Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (23)
(Continuação)

Escrita que torna para Santa Cruz e as nossas tentativas de organizar Sindicatos camponeses. Anos volvidos, foi que entendi que era a política da Democracia Cristã Chilena, a de formar Sindicatos Rurais, para promulgar uma lei sobre Sindicatos Rurais. Mas, antes, os Sindicatos deviam existir, e era essa a nossa missão, soubermos ou não os que lá estávamos em trabalho de campo de verão, alfabetizar e organizar Sindicatos Campesinos . O título do livro, tomo I de José Bengoa, dá uma ideia do medo dos inquilinos a se encontrar e manifestar de dia em prol dos Sindicatos: em castelhano castiço Chileno: El Poder y la Subordinación, ou, em português: O poder e a subordinação. O poder era do patrão, sou testemunha da subordinação, manifestada não apenas em “tirar” o chapéu para cumprimentar, bem como em aceitar despejo, mandar ir embora sem prévio aviso aos trabalhadores do campo. É suficiente ler o livros de Isabel Allende, antes citado por mim, La casa de los espíritus, de 1982, para saber que o despojo do trabalho era prévio e sem aviso, como é narrado não apenas pelo meu sabido amigo Pepe-José Bengoa-, bem como pela romancista, que tem feito do romance da América Latina uma pesquisa antes da escrita aparecer.

Não era fácil contactar com eles. De dia, já narrado antes, não cumprimentavam. À noite, vinham mascarados para não serem reconhecidos e não serem despedidos por causa de revolução ou rebelião. Na minha experiência, o proprietário da terra, era proprietário das casas e das pessoas, um conjunto de bens para explorar. A nossa sorte foi encontrar um Patrão muito amigo dos seus trabalhadores, o Dr Correa Albano , cuja família passou a ser a minha amiga e eu visitava a eles em tempos do ano que devia permanecer na Universidade. Foi o primeiro Sindicato formado por nós e ganhéi o respeito dos meus colegas e amigos, até porque namore com uma das filhas, Marta Correa, poucos anos mais velha do que eu. Amor a primeira vista!, esse amores dos 18 e 20 anos!, que nascem e morrem a seguir. Duma ou outra maneira, sempre segui a pista das senhoras para entrar para a conversas dos homens. Foi a primeira vez que, sem saber, estava a fazer trabalho de campo com observação participante! Era o caso de ir todos os dias a passear, pela estrada rural fora de Santa Cruz, sempre a mesma hora, parar, cantar, pedir agua às tantas, e despertar a curiosidade das pessoas que estavam em casa. Um dia, pergunto-me se era sobrinho dum patrão qualquer, o seu “amo”. Dizem Não, ela perguntou o que fazia ai, e eu, sem saber teoricamente ainda, tive a ideia de dizer que era da Universidade. A Senhora ripostou: “Bunsidade? ¿Qué es eso?”.

Tive a inspiração de responder: “Mi señora, es una casa grande, con otras casas una encima de la otra y ahí estudiamos. La Universidad es una escuela como la de sus hijos, solo que es para gente grande como yo”. Entre o facto de ir à escola e de ser real na minha resposta, mas o tratamento amável de senhora que eu dava a todas, ganhei a sua confiança. Perguntou. “Pobrecito. Entoces, no sabe leer ni escribir”. Fechei a consciência e referi: “Infelizmente, estoy a aprender apenas ahora”. O que era verdade, estava a aprender, agora, Direito, mas eu não disse o quê e ela começou como mãe a dar conselhos para não desistir, que ler era bom, assim podia ajudar aos meus pais que estavam a trabalhar para mim, para sustentar os meus estudos. Rapidamente a voz de que eu não era patrão, muito embora, diziam elas, tinha a “pinta”- a figura de- patrão, era analfabeto e pobre, abriu-me às portas de casa da vizinhança do inquilinos de Santa Cruz. Fui convidado a tomar onces a sua casa. Ai, a minha maneira de ser apareceu e quase que me ia traindo. Havia duas cadeiras, como tenho narrado em outros textos meus: uma pequena e outra maior.

 Eu disse que a Senhora devia sentar na grande, eu estava bem na pequena, mas ela disse de imediato: “Diga, y qué van a decir los vecdinos, que tengo una visita y la siento en la peor silla “=cadeira” silla grande= “cadeirão” de la casa? No, pues iñor, sientese en esta”. Cada vez que ella se levantava, yo también e ficou surpreendida. “Es verdad que no es patrón?. Yo veo a los Huidobro a hacer los mismo-Garcia-Huidobro, patrões, proprietários aristócratas, já mencionados no-capítulo Campo de Concentração. Disse que eu era muito nervoso e que me sentia só ao sair ela. Teve pena de mim e disse, então, venha comigo. Ao entrar dentro da casa de barro, conheci ao marido, sentei-me de imediato ao pé dele e falamos. E foi assim que começou, em Colchagua, a minha formação de Sindicatos Agrícolas. Os meus colegas de formação de Sindicatos, ficaram surpreendidos, agradados e até louvaram-me e solicitaram que eu ensinara como era que se fazia. Fui levando pessoas e dizem para não falar, porque a sua forma de falar, ia mostrar que éramos “pitucos”, o castiço chileno para o betinho português. Fui respeitado e faziam essa uma, esse um, como eu dizia. Não revelei a fonte do saber das minhas palavras rurais, mas eram derivadas das minhas amizades no terra do meu Senhor Pai, e das formas de falar da minha Senhora Avó paterna, com os inquilinos: altiva, arrogante, sibilante! Evitei essa forma de falar, conhecia a outra e foi com essa outra que falei.

Foi assim que começou a minha comprida carreira de Advogado de Sindicatos. Já no terceiro ano do meu curso, abriu uma vaga para Assistentes de Catedrático. Eu gastava imenso dinheiro nos meus trabalhos, já nesse dia, denominados por mim, de campo. Vieram falar comigo o Ministro de Corte de Apelo, o Dr. Oscar Guzmán: queria que eu concorre-se para ser o seu Assistente em Direito Criminal, parecia ser quem mais sabia, quer no Código, quer nos casos defendidos por mim, sempre do Sindicato por mim formado na indústria do meu Senhor Pai, já narrado. Também chegou-se a mim o Catedrático do Direito do Trabalho, para o mesmo e o da denominada Medicina Legal. Concorri às três, mas, no fim, escolhi Medicina Legal. Oscar Fuenzalida nunca ia e eu tinha todo o direito a ensinar o que eu quiser e transformei tudo em Antropologia do Direito. Fui, por isso, premiado pelo Colegio de Abogados de Chile, um Diploma que ainda guardo, outorgado a mim por ser quem mais sabia no país da nova matéria. Essa por mim criada, que me transferiu para o curso de Alfonso Reyes, que ensinava Antropologia na Universidade Pública do Chile, e a minha via ao socialismo marxista, começara, bem como a minha adesão ao futuro Presidente Allende e sua ideologia. Fica para o próximo Capítulo.


Este fecha ao relatar que, o Pocho Reyes foi assassinado pelos autores do derrube da Presidência legítimas do Dr. Salvador Allende, por ser membro do MIR ou Movimento de Izquierda Revolucionaria, integrado por todos os betinhos desconformes com os regimens do Chile. Eu, nunca estive ai. Nem na Democracia Cristã . Todos pediam para eu aderir, mas, ao ver que a Lei de Sindicatos de 1968 de Frei Montalva era a favor dos patrões, nunca quis estar em esse Partido. Todos os anos levei imensos estudantes a trabalhos de campo no verão, nas já referidas Províncias de Los Andes e San Felipe. Onde o meu tio Segismundo Iturra Taito, era Intendente primeiro e, a seguir, Governador. Mal chegava eu ai, era de imediato entregue a mim a Intendência de San Felipe e Sgismundo ia a casa. Eu ficava feliz, podia organizar Sindicatos e aplicar a melhor lei para organizar esses movimentos. Devo confessar que nunca admiti a PDC nenhum a trabalhar connosco, menos ainda, Liberais e Conservadores. Sempre fui eleito Presidente de Extensão Social, membro da Associação de Estudantes e do seu Corpo Directivo e Presidente do Centro de Estudantes da Faculdade de Direito e Ciências Sociais. Testemunha de tudo, o meu CV Da Gois, da Net, e o facto que em 2005, fui levado ao Chile para ser condecorado pelos serviços prestados à Pontifícia e fora do Chile , na vida Académica.

Foi a época em que conheci a uma rapariga. Mal a vi, vire-me para o meu grande amigo Juan Versalovi´c, e referi: “Vês essa miúda que está aí?. É linda como um sol, vou casar com ela” e casei cinco anos depois. Fez trabalho de campo comigo, muito embora nem por isso partilhava a minha ideologia, até bem mais tarde, quando eu adoeci de úlceras por causa do imenso trabalho nas minhas mãos, comer mal e dormir menos, estudar muito e lutar pela liberdade popular. Isso, é do Capítulo prévio. Fecho este com a minha alegria de ser especialista de Sindicatos, a sua organização, Movimentos, em fim, a via chilena ao Socialismo aprendida por mim em terreno e bebida depois nos textos de Marx e nos discursos de Allende. Não em vão referia sempre um outro trabalhador de Promoção Popular: “Don Raúl, Ud., como político, es um peligro. Por favor, no entre en nuestro partido, la chilena DC, porque la va a hacer socialista”. Uma premonição, nunca entrei, mas a morte de Allende e a Concertação hoje, têm levado a DC a ser mais socialista que os radicais ou membros do PR, antigo FRAP de Aguirre Cerda, Ríos Monteiro e do Presidente traidor.

Essa via é a que me levou a esta a minha vida de deixar Cambrige e ficar no ISCTE de sois corredores e duas licenciaturas, a ser narrado no Capítulo final, o sétimo, não de linha, referido já por mim, mas Capítulo Sétimo e Final do meu texto....

Como digo no texto, conheci a minha mulher e começou a perda da mesma....para o meu mal.

Notas:
A Sindicalização Camponesa era inexistente, nã estava no mencionado Código do Trabalho. Pelo que, o Governo da Democracia Cristã, que teve apenas um Presidente pré golpe militar, organizou os Sindicatos Rurais, na lei de 1968, referida na página web de Frei, já referida: Se promulgaron en 1968 dos leyes, la Ley de Sindicalización Campesina y la Ley de Reforma Agraria. Ésta última permitía la expropiación de la tierra cuando un predio agrícola era de extensión excesiva, había abandono, mala explotación o fragmentación excesiva de la tierra Acrescento parte do programa da Democracia Cristã: Al alcanzar la presidencia, Eduardo Frei Montalva señalaba “vamos hacer un gobierno que solo va garantizar el progreso económico, la justicia y la incorporación del pueblo en forma responsable a la tarea y al beneficio, sino que vamos a hacer esta tarea en libertad y en respeto a los derechos a la persona humana. En libertad religiosa, sindical, política y de expresión. Porque nosotros, durante toda nuestra vida, hemos sido garantía de respeto al derecho y a la libertad. Nadie tiene que temer de nosotros, si quiere incorporarse a esta tarea de libertad y justicia”. En uno de sus discursos planteo lo siguiente, “A esta hora en que tantos me apoyan por distintos motivos, hay una sola razón común para apoyarme: realizar la democracia deberás y no formal; realizar la justicia deberás y no palabras; realizar el desarrollo económico deberás y no en las estadísticas. Para eso estoy llamando a todos los chilenos, y a la respuesta de la izquierda y de la derecha es generosa, porque es sin condiciones a un programa de gobierno del cual es solo dueño el pueblo de Chile”.
En economía puso en marcha la reforma Agraria, ya iniciada bajo el Gobierno de Jorge Alessandri Rodríguez, recibió un fuerte impulso bajo el mandato de Frei. Su fin era “dar acceso a la propiedad de la tierra a quienes la trabajan, aumentar la producción Agropecuaria y a la productiva del suelo”. Se promulgo en 1968 dos leyes, la ley del sindicalización campesina y la ley de reforma Agraria.
.Retirado de: http://es.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Frei_Montalva e da página web do meu antigo colaborador no Chile, o hoje Doutor José Bengoa Cabello, Profesor do Centro de Esudios Sociales y Educación SUR,referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jos%C3%A9+Bengoa+Hacienda+y+Campesinos+Hist%C3%B3ria+Social+de+la+Agricultura+Chilena&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , especialmente na citação das suas fontes, em:
Fuente-http:// www.derechos.org/nizkor/chile/libros/maule/cap1.htm , referido na página web: http://www.paginadigital.com.ar/articulos/2004/2004terc/educacion/e1049277-4pl.asp , na qual há um artigo que resume do texto de José Bengoa e uma historiografia de como era o tratamento do inquilinato chileno nos Séculos XIX e XX. Comigo, em formato de papel, os seus livros, dedicados a mão para mim:1998: El Poder Y La Subordinación;1990:Haciendas Y Campesinos. História Social de la Agricultura Chilena, Tomos I e II-, editados por Ediciones Sur, Santiago de Chile. O comentário dos textos, estão num ensaio, que repoduzo em larga parte, por não encontrar referências a ley de Sindicalização: A partir de la década de 1920, comenzaba recién lo que se llamaría la toma de conciencia del campesinado. En 1909 se había constituido la "Federación Obrera de Chile" (FOCH), la que también tenía una política reivindicativa hacia el sector agrario. Numerosos campesinos que habían trabajado en las salitreras, después de sus cierres, volvieron al campo con ideas de cambio por la experiencia adquirida en los sindicatos mineros. Los obreros habían logrado, por fin, traspasar sus inquietudes a los campesinos, lo que no logró prosperar por la resistencia de los patrones. En 1921, en la Hacienda "Lo Herrera" de San Bernardo se produjo la primera represión violenta contra estas organizaciones. Entre 1920 y 1926 se registraron varios desalojos y expulsiones violentas de campesinos en San Felipe, Chimbarongo, Curepto, Lebu y Valdivia.

Ante este inicio de despertar, en enero de 1921 la Sociedad Nacional de Agricultura expresaba su alarma en una editorial de su diario que tituló: "La sindicación de los labriegos", señalando el mal ejemplo que han dado a los campesinos los obreros industriales, los cuales quieren "obtener regalías por medio de la huelga."

Arturo Alessandri en el poder propuso lo que serían "drásticas reformas"; tales como la separación de la Iglesia del Estado, creación del Seguro Obrero, Impuesto a la Renta y mayor contribución de la propiedad agraria.

Con la dictación en 1924 de las primeras leyes sociales, especialmente la Ley 4054 de Seguro Obrero, y el establecimiento de la primera Ley de Impuesto a la Renta, los hacendados se sintieron amenazados. La promulgación el 30 de agosto de 1925 de una nueva Constitución, que fortalecía las atribuciones del ejecutivo y lo facultaba para propender a la división de la propiedad, consagrando la función social de ésta, tuvo una tenaz oposición conservadora.

Durante todos los años que siguieron se observa la enorme oposición fría, descarnada y deshumanizada que los terratenientes hicieron a cualesquiera ley social que beneficiara a los hombres del campo. Incluso en 1950, solicitaban la supresión de formas de medicina socializada ya que en nada beneficiarían a la masa popular, alegando que "las imposiciones no tienen beneficio alguno". La consigna de los hacendados era: "Si se ataca al campo hay crisis y si hay crisis se acaba Chile." Este fue por años su lema: imponer y mantener el poder a través del miedo.

En 1934, los trabajadores de la colonia agrícola de Balmaceda, en Victoria, agrupados en el Sindicato Agrícola de Lonquimay, fueron desalojados de sus tierras y acusados de sublevación. La represión, que fue muy violenta terminó en una masacre conocida hasta ahora como la "Matanza de Ranquil".

La Iglesia Católica, inspirada en la enseñanza del magisterio social, comenzaba a apoyar el trabajo campesino. En el año 1946 ayudó a la creación de la "Acción Sindical Chilena" (ASICH) que tomará contacto con grupos de agricultores de Molina (VII región) formando en 1952 la "Federación Sindical Cristiana de la Tierra". Al año siguiente realizó una gran movilización que abarcó 30 fundos y a más de 2.000 trabajadores. El apoyo eclesiástico fue significativo, por lo que el gobierno no pudo reprimir esta manifestación y los patrones tuvieron que acoger gran parte de las peticiones campesinas.

Ese mismo año, la Iglesia fundó el Instituto de Educación Rural, el que tuvo mucha influencia en la formación de líderes campesinos cristianos. Más tarde, estos asumieron tareas de formación en el movimiento sindical campesino.

Por otro lado, las organizaciones vinculadas a los partidos de izquierda realizaron el año 1961 un Congreso de Unidad. Allí participaron las organizaciones que habían logrado sobrevivir en el período anterior y decidieron unificarse en la Federación Campesina Indígena, la que se integraría de inmediato a la Central Única de Trabajadores. Retirado da página web: http://www.paginadigital.com.ar/articulos/2004/2004terc/educacion/e1049277-4pl.asp

José Bengoa Cabello, que era sociólogo e eu converti para à Antropologia, como o meu Assistente na Promoção Popular, teve a amizade de ir para me cumprimentar ao meu regresso ao Chile e, por causa da minha longa ausência, para me explicar os benefícios de uma presidência de Allende. Ele, o meu colaborador na Promoção Popular,mestava temido de eu estar desnorteado e for votar pelo o amigo do meu Senhor Pai, Radomiro Tomic. O que ele não sabia era que eu tinha voltado ao Chile por causa de Allende e que por ele eu votei. Após golpe, teve que se exilar na Venezuela, onde escreveu parte dos seus livros citados neste texto. Está referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jos%C3%A9+Ant%C3%B3nio+Bengoa+Cabello&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente no seu CV da página web: http://www.conicyt.cl/bases/fondecyt/personas/6/1/6159.html
A família Correa está mencionada no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile++Genealogia+Fam%C3%ADlia+Correa+Colchagua&btnG=Pesquisar&meta=
O programa da DC era paternalista, desagradável, anti Jefferson: colonizava as mentes das pessoas, com o está referido no texto do académico catalão, que passo a referir: “Por ello, la política de promoción popular apunta al fomento de redes sociales en las poblaciones marginales urbanas, dando estatuto legal a las juntas de vecinos, los centros de madres, las asociaciones de padres, los clubes para jóvenes y las asociaciones deportivas. Un modelo de participación ciudadana basado en la extensión de redes desde el núcleo de las familias y que será visto con recelos clientelistas y paternalistas por la izquierda, cuyo modelo de influencia se extendía desde su supremacía en el movimiento sindical-productivo. Las estrategias de constitución del sujeto popular tendrán así dos frentes principales, el poblacional urbano y el campesino, espacios de encuentro de las ideas marxistas y cristianas progresistas, aunque no siempre de convergencias tácticas en la acción partidaria. Las tareas más urgentes del programa de gobierno del PDC constituyen un verdadero desafío comunicacional en sí mismas: la superación del aislamiento y la marginalidad de los sectores populares, debidas al analfabetismo y al alfabetismo pasivo, la falta de redes de comunicación y las dramáticas condiciones de vida de dichos segmentos de la sociedad”. Contributo de um Colóquio de docentes da Catalonha, também a ensinar na Universidade do Chile, em Valparaíso: CRISTIANISMO Y MARXISMO EN CHILE
Contributed by Amador Ibañez
Saturday, 22 December 2007
Last Updated Saturday, 22 December 2007, retirado do portal: marxismo.cl/portal, sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Minist%C3%AArio+Promoci%C3%B3n+Popular+Chile+1964&btnG=Pesquisar&meta

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (21)
(Continuação)

Capítulo 6-Lembranças do passado: organização de sindicatos.


Sobre Sindicatos, todos sabemos alguma coisa. Há duas formas de saber: pela lei e pelos factos. Pela lei de Portugal, os Sindicatos estão legislados no Código do Trabalho e em leis especiais, conforme a época de legislatura e de quando começaram a aparecer O Portugal após o denominado Pronunciamento Militar de 1974, que derrubou, sem guerra nem mortos nem prisioneiros, teve, no entanto, que mudar a legislação, que tratava aos trabalhadores como mercadoria para ser trocada por convénios, tratados, retirar de dinheiro como imposto para os trabalhadores que eram convidados trabalhar fora de Portugal. Como era também o caso da Galiza, narrado por mim, com lei e citações, quer nos livros referidos sobre Vilatuxe, ou, ainda, no texto escrito por mim para a Revista Galega Estúdios Migratórios. Arquivo da Emigración Galega. Consello da Cultura Galega, cuja Directora era a minha amiga, Catedrática de História Contemporânea, em Compostela, a Professora Doutora Maria Xosé Rodríguez Galdo . Tive essa grande sorte de encontrar uma foto que, apresentada aos descendentes, como refiro no livro tão citado por mim, da Profedições, o denominado mal vendido livro. Mas, ao tornar ao tema do texto, se Portugal teve que organizar a lei, no caso do Chile, Allende teve que organizar e reorganizar as leis sindicais. Nem preciso ir as páginas habituais, para me lembrar. Nos anos 50 e 60 do Século XX, eu próprio participei na organização de Sindicatos, especialmente Sindicatos de Trabalhadores rurais, omissos no Código do Trabalho Chileno.

Como estudante da Pontifícia Católica de Valparaíso, Chile, todos os verões íamos trabalhar ao denominado campo, em grupos imensos de estudantes, recrutados na Federação de Estudantes, da qual eu formava parte, não apenas como estudante e membro do Conselho da Federação, fundei o denominado por mim Departamento de Extensión Social. Referido antes, ao falar da povoação de Roquant, onde costumávamos praticar Direito. Mas, não era suficiente, havia imensos estudantes de outras áreas a querer participar e não eram estudantes da Ciência do Direito, pelo que estendi os meus trabalhos à sindicatos e a alfabetização, no domínio do saber de Paulo Freire. Pela primeira vez fomos a Colchagua, província sita no Centro Sul do Chile, a mais de 200 quilómetros ao Sul de Santiago, na cidade denominada Santa Cruz. Tinha eu, 18 anos, essas primeira vez que saímos ao trabalho de Sindicatos Rurais. Mal entendíamos o que devia ser feito, não tínhamos experiência de Sindicatos, palavra malfadada no Chile pré- Allende, mas a experiência no trabalho, em breve, levou-nos a entender como eram tratados os trabalhadores rurais.

Saber, eu sabia, tínhamos terras trabalhadas pelos já definidos inquilinos e os jornaleiros rurais, esses que, para lembrar ao leitor, não recebem ordenado, mas recebem terra para ser trabalhada pela família que fica em casa, enquanto o chefe do lar, normalmente o mais velho, trabalha as terras do proprietário e recebe, como recompensa, um pão feito de farinha de maçarocas, entregue às Sestas Feiras, e comida para o fim de semana. Dinheiro é que não recebiam, era a mais aberta exploração de seres humanos. Eu sabia isso e, mal começaram esses denominados trabalhos das férias de verão – Janeiro e Fevereiro, é o calor e era necessário o descanso para repousar e recuperar energias após de um ano de estudos na Universidade, é ao contrário da Europa, o verão cá é, como sabemos, de Junho a Setembro -. Mas, nós, na nossa ansiedade de reivindicação pelos direitos dos trabalhadores, largávamos o descanso para ir trabalhar entre o sector rural do país, longe das nossas terras. A maior parte de nós tinha esse privilégio, mas nenhum de nós queria entrar em disputas de família por causa dos Sindicatos. No entanto, devo referir, se o não tiver dito antes, que eu era destemido e não apenas andava no campo dos outros, bem como dentro da nossa propriedade e das outras terras da minha família alargada. Como era natural, fui expulso de todas elas por revoltar aos trabalhadores rurais, como era comentado pelos meus Senhores Pais, especialmente o meu Senhor Pai, a nossa Senhora Mãe tinha outros interesses, aprendidos, praticamente o de Evangelizar. Ela trazia Missionários para as nossas terras, eu os acompanhava e andávamos de cavalo para Missionar fora do edifício de igreja local, especialmente com esse grande Sacerdote dos Sagrados Corações, Capelão do Regimento Coraceros de Viña del Mar, habituado a andar vestido de militar para visitar às pessoas nas suas rucas ou casa de inquilino , Monsenhor Renato Vio, irmão do pai do meu grande amigo de quem tenho falado antes, Francisco Vio.

Retomando o texto por causa do meu hábito febril de ir em procura de outros factos, em Santa Cruz de Colchagua, no Chile, habitávamos os quartos dos estudantes do Internato dos Padres Alemães, no meio da pequena cidade, na vila de Santa Cruz. Dais saiamos a andar no meio dos campos para falar com pessoas do nosso interesse, os camponeses. Um dia, entrai a Hacienda, Fazenda em Português, especialmente do Brasil, da família que cantava, a família de Ramón. A Senhora Doña Juana deRamón, que cantava em público com o seu marido, o proprietário das terras, Raúl de Ramón , perguntou-me o quê fazia eu nas suas terras. A minha resposta foi breve e directa, eu diria, arrogante: “busco a las personas que Uds. Explotan y los hacen trabajar demás, sin salário”. No entanto, devo confessar que a minha primeira resposta a essa pergunta, foi outra, pouco habituado a insultar Senhoras, cumprimentei enquanto beijava a sua mão, : “Mi Senhora Doña Juana, la conozco mucho, es natural que Ud. No se acuerde de mi por ser tanto el público que oye cantar a Ud. e su marido!”. É o que eu guardo na minha memória. Essa a minha memória que me lembrou, de imediato, o motivo de eu ai estar. Senti, no meu consciente, um aviso claro: eu estava ai para ver os problemas da falta de organização dos sindicatos rurais, e foi assim que lancei essa a minha frase arrogante. De facto, o Código do Trabalho da República do Chile, foi redigido, promulgado e publicado na época da História do Chile denominada República Presidencial, em 1927 . Mas, nada era dito dos trabalhadores rurais e essa era a nossa luta de estudantes, bem como é preciso referir que o Código do trabalho, a pesar da História Oficial citada em nota de rodapé, é resultado da formação de Sindicatos nas denominadas minas do salitre, ou calicheras, nome castiço chileno para designar a produção da principal fonte de entradas de divisas no país. Houve greves, já referidas por mim em capítulos anteriores, e matanças, como as da mina de Nitrato de Santa Maria de Iquique. O resultado, era de esperar. Como conhecia a Historia do Chile, baseiem nessas recordações para trabalhar pelos Sindicatos Rurais, sem saber, esta vez, que eu e todos, estávamos a ser usados pelo candidato à Presidência da República, Eduardo Frei Montalva e o seu partido, a Democracia Cristã. Mas, antes de desgarrar mais o meu texto, é preciso dizer que em 1912, os Sindicatos do Nitrato foram formados pelo Partido como é referido na História .

O Partido Trabalhador Socialista foi o primeiro a ser formado na defesa dos Trabalhadores e do operariado. Como a economia sustentava-se, para o mercado de divisas em exportações de matérias primas –costumava dizer o meu Professor de Economia Política da Pontifícia, o Advogado e Historiador da Economia, Enrique Aymone-, “o Chile nunca foi um país de transformação de matérias primas...” Passeava, furioso pela imensa sala de aulas, quase a gritar, ao dizer que éramos pobres porque a riqueza provem da transformação, com industrias e Chile não era um país industrializado, tinha apenas “carne de cañón, la fuerza de trabajo!”. Motivo, que, nestes anos do Século XXI, entendo, por causa de ser a ruralidade a base da economia do país e as divisas, para os proprietários, normalmente de empresas estrangeiras, especialmente britânicas e dos Estados Unidos de América. As de nitrato, eram de propriedade dos inglesas, as do cobre, que passou a ser, nos anos 20 do Século XX, a maior mina denominada a talho aberto de cobre, é dizer, estava ai, à vista de todos. Os governos presidenciais desses anos, para saldar dívidas de empréstimos norte-americanos, tinham que vender esse bens essenciais: não era aluguer ou conceder, era mesmo vender ou deixar entrar ao Chile, a forma mais barata de produzir: vender a base da riqueza do país. Eis a causa de não existir legislação para os trabalhadores rurais . Entretanto, o movimento nazi tinha-se desenvolvido na Europa Alemanha do Hitler, na Espanha do Franco e na Itália de Mussolini.

O Chile não ficou fora e teve o seu próprio movimento fascista, e foi criado, pelo político autocrata e aristocrata, Jorge González von Marées, o Partido Nacional Socialista do Chile, que costumavam protestar contra a democracia chilena. A História do Chile diz que houve um governo fascista de Dávila, denominado o Governo Socialista do Chile, que durou 100 dias. Derrubados, houve a matança dos estudantes fascistas, a tentar procurar ajuda na Universidade do Chile, sítio do qual, com enganos, foram levados ao prédio em frente do Paço de La Moneda. O relato mais fiel, é o da net: “membros das juventudes nazistas tomaram a Casa Central da Universidade do Chile em 5 de setembro de 1938. Entrincheirados no edifício, uma tropa de artilharia atacou a entrada principal, o que ocasionou a rendição dos 71 protestantes. Estes foram transferidos ao Edifício do Seguro Operário, localizado em frente ao Palácio de La Moneda, e ali foram fuzilados por carabineiros”. A Matança do Seguro Operário foi atribuída pela oposição, os partidos da Esquerda chilena, ao Governo, como ordem de Alessandri , o que provocou a renúncia de Ibáñez à sua candidatura para a Presidência da República, e ofereceu o seu apoio ao candidato do Partido Radical, apoiado pelo Partido Socialista e o Partido Comunista, Pedro Aguirre Cerda. Finalmente em 23 de outubro o candidato da Frente Popular assim formado, obteve 50,2% dos votos, contra 49,3% de Ross, o candidato dos partidos Liberal e Conservador, esses denominados assassínios dos jovens operários.

 A História tem o seu julgamento, para todo isto . O Partido Socialista, não ainda o de Allende, muito embora for um dos seus primeiros aderentes, nasce em Abril de 1933, com o seu primeiro candidato à Presidência da Republica, já nos anos 50, com o médico Salvador Allende, Senador do PS chileno, candidato para ser Presidente. Foi à quarta corrida que ganhou, em 1970 . Faz-me lembrar o dia em que o meu amigo eterno, Francisco Vio, foi candidato a Deputado por Talca, solicita ao Presidente uma ajuda, um reconhecimento público. Na sua simpatia e bonomia, Allende riu, bateu nas costas de Pancho Vio e disse: “Quantos años tiene compañero?”, forma de nos tratarmos no Chile de ontem, e ele disse 28: “Mi querido amigo, tenga la paciéncia que he tenido: desde mis 40 años he andado a luchar para ser Presidente e apenas después de 20 años, he sido electo. Es Ud. Quien me debe ayudar a mi!”. Pancho, orgulhoso como sempre, ficou vermelho e calou. Perdeu a eleição! Foi no dia em que, sentado no Estádio de Talca, o do Rangers, com a minha irmã e o seu marido desse tempo, o quinta bisneto do Conde da Conquista, fui rodeado por um grupo de jovens uniformados, enquanto dois deles tiravam o meu corpo fora do Estádio para me matarem. Gritei: “Blanquitaaaaaa, MárioooooooooMas,”, com o barulho não ouviam, mas, felizmente Mário voltou-se para um comentário, não podia ver-me, mas reparou no facto e identificou-me. Eu estava a ser punido, explicavam os meus hipotéticos raptores, por ser um aristocrata a se rir do Presidente.

Fui identificado de imediato pela minha irmã e não fui raptado. Mas, vivi temido durante muito tempo. O meu fecho em casa tinha começado! Bem sabia eu que os opositores do Presidente assassinavam aos seus apoiantes. Eu estava sinalado como vítima, por ser marxista e Presidente do MAPU. Motivos conhecidos pela esquerda toda, essa infiltração da CIA em todos os movimentos, partidos e corridas a cargos! O Socialismo declarado Marxista, como era o PS chileno, não podia prosperar. O Partido Comunista chileno, entretanto, apoiante de Allende, antes tinha apoiado a Aguirre Cerda, António Ríos e do traidor González Videla, nasceu, em 1912, fundado pelo considerado pai dos movimentos operários chilenos, o tipógrafo Luís Emílio Recabarren . Foi e é um partido importante, mas a palavra Marxista Leninista como nome de família política, apoquentava à muitos dos seus seguidores e fãs. Eu próprio, em Cambridge, cansado de tanta luta, falei com o meu amigo Leonardo Ramírez, o Representante do meu Partido MAPU em Cambridge, e, após ter pensado imenso, falei com ele e disse da minha ideia de entrar ao PC Chileno, mais abrangente e definido que o MAPU. Leonardo, com essa fleuma natural em ele, diz. “Estimado Raúl, todos quieren mudar de Partido en la desesperación del exilio. Para mí, como tengo observado, tú eres un hombre sensato, debías esperar que todo acabe en Chile y ahí decides!” Tinha eu pouca paciência para as esperas e respondi que eu queria já entrar. Solicitei esse pedido ao PC chileno e aos seu representantes em Cambridge, que eram operários em exílio, trazidos por mi. Dizerem-me que era uma grande honra para eles e que, enquanto perguntavam a chefia central, sediada no Chile, eu podia ir as suas reuniões, se souber guardar silêncio! Mais tarde chegou a resposta: não tinha sido aceite por ser burguês, intelectual, académico e outras melancias, que nem queria recordar. Fiquei só, outra perda de família....Mas, no correr do tempo, aderi em Portugal ao Partido Socialista Revolucionário, e, a seguir, por causa da minha admiração pela obra de Mário Soares e dos meus amigos PS portugueses, os meu votos vão para eles.

______________

Notas:

Informado a mim, pela minha Advogada, a Dra. Manuela Neves Martins. O Código do Trabalho Português foi aprovado na Assembleia da República como lei n.º 99/2003de 27 de Agosto e entrou em vigor a 1 de Dezembro de 2003, como refere o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=C%C3%B3digo+do+Trabalho+Portugu%C3%AAs&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , reformulado pela lei, Actualizado até a Lei 9/2006, de 20/03, referido na página web: http://www.portolegal.com/CT2003.htm , referidos e definidos no Preâmbulo do Código e nos artigos 476e seguintes, por causa de Portugal ter estabelecido relações comerciais e do trabalho com os Países Membros da União Europeia, decretada, como estava, a liberdade de circular entre os países da União. Era preciso incluir aos denominados trabalhadores estrangeiros ou estrangeiros a trabalharem em Portugal, da mesma forma que nos outros países da União, era elaborada a legislação no mesmo sentido. Os trabalhadores portugueses deviam ou aderir aos Sindicatos do seu sítio de trabalho e guardar o vínculo com a sua própria união sindical. Era também preciso, saber como retirar dinheiro do salário para pagar despesas de saúde, de segurança social e de jubilação. Referido a mim pela já citada Advogada e retirado dos comentários ao Código, pagina Web: http://www.portolegal.com/CT2003.htm . O Código Português do Trabalho, é uma defessa do trabalhador, já muito transgredido na época da ditadura, derrubada a 25 de Abril de 1974. No artigo 480, N.º 2, diz: 2 - Não são aplicáveis às associações sindicais as normas do regime geral do direito de associação susceptíveis de determinar restrições inadmissíveis à liberdade de organização dos sindicatos. Retirado da referida página web desta nota de rodapé.

Texto no Nº6 da Revista, Dezembro de 1998, ao realizar esse reestudo de Vilatuxe, 20 anos depois: “A Oralidade e a escritura na construção do social”, onde debato as migrações a partir de uma foto encontrada por mim no palheiro da casa Medela do sítio da Paróquia denominado Gondoriz Pequeno. Refiro no texto que: “Ó “fazer falar uma velha fotografia encontrada en Vilatuxe en Galicia, ó ler e etender a través dela, toda uma época, demóstrase que hai moitas outras formas de comunicar e de lembrar mais aló da oralidade e da escritura”, texto escrito em luso-galaico, não gralha dizer aló, é a palavra usada na língua galega para dizer além página 57 do Nº6 referido da Revista, editado pela Galáxia. O texto está escrito em galego, e é de 10 páginas. Foi essa a minha sorte de encontrar uma outra maneira de falar com as pessoas e colocar questões aos descendentes dos fotografados, muitos deles desaparecidos já. Método usado por mim até o dia de hoje. Referida no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Revista+Estudios+Migratorios+Arquivo+da+Emigraci%C3%B3n+Galega+Consello+da+Cultura+Galega&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= e na página web: http://consellodacultura.org/mediateca/?m=2003
Ruca e casa de inquilino, podem ser diferentes ou a mesma coisa, depende do Século do qual se fala e da parte da História do Chile referida. Ruca provém da língua Mapudungum dos Mapuche e significa casa. Mais tarde, Séculos XIX e XX, especialmente Centro e Norte do Chile e para não haver confusão, as palavras mudaram e havia rucas dos nativos e casa de inquilinos, feitas em argila e palha ou casa de barro, que em Portugal também existem nas zonas rurais e aldeãs, raramente encontradas, pelo desenvolvimento dos Portugueses. O que tenho visto é casas de barro na aldeia de Vales, de Alfândega da Fé, normalmente casas de barro abandonadas ao se construir, ao pé da antiga casa desse barro, uma em cimento com azulejos dentro de casa e para decorar a parte de fora. No Chile de ontem, as casas continuavam a ser feitas de barro ou adobe, palavra chilena castiça para definir o material da construção da casa, referida no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Casa+inquilino+Chile+Rucas&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , especialmente na opção: lasa.international.pitt.edu/Lasa2001/GoicovicDonosoIgor.pdf ,especialmente o texto HTML: http://66.102.9.104/search?q=cache:lh4cCcRGjXQJ:lasa.international.pitt.edu/Lasa2001/GoicovicDonosoIgor.pdf+Casa+inquilino+Chile+Rucas&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=3&gl=pt
A família De Ramón cantava e o seu nome artístico era Los de Ramón, gravaram discos de vinil, ainda não existia o Disco Compacto, e lucravam imenso com esse dinheiro, investido na propriedade de Colchagua. Referido na página web: http://www.profesorenlinea.cl/swf/links/frame_top.php?dest=http%3A//www.profesorenlinea.cl/biografias/DeRamonRaul.htm do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile+Folclore+Conjunto++Los+de+Ram%C3%B3n&btnG=Pesquisar&meta=
O Código do Trabalho foi uma conquista do, nesses dias, Presidente da República Carlos Ibáñez del Campo, referido na enciclopédia on line, web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Chile , conquista do General Eleito pelo Parlamento para Governar o Chile, já que o Presidente Constitucional , Arturo Alessandri Palma, foi-se embora do Chile, ao renunciar o seu mandato presidencial, por própria vontade. Não resisto citar o que se diz na história, sobre este período: Com a vitória do Presidencialismo, Alessandri e Ibáñez se enfrentaram em uma disputa pela liderança. O primeiro desejava estabelecer um candidato único à Presidência, cargo que Ibáñes ambicionava. Este foi apoiado por um manifesto de vários políticos promovendo sua candidatura que parecia oficial apesar da negativa manifestada por Alessandri, produzindo a renúncia generalizada do gabinete. Diante dessa situação, Ibáñez publicou uma carta aberta ao Presidente recordando que só poderia governar emitindo decretos com a sua assinatura, já que era o único ministro do gabinete. Desta forma, o governo de Alessandri estava submetido às decisões de Ibáñez, algo que Alessandri não aguentaria: designou Luis Barros Borgoño como ministro do Interior e apresentou sua renúncia irrevogável, em 2 de outubro de 1925.
Barros Borgoño foi substituído por Emiliano Figueroa, que havia sido eleito como candidato do consenso entre os partidos políticos para enfrentar a crise política em que o país se encontrava. Contudo Ibáñez manteve-se como ministro do Interior. Figueroa não pôde controlar Ibáñez e terminou renunciando em 7 de abril de 1927 - fato que permitiu a Ibañéz assumir a Presidência diante da disponibilidade do cargo.
Durante seu governo criaram-se diversos organismos como a Linha Aérea Nacional, a Controladoria Geral da República, Carabineros do Chile e a Força Aérea do Chile. Além disso, promulgou-se o Código do Trabalho e firma-se o Tratado de Lima, em 3 de julho de 1929, que acaba com os problemas de fronteira com o Peru.Em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Chile
Legislação social. O Chile se destacou por possuir uma das legislações trabalhistas mais avançadas da América do Sul. Em 1924 foram promulgadas leis que regulamentavam o regime de contratação e o seguro de acidente de trabalho e de doença. Em 1931 criou-se o Código do Trabalho, que ampliou a legislação trabalhista anterior e, nos anos seguintes, a protecção social se ampliou com o Serviço de Seguro Social. A previdência ficou assegurada por meio de centros privados e do Serviço Nacional de Saúde, organismo vinculado ao Ministério da Saúde. A crise económica que atingiu o país na década de 1970, no entanto, e a filosofia antiestatizante do regime militar, reduziram fortemente os serviços da previdência social do estado. Informação retirada da página web: http://www.coladaweb.com/paises/chile.htm Este código não distinguia trabalho de adultos e trabalho de menores, bem como era una legislação para trabalhadores da cidade. O Presidente Ibáñez correu muito para formar e organizar o Código e esqueceu o que, mais tarde, em 1963, seria a obrigatoriedade do ensino para toas as crianças do país. Pelo que, cito mais uma vez a História do Chile, como exemplo de Educação para as crianças: Educação. A legislação educacional de 1965 estabeleceu a obrigatoriedade de escolarização de todos os chilenos (decreto do ensino entre 7 e 15 anos), e promoveu a renovação dos métodos pedagógicos e dos programas escolares.
O primeiro ciclo educacional, denominado ensino básico, vai dos 7 aos 12 anos e consta de três graus, com dois cursos cada um. Para cobrir o tempo de obrigatoriedade é acrescentado um quarto grau, o profissional. Ao terminar o primeiro ciclo, os alunos escolhem entre o ensino médio geral, o técnico ou o profissional, que dura seis anos. O ensino superior é ministrado em oito centros universitários, dos quais duas universidades são públicas (Universidade do Chile e Universidade Técnica, as duas em Santiago do Chile), duas são confessionais católicas (Santiago e Valparaíso) e quatro são leigas e particulares (Valparaíso, Concepción, Valdivia e Antofagasta). O país possui uma série de escolas profissionais dedicadas ao ensino de comércio, indústria e belas-artes. Ver em: http://www.coladaweb.com/paises/chile.htm


A fundação de sindicatos e do Partido Trabalhador Socialista 1912 permitiu o desenvolvimento do movimento operário nacionalmente. Os protestos começaram a se tornar cada vez maiores e mais violentos, demonstrando a incapacidade da classe dirigente para enfrentar os problemas que a nova sociedade industrial demandava, em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Chile
Esta forma de estruturar a economia, levou aos estudantes nazis e outros a se emboscarem na Universidade, para protestar.
Arturo Alessandri era membro do Partido Liberal, da classe burguesa acomodada e Governou o Chile entre q920-25 e 1930-36. Visite a página web, caso quiser saber mais: http://es.wikipedia.org/wiki/Arturo_Alessandri_Palma
ver em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Chile , bem como np sítio Net, já referido: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+C%C3%B3digo+do+Trabalho+do+Chile+1927+Artigos+Sindicatos+&btnG=Pesquisar&meta=
Há uma pequena historia do PS chileno desse tempo: “Formalmente el Partido Socialista de Chile nace el 19 de abril de 1933, cuando se unifican 4 grupos de inspiración socialista, pero su historia se remonta a la segunda mitad del siglo XIX, cuando nacían las primeras manifestaciones organizadas de los trabajadores del país, la sociedades de socorro mutuo y los incipientes sindicatos, con el impulso de destacados intelectuales como Francisco Bilbao, Santiago Arcos o Eusebio Lillo. Ha sido una historia hecha de una continua vocación de innovar y de interpretar correctamente cada cambio época, manteniendo fijas sus ideas y valores centrales: la igualdad, la libertad y la solidaridad en el mundo del trabajo y entre los sectores excluidos y postergados de la sociedad. Por ello, su labor actual es lograr el más difuso bienestar y protección social para todas las chilenas y chilenos, y no sólo para los privilegiados de ayer y de hoy. Retirado de: http://www.pschile.cl/ps.php
El Partido Comunista de Chile (PCCh) es un partido político chileno que se define como un partido de raigambre obrera, campesina e intelectual, inspirado por el pensamiento de Karl Marx y Vladimilir Ilich Lenin. Entre los militantes más destacados y conocidos del Partido Comunista de Chile se encuentran: Luis Emilio Recabarren, Pablo Neruda, Víctor Jara, Gladys Marín, Violeta Parra, Volodia Teitelboim, entre otras personalidades conocidas. Luis Emilio Recabarren Serrano (*Valparaíso, 6 de julio de 1876 - † Santiago, 19 de diciembre de 1924) fue un destacado político Chileno de principios de siglo XX. Es considerado el padre del movimiento obrero chileno... Fue electo diputado por el Partido Demócrata en 1906, no pudo asumir el cargo porque se negó a prestar el juramento de rigor por ser agnóstico. Nuevamente fue perseguido por la justicia por sus incendiarias publicaciones en contra del gobierno de Chile, tuvo que huir, radicándose en Argentina. En ese país se incorporó a las filas del Partido Socialista. En 1908 viajó a Europa (España, Francia y Bélgica), regresando a su país a fines de ese año. Maravillado con la Revolución Rusa, tras el congreso partidario de enero de 1922, el se transformó en el Partido Comunista. Viajó a la URSS para participar en el Congreso de la Internacional Comunista. Regresó a Chile en febrero de 1923. En 1924 no quiso presentarse para la reelección de diputado. El 19 de diciembre del mismo año se suicidó.

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (20)
(Continuação)

Com todo, a minha mulher tinha que tratar da casa, das compras, de comidas, da roupa, limpar a casa e não estava habituada. A pouco e pouco a sua saúde ficava em baixo. Especialmente porque a nossa casa era visitada por uma série de amigos meus ingleses da Universidade de Cambridge, entre os quais assistia muito a minha amiga, Professora Doutora Caroline Humphrey , essa amiga e colega que me dissera um dia, ao acabar a defessa da minha tese e eu comunicar a ela que John Davis e Ray Abrahams tinham aprovado o meu debate e até me tinham convidado a almoçar por pensar que a minha tese era melhor do que boa, de imediato respondeu: “Right, Rául ( à laia inglesa de pronunciar o meu nome próprio), now, is my turn to defend your thesis at the Faculty’s Committee”. O meu texto foi aprovado pelos sete júris, referidos por mim antes, que examinam a tese. A defessa é apenas uma formalidade para entender se a tese3 era feita por mim ou por outro. As questões eram mais para saber como tinha descoberto certos factos, como tinha tido a ideia que aparecia no texto para os defender, as estatísticas usadas, como tinha sido o meu trabalho de campo, já inspeccionado por Milan Stuchlick, e sabido por Jack Goody, e outras normas que eram para mi, um terror, que não podia transmitir aos membros da casa. Vivi dois meses de espera, até que chegou uma carta da Universidade para referir que era requerido no Secretariado da Faculdade para saber o resultado da aprovação, ou não, da minha tese. Eu tinha passado por situações semelhantes no Chile, no campo de concentração: era libertado, mas dia sim, um dia não, era reclamado por bando para me apresentar, mais uma vez, ao famoso Regimento! A situação era semelhante....as minhas mãos suavam!, uma pessoa perde a confiança em si, ao sermos tão metralhados no nível académico, especialmente ao saber que, até esse dia, nenhum latino-americano tinha, ainda, passado uma prova dessas em Cambridge. Desde esse dia, é que ainda fica em mim o terror de ser julgado! Em silêncio, para não alarmar a casa, fui ao gabinete da Senhora Secretária da Faculdade, não conseguia encontrar a carta, e eu, calmo, ia ai ficando calado, até a encontrar e, como manda o Regulamento, ler-me a opinião da Universidade: a minha tese tinha sido aprovada por unanimidade em todos os júris pelos quais tinha passado, ou tinha sido auferida! Tal como no Regimento, ao não ser fuzilado, fiquei sem rumo, não sabia o que fazer, excepto continuar o trabalho!

Mas, não era o trabalho aprovado pela Universidade o que mais me animava. Estava habituado a escrever de manhã à noite, em casa, com pausa ao meio dia. Camila, pequena como era, dois anos de idade, sem Play Group ainda, ao ouvir que a minha máquina deixava de bater, ficava sentada à entrada da porta do meu estudo, a espera de eu acabar. Eu sabia e adorava ver entrar essa filha, por mim denominada a minha salchichera, por ter, como a sua mãe, as bochechas vermelhas! E entrava a rir, cantar, saltar de sítio em sítio do meu imenso estudo da nossa casa de Bateman Street, de um sofá a outro, a cantar e rir! Era o prazer de todas as manhãs, era a minha alegria quotidiana! Era quando pedia ouvir a música do Dad, essa que ela gostava por ser a que eu mais ouvia, Beethoven, Mozart, Rimsky-Korsakov, especialmente, por ser a música do seu pai, como já contara antes, dançada por elas à noite, quando Paula voltava de St Paul’s, lanchavam, viam a TV para crianças, uma hora apenas, e, a seguir, preparar a noite com jantar cedo e leitura de histórias de Tolkien, até elas adormecerem. Um lar certo e seguro, com sofrimentos que, ainda, conseguíamos aceitar.

O meu tempo era dividido entre trabalhos domésticos, para aliviar a responsabilidade doméstica da mãe das minhas filhas, habituada como estava desde nova, a ser servida e atendida pelas pessoas empregadas para trabalhar em casa, muito barato, no Chile de ontem. Gloria era muito sensível e amável e dizia sempre, ao acordar da sesta do Chile de ontem: “Eliana, seria tan amable de traerme mis onces en una bandeja para la cama?”, não com voz de mando, mas quase uma voz de súplica e má consciência. Não porque tiver má consciência, apenas por ser amável com o pessoal de casa. Tentei, de várias maneiras, de substituir essa perca de hábitos e, aos Domingos, levava o pequeno almoço para nós todos à cama, de manhã cedo, uma travessa imensa com ovos mexidos, rins cozidos, torradas com manteiga, queijo e outras iguarias, que devorávamos, para depois, irmos passear entre Cambridge e Granchester. Passeio habitual e já detalhado em páginas anteriores, mas passeio que começou a ser pesado para a minha mulher, por causa de sofrer de problemas na coluna vertebral. Precisava andar de bicicleta para se apoiar e o nossos passeio passou a ser em bicicleta.

Tentei ser um pai avisado e ensinei as duas a andar de bicicleta, o veiculo mais usado em Cambridge, como na Holanda, onde a nossa filha mais velha mora. Não foi uma premonição, foi apenas uma ideia, que foi muito sabida, sem saber o futuro das pequenas. O primeiro foi enviar a Paula, após ter aprendido andar em bicicleta ela só, a aulas de ciclismo, ministradas pelo Council ou Concelho de Cambridge. Havia imensos turistas, Cambridge era uma cidade muito visitada por estrangeiros, habituados a andar de bicicleta nos parques e nas ruas sem trânsito. O que significava que andavam nos passeios, ou paravam para conversar com outros, apoiados na bicicleta nos passeios, andavam entre os carros e corriam a grande velocidade. Não sabiam que havia regras para o trânsito das bicicletas na cidade. Foi para nos defender, que o Council ditou um regulamento, de factos muito conhecidos por nós: fazer sinais de virar à direita ou esquerda, de que se ia em frente, de que se ia deter, com o braço colocado abaixo, um Código conhecido por todos nos os habitantes da cidade, que ainda não havia em outras, excepto o caso da Holanda, da Catalunha, na Espanha, como em todos os países da Europa do Norte, onde o carro é usado apenas para passear ou se deslocar a sítios longínquos. Até esse dia das aulas, eu levava de bicicleta às duas pequenas: uma Paula, no selim de trás e Camila, num selim adequado para a sua idade, como tenho referido num texto meu, editado pela Associação de Jogos Tradicionais da Guarda no qual relato esta história, contada em nota de rodapé.

