Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade - 27 - por Raúl Iturra


(Conclusão)

Anexo 2


O pater romano não era um "pai" no sentido moderno, e essencialmente ocidental, da palavra, mas um "chefe de família", ou um chefe da domus (casa) familiar. Pater é, assim, um conceito diferente do de pai biológico, designado pelos romanos de Genitor. O poder do pater familias era chamado patria potestas (poder paternal). Potestas era diferente da auctoritas, também detida pelo pater. O poder do pater era sobre a sua familia iure proprio (não necessariamente baseada no parentesco, correspondendo, sim, a uma unidade política, económica e religiosa) e a sua família doméstica (baseada no parentesco e na co-residência). É da definição referida nesta linha que a ideia de poder paternal, potestade marital e Chefe de Família, foi retirada, a partir da Lei das Doze Tábuas, da República Romana, circa 462 antes da nossa era, ditada pelos Pontífices Romanos e os Patrícios – homens de posses e de famílias antigas, especialmente para gerir o trabalho dos plebeus, a maior parte da população romana: Os patrícios, cidadãos de Roma, constituíam a aristocracia romana, eram a sua elite. Desempenhavam altas funções públicas no exército, na religião, na justiça ou na administração. Eram grandes proprietários de terra e credores dos plebeus, os quais viviam sob a constante ameaça de se tornarem escravos. Os patrícios, descendentes das famílias mais antigas da cidade, ou seja, dos chefes tribais da região do período pré-romano, eram donos das maiores e melhores terras e os únicos a possuir direitos políticos. História completa em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Patr%C3%ADcio. Não foi em vão que referi, no texto central, o proletariado, as condições económicas e sociais são muito semelhantes, excepto a escravidão. Porém, um proletário vive do trabalho e do seu salário correndo o risco de encerramento da indústria ou de despedimento por causa provada, do proprietário dos meios de produção. Para os Pontífices, a história diz: Os primeiros sacerdotes eram obviamente os reis. A sua posição como mediadores entre os homens e os deuses dava-lhes um carácter sagrado. Com a sua expulsão, foi criado um sacerdote (o rei dos sacrifícios) herdeiro das atribuições religiosas, mas unicamente dessas, dado o pavor que os romanos tinham de adquirir um novo rei. Entre a monarquia e os primeiros tempos da república foram sendo criados uma série de sacerdócios, pois, entre os romanos, era considerada ser função do estado assegurar uma boa relação com os deuses. O colégio das vestais era um dos mais famosos. Na Roma Antiga, o termo latino Pontifex Maximus ("Sumo Pontífice") designava o sumo-sacerdote do colégio dos Pontífices, a mais alta dignidade na religião romana de Rómulo e Remo. Historia completa em: http://roma-antiga.blogspot.com/2006/10/religio-romana-iii-os-primeiros.html


Infância: Essa inexplorada fonte do saber.


Por Alice Miller, Ph.D.

Este tipo de textos de Alice Miller, faz-nos pensar no imaginário da criança. No seu livro de 1986: Bilder einer Kindheit, Suhrkamp Verlag, Franckfurt am Main, traduzido para inglês em 1995: Pictures of a Chilhood, com novo Prefácio da autora, editado por Virago Press, Londres, livro que tenho comigo, a psicanalista diz na página 7: “Ainda me lembro desses tempos em que queria ser uma pintora “real”, munida com as minhas ideias e técnicas, expondo e vendendo a minha obra...… o que estava oculto em mim, era esse desejo de identificação como artista. No entanto, o que realmente interessa é entender a história contada por essa criança nos seus desenhos.

Desde o início da civilização a humanidade debate-se sobre o surgimento do mal e de como poderá ser combatido. Parece-me ter existido sempre uma convicção difusa e intuitiva de instintos destrutivos dentro das crianças, isto é, que as sementes do mal, aliás, do demónio, podem-se encontrar nas crianças. A lei que domina esta triste ideia é a imaginação da existência, esta tendência de pensar que as sementes do Demónio, do mal entre as crianças, são congénitas. A manifestação de instintos destrutivos inatos pode ser corrigida em bondade, decência e nobreza de carácter, tratando-se a criança com uma boa quantidade, muito liberal, de castigos corporais.

