Sábado, 15 de Janeiro de 2011
EDUARDO BARRIOS - por Raúl Iturra

Raul Iturra

 

 

Pouco ou quase nada se sabe dos escritores chilenos. Apenas se mencionam Pablo Neruda, Gabriela Mistral, e acabou. Infelizmente, diria eu Dentro de la terra mal podem – se sustentar com os seus livros, publicações e direitos de autor.

É evidente que me refiro à época em que encontrar trabalho no Chile, era um duelo de Titãs. O se tinha fortuna pessoal ou famílias com terras que produziam bem e os bens vendidos como mercadoria não apenas sustentavam uma família, bem como para uma família alargada. Tem sido a minha experiência pessoal, usufruída enquanto no Chile morava. Mas com quarenta e cinco anos fora do país e sem mais herança que o meu ordenado, a vida tem mudado redondamente.

No entanto, começam a aparecer, a seguir o assassinato de Salvador Allende, autores de mais-valia, conhecidos no mundo inteiro, como Isabel Allende, que acabo de analisar em imensas páginas, Luís Sepúlveda, é um escritor, realizador, jornalista e activista de nacionalidade chilena. Nasceu em Ovalle, no Chile, em 4 de Outubro de 1949. Reside actualmente em Gijón, na Espanha, após viver entre Hamburgo e Paris.

O historiador Gustavo Frias, que torna ao Chile após exílio na Espanha e escreve a safa Tres nombres para Catalina, tendo já publicado o primeiro, Catrala, Alfaguara, 2001, e um segundo, La Doña de campofrio, mesma editora, em 2003, e com ansiedade aguardamos o terceiro volume sobre a Doña Catalina de los Ríos y Lisperquer, lavando assim a face da Quitrala que Magdalena Petit tão mal tratara no seu livro La Quitrala em 1932 e Hernán Rivera Letelier que de operário nas minas de nitrato do Chile, passa a ser escritor em exílio. Publica em 1994: La reina Isabel Cantaba Rancheras, Grupo Editorial Planeta, Santiago do Chile, quem também edita Himno del ángel parado em dos patas, 1996, Fatamorgana de amor com banda de música, 1998, Los trenes se van al purgatório, 2001 e Santa Maria de las flores negras. O conjunto da sua obra, para quem teve que escapar do Chile e morar no México e na Espanha, sendo nomeado cavaleiro da La orden de las Artes y la Letra pelo Ministério das Cultura de França.

É evidente que a vida dos escritores tem mudado. Hoje em dia podem viver da sua própria produção. Aliás, para ser um bom escritor latino-americano na Europa, ou se sabe escrever bem, com disciplina, assumida a actividade como uma profissão, que acorda o respeito e a leitura dos nossos e não apenas dos europeus que tenho referido em três partes anteriores. É mais do que evidente que esse deambular entre as letras sem destino, deve ter acabado e a escrita passa a ser uma profissão disciplinada, com investigação, hipóteses e prova do que se diz, mais uma narrativa simpática como os livros de Hernán Rivera Letelier, quem aplica a disciplina do trabalho nas minas de nitrato de Antofagasta, à sua recente descoberta aptidão para escrever.

Deve ter sido o caso de Eduardo Barrios, com a diferença de que eu fui deserdado por ser socialista, enquanto a família toda, excepto a minha irmã mais querida, com cinco anos de diferença em idade, usufruía e usufruem dos bens da família. Eduardo Barrios teve uma vida azarada.

Romancista chileno, educou-se em Lima. Ao tornar a sua aterra, começou a carreira militar, sem a finalizar. A sua juventude foi uma aventura: foi traficante, artista de circo e andou em procura de minas de ouro.

Em 1909 começa a trabalhar na Universidade do Chile, sendo nomeado, em 1925, Conservador da Propriedade Intelectual da Biblioteca Nacional. Para encher o tacho de comida, trabalhou paralelamente como taquígrafo na Câmara de Deputados. A seguir, inicia-se no jornalismo, no diário La Mañana, bem como também escreveu como crítico de teatro Revista Zig-Zag, colaborando também em diversas publicações literárias. Era evidente que o seu destino era ser escritor, e escritor passou a ser. Mas, precisava trabalhos paralelos porque nas primeiras décadas do Século XX, escrever não rendia, como referi antes.

Em 1927 aceitou o cargo de Director de Bibliotecas. Durante um breve período asumió o cargo de Ministro Educación. Em 1953 tornou a  desempenhar este cargo, em conjunto com o de Director General de Bibliotecas,  que  manteve até o dia da sua jubilação ou aposentamento em 1960.

Eduardo Barrios soube coordenar estas actividades com a escrita e publicação de histórias, contos, romances e peças de teatro. Pelo conjunto da sua obra, obteve o Prémio Premio Nacional de Literatura em 1946, sendo assim admitido na Academia Chilena de la Lengua en 1953. Toda a sua produção literária está preenchida de toques de tradições das formas costumeiras da República, épica, descrições da natureza e de análise da classe média. O seu estilo caracteriza-se pelo profundo análise análises psicológico de todas as situações e problemas do quotidiano.

Ficou conhecido cedo na vida, pelo seu livro Del natural (1907), conjunto de relatos de acentuado tono realista, que mostram claramente a sua ascendência zoliana, é dizer, da literatura de Émile Zolá. Em 1915, publica El niño que enloqueció de amor, profundo análisis de psicología infantil. Os sentimentos e vivencias da criança, ficam estampadas no diário de vida da criança, que, em síntese, é o miolo do livro. A história acaba em tragédia, deixando ao leitor envolvido com o jovem, passando a sentir uma profunda comoção pela sua desgraça de se namorar da sua mãe. Factos que acontecem na realidade da vida.

Gran Senhor e Rajadiablos, é um livro que narra as formas de desapreço de seres humanos que trabalham para outros, das violações às trabalhadoras e exploração dos trabalhadores, todo visto pelos olhos de uma criança que cresce e passa a ser um velhaco como todos os seus antecessores proprietários.

Foi o livro que me oferecera o meu pai aos meus quinze anos, para aprender as aldrabices que podem acontecer na vida quotidiana. Era esse livro que, com prudência, lia a minha mãe, saltando as partes obscuras, para a sua ética católica.

Ficamos, assim, a saber como é a vida do Chile costumeiro pelos textos de Eduardo Barrios. Bem como ficamos a saber mais da produção literária no Pais do Frio, Chili.



publicado por Carlos Loures às 15:00
editado por Luis Moreira às 01:19
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