Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011
E A DOENÇA, FILHO? O NOVO FASCISMO QUE NOS PUNE COM TERRAMOTOS (1) - por Raúl Iturra

À memória da minha Pátria, esse país frio, chamado Chile,

 

 

 

 

 


que luta pela justiça que permita finalmente aliviar o luto, 41 anos depois, dia da mudança dos mandos e do perigo do regresso ao passado recente...

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acaba uma Presidência na dobrada mas não partida, República do Chile, e começa outra. Haverá mais doença?


Deixa, pequeno, tentar explicar o que é a doença. Talvez, com as minhas palavras. Essas que tenho sempre guardadas para ti. A doença, pequeno? Parece-me um estado.


Esse estado do corpo que nos retira de andar com os outros. Esse estado do corpo que muitos dizem ser um estado da alma. Esse estado do corpo que acaba por ser o que nos fere e nos deixa sem horizontes. Esse estado do corpo, por vezes transitório, por vezes permanente, que retira de nós o desejo de fazer mais do que falar ou mal de nós por não estarmos activos - ou mal dos outros porque nos tiraram a alma.

Estado do corpo que não passa, porque o corpo é apenas a carcaça dentro da qual as nossas ideias andam. E vivemos sujeitos a ela, a essa terrível palavra que denominamos doença. Da qual fugimos. Fugimos ao pensar, sempre, que o nosso estado ideal de vida é estarmos sempre bem, com o pensamento claro, o corpo direito e o trabalho a ser realizado.




publicado por Carlos Loures às 15:00
editado por Luis Moreira em 09/01/2011 às 22:25
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Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (40)
E com esta nota, fecho o livro. Consciente estou de não ter referido a Maria João Mota, mas é preciso a deixar em paz para acabar a redacção da sua tese de doutoramento.



Devo confessar que estes tricinco em Portugal, têm sido um mar de rosas, comparados aos anos do Chile, de Cambridge e, especialmente, pela satisfação dada a mim da amizade, visitas, trabalhos e imensos trabalhos solicitados pelo Departamento e pelo ISCTE, hoje Governado pelo Professor Luís Antero Reto . Não apenas o corpo docente, bem como o secretariado todo, têm passado a ser a minha companhia, neste desgarrado livro, que passa a ser agora editado por quem deve: a editora que o publique e por essa querida Senhora, Maria Paula Almeida.


Não posso deixar de dizer que este tem sido um texto provisório, que pode entreter ou não, mas que eu tenho tido o prazer do escrever. É praticamente uma autoanalise, que me acompanha enquanto os dias passam. Tenho entregue ao ISCTE todo o possível. É pena a falta de certa reciprocidade, mas bem entendo que todos os membros da minha instituição, andem muito ocupados. O culpado sou eu, por ter introduzido Cambridge primeiro e Bolonha a seguir, como manda hoje a lei, dentro dos nossos planos de estudos.


Por amar tanto a minha instituição, não consegui deixar ninguém de fora e o texto pode parecer pesado. Mas, a vida não é e perfeita harmonia com a qual sonhamos. Bem ao contrário: enquanto somos úteis, todos estão connosco, quando nos atravessamos no caminho do trabalho, essa primeira obrigação de todo ser humano, como está no mito do Génesis Cristão, Islâmico, Judaico, Arménio, Ortodoxo Grego ou Russo, ou, ainda, entre os Maronitas do Líbano , é evidente que todo o que é possível é eliminar os obstáculos para trabalhar descansado e sem ansiedade.


Devo confessar também, que nunca recebi tantas flores lindas e perfumadas, como nestes dias da minha doença, enviadas pelos os meu antigos orientados, hoje todos eles Doutores, a maior glória de um académico. Para nada estou arrependido de ter deixado Cambridge e aderir ao ISCTE. O ISCTE é a minha família. E, para estar mais perto deles, é que eu queria ser português de direito próprio, tramitação já começada como deve ser, com a colaboração da minha britânica e neerlandesa família. Não acredito em Deus, quem me dera!, mas, caso houver, que Ele vos abençoe, porque a minha benção, seja ou não útil, já está convosco!


Muitos ficaram fora, mas era preciso. Estava a falar da minha vida, sempre centrada no trabalho, desde a mais tenra infância. Eis porque tenho criado essa nova disciplina, a Etnopsicologia da Infância, esse grande amor da minha vida! É a esse amor que dedico as palavras escritas em texto....


Parede, Paris, Cambridge, Talca, Alicante, País Basco, Galiza, Leiria, e tantos outros sítios, sempre académicos o de trabalho de campo!


Dia do Pai de 2008.


Nota:


Os Maronistas do Líbano, os conheci enquanto cursava o meu Mestrado na Universidade de Edimburgo, Escócia. A Igreja Maronita é uma Igreja particular sui juris católica, do rito oriental, em plena comunhão com a Sé Apostólica, ou seja, reconhece a autoridade do papa, o sumo pontífice da Igreja Católica. Tradicional no Líbano, a Igreja Maronita possui ritual próprio, diferente do rito latino adotado pelos católicos ocidentais. O rito maronita prevê a celebração da missa em língua aramaica.Retirado da página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Maronita







































































































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No póximo dia 3 de Janeiro, iniciaremos uma nova série da autoria do Professor Raúl Iturra -

O PROCESSO EDUCATIVO:

ENSINO OU APRENDIZAGEM?







publicado por Carlos Loures às 15:00
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Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (39)
Uma outra senhora simpática e cativante, é a minha antiga discente, narrada por mim em capítulos anteriores, a hoje Doutora Antónia Pedrouço de Lima. Uma anedota é precisa para aliviar a leitura: amiga pessoal de Susana Matos Viegas, também a minha discente, no dia no qual Susana estava a dar a luz, foram a passar essas temidas horas em tutoria no meu Gabinete: era dia e hora marcados já. O que não estava marcado, era o nervosismo de Antónia e as dores dissimuladas de Susana, e o meu próprio enervamento! Acabou a tutoria de uma hora, foram para o hospital, e de imediato o bebé nasceu: uma rapariga, hoje em dia, mulher muito querida, em Coimbra com a mãe, o seu marido Nuno Porto e a sua irmã.
Antónia Pedroso de Lima, ou Antónia Lima como é habitualmente nomeada, era também do grupo de discentes que me acompanhava nas minha migrações dentro da Península Ibérica, até ser enviada por mim para Tarragona, para ensinar e estudar num curso de doutoramento do Departamento de Antropologia da hoje Universidade Catalã de Rovira i Virgil , referida no sítio net da nota de rodapé. Antónia Lima voltou mais sabida e aprendeu a organizar Histórias de Vida, base para a sua tese de Doutoramento sobre famílias aristocratas do Portugal. É referida na net e como está na minha memória pessoal, como ter defendido uma tese que cito em nota de rodapé . Antónia Lima presidiu a Comissão Científica do nosso Departamento entre Maio e Junho de 2006, membro eleito da dita Comissão no biénio 2004-2006para passar a seguir, a ocupar vários cargos administrativos, a serem desempenhados com seriedade e rigor para si própria e com justiça para os outros, especialmente na Comissão Científica e como Directora da Unidade de Ensino do Departamento, cargo que ocupa até o dia de hoje. Foi Presidente do CEAS e vice-presidente do mesmo, no tempo em que eu era Presidente da Assembleia do CEAS. Sempre tivemos uma relação aberta e gentil, especialmente nos meus períodos de visita a Tarragona e, a seguir, foi a pessoa que mais me apoiara no desempenho do meu cargo de Presidente do Departamento. Ensinou Antropologia Urbana em Barcelona e Tarragona, com bolsa concedida em 2004 pelo FCT e ganhou o prémio atribuído pela JNICT e a Câmara Municipal de Lisboa, para os jovens investigadores de Portugal, que passo a referir no texto, pela sua importância: 1987 – Primeiro Prémio do Concurso Jovens Investigadores, AE ISCTE (patrocínios: JNICT e Câmara Municipal de Lisboa) com o ensaio Análise dos diferentes níveis de troca na Póvoa da Atalaia (Beira Interior): Um estudo comparativo no tempo baseado em rituais de casamento, em conjunto com Susana Matos Viegas e Maria Ribeiro Soares, sob a orientação do Prof. Doutor João Leal. É falado dela como uma excelente docente, a maior gloria para um académico.



As minhas lembranças associam ao hoje Doutor José Filipe Chagas Verde, com Maria Antónia Lima, por ver que sempre falam um para o outro, como se fossem amigos muito especiais e colegas íntimos. Os dois foram os meus discentes antes de serem docentes do Departamento. Enquanto Maria Antónia acabava o curso, Zé Filipe começava. Não esqueço as nossas conversas de Gabinete, quando era discente e essa a sua inteligência para entender e, as vezes, se aborrecer com aulas mal proferidas. Era um suplicio dar aulas a este sabido discente: aborrecia-se facilmente! Ainda lembro o dia das suas provas de Aptidão Científica e Pedagógica, essas provas de Mestrado para os docentes Assistentes continuarem a exercer as suas funções. Tinha eu convidado para examinar as provas, ao meu amigo e colega, examinado por mim para o seu Doutoramento., o hoje Catedrático José Madureira Pinto. As provas, em 1994, não podiam ser outras que sobre semiologia e compreensão das palavras, ideias que o têm acompanhado toda a sua vida. O seu orientador de provas, cujo nome vou omitir, tencionou fazer pouco dele e, com as suas brincadeiras, conseguia enervar ao candidato. A sala estava cheias, esperavam-se boas provas do candidato, mas as tantas, disse. “Não consigo, demito-me”. Como Presidente de júri, enviei ao Candidato fora da sala, solicitei ao público abandonar a sala de provas, chamei a atenção em privado ao orientador e pedi para estar em silêncio. Como era senhor, aceitou, guardou silêncio, pedi desculpas ao nosso convidado de júri, mandei entrar apenas ao candidato, ofereci agua, que aceitou, e as provas continuaram. Acabou por obter o mais alto valor. A sua assistência a Semiologia, em breve mudou para História de Antropologia, com outro Doutor. São as minhas pessoais lembranças. Em 2003 foi Doutor pelo ISCTE, passou a Professor Auxiliar, essa promoção automática, prémio para quem tem feito o esforço de pesquisar, estudar e escrever a sua tese, enquanto dá aulas. A tese foi feita calma e demoradamente, mas dentro do tempo devido, esses famosos 5 anos!, que todos nós temos sofrido. A especialidade do hoje Doutor, têm-se mantido dentro da sua linha de pesquisa, bem como as suas publicações e o seu ensino optativos: hermenêutica, semiologia, história da Antropologia e psicanálise. Os seu livros revelam a sua inclinação a análise da mente, livros referidos em nota de rodapé . Em 2008, o Diário da República aprova a nomeação definitiva do nosso docente José Filipe, e dos referidos Paulo Raposo, Filipe Reis e Francisco Oneto, como Professores Auxiliares, dentro do quadro do ISCTE. Se o leitor quiser saber mais, pode visitar as coordenadas dos sítios que tenho tido a preocupação de citar, e facilitar a sua pesquisa.


Discente a passar a docente, chama discente antigo e novo docente, que esperou três anos até ser capaz de mudar da Licenciatura de Sociologia para a de Antropologia. É o caso do meu colega na pesquisa e colaborador em ideias para a Galiza e a língua luso-galaica, António Fernando Gomes Medeiros .Para mim, nem é preciso ler o seu CV e saber da sua história. Tive a grande honra de estar no seu júri de provas de Aptidão Científica, bem como no do seu doutoramento: éramos colegas de investigação na cultura luso-galaica. Tem leccionado em Antropologia das Sociedades complexas, ou, por outras palavras, nas sociedades europeias, com Brian Juan O’Neill. Tem a fama de ser uma pessoa amável, gentil e um pouco hesitante no ensino, na sua tentativa de escolher palavras correctas para se exprimir melhor. A sua obra refere as sua preferências de investigação, que vão em nota de rodapé, algumas das muitas já escritas. Apenas uma pequena ironia: não sei como tem tempo para ensinar, escrever e criar uma imensidão de filhos, todas raparigas, a sua melhor obra, no meu ver. Com todo, pelo menos referir também um par de textos, como esse o seu ensaio antropológico denominado A Moda do Minho, editado em 2003 pelas edições Colibrí; ou o seu texto num livro colectivo: O artesanato na Região do Norte, de 1989, editado pelo IEFP. Não consigo esquecer o dia em que o seu pai estava muito doente e ele me telefonar para dizer que desistia da tese de doutoramento. A minha resposta, é conhecida por ele e lhe pertence, pelo que mais nada acrescento: acabou a sua tese e a defendeu em 2003. É, desde esse dia, o melhor e dedicado docente que temos em casa. Está referido o seu currículo em e, eternamente, na minha memória, como, estou certo, eu, na memória dele.


A semiologia de Filipe Verde, chama outras semiologias. È o caso do nosso docente gentil, Francisco Gentil Vaz da Silva, mais outro roubo feito por nós para o convidar ao nosso Departamento. Entrou por concurso e foi um excelente colaborador. Em uma das minhas presidências, solicitei integrar a Comissão Executiva, o que ele aceitou de forma agradável. O nosso trabalho era directamente dedicado ao Departamento, mas o trabalho em conjunto da pé para referir algumas intimidades, ultrapassados os dissabores de novidade de andar a colaborar na estruturação do Departamento, ainda em construção no tempo que me ajudara. Foi, ainda lembro, um colaborador resgatado da solidão da Universidade do Minho em 1987. Pensei que, como escrevíamos sobre crianças, a nossa escrita devia-nos unir e solicitei textos. De forma simpática e agradável, ofereceu-me uma cópia da sua tese de Doutoramento, defendida no ISCTE, em 1995, época na qual o Departamento já podia outorgar pós graduações. Em conjunto com José Carlos Gomes da Silva e outros, organizamos o Curso de Doutoramento requerido por vários, ao qual eu me opunha: o doutoramento é a liberdade de um académico para dizer e argumentar o que estimar conveniente, dentro dos parâmetros da nossa ciência. Mas, como Presidente, sentia a obrigação de abrir essas avenidas de Allende, dentro dessa a nossa criação em outro país. Como nunca mais o Curso era apresentado para ser levado ao CC, simplesmente tomei a liberdade de redigir os Estatutos, levar os mesmos ao CC, após aprovação no nosso Departamento, leccionamos e, com satisfação posso dizer que orientei a tese e levei ao doutoramento a três dos nossos candidatos, que aprenderam Antropologia no dito curso. Refiro esta aventura, porque Francisco Vaz colaborou na mesma. A sua especialidade é Semiologia e História da Antropologia. Ao me oferecer a sua tese, reparei que era uma outra maneira de ver a mente da criança: eu a estudava directamente como Etnopsicologia, ele, a través de contos e Histórias, como a análise do Capuchinho Vermelho que ele faz ao analisar as palavras e o contexto dentro do qual recorre essa história infantil. As suas publicações são muitas, referidas todas a análise de Histórias Folclóricas, o que tem feito que ele pertença a Associações Internacionais de e folclore, como diz o seu currículo DáGois. Tive a sorte de ser muito amigo da sua Senhora mãe, a Dra. Helena Vaz da Silva, por sermos os dois membros da UNESCO, com encontros simpáticos em reuniões na França e em Portugal. Não acompanhei o seu cortejo quando entrou na eternidade, por ter sido ao mesmo tempo da minha Senhora Mãe entrar também no seu sítio eterno. É natural que as nossas análises da mente da criança sejam diferentes, por causa de se ter formado em Humanidade e Ciências Sociais, com especialidade em Semiologia. Membro do corpo docente da Universidade Norte-americana da Califórnia, o que lhe permite passar parte do seu tempo entre nós e outra parte, sem ordenado nosso, em Califórnia. O seu currículo está referido no sítio net, citado na nota de rodapé . Apenas referir que tem sido um grande colaborador do Departamento e hoje, é membro da Comissão Científica do mesmo. Foi o primeiro a colaborar comigo como Presidente da Comissão Executiva do Departamento, cargo cumprido a rigor, como sempre faz. O mais esclarecido currículo de Francisco Vaz aparece na página web, que passo a citar em nota de rodapé, porque especifica todas as sua actividades da burocracia do Departamento, bem como a sua participação científica na construção do mesmo, essa mais valia para todos nós.

Notas:
A antiga Universidade de Catalunha, desde o dia da Regionalização do País da Espanha, passou, por Decreto do Governo Autónomo do País Catalã, a ser denominada Rovira i Virgil, está referida na página web: http://www.urv.cat/ , Governo da Generalitat presidido por José Montilla, refrido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Presidentes++Generalitat+Catalunha+&btnG=Pesquisar&meta=



2001 – Obtenção do Grau de Doutor em Antropologia, ISCTE, com a dissertação intitulada Grandes Famílias, Grandes Empresas. Ensaio antropológico sobre uma elite de Lisboa, com a classificação final de Muito Bom, com Louvor e distinção, por unanimidade. Retirado da página web: http://www.ics.ul.pt/posgraduacoes/mestrado/antropsocialcultural/antrop/mapl-curriculum2006.pdf


A sua tese passou a ser livro em 2003, um das suas várias puiblicações: (2003) Grandes Famílias, Grandes Empresas. Ensaio antropológico sobre uma elite de Lisboa. D. Quixote: Lisboa.


Relações Familiares na elite empresarial de Lisboa. In António CostaPinto e André Freire (Eds) Elites, Sociedade e Mudança Política. Oeiras: Celta: 151-180. Directora da Unidade de Ensino do Departamento de Antropologia do ISCTE.


Triénio 2006/09 – Presidente do Conselho Científico dos investigadores do Centro de Estudos de Antropologia Social (CEAS).


Triénio 2006/09 – Vice-Presidente do Conselho Científico dos investigadores do Centro de Estudos de Antropologia Social (CEAS).


Biénio 2005/06 – Membro da Comissão Científica do Departamento de Antropologia do ISCTE.


Biénio 2005/06 – Membro da Comissão Pedagógica do Departamento de Antropologia. Retirado da página web rederida mais acima


Filipe Verde, como é denominado, está referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jos%C3%A9+Filipe+Chagas+Verde&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= que refere largamente ao nosso brilhante docente. Os seus textos, no seu currículo do Ministérios da Ciência, em: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=3533361020438568 que refere a sua linha de ensino: Antropologia e Hermenêutica, Semiologia, História da Antropologia. Apenas o título de um livro, é capaz de nós dar uma ideia do seu interesse na pesquisa: Mito, Culpa e Vergonha : reflexões sobre a ética ameríndia. 2003. O seu texto das Provas referidas, passou a ser livro em 1994: Os limites da linguagem e o excesso de significação: elementos para uma definição de simbolismos.


António Medeiros, guardado na minha memória, mas o público pode visitar, para saber mais, o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ant%C3%B3nio+Fernando+Gomes+Medeiros&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente na página web: http://www.degois.pt/visualizador/cv.jsp?key=4161657838542691 , que refere o seu currículo.


O currículo de António Medeiros, para o leitor ver, está em: http://www.degois.pt/visualizador/cv.jsp?key=4161657838542691


Currículo de Francisco Vaz, em: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=4635434560399621 e a sua obra, que não vou analisar por falta de competência, mas que o Leitor pode ver no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Francisco+Gentil+Vaz+da+Silva&btnG=Pesquisar&meta=


Currículo mais informativo do nosso docente Francisco Vaz, pagina web: http://www.fchs.ualg.pt/ceao/INC/CV-francisco%20silva.htm

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (39)
Francisco Vaz, é o grande amigo da minha grande amiga, Rosa Maria Perez. Rosa Maria, actual Presidente do Departamento, tem escrito o texto base desta parte do meu texto. Professora no ISCTE, foi “roubada” por nós a Universidade Nova, quando José Carlos Gomes da Silva estava a formar a sua equipa de semiologia dentro do nosso Departamento. Professora no ISCTE, tive a honra de arguir o seu currículo nas suas provas de  agregação.
 Lembro bem ter referido a nossa actual Presidente de Departamento como Professora “destemida” por causa do seu trabalho de campo em Gujarat, Goa, na Índia e investigar entre os denominados intocáveis, classificação de pessoas feita pelos indianos. O Próprio Mahatma Ghandi, da casta dos Brâmanes, para acabar com essa divisão de classe, fez-se um intocável e andava semi nu entre  os seus concidadãos. Lembro-me ter referido a sua valentia de conviver e viver entre esse intocáveis, para os quais ela era uma pessoa especial, por não ter a vergonha de outros de viver entre eles, no sítio reservado às mulheres. As publicações de Rosa Maria Perez, estão todas referidas no seu currículo e na página web, que cito em nota de rodapé a seguir.[1]O seu trabalho de campo é contado a Maria João Seixas, em 26 de Novembro de 2006, e diz: Parece frágil, de corpo miúdo e cara iluminada pelo tom claro dos cabelos e pelo verde dos olhos. A voz, que a tem doce e ritmada, sublinha toda a harmonia da figura, no seu conjunto. Mas é exactamente pela voz, e pelo que nela viaja de saberes e de desejo de mais saber, que depressa nos apercebemos da força e da determinação que a habitam. Divide grande parte do seu tempo entre Portugal, os Estados Unidos e a Índia.
Antropóloga, professora no ISCTE (Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa) e na Brown University, Rosa Maria Perez parece estar em trânsito quando não pisa as veredas do seu orientalismo.
A Índia é uma das suas moradas, a que a seduziu para a vida, transformada desde há muito na rota eleita da sua constante demanda. Da investigação que fez para a tese de doutoramento, sobre os "intocáveis" de uma certa aldeia do Gujarat, até ao universo das "devadasi" de Goa, são contínuas e fascinantes as descobertas que o grande país lhe tem proporcionado. A felicidade expressa no sorriso que acompanha o que disso narra é contagiante, chega a ser comovente”. Retirado do sítio referido em nota de Rodapé.
Mas, eu acrescento, que Rosa Maria Perez, a sofrer sempre esse debate de se o seu nome é Perez ou Perez, apelido castelhano trazido para Portugal faz já muito tempo, acaba por sofrer os problemas que tenho referido, acontece comigo, em relação ao meu nome. É interessante também saber que tem sido uma empenhada colaboradora, quer nos trabalhos do Departamento, quer nas nossas relações pessoais. Não há visita à Índia, que ela esqueça e não apareça com um presente para mi, ou das suas idas a cumprir o seu dever de Professora na Brown, Providence, já referida antes, com mais outros presente. Tem-me assistido nas minhas doenças, como vários membros do Departamento, mas com muita dedicação e simpatia. Para mim é, como digo a ela,  é uma Fair Lady, ou, em Português, uma Linda Senhora. No acidente de carro que  tive faz já quinze anos, ela presidiu o Departamento e fez os meus trabalhos, e não estava certa de convocar ou não a novas eleições para Presidente de Departamento, por não se saber como ia ficar eu após acidente. Mas, !inédito!, apareci de imediato, bem antes do tempo permitido pelos médicos, para cumprir os meus deveres. Rosa Maria Perez queria que eu acaba-se o mandato, mas eu, teimoso e persistente, referi que trabalho é trabalho, lá ou cá, e que deve ser feito. Doença que teve consequências anos mais tarde, mas que, também com a sua ajuda, consegui ultrapassar. Tem motivado ao Departamento para ser colegas acompanhantes de um docente temporariamente doente. Rosa Maria Perez, não apenas é investigadora de mérito, grande escritora, bem como membro de várias instituições, entre as quais, da Fundação Oriente. As melhores referências estão no currículo que passo a citar em nota de rodapé[2]. Tenho nas minhas mãos o seu texto: Reis e Intocáveis. Um estudo do sistema de castas no Noroeste da Índia; da Celta, 1994, a sua tese de doutoramento feita livro. As sua áreas de interesse científico, definidos por ela, são: etnografia e historiografia do colonialismo; orientalismo ; subaltern studies e pós-colonialismo; nacionalismo e género; fenómenos de segregação; categorizações e representações do feminino, referências citadas do seu citado currículo.

Notas:
[1] Rosa Maria Perez está referida, com obra, em:  http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Rosa+Maria+Peres&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente o sítio dessa página web:  http://www.supergoa.com/pt/read/news_recorte.asp?c_news=583 que vou referir no texto, porque merece.
[2] Rosa Maria Peres:  http://ceas.iscte.pt/cria/rm_perez.pdf  É necessário acrescentar a sua mais recente publicação: Os Portugueses e o Oriente, Dom Quixote, 2006, Lisboa


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (37)
Deve ter ficado na mente do leitor, a classificação feita, de forma conveniente para ele e adequada para os seus objectivos, de Edmund Leach: empiricistas e racionalistas. Este grupo, como outros já referidos: António Medeiros, Francisco Oneto, Manuel João Ramos, João Leal, Brian Juan O’Neill, Robert Rowland, Jorge Freitas Branco, seriam do grupo de empiricistas, conforme a dita classificação. No entanto, há tantas formas de entender a realidade intelectual dos académicos, que é melhor retirar classificações e deixar que a obra de cada um fale por si própria Mas, como classificar o saber dos académicos com tanta facilidade, se não for por conveniência? Eis que não tenho o valor de os classificar, apesar de conhecer a obra do Departamento.




Manuel João Ramos, é um vaso interessante. Combina pesquisa em texto em Etiópia, como pesquisa de observação participante de cidadãos motorizados. Tive o prazer de arguir o seu currículo nas sua provas de Agregação em 2002. Pessoa gentil, tem desenvolvido uma pesquisa inédita em Portugal sobre acidentes rodoviários, desde Novembro de 1999, como está referido no seu currículo FCT. Não apenas ensina, bem como ou está em pesquisa em Etiópia ou nas ruas de Lisboa para recolher dados de cidadãos motorizados, para o Instituo por ele criado em Novembro de 1999, do qual é Presidente. A suas linhas de investigação, estão referidas no seu CV Dá Gois: - Estudos Etíopes - Estudos do Risco - Mitologia Cristã - Literatura de Viagem - Antropologia da Arte - Antropologia Visual - Conhecimento Antropológico- - Antropologia do Simbólico e Cognição.



O seu currículo está referido no Portal DáGois citado em nota de rodapé, que refere essa novidade para a Antropologia, ao ter organizado uma associação, da qual estimo fazer parte, pelos objectivos manifestados nessa a sua linha de pesquisa e de defessa da vida dos seres humanos, associação que permite a nós, peões desmobilizados, andar pelas ruas sem problemas. A Associação é: Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, membro fundador e Presidente desde Novembro de 1999, até a época actual . Das suas linhas de investigação, o que mais interessa é a sua procura em Portugal e Espanha: Análises Operacional de Flujos Pietonales de Portugal y España, começada em 2006, bem como Pedestrians Quality Needs, começada no mesmo ano. Resultado destas as suas actividades, são os livros que aparecem no seu currículo Dé Gois . Mas não é apenas falar da vida académica, é também referir, com gentileza, aspectos pessoais. Há um que eu lembro bem: quando João de Freitas Leal deixou a Presidência e por causa de todos os nossos colegas desejarem a sua ré –candidatura , o que ele não aceitou em 1999, Manuel João Ramos esteve a espera de candidatos e, ao ver que ninguém se inscrevia, o nosso hoje Professor Associado apresentou a sua candidatura à Presidência do Departamento. Foi-me solicitado por vários para eu também me candidatar, o que eu aceitei e, 20 minutos antes de acabar o prazo, inscrevi-me com uma testemunha e uma condição: ser membro da Comissão Científica do nosso Departamento, o que foi aceite pelos meus apoiantes. Á reunião de Departamento de Abril de 2000, o fiscal das eleições, Robert Rowland, anunciou que havia dois candidatos, mas rapidamente Manuel João Ramos levantou o braço e disse que retirava a sua por causa de ser eu o outro candidato e que um Catedrático era melhor para Presidente que um Professor Auxiliar, como era nesses dias. Esse gesto que o honrou, levou-me a mim a ser o único candidato e fui eleito por unanimidade. Não podia adivinhar que estava a me submeter a uma paródia da tentativa de Fuzilamento da minha pessoa, como em Setembro de 1973, não por causa dos colegas, bem como por causa do trabalho que tudo na Presidência implicava, já narrados.

