Quinta-feira, 22 de Julho de 2010
PSD - é bom poder optar...


 Luís Moreira


Há quem diga que o PSD apresenta estas propostas encostadas muito à direita, para ter margem de negociação. Na altura de negociar o Orçamento, vai às trocas com o PS, dá cá esta alteração na Constituição que eu dou-te folga no Orçamento. Pode ser, até pode ser que esteja a tirar força ao povo, porque agora quem quer mudar de governo tem que ir para eleições, e se for com o Presidente, a ter essa possibilidade,abre a porta aos arranjinhos de gabinete.

Mas no que diz respeito à Saúde, a coisa é mais séria,há muito quem não entenda que o que está em cima da mesa é a sustentabilidade do Serviço Nacional de saúde.E com um SNS a funcionar como até aqui, não tem futuro, há que salvá-lo. Como? Complementando-o com os privados. Dizem-me que isso seria aceitar uma saúde para os pobres e outra para os ricos. Já há! E sabem porquê? Porque o SNS não se aguenta sendo" universal e tendencialmente gratuíto".

O que está verdadeiramente em equação é haver uma boa saúde gratuíta para quem não pode pagar, essa é que é a questão! Os ricos terão sempre uma boa prestação de cuidados de saúde, se não for aqui no país, é num sítio qualquer, têm dinheiro, vão onde é preciso, o Estado tem é que assegurar que os pobres sejam beneficiados com a prestação de bons cuidados de saúde. E, isso, só é possível, se o Estado tiver meios de equipamento, instalações e humanos do melhor. Não os poderá ter se continuar a querer prestar todos os cuidados médicos a toda a população.

Quanto à Educação, as escolas privadas não deixam de crescer, resultado da inexorável degradação da escola pública, que é pasto de lutas corporativas, experiências pedagógicas votadas ao fracasso e ao arrepio dos verdadeiros interesses dos alunos.É, bem melhor,que o estado tome a iniciativa de promover uma concorrência transparente e deixar as famílias optar.

Defender a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde , bem como o Estado Providência, não é querer que o estado preste serviços universais que são impossíveis de prestar com qualidade é, antes, promover as medidas necessárias para que o Estado assegure os direitos conquistados, mas sem precisar de os prestar na sua totalidade..


publicado por Luis Moreira às 13:30
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3 comentários:
De Carlos Mesquita a 22 de Julho de 2010 às 18:24
Luís; leu aqui o meu artigo (de 14 de Junho) "Opinião. Serviço Nacional de Saúde, onde acaba já não volta." Sabe que discordamos. Diz que o SNS não se aguenta e quer completá-lo com os privados. Eu citei um estudo do economista Eugénio Rosa para afirmar que "metade das próprias despesas do SNS já serão com serviços externos e subcontratos com privados." O Luís pensa que o SNS se salva aumentando a "parasitação" do serviço público pelos privados. É um contra-senso. A verdade é que da facturação de 700 milhões em 2009 pelos serviços particulares de saúde, boa parte é dinheiro do Estado, das parcerias público privadas, da segurança social, das convenções com subsistemas de saúde, dos serviços externos. Onde estão os ricos para pagar os hospitais privados? É dinheiro dos contribuintes retirado ao SNS! o desinvestimento no SNS é a resposta ligeira da média burguesia (deixe-se os ricos e os pobres fora deste filme) à sua necessidade de continuar a ter acesso aos serviços de emergência, cuidados onerosos, e especialidades não lucrativas do sistema, e á hotelaria privada; descontando esses luxos no IRS como se fossem cuidados de saúde. Os contribuintes pagam o SNS e os hospitais privados. A conta da saúde terá tendência a subir, devido aos novos meios de diagnóstico, melhores medicamentos, práticas médicas mais sofisticadas. Ou é para todos ou não. Reduzir a despesa do sector, é para além de boas práticas de gestão, investir na promoção da saúde. O investimento na saúde pública é menos de 5% do total na Saúde. O SNS é antes de mais um sistema de planificação dos cuidados de saúde de toda a população, prevenir é mais barato que tratar. Tem de se investir no SNS e na sua gestão em vez de destrui-lo para promover o Negócio da Saúde. Foram os negócios com os privados que fizeram disparar as despesas do SNS.
Cordialmente discordamos, como também discordamos na Educação, mas isso estou proibido pela minha mulher de discutir.


De António Gomes Marques a 22 de Julho de 2010 às 19:04
Caro Luís
Sei que te moves com a melhor das intenções, mas também eu não posso concordar contigo.
Não vou repetir o comentário anterior, de Carlos Mesquita, vou mesmo pedir-te que medites no que do seu comentário transcrevo:
«O investimento na saúde pública é menos de 5% do total na Saúde. O SNS é antes de mais um sistema de planificação dos cuidados de saúde de toda a população, prevenir é mais barato que tratar. Tem de se investir no SNS e na sua gestão em vez de destrui-lo para promover o Negócio da Saúde. Foram os negócios com os privados que fizeram disparar as despesas do SNS.»
É aqui que está o verdadeiro problema criado ao SNS e é com muita mágoa que digo que o PS, com Correia de Campos e seguintes, tem nisso grande responsabilidade.


De Luis Moreira a 22 de Julho de 2010 às 19:48
É claro que defenderei com todo o vigor o SNS, mas os caminhos não são os mesmos.O grande problema é o Estado ser o prestador universal de serviços, nunca o fará com a qualidade e a celeridade devida.Como os meus amigos dizem, e bem, o grande problema é a promiscuidade entre público e privado, em que os ossos ficam para o SNS e a carne (salvo seja) fica para os privados. Ora, é bem melhor que as águas sejam separadas sem tibiezas. Por exemplo, o SNS poder pagar e deve ao nível dos privados, mantendo os melhores nos seus quadros e, não como acontece agora em que os melhores médicos e pessoal técnico passa para o privado, ou está em "parte-time" no SNS.Separar águas, até porque há uma grande parte do negócio que os privados sempre rejeitarão, por não dar dinheiro, como é o caso das doenças prolongadas.É melhor separar águas e ficar tudo clarinho.Mas reafirmo, num país tão desigual e tão pobre como o nosso o SNS está na primeira linha das minhas preocupações!


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