Esta é a posição que frequentemente triunfa. No entanto, hoje em dia, ninguém pensa seriamente que o Mal tenha o poder de se intrometer entre as coisas, introduzindo desafios dentro do berço da criança. Maldade que nos obrigue a usar métodos punitivos para submeter este pequeno demónio às forças da ordem social. Apesar de tudo, ouvimos, a partir de vários universos sociais, a séria e severa proposta da existência de genes que predispõem crianças para a delinquência. A perseguição destes genes “marotos” tem inspirado vários e respeitáveis projectos, parte deles realizando, até, inquéritos. Apesar da hipótese por detrás desta ideia não ser suficiente para provar um número de factos em que se acredita. Os defensores da teoria da existência do “mal congénito”, deveriam explicar, por exemplo, porque é que 30 ou 40 anos antes do Terceiro Reich, o gene do mal parecia mostrar a sua hedionda cabeça, bem como o surgimento da imensidão de crianças com “genes perversos”, para que Hitler, mais tarde, tivesse uma desculpa para justificar a morte e humilhação de milhares de seres humanos.

Há hoje evidência científica suficiente e bem provada, para refutar a noção de que há certas pessoas que nascem com o “gene do mal”. Este mito absurdo encontra-se em várias culturas e tem sido investigado de forma efectiva. O mito tem sido aniquilado, todavia, entre a população, subsiste. Bem sabemos hoje em dia, que o cérebro com o qual nascemos, não é um produto acabado como se pensou em tempos. A estruturação do cérebro depende mais das experiências no decorrer da vida, especialmente nas primeiras horas do nascimento, dias, horas e semanas da vida de um indivíduo. O estímulo indispensável para desenvolver a capacidade de empatia, é a experiência de carinho amoroso. Ao faltar esse carinho ao longo do seu crescimento, a criança sente-se negligenciada, cheia de fome de emoções positivas e sujeita a crueldades físicas, pelo que ele ou ela, pode-se sentir confiscado de amor e desenvolver uma capacidade inata de crueldade.

Como sabemos, não nascemos limpos como a alvura. Todo o recém-nascido traz consigo a sua própria história. A história dos nove meses entre a concepção e o nascimento, para além da herança genética dos seus pais. Estes factos podem determinar o tipo de temperamento que a criança venha a ter no seu futuro, as suas inclinações, dotes e pré-disposições. Tudo depende se a pessoa recebe amor, protecção, ternura e compreensão nesses seus primeiros anos que a vão estruturando. Se fica exposta à rejeição, frieza, independência e crueldade, o seu carácter, no futuro pode ser negro e cruel.

Da imensidão de infantes que comete assassínios, normalmente, são crianças nascidas de pais adolescentes, ou de mães toxicodependentes ou aditas a drogas. A negligência, a falta de convívio afectivo e outro tipo de traumas, são as regras que governam estes comportamentos.

Os neurobiólogos, nos últimos anos, têm aprofundado as suas análises; dizem que crianças traumatizadas e negligenciadas, desenvolvem lesões neurológicas severas que afectam até 30% das áreas do cérebro que controlam as emoções. Traumas severos inflectidos nas crianças, que sofrem o escarafunchar/remexer dos pais nas suas emoções, incrementam a libertação de adrenalina, destroem as hormonas que controlam o stress acabando por aniquilar o sistema neuronal recentemente formado e as suas inter conexões. O dano cerebral é imenso.

O médico neurologista e psicanalista da infância, Dr. Bruce D. Perry, é um dos defensores destas descobertas que nos ajudam a estudar e a compreender o crescimento das crianças e o efeito retardado do trauma infantil, que aparece apenas na idade adulta. Os seus estudos vêm confirmar o que eu analiso no meu livro For Your Own Good. The roost of violence on Child-rearing escrito há pouco mais de 20 anos [em 1987], resultante da observação dos meus pacientes e das minhas pesquisas sobre estes casos. No trabalho supra, menciono diversos manuais que contêm a teoria do que eu denomino a pedagogia do envenenamento. Insisto na importância de refutar ou tamborilar princípios de obediência e de trato correcto para com os bebés, especialmente nos seus primeiros dias de vida. Este estudo tem-me ajudado a entender os indivíduos, como Adolf Eichmann, que funcionam como robots assassínios, sem a menor emoção pelos crimes cometidos. Pessoas como Hitler, têm que prestar contas pelo seu agrado em matar desde esse primeiro, até ao último morto. Foram pessoas que jamais prestaram contas pela falta de amor inflectidas sobre elas em crianças. O seu potencial destrutivo não corresponde ao que Freud denomina “síndrome de morte”. Era apenas a supressão, na sua vida de criança, de reacções emotivas naturais.

