Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011
Uma Cronologia da Guerra Colonial -1 - por José Brandão

UMA

CRONOLOGIA

DA

GUERRA COLONIAL

ANGOLA-GUINÉ-MOÇAMBIQUE

1961-1974

José Brandão

SIGLAS E ABREVIATURAS

 

 

 

BAC Bateria de Artilharia de Campanha

BCP Batalhão de Caçadores Pára-quedistas

CEMGFA Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas

CEME Chefe do Estado-Maior do Exército

CIOE Centro de Instrução de Operações Especiais

CNSPP Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos

COFI Comando Operacional das Forças de Intervenção

COREMO Comité Revolucionário de Moçambique

CODCB Comando Operacional da Defesa de Cabora Bassa

CTIG Comando Territorial Independente da Guiné

DGS Direcção Geral de Segurança

EME Estado-Maior do Exército

FA Forças Armadas

FAO Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação

FRELIMO Frente de Libertação de Moçambique

GAC Grupo de Artilharia de Campanha

GACL Grupo de Acção Costeira Local

GE Grupos Especiais

GEP Grupos Especiais Pára-quedistas

GRAE Governo Revolucionário de Angola no Exílio

IAEM Instituto de Altos Estudos Militares

IN Inimigo

LDM Lancha de Desembarque Média

MPLA Movimento Popular de Libertação de Angola

MANU União Nacional Africana de Moçambique

MNE Ministério dos Negócios Estrangeiros

ONU Organização das Nações Unidas

OUA Organização de Unidade Africana

PAIGC Partido Africano da Independência da Guiné e de Cabo Verde

PIDE Polícia Internacional de Defesa do Estado

PRP(BR) Partido Revolucionário do Proletariado (Brigadas Revolucionárias)

QG Quartel-General

RA Região Aérea

RMM Região Militar de Moçambique

UDENAMO União Democrática Nacional de Moçambique

UNAMI União Africana de Moçambique Independente

UPA União das Populações de Angola

ZOT Zona Operacional de Tete

 

BArt Batalhão de Artilharia

BCaç Batalhão de Caçadores

BCav Batalhão de Cavalaria

BCmds Batalhão de Comandos

BEng Batalhão de Engelharia

 

CArt Companhia de Artilharia

CCaç Companhia de Caçadores

CCav Companhia de Cavalaria

CCmds Companhia de Comandos

CEng Companhia de Engelharia

CPM Companhia de Polícia Militar

 

CmdAgr Comando de Agrupamento

PelAAA Pelotão de Artilharia Antiaérea

PelCaç Pelotão de Caçadores

PelCanh Pelotão da Canhões sem recúo

PelMort Pelotão de Morteiros

 

PelRec Pelotão de Reconhecimento

Há coisas piores que a guerra

– e a guerra trá-las a todas.

Autor desconhecido

INTRODUÇÃO

Esta é a cronologia de um dos períodos mais inquietantes da vida dos portugueses.

 

São os anos entre 1961 e 1974 nos quais Portugal mergulhou numa guerra para alguns do Ultramar para outros Colonial.

 

São treze anos de ansiedade, sofrimento e morte que atingiram praticamente todas as famílias portuguesas com consequências que ainda hoje perduram.

 

Guerra que mobilizou mais de 800 mil combatentes da chamada Metrópole enviados para as distantes e desconhecidas matas de África onde alastrava a revolta apoiada por alguns países próximos.

 

Em Angola, a partir de 4 de Fevereiro de 1961, na Guiné, a partir de 23 de Janeiro de 1963, em Moçambique, a partir de 25 de Setembro de 1964, a guerra é declarada pelos movimentos de libertação nacional que teimam em levar por diante o seu propósito de total independência do domínio colonial europeu.

 

Pela parte portuguesa, a guerra era sustentada pelo princípio político de defesa daquilo que era considerado território nacional, baseado no conceito de nação pluricontinental e multirracial. Pela parte dos movimentos de libertação, a guerra justificava-se pelo inalienável princípio da autodeterminação e independência, num quadro internacional de apoio e incentivo à sua luta.

 

Guerrilheiros, ou terroristas – conforme a atitude política – resistem num terreno que lhes é familiar causando baixas nas Forças Armadas portuguesas como nunca se vira antes.

 

Segundo o Estado-Maior General das Forças Armadas, morreram na Guerra de África 8.831 militares portugueses. Destas quase nove mil baixas, 3.455 aconteceram em Angola, 2.240 na Guiné e 3.136 em Moçambique.

 

O Exército, ramo militar sobre o qual recaiu a maior parte do trabalho bélico, teve à sua conta a quase totalidade dos mortos – 8.290 homens. A Força Aérea, por seu turno, contou em 346 as suas perdas e a Marinha de Guerra enterrou 195 dos seus elementos.

