Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (16)
(Continuação)

O segundo, era a ideologia. A nossa ideologia era diferente, entre os vizinhos e eu. Éra-me impossível, para guardar a minha digna reputação que me fizera ser aceite pelos vizinhos, dizer que éramos socialistas exilados, como comentou um amigo meu, trabalhador Rural em Vacas, o para mim, meu íntimo Eduardo Fernández e a sua mulher Ercanación da Paróquia, da paróquia Barcia (Santo Estevo) vizinha a de Vilatuxe –as mulheres não eram assumidas pelo nome, eram referidas pelo sítio ao qual pertenciam.

Eu relatava que era católico de Missa e Comunhão, era parte do meu trabalho de campo, para ser aceite entre a comunidade, toda a qual dizia ser católica, as a maior parte dos homens não eram crentes e iam a missa como um encontro social referidos por mim nos textos citados sobre Vilatuxe e o mal vendido da Proefedições. A minha mulher era mais directa, ela não tinha nada que provar e apenas uma vez foi a Missa, apesar dos pedidos do nosso amigo o Pároco Luís Vázquez, que costumava dizer que nunca tinha encontrado uma pessoa mais cristã do que Raúl. E foi assim que consegui imensa informação sobre as famílias de Vilatuxe. Não era um engano, era parte do meu trabalho. É o que se denomina na fé romana católica dizer a verdade ocultamente, sem entrar em detalhes. Foi preciso fornecer toda a minha opinião e história sobre a devoção, os padres amigos, os Bispos e Cardeais e outros dados, contar que no meu matrimónio tínhamos recebido um telegrama do Papa Giovanni Montini ou Paulo VI e outras referências.

Era tanta a minha ansiedade para encontrar casa e trazer a minha solitária família em Compostela, que fiquei com a impressão de ter falado mais do que devia ter dito. Não estava enganado, porque o Luís, nesse dia ainda distante e a colocar imensas perguntas, disse-me que era “apenas o filho de um professor do Secundário, que eram muitos irmãos e o pai não tinha dinheiro para todos, pelo que enviou a ele e outros, a estudar ao Seminário, onde ele teria adquirido a vocação para o Sacerdócio, tinha nascido em Lugo, uma das quatro províncias da Galiza, essa que está na parte mais alta e que é fria para tremer de frio no Inverno e nas noites do verão. Comentei que o frio e a humidade era em toda Galiza, porque mesmo na sua casa de Vilatuxe, Província de Pontevedra, denominada também das Rias Altas, estava frio e húmido. Mudou de opinião num segundo e mandou trazer de imediato um radiador eléctrico para ser colocado ao pé de mim e combater a humidade. Para a minha surpresa também, convidou-me a jantar e ainda perguntou onde era que eu ia passar a noite. Disse que ainda não sabia, que estava em Lalín, em um hotel, a gastar dinheiro, mas que era parte do meu trabalho. Mais outra supressa: convidou-me para passar a noite na sua casa.

Entre essas surpresas é que se aprende as maneiras de ser e de pensar dos outros. Apenas que, quem estava a ser estudado, era eu próprio! Como percebi mais tarde. Estava a ser provado. Estava a ser examinado, tinha já eu pressentido. Mal podia dormir essa noite, por causa do frio e da humidade do quarto, casa moderna, nova, feita com solo de mosaicos frios, que apanhavam a humidade do ar. No dia a seguir, mais outra prova: as horas de eu acordar, levantar e o que fazia a seguir. Avisado pelo meu próprio instinto, acordei às 6 da manhã, apenas lavei cara e mãos e boca e desci ao piso inferior, onde encontrei ao meu bom Padre a rezar em língua latina e ler o seu Breviário , essas leituras mandadas todos os dias para meditar e organizar a vida, conforme o calendário da liturgia da Igreja Católica Romana. Calendário liturgico, dividido entre Advento, Natal, Quaresma e Comum . Bom, foi outra provação das minhas ideias, ao comentar eu: “Não falo, porque se estar a ler o seu Breviário, e o que é devido é estar em silêncio”, Luís acenou, sorriu e não falou. A seguir fomos a Missa que ele celebrava para uma meia dúzia de senhoras, denominadas beatas, não por serem santas ou não pecadoras, mas porque assistiam a Missa todos os dias, com comunhão e confissão. Tive a ideia de comungar, o que sempre fiz, não para enganar, bem como me comportar como todos os homens faziam: se eles comungavam, eu também. O Sacerdote Luís –já na época rápida da nossa amizade, quando éramos Luís e Raúl e por tu, Luís teve duas ideias: uma, convidou-me a pregar nas denominadas Missões internas da Paroquia, quando era visitada por Sacerdotes os seus amigos, e assim acabar com a monotonia de ser ele sempre a dizer a homilia dos Domingos.