É impossível referir todos com detalhe. Há imensas pessoas que têm passado pelos meus tricinco em Portugal. Ora, o Departamento tem sido o mais importante para mim e os seus membros têm substituído a minha família de alguma maneira. Nem todos, mas, nos meus sentimentos, são tudo, saibam ou não. Esses tricinco são sem Allende, mas com o exemplo de muitos portugueses que me ensinaram imenso, não apenas ciência, bem como muita paciência. Essa paciência aprendida de pessoas mais novas, com muito recato e a tentar não dar nas vistas, como é o caso de Francisco Manuel da Silva Oneto Nunes, ou Francisco Oneto, esse hábito português de encurtar nomes o procurar o mais diferente possível, como é este o caso de exemplo. Francisco Oneto, fã do biólogo chileno Humberto Maturana, cujo pensamento está sintetizado na nota de rodapé Perante esse tipo de pensamento é que Francisco Oneto ficou de olhos abertos, ao pesquisar a arte de pescar ou a arte xávega, uma arte de pesca de alastro dos peixes, que combina pesca e agricultura, referida na tese de Francisco Oneto e na página web sistémica, recíproca e ritual de pescar. O nosso novo Doutor escreveu: Hoje por mim, amanhã por ti. A arte Xávega no Litoral Central Português, tese defendida para o grau de Doutor em Junho de 2006, aprovada com o máximo valor. O que interessa não é submeter a novo “julgamento” teórico e etnográfico ao nosso colega. É para mim, apenas dizer que é uma pessoa, aberta, de olhar nos olhos, que enquanto falei com ele ao telefone hoje, disse que se tinha lembrado de mim ao ouvir música chilena. Ou, nos corredores – nunca consegui que ele puder entrar ao meu Gabinete -, falava-me com grande entusiasmo de Humberto Maturana, quer pela sua filosofia referida em nota de rodapé, quer pela simpatia para comigo de saber que eu era um chileno exilado, como Humberto Maturana, os dois, socialistas. As ideias para a tese, entre outras, foram também inspiradas pela teoria da autopoiese de Maturana, que incorporo no texto: “Autopoiese (grego auto próprio, poiesis criação) foi o termo cunhado na década de 70 pelos biólogos e filósofos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana para nomear a complementaridade fundamental entre estrutura e função. A denominação autopoiese é a fusão de dois termos: “auto” que refere-se ao próprio objecto e “poiese” que diz respeito à reprodução/criação A autopoiese é uma terminologia empregada inicialmente por dois biólogos chilenos Humberto Maturana e Francisco Varela para designar os elementos característicos de um sistema vivo e sua estrutura. As pesquisas sobre tal objecto de estudo apontaram uma definição de vida como sendo a autonomia e constância de uma determinada organização das relações e os elementos constitutivos desse mesmo sistema, organização essa que é auto-referencial no sentido de que a sua ordem interna é gerada a partir da interacção dos seus próprios elementos e auto - reprodutiva no sentido de que tais elementos são produzidos a partir dessa mesma rede de interacção circular e recursiva . A produção intelectual de Francisco Oneto narra a arte da pesca, quer nos seus livros publicados, quer nos textos escritos para revistas e actas, todas referidas no seu citado currículo. A Arte Xávega de pescar, investigada na praia aldeã de Vieira de Leiria, pode-se ler em

E de simpatia em simpatia, esta a minha família de exílio, também tem entre os seus membros a Clara Afonso de Carvalho, declarada Africanista, o meu ponto de apoio na Presidência, como Presidente da Comissão Científica em turno com a minha antiga discente, Antónia Pedrouço de Lima e a actual Presidente do Departamento, a Professora Rosa Maria Perez. Uma de cada vez. Cada simpatia acompanha a outra, além das outras Senhoras Professoras já referidas, essa minha família inventada em Portugal, ou, parafraseando a nossa escritora Isabel Allende no seu livro Mi Pais Inventado, referido na Introdução deste o meu texto, a minha inventada família.

Clara Afonso de Carvalho tem feito pesquisa na Guinea–Bissau, base não apenas das suas provas, bem como das suas publicações, referidas no sítio net citado em nota de rodapé , especialmente as suas pertenças académicas e os seus trabalhos. O seu nome é tão cumprido, que é conhecida apenas como a Professora Clara Afonso, mas o seu nome real é Clara Afonso de Azevedo de Carvalho Piçarra, a quem eu denomino a Morgadinha de Mortagua, pelas posses de casa e terra da sua família, especialmente a sua mãe, Dona Celsa de Albuquerque, em Mortagua, Beira Alta, e o seu parentesco colateral ao casar um irmão da sua mãe com a Dona Ifigénia de Albuquerque, com os antigos Morgados- título hoje em dia inexistente e família desaparecida, excepto a Dona Ireninha de Albuquerque, a mais nova da família, no meu sítio pessoal de pesquisa na Beira Alta, Vila Ruiva onde nos encontrámos um dia quando o Senhor Tiago de Albuquerque, ou Senhor Tiaoginho como era denominado por ser solteiro, era ainda vivo. Clara Afonso abandonou os seus Régulos e a sua análise do poder na Guiné portuguesa e me ajudara colocar Bolonha dentro do nosso Departamento. Ou, mais bem, foi ela quem fizera todo o trabalho, comigo e a nossa Comissão Científica ao pé dela. O seu objecto de pesquisa tem sido o poder dos Régulos, o reis de etnias na Guiné, sobre os quais tem escrito e perguntado qual o seu poder após a colonização, para concluir hipoteticamente que os Régulos têm o poder que o poder colonial português lhes permite. A sua obra toda, está referida na sua história curricular , especialmente publicações e ensino. A sua linha de pesquisa é definida como Antropologia, eu acrescentaria, da África. É afamada por ser uma trabalhadora perseverante e persistente, testemunha do qual, sou eu próprio. Alem dos seus trabalhos em Portugal, é Visiting Professor na Universidade Brown , nos Estados Unidos. É uma excelente membro da minha inventada família. Apesar de ter trabalhado imenso, nunca desiste!. É arregaçar as mangas e se lançar ao trabalho! Como fez comigo e sempre deve fazer. Qualquer dia é presidente do nosso Departamento! Faltam as provas de Agregação e lá estamos!

___
 
Notas:
 
Manuel João Mendes da Silva Ramos está referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Manuel+Jo%C3%A1o+Ramos+curr%C3%ADculo&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente em: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=9285796821259209




Nov/1999 - Actual Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, Membro fundador.

Presidente. Tenho reiterado a Associação, para facilitar a leitura, caso o leitor quiser saber mais.



Retirado de: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=9285796821259209

Huberto Maturana, matemático chileno, referido em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Humberto_Maturana e que diz: Biólogo chileno, crítico do Realismo Matemático e criador da autopoiese, Humberto Maturana faz parte dos propositores do pensamento sistêmico

"Dizem que nós, seres humanos, somos animais racionais. Nossa crença nessa afirmação, nos leva a menosprezar as emoções e a enaltecer a racionalidade, a ponto de querermos atribuir pensamento racional a animais não-humanos, sempre que observamos neles comportamentos complexos. Nesse processo, fizemos com que a noção de realidade objetiva, se tornasse referência a algo que supomos ser universal e independente do que fazemos, e que usamos como argumento visando a convencer alguém, quando não queremos usar a força bruta." (extraído do livro "A Ontologia da Realidade" de Humberto Maturana - Ed. UFMG, 1997



http://www.vagueira.com/artexavega.html A arte Xávega é um tipo de pesca de arrasto só que, com a diferênça que o barco sai de terra deixando já uma corda que está sempre ligada a este dando a volta a mais de 500 metros de distância da costa este deixa a rede que depois é arrastada até á praia puxada por bois que auxiliados por tractores , trazem o peixe que pelo caminho encontra. Em vias de extinção, Francisco Oneto dedicou o seu tempo de pesquisa a esta arte em vias de extinção, que revela a reciprocidade entre pescadores e agricultores, normalmente os mesmos a fazer os dois trabalhos. Quem está no mar, toma conta dos peixes enquanto os seus parentes ou vizinhos em terra, da agricultura. Esta arte xávega, típica da Nazaré, onde ainda subsiste, está também referida em: http://www.freguesia-nazare.com/jf/index.php?Itemid=43&id=54&option=com_content&task=view

retirado da pagina web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Autopoiese bem como da leitura do texto do nosso novo Professor Auxiliar

Francisco Oneto,2004: A Arte Xávega na Praia da Vieira. Histórias e Imagens, Editado pela Junta de Fregresia de Vieira de Leiria, livro de Francisco Oneto, recenseado por Paulo Mendes em Etnográfica Vol. 10,Nº 1, Maio, 2006.

http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Clara+Afonso+de+Carvalho&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=

Clara Afonso de Carvalho é conhecida como a fundadora do Mestrado Antropologia Colonalismo e Pós Colonialismo, desde 2001, no ISCTE, e como Presidente do Centro de Estudos Africanos da nossa instituição. Ver o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Clara+Afonso+de+Carvalho&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= e a página curricular web: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=1642821678105807

A informação sobre a Brown univerity, diz: Brown University is a private university located in Providence, Rhode Island. Founded in 1764 as the College of Rhode Island, it is the third-oldest institution of higher education in New England and seventh oldest in the United States, página web: http://en.wikipedia.org/wiki/Brown_University

(Continua)


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Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (36)

(Continuação)

A referência a sua obra etnográfica, da minha parte, é interesseira. Os livros editados por ele, são uma boa referência para todos, especialmente para mim, não nascido em Portugal, com as minhas memórias de infância em outros sítios, quer no Chile, quer na Grã-bretanha, ou em Espanha ou em França e, hoje em dia, memórias da infância dos meus netos, aos que raramente vejo.


Ficamos por estes sítios com o nosso Professor Doutor João Leal. Digo nosso, porque, ao se transferir de volta para a sua Universidade de origem, o não perdemos, ficou no CEAS até hoje.

Já mais sintético, vamos enfrente com excertos da história do Departamento. Essas, denominadas por mim, mais valias, quer para o ISCTE, quer para a Antropologia, essa a nossa Ciência à qual dedicamos imenso tempo e devoção, como consta nos CV já referidos e nos que, em síntese, passo a denominar. Essa recompensa que o ditador do Chile nunca pensou que ia-nos facilitar. Como referi antes, o exílio é um tormento que, se é bem levado, com criação de novas alternativas, colaboração com seres humanos que amamos ou não, instituições e sabedoria às quais dedicamos o nosso afazer, acabam por aparecer perante nós, essa largas Avenidas referidas pelo Presidente do Chile, Salvador Allende, por onde ia passar o homem novo, livre e em paz e harmonia. Frase nunca esquecida por mim e que tem orientado as minhas constantes migrações entre cidade e campo, entre países e de família pequena para família grande, com descendência muito querida. Tornamos a fundar famílias. O ser humano, como já narrei, tem essa inaudito capacidade de resilência, ou inaudita capacidade de se transformar definida por Boris Cyrulnick nos textos referidos em capítulos anteriores .






O nosso Departamento, diria eu, está centrado na análise das formas de vida e das culturas da Europa, África, Índia, Malásia e América Latina. Há dois olhares convergentes, ao aprendermos uns dos outros, com paciência e boa atenção, especialmente, com boa intenção: etnografia e etnologia. Por outras palavras, retirar ideias dos factos em trabalho de campo com observação participante, ou aplicar as nossa ideias aos membros dos grupos estudados, com trabalho de campo e observação participante. Um pequeno se não, entre as duas praticas da nossa Ciência que Sir Edmund Leach, citado antes, define como empiricistas e racionalistas, no seu texto Culture and Communication de 1976. O nosso Departamento, como o seu par, o já definido e historiado CEAS, aplicam os seus saberes a investigação etnográfica e etnológica, com variantes dentro das linhas de pesquisas. Se seguirmos a risca a classificação de Edmund Leach, vários de nós seriamos empiricistas ou lógicos dedutivos. Difícil saber. Eu, posso dizer que uso, já narrado, o materialismo histórico, para Leach seria empiricista, como tem classificado a Jack Goody e a sua escola, entre os que me conto, bem como os meus antigos estudantes, Paulo Raposo e Filipe Reis, docentes do Departamento. As opções de pesquisa de Paulo Raposo, estão referidas no seu currículo DéGois, que aparece na net por ordem do FCT do Ministério da Ciência e Tecnologia, onde diz que as suas preferências são: Ritual e Performance, Etnografia Portuguesa, Antropologia da Educação, Antropologia Visual e Património e Turismo, especialidades dentro das que se movimenta no seu amado CEAS, do qual é hoje o Presidente. Entre 2004 e 2006, foi Presidente da Comissão Pedagógica do Departamento de Antropologia, bem como entre 1991 e 1994, foi enviado por mim a estagiar no Laboratoire D’Anthropologie Sociale, situado no Collège de France, em Paris – e não na Ecole des Hautes Etudes, como está referido no currículo DáGois do FCT-, durante meses intercalados. O trabalho, de facto, como já indiquei antes, foi no Collège de France, sob a orientação directa da minha antiga orientada em Antropologia, Marie-Élisabeth Handman e as minhas próprias visitas a esse centro onde eu ensinava com convénio com o meu desaparecido amigo, Pierre Bourdieu. Escrevemos dois livros em conjunto: O Saber das Crianças, em Portugal, e na França, Échec Scolaire ou École en Écheque . O ensino de Paulo Raposo está também definido no seu currículo, que, de certeza, deverá ser actualizado ao entrarmos em 2007-2008, aos sistema Bolonha de Universidade. O currículo menciona que o seu ensino é: Antropologia Económica, Antropologia da Educação, Introdução à Antropologia Social, Métodos Qualitativos para as Ciências Sociais. Apenas uma anedota: por estarmos juntos na mesma casa, a partilhar mesa e comida, duches frios no regelado inverno da Beira Alta, solicitei a todos ser referido como Raúl ou Iturra, como entenderam, mas não professor. Ninguém aceitou. Queriam levar as suas vidas tal e qual era em Lisboa e eu ficava sempre só em casa. Tirava proveito dessa solidão e ia às casas das pessoas para conversar, mas as 22 já estava na cama e as 7 de manhã, em pé. Eles, a minha equipa, dormia após de ir deitar as tantas da madrugada. Queriam manter distância! Não percebiam que era a única família que eu tinha nesses dias. Quando solicitei as formas de tratamento, Paulo Raposo, com ar maroto, disse: “Não, o Senhor Professor cheira-me que é desses que abandonam as pessoas quando já não prestam”. Infelizmente, tem sido ao contrário. Trabalharam comigo no meu Gabinete para organizar dados e produzir os livros e, a seguir, por falta de colaboradores, abri concurso para Assistentes das minhas cadeira obrigatórias. Apresentaram-se 12, mas os que estavam melhor preparados e souberam responder bem ao painel da avaliadores –Nélia Dias, Brian O’Neill e eu próprio -. Mas, quando comecei a entrevistar para Antropologia Económica, Brian O’Neill disse que era apenas para uma das minhas cadeiras. Tive que parar as entrevistas, presididas por mim, levar ao Professor O’Neill a ler o Decreto de convocatória a concurso e reparou que era também para a minha outra cadeira obrigatória. Na sua sabedoria, Nélia Dias pacificou aos membros do júri, mais bem ao Doutor O’Neill, nesses dias Professor Auxiliar, e as entrevista recomeçaram, com o evidente temor dos entrevistados. Era quase uma atitude salazarista o que estava a acontecer com o mencionado Doutor, quem, na sua gentileza, desculpou-se perante os candidatos e acordamos que o facto entreva na caixa do....esquecimento.! O que foi assim. Os meus candidatos ficaram até o dia de hoje e são uma grande mais valia para o Departamento, o CEAS e o ISCTE.


Quem fala de Paulo Raposo, deve falar também de Filipe Reis. São amigos inseparáveis e andam sempre nas mesmas corridas. Como tanto outros mencionados na Introdução e no Capítulo1. Fez comigo Licenciatura, Mestrado, Doutoramento e acompanhou-me na Comissão Executiva do Departamento, durante uma das minhas varias presidências. Na outra, foi Paulo Raposo quem me acompanhara na Comissão Científica, por eleição dos membros do Departamento. Entre eles vão trocando trabalhos: quer no Conselho Pedagógico do Departamento, quer na Comissão Executiva. O modelo de Comissão Executiva, foi copiado do modelo departamental do nosso CEAC da Pontifícia em Talca. Um Presidente de Departamento nem sempre pode governar só uma estrutura semelhante, especialmente com Mestrados, cursos de Doutoramento, Tutorias, aulas de dia e noite e essas imensas reuniões dentro e fora da nossa não integrada Universidade. Sempre fui acompanhado por mais três pessoas. No caso de Filipe Reis, colaborava, enquanto era também orientado por mim para a sua tese de doutoramento. O seu currículo está no sítio net bem como na pagina CEAS . Devo confessar que a colaboração de Filipe Reis tem sido de grande ajuda, não apenas em Antropologia Económica, criada por mim e Maurice Godelier, da que Filipe Reis é herdeiro, bem como no seu entusiasmo, como Paulo Raposo, nas formas de entender. Ai onde Paulo Raposo fala de identidades e formas de expressão corporal, parte também da literacia, Filipe Reis faz falar a radiofonia, as cartas, aos papéis, aos textos, ainda a mim! O meu colaborador em Antropologia económica, era capaz de corrigir os erros de interpretação de autores. Erros para ele, não para mim: ser mais velho, é saber mais e estar mais adiantado no saber e no entender. O que nunca conseguia entender, era a essa minha “devoção” a provar como a teoria derivava da religião, provada por mim em vários textos, especialmente no de 2007, denominado: O presente, essa grande mentira social. A reciprocidade com mais valia, da Afrontamento, Porto. Ainda no meu ano sabático de 2007, ao reestudar Vilatuxe, tive que permanecer quase um semestre para dar as aulas que ele não entendia nem sabia: estava já farto de religiosidade, após ter cursado o seu ensino Secundário, no Seminário de Leiria-Fátima. A sua área de investigação é Antropologia dos Media, que ensina no nosso remodelado curso de Antropologia, dentro dos parâmetros de Bolonha, referida assim no seu currículo FCT: Antropologia da Educação e Antropologia dos Media. Terreno em Portugal Continental. Áreas desenvolvidas: jogo e aprendizagem; oralidade e escrita; usos da escrita e da leitura no quotidiano; literacia; radiodifusão local e processos de objectificação cultural; comunidades radiofónicas. Sintetiza a sua área de pesquisa, em apenas uma frase: Media, identidades e processos de objectificação cultural; educação e novas tecnologias. Para saber mais, faça o favor de visitar o sítio referido em nota de rodapé . Apenas acrescentar que todo o referido de Paulo Raposo, especialmente os estágios em Coimbra e Collège de France, são também parte da história da vida Académica de Filipe Reis.


Notas:
 
Apenas para lembrar ao leitor deste capítulo, Cyrulnick escreveu o seu livro na sua língua natal, francês, em 2001, com o título de Les Vilains Petit Canards, Editions Odile Jacobs, Paris, traduzido pelo Instituto Piaget ao Português em 2003, no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Boris+Cyrulnik+Resili%C3%AAncia&spell=1 Vida e obra em: http://www.webboom.pt/autordestaque.asp?ent_id=1115336&area=01 .Diz, entre outros assuntos: Boris Cyrulnik, neurologista, psiquiatra, psicanalista, foi um dos fundadores do Grupo de Etologia Humana e dirige um grupo de investigação na Faculdade de Medicina de Marselha. Autor de numerosas obras, das quais o Instituto Piaget já publicou: Memória de Macaco, Palavras de Homem; Sob o Signo do Afecto; O Nascimento de Sentido; Nutrir os Afectos e Do Sexto Sentido.



Leach, Edmund Sir.,1976:Culture and Communication. The logic by which symbols are connected, CUP, Cambridge, referido em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Edmund+Leach+Culture+and+Communication&meta= , especialmente a página web: http://www.alibris.com/search/books/qwork/8110756/used/Culture%20&%20Communication:%20The%20Logic%20by%20Which%20Symbols%20Are%20Connected:%20An%20Introduction%20to%20the%20Use%20of%20Structuralist%20Analysis%20in%20Social%20Anthropology , que refere o livro como: An introduction to the use of structuralist analysis in social anthropology, explaining semiology, elucidating the arguments of Barthes and Greimas, starting and ending with Levi-Strauss' comparison of the symphony orchestra with a cultural system, and using throughout simple language.


Paulo Jorge Pinto Raposo, tem feito comigo Licenciatura, Mestrado e Doutoramento. A sua tese é um nome difícil, mas texto de fácil entendimento no seu conteúdo. O título da tese, aprovada por unanimidade, com distinção e louvor, foi defendida em Março do 2003, e o título é: O Papel das Expressões Performativas na Cotemporareidade. Idenditade e Cultura Popular. Para pesquisar, tinha-se que deslocar do Sul de Portugal, ao Norte do mesmo, especialmente à vila de Torres. O seu objecto de análise eram as festas de carnavais, daí a palavra “performar”, ou fazer as vezes de se ter uma outra identidade. O hoje Doutor está referido em: http://www.degois.pt/visualizador/cv.jsp?key=4853956957286436#Dadospessoais


Marie-Elisabeth Handman foi sempre uma grande amiga, não apenas uma amiga da alma, bem como uma íntima companheira. Mal vi que era Secretária no Collège de France para Études Rurales, simpatizei com ela e tive a coragem de lhe dizer porque não fazia um doutoramento, o que ela aceitou. Colaborei com ela até acabar, fomos juntos a Les Treilles, essa fazenda greco-francesa, de Annette Colbert, propritária dos poços de petróleo na Grécia, do que circula na França e de outras ninahrias que rendem imenso dinheiro, como o Casino de Nice e outros sítios semelhanntes. Está obrigada à obras de caridade e da cultura, por dois motivos: Calvinista Convicta, esses antigos Hugonotes da França, a maior parte morte no dia de São Bartolomeu em 1572, por ordem da católica Casa Real de Valois, a sua família fugiu a Grecia; ou outro motivo, ao estimular a cultura, era pagar menos impostos dessa a sua imensa internacional fortuna. É mencionada cá, porque Annette, dáva-se mal com Marie-Élisabeth e comigo. Estivemos ai um mês para escrever cada um, um livro. Marie-Élisabeth foi a minha eterna convidada aos júris do ISCTE, e vice-versa. Trabalhávamos juntos no Laboratoire d’Anthropologie, sedeado no Collège de France e a nossa amizade tem durado imenso tempo, até o dia de hoje. As suas publicações são sempre citadas, escreve imenso, especialmente, hoje em dia, sobre prostituição, sexo e género. Textos semelhantes ao que eu apresntei em Les Treilles, que mereceu uma salva da palmas dos Professores Convidados, um por cada País da Europa, e dos membros da Comissão Científica do CNRS, convidados especiais para os três dias de Seminário. Marie-Élisabet está referida no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Marie-%C3%89lisabeth+Handman&btnG=Pesquisar&meta= , página web http://las.ehess.fr/document.php?id=385 que diz: M.-É. Handman entre au LAS (Laboratoire d’Antropoçoge Sociaele)en 1967 comme secrétaire de rédaction des Études rurales. Elle y restera seize ans. Parallèlement, elle prépare et soutient une thèse (1980) portant sur la violence et la domination masculine dans un village de Thessalie, Grèce. Puis, elle travaille sur un bourg de Chalcidique, Arnaia, dont les coutumes sont très différentes. Son dernier terrain en Grèce porte sur les juifs hellénophones (romaniotes) dispersés en Grèce, en Israël et à New York. Elle a été membre du Groupe de travail sur la transition, dirigé par M. Godelier (1985-87), a travaillé au rapprochement entre sciences sociales et psychanalyse (1987-1994) et participé aux entreprises collectives sur la Méditerranée avec J. Peristiany et J. Pitt-Rivers. Depuis 1994, elle dirige une équipe au LAS qui s’intéresse à la construction sociale des sexualités et à la prévention du sida, thème sur lequel elle dirige de nombreuses thèses et contrats de recherche. Depuis 2002, elle travaille sur la prostitution. A minha linda amiga é avô e passa a maior parte do tempo a tratar das suas netas franco-japonesas, filhas do seu filho único, Michèle, professor de Francês. Além de escrever, tem retomado o violino e continua a dar conferência, ainda em Portugal. Um texto de Marie-Élisabeth aparece publicado pela Revista Etnográfica do CEAS, Vol. 10, Nº 1, Maio de 2006, página web com texto completo: http://www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612006000100011&nrm=iso&tlng=pt


Equipe de recherche






Estes textos são o resultado de um trabalho colectivo começado em 1988 na aldeia do Distrito de Viseu, cidade de Mangualde, Vila Ruiva, na qual permanecemos dois anos. Foi a época necessária de ensinar ao Doutor Paulo Raposo, os rituais da Missa, à qual assistíamos como parte do nosso trabalho de observação participante. Éramos vários: Paulo Raposo, Filipe Reis, Nuno Porto, já referido, e a médica, mais tarde doutora em Antropologia, Berta Nunes. Pesquisa financiada pela antiga JNICT, da qual resultaram livros individuais, referidos no texto que escrevo. Por estar já narrado em Capítulos anteriores, nada mais acrescento, excepto as referência aos textos: o de Portugal, coordenado por mim, foi editado pelo Instituto das Comunidades Educativas, que eu fundara com o meu antigo discente Rui d’Espinay, referido como Caderno ICE Nº 3; o da França, também colectivo, editado em Paris , 1994, L’Harmattan. As referências net para os seus textos, são: http://www.degois.pt/visualizador/cv.jsp?key=4853956957286436#Dadospessoais


O currículo Dá Gois, como sempre acontece com a Administração Pública, está atrasado. Quem queira saber mais e a realidade de Paulo Raposo, visite o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Paulo+Jorge+Pinto+Raposo&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente a página web, terceiro sítio página net: pjp.raposo.googlepages.com/CV2006.pdf ao abrir o sítio, há um texto com o currículo actual do Doutor Paulo Raposo: http://pjp.raposo.googlepages.com/CV2006.pdf


Começou por ser uma tese sobre literacia e acabou por ser uma pesquisa sobre outras formas de comunicar, que não forem escrita, é dizer, foi capaz de dar vida no papel e nos factos, a outras formas de literacia, ao pesquisar em rádios e comunicações telefónicas. Essa tese passou a ser: Comunidades Radiofónicas. Um estudo etnográfico da radiodifusão local em Portugal, pesquisa feita em dois sítios para comparar, no Alentejo e em Castro d’ Aires, no Norte do país. Examinado por nós em Outubro de 2006, a sua tese foia avaliada com o máximo valor: unanimidade, com distinção e louvor. Tese demorada como todos os seus textos, se não lembro mal, a demora é devida a essa forma meticulosa, quase de picuinhas na forma de escrever os seus textos. Cada palavra é pensada três ou quatro vezes antes de ficar no papel, o que apenas denota uma forma delicada de trabalhar no que observa. Grande conversador, e essa é a sua literacia, passar a conversa ao papel acaba por ser demorada, mas certa e esclarecida, como faz também Paulo Raposo e esse o nosso outro investigador, amigo da alma deles, Nuno Porto. Esses três, já referidos, andaram a estagiar no Laboratoire D’Anthropologie Sociale em París, durante vários meses, ao longo dos anos. Hoje em dia, são outros mais novos que vêm a estagiar com eles.


http://unics.iscte.pt/depant/investigadores.html e na sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+ISCTE+Filipe+Marcelo++de+Brito+Reis+&btnG=Pesquisar&meta=


Esta pagina web refere os seus graus: http://ceas.iscte.pt/equipainvestigacao.php enquanto que a sua actividade está referida na página web: http://ceas.iscte.pt/cria/f_reis.pdf


Para saber mais do nosso docente, hoje Professor Auxiliar e não, como diz o sempre atrasado currículo Dá Gois, assistente. Esses tempos já acabaram. Quer Paulo Raposo, quer este o nosso novo Doutor, trabalham muito na academia e têm me substituído em imensas actividades durante a doença que estou a curar. Aliás, têm fama de ser excelentes docentes: calmos, serenos, aprofundados no seu saber.


http://ceas.iscte.pt/cria/f_reis.pdf


(Continua)


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Domingo, 26 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (34)
(Continuação)

Como eles, e para nossa sorte, os candidatos para Assistentes começaram a aparecer. Cumpridores da lei, o primeiro foi para Assistente, um madeirense, já doutorado na Alemanha O Doutor Jorge Freitas Branco, muito fiel, percebi depois e excelente educador e escritor.

É das pessoas que passam a vida toda na nossa instituição. A sua tese foi passada na Alemanha, língua que eu pouco entendia, mas podia ler. No entanto, por ser da Universidade Johannes Guttenberg em Meinz, Alemanha Federal nos 80 . A tese foi defendida e aprovada em l984 após a queda do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha, época na qual eu manifestara no curso da noite: “Eu já nem sei porque estou cá. Os socialismos são derrubados e eu continuo com a minha persistência de ser Socialista à Babeuf, à Marechal, à Philippo Buonarotti , especialmente, à Marx. A Alemanha tinha passado a ser um Estado do Partido Social Democrata que, após tanto sofrimento pela sua partição entre a República Soviética da Alemanha de Leste e a denominada livre da Alemanha Ocidental”.

Sem comentários, apenas dizer que continuo a ser Socialista à Marx e usar o Materialismo Histórico nas minhas análises da realidade social, é dizer, a dialéctica de Hegel transformada por Marx em pesquisa Materialista da História, frases usadas antes neste texto. Jorge Freitas Branco, ofereceu-me a sua tese traduzida ao português, na qual é possível ler que tinha-se formado em Antropologia, ou melhor, em Etnologia, no Instituto de Ciências Antropológicas e Etnológicas, Universidade Técnica de Lisboa, Portugal, em 1977. A seguir foi a Meinz, Universidade da Cátedra Richard Thurnwald , oferecida a mim em 1984, o que eu amavelmente recusei. Já estava no ISCTE! O texto de Jorge Freitas Branco, um dos vários que hoje tem – é, como eu, um viciado na escrita -, define-se como Etnólogo A Universidade de Coimbra outorgou a equivalência ao seu grau de Doutor em 1984, mas persistiu em ficar como Assistente. Foi em 1983 que começou a trabalhar connosco e apenas em 1986, aceitou ser promovido a Professor Auxiliar e fez agregação nesse mesmo ano. O facto de ser Doutor pela Alemanha, explica que, ao ser entrevistado por nós, ele não queria ficar como professor Auxiliar, porque ainda não era Doutor por Portugal. No entanto, eu lutei imenso para ser reconhecido como tal, o que ele agradeceu com simpatia e visitas eternas à minha casa da Parede, vizinha a Oeiras, onde tem morado. O livro tem uma dedicatória escrita a mão, que eu tenho agradecido para sempre, pela simpatia e pelo teor da dedicatória.