 

De acordo com a mesma fonte, 4.280 militares (48,5 por cento) morreram em resultado directo de acções de combate e 4.551 (51,5 por cento) em acidentes e doenças. Estas duas últimas causas de morte devem ser encaradas com reservas, já que havia na época a intenção clara de diminuir o número de baixas em combate tornado público.

 

Com cerca de 9.000 mortos, cerca de 30.000 feridos evacuados, em mais de 100.000 doentes e feridos, dos quais resultaram perto de 14.000 deficientes físicos, (5.120 com grau de deficiência superior a 60 por cento) e ainda, possivelmente, 140.000 neuróticos de guerra, rara é a família portuguesa que não foi ferida pela Guerra de África. Os telegramas do Ministro do Exército a apresentar «mais sentidas condolências» pela morte «por motivo combate defesa da Pátria» de «seu filho soldado fulano tal», chegavam aos lares dos portugueses semeando a dor da perda de um filho, marido, pai, irmão ou outro grau de familiaridade existente.

 

Sucediam-se os comunicados militares que diariamente o Ministério da Guerra mandava publicar nos jornais. "O Serviço de Informações Públicas das Forças Armadas comunica que morreram em combate, na Província de Angola, os seguintes militares:" e seguiam-se os nomes de mais uns tantos que, naquele ano, entre a noite de Natal e a de fim de ano, não iriam aparecer na TV, a desejar festas felizes.

 

Moçambique foi o teatro de operações onde morreram mais militares em combate (1.569 em 10 anos de guerra), seguindo-se Angola (1.360 em 13 anos) e a Guiné (1.342 em 11 anos). Tendo em conta a duração da guerra em cada um dos teatros de operações, as tropas portuguesas sofreram por ano 157 mortos em combate em Moçambique, 122 na Guiné e 105 em Angola.

Quanto ao número total de mortos, independentemente das causas oficiais da morte, as Forças Armadas portuguesas sofreram por ano 285 baixas mortais em Moçambique, 246 em Angola e 186 na Guiné.

Do total de mortos nas três guerras, cerca de 70 por cento eram expedicionários recrutados na chamada Metrópole. No conjunto das três frentes de guerra, entre 1961 e 1974, morreram em média 630 militares portugueses por ano.

E se os custos humanos foram de grandes dimensões para um pequeno velho país de menos de 10 milhões de habitantes, as perdas materiais atingiram um nível muito próximo do colapso económico. O esvaziamento dos recursos financeiros para a sustentação da guerra foi equivalente, ao longo dos treze anos de conflito armado, a uma média de trinta e três por cento do Orçamento do Estado, tendo-se ultrapassado, em toda a segunda metade da década de 60, os quarenta por cento.

A cronologia que se segue pretende realçar esses treze anos da guerra de África com a exposição de alguns dos acontecimentos mais notórios ocorridos durante este período e, em paralelo, referir a identidade militar dos que morreram nas três frentes de guerra.

Dia após dia são relatadas as baixas em combate nos três cenários de guerra procurando-se sempre que possível indicar o batalhão ou a companhia a que pertenciam os militares falecidos.

De igual modo se procede com a morte de militares de hierarquia acima de alferes ou com acidentes cuja dimensão ou impacto justificam referência específica.

Tudo isto resulta na notificação de mais de 4.000 militares mortos em combate com dados e em moldes até agora nunca exibidos em contagens feitas às baixas em campanha.

 

Em números redondos, morreram nas três guerras de África no período entre 4 de Fevereiro de 1961 e 25 de Abril de 1974: 1 general, 2 brigadeiros, 3 coronéis, 15 tenentes-coronéis, 22 majores, 100 capitães, 40 tenentes, 300 alferes, 900 sargentos e furriéis, 1.600 cabos e 5.500 soldados e marinheiros.

 

É, na verdade, uma tarefa exaustiva de um evento histórico em que o autor foi um entre muitos milhares de participantes.

 

Convém sublinhar que este é um trabalho centrado sobre a guerra em si mesma, embora procure enquadrar alguns aspectos mais significativos do dia-a-dia comum como sejam: as lutas laborais, as lutas estudantis e as movimentações políticas, sociais e culturais que acontecem no decurso destes 13 anos.

 

Resta acrescentar que o presente trabalho, elaborado para ser exposto no Estrolabio, tem como origem o livro Cronologia da Guerra Colonial publicado pelo autor na Editora Prefácio em 2008.

 

 

 

1961



publicado por Carlos Loures às 18:00
editado por Luis Moreira às 17:15
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