Quarta-feira, 23 de Junho de 2010
Vicente Vieira Valério (1770?-1818?) - um defensor da língua portuguesa
Carlos Luna

Há nomes e atitudes que a História, injustamente, vai esquecendo. Os tempos mudam, bem como as motivações. É a roda da História, inexorável, a fazer evoluir a Humanidade... nem sempre de forma inquestionável. Não é fácil julgar com exactidão uma atitude do longínquo ano de 1805. Mas esquecê-la, e a quem a protagonizou, é o pior procedimento possível. Estava-se no dia 14 de Agosto de 1805.

Luís Dias presidia a uma sessão, muito especial esta, da Câmara Municipal de Olivença. Após serem tratados vários assuntos, o "Presidente" comunica que, a partir de então, as actas seriam redigidas em castelhano, conforme ordens superiores. O secretário, de nome Vicente Vieira Valério, protesta. A tradição diz que terá afirmado: "Esta é a última acta que escrevo. As outras, em língua estrangeira, não as faço. A minha mão nega-se a escrevê-las, e eu não as farei. Só sei escrevê-las na minha língua." Ninguém o conseguiu demover. E escreveu: "Salla das sessões em Olivença, aos 14 Dyas do mez dagosto de 1805".

 Era o fim. Vicente Vieira Valério deixava o seu cargo. A tradição conta que naquele dia, por ironia suprema aniversário da Batalha de Aljubarrota, chovia, e que Vicente Vieira Valério, depois de ir a casa, terá percorrido a pé os dez quilómetros a que distava a destroçada Ponte da Ajuda. Ao voltar, amigos,
parentes, e vários populares ter-lhe-ão oferecido os seus préstimos, no sentido de o ajudar. Orgulhoso, tudo rejeitou: "Obrigado, mas não quero viver de esmolas!" Transformado em pária, Vicente Vieira Valério terá acabado por morrer à míngua de recursos... afinal, pelo simples facto de se negar a trair a sua cultura. Mesmo que haja algum exagero quanto a alguns factos, parece assente que morreu em situação de pobreza. Pode-se discutir o que é o patriotismo, e que valor tem.

Mas...principalmente hoje, em que tanto se fala da importância da Língua Portuguesa no Mundo e na necessidade de a defender, não se pode esquecer gente com esta determinação. Seria uma "distracção" indesculpável.

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publicado por Carlos Loures às 11:00
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