Quarta-feira, 23 de Março de 2011
Reacção contra o cultismo e o conceptismo

 

 

 

 

 

 

 

 

João Machado

 

 

Este ano comemora-se o centenário do nascimento de vários vultos do neo-realismo. Umas terão mais destaque, como Alves Redol e Manuel da Fonseca, outras menos, como Políbio Gomes dos Santos e Afonso Ribeiro. Estas comemorações revestem-se da maior importância para a cultura portuguesa, e não apenas para os admiradores do neo-realismo. Convém recordar a propósito que o neo-realismo, na literatura, e na arte em geral, se afirmou como a expressão do primado do conteúdo sobre a forma, em oposição a outras correntes tidas como tendencialmente inócuas.

 

Sem querer, para já, entrar mais fundo nesta questão, há que recordar que este conflito entre forma e conteúdo vem na continuação de um diálogo permanente entre a vontade de fazer sentir, de dar a conhecer a outrem (aos leitores, aos espectadores, aos ouvintes) problemas, situações, sentimentos, e a procura da melhor maneira, da maneira mais agradável ou mais eficaz de o fazer. A reacção ocorrida no século XVII contra os estilos chamados de cultista ou culto, e de conceptista inscreve-se neste diálogo, por vezes francamente conflituoso. O professor Hernâni Cidade (1887-1975), no prefácio à colecção de poesias do século XVII, oriundas principalmente da “Fénix Renascida”, intitulada A Poesia Lírica Cultista e Conceptista, editada por Textos Literários, diz que o cultismo e o conceptismo são duas expressões de um conceito de poesia fundamentalmente idêntico, integrado no estilo da época barroca, que a reduz a uma actividade puramente lúdica. Mas na altura já havia quem discordasse deste conceito. Exemplo será a poesia, de que a seguir se transcreve uma parte, incluída naquela colecção, que terá sido composta por Diogo Camacho (Pegureiro do Parnaso):

 

Que o verso culto e claro

Sempre o julgava Apolo por mais raro;

Mas, porém, que não fosse

Tão claro que ficasse de água doce.

Não vês (dizia a Ninfa

Ao som da corrente e clara linfa)

Que o mundo é mais formoso

Quando se mostra o Sol mais luminoso?

Não vês que não deseja alguém a fonte,

Quando os enxurros tem que vêm do monte?

Porém, depois que clara, limpa e pura

Por entre as flores do jardim murmura,

Não há boca tão bela,

Que não queira molhar os lábios nela.

Quem quer fazer escura uma poesia

Tem mais amor à noite do que ao dia.

São lastimosas mágoas

Turbar as fontes e beber das águas.

Seja o conceito fundo,

Mas que possa entendê-lo todo o mundo;

Que não perde a beldade

O Sol, por ter mais luz e claridade.

Por escárnio somente ou zombaria

Se pode escurecer qualquer poesia.

 

 

 



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Segunda-feira, 14 de Março de 2011
Voz Que Escuta, de Políbio Gomes dos Santos

Apresentamos novamente este texto para recordar o centenário deste grande poeta, com uma obra escassa, mas que merece ser lembrada. 

João Machado

 

 

No corrente ano de 1911 faz cem anos que nasceu Políbio Gomes dos Santos. No mesmo ano nasceram Manuel da Fonseca e Alves Redol, conforme já foi lembrado aqui no VerbArte. Políbio Gomes dos Santos faleceu em 1939, de tuberculose. No mesmo ano concorrera aos Jogos Florais Universitários de Coimbra, vencendo o prémio António Nobre, com um volume de poemas que mais tarde foi incluído no Novo Cancioneiro, e publicado em 1944. Esse volume tomou o título de Voz Que Escuta, de um dos poemas nele incluídos. Políbio Gomes dos Santos publicara anteriormente, em 1938, As Três Pessoas, outro livro de poemas, que Alexandre Pinheiro Torres, na apresentação que faz do poeta e da sua obra, incluída na edição da Caminho do Novo Cancioneiro saída em 1989, considera indispensável ler para se poder apreciar inteiramente o segundo volume da obra. 

 

Apresento-vos a seguir Poema da Voz Que Escuta, para recordarmos Políbio Gomes dos Santos e a sua obra, neste ano em que se completa o centenário do seu nascimento:

 

Chamam-me lá em baixo.

São as coisas que não puderam decorar-me:

As que ficaram a mirar-me longamente

E não acreditaram;

As que sem coração, no relâmpago do grito,

Não puderam colher-me.

Chamam-me lá em baixo, 

Quase ao nível do mar, quase à beira do mar,

Onde a multidão formiga

Sem saber nadar.

Chamam-me lá em baixo

Onde tudo é vigoroso e opaco pelo dia adiante

E transparente e desgraçado e vil

Quando a noite vem, criança distraída,

Que debilmente apaga os traços brancos

Deste quadro negro - a Vida.

Chamam-me lá em baixo:

Voz de coisas, voz de luta.

