Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010
Has dit que sóc poeta, de Josep A. Vidal




Has dit que sóc poeta

Josep A. Vidal
Has dit que sóc poeta perquè saps que faig versos,
i sí, és cert, en faig. Consirós, cerco i lligo
els mots, l'un rere l'altre, i aixeco arquitectures
de mètrica insegura, maldestres i inconnexes,
amb rebles i artificis i retòrica abstrusa,
amb ritmes que coixegen i rimes vacil•lants.
Dogmàtics de la rima, matemàtics del metre,
buròcrates del ritme, acadèmics de res,
diran ínclits poetes, tot arrufant les celles
amb un gest de desdeny: "I és d'això, que en dius vers?"
Però, jo seguiré aplicant-me maldestre
a la feina obstinada de lligar mot amb mot,
i cercaré la rima com l'ocell cerca l'aire,
com l'arrel cerca l'aigua furgant en terra eixuta,
com cerca el riu el mar, com la pluja la terra,
com l'alè el moribund...
Com el meu cos el teu, jo assedegat de tu.
I em diré a mi mateix, una i altra vegada,
el nom de cada cosa com una lletania
per ordenar-me el món: la pedra, l'aigua, el foc,
el sol, la terra, l'aire... La vela al mar, la tarda...
I l'horitzó, tan lluny! –Una broma infinita,
la mar i el cel confosos, un rengle de muntanyes...
I el neguit incessant, la set insaciable...
Les pregoneses tèbies del teu si... La mirada
de l'infant, i les llàgrimes; les arrugues del vell,
i el pas del temps, i el buit... La tendresa, l'encís
del teu bes, i l'esclat del meu cos que s'afluixa
i es vessa en el teu cos, tremolós, que m'abraça...
La solitud, el plor, la cambra del malalt,
l'olor de resclosit, la tos, el ronc, l'esput,
la ranera impotent, els ulls esbatanats...
I el ventre afeixugat de la dona prenyada,
i els crits d'infants que juguen al celobert...
La suor del teu cos enganxada al meu cos,
i el teu alè i el meu fonent-se en la besada.
I l'instant que s'esmuny. I la mort, i l'absència...
Potser tenen raó i es soroll de xaranga,
però, no puc estar-me'n.
Els mots em fan present el temps inabastable,
cada instant que hem viscut,
el moment que s'esmuny entre els meus dits com l'aigua,
com la sorra i la pols; com un foc que s'apaga,
com l'infant que vaig ser
-aquell que cavalcava corsers imaginaris,
i encenia fogueres de fullaraca als vespres
i les veia apagar-se amb un estremiment-,
com la veu, com el bes, com la mirada...
Com la mà dels amics que he vist marxar per sempre
i el teu pas amb el meu al caient de la tarda.
Chamaste-me poeta...
Chamaste-me poeta, pois sabes que faço versos,
e, sim, é verdade que os faço. Com rigor, construo
e ligo as palavras, uma após outra, ergo arquitecturas
de insegura métrica, desconexas e trôpegas,

com desperdícios, artifícios e retórica abstrusa,
com ritmos que coxeiam e hesitantes rimas.
Dogmáticos da rima, matemáticos do metro,
burocratas do ritmo, académicos de coisa nenhuma,
dirão os ínclitos poetas, franzindo o cenho,
com um gesto de desdém: “É a isto que chamas versos?”

Porém, continuarei a entregar-me, trôpego, mas teimoso,
à ingente tarefa de ligar palavra com palavra,
procurando a rima como o pássaro procura os ares,
como a raiz procura a água escavando a terra enxuta,
como o rio demanda o mar e a chuva a terra,
e o moribundo o alento…
Como o meu corpo procura o teu, de ti sedento.
E, para mim mesmo, uma e outra vez direi
o nome de cada coisa, como uma litania
para ordenar o meu mundo: a pedra, a água, o fogo,
o sol, a terra, o ar…Uma vela aberta ao mar, a tarde…
E o horizonte, tão distante! Uma bruma infinita,
o mar e o céu confundindo-se, uma sucessão de montanhas…
E o anseio incessante, a insaciável sede…
A profunda quentura do teu seio…O olhar
do menino, as suas lágrimas; as rugas do velho,
a passagem do tempo, e o vazio… A ternura, o encanto
do teu beijo, e a explosão do meu corpo que se distende
e derrama no teu trémulo corpo que me abraça…
A solidão, o pranto, a cama do doente,
O bafo do quarto fechado, a tosse, o ronco, o escarro,
o estertor impotente, os olhos sem pálpebras…
E o ventre carregado da mulher grávida…
Os gritos das crianças brincando no pátio vizinho…
O suor do teu corpo colando-se ao meu corpo
e a tua respiração e a minha fundindo-se no beijo.
E o instante que foge. E a morte e a ausência…

Talvez tenham razão e seja o som da charanga,
mas é inevitável.
As palavras tornam presente o tempo inatingível,
Cada instante que vivemos,
o momento que se esvai como a água entre os meus dedos,
como o pó e a areia; como um fogo que se extingue,
a criança que já fui
- aquele que cavalgava imaginários corcéis,
e fazia fogueiras com as folhas secas,
vendo-as apagar-se com um estremecimento -,
como a voz, como o beijo, como o olhar…
Como a mão dos amigos que vi partir para sempre
e os teus passos com os meus ao cair da tarde.
(Versão portuguesa de Carlos Loures)


publicado por João Machado às 16:00
link do post | comentar

EDITORIAL
AUTORES
Adão Cruz

Adriano Pacheco

Alexandra Pinheiro

Andreia Dias

António Gomes Marques

António Marques

António Mão de Ferro

António Sales

Augusta Clara

Carla Romualdo

Carlos Antunes

Carlos Durão

Carlos Godinho

Carlos Leça da Veiga

Carlos Loures

Carlos Luna

Carlos Mesquita

Clara Castilho

Ethel Feldman

Eva Cruz

Fernando Correia da Silva

Fernando Moreira de Sá

Fernando Pereira Marques

Hélder Costa

João Machado

José Brandão

José de Brito Guerreiro

José Magalhães

Josep Anton Vidal

Júlio Marques Mota

Luís Moreira

Luís Rocha

Manuel Simões

Manuela Degerine

Marcos Cruz

Maria Inês Aguiar

Paulo Melo Lopes

Paulo Rato

Pedro Godinho

Raúl Iturra

Rui de Oliveira

Sílvio Castro

Vasco de Castro

Contacte-nos
estrolabio(at)gmail.com
últ. comentários
OláEu sou Ibrahim Mohammed do Emirado árabe unido,...
Eu sou um disposo privada de um fons de that em ro...
Eu sou um disposo privada de um fons de that em ro...
Potrebuješ pôžičku? Máte nízke kreditné skóre a ne...
Atenção; Você é um homem de negócios ou uma mulher...
Viveu bastantes anos em Portugal, mais precisament...
Empréstimo e InvestimentoOlá a buscar um empréstim...
No dia 08/01/1974, faleceu o furriel Zeca Rachide,...
Cheguei aqui pelo link no blogue O Cantinho da Jan...
Apply now for all kinds of loans and get it urgent...
pesquisar neste blog
 
posts recentes

De 26 de Setembro a 2 de ...

As minhas novas pegadas (...

A viagem dos argonautas

Portugal, a União Europei...

Políticos que cumprem ! P...

O Ministro Gaspar

Anima ver o lado positivo

Palavras Interditas - por...

Os jornais e as notícias ...

Summer Time - Ella Fitsge...

arquivos

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

tags

todas as tags


sugestão: revista arqa #84/85
links