Apesar de eu não ser Sacerdote, teve também a ideia de dizer-me para eu pregar uma das homilias da Missão Interna, o que eu aceitei de imediato. Queria dizer coisas que esses Padres não diziam: o duro que era o trabalho, o triste que era a vida ao trabalhar tanto e ser tão mal pago, o péssimo de ser proprietário de terras pequenas, que ficavam ainda mais pequenas nas divisões da herança à morte do proprietário, e velho que o trabalho fazia a pessoas tão novas e tão mal remuneradas esse tipo de ganhar a vida, a diferença infame entre tão poucos ricos da Paroquia e tantos pobres, todo relatado no meu texto da Profedições e no texto que tenho da CUP, Grã-bretanha. Arrebatado, a renascer em mim os meus fracassados ideais da via chilena ao socialismo, esqueci onde estava e, sem dar por isso, proferi uma homilia para o agrado dos mais, desgosto dos ricos e de olhos abertos para os Sacerdotes. O Padre Manuel, convidado, tinha pregado no dia anterior do valor e da criação do trabalho, que fazia do ser humano uma imagem da divindade, capaz de transformações. Em silêncio, senti raiva por esse tipo de palavras e pensei: “amanhã é comigo, já sei do que vou falar” . Na minha homilia até falei da instituição estatal IRYDA ou Instituto para Reforma y Desarrollo de la Agricultura . Como é evidente, de forma rápida a notícia percorreu não apenas a área de Vilatuxe e de Lalín, bem como por todos os sítios e fui congratulado por ter tido a valentia de falar de Reforma Agraria entre os camponeses, especialmente camponeses que tinham começado a sua rebelião contra a Monarquia da Espanha em 1868, ao tirar pedras a Guarda Civil, enviada pelo Conde de Lemos, proprietário das terras, usufruídas pelos jornaleiros em contrato de usufruto , que eles não queriam pagar.

Foi a família Ramos de Vilatuxe lugar, a primeira em se rebelar contra o Conde de Lemos, título na Galiza e Duque de Alba no resto da Espanha e da aristocracia nobre internacional, esse que eu descobri eram primos dos Medela, casa do Ferreiro, e do meu amigo Herminio Medela, cuja casa foi-me oferecida para o meu segundo estudo de Vilatuxe Paróquia, terra do primeiro Sindicato de Lavradores e Jornaleiros nunca antes formado, aparecido pela primeira vez em 1908, baseado na actividade revolucionaria da família Ramos, do sítio de Vilatuxe, esse com Paço e Igreja, que dava o nome a Paróquia. Mas, é matéria de outro trabalho.