A monstruosa instrução sobre ser bons pais disseminada por educadores na Alemanha de 1860 teve pelo menos 40 edições. Este facto, levou-me a concluir que a maior parte dos pais leram esse manual escrito por docentes, leitura feita de boa fé. Pais que puniam os seus filhos, batiam-lhes desde o início das suas vidas, por serem ensinados que o castigo educava a ser bom cidadão. 40 Anos depois, esses filhos, já pais, fizeram o mesmo com os seus descendentes. Nem sabiam o que faziam. Nascidos 30 ou 40 anos antes do Holocausto, essas crianças mal tratadas e traumatizadas aderiram a Hitler, adularam-no e fizeram dele um guia. Isto é, a meu ver, o resultado de uma infância desgraçada/infeliz sentida desde muito cedo nas suas vidas. A crueldade experimentada foi transferida para seres emotivos coxos de afeição. Incapazes de desenvolver qualquer empatia pelo sofrimento dos outros. Passaram a ser bombas de tempo para matar, sem consciência, aguardando uma oportunidade para punir e matar, de transferir para outros a raiva que tinham por causa das suas tristes vidas. Hitler forneceu um bode expiatório legal. Podiam assim, agir para deitar fora os seus tristes sentimentos.

As recentes descobertas sobre o cérebro humano, podem levar-nos a uma mudança radical sobre o que pensamos acerca das nossas crianças e das formas como as tratamos. No entanto, como sabemos, os velhos hábitos perduram. É preciso, pelo menos duas gerações de pais jovens, para mudar, libertando-se do jugo pesado que herdaram, essa “sabedoria” de bater nos próprios filhos. Duas gerações até ser impossível dar uma palmada “inadvertida” à criança. Duas gerações até que o novo conhecimento entre para evitar essa “inadvertida” palmada, dada sem “pensar”.

Há a crença de que a correcção ao longo do tempo muda hábitos, sem detrimento da educação. Opiniões somente passíveis quando se pensa que o que acontece na infância, cobra-se na vida adulta. Os nossos espertos (em educação) citados, também sofreram na sua infância a punição paterna, punição que pesou bem mais do que o seu saber erudito, saber que, apenas, ajudou a colocar a afectividade de uma outra forma: virada do avesso!

Esta minha ideia, lançada detalhadamente no meu livro Paths of Life, de 2005, talvez demonstre a imensa importância que dou e adscrevo à educação infantil e porque lhe são tão significativos os primeiros dias de vida, semanas e meses. Debato-me, não pela transferência da minha experiência para os pais, bem pelo contrário. Do que uma criança traumatizada ou negligenciada necessita é de encontrar “apoio” ou uma testemunha avisada dentro do seu círculo pessoal. Testemunha que somente pode ajudar se entender as privações afectivas pelas que a criança passou, sem brincar com esses sofrimentos. É disseminar a informação adequada de quem sabe contextualizar o acontecido com uma criança, que faz dessa pessoa uma testemunha que está a cumprir uma missão. É o que vejo em mim mesma: essa é a minha missão, testemunha do entendimento da dor do mais novo.

Durante um tempo lato, a significância desses primeiros dias de vida da criança, mais tarde adulta, não tem sido considerada pelos analistas nem pelos psicólogos. Em vários dos meus livros, tenho chamado à atenção sobre esta matéria, ao estudar as biografias de ditadores como Hitler, Stalin, Ceaucescu e Mao, demonstrando como reviviam, de forma inconsciente, em adultos, já no universo da política e do poder, as dores da infância. No texto que agora escrevo, quero, no entanto, que esta temática não seja focalizada na história, no passado. Estou convicta que várias áreas da vida prática podem ajudar-nos melhor se fixarmos a nossa atenção na infância tal como ela é hoje. Vejamos alguns exemplos:

A área mais evidente de negligenciar voluntariamente o factor infância, como tenho constatado, é o sistema penal. As estatísticas revelam que 90% dos presos norte americanos foram abusados na infância. Esta estatística é altamente acusatória se considerarmos os factores de impedimento e repressão na vida social. Certamente, o número de pessoas aprisionadas deveria, assim, corresponder a 100%. Uma criança cuidada, agasalhada e respeitada, nunca é uma criminosa. A maior parte dos delinquentes, não confessam os sofrimentos passados na sua infância. Apesar destes factos, temos, ainda, esta alta e eloquente percentagem. Para nossa desgraça, pouco ou mesmo nada tem sido feito no sentido de introduzir este saber nos programas para reabilitar pessoas presas. Como é evidente, pode-se publicamente apreciar que as prisões e penitenciárias de hoje estão longe de serem essas tormentosas, ameaçadoras e obscuras fortalezas do Século XIX. Pelo menos, perante o conhecimento público. Todavia, uma questão fica sem explicação: qual o motivo que faz de um ser humano, um prisioneiro, um criminoso? Esta dúvida levanta-nos outra: qual o traço fisionómico que na sua tenra idade o orientou para estas desventuras? E, ainda, uma terceira: o que causará a reincidência? O que o faz cair uma e outra vez dentro das mesmas desventuras e, raramente, tomar uma atitude firme para mudar. Estas interrogações levam-nos a uma última: o que é que é possível fazer para evitar a reiteração da delinquência? Para responder a si próprio, sobre as questões acima colocadas, o prisioneiro deve ser encorajado a falar, escrever e pensar sobre a sua vida em criança e partilhar esses factos em terapia de grupo.