Abel Caballero deixava Cambridge, acabada a sua tese, de imenso sucesso, e deixou para nós uma bicicleta Raleigh! Usada pela sua mulher Cristina. Fiquei agradecido e passou a ser a de Paula: era adequada e conveniente, especialmente pelo preço da mesma no mercado: muito cara! Camila herdou a de Paula, uma pequena oferecida a nós por esse amigo já mencionado, Paul Beedle, a bicicleta da infância da sua mulher Fiona. Fomos especialmente a casa dos pais de Fiona, tivemos um lindo chá as 4 da tarde, e ficamos com a bicicleta. Os desgarros de Camila começaram! Queria ir sempre ao pé ou em frente de Paula, como tinha sempre sido na bicicleta da mãe ou do pai. Se viro a minha cabeça para a esquerda da minha Secretária, no meu estudo da Parede, onde escrevo este livro, posso ver a foto tirada a nós pelo nosso cunhado Miguel amante da fotografia e exilado como nós, de Gloria na sua bicicleta com a pequena filha deles, Miguel e Blanquita, Alejandra, outra pequena cheia de mimos como Camila, no selim de trás, Paula, na de Fiona e eu com Kamella no seu selim da minha bicicleta. Fotos que adoro ter, sinto a família ao pé de mim! Bom, o problema foi resolvido ao separar os passeios: Gloria ia ao pé da, já nesse tempo, bicicleta de Camila, enquanto eu acompanhava a Paula. Essa Paula que, no dia do exame do regulamento de bicicletas, nem queria ir connosco, queria ir só. Temidos, a deixamos, era o que ela queria e as crianças, ou som respeitados, ou, como já tenho exprimido, são colonizadas por nós. Colonizadas, por causa de ditar leis e decretos a uma pequena já muito racional, mas dominada, se era sempre acompanhada, pelos pais galinhas que nós éramos....Os passeios em bicicleta passaram a ser um tormento, especialmente quando Gloria tomava partido por uma ou outra. Como homem patriarcal que sempre fui, mandava a Paula ir em frente só e eu ficava ao pé delas: Gloria e Camila. O problema foi resolvido por Paula: nunca mais saia de bicicleta com nós, saia com a sua amiga da alma, uma das gémeas Reid, Helen, como tem sido contado a mim ao telefone pela própria nossa filha Paula. Era parte do começo do fim da pequena família, como é natural: os filhos crescem e procuram as suas alternativas, especialmente se entre os pais há debates e disputas ou desencontros, como começou a acontecer entre nós. No entanto, hoje é bem melhor do que ontem, pelo que estou agradecido: as filhas preocupam-se com os pais, nós, os pais, entendemo-nos um com o outro, por sermos pais das mesmas filhas, avó e avô dos mesmos netos, sogros dos mesmos homens das, hoje crescidas e brilhantes filhas, genros brilhantes e queridos, interessados em nós, como digo num texto escrito por mim e dedicado a Camila e os eu homem, Felix Ilsley, bem como os dedicados a Paula e o pai dos seus filhos, Cristan van Emden, pais dessa lindas crianças, que. as tantas, vão falando connosco, Tomas Mauro e Maira Rose. Bem queria eu que tivessem um I no meio, mas....a lei e o produto, é deles, nada para nós dizer ou comentar. Penso que a família perde-se de outra maneira, quando há raiva entre os adultos, como foi no tempo da doença e depressão, muito razoável, de Gloria. Neste dias, Gloria é a mais razoável: não telefona, espera que as filhas liguem. Eu, pai galinha como tenho ficado, vou falando, falando, até elas já nada mais querer saber de mim! Os pais podemos, facilmente, destruir a família, sem querer. O nosso dever é dar e dar, ou, pelo menos, é o que eu penso e faço....e , de certeza, faço mal! Assim, perco a pequena família...
A vida académica é um labirinto de paixões. Um labirinto no qual queremos avançar e ir sempre em frente.

 A vida académica em todos os sítios é uma espinha que corte a afectividade e vai deixando a afectividade em segundo lugar. A minha filha Paula disse-me um dia, nos sues 8 anos: “Dad you are always busy, you do not have time for us, you never go out or take us to the cinema” A verdade era que eu pensava que fazia o melhor ao trabalhar na minha carreira para poder manter o lar com os lucros adquiridos da mesma, por causa do ordenado o de direitos de autor os dos pagamentos pelas tutorias por mim dadas em Faculdades que me requeriam. Normalmente, em Cambridge, no começo da perda da minha pequena família, eu tinha mais do que era permitido em estudantes em tutorias. Podíamos ter até 20, eu tinha 25 ou 30 e sabia atender a todos como deve ser. Escolhia vários deles de ano em ano e os convidava para casa para beber chá connosco. As minhas filhas e a minha mulher gostavam, mas começaram a se cansar ao ter a casa sempre invadida ou por chilenos exilados, o pelo movimento de Direitos Humanos que Iain Wright e eu tínhamos organizado em Cambridge e as reuniões, parecia-me natural, aconteciam na nossa casa. O trabalho com os exilados era pesado e eu tomei esse trabalho com grande entusiasmo. Aliás, era o terapeuta do grupo de Chilenos, fui o Presidente dos nossos 200 refugiados-2000 na Grã-bretanha- em Cambridge, com gentileza e delicadeza. Iain recomendava sempre que a casa era para viver e que as reuniões deviam ser em outro sítio. Solicitei a uma membro do Movimento de Direitos Humanos, Ethel Shephard, se as reuniões podiam ser em casa dela, o que aceitou com a condição de ser ela a Chairman ou Presidente desta organização, com um salário mínimo; parecia-me razoável: o Comité era formado por ingleses e o seu pedido foi aceite não apenas por causa de usar a sua casa, bem como porque devia gastar em telefone para nós convocar, ou estar em contacto com os chilenos. Os meus compatriotas começaram-se a irritar: a senhora nada mais tinha para fazer, não trabalhava, o marido estava sempre fora de casa, não tinham filhos, pelo que começou a se impingir na vida dos chilenos. Eles estavam estragados. Ser esta senhora a presidir, foi um engano: obrigava-me a ir a sua casa e gastar o meu tempo em ninharias e em conversa do tipo “dizem por aí....” em casa dela. Eis também o motivo pelo qual levava as minhas filhas em bicicleta para o outro lado da cidade, ela morava na parte mais baixa. A experiência foi dura e foi preciso tornar a minha casa onde, um dia, ao expor o caso de uma família chilena, foi-me dito por ela, em inglês, como é evidente, mas vou poupar mais traduções ao leitor. Foi dura, porque Mrs. Ethel Shephard considerava aos chilenos descosidos!, para ela, o motivo pelo qual tinham perdido o país. Acrescentou nesse dia do ano de 1979, que “ Sejamos francos, Rául todos sabemos que o único gentleman do grupo é o Senhor Doutor, os outros sofrem porque merecem...” .

A mina raiva foi imensa e, pela primeira vez na minha vida, pus-me em pé e gritei: “Está tão enganada, que a Senhora nem merece estar no Comité e, ainda menos, na minha casa! Faça o favor de deixar o Comité e sair já desta casa!”, nos tempos em que ela tinha manipulado para tornar a usar a minha casa e não a sua, “estes descosidos sujam tudo”, costumava dizer. Tentou ripostar, mas eu o não permiti, agarrei-a do braço e, aos empurrões, a levei para a porta e solicitei sair já! Queria-se defender, mas, contra todos os meus hábitos, a empurrei, fechei a porta trás ela. Tormentos do exílio! Esta a minha atitude, teve dois efeitos: o primeiro, foi ganhar mais uma pessoa a falar mal dos chilenos expatriados, que começou a escrever no Jornal de Cambridge . A segunda, mais interessante, ganhei, mais uma vez, a confiança dos chilenos, que pensavam que eu estava a jogar a ser inglês, o que os aborrecia, e a mim também! Recebi os comentários de um dos melhores Historiadores do Chile, exilado em Cambridge e a trabalhar como limpador ou empregado da limpeza, na instituição para o desporto, ascendido em breve a empregado de manutenção, no denominado Kelsey Kerridge Sport Hall O seu nome era Leonardo Castillo Ramírez, a trabalhar em limpar os banhos dos desportistas que, normalmente, passavam a noite no YMCA. Não disse nada, e, calado, fui falar com Iain Wright, relatei o caso, e Leonardo, o melhor intelectual chileno desses tempos e de hoje, ficou matriculado no Departamento de Sociologia de nossa Faculdade de Antropologia, Sociologia e Arqueologia, para realizar o seu doutoramento. Quem tinha intervindo antes de forma efectiva, era um outro membro de Academics for Chile, o nosso amigo David Lehman , que foi o seu orientador de tese, quem colaborou com esforço à entrada de Leonardo para o seu Doutoramento em Cambridge. A mina conversa com Iain Wright pode ter ajudado ou não, mas David Lehmann tinha feito a papelada prévia. Tese que fez com prazer em cinco anos. Sou testemunha do trabalho, ao estarmos no mesmo prédio, e tomar café de manhã ou tarde, ou almoçar no Refeitório da Universidade ou Community Centre, ou nas nossas casas. Aliás, éramos vizinhos de quarteirão, eles moravam na rua 7 Harvey Road, e nós, em 53 Bateman St. Visitávamo-nos dia sim, dia não. Normalmente, éramos nós a ir a casa deles e tomar onces, essas deliciosas onces, sempre preparadas pela sua castiça e querida mulher Patrícia Burns, essa estimada amiga, capaz de trabalhar, como a minha mulher também fez, em todo e qualquer tipo de serviço doméstico que der dinheiro. Como Patrícia costumava dizer: “Para mi, mi querido Raúl, el dinero es lo primero, antes que Dios o el Diablo, mi marido o mis hijos, porque amo a mi marido que es primero, y después mis hijos y debo ayudarlos para su sustento– nesse tempo dois filhos,!”, Leonardo Jr ou Tato como nós o denominávamos, Pablo, a chuchar sempre esse horrível instrumento de carinho feito em borracha, hoje os dois adultos a trabalhar nas suas profissões, e bem mais tarde, a filha resultado da paixão não calculada, Andrea, a que mais acompanha aos seus pais nestes dias. Os rapazes estão com as suas raparigas, mas que não têm feito dos meus amigos, Patrícia Avó e Leonardo, Avô, como refere Patrícia a mim, neste dia 27 de Fevereiro, às cinco da tarde, como os poemas de Lorca! Acrescenta que é a grande tristeza da sua alma não ser Avó, essa querida Senhora! Leonardo desempenhou as suas funções no Instituto Politécnico de Cambridge , hoje a Ruskin University of Cambridge, referida em nota de rodapé, com obra e trabalhos. Leonardo e Patrícia não eram apenas bons amigos, mas pessoas de grande respeito entre os dois. Amavam-se, era evidente, eram capazes de aceitar o exílio por se acompanharem e tomar conta da família, sem andar de um sítio para outro, como eu fiz. O desperdício, suja o tacho. O tacho deles estava limpo, o nosso, começava a estar sujo. Muitas recomendações deles para nós, com a certeza de Patrícia de que eu nunca ia abandonar a minha mulher e pregar esse os seu sermões ou conversa de amiga, como eu denomino.

Era uma família exemplar. Não consigo esquecer o dia em que Gloria e eu fomos visitar estes amigos e eu, que queria ter uma conversa com Leonardo apenas, a sua mulher era, como eu referia sempre, omnipresente!, e o convidei a beber uma cerveja, estranho em mim, porque raramente bebia. Ela diz: “não, o Leo sem mim, não vai a parte nenhuma” A minha mulher, a seguir, comentou. Já em casa, : “vês? Fizeste mal. Homem e mulher andam sempre juntos nos divertimentos, não como tu, que sempre deixas-me só!” Era a segunda acometida familiar aos meus deveres de pai, queixa recebida por mim no seio da pequena família, família perdida para mim, por causa de mim! Ia tentando remendar, mas era difícil Levei às pequenas a ver o filme da sua vida, Paula com 14, Camila com 8, Grease ou Brilhantina em Português, com John Travolta e Olivia Newton-Jones. Elas estavam felizes! Até cantavam e adquiri a cassete da música, –ainda não havia CDs- com essa terrível condição de pai que ama mas não sabe bem como, ou pai neurótico. Deitei, sem saber um duche de agua frio no corpo delas ao dizer: “Well, that’s done. I hope not to have to go again..” ou assim. É que a minha descambada cabeça académica reclamava o meu tempo todo para os meus trabalhos.....Fiz mal, mas, não pode hoje ser remediado!

Não consigo esquecer como era essa a nossa vida de exilados, ao lembrar a minha filha mais velha, Paula, cantar os denominados Christmas Carols ou villancicos na Espanha ou, ainda em português, Cânticos de Natal ou, como se diz no Norte de Portugal, Cantigas de Janeiro, com um piscar de olhos para mim e um sorriso aberto e querido, enquanto eu estava a olhar ao seu grupo, em pé sob a neve de Cambridge, e timidamente sorridente, por causa de ter o prazer de ver ao seu pai, mais uma vez, nesse Natal, para ela, nesse tempo, o Big Professor of Portugal! Bem como não esqueço o dia de Natal ao ir visitar a nossa mãe da casa, a minha mulher Gloria, toda triste e deprimida por causa do exílio. Vou usar, mais uma vez essa palavra: o exílio foi caro, custou-nos imenso em emotividade e trabalho, especialmente porque, por ordem do tribunal de menores, tive que ficar a tomar conta das raparigas, enquanto a minha mulher recuperava de uma péssima depressão causada pela falta de objectivos de vida, que soube encontrar depois. Os Castillo, os amigos ingleses, todo foram ter comigo e perguntar o quê podiam fazer para colaborar.

No meu desespero, eu dizia: desculpem não perguntem, façam! Tenho trabalho a mais com a minha querida mulher doente, as filhas para criar e ocultar a dor assim elas não sofrem tanto, porque já é duro para elas, e outras conversas. A nossa amiga Alison Walsham, mulher do Professor de Física Nuclear, Jerry Walsaham, mãe de seis filhos, foi ter comigo e perguntou no quê...Eu respondi que ela já tinha muita coisa a fazer com tanta criança e o melhor era esperar, também eles sem família –eram do Pais de Gales-, a recuperação da minha mulher e a minha, para por todo outra vez, como deve ser! Ela, rapidamente, ripostou: “Ràul, you, men, are incredible. You believe to be an almighty person and can do everything by yourself” Nada tinha para acrescentar, ela sim tinha para dizer que talvez era a minha falta de companhia para a minha mulher, o que tinha partido em dois as relações que todo o mundo admirava por parecer tão amáveis e boas. E vou ficando por aqui, sem deixar antes de acrescentar que o meu cunhado e irmã, em Southampton, ajudaram imenso no cuidado das minhas, nossas crianças e tentaram restabelecer a harmonia entre nós. O meu cunhado foi especialmente a Cambridge para falar com nós, mas ao ver o estado da situação, de imediato voltou a sua casa, sentia a falta do carinho da sua mulher ao perceber que entre nós esse carinho estava instável, pelos motivos referidos pelos que sabem destas matérias, os psicanalistas .

A nossa filha Paula começou trabalhar no verões numa loja de sapatos. Tinha 14 anos, mas, ai! de quem, a essa idade e na Anglicana Grã-bretanha, não trabalha-se o verão tudo para juntar dinheiro para o seu bolso sem pedir aos pais, ou pocket money, e passar o tempo todo em viagens, danças e divertimentos. Não era assim, fossem filhos de Duques ou plebeus, era a idade de ter a sua própria opção, baseada no cálculo do seu dinheiro, gastar ou não, comprar ou não, investir dinheiro, ou o poupar, como a nossa Camila fez: investimento em poupanças no Banco, a taxas altas de juro. A minha irmã transferiu-se de Southampton a Cambridge para colaborar, acompanhamos a Paula ate perto de um quarteirão antes do sítio de trabalho, uma sapataria, virou-se para nós, que não tínhamos esse hábito, e disse: “Now, go back, it’s my work, it’s um life. I do not want to be ashamed by my family as if I was a little girl who needs someone to be with”. E foi assim. Tornamos a casa, fizemos um almoço imenso para ela, com mais investimento do que ela ganhava como vendedora e assim aprendemos o que era o valor da teimosia e do dinheiro. Camila passou a ser, nos verões e entre aulas, já no pré Universitário de Hills Rd, empregada de café. Diz que ganhava mais com os tips ou gorjetas, que com o salário do café, um trabalho muito cansativo, mas que....rendia!

Vida de luta, esta a do exílio, que fez de nós proletários intelectuais e família unida à distância, com todas as festas rituais em conjunto, a minha mulher na Parede, eu, em Cambridge, os verões ou Semana Santa. Como referia um Colega meu de Portugal, era pai de avião....Haja Deus!

(Continua)
Notas:

Caroline Humphrey foi a minha amiga muito pessoal. Nos meus tempos de Cambridge, trocávamos impressões intimas, que, por ser pessoais, não vou reproduzir no texto. Mas, não por ser a minha amiga, ia defender a minha tese, bem ao contrário, como foi referido por ela, foi proibida de falar por causa de relação pessoal de amigos, conhecida por todos. Apenas que, na minha casa, era sempre pensado que era a mina amante, longe de ser realidade! Até onde possa dizer, nunca tive actividades matrimoniais extracurriculares, ela também não. É o problema das mulheres por causa dos homens sempre ter relações fora do leito nupcial. Eis o motivo que me levara, também, a ser membro do Movimento de Contra Sexismo. Caroline é, hoje em dia, a Catedrática William Wyse do Departamento em Cambridge. Referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Caroline+Humphrey&btnG=Pesquisar&meta= Caroline foi uma destemida uma investigadora de campo. Contava-me que, ao investigar os Mongoles da União Soviética desses tempos, ela dormia numa tenda por cima da neve dos País Mongol, nas estepes do país. Os seus textos estão referidos na página Web: http://www.innerasiaresearch.org/caroline_humphrey.htm tenho a tentação de dizer mais, mas, fico temido por abusar da paciência das pessoas, sempre interrompida a sua leitura pela minha aprendida forma académica de citar dois autores, pelo menos, quando afirmo ou digo alguma nova ideia. Forma de escrita muito britânica introduzida por mim entre os meus orientados de trabalho de campo e teses em Portugal, como é referido por vários nos seus textos. Apenas talvez dizer que a sua tese de Doutoramento foi baseada no seu trabalho de campo em Buriatya, hoje parte da China Mongol, referida em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Buryatia+Mongolia&btnG=Pesquisar&meta= A obra de Caroline, hoje Professor Caroline Humphry, está referida na página Web: http://www.innerasiaresearch.org/humphreypublications.htm
John Davis foi amável e simpático, por ser o examinador de fora ou convidado, era suposto ser quem devia encontrar os pontos fracos da minha tese. Com essa consciência, a sua natural simpatia, como me contara depois, foi extrema porque sabia a minha história. Aliás, nós, examinados de tese, não podíamos saber quem era o escolhido para arguir uma tese, apenas o Catedrático sabia e o segredo era muito bem guardado para nós não preparar respostas ao ler a presa textos do examinador. Bem como não podiamos saber quem era o examinador interno, por causa do mesmo comportamento. Mas, o nosso habitual convívio dos membros do Departamento, em breve fez-me entender quem era o destinado a ser arguente interno, o, nesse tempo Seniour Lecturer ou Professor Associado se for em Portugal, Ray Abrahams, mais um judeu escapados os pais, da Alemanha nazi, com os seus filhos. De repente, deixou de falar comigo, no entanto, um dia perguntou-me, por causa da Secretária do Departamento falar muito calada com ele nas escadas, se o dia 20 de Janeiro era um dia muito ocupado para mim. Eu disse, não é apenas o dia do meu aniversário! Ele sorriu e mais nada referiu. Foi assim que soube que era o meu examinador interno! Ray era incapaz de fingir e éramos íntimos demais para pretender outras maneiras de comportamento, pelo que ele evitava-me. Mais tarde, ao estar em Cambridge, disse-me: “Rául, I have not seen you for long! Come to hev lunch with me, that luch which you refused to have with us on the day I argued the best doctoral thesis I have ever red! Fiquei babado! A obra de ambos está referida no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Professor+John+Davis+Institute+of+Social+and+Cultural+Anthropology+Oxford+University+&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente a sua obra como especialista nos povos do Mediterrâneo, na página web: http://en.wikipedia.org/wiki/John_Davis_(academic) No tempo de analisar a minha tese, John Russell Davis era docente da Universidade de Kent en Canterbury, a seguir, foi eleito Catedrático no Instituto de Antropologia Social e Cultural da Universidade de Oxford e, em 1995, eleito Reitor da Faculdade de All Souls, da dita Universidade. Foi uma grande alegria quando vi que era ele, porque, sem saber, tinha usado os seus trabalhos sobre o Mediterrâneo para o debate teórico dos meus factos. A do Ray, no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ray+Abrahams+Senior+Lecturer+Social+Anthropology+Cambridge+University&btnG=Pesquisar&meta= e na página web: assets.cambridge.org/97805216/21892/frontmatter/9780521621892_frontmatter.pdf A sua obra é sobre religiões e por causa do meu argumento central ser religioso: solidariedade, reciprocidade, igreja e outros conceitos, ele era a pessoa indicada. Jack era uma pessoa sensata na eleição de membro de júri.
Once, que a minha mulher por força do hábito, dizia em plural, não é um número, é um mistério, para nós chilenos. Há várias interpretações, como é referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Tomar+onces&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= especialmente a citação de uma carta na caixa de diálogo de Internet, página web: http://forum.wordreference.com/showthread.php?t=299481 “Tomar once, es un chilensimo. Significa consumir una merienda ligera aproximadamente a las 5 de la tarde, normalmente compuesta de té y algo más sólido, como pan con mantequilla, o con queso, o con jamón, etc.

El origen de la expresión es dudoso. Una leyenda popular refiere que es un eufemismo nacido en el ámbito de la iglesia: Según esta versión poco confirmable, para no invitarse directamente a tomar algo de aguardiente, los curas coloniales decían: "vamos a tomar once"... Porque la palabra aguardiente tiene once letras. Ahora, por qué los chilenos cambiamos algo tan distintivo como un trago de aguardiente a las cinco de la tarde, por el aburrido té con pan de nuestros días, es un misterio todavía mayor.

Una traducción posible sería algo así como el "five o'clock tea" de los ingleses, lo que se aúna al risible mito nacional del siglo XIX, de ser los ingleses de América del Sur (de puntuales tenemos bastante poco).
Esta carta está assinada por um senhor David, sem apelido de família. Não resisto acrecentar mais esta outra interpretação da Enciclopédia on-line: El origen del término es discutido, aunque lo más probable es que se derive de una comida tomada a media mañana (a las 11), y esa es la interpretación que le da la Real Academia Española. Otra posibilidad es que el término sea una traducción literal de la comida inglesa elevenses. Por último, lo que probablemente sea una etimología popular dice que esta palabra viene de la costumbre de los trabajadores de las salitreras a finales del siglo XIX, quienes acompañaban la merienda con un trago de aguardiente. Por la existencia de restricciones para beber alcohol, llamaban once a tal comida, por la cantidad de letras (11) que posee la palabra aguardiente. Una variación de la última teoría dice que durante la colonia los caballeros que querían tomar aguardiente se referían a esta bebida como 11, para que las damas no se dieran cuenta. Gramaticalmente, lo más correcto es decir "las once", "unas ricas once", pero popularmente se dice "la once", "una rica once" o "las onces", "unas ricas onces" por cosiderarse la palabra "once" como un objeto, y por ende, una palabra singular (y por lo mismo, en caso del plural, "Las onces"). Retirado de confiáveis enciclopédias on line : http://es.wikipedia.org/wiki/Las_once Normalmente é usado em plural, como a minha experiência diz


Em formato de papel e cartão, o livro está comigo: Brincadeiras da minha meninice, escrito por vários de nós. O título do meu texto foi alterado. Originalmente era: “Menino, faz um cavalheiro”, brincadeira do meu avô comigo, e foi escrito como: “Meu pequeno, faz de conta que és um homem”, outro drama do exílio, o não acreditarem que o que escrevemos está certo por causa de sermos estrangeiros....! No texto, de 10 páginas, relato como levava as nossas filhas em bicicleta e o duro que era quando devia ou subir a ponte por cima dos caminhos de ferro, ou para ir a sítios altos da cidade. Era a bicicleta na qual transportava as meninas todos os dias, Paula a Saint Paul’s, Camila ao Play Group. Camila de bom humor – nem sempre de manhã!-, procurava agasalho no meu corpo: erla avançava primeiro, o selim estava em frente de mim! De mal humor, Camila costumava dicer: “Camila, Camila, you are my father and do not even know my name”. É evidente, para o seu ouvido inglês Camila era Kamella....Mas...tive que mudar e até o dia de hoje, ao falar com ela, raramente nestes dias, sempre digo “Kamella”, com especial cuidado para a não ofender....O texto está no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Brincandeiras+da+minha++meninice+AJTG&btnG=Pesquisar&meta=
O Jornal cidade de Cambridge mais importante, era o Cambridge Evening News, não apenas lido por nós todos, bem como pela população inglesa, naturalmente. As vezes, tinha eu que correr à morada do jornal, em Winship Road, Milton, Cambridge CB4 6PP e solicitar ao Director publicar esta notícia, ou não publicar esta outra. Por causa da senhora mencionada no texto foi preciso ir mais do que uma vez a pedir para não se publicar esta ou outra notícia, especialmente de roubos ou latrocínios de chilenos que, na sua depressão, queriam ter algo seu, qualquer coisa material e dispendioso, que não podiam comprar e roubavam! Facto pouco conveniente para nós, se for sabido pelo público da cidade. Era preciso manter o maior respeito dentro de um país de acolhimento e de uma cultura diferente a nossa. Especialmente nos super mercados. Introduzi a uma minha amiga, chilena exilada e docente universitaria no Chile, como era comprar nos super mercados. Ela começou a guardar bens de consumo pequenos na sua mala de Senhora, essa que é levada ao ombro ou mala de mão. De imediato adverti que havia cestos especiais para pôr as compras. Ela disse: “esto, eu não vou pagar, a burguesia nos roubou todo, eu reclamo e roubo à burguesia!” O nome de chileno, com o passar do tempo, era semelhante a dizer ladrão. Reuni à comunidade de Cambridge e fiz uma homilia, praticamente e levei a minha amiga Sue Miller, Advogada, para explicar o que é era delito o que o não o era. Foi um sucesso! Os roubos pararam, apenas que...o nome ficou associado ao facto!
O YMCA, é uma organização cristã, definida assim: The Young Men's Christian Association ("YMCA" or "the Y") was founded on June 6, 1844 in London, England by a young man by the name of George Williams.. Retirado da página Web: http://en.wikipedia.org/wiki/YMCA sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=YMCA&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=
Leonardo confessou um dia que tinha preferido trabalhar no denominado Clube de Desporto, porque já era muito bom ser recebido num país estrangeiro, mas que não era bom viver do dinheiro dos contribuintes. Linda lição, que eu aprendi e até hoje não tenho esquecido. Ele trabalhava no Chile de ontem, no Centro de Investigação denominado CEREN, ou Centro de Estudos da Realidade Nacional ou CEREN, que editava a Revista muito afamada CESO, do Centro de Estudos de Sociologia, da Universidade do Chile em Santiago. Em Santiago estava também a Pontifícia Universidade Católica do Chile, a cujo campus de Talca, optei por ir, como narrei antes. Conhecia os estudos e textos de Leonardo, mas o não conhecia pessoalmente ele, mas, fiquei impressionado pelo seu senhorio e por não perder tempo no que ele denominava “nimiedades” ou o dito castiço chileno de tonterias. Leonardo e Patrícia sabiam trabalhar e tinham muito respeito um pelo outro. Bem como, durante um corto tempo, no Consejo Internacional de Ciencia y Tecnología, associado antes ao Ministério de Educación y Ciencias, hoje ao Ministério de Assuntos Estrangeiros do Chile ou, em chileno castiço: Ministério de Relaciones Exteriores. O CONICYT, no ano 1997, fez um Convénio connosco, o Ministro da Ciência e Tecnologia de Portugal, o Presidente do Banco de Portugal e outros, íamos na comitiva do Ministro. O convénio permitia levar portugueses para investigar mo Chile, fomos três, e três chilenos viram para a nossa Universidade Autónoma de Lisboa ou ISCTE, para um Mestrado, que foi aprovado. Eu, deslocava-me ao Chile duas vezes por ano para ditar um curso de Mestrado em Antropologia da Educação, na hoje Universidade Autónoma do Chile, antes Instituo del Valle Central. Já não estava ai Leonardo nem o nosso visitante, o bem afamado socialista francês, Armand Mattelard, que trabalhara com o meu amigo, ou vice-versa. Seis tese foram feitas, bem como eu escrevi mais dois livros, apresentados na Comuna de Pencahue, Província de Talca, perante uma imensa multidão, com uma festa com o tradicional bailado da Cueca –não é, como em Português, uma peça de roupa, é uma dança nacional chilena, derivada dos bailados de Andaluzia. O CONICYT está referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=CONICYT+Chile&btnG=Pesquisar&meta= , página Web: http://www.conicyt.cl/573/channel.html
David Lehman é referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Cambridge+University+David+Lehmann&spell=1 , especialmente a página web que relata a passagem de David a Senior Reader ou Professor Agregado, em Português. Referido na página web: http://www.sps.cam.ac.uk/soc/staff/dlehmann.html
Leonardo Castillo desempenhou o seu cargo de Historiador ou Lecturer in Latin American Studies no referido instituto ,que em inglês é denominado: Cambridge College of Arts and Technology ou CCAT, referido no sítio net:http://www.google.pt/search?hl=pt- e PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Anglia+Polytechnic+Studies+Cambridge&spell=1 Pasou a ser mais tarde a denominada Anglia Ruskin University os Cambridge and Chelmsford, referida no sítio net: www.anglia.ac.uk/ - Leonardo Castillo, referido em sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Leonardo+Castillo+Anglia+Polytechnic+Studies+Cambridge&btnG=Pesquisar&meta= , com obra e trabalho.






























Para saber mais sobre esta matéria da qual já não queria referir mais, ver o texto da analista Avila, Mariela
Facultad de Sicología, Universidad Nacional de La Plata. Argentina: “La pérdida del amor. Del enloquecimiento a la psicosis”, em Seminario de analistas em Rio de la Plata, texto de 9 de Agosto de 2007, referido no sítio net http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Definir+Sindrome+Depressivo+causada+por+ex%C3%ADlio&btnG=Pesquisa+do+Google&meta = no sítio documentos pdf.
Informado a mim, pela minha Advogada, a Dra. Manuela Neves Martins. O Código do Trabalho


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (19)
(Continuação)

Capítulo 5- Perda da família


Falar da perda da família, é uma confissão que experimentamos não falar. Foi uma experiência triste, em parte narrada na Introdução deste texto. A família alargada , como dizemos em Antropologia, rapidamente afastou-se de mim. Era o parente traidor, era o parente que fazia mal, era o parente ovelha negra. Ainda lembro as palavras da última vez que vi a minha sogra, ainda em Cambridge. Apenas ficaram ao pé de nós essa a minha querida irmã Blanquita, quem tinha partilhado comigo o campo de concentração, e o nosso psicólogo, Miguel Toro Melo, fundador e docente da Universidade Autónoma do Chile, que começou em Talca, como Instituo del Valle Central, e passou a ser o meu cunhado ao casar com Blanquita da forma narrada no Capítulo1, mas que, enquanto era o meu psicólogo, teve a gentileza de ir cumprimentar-me para dizer adeus. No entanto, anos mais tarde, disse-me que eu era um romântico.

Não era para se despedir de mim, bem como para ver, uma vez mais, a minha irmã, que ele tinha começado amar, mas queria ter a certeza. Esses tempos que vivíamos, cheios de incertezas e de não saber quem era o quê, fez que essa visita for realizada. Tempos incertos, ainda, entre os membros da UP: fui cumprimentar ao único vizinho nosso que falava ainda connosco, um membro do Partido Radical, referido ao falar de Orlando Cantuárias no Capítulo 1, e disse que vinha a cumprimentar e a me despedir, porque ia ao estrangeiro.

 Acrescentei ao vizinho que tínhamos perdido a batalha da UP e a sua resposta deixou-me de boca aberta, para não dizer surpreendido. Surpreendido não podia estar, era, com todo, do, mas desse de tirar vantagens! Partido Radical , um membro da UP por conveniência de ganhar e obter cargos e regalias governamentais. Esse o meu vizinho, cujo nome apaguei das minhas recordações e dos meus livros para escrever a minha vida, respondeu, em castelhano, evidente, ele apenas sabia essa língua e mais nada: “Nós nada temos perdido. Eu tenho o meu trabalho, o Senhor – em chileno castiço, disse-me o Inhor, que se escreve iñor- tem o seu. Os que perderam foram os rotos – esse descosidos de que tanto falei nos capítulo precedentes – que não nos souberam defender!” Fiquei horrorizado e temido com essa resposta, mas nem surpreendido devia ter ficado. Ele não era como Pedro Aguirre Cerda, nem Bilbao nem Arcos, era à Cantuárias!. Sempre estimei que estarmos na UP, era para servir aos mais pobres e assim eles partilharem a riqueza do Chile, o mínimo de justiça social, quer para cristãos, quer para ateus! Fiquei furioso!

Esse dia entendi porque não tinha querido participar na Junta de Vizinhos do nosso bairro, na base da lei feita redigida por mim e Francisco Vio nos anos sessenta: eu solicitava horas livres para as empregadas domésticas, que, de forma eufémica, são denominadas Trabalhadoras por Horas ou Mulher a Dias, e no Chile de hoje, são Nanas. No Chile de Antigamente, der Nana era a servente que tomava conta de um dos filhos do patrão, o resto era a servidão, for tratada bem ou mal. Na casa dos meus Senhores Pais, havia uma imensidão de servidores, todos bem pagos e tratados com a dignidade de pessoas que eram.

Foi ai que nós, os descendentes, aprendemos a tratar aos nossos próprios serventes. Com horas livres para o descanso e até para estudar cursos de modas, como aconteceu com uma das nossas empregadas, uma rapariga nova, Eliana, que não sabia o quê fazer se não trabalhava. Foi a nossa ideia de lhe pagar um curso de Modista, para o qual tinha horas de licença do trabalho na nossa casa e o fim de semana era usado para ir a casa dos pais, no pequeno povo de Bobadilla, sito ao Sul de Talca, por perto da Província de Linares, onde tinha um namorado. Ela tinha a nossa cumplicidade, não por sermos socialistas, era apenas porque sabíamos o que o amor era... Para acabar a história do dito vizinho, dito radical, costumava dizer, como outros membros do bairro, que éramos um mal exemplo: “o povo é duro e é preciso trata-lo como tal, estes rotos de merda só sabem trabalhar, para isso é que existem, para aliviar o nosso trabalho”. Essa família tinha uma empregada para o denominado todo tipo de serviço e apenas saia de quinze em quinze dias, aos Domingos, a seguir a lavagem da loiça usada ao almoço. Falei um dia com ela e li a ela os seus direitos.

A seguir, por ter sido espreitado pelo esse o meu vizinho, ela nunca mais falou comigo e disse a correr: “Don Raúl, falar consigo é um perigo, se me vem falar consigo outra vez, perco o emprego, que preciso para mim e a minha mãe viúva.” Fui de imediato falar com o malvado vizinho, esse dito radical, que de radical apenas tinha empreendimentos como Construtor Civil que era, empreendimentos dados a ele pelos membros do seu partido no Governo Regional e expliquei que...não consegui: mal apareci na casa à qual entrava sempre, ele falou: “O senhor manda na sua casa como entende, eu, na minha, da forma que sei”. Mais uma amizade e vizinhança cortada. Até a nossa pequena filha Paula, muito amiga da filha dos nossos mais imediatos vizinhos, os Meier, Jimena e Walter, deixaram também de falar connosco, por causa do perigo que para eles representavas, desde a noite que fui levado ao campo de concentração. A nossa pequena filha não conseguia entender porquê a sua pequena vizinha, também de nome Paula, não podia brincar com ela.

Era difícil de explicar. Como era também difícil dizer a família a forma de tratamento que dava-mos aos nossos serventes, Eliana em casa, Cora que ia engomar, e ao José, que tratava do nosso encerado do piso da casa e a uma senhora que lavava a nossa roupa em casa dela. Pensávamos estar pouco tempo, não tínhamos máquina de lavar e era muito o trabalho para Eliana fazer a comida, limpar a casa e lavar, o que normalmente era mandado nas casas onde havia empregadas. Eu não gostava de sobrecarregar de trabalho a apenas uma pessoa e, apesar de ganhar bom dinheiro na Universidade, não dava para tanto e a minha mulher Glória começou a trabalhar na organização de um Museu, projecto do nosso amigo Ministro da Corte e Reitor delegado da Pontifícia em Talca, que Gloria soube fazer as mil maravilhas com um dos meus colaboradores, contratado especialmente para esse trabalho, Angel Sanmartín, a quem eu, por ironia, denominava O Libertador....sem saber que me andava a tentar me libertar da minha pessoa mais amada, mas como essa história não é minha, a não refiro mais. Ele e Gastón Pérez, da equipa de Artes e Cerâmicas da Universidade do Chile, com Sede em Talca, como nós. Fizeram um lindo trabalho, orientado por Gloria que, nesse tempo, sob a minha responsabilidade, deleguei a orientação em ela, a mais sabida pelo amor que dedicou ao trabalho, como pessoa graduada em Arquitectura Interior, com imenso talento para a arte: o génio estava dentro da família. Ainda mais, essa devoção ao trabalho de Museu, era feito para salvar espécies em vias de extinção, dentro da agricultura, já não usadas pelos trabalhadores rurais.

Passou a ser o Museu de Glória Iturra, muito celebrado e muito estimulado. Ente a Museologia e o batik, essa arte da Malásia, Tailândia e outras nações orientais, está referido em nota de rodapé , com definição da arte e a sua expansão e a sua história. Era uma forma de tingir roupas, expandida para fazer pinturas e decorar a casa como está referido na nota de rodapé, técnica, que mais tarde, faria no exílio para incrementar as nossas entradas.

Tornando ao texto centra, esse repartir o dinheiro por todos, era uma antecipação ao socialismo chileno, que queríamos ver materialmente. Estas, como dizia a minha mulher, eram as minhas extravagâncias, bem como o facto de organizar um fundo comum com os nossos ordenados e os dividir entre todos conforme as suas necessidades, essa antecipação à forma socialista de vida que, estávamos certos, ia acontecer.

Eu ganhava mais do que todos, por ser Presidente do CEAC e ter um Mestrado Britânico e ser candidato a Doutor já, suspenso enquanto ia visitar o Chile de Allende. De certeza, a perca da via chilena ao socialismo e o meu trabalho de campo entre os camponeses do Chile, fizeram-me escolher, mais tarde, a Galiza Rural: uma compensação emotiva e psicológica. Essas as minhas denominadas extravagâncias, não eram entendida pela minha família, excepto pela minha irmã que era uma convicta mulher de esquerda, e pela minha Senhora Mãe, de quem eu tinha aprendido esse tratamento da igualdade para com os nossos subordinados do nosso lar. No seu senhorio, herdado pela minha irmã mais querida, que esteve em prisão comigo, sabia o que era mandar sem escravizar aos mais pobres. O resto da família, não entendia e diziam que eu era doido, a ovelha preta da família, por causa de não seguir as ideias cristãs que, conforme eles, indicavam que as diferenças de classe deviam ser respeitadas, como Deus tinha indicado. O Nosso Senhor, que todo o sabe, tinha criado....A minha Senhora Mãe entendia, a minha Senhora Sogra, talvez menos, mas respeitava essas as minhas denominadas extravagâncias, pelo menos, algumas.... O que ela nunca respeitou, foi o meu pedido para nunca termos aparelho de televisão em casa e assim expandir a imaginação das crianças com jogos e danças e música ouvida e dançada, como aconteceu mais tarde na nossa casa de Cambridge.

No entanto, cada pessoa tem uma ideia diferente para agradar aos outros e como ela gostava da televisão, pensava que a única pequena nossa nesses tempos, Paula, ia gostar de ver telenovelas e outras histórias, o que não aconteceu. Apenas que, senti a obrigação de respeitar as ideias dessa querida Senhora, que adorava a, nesse tempo a sua única neta. Ela adorava não apenas as suas filhas, bem como as suas netas, nesses dias apenas uma, a causa da sua alegria que dava prazer de ver, e entendia que o que ela gostava, ia ser querido também pela mais nova da família. Não havia semana ou fim de semana que ela e a sua filha solteira, a minha hoje doente cunhada Maria Eugenia, em face de recuperação e cuidada pela minha mulher, não havia semanas, reitero, que elas não estiverem na nossa casa por causa da neta, ou em Talca ou em Cambridge. Mas, a neta era-lhe roubada por mim para irmos ao campo ou apanhar “boleia” de carros e “carretas” tiradas por cavalos ou bois e assim experimentar dar conhecimento de outras formas de vida, históricas e de hábitos diferentes, conforme o lugar social que se ocupava dentro da hierarquia social, ou classe social: tentava dar alternativas de vida a nossa filha, com esse novos conhecimentos.

 A televisão ficou “redundante”!. A causa era que um dia, eu tinha perguntado a Paula: “onde é que nascem as alfaces”? e ele respondera: “dos cestos do mercado”, outra das minhas excentricidades. Levei a Paula ao mercado e falamos com os trabalhadores rurais que ai vendiam, e, a pouco e pouco, a nossa Paula foi alargando os seus saberes.

Sempre denominei a essa minha cunhada, a segunda avô dos nossos netos. Mas, foi a altura de termos o primeiro desencontro, quando, num dia qualquer, nesse país semeado de espinhas pela CIA e o Governo de Nixon, especialmente as conspirações do Embaixador Frank Carlucci , a minha cunhada e a minha Senhora Sogra, começaram a apoiar um certo golpe, esse no qual nós não acreditávamos que podia acontecer. A minha mulher, na sua calma e sabedoria, aconselhou não debater com elas, difícil para mim, socialista e convicto pró Allende . Foi já o começo da perda da família: respeitar os pensamentos dos outros, eu defendo, mas ter que suportar ideias e actividades impingidas sobre a nossa vida, era um perigo dos que as nossas famílias não estavam nada conscientes e não queriam saber. A típica reacção da denominada alta burguesia do Chile, mal informada e, naturalmente, muito vincadas às suas propriedades. Os documentos das conspirações de Kissinger e Carlucci não eram conhecido por elas, nem por ninguém, foram desclassificados bem mais tarde, pela administração do Presidente Clinton para colaborar no julgamento do ditador que matara ao Presidente do Chile, e que estivera como Embaixador em Portugal entre 1974 e 1976, sob as ordens directas do director da CIA, como é referido na Wikipédia .

A nossa família nunca acreditou nestes factos e a nossa intenção, de Gloria e minha, era não entrarmos em problemas. A pesar de todo, não esqueço as últimas palavras que ouvi a minha sogra na nossa casa de Bateman St, em Cambridge: “Raúl, tú eres una buena persona, muy trabajador e triunfador, pero me quitaste lo que yo más quería: mi hija y mis nietas, y es por eso que no puedo perdonar tus ideas. Has contagiado a mi hija! Y no sé lo que será de mis nietas”. Foi, praticamente, o começo do fim de uma família de Tolkien, dos serões com bailado russo à Scheherazade de Rimsky-Korsakov, dançado pelas nossas filhas e da música em flauta de bisel, e, mais tarde, estudos de violinos de uma das minhas filhas, que acordava as 6 da manhã para ensaiar, enquanto a outra experimentou o violoncelo. Todo feito para dar prazer aos pais.

O começo do fim da minha pequena família. A minha mulher, que nem queria ir ao exílio porque, como referi na Introdução, no Chile estava bem, entrou em depressão, da qual curou pelos cuidados do nosso amigo analista, Martín Cordero, esse amigo psiquiatra que examinou ao ditador Pinochet e conseguiu advertir que ele estava mentalmente activo e são para entender um julgamento, que percebia factos e os podia explicar, diagnóstico relatado mais em frente deste texto. As pequenas iam crescendo, como tenho relatado. O dia que Paula foi púbere, aos 11 anos de idade, diz-me: “Dad, nem penses que vás-me buscar ao Park Side Secondary School, é para pessoas grandes, e se tu vás, vão pensar que sou pequena e não gosto!”.

 Evidente, respeitei o seu desejo e, no primeiro dia em que estava a sair do seu colégio, eu fui na minha bicicleta a espreitar de longe, onde que ela estava e como estava. Como é evidente, ela viu-me, os sítios são pequenos, virou-me as costas e continuou a falar como se nada tiver acontecido. Apenas, que, à tarde, disse-me “Dad! You did not respect my request, as you went to fetch me”. A minha resposta foi simples: levantei as mãos e respondi: “Guilty as charged” Entre nós, sempre falávamos em inglês para habituar as pequenas a tantas línguas aprendidas e desaprendidas por causa do trabalho de observação participante do pai.

Desde muito novas, tentamos que elas tivessem força para confrontar a vida e destemidas para esse confronto entre classes diferentes, e respeitar a diferença, à Babeuf: todos somos iguais, excepto os diferentes, que é preciso respeitar. Em Vilatuxe, Paula começou ir a Escola Local, denominado Grupo Escolar de Vilatuxe, por ter crianças de várias aldeias, trazidas de autocarro desde sítios distantes.

Ao conhecer como era a escola e ao perceber o que entediam de mim, especialmente porque um professor era o meu amigo da alma Manuel Pichel e Maria da Luz Barreiro, a sua mulher, amiga da minha mulher, Gloria, tinha-me solicitado dar conferências aos docentes do Grupo Escolar, conferências que eu protelei para que a minha filha não fosse ter tratamento especial. E não teve. Falei com a sua Professora, Doña Conchita e pedi que esquecera quem era o pai dessa criança, o que ela fez tão bem, que um dia chegou Paula a casa toda cansada e vermelha. Perguntei em inglês, porque tentamos manter a língua do país de acolhimento, a Grã-bretanha, viva na sua mente, o que era quase impossível: Paula falava Castelhano de Castela, denominado por todos Espanhol, com todas as eses e zetas sibilantes da língua Castelhana, mas ainda, com palavras portuguesas. Não dizia Dad, nem papá, no chileno castiço dizia: “Papaito”, como as suas amigas galegas. Não dizia fechar a porta, usava as duas palavras que o luso-galaico tem: fechar e trancar em português, “Cerrar e pechar” em luso-galaico. A minha mulher ficava desesperada e dizia: “No hables así, es tan feo!”. Nada, não havia remédio, a sociabilidade proverbial de Paula a fez aprender todas as línguas que hoje fala. Bom, para acabar essa história, Paula apareceu zangada e calada. Perguntei o que se passava e ela diz: “ Es mi problema, lo resuelvo yo, como me has enseñado” Curiosa, era a nossa filha, fui falar ao Grupo Escolar e a dita Doña Conchita, contou-me que Paula tinha sido punida por não saber o Pai Nosso, de joelhos no chão de cimento e as mãos abertas em cruz, com livros nas mãos. Não consegui ser calmo, porque o que mais me doía, não era apenas a minha filha punida, bem como o trato dado às crianças todas....por serem ....rústicas e que os rústicos sabiam aguentar....Lancei uma homilia a docente primária, que os rústicos eram assim, porque eram mal tratados por pessoas vistas com os deuses que todo o sabem. Ela ripostou: “Don Raúl, si hasta los padres de los niños nos piden que los castiguemos!”. Pois era, porque os rústicos, como eram denominados, nunca tinham sido ensinados a criar aos seu filhos. Aliás, rústicos ou não, ninguém tem sido ensinado a criar aos seus filhos ou descendente. Criar crianças, é uma inspiração, é uma maneira, diria eu, aprendida dentro da família alongada, é um saber retirado da interacção do grupo doméstico de origem, como é referido por Meyer Fortes , no seu texto de 1938. Diz Meyer Fortes que a criação de uma criança deve ser feita sempre pelos seus adultos, bem como que para ensinar, era melhor associar os novos conceitos às actividades por eles desempenhadas na sua vida quotidiana. Não era apenas das ideias de Meyer Fortes que me orientavam na educação das nossas crianças, bem como as nossas conversas, porque Meyer era um quase avô das minhas filhas quando eram pequenas, uma tipo de sogro para mim. A falta de adultos era muito triste, porque os nossos adultos orientam-nos na educação dos nossos descendentes e na solução de problemas que, os mais novos, nos colocam.

Como foi o caso de Camila e a sua decepção com a sua professora da Escola Primária à qual assistia na Grã-bretanha, escola confessa de ser anglicana e denominada St Paul, em inglês. St Paul’s, ou Escola de São Paulo em português, inaugurado o novo prédio pela Bispo de Canterbury em Inglês, ou Cantuaria, em Português, como refere a placa da inauguração dedicada ao Bispo de Cantuaria, quem manteve o nome de Escola de St Paul, escola ou Primary School na rua de St Paul, onde a escola tinha sido construída. Paula foi a primeiro em assistir a essa escola, após ter estado, ao começo dos anos 70, antes de irmos para Galiza, na Escola Primária de Chesterton Road. Nunca esqueço o dia que Paula foi, levada por nós, Gloria, a pequena Camila no seu carrinho de bebé, comprado especialmente para ela,- o de Paula tinha ficado no Chile da ditadura -. Bom, esse dia, levamos, todos temidos, porque era muita mudança de língua e estudos para uma rapariga de 6 anos, que tinha estudado no Chile de Allende as sua primeiras letras aos cinco anos, para passar nesse dia a uma escola estrangeira, a falar apenas inglês, normal para britânicos, muito diferente para nós os pais e para a nossa amiga Maquela de Floto. Entrei à escola para explicar a professora que Paula era um caso especial e que devia ser tratada com simpatia e amabilidade e muita gentileza, por causa de...a professora não me deixou acabar e diz-me: “ The first day at School is spetial for most young parents, please, leave us, I know what to do”. Persistente até a arrogância, tornei a entrar e deixei o nosso número de telefone, caso o caso for....E mais nada, a professora tornou a repetir: “There is no need, but if you are not calm, the girl is going to cry again”. Sai envergonhado. O caso era que tínhamos feito uma experiência de colocar Paula num infantário perto de casa e ela não queria ficar. No primeiro dia, Gloria a levou e a troce de volta porque Paula, toda perdida entre tantos mundo e línguas diferentes, chorava e não queria ai ficar.

No dia a seguir, eu e fiquei com ela o dia inteiro, ou, mais bem, a manhã toda e Paula estava calma por ver ao seu pai, mas, mal sai, ela correu trás de mim e foi o fim do seu infantário, o que me transtornou imenso. Às noites, a nossa filha chorava imenso e queria ir para o nosso quarto e dormir na nossa cama, mas Gloria leva-a de volta para a sua cama no seu quarto e, a pouco e pouco, Paula aprendeu a se habituar a sua autonomia, duramente conquistada por ela, com o apoio dos pais, especialmente a firme atitude de Gloria, que me ensinara a mim como devia ser tratada uma criança. No meu eterno romance da vida, sentia-me culpado por elas estarem nessa situação! Paula. Esse foi o facto a me empurrar na minha consciência de pai novo e sem família, a falar com a sua professora nesse primeiro dia da escola para Paula. Andrés Flotto, hoje médico, estava também nessa escola e estava com problemas, como toda criança no seu primeiro dia de aulas, entendo hoje, passados os anos da nossa juventude de pais. Assim, nos três adultos e Camila na sua carrinha de bebé, entramos na nossa casa, colocamos o telefone sobre a mesa....à espera de um telefonema que nunca mais chegava! Maquela foi tratar do outro filho, nós da nossa outra descendente....sempre a espera de ser as 15.30, para ir procurar a nossa primogénita., que saiu toda sorridente e feliz, rodeada de outros amigos que adoravam ouvir outra língua e saber que não era a deles! Foi assim que Paula triunfou e nós ficamos calmos e começamos convidar crianças para a nossa casa, assim a nossa pequena aprendia mais inglês.

No dia de deixar Chesterton, fomos para a Galiza, a volta estava a nossa espera a nossa casa de Bateman St 53, à que Gloria não queria entrar: estava suja, húmida, com mobília nada apropriada para o seu gosto e solicitou-me se podia ir para a nossa antiga de Chesterton Rd, o que eu fiz, mas a casa estava alugada e não havia maneira. Aliás, não tínhamos cumprido o contrato com a proprietária, que, ao alugar essa casa, perguntara: “Are you going to stay here for long? If you don´t, I cannot lease you the flat” Eu sabia que, em breve, devíamos ir para um outro país. Fiz um denominado esquecimento mental e disse que era por muito tempo. Foi preciso fazer o exercício de fechar a mente à verdade, conceito retirado dos catecismos católicos que referem que não é mentir esse referir um facto que vai acontecer ao contrário do falado, e, ainda que não católico, era da cultura cristã e não gostava desviar a intencionalidade dos factos, como falam os referidos catecismos. Precisava de uma casa para a família, que, entretanto, estava em Sussex, com os nossos amigos Vio, já referidos, os dias mais leves e felizes da nossa estada na Grã-bretanha, no ano de 1974. No dia que íamos para a Galiza, dias antes, melhor, falei com a proprietária e ofereci trespassara casa para amigos nossos porque, por causa do meu trabalho, devíamos ir embora. Ela disse que eu tinha mentido, que ela tinha direito a cobrar um ano de aluguer por rompimento unilateral do contrato, mas...tínhamos sido boas pessoas, nunca fizemos barulho, etc., etc., entre os factos narrados por ela foi o do Ano Novo passado no seu andar e termos morado a gostado da Escócia, a sua terra. E não foi preciso pagar nada! Felizmente!