Os meus amigos ao me visitarem, ou imitavam o meu gesto, como esses eternos fiéis companheiros de rota na Galiza, esses onde eu ficava porque a sua casa era a minha quando tinha de me transferir todos os meses, pós Vilatuxe, da Universidade de Cambridge a de Compostela, por causa da aulas, seminários e pesquisa financiada pela Fundação da Condesa Fenosa, o Banco Pastor e outras ninharias do título comprado ao Estado francês, desde que os títulos nobiliários foram abolidos na França, e, mais tarde, restaurados por Napoleão, o seu sobrinho Luís Napoleão Bonaparte e os Duques de Orléans, os actuais herdeiros à Coroa Francesa, caso a República fracassar. Títulos que no Chile foram acabados em 1828 por Bernardo O’ Higgins e nunca mais restaurados por ninguém! Tornando a Vilatuxe, Carlos Losada e a sua mulher, Mensi Cortisas –ele, trabalhador na Caixa Geral de Galiza ou Banco, ela, professora primária, comungavam quando eu fazia o mesmo. Amigos que me apresentaram ao Padre então António Gomes Vilasó, que, em segredo, juntava a outros sacerdotes e leigos católicos da sua confiança, para eu falar do Movimento Cristãos para O Socialismo . As minhas várias conferências, serviram para eles entrar no Movimento, com Franco ainda vivo, e espalhar a ideia entre as freiras dos Sagrados Corações, onde, sem dar por isso, laicize a muitas delas! Deixaram primeiro os Hábitos e andavam como todo o mundo, até com batom na boca.

A minha grande amiga, a Irmã Carmen Cervera , com esse senhorio de dela e a sus simpatia, disse-me um dia: “Raúl, me dejaste sim nadie en el Convento, todas se fueron, después de oir tus conferencias!” No sabia que havia continuado a luta pelo socialismo em terras estranhas às minhas. A minha paixão socialista era imensa e arrisquei prisão e expulsão, por causa desatas as minha actividades. Como já contara antes, foi preciso falar com o Cônsul do Chile em Vigo, o Espanhol, Fernando González Prieto. Tuve que confessar au meu amigo Párodo Luís, a minha verdadeira identidade. Ele aconselhou-me para não dizer nada a ninguém. Como era evidente, eu não obedeci e levei a grande surpresa da minha vida. O próprio Alcalde Pedáneo de Vilatuxe –pedáneo, por andar a pé e substituir ao Alcalde Mor ou Maior, que reside em Lalín. Disse-me que na Guerra Civil de 1939, nem a família Ramos de Vilatuxe, essa do Paço de Vilatuxe e que dá o nome a Paróquia e que eram declarados Republicanos, tinha sido assassinada por causa da intervenção do Pároco desses tempos, que organizou uma força para evitar a entrada de membros da Falange da Espanha, para matar republicanos em Vilatuxe havia muitos por causa de ter sido a primeira Paróquia Galega a se insurgir contra a Monarquia em 1868, ao impor a Monarquia um imposto sobre o consumo.

Um Domingo 5 de Novembro desse ano quando as famílias saiam da Missa e aparece a Guardia Civil, a cobrar o novo imposto sobre as pessoas, decretado pela Monarquia de Isabel II de Espanha, essa filha do abdicado Fernando VII. José Ferradás, da vizinha Paróquia de Barcia, encabeça uma rebelião de duzentos vizinhos de Vilatuxe, apedrejaram a Guardia Civil, ao sair da missa dominical desse Domingo 5 de Novembro de 1868 , e correm com a Guardia Civil. Este José Ferradas, fica na, então, Vilatuje, ao casar com uma mulher da família Ramos, Maria, e funda a família Ramos, ainda existentes na Paróquia, hoje, de Vilatuxe, no lugar de Vilatuxe . É ele e os seus decentes que, em 1908, mais tarde, criam o primeiro sindicato de pequenos proprietários e jornaleiros. Esses passeios, referidos três linhas mais acima, eram denominados passeios da morte: um amigo convidava a outro, um sabia que o outro era republicanos, o outro, não sabia que o seu amigo tinha aderido à Falange Franquista, e eram mortos pelo caminho, assassinados. Para a minha impressão, muitas portas antes fechadas para mim, foram abertas, por eu ter continuado a trabalhar na via Chilena para o Socialismo, entre os galegos agora, sem saber que estava no meio de...socialistas republicanos. Os temores do Pároco eram mais bem de ordem pessoal.