É uma voz que estala e mansamente cala

E me escuta. 

 

 



publicado por João Machado às 10:10
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Sábado, 12 de Março de 2011
Prosódia, por João Machado

 

 

 

 

 


 

 

Segundo o Dicionário da Academia o termo prosódia provem do latim prosódia ‘acento’< grego προσψδία ‘acento sobre as vogais. Refere-se à pronúncia das palavras, incluindo a variação de tom, entoação, débito, pausa, acento, ritmo, intensidade … Diz ainda o Dicionário da Academia que prosódia, na linguística, é a área da fonologia que estuda a pronúncia correcta das palavras.

 

Na verdade, não se trata de uma palavra de uso frequente. No Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, José Pedro Machado informa que prosódia vem realmente do grego prosódia, “canto de acordo com; canto para acompanhar a lira; acento prosódico; acento tónico; tudo o que serve para acentuar em linguagem (aspiração, acento prosódico das sílabas, apóstrofo, etc.)”, pelo latim prosódia, “acento tónico, quantidade das sílabas”; por via culta. No Dicionário Morais aparece na segunda edição, de 1813. Para continuarmos com o José Pedro Machado, no seu Dicionário da Língua Portuguesa dá-nos mais significados, alguns aparentados com os que já referimos acima, tais como “canto com que se acompanha um instrumento”, “acentuação que se põe nas vogais”, “parte da fonologia que trata da pronúncia correcta dos fonemas combinados para a formação dos vocábulos”, “conjunto de regras sobre a quantidade das sílabas”, “parte da gramática que trata da pronúncia das palavras”, “conjunto de regras relativas à quantidade de vogais nos versos”, “boa ligação das palavras com os acentos melódicos, de forma a que as sílabas longas e breves mantenham a acentuação própria”. Refere ainda que, no campo da música, diz respeito ao “conjunto de regras que dizem respeito à acentuação, ao metro e ao ritmo das palavras destinadas a ser compostas em música e à concordância daquelas com a acentuação e o ritmo próprio da música”.

 

A Enciclopédia Collier’s dedica ao termo prosody um vasto artigo, da autoria de Paul F. Baum. Sobre este autor não possuo qualquer referência. Contudo, o artigo, bastante longo, trata muitos aspectos interessantes. Define prosody como a arte e a ciência, o estudo e a prática da versificação. Acrescenta que às vezes é olhada meramente como sinónimo da métrica ou das formas métricas usadas quando se escrevem versos. Mais adiante, depois de recordar que todo o discurso humano é uma série ou uma continuidade de sons e de silêncios, e que os sons têm as propriedades acústicas com intensidades ou força comparáveis entre si (acento, tom), durações comparáveis entre si (comprimento, quantidade), e também entoações comparáveis entre si, assinala que os sons são agrupados de modo a formar ritmos. E que isso sucede na prosa e no verso.

 

É claro que o ritmo na linguagem resulta da tendência do espírito para a ordem. A ordenação da linguagem facilita a comunicação. Daí que, por exemplo, o uso da métrica na poesia tenha como objectivo apoiar a comunicação de uma ideia, de uma mensagem, de um sentimento. Na prosa ou no verso, no estilo dos melhores autores encontram-se exemplos que demonstram a importância do problema. Seja permitido aqui referir outro exemplo, mas desta vez de uma reflexão da importância da matéria subjacente a este problema: o discurso de Almeida Garrett ao Conservatório Real, em 1843, sobre o Frei Luís de Sousa, em que descreve o seu percurso como autor desde a ideia inicial até à conclusão da peça. Nomeadamente quando opta por escolher a forma do drama em vez do verso para narrar aquela história tão trágica.

 

Voltar a abordar este assunto poderá contribuir para continuar no nosso blogue a discussão à volta da origem e da necessidade da arte. É claro que o termo prosódia, tão antigo, apareceu da discussão à volta destes temas. 



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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011
Canção de Hans, o marinheiro, de Manuel da Fonseca

 

 

 

 

 

 

 

 

João Machado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este ano comemora-se o centenário do nascimento de Manuel da Fonseca, escritor multifacetado, vulto grande das nossas letras. Poeta, romancista, contista, autor de crónicas e ensaios, com incursões no teatro e no cinema, é obrigatória a sua recordação. O Estrolábio e, claro, o  não podem deixar de participar activamente nos trabalhos comemorativos. Embora o seu nascimento tenha ocorrido num dia 15 de Outubro, daqui a vários meses, vai sendo tempo de começar o trabalho. O tempo é pouco para relembrar a sua obra. Apresentamos a seguir um dos seus poemas, publicado em 1940, em Rosa dos Ventos. Notem o acentuado lirismo que o impregna, uma constante na obra poética de Manuel da Fonseca,  que haveria de o casar admiravelmente com elementos de participação social, conforme assinala Sílvio Castro, em Poesia do Socialismo Português.

