Sábado, 27 de Novembro de 2010
Cavaco - outro "berdadeiro" independente

Carlos Mesquita


Pronunciei-me sobre Fernando Nobre, hoje toca a vez a Cavaco Silva, o único dos três candidatos (este é oficioso por enquanto) à presidência da República, que foi secretário-geral de um partido, o PSD. Cavaco tem a tarefa de parecer independente facilitada; a campanha que o coloca distanciado do partido a que pertence, tem anos, resmas de artigos de opinião foram escritos com esse fim e são imensos os comentadores e jornalistas que ao longo da carreira política do actual presidente o têm arrumado fora do partido, criaram-lhe essa imagem, é mas não é, apesar de ser não se assume como sendo, está acima, ao lado, ou de costas, para o PSD, conforme as suas conveniências conjunturais. Pode-se duvidar se Cavaco quando líder do PSD era do PSD. No entanto o seu partido, (ou ex-partido) não lhe nega apoios; todas as linhas do PSD, e são mais que as linhas do TGV do tempo de Durão Barroso/Ferreira Leite, concordam em ampará-lo na candidatura ao segundo mandato como presidente. Todas? Não! Como se diria na introdução de mais uma aventura de Astérix. Alguns católicos do PSD juntos com o CDS e a Igreja, e os seus mais leais fiéis, (ou seja, o sector democrata cristão e cristãos pouco democratas) depois da promulgação por Cavaco Silva, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, põem em causa esse apoio. Este novo elemento é decisivo para medir a facilidade de Cavaco em ser ou não reeleito; os cavaquistas desvalorizam a controvérsia, mas o país, diz-se, é maioritariamente católico. Os activistas anti-casamento gay juntaram mais de 200mil assinaturas para pedir um referendo, número semelhante aos dos movimentos anti-aborto.

Responsáveis da Igreja católica e figuras da direita procuram alternativas ao nome do actual presidente, e o CDS já disse que poderia sustentar um nome da sua área como opção a Cavaco Silva. Qualquer que seja a evolução destas iniciativas, a Igreja e também políticos e comentadores conservadores, não deixarão de levar o tema do “casamento gay” para o período da campanha presidencial, não sendo previsível que esses sectores deixem morrer o assunto em nome das contrariedades económicas e financeiras. Cavaco Silva desiludiu quem nele votou, também pelas comodidades oferecidas à governação de Sócrates, e agora para se furtar à discussão vem dizendo que só pensa na crise, em campanha eleitoral vai ter de abandonar esse paleio.


A forma como Portugal vai enfrentar no curto/médio prazo as dificuldades internas e as ameaças exteriores, depende do nível de estabilidade política e da situação social a par da capacidade de aumentar o crescimento. Com governos sem maioria parlamentar e na ausência de acordos partidários consistentes o desempenho do presidente da República será importante, o próximo presidente é fundamental para o rumo da política nacional; de Cavaco já se sabe que se não é presidente que agrade a todos os portugueses, é presidente que encanta os partidos da governação. O que é preciso tentar entender é que Cavaco seria o do segundo mandato, a campanha cavaquista diz que será diferente, os cavaquistas não estão satisfeitos com o desempenho de Cavaco Silva. Há um outro Cavaco? Ou só existe este, inseguro e inconsistente, refugiando-se na posição institucional e nas dificuldades económicas para não ter qualquer papel activo; seria bom nunca vir a saber.

O que é essencial para os portugueses é perceberem porque vão ser sujeitos a medidas severas de austeridade, e que vantagens essa necessidade vai trazer no futuro. De nada serve prometer grandes alterações no panorama político partidário, que não vão acontecer, nem imaginar mudanças radicais na Constituição. Com mais ou menos independência em relação aos partidos políticos o que seria honesto no próximo presidente, é que depois de eleito, a sua actuação não fosse uma surpresa para quem o elegeu. Cavaco Silva parte com a vantagem de agradar a todo o “centrão”, de forma natural ao centro direita e pela prática do actual mandato à direita do PS que governa o partido e o país. Para a direita mais conservadora Cavaco Silva só será seu presidente por inteiro, quando a direita ganhar o parlamento ou houver um governo de iniciativa presidencial.


publicado por Carlos Loures às 02:00
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10 comentários:
De Luis Moreira a 27 de Novembro de 2010 às 02:07
É verdade, é bem visto, mas as sondagens mostram que ganha à primeira volta.Como o PSD está à beira da maioria absoluta, Cavaco após ser reeleito vai avançar com eleições e ter um papel muito activo. raros são os que têm o cavalo do poder duas vezes a passarem-lhe à porta e ainda mais raros são os que não o montam.


De Carlos Mesquita a 27 de Novembro de 2010 às 13:53
Como se lê, este artigo (reedição no blogue) foi escrito antes da candidatura, de lá até hoje se houve alterações na situação política vão no sentido de haver ainda mais dificuldade em o PSD tentar tomar o poder a curto prazo. A necessidade de estabilidade política para efectuar a execução orçamental, (do orçamento que o PSD viabilizou) sem a qual entra o FMI, impõe ao presidente contenção nos apetites. Ele aliás disse claramente esta semana, que enquanto o Parlamento mantiver a confiança no governo nada fará. E confiança ou desconfiança são votos e não paleio; depende mais do PC e Bloco (tentar) colocar Passos Coelho em primeiro-ministro, que de Cavaco.
Vai portanto depender da capacidade de executar o orçamento. A execução orçamental vai dar azo a uma permanente campanha eleitoral de todos os partidos da oposição, boicotando a sua aplicação e tentando ao mesmo tempo dar a entender ao eleitorado que não estão a contribuir paraa instabilidade; é um jogo perigoso para todos eles e sabem-no.
Sobre as sondagens convém lembrar que entre elas e os votos há a campanha eleitoral (esta oficial) onde o PS teria oportunidade de explicar o que quer o PSD. Se é difícil para os portugueses engolir como inevitáveis as medidas de austeridade, como vão aceitar o fim do "estado social". Estou convencido que o confronto em campanha tira qualquer veleidade de maioria do PSD, e se por mero acaso o conseguir será escassa, passando a ter contra toda a esquerda no Parlamento e principalmente na rua.
Até Cavaco percebe os riscos de maior ingovernabilidade. Acho que quem não gosta de Sócrates vai ter de arranjar um acompanhamento a seu gosto; batatas a muro, grelos ou cogumelos salteados, e ir comendo, o PS não sai do prato tão cedo. De qualquer maneira e como já escrevi à muito, o PSD não se pôe a governar sem o FMI. É o manjar alternativo.