Aliás, acompanhou a minha doença e recuperação do cancro que me ia matando, com visitas e telefonemas, mais um agradecimento! Após ter passado por cargos políticos na Madeira, sem nunca abandonar a sua dedicação ao ensino dentro da minha equipa do ISCTE e, a seguir, na sua Optativa América Latina e a sua independência ao ser transferido por mim para Antropologia Política do 4º ano da nossa Licenciatura, como refere o seu currículo e como eu lembro. Antes de trabalhar connosco, tinha sido parte do Governo Regional da Madeira, como Técnico Superior de 1ª classe – enquanto lá residida e ensinava na Universidade de La Laguna, todo o que aconteceu entre 1978 e1983. Cansado já de tanto trabalho político, concorreu para trabalhar connosco em 1984. Na sua forma directa de referir factos, breve e cheia de conteúdo, advertiu que aceitava ficar no ISCTE, mas que devia ir à Madeira durante vários períodos do ano, o que foi aceite por nós perante a sua não apenas honestidade, bem como essa conveniência para a nossa pessoas com experiência política na nossa Licenciatura . Uma das sua actividades mais importantes, tem sido a de consolidar e participar no Centro Manuel Viegas Guerreiro, ou Centro de Tradições Populares Portuguesas Professor Manuel Viegas Guerreiro, na Universidade de Lisboa, o que o situa como colaborador do nosso ilustre Antropólogo. entre 1993 e 1996, ano da morte de Manuel Viegas. Aliás, o nosso Professor colaborou na continuidade da Revista Lusitânia, fundada pelo Doutor Leite, continuada pelo o nosso amigo e velho Professor Manuel Viegas, com a colaboração minha durante um tempo, e a mais permanente de Jorge Freitas Branco



Vamos deixar em paz ao nosso sabido docente, apenas com uma insistência sobre a sua imensas bibliografia . Bem como dizer fora eleito para o cargo de alta responsabilidade da Presidência do Nosso Conselho Científico, reuniões temidas por nós antes, por demorarem entre 4 e 5 horas, mas com o nosso disciplinado Doutor, começavam e acabavam a hora certa: duas horas e nem mais! Reuniões expeditas, sem preâmbulos nem discursos: pão, pão; vinho, vinho.


Lembrar um docente, a associação com outro aparece de imediato. A leitura passa a ser pesada se não encurto o relato, para mim, interessante e, espero, justo para os narrados. Cristiana David Lage Bastos, apresentou-se como candidata para essa imensa matéria que leccionava: Introdução à Antropologia Social, para Antropólogos e Sociólogos, cadeira comum da qual nunca quisera participar a Licenciatura de Gestão. Cristiana Bastos ensinava bem , mas em breve, quis se transferir ao ICS para trabalhar com os membros do Instituto, especialmente com João de Pina e Cabral. Era a docente que eu pretendia para uma aventura: ensinar Antropologia Médica, sabia imenso da matéria e hoje em dia, é nesta área do saber que ela trabalha. Não aconteceu connosco, falou comigo, levei o caso ao Conselho de Departamento, éramos já 10, e foi-me dito que ela devia repor em dinheiro os anos passados no ISCTE, o que me parecia raro e injusto. Solicitei um Convénio entre ela e o Departamento: todo o que fizer em texto doravante, seria para o Departamento. Começamos logo: solicitou-me orientar a sua tese de Mestrado pelo ISCTE e a sua dívida foi perdoada.

Acabada a tese, examinada e aprovada, a sua dívida ficou saldada. Cristiana Bastos está referida em . A tese foi defendida na Universidade Nova por causa do nosso Departamento não ter ainda licença para outorgar pós graduações, mas na tese constava que era para o ISCTE, Licenciatura de Antropologia, em 1987 e nós apenas começamos a outorgar pós graduações a partir de 1990, quando o ISCTE era uma universidade no incluída entre as Universidades Portuguesas, mas tinha sítio no Conselho de Reitores- o CRUP. A tese não foi apenas orientada por mim, bem como era o meu método, percorri com ela o Alto Barrocal Algarvio, sítio para a sua pesquisa. Foi a nossa Assistente entre 1983 e 1990, pelo concurso ganho por ela. A tese foi examinada antes desse Abril de 1990, quando o Departamento já podia outorgar pós-graduações. O seu currículo, bem impressionante, está referido em nota de rodapé .Texto referido e recenseado na nota de rodapé a seguir a anterior .


Notas:
 
Todos eles referidos na Introdução deste texto



Thunwarld está referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Richard+Thurnwald&spell=1 , especialmente na página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Thurnwald , que refere: Richard Thurnwald (1869 - 1954) foi um antropólogo e sociólogo alemão. Fundador da Revista de Psicologia e Sociologia dos Povos, seus estudos seguem a escola funcionalista. Destacou-se na área dos estudos comparativos das instituições sociais. Suas obras foram: Negros e brancos no leste da África (1935), Estrutura e sentido da etnologia (1948).Fica para o leitor procurar mais referências ao activar os sítios net, citações em azul ou vermelhão, quando, eu, sem dar por isso, pressiono a baixada do texto!.

O texto oferecido a mim , foi publicado em 1987, pela Publicações Dom Quixote, e o título indica o conteúdo: Camponeses da Madeira. As bases Materiais do quoridiano no Arquipiélago (1750-!900), definida pela editora como uma monografia etnológica, que revela as dotes de historiador e geógrafo do nosso colega, conhecimento que lhe têm permitido trabalhar com os Historiadores do ISCTE, especialmente coma Doutora Luisa Tiago de Oliveira. Têm escrito vários livros em conjunto. Jorge Freitas Branco, presidiu o Conselho Científico do ISCTE, a substituir a Lurdes Rodrigues, transferida pelo o seu partido socialista para Ministra da Educação. Governou o CC durante quatro anos, entre 2002 e 2006. Está referido em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jorge+Freitas+Branco&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente na página web: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=8511033377776992 , no qual aparece um impressionante currículo.


No seu currículo aparece as suas linhas de investigação:


Instituto de Etnomusicologia -Centro de Estudos de Música e Dança


Linhas de Investigação


Jun/2007-Actual- Etnomusicologia e Estudos em Cultura Popular


Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa


Out/1996-Actual Departamento de Antropologia


Linhas de investigação»Research fields:


- Culturas do laicismo


Jan/1986-Actual Departamento de Antropologia Linhas de investigação»Research fields:


- Cultura material e culturas técnicas


Mai/1996-Mai/2004 Unidade de investigação DepANT


Linhas de investigação»Research fields:


- Motorização da sociedade -


Etnografias, culturas populares e modernidade em Portugal


Retirado da página web: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=8511033377776992

Para saber mias, visite todo o sítio: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=8511033377776992


Cristiana Bastos está referidas no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Cristiana+Bastos&spell=1 especialmente o seu texto de Mestrado, já livro: Os Montes do Nordeste Algarvio, Editorial Cosmos, Lisboa,1993


Cristiana David Lage Bastos, CV: http://www.ics.ul.pt/corpocientifico/cristianabastos/cvbastos2005.pdf


Cristiana Bastos tem-se transformado em uma lutadora contra a SIDA, balbuciado na sua tese dos Montes Algarvios, começo dessa sua luta que, no meu ver é louvável e de grande esforço, como é referido em: https://www.ics.ul.pt/rd/person/ppgeral.do?idpessoa=25 Uma recensão aparece em: http://216.239.59.104/search?q=cache:Qr_zWnSQ9tsJ:www.culturgest.pt/docs/hc11032005.pdf+Cristiana+Bastos+Os+Montes+do+Nordeste+Algarvio&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=5&gl=pt


(Continua)


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Sábado, 25 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (33)
(Continuação)


O tempo, na escrita, não é cronológico, excepto se fizermos uma estrutura prévia do texto, não recomendável, no meu ver, para lembranças que, aos todo, seguem uma cronologia associada: uma lembrança vai retirando outra. Na realidade, na vida quotidiana, o tempo também não é estruturado: as conexões da realidade, vão inserindo ao escritor, como a qualquer pessoa, dentro de uma outra realidade. A única cronologia possível, é organizar o relato após escrita, mas o relato pode perde realidade. Eu diria que o que existe, uma sicronia no tempo, que corresponde ao escritor avaliar. Porque a narrativa que submeto ao leitor, é de factos que acontecem simultaneamente e é o nosso pensamento o que arruma essa estrutura do tempo e faz dele, um processo. Escrever, é ensinar. Mais uma associação que organiza a minha escrita.


Criação do Departamento de Antropologia e dedicação dos seus membros.


Enquanto eu ensinava aos narrados neste capítulo, íamos criando estruturas para trabalhar de forma fácil dentro e fora do Departamento. Fui ajudado imenso pela nossa primeira Secretária, a hoje Advogada Manuela das Neves Martins, essa minha Advogada que colabora comigo em vários acertos da lei de Estrangeiros. Foi substituída por essa socióloga muito querida, Ana Cristina Castro, quem, pela sua vez foi ao sítio que queria, o Conselho Científico e apareceu....a impagável Secretária Ana Paula Nazário, que ficava até as tantas, a trabalhar: trabalhava até tarde, ainda noite, dos seus afazeres: abandonava a sua rotina pelas 22 horas, e no dia seguinte já aí estava as 13 hrs., após das suas aulas de Ciência Política na Universidade Nova. Quando e onde dormia? Um mistério, no comboio, de certeza! Hoje trabalha no Ministério dos Assuntos Estrangeiros, como Manuela, referida por mim como a Minha Manelinha. Também, enquanto se formava como Magister em Gestão, Alcides Rei Velho, foi um o prudente e devoto secretário, até encontrar trabalho da sua especialidade em outro sítio. Substituídos pela brilhante antiga Secretária de Sociologia, Maria Paula Almeida, e o novo colega dela, Fernando Gil Ferreira. Eles, como essa abençoada Direcção de Serviços de Recursos Humanos , com a Dra. Leonor de Carvalho, as queridas Senhoras Maria da Fé Morgado e Márcia Antunes e todas as lindas senhoras que ai trabalham, Cristina, Ana Paula, Fernanda, Rosário, têm tratado da minha vida, como se for a vida delas, bem, como fazem com todos nós, esses mais de trezentos docentes que trabalhamos na nossa Instituição ISCTE. Essa Secção ajudou-me a incrementar os ordenados dos novos doutores que estavam a ganhar como assistentes por descuido ou não interferência dos dois Doutores, que estiveram a Presidir o Departamento, após de mim e antes de eu ser Presidente por quatro anos, mais uma vez. Era imperdoável esse descuido. O nosso Presidente do ISCTE não podia Governar tudo e nomeou um Administrador, que esquecia, normalmente, da Antropologia. Vezes sem fim fui falar com ele, a resposta era sempre a mesma: não tenho tempo, fala com o Administrador. Entretanto, o Presidente do ISCTE, começou convidar pessoas internacionais para conferir Doutoramento Honoris Causa: Immanuel Wallreistein , Sergéi Moscovici o Arquitecto Oscar Miemeyer , do Brasil, que, por causa da sua avançada idade e doença, não foi capaz de viajar desde o Brasil até Lisboa. O nosso Presidente, João Ferreira de Almeida, tinha lá estado para lhe comunicar o galardão e combinar a viagem. Mas, esta não aconteceu . Estava muito envelhecido e cansado. Enviei de imediato uma carta ao Presidente para solicitar que esse dinheiro for aplicado aos novos Doutores do Departamento, cujo ordenado era ainda de Assistentes. A resposta foi bem sucedida e os Doutores ganharam o que deviam e de forma retroactiva. Houve um pequeno debate entre João Ferreira de Almeida e eu, mas, com a passagem do tempo e as nossas serenidade e a bonomia do Presidente, acabou todo por ficar em bons lençóis! Na reunião da Comissão Coordenadora do nosso Conselho Cientifico, onde coloquei a questão, outras vozes também se levantaram. Mas, o Presidente ripostou que os fundos para esses doutoramentos Honoris Causa, eram diferente dos para pagar ao pessoal docente. Respondi que o Senhor Presidente tinha todo o Direito e o Dever de transferir fundos. Motivou um pequeno debate entre nós, deixou-me de falar por um tempo, até tudo se acalmar e tornar a ser o de sempre, o calmo, sereno, pacifico e sabido Presidente do ISCTE. A vida académica é longe de ser esse mar de rosas que todo o mundo pensa. Tem encontros e desencontros, especialmente entre as pessoas mais íntimas! A vida Académica é parte da vida!




O Departamento de Antropologia, essa a nossa obra: docentes e especialidades.


E é tempo de passar brevemente, aos currículos docentes não referidos. Enquanto íamos construindo o Departamento, íamos entrevistando em júri as pessoas que pretendiam trabalhar connosco. Os docentes escolhidos por nós de outras Universidades ou roubados, não eram entrevistados. Os que apareciam após do edital que abria concurso para Assistente em Antropologia Social, os candidatos eram todos entrevistados. Nunca esqueço o dia da entrevista ao ainda não Doutor Miguel Vale de Almeida, feita por mim e pelo José Carlos Gomes da Silva. Eu queria a ele para trabalhar comigo, mas não era prudente mostrar preferências e foi entrevistado pelo José Carlos. Ao perguntar se conhecia Malinowski, ele disse suave mas firme: não, não era parte do nosso currículo académico na Universidade de New York. Dava para acreditar. Malinowski nem sempre foi bem amado dos Norte Americanos, era uma ameaça para o seu saber, enquanto o alemão Franz Boas era o Santo Canadiano Americanos,, fundador da Antropologia nesses sítios do mundo, e as suas discípulas, como as suas discípulas Ruth Benedict e a sua discípula. Transferi-me de imediato para essa mentalidade e passei para a dita discípula de Benedict, Margaret Mead, e foi uma resposta rápida sobre ela. Ficou. Hoje, é um brilhante docente, sempre reclamado por mim para ser Presidente do Departamento, mas sem nunca querer chefias. Fez comigo o seu doutoramento em três anos. Está referido em . Antes de MVA, como o denominamos, começaram a aparecer candidatos para os novos sítios na academia ictesiana. Um dia qualquer, bateu a porta, do Gabinete, um sorridente Sociólogo, Pedro Prista, quem, com ar calmo, disse que tinha sido informado pelo Doutor Ernesto Veiga de Oliveira que havia necessidade de docentes na nova Licenciatura, e que ele estava prestes a colaborar. Era Sociólogo e recomendei que era melhor se apresentar para a Licenciatura de Sociologia, e ele, com esse eterno ar maroto que gosta vestir, disse que tinha estudado na Universidade de Nice, na qual a Antropologia era a parte central do Curso de Sociologia. Tive a sorte de o aceitar, apesar de eu conhecer muito bem como era essa Universidade Francesa. Calei, eu sabia que não era assim, mas em voz alta, comentei: Bom, si é o Ernesto o referido, deve ser verdade que sabe Antropologia, e solicitei, como era devido, a sua admissão no Conselho Científico, com um Parecer meu, e no Conselho Directivo, para cabimento orçamental. Pedro Prista foi uma mais valia para nós. O seu objecto de estudo eram as migrações de portugueses à França, que eu mudara, para o seu desgosto, em pesquisa etnográfica.com observação participante nas terras da origem de Manuel Viegas Guerreiro, com o espólio do Manuel, organizou, após tese, a Fundação Manuel Viegas Guerreiro em 2000. Pedro Prista alugou uma casa em Querença, pesquisou e escreveu uma tese ao longo de vários anos, denominada Sítios de Querença. Morfologias e Processos Sociais no Alto Barrocal Algarvio, escrita nos anos 90 e aprovada após defessa em 1994 por unanimidade, com distinção e louvor. Por causa da morte do seu pai, o meu amigo Helder Prista, a Sessão começou com um discurso meu, para desmobilizar a tristeza do filho, ao dizer eu: “Ao pé da Dona Helena Monteiro de Prista, parece haver um sítio vazio, mas o não está. Ai está sentada a alma do pai, o Dr. Helder Prista, que não teve tempo de esperar a defessa da tese e entrou na eternidade após leitura do texto completo, faz duas semanas”. Aprovou com distinção e louvor. Merecia, essa tese demorada, foi feita em dois meses por causa do pai, muito amado pelo filho. Como em qualquer sítio, a união entre gerações é o grande laço de ternura, aprofundado ao longo dos anos. Pedro Prista tem a fama de ser um excelente docente, mas nem por isso, um grande escritor. Está referido no sítio net .
Retomo a Graça Cordeiro no texto central. Ela, também destemida como Pedro Prista, apareceu um dia de 1984, também bateu a porta do meu Gabinete, disse: “Entre, faça o favor...”. E entrou uma rapariga que, com simplicidade e de forma directa, perguntou: “Sei que têm aberto concurso para Assistentes em Antropologia. Eu sou formada na Universidade Nova e preciso trabalho. Como no costumo ler os jornais, especialmente o Diário Oficial da República, nada sabia. Há ou não sítio para mim? Se houver, agradeço, se não houver, não me zango”. Lembro-me dessa palavras que me fizeram pensar na minha mente em silêncio. “Eis uma mulher de mais valia para o Departamento”. Como era o meu dever, perguntei de imediato qual a sua tese de Licenciatura e qual a nota de aprovação. Ela não ficou amanhada e referiu não ser muito alta. Por delicadeza, mais nada disse. Eu tinha estado a integrar júris de Licenciatura na U Nova de Lisboa e bem sabia que eram normalmente reprovados ou eram outorgadas notas muito baixas, excepto no caso de Clara Saraiva de Carvalho, cuja tese de Licenciatura eu tinha orientado para a Universidade Nova, ao ser examinada, solicitei para ela o mais alto valor: votei 20. Éramos dois, o Presidente do Departamento, o já desaparecido Augusto Mesquitela Lima, disse não ser hábito que....Mas, eu insisti e a candidata teve o seu 20, o que permitia dispensar o Mestrado para fazer o Doutoramento....comigo. Começou, mas, em breve, passou para um outro Doutor, cujo nome não lembro. Assuntos da Academia! No caso de Graça Cordeiro, fiz como à laia de Pedro Prista, e ficou. Bem como ficaram amigos um do outro, até hoje, os dois em Antropologia Urbana, os dois, mais tarde, no mesmo Mestrado, com o nosso referido Professor Joaquim Pais de Brito, quem ajudara imenso a, denominada por mi, Gracinha. O meu hábito era observar as aulas proferidas pelos meus colaboradores, mas Gracinha nunca o permitiu, dizia que ficava enervada! Respeitei e nunca assisti as suas aulas, mas tenho ouvido dizer que são aulas puras e duras. Na sua Agregação, argui o seu CV, com todo prazer. Mas, fiquei mais amigo do Silvino Cordeiro, o seu pai , e da sua mãe Amélia Maria Índias Cutileiro, essa prima do escultor. Não esqueço o dia, antes de ir de avião ao passar o Natal com as minha filhas e a minha mulher em Cambridge, que os dois me ofereceram uma prenda de Natal: uma bússola para me orientar, presente pragmático de Natal, mas também com uma certa ironia, típica deles. Acrescentaram: “já que mandas em nós, pelo menos para que saibas como mandar!”. Graça Cordeiro defendeu a sua tese e foi Doutora em 1996, com o mais alto valor. Está citada na nota de roadapé a seguir . É possível apreciar como ela é procurada por todos e ensina em todos os sítios. Apenas uma minha insistência, já referida na arguição do seu currículo: sabe muito, mas escreve pouco. Há um texto escritos por ela no livro colectivo organizado por Luís Baptista, Magda Pinheiro e Maria João Vaz, citado na nota de rodapé, o que, no meu ver, devia ser livro de forma própria e individual. Se ela um dia esquecer ou desaparecer, o quê vai ser de nós? Ou se escrevem as ideias, ou morrem connosco! Não entanto, as suas publicações são muitas, mas sempre com outros a se “agarrarem” do seu saber. Típico o caso do seu Mestrado, não realizado na Nova mas no nosso Departamento: “O Jogo da Laranjinha”, que nunca foi livro mas sim vários textos tirados da tese e publicados como artigos. Ela queria estudar TUDOS os jogos de TUDO o bairro de campo de Ourique. Teimosa como era, custou-me meses e imensas conversas telefónicas para a convencer da impossibilidade de abranger tanto!. Quando finalmente ficou convicta e no fim do seu trabalho. Disse-me: “Raúl tinhas tanta razão! Já nem posso ver Campo de Ourique e muito menos a Laranjinha, mal escrito em vários títulos de textos colocados na net por outros.


Notas:


A denominada DSRH, está referida no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=ISCTE+Direc%C3%A7%C3%A3o+de+Servi%C3%A7os+de+Recursos+Humanos&btnG=Pesquisar&meta= especialmente na página web: http://iscte.pt/dsrh.jsp que a define como: À DSRH compete assegurar a gestão de recursos humanos do ISCTE, nomeadamente no que respeita a recrutamento, contratações, nomeações, processamentos de abonos e vencimentos, regalias sociais (ADSE), recepção e expedição de correspondência.A DSRH compreende ainda:Divisão de Gestão de Recursos Humanos: Secção de Pessoal Secção de Vencimentos e Abonos Secção de Expediente e Arquivo Núcleo de Apoio Técnico

Immanuell Walrestein está referido em: http://www.mariomurteira.com/Downloads/Doutoramento%20Honoris%20Causa%20do%20Professor%20Immanuel%20Wallerstein.pdf , onde aparece o discurso do “padrinho”, o nosso Decano e amigo do galardoado, o Prof. Mário Murteira, bem como a resposta do galardoado, todo acontecido em 1999
Sergei Moscovici foi galardoado a seguir, no ano 2000, e o seu padrinho foi o nosso Professor Jorge Vala. Mencionado no Sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Sergei+Moscovici&btnG=Pesquisar&meta= O Diário de Lisboa de 30 de Novembro de 2003, diz: Na última semana, o instituto concedeuo título de Doutor Honoris Causapara o intelectual francês SergeMoscovici, que desenvolve estudosseminais na área da psicologia ocial, dedicando-se também aos estudosde uma antropologia das sociedadescontemporâneas. Não sem motivos,o ISCTE lhe concedeu este título. Trata-se de um pensador preocupadocom a questão do indivíduo e das minoriasativas nas sociedades pós-industriaie que interfere de formadecisiva na renovação das ciênciassociais em Portugal, reintegrando opaís no cenário intelectual da Europa. Retiradp do jornal on line: http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/jornalPDF/238pag02.pdf O Padrinho foi, naturalmente, o nosso docente, o Professor Jorge Vala, quem tinha feito estudos e analises com Moscovici.
Oscar Niemeyer tem sido galardoado como o melhor Arquitecto do mundo, em inúmeros países. Entre eles, nós também queriamos, porque Portugal tem monumentos de Niemeyer. O meu Chile também o condecorou com a Ordeem de Cavaleiro da Cultura Gabriela Mistral, França o fez membro da Academia, e outros, referidos em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Niemeyer A obra em Portugal está detalhada em: http://scholar.google.com/scholar?q=Oscar+Niemeyer+Obra+em+Portugal&hl=pt-PT&um=1&ie=UTF-8&oi=scholart , especialmente na Ilha da Madeira
Miguel Vale de Almeida, excelente académico, Presidente hoje da nossa Comissão Cientifica, tem um CV impressionante em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Miguel+Vale+de+Almeida&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , especialmente na página Web: = , que refere a sua vasta obra. : http://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_Vale_de_Almeida. O texto da tese está comigo, com dedicatória a mão, de forma elegante, publicado pela minha editora Fim de Século: 1996, meses depois da sua defessa como tese, ganhou o doutoramento por unanimidade e louvor: Senhores de Si. Uma interpretação Antropología da Masculinidade. A delicadeza do nosso Professor, o levara a ocultar nomes e sítios. Apesar de ter sido o seu orientador, não vou revelar o sítio da pequisa.
A fundação está na página web http://www.fundacaomanuelviegasguerreiro.com/index2.php?modulo=info por encomenda do nosso Presidente, Jão Ferreira de Almeida e outros colegas na Ciência da Antropologia. Gerida pelo nosso Doutor Pedro Prista, que habita na Vila de Loulé, sítio da aldeia de Querença, Concelho de Loulé., as duas vilas
Pedro Prista, sempre irrequieto, um eterno migrante da academia, em 2001 deixou o nosso Departamento para se integrar na aventura da Secção de Arquitectura do Prof. Doutor Arquitecto Manuel Teixeira, após grande debate se com ele iam ou não as cadeiras do nosso Doutor. Naturalmente, defendi ao nosso Departamento, o nosso Doutor devia ir ao lugar académico da sua conveniência, mas as suas cadeiras de Antropologia Urbana eram nossas. Se assim o não for, onde ficava a divissão da Ciência, inventada por nós no Ocidente, especialmente no ISCTE? A Antropologia Urbana, da qual Pedro Prista sabia imenso, era da criação e especialização da hoje Professora Doutora Maria da Graça Índias Cordeiro, matéria na qual o nosso Doutor também participava. Ele podia ir, mas a cadeira ficava connosco. Graça Cordeiro, a quem eu tinha empurrado para Sociologia Urbana primeiro, e Antropologia Urbana a seguir, foi enviada por mim ao Goldsmiths College de Londres, encomendada a Pat Caplan, academia onde nada aprendeu e, a seguir, com salário do Departamento, durante dois anos para a Universidade de Tarragona, onde aprendeu Antropologia Urbana com os já referidos Professores Joan José Pujadas e Dolors Comás d’Argemir. Foi uma festa para ela. Na minha presidência do 2000 ao 2004, ela presidia a Comissão Científica, mas, por temer que qualquer alegação dela puder parecer interesseira, solicitou-me a mim fazer a defessa, que eu devia, como Presidente do Departamento. Fiz, e ganhamos. Anos volvidos, o nosso migrante Pedro Prista, tornou ao Departamento. Foi ele a substituir os anos que Graça Cordeiro esteve fora para se especializar, como refere na sua tese de 1996, feita livro, um dos tantos que ela tem escrito, em 1997: Um Lugar na Cidade. Quotidiano, Memória e Representação no Bairro da Bica, Edições Dom Quixote, trabalho acompanhado por mim do começo até o fim. Nunca esqueço às tardes da sestas feiras, quando ela costumava dizer: “Desculpa Raúl, de ter sido tão ríspida contigo” ao longo de quatro anos. E, na minha presidência de 2004 a 2006, a Presidência da CC do Departamento, era por turnos, esse maldito hábito que sempre combati, mas sem muita sorte, porque, penso eu, ou estamos ou não, a continuidade é perdida com as alternâncias de chefias!. Tive três diferentes pessoas no nossa CC. Finalmente, Clara Alfonso de Carvalho ficou connosco permanentemente e fizemos do ISCTE, a Bolonha requerida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Este texto devia ir no corpo central, mas as ideias, tenho dito, são sem cronologias, cabe ao Editor arrumar o livro!
Graça Codeiro, currículo em: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=2084327740689668 , as sua linhas de investigação são: Antropologia urbana - Imaginário e simbolismo urbano - Bairros, associações, sociabilidade e no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-T&q=Gra%C3%A7a+Cordeiro+&btnG=Pesquisar&meta= ,especialmente ver a sua obra em: http://base.google.com/base/a/1603339/D12747476268904342530, que refere que: Professora no Departamento de Antropologia do ISCTE, investigadora do Centro de Investigações e Estudos de Sociologia (CIES-ISCTE), coordenadora do Mestrado e Programa Internacional de Doutoramento em Antropologia Urbana do ISCTE, há mais de quinze anos que se tem dedicado a actividades de investigação e ensino na área da antropologia urbana.
O seu interesse pela cidade e a vida urbana tem-na levado a aproximar-se de disciplinas como a sociologia, a história social e urbana, a geografia humana, a psicologia ambiental e o urbanismo, mantendo a sua ligação à disciplina de referência através da permanente valorização de uma perspectiva etnográfica, que coloca a prioridade desse conhecimento a partir «de dentro e de baixo».


Os textos são: “De lo exótico a lo familiar: el juego de la 'laranjinha'en Lisboa" In Identidades Colectivas. Etnicidad y Sociabilidad en la Península Ibérica. Valência: Generalitat Valenciana, 1990, 1999 - 207 Cordeiro, Maria G. Í.. "Jogo, sociabilidade, cultura: o jogo da laranginha em Lisboa" In Estudos em Homenagem a Ernesto Veiga de Oliveira. Lisboa, 1989, 281 - 303
Editado pelo Centro de Estudos de Etnologia/INIC.




(Continua)


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Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (32)
(Continuação)

Retomo o texto central para comentar que não estava muito certo se iam ou não ser bem sucedidas no ISCTE, como em Cambridge, as aulas de Gabinete, ou tutorias. E foram! A partir desse dia a minha luta passou a ser diminuir o número de aulas para intensificar a relação pessoal, na nossa Instituição, excepto orientações de teses, que ainda mantenho dentro da minha casa, com resultados excelentes: música de Bach muito baixa, pasteis, chá e leitura prévia dos documentos enviados, antigamente, por correio, hoje, via Net.



A grande tristeza de esta história toda, foi a prematura morte de um dos transferidos de Sociologia para Antropologia, Paulo Valverde, em vias de ser Doutor, falecido muito cedo em Lisboa, em Abril também de 1999, por causa da malária adquirida em trabalho de campo trabalho de campo na República de São Tomé e Príncipe, cujo cadáver tive que identificar, bem como consolar a uma Rosa Maria Perez que tinha vindo ao visitar no Hospital e que, ao saber a notícia, chorava sem parar, solicitei para não mostrar tristeza perante a mãe, mulher, irmão e filho, que nada sabiam. Foi preciso falar com eles para os advertir, antes de se encontrar um quarto sem corpo. Ficaram de luto apressado pela notícia. Foi preciso debater com a médica de turno para permitir a incineração do seu corpo, tal como o Paulo queria.