 

 

Canção de Hans, o marinheiro

 

 

Se tu soubesses

que em todos os portos do mundo

há uma mão desconhecida

a acenar - adeus, adeus - quando se parte prò mar;

se tu soubesses

que o mar não tem fronteiras nem distâncias

é sempre o mar;

se tu soubesses

a noite nas águas

onde os barcos são berços

e os marinheiros meninos a sonhar;

se tu soubesses

o desamor à vida quando o vento grita temporais

e a morte vem abraçar os homens na espuma das vagas;

se tu soubesses

que em todos os portos do mundo

há um sorriso para quem chega chega do mar;

se tu soubesses vinhas comigo prò mar

embora as nuvens do céu

e os ventos que vêm do Este e do Oeste, do Sul e do Norte

digam ao mundo que vai haver o temporal maior que todos!

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011
Nota a uma memória presente ao Conservatório Real por Almeida Garrett

 

 

 

 

 

 

 

João Machado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em 6 de Maio de 1843 Almeida Garrett, numa conferência do Conservatório Real de Lisboa, leu uma memória que girava à volta da apresentação da peça Frei Luís de Sousa, estreada nesse ano, num espectáculo de natureza privada, e publicada no ano seguinte. Na memória Almeida Garrett diz, a dada altura:

 

"Nem pareça que estou dando grandes palavras a pequenas coisas: o drama é a expressão literária mais verdadeira do estado da sociedade: a sociedade de hoje ainda se não sabe o que é: o drama ainda se não sabe o que é: a literatura actual é a palavra, é o verbo, ainda balbuciante, de uma sociedade indefinida, e contudo já influe sobre ela; é, como disse, a sua expressão, mas reflecte a modificar os pensamentos que a produziram".

 

Almeida Garrett fez várias notas em relação a esta memória. Reproduzo a seguir uma, elaborada em relação ao trecho acima transcrito:

 

"Esta contínua e recíproca influência da literatura sobre a sociedade, e da sociedade sobre a literatura, é um dos fenómenos mais dignos da observação do filósofo e do político. Quando a história for verdadeiramente o que deve ser - e já tende para isso - há de falar menos em batalhas, em datas de nascimentos, casamentos e mortes de príncipes, e mais na legislação, nos costumes e na literatura dos povos. - Quem vier a escrever e a estudar a história deste nosso século nem a entenderá nem a fará entender decerto, se o não fizer pelos livros dos sábios, dos poetas, dos moralistas que caracterizam a época, e são ao mesmo tempo causa e efeito de seus mais graves sucessos.

 

Nossos bárbaros avoengos não conheciam outro poder senão a força - a força material; daí não historiaram senão dela. As rapsódias de história legislativa e literária que algum adepto redigia, mais por curiosidade ou por espírito de classe do que por outra coisa, não eram obras populares, nem foram nunca havidas por tais, nem por quem as escrevia, nem por quem as lia. Assim tão difícil é hoje o trabalho de ligar e comparar umas histórias com outras para achar a história nacional. Mas deve ser muito estúpido o que não vir melhor a história de D. Manuel em Gil Vicente do que em Damião de Góis, e a de el-rei D. José nas leis do Marquês de Pombal e nos escritos de José de Seabra do que nas gazetas do tempo, ou ainda nas próprias memórias mais íntimas de seus amigos e inimigos.

 

Nas obras de Chateaubriand e de Guizot, de Delavigne e Lamartine, nas de Vítor Hugo e até de George Sand, nas de Lamennais e de Cousin está o século dezanove com todas as suas tímidas saudades do passado, seus terrores do futuro, sua desanimada incredulidade no presente. Falo da França porque é o coração da Europa: de Lisboa a São Petersburgo, daí ao Rio de Janeiro e a Washington, os membros todos do grande corpo social dali recebem e para ali refluem os mesmos acidentes da vida".

 

Reproduzi estes textos das Doutrinas de Estética Literária, de uma edição dos Textos Literários, publicada em 1961, com prefácio e notas de Agostinho da Silva. Não reproduzi algumas notas feitas por este, bastante explicativas, mas não indispensáveis para mostrar a actualidades destes escritos de Garrett.



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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011
Ana Cristina Silva, uma escritora portuguesa

 

 

João Machado

 

 

 

 

 

Acabei de ler há dias um romance da Ana Cristina Silva, As Fogueiras da Inquisição. Trata-se de um romance histórico, centrado no problema da Inquisição e das perseguições aos judeus e cristãos novos. A autora faz a reconstituição histórica da época partindo da observação que dela fazem duas mulheres, avó e neta.

 

A Ana Cristina Silva nasceu em 1964, em Vila Franca de Xira. É professora no ISPA - Instituto Superior de Psicologia Aplicada há 19 anos. Doutorada em Psicologia da Educação, lecciona as cadeiras de Psicologia da Comunicação e da Linguagem, e é responsável por seminários de estágios. Da sua experiência consta também trabalho de campo, como psicóloga, integrada no PIPSE - Programa Interministerial de Promoção do Sucesso Escolar. Vive aqui em Vila Franca de Xira. Para já, é sobre a sua obra literária que vos convido a debruçar.

