Terça-feira, 7 de Setembro de 2010
Gracinha, por Raúl Iturra
No âmbito da nossa "Maratona Poética" a realizar durante as 24 horas de amanhã, dia 8 de Setembro, quarta-feira, temos estado a publicar tetxtos de algum modo relacionados com a poesia. O Professor Iturra, que já colaborou com textos sobre Pablo Neruda e Gabriela Mistral, envia-nos agora este texto impregnado de um intenso espírito poético.


As Três Graças, de Carle Van Loo (1763)

 ….para Graça Pimentel Lemos…                                                                                                                                      


Todos sabemos que existem, na mitologia grega, três deusas chamadas Graças.

As Graças (Cárites na Mitologia Grega) são as deusas da dança, dos modos e da graça do amor, são seguidoras de Vênus e dançarinas do Olimpo.

Apesar de pouco relevantes na mitologia greco-romana, a partir do Renascimento as Graças se tornaram símbolo da idílica harmonia do mundo clássico.

Graças, nome latino das Cárites gregas, eram as deusas da fertilidade, do encantamento, da beleza e da amizade. Ao que parece seu culto se iniciou na Beócia, onde eram consideradas deusas da vegetação. O nome de cada uma delas varia nas diferentes lendas. Na Ilíada de Homero aparece uma só Cárite, esposa do deus Hefesto.

Este meu saber sobre os mitos gregos, adquirido aos sete anos de idade, estava baseado nos originais em língua inglesa, nos escritos de Homero, citado antes, e em Flávio Josefo.

Conheci uma Gracinha, cai por ela pela graça do seu amor.

Estive mal durante um certo tempo. Não havia semana em que eu não recebera uma mensagem a perguntar pela minha saúde. Era da Graça dos modos e do amor.

Não posso negar que esperava com uma certa ansiedade essa mensagem que, finalmente, sempre aparecia. Era à distância, era cortesia, era de uma simpatia sem reproche: curto, profundo, directo ao assunto.

Sem saber, a vi um dia na minha festa dos livros de Outubro de 2008. Ocorreu-me solicitar um favor a quem eu chamo Gracinha. Pensava que podia. Uma gracinha é favor, benevolência, chiste, gracejo.

E as graças foram-me concedidas. No meio do meu tormento de doenças que, sem querer eu, me aconteciam. Nunca disse nada, não abria boca para me queixar.

A graça que eu solicitava era uma opinião sobre um texto meu e se podia colaborar comigo em fixar a minha sintaxes de meu horror de língua portuguesa, que aprendi, como quarta língua, na vida adulta. E a Gracinha concedeu-me essa graça e várias mais.

Não havia texto meu que ela não dera novas ideias, colocara direito o que era o denominado português iturriano, uma mistura das cinco línguas que uso para trabalhar, comunicar, dizer, amar. Transferir as minhas emoções íntimas a quem faz tudo por mim.

Devo dizer que essas doenças tinham acontecido para a minha desgraça e esse humor da Gracinha, aprendeu a ter paciência, apesar de ser muita curta a sua, especialmente se é acordada as horas não devidas.

Natural! É a menina mais nova de uma família de três raparigas só raparigas: Odete, Luz, e essa surpresa não esperada que, sem dar por isso um dia, os seus pais fizeram: a Graça da dança, do amor, do gracejo, a do dom sobrenatural, como meio de salvação ou satisfação. Quando está de bom humor, esse…

Mais nada digo. Bem sabemos que os mitos gregos são lições de comportamento dos sábios, como Esquilo e Sófocles, aos que devo esta simpatia de me lembrar dessas histórias antigas, que me permitem render homenagem a minha Graça, que me acompanha em todos os apertos mais duros deste dois recentes anos da minha vida.

Amo-te, é a tua frase favorita. Lá vai, entre o calor, os incêndios postos, os delitos, acidentes: as penas, enfim, e as alegrias…

Agradeço a tua companhia, eternamente…




publicado por Carlos Loures às 15:00
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1 comentário:
De sentimento mitológico a 7 de Setembro de 2010 às 15:24
Que bonito e poético texto. Gostei muito Professor


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