A seguir foi a já narrada Galiza, e a escola de St Paul's , que Paula também atendeu, muito temida por causa da língua e de colegas dela não ser amáveis. Chorava imenso, mas, já mais sabido em assuntos de criação, a nossa resposta foi breve: “That’s a problem that you have to resolve, otherwise, you shall never be independet” E Paula resolveu, ao mudar a sua carteira para o pé da carteira de Nicholette Barnett, filha da nossa amiga, a médica Carol Barnett , amiga conhecida por mim ao aderir ao denominado movimento

Ante Sexista, ou Anti-Sexism em inglês que tomava conta das uma menina simpática e amiga e tornou esse dia a casa feliz e sorridente. Mais um problema resolvido, dentro desse malfadado exílio nosso, que as crianças e a minha mulher, tentavam resolver. Era essa a escola na qual Camila teve que resolver um problema com a sua professora, Miss Cathy Pompa. Aprendida já a minha situação de pai, o meu papel de ser pai, empurrei a Camila para organizar um encontro com a sua professora, o que ela fez e ficamos combinados com o Head Master ou Director, Mr Bennet e Cathy Pompa, para um dia à tarde. Mal chegamos lá, Camila olhou para mim e disse “Dad?”, convidando-me a falar. A minha resposta foi breve. “I’m here to support you, but this is your problem to be resolved by you”, e Camila resolveu e começou, nos seus 5 anos, a sua autonomia….Camila esteve durante dois anos no primeiro ano, era preciso ter 7 anos de idade para entrar nos trabalhos procurados para essa suposta primeira vez de entrar a escola. Digo suposta, porque Camila com cinco, já lá estava. Camila começou a aprender as primeiras letras aos 5 anos, no ano de 1979, quando eu estava a acabar de redigir a minha tese de doutoramento. Mas, começou em computador, esses aparelhos que não existiam para as minhas pesquisas e redacção de tese. Havia apenas a máquina de escrever, começada a ser usada por mim desde os meus 14 anos. Um dos motivos que nos levara a matricular Camila na Escola, era que ela assistia às actividades do denominado Play Group, mantido pela Universidade de Cambridge, mas que devia ser pago cada três meses por nós, os pais. Era dispendioso para nós, de entradas baixas em dinheiro efectivo. No entanto, a educação das filhas era-nos importante. Camila ia ao Play Group para aprender inglês e para libertar a minha mulher dos trabalhos de criar as pequenas, o que cansavam imenso a Gloria, especialmente por causa de mim, sempre ausente, como fiz em Compostela, estava sempre na Biblioteca ou no meu novo e individual Gabinete do Departamento de Antropologia. Individual não era, partilhava com Chris Hann e com o hoje docente da Universidade de Malta, o Doutor Paul St Cassia .

Notas:

OS CONCEITOS DE FAMÍLIA, QUE SÃO IMENSOS, ESTÃO NO SÍTIO NET: HTTP://WWW.GOOGLE.PT/SEARCH?HL=PT-PT&Q=CONCEITOS+ORGANIZA%C3%A7%C3%A3O+FAM%C3%ADLIAS+USADAS+EM+ANTROPOLOGIA&BTNG=PESQUISA+DO+GOOGLE&META= , ESPECIALMENTE NO TEXTO DE 2003, DA AUTORIA DA PSICANALISTA WALKIRIA L. C. SCHOGOR



página web: http://www.symbolon.com.br/monografias/veneno-e-remedio.doc O texto é denominado: Um olhar simbólico sobre a casa lar: veneno e remédio. Também, no texto citado de Sir Jack Goody, Domestic Groups, no texto meu editado pela Xunta de Galiza, e no livro de Brian O’Neill, editado pelas Publicações Dom Quixote em Português, e pela Editora de Cambridge, CUP: Proprietários, lavradores e jornaleiros, 1984, sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Brian+O%27Neill+Propriet%C3%A1rios,+Lavradores+e+Jornaleiras&spell=1 ou a página Web do seu CV DáGois http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=5072228070267150 , e em João de Pina Cabral:1986: Sons of Adam, Daughters of Eve, Clarendon Press, Oxford, edição portuguesa na mesma colecção Dom Quixote, Filhos de Adão, Filhas de Eva. Uma visão do mundo camponesa no Alto Minho, sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Jo%C3%A3o+de+Pina+Cabral+Filhos+de+Ad%C3%A3o,+Filhas+de+Eva&spell=1 e página Web com comentários sobre a obra do autor referido: http://www.acvl.pt/titulos.php?seleccao=aut&id=516 Os meus já estão referidos. Os conceitos de família são complexos e, como comenta João de Pina e Cabral, era necessário alinhavar os conceitos para ter uma mesma expressão para todos eles e na a heterogeneidade que usamos hoje.


Para saber mais do que tenho dito sobre o PR, ver o texto em pdf de Elisa Campos Borges, de 2007: O movimento operário no Governo de Salvador Allende (1970-1973):


O caso dos Cordones Industriales, texto completo no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Partido+Radical+UP+1973&btnG=Pesquisar&meta= página Web em pdf: snh2007.anpuh.org/resources/content/anais/Elisa%20de%20Campos%20Borges.pdf - Este artigo é fruto do projecto de doutorado apresentado ao programa de pós-graduação em História Social da Universidade Federal Fluminense, Brasil.


Batik, a sua definição e a sua técnica, em: http://www.batik-art.nl/po/ , que refere que “Batiks são tecidos que são feitos principalmente para a fabricação de roupas na Indonésia e entre outros países como Malásia, Tailândia, etc. Esta tradição, que já existe há séculos, tem multiplicado o número de artesões que passaram a arte de geração em geração. A tradiçao se evoluiu tanto, que se iniciou a fabricacão de tecidos especialmente para a decoração em forma de quadros


Este Embaixador, esteve também em Portugal a seguir o dia 25 de Abril e o Presidente da Junta de Salvação Nacional que derrubou ao Salazarismo, Vasco Gonçalves, teve que solicitar com amabilidade que era preciso mudar de Embaixador, referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Embaixador+Americano+Chile+Allende+Carlucci&spell=1 e na página Web, onde há um comentário da imprensa de alto interesse para o que aconteceu ao Chile de Allende e ao Portugal de Mário Soares. O texto do jornal on-line, Observatório da Imprensa, reproduz um artigo denominado: “Kissinger vs Maxwell, Censor da mídia, falsificador da História”, escrito por Por Argemiro Ferreira, de Nova York em 8/6/2004


http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=280MON001


Não resisto referir um parágrafo apenas: O mundo suspeita de que não passa de um criminoso de guerra. Ele próprio está consciente, desde que deixou Paris à pressa para fugir à intimação de um juiz para depor, consciente, digo, de que já não pode circular livremente fora de seu país. Mas dentro dos EUA, Kissinger tem inacreditável influência e o estranho poder de censurar – como acaba de fazer mais uma vez, agora tendo como alvo o historiador Maxwell. Foi Kissinger quem enviara a Carlucci, quer ao Chile, quer ao Portugal liberto de Soares.


A página web http://avozportalegrense.blogspot.com/2006/09/nuno-rogeiro-e-o-chile.html diz, entre outras materias: “O clima conspirativo era palpável. Henry Kissinger e Frank Carlucci são acusados de conspirar contra Allende, a missão naval dos EUA em Valparaíso mantém contactos estreitos com a Armada chilena (tida como o ramo mais conservador, ou antimarxista), a CIA gasta 8 milhões de dólares em subsídios à imprensa, partidos, rádios, sindicatos (segundo alguns dados, a contribuição soviética, entre 70 e 73, cifra-se em 650 milhões), começam as marchas das “donas-de-casa” contra a escassez de bens, que se tornam famosas pelo uso de panelas e colheres como instrumento sonoro, há greve geral dos camionistas, mas Régis Debray, solto pelo regime boliviano, confessa que teme mais “o aburguesamento da revolução do que um golpe militar”. Retirado do Jornal on-line A Voz Portalegre






O texto está em inglês, não consegui encontrar um em Português, mas estou certo que os leitores saberão procurar ao citar o sítio Net e a página Web de Carlucci, história, aliás, muito conhecida por nós todos, mas que é melhor com provas que apenas uma conversa de café: sitio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Frank+Carlucci+&btnG=Pesquisar&meta= , página Web da Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Frank_Carlucci


Fortes, Meyer, 1938: “Sociological and psychological aspects of education in Taleland”, em África, volume XI, Nº. 4, Londres. O texto é difícil de encontrar. Foi preciso fotocopiar as quase 150 páginas do texto, editado em Londres, MacIntosh, mas referida no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Meyer+Fortes+1938+Sociological+and+psychological+aspects+of+education+in+Taleland&btnG=Pesquisar&meta= Paou a ser livro em 1970, publicado por Sage Publications, Londres. como é referido na página Web: http://jbd.sagepub.com/cgi/content/refs/29/4/282 ou, ainda, na página web do sítio Net, referido nesta nota: links. jstor.org/sici?sici=0003-1224(197110)36%3A5%3C905%3ATASSAO%3E2.0.CO%3B2-C ou, ainda, a referência da publicação: http://links.jstor.org/sici?sici=0003-1224(197110)36%3A5%3C905%3ATASSAO%3E2.0.CO%3B2-C


Carol Barnett é referida no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Physician+Carol+Barnett+Cambridge+UK&btnG=Pesquisar&meta=


O Movimento denominado em inglês da maneira referida no texto, era mais uma forma de entender e me adaptar à cultura Britânica e aprender comportamento masculino não paternalista com as mulheres enm patriarcal. Proferí uma conferência na London University, London School of Economics, comentado por uma colega de outra Universidade Británica, a que, ao ouvir o meu texto, disse que era o texto mais sexista que tinha escutado em muito tempo, paternalista e contra as mulheres. O texto ficou com elas e foi publicado, após correcções, por Bárbara Bradby como coordenadora, da Universidade de Manchester, mais tarde transferida ao Trinity College de Dublin na República de Irlanda.Referida no sítio Net: http://www.tcd.ie/sociology/staff/ O meu texto foi publicado na Revista do Movimento, referida no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Anti-Sexism+Movement+Publications+UK+&btnG=Pesquisar&meta= Publicação, entre outras minhas da Grã-bretanha, referida, sem texto, no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Raul+Iturra+Publications+in+Great+Britain&btnG=Pesquisar&meta= O Movimento está referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Movement+Anti-Sexism+UK&btnG=Pesquisar&meta= e um artigo sobre o ante sexismo, de David Bartlett, do grupo ante sexista Achilles Heel Collective, proprietários dos direitos de autor, e pode ser lido na página web: http://www.achillesheel.freeuk.com/article08_18.html Bábara Bradby é referida no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt- PT&q=Dr.+Barbara+Bradby+Dublin+College&btnG=Pesquisar&meta=


Quem sabe destes assuntos, é Anália Torres, especialmente
Quem sabe destes assuntos, é Anália Torres, especialmente no seu livro de 1996, em formato de papel, oferecido por ela a mim: Divórcio em Portugal. Ditos e Interditos, editado pela Celta Edições, Oeiras. Referido no sítio Net: http://links.jstor.org/sici?sici=0003-1224(197110)36%3A5%3C905%3ATASSAO%3E2.0.CO%3B2-C e recenseado por Andreia Fernandes Silva, recensão da Revista de Sociologia, página Web: http://www.recensio.ubi.pt/modelos/recensoes/recensao.php3?codrec=33



Paul St Cassia é referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Professor+Paul+St+Casia++University+Republic++Malta&btnG=Pesquisar&meta= , como o académico que retornou a Malta, após um exílio imposto sobre ele por ser membro de movimentos ideológicos nada convenientes para a Republica. É possível perceber que o Departamento era um sítio de asilo para muitos d nós, a começar pelo Catedrático e o anterior, ainda connosco, Meyer Fortes. Cada um de nós tinha a sua mágoa!


(Continua)


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Domingo, 5 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (18)
(Continuação)

Situado na fissura do Mar Morto entre dois barrancos profundos, em uma área onde atividades tectônicas são freqüentes e a precipitação média anual é muito baixa.

O meio ambiente atual é árduo e difícil para o cultivo; mas foi precisamente o clima árido e a inacessibilidade do local que contribuiu significativamente para preservação de estruturas e de materiais arqueológicos encontrados na região.

Nessa região há aproximadamente 330 dias de sol por ano e praticamente não há precipitações. O ar é tão seco e quente que a água das evaporações é seca imediatamente no ar, criando uma névoa e resultando em um cheiro de enxofre.

Qumran tornou-se célebre em 1947 com a descoberta de manuscritos antigos que ficaram conhecidos como os Manuscritos do Mar Morto.

Em 1947, os primeiros manuscritos foram encontrados em uma caverna às margens do Mar Morto por um jovem beduíno que cuidava de um rebanho de ovelhas. A notícia do achado espalhou-se rapidamente após a venda e aquisição dos primeiros manuscritos. De imediato a comunidade científica interessou-se pelo achado.

Essa Bíblia, denominada das confissões Cristã, são, de facto, base do texto Talmude Judaico , que tem sustento no texto interpretativo denominado Kabala ou Cabala do Alcorão Muçulmano e das várias interpretações da denominada Bíblia Cristã de várias confissões, referidas por mim no dito Prólogo e no texto, do livro citado, com partes do Prólogo citado quase in extenso nesta página deste texto, mas vou acrescentar esta outra parte dessa escrita: “Um dia, o hábito da Sexta-Feira às 5 da tarde, mudou, apenas por esse dia, para uma Sexta-feira de manhã. Tinha aparecido o comentador de Morgan, Marx, Malinowski, de seu nome Maurice Godelier. Director de Estudos da Maison des Sciences de l’Homme, essa casa fundada por Fernand Braudel. Tinha vivido durante três anos com os Baruya da Nova Guiné e trazia imensas ideias para debater, transferir e estruturar. Ideias que, anos depois, aparecem no seu livro La production des Grandes Hommes, de Fayard, 1982. Esse livro que nunca li, por o ter ouvido dia após dia, nos anos seguintes, na casa de Paris, na casa de Cambridge, na casa da Parede, em... até ao dia de hoje” Essa a nossa ligação começou quando Jack, que não tinha aprendido a paciência do seu Mestre Meyer Fortes, que até atirava livros à nossa cabeça ao entrarmos no seu Gabinete para pôr questões de trabalho, esse antigamente enraivecido Jack, hoje o calmo Sir que mora no sul da França, como não tinha tempo para atender ao Maurice e por estar Godelier longe das duas ideias, encomendou-me a mim tratar do seu convidado ao Seminário das Sestas, e disse: “Como parece que vocês se entendem muito bem, o Raúl leva o Maurice a almoçar e entendam-se entre vós, porque já estou farto de vos ouvir!” . Fomos almoçar tarde. O Seminário tinha sido complexo, a maior parte dos membros nunca tinha lido Karl Marx, ainda menos os textos de Maurice e não conseguiam entender o que ele dizia, nem, talvez, queriam, Era crentes evidente para todos, um exilado socialista, por causa de ser materialista na minha análise, ia ter boas relações com M. Godelier. E foi assim. Apenas que Maurice, nesses tempos, era muito informal, combinamos, enquanto folhávamos livros na Livraria Heffers de Cambridge, que devia aparecer na Maison de Sciences de l´Homme, num dia fixo. Lá estive eu, mas Maurice, cheio de outros assuntos, apareceu apenas....três dias depois. E fui para a sua casa, que passou a ser a minha, com Geneviève a sua mulher ainda viva, e os seus filhos Brigitte e Erik, a morarem em casas próprias, como deve ser.

E foi assim que a minha reentrada ao mundo europeu, o combate de ideologias, esse silêncio mantido em Vilatuxe, passou a ser uma voz pública na minha consciência e na fala dos outros.
Com estas ideias esclarecidas, queria passar ao próximo Capítulo. Com os meus agradecimentos ao Maurice que abriu, como Allende para mim, essas Grandes Alamedas para circular livremente como pessoa, sem temor nem, desconfiança. Com ânimo, serenidade e uma certa diligência no meus trabalhos e na minha vida.

Notas:

Retirado da página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Qumran e do sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Manuscritos+do+Mar+Morto&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=



O Talmude (em hebraico תלמוד, Talmud) é uma obra que compila discussões rabinas sobre leis judaicas, tradições, costumes, lendas e histórias. É um detalhamento e comentário das tradições judaicas a partir das leis compiladas por Moisés na Torá, em geral, e na Mishná, no detalhe.


O Mishná foi redigido pelos mestres chamados Tannaim ("Tanaítas"), termo que deriva da palavra hebraica que significa ensinar ou transmitir uma tradição. Os tanaítas viveram entre o século I e o III d.C. A primeira codificação é atribuída a Rabi Akivá (50–130), e uma segunda, a Rabi Meir (entre 130 e 160 d.C.), ambas as versões tendo sido escritas no actual idioma aramaico, ainda em uso no interior da Síria. Saber existente no meu conhecimento, mas, talvez sim, talvez não, nas ideias ou nos saberes do leitor. Achei por bem não apenas comentar, bem como citar a fonte para o leitor saber mais.. Para esse saber mais, pode visitar: http://pt.wikipedia.org/wiki/Talmude , página web, ou o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Talmude&btnG=Pesquisar&meta=






Cabala (também Kabbalah, Qabbala, cabbala, cabbalah, kabala, kabalah, kabbala) é um sistema religioso-filosófico que investiga a natureza divina. Kabbalah (קבלה QBLH) é uma palavra de origem hebraica que significa recepção. É a vertente mística do judaísmo. Citado no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Cabala&btnG=Pesquisar&meta= , sítio no qual o leitor pode encontrar várias alternativas para o seu saber sobre as ideias que governam às culturas e orientam o comportamento individual. Um crente da Cabala, nunca seria socialista, muito embora Golda Meir o tiver sido, mas, ela não era pessoa de saber místico, era de saber do Talmude e de Ciência Política. Para saber de Golda Meir ou Meyerson, o leitor pode visitar a página web: http://en.wikipedia.org/wiki/Golda_Meir , ou o sítio net, onde deve encontrar várias alternativas sobre esta Primeira Ministra e fundadora do Estado de Israel, conhecida também por Golda Meier, em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Golda+Meir&btnG=Pesquisar&meta= especialmente página web: http://en.wikipedia.org/wiki/Golda_Meir . Não é apenas por uma sobrevivente admiravel do holocausto ao que os judeus foram submetidos durante a segunda Grande Guerra do Século XX, ao fugir os seus preminitórios pais para os Estados Unidos da América, em Wisconsin, que abandonou ao casar e foi para a Palestina a um kibbutz . Deu-se bem com os judeus palestinianos e foi a principal negociadora em 1946 para fundar o Estado de Israel, ao se entender bem com os palestinianos. Desperta em mim uma imensa admiração essa a sua missão pacificadora, a sua arte de governar e de se entender com Yasser Arafat, cujo estado palestiniano foi invadido ao ser criado nas suas terras, o Estado de Israel. Era este tipo de actividade de ciência política que Allende tinha, mas sem poder para pacificar ao gigante que o matou, o Governo Nixon e colaboradores, narrado en outros capítulos deste texto. Yasser Arafat está referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Yasser+Arafat&spell=1 , esse Prpemio Nóbel da Paz, que partilhou com Shimos Peres e Yitzhak Rabin em 1994, é referidoespecificamente na página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Yasser_Arafat e diz: Depois da guerra dos seis dias de 1967, Arafat e a Fatah passam a actuar a partir da Jordânia, lançando ataques terroristas em Israel a partir do outro lado da fronteira e regressando à Jordânia antes que os israelenses pudessem reagir.


Em 1968 a Fatah foi um alvo de um ataque israelense à vila jordana de Karameh, no qual 150 guerrilheiros palestinianos e 29 soldados israelenses foram mortos, sobretudo por forças armadas jordanianas. Apesar do falhanço no terreno, a batalha foi considerada pelos árabes como uma montra para a acção da Fatah porque os israelenses se retiraram e o perfil de Arafat e da Fatah cresceram. Nos finais da década de 1960 a Fatah passou a dominar a OLP e em 1969 Arafat foi nomeado presidente da OLP, substituindo Ahmed Shukairy, originalmente nomeado pela Liga Árabe.


Arafat tornou-se chefe do Estado Maior das Forças Revolucionárias Palestinianas dois anos mais tarde e em 1973 o líder político da OLP, ou Organização pela Libertação da Palestinia.


No seguimento da ambição da OLP em transformar a Jordânia num estado palestiniano (com o patrocínio da União Soviética), crescem neste tempo as tensões entre Palestinianos e o Governo da Jordânia, o que culminaria com o sequestro (e subsequente destruição) de quatro aviões pela OLP e na Guerra Civil Jordana de 1970-1971 (em particular com os eventos do Setembro Negro).


Neste conflito, a monarquia jordana, com a ajuda de Israel, derrotou a OLP e a Síria, que se preparava para invadir a Jordânia em apoio da OLP.Para saber mais e entender como foi reconhecido como Presidente dos Paletinianos e da Fundação da República Palestina, pode visitar a página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Yasser_Arafat Arafat tinha trás de si todo o que Allende não tinha: a Liga Árabe, o apoio Clinton, Presidente dos EUA e relações cordiáis com os seus invesores, o Estado de Israel, herdado das Relações com Golda Meir, que, apesar do que é dito, foram de reconhecimento da Autoridade Palestiniana no exilio. Para saber os ditos e não ditos, como no caso do Governo de Allende, o leitor avisado pode consultar o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Yasser+Arafat+Rela%C3%A7%C3%B5es+Golda+Meir&btnG=Pesquisar&meta= Entre política genocida contra os membros da OLP e dizer que Arafat “era um Zé ninguèm”, a política mudou de rumo para passar a ser de reconhecimento, já referido, da Autoridade Palestiniana. Comentários meus, após leitura de jornais e saber pessoal. Allende teve a guerra, mas nunca a paz que Arafat conseguia manter com os seus invasores, como está referido no sítio net citado nesta nota de rodapé.










Alcorão é o texto Sagrado dos crentes muçulmanos de vários sítios da terra, orienta não apenas a vida em sociedade, bem como é a base do Direito Criminal e das penas inflictas aos transgessores do que está mandado fazer, ou das omissões do que deve ser realizado. Para saber mais, visitar o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Alcor%C3%A3o&btnG=Pesquisar&meta= No entanto, é possível dizer que para os membros da Religião do Islão, este é um texto ditado pela Divinidade à Mohamed, Século VI da cronologia Cristã, e escrito pela sua filha Fátima. O Alcorão ou Corão (em árabe قُرْآن, al-qur’ān, "a recitação") é o livro sagrado do Islão. Os muçulmanos acreditam que o Alcorão é a palavra literal de Deus (Alá) revelada ao profeta Maomé (Muhammad) ao longo de um período de vinte e dois anos. A palavra Alcorão deriva do verbo árabe que significa declamar ou recitar; Alcorão é portanto uma "recitação" ou algo que deve ser recitado.


Os muçulmanos podem se referir ao Alcorão usando um título que denota respeito, como Al-Karim ("o Nobre") ou Al-Azim ("o Magnífico"). Retirado não apenas do meu saber pessoal, mas dos textos citados na Enciclopédia Net: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alcor%C3%A3o É-me impossível não acrescentar dois comentários: o primeiro, que a resistência que os soldados norte-americanos têm normalmente, os assassínios dos mesmos e a nunca reparada guerra do Iraque, advém da crênças muçulmanas Xiitas, Sunitas-Saddam Husseim-e Hadith do Iraque.Saddam é referido em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Saddam+Hussein+Isl%C3%A3o&spell=1 Um segundo comentário, é que Allende nunca soube tirar proveito do apoio dos cristãos. Saddam Husseim pode ter pasado à História, mas não a sua adessão dos Sunitas, variante dos Xiitas na fé muçulmana. Allende, nada queria saber do que o povo acreditava, muito embora ter sido respeitador da fé cristã, que, bem sabia ele, o apoiava, excepto a força oficial católica, o Conselho de Bispos, por ser Allende Materialista Histórico. Penso que os Bispos estavam a confundir a agua com o azeite. O dever Pastoral tornou a ele ao ver que os declarados católicos da Ditadura, eram assassínios. Mas, acordaram muito tarde! Hoje em dia, é diferente, mas o comentário fica para mais em frente. Tornando ao Islão, é necessario acrescentar que: O islão (português europeu) ou islã (português brasileiro) (do árabe الإسلام, transl. al- islām) é uma religião monoteísta que surgiu na Península Arábica no século VII, baseada nos ensinamentos religiosos do profeta Maomé (Muhammad) e numa escritura sagrada, o Alcorão. A religião é conhecida ainda por islamismo. É possível comparar estas figuras históricas com o caso Allende, que o leitor deve pensar. Para pensar informado, pode visitar o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Saddam+Hussein+Isl%C3%A3o&spell=1 , que refere o que Allende nunca teve: ambição de riqueza e poder, que foi o fez dos Sunitas, uma perdição por causa de Saddam Hussein, ou a página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Isl%C3%A3o Normalmente, os cristãos não entendem este tipo de pensamento do Islão, ao pensar que a Bíblia é o centro do mundo quanto a fé e saber, condenando facilmente aos Sunitas, Xiitas e Hadithas, além das otras vertentes árabes muçulmanas. O problema reside, normalmente, no ansejo das riquezas Sunitas serem para eles. A ideologia religiosa, como previsto por Marx no seu texto O Capital, acaba onde começa a “quimera do ouro”, título de Sir Charles Chaplin, quem bem sabia interpretar a psicologia ocidental. Essa psicologia que, faz poucos dias, causou um debate com rixa, em Harvard, ao não entederem os Ocidentais os rituais muçulmanos, e que diz: Neil MacFarquhar em Cambridge, Massachusetts


“Uma pequena controvérsia a respeito de como a Universidade Harvard pratica a tolerância foi desencadeada por duas questões relativas às crenças muçulmanas - se a chamada para as orações deve soar em Harvard Yard (área gramada da universidade de cerca de 100 mil metros quadrados) e se as mulheres devem contar com um horário exclusivo no ginásio de esportes.


De acordo com os alunos da universidade, debates acalorados irromperam em salas de discussão dos dormitórios, e diversos artigos de opinião no jornal dos estudantes, "The Harvard Crimson", criticaram ambas as práticas.


"Creio que devido ao fato de Harvard ser um campus secular, há um temor por parte de alguns alunos de que crenças ou práticas religiosas possam ser impostas a pessoas que não querem ter nada a ver com essas tradições", diz Jessa Birdsall, uma aluna do segundo ano que diz acreditar que a universidade poderia acomodar as crenças de todos os estudantes”.... Texto completo em: http://www.espiritualidades.com.br/Not_2008/2008_03_25_estudantes_muc_harvard.htm






Na visão muçulmana, o islão surgiu desde a criação do homem, ou seja, desde Adão, sendo este o primeiro profeta dentre inúmeros outros, para diversos povos, sendo o último deles Maomé[1].


Cerca de duzentos anos após Maomé, o islão já se tinha difundido em todo o Médio Oriente, no Norte de África e na Península Ibérica, bem como na direcção da antiga Pérsia e Índia. Mais tarde, o Islão atingiu a Anatólia, os Balcãs e a África subsariana. Recentes movimentos migratórios de populações muçulmanas no sentido da Europa e do continente americano levaram ao aparecimento de comunidades muçulmanas nestes territórios[2].


A mensagem do islão caracteriza-se pela sua simplicidade: para atingir a salvação basta acreditar num único Deus, rezar cinco vezes por dia, submeter-se ao jejum anual no mês do Ramadão, pagar dádivas rituais e efectuar, se possível, uma peregrinação à cidade de Meca.


O islão é visto pelos seus aderentes como um modo de vida que inclui instruções que se relacionam com todos os aspectos da actividade humana, sejam eles políticos, sociais, financeiros, legais, militares ou interpessoais. A distinção ocidental entre o espiritual e temporal é, em teoria, alheia ao islão.






É um dos livros mais lidos e publicados no mundo, sendo que, não é vendido pelos muçulmanos e, sim, dado.






Retirado também do citado Prólogo, pagina 3, parte do 1ªparágrafo


retirado da página 11, parágrafo 1, primeiras linhas, do texto citado, que acaba com agradecimentos para duas pessoas, muito queridas por mim: E, em debate com os meus estudantes de pré - grau, este livro foi nascendo. E a eles é dedicado. Porque me têm ajudado a entender, com etnografia invocada por eles, como a economia deriva de religião. Especialmente as turmas do curso da noite do Departamento de Antropologia do ISCTE de 2000-2001, que me deram ideias, e as de 2001-2002, que me ajudaram a materializá-las. Dentro de este livro.


Há outros que quero mencionar. Isabel Maria Castelo-Branco, a minha discípula, capaz de organizar essa massa de folhas acumuladas em três anos de pesquisa e saber pôr títulos e ideias novas ao meu texto; e João Paulo Rebocho Pinto, pensador profundo, bom para debate. Ambos companheiros de comprida jornada do Verão de 2001, quando escrevi este texto, fixado por eles.” Retirado da pagina 14 do citado Prólogo, derradeiro parágrafo. João Paulo Pinto, como eu o denomino, fixou este texto, finalmente, uma fixação final, especialmente do Prólogo, já nós dois a trabalhar um Domingo 31 de Julho de 2002.João Paulo tem sido, após de ser discente, ele e a sua família, um grande amigo meu, e é uma felicidade para mim lembrar os seus trabalhos comigo neste texto. O livro foi editado e apareceu em Novembro do mesmo ano. Ainda era viva a Directora da Afrontamento, a minha amiga Marcela Torres, que deixou este mundo cedo demais, por causa de doença grave e rápida, essas que não perdoam nem um segundo de vida, um cancro. Uma Marcela Torres de feliz memória, sempre disponível para colaborar comigo. Publicou quatro dos meus vários livro da Editora Afrontamento do Porto.





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Sábado, 4 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (17)
(Continuação)

E aparece esse segundo problema, o de criar crianças. Essa matéria que eu mais estudo, como especialista em Etnopsicologia da Infância , ideia derivada da minha actividade socialista! Até estas linhas, não tinha eu reparado o meu empenhamento na justiça social....Apenas pensava que tinha sido uma passagem da vida, mas esta auto-analise tem-me feito lembrar o meu desejo de igualdade, por onde comecei a escrita deste texto.

Criar crianças, é a transferência de saberes duma geração à seguinte. Tem sido a minha definição em todos os meus textos. E tem sido a minha especial atenção ao viver como tal, para exemplificar com a minha vida, a entrega à solidariedade social, aos nossos novos descendentes. Para além das minhas definições, há as denominadas abstractas . No entanto, vou ficar mais com as minhas, referidas especialmente nos textos escritos a partir dos anos 90 do Século XX. No meu livro referido já da antiga Escher, hoje Fim de Século, na capítulo 8, falo da sabedoria das crianças, sabedoria definida por mim, da seguinte maneira: “Há pois, um conhecimento que as crianças retiram da sua cultura. Quando aparecem no grupo social, o mundo já está classificado, dividido e hierarquizado e o exercício desde que nascem até adquirir aceitação ou aprovação dos adultos, é aprender critérios e classificações, noções e conceitos, distâncias e categorias sociais, o tempo e o espaço, a vida e a morte, a criação da vida e o seu objectivo.” Como é evidente. Todo retirado do meu trabalho de campo, mais, antes, da minha experiência de pais e cônjuge da mãe das nossa filhas, que é uma dimensão normalmente não pensada pelos analistas. Ser pai e marido é uma dimensão diferente do que ser apenas pai. Mais ainda, ao ser pai e cônjuge em países estranhos, sem dinheiro nem famílias.

A educação e criação dos mais novos passa a ser muito mais delicada: não há os nossos adultos da nossa memória, para debater com eles e ter apoio do seu saber. É o que sempre mais me interessou, por causa de sermos pais e cônjuge isolado da sua cultura e família. Quais conceitos transferir, em qual língua? Dentro de quê ideologia? Assuntos que merecem atenção, especialmente hoje por causa da globalização da vida e da economia, a rapidez dos contactos e as distâncias entre os membros individuais de grupo doméstico. É, praticamente, cada um no seu!

As minhas definições, o meu corpo do delito para Educadores, começou a aparecer ao me perguntar em voz alta, por escrito ao público se a educação era ensino ou aprendizagem, para concluir que era um processo de ida e volta, ou de vice e versa, no referido texto do Capítulo 3. Digo delito, porque os educadores trabalham mais na escola que nas mentes das crianças. Eu tinha aprendido com Paulo Freire , referido também no Capítulo 3, a importância de entender conceitos, apenas que Paulo não ia às fontes que eu vou, as crianças. Porque é nas crianças, como explico no meu livro entregue a Profedições para eventual publicação, temos a ilusão de sermos pais. De facto, o meu livro é intitulado A ilusão de sermos pais. Ensaio de Etnopsicologia da Infância.

Esse tem sido o meu maior pecado, tentar entender o que os mais novos desejam exprimir com os seus yagua, coco, buaaaa, e outras palavras referidas por mim. Especialmente, as crianças pré púberes que tenho tido o prazer de analisar, em Vila Ruiva e Vilatuxe, como entre os Picunche da Cordilheira dos Andes, Pencahue, Talca, Chile. Especialmente, diria eu, pelos problemas colocados a mim pela minha descendência, as minhas filhas em especial, as que eu pensava ter dedicado todos os meus tempos de vida livres de trabalho, como a minha mulher também, para tratar delas e ser o substituto da perdida família por causa do exílio. Um desentendimento, resultado também do exílio, entre a minha mulher e eu, fez que a criação das pequenas, durante vários anos nas minhas mãos, passarem às mãos da mãe, por ordem judicial. Essas tardes santas, quando as queridas do meu coração faziam teatro, dançavam, preparavam cantos, ei lia para elas os livros dos Hobbits , recomendado a nos pelos nossos amigos britânicos Paul e Fiona Beadle, esse que, na noite do nascimento do seu primeiro descendente, uma rapariga, Tamsin, Paul fora a comemorar essa noite connosco. Fez-nos sentir família!, o que mais fazia falta para nós.Eu tinha duas garrafas de vinho, especiais, entregues a mim para dar ao Professor nosso Vizinho, na segunda Feira. Pensei: vou abrir uma das garrafas, merece comemoração, amanhã compro outra para substituir....apenas que eu não sabia que era vinho especial feito para ele. Tive que mentir e dizer que a garrafa tinha escorregado ao limpar do pó que traziam no lava-loiças. Ele olhou para mim, profundamente, como costumava fazer, e eu nem pestanejei, muito enervado por dentro, mas....não podia dizer a verdade, que, estou certo, ele tinha adivinhado! Ao me dizer: “Dr Ittura , din’t you not know that ancient wine has to be dusty to prove its age?” Evidente que eu sabia, o que no sabia é serem garrafas tão especiais. Bom, eu diria que foi uma boa troca entre os Beadle e nós. Eram os nossos introdutores à cultura da infância na Grã-bretanha, eles tinham sido crianças inglesas, nós, chilenos, muito embora descendentes de Bascos e Alicantinos e Franceses, mas crianças chilenas a educar crianças para serem inglesas, um problema, aparentemente, sem solução. Se não for pelos Beadle! E Tolkien, outro galo cantava para elas! Eram tardes lindas, calorosas, simpáticas, quentes, desde esse dia nunca mais deixei de oferecer o livro The Hobbits a todos os pais com crianças pequenas, ao reparar que as minhas tinham tanta felicidade de ouvir, pela boca do pai, essas histórias feitas para crianças.

Donde, o meu grande pecado do exílio, como ponto final desta parte do texto, é não ter sabido criar às nossa pequenas, como devia ser. O resultado final, foi a ordem judicial de entregar a custódia das pequenas à sua mãe. Fiz as malas, a sai da Inglaterra, uma saída nada gloriosa. Pat Caplan , a Professor Pat Caplan e o Professor Richard Hoggart, entrevistaram-me para ficar como docente no Goldsmiths College, da Universidade de Londres. Infelizmente, o sítio já estava destinado para uma substituta de um docente aposentado ou doente, nem queria lembrar essa parte, mas...quer Pat, quer Richard Hoggart acharam a entrevista como de reis a príncipe! Apenas, que tempo depois, fui avisado que, como tinha sido seleccionado em primeiro lugar e outra vaga tinha acontecido, Josep Llobera e Pat telefonaram-me para me apresentar, o que eu agradeci mas recusei. Tinha perdido a família e não queria ser pai de fim de semana, porque danifica a emotividade e psicologia das crianças, sabia nesse tempo e sei hoje, com muitos mais provas, quer pelo comportamento das minhas filhas para comigo, quer pelos estudos feitos sobre crianças. A família foi perdida para mim! Tema do próximo capítulo

Talvez fechar este com um comentário. O meu contrato em Cambridge tinha acabado, Jack queria que eu fosse para a Universidade da recentemente criada República do Congo: “They are socialists, as we are, Rául “(não é gralha, é o meu nome próprio dito à inglesa) a ensinar, recomendou deixar a mais velha num denominado Boarding School, ou Internato Privado e levar a mais nova. Resisti, não podia partir e separar mais a família. O meu irmão queria-me levar para o México e o meu Amigo Francisco Vio, para Venezuela. Com contrato acabado e sem trabalho, tive que viver da segurança social durante dois semanas, até que Robert Rowland, já referido, teve a simpatia de abrir trabalho para mim na Gulbenkian, Secção de Ciências em Oeiras. Entretanto, conheci o ISCTE e cá fiquei, até hoje, depreendo-me de tanta forte Londrina, mesmo do Cambridge, e outros sítios. Queria um lugar certo e seguro para me habilitar como pai, o que não estou bem certo ter conseguido....
No ISCTE encontrei acolhimento e paz. Estes tricinco também nascem destes factos....quase o tempo que levo já em Portugal.
No ISCTE introduzi o que tinha aprendido e herdado do meu Departamento de Antropologia Social de Cambridge. Para começar, as ideias aprendidas de Jack Goody e de Milan Stuchlick, bem como as de Paulo Freire. A seguir, o prazer de ter um Seminário Semanal, com todos os Doutorandos do ISCTE nos anos 80 do Século XX. Doutorandos, a ser referidos no Capítulo 6. O Seminário não teve grande resultado, os académicos estavam a começar a sua vida longe do ruído da cidade, metáfora para dizer que íamos mais a almoços, jantares, encontros, visitas uns aos outros, o que hoje, infelizmente, na era globalizada, já não acontece, como deve ser dito no Capítulo 6. Este fim de Capítulo 4, é apenas para referir que no exílio, devemos entrar nas lutas ideológicas. Se o Seminário do ISCTE fracassou, foi por causa de eu falar sobre materialismo histórico, outros, de forma liberal sobre História de Portugal, os convictos da via social ao socialismo, timidamente referiam Henry de Saint-Simon, cristão católico e inspirador de Marx e da sua família que, por conveniência social, tinham abandonado a religião judaica e eram católicos romanos, até Karls Marx passar a ser primeiro, Luterano, e, a seguir, usar o método Hegeliano da contradição e a dúvida, que ele denominou materialismo histórico como método analítico, como refiro no meu texto da Afrontamento, citado por mim antes, O presente, essa grande mentira social. A reciprocidade com Mais Valia, 2007, Afrontamento. Poucos académicos portugueses referiam esses autores, Marx e Engels. Por causa deste problema, organizei um seminário, muito fechado, com o patrocínio da UNESCO, e convidava a participar no nosso seminário, ao meu eterno amigo, Maurice Godelier , referido sem obras, nas notas 52 e 149 deste texto O meu hábito era diferente: era falar de forma destemida sobre o que eu pensava da análise científica, nos Seminários das Sestas Feiras, do Departamento de Antropologia de Cambridge. Não resisto referir partes do que era os meus trabalhos em Cambridge, esto das diferentes ideologias e outras ervas. Ou, de como conheci ao Maurice e comecei a viajar quase semanalmente a Paris, para debates com ele ou orientar o seu Seminário, quando foi feito Ministro da Ciência da França e, antes, Presidente da Secção de Ciências Sociais, do CNRS, equivalente a nossa Fundação para a Ciência e Tecnologia ou FCT, que depende do Ministério da Ciência e da Tecnologia em Portugal. Foi Maurice que me criou Membro Permanente do CNRS da França. Falo de como o conheci e como foi o nosso encontro ideológico, no Prólogo do meu livro dedicado a ele, com excertos que não resisto referir: “Era o dia do Seminário de Sexta-Feira. O habitual Seminário semanal dos membros do Departamento de Antropologia Social da Universidade de Cambridge. Na semana anterior, tinha falado Claude Lévi-Strauss; na semana anterior a essa, Lucy Mair; antes ainda, Julian Pitt-Rivers, John Peristiany, Marc Bloch, Mary Douglas, Katherine Gough, Audrey Richards, Sutti Ortiz, Raymond Firth, Reo Fortune, John Murra, Luc d’Heusch, Dan Sperber, Claude Meillasoux, Françoise Héritier, Patricia ou Pat Caplan, entre outros. Em torno da mesa, ficávamos os membros habituais do Seminário, os da casa, nesse espaço semanal, esperado, querido, e, pela nossa livre decisão, obrigatório. Para debater a teoria que cada um tinha organizado: Edward Evans-Pritchard, Max Gluckman, Clifford Geertz, Meyer Fortes, Jack Goody, George Dalton, Alan Macfarlane, Edmund Leach, Christopher Gregory, John Davis, Ray Abrahams, Caroline Humphreys, Stephen Hugh-Jones, Chistopher Hann, por vezes Anthony Giddens, John Barnes, Solomon Tambiah, Ernest Gellner, – os livros, como costumávamos denomina-los. E nós, os mais novos, a arraia miúda, os que ensinávamos e escrevíamos, para ouvir, falar, debater ou expor as nossas ideias, sem medo do confronto. Ninguém batia em ninguém. A partir do Patriarca, Meyer Fortes, o respeito pelas ideias dos outros era sagrado e pedagógico. Meyer, exilado da África do Sul pela sua luta contra o Apartheid e pela sua origem judia. Meyer, o sucessor na Cátedra de Cedric Haddon, o estudante de Seligman e Malinowski. O Professor que entendia, apoiava e costumava dizer: “we shall succeed, we will win, you will see, ”. Especialmente a mim, por conhecer as minhas ideias, os meus feitos, as minhas lutas, semelhantes em muito às dele, como Doris, a sua mulher, costuma lembrar ainda hoje. Animava o Seminário com a sua calma de quem nada tem, excepto o seu saber e o salário. Com a sua maneira de se comportar quando se é um proletário intelectual. E a sua serenidade e o seu respeito pela liberdade dos outros. Donde, todos tínhamos a liberdade de levantar a mão, após os 30 minutos de exposição do convidado, para colocar questões, contrapor hipóteses, expor ideias, debater, perguntar. E, a seguir, continuar o debate no habitual pub do King´s College” . Mas, o interessante é que um dia o Seminário mudou de Sesta à tarde para Sesta de manhã, invulgar em Cambridge, Universidade que mantêm à risca o cumprimento dos seus deveres e obrigações, todo programado bem antes de acontecer. Programado de maneira que as nossas Agendas vinham já impressas com o dia e hora do começo do Ano Académico, do trimestre, que três semana antes diz: “Term ends on x day” ou adverte que o trimestre acaba dentro de três semanas, Universidade da qual ninguém pode sair a mais de 10 milhas de distância da mesma, sem pedir antes autorização ao Reitor, em tempo de aulas, Universidade que requer aos seus membros usar o tempo disponível fora de aulas, para investigar, escrever textos ou aulas. A Biblioteca, a terceira maior do mundo a seguir a do Congresso dos EUA e do British Museum, obrigava e atraia, até havia cantina para comer, lanchar e outras salas apenas para chá e café. Foi ai onde conheci os Manuscritos do Mar Morto ou originais de parte do que é hoje , descobertos apenas em 1945, como está narrado na nota de rodapé que cito os Manuscritos, no Lugar de Qram, Qumran, Khirbet Qumran, “ruína da mancha cinzenta”, é um sítio arqueológico localizado na margem noroeste do Mar Morto, a 12 km de Jericó, a cerca de 22 quilômetros a leste de Jerusalém na costa do Mar Morto, em Israel.

Notas:

Etnopsicologia da Infância, passou a ser uma especialidade no nosso Departamento de Antropologia, a partir de 2002, quer como cadeira optativa da Licenciatura e especialidade de Doutoramento, retirado por mim do saber de Boris Cyrulnick e de Alice Miller, já antes referidos. Sobre a minha criação, ver sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt- PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+Etnopsicologia+da+Inf%C3%A2ncia+ISCTE&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= página Web do CEAS: http://ceas.iscte.pt/cria/pkm_jyd.html
Comecei falar de escrita e oralidade na conferência proferida por mim no Congresso de Antropologia de Coimbra, 1987, publicado na Revista de Antropologia de Coimbra. Referida no sitio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+Revista+Antropologia+Universidade+Coimbra+A+escrita+e+a+oralidade&meta= ou na pagina web, texto do meu antigo discípulo Ricardo Vieira, hoje Doutor com Agregação feita também comigo no ISCTE, Lisboa, Portugal, e um pós doutoramento a ser realizado também na nossa instituição ISCTE. Cita os primórdios do seu trabalho, ao ouvir a minha conferência mencionada: “A passagem da oralidade à escrita na formação do saber: o mito do insucesso escolar”, na pagina web: www.apantropologia.net/publicacoes/actascongresso2006/cap5/VieiraRicardo.pdf - do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ricardo+Vieira+Ra%C3%BAl+Iturra+Antropologia+Educa%C3%A7%C3%A3o&btnG=Pesquisar&meta= Foi o dia no qual Ricardo Vieira veiou falar comigo para referir que estava a pensar escrever uma tese de Mestrado. A parte lectiva estava já acabada, faltava a escrita e se eu podia orientar ou não. Por causa da minha experiência em, situações anteriores, em Cambrige, París, Bielefeld da Alemanha e Lisboa, Universidades de cidadãos aristocratas, com imenso dinheiro a fazer teses por lazer, eu perguntei de imediato: “Faça o favor de dizer qual é o trabalho dos seus pais e quem paga os seus estudos”. Surpreendido, ele respondeu: os seus pais eram agricultores e emigrante o pai, na França, e os estudos eram pagos por ele com dinheiro ganho nos seus trabalhos em Lisboa, enquanto estudava. Nada mais acrescento, é a sua vida, mas , para mim, era importante. Farto estava já de orientar teses de príncipes, duques, barões ou pessoas com muito dinheiro na conta corrente e muitas posses materiais, que iam fazendo a tese conforme gosto e disponibilidade de outras actividades cortesãs. Foi, como diz Luís Silva Pereira ao falar de um amigo seu no seu livro citado, amizade a primeira vista, que perdura até o dia de hoje. Faz poucos dias, acompanhou-me ao Hospital, antes de ser operado de um cancro que me podia matar! Retirado das minhas memórias, bem como do texto de Ricardo Vieira sobre Antropologia da Educação em Portugal, sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ricardo+Vieira+Ra%C3%BAl+Iturra+Antropologia+Educa%C3%A7%C3%A3o&btnG=Pesquisar&meta=
A wikipédia fornece um conceito que eu apenas transfiro ao leitor: O processo de aprendizagem pode ser definido de forma sintética como o modo como os seres adquirem novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o comportamento. Contudo, a complexidade desse processo dificilmente pode ser explicada apenas através de recortes do todo. Por outro lado, qualquer definição está, invariavelmente, impregnada de pressupostos políticos - ideológicos, relacionados com a visão de homem, sociedade e saber. Retirado da página Web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Aprendizagem sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=O+processo+de+aprendizagem+na+inf%C3%A2ncia+&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=


retirado do meu livro A Construção Social do Insucesso Escolar. Memória e Aprendizagem em Vila Ruiva, 1990 a), página 87 do Capítulo referido. Ver em sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Ra%C3%BAl+Iturra+A+constru%C3%A7%C3%A3o+Social+do+Insucesso+Escolar&spell=1 ou comentários na página web: http://www2.dce.ua.pt/disciplinas/sociologia_educacao_b/metodologia.html
Paulo Freire foi recebido por mim no seu exílio Brasileiro para o Chile, no Instituto de Ciências Sociais do ORMEU ou Organização Mundial para Educação Universitária, que eu presidia, na qual preparávamos aos mais pobres da América Latina para serem educadores dos seus iguais de classe e geografia local. Foi o Paulo que me ensinou a investigar no que hoje denomino a mente cultural referida por ele como o saber cultural do povo, história relatada por mim à Revista da Universidade Nova de Lisboa: Arquivos da Memória, 1999, N.º 6, entrevista conduzida pela genial Antropóloga Paula Godinho, que em 2006 fez-me a honra de formar parte do seu júri de Agregação. A Revista era dirigida pelo esse outro grande amigo, o Professor Doutor Jorge Crespo, aposentado muito cedo, no meu ver. O sítio Net da Revista e a minha entrevista sobre Educação, está no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Arquivos+da+Mem%C3%B3ria+N%C2%BA6+7+1999+Entrevista+com+Ra%C3%BAl+Iturra&btnG=Pesquisar&meta= Como é evidente, refiro a nossa educação não apenas para camponeses do Chile, bem como aos mais novos que eu andava a estudar, explicado já nos capítulos anteriores e neste capítulo também. Para saber de Paulo Freire esse pai para mim, visite o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Paulo+Freire&btnG=Pesquisar&meta= e a página Web: http://www.paulofreire.org/pf_.htm , na qual é possível encontrar não apenas a sua biografia, bem como os seus escritos. Soube da sua morte ao ser telefonado para Vilatuxe, à casa de Herminio Medela e Esperança Dobarro, que me acolheram como referi na Introdução, como se a casa deles for a minha casa, a 2 de Maio. Paulo tinha-se ido embora a 1 de Maio desse ano, como refiro no número temático da nossa Revista Educação, Sociedade e Culturas, organizado pela Professora Doutora Maria Luiza Cortesão, da qual tive o prazer inolvidável de ter arguido o seu CV nas suas provas de Agregação. No meu texto da Revista temática sobre o Paulo, comento: Nem que o Paulo tiver escolhido o dia, 1 de Maio, dia do trabalhador, era um dia digno para ele nos deixar...
A história dos Hobbits de John Ronald Tolkien, é a história dessa gente pequenina que sabe viver num reino encantado, por estar habitado por gigantes ou esses adultos que perturbam a vida dos mais novos- Tolkien está referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=The+Hobbits&spell=1 , especialmente na página web: http://en.wikipedia.org/wiki/The_Hobbit que refere, citação que não resisto colocar já: The Hobbit is set in a time "between the dawn of Faerie and the Dominion of Men",[5] and follows the quest of home-loving Bilbo Baggins (the "Hobbit" of the title) to win his share of the treasure guarded by the dragon, Smaug. His journey takes him from light-hearted, rural surroundings and into darker, deeper territory[6], meeting various denizens of the Wilderland along the way. While The Hobbit stands in its own right as a complete, self-contained story it is also the precursor to Tolkien's second, longer novel The Lord of the Rings. The publisher requested a sequel due to the success of The Hobbit', though The Lord of the Rings was not to be finished and published until 17 years after the original. The Hobbit has been republished and adapted many times since its first edition.


Ittura com um i inglês que tem o som de Ai é o meu nome na Grá-bretanha, enquanto no Portugal ou sou e Turra ou Redondo, o nome da minha mãe. Dai é que eu adoro brincar com o meu nome, porque todos não fazem o esforço que nós, estrangeiros, estamos obrigados! Para me naturalizar português, devo prestar provas de Português, para além de outras especiarias! Mas, o Governo nunca mais responde! Anyway, back to the text!
Josep Llobera, grande pessoa e personalidade Catalã, refugiado como eu na Grã-bretanha do Governo franquista, tem uma obra passível de consultar no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Lecturer+Llobera+Goldsmith%27s+College+London&btnG=Pesquisar&meta= Pat Caplan, simpatizante dos refugiados e amiga íntima, como Senhora judaica, sabia o que era a perseguição e tentou ajudar. Telefonou-me imensas vezes, mas eu tinha cometido esse crime de lesa majestade de ser um bom pai com uma mulher deprimida! A obra de Pat está no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Professor+Pat+Caplan+Goldsmiths+College+London&btnG=Pesquisar&meta=


Maurice Godelier tem uma obra importante e foi a partir das nossas intercações, que eu aprendi e fundamos a disciplina de Antropologoa Económica, que ele ensinava no Collége de France, e eu, no ISCTE. A obra e vida de Maurice, a quem dediquei o meu livro A Economia deriva da Religião. Ensaio de Antropologia do Económico, Afrontamento, Porto, 2002, está no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Raul+Iturra+A+Economia+deriva+da+Religi%C3%A3o.+Ensaio+de+Antropologia+do+Econ%C3%B3mico&btnG=Pesquisar&meta= com comentário na página Web: http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=2150 Para Maurice Godelier, página Web :http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Maurice+Godelier+&meta= e na pagina Web da Wikipedia ou Enciclopédia Net: http://en.wikipedia.org/wiki/Maurice_Godelier Nunca li as suas obras, eram sempre referidas a mim pelo próprio Maurice, em debates em casa ou em Seminários, em Paris, Cambridge e , a seguir, Lisboa, até o dia de hoje. Naõ resisto citar algumas das palavras referidas pela Wikipédia, para facilitar a +esquisa ao leitor: Born in Cambrai, France in 1934, Maurice Godelier is one of the most influential names in French anthropology. Directeur d'études at the École des Hautes Études en Sciences Sociales. Best known as one of the earliest advocates of Marxism's incorporation into anthropology, he is also known for his field work among the Baruya in Papua New Guinea that spanned three decades from the 1960s to the 1980s. Foi assim que eu introduzi o que já sabia: o materialismo histórico nas minhas análises e nas análises de pesquisa dos meus orientados e discentes. A pesquisa sobre os Baruya, nunca li, porque já sabia de cor todo o que ai era, ao ler o manuscrito várias vezes no estudo de Maurice, nas aforas de Paris, ou no seu Gabinete da Maison de Sciences de l’Homme, que eu usava em quanto ele estava a dirigir a Ciência Social no dito CNRS. Este texto está em português, na página web da Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Maurice_Godelier Quanto a minha participação no debate de ideias a a minha adaptação, mais uma vez, às ideologias europeias, ver o Sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Raul+Iturra+Membre+du+CNRS&btnG=Pesquisar&meta= ou a pagina web, em texto pdf: www.mal217.org/agenda/newsletter/03-12.pdf O texto dedicado ao Maurice, está referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Raul+Iturra+A+Economia+deriva+da+Religi%C3%A3o.+Ensaio+de+Antropologia+do+Econ%C3%B3mico&btnG=Pesquisar&meta= e na pagina Web: http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=2150 , que vou referir no texto.


