Terça-feira, 2 de Novembro de 2010
A Colónia de Sacramento


Carlos Loures

A Colónia de Sacramento, foi uma povoação fundada pelos portugueses em 1680 na margem esquerda do rio da Prata, em território onde actualmente se situa a cidade de Montevideu, capital do Uruguai. Como é que os portugueses foram criar um entreposto já em território da coroa espanhola?

Quando D. Manuel Lobo assumiu o posto de governador do Rio de Janeiro, em 1679, recebera em Lisboa ordens do rei D. Pedro II para ir até ao rio da Prata e aí fundar uma colónia fortificada que servisse de apoio logístico ao comércio com as províncias colonizadas pelos castelhanos. O rei correspondia a pedidos da Câmara Municipal do Rio e, certamente, aos interesses dos comerciantes locais, interessados em expandir os seus negócios.

D. Manuel Lobo organizou uma expedição em que levou, além de agricultores com suas mulheres e filhos, artífices de várias especialidades e, naturalmente, clérigos e soldados. No dia 22 de Janeiro de 1680, fez portanto, há dias, 330 anos, a colónia foi solenemente fundada, num promontório próximo da actual cidade de Montevideu. Nome muito português: Colónia do Santíssimo Sacramento.

O governador castelhano de Buenos Aires, na outra margem do rio, ordenou uma ofensiva contra a nova possessão portuguesa. Quatro mil homens, entre os quais muitos índios guaranis, atacaram a fortaleza. Os portugueses resistiram a três ataques sucessivos, desenvolvidos aos longo de mais de sete meses. Finalmente, em 7 de Agosto, a fortaleza foi tomada, aprisionado D. Manuel Lobo que veio a morrer no cativeiro em Buenos Aires. A coroa espanhola assumiu o controlo do entreposto até que o Tratado de Lisboa, firmado em 1681, devolveu a colónia a Portugal. Duarte Chaves, novo governador do Rio, foi a Sacramento reaver a colónia.

O território atravessou então uma fase de prosperidade, vivendo da salga de peixe, criação de gado, comércio de carne e couros, plantação de trigo. Foram distribuídas terras aos colonos agricultores.
A guerra da Sucessão (1701-1714), motivada pela extinção, em 1700. Da Casa de Habsburgo e pela subida ao trono de Filipe V, de Bourbon, neto de Luís XIV de França. Uma aliança liderada pela Inglaterra, mas onde Portugal se integrou, envolveu-se no conflito. Durante essa guerra, o II Marquês das Minas, comandou um exército que ocupou Madrid durante mais de mês e meio, fazendo aclamar como rei o arquiduque Carlos III.

Estes acontecimentos europeus reflectiam-se, como é óbvio, nas colónias. Reacendeu-se, pois o conflito em Sacramento, e as forças espanholas voltaram a tomar o entreposto português em 1705. Em 1715, o Tratado de Utreque devolveu o território à coroa portuguesa. Zonas periféricas da colónia foram povoadas e exploradas. Em 1718 chegaram algumas centenas de colonos transmontanos que começaram a cultivar terras fora dos limites fixados pelo tratado.

Os castelhanos fundaram então eles uma colónia da qual iria nascer Montevideu, a actual capital uruguaia. Entretanto, a expansão dos colonos portugueses não cessava. Foi essa expansão que motivou novos ataques das forças sediadas em Buenos Aires que arrasaram a fortaleza e obstruíram o porto, isto apesar de o Tratado de Paris, assinado em 1763, reconhecer a soberania portuguesa sobre a colónia.

Durante mais alguns anos, os colonos portugueses de Sacramento viveram em paz e com a p
rosperidade que a riqueza do território permitia. No entanto, o Tratado de Santo Ildefonso, assinado em 1777, consagrou nova e definitivamente a soberania espanhola.

Mas os portugueses voltariam ao Uruguai. A Colónia do Sacramento tornou à posse de Portugal a partir de 1817, quando D. João VI decidiu incorporar toda a região do actual Uruguai no domínio de Portugal no Brasil. Havemos de falar da Província Cisplatina (ou Província Oriental). No vídeo que se segue, misturada com uma perspectiva turística, poderemos colher alguma informação histórica complementar do que aqui se deixou dito.



publicado por Carlos Loures às 12:00
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1 comentário:
De Luis Moreira a 2 de Novembro de 2010 às 12:28
Passei uma das tardes mais inesquecíveis da minha vida nesta jóia. E já agora um almoço na esplanada debaixo de uma árvore centenária, enquanto música portuguesa era tocada pelo dono do restaurante. Está como os Portugueses a deixaram.


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