No meu mais recente livro, reporto a um programa para este tratamento, no Canadá. Devido a trabalhos em grupo, um grande conjunto de pais, que tinham abusado sexualmente as suas filhas na infância, entenderam, pela primeira vez na vida, que as suas acções tinham sido criminosas. Foi de grande importância para eles entenderem o seu comportamento abusivo, falarem da sua própria infância em frente de outras pessoas em quem confiavam. Assim, aprenderam a saber que tinham transferido um trauma da sua própria infância de forma quase automática, essa sua experiência traumática da qual nem tinham consciência.

Estamos habituados a calar os sofrimentos da nossa infância. Pelo que é frequente que se haja de forma cega e inconsciente. Foi a oportunidade de falar sobre os seus sofrimentos em crianças o que os levara a libertar-se da sua prisão silenciosa do trauma, da sua cegueira perante o facto. Com esta terapia em grupo e esse falar, ganharam o seu crescimento passando a serem adultos capazes de se protegerem de si próprios para nunca mais serem criminosos com as crianças. Infelizmente, este tipo de programas é ainda uma excepção. O outro que eu conheço, decorreu numa prisão de Arizona, onde violentos criminosos foram capazes de falar da sua infância, com a colaboração da terapia em grupo. O grupo ajudou a entender o que estava escondido na sua lembrança de criança. Tenho visto vídeos destas sessões de grupo, tendo ficado impressionada pela mudança das expressões faciais destes homens após a terapia. Estes programas ajudariam, se realizados com frequência, a poupar dinheiro dos contribuintes. Estes programas não são caros na sua organização, e o perigo da incidência no mesmo tipo de delito, diminui de forma muito significante. Face a estes resultados, é duplamente surpreendente que não tenham sido introduzidos em mais prisões.

Pode-se apreciar uma semelhante falta de interesse por estes programas na esfera da vida política. Quanto mais o perigo da nação ameaça o nosso mundo, mais perigo existe do aparecimento (surgimento) de ditaduras. Ditadores que são apenas um subgrupo de pessoas que, na sua infância, estiveram expostos a ameaças mentais e físicas. Investem toda a sua energia e talento inatos, em reprimir qualquer ameaça de desamparo que possa tornar a acontecer. Desenvolvem uma mania persecutória odiosa, para com um grupo da sociedade com o qual se sentem ameaçados (Judeus, intelectuais, grupos étnicos). Representam para eles, de forma viciosa e simbólica, os seus antigos perseguidores, os que devem superar ou erradicar a todo o custo, para o ditador sobreviver. Gastos militares altamente dispendiosos são usados para se protegerem de um perigo que já não existe, que já cessou, excepto no seu imaginário. Imaginário inacessível a argumentos lógicos conectados com a fantasia do perigo infantil. Para curar este problema convertendo-o em atitudes construtivas e produtivas, é preciso conhecer um bom troço da história da infância do ditador, bem como saber muita teoria da dinâmica infantil em geral. Infelizmente, é difícil que isto aconteça. Como, também, é difícil encontrar uma pessoa preparada para desobstruir o resultado de tão difícil pesquisa. A tendência na população, por medo ou adesão, é confiar nas medidas destrutivas de confronto directo em vez de abordar directamente a comunicação, o que seria um meio bem mais frutífero. Estamos a lidar com um indivíduo perigoso que deveria ser “retirado da circulação” social antes de matar (mais) pessoas, ou estar consciente que o grupo étnico é apenas um símbolo.









Anexo 4



Para entender esta parte do anexo, é preciso saber o conteúdo do texto de Freud de 1925, Psychanalyse et médecine ou La question de l'analyse profane, texto em francês, que pode ser lido em:

http://www.uqac.uquebec.ca/zone30/Classiques_des_sciences_sociales/classiques/freud_sigmund/psychanalyse_et_medecine/psychan_et_medecine.html,



“Psychanalyse et médecine” ou “La question de l'analyse profane” (1925) Posfácio

Posfácio do livro de Freud de 1925, escrito e publicado em 1927.