Iturra, Raúl, 2002: A Economia deriva de Religião, Afrontamento, Porto, página 9, sítio Net já referido

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (16)
(Continuação)

O segundo, era a ideologia. A nossa ideologia era diferente, entre os vizinhos e eu. Éra-me impossível, para guardar a minha digna reputação que me fizera ser aceite pelos vizinhos, dizer que éramos socialistas exilados, como comentou um amigo meu, trabalhador Rural em Vacas, o para mim, meu íntimo Eduardo Fernández e a sua mulher Ercanación da Paróquia, da paróquia Barcia (Santo Estevo) vizinha a de Vilatuxe –as mulheres não eram assumidas pelo nome, eram referidas pelo sítio ao qual pertenciam.

Eu relatava que era católico de Missa e Comunhão, era parte do meu trabalho de campo, para ser aceite entre a comunidade, toda a qual dizia ser católica, as a maior parte dos homens não eram crentes e iam a missa como um encontro social referidos por mim nos textos citados sobre Vilatuxe e o mal vendido da Proefedições. A minha mulher era mais directa, ela não tinha nada que provar e apenas uma vez foi a Missa, apesar dos pedidos do nosso amigo o Pároco Luís Vázquez, que costumava dizer que nunca tinha encontrado uma pessoa mais cristã do que Raúl. E foi assim que consegui imensa informação sobre as famílias de Vilatuxe. Não era um engano, era parte do meu trabalho. É o que se denomina na fé romana católica dizer a verdade ocultamente, sem entrar em detalhes. Foi preciso fornecer toda a minha opinião e história sobre a devoção, os padres amigos, os Bispos e Cardeais e outros dados, contar que no meu matrimónio tínhamos recebido um telegrama do Papa Giovanni Montini ou Paulo VI e outras referências.

Era tanta a minha ansiedade para encontrar casa e trazer a minha solitária família em Compostela, que fiquei com a impressão de ter falado mais do que devia ter dito. Não estava enganado, porque o Luís, nesse dia ainda distante e a colocar imensas perguntas, disse-me que era “apenas o filho de um professor do Secundário, que eram muitos irmãos e o pai não tinha dinheiro para todos, pelo que enviou a ele e outros, a estudar ao Seminário, onde ele teria adquirido a vocação para o Sacerdócio, tinha nascido em Lugo, uma das quatro províncias da Galiza, essa que está na parte mais alta e que é fria para tremer de frio no Inverno e nas noites do verão. Comentei que o frio e a humidade era em toda Galiza, porque mesmo na sua casa de Vilatuxe, Província de Pontevedra, denominada também das Rias Altas, estava frio e húmido. Mudou de opinião num segundo e mandou trazer de imediato um radiador eléctrico para ser colocado ao pé de mim e combater a humidade. Para a minha surpresa também, convidou-me a jantar e ainda perguntou onde era que eu ia passar a noite. Disse que ainda não sabia, que estava em Lalín, em um hotel, a gastar dinheiro, mas que era parte do meu trabalho. Mais outra supressa: convidou-me para passar a noite na sua casa.

Entre essas surpresas é que se aprende as maneiras de ser e de pensar dos outros. Apenas que, quem estava a ser estudado, era eu próprio! Como percebi mais tarde. Estava a ser provado. Estava a ser examinado, tinha já eu pressentido. Mal podia dormir essa noite, por causa do frio e da humidade do quarto, casa moderna, nova, feita com solo de mosaicos frios, que apanhavam a humidade do ar. No dia a seguir, mais outra prova: as horas de eu acordar, levantar e o que fazia a seguir. Avisado pelo meu próprio instinto, acordei às 6 da manhã, apenas lavei cara e mãos e boca e desci ao piso inferior, onde encontrei ao meu bom Padre a rezar em língua latina e ler o seu Breviário , essas leituras mandadas todos os dias para meditar e organizar a vida, conforme o calendário da liturgia da Igreja Católica Romana. Calendário liturgico, dividido entre Advento, Natal, Quaresma e Comum . Bom, foi outra provação das minhas ideias, ao comentar eu: “Não falo, porque se estar a ler o seu Breviário, e o que é devido é estar em silêncio”, Luís acenou, sorriu e não falou. A seguir fomos a Missa que ele celebrava para uma meia dúzia de senhoras, denominadas beatas, não por serem santas ou não pecadoras, mas porque assistiam a Missa todos os dias, com comunhão e confissão. Tive a ideia de comungar, o que sempre fiz, não para enganar, bem como me comportar como todos os homens faziam: se eles comungavam, eu também. O Sacerdote Luís –já na época rápida da nossa amizade, quando éramos Luís e Raúl e por tu, Luís teve duas ideias: uma, convidou-me a pregar nas denominadas Missões internas da Paroquia, quando era visitada por Sacerdotes os seus amigos, e assim acabar com a monotonia de ser ele sempre a dizer a homilia dos Domingos.

Apesar de eu não ser Sacerdote, teve também a ideia de dizer-me para eu pregar uma das homilias da Missão Interna, o que eu aceitei de imediato. Queria dizer coisas que esses Padres não diziam: o duro que era o trabalho, o triste que era a vida ao trabalhar tanto e ser tão mal pago, o péssimo de ser proprietário de terras pequenas, que ficavam ainda mais pequenas nas divisões da herança à morte do proprietário, e velho que o trabalho fazia a pessoas tão novas e tão mal remuneradas esse tipo de ganhar a vida, a diferença infame entre tão poucos ricos da Paroquia e tantos pobres, todo relatado no meu texto da Profedições e no texto que tenho da CUP, Grã-bretanha. Arrebatado, a renascer em mim os meus fracassados ideais da via chilena ao socialismo, esqueci onde estava e, sem dar por isso, proferi uma homilia para o agrado dos mais, desgosto dos ricos e de olhos abertos para os Sacerdotes. O Padre Manuel, convidado, tinha pregado no dia anterior do valor e da criação do trabalho, que fazia do ser humano uma imagem da divindade, capaz de transformações. Em silêncio, senti raiva por esse tipo de palavras e pensei: “amanhã é comigo, já sei do que vou falar” . Na minha homilia até falei da instituição estatal IRYDA ou Instituto para Reforma y Desarrollo de la Agricultura . Como é evidente, de forma rápida a notícia percorreu não apenas a área de Vilatuxe e de Lalín, bem como por todos os sítios e fui congratulado por ter tido a valentia de falar de Reforma Agraria entre os camponeses, especialmente camponeses que tinham começado a sua rebelião contra a Monarquia da Espanha em 1868, ao tirar pedras a Guarda Civil, enviada pelo Conde de Lemos, proprietário das terras, usufruídas pelos jornaleiros em contrato de usufruto , que eles não queriam pagar.

Foi a família Ramos de Vilatuxe lugar, a primeira em se rebelar contra o Conde de Lemos, título na Galiza e Duque de Alba no resto da Espanha e da aristocracia nobre internacional, esse que eu descobri eram primos dos Medela, casa do Ferreiro, e do meu amigo Herminio Medela, cuja casa foi-me oferecida para o meu segundo estudo de Vilatuxe Paróquia, terra do primeiro Sindicato de Lavradores e Jornaleiros nunca antes formado, aparecido pela primeira vez em 1908, baseado na actividade revolucionaria da família Ramos, do sítio de Vilatuxe, esse com Paço e Igreja, que dava o nome a Paróquia. Mas, é matéria de outro trabalho.

Os meus amigos ao me visitarem, ou imitavam o meu gesto, como esses eternos fiéis companheiros de rota na Galiza, esses onde eu ficava porque a sua casa era a minha quando tinha de me transferir todos os meses, pós Vilatuxe, da Universidade de Cambridge a de Compostela, por causa da aulas, seminários e pesquisa financiada pela Fundação da Condesa Fenosa, o Banco Pastor e outras ninharias do título comprado ao Estado francês, desde que os títulos nobiliários foram abolidos na França, e, mais tarde, restaurados por Napoleão, o seu sobrinho Luís Napoleão Bonaparte e os Duques de Orléans, os actuais herdeiros à Coroa Francesa, caso a República fracassar. Títulos que no Chile foram acabados em 1828 por Bernardo O’ Higgins e nunca mais restaurados por ninguém! Tornando a Vilatuxe, Carlos Losada e a sua mulher, Mensi Cortisas –ele, trabalhador na Caixa Geral de Galiza ou Banco, ela, professora primária, comungavam quando eu fazia o mesmo. Amigos que me apresentaram ao Padre então António Gomes Vilasó, que, em segredo, juntava a outros sacerdotes e leigos católicos da sua confiança, para eu falar do Movimento Cristãos para O Socialismo . As minhas várias conferências, serviram para eles entrar no Movimento, com Franco ainda vivo, e espalhar a ideia entre as freiras dos Sagrados Corações, onde, sem dar por isso, laicize a muitas delas! Deixaram primeiro os Hábitos e andavam como todo o mundo, até com batom na boca.

A minha grande amiga, a Irmã Carmen Cervera , com esse senhorio de dela e a sus simpatia, disse-me um dia: “Raúl, me dejaste sim nadie en el Convento, todas se fueron, después de oir tus conferencias!” No sabia que havia continuado a luta pelo socialismo em terras estranhas às minhas. A minha paixão socialista era imensa e arrisquei prisão e expulsão, por causa desatas as minha actividades. Como já contara antes, foi preciso falar com o Cônsul do Chile em Vigo, o Espanhol, Fernando González Prieto. Tuve que confessar au meu amigo Párodo Luís, a minha verdadeira identidade. Ele aconselhou-me para não dizer nada a ninguém. Como era evidente, eu não obedeci e levei a grande surpresa da minha vida. O próprio Alcalde Pedáneo de Vilatuxe –pedáneo, por andar a pé e substituir ao Alcalde Mor ou Maior, que reside em Lalín. Disse-me que na Guerra Civil de 1939, nem a família Ramos de Vilatuxe, essa do Paço de Vilatuxe e que dá o nome a Paróquia e que eram declarados Republicanos, tinha sido assassinada por causa da intervenção do Pároco desses tempos, que organizou uma força para evitar a entrada de membros da Falange da Espanha, para matar republicanos em Vilatuxe havia muitos por causa de ter sido a primeira Paróquia Galega a se insurgir contra a Monarquia em 1868, ao impor a Monarquia um imposto sobre o consumo.

Um Domingo 5 de Novembro desse ano quando as famílias saiam da Missa e aparece a Guardia Civil, a cobrar o novo imposto sobre as pessoas, decretado pela Monarquia de Isabel II de Espanha, essa filha do abdicado Fernando VII. José Ferradás, da vizinha Paróquia de Barcia, encabeça uma rebelião de duzentos vizinhos de Vilatuxe, apedrejaram a Guardia Civil, ao sair da missa dominical desse Domingo 5 de Novembro de 1868 , e correm com a Guardia Civil. Este José Ferradas, fica na, então, Vilatuje, ao casar com uma mulher da família Ramos, Maria, e funda a família Ramos, ainda existentes na Paróquia, hoje, de Vilatuxe, no lugar de Vilatuxe . É ele e os seus decentes que, em 1908, mais tarde, criam o primeiro sindicato de pequenos proprietários e jornaleiros. Esses passeios, referidos três linhas mais acima, eram denominados passeios da morte: um amigo convidava a outro, um sabia que o outro era republicanos, o outro, não sabia que o seu amigo tinha aderido à Falange Franquista, e eram mortos pelo caminho, assassinados. Para a minha impressão, muitas portas antes fechadas para mim, foram abertas, por eu ter continuado a trabalhar na via Chilena para o Socialismo, entre os galegos agora, sem saber que estava no meio de...socialistas republicanos. Os temores do Pároco eram mais bem de ordem pessoal.

Tornando aos meus amigos Losada Cortisas, perguntei um dia ao Carlos: “porquê comungas, és crente?”, a resposta foi simples, : “Não, eu faço para te ajudar, faço como tu, porque vejo o teu esforço”. Outros, ficavam surpreendidos pelo cumprimento do ritual católico praticado por mim. Xosé Manuel Beiras disse: “Caramba!, segues à risca o teu trabalho de observação” e ficou admirado, o que percebi ao ele acrescentar: “Eu não era capaz, já fui católico e agora não aguento curas nem frades...!”, reacção típica dos ateus que não sabem ou não conseguem respeitar as ideias e ideais de outra pessoas. Talvez ou cecais, esse conceito da língua luso-galaica derivada de se calhar O meu amigo não entendia que eu estava a tentar me orientar dentro de uma cultura tão diferente da minha e da dele, essa cultura que Jack Goody pensava que era similar a toda a Europa Ocidental comentado por mim neste Capítulo, mas o não era. Uma cultura definida por mim em vários textos, especialmente no sempre reiterado Antropologia Económica de la Galicia Rural e no da Profedições de 1998. Cultura que tive a sorte de conhecer bem antes dela ter sido mudada para a zona Euro e para União Europeia. Essa Galiza que fez um dia a mulher do Ferreiro, Marcelina Medela, me convidar para uma denominada entreajuda. Disse ela: “O Senhor está cá para estudar os nossos usos e costumes. Acho que pode-lhe interessar o trabalho que vamos fazer amanhã em casa, venha almoçar connosco, se quiser, a minha casa é pobre, mas muito honrada. O Senhor vai gostar”.

Era a forma ritual de convidar um estrangeiro, supostamente rico e muito interessado nos pobres, como ela e outros costumavam dizer. Mal cheguei a casa deles, de manhã cedo – eu queria ver, experimentar, sentir- , Marcelina disse: “Mas, Don Raúl –já começava a intimidade!- o almoço é a meio dia!” e eu perguntei: “Não posso também trabalhar?”. E trabalhei até quase desmaiar. Como relato no introdução de um dos meus livros sobre Galiza. E foi ai que começou todo. Não era uma pretensão, era trabalho duro, com arado romano tirado por bois ou vacas, arado voador o de cavalo, com pá, com tesouras, com engaço ou forquilha ou enxada , conforme o que o trabalho for. No dia de Marcelina, era trabalhar com uma pá para limpar o estrume de uma corte de vacas e deixar o estábulo limpo dos dejectos das vacas, depositados a seguir num foço, para apodrecer e fazer adubo. Trabalhei como um bruto, fiquei, como se diz em Português, pior que estragado, devorei o almoço, como relato no texto publicado no Queens University Papers in Anthropology, já referido neste Capítulo. A seguir o almoço, tive que pedir ao António Montoto ou O Ferreirinho, para me levar a casa no seu tractor. Mal chequei, fiquei doente...por causa da comida: não estava habituado ao polvo, o almoço das Sestas Feiras, na Feira de Vilatuxe, todas as primeiras semanas do mês. Entre os doentes por causa do polvo, esteve também Milan Stcuhlick, Brian O´Neill e outros que nos visitaram: o tradicional era servir polvo com azeite para os visitantes, hábito aprendido por nós.

Os convites não paravam e isso causo estragos para mim na população académica, que não queriam saber que, antes de escrever, é preciso observar, participar porque o trabalho e a dor definem na cabeça o que o corpo sente, ideia referida por mim cada vez que escrevo um texto sobre trabalho de campo e observação participante, especialmente esse texto no livro de José Madureira Pinto e Augusto Santos Silva . O trabalho de campo serve para entender, enquanto o corpo sofre. Dai as minhas palavras de que as palavras falam, mas falam quando o corpo participa em uma actividade.

Foi assim em Vilatuxe. Foi o prazer das nossas vidas, excepto quando o meu amigo Pároco Luís, disse-me um dia: “vejo que comungas, mas não vejo que confesses”, habituado já às ironias do meu Pároco, respondi com outra: “Não posso confessar contigo, porque és o meu amigo, pelo que vou ao Cura de Barcia – a Paróquia vizinha- e confesso com ele, ou na Catedral de Compostela”. Se ele acreditou ou não, nunca soube, mas tinha-me por um bom católico e cristão fervoroso como está narrado nos vários textos escritos por mim sobre a Galiza. Era um prazer com muito trabalho, quer para mim, quer para minha mulher e, ainda, para a nossa mais pequena filha Camila.

Foi, também a época de criar as crianças e das ensinar para o seu processo de aprendizagem. Esse processo que tenho estudado em referido em vários textos meus, especialmente os mais recentes sobre Antropologia da Educação. Mas, para Gloria e eu, educar crianças em culturas alheias, era um problema. Paula queria andar de noiva, como ela dizia, porque todas as suas amigas iam fazer a sua denominada Primeira Comunhão. Mal avisado, eu disse não, nos não somos católicos, mas não digas a ninguém. Ela manteve a cumplicidade, narrada por mim no meu texto O Imaginário das Crianças, os silêncios da cultura oral, já referido e citado, da Fim de Século, 1ª e 2ª Edição. No entanto, no dia que as suas amigas andavam de branco e ela não, eu fiquei triste porque ela chorava por não fazer como as outras. Contradição de adulto que leva às crianças por sítios desconhecidos e solicita fazer como todos fazem, excepto no ritual. Porque, se eu transferia o limiar do ritual sem risco, porque ela, que não entendia e tinha sido catequizada na religião católica, não podia também partir esse limiar? Era parte das lisuras que acontecem quando andamos a trabalhar em sítios longe do nosso, para pessoas ainda de outros sítios, como era o meu caso, o nosso caso: na Galiza, para a Grã-Bretanha!

Notas:
Informaçãop retirada dos meus textos, da minha memória e da página web: http://gl.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9ixome,_Lal%C3%ADn



O breviário é um livro mandado ler pelo Direito Canónico, a todos os Sacerdotes e Frades, leituras diferentes, conforme a época que se comemora no rito latino da religião católica. Referido não apenas do meu próprio saber, bem como do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+livro+Brevi%C3%A1rio+leitura+sacerdotes+cat%C3%B3licos&btnG=Pesquisar&meta= . Definido na página Web, como: breviário, livro que contém a parte do ofício divino cuja recitação é obrigatória diariamente para os sacerdotes católicos em: pwp.netcabo.pt/0446031601/edicoes/breviario.htm


retirado da wikipédia e das minhas próprias recordações. Da wikipédia, pagina web que diz: O Ano liturgico é o período de doze meses, divididos em tempos liturgicos, onde se celebram como memorial, os mistérios de Cristo, assim como a memória dos Santos. Página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ano_lit%C3%BArgico






IRYDA era uma instituição que tentava organizar a agricultura galega, juntando e transferindo campos contíguos para fazer da denominada pequena propriedade fundiária, uma propriedade maior. Apenas que, os membros do IRYDA, não entendia, as leis habituais e costumeiras da cultura galega, que tinha por sistema de herança, o denominado Petruciado: havia a denominada companhia familiar galega, sistema patriarcal de gestão do património, onde quem mais mandava, era o herdeiro de toda a terra, com apenas algumas leiras de terra para os mais novos. O Petrucio, herdava todo o melhor e maior, e era o patriarca da família, sistema mudado a seguir a entrada da Espanha na União Europeia nos anos 80 do Século passado. A rivalidade das famílias era grande. Normalmente era o filho mais velho a herdar todo, como o morgado de Portugal, referido por mim na Introdução deste texto. O petruciado, é teorizado por mim, no Capítulo IV do meu livro sobre a Antropologia Económica de la Galicia Rural, Capítulo IV, livro, infelizmente esgotado e nunca traduzido ao Português. Para saber do IRYDA, ver o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=IRYDA+Galiza+1973&btnG=Pesquisar&meta= Para analisar o Petruciado, ver no sítio Net que fala do meu livro: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Ra%C3%BAl+Iturra+Antropologia+Econ%C3%B3mica+de+la+Galicia+Rural&spell=1 Para saber sobre o meu texto, que entre outras coisas diz: a necessidade de maximizar o potencial produtivo de cada um requer o estabelecimento de uma série de trocas recíprocas com os outros; ao mesmo tempo, as obrigações, que emergem destas trocas recíprocas, têm de ser manipuladas, de modo a que não inibam a maximização. [Mais:] A reciprocidade , na qual se baseiam as estratégias Vilatuxe, opera no interior de um contexto social. É uma forma de conduta desenvolvida entre pessoas que estabelecem laços materiais umas com as outras, na base de laços sociais preexistentes. Este contexto social é constituído pelo pessoal da casa, pela família alargada e pela vizinhança" .Retirado de um ensaio de Francisco Baleias sobre reciprocidade, no qual também analisa o meu conceito de compañía familiar gallega, ver a página Web: http://baleirasensaios.blogspot.com/2006/03/antropologia-econmica-ddiva-emprstimo.html


Para saber sobre o sistema do Petruciado, ver o meu texto da Antrologia Económica de la Galicia Rural, de 1988, ou o da Profedições de 1999 ou o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Petr%C3%BAcio+Forma+de+Herdar+Galiza&spell=1 , especialmente a página web Wikisource: http://gl.wikisource.org/wiki/Lei_de_dereito_civil_de_Galicia , na qual aparece o Petruciado na sua actualidade. Não resisto citar o começo do texto, por ser relevante a pesquisa por mim feita durante estes anos todos: O dereito civil de Galicia é unha creación xenuína do pobo galego. Como dereito regulador de relación entre suxeitos privados, xorde ó longo dos séculos na medida en que a súa necesidade se fai patente fronte a un dereito que, por ser común, negaba as nosas peculiaridades xurídicas emanadas do mais fondo sentir do noso pobo. É por iso un froito da realidade social e, como tal, cambiante ó longo do tempo, de xeito que mentres unhas institucións perden vixencia aparecen outras que tratan de acomodarse á nova situación. Esta tensión entre a realidade e a supervivencia de formas xurídicas que van sendo superada foi dando, así mesmo, novo sentido a novas institucións, xa que poucas veces poderá atoparse unha relación funcional tan estreita entre esas necesidades que as institucións xurídicas tentan acadar e a realidades de cada momento histórico.Retirado da Página Web referida.Ou, sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Petr%C3%BAcio+Forma+de+Herdar+Galiza&spell=1


Son facultades do petrucio ou, se é o caso, do sócio administrador: ..... Se lle correspondese herdar á Comunidade Autónoma de Galicia, ...Retirado do sítio Net: www.xurisnet.com/?contenido=estatico/boletines/galicia/g19950606/g19950606_0.html -






O contrato de usufruto, era o que imperava na Galiza, até 1908, ao mudar a lei por causa da greve de produtores, começada na Galiza pela família Ramos do lugar de Vilatuxe, esse do Paço de Vilatuxe, que dá o nome a paróquia, relatado por mim no eterno citado livro da Proedicões e descoberto por mim no meu segundo estudo da Paróquia em 1998, na casa dos Medela, quando descobri que eram primos do Conde de Lemos e da Duquesa de Alba.. Ver em texto citado. E no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Contrato+de+Usufructo+na+Lei+Galega&meta=


O Movimento começado por mim, tem vida própria, como é referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Cristianos+para+el+Socialismo+Galicia+&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente página web: http://galiza-sosego.blogspot.com/2007/01/xess-rebelde.html , texto de JOSÉ MARÍA GARCÍA-MAURIÑO, Cristianos por el Socialismo, na publicação: ECLESALIA, 08/01/07.- , bem como na pagina Web, do mesmo sítio Net, no jornal El Pais de 10-02-1979; http://www.elpais.com/articulo/espana/ESPAnA/CONFERENCIA_EPISCOPAL_ESPAnOLA/COALICION_DEMOCRaTICA/ELECCIONES_LEGISLATIVAS_1979_/1-3-1979/Cristianos/Socialismo/califica/opresion/moral/documento/obispos/elpepiesp/19790211elpepinac_8/ Tes/ onde é criticada uma carta dos Bispos Espanhóis, que o Presidente Regional Fraga Iribarne aprova, mas no mesmo texto é referido que: Por su parte, Cristianos por el Socialismo estima que el comuñicado de los obispos resulta favorable a los partidos de derecha y conservadores.


Los miembros de Cristianos por el Socialismo deploran, desde su perspectiva de creyentes, que esta declaración dé pie a una imagen de la Iglesia aliada con el conservadurismo social y enfrentada con las fuerzas en las que, de hecho, se reconocen las aspiraciones de la mayoría de las capas más humildes y de los marginados de la sociedad Los firmantes del documento se preguntan por qué ante problemas tan graves como el divorcio, el aborto, el derecho a la educación, la declaración del Episcopado «orienta la mirada en la misma dirección que los partidos de la derecha». Referido na Página Web: www.elpais.com/.../Socialismo/califica/opresion/moral/documento/obispos/elpepiesp/19790211elpepinac_8/Tes/ -






















Sobre Carmen Cervera, ver o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Carmen+Cervera++Freira+Galiza+Biografia&btnG=Pesquisar&meta= . De resto, todo está contido nos meus diários de campo, registo meu, não publicado. Por não ser parte da minha pesquisa para Cambridge, nunca fiz a Genealogia de Carmen Cervera. Mas devo dizer que foi visitar-me ao Hospital, quando Paula adquiriu a meningite referida antes, e até juntou dinheiro, dela e outros, para colaborar no pagamento da Clínica mais cara de Compostela . a denominada Rosaleda, que ainda existe. Problemas do exílio, estar habituado ao melhor tratamento e não ter dinheiro para pagar. Foi o dia que aceitei dar o curso que Xosé Manuel Beiras tinha-me oferecido, curso pago antes em milhares de pesetas, proferido depois por mim. Depois, porque estávamos a tratar da nossa filha nesse minuto e, como não havia família, foi todo feito por nós, Gloria e eu. Entre freiras e cursos, fui capaz de pagar a Clínica e melhorar a minha amada filha!, que recuperou a seguir na casa dos Beira e, meses depois, à volta a Cambridge, na nossa nova casa de Bateman Street 53.


Paróquias de Lalin, Pintevedra, referidas em: http://gl.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9ixome,_Lal%C3%ADn


Foi uma das causas da queda da Monarquia Bourbon da Espanha e a sua fugida a Espanha, com a sua corte, e amparada pela sua coetânea, Eugenia de Montijo, a nossa parente. Entre os membros da corte ia a minha trisavô, dama de Companhia da Rainha deposta, Maria Grajera-Molano. As histórias juntam-se em momentos estranhos e sem datas, as vezes. É na casa do meu amigo pastor, Herminio Medela, que soube destas histórias, e na casa da minha Senhora-mãe, bem antes.


Para o livro editado pela Profedições, pesquisei em imensos sítios, com textos autênticos. Esta História está referida nas páginas 70 a 72, e o texto foi encontrado por mim no Arquivo da Guardia Civil Espanhola de Lalín, com ajuda do filho de Eduardo Ramos, Carlos e da filha de Herminio Medela, Pilar. Tempos volvidos. Em 1868, os Medela tomavam conta das terras dos seus primos, o Conde de Lemos, Duque de Alba, sediados no sítio paroquial de Gondoriz Pequeno. Anos mais tarde, uma Medela casa com uma descente dos Ramos, Esperanza Dobarro. A História tem as sua voltas e as sua proporias referências O texto da genealogia Ramos, está no meu livro Antropologia Económica de la Galicia Rural, página 166. O Edicto do encarceramento do “revoltoso” José Ferradas, fotocopiado na página 165 do livro da Profedições.


Informação retirada da minha pesquisa, citada no meu livro da Profedições.


Para entender este erro o lapso linguístico da língua luso-galaica, ver o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Se+Calhar+em+Galego+%C3%A9&meta= ou na página web do sítio, do texto de Luís Gonzáles Blasco, no jornal por mim sempre lido, La Voz de Galícia ou, como hoje se diz, após a autorização de se falar na língua regional: Galiza Hoje, do 4 de Fevereiro de 2008: http://www.vieiros.com/opinions/opinion/327/beramendi-e-os-primeiros-tempos-da-upg


Informação de Dona Ana Rodrigues de Dias, da Vila de Resende, do Concelho de Lamego, quem prepara os trabalhos domésticos da nossa casa da Parede, Portugal, bem como pelo Senhor Nuno Fernandes, da Aldeia de Bicesse, Concelho de Cascais, quem secretaria os meus trabalhos. Além das citadas nos meus livros, o facto da vida rural estar em dessertificação, o dito abandono dos campos, e das alfaias antigas, levou aos Etnólogos Portugueses Ernesto Veiga de Oliveira, quem já não está entre nós, bem como a o querido amigo Benjamim Enes Pereira, a realizar um inquérito exaustivo de alfaias portuguesas orçamentados pelo antigo INIC, relatadas nos seus livros, e uma exposição permanente de alfaias rurais no Museu de Etnologia de Portugal, com o Doutor Agregado Joaquim Pais de Brito como Director. Com todo, o trabalho nos campos não tem desaparecido e é realizado pelas mulheres de casa, enquanto os homens procuram ocupação nas cidades ou vilas, como é referido em Boletim do Centro de Gestão Agrícola de Barcelos n.º 6


(trimestral) Junho 2005, pagina Web: www.cgab.pt/cgab06.pdf, do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Listagem+Alfaias+Rurais+Lavrar+Campo+Portugal&btnG=Pesquisar&meta= Os textos do grande Etnólogo Português Bejamim Enes Pereira, estão no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Benjamim+Enes+Pereira+Bibliografia&btnG=Pesquisar&meta= bem como um Entretien ou Entrevista e Debate sobre o seu trabalho como Etnólogo em no texto Recherches en Anthropologie au Portugal. Revue annuelle du Groupe Anthropologie de Portugal, Publicado pela Universidade Nanterre X, com a colaboração do Instituo Camões e de La Maison De Sciences de l’Homme, Paris. O Nº 6, ano 2000, organizado pela Antropóloga Francesa residente em Portugal e muito bem vinda no nosso Departamento, Fabienne Wateau. Brian Juan O’Neill, já referido, o nosso Colega e amigo João Pina Cabral, bem como as Antropólogas Caroline Brettel , Jane Leave e eu próprio, tivemos de beber das fontes proporcionadas Pelos Etnólogos Portugueses referidos, para, finalmente, entender o uso das alfaias portuguesas de terra e mar, bem como aos estudos dos Antropólogos portugueses João Leal e Jorge Freitas Branco, Antropólogos a ser citados mais em frente.


Santos Silva, Augusto, Madureira Pinto, José,(0rgs) 1986: Metodologia das Ciências Sociais, Afrontamento, Porto. O meu texto é denominado : “Trabalho de Campo e Observação Participante em Antropologia”, referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Metodologia+das+Ci%C3%AAncias+Sociais+Madureira+Pinto+Santos+Silva&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= O meu texto, em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Metodologia+das+Ci%C3%AAncias+Sociais+Texto+Ra%C3%BAl+Iturra&btnG=Pesquisar&meta=


(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (16)
(Continuação)

Eram tempos de provar a paciência e de estar à espera de saber qual podia ser o próximo passo a ser dado. Enquanto aprendiam outra vez inglês na Grã-bretanha, na nossa casa de Chesterton Road 113 A essa a minha pequena família, eu andava-me a familiarizar com a língua luso-galaica, um pandemónio de palavra ao  mesturar (misturar, seria em Português), as lusas com as castelhana. Casa visitada também pelos Stuchlick, no dia em que Milan e Jarka passaram por ai, não entraram em casa, mas deixaram um envelope, ou, mais bem, passaram-me um envelope, solicitaram para eu abrir, o que fiz, e havia um cheque por £20! Fiquei surpreendido e disse porquê?. A resposta foi simples: “é o que me é pago por orientar os teus trabalhos e como o trabalho é feito por ti, acho que mereces receber esta importância, eu fico pago com a alegria de orientar a essa mente académica tão brilhante, que até ouve as minhas desventuras e sabe guardar silêncio”, disse Milan.

É evidente que ele não precisava dar “graxa” a minha pessoa, mas, essas foram as sua palavras. Queiram desculpar se eu as reproduzo, faz parte do problemas do exílio: um dia felizes, dois dias tristes, especialmente no entardecer, quando a depressão desce sobre nós... Eu, imprudente, como sempre nestas matérias, respondi de ânimo leve: “bom, se é assim, posso, em consequência, comprar o livro que tanto desejo que é muito caro, mas que também muito precisso[1]. A minha mulher, na sua sabedoria clássica, falou comigo a seguir para comentar que eu tinha feito mal, eles que eram quatro e estavam como nós, sem dinheiro, depreendiam-se dessa importância para nos ajudar e eu....a comprar livros! Apenas que, uma semana mais tarde, este amigo em exílio falou também para dizer que parecia que eu tinha muito dinheiro, porque podia comprar livros e eles estavam pobres, si eu podia emprestar a eles....£50...Paguei caro o meu comentário, retirei dinheiro das nossas poupanças e ofereci essa importância que nunca mais foi paga. Eu nada referi em casa, para não termos problemas domésticos. £50 era muito dinheiro! Faz parte de essa solidariedade enganosa entre exilados...Milan ficou bem visto pela sua generosidade, eu, com a tristeza de nunca mais saber de um dinheiro, importante na nossa pobre casa....

Encontrar um sítio, foi difícil. Havia dois problemas. O mais duro, era alugar uma casa. Nas aldeias não há casas vagas e os proprietários de casas alugam – as aos seu jornaleiros, familiares ou vizinhos que, normalmente, colaboram nos seus trabalhos ou trabalho de colaboração, retribuído com trabalhos nas terras dos que colaboraram primeiro, ou alugam casas por conveniência de trabalho, a jornaleiros que têm a gentileza de reciprocar, essa palavra manhosa da Antropologia, criada por Marcel Mauss como conceito em 1924, referido já na Introdução deste texto[2]. Manhosa, devido ao engano de Marcel Mauss, ao sonhar com uma sociedade onde a moeda não tiver valor, apenas que ele próprio contradiz-se ao falar, na parte final do livro, denominada Sociologia Económica, que nem todo o dinheiro da Segurança Social da França dava para pagar aos operários ao trabalharem para proprietários dos meios de produção. É preciso lembrar ao leitor que Mauss e o seu tio Émile Durkheim, eram socialistas mencheviques Ideia que desenvolvo em 200 páginas no livro referido de Afrontamento, essa Editora que confronta aos seus escritores da casa, ao solicitar livros que publica ...dois ou três anos depois. Confrontamento, pelo engano ao que somos submetidos: corrigimos as provas, devolvemos o texto, e....esperamos....esperamos, e, como não gosto de cunhas, um contrato partido não é comigo, é com a SPA, que não recebe coimas e atende a todos por igual. Mais um problema do exílio...essa falta de apoio ao sermos estrangeiros! Não conhecemos ninguém e o nosso trabalho avança lentamente. Excepto, quando somos procurados para integrar júris, orientar essas  impossíveis teses as vezes, ou por um certo interesse. Será que Portugal é um Confrontamento? Não acredito, não teria escolhido este País para ficar e tentar, hoje em dia, ser português. As casas das aldeias na Galiza e outro sítios do meu trabalho de campo com observação participante, falava antes, são alugadas aos que trabalham por salário com os proprietários das mesmas. Felizmente, em Vilatuxe, o nosso Pároco Luís Vázquez Lamela, lembrou-se por ideia da sua mulher[3] de perguntar na mercearia se a casa do denominado Emigrante, estava livre ou não. Tive que ir com o Pároco, porque a um estrangeiro, a norma é: fora d‘aqui! Os Taboada, proprietários, Dona Maria e o Senhor Ramón, e a sua filha Lucita e o seu marido Luís, pensaram de imediato potenciais compradores ricos para o seu negócio denominado de Ultramarinos, e passaram a fornecer nome e sítio onde podíamos tratar da casa deram-nos de imediato o sítio exacto onde podíamos  A experiência galega de ter um docente de Cambridge a querer viver no campo, não apenas era inédita, bem como parecia de doido...Todos pensavam que ia ser um prazer para mim e que ia passar umas boas férias rurais. Pelo que, os hoje Deputados da Xunta de Galiza, antigamente conspiradores contra o regime do ditador Franco, visitavam-me em Vilatuxe e ficavam de boca aberta: o meu grande amigo e mentor, Xosé Manuel Beiras, ou , nesses tempos, o muito pobre docente da Faculdade de Economia, Ceferino Diaz, o hoje membro do Ministério de Obras Públicas e Secretário de Estado da carteira mencionada, Emilio Pérez Tourinho, cujo doutoramento ajudei a orientar, como o de tantos outros, hoje Presidente do Governo Galego, apareciam em Vilatuxe...e ficavam de boca aberta de palmo e meio, ao reparar que eu trabalhava no campo com os pequenos proprietários e jornaleiros e não tinha muito tempo para tratar deles. Ofereceram-me dar aulas em Metodologia na Faculdade de Economia, presidida pelo o meu ilustre amigo, Xosé Manuel Beiras Torrado[4], que eu aceitei: um dos problemas do exílio é a falta de dinheiro! Essas aula deram-me a oportunidade de acrescentar a minha bolsa WUS e o salário da minha Faculdade Trinity Hall, enquanto a minha mulher Gloria, tingia telas com a técnica da Polinesia denominada batic, vendidas na Boutique da nossa amiga e hoje mulher do Xosé Manuel Beiras, Aurora ou Aurichu, conhecida por nós como de Garcia Borrás. Eis porque falar de matrimónios hoje em dia, é praticamente impossível: um dia casados, outro sós, a seguir substituto ou substitutas, ou ainda substituto(a)- substituta (o), pelo qual usa –se o símbolo do correio electrónico para endereçar mensagens às pessoas, esse at em inglês, arroba em português e castelhano moderno ou @: nunca mais podemos saber o que as casas hoje gastam!, nem ficamos interessados, sabemos que cada um age como for conveniente. É o que tenho referido: a nossa estada em Vilatuxe foi a alegria da nossa vida familiar, que acabou, como referi na Introdução, a fugir da polícia espanhola, essa que me queria enviar de volta ao Chile no avião da morte. Mas, a nossa fugida demorou por causa da nossa filha Paula ter adquirido a doença virosa da meningite, por andar sempre com as suas pequenas amigas, entre as vacas dos imensos estábulos de vacas da Paroquia, denominadas Cortes-palavra que servia aos galegos nacionalistas para referir às Camaras de Deputados e Senadores, as Cortes de Espanha, par dizer que éramos governados por vacas, vitelos, e bois... Tornando ao texto central, tínhamos uma filha debilitada, tivemos que embarcar de volta à Grã-bretanha, quase no dia do passaporte especial, expirar. Embarcamos num luxuoso ferry-boat, entre Crunha e Londres. Como já tenho falado do assunto, nas primeiras páginas deste texto, são os minutos de passar a outra parte dos problemas do exílio, esse de entender as formas de pensar. E vou usar Vilatuxe mais do que Cambridge, por causa de que em Vilatuxe foi preciso disfarçar o que na Grã-bretanha não era necessário: a nossa ideologia materialista e a nossa falta de acreditar numa divindade...

Notas:

[1] O livro que eu queria, é o que denominamos hoje na linguagem informática que permeia todos os nossos texto e maneiras de falar, um atalho para o saber antropológico: o livro de  Marvin Harris, 1969:The Rise of Anthropological Theory. A History of Theories of Culture Routledge & Kegan Paul, Londres, com 806 páginas de informação sintética sobre a teoria antropológica em imensos países. Precisava saber mais e um texto sintético ou texto escolar, era a minha saída para saber mais e não permanecer tanto tempo na biblioteca da Universidade. Gloria estava em casa sempre só, com as crianças, na casa de Chesterton Road. Eram os dias em que eu telefonava a casa várias vezes para acompanhar e ela pedia para eu aparecer quanto antes, sentia-se abandonada e era verdade. Dedicava todo o meu tempo aos meus trabalhos académicos e ela ficava só. Outro problema do exílio, ter amizades ou não, especialmente quando não há família! Esse livro, ainda hoje, está sempre comigo, apenas que raramente o uso. Para saber mais sobre o livro, convido ao leitor ao sítio Net:  http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Marvin+Harris+The+Rise+of+Anthropological+Theory&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= e a página web:  http://ann.sagepub.com/cgi/reprint/386/1/225 , sítio no qual o texto pode ser lido se pagar a importância requerida pelo sítio! Apesar de ser um Clássico, que são livres no sítio Les Classiques des sciences sociales

Une bibliothèque numérique unique et originale dans le monde francophone en sciences sociales et humaines, développée en collaboration avec l'Université du Québec.
 O texto referido, é editado nos EUA e na Grã-bretanha, povos que vivem da venda das suas mercadorias, países nos quais o livro é mais uma mercadoria do que um instrumento de trabalho, para explorarem às pessoas até o fim!
[2] Mauss, Marcel, 1924: « Essai sur le don. Forme et raison de l’échange dans les sociétés archaïques », em L’Année Sociologique, Nouvelle Série, Paris, Librairie Félix Alkan.  Livro francês, o texto está no sítio Les Classiques: Les Classiques des sciences socialeshttp://classiques.uqac.ca/, coordenado pelo canadiano Professor da Universidade de Quebec, Jean-Marie Tremblay, persistente, atrevido para tirar livros e por abertos no sítio Classiques, e-mails vêm e vão entre ele e eu, a sua morada net está nesta nota de rodapé, e o texto nas imensas páginas web:  http://classiques.uqac.ca/classiques/mauss_marcel/socio_et_anthropo/2_essai_sur_le_don/essai_sur_le_don.html retirado do motor de pesquisa Gogle:  http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Marcel+Mauss+Essai+sur+le+don&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=
[3] Bem sei que na Igreja Romana há a promessa de castidade, donde, não há matrimónio entre Padres e Mulheres ou Homens , como acontece em outros países da Europa. Na Inglaterra, já casaram vário clérigos anglicanos entre eles. Mas, em Vilatuxe, já eles desaparecidos, posso hoje dizer, como digo no meu mal vendido livro da Profedições, todos sabiam que a empregada da casa Sacerdotal era a mulher do Cura, que eu próprio soube por relato e porque ficava em casa deles até o dia de receber a nossa alugada casa, ficar abastecida de agua e duche que eu instalara, e pronta e trazer a minha família, já em Compostela, na casa cedida a nós pelo nosso amigo de Cambridge, Abel Caballero, economista, Ministro de Obras Públicas nos Governos Socialistas da Espanha e grande amigo. A sua vida pode-se saber no sítio net:  http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Abel+Caballero&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= e na página web da Enciclopédia Wikipédia:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Abel_Caballero , na qual comemoramos o primeiro ano de vida da nossa filha Camila, essa noite do 6 de Janeiro de 1945, passada no estudo de Alberto Meixide, hoje Catedrático de Compostela, conhecido por mim em Essex, onde também conheci a Brian O´Neill, a fazerem Mestrados em literatura e economia, cada um no seu. Camila teve que dormir numa cama que a minha engenhosa mulher improvisou para ela essa noite: uma gaveta da Secretária do Alberto Meixide!, até nos transferir-mos para a casa de Abel Caballero e Cristina, a sua mulher. Casa que estimava-mos ia ser para nós, mas estava o irmão e a sua namorada, para partilhar connosco. Passamos aí dois meses, enquanto eu ia e voltava entre Vilatuxe e Compostela, ou entre a casa e a Faculdade. A minha mulher muito deve ter sofrido, só em casa, fria, húmida, antiga, sem agua quente, etc.!  Bem tratava eu de colaborar, mas o meu trabalho o não permitia....Rendo louvor a Gloria pela sua destemida atitude, generosa, simpática, até Xosé Manuel Beiras saber onde estávamos e passarmos a casa dele e da sua mulher nesses dias, Teresa Garcia- Sabell, íntima de Glória e que soube-nos acolher na sua mansão da Rua do Bispo Gelmírez Nº15, rua onde nos levantamentos contra a Monarquia no Século XIX, este Bispo foi ai assassinado. Gloria sabia o que queria e em silêncio, conseguia....ia conseguindo, com privacidade e muita capacidade para se saber rodear dos amigos devidos, capacidade inexistente em mim Para saber de Teresa Garcia-Sabell, ver o sítio Net:   http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Teresa+Garcia+Sabell&btnG=Pesquisar&meta= ou a página web:  http://www.prohpor.ufba.br/esprescultu.html
[4] Xosé Manuel era Catedrático do Departamento de Estrutura Económica, na Faculdade de Economia, sediado, nesses anos, no Paço dos Fonseca, hoje Sede do Governo ou  Xunta de Galiza, sítio onde eu dava aulas e Seminários, enquanto a minha mulher esperava, esperava...Ele também esperava, esperava e esperou, primeiro, a morte do ditador, a seguir, ser o Presidente do Governo Regional, mas era sempre derrotado pelo antigo Falangista Manuel Fraga Iribarne. Fundador do denominado Bloco Nacional Galego ou BNG, era pensado como o sucessor do herói galego Afonso Castelão, Republicano Nacionalista Galego assassinado pelos falangistas ao tratar de fugir de barco para Argentina. Tive o prazer de conhecer a sua família, Ramón Pinheira e Sara, a sua mulher, sobrinha de  Castelão, que habitavam no andar de cima dos Beira. Xosé  Manuel nunca quis passar ao Partido Socialista, como tinham feito os seus discípulos. Nunca foi eleito Presidente, mas tem sido Deputado do BNG. Para saber dele, ver o sítio Net:  http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Xos%C3%A9+Manuel+Beiras&meta=  e a página web da Wikipédia:  http://gl.wikipedia.org/wiki/Xos%C3%A9_Manuel_Beiras_Torrado . A sua obra é basta e elegante. Ele queria ser arquitecto e pianista, mas, confessava-me ele, não lhe foi permitido. A vida de Xosé Manuel é básica para uma Biografia modelo. A sua obra e fundação fazem dele o artista que sempre tinha pretendido ser. Pelo menos, dizer, retirado da Wikipédia Galega, escrita em luso-galego:: Xosé Manuel Hixinio Beiras Torrado, político e economista, naceu en Santiago de Compostela o 7 de abril do ano 1936. Na IX Asemblea do BNG foi elixido Presidente do Consello Nacional (CN) desta formación, e o seu voceiro no Parlamento de Galiza. Na actualidade, logo de abandonar a presidencia do CN, encabeza unha corrente interna denominada "Encontro Irmandiño" Continúa ademais á fronte da cátedra de Estrutura Económica da Facultade de Ciencias Económicas na Universidade de Santiago... No ano 1963 é membro fundador do PSG (Partido Socialista Galego) na clandestinidade; tamén se fai cargo da subdireción da Revista de Economía de Galicia (cargo que deixaría no percorrer do ano 1968). Xa no ano 1964 asume Relacións Internacionais, este posto volveríao asumir no 1970; nesta etapa relaciónase con outras formacións europeas socialistas e co Moviment Socialist de Catalunya de Josep Pallach e Joan Raventós.
No 1967 recibe o Premio da Casa Galicia de Nova York polo seu libro O problema do desenrolo na Galiza rural. Xa no ano 1968 vense vivir definitivamente á Galiza, e comeza a traballar coma profesor de Estrutura e Institucións Economicas na Faculdade de Económicas. No 1969, colabora nunha obra colectiva Introducción á economía galega de hoxe publicada en Vigo, e foi relator na elaboración do Documento Conxunto PSG-UPG. No ano 1970 estando uns meses en Madrid, no Colexio Maior Universitario César Carlos, publica a súa tese doutoral sobre o desenvolvemento económico e demográfico en Galiza entre o 1900 e o 1960 co titulo Estructura y problemas de la población gallega, co que gaña o Premio Extraordinario de Doutoramento e consegue, tamén, ser profesor adxunto na Cátedra de Estructura Económica.
No 1971 asume o cargo de secretario xeral do PSG. No 1972 publica en Vigo O atraso económico de Galiza, nese mesmo ano ofrécenlle o posto de Decano en funcións durante as revoltas estudantís e obreiras; posto que reafirmaría anos mais adiante. Dentro das súas colaboracións colectivas xorden no ano 1975, publicadas en Vigo, dúas obras; A Galiza rural na encrucilladae Contaminación industrial e desenvolvimento. No 1977 deixa o cargo de secretario xeral no PSG, despois de encabezar as listas pola provincia da Coruña nas primeiras eleccións xerais da transición democrática nas que non conseguíu o escano, para ser designado Académico numerario da RAG (Real Academia Galega), cargo ao que renunciou tempo máis tarde. Tamén este mesmo ano encarregouse da dirección dunha investigación sobre o proceso de modernización da agricultura galega, cos fondos patrocinado pola Fundación Pedro Barrié e a Universidad de Montpellier.
En 1980 Beiras accede definitivamente á Cátedra de Estrutura Económica na Universidade de Santiago de Compostela. Corre o ano 1982 e participa na constitución do BNG (Bloque Nacionalista Galego) do cal entra na súa Dirección Nacional e Permanente. Nese ano sae a súa publicación O atraso e Nós. Aportación para un debate encol o atraso económico"; en febreiro deste mesmo ano ré elixido Decano da Facultade de Ciencias Económicas. Xa metidos no ano 1984, Beiras, na compañía doutros autores, saca ao prelo a obra Dende Galiza: Marx. Homenaxe a Marx no 1º centenario da súa morte. Por si só publica outro libro, Por unha Galiza liberada, obra na que viña traballando dende 1976; neste mesmo ano, xaneiro, é reelixido como Decano da Faculdade.
É o minimo para dar conta da vida de um amigo íntimo, esse amigo do coração, que muito sofreu pela emancipação do seu Pais, Galiza, como ele sempre referia. Deu-me asilo, ajudou trazer minha irmã e cunhado ao exilio, foi  e é o meu irmão na fé idealista e na razão prática...

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (15)
(Continuação)

Capítulo 4-O exílio e as suas lutas.



That’s the fact. Words talk. Words are action. Bem sei que estou a escrever com palavras na língua saxónica inglesa, que tem palavras também em latim, poucas, mas várias, por causa dos Romanos do Império e , antes, da República, terem colonizado as Ilhas Britânicas. O Conquistador foi denominado Britannicus . Mas, não queria desviar o olhar do leitor para as minhas habituais desagregações do texto, e insistir que as palavras são acção. Nós, não apenas falamos, também pensamos e a parte mais activa do nosso pensamento, são os conceitos usados , conceitos normalmente retirados da actividade e da acção.