 

Apresento-vos uma lista das suas obras principais:

 

 

Não-ficção

 

Como ensinar a estudar. Editorial Presença. 1998.

 

Até à descoberta do princípio alfabético. Gulbenkian. 2003.

 

Ficção

 

Mariana, todas as cartas. Gótica. 2002.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Mulher Transparente. Gótica. 2003.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bela. Ambar. 2005

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

À Meia Luz. Ambar. 2006.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As Fogueiras da Inquisição. Editorial Presença. 2008.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Dama Negra da Ilha dos Escravos. Editorial Presença. 2009.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Crónica do Rei Poeta Al-'Um 'Tamid. Editorial Presença. 2010.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nos seus romances, Ana Cristina Silva procura quase sempre mostrar-nos o mundo através de uma visão feminina, partindo de alguém que participa directamente nos factos narrados. A excepção será À Meia Luz. A reconstituição das várias épocas históricas e dos diversos ambientes em que decorrem os enredos que nos apresenta é muito interessante, denotando um trabalho de pesquisa cuidadoso. A efabulação e a intensidade dramática são convincentes, fazendo com que as suas obras sejam de boa leitura, não se tornando cansativas. Leiam, e digam a vossa opinião.



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Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011
Um livro que eu li. Um desafio à leitura.

 

 

 

 

 

 

 

 

João Machado

 

Somerset Maugham e Maquiavel – alguns comentários à roda de um livro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Julgo que nos anos quarenta, William Somerset Maugham (1874-1965) escreveu um romance com Maquiavel (1469-1527) como personagem central, inspirado na peça que este escreveu, La Mandragola. Partindo do enredo da peça, Somerset Maugham por seu turno tece um enredo, em que Maquiavel tem um papel central, o do pretendente a sedutor, mas dá à história um tom humorístico, pondo o cínico e experimentado florentino a ser ultrapassado na recta final de um modo divertidíssimo, por outro candidato, muito mais jovem. Este romance que, vocês têm de ler se ainda não o fizeram, foi traduzido para português por Erico Veríssimo, em 1948. Em Portugal saiu na colecção Miniatura, em data que não consigo precisar. Também não consegui descobrir o título em inglês (terá sido Then and Now? Este romance foi publicado em 1946, e nunca o encontrei).

 

Somerset Maugham foi um autor extremamente prolífico, que escreveu peças de teatro, romances (os mais famosos foram Of Human Bondage e The Razor’s Edge), e contos. Nesta última modalidade foi um mestre, e deixou centenas deles, alguns deles muito famosos como The Lunch. Teve colaborações em jornais, revistas, etc. Foi sem dúvida um escritor de grande talento, que dominava as melhores técnicas da sua arte. Muito observador e perspicaz, chegou trabalhar com os Serviços Secretos do seu país, tendo escrito Ashenden, com base nesta experiência. Como curiosidade, já li uma referência sobre a influência que este trabalho terá tido sobre Ian Fleming, o criador de James Bond. Mas alguns opinam que Somerset Maugham, culto e talentoso como era, no seu trabalho não foi um escritor original, inspirando-se por vezes na obra de outros autores, como Dickens e Wilde.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De qualquer modo, este romance, Maquiavel e a Dama, é extremamente agradável e lê-se com grande facilidade. Um aspecto de grande interesse é a reconstituição do ambiente e da vida da época que o autor nos oferece, acompanhada de elementos históricos importantíssimos, nos quais o enredo se encaixa facilmente. Consegue-se ter uma imagem de Maquiavel muito verosímil, dando-lhe uma faceta humana, sem de modo nenhum o querer transformar num bom rapaz (que ele realmente nunca deve ter sido). A propósito, recordo-lhes que La Mandragola é tida como uma das melhores comédias escritas no século XVI, e que o ensaísta inglês Macaulay (1827) chegou a opinar que Maquiavel, se se tivesse dedicado ao teatro, poderia ter sido um dos maiores dramaturgos de todos os tempos. Terá exagerado, na medida em que Maquiavel fez outras incursões no teatro, que não foram tão felizes. Mas ele dedicou-se foi à política. Ainda, a propósito, para os que gostam, descubram o que o historiador inglês Lorde Acton (1834-1902) escreveu sobre Maquiavel, na introdução a uma edição de Il Principe, de 1891, da Clarendon Press, Oxford.