De Luis Moreira a 27 de Novembro de 2010 às 18:24
Meu caro 65% das pessoas perguntadas, mesmo as que não votam no PSD acreditam que o PSD vai ganhar.Para já é o que temos.Quanto ao Cavaco que havia ele de dizer se quer à toda força ser reeleito?


De maria monteiro a 27 de Novembro de 2010 às 20:41
Mas o senhor presidente Cavaco até vai dizendo alguma coisa... "Vou jantar. Estou mesmo com muito apetite". Que feliz estou por saber que o presidente de todos os portugueses não precisa de enganar o apetite com a sopa dos pobres.


De Carlos Mesquita a 27 de Novembro de 2010 às 20:53
Aqui pelo Estrolabio temos de nos habituar (eu não consigo) aos números à moda do Luís Moreira.
O que o Luís veio aqui "divulgar" é uma treta do Correio da Manha (manha!) que diz em Lide que 65% dos portugueses apostam no PSD, MAS DEPOIS (e Luís tens tempo para ler as notícias e não ficar pelos títulos e lides) no corpo da notícia diz textualmente e cito: «A hipótese de um governo de coligação apresentada a 13 de Novembro pelo ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado, é "uma proposta sobre a qual vale a pena pensar" para 65,3% dos portugueses inquiridos na sondagem da Aximagem para o Correio da Manhã» (SIC).
Esta coisa que o Correio da Manha pagou à Aximagem para fazer, é manipulação pura.
O que os eleitores acreditam que vai acontecer nada tem a ver com o seu voto expresso, a maioria dos que votam no Manuel Alegre muito provavelmente ACREDITARÃO que Cavaco vai ganhar, mas quando votam no Manuel Alegre ou nos outros que não o Cavaco, não aumentam a percentagem de votos do Cavaco. Está claro ou é muita aritmética?

Hipótese de governo de coligação
+
Uma proposta sobre a qual vale a pena pensar

Dá = a votos no PSD???


De Luis Moreira a 28 de Novembro de 2010 às 02:16
Como é que há outra sondagem que dá o PSD à beira da maioria? Também são números à LUis Moreira? Não quer dizer que eu queira, mas dois dias antes a sondagem dava 42% ao PSD e 28% ao PS. Meu caro Carlos, é verdade que ao fim de 13 anos de governo PS é a última coisa que eu quero é que esse período se prolongue, mas isso não quer dizer que queira o PSD. E a maioria absoluta à primeira volta para o Cavaco? Também sou eu que quero? Ouvi mal?Eu já eu já disse que não voto no cavaco!


De Luis Moreira a 28 de Novembro de 2010 às 02:22
Pois é Maria, mas a coisa mais certa, embora pouco feliz, é que o Cavaco ganha à primeira volta. Pelo menos é o que dizem todas as sondagens, mas acho bem não baixar os braços.


De Luis Moreira a 28 de Novembro de 2010 às 02:33
Carlos, se a sondagem a quem não vota no Cavaco mas acreditam que ele ganha,não tivesse relevância não gastavam dinheiro a fazê-la. Não se trata de aritmética o que se trata é que mesmo as pessoas que não votam nele dão o caso como consumado.Não tem influência nenhuma na votação dos candidatos. Mas é verdade que eu não leio o CM.E ouvi estas sondagens na TVI? e num jornal que julgo ser o Jn?


De Carlos Mesquita a 28 de Novembro de 2010 às 12:14
Caro Luís. Para encerrar da minha parte esta discussão, acho que as sondagens verdadeiras valem o que valem e é preciso saber lê-las. As encomendadas para surtirem efeitos políticos e manipularem a opinião pública,idem. Se toda a gente percebesse quais são umas e outras gastava-se menos dinheiro em sondagens.
O ponto, neste caso é a difusão pelo Estrolabio de manipulações de Centrais de AgiProp, tenho o direito, e o dever quando aproveitam um texto meu, de as não deixar passar.
Resumindo. Perguntaram - se vale a pena pensar na hipótese de um governo de coligação. 65% Responderam sim.; que vale a pena pensar na hipótese de um governo de coligação. Na minha leitura significa que uma maioria de portugueses quer estabilidade; nem é a maioria politizada senão saberia da dificuldade ou impossibilidade dum governo de coligação. O que se mede é a penetração da ideia de estabilidade, de uma qualquer maioria, de uma trégua na ingovernabilidade. Será ingénuo, despolitizado, mas penso que é genuíno.
O que escreveste foi que "65% das pessoas perguntadas mesmo as que não votam PSD acreditam que o PSD vai ganhar". A pergunta não foi essa, a resposta não foi essa - é mentira.
Lês-te mal, ouvis-te mal, o problema é teu.


De Luis Moreira a 28 de Novembro de 2010 às 13:48
Ainda vou ver se a notícia não dizia "65% das pessoas acreditam que Cavaco ganha".eu não leio o CM.


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