É apenas observar uma criança a crescer e entender como vai denominando aos objectos que começa a conhecer, essa descoberta do mundo, como analiso em vários textos meus, descoberta e colonização do mundo feito pelos mais novos, desde pequeno. Normalmente, nós, pais e mães, lembramos da primeira palavra pronunciada pelos nossos descendentes, essa forma de colonizar o mundo. Normalmente os objecto são baptizados pela infância, que ignora o conceito central, mas aprende ao agir dentro do mundo anos depois e é ou, corrigido pelos seus adultos, ou pela sua própria interacção social, ou pelo relacionamento com outros adultos. O importante de notar é que há um ditado que diz que toda criança tem uma língua mãe, que nunca mais esquece, por causa do seu agir entre objectos e o seu pensamento. Os objectos que impressionam aos mais novos, recebem um nome especial e ficam para sempre nas suas recordações. A nossa filha mais velha, referida já antes, a psicanalista, não conseguia aos 9 meses de idade, dizer palavra nenhuma, excepto ma ma ma, ou, essa a sua eterna palavra, jagua, que eu escrevo ao relatar o facto, com yagua, sem saber que há uma etnia no Brasil, que tem esse nome . A nossa pequena filha estava atrapalhada entre várias línguas: o Castelhano Chileno de casa, o inglês de Londres, o gaélico da Escócia e o Castelhano Argentino dos nossos melhores amigos em Edimburgo, a família de Ricardo e Aída Gáudio e do seu filho Santiago, os que, mais tarde na vida, deram asilo num Departamento o estudo deste Sociólogo Argentino aos nossos amigos Vio, num estudo estreito, onde apenas cabiam os quatro: Pancho, Mariana, Panchito e Daniela, a minha afilhada! A nossa filha Paula, lembro-me eu, e a minha mulher também, a primeira palavra que aprendeu, já no seu ano e meio de vida, foi “dillita, come to play with me”, no inglês mais aberto do mundo, esse referido como spanglish, ao andarmos no mato do jardim da Universidade de Edimburgo a tentar brincar com as denominadas, em inglês, squirrels, ou ardillas em castelhano chileno, em português, esquilos . É o problema de morar em sítios cuja actividade não conhecemos ou cuja História é aprendida por nós bem mais tarde. É por esse motivo que eu informo-me antes da História do sítio onde vou morar, estabeleço amizade com todas as pessoas e na troca de simpatia, vão ficando as palavras como conceitos activos na nossa consciência, o que permite falar e escrever, e , principalmente, interagir. Há uma ciência que estuda este tipo de aventuras linguísticas, além da psicanálise que também usa palavras para entender a mente do paciente e saber o seu sítio social e as suas aspirações, a semiologia ou semiótica, usada por nós, mais tarde no exílio, para entender as ideais e significados das palavras culturais ou habituais, usadas pelos britânicos e as outras que eram capazes de entender os chilenos exilados, para colaborar melhor na sua adaptação ao novo país, o Reino da Grã-bretanha. A primeira palavra sempre rejeitada, era a de Rainha, mas, em segredo, muito amada, por ser uma novidade para todos ter por chefe de Estado, uma realeza não sagrada. A semiologia ou semiótica , foi desenvolvida por Ferdinand de Saussure e, a seguir, outros. Entre nós, pelos Professores referidos na nota de rodapé 146. Ideias que colaboram a aceitar o exílio por mim denominado duplo: dos sítios onde nascemos, das ideias aprendidas na infância apagadas por novas ideias, conceitos e actividades ou acções, significados ao começo, traduzidos, mas, mais tarde, na passagem do tempo, fazem troca e troça dos nossos conceitos infantis para passarmos a ter conceitos impostos pelas actividades desempenhadas na dura luta da sobrevivência!
Da nossa mais pequena, o que mais lembro, também na gaiola de várias línguas, incluindo a língua luso-galaica da aldeia de Vilatuxe, onde estávamos em pesquisa de trabalho de campo nos anos 70 do Século passado, mandada a ser realizada, pelo meu professor Jack Goody, por intermédio do meu imediato tutor, o meu, infelizmente falecido muito novo, amigo Milán Stuchlick , essa mais pequena, usou duas palavras desde que eu lembro: Dad e a muito castiça palavra chilena caca- ou coco que se usa na conversa doméstica em Portugal, entre adultos e crianças. O uso da palavra fez parte de um ritual que o nosso amigo Milán nos ajudara a organizar. Camila usava chuchas e tetinas dos diversos países pelos que tínhamos passado e, mimada como era, especialmente pelo pai –eu era o grande pecador dos mimos às filhas!, aconteceu um grave problema: era preciso importar chuchas do Chile para ela dormir, da Grã-bretanha, para ela beber o biberão, da cidade de Compostela para a aldeia de Vilatuxe ou Paroquia de Vilatuxe, que eu estudava, e era o nosso horror perder os ditos chuchas e tetinas. As crianças não são parvas e gostam dominar aos pais para chamar a sua atenção. Á noite, era o horror! Ela precisava dormir com duas chuchas, uma das quais, normalmente, largava ao chão do seu quarto e gritava e chorava e lá íamos nós, a correr, para encontrar uma rapariga endiabrada a ..rir! e dizer a castiça palavra chilena chupete, da forma como falam os mais novos: “ no tete, no tete!”. Lá ficávamos Gloria e eu, a procurar o famoso tete por todos os cantos do quarto de casa da aldeia. Até que, um dia, descobrimos que o famoso tete era escondido por ela entre os lençóis do seu berço! Milan e Jarka, a sua mulher, observaram em silêncio a nossa atitude e disseram que estávamos a fazer mal, que não era assim que uma criança podia ser tratada. No dia seguinte, para dor do meu coração, o meu exilado amigo da Checoslováquia para o Chile e do Chile para Cambridge, como eu, levou a Camila ao pé da porta da cozinha, também casa de jantar, abriu a porta que lindava com o quintal da casa e começou um ritual de dizer – ele falava um perfeito castelhano do Chile – que a chucha era cocó, era caca. Camila perguntou “Caca?. Buaaaaa”, forma aprendida de nós para exprimir o seu sentimento de repulsa para as famosas borrachas!. Sabia bem o que era coco e, com Milan ao pé dela, atirou todas as chuchas e tetinas ao lixo do quintal e exprimiu nas sua meias palavras anglo – chilenas –lusas, o seu desprezo pelo que usava. Essa noite dormiu com eles, que não tinham autoridade emotiva sobre ela, e no dia a seguir, bebeu o seu leite de uma taça, como se faz na Espanha, com bolachas e pão misturados com leite, uma alegria do paladar que ela não conhecia. Era evidente que faltava família para tratar das nossas crianças! Sempre sós connosco, não havia maneira das poder criar. Para nós, a família foi sempre importante, não apenas pelo carinho, mas pelo o seu empenhamento em colaborar. Desde o Chile, a nossa sogra enviava as ditas tetinas, desde a Grã-bretanha, os nossos amigos, e assim por aí fora. Milan e Jarka acabaram com esse o nosso sofrimento, eu diria, ao nos apoiar a nós, mais do que apoiar a Camila. Esses pais, nós, estávamos a precisar de adultos para optar pelos remédios para corrigir essas nossas pequenas. Faltavam palavras adultas. É daí, também, que eu diga que as palavras são conceitos em acção, em guerra, especialmente de nervos....
O problema era sermos tão ciganos na maneira de estruturar as nossas vidas. Andava-mos de um país a outro, em trabalho de campo, a falar todas as línguas do mundo e a comer todo tipo de comestíveis. Vilatuxe foi o nosso ninho de paz e estabilidade por quase dois anos. Ainda Gloria, deprimida ao começo por causa da casa aldeã que eu tinha alugado, começou a gostar mais dela a pouco e pouco. Primeiro, tinha ao marido por perto, não como em Edimburgo, quando eu passava as horas todas na Universidade e ela só em casa, com Paula de 9 meses. Os nossos entretenimentos eram raros, não apenas por eu estar dedicado sempre ao trabalho académico, bem como por causa da Escócia ser Presbiteriana e não ter divertimentos. Lembro que apenas uma vez fomos ao cinema, o dia que a nossa amiga arquitecto escocesa Jean Laingh, filha de mãe chilena e pai escocês, ficou em casa a tomar conta de Paula. Fomos ver o filme Lady Chatterley, se me lembro bem. De resto, os nossos divertimentos eram ir a Londres para cursos meus, onde também estivemos no cinema com os nossos amigos chilenos da London University, a família Ugarte. Tomamos a vantagem de termos a mãe do nosso amigo em casa, e vimos Midnight Cowboy, um filme destemido e violento, revolucionário para os anos 60 do Século XX. Ainda nos tempos da nossa felicidade, antes do nosso exílio. Mas, tornando ao nosso exílio, era preciso andar em muitos sítios para, como diz Jack Goody , encher o tacho partilhado por nós quatro...Era um dos problemas do exílio, ter que inventar una família. Parte de esse invento, foi criar uma família com os Stuchlick. Eram como pais para nós, pais jovens ainda, com crianças novas, enquanto Milan e Jarka tinham já filhos adultos púberes. Tivemos dias lindos na Aldeia de Vilatuxe. Não consigo esquecer que o aparecer dos Stuchlick, foi uma surpresa para nós, não estava anunciada. Mantínhamos uma grande comunicação, por causa do trabalho de campo. Milan, muito sabido nas histórias de perca de documentos e textos, tinha-me aconselhado escrever o meu diário de campo a máquina – não havia ainda computadores nesse tempo, com papel carbónico entre duas páginas brancas e enviar sempre uma cópia a ele, caso o caso for...de ser assaltado, roubado, queimado ou, quase uma premonição, ser enviado de volta ao Chile como prisioneiro...Com fidelidade, eu escrevia todos os dias de manhã o que tinha apontado nesses os meus pequenos livros de notas de campo e reproduzia todo, com palavras castelhanas, os relatos do que tinha feito no dia anterior. Eram as minhas melhores horas!, como refiro no livro de 1978, já citado, Antropologia Económica da Galicia Rural. Essa comunicação originada em Cambridge, nas tutorias três vezes por semana, nas que eu devia dar conta das minhas leituras e levar textos escritos em inglês e discutir com ele os conteúdos do livro e do meu texto. Era comum entre nós falar em Castelhano e beber um café e falar de nós primeiro, porque a necessidade de família era de ida e volta ou de vice versa. Mas, ao começar a tutoria, mudávamos para a língua inglesa. Não é por acaso que tenha começado este capítulo com a ideia das palavras serem activas, conceitos no meio da actividade. A tese que seu estava a tratar, era para Inglaterra, devia, em consequência, ser em inglês. Como os textos. Milan tinha como obrigação transferir os meus trabalhos a Jack Goody, que sabia Castelhano, mas eu estava a ser provado!, se servia ou não para fazer e acabar o meu doutoramento ou se os acontecimentos do Chile tinham sido da tal maneira dolorosos para mim, que talvez tive-se perdido a memória, ou se a depressão for tão forte, como para tornar a minha memória incapaz de lembrar e produzir!. Bom, nada de isso acontecia, pelo que o Relatório do Professor Doutor Milan Stuchlik foi altamente positivo e foi-me concedido o grau de Magister para passar ao meu trabalho de campo e à corrida do doutoramento. O entendimento entre Milan e eu era simples e directo. Era o seu único orientado para o doutorado. Nas suas horas vagas, escrevia um livro, que está comigo .
Lembro bem como foi que Milan e família chegaram a nossa casa. Não avisaram apareceram de carro desde a Irlanda em Vilatuxe, em 1975, a perguntar se conheciam a Don Raúl Iturra. Mal era percebido pelos aldeões, que falavam a língua luso-galaica, o galego denominado enxebre e não esse inventado na cidade pelos nacionalistas galegos. Orgulho-me em dizer que a nossa filha Paula, com cinco anos e eu, aprendemos o galego, sem dar por isso. Essa nossa filha que teve que aprender e desaprender tantas língua, mas ficou com a capacidade de falar sete, hoje em dia. São os problemas do exílio, mas também as suas vantagens: é preciso aprender de novo e esquecer outras formas de fala e de escrita, eis o outro problema! Mas antes de desenvolver essa hipótese, vamos ainda, retomar ao Milan, batendo no pedestal do meu texto. Contou-me, ao chegar a casa, que tinham perguntado aos aldeões se conheciam a Don Raúl Iturra, hábito muito castiço no Chile, para referenciar uma pessoa aparentemente importante, como ele pensava que eu era na Paroquia. Esses vizinhos, que mal entendiam o castelhano – o que me obrigara a mim e família mais adulta, a aprender a língua galega, disseram que nada sabiam. Jarka teve a ideia de disse: “Pregunta por Raulito”, esse diminutivo que ela sabia era-me dito em família o que Milan fez. Ninguém sabia nada e disseram: esse senhor não mora cá. Milan ripostou: oiça, é esse senhor de barbas que vem do estrangeiro...e de imediato fui reconhecido: “Ah! O senhor está a perguntar pelo chileno!”, essa a minha alcunha na aldeia. Na Paroquia todos eram conhecidos por alcunhas e, as vezes, nem sabiam os nomes das famílias: O Ferreiro, José Montoto, tinha o seu filho António, denominado por todos , O Ferreirinho, diminutivo luso-galaico para Ferreiro, bem como a sua casa não era a casa Medela, era a casa do Ferreiro que pertencia a família Medela, apelido de solteira da sua mulher Marcelina, irmã do meu hóspede da minha segunda pesquisa em Vilatuxe, 25 anos depois: ela era a Ferreirinha, a da casa do Ferreiro, como relato em dois textos meus já citados antes: o Editado pela Xunta de Caliza, e esse mal vendido da Profedições. . Os Stuchlick nada sabiam deste costume- por outras palavras, tinham respeitado o meu segredo sem ler as cópias do meu diário de trabalho de campo enviadas por mim a Cambridge todas as semanas. Começaram a se desesperar: ter-se ião enganado, era outra a Paroquia, haveria um outro acesso? Eu era conhecido pela minha própria, alcunha que eles não sabiam nem podiam conhecer. Eu não era Don Raúl, excepto para os meus mais íntimos, o Pároco Luís Vázquez, a família referida Medela, os nossos vizinhos Ramón e Eduardo Fernández e as suas mulheres e filhos, e o único aristocrata da Paroquia, Don Carmelo Louzao dentro das 14 aldeias de Vilatuxe, era denominado O Chileno, o que tivemos que comunicar a nossa família, que, as tantas, nos visitavam na Galiza: a minha sogra, a nossa prima de quem falei no Capítulo anterior, Maria Teresa González Tornero, a minha irmã Blanquita e o seu marido Miguel e filha Alejandra de três meses de idade, e outros da cidade de Compostela, os nacionalistas galegos que nunca tinham tido o atrevimento de morar numa aldeia camponesa, até eu instaurar o modelo, seguido depois pelos os meus orientados para o Doutoramento, o Galego, José Maria Cardesín e a sua mulher de então, Beatriz Ruiz Fernádez, referida na mesma nota de rodapé do seu antigo marido– hoje é preciso falar com cuidado das famílias: aparecem, desaparecem, organizam-se novas famílias e nada sabemos delas, as tantas!. Foi lá que vivemos, até com a visita do meu amigo de longa data Brian O’Neill : à procura do sítio de pesquisa, percorremos juntos toda a Galiza, enquanto a minha mulher e filhas esperavam em Cambridge para saber de mim e o sítio escolhido, bem antes dos Stuclick aparecerem em Vilatuxe. A minha família esperava em Cambridge, reitero, com essa santa paciência que a minha mulher desenvolveu.

Notas:

Não resisto a tentação de informar directamente ao leitos destas invasões, com o parágrafo de Wikipédia ou Enciclopédia Livre da Net: “A invasão romana nas ilhas britânicas ocorreram em 43 d.C. O Império romano não "invadiu" a Britânia. Esse facto de invasão foi dado pelo império romano para propor a superioridade da nação sobre as pequenas tribos e cidades da Britânia. Antes da "invasão", o império romano já tinha algumas fortificações na ilha e tinha algumas relações com as nações que habitavam a região. O ano 43, foi o ano da conquista definitiva do Império romano sobre a Britânia e não o ano da invasão. A conquista da ilha em 43 foi concluída pelo imperador Cláudio. Júlio Cesar tentou conquistar a ilha antes que Cláudio. A Britânia tornou-se província do império”. Retirado da página Web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Invas%C3%A3o_romana_das_ilhas_brit%C3%A2nicas .Para saber mais sobre Britannicus, filho do Imperador Claudius Germanicus e o seu herdeiro, mas assassinado pela segunda mulher do Imperador, Agripina para que o seu filho Nero for o herdeiro do Império, história que aparece no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Britannicus+&spell=1


Para saber mais sobre os Jaguas, ver no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Etnia+Jagua&meta= Como diz parte do sítio: esta etnia que integra a Nação Guarani, em: www.guata.com.br/Tirando%20de%20letra/092507TLcontosmbya.htm , povo parte da Etnia Barasana estudada pelos os meus amigos e colegas do Departamento de Cambridge, Stephen e Christine Hugh-Jones, esses amigos até o dia de hoje, que trataram da minha papelada ao ser aceite de volta em Cambridge, no Departamento de Social Anthropology. Os seus textos sobre Barasanas estão referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Stephen+Hugh-Jones++Cambridge+University+Etnia+Barasana&spell=1 , bem como na página web, há um texto em português da autoria de Stephen Hugh-Jones, de Fevereiro de 2003: http://www.socioambiental.org/pib/epi/uaupes/cosm.shtm
Na Escócia, como na Irlanda e no Principado de Gales ou Wales da Grã-bretanha, fala-se essa língua que nos atrapalha a todos, o gaélico que, como especial concessão para nós, estrangeiros muito chilenos nesses tempos, bem como hoje, era falado num inglês que era difícil de entender, mas ao que ficamos habituados pela interacção com os nossos amigos Escoceses, especialmente os que mais nos visitavam em casa, o meu Tutor Peter Wasp e a sua mulher, linda como um sol, Diane. Eram tempos felizes e destemidos! Até a minha sogra, que de inglês nada sabia, era capaz de manter conversas em castelhano chileno com Peter Wasp, por horas...Para saber mais sobre o gaélico, ver a página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_ga%C3%A9lica_escocesa , do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ga%C3%A9lico&btnG=Pesquisar&meta= , que refere que: A língua gaélica escocesa (gaélico escocês; Gàidhlig) chegou à Escócia no século V D. C. , quando os celtas escoceses provenientes do norte da Irlanda se instalaram no Norte da Escócia
A palavra esquilos foi retirada do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ardilla+Esquilos&btnG=Pesquisar&meta= , pela informação proporcionada a mim pela D. Ana de Jesus Rodrigues de Dias, que trabalha na minha casa e faz a minha comida, o que nenhum ordenado consegue pagar a sua simpatia e cuidados para mim.
Para saber de semiótica, senhor leitor, visite a página Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Semi%C3%B3tica
Para saber do autor, página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Semi%C3%B3tica#Ferdinand_de_Saussure , no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Semiologia+Ferdinand+de+Saussure&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente a referência: www.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/S/semiologia.htm . Entre nós, têm analisado de forma semiológica os povos indianos de Goa e Ourissa na Índia, os Doutores Rosa Maria Perez, http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Rosa+Maria+Perez&btnG=Pesquisar&meta= ou em http://www.webboom.pt/pesquisaHPautores.asp?autorId=23218, ou, ainda no livro do mês :Os portugueses e o Oriente, em: www.webboom.pt/pesquisaHPautores.asp?autorId=23218 José Carlos Gomes da Silva, referido em http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jos%C3%A9+Carlos+Gomes+da+Silva&btnG=Pesquisar&meta= bem como em http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Carlos_Gomes_da_Silva a enciclopédia net, que diz: “desde cedo se debruçou sobre os problemas da «tradução», nomeadamente, dos sistemas simbólicos. A sua principal linha de investigação nos últimos anos, tem sido a das hierarquias e dos sistemas de classificação simbólicos.”, Manuel João Ramos ao analisar histórias antigas do povo da Etiópia e dedicar o seu tempo aos peões automobilizados, criou uma nova antropologia, referida em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Manuel+Jo%C3%A3o+Ramos&btnG=Pesquisar&meta= e em: A Automobilização do Pensamento Selvagem, página Web: www.aca-m.org/documentos/publicacoes/automobilizacao_do_pensamento_selvagem.pdf , e contos infantis, Francisco Vaz da Silva, referido com Bibliografia e Genealogia em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Francisco+Vaz+da+Silva&btnG=Pesquisar&meta= e na página web: http://unics.iscte.pt/depant/investigadores.html que cita as suas publicações Nas minhas mãos os textos: Reis e Intocáveis. Um estudo do Sistema de Casta do Noroeste da Índia, Celta, Oeiras, 1994 da minha muito querida amiga Rosa Maria Perez, bem como os textos do meu admirado amigo José Carlos Gomes da Silva: 1993, como coordenador: Assimetria Social e Inversão, Ministério do Planeamento e da Administração do Território, Instituto de Investigação Científica Tropical, Lisboa, e o de 1994, individual: A Identidade Roubada. Ensaios de Antropologia Social, Gradiva, Lisboa, tradução. do original publicado na Bélgica, 1989: L’Identité Volée. Essais d’anthropologie sociale, Éditions de L’Université de Bruxelles. Todos, do nosso Departamento de Antropologia do ISCTE, onde cada um tem a sua referencia, as suas alegrias e as suas mágoas!
Milan Stuchlick, checo era contado entre os cidadãos contrários à invasão Soviética do seu País, procurou asilo no Chile, a convite da Universidade de Concepción e a de Temuco, onde morou com os Mapuche do Chile e foi aceite dentro da redução, apenas ele, nem a sua mulher nem os seus filhos. Trabalhamos imenso juntos em St John´s College, a sua Faculdade de Cambridge, à que eu estava destinado, mas ao sermos dois, Jack que aí tinha muita voz, escolheu Milan para St John’s e eu, para Trinity Hall.. Para saber vida e obra de Milan Stuchlick, ver o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Milan+Stuchlik&spell=1 e a página web: http://www.radio.cz/en/article/11132 . Em 1976 foi transferido a Universidade de Belfast, Irlanda do Norte, ao Queens College, onde, junto a Ladislav Holly e outros criamos a Revista The Queens College Papers in Social Anthropology, na qual publiquei um texto denominado: “Strategies of social recruitment: a case of mutual help in rural Galicia”, praticamente corrigido todo ele por Milan. Era mais um contributo para ele edizer que tinha um orientado de Cambridge, e para mim, mais uma publicação. Estávamos a reconstruir, duramente, as nossa exiladas vidas! Milan foi postumamente condecorado pela República do Chile, como é referido no texto em inglês: Czechs awarded Chilean Order, por[03-12-2001] By Olga Szantová: Two Czechs were awarded the Order of Bernardo O'Higgins by the State of Chile a few days ago. The order is given to foreigners who have given outstanding services to the Chilean state in the humanities, culture, or science. Milan Stuchlik, who received the award in memoriam, and his wife Jarka Stuchlikova worked as anthropologists in Chile for years and Milan Stuchlik founded the Department of Anthropology at the university in Temuco. But the most interesting part of their work in Chile, says Jarka Stuchlikova was with the Indian Mapuche tribe


Já referido antes, fala de que uma família o um grupo domestico, como ele denomina, é partilhar o mesmo pote sob o mesmo tecto. Referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jack+Goody+Domestic+Groups+Addison+Wesley+Modules&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= . Não há texto na Net. O texto está comigo em formato de papel: Goody, Jack, 1972: Domestic Groups, em Addison-Wesley Module in Anthropology, Massachusetts, USA
Stuchlick, Milan, 1976: Life on a Half Share. Mechanisms of Social Recruitment among the Mapuche of Southern Chile, C. Hurst & Company, London. Citar assim um livro de Milan, parece-me frio, para um homem que era como um pai para mim. É verdade que tenho vários livros dedicados a mim, pela mão do autor, mas esta dedicatória é especial para mim. É um dos problemas do exílio, a perca de amigos tão queridos, como foi o caso do meu salvador Iain Wright. O livro diz, pela mão de Milan: “A mi amigo Raúl Iturra, com mucho aprecio, e, a seguir, a sua típica ilegível assinatura...O Leitor pode perceber de onde fui eu retirar as ideias de recrutamento, de reprodução, de mecanismos e outras, não apenas do meu outro falecido amigo e colega na Cátedra em Paris Pierre Bourdieu, ou do meu amigo da alma, Maurice Godelier, ou do meu velho Professor Sir Jack, mas de Milan....que me tinha introduzido às análises de Ervin Goffman e John Berger. Disse-me um dia: “É preciso retirara dessa cabeça as analises materialistas para ir ao encontro de outras”. Havia uma certa intencionalidade nas suas palavras, descoberta por mim no dia que comentou com muita raiva: “Estes malditos marxista que fazem da nossa vida uma dificuldade....” Como é evidente, defendi as minhas ideias e ele, muito senhor de si, disse: “não, eu não tenho nada contra os marxistas, a minha raiva advêm da ocupação do meu país pela União Soviética...” Eu ripostei: “e do nosso, pela CIA e a presidência norte americana..”. Era a tensão que sempre existiu entre nós, não com Jack, com ideias já formadas sobre materialismo, que usava nos seus trabalhos, nem com outros nos seminários das Sestas Feiras no Departamento, referidos por mim no meu texto de 2002, A economia deriva da religião, citado antes, em este texto. Em fim, as lutas ideológicas e pelo poder, são pão com manteiga no dia a dia da vida académica. Muito amo ao meu Departamento de Antropologia do ISCTE, mas que há debates, há, e, as vezes, duros...O importante referir nesta nota de rodapé, é a obra do meu amigo, mas não resistia comentar as nossas diferenças ideológicas, as vezes, em debates fortes e duros. Os textos dele são citados e usados pelos chilenos de Pontifícia Universidade de Chile de Temuco, tal como: 1985: “Las políticas indígenas de Chile y la Imagen de los Mapuches”, en Cultura-Hombre-Sociedad. Revista de Ciencias Sociales y Humanas. Centro de Investigaciones Sociales Regionales-CISRE-Volúmen 2, Nº 2, Temuco, Chile. Centro que eu visitei e proferi conferencias para lembrar ao amigo, bem como para saber da pesquisa do meu discípulo e amigo, o hoje Doutor Luís Silva Pereira, já citado. Para saber mais da obra de M Stuchlick, visite o site Net: http://www.google.pt/search?hl=pt- PT&q=Milan+Stuchlik+1979+-+Chilean+Native+Policies+and+the+Image+of+the+Mapuche+&btnG=Pesquisar&meta =
Enxebre é um conceito da língua luso-galaica, usada nas aldeias da Galiza, também no Minho partes do Norte de Portugal, que em português significa autêntico. Referido a mim pelo hoje Doutor António Medeiros, o meu antigo estudante que, mal foi criada por nós a Licenciatura em Antropologia, transferiu-se desde a Sociologia para o nosso Departamento, onde hoje é Professor. Eu acrescentaria que enxebre é também: fixe, nativo.
O primeiro é Antropologia Económica da Galiza Rural; o segundo, Como era quando não era o que sou. O crescimento das crianças.
O apelido de Carmelo é como eu retirei dos arquivos da Paroquia e do Registo Civil de Lalín, a Vila mais próxima a Vilatuxe. Mencionado também para entender as formas de falar luso-galaica, retiradas do português original. Em português, o apelido do Carmelo seria de Louçã. Apenas um facto comentado por mim nos textos citados na nota de rodapé anterior. Esse Carmelo que, como relato nos dois textos, disse-me um dia: Don com Don, não bate certo – em Castelhano, um aristocrata nunca falaria galego...Mas eu, teimoso, o levava ao galego que ele conhecia bem por ter casado com a filha de um dos seus jornaleiros, que apenas falava galego- não bate certo, diz, pelo que vamos ser Raúl y Carmelo, que te parece?. Eu respondi: me parece bem - o galego combina (mestura em galego) palavras e sintaxes castelhanas com palavras lusas do antigamente, também conceito luso-galaico....para saber mais, ou ver os textos ou sítios Net já referidos. Os problemas do exílio, entender todo até saber e agir....
José Maria Cardesín esteve em Portugal e ficou a trabalhar comigo durante três anos, com a sua mulher Beatriz Ruiz Fernández, até acabarem os trabalhos teóricos do doutorado. José Maria Cardesín viveu numa aldeia galega, para inveja dos Antropólogos Galegos, que até o dia de hoje não têm feito trabalho em terreno. A sua tese foi examinada em 1991, o hoje livro editado pelo Ministério da Agricultura Espanhol, do mesmo ano: Tierra, trabajo y producción social en una aldea gallega (s. XVIII-XX), Madrid. Beatriz Ruiz Fernández, antiga mulher do Doutor referido e mãe da filha da filha, a minha afilhada Núria, fez trabalho de campo na indústria de uma cidade galega, Vigo, defendeu a sua tese em Madrid em 1993, e, como a tese tinha formato de livro, foi publicado como: La dosmesticación de la economia. Antropologia económica de la ciudad de Vigo, no mesmo ano da sua defesa, pela UNAM ou Universidade de Ensino a Distância de Madrid, na que ela ensinava na Galiza, enquanto o seu marido dessa altura, José Maria, era Professor da Universidade da Cruña ou Corunha, o La Coruña, como é denominada de forma indiferente, ainda hoje, conforme a cor do credo ideológico!. O luso-galaico ainda não está fixado. Mais tarde, começaram a aparecer os candidatos orientados pelos meus antigos orientados e outros de Andaluzia, Burgos, Holanda, Alemanha, Grã-bretanha Pelos títulos, é possível perceber a herança de Jack Goody e Milan Stuchlick, transferidas a eles por mim. Como é por lei, na Espanha o meu nome apenas aparece como membro do júri, enquanto figuram como orientadores ou Ramón Villares Paz, Ubaldo Martínez Veiga, Isidoro Moreno Navarro e outros, todos os meus colegas na Cátedra. Este trabalho fez-me viajar imenso de avião, ainda em 2006, Setembro, para participar em júris como o Catedrático mais antigo de Antropologia de Península Ibérica, no activo. Assim é também como eu fiquei doente e escrevo estas palavras durante a minha convalescência causada pelo cansaço e um cancro adquirido nesses tempos. A minha sorte tem sido recuperar, como sempre digo, quando, por acaso, alguém telefona: “Como está?”, e eu digo “Hoje melhor do que ontem e amanhã, de certeza, melhor do que hoje!” . Todos têm sido excelentes discípulos, recebido o veneno do que me acusava Milán, o método analítico do materialismo histórico, mas a fila continua e eu não paro....de aceitar. Todos têm sido excelentes trabalhadores académicos e têm publicado os meus textos na Espanha e outros países, pelo que não consigo deixar de referir ao meu melhor estudante, o meu parceiro de ideais, compadre de empenhamento, amigo da alma o Professor Doutor José Maria Valcuende del Rio, colaborador excelente e escritor premiado. Para saber mais dele, ver o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jos%C3%A9+Maria+Valcuende+del+R%C3%ADo&meta= Também estivera cá, o discípulo de um amigo meu, o Catedrático Manuel González de Molina Navarro, quem esteve connosco durante um ano académico para, como ele diz na sua simpatia, refrescar o seu saber e escrevemos em conjunto dois livros. O discípulo é David Martínez López, todo partido entre o seu orientador espanhol, Manuel González de Molina, e o português, eu, de forma que ao publicar a sua tese como livro, em 1996: Tierra, herencia y matrimónio, Editado pela Universidade de Jaén, Manolo escreveu o Prólogo e eu o Epílogo, hábito muito espanhol, excepto com José Maria Valcuende, com o que fizemos um seminário e um livro em conjunto: Hombres. La construcción social de las masculinidades, tAlAsA, Edições ( o título da editora não é gralha, é mesmo assim!), em 2003, apesar do seminário ter sido realizado em 2001 , . Mas....a vida editora e do escritor é assim! O livro está referido no sítio Net: http://ceas.iscte.pt/cria/pkm_jyd.html.e e também no sitio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jos%C3%A9+Maria+Valcuende+del+R%C3%ADo+Hombres.+La+construcci%C3%B3n+social+de+la+masculinidad&btnG=Pesquisar&meta= Estes Historiadores Antropólogos são docentes da Universidade Pública Paulo de Olavide de Sevilha.
Brian Juan O’ Neill, como ele gosta de ser referido, tem sido o meu amigo desde os tempos de Cambridge eu e ele, na London School of Economics, desde o começo dos anos 70, até o dia de hoje. A sua obra é muito conhecida, mas a sua vida privada não e eu respeito esse desejo de silêncio. Apenas a sua obra, referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Brian+Juan+O%27Neill&meta=
Devo acrescentar que, para apressar a escrita da minha tese, a escrevi em Castelhano e Brian fez a tradução para o inglês, com imensas dicas teóricas que trocávamos nesse tempo, como hoje também. Fiz dele Professor Associado e assim entregar esse terrível trabalho de ser o ETERNO Presidente do Departamento. Não foi fácil, mas fica comigo...Ele foi Presidente por dois períodos, a seguir foi João Leal, que ficou gasto dentro de um ano e foi-se embora e fui eleito mais uma vez durante 4 anos, até eu adoecer....O exílio exige de nós formas caras de vida....! As lutas do exílio! Brian foi-nos visitar a Vilatuxe, fomos aos rituais do 2 de Novembro ao cemitério, chovia -Jack tinha-me dito: “Galicia, Hein?. Tens que levar guarda-chuvas!” Pensei que era o seu desgosto por não escolher África e continuar a pesquisar dentro da minha cultura...Mas, não, na Galiza sempre está a chover, Brian apanhou uma gripe e passou três dias acamado na nossa casa, connosco a tomar conta dele! Mas, não, na Galiza sempre está a chover, Brian apanhou uma gripe e passou três dias acamado na nossa casa, connosco a tomar conta dele! Era Galiza Espanhola, não a Polaca, porque, para o meu desmaio, quando procurei Galiza na Biblioteca da Universidade, nem percebia a escrita. Não sabia da existência dessas duas Galizas, Brian também não, apenas Jack, que, ao referir Galiza, disse-me: mas já tenho um lá!, Era o meu amigo da alma Chris, hoje o Prof. Christopher Hann, da Universidade de Berlim, o nosso permanente visitante e morador da nossa casa de Bateman Street, que pesquisava na Hungria e Polónia e tinha referido atrocidades não conhecidas por mim, do PC da, nesse tempo, União Soviética. Eu não queria acreditar. Mais um problema de exílio. Se o socialismo era assim, para que, então, ter lutado pela dita via chilena? Hoje, entendo. Nesses dias desesperados, não queria saber! Hoje, destemido, penso de outra maneira e defino-me como materialista histórico. Entretanto, o Chris está definido na página web: http://www.eth.mpg.de/dynamic-index.html?http://www.eth.mpg.de/people/hann/publications.html , do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Christopher++Hann&btnG=Pesquisar&meta= , uma amizade perdida, parte dos problemas do exílio. O livro escrito por ele e que eu mais uso, é o de 1980a Tázlár: a village in Hungary, Cambridge: Cambridge University Press (Changing Cultures Series), referido na página web: http://www.eth.mpg.de/dynamic-index.html?http://www.eth.mpg.de/people/hann/publications.html . Foi um dos seus vários livros sobre os países rurais dominados pela antiga União Das República Socialistas Soviéticas ou URSS. Para saber mais do meu amigo académico, ver: http://www.kent.ac.uk/anthropology/department/staff/chrisH.htm1 Tínhamos, como relatei em outro texto meu, uma corrida: quem publicava mais livros a partir da tese de Doutoramento, e quem escrevia a tese com menos palavras. Ganhou ele: escreveu a tese em 73.000 palavras, e eu, em 74.000. O limite era 80000 palavras, que eram pesadas e medidas pela Universidade. Ai de quem passar para as 81.0000! Bem como aceitou as condições para publicar em CUP a sua tese, condições que eu não gostava: diagramas estatísticos! Pelo que publiquei na CUP outros textos, a partir da tese. As tese era rejeitadas e devolvidas para serem refeitas....ou, se passava, era comentada como negativa pelos examinadores. Queríamos evitar esse problema: o facto de ser sintético, era outra maneira de pensar que nós devíamos aprender. Na América Latina, ou nos países latinos da Europa, enquanto mais se escreve, melhor. É o que eu denomino teses ao quilo! Como tantas que tenho tido que ler na Espanha, França e Portugal....Os meus orientados, excepto um, têm feito teses de apenas um volume, mas o zelo e teimosia de vários, tem-me confrontado com teses de....8000 páginas, é dizer, milhares de palavras. Todas excelentes, mas, imensas...

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Terça-feira, 30 de Novembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (14)
(Continuação)

 
Estas lembranças acompanharam o meu exílio no meu retorno à Inglaterra e eram referidas por mim em todas as conferências que eu proferia sobre o Chile do Antigamente, apesar de que as pessoas, o que queriam ouvir, era sobre Allende, o seu Governo, a denominada via chilena para o socialismo e a vida pessoal do Presidente, como era a pesquisa no Chile, a sua literatura e outros assuntos, contadas por mim neste capítulo. Foi o tempo de falar de Gabriela Mistral, a nossa poetisa, que aparece na minha memória quando lembro Arturo Pratt, o nosso parente Serrano e a Intendência Antiga, onde tive a felicidade de conhecer essa nossa poetisa laureada, que era bem conhecida no estrangeiro e não no Chile.

Depois de muitos anos de ser galardoada, foi ao Chile a convite do Presidente da República, Carlos Ibáñez del Campo, Presidente eleito, esta vez por votação livre, como digo na Introdução a este trabalho, já não ditador como era em 1927, mas votado, derrotando ao candidato Salvador Allende. Governou entre 1952 e 1958. Em 1952, convidou à Poetisa, cujo prémio tinha sido comunicado pelo o Ministro Conselheiro da Embaixada no Brasil, o irmão do meu sogro, o nosso tio Higinio González e a sua mulher, a tia Rebeca Tornero de González, os dois de feliz memória, com excelente desempenho nas Embaixadas não apenas do Brasil , bem como também Grã-bretanha, Alemanha, USA, Lisboa, entre outras . No Chile foi preciso imprimir, a toda velocidade, os livros da poetisa, desconhecida no Chile, mas o povo chileno, mal soube da notícia da visita, como não havia mais para fazer, saiu as ruas a aclamar e louvar a Gabriela Mistral.

Foi-me contado pelo tio da minha mulher, filha do então já General de Aviação, mas Capitão de Bandada na visita à Alemanha, Higinio González , que a poetisa era arrogante e soberba ao dizer: “Yo ya sabia, a quién mas podían premiar se no a mi? Pienso que merezco este prémio”, enquanto bebia a sua habitual mistela ou vinho com agua e açúcar, pouco vinho, muita agua e muito açúcar. De facto merecia, pelo seu empenhamento na escrita, pela sua auto educação, pelos caminhos percorridos como professora primária sem grau nenhum, e porque Pedro Aguirre Cerda, professor de Castelhano no Liceu da Cidade de Los Andes, Centro-Este do Chile, limite com Argentina, tinha dito: “Lucila, tú escribes muy bien y debes salir de aqui para ser la poetisa de Chile, que es lo que mereces,fuera de Chile, vas a aprender más”. Aguirre Cerda, enquanto trabalhava, estudava Direito e foi Advogado. Como membro do Partido Radical, esse partido de ideias laicas e da igualdade, concorreu como candidato à Presidência da República em 1938, e ganhou. Como Presidente, de imediato lembrou-se da sua amiga Lucila e a enviou como consulesa a París.

Antes de passar mais em frente, é preciso dizer que o meu sogro foi o seu Edecán Aereo, ou o representante das Forças da Aviação oficiais de alta patente que devem acompanhar ao Presidente do Chile, um Edecán por cada rama das forças militares Comandante em Chefe das Forças Armadas. Raúl González Nolle era de tendência liberal radical, mais ainda ao seu retorno da Alemanha do Hitler, que visitou por ter sido enviado, não por prazer ou ideologia. Foi Edecán de Aguirre Cerda, quem falecera durante o seu mandato, e a seguir, do eleito Presidente Juan António Ríos, Radical até a sua morte, também durante o desempenho do mandato Presidencial. Foi por essa tendência que ele apoiara ao dito González Videla, referido na Introdução. Mas, acrescento esta nota para salvar a feliz memória do pai da minha mulher, o General já falecido, Raúl González Nolle, cuja memória nos acompanhara no exílio por ter sido Adido Aéreo na Embaixada do Chile em Londres e falar com a sua Secretária, que nos contava as histórias do Simpático e Senhor que era “our Dear General”!

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A volta a Inglaterra estava impregnada dessas lembranças e companhias fantasmagóricas, para ajudar a sobrevivência que tínhamos ganho. Sobrevivência cheia de lembranças do país perdido, esse, denominado pela nossa compatriota e colega de cidadania, Isabel Allende, País Inventado. Apenas que o seu é uma história como a minha, onde todo está provado. Como provada ficou a existência no país de memória estreita e curta, a festividade do Roto Chileno. Relatei e provei, apenas que não referi o motivo do nome. Era um arrieiro que levava, junto a sua manada de animais, cartas segredas entre os patriotas no Chile e o Ejército Libertador Chileno-Argentino, na Cidade de Cuyo, Província de Mendoza, na nova República Argentina . Memórias que acompanharam a nossa volta para Inglaterra ou Grã-bretanha, como é denominada.

Apenas mais duas ideias. Não esqueço que Lucila Godoy ou Gabriela Mistral, foi enviada fora por Aguirre Cerda, mas antes, já tinha estado no México a convite do Governo, para colaborar na Reforma Educativa desse país.

Apenas uma nota final. A nossa volta a Cambridge, foi também um encontro de exilados, não apenas o nomeados chilenos, bem como, e é por isto que lembro esses encontros, do poeta mexicano Octávio Paz, muito influenciado por Gabriela Mistral, como Neruda, já falecido nesses dias, Julio de la Fuente, cujo pulóver ainda guardo como oferta para mim, feita por ele, Mário Vargas Llosa Catedrático por um ano na Cadeira Simón Bolivar, oferecida pela Venezuela ao Centro de Estudos Latino-americanos ou Latin American Centre à Universidade de Cambridge. Mas, a Venezuela não tinha suficientes cientistas para presidir a Cátedra, a que era oferecida a escritores da América Latina, que por aí iam ficando. Um chileno, antigamente o meu amigo, Edgardo Flotto, ocupou também essa Cátedra, no Centro referido e presidido pelo meu grande amigo David Lehman. Mais tarde, a mulher que me salvou da depressão, a mina amiga francesa que eu conheci como Françoise Barbira-Freddman, conhecida por mim antes como de Schazzochio e referida em nota de rodapé em este Capítulo, do Centro de Estudos Latino-americanos ou Latin American Centre, afiliada como Professora ao Departamento de Antropologia Social, membro da Faculdade Darwin ou Darwin College, também ocupou a Cátedra, pelo seu trabalho de campo e publicações sobre a República do Peru

De resto, o meu grande apoio foi sempre a minha mulher, até ela ficar deprimida e querer que eu não acaba-se o meu doutoramento: “Total, Raúl, somos exiliados y no tienes obligación ninguna”. Foi o dia que Françoise visitou-me especialmente, para me dizer se eu estava doido ou quê! Se queria ser mais um, bom, não acabar o caminho, mas que ela lutava por mim, porque diziam por ai, do meu grande valor como académico. A esse empurrão emotivo, devo esse acabamento da minha pesquisa e escrita da tese, a depressão que a minha mulher teve – típico dos deprimidos psicológicos tentar afundar outros para se salvar a si próprios, como o nosso analista me explicara, Martín Cordero. O meu sucesso foi, durante um tempo, a ruína da minha mulher, que, finalmente se recompôs. Mas essa história é dela e eu respeito o seu sofrimento e a sua interpretação dos factos.

Senhor Leitor, vamos ter que parar um pouco, para me recompor e passarmos ao próximo Capítulo, onde vamos recuperar aos meus amigos de Compostela que financiaram dos seus bolsos, o acabamento da minha tese e a sua impressão, bem como ao Jack (Sir Jack Goody, hoje), que me orientara para pedir ajudas de custo para a tese à Cátedra William Wyse. Ele sabia que ia receber dinheiro. Quem não sabia que era da sua decisão, era eu! No dia do meu exame de tese, a minha mulher, recuperada mas muito em baixo, fez um grande esforço, foi a rua, comprou vinho e levou-me numa travessa a garrafa com copos. Camila e Paula comentaram: “Well now, we have no need to go to the Surgery anymore. We have a Doctor at home!”…
Foi o princípio do fim da minha estada em Cambridge e a minha entrada a Lisboa pela mão dos meus amigos Alan Macfarlane e a sua mulher Sarah Harrison, ao que referiram o meu nome e o de Brian O´Neill, para os planos de pesquisa Gulbenkian em Lisboa, ao meu grande suporte anglo-brasileiro, o Magister Robert Rowland, que fez, um dia, da sua casa, o meu lar, junto com Helena , nessa altura, a sua mulher.
Para agradecer há !tantos! que era necessário uma wikipédia e não é essa a minha intenção. A minha intenção é apenas relatar como é a via chilena ao socialismo, que começa como via crucis e acaba como...ainda não sei!

Notas:
A única referência encontrada, é a da página web, que denomina ao Chile a Prusia de América do Sul, por causa da visita em 1937 do Comandante em Chefe da Força Aérea, General Del Aire Diego Aracena, e sus assistentes, entre os quais o Capitão de Bandada Raúl González Nolle, que tinha preparado essa visita a Alemanha em 1935, ao ser enviado a visitar o Terceiro Reich por motivos apenas comerciais: texto na página web: http://www.espacioblog.com/dolar/post/2007/05/03/la-prusia-america-del-sur . Outro texto diz”: “Por eso se esmeraban los diplomáticos, representantes industriales alemanes en invitar a oficiales de Estado Mayor latinoamericanos para que conocieran en Alemania las últimas novedades técnicas. A fines de 1935 viajaron al Tercer Reich tres altos oficiales de la Fuerza Aérea: el comandante Basaure, el capitán de bandada González Nolle y el comodoro del aire Manuel Franke. Los huéspedes chilenos visitaron los consorcios de armamentos de Krupp en Essen, Siemens en Berlín, Daimler Benz y la fábrica de aviones Klemm en Stuttgart, quedando profundamente impresionados con la "extraordinaria organización y disciplina" del país anfitrión”. Texto retirado da página web: http://www.accionchilena.cl/Pagina%20Central/prusia.htm e do sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Hist%C3%B3ria+de+vida+Fam%C3%ADlia+chilena+Gonz%C3%A1lez++Nolle+&btnG=Pesquisar&meta=



Higínio González Nolle, ver a página web: http://archivo.minrel.cl/webrree.nsf/PagLisTodosServExtEnChile?openpage&count=100&start=2801o que refere no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile+1950+General+Ra%C3%BAl+Gonz%C3%A1les+Nolle&btnG=Pesquisar&meta=1 949, González Nolle, Higinio, Cónsul General, Francia


Para saber mais e reivindicar uma memória, visite o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile+1940++Ra%C3%BAl+Gonz%C3%A1les+Nolle&btnG=Pesquisar&meta=


O nome do Arriero, nunca foi conhecido. A quem diga que era Manuel Rodriguez, outros, apenas um patriota anónimo e sempre diferente. A memória do Chile é curta, especialmente por ter sido necessário, tantas vezes, lutar pela liberdade e a cidadania. Vezes sem fim, havia lutas pelo poder, até o sistema político se estabilizar no Século XX, a seguir o derrube da, até hoje, a derradeira ditadura do bem conhecido general. Somos denominados a Inglaterra da América do Sul, mas de facto...Não resisto reproduzir cá o que encontréi na página web: http://entuciudad.cl/2006/02/15/el-roto-chileno/” Hace un poco menos de un mes, se celebró el día del roto chileno. En la plaza Yungay de la comuna de Santiago existe un monumento que recuerda a este personaje sin nombre y donde cada 20 de enero se conmemora su trascendental participación en la batalla de Yungay. Además de todo lo que significó como aporte al nacimiento de la patria.


Por que el concepto de roto no es peyorativo, al contrario. Es un calificativo para una clase social, con un origen humilde, carente de educación y bienes materiales, pero al mismo tiempo, es rica en entrega, en trabajo, en cariño por la vida, y por los demás.


¿Quedan rotos aún? ¿y en la ciudad? Yo creo que sí. A pesar de los nuevos y mediatícos conceptos de flaite, y huachaca, el roto sigue existiendo, manteniendo su valor, su identidad, y su dignidad.”Retirado da página web citada, no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Fiesta+del+Roto+Chileno+en+tu+ciudad+Plaza+Yungay&btnG=Pesquisar&meta= Publicado no Jornal o Periódico, como se diz no Chile, El Ciudadano, Periódico mensual, año 3, número 51, fundado en marzo del 2005, do qual sou subscriptor via Net.


Gabriela Mistral foi Educadora, Poetisa e Diplomata. A partir de 1933, por causa das intervenções de Pedro Aguirre Cerda junto ao Ditador desse tempo, Carlos Ibáñez del Campo e durante 20 anos, foi cônsul de seu país em cidades como Madrid, Lisboa e Los Angeles, entre outras. Foi nomeada directamente pelo Pedro Aguirre Cerda como Consulesa no Brasil, e residia na cidade de Petrópolis, quando foi eleita Prémio Nóbel de Literatura. Como se diz no Chile, Chileno que triunfa no Estrangeiro, no Chile não tem nenhum valor. Pelo que o prémio de Literatura, o mais importante galardão literário do Chile, foi-lhe outorgado apenas no ano 1951. Foi recebe-lo ao Chile, mais uma vez ao pé do hoje eleito Presidente Carlos Ibáñez del Campo. Como me fora dito pela minha família, não tinham de quê falar e viajavam em silêncio. Para saber mais, visite a pagina web: http://www.sergiosakall.com.br/americano/materia_chile.html , do sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Gabriela+Mistral+foi+C%C3%B3nsul+do+Chile+nos+pa%C3%ADses+de&btnG=Pesquisar&meta= Não resisto reproduzir nesta nota, uma informação valiosa da vida de Gabriela: Sua fama como poetisa (ainda que preferisse ser chamada de "poeta") começou em 1914, logo que foi premiada por seus Sonetos de la muerte, inspirados no suicídio de seu grande amor, o jovem Romelio Ureta. Foi nesse concurso que se apresentou com o pseudónimo que a acompanharia por toda a vida. Nunca casou e faleceu a seguir essa única viagem ao Chile de 1951, em 1957, no Hospital Os Cedros do Líbano, USA e levada a enterrar ao Chile de Ibáñez , no mesmo ano. O seu corpo, lembro-me eu, esteve em Câmara ardente nas portas da Universidade do Chile. Na Revista Estudos Feministas, vol.13 no.2 Florianópolis May/Aug. 2005, a Doutora Licia Fiol-Matta, no seu texto Mulher-raça": a reprodução da nação em Gabriela Mistral, na página web: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-026X2005000200002&script=sci_arttext .






Françoise Schazzochio, como eu conheci, é hoje Fançoise Barbira-Freedman,, ao juntar o seu nome pessol Barbira, com o do seu marido. Hoje em dia é, não apenas Antropóloga, bem como tem-se graduado em medicina após o seu trabalho de campo na Amazonia Peru, em Tarapotos. Aparece referida no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Fran%C3%A7oise+Barbira-Freedman&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , que comenta que Françoise Barbira-Freeman, após ter feito trabalho de campo na amazonia peruviana, acabou por fundar uma obra caritativa, ou centros de ioga para pessoas que iam ter filhos e facilitar o parto das mulheres a dar a luz. É a Françoise a quem devo, praticamente, a minha vida académica, que ia a cair por causa de uma depressão que não era a minha. As sua funções de médica de ioga para parturentas, estão referidas em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Fran%C3%A7oise+Barbira-Freedman&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= Não apenas ensina no Latin American Centre, bem como abriu uma instituição de estrutura caritativa denominada Birthlight, sedeada em Londres. Além de ser a fundadora desta obra sem fins lucrativos, é Professora Afiliada, ou Adjunta diríamos, ao Departamento de Antropologia da Universidade de Cambridge. O meu agradecimento para ela é eterno, salvou-me de uma vida triste e aborrecida e, sem ela saber, colaborou para a minha recuperação e a da minha mulher, pelas opções livres e firmes que escolhemos: nunca mais sob o mesmo tecto, mas sempre amigos e pais das mesmas filhas e, hoje em dia, avós dos mesmos netos. A sua obra está referida na página web: http://www.birthlight.com/public/teachers/teacher.aspx?id=f06b303f-f93b-48c8-bb97-14436d457908 , que começa por dizer: “The founder of Birthlight, Françoise Barbira Freedman is a medical anthropologist.” O resto, fica com o leitor. No entanto, devo, pelo menos, fornecer a morada electrónica da fundadora desta obra caritativa: http://www.birthlight.com/public/home/ e o sítio web que refere a sua obra:


www.birthlight.com. E mais nada acrescento para esta a minha inacreditável e sabida amiga, encontrada na net. A sua obra está referida em: http://www.buy.com/search/q/loc/106/search_store/3/querytype/books/francoise+barbira+freedman.html


Não resisto a tentação de informar directamente ao leitos destas invasões, com o pará


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (13)
(Continuação)

A Igreja Católica do Chile reagiu, ao nível de hierarquia, violentamente contra ideias ateias, mas teve o respeito de nunca condenar ao projecto socialista. O que sim condenava era o ateísmo que as ideias da esquerda puderem trazer à população membro da Igreja Romana. O que o Episcopado não sabia era que o povo era mais devoto nos dias da Presidência de Allende, porque estavam bem, sentiam-se apoiados, motivo que levou a muitos párocos a colaborar com o socialismo: era uma situação de justiça solidária, base fundamental do credo cristão.