Tornando aos meus amigos Losada Cortisas, perguntei um dia ao Carlos: “porquê comungas, és crente?”, a resposta foi simples, : “Não, eu faço para te ajudar, faço como tu, porque vejo o teu esforço”. Outros, ficavam surpreendidos pelo cumprimento do ritual católico praticado por mim. Xosé Manuel Beiras disse: “Caramba!, segues à risca o teu trabalho de observação” e ficou admirado, o que percebi ao ele acrescentar: “Eu não era capaz, já fui católico e agora não aguento curas nem frades...!”, reacção típica dos ateus que não sabem ou não conseguem respeitar as ideias e ideais de outra pessoas. Talvez ou cecais, esse conceito da língua luso-galaica derivada de se calhar O meu amigo não entendia que eu estava a tentar me orientar dentro de uma cultura tão diferente da minha e da dele, essa cultura que Jack Goody pensava que era similar a toda a Europa Ocidental comentado por mim neste Capítulo, mas o não era. Uma cultura definida por mim em vários textos, especialmente no sempre reiterado Antropologia Económica de la Galicia Rural e no da Profedições de 1998. Cultura que tive a sorte de conhecer bem antes dela ter sido mudada para a zona Euro e para União Europeia. Essa Galiza que fez um dia a mulher do Ferreiro, Marcelina Medela, me convidar para uma denominada entreajuda. Disse ela: “O Senhor está cá para estudar os nossos usos e costumes. Acho que pode-lhe interessar o trabalho que vamos fazer amanhã em casa, venha almoçar connosco, se quiser, a minha casa é pobre, mas muito honrada. O Senhor vai gostar”.

Era a forma ritual de convidar um estrangeiro, supostamente rico e muito interessado nos pobres, como ela e outros costumavam dizer. Mal cheguei a casa deles, de manhã cedo – eu queria ver, experimentar, sentir- , Marcelina disse: “Mas, Don Raúl –já começava a intimidade!- o almoço é a meio dia!” e eu perguntei: “Não posso também trabalhar?”. E trabalhei até quase desmaiar. Como relato no introdução de um dos meus livros sobre Galiza. E foi ai que começou todo. Não era uma pretensão, era trabalho duro, com arado romano tirado por bois ou vacas, arado voador o de cavalo, com pá, com tesouras, com engaço ou forquilha ou enxada , conforme o que o trabalho for. No dia de Marcelina, era trabalhar com uma pá para limpar o estrume de uma corte de vacas e deixar o estábulo limpo dos dejectos das vacas, depositados a seguir num foço, para apodrecer e fazer adubo. Trabalhei como um bruto, fiquei, como se diz em Português, pior que estragado, devorei o almoço, como relato no texto publicado no Queens University Papers in Anthropology, já referido neste Capítulo. A seguir o almoço, tive que pedir ao António Montoto ou O Ferreirinho, para me levar a casa no seu tractor. Mal chequei, fiquei doente...por causa da comida: não estava habituado ao polvo, o almoço das Sestas Feiras, na Feira de Vilatuxe, todas as primeiras semanas do mês. Entre os doentes por causa do polvo, esteve também Milan Stcuhlick, Brian O´Neill e outros que nos visitaram: o tradicional era servir polvo com azeite para os visitantes, hábito aprendido por nós.

Os convites não paravam e isso causo estragos para mim na população académica, que não queriam saber que, antes de escrever, é preciso observar, participar porque o trabalho e a dor definem na cabeça o que o corpo sente, ideia referida por mim cada vez que escrevo um texto sobre trabalho de campo e observação participante, especialmente esse texto no livro de José Madureira Pinto e Augusto Santos Silva . O trabalho de campo serve para entender, enquanto o corpo sofre. Dai as minhas palavras de que as palavras falam, mas falam quando o corpo participa em uma actividade.