A minha sorte foi que, dias antes, eu tinha tido um debate na TV a convite da Paula Moura Pinheiro, com o seu médico chefe e ela reconheceu-me. Por temor ao chefe o por acreditar que eu era Doutor em Medicina, o que sempre acontece ao referir a outras pessoas que sou Doutor, assinou o papel da incineração. No dia seguinte, o corpo do Paulo foi a enterrar. Esse sabido docente, em doutoramento quase a acabar, era o nosso estudante primeiro estudante para adquirir o grau de doutor, ainda era o tempo que o corpo docente estava-se a doutorar. Trabalhava com João de Pina Cabral, que ficou com o espólio do nosso docente morto em actividade Por causa da importância para nós de esta desgraça, vou transferir para o corpo do texto, parte do que Análise Social diz dele: Paulo Valverde, Máscara, Mato e Morte: Textos para Uma Etnografia de São Tomé, compilação e prefácio de João de Pina Cabral, Oeiras, Celta Editora, 2000, 418 + XXV páginas. Este livro reúne um conjunto de textos escritos pelo antropólogo PauloValverde no decurso do trabalho de campo que realizou em São Tomé e Príncipe entre 1995 e 1999. Paulo Valverde morreu neste último ano, vítima de malária, deixando por concluir a tese de doutoramento que preparava. João de Pina Cabral, seu orientador, assumiu a tarefa de compilar e organizar para publicação os escritos que ficaram. Os textos foram arrumados em duas partes. A primeira parte trata do tchiloli, designação são-tomense da representação da Tragédia do Imperador Carlos Magno e do Marquês de Mântua, drama de origem medieval popularizado na Europa e introduzido pelos portugueses em São Tomé e Príncipe. O texto central é o ensaio intitulado «Carlos Magno e as artes da morte», publicado anteriormente na revista Etnográfica (1998, II, 2). A segunda parte do livro, muito mais extensa, recebeu a designação «Curandeiros e medicina tradicional» .Não apenas este, mas muitos outros factos, mostram como o nosso colega e amigo tem sabido orientar bem a sua vida académica, aos seus estudantes, bom companheiro nas lutas, co-fundador de várias instituições, entre as quais a APA, ou Associação Portuguesa de Antropologia. Na Assembleia constituinte, realizada como era normal, no Museu de Etnografia, presidido hoje por Joaquim Pais de Brito, queríamos uma presidência partilhada entre várias Universidades. Por ser o autor da ideia, todos queriam que eu fosse o Presidente, mas pensei e “disse não, deve ser um Português, eu ando “emprestado” e a mandar muito. Com a Antropologia do ISCTE e o CEAS, que presidia nesses tempos, mais os trabalhos de campo supervisados por mim e os meus próprio, com livros a escrever aos fins de semana, o meu trabalho seria inútil. Fui ao pé do João (PC) e perguntei se ele não queria ser o candidato a Presidência da APA, com Jorge Crespo como Vice Presidente e um Presidente Honorário, o nosso Patriarca Ernesto Veiga de Oliveira. Aceitaram, apesar dos desejos do Doutor Marques Guedes, da Junqueira, querer presidir comigo a APA. . O problema era que JPC queria internacionalizar a APA, o que para ele foi bom, como para outros: os antropólogos portugueses começaram a sair. Mas, a minha ideia era outra: era preciso especializar a APA nas problemáticas portuguesas, como, por exemplo, a Educação, a Lei e o Direito, a Regionalização do país, reintegrar Antropologia no ensino Secundário e outras ervas importantes, como ter presidências delegadas ao longo do país e assinar um protocolo de colaboração em saberes e troca de textos, com a Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia- a SPAE do Porto. Passou pelo meu Gabinete o meu hoje amigo, Vítor Oliveira Jorge e esquematizamos um projecto de protocolo: um seminário para acabar em livro: uma semana ia um membro da APA para proferir conferência no Porto, outra, da SPAE a Lisboa. Seminário de um ano. Eu já era o Presidente da APA por dois períodos, como refere no seu texto, o hoje Doutor, pós doutor e agregado em Antropologia da Educação, Ricardo Vieira : partes desse o seu texto diz: “ 7 Luís Souta, Professor Coordenador da ESE de Setúbal, é, no entanto, licenciado em Antropologia e, actualmente, está a concluir o seu doutoramento em Antropologia da Educação no ISCTE.


8 Ricardo Vieira, sem qualquer grau em Ciências da Educação, desde muito cedo que orientou a Antropologia (licenciatura) para a questão da educação e da diversidade cultural e para a legitimação da Antropologia da Educação (tese de mestrado e de doutoramento) sob a orientação do Doutor Raul Iturra, Professor Catedrático do ISCTE.


9 Ver a este propósito a obra “Nos Bastidores da Formação: Contributo para o Conhecimento da Situação Actual da Formação de Adultos para a Diversidade em Portugal”, de Carolina Leite, Rosa Madeira, Rosa Nunes e Rui Trindade, coordenada por Luíza Cortesão (Cortesão, 2000). O trabalho de Carlos Cardoso, professor da Escola Superior de Educação de Lisboa, é notável sobre a questão da escola e das propostas inter/multiculturais.


Entre 1993 e 1997, a secção de Antropologia da Educação da APA. – Associação Portuguesa de Antropologia, presidida pelo professor Raul Iturra e da qual eu próprio fazia parte, reuniu várias vezes com o Ministério da Educação a propósito da habilitação própria para leccionar no Ensino Secundário e de outras saídas profissionais dos Antropólogos no ensino: Área-Escola, criada pelo Decreto-Lei 286/89, definida como uma área curricular não disciplinar e os TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Comunitária) criados pelo Despacho 147-B/ME/96.


É inegavelmente, a Raul Iturra que se deve o boom do desenvolvimento da Antropologia da Educação em Portugal. Em 1987 Raul Iturra dava o grande pontapé de saída com o trabalho de campo com observação participante, iniciado em Vila Ruiva, com Filipe Reis, Pulo Raposo, Nuno Porto e Berta Nunes. Aproveitavam o tempo livre 5


que a escola concedia às crianças para fazerem actividades com elas a fim de compreender as suas representações sociais e conhecimento local. Assim, brincavam à família, ao hospital, à doença, etc. Compravam cadernos, papel e lápis e faziam com as crianças os trabalhos de casa. Iturra, através da metodologia das genealogias, levava os alunos a pensar a sua história, o património dos pais, terras, os animais etc10. (cf. Iturra e Reis, 1990 e Iturra, 2000). Dessa investigação foram publicados, na colecção “A aprendizagem para além da Escola”, os seguintes livros: “Fugirás à Escola Para Trabalhar a Terra: Ensaios de Antropologia Social Sobre o Insucesso Escolar” de Raul Iturra (1990a); “A Construção Social do Insucesso Escolar: Memória e Aprendizagem em Vila Ruiva” de Raul Iturra (1990b); “O Corpo, a Razão, o Coração: A Construção Social da Sexualidade em Vila Ruiva” de Nuno Porto (Porto; 1991); “Corpos, Arados e Romarias: Entre a Fé e a Razão em Vila Ruiva” de Paulo Raposo (Raposo, 1991); “Educação, Ensino e Crescimento: O Jogo Infantil e a Aprendizagem do Cálculo Económico em Vila Ruiva” de Filipe Reis (Reis, 1991); “O Saber Médico do Povo” de Berta Nunes (Nunes, 1997).”


Amélia Maria Frazão Moreira, Antropóloga brilhante e destemida, não apenas investigou para prestar provas de Mestrado, orientada por mim, bem como viveu na casa da família que investigou, mas, antes de passar à casa da família, morou num pequeno quarto que nem casa de banhos tinha. Era uma Aldeia do Alto Douro, por nome Cotas, onde eu costumava visitar para conhecer a família sobre a qual escrevia e se habituar a viver com outros, um experimento antes de ir para África para estudar o saber científico cultural sobre plantas e botânica entre a Etnia Nalu da Guinea- Bissau. Amélia Maria foi a destemida investigadora que precisou levar ao seu marido entre os Nalu, porque não era possível nos conceitos Nalu, uma mulher nova e sem homem!


Mary Rose Bouquet, de quem já falara antes, foi colaboradora de João de Pina e Cabral na cadeira de Antropologia e Métodos. Foi a minha orientada de tese em Cambridge, relação da qual nasceu uma amizade que a fez aparecer em Lisboa. Foi docente do Departamento durante cinco anos, até se transferir para o Tropmenmuseum, em Amsterdão, Netherlands, ou Holanda. Escritora prolífica, tem-se dedicado às fotos, ao Museu, essa sempre ansiada vocação, e publica e coordena livros com os meus antigos colaboradores, hoje Doutores, Nuno Porto e Paulo Raposo, tal como faz Marie -Élisabeth Handman. Mary Rose Bouquet ensina Antropologia Cultural e Estudos de Museologia no Utrecht University College, como é referida em no sítio net citado na nota de rodapé: , bem como salienta a sua importância como académica em


Talvez, sintetizar que a primeira vez que tivemos um Primeiro ano da nossa Licenciatura, tivemos brilhantes estudantes. Antónia Pedrouço de Lima, Professora Auxiliar do nosso Departamento, Susana Matos Viega, Professora Auxiliar em Coimbra, Paulo Raposo, Professor Auxiliar no nosso Departamento, Paulo Raposo, Professor Auxiliar do nosso Departamento, José Filipe Chagas Verde, Professor Auxiliar do nosso Departamento, Maria João Mota, na fase final do seu doutoramento, Francisco Oneto, Doutorado recentemente, Nuno Porto , Doutor em Museologia de Coimbra, por outras palavras, discentes excelentes, cuja carreira como académicos começou connosco e vai sempre em frente, como esse Nuno Porto referido, o meu Assistente ao ser eu convidado como Catedrático Visitante na Universidade de Coimbra, para quem transferi o meu sítio de docente, na Faculdade de Economia e Ciências Sociais, onde eu ensinava às Segundas Feiras, integração de júris a torto e direito de todo tipo, conferências, supervisões de trabalhos de campo dos meus orientados para o Doutoramento em Alfândega de Fé, nos Vales, em Vila Real, já narrado, Conselho Científico, Conselho Pedagógico, Conselho de Departamento, aulas em Paris no Collège de France, em Compostela, etc., etc. quando já não podia mais com Coimbra e Porto e o ISCTE e a APA, necessidades do exílio e reclamações justas dos que solicitavam a minha presença. Ainda, pesquisa e docência no Chile Democrata, volta a Vilatuxe 25 anos depois, e o meu especial cuidado pela Educação, para a que recebi a ajuda do Secretário de Estado para o Ensino Primário e Secundário, Joaquim de Azevedo Não esqueço certos currículos, para o leitor saber o que, como costumo dizer, o que a casa gasta.


Notas:
 
Paulo Valverde está referido largamente em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Paulo+Valverde&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , especialmente o texto sobre o trabalho do nosso docente, orientado João Pina Cabral, na Revista Análise Social N.º XXXVIII de 2003, o título, no corpo do texto.



Texto completo em página web: http://www.ics.ul.pt/publicacoes/analisesocial/recensoes/167/joaovasconcelos.pdf , escrito pelo o seu amigo e hoje Doutor, João Vasconcelos, o meu antigo discente a ensinar em Coimbra.


APA, está referida em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Associa%C3%A7%C3%A3o+Portuguesa+de+Antropologia+APA&btnG=Pesquisar&meta= e na página web, Arquivos do Congresso da APA de 2006. O texto é da autoria de Ricardo vieira, título: “A Antropologia da Educação em Portugal ”em: http://www.apantropologia.net/publicacoes/actascongresso2006/cap5/VieiraRicardo.pdf


Ricardo Vieira, já referido antes, aparece ne net em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ricardo+Vieira&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , referido na página web: http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=687 como um dos melhores Antropólogos da Educação de Portugal É requisitado em todos os sítios do mundo para proferir cursos e dar conferências no Brasil, na Espanha, na África e outros sítios. A minha luta com ele hoje em dia é dizer que se assim continuar, deve ficar “pior que estragado” e, para o não me ouvir, fecha o telefone. Enviei a ele, a Berta Nunes e Maria Amélia Frazão Moreira, vezes sem fim para colaborar e aprender mais no Collège de France com a minha amiga e orientada de tese Marie-Élisabet Handman, durante a Presidência do Collège, pela Catedrática Françoise Heritiér. Ricardo Vieira assitiu mais do que cinco vezes ao Collège, foi nomeado por Pierre Bourdieu o seu colaborador, até ele solicitar-me: “Por favor, não me envie mais, é muito cansativo!”. O seu trabalho na França, de momento, parou ai. No futuro, já não sei, é um vagabundo académico como eu!, diz ele. A entrevista oferecida A Página da Educação, diz para começar: "O acto educativo é uma relação entre culturas"


"Cada professor é um processo (...) e já não há modelos ideais" defende Ricardo Vieira, antropólogo social, na área da Educação. Retirado do site referido nesta nota de rodapé. Devo acrescentar dois factos: o primeiro, que Ricardo Vieira um fiel companheiro e amigo, sempre a me acompanhar, especialmente nas minhas recentes doenças; bem como, ao Collège de France foram enviados os hoje Doutores Paulo Raposo, Nuno Porto e Filipe Reis, onde tiveram a sorte de conhecer e se entreter e aprender com Claude Lévi- Strauss, esse o meu antigo chefe e mestre no Laboratoire D’Anthropologie sediado no Collège de France.






Falar de pessoas destemidas por amor a investigação, faz-me lembrar de imediato da minha querida amiga e comadre, a mádica Berta Nunes, que durante anos usou as suas férias para investigar e estudar Antropologoa, até se doutorar no Instituto de Medicina do Porto, da Universidade do Porto, com uma tese pesquisada na Aldeia dos Vales em Alfândega de Fé. A sua obra e os seus imensos trabalhos, que admiram ao mundo, estão referidos no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Berta+Nunes&btnG=Pesquisar&meta= Há um texto com um título simpático, denominado: “As Bertices da Professora Berta Nunes”, em: http://www.enfermeiros.pt/content/view/299/ De facto, essa “bertices” foi o que permitia trabalhar sem descanso, pesquisar e se instruir melhor em Antropologia em Paris, no Laboratoire D’Anthropologie Social do Colige de France e de L’Ecole des Hautes Etudes. Examinada cinco anos depois de ter começado a sua pesquisa, obteve o doutoramento com louvor! Berta Nunes e eu tinhamos um plano, para instalar Antropologia na Universidade onde ela ensina, a UTAD, do Pólo Miranda do Douro, que não foi possível concretizar entre a minha doença e mudanças de planos académicos da UTAD. Fuomos sempre eternos companheiros e tive a honra de ser o padrinho de Baptizado da sua filha Marta, com um pai muito agradável, o seu Marido Mário Lopes, a quem Berta deu todas as oprtunidades para se especializar em Pedagogia na UTAD, em Vila Real. Foi um orgulho para mim, trabalhar com eles. O seu livro mais famoso, foi publicado na minha colecção da Fim do Século: O Saber Médico do Povo, entre outros. É interesante ler na Revista Educação Aprender ao Longo da vida, de 2007, o texto da net: http://www.direitodeaprender.com.pt/revista04.htm


Para poupar relato, retiréi estes parágrafos do texto de Ricardo Vieira, citado ne net: http://www.apantropologia.net/publicacoes/actascongresso2006/cap5/VieiraRicardo.pdf


O Trabalho de Amélia Maria Frazão Moreira, está referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Am%C3%A9lia+Fraz%C3%A3o+Moreira&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente a sua experiência Botánica, na página web: http://ceas.iscte.pt/etnografica/docs/vol_05/N1/Vol_v_N1_131-156.pdf , onde o leitor pode encontrar o texto denominado: As Classificações Botânicas Nalu (Guiné-Bissau: Consensos e Variabilidades, na página web de 26 folhas: http://ceas.iscte.pt/etnografica/docs/vol_05/N1/Vol_v_N1_131-156.pdf , publicada na Revista Etnográfica, do CEAS, ISCTE, ano 1997, Vol 5, Nº 1. Costumo referir a ela como a “minha destemida Antropóloga”


Mary Bouquet é referida no seu trabalho de museu no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Mary++Bouquet&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente na página web: http://www.allbookstores.com/author/Mary_Bouquet.html , que refere a sua imensidão de livros ou escritos por ela, ou ccordenados por ela, um dos quais é produzido com Nuno Porto, o museólogo de Coimbra


página web: Dr Mary Bouquet teaches Cultural Anthropology and Museum Studies at Utrecht University College, an innovative new course she designed, to which she brought her extensive Netherlands-based experience (she worked at the Tropenmuseum, Amsterdam), and a largely European-focus.Acresceta: Known for her theoretical writings on museums and material culture, this includes Bouquet's photographic essay Images of Artefacts. In this essay she focused not so much on the artefacts themselves but on the documentation concerning the collection, including the labelling processes. In the Netherlands, there is an aspiration for a more uniform labelling by way of the computer, and questions were raised concerning the static, authoritarian character of this new way of labelling.. Illustrated are two of Bouquet's edited collections: Academic Anthropology and the Museum: Back to the Future (2001) and Science, Magic and Religion: The Ritual Processes of Museum Magic (2004).










Nuno Porto aparece no sítio net como o docente de Antropologia Cultural, Museólogo e Coordenador de publicações: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Nuno+Porto+&btnG=Pesquisar&meta= e na Página web do Mestrado que começa em Antropologia Cultural: Mestrado em Antropologia Social e Cultural: Conflitualidade e Mediação Cultural


No âmbito das actividades de formação do Departamento de Antropologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCT/UC) no período lectivo 2007/2009 realiza-se um Curso de Mestrado em Antropologia Social e Cultural dedicado ao tema "Conflitualidade e Mediação Cultural no Mundo Contemporâneo", coordenado por Nuno Porto e Fernando Florêncio, professores do Departamento de Antropologia da FCT/UC. Migrações, refugiados e deslocados, direitos humanos e práticas e representações identitárias em diferentes contextos etnográficos são alguns dos temas abordadas neste curso. A primeira fase de candidaturas encontra-se aberta até 20 de Julho de 2007.Retirado da página web: http://www.oi.acime.gov.pt/modules.php?name=News&file=article&sid=1531


Joaquim de Azevedo ajudou a constituir a minha nova equipa para permanecer longos tempos de pesquisa em Vila Ruiva. Referido como1992-1993 - Secretário de Estado dos Ensinos Básico e Secundário do XII Governo Constitucional , em: http://www.porto.ucp.pt/ieducacao/docentes/jazevedo.htm?lang=1 , sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Joaquim+de+Azevedo,+Secret%C3%A1rio+de+Estado+da+Educa%C3%A7%C3%A3o&spell=1 Joaquim ofereceu-me a sua tese em livro:1994, Avenidas. Reflexões sobre política Educativa, ASA, Porto. Era Socialista calado no Governo CDS-PP, até mudar para o PS e a minha amiga de almoço, colaboradora da alma, excelente educadora e investigadora do ICS, a quem eu publicara um livro da sua autoria na minha colecção Antropologia da Educação, da Editora ESCHER, de Vasco Santos, actual Fim do Século de José Simões Balbino, mas política ambiciosa, deixou a pesquisa, substituiu ao Joaquim de Azevedo, como Presidente da APA e na confiança da nossa amizade, solicitei uma entrevista com ela, cumprimentei amiga e amável a mim e colegas de Antropologia da Educação da APA e solicitei reincorporar Antropologia no Ensino Secundário e a convidei para falar, como antigamente, no nosso plenário. Ela disse: considera esse convite e proposta, um facto. Mas, eu sabia o que a casa gasta e referi apenas, ao convocado ao plenário, que um “representante do Ministério da Educação viria ao Plenário” E, após hora e meia de discursar e debater as carreiras dos Antropólogos...apareceu u sei Secretário, a quem eu mandei sentar e disse: “O senhor está a chegar hora e meia mais tarde, faça o favor de esperar 20 minutos ,sénte-se ai”. O coitado, cujo nome foi-se embora com a História dos tempos, vinha apenas a dizer que a Senhora Secretária não podia aparecer porque...e eu o mandei calar: porque foi-se embora a sua quinta com o seu francês, não é? Ficou vermelho, mandei sair e nunca tivemos Antropologia outra vez no Secundário! Até hoje.


(Continua)




publicado por Carlos Loures às 15:00
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Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (31)
(Continuação)


Ao longo dos seus mais de vinte anos de existência contribuiu para a afirmação da Antropologia no domínio das ciências sociais em Portugal, formou uma parte significativa dos antropólogos portugueses, incluindo docentes de outras escolas, e obteve, na última avaliação externa dos cursos de Antropologia efectuada pelo Conselho de Avaliação da Fundação das Universidades Portuguesas, a classificação global mais elevada dos cursos de antropologia existentes no país.

A pouco e pouco começaram a aparecer os novos membros que fizeram da nossa Licenciatura um Departamento. Ainda lembro o dia em que fora a fala comigo Manuel Villaverde Cabral , referido no Seminário ISCTE-UNESCO, e que escrevei connosco o livro editado pela CUP (Cambridge University Press) e Maison de Sciences de l’Homme, onde ele tinha feito um doutoramento de Terceiro Ciclo, renovado por mim e outros, na Universidade Técnica, nos anos 80 do século passado. Dizia eu que apareceu no meu Gabinete para me avisar que. “Raúl, como parece que estás a formar uma licenciatura em Antropologia, tenho um presente para ti. Acaba de aparecer, desde a sua Universidade de Oxford, o nosso amigo João de Pina Cabral, que gostaria imenso ensinar contigo no ISCTE”. Como era evidente, fiquei feliz e solicitei para ele aparecer tão cedo quanto possível. E apareceu meia hora depois. Estava à espera do “manda chuvas” da Antropologia no ISCTE. Falamos, esticamos a mão para nós cumprimentar, à inglesa e solicitei se queria trabalhar connosco, ele rapidamente disse sim e, a minha proposta ao José Manuel Paquete de Oliveira, eterno Presidente, para o seu mal e o nosso benefício, do Conselho Directivo desses dias, aceitou, enviou um memorando a nossa Secretária do ISCTE desses dia, Maria do Carmo Lopes, essa Senhora que enquanto trabalhava, estudava Direito e hoje é Advogada. Era para mim muito estranho: quando estávamos sós, eu era “Senhor Professor Doutor”, quando havia mais pessoas, eu era “O meu Caro Amigo Iturra”. Costumes da vida! O Decreto foi rapidamente passado e aprovada a sua entrada no Conselho Científico do ISCTE em 1983, mês de Abril. João de Pina e Cabral, o seu nome real, integrou a nossa equipa, já organizada com um dos fundadores do ISCTE, Joaquim Pais de Brito, Robert Rowland, referido em extenso neste Capítulo, e José Fialho Feliciano , ou Zé Fialho, como gostava ser referido, e um “roubo”, manipulado pelo JM Paquete e o Professor João Ferreira de Almeida, para trazer da Universidade Nova de Lisboa, ao nosso brilhante Antropólogo, José Carlos Gomes da Silva, referido no Capítulo 4 deste texto. Éramos muito amigos, mas, a seguir, nunca sabia se era ou não. Eu sempre o estimei, especialmente na época em que passou a trabalhar connosco no Instituto Gulbenkian de Ciência, ou quando íamos a ouvir música de Händel, num barco fretado especialmente para ir desde a Trafaria até Cascais, para a Orquestra Sinfónica de Lisboa. Os nossos almoços, eram trocas de ideias de exílio –ele tinha fugido para a França primeiro e para Bélgica a seguir, para não ser levado a guerra de Portugal na África, com a colaboração do nosso adquirido por “roubo” também da Universidade Nova, João de Freitas Leal.

A maior parte dos meus amigos não saíram de Portugal e cumpriram a sua labor patriótica ao aceitar cumprir o Serviço Militar Obrigatório nesses dias de guerra na África, e ficaram nas fileiras de Mafra, o Professor José Madureira Pinto, comunicado a mim por telefone e correio electrónico - de 6 de Março de 2008, ou nos armazéns da aviação durante 7 anos, o Professor João Ferreira de Almeida, comunicado a mim pelo próprio faz já anos, e lembrado ao telefone pelo Prof. José Fernando Madureira Pinto, ao telefone a 6 de Março de 2008. Ainda, contado a mim pelo próprio, Afonso de Barros foi ao campo de Batalha na África Angolana, onde servia como Advogado e Gestor do Armazém do Exército, por ordem especial do sucessor do ditador, Caetano, de quem o Prof. Afonso de Barros era sobrinho. Disse-me um dia: “Eu nada pedi, mas a minha mãe...”. Grande sorte, porque Angola foi o pior campo de batalha, entre os nativos, portugueses e unidades de Cuba e da então União Soviética, que queriam Angola como República Socialista. Afonso esteve lá mais do que quatro anos. A mãe soube-o proteger. O Prof. Gomes da Silva, não tinha ninguém, era Portugal um segundo exílio, desde a Índia a Portugal, a seguir Bélgica, onde não sabia o quê fazer nem com quem sair. Entendo tão bem a situação! Já a tinha vivido e por ser assim, ele confiou em mim e relatou imensas ideais e factos que, por serem dele e ao calor de, nesse tempo, amizade, eu não vou referir. Morrem com nós. Apenas reiterar que essa falta de ajuda pessoal familiar que eu também não tive nos meus dias de Campo de Concentração, foi substituída por pessoas desconhecidas, excepto dois na Grã-bretanha: o meu antigo colaborador Gonzalo Tápia, e a minha amiga Wendy Tyndale . O Prof. Gomes da Silva apenas tinha discípulos e João de Freitas Leal, era um deles que, com ajuda partidária, colaborou na saída clandestina do, hoje nosso Catedrático, que, por nada querer dizer, prestou provas para a Cátedra em Antropologia, na Universidade do Minho. Parece-me que devo referir mais uma vez o seu currículo, o mais interessante entre a Antropologia de Portugal .

Organização da Licenciatura de Antropologia no ISCTE e as suas relações com o exterior.
Tornando ao texto central, João de Pina e Cabral foi um grande colaborador na organizar da nossa licenciatura. Robert Rowland apresentou uma proposta, com matérias, horários, distribuição do serviço docente e outras actividades. Ficamos surpreendidos e agradecidos, mas havia qualquer coisa que....faltava, faltava, faltava...ideias, matérias e actividades sobre o quê queríamos também leccionar. Solicitei aos nossos cinco docentes para meditarem na proposta. Éramos cinco ainda e estávamos a passar todos a ensinar na minha matéria de Introdução à Antropologia, no 1º ano da Licenciatura de Sociologia, excepto Joaquim Pais de Brito, que tinha uma optativa na referida Licenciatura, criada bem antes do que a nossa, denominada Etnografia Portuguesa. Todos passaram pela minha cadeira, como colaboradores. Tínhamos muita coisa a dizer e era muito aborrecido andar a dizer o mesmo, com outras palavras e desde outro ponto de vista. A Licenciatura devia ser criada. Alberto Román Dias deu o derradeiro empurrão. Não esqueço o dia em que João de Pina Cabral, encontrara-me no átrio no único Edifício do ISCTE de ontem, e rapidamente disse: “Meu Caro Raúl, tens lido o Diário da República de hoje? Há um Decreto do Ministério da Educação que autoriza criar a nossa Licenciatura em Antropologia Social!” . Esse o nosso alvoroço era fruto do Diário da República de 4 de Abril de 1983: podíamos existir de forma autónoma!, ou, por outras palavras, deixava-mos de ser uma cadeira da Licenciatura de Sociologia ao poder criar todo um curso novo. Esse dia, parecia alegre e destemido. O que havia por enfrente, era mais complicado. Novas cadeiras para quatro anos do curso Foi o ano que começamos a matricular o nosso primeiro ano de estudantes próprios. E um 2º ano muito pequeno, de estudantes auto transferidos da Licenciatura de Sociologia e que, por ter gostado da matéria de Antropologia do seu 1º ano de Sociologia e saber bem o que Joaquim Pais de Brito ensinava, queriam ser Antropólogos. O Professor João Ferreira de Almeida, disse-me: “Bom, as nossas tardes descansadas no teu Gabinete acabaram. Agora tens muito afazer ao presidir esta nova Licenciatura. Mas, cuidado, não andes, como sempre faz, a seduzir aos nossos estudantes com as histórias do teu trabalho de campo e outras, isso rouba - nós clientela!”, com esse simpático sorriso de amizade que sempre me ofereceu, excepto quando estava zangado, tantas vezes! Mas, eu já era amigo de casa, e almoçávamos juntos ele, Maria Eduarda do Cruzeiro e eu. Dias passados já! Na era da globalização, nem há tempo para nos visitarmos, andamos todos a correr a ensinar, viajar, escrever, pesquisar, pertencemos a imensas associações, há actividade académica in situ até aos Sábados referido a mim ao telefone, neste dia de 8 de Março de 2008, pelo o meu antigo Assistente, hoje o Doutor Filipe Reis. Paulo Jorge Pinto Raposo, hoje o nosso Doutor e Professor Auxiliar, Antónia Pedrouço de Lima, tal como Paulo Raposo, hoje a nossa Doutora e Professora Auxiliar, Susana de Matos Viegas e Nuno Porto, que herdou os meus trabalhos de Catedrático Visitante em Coimbra, hoje com especialização em Museologia enquanto Susana de Matos Viegas, a sua mulher, tem-se dedicado a Nacionalidade e Cidadania e aos estudos de Indigenistas bem como a promover a por mim criada APA, da qual foi Presidente em 2007. Os primeiros estudantes recrutados para a nova Licenciatura, transferiram-se da Licenciatura de Sociologia, como Teresa Sacchetti, hoje em dia comerciante, licenciada em 1986, António Medeiros, hoje o nosso Professor Auxiliar em Etnografia da Europa, Ana Cláudio, docente de Antropologia em Guimarães e Paulo Valverde, mais tarde Assistente no nosso Departamento, a trabalhar com João de Pina Cabral, Universidade Técnica, Pedro Queirós, quem desistira do curso. Paulo Valverde, mais tarde, foi o nosso Assistente em Estudos Etnográficos.

Esse primeiro ano, foi desarrumado, todos os transferidos da Licenciatura em Sociologia, tinham cursado já o 1º ano comum para Sociologia e Antropologia, pelo que no anos de 1983 foi preciso abrir dois anos, um primeiro, formado por os novos discentes, vários referidos nas linhas que antecedem esta, e um 2º muito pequeno, com os transferidos e outros recuperados para o ISCTE, antigamente do Curso de Sociologia, com cadeiras já aprovadas desse primeiro ano em comum de Sociologia e Antropologia. Entre eles, o hoje o meu amigo íntimo, Luís Silva Pereira, que costumava falar comigo no meu Gabinete, conversas simpáticas e muito abrangentes de intimidades e debates de teoria. Nesses tempos, enquanto o nosso novo Primeiro Ano de Licenciatura estava integrado por, pelo menos, 20 discentes, o novo 2º ano tinha apenas quatro, referidos como auto transferidos do curso de Sociologia para este novo curso. Foi sorte que Luís Silva Pereira tiver escolhido Antropologia: de quatro discentes, passaram a ser cinco. Eu diria que éramos mais docentes que discentes...Vários não assistiam as aulas, à noite, e, por vezes, tínhamos apenas um estudante ou...nenhum.