 

É preciso lembrar que Maquiavel foi o primeiro pensador que analisou a política e os fenómenos sociais, sem se apoiar na ética ou na jurisprudência. Foi contra os princípios aristotélicos dominantes na altura em que viveu, segundo os quais a política era uma mera extensão da ética. Acho que o Somerset Maugham, de um modo afável e divertido, nos dá neste romance uma ideia muito razoável do homem e da época.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 30 de Janeiro de 2011
O Babelia atingiu o número 1000

 

João Machado

 

 

Parabéns ao El País. Babelia, o seu suplemento cultural atingiu o número 1000, no passado dia 22 de Janeiro. Publica-se todos os sábados, desde 19 de Outubro de 1991. Trata-se de um anexo daquele grande jornal, talvez o melhor de Espanha, mas de um anexo que em muito contribui para o prestígio do El País pelo mundo fora. Na minha opinião, este jornal já conheceu melhores dias, mas o Babelia tem-se mantido a um nível excelente. Este número Mil é prova evidente desse nível. É Mil com M grande. Inclui variados trabalhos que vão desde o prólogo do novo livro de Vargas Llosa e de análises sobre o pensamento actual, o estado da literatura espanhola, selecções de livros publicados em Espanha nos últimos vinte anos, de filmes e de músicas, escolhas de editores em relação a obras marcantes no seu trabalho, passando por dois magníficos artigos sobre arquitectura e urbanismo (um, El Futuro de la Arquitectura, de Norman Foster, e outro, Edificios Adaptables, da iraquiana Zaha Hadid e de Patrik Schumacher, que me parecem de grande interesse), até um "diálogo politeísta", entre Umberto Eco e Javier Marías. Remata com uma deambulação de Manuel Vincent, Y los orígenes de Babelia, ligando o Babelia, suplemento do El País, à lenda da torre de Babel.

 

Com a devida vénia ao El País, reproduzimos abaixo a capa do número um do Babelia, e a seguir um conjunto de capas que apareceu no número Mil.  Por este conjunto ficam com uma ideia da enorme variedade de matérias que tem abordado, ao longo dos seus quase vinte anos de vida. A literatura, a música, arquitectura, fotografia, teatro, desenho, cinema, arte, pensamento, moda, são matérias que trata regularmente. Encontramos ali, como diz numa nota Ángel S. Harguindey, de tudo como na botica. E eu, leitor regular, acrescento, também a sociedade e a vida em geral.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Artexto - texto de João Machado, quadro de Adão Cruz

 

 

 

 

 

As personagens que o Adão pinta são abstractas, mas apresentadas sempre em posições e expressões muito fortes, que denotam conflito e angústia. A angústia e o conflito que são a nossa vida diária. Estão em luta, que a vida é uma luta. E assim sentimos as personagens tão abstractas, mas tão perto de nós. O Adão envolve-as com cores fortes, quentes. É o calor que ele lhes quer transmitir, a essas personagens que vivem e sofrem. As cores são o sangue que corre entre o pintor e os personagens, contêm o fogo que anima os seres pensantes. O fogo que Prometeu foi tirar ao céu. Mas descansa Adão, que nós estamos cá, e lutaremos com os deuses ao teu lado.

 

O Adão lembra-se dos meninos da Guiné, dos doentes no hospital, de todos nós,  e pinta, pinta ... Quer levar-lhes  (trazer-nos) o calor que os possa manter vivos ... vivos para sempre! Neste quadro, três mulheres tocam uma música em honra de um homem que apenas está presente pelo chapéu. Será que, em vez de fiarem o seu destino, tocam uma melodia para melhor o conduzirem? Aonde? Cloto fiava, Láquesis separava os fios, e Átropos cortava-os. E estas? Como combinam entre elas o trabalho de composição da música com que conduzem o nosso destino?



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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011
Comunicação social e democracia – VI - a separação de poderes, base essencial da democracia e do progresso, está a ser posta em causa.

 

João Machado

 

 

 

Há alguns anos atrás, em Inglaterra, um repórter do News of the World foi condenado a uma pena de prisão por, de modo ilegal, ter conseguido aceder a mensagens guardadas no voicemail de um telemóvel. Também foi condenado o detective privado contratado para a execução desta tarefa suja. O Observer do domingo passado, dia 9 de Janeiro, recorda estes factos, mas informa que parece que não se tratou de um caso isolado, ao contrário do que se procurou fazer crer na altura. Existem outras queixas sobre violação de privacidade, eventualmente cometidas por parte do News of the World. Mais: terão ocorrido pressões e mesmos subornos no sentido de as autoridades policiais travarem as investigações relativas a estas queixas, de modo a que não chegassem a tribunal. Outro editor do jornal terá sido suspenso após alegações de cumplicidade em acções de espionagem telefónica, que inclusive terão atingido a família real.