Foi assim em Vilatuxe. Foi o prazer das nossas vidas, excepto quando o meu amigo Pároco Luís, disse-me um dia: “vejo que comungas, mas não vejo que confesses”, habituado já às ironias do meu Pároco, respondi com outra: “Não posso confessar contigo, porque és o meu amigo, pelo que vou ao Cura de Barcia – a Paróquia vizinha- e confesso com ele, ou na Catedral de Compostela”. Se ele acreditou ou não, nunca soube, mas tinha-me por um bom católico e cristão fervoroso como está narrado nos vários textos escritos por mim sobre a Galiza. Era um prazer com muito trabalho, quer para mim, quer para minha mulher e, ainda, para a nossa mais pequena filha Camila.

Foi, também a época de criar as crianças e das ensinar para o seu processo de aprendizagem. Esse processo que tenho estudado em referido em vários textos meus, especialmente os mais recentes sobre Antropologia da Educação. Mas, para Gloria e eu, educar crianças em culturas alheias, era um problema. Paula queria andar de noiva, como ela dizia, porque todas as suas amigas iam fazer a sua denominada Primeira Comunhão. Mal avisado, eu disse não, nos não somos católicos, mas não digas a ninguém. Ela manteve a cumplicidade, narrada por mim no meu texto O Imaginário das Crianças, os silêncios da cultura oral, já referido e citado, da Fim de Século, 1ª e 2ª Edição. No entanto, no dia que as suas amigas andavam de branco e ela não, eu fiquei triste porque ela chorava por não fazer como as outras. Contradição de adulto que leva às crianças por sítios desconhecidos e solicita fazer como todos fazem, excepto no ritual. Porque, se eu transferia o limiar do ritual sem risco, porque ela, que não entendia e tinha sido catequizada na religião católica, não podia também partir esse limiar? Era parte das lisuras que acontecem quando andamos a trabalhar em sítios longe do nosso, para pessoas ainda de outros sítios, como era o meu caso, o nosso caso: na Galiza, para a Grã-Bretanha!

Notas:
Informaçãop retirada dos meus textos, da minha memória e da página web: http://gl.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9ixome,_Lal%C3%ADn



O breviário é um livro mandado ler pelo Direito Canónico, a todos os Sacerdotes e Frades, leituras diferentes, conforme a época que se comemora no rito latino da religião católica. Referido não apenas do meu próprio saber, bem como do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+livro+Brevi%C3%A1rio+leitura+sacerdotes+cat%C3%B3licos&btnG=Pesquisar&meta= . Definido na página Web, como: breviário, livro que contém a parte do ofício divino cuja recitação é obrigatória diariamente para os sacerdotes católicos em: pwp.netcabo.pt/0446031601/edicoes/breviario.htm


retirado da wikipédia e das minhas próprias recordações. Da wikipédia, pagina web que diz: O Ano liturgico é o período de doze meses, divididos em tempos liturgicos, onde se celebram como memorial, os mistérios de Cristo, assim como a memória dos Santos. Página web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ano_lit%C3%BArgico