Lembro com certeza, ser as vezes um alívio não ter que dar mais aulas, após dias de reuniões, tutorias para os discentes do nosso experimento de Primeiro ano, ou, por outras palavras, um alívio de não ter mais que falar. Eu sou, saibam ou não os leitores, cotovia, mal há luz de dia, acordo, mas, à tarde do inverno, já noite, adormeço...Eis porquê nunca aceito convites a jantar, não consigo articular palavras! Para me animar mais, ao estarem presentes dois ou três discentes, os convidava ao meu Gabinete, com café e bolachas, ou pagos por mim, ou com a contribuição dos estudantes. Era uma nova forma de ensinar aulas de Palestras! . Tinha aprendido este sistema de ensino na minha Universidade de origem, Cambrige, Grã-bretanha. Normalmente, nessa universidade privada- o ISCTE é uma Universidade pública- o tratamento aos estudantes era praticamente de um a um ou tutorias: não era em vão pagavam imenso dinheiro para aprender mais. O que eu fazia, normalmente, com os meus discentes ingleses, era os convidar a minha casa para falarmos enquanto bebíamos chá com bolachas, oferecidos pela minha mulher, que entendia que a intimidade que não ultrapassa os limites do respeito às hierarquias, abriam a mente para preparar para o passo seguinte, o meu denominado processo de ensino-aprendizagem, definido por mim num meu texto de 1994, conceito sobre o qual tenho um c@ ou copy right. Com os ingleses era facílimo, sabiam distinguir trabalho-trabalho, de conhaque - conhaque. Sabiam distinguir, pelo que, um amoroso par dele e dela, esse lindo casalinho, costumar levar, dentro duma bolsa, uma garrafa da qual bebiam e iam ficando estonteados. Nunca mais os convidei, a esse filho de um Duque e a filha de um Embaixador Inglês na Suíça. Foi ela quem me convidara uma noite a jantar num dos sítios mais caros de Cambridge, à luz da vela da mesa, no Arts Theatre Lounge! Confesso que adormecia, mas a conversa animada dela, manteve acordado a este ser com inclinação a ser cotovia. As aulas de anfiteatro, eram apenas uma vez por semana, enquanto entre nós, é uma após outra, até ficarem os estudantes extenuados, especialmente por se mudar de Semiologia para, por exemplo, Antropologia Económica, ou de Etnografia, para Museologia. A nossa sorte em Portugal, é ter entrado no sistema de Bolonha e as tutorias, criadas por mim e colaboradores, nos anos 80 do Século passado. Importadas também da minha Universidade, na qual sou Agregado e membro do Senado, até a morte.

Notas:

Manuel Villaverde Cabral, quem me oferecera um dia um almoço, junto com José Carlos Gomes da Silva, na sua casa de Morelinhos, no Vale do rio Tambra, que ele denominou o almoço dos “refugiados”. Costumava aparecer na minha casa da Parede para almoçar, com os seus dois filhos varões e íamos falando e debatendo ideias. Ensinou-me o Portugal Histórico e foi um dos primeiros em apresenta um ensaio no Seminário inventado por mim, das Quintas Feiras às 14 horas. Está referido em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Manuel+Villaverde+Cabral&spell=1 , especialmente com obra e trabalho, na página web pdf: http://www.ics.ul.pt/rdonweb-recursos/corpocientifico/mvcabral/cv_manuel_villaverde_cabral.pdf , com um impressionante currículo, que é de parabéns para ele!

José Fialho Feliciano, o meu primeiro colaborador, esse que ainda nos anos 80 não entendia a estrutura da vida académica nem tinha muito tempo para acabar a sua tese de doutoramento, começada no seu exílio na França com Georges Balandier , para escapar ao regime corporativo, foi requerido pelo. Nesses dias, Presidente do nosso Conselho Científico, o Senhor Professor Doutor João Ferreira de Almeida para prestar provas de Assistente e assim se manter dentro da carreira académica. O Zé Fialho, como gosta ser denominado, foi de imediato falar comigo para dizer que devia prestar essas provas. Reagi de imediato, comentei: “A tua idade? O melhor é fazer o doutoramento, é a única prova que eu solicito, especialmente se já foi começada. Espera aí” e fui falar com o meu Senhor Professor Presidente do CC. Comentei de imediato que não me parecia razoável esse pedido, antes doutoramento que provas de Assistente. Ele rapidamente aceitou a ideias, com uma condição, que as provas para Doutor deviam ser prestadas em breve. A minha resposta foi rápida: “Senhor Professor, deixe isso comigo”, e, após um ano de trabalho, Zé Fialho defendia a sua tese, era Doutor por unanimidade e louvor, após eu ter arguido não a tese, mas aos comentários da minha convidada para o júri, a minha amiga Jill Dias, que tinha atacado a tese, como era hábito fazer na Universidade Nova de Lisboa, e por corridas e concorrências académicas: os dois trabalhavam na África! Sinalei de imediato os erros da sua arguição, especialmente sobre Junod e a forma de trabalho de campo desse primeiro investigador dos Thonga, em 1889, que “comprava” informação, enquanto Zé Fialho vivia com os membros do clã, era trabalho de campo com observação participante. Porque, Senhor Leitor, ninguém toca aos meus é todo o Departamento, a única família que tenho em Portugal e no mundo, sem eu ficar com muita raiva e a defender com teimosia, mas com respeito, o que fiz no caso do Zé, como em outros. O segredo do debate do júri, fica comigo, mas foi aprovado com distinção! Nas minhas mãos, sobre a secretária onde escrevo, está o livro que conseguimos fazer como tese em menos de dois anos, começamos em 1984 e acabamos em 1986, data da defessa. Passou a livro em 1998, Antropologia Económica dos Thonga do Sul de Moçambique, Editado pelo Arquivo Histórico de Moçambique. José Fialho Feliciano, homem enérgico, amigo fraterno, de bom convívio, esta referido em:

http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jos%C3%A9+Fialho+Feliciano&btnG=Pesquisar&meta= ,especialmente a página web
: http://www.degois.pt/visualizador/cv.jsp?key=1317838707913880 , na qual aparece o seu currículo. Hoje é membro do, por ele criado, Centro de Estudos Africanos, onde ensina Desenvolvimento e Antropologia Económica e é Catedrático de Antropologia na Universidade Aberta de Lisboa. Não temos perdido um docente, temos ganho um Catedrática para ensinar connosco no nosso Centro de Estudos Africanos.


O passado é o passado, mas há passados que não perdoam. Wendy Tyndale era uma amiga muito especial, que perturbou as minhas emoções, o que de imediato confessei a minha mulher, que até o dia de hoje não perdoa, bem como as minhas filhas ao pensarem que eu era um denominado “mulherengo”. Nesses dias de conflitos no Chile, qualquer pessoa ao pé de nós, era uma ajuda inacreditável. A minha mulher acompanhava, mas Wendy andava comigo em pesquisa de campo. Como a história é também dela, não acrescenta mais nada, excepto a sua referência na net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Academics+for+Chile+1974+Wendy+Tyndale&btnG=Pesquisar&meta= especialmente a página web que refere a sua obra: http://books.google.com/books?hl=pt-PT&lr=&id=09ens2qGXZUC&oi=fnd&pg=PR7&dq=Academics+for+Chile+1974+Wendy+Tyndale&ots=W-dKacvn4g&sig=EJ5umIQrp0_xQASAbxDr_WRbVjM e, de forma especial, a página web que refere os movimentos na Grã-bretanha de Humans Rights, Academics for Chile e outras associações. Bem como: http://scholar.google.com/scholar?hl=pt-PT&q=author:%22Tyndale%22+intitle:%22Visions+of+Development:+Faith-based+Initiatives%22+&um=1&ie=UTF-8&oi=scholarr ,. Que refere um dos seus livros: Visions of Development: Faith-based Initiatives
WR Tyndale - 2006 - books.google.com Bem como Douglas Guifford, a minha contraparente no convénio assinado entre o nosso CEAC a Escocesa Universidade de St. Andrews, que me dera uma lição ao visitar o nosso Departamento CEAC e pernoitar na nossa casa. “Rául, Science is Science, no need of ideologies, least of all, Marxist ideology”. No entanto, colaborou com academics for Chile e escreveu um Parecer sobre mim, para colaborar na minha libertação do Campo de Concentração, ao dizer que eu “era um excelente cientista e, além do mais, um excelente ser humano”, o que ajudou a minha libertação e voltar pata Grã-bretanha. Referido em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Scotland+Saint+Andrews+University+Prof+Douglas+Gifford+&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente na pagina web que diz: D.J. Gifford Travel Fund
This Fund was set up to mark the retirement of the late Professor Douglas Gifford in 1989. It is to enable students travelling to South America, Central America or Mexico to supplement their budget, either to acquire items for their research or to help with their travel and living expenses. Students, who are interested, should obtain an application form from the secretary and hand it into the Chairman before the end of March, stating their motive for applying and the purpose, which a scholarship would serve. Please note that the Fund is not intended to finance a whole trip, but to serve as a supplement. Que era um homem bom, era o próprio Douglas, quem fez esse parecer sobre mim, ajudou a minha libertação e entro no movimento Academics for Chile, na sua profunda fé presbiteriana.


Para não cansar ao leitor, vou referir apenas o seu mais recente livro, editado em português pela Assírio e Alvim: O discurso contra si próprio, 2003
O nosso professor Agregado em Etnografia Portuguesa, faz já vários dias, acabou o seu Doutoramento começado na França do exílio Português, com Isaac Chivas, esse o meu colega no Collège de France, no ISCTE Democrata. Lembro o dia que, como Presidente de Departamento, tive a obrigação e, eu pensava, o prazer, de dizer: “Joaquim, cá estás bem e protegido, mas estavas mais protegido, se acabares a tese e prestares provas de Doutoramento”. O presidente do CC- nesses dias João Ferreira de Almeida, tinha-me mandado dizer essas palavras. Palavras que, por discrição, não referi na reunião. Bem a ele só no corredor. De certeza, apavorado pelas datas, ele disse-me que se for assim, ia-se embora do ISCTE. Rapidamente fiz andar o coração para responder: E nós Joaquim, e a nossa Licenciatura, que precisa de ti, o cientista que sabe mais de Etnografia Portuguesa em Portugal e no mundo fora?. Na sua sabedoria, acabou em dois meses, com a cumplicidade do seu amigo Fernando Oliveira Batista: enquanto o nosso excelente professor escrevia, páginas e páginas eram impressas e transformadas em formato de tese e acumuladas na Presidência do ISCTE, onde o nosso Presidente desses dias, Afonso de Barros, que sabia, guardava silêncio e ria e piscava o olho. A tese foi acabada dentro de esse ano, organizamos o júri, comigo dentro, Issac Chivas do Collège de France foi convidado, mas, por doença não podia aparecer, foi defendida e teve o mais alto valor. Joaquim não se tinha preocupado antes, porque ainda havia dois ISCTE: o do antigamente, que no podia outorgar graus além de licenciatura, e o nascido em 1990, que podia organizar cursos de Mestrado, Doutoramento e outras actividades de pós graduação. Era o motivo pelo que tinham-se organizado os Centros, para orientar pesquisa, onde Joaquim foi o pai do CEAS, inscrito com Acta de Notário e comemoramos esse dia dos anos 90, com um almoço. Joaquim Pais de Brito, já com a tese feita livro, ofereceu-me uma cópia do livro de sua interessante colecção e cumprida colecção de livros sobre Portugal, denominada Portugal de Perto, com uma linda dedicatória: “Caro Raúl Iturra, deixo-te, com um abraço, (lembrando outros tempos em que bem o apoiaste) este o meu Rio de Onor, assinado. A sua pesquisa era bem temida: uma reconstrução do feito por António (Jorge) Dias, na mesma aldeia, nos anos 40 do Século XX: 1995, Retrato de Aldeia com Espelho. Ensaio sobre Rio de Onor, Publicações Dom Quixote, Lisboa. As referências ao nosso Agregado Professor, são impressionantes e podem ser encontradas em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Joaquim+Pais+de+Brito&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= especialmente ver a entrevista oferecida a Celso Castro e Susana Durão a 14 de Novembro de 2003, em: http://www.cpdoc.fgv.br/revista/arq/371.pdf , que, entre outros assuntos, diz: Depois de fazer sua formação em Paris e de regressar a Portugal em 1975, o antropólogo português Joaquim Pais de Brito tem leccionado desde 1978 no Instituto
Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Lisboa. Foi um dos
principais protagonistas na criação da Licenciatura em Antropologia Social do ISCTE,
em 1983. Desde de 1996, é coordenador científico do Curso de Mestrado em
Antropologia: Patrimónios e Identidades, na mesma instituição. Tem sido também
professor convidado em universidades estrangeiras.

Desde os anos 1990, tem desenvolvido uma carreira entre a academia e a
Museologia. É director do Museu Nacional de Etnologia desde 1993. No seu curriculum
museológico destaca-se a coordenação da investigação, catálogo, concepção e
montagem das exposições Fado: Vozes e Sombras (1994-95), Vôo do Arado: A
Agricultura Portuguesa, Anos 50-90 (1996-98), e Os Índios, Nós (2000-01). No âmbito
dessa sua preocupação e actividade, é co-presidente do conselho científico do Musée des
Civilisations de l'Europe et de la Méditerranée, ao ser criado em Marselha.

Dentre suas publicações, destaca-se Retrato de aldeia com espelho: ensaio
sobre Rio de Onor (D. Quixote, 1996), livro que resulta da sua tese de doutoramento e
que foi publicado na coleção “Portugal de Perto: Biblioteca de Etnografia e
Antropologia”, que Pais de Brito fundou e da qual é Director, há mais de vinte anos.
Retirado da página web: http://www.cpdoc.fgv.br/revista/arq/371.pdf , entrevista concedida à Revista Estudos Históricos, Rio de Janeiro, Nº 33, 2004. Bem como a entrevista concedida ao Boletim Observa, Nº 9, do Observatório de Ciências Sociais, organizado pelo Senhor Professor Doutor João Ferreira de Almeida, em 1 de Junho do ano 2000, entrevista feita por Susana Durão, que aparece em forma de artigo, com o título: “Retrato de um Museu. Entrevista a Joaquim Pais de Brito”, em: http://www.oac.pt/OBS9.htm#Autor3
João de Pina e Cabral, referido em relação ao Paulo Valverde, foi o meu antigo amigo de casa e grande colaborador na Licenciatura e na criação do Departamento. O problema era que, enquanto o Departamento de Antropologia Social era criado, era também necessário estrutura-lo. Mas, em breve, após entrar ao ISCTE, já estava no ICS porque, como dizia ele, gostava mais de pesquisar que de ensinar, ou ensinar a estudantes adultos a tentar uma pós graduação. Não abandonou as suas aulas no já Departamento de Antropologia, mas, nos anos 90, ficou com exclusividade no Instituo de Ciências Sociais da Universidade Clássica. Enquanto esteve connosco, ensinava Etnografia, Métodos e Técnicas. Ao passar para o ICS, mudou de pesquisa e passou a investigar a China, inédito na nossa Antropologia Portuguesa, mas escreveu já vários livros, enquanto orientava futuros doutores e mestrantes, a pesquisar em Portugal. Publicou em 1989, na Editorial Dom Quixote, a tradução do seu texto em inglês de 1986, Sons of Adam, Daughters of Eve, Clarendon Press Oxford University, a sua tese da Universidade de Oxford, que em português foi denominado: Filhos de Adão, Filhas de Eva. A visão camponesa do mundo no Alto Minho, referido em: http://www.webboom.pt/ficha.asp?id=15802 . O começo do seu trabalho na China, levou a publicação do texto: Between China and Europe. Person, Culture and Emotion in Macau, Editado pela London School of Economics, Londres, em 2002, referiro na recenssão de 4 páginas, escritas na Revista do ICS, Análise Social, Nº169, vol XXXVIII, ano 2004, escrita por Ignasi Terradas Saborit, sítio Net com texto completo, em:

 http://www.ics.ul.pt/publicacoes/analisesocial/recensoes/169/ignasiterradassaborit.pdf Estive mais do que uma vez na casa do Ignasi Terradas, quando eu era requisitado por Barcelona, Universidade Autónoma, e pela de Tarragona. Normalmente, levava comigo a um imenso número de discentes que ficavam cobertos pelas Universidades que me convidavam e dava o dinheiro ganho nas minhas conferências, a eles. Devo ter sido o primeiro docente a promover aos seus discentes antes do que a si próprio. Bom , mas era do João P. Cabral que estávamos a falar. Teimou em levar a ensinar na nossa Licenciatura, a uma antiga orientada minha de Cambridge, Mary Rose Bouquet. Recomendei o não fazer, mas....meses depois, aprovada já a entrada da Professora Doutora Bouquet a nossa Licenciatura, começou a ensinar e a partilhar o mesmo Gabinete com o meu amigo. Sem mais comentários. Todo o que seja pessoal, é dos outros!

Referido em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Di%C3%A1rio+da+Rep%C3%BAblica+1983+4+Abril+Licenciatura+Antropologia+Social&btnG=Pesquisar&meta= ou, para pesquisar e provar, ver o Diário da República on-line: http://dre.pt . Onde dre significa Diário da República on line. Bem como no texto já referido, que refere a criação do Departamento de Antropologia, não apenas uma Licenciatura: http://iscte.pt/missao.jsp
Lembrado a mim pelo próprio Luís Silva Pereira, como parte da conversa entre Aveiro e Lisboa, onde o encontréi. Conversa que tem feito mudar estas lembranças para as que hoje escrevo.

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (30)
(Continuação)

A Licenciatura em Antropologia foi criada, com a colaboração do Secretário de Estado para a Educação, Secretaria do Ensino Superior, Alberto Román Dias, quem esteve comigo na minha casa, com a sua mulher, colega na Cátedra e sempre colaboradores, Jill Dias . Não resisto intercalar no texto a notícia da nossa criação: a Licenciatura em Antropologia, diz respeito a história de criação do ISCTE. Criado a partir de um núcleo de docentes que em 1963 tinham fundado o Instituto de Estudos Sociais – IES – o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, ISCTE, foi instituído pelo Decreto-Lei n.º 522/72, de 15 de Dezembro, fundado no quadro de uma inovação universitária pretendida pela "reforma Veiga Simão".

O ISCTE, na sua génese, perspectivava-se como a primeira unidade de uma nova universidade em Lisboa. Por circunstâncias conjunturais, especialmente advindas da situação política e social despontada no 25 de Abril de 1974, o ISCTE, viria a manter-se durante largos 15 anos na directa dependência da direcção-geral do Ensino Superior do então designado Ministério da Educação Nacional. Mais, tentava-se introduzir o ISCTE dentro de uma Universidade de Lisboa, para passar, em 1974, a depender da Universidade Técnica, até adquirir autonomia em 1983 . Era esta uma criação como a que foi feita no Chile de ontem, com Allende, ao se ré- estruturar Universidades, Indústrias, a produção e outras actividades referidas em Capítulos anteriores. Em Portugal, a situação era apenas semelhante na ré construção do que a ditadura tinha destruído. Desde 1983 foi-lhe concedida a capacidade de viabilizar doutoramentos, através do Decreto-Lei n.º 167/1983, de 25 de Abril.


Com a publicação da Lei n.º 108/1988, de 24 de Setembro (Autonomia das Universidades), ela própria apoiada na Lei n.º 46/1986, de 14 de Outubro (Lei de Bases do Sistema Educativo) e na Constituição da República, o ISCTE recebeu a consagração de "Instituto Universitário não Integrado". Pelo Despacho Normativo n.º 11/1990 o Ministro da Educação aprova os seus estatutos, que foram publicados no Diário da República, Série I, n.º 32, de 7 de Fevereiro de 1990, declarando o ISCTE, desta vez: Escola Universitária não Integrada, com plena autonomia científica, pedagógica, administrativa e financeira. Eis o motivo que os docentes mais antigos do ISCTE, o denominam Escola, até o dia de hoje.A partir destes Estatutos o ISCTE passou a ter competência autónoma, por exemplo, para conferir todos os graus académicos (licenciatura, mestrado, doutoramento, doutoramento honoris causa), bem como agregações.

Nesse mesmo ano, a Secretaria de Estado do Ensino Superior faz um contrato com o ISCTE, um pré - acordo para encetar um contrato programa, por considerar esta unidade universitária com os parâmetros adequados para levar a efeito o que então se considerava um projecto-piloto para as Universidades (os contratos-programas).

Em 1997, o ISCTE integra a Fundação das Universidades Portuguesas e pertence actualmente a várias associações universitárias, como a Columbus, a Associação das Universidades de Língua Portuguesa, a European Academy of Business in Society, etc.
Os novos Estatutos do ISCTE, aprovados pelo Ministro e publicados pelo Despacho Normativo n.º 37/2000, no Diário da República, Série I-B, n.º 205, de 5 de Setembro de 2000, prefiguram o quadro organizacional do ISCTE como universidade.
Em 2005, por alteração do Decreto-lei nº 283/1993, o ISCTE passa a integrar o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP).

Aliás, é preciso introduzir mais um dado para entender a criação do Departamento de Antropologia, apenas nos anos 90, essa Licenciatura de1983 As três primeiras licenciaturas criadas no ISCTE prefiguram exactamente esta determinação: Organização e Gestão de Empresas (1972/73), Economia (criada em 1970, fechada a seguir e reaberta apenas em 1994/95) e Ciências do Trabalho, renomeada Sociologia em 1975/76. São principalmente as duas licenciaturas Organização e Gestão de Empresas - OGE e Sociologia – SOC-, (até ao 25 de Abril de 1974, por motivos de imposição política, de forma eufémica denominada Ciências do Trabalho) que sedimentam a primeira fase de crescimento do ISCTE e é no desenvolvimento lógico desta matriz - ciências de gestão e sociais - aproveitando sinergias de um sistema em rede, que esta instituição chega às actuais 15 licenciaturas que, hoje, disponibiliza aos candidatos ao sistema de ensino universitário público.

O desenvolvimento da matriz em ciências de gestão potência, e requer mesmo, a criação das licenciaturas de Informática e Gestão de Empresas, Gestão e Engenharia Industrial, Gestão de Recursos Humanos. Por sua vez, o desenvolvimento da matriz em ciências sociais, tendo por base o curso de Sociologia, vai sedimentar esse domínio, com a criação das licenciaturas de Antropologia, Sociologia e Planeamento, Psicologia Social e das Organizações. No resultado da dinâmica derivada destes cursos que formam uma rede à roda das duas matrizes nucleares iniciais - ciências de gestão e ciências sociais - ganham uma autonomia própria as licenciaturas de Finanças e de Marketing (a iniciar em 2001/2002), Economia e História Moderna e Contemporânea.

A qualidade e modernização das duas matrizes nucleares iniciais levam a englobar e desenvolver, nos conteúdos dos programas dos seus cursos, formação específica na área das novas tecnologias da informação e da comunicação; por outro lado, o incremento envolvente em todos os domínios científicos e escolares de capacidades e competências próprias para responder à Sociedade da Informação e do Conhecimento, fundamentam o surgimento do terceiro domínio: o domínio das ciências tecnológicas.

É no interface das ciências de gestão, com o curso de Informática e Gestão de Empresas e das Ciências Sociais (com um forte vector em desenvolvimento tecnológico e preocupação nas problemáticas do espaço e território) que se prefigura esse terceiro vector, hoje estrutural no âmbito das actividades do ISCTE, - as ciências tecnológicas. Ele explicita-se em licenciaturas como Engenharia de Telecomunicações e Informática e como o de Arquitectura (esta preparada por mestrados em Desenho Urbano).


Adérito Sedas Nunes e equipa, tiveram que lutar muito, para organizar o GIS e o ISCTE. Vou destroçar o texto, com uma anedota, que revela, a partir de uma fonte paralela, o difícil que era a ciência social ensinada e praticada no regime corporativo: lembro o dia de 1985, no qual o meu amigo, o Professor Doutor Manuel Viegas Guerreiro , contava-me que não tinha sido possível fazer muita pesquisa em campo, por causa do corporativismo e que era necessário disfarçar as pesquisas como de geografia, literatura ou outras ciências, excepto ciências sociais, causa pela qual Adérito Sedas Nunes devia criar entidades com nomes que não escondiam a realidade da pesquisa e do ensino. Manuel, quem falecera nos anos 90 do Século XX, exibira-me o legado do seu Leite, como ele o denominava a Leite de Vasconcelos, quem tinha feito trabalho de campo por correspondência, não por causa dor corporativismo, que ainda não existia, mas por ser mais confortável! enviando cartas a todos os professores de escolas do país . Herdei do Professor Leite, como tem sido referido em outro texto, parte do seu espólio sobre os jogos, que estão ainda comigo, entregues a mim pelo Manuel Viegas, com o qual também fundamos os Estudos Gerais Livres, na Rua das Janelas Verdes, inaugurada pelo, em esse tempo, Presidente da República Mário Soares e o seu velho professor primário, Agostinho da Silva . Destroço do texto, para tornar ao texto central e tentar corrigir informações de quem ainda não sabe bem a história da nossa instituição. E é quando foi a licenciatura criada, referido mais acima, e quando o Departamento. A Licenciatura passou a Departamento apenas em 1990. Como Licenciatura em Antropologia Social do ISCTE foi criada em 1983, já referido. Como Departamento, em 1990.

O Departamento de Antropologia, que conta actualmente com 19 docentes a tempo inteiro (17 professores e 2 assistentes), é um departamento de referência no contexto nacional, com uma invejável projecção internacional. Esta projecção decorre da ligação dos seus docentes a universidades de prestígio, europeias, africanas, da América Latina e dos Estados Unidos. O Departamento de Antropologia do ISCTE conta com um corpo docente versado em diferentes áreas de especialização e envolvido em projectos internacionais de investigação e de docência. Ele está, por isso, apetrechado para um modelo de ensino universitário europeu de que são indicadores os currículos da Licenciatura e dos Mestrados, com início no próximo ano lectivo. Esses currículos decorrem de trabalhos de longo curso em diferentes terrenos etnográficos, articulando um olhar contemporâneo, elaborado e necessariamente complexo, e a solidez da história da disciplina.

É, todavia, numa Antropologia consciente tanto da necessidade de rigor científico quanto das exigências de humanismo e de reconhecimento de iguais direitos de cidadania que o Departamento oferece um dos seus melhores contributos para o ensino das Ciências Socais em Portugal.
E é neste entendimento que desejo as boas vindas aos novos estudantes e um bom regresso aos que voltam a casa, num itinerário comum de conhecimento e de cidadania.