 

Andy Coulson, que na altura em que ocorreu o caso acima referido era editor do News of the World, foi entretanto demitido alegadamente por razões puramente contabilísticas. Actualmente é director de comunicação em Downing Street, depois de ter trabalhado na campanha eleitoral de David Cameron, primeiro-ministro britânico. Este defende energicamente o seu colaborador. Sem dúvida que há que não cair em paranóias persecutórias (uma leitura atenta do Observer deixa claro que a sua posição é de que devem ser evitadas, veja-se o que escreve Henry Porter), mas a cautela requer também que se separem claramente as águas. Nomeadamente quanto à questão do alargamento do império de comunicação social de Rupert Murdoch, proprietário do News of  the World (através da News International e da News Corp), que agora se prepara para adquirir a totalidade do capital da BSkyB, de transmissão por satélite (já detém 39 %). O Observer faz notar que os procedimentos necessários para travar as investigações relativas às queixas contra o jornal só foram possíveis com o envolvimento da poderosa organização que o controla a um nível superior, e requer que  este assunto seja esclarecido antes de ser permitida a tomada da BSkyB pelo império Murdoch. E refere também que o assunto tem de ser levado à Comissão da Competitividade.

 

Recorde-se a este respeito o que se passa noutras paragens: a situação que hoje em dia se vive em Itália resulta em grande parte da promiscuidade existente entre a comunicação social e o poder político. Recorde-se também o que ainda recentemente se passou com Le Monde, com as pressões feitas ao mais alto nível para influenciar a escolha dos novos accionistas. E que métodos ainda mais primitivos estão a ser usados noutros lados. O nosso amigo Júlio Marques Mota publicou no nosso blogue, no passado dia 8 de Janeiro, um post sobre a perigosa situação que se vive na Hungria, onde estão a ser impostas graves restrições à comunicação social, para a impedir de transmitir notícias consideradas hostis pelas forças políticas agora no poder. Entre nós são vários os casos em que se fala de pressões do poder político, e não só, sobre os jornais, rádio e televisão. A propósito do chamado caso Wikileaks, especula-se sobre as penalidades que vão ser infligidas aos mentores da divulgação de documentos, a maioria (para não dizer a totalidade) dos quais devia ter sido divulgada logo na altura em que foram produzidos. Não se ouvem referências a represálias, nem mesmo a simples censuras, aos responsáveis pelos abusos trazidos ao conhecimento do público.

 

Creio não ser exagerado dizer que temo estarmos perante um perigoso retrocesso neste capítulo. É verdade que a análise que o Observer nos apresenta sobre esta situação faz-nos concluir que na Grã-Bretanha ainda se conseguem debater certos assuntos. Simplesmente, há que perguntar: até quando? Será que a maioria das pessoas se apercebem da gravidade desta situação? Ou só uma minoria sente que se está perante uma maneira mais sofisticada de se obter aquilo que antes se impunha através da censura e de um controle feroz?

 

Há que fazer notar que a análise crítica do Observer se estende a todos os participantes nos factos narrados, não poupando colegas de profissão, sem entraves motivados por problemas corporativos. Não creio que, por detrás dessa análise, haja qualquer ideia de prejudicar um competidor, na medida em que se tratam de universos muito diferentes. De qualquer modo, nunca é demais relembrar a necessidade de separar a comunicação social dos estados totalitários, dos grandes grupos económicos que sobrepõem a tudo, incluindo o poder político, das igrejas que desconhecem a separação entre o temporal e o espiritual, etc.. A comunicação social é um poder que tem de servir a todos, e não a interesses particulares.



publicado por João Machado às 16:00
editado por Luis Moreira às 18:04
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Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011
Sistema Nacional de Saúde e Democracia

 

 

 

João Machado

 

 

…"uma nação educada (culta), saudável e confiante é mais difícil de governar" , daí que muitos governantes não desejem um povo culto, saudável e confiante! Baseado no Reino Unido, constitui uma lição de democracia e educação cívica.

 

O nosso amigo e colaborador Carlos Leça da Veiga, que é também um grande médico, encaminhou-nos o vídeo abaixo, acompanhado do texto acima. A frase entre é de Tony Benn, entrevistado neste filme por Michael Moore. Nesta época, em que se põe em causa, em vez de reforçar, um sistema tão importante para o nosso bem-estar (e mesmo para a nossa civilização!), julgo que ver este filme é de grande oportunidade.

 

 

 

 



publicado por João Machado às 16:00
editado por Luis Moreira às 02:07
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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011
Stephen Vizinczey, autor de Verdade e Mentira na Literatura, um livro que eu li

 

João Machado

 

 

Stephen Vizinczey é húngaro. Nasceu em 1933. Começou a escrever muito novo, fazendo poesia, e escrevendo para o teatro. As suas três peças de teatro foram proibidas pelo regime comunista, embora a segunda, uma peça intitulada A Última Palavra, tenha recebido o prémio Attila József. Conta Vizinczey que durante os ensaios apareceu-lhe a polícia política, e confiscou tudo, cenários, roupas, etc. Na sequência da revolta de 1956, esmagada pela URSS, fugiu para o Ocidente.

 

Os seus conhecimentos de inglês eram quase nulos. Aplicou-se na aprendizagem de tal modo que, em pouco tempo, estava a ganhar a vida a escrever argumentos para filmes. Fundou uma revista, Exchange, e trabalhou na rádio. É de notar que, posteriormente, Vizinczey chegou a ser comparado a Conrad e a Nabukov.