IRYDA era uma instituição que tentava organizar a agricultura galega, juntando e transferindo campos contíguos para fazer da denominada pequena propriedade fundiária, uma propriedade maior. Apenas que, os membros do IRYDA, não entendia, as leis habituais e costumeiras da cultura galega, que tinha por sistema de herança, o denominado Petruciado: havia a denominada companhia familiar galega, sistema patriarcal de gestão do património, onde quem mais mandava, era o herdeiro de toda a terra, com apenas algumas leiras de terra para os mais novos. O Petrucio, herdava todo o melhor e maior, e era o patriarca da família, sistema mudado a seguir a entrada da Espanha na União Europeia nos anos 80 do Século passado. A rivalidade das famílias era grande. Normalmente era o filho mais velho a herdar todo, como o morgado de Portugal, referido por mim na Introdução deste texto. O petruciado, é teorizado por mim, no Capítulo IV do meu livro sobre a Antropologia Económica de la Galicia Rural, Capítulo IV, livro, infelizmente esgotado e nunca traduzido ao Português. Para saber do IRYDA, ver o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=IRYDA+Galiza+1973&btnG=Pesquisar&meta= Para analisar o Petruciado, ver no sítio Net que fala do meu livro: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Ra%C3%BAl+Iturra+Antropologia+Econ%C3%B3mica+de+la+Galicia+Rural&spell=1 Para saber sobre o meu texto, que entre outras coisas diz: a necessidade de maximizar o potencial produtivo de cada um requer o estabelecimento de uma série de trocas recíprocas com os outros; ao mesmo tempo, as obrigações, que emergem destas trocas recíprocas, têm de ser manipuladas, de modo a que não inibam a maximização. [Mais:] A reciprocidade , na qual se baseiam as estratégias Vilatuxe, opera no interior de um contexto social. É uma forma de conduta desenvolvida entre pessoas que estabelecem laços materiais umas com as outras, na base de laços sociais preexistentes. Este contexto social é constituído pelo pessoal da casa, pela família alargada e pela vizinhança" .Retirado de um ensaio de Francisco Baleias sobre reciprocidade, no qual também analisa o meu conceito de compañía familiar gallega, ver a página Web: http://baleirasensaios.blogspot.com/2006/03/antropologia-econmica-ddiva-emprstimo.html


Para saber sobre o sistema do Petruciado, ver o meu texto da Antrologia Económica de la Galicia Rural, de 1988, ou o da Profedições de 1999 ou o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Petr%C3%BAcio+Forma+de+Herdar+Galiza&spell=1 , especialmente a página web Wikisource: http://gl.wikisource.org/wiki/Lei_de_dereito_civil_de_Galicia , na qual aparece o Petruciado na sua actualidade. Não resisto citar o começo do texto, por ser relevante a pesquisa por mim feita durante estes anos todos: O dereito civil de Galicia é unha creación xenuína do pobo galego. Como dereito regulador de relación entre suxeitos privados, xorde ó longo dos séculos na medida en que a súa necesidade se fai patente fronte a un dereito que, por ser común, negaba as nosas peculiaridades xurídicas emanadas do mais fondo sentir do noso pobo. É por iso un froito da realidade social e, como tal, cambiante ó longo do tempo, de xeito que mentres unhas institucións perden vixencia aparecen outras que tratan de acomodarse á nova situación. Esta tensión entre a realidade e a supervivencia de formas xurídicas que van sendo superada foi dando, así mesmo, novo sentido a novas institucións, xa que poucas veces poderá atoparse unha relación funcional tan estreita entre esas necesidades que as institucións xurídicas tentan acadar e a realidades de cada momento histórico.Retirado da Página Web referida.Ou, sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Petr%C3%BAcio+Forma+de+Herdar+Galiza&spell=1


Son facultades do petrucio ou, se é o caso, do sócio administrador: ..... Se lle correspondese herdar á Comunidade Autónoma de Galicia, ...Retirado do sítio Net: www.xurisnet.com/?contenido=estatico/boletines/galicia/g19950606/g19950606_0.html -






O contrato de usufruto, era o que imperava na Galiza, até 1908, ao mudar a lei por causa da greve de produtores, começada na Galiza pela família Ramos do lugar de Vilatuxe, esse do Paço de Vilatuxe, que dá o nome a paróquia, relatado por mim no eterno citado livro da Proedicões e descoberto por mim no meu segundo estudo da Paróquia em 1998, na casa dos Medela, quando descobri que eram primos do Conde de Lemos e da Duquesa de Alba.. Ver em texto citado. E no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Contrato+de+Usufructo+na+Lei+Galega&meta=