Se a Igreja Católica reagiu assim, de formas diferentes ao governo de Allende, o mesmo acontecia com a Igreja Anglicana e as teorias evolutivas. Sim, senhor leitor, não tenho esquecido que a minha desagregação do texto central, para visitar Allende, é apenas comparar situações em que pessoas destemidas, avançam com projectos que parecem contrarias as normas habituais, essas denominadas culturais, ou da por mim denominada, mente cultural, referida já por mim em 1990, no texto citado na nota de rodapé . A mente cultural anglicana ficou ofendida, especialmente entre os clérigos anglicanos de 1850, ao ser publicada a obra de Darwin, um devoto anglicano ele próprio que sabia separar a fé, da ciência e a razão . Allende não teve a mesma sorte: foi encontrado morto no Palácio Presidencial de La Moneda, Santiago, após os bombardeiros Hawkers –Haunters terem disparado rockets contra essa casa imensa e antiga, onde, no tempo denominado o Reyno do Chile, o arquitecto italiano Joaquin Toesca, construí entre 1786 e 1812, para cunhar moeda. Allende foi colocado numa caixa qualquer, selada com pregos e levada para um sítio onde ninguém puder saber que ai estava enterrado. Acompanharam o corpo a sua mulher Hortensia Bussi de Allende e a sua irmã, a Senadora ou Membro da Câmara Alta do Congresso chileno, a Dra. Laura Allende de Pascal. O corpo foi levado num furgão militar, esse 11 à noite, e sepultado num sítio qualquer no cemitério da afamada cidade de Viña del Mar, o de Santa Inés. É sabido que a sua mulher e a sua irmã saíram as ruas de Santa Inés para dizer a todos, aos gritos: “Sepan todos que aqui está enterrado el Presidente de Chile, Salvador Allende, muerto hoy por los rebeldes infieles del ejército de Chile! Verguenza sobre ellos!. Foram levadas à força pelos militares, sem o mais mínimo respeito as pessoas que eram, de volta à furgoneta e expatriadas. O Governo do México de forma gentil, ofereceu o mínimo, que é também o máximo em situações como essas: asilo político, avião e viagem para a nova casa na cidade do México. Laura Allende não foi capaz de aceitar a morte do seu bem amado irmão e a perca de um dos seus filhos, transfiro-se a Cuba. Onde em 1981, suicidou-se. Apenas mais tarde, o corpo do Presidente morto teve um funeral de Estado, em Caixa Funerária competente para a cerimónia, missa na Catedral de Santiago do Chile, funeral preparado pelo já Presidente eleito de forma democrática, o Dr. Patrício Aylwin Azócar, quem convidou Presidentes, Reis, Rainhas, Embaixadores de todos os países que mantinham relações diplomatas com a República do Chile . Como o Presidente da França François Mitterand estava doente e não podia assistir, solicitou ao meu amigo Jacques Chonchol para ser o seu Embaixador especial para a cerimónia. Jacques, proibido de entrar ao Chile como eu, entrou com passaporte diplomata, como cidadão francês. O mais emotivo foi o relato de Jacques, no seu regresso da viagem de 28 horas ao Chile: A caixa do corpo do Presidente Allende começou a ser levada num carro especial das Forças Armadas, reservada apenas para enterrar Presidentes mortos no exercício das suas funções. Mas, no caso de Allende, o corpo foi transportado ao ombro de multidões de operários, a pé, entre Viña del Mar e Santiago do Chile. Para ser possível este pedido, o novo Presidente democrata teve de pactuar com o operariado e a processão funerária começou a desfilar o dia prévio, esse 116 quilómetros de distância entre as duas cidades . A emotividade de Jacques fez-nos chorar profundamente, e ele também. Maria Edite, Jacques, Diogo, o filho deles, e eu, esse dia 6 de Setembro de 1990,em Paris, não conseguíamos parar o pranto emotivo dessa pequena restituição da eminência socialista do Chile, a Sua Excelência o Presidente Allende! A dúvida da morte: assassínio ou suicídio?, persistia, duas versões oficiais. A sobrinha Isabel , diz que foi morto, outros, suicídio. Mas, provas do que aconteceu, é que não há. Há a testemunha do médico pessoal de Allende que refere, por “conveniênça, que o Presidente tinha decidido renderse e depoñer as armas” .Absolutamento contraditória esta versão pessoal, dos discursos públicos do Presidente nesse dia 11. O novo ditador tinha mandado matar ao Presidnte, com a famosa frase: “Ehte huevón éh como una perra en celo. Se mata a la perra e sa acava la leva! Este maricón deve ser muerto, es tan orgulhoso, que ni siqueira se rinda! Hay que matarlo!” “Entón —segundo a testemuña do seu médico pessoal, Patricio Gijón, que regresou para levarse a súa mascariña antigás— com fusil AK-47, suicidouse disparándose no queixo, morrendo instantaneamente.” O médico pessoal do Presidente, que foi mostrado em televisão, vimo-lo, como o único a saber da morte do Presidente. Tinha a cara cansada e magoada, e as mãos por baixo da mesa entre a câmara de TV e ele, porque, dizem por ai...estava esposado! Os factos são controversos. A História é controversa e referida conforme as conveniências. Há o denominado Grupo de Amigos do Presidente ou GAP que, ao ver que o Presidente estava morto por suicídio, entregaram-se às Forças Armadas invasoras . Dois sobreviveram e relataram, já no exílio, que o Presidente tinha-se suicidado e que, por esse motivo, porque nada mais havia para fazer, renderam-se aos invasores do Palácio de La Moneda, aos assassinos do Presidente, mas nada relataram, diziam não saber nada. Mais tarde, já no exílio em Cuba, contaram a Fidel Castro a morte por suicídio do Presidente. O Presidente de Cuba, Fidel Castro, por conveniência, disse que Allende tinha sido morto a balas pelas forças do Golpe de Estado. É isto o que faz pensar, como a História é manipulada, usando os meus conceitos criados no meu livro publicado no ano 2.000, a verdade é conveniente ou adequada. Conveniente para os objectivos de quem fala, adequada às circunstancias que acontecem nesse minuto da vida histórica de uma pessoa ou nação. Era conveniente para Gijón relatar o suicídio de Allende, como para o ditador, para justificar o seu poder: não havia Presidente, ele podia substituir por causa de suicídio, como tinha sido no tempo do Presidente Balmaceda, já referido, quem, ao acabar o seu mandato, suicidara-se na Legação Argentina. Adequada para Fidel Castro referir o Assassínio do Presidente Allende, e justificar a sua luta contra a ditadura e defender a sua via cubana ao socialismo, que tinha sido em 1959, com guerra civil na Cuba de Batista. No meu ver, suicídio ou não, o Presidente foi morto pelo alçamento dos militares e o suicídio foi por causa de não querer ser mais um Presidente refém na América Latina, ou ser levado para um julgamento que evidentemente nunca seria parcial- o poder judicial não era autónomo, condenava a via chilena ao socialismo, ou, simplesmente, seria fuzilado de forma desonrada pelos generais rebeldes. O que for, são especulações que todo o mundo faz Há a testemunha da morte do Presidente, mas também há a testemunha dos membros do GAP, qual é a verdade? Os factos, de momento, não interessam, o que interessa é essa morte anunciada na qual nós não acreditávamos, porque “en Chile, estas cosas no pasan”, o nosso consolo em frente ao temor do golpe. E aconteceu! Como foi a morte, é, hoje em dia, de interesse académico e especulativo. Reitero que, suicídio ou não, alternativas não havia e, como digo em outro livros meus, se foi suicídio, foi o derradeiro acto de herói de um Presidente da República, que amava ao seu País e ao seu povo. Seja o que for, salvou a vida de muitos chilenos e a sua santa liberdade de optar, e essa morte foi a que abriu as largas Alamedas para ser atravessadas pelos homens e mulheres livres do Chile Socialista de hoje, 2008, para eles poderem desfilar, como disse Allende nessa manhã, já referida por mim antes. A nossa relação com Orlando Cantuárias Zepeda, era pela parte Zepeda, sobrinho de uma grande amiga da nossa Senhora Mãe, a Professora Aristocrata mas muito jogadora de dinheiro em Casinos e outros sítios, confidente do nosso Senhor Pai, Doña Julieta Zepeda Cantuárias, mãe do meu amigo da Infância, e até o dia de hoje, Agustín Vargas Zepeda e que foi preciso resgatar da prisão argentina, na qual esteve quatro anos submetido a torturas, e a sua mulher, anos mais tarde, esses os nossos amigos, Arquitecto ele, Doutora em Ciências Sociais e docente em Essex, Grã-bretanha, a sua mulher Lisi de Vargas, que é o nome que usa, como a minha mulher, que assina sempre como Glória González de Iturra, para o meu prazer, o meu amor e a minha emotividade. Esse o meu amigo íntimo que reencontrou aos seus filhos 4 anos depois, no avião que os levava para a Inglaterra, onde estávamos a sua espera no aeroporto a minha querida irmã Blanquita, a sua antiga namorada de juventude, mas nesses dia já casada com o referido psicólogo Miguel Toro Melo. Foi de imediato para a nossa casa, onde estiveram vários meses, até encontrarmos uma casa para eles, oferecida pela Faculdade o College Corpus Christi, encontrada para ele por um colega e amigo dos Estados Unidos, da Confissão Testemunhas de Jeová , cujo nome está nas minhas agendas, mas, de momento, tão dentro do Chile in mentae ou na minha mente cultural, que não consigo lembrar nem queria lembrar de momento, para não sair deste estado mental de estar no Chile, como eu me sinto agora! Aliás, há, no meio de todo, o Senador Hugo Zepeda Barrios . O parentesco era adoptivo, esse o meu amigo namorava à minha irmã, e eu namorava a sua prima, Maria da Luz Zepeda...., que queria casar comigo, aos seu 15 anos e eu, aos meus 18! Memórias, memórias. Memórias, essas memórias que aparecem quando escrevemos sobre nós! Ou sobre os nossos e as nossas experiências. Nunca mais acabamos!

Eu queria referir cá, para comparar Allende com Darwin, a reacção do Igreja Católica do Chile, já comentada, mas queria acrescentar o respeito que houve entra essa confissão e o Governo, já comentado por mim, mas queria acrescentar que o Cardeal Henríquez desejava Paz e Reconciliação e mandava pregar sobre isto . É preciso dizer que no Chile, desde a não relatada Cuestión del Sacristán, e a Constituição de 1833 foi modificada, separando os poderes entre a Igreja e o Estado . Até 1854, para nomear um Bispo, era preciso ter a aprovação da Presidência da República. O Presidente Santa Maria resolveu a situação e separou as interferências e declarou à República livre, sem religião oficial e aceitou a independência do Estado Vaticano e a existência de cemitérios para laicos, dai que no Santiago do Chile de hoje, há dois tipos de cemitérios, ou, aliás, três: laico, católico e dos denominados protestantes. Pelo que Allende herdou um Chile não confessional, mas com um imenso peso do poder dos católicos na vida quotidiana. Peso que esteve também no crescimento da denominada Teologia da Libertação, de criação do Sacerdote Peruano Gustavo Gutiérrez e do Brasileiro Leonardo Boff . Não era apenas uma ideia, era todo um movimento que o Vaticano tentou parar, mas Boff , Sacerdote da Ordem de São Francisco, foi chamado ao silêncio respeitoso e colocado sob a custodia do Cardeal Austríaco Ratzinger, hoje o Pontífice da Igreja Católica, o Papa Bento XVI . No entanto, foi impossível todos estávamos a estudar essa nova teologia. Aliás, não foi apenas um saber, foi um movimento de emancipação das rígidas regras do Estado Vaticano, que intervinha, normalmente, na vida dos seres humanos, sacerdotes e laicos e Governos, até o ponto de quase fazer ineficaz essa separação de poderes entre Igreja e o Estado.

Essa separação da Igreja do Estado, consagrada na Constituição do Chile de 1925, sob a Presidência de Arturo Alessandri Palma, o primeiro não aristocrata a governar a República e o país em geral, apenas faz legal o facto de esses dois poderes estar virados de costa. Em 1851, baixo a Presidência de Manuel Montt, acontece a denominada “Questão do Sacristão”. Qualquer cargo eclesiástico devia ser sancionado pelo Presidente da República. O Arcebispo Lastarria, sem consultar ninguém em 1851, nomeia um Padre como Sacristão da Catedral de Santiago, o que causara um desentendimento factual entre os dois poderes que mandavam no Chile, a Igreja, dominada pelos políticos denominados Conservadores, e o Estado, orientado pela lei liberal e maçónica herdada de O’Higgins e consagrada na Constituição de 1833: o Presidente dava a sanção às mudanças de categoria dentro da Igreja Chilena, uso que advinha desde os tempos que o Chile era Reyno da Coroa de Espanha. .

Este era o Chile que herdou Allende e que tentou organizar, mas era diametralmente diferente das aventuras desse país que, é dito, tem nome e apelido. Toda e qualquer pessoa, especialmente ao comemorar a Independência da Coroa da Espanha, uma guerra quase impossível, mas finalmente acabada em 1902, como já referi antes, acaba por ser muito chileno, donde, o Chile tem dois mitos; O Roto Chileno , em português um descosido, a figura nascida das guerras contra a confederação Perú - Bolívia, duas vezes durante o Século XIX, e o apelido do Chile, nascido em 7 de Junho de 1880, na segunda guerra entre Chile e a dita Confederação, quando foi a toma do denominado Morro de Arica, entrada para o limite do Chile e o Peru, ao Norte, na hoje chilena Província de Arica, antes do Peru, esse monte imenso de pedra calcária, preciso de ser tomado, como o foi, escalando com facas introduzidas na pedra, uma trás outra, como escada, até atingir o cimo. Foi assim que nasceu a palavra roto, e o apelido do Chile, esse 7 de Junho e que é comemorada a 20 de Janeiro, todos os anos, para afincar mais a diferença de classe social . O apelido, foi a exclamação gritada pelos trabalhadores rurais ou inquilinos, já definidos por mim antes no texto que escrevo, e era o de : “Viva Chile, Mierda”! Foi durante essa guerra que aconteceu uma derrota convertida em vitória ou a mitificação da verdade. O barco blindado Huáscar do Perú, atacou a única fragata chilena, a Corbeta Esmeralda, comandada pelo Capitão Arturo Pratt Chacon e o seu segundo, o tio bisavô das minas filhas, o tenente Ignacio Serrano Montaner, tio da minha sogra que, se for viva , teria hoje 108 anos! Ao serem atacados, fizeram da derrota um vistoria de honra e louvor. Eram das denominadas “buenas familias”, que morreram sem necessidade, como é dito por ai! Daí que, ao ver perdida a batalha, O Capitão Pratt gritou: “A la abordaje, chilenos! El que sea valiente, que me siga... !”, frase gravada na História e na memória chilena até hoje. Mal saltaram ao Huáscar, que em língua quechua é ferro, foram baleados e assassinados, chacinados, diria eu, de tal maneira, que o capitão do Huáscar enviou uma carta a mulher de Arturo Pratt , para pedir desculpas pela morte do marido e dar os seus sentimentos pela perca e a dor que ele tinha causado em ela . Sete anos depois, ao ser repatriados os restos de Pratt e Ignacio Serrano Montaner , para ser sepultados no imenso Mausoléu especialmente construído na baixa da cidade de Valparaíso, em frente da sede do Governo ou Antiga Intendência, onde todos os anos há honras nacionais, com desfiles das Forças Armadas e dos Colégios, eu próprio desfilei, preparados como éramos, por um capitão do exército, professor de ginástica e esgrima, sem saber que um dia...Allende ia herdar o País e os seus mitos.

Notas:
 
Iturra, Raúl, 1990 b):A Construção Social do Insucesso Escolar. Memória e Aprendizagem em Vila Ruiva, Escher (hoje Fim de Século), Lisboa. Ver comentários em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+A+Constru%C3%A7%C3%A3o+Social+do+Insucesso+Escolar.+Mem%C3%B3ria+e+Aprendizagem+em+Vila+Ruiva+&btnG=Pesquisar&meta= ou o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+A+Constru%C3%A7%C3%A3o+Social+do+Insucesso+Escolar.+Mem%C3%B3ria+e+Aprendizagem+em+Vila+Ruiva+Texto&meta= Apesar de procurar o texto para fornecer ao leitor, apenas leio autores a citar o meu trabalho ou a comentar o mesmo.



Bem sei que tenho referido Darwin e os sítios net antes, mas o leitor poderia, talvez, visitar outro sítio para entender o respeito que sentia este devoto anglicano às crenças dos seus pares na ideia religiosa: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Reac%C3%A7%C3%A3o+Igreja+Anglicana+Darwin++Evolucionismo&btnG=Pesquisar&meta= ou o sítio net: http://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Darwin's_views_on_religion . A ideia era enterrar Charles Darwin na sua terra local, mas a Igreja Anglicana disse que não era o sítio para um cientista agnóstico, como era qualificado nesse tempo. Teve melhor sorte, foi enterrado na Abadia de Westminster, no cantos dos sábios de Reino Unido, como explica Filipe Furtado no seu texto colocado na net, sem data: O ANO DA MORTE DE ‘‘CARLOS’’ DARWIN: HOMENAGENS PORTUGUESAS AO ‘‘NEWTON DA BIOLOGIA’’. Retirado da página Web: http://www.fcsh.unl.pt/congressoceap/filipe-furtado.doc e do sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Charles+Darwin+Igreja+Anglicana+Funeral&btnG=Pesquisar&meta=






para saber mais sobre La Moneda, como é denominado o Paço, visite o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Palacio+de+la+Moneda+Toesca&btnG=Pesquisar&meta=


Sobre a Senadora Laura Allende, visite o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Laura+Allende&meta= . Sobre a sua vida, a página web da Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Laura_Allende


Funeral de Estado do Presidente Salvador Allende, em página Web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Salvador_Allende . Não resisto citar parte do que diz a Wikipésia: Teve um funeral com honras militares em 1990.


Para saber mais de François Mitterand, cuja Presidência foi a mais prolongada da República da França, ver sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Lista+Presidentes+da++Rep%C3%BAblica+da+Fran%C3%A7a&btnG=Pesquisar&meta= ou página web: http://fr.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois_Mitterrand


O relato está na página web protegida,do sítio net: http://scholar.google.com/scholar?q=1990+Relato+do+funeral+de+Estado+do+Presidente+Allende&hl=pt-PT&um=1&ie=UTF-8&oi=scholart : pagina protegida http://laberinto.uma.es, texto em pdf, título: La muerte del Presidente Allende, 30 años después


Isabel Allende Llona, como referi antes, não é apenas a melhor escritora romancista da América Latina, bem como a sobrinha do Presidente Allende, filha do seu primo consanguíneo Tomás Allende o que deve ser, imagino, para ela, o seu melhor galardão. Como eu costumava dizer, ao apresentar um livro meu, com o meu querido amigo e colega no processo de ensino - aprendizagem, Daniel Sampaio, na Cidade da Guarda , nesse Sábado 30 de Junho do ano 2000, assinava o livro a 20 de Junho, dia dos nascimento do meu primeiro neto, Tomas Mauro van Emden, anglo-neerlandês. Todos diziam que estava enganado, e a minha resposta era simplesmente dizer: não, este é o dia em que eu fui avô, o meu melhor prémio, o meu melhor grau académico, por estar além dos deveres da Cátedra! Nesse dia apenas, assinei mais do que 200 livros! Quando Daniel Sampaio apresentou a obra e o meu currículo, começou por dizer: Apresento-vos ao avô Raúl, porque ele diz ser o seu melhor galardão esse facto de ter um neto! O que diz Isabel Allende, não sei, mas posso perguntar. Para saber mais de Isabel Allende, visite o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Isabel+Allende+Llona&btnG=Pesquisar&meta= e a página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Isabel_Allende ou a Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Isabel_Allende Diz o texto, escrito em inglês, que Isabel Allende é sobrinha de Salvador Allende, porque no Chile Castiço, é sempre considerado tio esse adulto primo directo de um dos nossos genitores, enquanto nas linhas de parentesco saxónicas, esse adultos são considerados primos em 2º grau do primo directo ou: with Isabel thus being first cousin, once removed)[2] [3] [4] of Salvador Allende, the President of Chile. Ela comenta em uma entrevista:


No Chile, a presidente Michelle Bachelet é socialista. Existe alguma coisa em comum com os ideais de seu tio Salvador Allende? E o Hugo Chávez e Evo Morales?


Todos têm em comum o desejo de terminar com a pobreza, estabelecer justiça, incrementar os serviços sociais para ajudar os mais necessitados. Salvador Allende teria um sonho socialista de fazer profundas reformas no marco democrático do Chile, mas isso foi há mais de 30 anos, quando o mundo estava dividido pela Guerra Fria. O socialismo moderno combina necessariamente com o capitalismo para obter progresso económico. Entrevista na denominada Ego Entrevistas: a 29 de Setembro de 2007 http://ego.globo.com/ENT/Entrevista/0,,ENN803-5279,00-ISABEL+ALLENDE.html Sobre a morte do seu tio, diz que o seu tio foi assassinado por haver várias formas de matar pelos rebeldes. Ver entrevista 23 a 25 de julho de 2007 USP – São Paulo, Brasil na página web: http://www.abralic.org.br/enc2007/anais/62/1092.pdf . Na minha pessoal opinião, suicídio ou não, não interessa, o Presidente não tinha saída, ia ser morto de várias maneiras, como diz o documento electrónico em disco compacto ou CD: 11 de Septiembre de 1973, referido por mi antes em este texto, ao falar do livro da escritora Patricia Verdugo e Mónica González, pode aceder ao CD: El CHILE de Salvador Allende vs. el dictador genocida Pinochet


Documental multimedia "Chile, entre el dolor ... y la esperanza". Contenido del CD doble de Patricia Verdugo, periodista de U. Católica y Mónica González, periodista U. de Chile editado en Santiago de Chile el 11 de septiembre de 1986: em http://www.profesionalespcm.org/Chile/CDDocumentalChile.php Há os que dizem que falar de suicidio é parte da campanha do terrorismo psicológico da Junta Militar e, mais tarde, da propia policía secreta do ditador. Seja o que for, Allende foi traído. Não consigo esquecer quando o meu conhecido Orlado Cantuarias, tradicionalmente amigo de família por parentesco e tradição secular, Ministro de Minería do Gabinete de Allende, também Presidente do Partido Radical do Chile, foi no dia 11 referido, a falar com o Senhor Presidente e perguntou: “Compañero Presidente, y qué hacemos ahora?” y Allende respondió: “Mierda, carajo, y solo ahora me viene a preguntar? Porqué no habló antes? O quería ser el pituco (betinho em português) que me despreciaba por ser materialista? Nunca estubo conmigo y me llama compañeo! Váyase de inmediato!”, narrado a mi pela viuva do Ministro de Relações Exteriores do Chile, Margarita Letelier, já referida antes, mas, que deve aparecer outra vez. Cantuarias era filho do Reitor do Colégio Internato Diego Barros Arana, esse historiador do Chile que aconselhou ao Presidente Balmaceda, também já citado antes, que entregasse a Patagónia do Chile à República Argentina que a reclamava e assim evitar mais uma guerra com parceiros de Independência, limites e tradição cultural. Anos mais tarde, a Argentina ficou rica porque a área onde sitiada a Patagónia tinha petróleo, o que nunca foi perdoado ao famoso historiador. Para saber de Orlando Cantuárias, que ao sair do Palácio, foi aprisionado de imediato pelo exercito e levado, mais tarde ao Sul do Chile, à Ilha Dawson, onde todo o ministério esteve prisioneiro por meses sem fim, até que o protesto internacional os libertou. Ver sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Orlando+Cantu%C3%A1rias+Ministro+de+Allende&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= Para o Gabinete de Allende, ver página web: http://www.salvador-allende.cl/Unidad_Popular/Gabinetes/ministros.html


















Citação retirada da Enciclopédia Galega on-line, já referida


Frase retirada do meu registo de som do CD 11 de Setembro.


Gijón dende o 11 de setembro ten dito publicamente que Allende suicidouse, o que lle valeu o rexeitamento dos seus compañeiros de esquerda. Ver lembranzas da súa testemuña en Radio Cooperativa. Retirado do sítio Net da Galiza: http://gl.wikipedia.org/wiki/Salvador_Allende#O_11_de_setembro Médico recuerda que Allende dijo: "Ríndanse, esto es una masacre". Como é evidente, é sabido que Allende foi morto e que Gijón estava a tentar salvar a sua vida ao referir, a única pessoa aliás como testemunha universal de uma morte infame, o suicídio do Presidente. Foi instruído, como hoje sabemos, pelos militares que o tinham torturado antes, para identificar a arma do suicídio, porque nas salas de aulas médicas não há ensino balístico e de armamento. Como ia ele saber da arma referida no texto! Tentou lavar a sua fama, mas não conseguia. Em 2002 disse: “El médico personal del Presidente Salvador Allende, Patricio Gijón, recordó que el 11 de Septiembre el Mandatario les pidió que se rindieran, ya que el ataque a La Moneda sería "una masacre". En entrevista con El Diario de Cooperativa, recordó que cuando encontró al Mandatario tendido en un sillón del salón Independencia "no había absolutamente nada que hacer".Razão tem Isabel Allende, a sua sobrinha, de que Allende foi morto. Aliás, há um comunicado do Coronel que assaltou La Moneda que diz: “Misión cumplida. Moneda tomada, Presidente muerto”. Quem falava era o General Palácios, que torturou prisioneiros de uma formas nunca antes sabidas, que o que sim sabia, era mentir a torto e direito. A seguir, a minha fonte galega diz: “Os seus restos foron soterrados no Cemiterio Santa Inés de Viña del Mar, sen unha placa que o identificase, nunha discreta cerimonia na que só puideron asistir Hortensia Bussi, Laura Allende e dous sobriños do presidente, Patricio e Jaime Grove, ademais do comandante da FACH Roberto Sánchez”[42].


Case 18 anos despois, o 4 de setembro de 1990 por orde do novo Presidente Demovrata, Patricio Aylwin, Salvador Allende recibiu un novo funeral, pero esta vez masivo e con honores de Estado que lle correspondían como ex-mandatario. A minha fonte vem da minha bem amada segunda Pátria, Galiza, denominada Ceibe(Livre, em luso-galaico) e Socialista. Ver a Galipedia, a wikipedia en galego.














Referido a mim ao telefone, por um antigo membro do GAP, o psicólogo dos Amigos do Presidente ou Guarda pessoal do Dr. Salvador Allende, cujos nomes guardo por conveniência da sua paz. Mais uma manipulação da história, é com os leitores acreditarem ou não. O que era o GAP, está referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile+1973+Allende+GAP&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= especialmente sítio: www.terra.com.br/voltaire/seculo/2003/09/10/000.htm , em especial, a página Web que relata a morte do Presidente do Chile: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/seculo/2003/09/10/000.htm, texto que diz ao começo: Até o ano de 1973, a república chilena era uma excepção na história política latino-americana. Ela não participara da triste crónica dos golpes militares da América Latina. Um regime civilista estável e forte, garantido pela constituição democrática de 1925, dominava os poderes tradicionais, fazendo com que as Forças Armadas chilenas, ao contrário dos seus vizinhos argentinos, se mantivessem numa tradição de respeito às instituições do estado. O Chile, junto com o Uruguai, formavam um dos regimes políticos mais estáveis do Continente. No entanto, a partir do dia 11 de setembro de 1973, tudo mudou. A derrubada do presidente Salvador Allende, obra de um violentíssimo golpe militar, conduziu o Chile a padecer por 17 anos sob uma ditadura – uma das mais cruéis e impiedosas da história latino-americana.


Testemunhas de Jeová, é uma confissão que afirma orientas a sua vida pela Bíblia e pela vida Jesus. “As Testemunhas de Jeová são bem conhecidas pela sua regularidade e grande persistência na obra de evangelização de casa em casa e nas ruas”. Frase retirada da página Web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Testemunhas_de_Jeov%C3%A1 , do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Testemunha+de+Jeov%C3%A1&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= Essa persistência das Testemunhas, foi o que me valeu ter casa para o meu amigo dentro de uma semana, e uma série de visitas a minha casa, para explicar porque “hoje não tinha sido ainda possível”, bem como assistência a sua Igreja e os seu cultos. Mas, o fiz com simpatia e agradecimento e respeito eterno.


Senador Hugo Zepeda Barrios, defensor da Soberania do Canal Beagle, no Extremo Sul do Chile, do qual Argentina queria- se apoderar. Para saber do Senador, importante personagem no História do Chile, ver sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=1960+Chile+Senador++Hugo+Zepeda+Barrios&btnG=Pesquisar&meta= ou pagina web: http://www.soberaniachile.cl/cds.html sobre a Corporación de defensa de la Soberanía de Chile, ou a página web: http://www.soberaniachile.cl/cds.html#sub1


Ver o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=1970-1973+Salvador+Allende+relaciones+Iglesia+Cat%C3%B3lica&btnG=Pesquisar&meta= ou a página web:


Para saber mais da separação de poderes, visitar o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Separa%C3%A7%C3%A3o+de+poderes+Igreja+Cat%C3%B3lica+Estado+Chile+S%C3%A9culo+1870&meta=


Para saber mais de teologia da libertação, visite o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Separa%C3%A7%C3%A3o+de+poderes+Igreja+Cat%C3%B3lica+Estado+Chile+S%C3%A9culo+1870&meta= ou os sítios web: http://blog.controversia.com.br/2007/06/02/leonardo-boff-fundador-da-teologia-da-libertacao-sou-um-cigano-teologico/ e o sítio Net: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=1375


O livro de Boff de 1981, o único que tenho comigo, é o escrito no ano 1981: Teologia da Libertação. Igreja, Carisma e Poder, Editora Vozes, Brasil, oferecido a mim por uma amiga brasileira, antes de Boff ser chamado ao silêncio no qual baseio parte do meu livro referido (1991 1ª edição)2001, 2ª edição, Fim de Século, Lisboa e que eu uso para esse livro denominado: A Religião como Teoria da Reprodução Social. Com todo, não resisto citar o que aconteceu ao autor do texto referido, por causa de esse e outros livros: “Em 1985, foi condenado a um ano de “silêncio obsequioso”, perdendo sua cátedra e suas funções editoriais no interior da Igreja Católica. Em 1986, recuperou algumas funções, mas sempre sob severa vigilância. Em 1992, ante nova ameaça de punição, desligou-se da Ordem Franciscana e do sacerdócio. Participa da Igreja enquanto militante leigo. Continua o seu trabalho de teólogo nos campos da Ética, Ecologia e da Espiritualidade, além de assessorar movimentos sociais como o MST e as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)”. Troço de texto retirado da página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Leonardo_Boff As minhas incursões dentro do campo da Teologia da Libertação, que até o dia de hoje continuam, valeram-me um convite para proferir Seminários na Universidade Católica da Bélgica Francesa, ou Louvain – la - Neuve, publicado a seguir na Revista Social Compass: Revue International de Sociologie de la Religion, XXXII/I, Ed em UC Louvain, , que me fez escrever o texto publicado na edição citada: “Marriage, Ritual and Profit: The Production of Producers in a Portuguese Village (1862-1983)”, pp. 73-92. Uma das minhas várias incursões dentro da Teologia da Libertação, conhecida para mim no Chile de Allende como Teologia de la Liberación.


Leonardo Boff foi condenado ao silêncio, mas nunca deixou de escrever as suas ideias. Tal como tive a sorte e a honra de conhecer pessoalmente a Fidel Castro, ao Abade dos Pobres, o francês Abée Pierre, tive a sorte de ver em reunião a Leonardo Boff, quem disse. “Bom não me deixam falar, escrevo então”, em Lisboa, 1985. A sua bibliografia é impressionante se o leitor deseja saber, visite a página web: http://www.leonardoboff.com/site/publica/bibliografiaboff.pdf


Para saber mais, visite a página web: http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/chile/historia-do-chile-2.php . Para o conflicto, a página 2 da web citada, que diz: A Questão do Sacristão deu origem a um conflito entre a Igreja Católica do Chile e o Estado, resolvido apenas no século seguinte, como digo no texto, uma consagração da separação do poder da Igreja Católica do poder do Estado, que, com todo, o Estado sempre respeitou sem interferir nas decisões da Católica Igreja Chilena. Para saber mais, visite o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Hist%C3%B3ria+do+Chile+A+Quest%C3%A3o+do+Sacrist%C3%A3o+&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= ou a Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Chile


O dia é denominado El dia del Roto Chileno. Para saber mais, visite a página web: http://www.chile.com/tpl/articulo/detalle/ver.tpl?cod_articulo=96388 Diz: Celebran al Roto Chileno en Alemania, que acrescenta: La agrupación folklórica “Puelche” realizará un evento que busca revivir las tradiciones nacionales…






El próximo sábado 26 de enero a las 19:30 horas el grupo folklórico “Puelche” celebrará el día del Roto Chileno para todos los compatriotas residentes en Alemania.


El evento se realizará en un escenario al aire libre donde los asistentes podrán cantar, bailar, recitar, payar o contar chistes. Además, se ofrecerán platos típicos de Chile como porotos con rienda acompañados de cebolla en escabeche y pequén con ají.


Para la sed los comensales podrán elegir entre vino tinto y blanco, cervezas, el clásico pisco sour, bebidas y el infaltable jote o tincola


Tenho acrescentado este texto pela dificuldade de encontrar dados sobre esta festa, esquecida ou apagada da memória dos chilenos. Poucos somos os que lembramos o facto cultural.


Bem como é possível ver página web: http://blogs.elmercurio.com/columnasycartas/2008/01/20/dia-del-roto-chileno.asp O texto vou copiar completo nesta nota de rodapé: Cartas


Domingo 20 de Enero de 2008


Día del Roto Chileno


Señor Director:


Cada 20 de enero se celebra la fiesta popular del Roto Chileno, de antigua data en nuestro país.


Esta fecha se transformó en efeméride nacional para honrar un hecho de armas del Ejército de Chile: la Batalla de Yungay, ocurrida en 1839. (referida no sítio web: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Mem%C3%B3ria+de+Chile+Batalha+de+Yungay+&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= .Nota acrescentada por mim para orientar ao leitor. Esta batalha aconteceu na guerra contra a Confederação Peru Boliviana, ao Norte do Chile. Yungay, era e é da República do Peru, conquistada pelo exército chileno na mencionada guerra. No entanto, ao Porto Yungay, no Sul do Chile, na localidade da Patagónia Chilena, a 1300 quilómetros ao Sul da Cidade de Puerto Montt. Refiro esto, pata o leitor não se enganar ao consultar nomes e geografias)


Hoy en día los chilenos honramos la memoria de una batalla que ocurrió hace más de siglo y medio, y la gente se reúne en la Plaza Yungay, al pie del monumento al Roto Chileno, obra del insigne escultor nacional Virginio Arias. La hermosa estatua también tiene su historia y enlaza las tres guerras en que hemos combatido: la de la Independencia, la contra la Confederación y la Guerra del Pacífico.


Cuando Arias estaba becado en París, modeló esta obra teniendo como inspiración la figura de Justo Estay, aquel arriero chileno que colaboró con el Ejército Libertador en el paso de los Andes durante la lucha por la Independencia. La estatua obtuvo premios en exposiciones europeas.


Posteriormente, en plena Guerra del Pacífico, cuando nuestras fuerzas, demostrando coraje y amor patrio, obtenían victorias, la imagen de Chile en el Viejo Continente era mala. El embajador de Chile, don Alberto Blest Gana, con el fin de desmantelar estos propósitos de los enemigos de nuestro país, tuvo la iniciativa de exhibir algunas obras de arte de creadores chilenos. El embajador le solicitó a Virginio Arias la escultura del arriero para mostrarla en París. Así se hizo, y de esta forma se vinculó la obra a la Guerra del 79.


Tiempo después, el gobierno chileno adquirió la estatua para instalarla en la Plaza Yungay y de esa forma honrar el recuerdo de esa batalla y, sobre todo, destacar la bravura del soldado, del pueblo en armas; en una palabra, del Roto Chileno. He aquí el tercer vínculo del monumento: la guerra contra la Confederación.


Desde la segunda mitad del siglo XIX, son tradición y costumbre los actos patrióticos con que se conmemora cada 20 de enero la Batalla de Yungay. Autoridades civiles, militares y eclesiásticas, más los vecinos y diversos grupos folclóricos, se auto convocan en la mañana de ese día para dar testimonio de su irrenunciable condición de chilenos. Hermosa tradición que todos los años reúne, hermana y junta personas de muy distinta condición.


Germán Becker Ureta


Ou ver a página web: http://www.servicioweb.cl/efemerides/enero/enero_20.htm que refere: Batalla de Yungay, ganada por el General Bulnes, General en Jefe de las fuerzas chilenas del Ejército Restaurador, que vence completamente a las tropas de Santa Cruz. Acción decisiva en la Guerra contra la Confederación Perú-Boliviana. Bulnes pidió por única recompensa la reincorporación de todos sus compañeros dados de baja y especialmente de O´Higgins. Se dedica este día para conmemorar al Roto Chileno en homenaje al héroe de esta jornada. La mañana del día 20 de enero de 1839, se preparaba en Yungay la que sería la batalla final. Las fuerzas chilenas, al mando de don Manuel Bulnes, estaban en franca minoría frente a los confederados. Los soldados del Protectorado acampados en el lugar sumaban unos 6.100, según la cuenta general realizada tras las bajas de Buín y luego del envío de un batallón (el "Pichincha") hacia Huaylas. Los hombres bajo el mando de Quiroz, en la estratégica posición del cerro Pan de Azúcar, eran 600, misma cantidad de uniformes en la caballería dispuesta en la retaguardia de Yungay, en la aldea de Ancach, República do Peru. Los chilenos, en cambio, llegaban a 4.467, y les acompañaban unos 800 reclutas voluntarios peruanos contrarios a Santa Cruz










para saber mais, visite a página web da Enciclopédia Wikipédia em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Hist%C3%B3ria+do+Chile+Guerra+1879++Toma+Morro+de+Arica&btnG=Pesquisar&meta= Por ser a data do meu aniversário, o meu Senhor Pai, gostava, especialmente quando eu me opunha a ele, denominar-me “el roto Raúl!”, para desgosto da minha Senhora Mãe que, Espanhola directa como era e não sucessora de uma antiga linhagem basca, não entendia porque ei era denominado assim, considerava uma ofensa! Eu, que sabia, nada dizia, não era preciso falar, o senhor em fúria....era como Allende com Cantuárias. Allende, o único candidato à presidência quatro vezes, capaz de acabar os seus discursos com um “Viva Chile, mierda!” palavra referida como o Apelido do Chile, e o povo delirava. Nunca um Senhor Dr., Senador, de classe aristocrata e, eventualmente, futuro Presidente, tinha assim falado. Talvez o mais próximo for o primeiro Presidente da denominada classe média, que começava os seus discursos com a frase: “Mi querida chusma!”, palavra Mapudungum que significa povo da terra


A biografia de Arturo Pratt Cacon, pode ser lida no sítio net: http://www.123.cl/secciones/educacion/tareas/biografias/arturo_prat.htm que diz, ao começo: Una de las figuras más conocidas y simbólicas de la Historia de Chile. Se le recuerda por su actitud heroica en el combate Naval de Iquique del 21 de mayo de 1879. A los 25 años, Arturo se enamoró de Carmela Carvajal Briones y cuando fue nombrado capitán de corbeta se casaron. Ella tenía 19 años. La pareja tuvo tres hijos, el primero de los cuales murió a los ocho meses de haber nacido. Luego nacieron Blanca Estela y Arturo. Advogado e oficial da Marinha chilena, é figura mítica. Os Pratt do Chile são conhecidos por todos!






Carta del Capitão Grau à viuva de Arturo Pratt: ver sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Hist%C3%B3ria+do+Chile+Guerra+1879+Combate+Naval+de+Iquique+Pratt+Serrano&btnG=Pesquisar&meta= página web do sítio: momentosinolvidables.bligoo.com/content/view/79305/una_etapa_de_transicion.html


A biografia desse o nosso parente, pode ser lida em: http://www.armada.cl/site/tradicion_historia/historia/biografias/227iserr.htm Parte da biografia diz: En 1875, nombrado ya Teniente 2º, regresó a la Escuela Naval como instructor encontrando como Subdirector a Arturo Prat. Lo acompañó hasta el 31 de octubre de 1876 en que fue nombrado Subdelegado Marítimo de Tomé, desempeñándose en este puerto una labor muy activa. Allí vivió con su esposa, la dama ancuditana doña Emilia Goycolea Garay, quien durante la Guerra del Pacífico perdió a su marido y a su hermano Eulogio, ambos muertos heroicamente. En su cargo, emprendió la tarea de levantar el plano de la bahía de Coliumo y aldea de Dichato. Solicitó que se dejara a su cargo al instrucción militar de los alumnos de las dos Escuelas de Hombres, habilitó el muelle que grandes temporales habían inutilizado, obtuvo vestuario completo para la policía, hizo estudios de agrimensor y alcanzó a hacer varios trabajos en esta profesión.

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Domingo, 28 de Novembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (12)
(Continuação)

Tanto, por 53 Bateman Street, a casa onde morávamos e que pertencia a minha Faculdade do Trinity Hall, onde criamos às nossas filhas, Paula e, mais tarde, Camila, essa filha que conheci no aeroporto de Gatwick. Foi gerada em Talca, num ataque de paixão entre a minha mulher e eu, nesses tempos conturbados do Chile, na época de Allende, quando o golpe de Estado, relatado já, estava a ser preparado e andámos todos por sítios diferentes para poder-nos sustentar. Nasceu comigo no exílio, no Hospital de Talca, a 6 de Janeiro de 1974. Soube a notícia no dia do meu aniversário, vários dias depois do alumbramento da nossa filha. Era difícil se comunicar com o Chile. Um telegrama foi enviado à Universidade de Essex e o meu antigo colaborador, nesses dias o meu hóspede, chegou com o seu alegre sorriso: “Raúl eres un chancletero”, palavra chilena castiça que significa ser capaz de engendrar apenas mulheres, o que se esperava era sempre um filho, para perpetuar o nome e a sucessão familiar.

Nunca tive um, o que era mal visto por todos, porque era suposto às mulheres irem à cozinha na vida rural, de onde nasceu o Chile – que em Quechua é pais do frio, mas em Aymará significa o confim do mundo...! Digo do campo, após pesquisar a origem do conceito chancletero: as mulheres rurais usam sapatos denominados chanclos , que em português é tamancos, o que indica a origem rural do país: chanclos e tamancos ou socos, são usados para trabalhar no campo, donde, quem apenas tem filhas, engendra moeda de troca para as casar com um homem que saiba trabalhar e fique em casa, como vi que acontecia nas vilas e aldeias por mim estudadas, Vilatuxe ,Galiza, Espanha, Vila Ruiva, Beira Alta, Portugal, e Pencahue, Talca, Chile. Excepto no Chile, nunca descobri uma palavra especial para designar ao homem que apenas tem filhas, a pesar das minhas intensas pesquisas. . Bem mais o que interessa é dizer que por causa do exílio, não assisti ao nascimento da nossa segunda filha. Ao nascer, a minha mulher escreveu uma carta, carimbada pela DINA, já referida, na qual solicitava ficar no Chile com as nossas filhas. Como era evidente, disse que não! Fiz mal, a minha mulher estava bem no Chile pós Allende, tinha dinheiro e pensava que a ditadura era questão de meses e a sua família era da parte do Ditador, como a minha. Digo fiz mal, por ter obrigado a uma Senhora a viver pobre e tratar da casa, cozinhar, sem serventes em casa, como estava habituada, o qual a deprimiu. Essa depressão causou a ruína do nosso casamento! Não era a sua falta, o exilado era eu, ela nunca alinhou com a UP, apesar de ter claro o projecto Socialista, que defendeu muito bem, no exílio. Mas, cansou-se por causa de mim. O interessante, nesta parte da minha história, é acrescentar apenas que perdemos a morte do meu pai, que nós ia- visitar a Cambridge, a da sua mãe, que passava todos os verões connosco para evitar o rigoroso inverno de Santiago do Chile. E que eu aceitava, mas devia evitar os desencontros ideológicos a acontecer à mesa do almoço e do jantar. O meu Senhor Pai estava feliz por ter o seu filho em Cambridge University, era todo o que lhe interessava saber. Se nós fazíamos ou não propaganda contra a Junta que dizia governar o nosso país, não lhe era interessante. Apenas passou a ser interessante para ele o que no Chile real acontecia, no dia que foi levado a declarar perante militares....na SUA FÁBRICA! Estava surpreendido por causa de ter aderido a ditadura antes de esta existir. Não queria um Chile socialista, que tirava das suas mãos a parte de indústria dele e a outra dos Norte-americanos. Como era sempre evidente para ele, a culpa era minha por estar a falar contra a ditadura no estrangeiro. Convocou-me ao telefone e mandou parar qualquer actividade minha contra o seu governo. Para o tranquilizar, consenti, mas, nunca parei. O exílio era a minha obra política, causado estragos dentro de nós e partido a família de acima abaixo. Desfeito o nosso convívio solidário a nossa calma paz do lar!. Foi assim que eu tive que conhecer a Camila no aeroporto: ou saia já, ou era morto. A minha mulher, a chorar, abraçou-me e chorou e disse: “Si tienes necesidad de outro amor allá afuera, no tengas cuidado, yo no me enojo”. Eram palavras de amor no minuto da angustia. Eu sabia ser fiel, apesar dela nunca o acreditar, como as nossas filhas. Paciência! Já com sessenta e muitos anos e tantas doenças, apenas cabe-me esperar que a justiça seja feita na cabeça e alma das minhas filhas. Porque de ser minhas, que são minhas, é uma verdade que não tem opção, eis o que as amo, tudo tem sido para elas, sempre!, o meu tempo de trabalho. Aprender fazer comida, especialmente o bolo que sempre gostaram, denominado marble cake, que em português seria o bolo de mármore, mármore por ser branco entremeado com cor de chocolate, bem como o pão quente para comer ao regresso do nosso habitual passeio para a vila de Granchester, a milha e meia de distância ca cidade de Cambridge, quilómetro e meio, contado a partir da nossa casa de Bateman St. Normalmente perguntava eu às pequenas, no tempo que na Grã-bretanha ia entrar no sistema métrico ou para medir distâncias terrestres, tratar do dinheiro, contar, pesar, assim aprendíamos todos os sistema denominado vulgarmente métrico ou decimal, que em ciência, como está referido na nota de rodapé anterior, é denominado internacional . A nossa paragem obrigatória era a casa de Meyer Fortes e a sua mulher Doris, que ficava no caminho, onde Camila jogava aos berlindes com Meyer e ganhava sempre, nunca soube se o nosso amigo deixava-se ganhar ou era ela quem, de facto, sabia destes brinquedos. Na escola, era aficcionada às berlindes e em casa também onde no seu quarto tínhamos instalado esse e outros jogos, que ela sempre ganhava! Esta a nossa filha, foi sempre programada, ordenada, arrumada na sua pessoa, mas nunca nas suas coisas! Era quase impossível entrar ao seu quarto, estava sempre para se arrumar! De manhã, estava sempre de mal humor, à tarde, já era outra. Normalmente, eu entrava nas suas camas, as 7 da manhã, para as acordar docemente, primeiro a Paula, a seguir, Camila. Paula, com paz e calma, com senhorio, diria eu, costumava dizer: “It’s fine, Dad”, ao cantar para elas uma canção doce para as acordar um lullaby ou canções de embalar em Portugal, mas de manhã eram canções doces e simpáticas, para as acordar. Camila sempre dizia, com raiva: “go away, let me sleep!” Conforme o temperamento delas ao acordar, fazia desenhos na casca do ovos escalfados do pequeno almoço: se Camila estava de bom humor, eu desenhava um sorriso, se chorava, o desenho era uma boca amargurada e lágrimas a escorregar dos desenhados olhos, e assim conseguia mudar o humos das pequenas! As nossas caminhadas a Granchester acabavam sempre perto das 13 horas, hora do almoço, minuto no qual metíamos ao forno pães para acompanhar a comida e a nossa alegria de estarmos para sempre juntos! Lindas e simpáticas lembranças que guardo não apenas na minha memória, bem como nos meus sentimentos, até o dia de hoje, formas de agir que transferi aos nossos netos, sem licença dos pais, Paula e Cristan, ou os van Emden, que eu bem gostava serem Iturra, mas...mulher inglesa casada com um neerlandês ou holandês, como se diz vulgarmente, acaba por ser do mesmo nome do marido! Dai a ideia na sociedade machista da América Latina, de denominar chancleteiro ou outros nomes, a pessoa masculina ao não gerar varões entre os seus descendentes. É como o caso que analisei em Vila Ruiva, sítio estudado por mim durante bastos anos, com a História de Vida de Joaquim dos Santos Fernandes, denominado Beato ao ter feito uma promessa para ter um filho e não apenas raparigas, como aconteceu nos quatro nascimentos anteriores, bem como pelo o seu nome, dos Santos, e, ainda, por ser sacristão da Igreja Católica local, essa, que no dia do meu aparecimento em Vila Ruiva, perguntei, antes de nada, se o edifício tinha ou não um sino electrónico a tocar o Ave Maria de Fátima, esse que não deixa dormir! Não havia, foi replicado, mas, antes de sairmos de ai, em 1989, o dito emissor foi instalado..., para o nosso desmaio, ou pelo menos, para o meu... . Se o Joaquim estiver no Chile, não seria Beato, seria Chancleteiro! Aliás, um chancleteiro temido. Tinha, e tenho, o hábito de cumprimentar as pessoas de sítios pequenos que, de certeza podem-me conhecer, e, para não ser mal criado – a minha memória de faces e terrível, tenho que situar a pessoa para saber quem é – cumprimento, saiba eu ou não se eles sabem de mim. Pelo que, a mulher do denominado Quim Beato, esse sacristão mulherengo que gosta de fazer transitar as suas faltas a outros, a Dona Arminda, disse-me um dia: “Senhor Doutor, sei que faz isto por amabilidade, mas era melhor não meu falar na rua, o meu marido é ciumento e bate em mim...” Fiquei espicaçado, não por mim, bem como pela senhora. Pensei qual era o melhor momento para falar com todos eles e apresentei-me uma noite em casa deles, onde fui atendido de forma fraternal e amável. Foi-me oferecido, para começar, vinho –o Quim era esse Sacristão que até bebia o vinho usado na celebração da missa católica –mas, como aprendi nos meus prolongados trabalhos de campo ao longo de 40 anos, nunca aceitei beber álcool. Não bebia nem bebo, apenas um chá. Como em Vilatuxe, Vila Ruiva ficou alagada com esse, para mi, repelente e diurético chá Lipton em sacos, pelo que mudei para o refresco Sumol, que ainda bebo às noites. Mas, a D. Arminda não estava sempre presente, devia servir, para esto era a mulher da casa. Tivemos um desencontro com a família Beato no dia dos tempos livres, esse dia do matrimónio de uma saga inventada por nós para entreter crianças e retirar dados da sua memória doméstica, cena na qual Susana era noiva e teve que ser maquilhada para tal: batom, rímel, unhas encarnadas com verniz vermelho e o vestido de noiva, todo relatado no livro escrito por mim e relatado quer no mesmo, quer no muito mal vendido editado pela Profedições em 1998, e lançado em Compostela, referido por mim antes, ao comentar que fiz essa apresentação na Galiza, por ser a terra da personagem central do meu livro, Herminio Medela, e porque a Galiza é parte dessa Espanha que mandou deter ao antigo ditador do Chile, que, como era habitual em ele, andava em Londres e o Juíz Baltazar Garzón da Corte de Apelo de Madrid, enviou de imediato um Auto de Apelo para submeter ao velho ditador a prisão pedido de detenção preventiva ao Ministro da Justiça Inglês, Jack Straw. Foi no dia da sua detenção que a nossa filha Camila telefonou para me dizer: “Dad, watch BBC World Service” esse dia lindo para nós, esse dia em que foi votada na Câmara dos Lordes o retiro da impunidade do ditador, para ser julgado como criminoso de guerra. Foi esse do dia, essa primeira vez, que marcou História, esse 25 de novembro, quando os lordes da lei, por três votos contra dois, resolvem que Pinochet não goza de imunidade soberana que lhe reconhece a Alta Corte de Londres. de 1998. O livro referido era um livro quente, foi-me entregue pelo meu editor e muito estimado Amigo, José Paulo Serralheiro, Presidente do Sindicato dos Professores do Norte, ainda no comboio que me levava para a Galiza, com o meu novo passaporte de ser outra vez chileno. O livro, pelo título, não foi muito vendido, muito embora os entendidos dizem ser o melhor escrito por mim até hoje. Fiz uma segunda apresentação com o meu outro eterno amigo, José Mattoso e o meu querido já falecido amigo e colega no Mestrado na Universidade do Porto, o Prof. De feliz memória, Steven Stoer, a 20 de Janeiro de 1999, dia do meu aniversário. Dia em que a que denomina minha filha Portuguesa, minha querida amiga Anabela Lopes de Vila Ruiva, hoje Professora de Segundo Ciclo, que participou no livro com uma testemunha escrita reproduzida no texto, ofereceu-me uma foto aérea da Vila de Vila Ruiva, a me observar no meu estudo, todos os dias, enquanto trabalho, é dizer, o dia todo. E vice-versa: levanto os olhos, velho Vila Ruiva e as minhas forças renascem. O livro tem um péssimo título, mas o editor aceitou e eu não consigo fazer tudo! O Como era quando não era o que sou. O crescimento das crianças , é um texto crítico das formas de ser em Vilatuxe revistada 25 anos depois, de Vila Ruiva, sempre sob a minha observação, e de Pencahue, estudado por mim, desde que fui permitido entrar ao Chile, após 35 anos de exílio. Daí também, Para Sempre Tricinco, parte do título do texto que estou a escrever estes dias.
Por acaso, tenho-me esquecido de defender a Darwin e Marx, com Teilhard de Chardin? Não, é que a memória é imensa e muito elástica: tanto estou com Allende, tanto com o ditador, as vezes as minhas filhas, sempre a minha mulher, e um grande eu no meio, preâmbulo para passar ao Jesuíta Pierre Teillhard de Chardin .
As ideias centrais de Teilhard de Chardin, vinculavam criação divina com evolução do pensamento humano. O seu pensamento seria difícil de entender, se não entendermos o que diz do sentido da evolução: “Há uma necessidade de conceber um Criador inteligente para criar seres inteligentes e não o conceito de uma sequência espontâneas de mutações aleatórias com a sobrevivência dos mais aptos, como a visão de Darwin.” Retirado do texto citado em nota de rodapé. Mas, não apenas esta ideia. Também, Chardin fala de leis do pensamento universal e do sentido da evolução, no seus textos sobre o fenómeno humano, mais uma vez, citado em nota de rodapé. Desde os seres vivos unicelulares até os seres vivos multicelulares, há uma flecha que regula a Evolução e essa flecha é o eixo de Complexidade-Consciência. Quanto mais um animal é complexo, tanto mais ele é consciente. No caso do Homem, ele é o mais complexo em estrutura física e também o mais consciente ser vivo da Natureza, porque seu cérebro vem se desenvolvendo desde o cérebro primitivo do peixe, seguindo o ramo dos mamíferos, depois o dos grandes primatas e finalmente o dos seres humanos - os mais complexos e os mais conscientes seres vivos da Terra. É a primeira lei de Theilhard de Chardin, da qual derivam-se outras, que o leitor pode visitar na página web, que passo a citar em nota de rodapé. O Jesuíta não tentava juntar agua e azeite. Acontecia que, além de teólogo, era paleontólogo e situado na Ásia, na China e outros sítios que permitiam entender a evolução do denominado Homo Sapiens, desde onde foi retirado e transferido a Nova Iorque, com uma obra apenas publicada a seguir a sua morte.
Naturalmente, os texto de Chardin são a versão teológica da teoria darwinista da evolução, mas, ao debater com Darwin, ao qual este autor não se opõe, vai criando uma nova teoria, que tem a mesma sorte da Teologia da Libertação. Dai que Marx disse-se em 1848, que a religião era o ópio do povo . Ópio, não para atacar as confissões: Marx tinha sido Católico e Saint- Simoniano, católico ardente, apenas que, a seguir, mudou e esqueceu, excepto nos textos sabidos contra os Bauer, conhecido por todos nós e que não vou referir mais. Mas, no Manifesto Comunista, Marx e Engels, Anglicano confesso, falam do ópio do povo por causa das pessoas receberem mentiras e não realidades, ou, pesquisas escondidas para eles.
De facto, perante a teoria da evolução, as Igrejas sentiram, a necessidade de reagir. Uma das primeiras, foi a Católica Romana, proibindo a leitura do livro, uma reacção muito característica do Vaticano que, no meu ver, apenas incrementa o desejo de ver o texto por parte dos membros da dita igreja universal, daí, católica, que em português e em outras línguas, tem o significado referido, de ser a única e universal Igreja do mundo. Se não lembro mal, Allende, como eu, ateus, respeitávamos os credos e a fé, a prova é a existência referida antes, do movimento cristãos para o socialismo. Mais uma prova também é a divisão do meu partido MAPU, uma, por causa de rivalidades de chefia: o MAPU de Jaime Gazmuri, e o de José Garretón, ambos deputados eleitos quando o MAPU era apenas um partido, e uma divisão mais séria, quando o Ministro de Agricultura de Allende, o meu querido amigo Jaques Chonchol , afastou-se do MAPU e entrou no grupo político, a denominada Izquierda Cristiana , hoje Partido que apoia aos Socialistas que Governam ao País, em conjunto com outras forças da Antiga Esquerda. No tempo da Unidade Popular, era preciso guardar os valores cristãos dentro do projecto socialista, valores que estavam em risco de serem absorvidos pelo materialismo histórico dos partidos da esquerda, como o PC chileno, o tradicionalmente laico Partido Radical que Manuel António Matta fundara em 1850, com ideias tomadas da Sociedade da Igualdade que Bilbao e Lastarria, como comento ao começo deste livro, fundado no Século XIX, e o próprio Partido Socialista do Chile, sem religião e parte do Movimento Maçónico do Chile. No entanto, o Chile é um País abertamente católico, com a maior parte da população a pertencer à dita confissão. No entanto, os cristãos apoiavam Allende dentro dos seus partidos ou em movimentos de inspiração religiosa. Allende estava a fazer os que os Presidentes Católicos nunca antes fizeram: justiça social, repartição e redistribuição da riqueza, entregar os bens de produção aos produtores, como tenho referido antes.


