo feito casa a paz da tarde adormecida sem corpo para morar.

 

O sonho mão apertada ao escudo da liberdade ameaçada o sonho tempo perdido tempo de sonho e de nada.

 

O sonho flor de orvalho colhida no seio efémero da madrugada o silêncio da canção perdida no beijo da noite atraiçoada.

 



publicado por Augusta Clara às 19:00
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EDITORIAL
AUTORES
Adão Cruz

Adriano Pacheco

Alexandra Pinheiro

Andreia Dias

António Gomes Marques

António Marques

António Mão de Ferro

António Sales

Augusta Clara

Carla Romualdo

Carlos Antunes

Carlos Durão

Carlos Godinho

Carlos Leça da Veiga

Carlos Loures

Carlos Luna

Carlos Mesquita

Clara Castilho

Ethel Feldman

Eva Cruz

Fernando Correia da Silva

Fernando Moreira de Sá

Fernando Pereira Marques

Hélder Costa

João Machado

José Brandão

José de Brito Guerreiro

José Magalhães

Josep Anton Vidal

Júlio Marques Mota

Luís Moreira

Luís Rocha

Manuel Simões

Manuela Degerine

Marcos Cruz

Maria Inês Aguiar

Paulo Melo Lopes

Paulo Rato

Pedro Godinho

Raúl Iturra

Rui de Oliveira

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Vasco de Castro

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