O Movimento começado por mim, tem vida própria, como é referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Cristianos+para+el+Socialismo+Galicia+&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente página web: http://galiza-sosego.blogspot.com/2007/01/xess-rebelde.html , texto de JOSÉ MARÍA GARCÍA-MAURIÑO, Cristianos por el Socialismo, na publicação: ECLESALIA, 08/01/07.- , bem como na pagina Web, do mesmo sítio Net, no jornal El Pais de 10-02-1979; http://www.elpais.com/articulo/espana/ESPAnA/CONFERENCIA_EPISCOPAL_ESPAnOLA/COALICION_DEMOCRaTICA/ELECCIONES_LEGISLATIVAS_1979_/1-3-1979/Cristianos/Socialismo/califica/opresion/moral/documento/obispos/elpepiesp/19790211elpepinac_8/ Tes/ onde é criticada uma carta dos Bispos Espanhóis, que o Presidente Regional Fraga Iribarne aprova, mas no mesmo texto é referido que: Por su parte, Cristianos por el Socialismo estima que el comuñicado de los obispos resulta favorable a los partidos de derecha y conservadores.


Los miembros de Cristianos por el Socialismo deploran, desde su perspectiva de creyentes, que esta declaración dé pie a una imagen de la Iglesia aliada con el conservadurismo social y enfrentada con las fuerzas en las que, de hecho, se reconocen las aspiraciones de la mayoría de las capas más humildes y de los marginados de la sociedad Los firmantes del documento se preguntan por qué ante problemas tan graves como el divorcio, el aborto, el derecho a la educación, la declaración del Episcopado «orienta la mirada en la misma dirección que los partidos de la derecha». Referido na Página Web: www.elpais.com/.../Socialismo/califica/opresion/moral/documento/obispos/elpepiesp/19790211elpepinac_8/Tes/ -






















Sobre Carmen Cervera, ver o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Carmen+Cervera++Freira+Galiza+Biografia&btnG=Pesquisar&meta= . De resto, todo está contido nos meus diários de campo, registo meu, não publicado. Por não ser parte da minha pesquisa para Cambridge, nunca fiz a Genealogia de Carmen Cervera. Mas devo dizer que foi visitar-me ao Hospital, quando Paula adquiriu a meningite referida antes, e até juntou dinheiro, dela e outros, para colaborar no pagamento da Clínica mais cara de Compostela . a denominada Rosaleda, que ainda existe. Problemas do exílio, estar habituado ao melhor tratamento e não ter dinheiro para pagar. Foi o dia que aceitei dar o curso que Xosé Manuel Beiras tinha-me oferecido, curso pago antes em milhares de pesetas, proferido depois por mim. Depois, porque estávamos a tratar da nossa filha nesse minuto e, como não havia família, foi todo feito por nós, Gloria e eu. Entre freiras e cursos, fui capaz de pagar a Clínica e melhorar a minha amada filha!, que recuperou a seguir na casa dos Beira e, meses depois, à volta a Cambridge, na nossa nova casa de Bateman Street 53.


Paróquias de Lalin, Pintevedra, referidas em: http://gl.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9ixome,_Lal%C3%ADn


Foi uma das causas da queda da Monarquia Bourbon da Espanha e a sua fugida a Espanha, com a sua corte, e amparada pela sua coetânea, Eugenia de Montijo, a nossa parente. Entre os membros da corte ia a minha trisavô, dama de Companhia da Rainha deposta, Maria Grajera-Molano. As histórias juntam-se em momentos estranhos e sem datas, as vezes. É na casa do meu amigo pastor, Herminio Medela, que soube destas histórias, e na casa da minha Senhora-mãe, bem antes.


Para o livro editado pela Profedições, pesquisei em imensos sítios, com textos autênticos. Esta História está referida nas páginas 70 a 72, e o texto foi encontrado por mim no Arquivo da Guardia Civil Espanhola de Lalín, com ajuda do filho de Eduardo Ramos, Carlos e da filha de Herminio Medela, Pilar. Tempos volvidos. Em 1868, os Medela tomavam conta das terras dos seus primos, o Conde de Lemos, Duque de Alba, sediados no sítio paroquial de Gondoriz Pequeno. Anos mais tarde, uma Medela casa com uma descente dos Ramos, Esperanza Dobarro. A História tem as sua voltas e as sua proporias referências O texto da genealogia Ramos, está no meu livro Antropologia Económica de la Galicia Rural, página 166. O Edicto do encarceramento do “revoltoso” José Ferradas, fotocopiado na página 165 do livro da Profedições.