Versão em língua lusa do livro de 1925 : Freud, S. (1926) A questão da análise leiga. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, volume XX. Rio de Janeiro: Imago Editora; 1976, pp. 203-93.



Este texto é uma edição electrónica realizada a partir do Posfácio de 1927, da obra La question de l'analyse profane ou “ Psychanalyse et médecine”. Tradução do Posfácio de "Frage der Laienanalyse" in Sigmund Freud, Frage der Laienanalyse Gesammelte Werke, Werke aus den Jahren 1925-1931 (p.287 à p.296), 1948 Imago Publishing Co., LtD., London. Posfácio publicado com base no debate organizado pela publicação Revue Internationale de Psychanalyse, no verão de 1927 (ano 13, N° 2 e 3), sobre a questão da análise (nota do texto escrito em língua alemã). Tradução original realizada pelo nosso colega e amigo, Philippe Folliot, professor de filosofia do Liceu Ango de Dieppe, responsável do sítio web Philotra.

Posfácio (1927) (note 1)

Tradução do Posfácio do livro que em alemão se intitula: "Frage der Laienanalyse"

in Sigmund Freud, e em português: Análise Profano.

Texto Original, publicado em Janeiro de 1925, em língua alemã - Em língua inglesa, 1931 e 1948 (p.287 à p.296), por Imago Publishing Co., Lt., Londres.

Tradução de Philippe Folliot, professor de filosofia do Liceu Ango de Dieppe.

Outubro de 2002.



«O motivo pelo qual escrevo este posfácio, deve-se ao facto das discussões que o livro tem causado (Note 2), debates que irei aqui refutar.

As discussões abordam a actuação de um leigo, nosso colega não médico, o Dr. Reik, na análise de pessoas, acusado pelas autoridades de Viena de ser um charlatão. Pode-se dizer que ele é conhecido por todos e que, após indagações sobre o seu saber e actuação, foi absolvido. O sucesso, parece-me, não é devido ao meu livro. As circunstâncias advêm do pouco suporte da acusação ao considerar o acusado pessoa de pouca confiança. O caso do Dr. Reik foi travado, quando se indagavam dados para o processo. Não me parece ser um princípio justo de um tribunal de Viena. Impedir o desenvolvimento do processo não me parece ser correcto por não ter o significado de um julgamento de princípios de um tribunal de Viena, que inquire sobre um julgamento de análises feitas por um denominado profano. Ao outorgar fé à imagem da testemunha « imparcial » no meu livro que defende essa tese, fi-lo porque ao questionar um dos altos funcionários, um homem de espírito brilhante e de uma integridade pouco comum, sobre o caso entreguei-lhe, pela confiança que me inspirara e depositara nele, um texto, uma tese de defesa pessoal acerca do assunto Reik. Estava consciente de não estar a intervir na justiça, pelo que não me parecia credível que ele adoptasse o meu ponto de vista, encerrando o caso com um acordo imparcial.

Os analistas têm adoptado uma opinião comum sobre a análise profana, da qual discordo, o que me tem levado a não solicitar as suas opiniões. Quem, na pesquisa, tem comparado a opinião da Sociedade húngara com a de Nova Iorque, deve talvez presumir que o meu texto não tem colaborado em nada para a defesa do caso, e, porém, mantém a opinião defendida antes de charlatanearia. A pessoa que critica o « charlatão » está isolada, pois numerosos colegas têm moderado a sua opinião aderindo, à minha análise, ou seja, a ideia que a análise profana não tem que estar baseada em costumes tradicionais, mas que pode nascer de uma situação inédita. Assim sendo, este caso necessitava de um julgamento com outro desfecho.

O meu ponto de vista é simples: não se trata de saber se o analista acusado está munido de um diploma médico, importa, isso sim, saber se adquiriu formação específica necessária para o exercício da análise. O assunto em discussão é, pois, saber qual a formação mais apropriada para um analista. Penso e teimo que não é a que a Universidade ensina ao futuro médico. A denominada formação médica, parece-me ser uma caminhada penosa que entrega ao analista, é verdade, muito do que é indispensável, mas também o obriga a outras matérias em nada necessárias à análise. A universidade ensina matérias que podem desviar o saber e as capacidades do analista para um trabalho demasiado teórico e pesado para o analisado. Pode ocorrer o perigo do seu interesse na psicanálise ser perturbado e a sua maneira de pensar distanciar-se dos fenómenos psíquicos. O programa para a formação de um analista deve consistir, em primeiro lugar, a aprender a elaborar, para globalizar, tanto quanto possível, as ciências do espírito : a psicologia, a história da civilização, a sociologia, saberes que a anatomia, a biologia e a história da evolução, mal podem transmitir. Há tanta matéria para aprender, que ao futuro analista pode muito bem ser retirado do programa essas não consideradas fundamentais, por não serem coerentes para entender a mente, por não conferirem directamente com a actividade analítica. Só apenas lateralmente. O que o analista deve saber é tudo o que permita entender os pensamentos da mente analisada, saberes que colaborem para a formação da mente que analisa, ao intelecto da observação sensível.

