Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2011
E A DOENÇA, FILHO? O NOVO FASCISMO QUE NOS PUNE COM TERRAMOTOS (1) - por Raúl Iturra

À memória da minha Pátria, esse país frio, chamado Chile,

 

 

 

 

 


que luta pela justiça que permita finalmente aliviar o luto, 41 anos depois, dia da mudança dos mandos e do perigo do regresso ao passado recente...

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acaba uma Presidência na dobrada mas não partida, República do Chile, e começa outra. Haverá mais doença?


Deixa, pequeno, tentar explicar o que é a doença. Talvez, com as minhas palavras. Essas que tenho sempre guardadas para ti. A doença, pequeno? Parece-me um estado.


Esse estado do corpo que nos retira de andar com os outros. Esse estado do corpo que muitos dizem ser um estado da alma. Esse estado do corpo que acaba por ser o que nos fere e nos deixa sem horizontes. Esse estado do corpo, por vezes transitório, por vezes permanente, que retira de nós o desejo de fazer mais do que falar ou mal de nós por não estarmos activos - ou mal dos outros porque nos tiraram a alma.

Estado do corpo que não passa, porque o corpo é apenas a carcaça dentro da qual as nossas ideias andam. E vivemos sujeitos a ela, a essa terrível palavra que denominamos doença. Da qual fugimos. Fugimos ao pensar, sempre, que o nosso estado ideal de vida é estarmos sempre bem, com o pensamento claro, o corpo direito e o trabalho a ser realizado.


A doença retira de nós o prazer de viver porque nos faz sentir pouco úteis aos outros. Mas, principalmente, pouco agradáveis a nós próprios. A doença, meu filho, é um problema social. Não é apenas o problema do indivíduo, da pessoa só, de quem transfere o que sofre, ao corpo. Ou com a alma que o habita. Ou com o espírito que mexe o corpo. Ou com essa substância, (que é como diz quem não pensa na alma),

que faz pensar o corpo. E o faz sentir. Permite-me, filho, que eu assim queira definir a doença: a inutilidade social.


É verdade que muitos estudiosos já dela falaram, como Malinowski no seu tempo, especialmente em 1923, no seu Crime e Costume nas sociedades primitivas; ou o seu professor Durkheim, em 1912, no seu Formas elementares da vida religiosa; ou o discípulo de Charcot e de Bauer, Freud, em 1919, no seu Totem e Tabu. Ou os estudiosos dos nossos dias, como Silva Pereira, em 1998, com o seu O Machitún: um ritual curativo Mapuche, ou Cristiana Bastos ao falar de A política da produção do conhecimento e os movimentos de resposta à Sida, em 1998, ou essa excelente médica, Berta Nunes que, em 1997, nos fala d’ O saber médico do povo, e tantos outros, como àqueles que Jesus de Miguel faz falar, em 1980, em La Antropologia médica em Espanha.

Esses que sabem de nós, pessoal ou socialmente, e que nos diagnosticam e nos querem entender, como o próprio John Murra que, em 1975, contextualiza o corpo no eco - sistema andino e relata como os Quechua do Perú sabem mexer o corpo em altitudes diferentes, sem adoecer por isso, como o diz no seu Formaciones económicas y políticas del mundo andino. E tantos outros, que o teu pai pouco entende. Embora entenda, sim, que querem que saibamos que todo o ser humano tem limites. Que todo o ser humano não pode agir conforme a sua vontade, que todo o ser humano tem dias sim e dias não. Que todo o ser humano se deve afastar um dia dos outros, para não dar o seu mal a esses outros, por os amar. E assim não os ferir. Porque, reitero, filho, a doença é um mal social.



publicado por Carlos Loures às 15:00
editado por Luis Moreira em 09/01/2011 às 22:25
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