Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2011
O valioso tempo dos maduros, por Mário de Andrade

 


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a
frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói
o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando
seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos
inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da
idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de
secretário-geral do coral.
'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha
alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito
humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se
considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

Mário de Andrade

 

 

 


 

 

 

 

 

Mário Coelho Pinto de Andrade (1928-1990) já foi abordado aqui neste blogue, pelo Fernando Correia da Silva, em 18 de Dezembro de 2010. Ver estrolabio.blogs.sapo.pt/2010/12/?page=15. Activista político e intelectual de primeira água, é sem dúvida uma figura notável da história e cultura, de Angola e da lusofonia.



publicado por João Machado às 08:00
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8 comentários:
De Luis Moreira a 2 de Fevereiro de 2011 às 13:47
É bem verdade, as cerejas vão umas atrás das outras e as últimas...


De augusta clara a 2 de Fevereiro de 2011 às 15:17
Este poema é uma maravilha e acaba de forma magistral.


De ethel feldman a 2 de Fevereiro de 2011 às 16:32
Este texto não é do Mário Andrade, nem do Rubem Alves como correu pela net, é da autoria de um senhor que dá pelo nome de Ricardo Gondim.

é dele ete mail que partilho convosco:
(...) Escrevi "O Tempo que Foge". Alguém o fez circular como de um Autor Anônimo. Depois, disseram que era de Mário de Andrade. Agora, por último, me acusam de tê-lo roubado de Rubem Alves. Insisto, o texto é meu. Eu o escrevi no meu computador, na privacidade de meu ambiente de trabalho e está publicado no meu livro "Creio, mas tenho Dúvidas", Editora Ultimato, , com registro no ISBN, consta na página 107. (...)

Se os meus poemas circulassem como esse texto já circulou eu ficaria muito feliz, mas gostaria que fosse respeitada a minha autoria.

Ao Ricardo dou os meus parabéns porque o texto é maravilhoso.
A nós Estrolábio felicito pelo bom gosto.


De augusta clara a 2 de Fevereiro de 2011 às 18:06
Eu peço muita desculpa ao autor porque fui eu a culpada do texto chegar aqui como sendo do Mário de Andrade. Mas, ao mesmo tempo, mando-lhe um abraço por tão belo poema. Aprende-se com as trafulhices que por aí andam na net . Nunca mais divulgo poemas sem ser a partir de livros.


De ethel feldman a 2 de Fevereiro de 2011 às 18:09
o texto que seleccionaste é maravilhoso. se não fosse a net, não o leríamos. não sejas tão radical! trafulhices há em todo lado.


De Mira Baeta a 19 de Junho de 2014 às 18:15
O texto em questão é realmente do escritor e político angolano Mário Coelho Pinto de Andrade. A César o que é de César!


De Gina Rocha a 9 de Setembro de 2016 às 06:46
Está certa Mira Baeta.
O texto é do escritor e político angolano.

Plagiar ou roubar é muito feio.
Deveriam envergonhar-se disso.

Conforme as palavras da Mira Baeta: A César o que é de César!
E ponto final.


De redonda a 29 de Maio de 2017 às 20:01
Cheguei aqui pelo link no blogue O Cantinho da Janita (http://francis-janita.blogspot.pt/) vou aproveitar para descobrir mais do seu blogue.
Gabriela


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