 

Escreveu o seu primeiro romance, In Praise of Older Women, que foi publicado em 1965. Vizinczey teve de se desempregar para conseguir vender o livro, pois nenhum editor o tinha aceitado. O livro está traduzido em 21 línguas, e é reeditado regularmente. Foram feitas duas adaptações para o cinema.

 

Em 1968 saiu The Rules of Chaos, um livro classificado como filosófico, baseado num artigo que Vizinczey tinha escrito para The Spectator, indicando as razões porque achava que os EUA iam perder a guerra do Vietname. A propósito, leiam no blogue de Vizinczey (http://stephenvizinczey.blogspot.com) a análise que ele faz sobre a guerra no Afeganistão.

 

Outro romance, An Innocent Millionaire, saiu em 1983, conhecendo também um sucesso apreciável. Em 1986, saiu Truth and Lies in Literature, o livro que li agora (já lá vai um mês), numa tradução de Maria José Marques Figueiredo, edição da Estampa, de 1992. Devo dizer que achei notável. Agrupa vários trabalhos, já saídos na imprensa ou em revistas mais especializadas. Começa por, no prólogo, nos apresentar um texto de 1985, Os Dez Mandamentos de um Escritor, uma fórmula discutível, é certo, mas de leitura interessante. Depois vem uma parte inteiramente dedicada à literatura francesa, até Sartre e Malraux. Permitam-me que dê particular relevo aos escritos de Vizinczey sobre Stendhal, de que ele é um grande admirador (e este humilde estrolábio também). Acho que ele deixa bem claro a importância de Stendhal na literatura, assim como de Balzac. Mas é sobretudo o que ele escreve sobre Stendhal que merece o maior relevo.

 

A seguir debruça-se sobre a literatura alemã, também acho que com grande interesse. Permito-me chamar a vossa atenção para o que Vizinczey escreve sobre Kleist. A comparação que faz com Goethe é de bastante interesse. Depois vem uma parte do livro intitulada Sexo, Sociedade, Política, em que se ocupa de vários temas, analisa um livro de Margaret Mead, uma biografia de Mary Wollstonecraft, e mais livros, incluindo um sobre anarquistas, o Sexual Politics de Kate Millet, e remata com The Confessions of Nat Turner, de William Styron. Tem depois uma parte sobre escritores russos, incluindo Gogol, Tolstoi, Pasternak e Soljenitsyne. Na última parte, O que mais importa, aborda, sempre com muito interesse, Leonardo Da Vinci, Swift, o Dr. Johnson e Boswell, e remata com um ensaio intitulado precisamente Verdade e Mentira na Literatura, que vocês têm que ler e dar a vossa opinião. A propósito, digam-me onde posso encontrar o Contre Sainte-Beuve, do Proust. Leiam o Vizinczey. Dele, só li este livro. Se leram os outros, contem. Para além dos que acima referi, tem um chamado Wishes, sobre o qual não consegui qualquer referência.

 

O Stephen Vizinczey tem um site, http://stephenvizinczey.com.



publicado por João Machado às 16:00
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011
Porque escrevo? (um desafio que vos faço)

 

 

João Machado

 

Porque me sento todos os dias, ou em muitos dias, ou em alguns dias, à frente de uma folha de papel, de um computador, ou de uma máquina de escrever, e neles  tento inscrever uns caracteres? Esta questão, com estas palavras, ou com outras semelhantes, com certeza que muitos escritores opõem a si próprios. E os aspirantes a escritores, talvez ainda mais.

 

No El País Semanal de domingo passado, 2 de Janeiro, vem um trabalho intitulado precisamente Por Qué Escribo?. Jesús Ruiz Mantilla é o responsável do trabalho, que é acompanhado por ilustrações de Eduardo Arroyo. A pergunta foi colocada a cinquenta escritores, na sua maioria espanhóis ou latino-americanos de língua espanhola.

 

As respostas são variadas, de interesse variável, e em sentidos muito diferentes. Por exemplo, John Banville respondeu que escreve por que não sabe escrever. E cita Henry James,  que disse que a arte cria a vida. Ken Follet, em sentido contrário, diz que é fantástico uma pessoa dedicar-se a uma coisa que sabe fazer bem, para além de outras frases muito valorativas. Carlos Fuentes respondeu com uma pergunta: “Porque respiro?” Mas Eduardo Mendoza disse que nunca ninguém lhe tinha feito a pergunta, e que não acredita que tenha o menor interesse.

 

O prémio Nobel Mário Vargas Llosa respondeu (estou a resumir as suas palavras) que supõe que a sua vocação literária foi uma transpiração (transpirácion), um resultado directo da enorme felicidade que dava a leitura. Fernando Iwasaki que escreve porque lê, e graças à leitura nascem riachos e afluentes da torrente dos livros lidos. Alberto Manguel responde que escreve porque não sabe dançar o tango, e também mais uma série de coisas que não sabe (que eu aqui não ponho e que vocês podem ir ler ao El País Semanal, que é giro), das quais a última é “dizer porque escrevo”. Amélie Nothomb diz-nos para ela que escrever é igual a enamorar-se. Umberto Eco respondeu: “Porque gosto”.