É fácil esta critica. Não há escolas superiores de análises que satisfaçam este pensamento ideal. É, de facto, uma idealização que pode e deve passar a realidade material. As nossas instituições de ensino, apesar de toda a sua insuficiência juvenil, são o começo dessa realidade sonhada.

Os meus leitores já devem ter entendido, das minhas palavras precedentes, que estou a propor ideias que, nas discussões, são violentamente debatidas: a psicanálise, por exemplo, ainda não é uma especialidade da medicina. Não consigo tão pouco imaginar o porquê da psicanálise não ser reconhecida como tal. Não consigo perceber como é possível, ainda, não ser uma especialidade médica. A psicanálise é parte da psicologia, não apenas da psicologia médica no sentido antigo, ou da psicologia de processos mórbidos, mas sim, e com muita boa vontade, da psicologia como ela é, apenas com mais conteúdo e saber, essa base que passa a ser a psicanálise. Essa análise que não induza a errar na base do seu uso com finalidades médicas. A electricidade e os raios x têm adquirido uma aplicação médica, como teoria física que trata de duas entidades. Tal como os argumentos históricos : nada podem mudar sem provas. Toda a teoria da electricidade faz parte de uma observação, de uma preparação neuro – muscular, porém, ninguém hoje em dia pode pretender que seja parte da fisiologia. Quanto à psicanálise, tem-se comprovado que foi criada por um médico que se esforçava em curar os seus pacientes. Contudo, não avançou muito, mas ajudou no desenvolvimento da teoria psicanalítica. Este argumento histórico é altamente perigoso. Se o continuarmos, poder-se-ia denominar este médico, um mau curandeiro. O corpo médico oferece uma grande resistência ao saber analítico e somos criticados. Não apenas a esse esforçado médico solitário, bem como todos nós. Um dos argumentos parece ser que hoje em dia ninguém está preparado para estudar a mente, ou que exista o direito de a analisar. Na realidade, ainda que recuse esta conclusão, sinto o ímpeto de recusar a ideia dos médicos. Parece-me bem recusar testemunhas como as referidas. Ainda hoje desafio e pergunto-me se as formas médicas de curar não precisam de saber, pelo menos em parte, da teoria analítica, para saber da libido, o primeiro ou segundo dos sub-estágios da dinâmica da vida, como define Abraham, essa dinâmica de se apropriar ou destruir o nosso objecto amado.

É preciso travar, de momento, a análise histórica: por se tratar de uma análise feita por mim, ofereço, aos que se interessem, as minhas motivações para ser analista. A seguir a quarenta anos de prática médica, o meu saber, sobre mim próprio, acusa-me de não ter sido um bom médico (Note 3). Desviei-me, para ser médico, do meu desejo original, desvio imposto sobre mim. Desvio que me levara a um triunfo, de regresso à minha intenção inicial. Desde muito novo, não tinha reparado no meu desejo de ajudar outros seres humanos a curarem-se dos seus sofrimentos. Uma predisposição sádica da minha parte, que não me parecia muito importante. Esta minha necessidade, não precisava de desenvolver a rejeição que outros sentiam por mim. Nunca gostei de brincar a ser “doutor “ A minha curiosidade infantil procurava outras vias. Na minha juventude, sentia a necessidade de entender os outros e os seus mistérios e os mistérios do mundo para os curar ou encontrar uma solução, isto passou a ser para mim um objecto imoderado. A inscrição na faculdade de medicina, parecia-me ser a melhor via para resolver o meu objecto do desejo de colaborar, embora sem sucesso. Experimentara a zoologia e a química, mas a grande influência que tinha sobre mim von Brücke, por mim considerado como a maior autoridade, levou-me à fisiologia (Note 4) E em fisiologia comecei, apesar de ser, nesses tempos, apenas histologia. Fui bem sucedido em todos os exames. Como em medicina, mas sem me interessar ser médico. O meu venerado professor convenceu-me que ia evitar que eu fosse um teórico. Foi assim que troquei a histologia do sistema nervoso à neuropatologia. Estas novas motivações, orientaram-me para estudar neuróticos. Contudo, a ausência de uma orientação real para ser médico, não abalaram os meus pacientes, a doença nada ganha com o entusiasmo de ser ou não médico. Para um doente, é melhor um médico frio mas correcto no seu trabalho.

