Domingo, 30 de Janeiro de 2011
A nossa encantadora Natureza 18 – Osga-comum (Tarentola mauritanica) - por Andreia Dias

“Entrei em casa, e lá estava “uma” a olhar para mim em posição… pronta a atacar-me, a saltar e morder-me! Agarrei na vassoura e zás! Mas parecia de borracha e tive que lhe fazer uma perseguição… mas depois de uns valentes açoites, … matei-a!”

 

Quantas vezes já ouvimos isto? E haverá certamente quem esteja a ler este texto e já o tenha feito…

Estas pobres coitadas, que parecem uns crocodilos em miniatura ou um parente próximo de um dinossáurio, não fazem mal a ninguém. Mais uma vez, perduram os mitos sobre este tipo de animais, que não têm culpa nenhuma de terem nascido em corpos menos apelativos aos humanos. As osgas não são venenosas, não provocam doenças de pele e não são peçonhentas. Não são, não são, não são! São sim, um maravilhoso insecticida, chegando a comer 20 mosquitos por hora.

 

 

 

 

Desde que nasci que me habituei a vê-las nas férias de Verão, do Algarve. Fazia a viagem desde o Norte a pensar “será que este ano estão lá?”. Todas as noites as contabilizava e tentava perceber os seus laços familiares. Todas tinham um nome e sempre sonhava conseguir ver uma a comer um insecto. Num Verão, alguém passou no corredor exterior da casa e chacinou umas quantas…, encontrei cabeças e patas… senti-me tão impotente… resolvi fazer uns cartazes de sensibilização e espalhar pelo corredor. Quando reproduzi os cartazes numa gráfica, a senhora que os imprimiu, entregou-me o trabalho sustentando-o por uma pontinha do papel e com ar de nojo… a partir daí, fiquei conhecida como a “menina das osgas” e nunca mais necessitei deixar o meu nome nos trabalhos que solicitava.

 

Com ou sem ajuda dos meus cartazes, a “minha” comunidade de osguinhas sobreviveu e continua por lá.

 

Em Portugal, existem 2 espécies de osgas: a osga-comum (Tarentola mauritanica) e a osga-turca (Hemidactylus turcicus). Não é fácil distingui-las e além de outras características, em grosso modo, a osga-comum é maior e mais clara. A osga-turca ocorre apenas no Algarve (zona litoral e vale do rio Guadiana, região interior do Alentejo e pequenos núcleos isolados na região de Èvora. A osga-comum, habita o Sul da Europa, várias ilhas mediterrânicas e o Norte de África (de Marrocos ao Egipto). Em Portugal, é mais abundante do que a osga-turca.

 

Reproduz-se em duas épocas (Março a Abril e Junho a Julho), sendo cada postura constituída em média, por 2 ovos, depositados em fendas ou debaixo de pedras. Por vezes, várias fêmeas colocam os ovos no mesmo local e a incubação dura entre 40 dias a 3 meses.

 

Consoante o local, hibernam de Novembro/Dezembro a Março. Apresentam actividade crepuscular e nocturna. São muito conspícuas, podendo ser facilmente observadas nas paredes de casas ou em muros. Procuram lâmpadas acesas, pelo facto das luzes atraírem muitos insectos dos quais se alimentam. A sua alimentação é baseada essencialmente em insectos e aranhas.

 

A sua capacidade de se manterem em superfícies verticais e andarem no tecto de cabeça para baixo, não se deve a ventosas ou a superfícies pegajosas, mas a imensas micropilosidades (nanoestruturas) que possuem nas lamelas das patas que funcionam como um velcro. Inspirada nestas estruturas, uma equipa de cientistas norte-americanos (incluindo um português), criou um adesivo biodegradável e biocompatível, que poderá ser utilizado em intervenções cirúrgicas. O adesivo continua a ser desenvolvido, mas espera-se que esteja disponível no mercado dentro de 2-3 anos.