Notas:
Jill Dias era para estar connosco no novo Departamento, mas havia tantas solicitações que iam aparecendo, que foi impossível a convidar ao ISCTE. No entanto, continuamos sempre muito amigos de casa. Nunca esqueço o dia em que eu estava na casa da minha irmã e família no Chile, já democrata havia 7 anos, em 1997, quando ela me telefonara para me cumprimentar desde Portugal e solicitar se eu podia integrar um júri de doutoramento do seu Departamento. Falávamos sempre em inglês e eu respondi: “Dear Jill, of course! You can always count on me for whatever reasons you need or deserve” e acrescentei: “Como é que sabe o meu telefone do Chile?”, a sua resposta foi rápida e simples: perguntei na Secretaria de José Mariano Gago!. Esse Ministro que eu esperava para assinar a papelada para um Convénio Luso-Chileno, já referido antes. Jill Dias está referida no sítio Net: http://iscte.pt/departamento/2/1.jsp e no sítio web da net: www.unl.pt/guia/2007/fcsh/uc/uc-90220 - 12k por ter feito pesquisa e trabalho de campo em Angola, África parte da África Portuguesa. A sua obra é referida em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Universidade+Nova+de+Lisboa+Jill+Dias+Publica%C3%A7%C3%B5es&btnG=Pesquisar&meta= entre os quais é mencionado um dos seus textos, em colaboração com Valentim Alexandre, como coordinadores:1998 O Império Africano 1825-1890, Lisboa: Editorial Estampa. As publicações da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, estão referidas a página web: http://www.socinovamigration.org/acess/conteudos.asp?IDCONT=602 , como publicações de SOCINOVA ou Gabinete de Investigação em Sociologia Aplicada, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa: http://socinova.fcsh.unl.pt/
Retirado do texto Resenha Histórica do ISCTE, Portal ISCTE, página web: http://iscte.pt/historia.jsp
Informação retirada de: http://iscte.pt/historia.jsp a maior parte deste trabalho foi feita na Presidência do CC, pelo Professor João Ferreira de Almeida, Presidente do ISCTE a partir do 1 de Abril de 1992. Ainda lembro essas lutas e de ter quase “massacrado” ao Professor Ferreira de Almeida, ao ler mal o Decreto e fixar a minha ideia apenas no parágrafo “de escola universitária não integrada”. Foi ele próprio que me fizera ler que éramos a 13ª Universidade Pública de Portugal. Ficamos aliviados, ele, porque tinha lutado imenso pelo caso , eu, por entender bem o que éramos. Sempre estamos a aprender!, especialmente ao viver numa cultura diferente da nossa, e que aprendemos apenas em quanto o tempo passa! A minha sorte era que JFA tinha muita paciência e eu, serenidade, uma boa combinação para o trabalho em conjunto!
Manuel Viegas Guerreiro, falecido a 1 de Maio de 1997, tem um memorial na net,, como: http://www.ceg.ul.pt/finisterra/numeros/1998-65/65_02.pdf , onde é narrada a fundação dos Estudos Gerais Livres e as suas publicações, que passo a citar: Na área principal da sua formação, a Etnografia e a Antropologia, publicou - para além da Etnografia Portuguesa, que é, como atrás fica dito, em parte escrita por ele, a partir dos apontamentos de Leite de Vasconcelos, de quem também reeditou com uma apresentação desenvolvida Tradições Populares de Portugal - o volume Sabedoria, Linguagem, Literatura e Jogos, de 1966, que faz parte da obra colectiva Os Macondes de Moçambique, e ainda Bochimanes !khu de Angola, de 1968, e também Pitões das Júnias. Esboço de Monografia Etnográfica, de 1981, e, em colaboração com Diogo de Abreu e Francisco Melo Ferreira, Unhais da Serra. Notas Geográficas, Históricas e Etnográficas, de 1982. Saliente-se a edição póstuma da obra Povo, Povos e Culturas (Portugal, Angola e Moçambique), de 1997, na qual se coligem artigos e colaborações diversas. Referido em: http://www.instituto-camoes.pt/cvc/figuras/mvguerreiro.html

José Leite de Vasconcelos é referido em:http://pt.wikipedia.org/wiki/Leite_de_Vasconcelos#Biografia, sítio que diz: Desde menino Leite de Vasconcelos era atento ao ambiente em que vivia e anotava em pequenos cadernos tudo que lhe chamava a atenção. Aos dezoito anos foi para o Porto continuar seus estudos, licenciado-se em Ciências Naturais (1881) e, em 1886, em Medicina, na Escola Médico-Cirúrgica. Todavia só exerceu o novo ofício por um ano, em 1887, no Cadaval.
Sua tese de licenciatura, Evolução da linguagem (1886), já demonstrava seu grande interesse pelas letras, que por fim viriam a ocupar toda sua longa vida. As ciências exactas deixaram-lhe o estilo investigativo rigoroso e exaustivo, seja na filologia, seja na arqueologia ou na etnografia, disciplinas em que mais tarde tornar-se-ia uma referência.
Fundou a Revista Lusitana em 1889, o Arqueólogo Português em 1895 e o Museu Etnológico de Belém em 1893.
Doutorou-se na Universidade de Paris, com Esquisse d'une dialectologie portugaise (1901), o primeiro importante compêndio da diatopia do português (depois continuado e melhorado por Manuel de Paiva Boléo e Luís Lindley Cintra). Foi também pioneiro no estudo da onomástica portuguesa com a obra Antroponímia Portuguesa.
Tendo leccionado Numismática e Filologia Portuguesa na Biblioteca Nacional, onde era conservador desde 1887, chegou a professor do ensino superior em 1911, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Faleceu aos 82 anos, deixando em testamento ao Museu Nacional de Arquelogia, parte do seu espólio científico e literário, incluindo uma biblioteca com cerca de oito mil títulos, para além de manuscritos, correspondência, gravuras e fotografias. Retirado de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Leite_de_Vasconcelos#Biografia . Acrescento ainda: José Leite de Vasconcelos Cardoso Pereira de Melo (Ucanha, 7 de julho de 1858 — Lisboa, 17 de maio de 1941) foi um linguista, filólogo e etnógrafo português.Retirado de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Leite_de_Vasconcelos


Referido em: http://www.ceg.ul.pt/finisterra/numeros/1998-65/65_02.pdf . Diz no texto net: Filólogo de formação mas mais conhecido como filósofo, Agostinho da Silva nasceu no Porto em 1906 e faleceu em Lisboa em 1994. A sua vida e Obra são um dos casos mais interessantes da cultura portuguesa contemporânea, ao sintetizarem simultaneamente aspectos contraditórios da cultura portuguesa e interagirem de forma original com os contextos históricos variados que conheceu. Estes podem ser agrupados em três, para melhor apresentar de forma breve o pensamento do autor: o contexto de formação, o contexto de maturidade e o contexto de celebridade mediática. Para saber mais, visitar: http://www.instituto-camoes.pt/cvc/figuras/agostinhodasilva.html

Retirado da página web: http://iscte.pt/departamento/index.jsp?dep=2 bem como da página web: http://iscte.pt/departamento/2/1.jsp , texto assinado pela minha sucessora no cargo de Presidente do Departamento, Professora Doutora Rosa Maria Perez, eleita por unanimidade. As minhas recorrentes presidências do Departamento, que causaram estragos na minha vida física, e, bem espero, não venham causar na vida da nossa actual Presidente. Ser Presidente de Departamento, não é euforia, é um cargo pesado: reuniões sem fim, presidir os órgãos da estrutura departamental, dar aulas, escrever livros....enfim, uma escravidão!

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (29)
(Continuação)


Não posso deixar de referir já, que, ainda que está mencionada na nossa viagem ao Seminário de Transição em Pau, a minha amiga, Geógrafa no ISCTE, a luso brasileira Maria José Maranhão, a primeira a se aproximar a mim, com essa a sua eterna discrição e dar-me as boas vindas e me convidar a almoçar. Tinha estado no Chile do Allende, do qual não conseguia escapar por não haver Embaixador nos dias do golpe que matou a Allende. Devia fazer o seu doutoramento, era Professora Auxiliar e devia já prestar provas de doutoramento.Tentei empurrar o mais possível, mas...ela dizia que não era académica, estava ai apenas para ganhar a vida e porque adorava aos estudantes e dar aulas, mas, escrever, nem por isso! Tentei seduzir, tentei ser simpático, tentei redigir para ela, trabalhamos dois meses...e tudo acabou!

O meu sítio no Conselho Científico do ISCTE, composto apenas por cinco Doutores, não havia mais, foi o que me empurrara a este e outros vários júris de Doutoramento. De pronto, todo o ISCTE estava a acabar o seu doutoramento. Há imensos Ministros, Secretários de Estado e outras chefias governamentais, a abandonar a vida académica para se converter em orientadores da República. Penso que, ao menos, estávamos em boas mãos! Na minha ignorância dos hábitos e costumes de Portugal, da cultura portuguesa, tratava aos meus colegas, vários deles após, amigos, como na Grã-bretanha, sem saber que a cultura lusa imperava também na cultura académica na vida académica. O hábito português é tratar por Senhor ou Senhora e, a seguir, o nome próprio da pessoa e não o nome de família.

Dentro da vida académica era igual. Sem saber, estava a comportar-me como um não sabido dos usos culturais, ao endereçar questões a Professora Halpern ,que depois aprendi a tratar como Professora Miriam, e que hoje em dia somos Raúl e Míriam, a Professora Mónica , após Maria Filomena, ao Professor Murteira, mais tarde Mário e tu, e por ai fora. Mas antes, o Mário, ainda o Professor Mário, solicitou-me o meu CV para me transferir de Professor Associado a Professor Catedrático. Eu não queria e demorei, demorei, fui adiando essa entrega, até que o meu amigo da alma, que conheci no CC pequeno, numa reunião do nosso CC, e ficamos amigos a primeira vista! Ele ajudou-me a entender Portugal. Foi ele que um dia, na sua forma simpática de ser, disse: “Meu caro, não podes adiar mais, é um convite de transferência de lugar e é conveniente para todos nós”. Eu já tinha a agregação de Cambridge, reconhecida automaticamente em Portugal, mas prestei provas na mesma, na U. Técnica de Lisboa, quando ainda o meu amigo David Rodrigues , era estudante na mesma, e que mais tarde íamos publicar um livro em conjunto. O meu texto era dedicado a sua Senhora mãe Era preciso se habituar aos costumes hábitos e costumes, para me saber comportar nas diversas culturas que tenho habitado, com a minha mulher e as nossas filhas, hoje em dia do 2008, continuamos dispersos: a minha mulher, por enquanto, no Chile uma filha na Holanda, outra em Cambridge, cada uma com o seu par, excepto, espero, a minha mulher! Apenas uma pequena dispersão para me justificar! Torno ao texto central O nosso Conselho era de apenas cinco pessoas, com um convidado de Faculdade de Psicologia da Universidade Clássica, o Doutor Pina Prata , para sermos capazes de funcionar. Era presidente o meu ilustra amigo, o Professor Mário Murteira , economista e fundador do Departamento de Gestão, com Eduardo Gomes Cardoso a dirigir a Licenciatura, por não ser Doutor, Departamento que passou a ser a seguir, pela sua obra, o Instituto de Estudos de Gestão ou INDEG. Tive vários encontros amistosos com ele, quer na sua casa, quer na mia. Era um Socialista Católica, mas um verdadeiro socialista, junto com a sua mulher Aurora, que entrou na minha casa uma noite de verão dos anos 90 do Século XX, para ingressar ao Hospital a seguir, vítima de um cancro no cérebro, o que a vitimara rapidamente, por ser uma mulher jovem. A composição do nosso CC revelava que o ISCTE nada tinha que envidar a Cambridge. Académicos activos, a intervir na vida política do País e a fundar a academia portuguesa. Mário Murteira foi membro da UEDS , sempre irónico e divertido, sabia orientar as nossas actividades, como tinha orientado as suas. Esse o meu amigo tinha-se Doutorado em Economia na Universidade Técnica de Lisboa Era o tempo em que todos estávamos em todos os sítios do ISCTE, para fundar instituições de investigação, de ensino, refazer a Biblioteca, nas mãos da Dona Maria Emília Arruda Pacheco, uma biblioteca que tinha, como foi descoberto por mim e com a colaboração dos antigos assistentes, hoje Doutores, o casal António Firmino da Costa e Maria das Dores Guerreiro . A biblioteca foi inspeccionada por eles, tive essa colaboração, após ter solicitado ser nomeado Professor Bibliotecário e mandar ampliar a biblioteca do ISCTE, tirando os Gabinetes dos Catedráticos e refazer os tipo de livros que havia: se lembro bem, havia dois Durkheim, um Max Weber e imensos textos de Marx e Engels, oferta do PCP, e livros de Gestão, licenciatura que tinha dinheiro para comprar os seus textos. Durante dez anos presidi a Biblioteca e solicitei a mudança de Bibliotecária, o que não era possível pelo que convidei a Socióloga, denominada Dra. Arlete Amaral , licenciada em Sociologia pelo ISCTE, a minha estudante no primeiro ano e bibliotecária num outro local da Administração Pública. Durante dois anos solicitamos a sua transferência, até que, finalmente, o pedido foi aceite . A seguir, fizemos uma lista de livros mínimos para as leituras e, como havia dinheiro no ISCTE, compramos imensos livros de Sociologia e Antropologia para melhorar a qualidade do ensino. Com o meu caro amigo e colega, o Doutor em Ciências da Comunicação, antes na Universidade do Porto, hoje, na de Fernando Pessoa, Porto, Mário Pinto , fundamos o Conselho Pedagógico em 1982, com a aprovação do Presidente do Conselho Directivo, que exercia as funções que, mais tarde, seriam do Presidente do ISCTE. O Presidente do Conselho Directivo, esse amigo que soube receber- me com honra e convites para sua casa e vice versa, José Manuel Paquete de Oliveira . O Conselho Pedagógico funcionava numa pequena sala que após ia acolher as reuniões do nosso Departamento de Antropologia do ISCTE, como Departamento de Antropologia Social. Conselho Pedagógico arrebitado, mais tarde, depois pelo Prof. Rogério Roque Amaro . Antes, não posso deixar de referir que o ISCTE que escrevia livros e textos, tinha uma quase obrigação de oferecer um texto para a nossa Biblioteca, após uma carta enviada por mim para todos os docentes e discentes do ISCTE. O resultado foi excelente, havia livros para não comprar e que, o sucessor no meu cargo de Professor Bibliotecário, o já Doutor João Freire, soube maximizar às entradas de textos na nossa Biblioteca. Eu não tinha mais tempo. Passava a minha vida na nossa instituição, da manhã à noite e até aos Sábados.

A vantagem do ISCTE, era que tinha cursos de dia e de noite o que Pat Caplan, já citada, queria que eu fizer no seu Goldsmiths College em Londres. Ensinar operários e trabalhadores, ou, como são referidos, estudantes trabalhadores, era um prazer adquirido por mim desde os tempos da Presidência de Salvador Allende. Durante um tempo, quando o nosso Conselho Científico era presidido pelo antigo Secretário de Estado para a Educação, José Manuel Prostes da Fonseca, apesar de não ser Doutor, era Catedrático por eleição e por mérito, houve a proposta de vários novos Departamentos e Secções, especialmente Gestão, para não se ter mais estudantes trabalhadores. JM Prostes disse que o que os Departamentos queriam, era a lei, e João Ferreira de Almeida e eu, de imediato levantamos a mão para dizer que o ISCTE tinha sido fundado para acolher aos que não tinham tido a oportunidade na sua juventude, de acabar os seus estudos, pelo qual Sociologia e Antropologia, ficamos de imediato com cursos a dobrar: estudantes de dia e estudantes de noite. Por vezes era pesado, especialmente quando as aulas dos de dia eram de manhã cedo, as 8 a m.

Era necessário esperar a tarde toda para leccionar o curso das 22 horas da noite. Como “eterno” Presidente de Departamento, por eleição ou desistência do meu alternativo, já relatado antes, e membro da Assembleia do ISCTE, ou por inerência ou por eleição, tinha assento na, já nos anos 90, na Comissão Coordenadora do CC e assim defendi não ao Departamento, bem, como ao estudantes trabalhadores. Eu diria que era essa herança do passado com Allende e com Paulo Freire, esse prazer de informar, com palavras comuns, as novidades da ciência social aos meus discentes da noite, onde residiam as mais brilhantes mentes dos discentes do ISCTE. Porquê Antropologia? Nunca perguntei, mais fomos criando matérias adequadas e convenientes para os seus trabalhos: Antropologia Urbana, Antropologia do Género, Antropologia da Educação, Etnopsicologia da Infância, Antropologia de América Latina, Antropologia da África, e outras que, para não ofender ninguém, vou referir ser esta apenas uma lista das que aparecem na minha memória.
_______________


Notas:




Maria José Maranhão era a filha mais nova de uma imensa casa, nasceu aso 40 anis da sua mãe, quando ela, por viuvez da mãe, foi feita com o novo marido. É muito humilde na sua própria apreciação de si própria, no entanto, tem escrito imenso. Está referida no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Maria+Jos%C3%A9+Maranh%C3%A3o&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente página web: http://www.degois.pt/visualizador/cv.jsp?key=4422538906225914 . Prestou provas e passou a ser Professora Auxiliar em 1976, antes da minha aparição ao ISCTE. As suas áreas de especialidade são:
- Geografia humana e – Demografia. Tem lecionado em Sociologia e em Sociologia do Planeamento
Quando é amiga, é devota dos seus íntimos. A sua casa está sempre com pessoas, enchentes de pessoas pelo carinho e acolhimento que a sua personalidade demonstra.








Míriam Halpern Pereira era a minha visita em casa com o seu marido Carlos Veiga Pereira, e vice versa, pais do meu antigo discente Pedro Halpern Pereira, a seguir o meu colaborador nas filmagens que eu realizava antigamente, aceite para trabalhar comigo pela sua eficácia e pela sua experiência no fazer filmes, por ser o corrector do meu português ou tradutor: quando eu não sabia o quê dizer, ele perguntava, diga em francês, que eu traduzo, (tinha acompanhado a sua mãe ao exílio em Paris e cursado os seus anos preparatórios em Paris) e por ser socialista, condição para mim indispensável porque, como tenho já escrito, a ideologia orienta o trabalho das pessoas. Ideia que nunca apliquei na escolha em júri integrado por vários antropólogos doutorados, na entrevista para contratar novos assistentes para o nosso nascente curso de Antropologia. Míriam está referida, primeiro, na minha memória: sem dizer nada, ela entendia o que era ser exilado: tinha sofrido assim na sua infância e deu-me todo o apoio, entrando um dia no meu Gabinete e dizer: “Deve ser o novo Professor que vem de Cambridge. Bem vindo!” O que nunca vou esquecer e penso que refiro no texto de homenagem para elas, que entre vários, temos escrito. Juntos fundamos a Revista Ler História e salvamos imensas vezes a Revista da falência. Como tenho relatado antes esta história, não alongo mais esta nota de rodapé, apenas que é preciso saber como é referida na net esta antiga Presidente da Torre do Tombo, ao substituir a esse outro o meu amigo, o Historiador José Mattoso, quando foi a Timor para organizar os arquivos dessa nova República. Míriam é referida em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Miriam+Halpern+Pereira&meta=
Na reunião anual da Associação de Professores de História, onde foi convidado o seu inspirador e antigo professor da Universidade de Paris, Albert Silbert, foi-lhe prestado uma homenagem a 18 de Novembro, em Évora, a cidade mais antiga e Romana de Portugal o sítio especial para Historiadores. Quem leu o discurso de homenagem, foi o seu antigo orientado, José Luís Cardoso. Um mérito quase como uma decoração da Presidência da República. Ela, na sua sincera humildade de uma mulher sabia e querida, nunca referiu este facto, que eu soube por ter sido convidado, mas já o começo de uma doença que não sabia ia acontecer dois anos depois, não fui capaz de ir. A obra de Míriam, a minha colega nos sofrimentos de dois exílios, precisa um louvor feito por vários de nós, em formato de papel: um livro, que ainda não tem sido entregue a ela. Não exagero nada se refiro que tem sido para mim não apenas uma académica clássica, bem como uma mulher que, quando deve dizer uma coisa, diz com amabilidade mas com certeza. Ao me visitar para o meu aniversário, troce um presente e um bolo Rainha, especialmente comprado para mim. O que revela o grau de intimidade da nossa relação, sempre aberta e sã. Estou certo que deve viver como o seu pai, quem abandonou o mundo após mais de cem anos de idade, com cabeça lúcida e memória perfeita. Todos têm medo de Míriam, porque diz o que deve dizer, no seu sítio e no momento preciso. A sua obra é imensa. Meticulosa, tem servido a todos nós, como o leitor pode entender já na Introdução deste texto. E mais nada acrescento.
Maria Filomena Mónica foi membro do meu júri de Agregação, presidido por Adérito Sedas Nunes e integrado por Mário Murteira, Pina Prata, Míriam Halpern Pereira e outros. Foi um vice-versa. Quando a lei mudou, fui membro do júri de Agregação de Míriam, tive a honra de arguir o seu CV, Mário Murteira, o Programa da Cadeira e Joel Serrão, a Lição. Maria Filomena Mónica era a minha amiga ao começo, mas era do “outro” ICS ou ainda GIS, lugar em frente da Assembleia da República. Excelente Historiadora, formada em Oxford, doutoramento sempre referido em todas e cada uma das reuniões do nosso pequeno Conselho Científico. Pessoa simpática e muito divertida, fizemos uma Viagem juntos para a casa de Eça de Queirós, onde ei proferi uma conferência, ela era quem historiógrafo a vida de Eça e rimos imenso, especialmente ao referir na minha conferência que o amancebamento tinha sido retirado da lista dos pecados por João Paulo II, o que ela, com esse o seu ar travesso, de imediato perguntou, com esse riso sedutor dela: “Meu caro Raúl!, isso interessa-me imenso, vou já a tua conferência, que ouviu com atenção e colocou imensas perguntas, às que eu respondi da forma mais destemida, de maneira que o académico que me tinha convidado, o eleito Reitor da U Católica, Manuel Braga da Cruz, puxava pela minha manga parta me dizer: “isso não é para falar cá!”. Eram católicos fervorosos a Maria Filomena, em brincadeira, queria saber o quê podia fazer sem pecar. È referida na net, com 71. 100 referências, em : http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Maria+Filomena+M%C3%B3nica&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= especialmente a página web, na que está uma página de um dos seus livros,2006 Bilhete de Identidade. As minha memórias entre 1943-1976, Alêtheia Editores, Lisboa. Diário de Notícias on line, de 25 de Domingo 13 de Novembro de 2005: http://dn.sapo.pt/2005/11/13/artes/toda_a_verdade_filomena_monica.html
É referida como Historiadora, Investigadora na Universidade de Lisboa
Áreas de Investigação: O sistema político português no século XIX. Eis porque a tenho referida no texto como historiadora do PS português. Ver: http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Maria_Filomena_Monica.htm#Obra . A sua obra é imensa e tenho tido imensa pena de não privar mais com ela. É de talento, uma imensidão, de simpatia, um amor, de beleza, uma sedutora, como académica, um privilégio. Sobre a educação em Portugal, não apenas sabe, mas tem escrito imensos textos e ensaios, que eu tenho gostado ler, têm sido para mim uma fonte de inspiração e de dados.
David Rodrigues é o irmão de Fernanda Rodrigues, a minha discente antigamente, casada a seguir com o meu defunto amigo Steven Stoer, que muito cedo na vida, nos deixara, como Pierre Bourdieu: o cancro mata! O livro referido, Educação e Diferença. Valores e Práticas para uma Educação Inclusiva, editado pela Porto Editora, é de 2001, dedico o meu texto a Dona Joaquina Rodrigues, mãe do David e tem por título: “O adulto e a criança crescem juntos”,12 pgs, inspirado pela atitude firme na vida da Dona Joaquina a tratar dos seus filhos, pelo que a dedicatória diz: “Para Dona Joaquina, mãe calma, serena, orientadora dos seus filhos”. O Seminário de Educação Especial ou, denominada por David, inclusiva, prova o saber do David em Educação Especial para crianças doentes ou que precisam de apoio especial para entender as matérias estudadas. David está referido em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=David+Rodrigues&btnG=Pesquisar&meta= , com 311.000 referencias, uma das quais é uma entrevista ao David, que opina: David Rodrigues, presidente do Fórum de Estudos de Educação Inclusiva e professor na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, aplaude o esforço do Governo na promoção da inclusão, mas critica os métodos para se atingir esse fim. Embora não desvalorize por completo a legislação existente, aponta o dedo à forma como a inclusão se pratica no terreno. Retirado da entrevista de Educare.pt, feita por Teresa de Sousa em 18-4 de 2007, referida em: http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=7ABF0AF87D9E4996B894A6E25065ACF2&opsel=1&channelid=0 e o nosso livro em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=David+Rodrigues+%28Org%29+Livro+Educa%C3%A7%C3%A3o+e+Diferen%C3%A7a&btnG=Pesquisar&meta= O meu texto, em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+O+Adulto+e+a+Crian%C3%A7a+Crescem+Juntos+em+Livro+Educa%C3%A7%C3%A3o+e+Diferen%C3%A7a&btnG=Pesquisar&meta=
O Professor Doutor Francisco Xavier Pina Prata era um dedicado membro do nosso CC, empréstimo da Faculdade de Psicologia da Universidade Clássica de Lisboa, referido a mim o nome completo e pertenças académicas, pela minha memória viva ao telefone, D. Crisalda Silva. Com todo, está referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Portugal+Professor+Pina+Prata&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= e na página web: http://www.aptefc.org/ficheiros/newsletter1.pdf , que refere ao Professor Pina Prata como o introdutor e precursor da terapia familiar em Portugal. Uma homenagem foi-lhe oferecida no Congresso da Associação Portuguesa de Terapia Familiar e
Comunitária, no XVI Congresso do Instituo de Terapia Familiar, onde a Associação Portuguesa tinha forte representação. O Professor Pina Prata, no dito Congresso, proferiu o discurso de abertura do Congresso e apresentou o seu novo livro sobre terapia familiar, editado pela Climempsi em 2007: Terapia Sistémica de Casal. Respigando ideias e experiências. O prefácio será escrito pelo Professor Daniel Sampaio. O Professor Pina Prata tem uma vasta obra sobre Terapia Familiar, citada no sítio Net referido neste nota de rodapé. Era um dos membros mais activos do, nesses dias, nosso pequeno Conselho Científico o qual passou depois, a funcionar em salas mais alargadas, porque os Doutores começaram a ser uma larga panóplia de sabedoria dentro do ISCTE dos anos 80.
Mário Murteira tem sido o paciente escritor de vários livros de Economia e ensinava no ISCTE, bem como no já referido ISCEF, onde conheceu a Sedas Nunes, foi convidado por ele para formar o antigo GIS da Universidade Técnica de Lisboa, após ICS da Clássica de Lisboa, sítios todos onde eu dava conferências e o Mário ouvia, especialmente no Instituto de Economia, no qual eu dava conferências, a convite do denominado “proprietário” do Instituto de Economia, o Professor Pina Moura. Mário Murteira está referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Portugal+Professor+M%C3%A1rio+Murteira+&btnG=Pesquisar&meta= especialmente na página Web: http://www.mariomurteira.com/dados.html , com obra e estudos em Portugal e no estrangeiro. Diz, entre outra vastas actividades: Licenciado (1956) e doutorado em Economia pela Universidade Técnica de Lisboa (UTL) (1970)
Em 1959/60 fez estudos de pós-graduação em Paris ( no ISEA) , com François Perroux e Roma (na SVIMEZ), com Cláudio Napoleone. Acrescenta uma larga informação, eu tenho retirado apenas parte da sua actividade política e académica e as sua relações com o nosso fundador, Sedas Nunes: Foi assistente e depois investigador coordenador do Gabinete de Investigações Sociais da UTL, fundado e dirigido por A. Sedas Nunes, depois transformado no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (1973/85)
8 - Foi ministro dos Assuntos Sociais no Primeiro Governo Provisório (1974) e do Planeamento e Coordenação Económica nos Quarto e Quinto Governos Provisórios (1975).
9 - Foi militante e dirigente da UEDS ( União da Esquerda para a Democracia Socialista) em 1979/84.Na UEDS, participaram figuras políticas como Lopes Cardoso, Kalidás Barreto, César de Oliveira, Míriam Halpern, António Vitorino, etc.
10 - Director da revista Economia e Socialismo em 1976/87 . Esta revista começou por ser mensal, com tiragem de cinco mil exemplares e esgotava. Colaboraram na revista nomes prestigiados da esquerda europeia e norte-americana, como Immanuel Wallerstein, Giovanni Arrighi, Ronald Chilcote, André Gunder Frank além dos autores portugueses. Destacados economistas e sociólogos do Terceiro Mundo como Samir Amin, Sérgio Ramos, Ladislau Dowbor também colaboraram
11 - Fundador e director do CESO –Centro de Estudos Economia e Sociedade CRL- em 1980/85. O CESO realizou, nesta época, numerosos projectos de assistência técnica em África. Nesse tempo, o CESO fornecia a The Economist, para publicação, informações correntes sobre as economias dos PALOP . Fica para o leitor saber mais, se visitar a página web referida, onde está citada a sua obra bibliográfica, que é imensa




A UDES precisa de uma explicação, por causa de muitos académicos do ISCTE terem pertencidos à União de Esquerda para o Sosialismo, essa explicação é referida assim: A UEDS foi um partido de esquerda português fundado em Janeiro de 1978. O partido tem as suas origens na Associação de cultura socialista - irmandade dos trabalhadores, uma organização socialista e em grupos de pessoas independentes ligadas ao Partido Socialista.
O partido participou nas eleições legislativas de 1980 en coligação com o Partido Socialista e a Acção Social Democrática Independente, sob a denominação de Frente Republicana e Socialista. Nas eleições seguintes, os membros do partido integraram as listas do Partido Socialista. Nas eleições presidenciais de 1986 os membros do partido separaram-se, uma parte apoiando Mário Soares e a outra Maria de Lurdes Pintasilgo. Retirado do sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Portugal+Uni%C3%A3o+da+Esquerda+para+a+Democracia+Socialista+UEDS&btnG=Pesquisar&meta= , pagina web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_da_Esquerda_para_a_Democracia_Socialista O partido foi desactivado em 1986 e os seus membros inscreveram-se no Partido Socialista.. Um exemplo do que é ser académico e político, está também em Cambridge, na que Anthony Giddens era o Conselheiro do Primeiro Ministro Laborista, Tony Blair, outros, como Iain Wright, pertenciam, com ideologia Maoista, ao Partido Laborista, mas apoiava aos candidatos do Partido Laborista nos comícios e nas Eleições. Eu próprio, entre outros, éramos socialista do partido Trabalhista ou Laborista. Não era, porém, descabido , que no Chile de Allende as aulas fossem uma plateia ou um stand para dar aulas quase de propaganda, especialmente nos dias em que o regime perigava, como tenho referido em capítulos anteriores. Acrescentaria que toda Universidade não é apenas uma plataforma para a Ciência, bem como dentro de essa Ciência, há uma tendência ideológica que orienta o que é ensinado como plataforma das nossa pessoais ideias da vida social e ideologias. O ISCTE era campeão nesse ditos e re ditos argumentos e na orientação da Ciência Social, que sempre era um perigo para os ditadores, pelo que as Universidades eram ou fechadas, ou ministravam apenas cursos tecnológicos ou, com programas submetidos antes a autoridade governamental da educação, como foi o caso do Chile pós Allende. Não havia liberdade de ensino, como em geral, não há liberdade de ensino em ditadura nenhuma. Foi a ideia de Mário Murteira e Sedas Nunes, entrar pelos corredores denominados corporativistas para saber o que o inimigo pensava e, eventualmente, tentar manipular aos corporativistas para arrecadar agua par os seus moinhos.