Notas:

Dou conta destes facto e outros, nos meus livros: Antropologia Económica da la Galicia Rural, 1988, Xunta de Galiza, Espanha. Bem como em outras publicações, citadas na Net, sítio: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+Antropologia+Econ%C3%B3mica+de+la+Galicia+Rural&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= Antes, ainda, em: 1980: Stragies of Development in Galicia, NW Spain, in CUP, Cambridge, para saber mais, consulte o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+Publications+in+Cambridge+University+Press+1980&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= Também refiro em outros textos meus em português e Castelhano. Ver sítio net referido nesta nota de rodapé.
A Grã-bretanha usava e usa o sistema denominado Imperial para a medida de distâncias, e não o denominado vulgarmente métrico ou internacional, como é referido pelos cientistas. Informação proporcionada a mim pela a minha amiga a Magister em Metrologia, Professora Eduarda Corte Real de Filipe. Para saber mais sobre sistemas de metrologia, ver o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Sistema+m%C3%A9trico+sistema+decimal+na+contagem+terrestre+de+dist%C3%A2ncia&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= ou a página web: http://br.geocities.com/ommalbatahan/umapcri.html ,bem como para saber mais da Magister Eduarda Filipe, ver a página web: http://www.spmet.pt/1encontro_SPMET_1024.htm ou sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Eduarda+Filipe&btnG=Pesquisar&meta=
No sistema imperial de medições na Grã-bretanha, uma milha, a distância é assim: Para a milha terrestre o valor é equivalente a 1.609,34 m. Retirado da página web: http://scholar.google.com/scholar?q=+1+milha+%C3%A9+igual+a+quantos+quil%C3%B3metros&hl=pt-PT&um=1&ie=UTF-8&oi=scholart
A história de vida da família Fernandes, pode, é referida por mim no meu livro da editora Fim de Século: O Imaginário das crianças. Os silêncios da cultura oral, já citado. A filha desta família, Susana, fez o papel de noiva nas brincadeiras na escola, ou denominado Tempos Livros, que fazíamos durante o verão a minha equipa de pesquisa e eu, para observar à distância as famílias e os seus afazeres e comportamento dentro de casa. Na 1ª edição de 1987, ver genealogia página 157, na 2ª, corrigida e aumentada, página 165. Texto e comentários do mesmo, possível de ver no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+O+Imagin%C3%A1rio+das+Crian%C3%A7as.+Os+sil%C3%AAncios+da+cultura+oral&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= ou, como dizem por ai... na página web: No princípio dos anos 90, quando desenvolvia actividade de investigação em Sociologia
da Educação fui, na altura, surpreendido pela abordagem de Raul Iturra sobre a
instituição escolar, através da qual se procurava explicitamente fundamentar uma
Antropologia da Educação. Esta surpresa resultava de um modo de problematizar a
Escola que, do meu ponto de vista, punha em causa a abordagem sociológica da Escola,
onde era predominante a influência de Pierre Bourdieu e de Basil Bernstein.
Texto do Prof. Telmo Caria, da UTAD, no III Congresso Português de Antropologia, 2006, morada electrónica: http://home.utad.pt/~tcaria/actividades_interesses/APA_AEA.pdf e, ainda: http://www.freipedro.pt/tb/290600/soc9.htm
Raúl Iturra, 1998, Como era quando não era o que sou. O crescimento das crianças, Profedições, Porto. Para ver ideias sobre o livro, visite a morada net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+Como+era+quando+n%C3%A3o+era+o+que+sou.+O+crescimento+das+crian%C3%A7as&btnG=Pesquisar&meta= Ou a pagina web, na qual o meu antigo discípulo Ricardo Vieira, hoje o meu tradicional amigo, o único a me visitar em casa, usa o texto para um texto dele, o que me honra imenso: http://www.aps.pt/cms/docs_prv/docs/DPR4628d8805d2bd_1.pdf
Pierre Teillhard de Chardin, Sacerdote Católico da Companhia de Jesús, Ordem fundada pelo hoje Santo Ignácio de Loyola, Santo Inácio de Loyola ou Loiola (31 de maio de 1491 — 31 de julho de 1556) foi o fundador da Companhia de Jesus, conhecida como os Jesuítas, uma ordem religiosa católica romana estabelecida com o fim de fortalecer a igreja, inicialmente contra o Protestantismo. Em 15 de Agosto de 1534 ele e os outros seis fundaram a Companhia de Jesus na Igreja de Santa Maria, em Montmartre, "para efectuar trabalho missionário e de apoio hospitalar em Jerusalém, ou para ir aonde o papa quiser, sem questionar". Em 1537 eles viajaram até Itália para procurar a aprovação papal da sua ordem. O papa Paulo III concedeu-lhes uma recomendação e permitiu que fossem ordenados padres. Foram ordenado em Veneza pelo bispo de Arbe (24 de Junho). Retirado da página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/In%C3%A1cio_de_Loyola A referência a Ignácio de Loyola, é apenas para contextualizar as “batalhas” de Pierre Teillhard de Cardin, quem fora o único em reagir com pesquisa provada, à Teoría da Evolução. A sua obra mias importante é O Fenómeno Humano, publicado póstumamente em 1955, como é narrado em: http://br.groups.yahoo.com/group/chardin/message/115 . A sua obra tenta compatibilizar o desenvolvimento da matéria com a Criação do ser humano pela Divinidade. No texto referido defende que: "Aparentemente, a Terra Moderna nasceu de um movimento anti-religioso. O Homem bastando-se a si mesmo. A Razão substituindo-se à Crença. Nossa geração e as duas precedentes quase só ouviram falar de conflito entre Fé e Ciência. A tal ponto que pôde parecer, a certa altura, que esta era decididamente chamada a tomar o lugar daquela. Ora, à medida que a tensão se prolonga, é visivelmente sob uma forma muito diferente de equilíbrio – não eliminação, nem dualidade, mas síntese – que parece haver de se resolver o conflito." (Teilhard de CHARDIN, O Fenómeno Humano), retirado de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teilhard_de_Chardin . É neste livro que defende a hipótese seguinte: “Em seu pensamento, a evolução evidente do universo material, que parece esmagar o homem e sua consciência, visa, na realidade, a realizar a passagem da matéria ao espírito, do menos consciente ao mais consciente. O homem é o centro e a razão dessa evolução: sua alma o liga a
esse universo, que ela domina, a seus semelhantes e a seu fim último, que é Deus. Ciência e religião, longe de se contradizerem, conduzem ambas à perfeição intelectual”O texto citado não é gralha, está na língua lusa do Brasil. Por não ser um especialista em Teilhard de Chardin, vou sintetizar, retirando algumas ideias das suas obras, no texto central.



http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Pierre+Teilhard+de+Chardin+&btnG=Pesquisar&meta=
Para entender mais da obra do defensor de Darwin, é precisso visitar a página web: http://facultystaff.richmond.edu/~jpaulsen/teilhard/anoogen.html
Marx, Karl, Engels, Friederich, 1848, Paris: O Manifesto Comunista, on line no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Karl+Marx+O+Manifesto+Comunista&btnG=Pesquisar&meta=
Para saber mais de Jacques Chonchol, ver a sua entrevista no sítio Net: http://200.9.73.224/_boletin_CIDOC/B3/3_chonchol.asp ou no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jacques+Chonchol+Izquierda+Cristiana&meta= ou a página Web: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40141994000200016&script=sci_arttext , com o texto de Alfredo Bossi: “Jacques Chonchol. O Chile de ontem e hoje”, em: Estud. av. vol.8 no.21 São Paulo May/Aug. 1994. Ou a página Web: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jacques+Chonchol++&btnG=Pesquisar&meta=

A crise estava instalada dentro de todos os partidos, por causa de querer avançar e não conseguir. Também, começa a diferença entre marxistas e cristãos. O MAPU referido, foi o mais afectado: o denominado de Gazmuri, era Marxista Cristão, o de Garretón, marxista-materialista, o de Jacques Chonchol, cristão com teoria marxista, mas orientados pela Igreja Católica, à qual ele e a minha eterna amiga e discípula, sua mulher Maria Edite Ferreira de Chonchol, pertenciam. Eram católicos de missa e comunhão e muito generosos. A casa deles era a minha casa em Paris, quando devia ir por causa de aulas o seminários no Collège de France, aos que Maria Edite assistia até me solicitar orientar os seus trabalhos de doutoramento e agregação na École des Hautes Études, onde eu também ensinava, desde Cambridge. Maria Edite era a minha amiga desde o dia que, 1972, visitou o nosso CEAC, como a Senhora do Ministro de Agricultura, para apoiar o nosso projecto e facilitar verbas para a nossa pesquisa e a nossa Escola de Camponeses, esse atrevido projecto nosso, ao pensar que era possível juntar a agua com o azeite. Os estudantes ditos normais, batiam nos estudantes rurais, até eu impor uma certa ordem entre os estudantes jóvens, apelando aos seus valores cristãos de solidariedade, que, talvez, fosse a minha própria ideia ao trabalhar com os mais desvalidos da nossa sociedade. Em esse tempo! Em Paris comentávamos isto e pensávamos que tínhamos sido idealistas, ideias que teriam feiro fracassar o projecto socialista de Allende. Hoje em dia, 2008, já não penso assim. As minhas ideias são mais de analise com o método materialista histórico do que eram antes, em Cambridge e Paris. Para saber mais, visite o sítio Net: http://www.istendency.net/pdf/chile.pdf , o texto de Mike Gonzáles, denominado “Chile 1972. Revolução e contra revolução” ou o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Crises+do+Partido+MAPU+1972+Chile&btnG=Pesquisar&meta=
Iturra, Raúl, 1990 b):


(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (9)
(Continuação)

Como esses antigos amigos, Olga Murillo e Sérgio Galán, o marido da nossa amiga da infância, Olga, a nos subjugarem com o intuito de nós ajudar, mas que, como eram muito católicos, fizeram jurar a minha irmã e a mim, que o que íamos dizer era verdade. É evidente que tivemos que mentir! E, desde esse dia, a mentira foi para todos, de uma ou outra maneira. Estes amigos da família, Conservadores de Direita, já falecidos mas de feliz memória enquanto éramos todos vizinhos de Quinta no nosso lar ao pé do mar, perguntaram si éramos ou não marxistas. Quer a minha irmã quer eu, dissemos: “marxistas, nós?. Nem pensar!

Como bem sabem somos Católicos devotos”, uma das primeiras mentiras de uma lista de várias, que, no decorrer do tempo, salvaram as nossas vidas. Bom, mentiras não eram, era apenas passar pelo lado da verdade, sem se pronunciar sobre o fundo do assunto, ou passar pelo lado da verdade. O nosso problema era que tínhamos sido convocados por uma proclama do novo Governador da Província de Talca, para nos apresentarmos à Segunda Feira, 17 de Setembro de 1973, aos barracões do Exército e prestar declarações.

Tínhamos medo, imenso medo, quer a minha irmã, quer eu. Nem dormir era possível. Tive a brilhante ideia de irmos o dia prévio, à Catedral para assistir à Missa dos aristocratas, ao meio dia, sempre oficiada pelo Bispo. Mas, o Bispo, esse o meu amigo já citado antes, Dom Carlos González Cruchaga, tinha saído ao estrangeiro. As fronteiras estavam fechadas, quer para entrar, quer para sair. Para sair, eu diria, fronteiras ainda mais fechadas. Era preciso, como no Portugal de Salazar, de uma carta de Convite para um sítio que der importância ao Chile, e ai podíamos ir. Á falta de Bispo para nos defender, recolhemos todas as estampas que estavam nos assentos dos fregueses, o livro da Missa de esse dia, era a época da liturgia do Advento ou a espera do aniversário do nascimento do Messias. Era, por assim dizer, o nosso Advento, essa espera de querer saber o que era requerido para nós e de nós. Folga dizer que essa noite, entre Domingo 16 e Segunda 17 de Setembro, quer Blanquita a minha irmã, quer a minha mulher Gloria e eu, nem dormíamos, muito embora pretendíamos calma e paz e falávamos de outras coisas. A minha fiel sogra, mãe da minha mulher, que sempre nos acompanhara nos bons e maus momentos, apareceu em casa e lá ficou.

A casa era grande. Quem não aparecia, era o marido da minha irmã, o quinta bisneto do Conde da Conquista, cujo nome tenho apagado das minhas memórias. Apenas sei que a família o levou para o aeroporto, foi enviado para Europa e o seu itinerário por esses campos, embora conhecidos por mim, desapareceram, porque sim, da minha memória. Ou por outra, posso dizer o seu nome, fica assim escrita a memória de mais uma infâmia acontecida nesses dias: Mário Sánchez Garcia-Huidobro. Digo ao leitor, nunca confie nos nomes bascos da América Latina, nem em nomes com traço no meio de um dos apelidos! Sempre voltam para trás! Esse foi o caso connosco, que quero deixar passar rapidamente. Ele apareceu no Domingo prévio e solicitou a separação a minha irmã. O resto, e história deles, não minha. Mas, sim da minha irmã, que teve a grande sorte de ser filha de quem era, como eu, e dos dois estarmos casados com pessoas as nossas iguais em breeding ou ancestrais, educação e classe social. Nós, que lutamos contra a sociedade de classes, para continuar a viver e lutar pelo mesmo motivo, tivemos que ver, ouvir e calar, excepto para defender as nossas vidas.





As 7 da manhã do dia seguinte, Segunda 17, estava já uma larga fila de pessoas temidas, à espera, ou, como se diz em chileno castiço nos rodeios, “al aguaite”- palavra chilena castiça usada para definir as corridas de bois, vacas e touros, numa pista feita de canas e barro, denominada media luna, uma forma de corridas de toros, herdada de Texas, onde, normalmente, junta-se o gado, e uma trás outro, é feito correr nos bordos da dita media luna, para depois seres castrados os touros novos, corridos por um cavalheiro que está “al aguaite” do animal, para este não escapar e ser ferido depois. É assim, que nós estávamos, “àl Aguaite” dos nossos assassínios, à espera do que puder acontecer, doravante, quando a lei tinha mudado imenso e a não conheciamos. Todos amigos, lutamos juntos pelos ideais socialistas e sabíamos o que passava aos, nesse dia, antigos militantes da UP. Muitos deles, sacerdotes, especialmente o meu grande amigo António Gil, unido em matrimónio sacramental nos dias do governo UP, com a Doña Alícia Guerra, a empregada dos missionários, esse António, Advogado e Padre, de nacionalidade espanhola, que tanto ajudou a nós todos, desde o exílio na Espanha ele, na Grã-bretanha , nós. Alícia, a minha afilhada de matrimónio, costumava dizer nas minhas visitas a Madrid: “Ai, Don Raúl, quién lo vió como era, elegante e perfumado y quien lo ve ahora, siemnpre com la misma ropa”. António, que tinha usufruído da nossa amizade e hospedagem em casa, foi enviado por ela a me comprar roupa nova. Agradeci e não fui. Era exilado e tinha direito a usar o que tiver, não forem após dizer que o exílio era para ganhar milhares de dinheiro! Escusa dizer que no Chile da UP, quem os casara realizara o matrimónio sacramental, era um outro o nosso amigo de Cristãos para o Socialismo, o Padre Holandês, Heinrich van der Meer, e o padrinho fui eu. Épocas passadas, aguas movidas em poucos dias, dias que pareciam que pareciam uma eternidade. Às 7 em ponto a porta foi aberta e tivemos que entrar a correr e em fila, entre outras duas filas de soldados que batiam em nós. Fomos conduzidos a um relvado, á espera de sermos chamados para interrogatório. Perto do meio dia, apareceu a infame figura do Sargento Mor, o perseguidor, um tal Sukino....abriu o cinto, colocou revolver e balas por cima da mesa e começou a dizer, apontando com o dedo: “oye tú, ven p’ acá” esse para acá em Castelhano, que os descosidos não sabem dizer, porque não sabem “haular” (hablar, em Castelhano), passamos um a um pela dita mesa. Os que estávamos “al aguaite”, íamos falando em silêncio entre nós. Vários soldados armados apareceram, a única mulher do grupo era a minha irmã, e falavam desses “piropos” dos descosidos: “m’ijita rica, le gusta ehto?”. Em Castelhano seria: “ Linda señorita, le gusta ésto?), e abriam a braguilha. Entre António e eu, fizemos de biombo para ocultar a minha irmã, mas eles chegavam mais e mais e eu, no meu desespero pela hipotética anunciada ofensa, disse em voz de patrão :”Oye tú, soldado, esta señora es mi hermana e necesita ir al retrete”, perante a minha figura e voz de comando, disseram onde estava e ela ficou lá tanto quanto possível. Enquanto Blanquita estava ai, perguntei calado ao António Gil: “Crees en Dios?”, e ele, já com raiva, alçou a voz e disse, acreditar não acredito, mas de haver, deve ser, porque estes pecadores criminosos devem ir ao infiernooooooooooo!, palavra lançada e fica em Castelhano porque foi assim referido. Bem como o meu Amigo camponês, companheiro de Partido e leal colaborador na Escola para Camponeses, ou Escuela Rural del CEAC, aberta por nos na Pontifícia, por nome Ventura de Huilquilemo, como era conhecido, essa vila e fazenda, nesses dias deles, Ventura, o marido da Margarida Huencho, outro nome que referia ao meu amigo Ventura da etnia Picunche que habitava essas terras cuja casa tinha sido a minha, onde eu pernoitava nas suas terras da antiga Hacienda Huilquilemu para a minha pesquisa da vida dos trabalhadores rurais, e era atendido pela sua mulher, a referida Margarida Huencho, também estudante nossa na Escola Rural para mulheres, que era de dia, nesse dia também em prisão com nós, disse-me: “Estamos acá, porque pecamos, nos revelamos contra el patrón y eso es malo a los ojos de Dios, el patrón es su representante” Pedi para ele calar e acrescentei: “O, Ventura, desde quando estás tão temido de Deus? Não será porque, como eu, também tens medo”, em Castelhano, como é evidente. O meu caro amigo Ventura estava arrependido, com medo. Acrecentara que: “Fue el señor que me metió en esto ...! Por ventura, Ventura e Margarita eram socialistas bem antes do que eu! Aliás, foi ele que um dia encabeçou uma fila de tractores e trabalhadores rurais para entregar de volta as terras expropriadas, hoje deles, à CORA! Consegui convencer a eles para voltarem para trás, e, por respeito a mim, bem conhecido deles, voltaram para trás!...por pouco tempo: estávamos já ao bordo do precipício que matou o projecto socialista empreendido por Allende e tantos mais.

Tornando a história da prisão e o campo, folga dizer que a quantidade de culatras das carabinas que caíram sobre nós, ao todo já 40, foram imensas. Blanquita e eu fomos convocados e acusados de comunistas e sediciosos e de levantar a população, com enganos de promessas de terra própria e outras habilidades nossas para subverter a ordem estabelecida por....Bernardo O´Higgins!...( foi à procura duma data verdadeira mas longínqua, por não saber bem o que andava a fazer..., excepto matar marxistas como eu...) dentro do País. A minha irmã, que sempre foi muito senhora, usou os seus sentimentos senhoriais para dizer: “Eu, comunista? O que é que tenho eu a ver com esses rotos?. Oiça, o meu marido, o quinta neto do Conde da Conquista o não permitiria e eu devo respeito a ele e obediência” e por ai fora. A seguir, fui eu, ainda os dois sentados nesse banco em frente a mesa do Sukino, mandou tirar a minha carteira esvaziar os bolsos, etc., e ficou surpreendido da papelada que encontrou: um cartão de agradecimento endereçado a mim, de um Membro da Corte de Apelo (no Chile, Corte de Apelaciones), um outro do Bispo amigo, as orações do Domingo, dia prévio ao interrogatório que estou a referir, um cartão do meu pai e outros papeis que eu, de forma conveniente e adequada, tinha colocado nos meus bolsos. “Como entonces, tú eres amigo d’ehstas personas?”. Com calma disse: “Oiça o meu Mayor, mais respeito, eu trato a si pelo seu grau, espero pelo menos ser tratado por si e pelo o meu nome”, acrescentei, “É evidente que são os meus amigos, são da minha classe social, bem diferente à sua”.

A luta de classes, por eles dinamizada com mortes dos mais pobres, dos sem trabalho, acusados incessantemente do “pecado” de serem comunista aos que nada tinham e assim ferir a mão de obra por causa de morte dos trabalhadores, a procura dos mesmos ficou diminuída e os poucos que podiam trabalhar, eram pagos se forem escolhidos. Essa luta de classes, mal empregue por eles, os nosso torturantes, fez-me a usar, contra a minha ideologia, a usei eu para me defender. Acrescentou: “Mas, o Senhor (já, agora...) escreve livros subversivos e marxistas”, e mostrou um dos meus livros sobre estrutularismo, no qual debato as teorias de Lévi-Strauss e de Karl Marx, esse o meu velho Mestre e amigo na França, Claude Lévi-Staruss, e o meu orientador ideológico e científico, a traves dos, Karl Heinrich Marx . Disse de imediato: de certeza deve ser também marxista para saber do que este livro trata.

Ripostou: “Yo? Marxista? Que piensa Ud.!. Acrescentei: “Bom. Se não é marxista é natural que não entenda este livro, vou-lhe explicar...” Fui cortado por ele ao dizer: “no pierdo el tiempo en tonterias, ni lei este porqueria....” .Hups!, levou as mãos a cara e ficou vermelho. É dai que me agarrei para dizer: “Se não sabe marxismo nem leu o meu livro, não pode julgar-me, não tem provas, excepto o seu ódio ao Presidente da República e os seus apoiantes. Disse ele: “pensha mandalo a carcel a Ud. y su hermana, pero em vista de...” ( Em Castelhano seria: Pensava enviarlos a la cárcel), e os murmúrios foram apagando - se enquanto saia em silêncio, envergonhado. A minha irmã ficou livre de ir à cadeia de freiras do Bom Pastor e eu...

Eu, no dia seguinte, as 23 horas da noite, fui levado ao campo de concentração, como relatara na Introdução. Mais do que 35 soldados entraram a nossa casa. A minha mulher, disse-me: “Debe ser para ti, yo abro la puerta”, disse ela, e, de facto, perguntaram por mim e pelo meu amigo Francisco Vio. A minha mulher toda Senhora e serena como ela é, disse que Francisco Vio ai não morava e que eu de certeza, os recebia. Disse o oficial que eu tinha apenas cinco minutos para me vestir e acompanhar a eles, mais uma vez, a interrogatórios ao Regimento. Escolhi com cuidado a minha roupa, comprada em Bond Street de Londres, a rua mais cara da Grã-bretanha, elegante sem pretensões, mas agasalhada porque no Setembro de Talca, as noites são frias. A luta pelos meus livros já foi relatada, sai à rua, as casas tinham apagado as luzes, mas espreitavam pela janela: eu sabia i que a casa gasta!. Eles deviam-se salvar também e ser o meu amigo, era o seu perigo de vida. Saí calma e estendi a mão a todo e cada soldado que tinham metralhadoras endereçadas a minha casa e a mim, por dentro constrangido, por fora, patrão. Disse a minha mulher: “mal esteja despachado, apareço, não venhas tú, há toque de recolhimento entre as 16 e 7 horas da tarde-noite-madrugada. Fica em casa e toma conta de Paula, que nada deve saber disto até ser eu a contar”.

Falámos em inglês, para dar um certo touch ou, em português, toque de...distinção! Era medo, medo irreprimível, medo ao que não tinha sido e medo ao que poderia ser, que não sabíamos... Cumprimentei a todos, um por um, “Buenas Noches, soldado” a cada um, e todos fizeram continência, para ripostar: “ Buenas noches, Senhor”. O medo e o desespero, apenas Gloria e eu sabíamos, mas a sua presença na porta da nossa casa para dizer adeus e boa sorte, deu-me ânimo. Fui levado num camião militar, à procura do meu eterno amigo, Francisco Vio, já recuperado do esconderijo onde o tínhamos levado com a minha irmã.

Mariana Giacaman Valle , a sua mulher, foi como Gloria, amável, sorridente e gentil, com esse lindo sorriso que ela sabe usar, até convidou aos soldados a tomar “a cup of tea”, enquanto o seu marido era preparado para sair. Eles não sabiam que eu estava ai. Mas, eu vi a eles e pensei, meu caro amigo, hoje vamos morrer, mas nada falei quando ele entrara no camião militar e, ao me ver ai, disse, surpreendido: “Raul! Estás cá pela minha culpa!” Ele tinha sido o Director da Corporação da Reforma Agraria em Talca, CORA, e expropriado todos os latifúndios da Região. Erra para sermos fuzilados. As nossas mulheres, entretanto, se acompanharam à distância: nem telefonar nem ir à rua eram possíveis a essas horas. Essa noite passamos mais do que três horas em pé, com as mãos levantadas a dois centímetros de distância da parede ou muro. A seguir, fomos conduzidos a uma piscina: Pancho e eu (Pancho, diminutivo de Francisco no Chile, como Chico em Portugal. Ao pé do Pancho, eu recuperava a minha força, sentia que o devia proteger e disse: devemos sair deste sítio, vou ver o que fazer. Pancho, sempre tímido, a conhecer bem as minhas forças e manhas, disse: “Por favor Raúl no hagas nada...!” Mas, ordenei a um soldado trzer um ofiical, porque eu, pela minha classe, não falava com cabos, e o soldado, campónio, obedeceu.: “oiça, cá há um engano: nos não somos de Partido nenhum e a vossa luta é contra membros de Partido”. O oficial, ao ver a minha calma e a minha zanga, comentou: “Evidente, se não são de partido, devem ir já para casa”, e eu, todo contente, entrei a piscina e disse ao Pancho “Vês? Vamos embora” Mas o oficial tornou ao pé de nós para perguntar se éramos membros de algum movimento: os arquivos deles não estavam muito bem organizados: Francisco Vio era o Director da referida CORA, candidato a Deputado que não ganhou, e já nomeado Secretário de Estado aquando o Presidente ainda era vivo, posse que não teve, porque o Presidente foi morto. Ao perguntar, a minha forma destemida me falou à consciência: “Raúl, vê, ouve e cala, não podes ir tão longe”. Respondi, com desmaio e disfarçada raiva- eu queria sair daí, custasse o que custar, e a resposta ia-me manter retido, pensei e adivinhei bem: “Bueno, movimiento, si...” O oficial, que não era de Talca, mas conhecia os nossos nomes, por ser das famílias que éramos, perguntou: “Então, quê, do MIR?”

Disse, não, do MAPU, do qual eu era Presidente, mal entrei no Partido em 1972. O oficial riu e disse-me: “A la piscina otra vez!” O MIR era esse Movimento de Izquierda Revolucionara dos bentinhos de esquerda, que fizeram negra a vida do nosso Presidente e que, a seguir, tramaram a vida do Ditador. A minha irmã andou ai num tempo. Hoje em dia, nem quer lembrar. Os filhos do Ministro de Allende, da Educação, Edgardo Henríquez, perdeu dois filhos nas batalhas entre MIR e soldados. A seguir essas mortes e a saída da prisão por ser Ministro do assassinado Presidente, levamos ao Don Edgardo, o velhote mais doce e querido, e a sua mulher, para Professor à Universidade de Oxford. O tempo passou e Don Edgardo era tratado com respeito e senhorio, como ele merecia. Perdeu filhos, perdeu noras, perdeu netos, mas ele e a sua mulher, não ficaram perdidos, até acabar a vida.

Nós, sim, durante um tempo. No dia seguinte, sem dormir, sem comida, fomos interrogados por separado, Pancho e eu. O meu interrogador era um detective que tinha todo o meu arquivo, sabia que eu era do MAPU, não apenas membro, mas fundador em Talca e Presidente do mesmo. O meu interrogador falou que eu conhecia a lei e que sabia que era criminoso. Eu ripostei: queira desculpar, até o 11 de Setembro, conhecia a lei, mas ela mudou dentro de 24 horas no dia da morte do nosso Presidente, faça o favor de me explicar qual a lei hoje. Ele enumerou a quantidade de delitos por mim cometidas, como salvar pessoas, acolher intimidados na minha casa, escrever a homilia da qual já falei, de ser inteligente e sabido, mas usar mal as minhas capacidades que não dignificavam ao Chile por ser Marxista. E fui condenado a confrontar um pelotão de fuzilamento. Levantaram as armas, eu pensei. “Por boa causa morro” e aceitei o meu destino com clara consciência de ter agido bem pelo meu País e o nosso povo, do qual eu era parte. Pancho foi condenado a prisão, onde esteve dois meses, até que um irmão do seu pai, Almirante rebelde, o mandou ao exílio, porque preferia um Vio exilado, que um Vio criminoso. Encontramo-nos na Grã-bretanha, onde consegui para ele um sítio de Professor em Sussex por 6 meses.

Eu? Não fui fuzilado, o pior minuto da minha vida. Fiquei deprimido e tornei a casa. A nossa única filha, nesse tempo, Paula, viu-me entrar e disse, ao reparar que eu chorava de raiva e desespero: “ Tú no eres mi papá, tú eres una figura como en Mission Impossible (ela falava Castelhano e Inglês, vínhamos da Grã Bretanha!), tienes una máscara que te hace parecer como my Dad”. Até o dia de hoje, psicanalista como ela é, essa impressão nunca mais se apagou da sua memória. Até solicitou ao telefone, hoje de manhã, 8 de Fevereiro de 2008, não ser referida no texto que preparo.

Todo aconteceu nessa Terça Feira 18 de Setembro, o dia Nacional do Chile, 163 anos após da nossa Independência da Coroa da Espanha. Ainda ando no exílio. O exílio tem sido comprido e parece nunca mais acabar. Todos são os meus países, nenhum é o de verdade....por enquanto....Ou para sempre? Não coloco a pergunta, porque resposta não tenho....por enquanto, também. Apenas sei que estou vivo

Notas:
Advento é a época da liturgia da espera do Nascimento de Jesus. Conhecimento meu por ter estudado Direito Canónico, por ter sido muito religioso na minha infância e pela família ser Católica Praticante, pratica desaparecida em mim em quanto eu era um cientista. Quem se quiser informar mais, ver o sítio Net http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Advento&btnG=Pesquisar&meta= ou a página Web: http://victorix.no.sapo.pt/meus/didakh/advento.htm



Tenho referido esta História na Revista criada por nós na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade do Porto, Educação, Sociedade e Culturas Afrontamento Porto, número temático 10, pagina 91. O texto está no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-ou na página Web: http://unics.iscte.pt/depant/investigadores.html PT&q=Educa%C3%A7%C3%A3o%2C+Sociedade+e+Culturas&meta= e na página Web: http://www.loja.up.pt/produtos/produto.php?id=573 , apenas resenha, o Director, o meu falecido amigo Stephen Stoer, não queria colocar os textos on line, para vendermos mais Revistas e pagar a sua publicação!


Marx, referido com história de vida em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx


Mariana Giacaman Valle, essa a minha eterna amiga e comadre, já avô, ou, en chileno castiço, abuela, Biliotecária excelente do Governo do Chile, em ODEPA, amiga querida que, quando falei com ela por causa do livro e para colocar questões sobre a denominada Promoción Popular e Sérgio Ossa Pretot, a la 2ª chamada me endereçou palavras amáveis, ao dizer: “Já puh, no me llamis mah. Ánada-te a la chucha...!” E não telefonei mais. Chucha em castelhano castiço do Chile quer dizer vagina, enquanto que em Portugal, é uma forma de acalmar às crianças ao pôr na boca deles um goma denominada chucha ou tetina, de rebouçado ou de borracha. A minha querida comadre mandou-me calar!


Para saber da vida e sofrimentos do velho Reitor e co-fundador da Universidade de Concepción, ao Sul do Chile, ver o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Edgardo+Henr%C3%ADquez&meta= Para saber da sua vida, ver a página Web: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Edgardo+Henr%C3%ADquez&meta= , onde aparece a sua ordem de detenção.


Quem queira saber mais de mim, visite o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-NPT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+CV+na+Net&btnG=Pesquisar&meta= ou a página Web: http://webserver.cm-lisboa.pt/servicos/camlatina/raul_iturra.htm , no qual até a minha foto aparece, não sei porque....


Volodia Teitelbom, Senador do Partido Comunista do Chile, refugiado em Moscovo e retornado ao Chile ao ser votada outra vez a Democracia, foi quem nos ensinara essa palavra, no seu livro, que tenho comigo, do ano 2000: La Gran Guerra de Chile y otra que nunca existió, Editorial Sudamericana, Santiago de Chile. ver o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Volodia+Teitelboim+La+Gran+Guerra+de+Chile+y+otra+que+nunca+existi%C3%B3&btnG=Pesquisar&meta= Para saber da sua vida, a página Web: http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/rubriche/spot/20080201095834586378.html , história que me deixa estonteado, devo reconhecer, porque aparece na sua história de vida que este grande amigo e herói da Pátria, acaba de falecer....Esse antigo Presidente do PC Chileno e Deputado no Congresso, diz a Página Web: “O escritor e político chileno Volodia Teitelboim Volosky, vencedor do Prémio Nacional de Literatura, ex-presidente do Partido Comunista do Chile e maior biógrafo de Pablo Neruda, faleceu na noite desta quinta-feira, aos 91 anos de idade, devido a um câncer linfático. Proveniente da geração literária de 1938, Teitelboim é considerado o autor de uma das melhores biografias de Pablo Neruda, poeta chileno e Prémio Nobel de Literatura. "Neruda" foi publicada em 1984, em Madrid, e traduzida aos idiomas alemão, francês, inglês e russo.


O golpe militar de Augusto Pinochet em 1973 o surpreendeu quando estava em Roma, e após a proibição de seu retorno ao Chile, transferiu-se indefinidamente a Moscovo. Acrescenta a notícia da Web: No exílio, editou a revista Araucaria de Chile, publicada em Madrid e convertida em um importante veículo de difusão da resistência não só dos chilenos, mas de muitos escritores latino-americanos que se opunham às ditaduras militares do continente instauradas nos anos 60, 70 e 80”.


Após o seu retorno a Chile, Volodia Teitelboim publicou :Gabriela Mistral, pública y secreta (1991), Huidobro, la marcha infinita" (1993),Los dos Borges: Vida, sueños, enigmas (1996), Muchacho del siglo XX (1997), Notas de un concierto europeo (1997), Voy a vivirme (1998), La gran guerra de Chile y otra que nunca existió (2000). Obra toda na Editorial Sudamericana de Chile, Santiago.


E já no século XXI, escreveu Noches de rádio (2001) e Ulises llega en locomotora, (2002), seus dois últimos romances. (ANSA)


01/02/2008 09:58. Para saber mais da vida de Volodia, visite a Enciclopédia Net, Wikipedia, The free Enciclopedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Volodia_Teitelboim


Babeuf, Gracchus Nöel, 1794, escreve no seu Jornal La Tribune du Peuple, Nº 35, Agosto. O texto está no livro que tenho comigo: Babeuf, de Écrits présentes par Claude Mazauriac, Messidor, Éditions Sociales, 1988, Paris. O livro está comigo por causa do Historiador Jean Soublin, que guarda correspondência comigo per e-mail, chamou a minha atenção sobre estes autores. O texto não está na Net, mas sim no livro referido. Para saber onde encontrar o texto, visite a Página Web: http://links.jstor.org/sici?sici=0031-2746(196207)22%3C60%3ATBFUTP%3E2.0.CO%3B2-5 . Para saber de Babeuf, visita o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Gracchus+Babeuf+Le+manifeste+de+pl%C3%A9b%C3%A9ians&btnG=Pesquisar&meta= Para saber mais, visite a página Web, onde eu escrevo sobre o Manifesto, página Web: http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=3941 , bem como esta referido num outro texto meu da Net: http://site2.caleidoscopio.online.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=32&Itemid=115 ou http://www.answers.com/topic/fran-ois-no-l-babeuf , bem como pode ler o seguinte: os neo-bovistas de Marseille , solicitaram a Marx e Engels escrever um Manifesto para comemorar as ideias da Igualdade proclamada pela Revolução Francesa de 1789, mas nunca cumpridas. Eles escreveram outro Manifesto ou: Le manifeste de Comunnards, traduzido como Manifesto Comunista, publicado na França em 1848. O texto está na página Web: http://fr.wikisource.org/wiki/Manifeste_du_parti_communiste?match=es ou no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=+Karl+Marx+Friedrich+Engels+Manifesto+de+Communards&spell=1 O conceito socialista não existia no Século XVIII, o conceito Comunista, foi criado por Marx e Engels em 1848. Babeuf foi o inspirador, por ser o Presidente da Commune de Paris, onde todos eram iguais! Sob o seu mandato, foi possível a liberação de Paris e inspirou a Revolução Francesa de 1789, que vinha desde o Sul, dos camponeses de Marselha. Para saber mais sobre a Revolução francesa , visite a página Web: http://fr.wikipedia.org/wiki/R%C3%A9volution_fran%C3%A7aise Pode visitar também o meu livro da Editora Afrontamento, Porto: O presente, essa grande mentira social. A reciprocidade com mais-valia. Ensaio de Sociologia Económica, no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ra%C3%BAl+Iturra+O+presente%2C+essa+grande+Mentira+Social

(Continua)




































































Capítulo 3-De volta à Inglaterra. Corrigido 17-03-08




O leitor deve ter ficado com a ideia de ter estado em um país em Revolução, uma não declarada guerra civil . O leitor não se engana, o Chile era um País em sitiado, rodeado de inimigos de um projecto para sermos todos iguais. Desde os escritos de Babeuf, ou Gracchus Nöel , ao começo deste texto que estou a escrever, denominado Le Manifeste de Pébéians, ninguém tinha referido o conceito igualdade, excepto ao começo da Revolução francesa de 1789


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (8)
(Continuação)

O dia 11 de Setembro de 1973, porém, foi mais um dia de atrocidades, por acaso e infelizmente, quase costumeiras no País. Foi, também, a mais sangrenta da sua História, a seguir à referida de Santa Maria de Iquique e a mais prolongada, mas também, a única que eu tenho vivido.

No entanto, houve a ditadura de O´Higgins, que de Directo Supremo da República, passou a formar uma nação, para o qual foi-lhe necessário exilar adversários, mandar fuzilar inimigos e outros factos que a memória não quer aceitar! Sempre foi pensado que o Chile era um país pacífico, mas passou por problemas institucionais na sua formação, que a memória não quer lembrar, mas que, no entanto, é o nosso dever relatar para explicar a queda de Allende.

De facto, formar uma Nação é um trabalho quase impossível. Um dos problemas era acabar com a mentalidade aristocrata, a procura de títulos, as formas éticas de profunda raiz Católica Romana que acabava por ser muito dura e hierarquicamente, organizada em classes sociais, com pessoas a mandar e o povo a obedecer. Um povo ainda escravo da vontade do patrão Tenho narrado as minhas lembranças de ter estado a organizar sindicatos, o primeiro dos que fiz, aos 15 anos, foi entre o operariado do meu Senhor Pai. Acompanhei aos membros do Sindicato e, chegado o momento de falar, eles viraram-se para mim, para ser eu a discursar. A minha reacção foi instantánea: “Los señores son el Sindicato, yo soy apenas una ayuda para Uds. Deben perder el miedo y comenzar”. O Engenheiro patrão, esse o meu Senhor Pai, estava branco de raiva, mais ouviu. E como o que ouviu não era do seu agrado, despachou de imediato ao grupo sindical. Não fui capaz de calar e lancei a frase: “Entonces, vamos a huelga, el Código del Trabajo lo permite...”. O que sabia eu do Código do trabalho nesses minutos! Talvez por isso, fiz-me, mais tarde Advogado. Como os meus amigos João Ferreira de Almeida e Luís Silva Pereira, entre outros, ou o amigo da vida, Francisco Vio, quem, de Advogado passou a ser Doutor em Ciências Políticas e Sociologia. De facto, o Chile que herdou Allende, era um Chile coxo, desde o Século XIX em frente. O próprio Freire, teve que ser substituído por Manuel Blanco Encalada, o primeiro Presidente do Chile, conforme a nova constituição, redigida em 1823, denominada a Constituição Moralista, que gerou um forte rechaço entre a população e o Presidente teve de abdicar. O Presidente a seguir, foi Francisco António Pinto, Presidente que consegue organizar e promulgar, em 1928, uma Constituição Federal. Por ser pouco admitida, foi rapidamente substituída pela de 1833 e emendada muitas vezes: A Constituição Política da República do Chile de 1833 é o texto constitucional surgido após o triunfo conservador na revolução de 1829, foi promulgada e jurada em 25 de maio de 1833, regendo o Chile por 92 anos. Entre seus principais ideólogos estão Mariano Egaña, Manuel José Gandarillas e Diego Portales. Foi reformada em 1871, 1873, 1874, 1882, 1888, 1891, 1892 e 1893. Esta foi de longa duração e foi modificada apenas a seguir o suicídio do Presidente da República, José Manuel Balmaceda. Entre 1823 e 1891, os chilenos consolidaram a maior parte das instituições económicas, políticas e sociais. A Constituição de 1833 permaneceu em vigência até 1925. Formaram-se os partidos políticos e estabeleceu-se a tradição do controle civil sobre os militares. Em 1823, tornou-se o primeiro país do continente americano a abolir a escravidão.

Em 1836, declarou guerra ao Peru e a Bolívia, para evitar que esses dois países formassem uma confederação. O Chile ganhou a guerra em 1839. Em 1866, uniu-se aos dois países para impedir os esforços espanhóis de retomar o controle das antigas colónias. A Espanha foi derrotada em 1869. Dez anos depois, o Chile voltou-se contra o Peru e a Bolívia, mais uma vez, na conhecida por todos no Chile, a Guerra do Pacífico. Esta terminou em 1883, com a vitória chilena, que conquistaram o Peru, época histórica das gargalhadas, diria eu, por causa da fanfarronada do Almirante Patrício Lynch se proclamara... vice-rei do Peru!.

Após a conquista dos ricos depósitos de cobre e nitratos do deserto de Atacama, o Estado chileno acumulou muitas divisas. Em 1891, o presidente José Manuel Balmaceda, eu diria, o primeiro Allende do Chile- antes do denominado Professor do Povo, outro Allende do Chile, Don Pedro Aguirre Cerda, em 1939, que deve aparecer mais em frente -, Balmaceda, dizia eu, tentou utilizar parte dessa receita em obras públicas para benefício do povo roto ou descosido. O Congresso opôs-se à decisão presidencial, dando origem a guerra civil por causa d e que o Presidente, num regime parlamentar, não estava a ouvir a voz do Congresso, organismo que mais mandava. O precursor de Allende, dezenas de anos antes dele, Balmaceda, simplesmente mandou fazer as obras que ele, denominado visionário, pensava eram importantes para o país e os seus descosidos. Apesar de ser um aristocrata, como Allende da Alta Burguesia, o Presidente dos finais dos anos do Século XIX, não hesitou ao lutar pelo povo. Era um verdadeiro aristocrata, esses que se jogam pelos seus. Mais de 10 mil chilenos morreram na luta. As forças de Balmaceda foram derrotadas e o Presidente, para cumprir o seu mandato legal, procurou asilo na Legação Argentina e, no dia de completar os seus cinco anos na presidência, suicidou-se a 19 de Setembro de 1991 . Como se diz, Allende também fizera. Mas, vamos andando sem saltos na história. Há uma cronologia a respeitar, mas a cronologia das semelhanças, apesar dos decénios de diferença, estão, na cronologia histórica, sempre juntas: Rodríguez, O’Higgins, Freire, Balmaceda, Aguirre Cerda, Allende e os seus patrióticos sucessores, esses de após 17 anos de Ditadura. Em 1904 o Chile assinou um tratado de paz com a Bolívia, estabelecendo as fronteiras entre os dois países, ao finalizar a guerra denominada do Pacífico, onde morreram todos os inquilinos enviados pelos seus patrões, como já referi no Capítulo anterior.

Em 1925, durante a Presidência de Arturo Alessandri, a Constituição de 1833 foi reformada, para dar mais poder ao Presidente da República, por meio do veto Presidencial.

Este é, em síntese, o Chile que Allende herdou, com uma Constituição Política a reger os destinos do País, de ordem Presidencial, após do fracasso do Parlamentarismo. Pode-se perceber que não foi o primeiro Presidente morto no exercício do poder, mas sim, o primeiro a ser morto por outros num golpe militar encabeçado por todas as Forças Armadas do Chile. O ditador dizia nesse dia do levantamento, que o comunismo era um cancro que devia ser extirpado, e que doravante, nada aconteceria no Chile sem passar por ele primeiro. Infelizmente, foi assim. As gravações que tenho comigo, retiradas de gravações feitas às escondidas do ditador, ele diz: “ehte cáncer tiene que ser ehtirpado, é como uma perra em celo, se mata a la perra y se acaba la leva, no mah!” (las letras com H, são para indicar a forma que falava o cobarde general que, apenas um mês antes, tinha prometido, pela sua honra (qual?, pergunto-me eu, hoje), proteger com honra ao seu Presidente. Allende confiou em ele. Não tinha mais alternativas! Ainda que, o ditador, entrou à ideia do golpe, apenas um dia antes do mesmo ser consumado. Dizem também essas gravações que era fácil se desfazer do Presidente, convidando-o a ir de avião ao exílio e laçar a sua pessoa ao mar durante o voo. Não haviam alternativas!

No seu minuto, quando a nossa casa começaram a entrar imensas pessoas em procura de protecção, por se sentirem abandonadas – a nossa casa não era uma legação ou embaixada, mas sabiam que eu era destemido. O que não sabiam, é que, como membro do partido MAPU ou Movimento de Acção Popular Unitária- foi usado o nome Mapudungum de terra (mapu), para as siglas do nosso Partido Marxista, tinha a ordem de resistir. Eu tinha organizado um tipo de resistência francesa: eu conhecia um, esse dois, cada dois, outros dois, e por ai fora. Tivemos treino para essa resistência, mas....nada aconteceu. Estávamos todos fichados, observados, consignados em listas, com as nossas acções, preferências, textos escritos e lugares ocupados. A maior parte da minha rede, fugiu, pintou o cabelo, ou foram por mim refugiados em sítios apenas conhecidos pelos Padres Holandeses que trabalharam connosco durante o tempo do Movimento Cristãos para o Socialismo. Nem eu sabia onde estavam. E esperei, esperei, esperei, ninguém apareceu, excepto os mais conhecidos, em procura de refúgio! A minha mulher disse, na sua sabedoria: “!Y tu crees que se van a arriesgar? Si pudiéramos, también me arrancaba!”. Foi apenas a minha irmã, companheira de trabalho de campo, prisão e exílio, que me acompanhou a colocar militantes temidos ou assustados. Nem eu sabia onde ela os levava, e ela, também não. Era a única forma de defender aos mais em prováveis de serem detidos, !sem saber nem por isso, que nós estávamos na lista para sermos apreendidos!

Durante a manhã, o Presidente falou três vezes pelo rádio que ainda era fiel e não tinha sido tomada pelos militares e as sua palavras levantaram o nosso subjugado espírito. Entre outras palavras, disse: “Colocado em uma transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E os digo que tenho a certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser cegada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e em seu destino. Superarão outros homens nesse momento cinza e amargo onde a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrir-se-ão- de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor." Salvador Allende, 11 de setembro de 1973” Bem como: "Não vou renunciar. Pagarei com a minha vida a liberdade do povo. Tenho certeza de que meu sacrifício não será em vão. Este é o meu testamento político” Bem como: "Não vou renunciar! Colocado nesta encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que foi plantada na consciência digna de milhares e milhares de chilenos não poderá ser ceifada definitivamente. Eles têm a força, poderão nos avassalar, porém não se detêm os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos".

Devo parar um instante. Os discursos de Allende, só de ouvi-los, causam em mim o mesmo sentimento que no primeiro dia: ânimo e desastre. A via Chilena ao Socialismo morreu com Allende. Desde esse dia, o Chile passou a ser o campo de concentração mais grande do mundo, dentro dos seus limites e alem fronteiras, durante 18 anos, o tempo da ditadura!

No entanto, houve um campo de concentração muito especial para vários de nós. Campo tipo Auschwitz, esse que tinha começado bem antes do golpe contra Allende e os seus apoiantes, denominado La huelga de los camionistas O transporte de mercadorias era feito por terra, por causa dos monopólios criados em Governos anteriores. O Chile tinha uma larga costa e uma Marinha Naval e Mercante, muito grande, bem como uma linha ferroviária que percorria o país de Norte ao Sul, até o denominado Puerto Montt, terminal ferroviário. O comboio não podia ir mais longe, por causa de começar na Cidade de Puerto Montt- pronunciada em chileno castiço “puertomón”- a denominada Costa Desmembrada, ou um conjunto de Ilhas até o Sul do Sul do Chile, distante do Santiago, a Capital, a mais de 600 quilómetros. Ao todo, O Chile tinha uma longitude de 1.200 Km Era estranho não ter transporte não for feito por mar! Eram os negócios chilenos com empresas estrangeiras! Se vemos o mapa, é possível reparar que o nosso campo de concentração era imenso! Desde a cidade de Antofagasta , no Norte, até Punta Arenas, no Sul, se as mercadorias forem transportadas pelo mar ou em comboio, a greve dos caminhoneiros, não teria tido o resultado que agravou a situação de Allende :a partir de 1972, não tínhamos arroz, açúcar, azeite, pasta de dentes, sabão ou sabonete para nos lavar. Éramos um povo denominado “hediondo”, porque cheirávamos mal. Para ir a casa de banhos, era preciso se lavar, porque nem o papel higiénico era fornecido A gasolina esgotou e devíamos andar a pé para os nossos trabalhos. A situação era tensa e dava para fumar, mas até o tabaco foi-nos negado. Era o povo das filas: organizamos uma contra-ofensiva, os apoiantes da coligação Unión Popular ou UP, os partidos à apoiar ao Presidente Allende, para procurar alimentos e combinávamos meios de transporte para fornecer as nossas casas de alimentos, especialmente carne. Para a carne, era preciso ir à noite, aos sítios onde a carne era vendida, com uma pessoa a guiar o carro e dois sentados no capote do mesmo, com lanternas e assim fugir dos famosos triângulos ou pregos dobrados, três juntos, com a ponta virada para acima, para partir pneus. Quem tiver os pneus sem ar, ficava sem carro, porque pneus...não havia! O cerco foi tão bem montado, que eu, até saia com 20.000 mil pesos, imensa suma de dinheiro, caso encontrar mercadorias para comprar ou camionetas para me transportar. Normalmente, voltava a casa com o dinheiro intacto. Filas havia para todo, até para comprar tabaco, que nunca se sabia nem quando nem onde, iam ser vendidos. O objectivo era parar a produção e colocar ao povo em situação de desespero apara alimentar a família. O dinheiro chileno não tinha valor e, pela primeira vez na História do Chile, foi preciso transar em dólares. O dólar era normalmente, comprado aos motoristas parados do camiões, que eram pagos pela CIA e a direita opositora do Chile, em moeda americana, que circulava livremente dentro do País, por outras palavras, um crime permitido pelas circunstâncias....um facto ilegal, mas menos crime e ilegal que a dita greve que nos fez andar milhares de quilómetros durante meses.