Informação retirada da minha pesquisa, citada no meu livro da Profedições.


Para entender este erro o lapso linguístico da língua luso-galaica, ver o sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Se+Calhar+em+Galego+%C3%A9&meta= ou na página web do sítio, do texto de Luís Gonzáles Blasco, no jornal por mim sempre lido, La Voz de Galícia ou, como hoje se diz, após a autorização de se falar na língua regional: Galiza Hoje, do 4 de Fevereiro de 2008: http://www.vieiros.com/opinions/opinion/327/beramendi-e-os-primeiros-tempos-da-upg


Informação de Dona Ana Rodrigues de Dias, da Vila de Resende, do Concelho de Lamego, quem prepara os trabalhos domésticos da nossa casa da Parede, Portugal, bem como pelo Senhor Nuno Fernandes, da Aldeia de Bicesse, Concelho de Cascais, quem secretaria os meus trabalhos. Além das citadas nos meus livros, o facto da vida rural estar em dessertificação, o dito abandono dos campos, e das alfaias antigas, levou aos Etnólogos Portugueses Ernesto Veiga de Oliveira, quem já não está entre nós, bem como a o querido amigo Benjamim Enes Pereira, a realizar um inquérito exaustivo de alfaias portuguesas orçamentados pelo antigo INIC, relatadas nos seus livros, e uma exposição permanente de alfaias rurais no Museu de Etnologia de Portugal, com o Doutor Agregado Joaquim Pais de Brito como Director. Com todo, o trabalho nos campos não tem desaparecido e é realizado pelas mulheres de casa, enquanto os homens procuram ocupação nas cidades ou vilas, como é referido em Boletim do Centro de Gestão Agrícola de Barcelos n.º 6


(trimestral) Junho 2005, pagina Web: www.cgab.pt/cgab06.pdf, do sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Listagem+Alfaias+Rurais+Lavrar+Campo+Portugal&btnG=Pesquisar&meta= Os textos do grande Etnólogo Português Bejamim Enes Pereira, estão no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Benjamim+Enes+Pereira+Bibliografia&btnG=Pesquisar&meta= bem como um Entretien ou Entrevista e Debate sobre o seu trabalho como Etnólogo em no texto Recherches en Anthropologie au Portugal. Revue annuelle du Groupe Anthropologie de Portugal, Publicado pela Universidade Nanterre X, com a colaboração do Instituo Camões e de La Maison De Sciences de l’Homme, Paris. O Nº 6, ano 2000, organizado pela Antropóloga Francesa residente em Portugal e muito bem vinda no nosso Departamento, Fabienne Wateau. Brian Juan O’Neill, já referido, o nosso Colega e amigo João Pina Cabral, bem como as Antropólogas Caroline Brettel , Jane Leave e eu próprio, tivemos de beber das fontes proporcionadas Pelos Etnólogos Portugueses referidos, para, finalmente, entender o uso das alfaias portuguesas de terra e mar, bem como aos estudos dos Antropólogos portugueses João Leal e Jorge Freitas Branco, Antropólogos a ser citados mais em frente.


Santos Silva, Augusto, Madureira Pinto, José,(0rgs) 1986: Metodologia das Ciências Sociais, Afrontamento, Porto. O meu texto é denominado : “Trabalho de Campo e Observação Participante em Antropologia”, referido no sítio Net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Metodologia+das+Ci%C3%AAncias+Sociais+Madureira+Pinto+Santos+Silva&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= O meu texto, em: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Metodologia+das+Ci%C3%AAncias+Sociais+Texto+Ra%C3%BAl+Iturra&btnG=Pesquisar&meta=


(Continua)


publicado por Carlos Loures às 15:00
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