António Firmino da Costa, para mim, um dos melhores amigos que tenho tido no ISCTE, a seguir JFA, colaborou comigo de tal maneira, que fez um inventário da biblioteca, junto com a sua mulher, também hoje doutorada em Sociologia. António Firmino queria ser Antropólogo. João FA debatia comigo que não podia retirar ao melhor docente da Sociologia, com enganos para o seduzir, a ele e a sua mulher, para serem Antropólogos. António Firmino tinha essa dúvida e não havia dia que não for ao meu Gabinete para debater comigo o como e o porquê da Antropologia. Não consegui convencer, era muito sociólogo para isso, para essa transferência. E fiz bem em não insistir, é hoje, como Maria das Dores também, os melhores sociólogos de Portugal, brilham no ISCTE. António está referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Ant%C3%B3nio+Firmino+da+Costa&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente na página web citada na net, com esse CV de 32 páginas, por enquanto: iscte.pt/arquivo.jsp?ficheiro=44.pdf Tenho comigo o livro que foi a sua tese,1999: Sociedade de Bairro, Celta Editores, Oeiras resultado de um prolongado trabalho de campo no bairro de Alfama. Essas 539 páginas são ouro em papel. Ganhamos um Sociólogo que trabalha com o método Etnográfico da Antropologia. O livro está recenseado em Análise Social, Nº 166, XXXVIII de 2003 do ICS, e pode-se ler na página web: http://www.ics.ul.pt/publicacoes/analisesocial/recensoes/166/graca.pdf
Maria das Dores para mim Dores Guerreiro, não apenas é uma excelente investigadora, como António, bem como uma excelente docente, muito dedicada ao seu trabalho de docência. Os dois aprenderam comigo o que, nesses anos, não era obrigatório: ensinar por meio de tutorias. Hoje, já com Bolonha dentro de nós, é parte da forma de ensinar. Está referida em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Portugal+ISCTE+Professora+Maria+das+Dores+Guerreiro&btnG=Pesquisar&meta= especialmente na página web que refere o seu currículo DáGois: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=0206940717367831 Tenho comigo o seu texto, oferecido a mim por ela, ao prestar provas de doutoramento em 1995, livro editado em 1996, na especialidade Famílias e Empresas, uma rara especialidade, mas que coloca a Sociologia no centro do universo da realidade. Enquanto nós andamos nos ritos, mitos e outras ervas benéficas para entender a mente humana, o que eu denomino a mente cultural, Maria das Dores no Laboratório Observa e com a minha antiga discípula, hoje a mulher do meu amigo da alma, JFA, Anália Torres Cardoso, não largam as entrevistas à famílias e trabalham de forma etnográfica. Mais uma Socióloga que também faz Etnografia. O seu livro é também uma mina de ouro, uma novidade nas Ciências Sociais! Parabéns! Maria das Dores está referida como investigadora, está referida com um impressionante CV, em: http://cies.iscte.pt/investigadores/ficha_completa.jsp?pkid=46&subarea=todos
Referida no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=ISCTE+Arlete+Amaral&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , como Secretaria do Centro de Sociologia ou CIISCTE
Mário Pinto era da Universidade do Porto, Professor em matérias ligadas as Ciências Sociais, como me informara o seu antigo discente, hoje Doutor e Catedrático da dita Universidade, José Fernando Madureira Pinto, não tinha muito tempo para se dedicar ao Conselho Pedagógico, pelo que a Presidência passou para mim. Aparece, na minha pesquisa, um Professor Doutor Mário Pinto, como docente de Ciências da Comunicação, mas não estou certo se é ou não o mesmo. Cabe ao leitor saber! A morada referida é a página web: http://www.webboom.pt/autordestaque.asp?ent_id=1116913&area=01 Foi este Mário Pinto quem iniciara ao Prof. José Fernando Madureira Pinto os elementos da ciência social que iam entusiasmar ao, hoje, melhor Sociólogo de Portugal. O seu nome foi referido à Adérito Serdas Nunes em 1971. Como JF Madureira Pinto estava em Lisboa a cumprir o seu serviço militar, foi capaz de acumular militarismo com ensino no antigo GIS-o ICS de hoje. Informação transmitida a mim por e-mail de 6 de Março de 2008, pelo próprio Professor Madureira Pinto. Altuar em que, com João Ferreira de Almeida, começaram a elaborar investigação em conjunto entre 1972 e 1974. Acabado o Serviço Militar, Jpsé Madureira Pinto tornou ao Porto para ensinar na sua Universidade.
Saiba ou não, fui sempre um grande admirador do seu dedicado e delicado trabalho no ISCTE, um pai fundador, esse madeirense que casou com uma a sua discente, Maria da Gloria, discente minha também e tiveram lindos filhos. Comentário não para fechar com esse “e viveram felizes para sempre”, mas para abrir, com esse comentário, as referências desse o meu segredo amigo. Segredo, porque um dia ao me convidar para a sua casa, e eu não aceitar por causa de trabalho, as nossas trocas simpáticas ficaram apenas dentro do campo do, por mim denominado, conveniente e adequado. Ajudou-me imenso com o secretariado do departamento. O José Manuel está referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jos%C3%A9+Manuel+Paquete+de+Oliveira&btnG=Pesquisar&meta= como criador das expectativas jornalistas dos discentes e docentes, especialmente na página web: http://www.cecl.com.pt/rcl/08/rcl08-05.html e na pagina pdf: iscte.pt/arquivo.jsp?ficheiro=54.pdf -, que define o que ele ensina e a sua formação: Docente na área de Sociologia da Comunicação da Licenciatura em Sociologia no ISCTE, essa matéria que o nosso Departamento nunca considerara de relevância para nós, esse o nosso grande pecado, remediado já pela área que ele abriu no ISCTE e pela entrada do ISCTE ao sistema Bolonha de Universidades, feito por mim e Clara Afonso de Carvalho para o nosso Departamento. A sua obra está referida em: http://www.cecl.com.pt/rcl/08/rcl08-05.html
Com Rogério Roque Amaro intensificamos a actividade do Conselho pedagógico, integramos discentes e representantes das várias Licenciaturas, apenas três, nos anos 80. O Conselho Pedagógico era eleito de dois em dois anos. Rogério Roque Amaro e eu, estávamos sempre presentes. Conseguimos mudar parte do ensino no ISCTE, até, mais tarde, por causa de imenso trabalho, tivemos que o abandonar. Rogério Roque Amaro está referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Rog%C3%A9rio+Roque+Amaro&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= e o seu currículo na página web: http://www.degois.pt/visualizador/cv.jsp?key=2507566455510089 , que define as suas preferências de investigação: - Bairros degradados- Exclusão social. Devo agradecer a ele a colaboração fornecida a uma das minhas orientandas, a hoje Doutora Darlinda Moreira, especialidade matemática. Não apenas forneceu dados, bem como ofereceu o seu Arquivo dos bairros degradados que ele estudava em equipa com outros. Ao longo dos anos tenho insistido imenso para prestar provas de Agregação, sempre diz sim, mas não parece estar muito interessado....
Darlinda Moreira, esse o meu orgulho de investigdora, está referida no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Darlinda+Moreira&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , especialmente na página web, que refere sua obra: http://www.webboom.pt/pesquisaHPautores.asp?autorId=25302 , especialmente a página web, com texto da persistente doutora em matemática da Universidade Aberta: http://www.spce.org.pt/sem/12.pdf , ou, ainda, com texto: http://www.spce.org.pt/sem/9900Darlinda.pdf


Jill Dias era para estar connosco no novo Departamento, mas havia tantas solicitações que iam


(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Domingo, 19 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (28)
(Continuação)

A história do PS e de Mário Soares são de interesse para nós, pelo qual penso que é bom referir dentro do texto. De facto, o Partido Socialista, nasceu no Século XVIII, ao ser fundado movimento socialista, mas já denominado Partido Socialista Português (1875) O Partido Socialista foi fundado em 10 de Janeiro de 1875, na sequência do Congresso da Haia. Assumia-se, então, como marxista contra o bakuninismo. Da sua primeira comissão directiva fizeram parte José Fontana, Azedo Gneco, Nobre França e Tedeschi. Antero Quental, autor do folheto O que é a Internacional, de 1871, estava nos Açores desde 1873, por morte do pai. Teve como órgão O Protesto, em Lisboa, e o Operário, no Porto, até surgir a fusão em O Protesto Operário. O primeiro programa data de 1895 . Já em 1878, é criado o primeiro esboço do PS, referido assim: “quando se funde com a Associação dos Trabalhadores da Região Portuguesa, passando a designar-se Partido Operário Socialista Português, sob inspiração das teses guesdistas” . Há várias alianças e rescisões, o PS português está a retirar ideias das liberais da França, tal como foi feito no Chile, nartrado antes destas palavras. É em 1964, em Genebra, que Mário Soares, Manuel Tito de Morais e Francisco Ramos, criam a denominada Acção Socialista Portuguesa. Para o leitor esquecido, talvez era melhor reproduzir em texto o que acontecera em Genebra: A Acção Socialista Portuguesa foi fundada em Genebra por Mário Soares, Manuel Tito de Morais e Francisco Ramos da Costa, em Novembro de 1964. Representando um novo esforço de estruturação do movimento socialista, o certo é que não logrou estabelecer as bases de implantação a que aspirava, conciliando dificilmente os instrumentos de luta na clandestinidade com as poucas possibilidades de intervenção legal permitidas pelo regime salazarista.


A ASP iniciou a publicação do Portugal Socialista em Maio de 1967, estabelecendo também numerosos contactos com partidos e organizações internacionais, sendo formalmente admitida na Internacional Socialista em 1972. . Foi assim que, ainda no exílio, Soares e outros, criaram, finalmente, o denominado Partido Socialista de Portugal, em 19 de Abril de 1973, para ser ratificado como tal já no país, com programa e princípios .


Estes programa e princípios foram definidos num texto que, penso, deve ir no corpo deste texto, em síntese apenas, por estar doa o lançamento para todo o texto dentro da escrita de Programa e Princípios do PS, citado em nota de rodapé, mais em frente. Declaração de Princípios (Aprovados no VI Congresso Nacional, Lisboa 1986) Princípios fundamentais


1.1 — O PS é a organização política dos portugueses que procuram no socialismo democrático a solução dos problemas nacionais e a resposta as exigências sócio - políticas do nosso tempo.


O socialismo democrático é no plano moral a mais nobre causa política do nosso tempo

O leitor, se quiser saber mais, pode visitar não apenas o sítio referido ou baixar a informação, usada no texto citado antes e incorporado ao meu.


Narrada, de forma cuidadosa a História, ou parte dela, do Partido Socialista, é tempo de voltar ao ISCTE. Que tem a ver o ISCTE e o PS? O PS era o contexto ideológico-político no qual todo acontecia, o contexto da realidade da nossa vida académica. Porquê não coloco a questão também da História dos outros partidos? A resposta é simples: desde que o PS tem passado a ser uma força político ideológica importante no país, as ideias liberais dos membros do ISCTE, têm alastrado, infelizmente, dezenas de pessoas ao Governo ou a militância no PS, como é o caso do primeiro a se suspender do ISCTE, esse o meu colega e amigo, Eduardo Ferro Rodrigues , para presidir o PS. Colegas também em outras forças políticas, quer ao Centro, quer a Direita. Normalmente, o ISCTE tem sido denominado a Universidade Vermelha de Portugal. Ao comparar essa imagem com a do Chile de Allende, no meu ver, o nosso ISCTE, de vermelho pouco ou nada tem. O ISCTE tem, isso que também posso apreciar, um contexto histórico político semelhante as folhas dedicadas ao contexto das Universidades do Chile de Allende. Nada havia que não estiver politizado, ainda as aulas. No Chile de Allende, até as aulas tinham começado a ser aulas de teoria Marxista, dentro de um contexto Leninista. O ISCTE do Portugal ao qual eu aderi, tinha passado de uma Escola, como é denominado pela força do hábito desde o dia em que estava no sítio do Campo Grande, dentro da Cidade Universitária, ao pé da Biblioteca Nacional, a lindar com a Avenida da República, uma pequena casa que albergava o GIS ou Gabinete de Investigação Sociais (nome fictício para esconder da ditadura, o que era investigado pelos membros do GIS), o que, após do 25 de Abril de 1974, quando não havia nada para ocultar e a liberdade tinha aparecido finalmente, passou a ser, em 1986, o ICS, da Universidade Clássica de Lisboa, ou Instituto de Ciências Sociais . É deste Instituto, fundado por Adérito Sedas Nunes , que tinha a paixão da Sociologia, ainda nos tempos da ditadura salazarista, e na época do marcelismo, a única alternativa para ensinar os saberes proibidos em Portugal: era dito que investigar não era suficiente, pelo que o ISCTE começou a existir dentro dessa casa, com o curso de Sociologia, de Gestão e de Economia, em 1972. Na casa velha havia vários docentes que Sedas Nunes tinha arrecadado do Instituto Superior de Ciência Económica e Financeiras docentes para proferir aulas de sociologia, economia e gestão: João Ferreira de Almeida , docente no dito Instituto, José Manuel Rolo, Maria de Lurdes Lima dos Santos, entre outros. Da Faculdade de Letras, a minha antiga orientada de tese, em colaboração com Pierre Bourdieu, Maria Eduarda do Cruzeiro , casada com António Ferreira de Almeida, sem parentesco com João de Freitas Ferreira de Almeida, falecido muito prematuramente para a nossa tristeza e para essa eterna viuvez da minha discípula e amiga, hoje a dirigir o ICS. Mais uma vez, apenas exemplos dos arrecadados, para não ofender ninguém .É apenas no ano de 1974, que o antigo GIS, e o ISCTE, são transferidos para o prédio conhecido hoje como o Edifício Antigo. Adérito Sedas Nunes foi o Manuel Fraga Iribarne de Portugal, ministro da Educação do ditador da Espanha, Franco, que decretara que os livros de Sociologia, Política, História e outras Ciências Sociais, já não estavam proibidos. Sedas Nunes teve que lutar muito para ensinar Ciências Sociais em Portugal. Tinha uma boa equipa, composta pelo já referido meu amigo, João Ferreira de Almeida, licenciado em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa, transformou-se em Sociólogo pelos os seus estudos na Faculdade de Ciências Políticas na Universidade de Paris, bem como na sua própria e autónoma aprendizagem dentro de Portugal. Era não apenas o assistente de Adérito Sedas Nunes, bem como o seu confidente especial, como observara ao reparar nas conversas que eles tinham especialmente no final dos seus dias, nos anos 80 do Século XX. Estavam também com ele o Licenciado em Economia José Fernando Madureira Pinto , a Licenciada em Letras Maria Eduarda do Cruzeiro, hoje Presidente do ICS, que tem edifício próprio por trás do ISCTE, Maria de Lurdes Lima dos Santos, José Manuel Rolo, Manuel Braga da Cruz e outros que, para não ofender ninguém, declaro ser esta uma lista de pessoas que tiveram a ver directamente comigo. Era suposto, ao se fechar o Instituto de Ciências da Gulbenkian, em Oeiras, passarmos todos para o ICS, o que não aconteceu. Adérito Sedas Nunes era muito especial e não gostava de negociações, apenas admitia pessoas da sua conveniência. Eu fui testado, ao ser convidado para proferir uma conferência sobre Antropologia no ICS, na qual, de forma pouco temida, falei do contributo de Marx e da Religião dentro do saber das Ciências Sociais. Temática que não foi do agrado de Adérito, e não fui convidado a pertencer ao ICS, ainda hoje, apesar de ter publicado na Reviste Análise Social, alguns textos e de orientar teses de Doutoramento a membros do ICS. O meu pior crime foi formar parte do júri de defessa da tese de doutorado, do hoje o meu amigo, José Fernando Madureira Pinto, que eu referi como uma tese muito bem escrita, com hipóteses retiradas da teoria e provadas em trabalho de campo, feito em conjunto com o amigo de José Fernando, o meu denominado “primo”, João Ferreira de Almeida. Nos anos 80, a avaliação da tese era após discussão entre os membros do júri a portas fechadas votação para aprovar ou reprovar a defessa da tese. Por assuntos que não me dizem respeito, a tese de Madureira Pinto foi aprovada, com apenas um abola preta dentro da urna de votações. Em vez de ser aprovada com distinção e louvor, foi aprovada, essa primeira tese do ISCTE, de um dos melhores Sociólogos de Portugal, com distinção. Eis a maneira que os católicos tratam aos que detestam. Era um católico que, eu vi, por a denominada bola preta na urna dos votos. Era como os De Ramón a tratar aos seus inquilinos do Chile...Devo confessar, mais uma vez, que guardei o segredo do júri, mas, anos volvidos e já morta a pessoa do voto preto, posso falar, o que também não interessa. O Professor Doutor Madureira Pinto tem mostrado o seu valor, não anda em aventuras, tem-se fechado, como eu tenho feito, na vida académica e da família. Bem haja, Zé Fernando!


Notas:
 
Retirado da página web: http://maltez.info/respublica/portugalpolitico/grupospoliticos/partido_socialista_1875.htm , referida caso o leitor querer saber mais.



Informado na Página Web: http://maltez.info/respublica/portugalpolitico/grupospoliticos/partido_socialista_1875.htm


retirado de: http://www.ps.pt/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=29&Itemid=38


Programas e princípios na página web: http://www.ps.pt/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=29&Itemid=38


Eduardo Ferro Rodrigues, o Fefe como os amigos o temos denominado, ensinava Sociologia do Trabalho no ISCTE. A sua carrera política é detalhada em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Ferro_Rodrigues


Referido a mim pela nossa memória viva da minha amiga telefonista, vizinha de Gabinete como tenho barrado,durante 15 anos, D. Crisalda Silva, quem acrescenta que tomou posse do seu cargo de telefonista do ICS, transformado, por causa do curso de Sociologia, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, o hoje autónomo ISCTE, que, infelizmente, na maré viva das mudanças destes anos, vai passar a ser a Fundação ISCTE, com o apelido de Universidade Autónoma de Lisboa. Dona Crisalda Silva tem-me ajudado imenso a rememorar histórias do ISCTE, desconhecidas por mim e vários outros colegas. A ela devo grande parte de estas páginas, agradeço. Acrescenta a minha informante, essa a nossa memória viva e muito lembrada dos factos da nossa Instituição, que 25 de Abril de 1974, aconteceu ainda ao estar o ISCTE, na casa pequena do Campo Grande.


Adérito Sedas Nunes é referido na página web: http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_791.html , do sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ad%C3%A9rito+Sedas+Nunes&meta= e diz: Licenciado em Economia e Finanças pelo ISCEF (1955), onde começou a carreira académica, passou, em 1973, para o ISCTE. Leccionou também na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica e na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Fundou e dirigiu o Gabinete de Investigações Sociais da Universidade de Lisboa e a sua revista Análise Social. Fez parte da "ala liberal" na Câmara Corporativa (1969 l973), foi presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (1976-1977) e ministro da Cultura e Ciência e da Coordenação Cultural no V Governo Constitucional (1979-1980). Foi o grande renovador e impulsionador das modernas Ciências Sociais em Portugal, muito particularmente da Sociologia


O dito Instituto é referido assim: Aquando da sua integração em 1930 na Universidade Técnica de Lisboa, o Instituto Superior de Comércio passou a denominar-se Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras. Esta designação foi alterada em 1972 para Instituto Superior de Economia....A minha síntese. Para saber mais, visite a página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_Superior_de_Economia_e_Gest%C3%A3o#Instituto_Superior_de_Ci.C3.AAncias_Econ.C3.B3micas_e_Financeiras_.281930-1972.29 , do sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Instituto+Superior+de+Ci%C3%AAncias+Econ%C3%B3micas+e+Financeiras+1970&spell=1


João de Freitas Ferreira de Almeida, esse o meu amigo que tive o prazer de arguir , em 1984, a sua tese de doutoramento, trabalhada em conjunto, as vezes, na sua casa de campo em Sta. Cruz da Trapa, onde a sua Senhora Mãe, a Dra. Dulce de Freitas de Ferreira de Almeida, me acolhera como um filho mais da casa. O hoje Professor Catedrático João Ferreira de Almeida, a quem eu denomino “primo” por causa de haver entre os meus ancestrais consanguíneos há um Hierónimo (hoje escrito com G: Gerónimo) de Freitas, e a sua mãe Dulce, a minha Titucha, solicitou-me um dia se podia-me acompanhar nas minhas viagens. Aliás, eu pedi a ele e a minha amiga da alma, Maria José Maranhão, docente de Geografia do ISCTE, para me acompanharem ao Seminário de Transição, que entre Maurice Godelier e eu dirigíamos desde Paris. Os membros do Seminário já referido e o texto escrito por todos nós, evidenciam a composição cosmopolita do Seminário: Dolors Comás d’Argemir, Juan José Pujadas Muños, de Tarragona, Olinda Celestino do Perú, Philippe d’Escola, actual Director do Collège de France, Marie-Élisabeth Handman do Collége de France,Louis Assier- Andrieu, Universidade de Lyon, Danièle Dehouve na Universidade Autónoma de Barcelona, entre outros. Éramos tantos! Godelier e eu tínhamos a paciência de gerir a academia. Maurice tinha Carisma, eu , paciência. O Seminário criado por mim em Lisboa, referenciado sem nomes no Capítulo 4 deste texto, estava integrado por João Ferreira de Almeida, Maria José Maranhão, o antigo Ministro de Agricultura do 2º Governo Constiucional de Portugal, Fernando Oliveira Baptista, Manuel Villaverde Cabral, o meu falecido orientando, Primeiro Presidente do renovado ISCTE de 1986, Afonso de Barros e Maria Eduarda do Cruzeiro, as vezes, Joaquim Pais de Brito, todos doutorados por mim ou a ou colaborar eu na redacção das suas teses ou em júris sem candidato à vista, para validar doutoramentos realizados fora de Portugal, por causa de exílio, como Manuel Villaverde Cabral, Míriam Halpern Pereira, Teresa Sousa Fernandes, também entre outros. No entanto, a minha intenção nesta nota, era referir ao meu amigo João, que, pela importância que reveste nas Ciências Sociais de Portugal, deveria aparecer ir dentro do texto. Mas como ele não ia gostar, é humilde por ser sabido demais. O seu CV está citado no Currículo DáGois, página web: http://www.degois.pt/visualizador/cv.jsp?key=0648349262871503 , como o de vários de nós. Prestou provas de Doutoramento em 1984, provas de Agregação em 1991, onde debati o programa de aulas em Sociologia das Organizações e Estrutura Social, fundador do projecto FCT Observa, primeiro Presidente do Departamento, ao ser criado em 1986, pós doutor em 2004 e 2º Presidente do ISCTE, durante 12 anos, eleito e reeleito sempre, até ser derrotado em 2005 pelo nosso actual Presidente, Luís Antero Reto. Se ele, no livro da sua tese denominou-me campeão da amizade, eu riposto com estas simples palavra em nota de rodapé. No entanto, devo referir, que o Prof. Ferreira de Almeida foi Presidente do Conselho Científico do ISCTE durante dois mandatos consecutivos, andamos a viajar juntos ao estrangeiro imensas vezes, todo começou em Pau, essa primeira vez. Eu parei de viajar, desde a morte da minha contra parte na França, Pierre Bourdieu, para escrever livros, e ele ainda não para, ensina e também escreve!. Sempre tenho dito com simpatia, andamos sempre pilhados, com seis meses de diferença: idade, sermos avôs, a passagem das nossa Senhoras Mães no mesmo ano, sempre seis meses eu vou primeiro, ele, a seguir...


Maria Eduarda do Cruzeiro, foi, para mim, a melhor amiga de sempre. Trabalhamos a sua tese durante vários anos, como já foi narrado. O que interessa neste minuto é saber como ela é referida para além das minhas recordações, que devem se basear em textos escritos ou trabalho de campo, para comprovar o que se diz. A Senhora Professora Maria Eduarda, está referida na net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Maria+Eduarda+do+Cruzeiro&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , especialmente nas páginas web: http://www.ics.ul.pt/ics/ que referem que o ICS, criado por Sedas Nunes, passou a ser O Instituto de Ciências Sociais, uma unidade orgânica da Universidade de Lisboa e promove um Programa de pós-graduação em Ciências Sociais (Mestrado/Doutoramento). Recentemente foi-lhe atribuído o estatuto de Laboratório Associado do Ministério da Ciência e Tecnologia.


O ojectivo científico do Instituto é definido como: o estudo da sociedade contemporânea, com particular ênfase sobre a realidade portuguesa, bem como as suas relações com a Europa e os territórios históricos da expansão portuguesa. Enquanto Laboratório Associado o Instituto desenvolve duas grandes linhas temáticas: “Cidadania: democracia e solidariedades” e “Desenvolvimento: sustentabilidade e transnacionalidades”. Esta dignidade do ICS, tem sido conquistada pela Professora Maria Eduarda do Cruzeiro, em colaboração com a excelente equipa que orienta. Sei dela, apesar de nunca mais a ter visto. É uma investigadora dedicada e gentil, muito senhora e muito sabia. Não tem perdido essa qualidade a pesar da sua permanente viuvez e dedica, como comentara comigo faz já dois anos, a sua vida ao trabalho, porque viver só, é uma carga muito pesada e triste. Entendo, também para mim!


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José Fernando Madureira Pinto, como eu o denomino, foi o primeiro a ser examinado por mim, ao integrar o seu júri de tese à defender o seu doutoramento. O nosso JJ Laginha queria trazer a TV, porque a sua exaltação era imensa: era o primeiro júri de doutoramento do ISCTE. Felizmente para mim, por estar enervado, a TV não apareceu. Enervado não pelo candidato o a integração de um júri, era por causa de desconfiar que não ia ser capaz de arguir bem em português, essa nova língua para mim, pró Galiza até o fim! Com todo respeito, o Zé Fernando Madureira, pretendia que era mouco e, por gentileza para mim, colocou as suas mãos nos ouvidos para, dizia ele, ouvir melhor. Falara lentamente e pouco –tinha apenas 20 minutos para referir as minhas ideias. De certeza, ele não percebeu tudo, mas foi gentil. Agradeço. Soube responder e disse que ia considerar as minha ideias quando a tese for livro, o que, de facto fez. A minha arguição estava baseada nas suas ideias sobre a religião, retiradas dos ditos camponeses parciais de Fonte Arcada, mesmo sítio que observara com João Ferreira de Almeida, dados e interesses diferentes, textos diferentes também. Madureira Pinto foi examinado por nós em Julho de 1981, Ferreira de Almeida, em Julho de 1984. Compromissos diferentes e duplas pertenças, tinham separado em quase três anos a feitura da tese. Por ter sido uma novidade para o ISCTE a minha forma de arguição, ponderada, positiva, a indicar certas alternativas para poucas ideias, e por ser Doutor da Britânica Universidade de Cambridge, fui escolhido por uma imensidão de pessoas para ser orientador. Fiquei cheio de trabalho! Ajudava ao meu novo exílio, a depressão que ele causava em mim. Quanto ao candidato nesse dia, hoje catedrático, e está referido na página web: http://sigarra.up.pt/fep/FUNCIONARIOS_GERAL.formview?p_codigo=204295 , do sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Faculdade++Economia+Universidade+Porto+Jos%C3%A9+Madureira+Pinto+&btnG=Pesquisar&meta= José Fernando era membro do antigo GIS, após ICS, mas a sua terra reclamava por ele. Formou-se em Economia na Universidade do Porto, foi convidado a trabalhar com Adérito Sedas Nunes ao GIS, enquanto estava a cumprir o Serviço Militar que, nos anos 70, era a guerra com África e, tal como João Ferreira de Almeida, não fugiu ao exílio: patriotas, os dois, ficaram em Portugal. O hoje Professor Catedrático da Faculdade de Economia do Porto, que chefia o grupo por ele formado ou de Ciências Sociais. Por causa de um infeliz acidente, teve que parar o seu trabalho no Exército, que não abandonou, mas acumulou com estudos no ISCEF, ou Instituto Superior de Ciência Económica e Financeiras, onde ensinava também Sedas Nunes. O seu Professor de Introdução ao Direito, era o meu inesquecível colega no ISCTE, Mário Pinto, que recomendou ao Zé Fernando ao saber que Sedas Nunes estava a formar um grupo no antigo GIS, hoje ICS. Madureira Pinto dava as aulas de Economia, mas o chamado da terra foi mais forte do que ficar no novo ISCTE e novo ICS e voltou ao Porto, onde se tinha formado em Economia, sem saber que, a seguir, ia ser Sociólogo, eu diria, um Sociólogo da Economia. A Revista por ele fundada: Sociologia, Problemas e Práticas, na qual eu participei apenas uma vez. A sua tese de doutoramento prova esse o seu anseio pela descoberta da Ciência Social: “Estruturas Sociais e Praticas Simbólico-Idelógicas nos campos. Elementos de teoria e pesquisa empírica”. Referido a mim ao telefone pelo próprio Zé Fernando, o que agradeço. Abandonou Lisboa e acabou a sua tese, tornou ao ISCTE para a defender e é assim que fica referido o Professor Doutor Madureira Pinto. Está referido em detalhe no sítio do motor de pesquisa Google: http://www.google.pt/search?hl=pt- ePT&q=+Faculdade++Economia+Universidade+Porto+Jos%C3%A9+Madureira+Pinto+&btnG=Pesquisar&meta= A Revista está referida em: http://www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?pid=S0873-65292004000300002&script=sci_arttext O seu trabalho, em: http://www.rebides.oces.mctes.pt/Rebides02/rebid_m3.asp?CodD=15094&CodP=1104


(Continua)


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Sábado, 18 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (27)
(Continuação)

Abertamente os sectores mais radicais do MFA, pronunciando-se por uma “prática política realmente isenta de toda e qualquer influencia dos partidos” e pelo afastamento da “equipa dirigente” do Movimento. Umas actuação hábil destas forças moderadas leva à destituição do Primeiro Ministro Vaco Gonçalves, à formação de novo Governo (o VI, chefiado por Pinheiro de Azevedo) e, por fim, à nomeação do Capitão Vasco Lourenço (um dos “nove”) para o comando da região militar de Lisboa, em substituição de Otelo (24 de Novembro).Estas alterações são o rastilho para um último golpe militar, desferido em 25 de Novembro, pelos pára-quedistas de Tancos, em defesa de Otelo e do processo revolucionário. Este golpe, por pouco, não coloca o País numa guerra civil, acaba por se malograr e, com ele, as tentativas da esquerda revolucionária para tomar o poder. Ficava aberto o caminho para a implantação de uma democracia liberal .