No dia a seguir a morte do nosso Presidente e ao começo da governação da Junta Militar, os artigos apareceram todos, a preços bem mais baratos: era mercadoria oculta por sedição da Direita Chilena, que assim tentava derrubar ao Governo. Porque o povo resistiu, o campo de concentração que era o Chile, não foi eficaz para derrubar ao Presidente. Em silêncio, a gente andava e trabalhava, tivemos fome e frio, éramos pobres com dinheiro! Impossível de gastar. Foi preciso outra medida de acção, para acabar com o Governo, denominado pelas nossas família, dos “upelientos” palavra suja e pouco agradável de ouvir. As nossas famílias tinham comprado dinheiro estrangeiro, para fugir do, já referido, cancro marxista! Esse cancro, éramos todos nós, um povo que, em quanto mais atacado, mais à esquerda ficava! Allende até pensou em convocar um plebiscito para votar se o povo queria ou não que ele continua-se como Governante do Chile. O dia estava marcado para 12 de Setembro e ia ser uma surpresa. O problema foi que ele confidenciou ao seu general em Chefe das Forças Armadas, o dito Pinochet, quem o comunicou de imediato aos seus mais chegados, que estavam já a tramar o golpe. O único que não estava dentro da história, era o general, sempre, como diria Garcia Márquez, metido no seu laberinto!

E, do grande campo de concentração, passamos aos mais duros e directos da cadeia pessoal, tortura e sadismo, que em breve, vou narrar. Preciso tomar uma certa distância. A vida tinha sido dura: os nossos vizinhos, grandes amigos, mal começou esse derrube planeado, nem cumprimentavam nem iam mais as nossas casas, o que antigamente sempre fizeram pela novidade de nós aparecer em Talca desde a Grã-bretanha, eu ser académico, como a minha mulher, e escritor. Até o cumprimento habitual foi banido entre nós, ou, deles, para nós. Ou já não sei se sofremos mais antes ou a seguir ao golpe. Mas, que, em conjunto foi um martírio, penso que nem vale a pena narrar! Martírio de sentimentos, martírio psicológico, martírio de afastamento: éramos os leprosos do País, os ditos upelientos, e, ainda mais, o cancro da família que nem queria saber de nós. O desespero foi tão imenso, que não consigo esquecer que essa, a minha grande amiga e colaboradora na Universidade, Marta Sunkel, essa sobrinha do afamado economista Osvaldo Sunkel, que não fumava, começou a fumar para tirar os nervos. Penso que até o dia de hoje o faz. Onde é que ela anda?

Não sei. Tantos amigos perdidos por temor....

Notas:

Organizar o País, foi uma tarefa pesada e, de um sistema de legislatura, passava-se rapidamente a outra. A de 1828, foi de curta duração, substituída pela de 1833, que declarava ao país como República Parlamentaria, cópia, conforme lembro dos meus estudos de Direito, da de Grã-bretanha. Para o leitor estar certo, pode consultar a Net, sítio: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Constitui%C3%A7%C3%A3o+do+Chile+1828&btnG=Pesquisar&meta= A ideia era revogar a de 1828 e foi redigida por:
retirada da informação enciclopédica da Net: http://pt.wikipedia.org/wiki/Constitui%C3%A7%C3%A3o_Pol%C3%ADtica_da_Rep%C3%BAblica_do_Chile_de_1833
José Manuel Balmaceda: para saber mais, visite a página Web: http://es.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Manuel_Balmaceda página que refere que: Inició su gobierno con un ambicioso plan de obras públicas y con el ideal político de unir a los liberales en un solo gran partido. Pero pronto inició un enfrentamiento con el congreso por la pugna entre presidencialismo y parlamentarismo, que se transformó en una Guerra Civil en 1891, tras aprobar Balmaceda el presupuesto de la nación sin la firma del Congreso. Derrotadas sus fuerzas en las Batallas de Concón y Placilla, se suicidó el 19 de septiembre de 1891 en la legación argentina.


Informação retirada das minhas memórias de Advogado e do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Constitui%C3%A7%C3%A3o+do+Chile+1833&btnG=Pesquisar&meta=
Retirado da Enciclopédia Net, página Web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Golpe_de_estado_de_1973_no_Chile
Retirado da Net, sítio: http://naoapaguemamemoria2.blogspot.com/2007/09/chile-11-de-setembro-de-1973.html
retirado da página Web: http://br.geocities.com/carlos.guimaraes/allende.html , texto do Jornalista Leo Lince. Tenho todos os discursos gravados num CD, bem como estão reproduzidos no excelente livro de Patrícia Verdugo, 2003: Allende. Cómo la Casa Blanca Provocó su Muerte, Catalonia, Santiago do Chile. Os discursos na Net podem ser lidos em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Discursos+Allende+Chile+11+de+Setembro+1973&btnG=Pesquisar&meta=
O Texto de Patrícia Verdugo, livro que tenho comigo, em: http://www.amazon.com/Salvador-Allende-Blanca-Provoco-Provoked/dp/9500274523 O texto pode-se ouvir na página Web da Net: http://www.weshow.com/br/videos/post/search?text=discurso
O ditador tinha já tentado assassinar aos seu colaboradores, entre eles, o General da Força Aérea Gustavo Leigh, o verdadeiro organizador do golpe de Estado, chamou a retiro ao seu camarada da Junta, General de Carabineros Carlos Mendoza, sem substituição dentro de Junta. Do Almirante Toribio Merino, nem era preciso se preocupar mais. Infelizmente, era um parente nosso, pelo lado do meu Senhor Pai, e era uma fantochada um palhaço: bebia desde a manhã até a noite. Para saber de Leigh e a sua morte, visite o site Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Gustavo+Leigh&meta= ; Merino, o nosso parente, ver a pagina Web da Net: http://www.terrorfileonline.org/es/index.php/Jos%C3%A9_Toribio_Merino ; do “capitãocito” César Mendoza, feito General para o Golpe de Estado, por causa do seu General José Maria Sepúlveda ser fiel à Constituição, as leis e ao Presidente em exercício, foi afastado do seu cargo e foi encontrado este vendido ao poder, do qual é possível saber na página Web em: http://paginas.terra.com.br/educacao/historiadochile/cesar_mendoza_def.htm ou na Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=C%C3%A9sar+Mendoza&meta= Como o ditador queria ser só ele a mandar, fez dois plebiscitos: em 1979 e 1980, para se manter no cargo e legitimar o seu governo. Para saber mais, visite a página Web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Pinochet que diz, em parte, por ter acrescentado eu mais dados, que o ditador organizou plebiscitos em 1978 e 1980 para manter-se no cargo. O plebiscito de 78 lhe conferiu a maioria dos votos da população que apoiava a ditadura, não do povo chileno, excepto os votos comprados ou com dinheiro, promessa e trabalho. O seu governo teve confirmada a sua legitimidade. Em 1981, foi elaborada uma nova Constituição, onde se podia ler que Pinochet seria o presidente do Chile por mais oito anos. Por ter começado uma crise económica e a inflação disparou muito alta, o ditador resolveu desafiar aos seus opositores, esse milhares, membros ou não, dos Partidos Políticos denominados ilegais pelo dito ditador e a sua dura lei, e convocou um plebiscito para consultar se o povo queria ou não que ele continuar como Presidente do Chile. O resultado foi o enforcamento do seu Automandato, pelo resultado da votação, conhecida por todos, mas que vou reproduzir sem acrescentar vírgula nenhuma: El Plebiscito Nacional de 1988 fue un referéndum realizado en Chile el 5 de octubre de 1988, durante el Régimen Militar. Este plebiscito se realizó en aplicación de las disposiciones transitorias (27 a 29) de la Constitución Política de 1980, para decidir si Augusto Pinochet seguiría como presidente del país hasta 1997. El resultado fue de 44,01% por el «Sí» y 55,99% por el «No». El universo electoral habilitado para votar ascendió a 7.435.913 personas.
El triunfo del «No» significó, conforme a las disposiciones transitorias de la Constitución, la convocatoria de elecciones democráticas conjuntas de presidente y parlamentarios al año siguiente, que conducirían al fin de la dictadura y el comienzo del periodo conocido como transición a la democracia. Ver comentários na Net, sítio: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Plebiscito+Pinochet&spell=1 Recomendo aso leitor visitar a página Web: http://es.wikipedia.org/wiki/Plebiscito_Nacional_de_1988_(Chile ) Como é evidente, o triunfo do não, significava :“no te queremos como Presidente, ándate, sale de ahí!, fué celebrado não apenas no Chile, bem como em todos os sítios do mundo. Nós, em Cambridge, organizamos uma festa especial, discursos, danças chilenas e conferências. Estávamos outra vez, a tornar à democracia! Uma estrada larga, mas certa e segura. Agora era connosco! Muitos tornaram ao Chile. Eu e a minha família, ficamos: estávamos muito dentro dos países de acolhimento, a Grã-bretanha e Portugal e, se, nós adultos, já tínhamos começado a vida de novo, era preciso, por causa da nossa descendência, impedir um segundo exílio, o das nossas crianças. Tivemos que aceitar a realidade. Aliás, os que voltaram rapidamente tornaram, muitos deles, para os países originais de ajuda, onde tinham compromissos adquiridos na realidade da vida nos países protectores de nós, não passíveis de perder com a bebedeira do triunfo!


Ou greve dos caminhoneiros, financiada pela CIA dos EUA. Pode o leitor saber, se visita o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=A+greve+dos+caminhoneiros+Allende+1972&btnG=Pesquisar&meta= ou a página Web: http://www2.fpa.org.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1006 , na qual é possível ler, entre outros assuntos, estas palavras terríveis: O governo Allende foi literalmente cercado pelas iniciativas da direita tomadas a partir do Congresso e do Poder Judiciário. Allende havia sido eleito por uma estreita margem de votos: 36,6% contra 34,8 dados a Jorge Alessandri do Partido Nacional e 27,8% conferidos a Radomiro Tomi´c da Democracia Cristã. Na Câmara dos Deputados, a Unidade Popular contava com 57 parlamentares em 150; no Senado, 23 membros em 50. O que dificultava ao Governo a sua actuação (as minhas palavras)


Já a posse de Allende havia sido fruto de uma negociação com a maioria parlamentar que impôs a ele o "Estatuto das Garantias" (princípio da inamovibilidade de funcionários da DC contratados na gestão de Frei, respeito à hierarquia das Forças Armadas, não - intervenção nos meios de comunicação). A maioria oposicionista no Congresso bloqueou o processo legal de nacionalizações e impediu a adopção de uma reforma tributária. Através de uma interpretação abusiva do texto constitucional, o Congresso destituiu ministros e prefeitos da Unidade Popular, apesar do regime não ser parlamentar. No período que antecedeu o golpe, o Congresso aprovou a "lei do controle de armas", que permitiu às Forças Armadas invadir domicílios e sedes de entidades populares e chegou a votar uma "moção de ilegalidade" do governo. As iniciativas do governo Allende foram incessantemente bombardeadas por decisões do Judiciário. Retirado da página Web: http://www2.fpa.org.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1006
Geografia do Chile: para sabre mais, visite o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Geografia+do+Chile&btnG=Pesquisar&meta= ou a página Web: http://es.wikipedia.org/wiki/Geograf%C3%ADa_de_Chile Ver Mapa do Chile em:
© http://www.guia-chile.de/baseportal/curanilahue/html/html&site==geochile_chue






Antofagasta, palavra da Etnia Aimara, ou Nativos dessas terras, habitada pelos chilenos, que em Castelhano significa pó. Foi assim denominada, por causa do deserto, a maior parte de Antofagasta são minas de salitre ou Nitrato. Para saber mais, visite a página Web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Antofagasta ou o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Antofagasta+Chile+Significado&btnG=Pesquisar&meta= ou a página web: A língua Aymara ou aimara, que se fala fundamentalmente no norte da Bolívia e no sul do Peru, foi a língua dominante até a chegada dos incas à esta zona no século XIV. Pertence ao grupo de línguas quechuamarán, grupo que compreendia várias etnias e dialectos e que predominou nessa região andina até que o Inca Capac Yupanqui (1318-48) deu início à expansão do império.
Atualmente, a presença da língua e a cultura Aymara está em plena pujança em consonância com o renascimento cultural que se está produzindo entre os povos primitivos da região que aspiram a defender suas próprias línguas. Dos cerca de um milhão de falantes que possui o aymara, a maioria se encontram em Peru e Bolívia, em particular no meio do lago Titicaca na fronteira entre ambas nações, ainda que também existe presença Aymara no Chile.
Referido a mim, pelo o meu antigo Assistente da Pontifícia Universidade Católica do Chile, o hoje Doutor pela U. De Grenoble, França, Gonzalo Vio Grossi, que estudou ao povo Aymara do Chile, Argentina e Bolívia, etnia que é cidadã do país onde habitam os vários clãs, muito embora os Aymara são orgulhosos, acolhedores e gentis e desejam manter a sua naturalidade. São poucos os que saem do clã para se educar ou adquirir uma Profissão. Donde, no Chile há uma Lei especial para as Etnias que não se consideram chilenas. Ver em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Leis+para+Etnias+Nativas+do+Chile&btnG=Pesquisar&meta= ou: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Etnias+Nativas+do+Chile&btnG=Pesquisar&meta= ou, a página Web: http://www.ciberamerica.org/Ciberamerica/Portugues/Areas/identidad/diversidad/diversidadlinguistica/aymara.htm


Osvaldo Sunkel, Economista Chileno da Cepal, ajudou a sua sobrinha a se exilas na Venezuela, junto ao marido dela, Patrício Ochagavia. Para saber mais, visite o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Osvaldo+Sunkel+Economista&btnG=Pesquisar&meta= ou a página Web: http://www.traca.com.br/seboslivrosusados.cgi?mod=LV68935&origem=resultadodetalhada , que refere o livro em que desenvolve a sua teoria sobre desenvolvimento e subdesenvolvimento na América Latina, teoria que o levou ao conhecimento comum de todas as pessoas e ajudou a América Latina a sair do seu atraso económico. Colaborador de Allende, teve que fugir após a morte do Presidente.


publicado por Carlos Loures às 15:00
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (7)
(Continuação)

Era o que Allende e eu sabíamos. Ele, pelo seu intenso projecto de educar às massas; eu, por filho de uma classe que fala diferente, com muito espanhol em casa, a começar pela minha Senhora Mãe! E pelo meu Senhor Pai, que punia as minhas faltas de pronúncia denominadas Correctas ou de uso Habitual , apenas que não mencionava dentro de uma certa classe social. Quer Allende, quer eu, entendíamos ao povo, éramos parte do povo e não pretendíamos mudar a sua forma da “haular”. Não entanto, não era possível outra! Mesmo, hoje em dia, se já em criança perguntavam-me se era chileno e eu enfurecia, hoje em dia ao me chamarem Mister Gringo, após 40 anos fora da minha terra, aprendi com uma amiga que a minha pronuncia tinha tudo, excepto chilena: “Mi querido Raúl: ni tu cara, ni tu ropa, ni tu forma de hablar, dicen que seas chileno. !Tienes que aceptar que eres un extranjero en tu país!”.

Abençoada Amiga, quem me ajudara a suportar o que me parecia uma ofensa! E não era, era apenas realidade! Como o caso de Allende.
Pode-se comparar o caso, antes de avançar mais sobre a História de Allende e a sua luta pelas suas promessas, com o Morgadio Português. Embora a lei mande dividir a herança por igual entre todos os descendentes do proprietário morto, mas, como tenho referido em outros livros, era uso e costume organizar o Morgadio, abolido em Portugal por Mouzinho da Silveira a partir de 1834, como é referido quer por António Pedro Manique em 1989, e estudado por Míriam Halpern Pereira, especialmente por encomenda da Fundação Calouste Gulbenkian . É Mouzinho da Silveira quem semeia as bases da libertação de Portugal, importadas, anteriormente, por Sebastião de Cano e Melo, quem tinha casado com uma aristocrata da Alemanha, denominado Marques de Pombal no Século VVIII, desde a Alemanha.
Tornando ao relato do que o antigo ditador queria fazer, quer no Chile, quer nós desde o exílio, não podíamos aceitar a situação e colaboramos para impedir tamanha ofensa criminosa, fosse cometida feita mais uma vez! Podia não gostar do Aylwin do tempo de traição de lesa majestade, mas respeitávamos a quem tinha encabeçado a luta contra um governo traidor, criminoso e perseguidor, por todo ou por nada, de cidadãos inocentes de crimes, apenas por serem os seus opositores.

Sempre disse esse ditador, que quem não estiver de acordo com ele, era comunista e “essa porcaria deve ser varrida do Chile” ( a minha tradução das suas palavras. Ele , nem castelhano sabia!, quanto mais, português) É verdade que, no seu dia, Aylwin e os membros do seu partido, procuravam a renuncia do Presidente ao seu mandato popular, e assim formar, mais uma vez, um governo do seu partido, com o mesmo Presidente Eduardo Frei, ainda vivo.

 No entanto, os princípios de Allende eram tão claros, os seus objectivos tão determinados, que procurou uma mediação, por meio da igreja Católica Romana, para sustentar os seus planos prometidos ao povo. O mediador, já referido, foi o Cardeal Raúl Silva Henríquez. No entanto, as condições impostas pela Democracia Cristã eram tão grandes, que Allende não podia trair ao povo e deixar de cumprir o prometido para o seu mandato: todos os bens são do povo e de quem os trabalha. Allende era um assumido marxista, essa ideologia liberal condenada por todos os temidos de perder os seus privilégio e prebendas, pelo que os proprietários dos bens queriam recuperar o “perdido” por eles e organizaram, em conivência com Richard Nixon, os seus apoiantes Republicanos e as empresas expropriadas, um plano para libertar-se do denominado cancro marxista do Chile. Os Republicanos dos EUA no podiam tolerar que no seu jardim de trás ou back - garden , como era América Latina para eles, houvesse um governo marxista não ditatorial, como tinha acontecido com Staline e parecia acontecer com Fidel Castro. De facto, todos tinham esquecido a ditadura dos czares da Rússia e a exploração que os cidadãos dos E.U.A, faziam da ilha de Cuba, ao ser o pátio de trás das prostitutas, homossexualidade, travestis, pedofilia, jogos ilegais de casinos e compra barata de terras para ter uma plantação de canas de açúcar, que, ao ser vendida manufacturada em Cuba, com mão de obra barata, acabava por ser um investimento com alto lucro para os Norte-americanos que investiam o seu dinheiro na Cuba de Fulgêncio Batista . O erro deles era pensar que a propriedade era de quem tinha o título em escritura ou testamento, trabalha-se ou não esses bens.

Como o leitor é capaz de apreciar, a eleição de Allende à Presidência do Chile, causo uma revolução no meio das classes sociais chilenas. O povo o aclamava, um povo que não tinha o hábito da propriedade: mal foi entregue a terra aos camponeses ou antigos inquilinos, já definidos mais acima, que este tinham como padrão cultural a propriedade, dividiram as terras de imediato entre as famílias do latifúndio expropriado. Mas, para se ser proprietário, era preciso ser casado e houve imensas uniões matrimoniais, não por amor à pessoa, mas pelo hábito de se querer ser proprietário. Eu morava no meio do campesinato, apesar da minha mulher não ser conivente dessa minha acção. A minha resposta foi simples: “sou Antropólogo, especialista em Etnopsicologia e devo observar, de forma participada, o que acontece”. Foi assim que observei como os votos para Allende eram pelo interesse da repartição da riqueza, o que eu acho justo, mas o operariado pensava que a propriedade os ia converter em Senhores, como os antigos patrões. Reparei também que os proprietários dos melhores tecidos do Chile, Chiguayante, ao Sul do Chile, perto da Cidade de Concepción, tinham repartido as telas entre os operários e eram vendidas a preços exorbitantes pelo povo, hoje enriquecido. Nem curto nem preguiçoso, escrevi de imediato um texto sobre a propriedade e que o Ministro de Agricultura tinha-se enganado com a Reforma Agrária, etc. Dizia eu que o novo proprietário precisava o fôlego do cavalo do mordomo no pescoço, para trabalhar. Houve imensa discussão ao pé do meu texto, um de vários, na Revista fundada por nós o Revista do CEAC , já referida na Introdução. No entanto, foi aceite não apenas pelo Ministro, bem como pelo Presidente, que me enviou uma nota a dizer que era muito curto o tempo para não fazer tudo de imediato. Eu ripostei que era preciso ter calma, ele era amado e as votações à esquerda subiam: nas mais recentes eleições de municípios, o Partido Socialista ganhou o 53% dos escanos de autarcas, de diversas autarquias do País ou Municipalidades, como se diz no Castelhano chileno, onde os autarcas são denominados Regidores.

Era o medo de Eduardo Frei Montalva, esse filho de imigrantes suíços, primeira geração no Chile, que precisou casar com mulher da aristocracia, Maria Ruiz-Tagle, para ser bem visto e ganhar o poder. Poder que não queria entregar à Allende e houve um segundo subterfúgio para “roubar” a eleição de Allende: era que o Frei Montalva era apresado, enviado ao exílio, substituído pelo Ministro do Interior, chamava-se a novas eleições, para ele se candidatar outra vez. Mas, o candidato rival de Allende, o meu querido amigo Radomiro Tomiç, recusou e foi de imediato ao balcão onde Allende discursava à população que o aclamava já como eleito, e o abraçou e reconheceu a sua derrota em público. Também, o querido Bernardo Leighton não quis, e exilou-se a seguir. Frei disse: “Então, querem que eu seja o Kerensky Chileno?” Não teve mais hipótese que entregar o veredicto das urnas... às 3 da madrugada!.
Este é Allende nas terras do meu Senhor Pai, que, muito embora descendia de uma larga linha de Bascos, era chileno. Mas, também, um dia, foi anunciada a visita do Senador Allende Gossens ao operariado da indústria do meu Senhor Pai, quem de imediato enviou ás forças denominada Carabineros ou Guarda Nacional Republicana em Portugal, para impedir a entrada às suas terras, do Senador. Como é evidente, debati com ele, tinha eu 17 anos ou assim, com a Constituição do Estado de 1925, para fazer ver ao Senhor, que havia liberdade de expressão e livre trânsito para os nacionais, e licença especial para os membros as Câmara, do Senado, no caso de Allende, por causa da imunidade que esses senhores usufruem. Recebi a Constituição, atirada pelo Senhor Pai, na minha cabeça. Os seus problemas eram políticos, não legais!

Sem dizer nada, fui até os ditos guardas e mandei abrir as portar. Submissos como todos eles eram, não sabiam muito bem o que fazer: “ Don Raulito, Don Raúl, o Senhor Engenheiro, seu pai, diz....”. Eu mandei calar, e com uma arrogância desconhecida em mim, esse ser gentil e afável, ameacei de leva-los a tribunal por não cumprir a lei, que era igual para todos, e apenas seguir, por conveniência de serviço, a lei ditatorial do proprietário. Eles não sabiam o que fazer, mandei entrar dentro do quartel, abri as portas ou portões e fui ao pé do Senador e falei: “Senhor Senador, eu o conheço apenas de nome e por foto, mas sou filho do proprietário destas terras e tem as portas abertas para entrar”. A resposta foi breve e curta: “Meu filho, já estou habituado, eles não e não queria por em maus lençóis ao operariado, que pode sofrer represálias do seu pai”. E não entrou. Donde, disse, “espere, Senador”, e fui casa por casa, entre as trezentas que havia, e mandei todos assistir ao comício. Lá foram eles, ou por subordinação ou por convicção. Apenas que, meses depois, um dos motoristas do Senhor Pai, disse-me. “ Don Raulito, eu tenho seguido os seus exemplos e veja agora onde andamos....”Foi levado a um campo de concentração, .....meses depois. Como eu. E tantos outros, a relatar a seguir no outro Capítulo.
Acabo este com uma nota de tristeza. Bati-me imenso, mas perdi. Família, carinho, apoio, amigos e amor.....Mas, anos mais tarde, o meu segredo desejo foi cumprido: o velho ditador à julgamento e morreu réu, não como outros, que morrem com a benção do dito Santo Padre Católico Romano....
Capítulo 2-Campo de concentração. Cópia do original revista por mim 17-03-08

Habitual em mim, desde a minha infância, liguei o rádio, às sete da manhã, para ouvir notícias, notícias essas para acordar enquanto se adormece outra vez – o que no castelhano chileno dizemos: “num durme-vela”, até acordar finalmente. E, ainda que pareça português, a palavra “duerme vela”, é pronunciada como escrevi, incluindo preposição e artigo! Seria castelhano correcto dizer: en un duerme vela, onde velar, é observar o nosso sono enquanto ainda estamos a dormir . Parece divagação e não há tempo para isso. Esse dia, também não havia tempo. O duerma-vela acabou de imediato ao ouvir, as notícias à maneira de marcha militar. Comentei, adormecido com a minha mulher: “quem diabos mudou a sintonia do meu rádio!?. De certeza uma empregada, para ouvir as suas novelas, esses dramas estúpidos do c....””. Mas, aparece uma voz a dizer: “Está a ouvir marchas militares, porque hoje de manhã houve um pronunciamento das Forças Armadas em Valsaríamos, que endereçam o seu caminho para o Palácio Presidencial de La Moneda e solicitar ao Presidente que decline o seu Mandato, ser arrestado e enviado ao exílio. Como é evidente, saltamos da cama de imediato e procuramos postos de mais confiança. A rádio Magalhães –Magallanes, como é nomeado em chileno castiço – adulterando o nome de Fernão de Magalhães, o português que tinha descoberto o estreito que leva o seu nome, ao Sul do Chile e Argentina, para encurtar as viagens , e passar, com vento e chuva, desde o Oceano Pacífico, para o do Atlântico. De certeza, tenho constatado depois, ninguém sabe ao certo quem era esse descobridor e qual a sua nacionalidade . Esse rádio, transmitia notícias e falava de um denominado Golpe de Estado contra o Presidente da República. Esse golpe sempre temido por nós, mas nunca acreditado que puder acontecer. Falávamos do golpe, com temor, com medo, mas acrescentávamos, sem nos lembrar da História real do País, que no Chile tinham acontecido imensos golpes desde o dia da sua Libertação da Coroa de Espanha, em 1810, quando, já em 1812, os irmãos Carrera, foram desterrados por se amotinarem contra a nova Junta de Governo, presididas pelo denominado Conde da Conquista, Don Mateo de Toro y Zambrano que, ao reparar que não havia Rei Borbón Castelhano no trono da Espanha, convocou um Cabildo e disse: “En España no hay Rey, no tengo poderes para mandar, por lo que declino de mi posición de Gobernador y os entrego el bastón y el mando” ocupada a Espanha desses tempos pelas tropas de Napoleão Bonaparte, quem tinha mandado ao seu irmão José para ser o Rei da invadida Monarquia Espanhola, essa Espanha rebelada contra os invasores, como Francisco de Goya , o pintor do Século XVII à XVIII, explicitava nas suas pinturas, especialmente a Massacre do 3 de Maio quando os franceses mataram dezenas de Madrilenos que, no dia 2 de Maio, tinham-se insurgido contra os referidos invasores, sem sucesso. Essas infelizes mortes e o triunfo dos Bonaparte, era, além de triste, conveniente para o Chile: uma Junta de Regência, que teve um ano de vida, e com a segunda, presidida por José Miguel Carrera e os Larraín, todos citados nas notas de rodapé da página anterior, o Chile já não era parte de coroa nenhuma ao não ser reconhecida a de José Bomaparte. Apenas que, mal os Bonaparte deixaram Espanha, a Coroa espanhola quis recuperar os reynos perdidos, e avança uma denominada Reconquista, perdida para os Espanhóis em 1818. Altura em que, fuzilado em exílio José Miguel Carrera e morto o seu amigo da infância, Manuel Rodríguez , em situação misteriosa, na aldeia de Til-Til, em 1822. O seu cadáver nunca foi descoberto. A sua vida tem sido uma realidade também enovelada pela escritora Chilena Magdalena Petit, que em 1951, escrevera o romance El Patriota Manuel Rodríguez, com pesquisa e prova documental, romance que tornou a vida dele ainda mais interessante . Existe apenas uma esfinge no sítio onde foi derrubado, sítio que tinha, antigamente, uma Igreja Paroquial É dito que foi mandado matar pelo Capitão Geral Bernardo O´Higgins, que governava a Independente República do Chile, após ter ganho a guerra contra a coroa da Espanha. Por causa de lutas políticas e de domínio do poder, o denominado Libertador, comemorado com desfile e honrarias para o seu natalício, até o dia de hoje, no seu tempo teve apenas uma alternativa: a de abdicar e se exilar, em 1823, no Peru. Foi substituído por outro Director Supremo, Mariano Egaña Desde esse país teve que sofrer a guerra entre Chile e o Peru, por causa da descoberta dos minerais do deserto de Atacama, que ora era do Peru, ora era do Chile. Por ser um deserto, ninguém estava interessado no território.

Notas:
Para saber as formas Correctas e Habituais, conceitos definidos por mim, já citado antes, é preciso saber como era o Chile que criou esses costumes, pelo que remeto ao leitor para o texto do Jesuíta Alonso de Ovalle, escrita na época do Chile se Colónia da Coroa de Espanha, não do País ou Reino de Espanha, escrita em 1664 e publicada mais uma vez em 1969 pelo Instituto de Literatura Chilena, Editorial Universitária, Santiago do Chile. Esta Edição foi preparada pelo meu amigo César Bunster. O seu filho Álvaro e a sua mulher Raquel Parot de Bunster, os meus amigos pessoais de longa data, ou da família, antes, eram Embaixadores do Chile na Grã-bretanha, nomeado pelo seu companheiro de Partido, O Senhor Presidente Salvador Allende. Mal as coisas mudaram em 1973, os Bunster tiveram que pedir asilo político na Grã-bretanha, governada nesse ano pelo Partido Tory ou Conservador, chefiado por Edward Heath. Foi um processo moroso e dilatado, por causa do Governo Conservador ter reconhecido à realidade e o poder de Junta Militar que governava ao Chile. Apenas esse governo caiu pela greve do carvão em Fevereido de 1974 e foi eleito o Partido Trabalhista ou Labour Party, chefiado pelo referido William Callaham, todos nós fuomos asilados nesse País Saxónico. No entanto, era necessário tornar ao crioulo jesuíta, o Padre Alonso de Ovalle. Para saber de quem falamos, penso ser necessário referir uma síntese da sua obra e vida: De gran valor histórico y bibliográfico, la Histórica relación del Reyno de Chile, del sacerdote jesuita Alonso de Ovalle, fue la primera crónica dedicada exclusivamente al país que fue llevada a la imprenta. Por otro lado, la obra de Ovalle inició una larga tradición de historiadores jesuitas, que sería continuada años después por Diego de Rosales, Miguel de Olivares, Juan Ignacio Molina y Felipe Gómez de Vidaurre. Para saber mais sobre os Embaixadores, visite o sítio: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=C%C3%A9sar+Bunster+Raquel&meta= ou a página Web: http://historiasreservadas.blogspot.com/2005/12/buceo-virtual.html sobre histórias reservadas de vida. Ou, ainda: http://books.google.com/books?id=pY0Y1PKTFLwC&pg=PA36&lpg=PA36&dq=%C3%A1lvaro+bunster+raquel+parot&source=web&ots=cvctZmR-zE&sig=_bzD5JJ3tXt9kHIH1G6PiKCUwvQ


Alonso de Ovalle nació en 1601, en una familia de poderosos encomenderos. A los 17 años se fugó de la casa de sus padres para ingresar a la Compañía de Jesús. Tras ocho años de estudios en Córdoba volvió a Santiago, donde se dedicó a la enseñanza. Para saber mais, solicito ao leitor visitar o sítio Net da Memória Chilena, em: http://www.memoriachilena.cl/mchilena01/temas/index.asp?id_ut=historicarelaciondelreynodechile , e, para o texto, procurar na página Web: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Alonso+de+Ovalle+Hist%C3%B3rica+Relaci%C3%B3n+Del+Reyno+de+Chile&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= Este livro é um dos cinco que salvei da fogueira no Chile, referida na Introducção deste texto. É um livro Companheiro! Usado apenas para citações, como o caso de hoje, ao narrar as minhas memórias...
Pina Manique, António Pedro de, 1989: Mouzinho da Silveira. Liberalismo e Administração Pública, Livros Horizonte, Lisboa. Ou ver no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Ant%C3%B3nio+Pedro+Manique&btnG=Pesquisar&meta=
Halpern Pereira, Miriam, (1979) 1983: Livre-Câmbio e Desenvolvimento Económico, Sá da Costa, Editora, Lisboa. Ver o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Miriam+Halpern+Pereira+Livre-C%C3%A2mbio+e+Desenvolvimento+Econ%C3%B3mico&spell=1 É esta autora que desenvolve e analisa as ideias de Mouzinho da Silveira, que liberalizou Portugal, como Allende pretendia no Chile. Ver o sítio Net: José Xavier Mouzinho da Silveira (Castelo de Vide, Alentejo, Portugal, 12 de Junho de 1780 – Lisboa, Portugal, 4 de Abril de 1849), estadista, jurisconsulto e político português que foi uma das personalidades maiores da revolução liberal, operando, com a sua obra de legislador, algumas das mais profundas modificações institucionais nas áreas da fiscalidade e da justiça. Preso durante a Abrilada, tornou-se intransigente defensor da Carta Constitucional pelo que teve de se exilar em 1828. Regressou ao Parlamento em 1834 para defender a sua obra legislativa, mas exilou-se de novo em 1836. Retirou-se da vida política durante os seus últimos dez anos de vida. Os manuscritos e impressos de Mouzinho, incluindo os referentes aos Açores, foram reunidos em edição crítica, coordenada por Míriam Halpern Pereira, e publicados pela Fundação Calouste Gulbenkian. Para além da transcrição da generalidade dos documentos conhecidos, a obra inclui estudos sobre diversos aspectos do pensamento de Mouzinho. Os documentos referentes especificamente aos Açores estão reunidos num grupo documental intitulado Ilhas de S. Miguel, do Corvo e das Flores (cap. VII - Ilhas dos Açores, vol. II, pp. 1235-1259) contendo os seguintes documentos:
• Carta de Pedro José Caupers acerca do prazo das ilhas das Flores e do Corvo
• Apontamentos sobre a situação económica nas ilhas das Flores e do Corvo
• Documento do juiz de fora das ilhas das Flores e do Corvo sobre os dízimos
• Parecer sobre a economia da ilha do Corvo
• Parecer sobre a economia da ilha de S. Miguel
• Acórdão da Câmara da Vila da Ribeira Grande sobre uma revolta miguelista
• Carta sobre o aforamento dos baldios da Real Junta do Melhoramento da Agricultura (na Terceira?)
• Notas sobre medidas a adoptar para o desenvolvimento da ilha de S. Miguel
• Bibliografia sobre Mouzinho da Silveira - Obras, edição crítica coordenada por Miriam Halpern Pereira, 2 volumes (Volume I - Estudos e manuscritos e Volume II - Manuscritos e impressos); 2035 pp., Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1989.






Sebastião de Carvalho e Melo, Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal ou Conde de Oeiras, (Lisboa, 13 de Maio de 1699 — Leiria, 8 de Maio de 1782) foi um nobre e estadista português. Foi secretário de Estado do Reino (primeiro-ministro) do Rei D. José I (1750-1777), sendo considerado, ainda hoje, uma das figuras mais controversas e carismáticas da História Portuguesa. Retirado do sítio Net: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sebasti%C3%A3o_Jos%C3%A9_de_Carvalho_e_Melo
Apesar de ser um facto conhecido por todos, tive a grande sorte de me ser relatada pelo próprio Fidel Castro, na sua visita de dois meses ao Chile de Allende. Aliás, perguntou-nos se éramos cristãos, ao qual vários de nós dissemos sim, e solicitou criarmos um movimento entre os Católicos Romanos, religião professada pela imensidão da população chilena, esse movimento de Cristãos para o Socialismo. Mal Fidel foi embora, começamos por andar nas terras expropriadas aos latifundiários, onde a Missa era rezada na língua natural das pessoas, com palavras simples, e imensos frades, padres e freiras, juntaram-se a nós para esse movimento. Fui, de imediato, chamado pelo amigo da família, o Arcebispo Emílio Ruiz-Tagle Covarrubias, e disse que não era possível juntar cristãos a marxistas, que ele sabia o que dizia porque o Espírito Santo habitava em ele. Ripostei rapidamente a este Santo Bispo, o que mais tarde ia também dizer à Conferência Episcopal reunida em pleno para nos excomungar: “Dom Emílio, por acaso o Evangelho não diz que o Espírito de Deus está entre todos nós, e também nos assiste e inspira boas acções?”, todo em Castelhano, como deve ser evidente. Dom Emílio sabia Castelhano, Francês, Latim e mais nada. De facto, o socialismo entrou como sopro divino dentro das fileiras católicas. Em casa nossa, Emilito, como era chamado na intimidade, deu-me um sermão, que sabia podia, por estarem presentes os Meus Senhores Pais, que eu respeitava e amava profundamente. Foi a minha Senhora Mãe que comentou: “Se Raulito o fez, deve ter razão e acho bem!”, em Castelhano espanhol, como a minha mãe falava: nascida em Alicante....!Ora, se eu tinha razão ou não, estava certo que a tinha e fui capaz de confrontar a dita Assembleia Episcopal, a falar comigo por meio do meu amigo e salvador, o hoje Bispo Emérito de Talca, Dom Carlos González Cruchaga, que ficou convicto de que, por sermos católicos, éramos capazes de no solidarizar com os pobres do mundo, como mandava o Evangelho, até o ponto que Dom Carlos, o meu amigo, passou a viver numa casa denominada “media agua” ou mieagua , conforme a pronuncia chilena, barracão, que os pobres usavam para viver. A dele, estava alcatifada, evidente! Mas, a minha casa também! e era tudo, excepto meiagua!
O meu texto era denominado: “El paro de los dos conchenchos”, donde conchencho, em Mapudungúm, significa intermediário, esse que compra os legumes trazidos à praça do mercado ou féria, como é denominado no Chile à vendas de mercadorias ao ar livre, compram o carro tirado por cavalos ou bois, e a vendem a um outro, e este a um terceiro, bem mais caro que o preço oferecido pelo trabalhador rural. O texto não está comigo, foi queimado, mas uma cópia existe nas Bibliotecas de da Universidades de Edimburgh, Sussex e Cambridge. O texto não está na Net, mas sim está o Jornal criado por nós em 1972: Chile Hoy, onde publicávamos com Marta Härnecker. Pode-se encontra no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Jornal+Chile+Hoy+Marta+H%C3%A4rnecker&btnG=Pesquisar&meta= ou na página Web: http://www.marini-escritos.unam.mx/001_memoria_port.htm
Eduardo Frei Montalva foi Presidente do Chile entre 1964 e 1970 e teve que entregar a banda presidêncial ao seu, para ele, arqui - inimigo , o Dr., Salvador Allende. Eduardo Nicanor Frei Montalva (*Santiago, Chile, 16 de enero de 1911 - †22 de enero de 1982), político, abogado y periodista chileno, de origen suizo. Fue presidente de Chile entre 1964 y 1970 y además fue padre de Eduardo Frei Ruiz Tagle, presidente de Chile entre 1994 y 2000. Retirado da pagina web: http://es.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Frei_Montalva . Para saber mais, ver a Net no sítio: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Eduardo+Frei+Montalva&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=


A sensação de estar desperto pode ser maior, ao estar em duerme-vela durante grande parte da noite, e podemo-nos enganar à hora de valorar o tempo dormido. Nota escrita apenas para orientar ao leitor, mas que tem relevância para a história que estou a narrar. Retirado da Net, sítio: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=duerme+vela&meta= e da página Web do mesmo sítio: mujer.terra.es/muj/articulo/html/mu28502.htm. Parece irrelevante, mas o leitor deve entender porque faço esta referência no texto, ao ler o texto com atenção.
Normalmente, é pensado como mais um súbdito Espanhol a descobrir sítios inóspitos, que passavam a ser usados para as viagens. Apenas poucos sabemos quem era e a sua nacionalidade, entre os quais o meu antigo discípulo, hoje Professor Doutor, sem Agregação por enquanto, que fez comigo Licenciatura, Mestrado e Doutoramento e prestou provas para passar a ser Professor Associado, comigo no seu júri, esse amigo fiel Luís Silva Pereira, já referido. Ele esteve no Chile es escreveu o livro citado antes, sobre os Mapuche do Chile, citado no Capítulo de Introdução e no Capítulo 1.Fernão de Magalhães era português, oficial da marinha e descobridor de terras e mares. Fernão de Magalhães[1] (Sabrosa, primavera de 1480 — Cebu, Filipinas, 27 de Abril de 1521) foi um navegador português que, ao serviço do rei de Espanha, comandou a expedição marítima que efectuou a primeira viagem de circum-navegação ao globo. Foi o primeiro a atravessar o estreito hoje conhecido pelo seu nome (o Estreito de Magalhães) e o primeiro europeu a navegar no Oceano Pacífico. Fernão de Magalhães morreu nas Filipinas no curso daquela expedição, posteriormente chefiada por Juan Sebastián Elcano 1522. Retirado do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Fern%C3%A3o+de+Magalh%C3%A3es&btnG=Pesquisar&meta=, e da página Web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fern%C3%A3o_de_Magalh%C3%A3es


Mateo de Toro e Zambrano, era homem de muita idade e estava desejoso de abandonar o cargo, e procurou esta tabula de salvação, na desculpa mais próxima que tinha. O mando ficou nas mãos de uma junta, governada pelos aristocratas mais famosos do Chile os Larraín Errázuriz, mas presidida pelo Conde. Mateo de Toro Zambrano y Ureta (o de Toro y Zambrano, como se escribe en muchos registros históricos) (Santiago de Chile, 20 de septiembre de 1727 - † 25 de febrero de 1811), I vizconde de la Descubierta, I conde de la Conquista, Gobernador de Chile 1810-1811, militar criollo chileno y presidente de la primera Junta de Gobierno de Chile. Retirado da Net, sítio: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile+Chile+Conde+da+Conquista+Mateo+de+Toro+y+Zambrano&btnG=Pesquisar&meta= , e a sua história de vida, da página Web: http://es.wikipedia.org/wiki/Mateo_de_Toro_y_Zambrano
Os Larrain Errázuriz estavam ávidos do poder e do mando, até chegarem os já referidos irmãos Carrera, que derrubaram essa Junta, à morte do Conde em 1811, e ficaram com o mando. Bernardo O’Higgins, referido no Capítulo anterior, apareceu para prestar os seus serviços à, nesse dia, Junta presidida pelos irmãos Carrera. Como era filho extracurricular , como eu gosto referir aos filhos bastardos ou procriados e nascidos fora de laço matrimonial, ou o famoso conceito em inglês, wed-lock punido nessa época e depois com o desprezo de todos, foi denominado o “huacho”, -que em chileno castiço refere filhos que têm apenas mãe e pai no conhecido-, Riquelme, apesar de ter sido reconhecido pelo o seu pai, o Vice-Rei Ambrosio O’Higgins, residente em Lima, Peru, citado já no Capítulo 1. José Miguel Carrera, subversivo desde o seu nacimiento, derrubou à Junta de Regência e declara-se Presidente da Junta: establecido en Santiago, efectúa el 4 de septiembre de 1811, su primer movimiento militar el cual tiene por objetivo poner a la cabeza del gobierno a los integrantes de la familia Larraín, quienes encabezaban un grupo de criollos cuya finalidad era lograr el autogobierno. Carrera oficia como presidente de la junta de gobierno y su mandato (1811-1813) se caracterizó por numerosas obras de adelanto para la nación, de las cuales se destaca la creación del primer periódico nacional; promulgación de la primera Constitución Política, denominada "Reglamento Constitucional de 1812" la cual daba a Chile su Imperium, o sea, la facultad de nombrar y ser gobernado por las autoridades que libremente eligiera; se preocupó de la enseñanza y para ello dispuso que los monasterios tuvieran escuelas de hombres y mujeres; se crea el Instituto Nacional; se establece la formación de la Biblioteca Nacional; dispuso el mejoramiento de los hospitales de Santiago y la creación de un hospital Militar; también se crea la primera bandera y escudo nacional; se establecen industrias de tejidos y el hermoseamiento de la Alameda de las Delicias. Retirado da página Web: http://www.auroradechile.cl/newtenberg/681/article-9894.html e do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Jos%C3%A9+Miguel+Carrera+Jos%C3%A9+Manuel+Carrera+Javiera+Carrera&meta= , bem como dos meus próprios conhecimentos da História do Chile e dos textos, encontrados por mim no Jornal l’Aurora del Chile ou, refiro também: Camilo dizia que “a imprensa é a palavra mais eficaz para difundir as ideias”, em Castelhano Antigo, naturalmente, semelhante ao Português de hoje. Seu espírito desbravador e pioneiro o levou a publicar o primeiro periódico chileno L´Aurora del Chile, seguido de outros periódicos e revistas que lhe valeram o título de “fundador e pai da imprensa chilena”. Ficou muito conhecido com a alcunha do el Fraile de la Buenamuerte (que traduzido para o português significa: Frade da Boa Morte). Retirado dos meus documentos e da página Web: http://www.saocamilo.br/jornalsaocamilo_online/curiosidades_cam.html e do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Jornal+Aurora+de+Chile&btnG=Pesquisar&meta= . Era o Jornal usado pela Junta de Governo, para publicitar Edictos, Leis, notícias, nomeações a postos de Governo, notícias da Espanha, etc.. Fundado pelo Presbítero Camilo Henríquez, crioulo da cidade de Valdivia, Sul do Chile, sabia que sem escrita, a memória era apagada. É denominado o Pai do jornalismo chileno. Para saber mais da sua vida, visite a página Web denominada Memória de Chile: http://www.memoriachilena.cl/mchilena01/temas/index.asp?id_ut=camilohenriquez(1769-1825) ou o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Camilo+Henr%C3%ADquez&meta=




Goya y Luciente, Francisco de, 1808: Pintura no Museu do El Prado, em Madrid: Los levantamientos del 2 de Mayo, e Los fusilamientos del 3 de Mayo. Ver no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Francisco+de+Goya+Pinturas+El+Prado+Madrid&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= ou na página Web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Goya , ou, ainda, o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Francisco+de+Goya+Los+fusilamientos+del+3+de+Maio&spell=1 .Para ver as pinturas esse texto não escrito mas que fala milhares de palavras, visite a página Web: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2007/06/21/001.htm , bem como o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Francisco+de+Goya+Los+fusilamientos+del+3+de+Maio&spell=1 Eu não sabia que, um dia, esto ia ser também comigo. Tinha 20 e mais alguns anos, quando os vi pela primeira vez, no Museu do El Prado, em Madrid.
Manuel Javier Rodríguez Erdoíza, ou Manuel Rodríguez, como é conhecido, foi colega de colégio e Universidade do, mais tarde Governador da Colónia, independente já da Coroa da Espanha, José Miguel Carrera. Os dois são considerados heróis militares, e, como se diz em português, eram trastes, por gostarem de divertir, não levar a vida a sério, festas e bebedeiras e outros assuntos... . No entanto, os dois estudaram na Universidade Real de San Felipe, fundada em Santiago de Chile em 1662,como é referido na página Web: http://www.geocities.com/CollegePark/Campus/3688/index.html até que no ano de 1843, o Venezuelano Andrés Bello, mudou o nome para Universidade do Chile. Na referida Universidade Real, Manuel Rodríguez formou-se em Cânones e Leyes. É referido como: Rodríguez destacó por la rapidez con que captaba los argumentos del contrario y la facilidad con que los rebatía. De oratoria rápida y fulminante, mezclada con un tono histriónico, terminaba siempre diciendo la última palabra, página Web: http://www.geocities.com/CollegePark/Campus/3688/index.html Essas dotes de patrício libertino, ajudaram imenso para passar a ser, mais tarde, esse herói que colaborou, com corpo e alma e a sua vida pessoal sempre em perigo, a libertar ao Chile. A ideia de pedir a sua colaboração foi do co-Libertador do Chile, o argentino General José de San Martín. Manuel Rodríguez nunca prestou provas de doutoramento, os acontecimentos de 1810 mudaram a sua toda de jurisconsulto pela espada do Guerrilheiro. “Mientras se desarrollaban los sucesos que culminaron con la entrega del mando por parte de García Carrasco, Rodríguez se mantuvo ocupado en ganar dinero con su profesión de abogado, y en ir sembrando las ideas libertarias en los corrillos. El resto de su tiempo lo compartía entre su afición al bello sexo y a los juegos de naipes y trucos. Vestiría de fraile entre los que contaba con buenos amigos patriotas; de campesino humilde, sirviente doméstico y vendedor ambulante. Para él, que se había criado recorriendo las barriadas, le sería fácil pasar por uno de ellos y conseguir su ayuda”. Frases retirada da já citada página Web. Nunca se sabia onde estava e onde atacava. Passou a ser denominado o herói do povo. O Jornal A Aurora do Chile diz: Su Vida pública comenzó el 11 de Marzo de 1811, al ser nombrado Procurador de la Ciudad de Santiago, por el Cabildo Metropolitano. El 4 de Septiembre de 1811, fue elegido Diputado al Congreso de la Ciudad de Talca. El 15 de Noviembre de 1811, fue elegido Diputado por la ciudad de Santiago. El 16 de Noviembre, fue nombrado Secretario de Guerra. São conhecida as façanhas do denominado Guerrilheiro Manuel Rodríguez. Conhecida é a história de se ver um dia encurralado pelas denominada tropas godas ou espanhóis da Reconquista, se atar a um cepo de condenado, burrifou o seu corpo de vinho, e os ditos godos pensaram que era mais um bandido aprisionado. Os disfarces do herói eram imensos: camponês, frade, pessoa do povo, correio do Chile aos exilados patriotas em Mendonça, Argentina, miliciano e grande pregador de arengas patrióticas entre o povo. A sua estratégia era fazer muito barulho longe do sítio por onde iam entrar as tropas libertadoras para os ditos godos estarem ai concentrados e deixar livre a passagem da Cordilhera de los Andes, pelo estreito caminho de Uzpallata, por onde, finalmente, entrara o Ejército Libertador, graças a colaboração do guerrilheiro, assassinado após libertação, como foi referido noutro sítio do texto. Este humanista que até abriu a porta da carroça do Governador do Reyno, Casimiro Marcó del Pont, como é referido na página Web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Casimiro_Marc%C3%B3_del_Pont Para saber mais, visite a página Web: http://www.auroradechile.cl/newtenberg/681/article-2987.html ou o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Patriota+Chileno+Manuel+Rodr%C3%ADguez&btnG=Pesquisar&meta=


Magdalena Petit, 1951: El Patriota Manuel Rodríguez, Editorial Zig-Zag, Santiago do Chile. Referências no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Magdalena+Petit++El+Patriota+Manuel+Rodr%C3%ADguez&btnG=Pesquisar&meta= . Para saber sobre o livro, ver a página Web: http://eneltercermilenio.blogspot.com/2008/02/156-los-problemas-de-nombrar.html . Sobre a romancista, página Web, Wikipédia: http://es.wikipedia.org/wiki/Magdalena_Petit
Mariano Egaña, Advogado Criollo, foi o seu sucessor, e teve que dedicar o seu tempo a acabar com o último reduto da Coroa de Espanha, no Sul do Chile, a Ilha de Chiloé, ilha que no dia que a visitei, faz mais de trinta anos, as pessoas ainda falavam com o sotaque espanhol do Castelhano. Entre Ilha abandonada e isolada e a sua falta de Governo da República do Chile, escolas, e interacção com os concidadãos, eles ainda mantêm as formas Castelhanas de falar, de arquitectura e de ideias monárquicas. A Egaña foi-lhe impossível saldar dívidas do Estado e foi substituído por um general, assistente de O’Higginns , Ramón Freire, que lutou com ele contra os conquistadores na muito afamada batalha de Cancha Rayada, ao Sul da Vila- hoje cidade -, de San Agustín de Talca, onde as forças da Monarquia da Espanha foram derrotadas. Foi a seguir e na dita vila, que O´Higgins assinou o Edito para criar a nacionalidade chilena. Como digo no meu texto referido da Profedições, há a casa-museu O’ Higgins, sítio onde o Edito foi escrito e redigido pelo Director Supremo e enviado ao Congresso para ser lei. Para saber mais, visite o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Hist%C3%B3ria+Democracia+Chile+&btnG=Pesquisar&meta=


publicado por Carlos Loures às 15:00
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