O exposto antes é apenas para esclarecer a razão da terapia profana. Apenas para corroborar a minha legitimação, ou não, pessoal para analisar. É preciso somente independência e valor para psicoanalisar e afastarmo-nos do saber médico. Pode-se objectar nesta análise, que o saber psicanalista é um sector da medicina como ciência. Mas, medicina ou psicologia? Eis a questão. Confesso que todo o meu interesse é provar que a terapia não mata a ciência. Estas comparações levam a minha reflexão actual para muito longe das minhas anteriores reflexões. A análise é diferente da radiologia. Os físicos não precisam de doentes para estudar os raios x. O analista apenas tem esse material dos processos da psicologia humana. Estudo que só pode ser realizado com seres humanos. Há relações simples para comprender os neuróticos. São um « material » mais flexível e acessível que o ser humano normal. Se esse material é retirado a quem quer ser analista, as suas possibilidades de aprender ficam reduzidas a metade. Nem por isso, penso eu, criar neuróticos para ensinar analistas. Procriar neuróticos seria levar ao sacrifício seres humanos que já sofrem, para entregá-los àqueles que procuram saber científico. Este pequeno texto sobre a análise profana, é apenas para demonstrar as precauções necessárias que o analista deve ter quando trata deste tipo de doentes, devendo, também, fazer bem ao neurótico. Precauções já alertadas por mim. Posso afirmar que a discussão sobre o sujeito perseguido, anteriormente nomeado, é um debate que nada tem de novo. É preciso chamar à atenção que ele tem analisado sem reparar em essa realidade. Tudo o que foi dito sobre o diagnóstico diferencial, é verdade. O sistema corporal, necessita de um médico para diagnosticar. Mas, como o nome da pessoa não aparece, não sabemos se o saber médico é necessário. Não há qualquer interesse científico, mas a análise leiga tem uma imensa importância na vida social e nas vidas dos pacientes. Ao analisar um colega doente, eu próprio não precisei de usar o meu saber médico pessoal, até o próprio colega não confiava da análise médica. Eu próprio não sou muito favorável a análises médicas na psicanálise. O analista profano, antes de consultar os médicos, recorria a massagistas ou a outras pessoas semelhantes. O analista profano de profissão, apenas usava ou o massagista referido ou passava a ser um orientador de consciência laica. Orientação que passou a ter uma fórmula : "direction de conscience laïque" (Note 5), que servia para não procurar especialistas científicos. E curava…a questão está na fama social que estas pessoas adquirem. Os nossos amigos sacerdotes protestantes, e também católicos, libertam aos seus fregueses das suas inibições, com lições de crença e uma rudimentar orientação psicológica para resolução dos seus conflitos. Os psicólogos, os nossos adversários de psicologia individual da teoria de Adler, fazem o impossível para modificar comportamentos. Estes dois processos, o da orientação laica e o dos teóricos de Adler, têm inserido nos seus cuidados, teorias analíticas. Nós, analistas, damo-nos por completo na análise dos nossos pacientes, profunda e completamente, que até parece uma comunidade protestante, católica ou socialista, tentando aprofundar no processo de negação que o inconsciente faz, esse negar da realidade bem como outros que, como eu, se vê forçado, de forma pouco frutuosa, a reprimir as suas ideias e instintos ou orientações. O que nós fazemos é orientar a consciência até encontrar a melhor associação. Na psicanálise, desde o começo, é necessária uma união entre a cura e a pesquisa, um procurar do saber de si que triunfa e cura. É apenas, quando somos capazes de orientar a consciência analítica e aprofundar a nossa compreensão do paciente, que curamos. É essa a mais-valia científica, o prémio do analista.