Este era o País onde eu tinha entrado. Ainda lembro ter assistido ao rescaldo do funeral do, ainda mo provado, assassínio do Primeiro Ministro Francisco Sá Carneiro cujo avião, como todo o mundo sabe hoje em dia, caiu no aeródromo de Camarate, a 4 de Dezembro de 1980, esse mês que eu visitei Lisboa para proferir conferências na Gulbenkian, no ISCTE e, de passagem, em Compostela. Sá Carneiro era do Partido denominado Popular Democrata ou PPD, que governava em Aliança com o de Freitas de Amaral ou CDS-PP ou Centro Democrático Social-Partido Popular e o de Gonçalo Ribeiro-Telles, o PPM ou Partido Popular Monárquico. Não é estranho encontrar nomes como democrata ou popular, partidos com antecedentes Salazaristas. Como prova, posso citar a vida do Primeiro Ministro de Presidente já eleito e não apenas golpista, António Ramalho Eanes . Em quanto a esquerda de partidos se alinhava, o centro direita também aparece com a figura de Francisco Pinto Balsemão

Era natural estes encontros. O Partido Socialista, de tendência liberal, não se entendia com o Partido Comunista de Portugal, de princípios Marxista Leninista nem com o Movimento de Esquerda Socialista ou MES, o liderado pelo meu antigo orientado de tese, o já falecido Afonso de Barros , meu amigo pessoal e de transmissão de intimidades. Grupo ao qual pertenceu também Armando Trigo de Abreu, nem o Partido Socialista Revolucionário, hoje Bloco de Esquerda, o denominado APU ou Acção Popular Unitária, partido Marxista. O MES nasce bem antes da ditadura salazarista cair durante os anos 60 do Século XX, movimento organizado para se contrapor às ideias fascistas que governavam ao país e agrupava pessoas de diferentes sítios da classe social portuguesa. A estrutura do MES foi auto desmobilizada em 1986, ao ganhar, finalmente, a Presidência de República, esse socialista que eu denomino o Pai de Portugal, Mário Soares . Digo Pai de Portugal, por se ter entregue de forma completa à organização do país, fez entrar Portugal na Comunidade Europeia e alinhou com a Internacional Socialista, quando era militante de base do, ainda, Acção Socialista Portuguesa, deixando para António Almeida Santos a Presidência da Assembleia da República e uma certa condução do PS, reservando para si o cargo de Secretário Geral entre 1973, data da fundação final do PS até 1986, ao ser eleito Presidente da República, ele devia estar suspenso temporalmente e assim ficar Presidente de todos os Portugueses e não apenas dos membros do seu partido, como manda a Constituição português de 1976, revista várias vezes, a última revisão é em 2005 . do qual foi retirada a ideia. Mas o facto é que um Presidente ou outros cargos públicos têm incompatibilidades, definidas pela Procudaria Geral de República, quem define incompatibilidades conforme o decorrer da história, como os casos do acórdão que define incompatibilidades . Normalmente, há dúvidas sobre as incompatibilidades, e é o Tribunal Constitucional quem dirime essas dúvidas .

Mário Soares foi Primeiro Ministro duas vezes, como está referido na nota de rodapé, sob a Presidência de António Ramalho Eanes,já referido, a quem sucedera no cargo de Presidente da República, ao ser eleito em 1986. A corrida à Presidência foi muito renhida. A primeira volta, foi ganha por Diogo Freitas do Amaral. Foi preciso, como estipulado na Constituição, uma segunda volta, entre os dois candidatos com maior número de sufrágios. Nessa segunda volta, com os votantes de Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintasilgo, mais outros retirados da campanha de Freitas de Amaral, Soares ganhou com o 51% dos votos contra o 48% de Freitas do Amaral. Ainda lembro o dia que o meu amigo da alma, João Ferreira de Almeida, nesses dias Presidente do Conselho Científico do ISCTE, me enviara a sede partidária do nosso candidato Soares, a prestar declaração de como eu, refugiado político, tinha sido bem acolhido na República, por causa dos socialistas. Improvisei uma declaração, filmada ao pé do mar e transmitida pela televisão. Foi o meu pequeno contributo ao socialismo português. Mário Soares abriu, como já tenho referido, iniciou o sistema de consulta pública ou Presidências abertas, nas que falava com o povo na rua, ao pé do mar, nas zonas rurais, enfim, em todos os sítios, especialmente os mais desfavorecidos. Esta actividade o levara a ganhar de forma confortável, a segunda corrida à Presidência, onde derrotou aos outros candidatos, Basílio Horta, Carlos Carvalhas e Carlos Marques, com 70% de sufrágios emitidos para ele, é dizer, 3.45.521 . Tinha sido um bom Presidente: ouvia e agia! Não eram os simples passeios para se divertir, que a oposição hilariante e irónica portuguesa, costumava dizer!


Notas:




Este texto, sintetizado e redigido, em partes por mim, é retirado do texto on line: O Tempo da História, História A, 2ª Parte. 12º ano, em: http://lusitania88.blogs.sapo.pt/8932.html , sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Eanes+encabe%C3%A7a+Movimento+Novembro&meta= , em: lusitania88.blogs.sapo.pt/8932.html – História pouco lembrada pelas pessoas com as que faléi, que não conhecem as Alamedas do Homem Livre em Portugal
Para entender melhor a construção e organização de Partido em Portugal e as suas actuáis tendências, era melhor citar: Advogado de profissão, formado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, foi eleito pelas listas da Acção Nacional Popular, o partido único do regime salazarista, para a Assembleia Nacional, o parlamento fantoche do regime, convertendo-se em líder da Ala Liberal , onde desenvolveu diversas iniciativas tendentes à gradual transformação da ditadura numa democracia típica da Europa Ocidental. Colaborou com Mota Amaral na elaboração de um projecto de revisão constitucional, apresentado em 1970. Não tendo alcançado os objectivos aos quais se propusera, viria a resignar ao cargo de deputado com outros membros da Ala Liberal, entre os quais Francisco Pinto Balsemão. Retirado da página Web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_S%C3%A1_Carneiro

A coaligação era assim: Em Maio de 1974, após a Revolução dos Cravos, Sá Carneiro fundou o Partido Popular Democrata (PPD), entretanto redesignado Partido Social-Democrata (PSD), juntamente com Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota. Torna-se o primeiro Secretário-Geral do novo partido.
Nomeado Ministro sem pasta em diversos governos provisórios, seria eleito deputado à Assembleia Constituinte no ano seguinte, e em 1976 eleito para a I Legislatura da Assembleia da República.
Em Novembro de 1977, demitiu-se da chefia do partido, mas seria reeleito no ano seguinte para desempenhar a mesma função.
Em finais de 1979, criou a Aliança Democrática, uma coligação entre o seu PPD/PSD, o Centro Democrático Social-Partido Popular de Diogo Freitas do Amaral, o Partido Popular Monárquico de Gonçalo Ribeiro-Telles, e alguns independentes). A coligação vence as eleições legislativas desse ano com maioria absoluta. Dispondo de uma ampla maioria a apoiá-lo (a maior coligação governamental até então desde o 25 de Abril), foi chamado pelo Presidente da República Ramalho Eanes para liderar o novo executivo, tendo sido nomeado Primeiro-Ministro a 3 de Janeiro de 1980, sucedendo assim a Maria de Lurdes Pintasilgo. Página web da nota anterior, sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Francisco+S%C3%A1+Carneiro+PPD&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= Se o Leitor quer saber mais, a história está toda na net. Se o livro for em formato Net, e suficiente pulsa o sítio em azul e passa a saber mais ou inquirir melhor.

Primeiro-ministro português em 1981-1985. Um dos três fundadores do PPD.
Criador do semanário "Expresso" em 1973 e da estação televisiva SIC. Chamado o Berlusconi português.
Surge o primeiro número do semanário Expresso (6 de Janeiro), dirigido por Francisco Pinto Balsemão, detentor de 50% do capital social, o ex-deputado liberal da União Nacional, que havia sido colaborador directo de Soarez Martinez, como secretário, de Kaúlza de Arriaga, como director da revista Mais Alto da Força Aérea, de 1961 a 1963, e de Adriano Moreira. Tem a ajuda de Marcelo Rebelo de Sousa, como administrador-delegado. Tem o apoio do escritório de André Gonçalves Pereira e é financiado por Manuel Bulhosa, Vasco Vieira de Almeida e Sociedade Central de Cervejas. A primeira manchete traz uma sondagem onde se revela que 63 por cento dos portugueses nunca votaram. Um dos principais colaboradores é Francisco Sá Carneiro, que também participa num colóquio da SEDES sobre Lisboa: monopólio da participação política, juntamente com Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Vilar (15 de Janeiro), pouco antes de apresentar formalmente a renúncia ao cargo de deputado (26 de Janeiro).
Retirado de: http://maltez.info/respublica/portugalpolitico/classepolitica/balsemaofran.htm . O texto citado podia ficar em preto, mas o leitor perde o fio da activação informática da Net, para saber mais destas materias.
Afonso de Barros era um amigo muito pessoal, ele e a sua mulher Maria Carilho, cujas provas de doutoramento eu tive o prazer de examinar, como arguente principal, em 1984.O título e conteúdo da tese era: Forças armadas e mudança política em Portugal no século XX ,para assim convalidar a tese feita no exílio na Itália, com Pietro Sraffa, com o qual estudara .Afonso fez comigo a tese de Doutoramento ao longo de três anos, e a defendeu em 1986. O título era: Do latifúndio à reforma agrária - o caso de uma freguesia do Baixo-Alentejo.a tese é refrida em: http://iscte.pt/departamento/11/4.jsp , sítio onde aparecem todas as teses defendidas em Sociologia nos anos 80 em frente, é o cuidado do Departamento de Sociologia, de se ocupar dos seus membros. Era a época em que havia poucos doutores no autônomo ISCTE, pelo qual integréi os júris da maior parte dos membros desse Departamento.Afonso de Barros foi o primeiro Presidente do ISCTE, entre 1990-1992. Faleceu muito cedo na vida, após um duro cancro, em 1995. Refrido em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Not%C3%ADcia++1995+Faleceu++Afonso+Morais+Sarmento+de+Barros+&btnG=Pesquisar&meta= Obra referida em: iscte.pt/departamento/11/4.jsp - Hoje é apenas o Auditório Afonso de Barros, mas ficou a sua obra, de feliz memória. A tese foi feita de forma etnográfica, com trabalho de campo entre os pequenos agicultores do Alentejo, que ele já tinha estudado antes, mas que não tinha incluido Histórias de Vida e Genealogias, pelo qual o enviei para morar no sítio da pesquisa, o que fez ao londo de um ano. A sua tese, após livro editado pela Gulbenkian. Foi o primeiro Presidente do ISCTE, quando todo começou a mudar e tinhamos Estatutos Novos, estrutura diferente e éramos Universidade autônoma. O Afonso não tinha experiência da Presidência do ISCTE, nunca tinhamos tido essa estrutura, pelo que eu passava imenso tempo a colaborar com ele e dar dicas, tal como fiz, ao começo, com o seu sucessor, João Ferreira de Almeida. A seguir, mais uma vez fui Presidente do Departamento e, infelizmente, tivemos certos desencontros com o meu denominado por mim, “primo”. JFA.
O MES (Movimento de Esquerda Socialista) nasceu da confluência de três movimentos que despontaram e ganharam corpo ao longo da década de 60 ganhando força a partir do simulacro de eleições em 1969: o movimento operário e sindical, o movimento católico progressista e o movimento estudantil.

A cumplicidade entre um numeroso grupo de activistas que actuavam, com autonomia, contra o regime, nestes diversos movimentos sectoriais, foi sendo reconhecida por alguns de nós o que, a certa altura, desembocou na consciência de que estávamos perante um movimento político informal. Daí até à ideia da sua institucionalização foi um pequeno passo.

Lembro sempre entre os esquecidos criadores do movimento o designer Robin Fior, um estrangeiro em Lisboa. Foi ele que desenhou o símbolo do MES, o único, adoptado pelos partidos portugueses, com uma declarada feição feminil. Robin foi também o autor da linha gráfica do jornal “Esquerda Socialista” e concebeu um conjunto de cartazes surpreendentes pela sua ousada modernidade. Texto de Eduardo Graça, em: http://absorto.blogspot.com/2006/05/movimento-de-esquerda-socialista.html , sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Portugal++Movimento+de+Esquerda+Socialista+MES&btnG=Pesquisar&meta=
Mário Soares é referido assim: Mário Soares: 1976 a 1978, 1983 a 1985, como Primeiro Ministro e, a seguir, Presidente da República: Mário Soares: 1986 a 1996 , quando tive a honra se ser convidado a almoçar com ele ao Palácio de Belém, a sede e vivenda do Presidente da República, por causa da visita ao nosso País de Marc Augé, Director da Maison de Sciences de l’Home, e a sua mulher Françoise Heritiér, Presidente do Collège de France ao substituir ao anterior, Claude Lévi-Strauss, instituições onde eu ensinava e trabalhava com Maurice Godelier, Pierre Bourdieu e Marie-Élisabeth Handman, actividades docentes sempre a acabar em livros com todos eles e com o pofessor de Universidade de Lyon, Louis Assier-Andrieu. Aliás, todas as minha actividades fora de Portugal, acabavam em livros, como consta no meu CV. Esse almoço era para assinar um Convénio entre la Maison e os diversos Departamentos de Antropologia do País, todos representados no almoço.Eramos oito: o Presidente de Portugal e a sua mulher, Maria Barroso, Marc Augé e a sua mulher, Françoise Héritier, e os cinco representantes dos Departamentos de Antropologia de Portugal. Eu representava o nosso, com convénio já assinado entre Marc Augé e a minha instituição ISCTE, em 1987, após termos criado a Licenciatura de Antropologia. Foi quando Mário Soares e eu tivemos um debate: referí a religiosidade portuguesa, o Presidente, que tinha inaugurado as actividades de Presidência Aberta, percorria Portugal para falar com o povo e disse-me: “Senhor Professor, mal conhece Portugal, o país não é religioso”, ripostei de imediato: “quem se engana é o Senhor Presidente e não pode governar um país se não sabe o que o País pensa”. O tempo, infelizmente, dar-me-ía a razão, ao se converterem ao Catolicismo ele e a sua mulher, por causa do accidente do filho, conhecido por todos. Maria Barroso costumava me convidar à palestras para clergos e freiras e trazia-me de volta a casa. No trajecto, tentava “convertir-me” ao catolicismo. Eu ouvia e calava. Ofereci a ela um dos meus livros sobre Religião e ficou satisfeita. Não seí se o tem lido ou não,no entanto ela diga que sim e que concorda comigo....mas o que eu digo e todo ao contrário do que ela diz acreditar!


António de Almeida Santos, está referido na página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Almeida_Santos que aderiu ao PS durante os anos 70
O texto íntegro da Constituição está no sítio: http://www.cne.pt/dl/crp_pt_2005_integral.pdf . O que interessa é o Título II, artigos 120 e seguintes.
As incompatibilidades, como princípio, estão na Constituição. As especificidades saõ definidas pela Procuradoria Geral da República, que é mais flexível, como essemplo de incompatibilidades – e o Presidente tem muitos por exercer um cargo eleitivo por sufrágio e da sua exclusividade-há este acordão: ALTO CARGO PÚBLICO
CARGO DIRIGENTE
INCOMPATIBILIDADE
REGIME DE EXCLUSIVIDADE
EXCEPÇÃO
ACTIVIDADE DERIVADA DO CARGO
INERÊNCIA
REPRESENTAÇÃO
ACUMULAÇÃO DE CARGOS
INTERPRETAÇÃO DA LEI
INTERPRETAÇÃO DECLARATIVA
INSTITUTO PÚBLICO
INSTITUTO DE REGIME ESPECIAL
UNIVERSIDADE
INSTITUTO POLITÉCNICO
ESTRITA MEDIDA NECESSÁRIA
APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO
No Despacho da Procuraduria N.º 161/2003, ou, o parecer N.º 54/90, que pode ser consultado. Em geral, pode-se consultar pareceres da Procuradoria no sítio net: http://www.pgr.pt/portugues/grupo_soltas/incompatibilidades/pareceres.htm

O tribunal Constitucional é definido assim: Um tribunal ou corte constitucional é o órgão judiciário cuja principal função é zelar pela correta interpretação a aplicação da Constituição, ou seja, julgar se determinado tema é constitucional ou inconstitucional, emitindo pareceres sobre leis e decretos do poder executivo.Em página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tribunal_Constitucional . O Tribunal Constitucional está definido na Parte VI, Título VI, artgs 221 a 224. Como essemplo, o caso da incompatibilidade extendida aos Presidentes das regiões autónmomas de Portugal, especialmente da Madeira, em que a incomptatibilidade entre Presidente de Região Autônoma e o cargo de Deputado da Assembleia da Madeira, debate que ainda, no dia que escrevo, 4 de Março de 2008, está a decorrer. É a opinião do Presidente da República, como garante da independência nacional, da unidade do Estado,.....Comandante Supremo das Forças Armadas (artigo 120 Constituição Portuguesa, revista em 2005) pode apenas opinar e/ou submeter as suas dúvidas ao tribunal Constitucional e/ou, ao Conselho de Estado, como opina no caso referido o hoje Presidente Anibal Cavaco Silva: Em comunicado divulgado no "site" da Presidência da República, Cavaco Silva explica ter "fundadas dúvidas quanto à constitucionalidade" da lei, aprovada na Assembleia da República e contestada pelo PSD/Madeira, de Alberto João Jardim, por poder violar o Estatuto Político-Administrativo das Regiões Autónomas.
O artigo 7 do artigo 231.º da Constituição, que o Presidente tem "fundadas dúvidas" de estar a ser violado, determina que "o estatuto dos titulares dos órgãos de governo próprio das regiões autónomas é definido nos respectivos estatutos político-administrativos. Retirado do sítio net: http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=286032&visual=26

Para saber mais, visite a página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Soares

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (26)
(Continuação)

Em 1987 Ricardo Lagos funda o Partido pela Democracia (PPD), que veio a ter um papel importante na formação da Coligação de Partidos pela Democracia, movimento que reúne todas as forças partidárias na campanha do «não» ao referendo que derrota Pinochet. A 25 de Abril de 1988 Lagos ganha projecção no país ao participar num programa televisivo em que, de dedo em riste (O dedo de Lagos ) denuncia o ditador de pretender perpetuar-se no poder através do referendo que se efectua em Outubro desse ano. Pinochet é derrotado e Lagos, que mantém a dupla militância no Partido Socialista e no PPD, vem a integrar mais tarde o primeiro governo de coligação presidido por Patricio Aylwin ocupando a pasta da Educação.


Em 1993, Lagos perde as eleições primárias da Coligação para o democrata-cristão Eduardo Frei, que sucede a Aylwin à frente dos destinos do Chile. Neste segundo governo da Coligação, Lagos ocupa o cargo de ministro das Obras Públicas, do que se demite em Agosto de 1998 para se candidatar à Presidência da República.

Com a segunda volta das presidenciais de domingo Lagos torna-se no primeiro presidente do Partido Socialista do Chile desde o sangrento derrube de Salvador Allende, em 11 de Setembro de 1973”(Retirado do jornal Avante na Net: http://www.pcp.pt/avante/1364/6403g1.html

Estou certo, como escritor que sou, faz já tempo, que devia ter colocado esta referência em nota de rodapé, mas foi-me impossível, porque é a ressurreição do Chile de ontem e esses meu tricincos, reivindicados, não apenas para mim, bem como para todos os que sofremos os alvitres de optar por uma via livre para o socialismo...Lagos derrotou ao candidato da UDI ou Unión Demócrata Independiente, o Alcalde (Presidente) da Comuna (Câmara Municipal) de La Reina, antes do meu Reitor que andou comigo no exílio, Fernando Castillo Velasco, da Democracia Cristã, sempre eleito e reeleito anos sem fio e apoiante de Allende, até ter de se exilar por ter aceite uma pasta de Ministro no Governo de Allende que o PDC não queria, já relatado antes.

Estava a dizer que Lagos derrotou na hoje existente Segunda Volta de eleições para a Presidência da República, ao candidato da Unión Demócrata Independiente , partido de ultra derecha chilena, Joaquin Lavín.

Ao acabar a presidência de Lagos, há candidatos da UDI e da Concertação. Mais uma vez, Lavín da UDI, candidata-se à presidência, mas a Socialista Michelle Bachelet ganha em 2007 aos candidatos da direita que, muito embora queriam-se distanciar do denominado cadáver político de Pinochet, não conseguem e os dois perdem a sua candidatura com o triunfo da filha do General Allendista e membro segredo do Partido Socialista, Gastón Bachelet, referido já nas primeiras páginas deste texto. Com todo, é importante situar, mais uma vez, notícias on line dentro do corpo do texto por estarmos a tornar ao Chile de ontem após esse longo período de 19 anos de ditadura e perseguição brutal: Transformado em um réu nonagenário e em um cadáver político, Augusto Pinochet, pela primeira vez desde a volta da democracia, estará absolutamente ausente das eleições chilenas de amanhã.

Detido na sua casa após ser processado por nove crimes da denominada Operação Cóndor, desaforado por outros 29 delitos de crimes de morte e processado por quatro delitos de corrupção, a influência política do antigo governante de facto (1973-1990) se reduz a uma centena de fiéis que o cumprimentaram em seu aniversário de 90 anos, em 25 de novembro.

Em teoria, por não ter sido condenado, o exonerado ditador, pelas cortes europeias, poderia votar, autorizado pelo juiz que ordenou a sua detenção. Mas, a 24 horas do pleito, ignorava-se o facto dos seus advogados tiverem solicitado tal permissão.

Para os analistas, há dúvidas se o general, que se vangloriava de que no Chile não se movimentava uma folha sem que ele o soubesse, tem preferência por um dos quatro candidatos que disputam quem será o próximo presidente do Chile.

Os candidatos da direita, Joaquín Lavín e Sebastián Piñera, assim como disputaram palmo a palmo a votação do sector, com a meta de passar a uma eventual segunda volta com a candidata governamental Michelle Bachelet, também competiram para mostrar a maior distância possível do nonagenário militar.

Lavín passou de entusiasta defensor da "obra" do general a alguém que declarou que cada vez sente "mais distância" daquele período, enquanto Piñera sublinhou permanentemente seu apoio ao "não" no plebiscito de 1988, quando os chilenos rejeitaram a continuidade do regime.

Em outubro do ano passado, por causa de razões de saúde, Pinochet já não votou nas eleições camararias. De facto, a última vez que votou - no primeiro horário, impecavelmente vestido de civil e rodeado de jornalistas e guarda-costas - foi nas eleições legislativas de 11 de dezembro de 1997.

Na época ainda era o Comandante em Chefe do Exército e sua influência política se tinha feito sentir desde que se viu forçado a deixar o poder, em março de 1990, assumindo a Presidência o democrata-cristão Patricio Aylwin.

Aylwin foi eleito em Dezembro de 1989, um ano e dois meses depois do plebiscito de 1988, com o qual Pinochet planejava continuar na Presidência até 1998 e quando, apesar sua derrota, adoptou as garantias asseguradas pelo marco constitucional democrático "protegido" que ele tinha desenhado.

Um marco que lhe assegurava a chefia do Exército até março de 1998 e, após isso, um assento vitalício no Senado.

Ao começar o Governo de Aylwin, Pinochet advertiu que "no dia em que um de meus homens forem tocados, acaba o estado de direito”, o que levou à prática, duas vezes nesse período (1990-94), de mobilizações militares que ficaram conhecidas como "o exercício de enlace" e "o boinazo", com tropas na rua.

Claro que tais acções foram simples manobras para tentar travar a investigação do obscuro negócio dos "Pinocheques" --o pagamento de US$ 3 milhões do Exército a Augusto Pinochet Hiriart, filho maior do antigo ditador, como intermediário na compra de uma fábrica de fuzis.

Nas eleições presidenciais de dezembro de 1999, com o segundo turno marcado para 16 de janeiro entre Ricardo Lagos e Joaquín Lavín, Pinochet estava preso em Londres, com o seu poder em declive.

Retornou ao Chile em março de 2000, após 17 meses de detenção na capital britânica, a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón, poucos dias antes da tomada de posse Presidencial do candidato eleito, o Socialista Ricardo Lagos.

Seu retorno marcou um aprofundamento de seu ocaso político, pois as queixas judiciais contra o antigo ditador se multiplicaram até somar mais de 300, foi desaforado e processado pelo juiz Juan Guzmán no caso da Caravana da Morte e, em meio ao descrédito, teve de renunciar a sua cadeira de senador.

O resto é história recente: acossado pela Justiça, sua defesa teve de recorrer a sua "demência subcortical" para libertá-lo dos processos e, com frequentes idas ao hospital, optou por mudar-se definitivamente para sua residência de inverno.

O desejo de sua vida, de dias plácidos rodeados de netos e saudado em seus aniversários por antigos colaboradores que ainda lhe guardavam devoção, foi abaixo quando, em meados do ano passado, soube-se que apesar sua idade, continuava administrando uma fortuna de origem desconhecida em contas secretas no exterior.

Até os que haviam justificado as piores violações dos direitos humanos de sua ditadura não perdoaram Pinochet por ser corrupto e tomaram rapidamente distância, até deixá-lo na solidão que sofre hoje .

É evidente que a minha liberdade de escritor, permite-me citar a sua biografia dentro do texto, pela importância que tem a sua história de vida: É a segunda filha da antropóloga Angela Jeria e do General de Brigada aérea, Alberto Bachelet.

Seu pai, colaborador do Governo do socialista Salvador Allende, morreu sob tortura na prisão depois do golpe militar de 11 de setembro de 1973, e isso marcou a vida da nova presidente.

Quando começou a ditadura de 17 anos (1973-1990), ela cursava o quarto ano de Medicina na Universidade do Chile, tinha 22 anos e era militante das Juventudes Socialistas (JJCC).

A poucos dias do golpe, a jovem e seus companheiros de partido se organizaram para apoiar os perseguidos e, da clandestinidade, fazer oposição a Pinochet.

Um ano depois da morte de seu pai foi detida junto com sua mãe pela Polícia secreta e transferida para a "Villa Grimaldi", o pior centro de detenção da ditadura.

"Separaram-me da minha mãe. Começaram a me interrogar.

Torturaram-me... para mim, é difícil lembrar, como se tivessem bloqueado minhas más lembranças. Mas o que me aconteceu não foi nada perto do que sofreram outros", disse em entrevista.

Após serem liberadas, mãe e filha viajaram exiladas para a Austrália e depois a República Democrática Alemã, onde prosseguiu os estudos de Medicina na Humboldt Universität, de Berlim.

A actual presidente eleita voltou ao país em 1979, retomou seus estudos, obteve na Universidade do Chile o título de médica cirurgiã em 1982 e, a seguir, especializou-se em pediatria e saúde pública.

Também retomou a actividade política, trabalhou pelo retorno à democracia e colaborou com organizações não- governamentais que davam assistência a filhos de torturados e desaparecidos.

Com a restauração da democracia, em 1990, incorporou-se ao Ministério da Saúde, no qual desempenhou diversos cargos.

Filha de general, familiarizada desde criança com assuntos militares, Bachelet se interessou pela normalização das relações entre civis e militares.

Essa inquietação a impulsionou a realizar um curso sobre estratégia militar na Academia Nacional de Estudos Políticos e Estratégicos (Anepe).

Em 1997, fez outro curso no Colégio Interamericano de Defesa, em Washington, especialização que lhe permitiu trabalhar, no seu retorno a Chile, como assessora do Ministério da Defesa.

Paralelamente, Bachelet, que nunca deixou sua militância política, ocupou altos cargos no partido até que em março de 2000 o recém eleito Presidente da República, Ricardo Lagos, a convidara para ser membro do seu gabinete como Ministra da Saúde.

Notas:
 
Joaquin Lavin faz o possível para se demarcar do regime do Pinochet, mas a História da UDI é outra, que passo a citar: Unión Demócrata Independiente (conocida también por su acrónimo UDI) es un partido político chileno de derecha, surgido el 24 de septiembre de 1983, durante el régimen militar de Augusto Pinochet, para apoyar el gobierno y su continuidad. Su ideólogo fue el político Jaime Guzmán y sus orígenes se remontan al movimiento gremialista de 1966, caracterizado por sus posiciones favorables al libre mercado y su punto de vista conservador cercano a los valores cristianos en asuntos morales. Aunque sus adversarios dicen que el partido está implantado en la clase alta chilena, su origen «cosista» está centrado en el acercamiento a los sectores de clase baja y media.



En las últimas elecciones parlamentarias de 2005, la UDI obtuvo un 22,36% de los votos en la elección de diputados, siendo el partido con más sufragios del país. A partir de 2006 tiene 34 diputados y 9 senadores. La UDI es el partido político con mayor representación en el senado y en la cámara de diputados. Forma junto al partido Renovación Nacional, la coalición política Alianza por Chile. Por outras palabras, o ideólogo dos Liberais Conservadores do antigamente, é o ideólogo de Alessandri Rodríguez e da continuidade no poder do ditador. Ainda que experimente demarcar-se do Ditador, acaba por ser sempre identificado com ele, especialmente pela sua aliança com o partido Renovación Nacional, que teve um candidato oficial da ditadura, para as primeiras eleições de 1989, candidato já referrido, como derrotado por larga maioria pelo Primeiro Presidente eleito legalmente, Patrício Aylwin.

Digo segredo, apenas porque nenhum militar no activo pode pertencer a um partido político. A missão deles é defender ao País e é suposto que, se é parte de um grupo, defendería apenas aos seus...Factos que hoje em dia, não existem na maior parte dos Países Democratas


Retirado da página web: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u90368.shtml ou Folha on-line, do Brasil, do dia 10/12/2005. O ditador morre a seguir, como já referido, no Domingo da comemoração dos Direitos Humanos, esse domingo 10 de Dezembro de 2006, ano em que a primeira mulher acede à Presidência do Chile. Michelle Bachelet, que diz: Michelle Bachelet, a primeira Presidente eleita do Chile, é pediatra, filha de um general torturado pela ditadura, exilada e ex-ministra da Defesa.

A futura chefe de Estado, de 54 anos, concentra "todos os pecados capitais no Chile" por ser mulher, socialista, separada e agnóstica, ironizou ela durante a campanha eleitoral.


Esta médica cirurgiã, pediatra e epidemióloga da Universidade do Chile domina seis idiomas, casou-se duas vezes e é mãe de três filhos. Retirado do jornal Últimas Notícias, Santiago do Chile,

A história da Universität Humboldt de Berlim, é narada em português na página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_Humboldt_de_Berlim


(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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