Quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010
Do meu baú - (Abril de 2009)
Carlos Mesquita


Estava a passar num noticiário qualquer coisa como; “a crise actual só tem paralelo na de 1975”. Ouvi a minha mulher sussurrar, receosa de estar a perder a memória; “1975 (!?) não me lembro de nenhuma crise em 1975”; “Também não dei por nada, até nos casámos, não foi?” – disse-lhe eu a relembrar o ano. Para os mais novos, uma conversas destas parece um diálogo dos velhos dos “Marretas”, mas tem uma justificação. Em 1975, os tempos foram difíceis, mas a crise vivia-se colectivamente, era toda a sociedade que procurava uma saída, lutava-se muito por direitos e pela dignidade, havia solidariedade e muita esperança.

Esperança que não era fé mas confiança no futuro, que parecia poder ser traçado pelo povo. Cada conquista para quem vivia do seu trabalho dava mais alento e audácia, por isso a crise, que era real, foi menos sentida por muitos de nós.

Se hoje a situação não é pior, deve-se aos “excessos” do período revolucionário, que deixou um rasto de legislação que o 25 de Novembro ainda não conseguiu apagar. Já é tempo de falar verdade; a sociedade de hoje não é o resultado do 25 de Abril que derrubou o antigo regime, houve um segundo golpe de Estado (25 de Novembro) que repôs o poder económico nas anteriores mãos, e originou um regime político democrático liberal. O poder político actual renasceu no 25 de Novembro, todos os partidos têm a partir dessa data, orientações ideológicas e estratégias diferentes das que defendiam após o 25 de Abril, acomodaram-se ao sistema. Mário Soares, Manuel alegre e outros, sabem que o Partido Socialista de hoje, que tanto criticam, é a consequência das suas opções liberais; como ainda é mais liberal o outro partido do poder. Os portugueses aceitaram o regime saído do 25 de Novembro, é nesse que vivemos.

Apesar da crise de 1975, não trocava esse aperto e a minha idade por outra mais jovem, pela satisfação de ter vivido o único momento na História, em que os portugueses não andavam lamurientos, receosos e derrotados da vida.

A grande diferença nestas crises é que na actual voltou o medo e a desconfiança, naturais numa sociedade em que os cidadãos voltaram a não ter qualquer participação na vida pública, para além de ir votar ou abster-se de tempos a tempos.

(In semanário transmontano - extracto dum artigo publicado em Abril de 2009)

























publicado por Carlos Loures às 11:00
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5 comentários:
De Luis Moreira a 22 de Dezembro de 2010 às 12:09
É bem verdade a esperança era outra.


De augusta.clara a 22 de Dezembro de 2010 às 15:54
Estou 100% de acordo contigo, vês? E, nessa altura, todos falavamos e fazíamos política. Hoje muita gente acha que isso de política já não se usa. O que está na moda é falar de economia, dá mais currículo. Falar dos males do mundo, em termos que todos possam participar no seu combate, não interessa nada...a quem não interessa mesmo. E nós vamos na onda.


De Carlos Mesquita a 22 de Dezembro de 2010 às 21:39
Olá Augusta.

Se as empresas não olharem para os seus rácios de liquidez, e não fizerem tudo para auto financiar-se, os portugueses em 2011 vão comer croquetes de paleio político.

Como cientista sabes que o corpo humano não consegue extrair nutrientes de sandes de conversa política.

Vou passar o Natal á quintarola dos meus sogros, na Serra, se nevar trago-te um bocado num saco de papel.


De augusta.clara a 22 de Dezembro de 2010 às 21:48
Diverte-te :))


De Luis Moreira a 22 de Dezembro de 2010 às 23:09
Isso é que é qualidade de vida!


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