Este debate fez nascer em mim a suspeita que, ao escrever sobre o analista profano, o texto é mal entendido. Os médicos estão contra este meu texto como se eu os tivesse declarado universalmente inaptos em frente dos seus colegas. Não é essa a minha intenção. Devo declarar que os médicos analistas sem formação, são bem mais perigosos, aparentemente, que os profanos. A minha opinião real pode ser transferida ao copiar uma reportagem cínica emitida por Simplicissimus (Note 6) sobre as mulheres. Um dos interlocutores desespera-se das fraquezas do belo sexo, enquanto um outro responde remarcando que a mulher é o melhor que há dentro do género humano. As mulheres são o que há de melhor como material entre os analistas. Apenas existe o direito que a sua preparação não tome vantagem sobre a aprendizagem do sexo masculino, sem tomar vantagem de serem mulheres para ganharem melhores lugares entre os estudantes da faculdade. (Note 7). Da mesma maneira, partilho o apoio dos que usam os materiais somáticos em relação aos problemas psíquicos e os seus fundamentos orgânicos, anatómicos e químicos, como fazem os analistas médicos. Não é possível esquecer, também, essa quantidade de pessoas que fazem psicanálise por um lado, e por outro procuram ajuda entre pessoas formadas em ciências do espírito Por motivos práticos, temos o hábito de separar as análises médicas das análises da psicologia. Isto não é correcto. Na realidade, a linha de demarcação está entre a psicanálise científica e a sua aplicação no sector medicamentoso e no não medicamentoso.

Os nossos colegas americanos sabem fazer tudo muito bem. A recusa à análise profana aparece nos seus debates. Estou em crer, que apenas se trata de um abuso do analista e das suas finalidades polémicas, relativamente à resistência médica à análise profana, por motivos pragmáticos. Os Americanos reparam que os analistas profanos no seu país são abusivos e excessivos. Consequentemente, apresentam-se aos seus pacientes como os verdadeiros analistas e cobram muito dinheiro. Ora ai é que é compreensível o desgosto dos analistas clínicos e a distância definida entre eles e os profanos

A resolução dos nossos colegas americanos contra os analistas profanos, ditada apenas por assuntos práticos, ao não poder, por lei, acabar com eles, parece-me sensata. Se não é possível afastar os analistas profanos, é, pelo menos, inapropriado desconhecer a sua existência. O que seria sábio, era reconhecer a possibilidade de uma aprovação no universo dos médicos. Aproximação que visasse colaboração, como no caso da Europa, quer a nível intelectual, quer a nível moral».

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NOTAS.



Note 1: Cette traduction ne prétend à aucune originalité. Elle est motivée par une question de droits. La traduction Gallimard (Janine Altounian, André et Odile Bourguignon, Pierre Cotet, avec la collaboration d'Alain Rausy) (qui n'est pas du domaine public), en effet, semble difficilement améliorable, étant d'une très grande fidélité au texte freudien (les seules infidélités sont motivées par la légitime nécessité d'éviter des redondances ou des formulations que la traduction aurait rendues incorrectes). Les différences de traduction sont insignifiantes, et la traduction Gallimard de la postface doit demeurer la référence. Il eût fallu être infidèle à Freud (dont le texte allemand est d'une grande clarté) pour s'écarter sensiblement de cette traduction. (NdT) (Retour à l'appel de note 1)



Note 2: Cette postface a été publiée à l'issue d'une discussion organisée par la Revue Internationale de Psychanalyse, en été 1927 (13ème année, N° 2 et 3), sur la question de l'analyse profane. (Note du texte allemand) (Retour à l'appel de note 2)



Note 3: La redondance est dans le texte de Freud. (NdT) (Retour à l'appel de note 3)

Note 4: On pense aussi évidemment à Charcot. (NdT) (Retour à l'appel de note 4)



Note 5: L'édition Gallimard ajoute à cette formule la deuxième formule "cure d'âme laïque", à laquelle rien ne correspond dans le texte allemand. Cet ajout se justifie très certainement par une volonté d'atténuer le caractère normatif de l'expression "weltiche Sellsorge". (NdT) (Retour à l'appel de note 5)



Note 6: Personnage de l'écrivain allemand Grimmelshausen (Les aventures de Simplicius Simplicissimus). (NdT) (Retour à l'appel de note 6)



Note 7: Le passage est délicat : "Wo es darauf ankommt, psychologische Tatsachen durch psychologische Hilfsvorstellungen zu erfassen". Ou nous considèrons que "Hilfs" renforce "durch" ("à l'aide de") ou nous considérons que les concepts sont ici des concepts de remplacement (un des sens possi-bles des mots commençant par "Hilfs"), des concepts qui se substituent à des modèles d'inter-pré-tation non psychologiques (voir juste avant la remarque sur l'endocrinologie et le système nerveux autonome). C'est là mon interprétation. (NdT) (Retour à l'appel de note 7)
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Dernière mise à jour de cette page le Mardi 15 octobre 2002 12:03

Par Jean-Marie Tremblay, sociologue.


Anexo 3


publicado por Carlos Loures às 15:00
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