 

Curiosidades: Quando se sente em perigo perde a cauda, mas tem a capacidade de a regenerar. Porém, a cauda regenerada é mais lisa e curta e nunca recupera a cor original. Quando capturadas, emitem sons bem audíveis, os mesmos que utilizam para comunicarem entre si.

 

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publicado por Carlos Loures às 11:00
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47 comentários:
De Daniela Gonçalves Silvestre a 24 de Junho de 2015 às 18:54
Boa tarde tenho andado em busca de algo que me afugente a família de 5 osgas que eu tenho vivendo em meu quintal, mas até agora só vejo gente dizendo que elas fazem bem e para as deixar ficar. Eu não as quero matar, simplesmente as quero fora do quintal, e de vez... Porque tenho 3 lindos filhos de 1, 2 e 4 anos, que adoram brincar no quintal, mas que graças a elas eu tento mantê-los dentro de casa e ando sempre com portas e janelas fechadas para que as bichanas não me entrem para dentro de casa. E acho que já começa a ser uma treta, os meus filhos não devem pagar pelo facto de elas se fazerem de convidadas no espaço que é deles... é que ainda por cima as maganas adoram passear pela casinha de brincar dos miudos.
Se alguém souber de algo que me ajude a afugenta-las eu agradecia. É porque senão eu terei de começar com a exterminação.


De Rui Carlos da Assunção Santos a 22 de Junho de 2016 às 01:42
Olha Daniela, acho que estás a ser ignorante, elas não têm qualquer veneno nem são prejudiciais para a saúde, até ajudam porque comem mosquitos e aranhas que podem passar doenças...
Aprende a viver com a natureza porque quando a casa foi feita de certo as Osgas já aí viviam...


De Haroldo a 29 de Agosto de 2016 às 03:13
São animaizinhos inofensivos que comem as pragas mantendo o ambiente saudável. Deixe que procriem e aumentem a população. Pode pegá-las na mão, não causam nenhum mal.


De Rui Carlos da Assunção Santos a 22 de Junho de 2016 às 01:36
Moro na Marinha Grande perto de Leiria numa casa de campo que divido com inúmeros animais onde muitos deles são Osgas. Todos os Verões aparecem mais umas quantas mais pequenas que passado algum tempo desaparecem, mas tenho um casal que habita permanentemente o forro da minha casa que é de madeira. Para mim é uma bênção que tantos bichos tenham escolhido a minha casa para viverem, eles sabem que são bem vindos e que estão seguros. Desde sapos e cobras no meu quintal a Osgas e lagartixas no meu forro. Estão todos protegidos até dos cães que aprenderam a viver com tanta bicharada...


De Nuno a 14 de Janeiro de 2017 às 23:48
Obrigado pela Partilha Andreia ;) Bom Trabalho


De Teresa Afonso a 11 de Fevereiro de 2017 às 11:23



Para a sua atenção
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De Marta a 7 de Outubro de 2017 às 12:53
Dude, if you were trying to sound portuguese let me just say you did a crappy job... xD
Also, you realize this is a post about geckos, right?
Best of luck!


De helena Vieira a 22 de Abril de 2017 às 21:25
Aí meu Deus eu tenho um pavor a esses bichos! Un dia estava sentada na sanita, olhei em frente uma janela estava aberta,havia um grande espelho no muro à minha esquerda,e la, pour traz 2 énormes!!! Era à primeira vez que via tal bicho!!! Fiquei paralizada por completo.foi horrivel! Depois disso continuo a viver no veräo no Algarve e mentalizei-me com elas mas proibiçao d'entrar en casa!


De Marta Silva a 7 de Outubro de 2017 às 12:51
Olá Andreia!
Sei que esta publicação já é antiga. Deparei-me agora com uma osga bebe na minha marquise, e vim pesquisar o que comiam, a ver se conseguia ajudar. Sempre gostei muito de osgas, também dei nomes às da minha casa quando era pequena hehe.
Alguma coisa que possa fazer para o bicho se sentir bem vindo? Ou nem por isso?
Obrigada


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