 

Use Lahoz acha que a pergunta é uma armadilha, e que na resposta se misturam o prazer e a necessidade. Javier Marías informa-nos que já disse mais vezes que escreve para não ter chefe nem ser obrigado a levantar-se cedo. Rosa Montero diz que escreve porque não consegue deter o torvelinho constante de imagens que lhe atravessa a cabeça. Antonio Tabucchi cita Beckett e Baudelaire para concluir que não tem outra possibilidade. Arturo Pérez-Reverte escreve, diz-nos, porque há 25 anos que é novelista (em português o mais correcto talvez seja romancista) profissional, e vive disso.

 

Ler estas repostas é muito interessante, acho que mais ainda do que as respostas em si mesmas, pois umas são melhores, outras piores. Isto na minha opinião, claro. Desafio-vos a irem ler o El País Semanal, e dizerem o que acharam. Ao fim e ao cabo, vocês também querem escrever, não é verdade?



publicado por João Machado às 16:00
editado por Carlos Loures às 15:51
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Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011
O Voz Ribatejana - um novo jornal no Ribatejo

 

 

 

 

Um novo jornal no Ribatejo, o Voz Ribatejana – Comunicação social e democracia – V

 

João Machado

 

 

No passado mês de Dezembro apareceu na cidade de Vila Franca de Xira um novo jornal, o Voz Ribatejana. Os líderes do projecto, tanto quanto sei, são os jornalistas Jorge Talixa e Paulo Ferreira de Melo. O primeiro foi, durante muitos anos, director do Vida Ribatejana, o segundo, pelas informações que recolhi, também tem experiência de trabalho na zona do Ribatejo.

 

No passado dia 6 de Outubro escrevi no nosso blogue Estrolabio um texto relativo ao encerramento do Vida Ribatejana. Referi que criava uma lacuna grave na zona de Vila Franca de Xira, e mesmo no Ribatejo em geral. O Voz Ribatejana vem tentar preencher essa vaga. Conheço apenas um dos seus dois promotores (devo dizer que já o conheço há largos anos, e tem bastante experiência) mas, mesmo sem os consultar previamente, ouso dizer que é esse o seu grande objectivo, de grande importância para a região. Aqui efectivamente faz falta um jornal independente, conduzido por jornalistas que conhecem o ofício. O Voz Ribatejana poderá sem dúvida desempenhar esse papel. Apresenta-se como um jornal quinzenal (o Vida Ribatejana era semanal), tendo publicado dois números no mês passado, Dezembro de 2010. Hoje, dia 5 de Janeiro de 2011, deverá ser posto à venda o terceiro número.

 

É sem dúvida cedo para se formular uma opinião sobre a qualidade do novo jornal. Mas é sempre de mencionar as enormes dificuldades que enfrenta a imprensa regional. Os jornais em geral dão prejuízo, ou para lá caminham. Os jornais regionais estão sujeitos a dificuldades acrescidas. É urgente um debate sobre a situação da imprensa regional em Portugal, assim como da rádio e televisão regionais. Dois jornalistas com poucos recursos (julgo que é o caso, peço-lhes que não me levem a mal se estou enganado) vão ter de lutar muito para manter o jornal nas bancas. Sofrerão grandes pressões pelos mais variados motivos. Abrir o Voz Ribatejana foi um acto de enorme coragem. Só por isso merecem as mais sinceras felicitações.



publicado por João Machado às 16:00
editado por Luis Moreira às 15:42
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Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011
Álvaro Feijó

 

 

 

 

 

 

 

Álvaro Feijó

 

 

João Machado

 

 

Álvaro Feijó, de seu nome completo Álvaro de Castro e Sousa Correia Feijó,  nasceu em Viana do Castelo, em 1916. Morreu em Coimbra em 1941, vítima de tuberculose. Oriundo de famílias de estrato social elevado, era estudante de Direito na capital do Mondego. Desde a adolescência que praticava a poesia, sem dúvida que sob a sob a influência do tio-avô, o diplomata e poeta António Castro Feijó. A influência romântica, com relevo para António Nobre, terá sido grande na sua obra. O conhecimento da vida e da sociedade fez-se sentir decisivamente na sua obra, apesar de tão curta, e fê-lo aproximar-se do neo-realismo. Publicou Corsário, em 1940. Os Poemas de Álvaro Feijó integraram o Novo Cancioneiro, tendo sido publicados em 1941, poucos meses depois da sua morte. Leiam a seguir dois poemas deste poeta que foi tão significativo, apesar da sua vida tão breve:

 

 

 



publicado por João Machado às 23:55
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